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CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
109 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
Fulgurante de luz, e rei dos astros, 
Tu, oh sol, neste céu teu brilho perdes. 
Gonçalves de Magalhães 
 
2.3. GONÇALVES DIAS (1823 – 1864) 
Foi o grande poeta da primeira geração do Romantismo. Escreveu: 
Primeiros cantos (1846); Segundos cantos (1848); Sextilhas de frei 
Antão (1848); Últimos cantos (1851); Os timbiras (1857). 
O indianismo, em Gonçalves Dias, não ficou apenas na 
superficialidade das cores, penas e costumes: seu índio possui 
sentimentos genuínos, com os quais o leitor se identificava – era 
um filho, um pai, um amante -, adquiriu, para além dos hábitos e 
costumes indígenas, uma universalidade. 
Além do indianismo, destaca-se na obra poética de Gonçalves Dias 
o típico sentimentalismo romântico, o confessionalismo; a 
idealização do amor a partir de sentimentos puros; a tendência ao 
isolamento, vivido em contato com a natureza; a associação entre 
a produção poética e o sentimento religioso; a riqueza e variedade 
métrica empregada em seus versos. 
Observe o trecho de Dias e Dias, de Ana Miranda, em que a 
autora, através da personagem Feliciana, destaca a idealização 
dos índios na obra de Gonçalves Dias: 
Só descobri que eram belos os índios, seus adornos, seus 
costumes, quando li as composições de Antônio, “I-Juca-Pirama”, 
“Leito de folhas verdes”, “Marabá”, tão encantadoramente líricas, 
que falam no índio gentil, nos moços inquietos enamorados da 
festa, índios que às vezes são rudos e severos mas atendem 
meigos à voz do cantor, aprendi que mesmo o sacrifício da morte e 
do canibalismo é, Deus me perdoe, uma insígnia d ́honra, percebi 
que eles sofrem, se enternecem, sentem fome, choram, receiam 
morrer (...) e descobri que eu e eles até somos parecidos ao 
menos numa coisa: os índios acordam com o estado de espírito do 
sonho que tiveram na noite, ou ledos ou tristes, ou timoratos ou 
cheios de ardimento, ybá tyba, pomar, moanga, coisa imaginada, 
caribêbê, anjo, anjo sem asas anjo caído... Falam Deuses nos 
cantos do Piaga, Anhangá me vedava sonhar, tudo o que escreve 
Antônio em suas composições deixa-me afundada como a flor de 
“Não me deixes”! 
 
Ana MIRANDA, DIAS E DIAS, 2002, p. 30). 
 
Canção do exílio 
Kennst du das Land, wo die Citronen blühen, 
Im dunkeln Laub die Gold-Orangen glühen? 
Kennst du es wohl? — Dahin, dahin! 
Möchtl ich... ziehn. * 
Goethe 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá; 
As aves, que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá. 
 
Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores. 
 
Em cismar, sozinho, à noite, 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 
 
Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar — sozinho, à noite — 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 
 
Não permita Deus que eu morra, 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que desfrute os primores 
Que não encontro por cá; 
Sem qu'inda aviste as palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 
Coimbra - julho 1843. 
 
* - "Conheces a região onde florescem os limoeiros ? 
laranjas de ouro ardem no verde escuro da folhagem; 
conheces bem ? Nesse lugar, 
eu desejava estar" 
(Mignon, de Goethe) 
 
O canto do guerreiro 
I 
Aqui na floresta 
Dos ventos batida, 
Façanhas de bravos 
Não geram escravos, 
Que estimem a vida 
Sem guerra e lidar. 
— Ouvi-me, Guerreiros, 
— Ouvi meu cantar. 
 
II 
Valente na guerra, 
Quem há, como eu sou? 
Quem vibra o tacape 
Com mais valentia? 
Quem golpes daria 
Fatais, como eu dou? 
— Guerreiros, ouvi-me; 
— Quem há, como eu sou? 
III 
Quem guia nos ares 
A frecha emplumada, 
Ferindo uma presa, 
Com tanta certeza, 
Na altura arrojada 
onde eu a mandar? 
— Guerreiros, ouvi-me, 
— Ouvi meu cantar. 
 
IV 
Quem tantos imigos 
Em guerras preou? 
Quem canta seus feitos 
Com mais energia? 
Quem golpes daria 
Fatais, como eu dou? 
— Guerreiros, ouvi-me: 
— Quem há, como eu sou? 
 
V 
Na caça ou na lide, 
 
 
 
 
 110 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 12 - Romantismo No Brasil 
 
Quem há que me afronte?! 
A onça raivosa 
Meus passos conhece, 
O imigo estremece, 
E a ave medrosa 
Se esconde no céu. 
— Quem há mais valente, 
— Mais destro que eu? 
 
VI 
Se as matas estrujo 
Co’os sons do Boré, 
Mil arcos se encurvam, 
Mil setas lá voam, 
Mil gritos reboam, 
Mil homens de pé 
Eis surgem, respondem 
Aos sons do Boré! 
— Quem é mais valente, 
— Mais forte quem é? 
 
VII 
Lá vão pelas matas; 
Não fazem ruído: 
O vento gemendo 
E as matas tremendo 
E o triste carpido 
Duma ave a cantar, 
São eles — guerreiros, 
Que faço avançar. 
 
VIII 
E o Piaga se ruge 
No seu Maracá, 
A morte lá paira 
Nos ares frechados, 
Os campos juncados 
De mortos são já: 
Mil homens viveram, 
Mil homens são lá. 
 
IX 
E então se de novo 
Eu toco o Boré; 
Qual fonte que salta 
De rocha empinada, 
Que vai marulhosa, 
Fremente e queixosa, 
Que a raiva apagada 
De todo não é, 
Tal eles se escoam 
Aos sons do Boré. 
— Guerreiros, dizei-me, 
— Tão forte quem é? 
 
Canção do Tamoio 
(Natalícia) 
 
I 
Não chores, meu filho; 
Não chores, que a vida 
É luta renhida: 
Viver é lutar. 
A vida é combate, 
Que os fracos abate, 
Que os fortes, os bravos 
Só pode exaltar. 
 
II 
Um dia vivemos! 
O homem que é forte 
Não teme da morte; 
Só teme fugir; 
No arco que entesa 
Tem certa uma presa, 
Quer seja tapuia, 
Condor ou tapir. 
 
III 
O forte, o cobarde 
Seus feitos inveja 
De o ver na peleja 
Garboso e feroz; 
E os tímidos velhos 
Nos graves concelhos, 
Curvadas as frontes, 
Escutam-lhe a voz! 
 
IV 
Domina, se vive; 
Se morre, descansa 
Dos seus na lembrança, 
Na voz do porvir. 
Não cures da vida! 
Sê bravo, sê forte! 
Não fujas da morte, 
Que a morte há de vir! 
 
V 
E pois que és meu filho, 
Meus brios reveste; 
Tamoio nasceste, 
Valente serás. 
Sê duro guerreiro, 
Robusto, fragueiro, 
Brasão dos tamoios 
Na guerra e na paz. 
 
VI 
Teu grito de guerra 
Retumbe aos ouvidos 
D'imigos transidos 
Por vil comoção; 
E tremam d'ouvi-lo 
Pior que o sibilo 
Das setas ligeiras, 
Pior que o trovão. 
 
VII 
E a mão nessas tabas, 
Querendo calados 
Os filhos criados 
Na lei do terror; 
Teu nome lhes diga, 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
111 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
Que a gente inimiga 
Talvez não escute 
Sem pranto, sem dor! 
 
VIII 
Porém se a fortuna, 
Traindo teus passos, 
Te arroja nos laços 
Do inimigo falaz! 
Na última hora 
Teus feitos memora, 
Tranqüilo nos gestos, 
Impávido, audaz. 
 
IX 
E cai como o tronco 
Do raio tocado, 
Partido, rojado 
Por larga extensão; 
Assim morre o forte! 
No passo da morte 
Triunfa, conquista 
Mais alto brasão. 
 
X 
As armas ensaia, 
Penetra na vida: 
Pesada ou querida, 
Viver é lutar. 
Se o duro combate 
Os fracos abate, 
Aos fortes, aos bravos, 
Só pode exaltar. 
 
Se te amo, não sei! 
 
Amar! se te amo, não sei. 
Oiço aí pronunciar 
Essa palavra de modo 
Que não sei o que é amar. 
 
Se amar é sonhar contigo, 
Se é pensar, velando, em ti, 
Se é ter-te n'alma presente 
Todo esquecido de mim! 
 
Se é cobiçar-te, querer-te 
Como uma bênção dos céus 
A ti somente na terra 
Como lá em cima a Deus; 
 
Se é dar a vida, o futuro, 
Para dizer que te amei: 
Amo; porém se te amo 
Como oiço dizer, — não sei. 
 
Sei que se um gênio bom me aparecesse 
E tronos, glórias, ilusões floridas, 
E os tesouros da terra me oferecesse 
E as riquezas que o mar tem escondidas; 
 
E do outro lado — a ti somente, — e o gozo 
Efêmero e precário — e após a morte; 
E me dissesse: "Escolhe" — oh! jubiloso, 
Exclamara, senhor da minha sorte! — 
 
"Que tesouro na terra há i que a iguale? 
Quero-a mil vezes, de joelhos — sim! 
Bendita a vida que tal preço vale, 
E que merece de acabar assim!" 
Gonçalves Dias 
 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEMQuestão 01 (Unicamp 2015) 
Um elemento importante nos anos de 1820 e 1830 foi o desejo de 
autonomia literária, tornado mais vivo depois da Independência. 
(…) O Romantismo apareceu aos poucos como caminho favorável 
à expressão própria da nação recém-fundada, pois fornecia 
concepções e modelos que permitiam afirmar o particularismo, e 
portanto a identidade, em oposição à Metrópole (…). 
CANDIDO, Antonio. O Romantismo no Brasil. São Paulo: 
Humanitas, 2004, p. 19. 
 
Tendo em vista o movimento literário mencionado no trecho acima, 
e seu alcance na história do período, é correto afirmar que 
a) o nacionalismo foi impulsionado na literatura com a vinda da 
família real, em 1808, quando houve a introdução da imprensa no 
Rio de Janeiro e os primeiros livros circularam no país. 
b) o indianismo ocupou um lugar de destaque na afirmação das 
identidades locais, expressando um viés decadentista e cético 
quanto à civilização nos trópicos. 
c) os autores românticos foram importantes no período por 
produzirem uma literatura que expressava aspectos da natureza, 
da história e das sociedades locais. 
d) a população nativa foi considerada a mais original dentro do 
Romantismo e, graças à atuação dos literatos, os indígenas 
passaram a ter direitos políticos que eram vetados aos negros. 
 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
 
NOTÍCIA DA ATUAL LITERATURA BRASILEIRA - INSTINTO DE 
NACIONALIDADE 
 
 Quem examina a atual literatura brasileira reconhece-lhe 
logo, como primeiro traço, certo instinto de nacionalidade. Poesia, 
romance, todas as formas literárias do pensamento buscam vestir-
se com as cores do país, e não há negar que semelhante 
preocupação é sintoma de vitalidade e abono de futuro. 
 As tradições de Gonçalves Dias, Porto Alegre e Magalhães 
são assim continuadas pela geração já feita e pela que ainda agora 
madruga, como aqueles continuaram as de José Basílio da Gama 
e Santa Rita Durão. Escusado é dizer a vantagem deste universal 
acordo. Interrogando a vida brasileira e a natureza americana, 
prosadores e poetas acharão ali farto manancial de inspiração e 
irão dando fisionomia própria ao pensamento nacional. 
 Esta outra independência não tem Sete de Setembro nem 
campo de Ipiranga; não se fará num dia, mas pausadamente, para 
sair mais duradoura; não será obra de uma geração nem duas; 
muitos trabalharão para ela até perfazê-la de todo. 
(Machado de Assis, Crítica. Texto adaptado.) 
 
 
 
 
 
 
 112 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 12 - Romantismo No Brasil 
 
Questão 02 (Fatec 2008) 
Assinale a alternativa que interpreta corretamente o texto. 
a) O texto afirma uma literatura nacionalista que tem suas raízes 
na Proclamação da Independência, episódio inspirador de obras de 
muitas gerações. 
b) Com a metáfora presente em – “As tradições [...] são assim 
continuadas pela geração já feita e pela que ainda agora madruga” 
– Machado critica a tradição de valorizar o passado, presente em 
escritores brasileiros. 
c) Há, no texto, uma concepção de literatura que privilegia a 
escolha de temas da História pátria, como é o caso de obras que 
exaltam o Sete de Setembro. 
d) Para o autor, as raízes do Realismo remontam às obras dos 
autores que ele menciona e cujos textos trazem as teses realistas 
mais importantes. 
e) Machado de Assis entende o instinto de nacionalidade na 
literatura brasileira como autonomia de ideias em relação a temas 
importados, a qual se constrói paulatinamente. 
 
Questão 03 (Fatec 2008) 
Assinale a alternativa contendo afirmação correta acerca de fato 
linguístico do texto. 
a) O pronome "lhe", destacado no 1 parágrafo, pode ser 
substituído, com correção, por "a ela". 
b) É indiferente, para o sentido da frase, que as palavras "certo" e 
"semelhante", nos trechos em destaque no 1 parágrafo, 
posicionem-se antes ou depois dos substantivos a que se referem. 
c) Os pronomes "aqueles" e "as", em destaque no 2 parágrafo, 
referem-se, respectivamente, a Gonçalves Dias, Porto Alegre e 
Magalhães e a tradições. 
d) Os pronomes "ela" e "-la", destacados no 3 parágrafo, referem-
se, respectivamente, a "obra" e "geração". 
e) A palavra "pausadamente", destacada no 3 parágrafo, expressa 
circunstância de tempo. 
 
Questão 04 
Canção do Exílio 
(...) 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá; 
As aves, que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá. 
 
Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores. 
 
Em cismar, sozinho, à noite, 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 
 
Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar - sozinho, à noite - 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 
 
Não permita Deus que eu morra, 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que desfrute os primores 
Que não encontro por cá; 
Sem qu'inda aviste as palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 
(Antônio Gonçalves Dias, "Primeiros Cantos") 
 
Gonçalves Dias consolidou o romantismo no Brasil. Sua "'Canção 
do exílio" pode ser considerada tipicamente romântica porque 
a) apóia-se nos cânones formais da poesia clássica greco-romana; 
emprega figuras de ornamento, até com certo exagero; evidencia a 
musicalidade do verso pelo uso de aliterações. 
b) exalta terra natal; é nostálgica e saudosista; o tema é tratado de 
modo sentimental, emotivo. 
c) utiliza-se do verso livre, como ideal de liberdade criativa; sua 
linguagem é hermética, erudita; glorifica o canto dos pássaros e a 
vida selvagem. 
d) poesia e música se confundem, como artifício simbólico; a 
natureza e o tema bucólico são tratados com objetividade; usa com 
parcimônia as formas pronominais de primeira pessoa. 
e) refere-se à vida com descrença e tristeza; expõe o tema na 
ordem sucessiva, cronológica; utiliza-se do exílio como o meio 
adequado de referir-se à evasão da realidade. 
 
Questão 05 
Texto 
 
O primeiro navio destacado da conserva para levar a Portugal a 
notícia do descobrimento do Brasil, e com instâncias ao rei de 
Portugal para que por amor da religião se apoderasse d'esta 
descoberta, cometera a violência de arrancar de suas terras, sem 
que a sua vontade fosse consultada, a dois índios, ato contra o 
qual se tinham pronunciado os capitães da frota de Pedro Álvares. 
Fizera-se o índice primeiro do que era a história da colônia: era a 
cobiça disfarçada com pretextos da religião, era o ataque aos 
senhores da terra, à liberdade dos índios; eram colonos 
degradados, condenados à morte, ou espíritos baixos e viciados 
que procuravam as florestas para darem largas às depravações do 
instinto bruto." 
(DIAS, Gonçalves. "Revista do Instituto Histórico e Geográfico 
Brasileiro", 4° trim. 1867, p.274.) 
 
(Uff) ÍNDICE é tudo aquilo que indica ou denota uma qualidade ou 
característica especial. No texto, Gonçalves Dias, poeta que 
consolidou o Romantismo no Brasil, afirma que "fizera-se o índice 
primeiro do que era a história da colônia" porque aquela história: 
a) seria produzida por pessoas moralmente condenáveis, que 
alegavam razões religiosas para seus atos, mas que eram movidas 
pela ganância; 
b) seria conduzida por personagens da mais alta idoneidade moral, 
que se dedicavam intensamente à causa da conversão do indígena 
brasileiro; 
c) seria arquitetada por colonos degradados, condenados à morte 
ou espíritos baixos, que buscavam no Brasil a redenção de seus 
pecados; 
d) seria derivada da cobiça disfarçada com pretextos da religião, 
que evitava o ataque dos colonos degradados aos senhores da 
terra e à liberdade dos índios; 
e) seria causada pelos condenados à morte, ou espíritos baixos e 
viciados que procuravam as florestas para se redimirem, 
convertendo os índios. 
 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
113 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
Questão 06 (Insper 2014) 
Texto 
 
Canção do tamoio(...) Porém se a fortuna, 
Traindo teus passos, 
Te arroja nos laços 
Do imigo falaz! 
Na última hora 
Teus feitos memora, 
Tranquilo nos gestos, 
Impávido, audaz. 
E cai como o tronco 
Do raio tocado, 
Partido, rojado 
Por larga extensão; 
Assim morre o forte! 
No passo da morte 
Triunfa, conquista 
Mais alto brasão. (...) 
 
(Gonçalves Dias) 
 
No fragmento poético de Gonçalves Dias, um pai explica ao filho 
como se comporta um guerreiro no momento da morte. Esse 
conselho demonstra que os românticos viam os índios 
a) como retrato de uma sociedade em crise, pois eles estavam 
sendo dizimados pelos colonizadores europeus, que tinham grande 
poder militar. 
b) de modo cruel, uma vez que, em lugar de criticar as constantes 
lutas entre tribos rivais, eles preferiam falar dos aspectos positivos 
da violência. 
c) de modo idealizado, com valores próximos aos das Cruzadas 
europeias, quando era nobre morrer por uma causa considerada 
justa. 
d) como símbolos de um país que surgia, sem nenhuma influência 
dos valores europeus e celebrando apenas os costumes dos povos 
nativos da América. 
e) com base no mito do “bom selvagem”, mostrando que eles 
nunca entravam em conflitos entre si. 
 
Questão 07 (Ufpa 2013) 
Gonçalves Dias foi considerado um dos maiores expoentes da 
literatura romântica brasileira. Procurando seguir os preceitos do 
romantismo, intencionou produzir uma poesia capaz de exprimir a 
independência literária do Brasil. Na condição de poeta, dedicou-se 
a vários gêneros literários, entre eles à poesia lírica e à poesia 
indianista. Leia atentamente as estrofes 4, 5, 6 e 7 do canto IV do 
poema I Juca Pirama, de Gonçalves Dias: 
 
Andei longes terras, 
Lidei cruas guerras, 
Vaguei pelas serras 
Dos vis Aimorés; 
Vi lutas de bravos, 
Vi fortes – escravos! 
De estranhos ignavos 
Calcados aos pés. 
 
E os campos talados, 
Aos golpes do imigo 
Meu último amigo, 
Sem lar, sem abrigo, 
Caiu junto a mi! 
Com plácido rosto, 
Sereno e composto, 
O acerbo desgosto 
Comigo sofri. 
 
Meu pai a meu lado 
E os arcos quebrados, 
E os piagas coitados 
Já sem maracás; 
E os meigos cantores, 
Servindo a senhores, 
Que vinham traidores, 
Com mostras de paz. 
Já cego e quebrado, 
De penas ralado, 
Firmava-se em mi: 
Nós ambos, mesquinhos, 
Por ínvios caminhos, 
Cobertos d’espinhos 
Chegamos aqui! 
 
Glossário: 
Aimorés: índios botocudos que habitavam o estado da Bahia e do 
Espírito Santo; 
Timbiras: Tapuias que habitavam o interior do Maranhão; 
Ignavos: fracos, covardes; 
Piaga: pajé, chefe espiritual; 
Maracá: chocalho indígena utilizado em festas religiosas e 
cerimônias guerreiras; 
Talados: devastados; 
Acerbo: terrível, cruel; 
Ínvios: intransitáveis. 
 
Questão 07 
Tendo em vista as estrofes acima transcritas, é correto afirmar que 
a) o índio Tupi descreve as vitórias de sua tribo sobre o colonizador 
europeu. 
b) o ritual antropofágico é representado como uma manifestação 
da barbárie indígena. 
c) a submissão das nações indígenas pelo homem branco é 
considerada um processo natural e desejável para o progresso da 
nova nação independente. 
d) o ponto de vista a partir do qual se elabora o poema é o do 
europeu português, que condena as práticas bárbaras e violentas 
das nações indígenas brasileiras. 
e) as práticas colonizadoras portuguesas que levaram ao quase 
extermínio da nação Tupi são julgadas do ponto de vista do próprio 
índio. 
 
Questão 08 (Uerj 2010) 
 
 
 
 
Essa tela foi produzida entre 1886 e 1888, momento de crise do 
Estado Imperial e de expansão do republicanismo. 
A imagem da independência do Brasil nela representada enfatiza 
uma memória desse acontecimento político entendido como: 
a) ação militar dos grupos populares 
b) fundação heroica do regime monárquico 
c) libertação patriótica pelos líderes brasileiros 
d) luta emancipadora face ao domínio estrangeiro

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