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Literatura I -30

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144 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 14 - Romantismo No Brasil – Terceira Geração 
 
lI - Os dois poemas são constituídos de estrofes de quatro versos 
decassílabos dos quais o segundo e o quarto de cada estrofe 
rimam entre si. 
III - Nos dois poemas aparece a primeira pessoa do singular, que 
manifesta o eu-lírico do poeta em contato com a mulher amada; 
eu-lírico que, em "Amor e medo", afirma amor ardente e medo 
enorme e, em "Boa-noite", encontra-se envolvido em uma cena 
íntima e erótica. 
 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I 
b) Apenas lI 
c) Apenas I e III 
d) Apenas lI e III 
e) I, lI e III 
 
Questão 15 (UFJF-PISM 2 2016) 
Navio negreiro – fragmentos 
(Castro Alves) 
 
Senhor Deus dos desgraçados! 
Dizei-me vós, Senhor Deus! 
Se é loucura... se é verdade 
Tanto horror perante os céus?! 
Ó mar, por que não apagas 
Co'a esponja de tuas vagas 
De teu manto este borrão?... 
Astros! noites! tempestades! 
Rolai das imensidades! 
Varrei os mares, tufão! 
 
Quem são estes desgraçados 
Que não encontram em vós 
Mais que o rir calmo da turba 
Que excita a fúria do algoz? 
Quem são? Se a estrela se cala, 
Se a vaga à pressa resvala 
Como um cúmplice fugaz, 
Perante a noite confusa... 
Dize-o tu, severa Musa, 
Musa libérrima, audaz!... 
 
São os filhos do deserto, 
Onde a terra esposa a luz. 
Onde vive em campo aberto 
A tribo dos homens nus... 
São os guerreiros ousados 
Que com os tigres mosqueados 
Combatem na solidão. 
Ontem simples, fortes, bravos. 
Hoje míseros escravos, 
Sem luz, sem ar, sem razão... 
(...) 
 
VI 
Existe um povo que a bandeira empresta 
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!... 
E deixa-a transformar-se nessa festa 
Em manto impuro de bacante fria!... 
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta, 
Que impudente na gávea tripudia? 
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto 
Que o pavilhão se lave no teu pranto!... 
Auriverde pendão de minha terra, 
Que a brisa do Brasil beija e balança, 
Estandarte que a luz do sol encerra 
E as promessas divinas da esperança... 
Tu que, da liberdade após a guerra, 
Foste hasteado dos heróis na lança 
Antes te houvessem roto na batalha, 
Que servires a um povo de mortalha!... 
ALVES, Castro. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1960. pp. 
281-283) 
 
O texto é um fragmento do poema “Navio negreiro”, de 1868, sobre 
o tráfico de escravos no Brasil. Por meio desse poema, o autor faz 
uma crítica à sociedade brasileira e à política do Império, 
responsáveis pela manutenção de um regime escravista. A figura 
que sustenta metaforicamente essa crítica é: 
a) a bandeira nacional. 
b) a providência divina. 
c) a força da natureza. 
d) a inspiração da musa. 
e) a nobreza dos selvagens. 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE LITERATURA 
Prof. Steller de Paula – VOLUME 1 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
AULA 15 - ROMANTISMO NO BRASIL – 
PROSA 
 
O ROMANCE ROMÂNTICO BRASILEIRO 
Contemporaneamente, as telenovelas cumprem o papel de refletir 
e, de certa forma, documentar a vida dos habitantes ou de grupos 
sociais das grandes cidades brasileiras, principalmente do Rio de 
Janeiro e de São Paulo. No século XIX, era o romance, surgido no 
Brasil durante o Romantismo, que cumpria essa função, servindo, 
ao mesmo tempo para entreter e para refletir os costumes, os 
valores, os conflitos da sociedade brasileira. 
Publicados em folhetins, os romances divertiam, ajudavam o leitor 
a compreender a realidade, formava opiniões e, sobretudo, 
contribuíram decisivamente para o projeto romântico de construção 
da nossa identidade cultural. 
 
Observe o que diz a esse respeito Antonio Candido: 
“No Brasil, o romance romântico, nas suas produções mais 
características (em Machado, Alencar, Bernardo Guimarães, 
Franklin Távora, Taunay), elaborou a realidade graças ao ponto de 
vista, à posição intelectual e afetiva que norteou todo o nosso 
Romantismo, a saber, o Nacionalismo literário.” 
Nacionalismo, na literatura brasileira, constituiu basicamente, como 
vimos, escrever sobre coisas locais; no romance, a consequência 
imediata e salutar foi a descrição de lugares, cenas, fatos, 
costumes do Brasil. É o vínculo que une as Memórias de um 
sargento de milícias ao Guarani e a Inocência, e significa, por 
vezes, menos o impulso espontâneo de descrever a nossa 
realidade, do que a intenção programática, a resolução patriótica 
de fazê-lo. 
Esta tendência naturalizou a literatura portuguesa no Brasil, dando-
lhe um lastro ponderável de coisas brasileiras. E como, além de 
recurso estético, foi um projeto nacionalista, fez do romance 
verdadeira forma de pesquisa e descoberta do país. 
A nossa cultura intelectual encontrou nisto um elemento 
dinamizador de primeira ordem, que contribuiu para fixar uma 
consciência mais viva da literatura como estilização de 
determinadas condições locais. O ideal romântico-nacionalista de 
criar a expressão nova de um país novo encontra no romance a 
linguagem mais eficiente.” 
Antonio Candido, Formação da Literatura Brasileira 
 
AS VERTENTES DO ROMANCE ROMÂNTICO 
Quanto à realidade que os romances românticos põem em foco, 
poderemos empreender uma divisão temática em quatro tendência, 
das quais destaca-se alguns títulos mais importantes: 
- Romances Urbanos: A moreninha, de Joaquim Manuel de 
Macedo; Lucíola e Senhora, de José de Alencar. 
 
- Romances regionalistas: O Gaúcho, Til e O Sertanejo, de José 
de Alencar; Inocência, de Visconde de Taunay; A escrava Isaura, 
de Bernardo Guimarães; O Cabeleira, de Franklin Távora. 
 
 
- Romances indianistas: O Guarani, Iracema e Ubirajara, de José 
de Alencar. 
 
 
- Romances históricos: As Minas de Prata e A Guerra dos 
Mascates, de José de Alencar. 
 
 
 
PRINCIPAIS TEMAS 
- A solidão: o sentimento de solidão, de inquietude diante da vida 
e de frustração com o mundo levam o homem romântico a procurar 
refúgios, por vezes no passado ou na natureza, por vezes no 
simples isolamento social. 
 
“As futilidade brilhantes que dantes a alegravam e que ela chama 
de flores da vida, tornaram-se, para o seu espírito mais calmo, 
flores do vento, rosas efêmeras e sem perfumes; e foi assim que 
pouco a pouco se isolou do mundo. Sentia um tédio indefinível 
pelos divertimentos, e só achava prazer na solidão.” 
José de Alencar, Encarnação. 
 
“Criamos assim um pequeno mundo, unicamente nosso; 
depositamos nele todas as belas reminiscências de nossas 
 
 
 
 
 146 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 15 - Romantismo No Brasil – Prosa 
 
viagens, toda a poesia dessas ruínas seculares em que as 
gerações que morreram, falam ao futuro pela voz do silêncio; (...) 
Achamos na quebrada de uma montanha um lindo retiro, um 
verdadeiro berço de relva suspenso entre o céu e a terra por uma 
ponta de rochedo. Aí abrigamos o nosso amor e vivemos tão 
felizes que só pedimos a Deus que nos conserve o que nos deu; a 
nossa existência é um longo dia, calmo e tranquilo, que começou 
ontem, mas que não tem amanhã.” 
José de Alencar, Cinco Minutos 
 
- O amor como redenção: a temática central está exatamente na 
exaltação do amor como força purificadora, redentora. 
 
"- O amor purifica e dá sempre um novo encanto ao prazer. Há 
mulheres que amam toda a vida; e o seu coração, em vez de 
gastar-se e envelhecer, remoça como natureza quando volta a 
primavera." 
 
"- Tive força para sacrificar-lhes outrora o meu corpo virgem; hoje 
depois de cinco anos de infâmia, sinto que não teria a coragem de 
profanar a castidade de minha alma. Não sei o que sou, sei que 
começo a viver, que ressuscitei agora. - disse Lúcia após sentir a 
afeição de Paulo." 
José de Alencar, Lucíola 
 
- Amor e morte: No Brasil, como já foi dito, todos os romancistas 
românticos elegeram o amor como tema central de suas obras, 
com a afirmação da liberdade do indivíduo de escolher seu 
parceiro para a vida e de ser feliz através do amor. 
Numa sociedadepatriarcal, porém, o casamento era, muitas vezes, 
arranjado, sendo ditado não pelo amor, mas pelos interesses 
econômicos e sociais. 
Assim, estabelece-se um conflito que gira em torno de três 
elementos: o amor, o casamento e a família; exigindo dos heróis e 
heroínas a superação dos obstáculos postos à realização do amor 
pleno. 
 
Em Senhora, José de Alencar divide a obra em quatro partes: O 
Preço, Quitação, Posse e Resgate. Essa divisão já aponta o 
caráter comercial que a sociedade atribuía ao casamento e contra 
o qual Aurélia Camargo vai se impor: 
 
“Convencida de que todos os seus inúmeros apaixonados, sem 
exceção de um, a pretendiam unicamente pela riqueza, Aurélia 
reagia contra essa afronta, aplicando a esses indivíduos o mesmo 
estalão. 
Assim costumava ela indicar o merecimento relativo de cada um 
dos pretendentes, dando-lhes certo valor monetário. Em linguagem 
financeira, Aurélia contava os seus adoradores pelo preço que 
razoavelmente poderiam obter no mercado matrimonial.” 
 
A voz da moça tomara o timbre cristalino, eco da rispidez e 
aspereza do sentimento que lhe sublevava o seio, e que parecia 
ringir-lhe nos lábios como aço. 
— Aurélia! Que significa isto? 
— Representamos uma comédia, na qual ambos desempenhamos 
o nosso papel com perícia consumada. 
Podemos ter esse orgulho, que os melhores atores não nos 
excederiam. Mas é tempo de pôr termo a esta cruel mistificação, 
com que nos estamos escarnecendo mutuamente, senhor. 
Entretemos na realidade por mais triste que ela seja; e resigne-se 
cada um ao que é, eu, uma mulher traída; o senhor, um homem 
vendido. 
— Vendido! Exclamou Seixas ferido dentro d'alma. 
— Vendido sim; não tem outro nome. Sou rica, muito rica, sou 
milionária; precisava de um marido, traste indispensável às 
mulheres honestas. O senhor estava no mercado; comprei-o. 
Custou-me cem mil cruzeiros, foi barato; não se fez valer. Eu daria 
o dobro, o triplo, toda a minha riqueza por este momento. 
Aurélia proferiu estas palavras desdobrando um papel no qual 
Seixas reconheceu a obrigação por ele passada ao Lemos.” 
 
José de Alencar, Senhora. 
 
Na impossibilidade desse amor se realizar, a morte surge como 
solução, permitindo o encontro das almas no plano espiritual. 
 
 “O dia se passou na cruel agonia que só compreendem aqueles 
que ajoelhados à borda de um leito viram finar-se gradualmente 
uma vida querida. 
 Quebrado de fadiga e vencido por uma vigília de tantas noites, 
tinha insensivelmente adormecido, sentado como estava à beira da 
cama, com os lábios sobre a mão gelada de Lúcia e a testa 
apoiada no encosto do leito. O sono foi curto, povoado de sonhos 
horríveis; acordei sobressaltado e achei-me reclinado sobre o peito 
de Lúcia, que se sentara de encontro às almofadas para suster 
minha cabeça ao colo, como faria uma terna mãe com seu filho. 
 Mesmo adormecido ela me sorria, me falava, e cobria-me de 
beijos: 
 - Se soubesses que gozo supremo é para mim beijar-te neste 
momento! Agora que o corpo está morto e a carne álgida, não 
sente nem a dor nem o prazer, é a minha alma só que te beija, que 
se une à tua e se desprende parcela por parcela para embeber em 
teu seio. 
 E seus lábios ávidos devoravam-me o rosto de carícias, 
bebendo o pranto que corria abundante de meus olhos: 
 Se alguma coisa me pudesse salvar ainda, seria esse bálsamo 
celeste, meu amigo! 
 Eu soluçava como uma criança. 
 - Beija-me também, Paulo. Beija-me como beijarás um dia tua 
noiva! Oh! agora posso te confessar sem receio. Nesta hora não se 
mente. Eu te amei desde o momento em que te vi! Eu te amei por 
séculos nestes poucos dias que passamos juntos na terra. Agora 
que a minha vida se conta por instantes, amo-te em cada momento 
por uma existência inteira. Amo-te ao mesmo tempo com todas as 
afeições que se pode ter neste mundo. Vou te amar enfim por toda 
a eternidade.” 
José de Alencar, Lucíola 
 
- Lealdade: o herói romântico é leal, fiel aos seus valores, à 
família, ao amor. Inserido numa visão maniqueísta da vida, o 
homem ou nasce bom ou nasce mau e assim se conserva durante 
toda a vida. Assim os personagens românticos são personagens 
planos, assumindo uma mesma linha de conduta durante sua 
trajetória. 
 
O ROMANCE URBANO 
Muitos críticos apontam a obra O filho do pescador, de Teixeira e 
Sousa, em 1843, como o primeiro romance brasileiro. Mas foi com 
A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, no ano seguinte, 
que a cultura do folhetim se estabeleceu. 
O romance urbano procura traçar um perfil do burguês, geralmente 
vivendo no espaço da Corte, a cidade do Rio de Janeiro, sede da 
monarquia brasileira. Os enredos basicamente tratam de aventuras 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
147 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
amorosas e amores impossíveis, registrando os interesses, o 
comportamento, os costumes e os valores da burguesia brasileira 
do século XIX, sob uma perspectiva predominantemente otimista e 
idealizada. 
No entanto, as obras não funcionam, apenas, como espelho da 
sociedade burguesa em ascensão, que ansiava por se ver 
representada positivamente. Muitas vezes, funcionavam, também, 
como um manual de boas maneiras, ora apontando valores e 
comportamentos considerados positivos e importantes para o 
desenvolvimento de uma sociedade em formação, ora criticando 
valores e comportamentos considerados negativos. 
 
Joaquim Manuel de Macedo 
Principais obras: A moreninha. (1844); O moço loiro. (1845); A 
luneta mágica. (1869). 
Macedo publicou A Moreninha, seu livro de estreia e, até hoje, sua 
mais lembrada obra, em 1844. A partir daí, publicou mais de vinte 
livros, permanecendo por muito tempo como o autor mais lido e 
querido pelo público. No entanto, ao final de sua carreira, perdeu 
seu prestígio e morreu esquecido e na pobreza. 
A maior qualidade de Macedo, como romancista, foi a capacidade 
de retratar com objetividade e com riqueza de detalhes aspectos 
do mundo real e pequenos pormenores da vida familiar da classe 
média brasileira do seu tempo. 
Seus personagens são colhidos no quotidiano da classe média: 
negociantes, caixeiros, políticos, funcionários públicos, donas de 
casa, estudantes. Seus heróis são superficiais, convencionais; as 
demais personagens são tipos caricaturais. O núcleo central de 
suas obras, como no romantismo de uma maneira geral, é o 
“problema do amor”, ou o amor impossível, com o casal de 
mocinhos precisando enfrentar alguma dificuldade à realização do 
amor e, consequentemente, do casamento. 
Assim, Macedo, pelo fato de constantemente se limitar a 
transcrever o que via e vivia na sociedade em que estava inserido, 
atuou como uma espécie de cronista, registrando os usos e 
costumes da sua época. 
 
José de Alencar 
Principais obras: O guarani. (1857); Cinco Minutos. Viuvinha. 
(1860); Lucíola. (1862); Iracema. (1865); As minas de Prata. 
(1865); Til. (1872); Ubirajara. (1874); Senhora. (1875); O sertanejo. 
(1876). 
 
 
Identidade Nacional 
Em um momento em que é necessário estabelecer e afirmar a 
identidade brasileira, José de Alencar toma para si a tarefa de fazer 
isso no âmbito literário. Seus romances pretendem apresentar os 
aspectos que o autor distingue em nossa realidade e exaltar as 
virtudes do país e de seu povo. De fato, Alencar vai se encarregar 
da tarefa com tamanho empenho que não se contentará em usar a 
língua portuguesa "clássica", aquela que o colonizador português 
nos legou, mas procurará abrasileirar o português em seus textos, 
o que é talvez uma de suas mais importantes características de 
estilo. 
 
O Romance Urbano de José de Alencar 
Alencar publicou um total de nove romances e novelas 
ambientadas no espaço urbano da Corte. Dessas, quatro foram 
classificadas por ele como obras de “perfil de mulher” (A viuvinha, 
Lucíola, Diva e Senhora). Completam o conjunto: Cinco minutos, A 
pata da gazela, Sonhos d’ouro, Encarnação e Escabiosa. 
Assim como Macedo,e até superando-o, José de Alencar foi capaz 
reconstituir cuidadosamente a vida social da burguesia de seu 
tempo, registrando com detalhes a moda, as danças, os saraus 
familiares, as recepções, as regras sociais, a linguagem. 
O núcleo temático, como era comum, gira em torno do problema do 
amor, ou do amor impossível, sendo a mulher o foco de interesse 
em torno do qual se desenvolvem os problemas econômicos e 
morais, uma vez que o casamento era a base da estrutura social, 
servindo muitas vezes como forma de ascensão social. 
Inspiradas por uma visão idealizada do amor, as heroínas de 
Alencar protestam contra o casamento por conveniência, 
construindo a tese segundo a qual o Amor (e não o dinheiro) devia 
ser a mola mestra da sociedade. 
 
MANUEL ANTÔNIO DE ALMEIDA 
Memórias de um sargento de milícias 
 
Memórias de um Sargento de Milícias, único romance de Manuel 
Antônio de Almeida, foi publicado no final de 1852 e no início de 
1853 sob a forma de folhetins. 
O romance tem características que contrastam com os romances 
românticos de sua época e apresentas traços que anunciam a 
literatura modernista do século XX: primeiro, por ter como 
protagonista um herói malandro (Leonardo é o primeiro malandro 
da literatura brasileira), ou um “anti-herói”, de acordo com alguns 
críticos; segundo, pelo tipo especial de nacionalismo que 
apresenta, ao retratar traços específicos da sociedade brasileira do 
tempo do rei D. João VI, com seus costumes, os comportamentos 
e os tipos sociais de uma classe média baixa, até então ignorada 
pela literatura; terceiro, pelo tom de crônica que dá leveza e 
aproxima da fala sua linguagem direta, coloquial, irônica e próxima 
do estilo jornalístico. 
 
Trecho I 
“Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo algibebe 
em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio, e viera ao 
Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, 
alcançou o emprego de que o vemos empossado, e que exercia, 
como dissemos, desde tempos remotos. Mas viera com ele no 
mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria da hortaliça, 
 
 
 
 
 148 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 15 - Romantismo No Brasil – Prosa 
 
quitandeira das praças de Lisboa, saloia rechonchuda e bonitota. O 
Leonardo, fazendo-se-lhe justiça, não era nesse tempo de sua 
mocidade mal apessoado, e sobretudo era maganão. Ao sair do 
Tejo, estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo 
fingiu que passava distraído por junto dela, e com o ferrado 
sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria, 
como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do 
gracejo, e deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo beliscão 
nas costas da mão esquerda. 
Era isto uma declaração em forma, segundo os usos da terra: 
levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao anoitecer passou-se 
a mesma cena de pisadela e beliscão, com a diferença de serem 
desta vez um pouco mais fortes; e no dia seguinte estavam os dois 
amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos 
anos. 
Quando saltaram em terra começou a Maria a sentir certos enojos: 
foram os dois morar juntos: e daí a um mês manifestaram-se 
claramente os efeitos da pisadela e do beliscão; sete meses depois 
teve a Maria um filho, formidável menino de quase três palmos de 
comprido, gordo e vermelho, cabeludo, esperneador e chorão; o 
qual, logo depois que nasceu, mamou duas horas seguidas sem 
largar o peito. E este nascimento é certamente de tudo o que 
temos dito o que mais nos interessa, porque o menino de quem 
falamos é o herói desta história.” 
Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de 
milícias 
 
Trecho II 
“Afinal de contas a Maria sempre era saloia, e o Leonardo 
começava a arrepender-se seriamente de tudo que tinha feito por 
ela e com ela. E tinha razão, porque, digamos depressa e sem 
mais cerimônias, havia ele desde certo tempo concebido fundadas 
suspeitas de que era atraiçoado. Havia alguns meses atrás tinha 
notado que um certo sargento passava-lhe muitas vezes pela 
porta, e enfiava olhares curiosos através das rótulas: uma ocasião, 
recolhendo-se, parecera-lhe que o vira encostado à janela. Isto 
porém passou sem mais novidade. 
Depois começou a estranhar que um certo colega seu o 
procurasse em casa, para tratar de negócios do oficio, sempre em 
horas desencontradas: porém isto também passou em breve. 
Finalmente aconteceu-lhe por três ou quatro vezes esbarrar-se 
junto de casa com o capitão do navio em que tinha vindo de 
Lisboa, e isto causou-lhe sérios cuidados. Um dia de manhã entrou 
sem ser esperado pela porta adentro; alguém que estava na sala 
abriu precipitadamente a janela, saltou por ela para a rua, e 
desapareceu. 
À vista disto nada havia a duvidar: o pobre homem perdeu, como 
se costuma dizer, as estribeiras; ficou cego de ciúme. Largou 
apressado sobre um banco uns autos que trazia embaixo do braço, 
e endireitou para a Maria com os punhos cerrados.” 
Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de 
milícias 
 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 
O gênero "romance" surgiu no Brasil durante o Romantismo e 
moldou-se segundo os gostos e preferências da burguesia em 
ascensão. Com uma temática diversificada, logo tornou-se o tipo 
de leitura mais acessível a essa nova classe social. 
 
Dentre as afirmativas seguintes, assinale aquela que NÃO 
corresponde às tendências do "romance romântico": 
a) As obras românticas conhecidas como romance de "folhetins" 
caracterizaram-se pelo tom "água-com-açúcar", pela presença de 
elementos pitorescos e pela superficialidade de seus conflitos. 
b) As narrativas ambientadas na cidade foram rotuladas como 
"romances urbanos", sendo ainda conhecidas como obras de 
"perfis de mulher", por privilegiar as personagens femininas e seus 
pequenos conflitos psicológicos. 
c) A narrativa romântica de caráter "regionalista" tematizou, de 
forma idealizada, a vida e os costumes do "brasileiro" do interior. 
d) O romance "indianista" enfatizou nossa "cor local" ao retratar as 
lendas, os costumes e a linguagem do índio brasileiro, acentuando 
ainda mais o cunho nacionalista do Romantismo. 
e) O romance romântico caracterizou-se por uma visão crítica da 
sociedade, por apresentar personagens esféricos e por romperem 
com a idealização do índio construída por poetas como Gonçalves 
Dias. 
 
Questão 02 (PUC-RIO) 
Sobretudo compreendam os críticos a missão dos poetas, 
escritores e artistas, nesse período especial e ambíguo da 
formação de uma nacionalidade. São estes os operários 
incumbidos de polir o talhe e as feições da individualidade que se 
vai esboçando no viver do povo. (...) E de quanta valia não é o 
modesto serviço de desbastar o idioma novo das impurezas que 
lhe ficaram na refusão do idioma velho com outras línguas? Ele 
prepara a matéria, bronze ou mármore, para os grandes escultores 
da palavra que erigem os monumentos literários da pátria. 
 (José de Alencar. "Benção paterna". In Sonhos D'Ouro. 
Obra Completa. Rio de Janeiro: Editora José Aguilar, 1960, v. 1, 
pp. 699-700) 
 
O texto de José de Alencar, redigido em 1872, destaca um dos 
aspectos da formação da nacionalidade brasileira em meados do 
século XIX. 
Com base em seus conhecimentos e nas informações contidas no 
texto, analise as afirmativas a seguir. 
I - José de Alencar foi, entre os escritores associados ao 
Romantismo, um dos que por meio de sua obra buscaram construir 
e divulgar valores de uma identidade nacional brasileira, em 
meados do século XIX. 
II - A formação da nacionalidade brasileira impunha a existência de 
um "idioma novo", diferente do "idioma velho" - a língua dos antigos 
colonizadores portugueses. 
III - Para os escritores românticos, como José de Alencar, a 
pintura, o teatro e a música eram artes menores, que pouco ou 
nada contribuíam para a formação da nacionalidade brasileira. 
IV - Romances como "O Guarani" de José de Alencar tinham o 
índio e a naturezatropical como temas, no intuito de afirmar a 
originalidade e a individualidade da nova nação americana. 
Assinale a alternativa correta. 
 
a) Somente as afirmativas I e III estão corretas. 
b) Somente as afirmativas II e III estão corretas. 
c) Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas. 
d) Somente a afirmativa IV está correta. 
e) Todas as afirmativas estão corretas. 
 
 
 
	SEMANA 15 - LITERATURA - Romantismo V - STELLER sem as respostas

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