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CURSO ANUAL DE LITERATURA 
Prof. Steller de Paula 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
AULA 20 - SIMBOLISMO 
 
INTRODUÇÃO 
 
Obra de Odilon Redon 
 
 O berço do Simbolismo é o mesmo do Parnasianismo: a 
publicação do primeiro volume do Parnasse Contemporain, em 
1866. 
 O poeta francês Charles Baudelaire, porém, é considerado um 
precursor do simbolismo, com a obra As Flores do Mal, publicada 
em 1857, obra que já exibe traços do movimento. Mas é só em 
1881 que o escritor francês Paul Bourget define o novo estilo, 
chamando-o de “decadentismo”. Apenas em 1886, o termo 
decadentismo é substituído por simbolismo em um manifesto 
publicado em 1886 no suplemento Figaro Littéraire. 
 “O Simbolismo surge não apenas como uma estética oposta à 
literatura racional objetiva, plástica e descritiva realizada por 
Realismo, Naturalismo e Parnasianismo, mas como uma recusa a 
todos os valores ideológicos e existenciais da burguesia. Em vez 
da "belle époque" do capitalismo financeiro e industrial, do 
imperialismo que se ampliava por boa parte do mundo, temos o 
marginalismo de Verlaine, o amoralismo de Rimbaud e a destruição 
da linguagem por Mallarmé. 
 O artista experimenta agora, à maneira dos românticos, um 
profundo mal-estar na cultura e na realidade. Mergulha então no 
irracional, fugindo ao mundo proposto pelo racionalismo burguês, e 
descobrindo neste mergulho um universo estranho de associações 
de ideias, lembranças sem um significado definido. Universo etéreo 
e brumoso, de sensações evanescentes que o poeta deve 
reproduzir através da palavra escrita, se é que existem palavras 
para exprimi-las. 
 O Simbolismo define-se pelo anti-intelectualismo. Propõe a 
poesia pura, não racionalizada, que use imagens e não conceitos. 
É uma poesia difícil, hermética, misteriosa, que destrói a poética 
tradicional.” 
 
Elevação 
Por sobre os pantanais, os vales orvalhados, 
As montanhas, os bosques, as nuvens, os mares, 
Para além do ígneo sol e do éter que há nos ares, 
Para além dos confins dos tetos estrelados, 
 
Flutuas, meu espírito, ágil peregrino, 
E, como um nadador que nas águas afunda, 
Sulcas alegremente a imensidão profunda 
Com um lascivo e fluido gozo masculino. 
 
Vai mais, vai mais além do lodo repelente, 
Vai te purificar onde o ar se faz mais fino, 
E bebe, qual licor translúcido e divino, 
O puro fogo que enche o espaço transparente. 
 
Depois do tédio e dos desgostos e das penas 
Que gravam com seu peso a vida dolorosa, 
Feliz daquele a quem uma asa vigorosa 
Pode lançar às várzeas claras e serenas; 
 
Aquele que, ao pensar, qual pássaro veloz, 
De manhã rumo aos céus liberto se distende, 
Que paira sobre a vida e sem esforço entende 
A linguagem da flor e das coisas sem voz! 
Charles Baudelaire 
 
 No poema acima, já encontramos algumas das 
características que serão marcas da estética Simbolista, como a 
busca por transcendência, o desejo de se integrar espiritualmente 
à natureza e um pessimismo que resulta numa dor existencial. 
 Diante dessas características, assim como vimos que 
podemos estabelecer um paralelo entre Classicismo, 
Neoclassicismo (Arcadismo) e Parnasianismo, também podemos 
observar a relação que se estabelece entre Simbolismo e 
Romantismo. Veja o que diz a esse respeito Afrânio Coutinho: 
 “O Simbolismo foi assim uma forma do espírito romântico, sob 
certos aspectos uma continuação, um Romantismo indireto e 
extremado, tanto quanto ele fugindo do mundo exterior por 
acreditar que só real aquilo que é refletido pela consciência 
individual. Destarte, para o Simbolismo o que importa são os 
estados de alma e destes somente os que podem ser conhecidos – 
os seus próprios. Daí sua religião do eu, a forte nota individualista, 
oposta à filosofia social – e a religião das sensações em lugar da 
filosofia da estética. E como decorrência natural desses dois 
princípios, as atitudes antirracionais e místicas, o tom idealista e 
religioso, a tendência ao isolamento, o respeito pela música, a 
teoria das correspondências sensoriais, a religião da beleza. A 
poesia foi separada da vida social, confundida com a música, 
explorando o inconsciente, à custa de símbolos e sugestões, 
preferindo o mundo invisível ao visível, querendo compreender a 
vida pela intuição e pelo irracional, explorando a realidade situada 
além do real e da razão. 
 Sendo a vida misteriosa e inexplicável, como pensavam os 
simbolistas, era natural que fosse representada de maneira 
imprecisa, vaga, nebulosa, ininteligível e obscura.” 
Afrânio Coutinho, A Literatura no Brasil 
 
 
 
 
 
 200 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 20 - Simbolismo 
 
“O Simbolismo foi assim uma forma do espírito romântico, sob 
certos aspectos uma continuação, um Romantismo indireto e 
extremado, tanto quanto ele fugindo do mundo exterior por 
acreditar que só real aquilo que é refletido pela consciência 
individual. Destarte, para o Simbolismo o que importa são os 
estados de alma e destes somente os que podem ser conhecidos – 
os seus próprios. Daí sua religião do eu, a forte nota individualista, 
oposta à filosofia social – e a religião das sensações em lugar da 
filosofia da estética. E como decorrência natural desses dois 
princípios, as atitudes antirracionais e místicas, o tom idealista e 
religioso, a tendência ao isolamento, o respeito pela música, a 
teoria das correspondências sensoriais, a religião da beleza. A 
poesia foi separada da vida social, confundida com a música, 
explorando o inconsciente, à custa de símbolos e sugestões, 
preferindo o mundo invisível ao visível, querendo compreender a 
vida pela intuição e pelo irracional, explorando a realidade situada 
além do real e da razão.” 
Afrânio Coutinho, A Literatura no Brasil 
 
SIMBOLISMO NO BRASIL 
A literatura brasileira, no final do século XIX, estava dominada 
pelos ideais e pelas normas estéticas manifestadas a partir de 
1870. Vigorava o propósito de retratar a realidade objetivamente, o 
que refletia o materialismo da época. 
No entanto, à medida que se aproximava o fim do século, ficava 
evidente que essas escolas aproximavam-se do esgotamento. 
Ressurge, então, a herança romântica, sob a forma do Simbolismo, 
e uma visão de mundo pautada pela subjetividade volta a se 
manifestar artisticamente. 
 
CRUZ E SOUSA 
 
Obras Principais: 
Poesia 
Broquéis (1893); Faróis (1900); Últimos Sonetos (1905); O livro 
Derradeiro (1961). 
 
Prosa poética 
Tropos e Fanfarras (1885), em conjunto com Virgílio Várzea; Missal 
(1893); Evocações (1898). 
 
A obra de Cruz e Sousa, segundo os críticos, alcança uma 
densidade lírica e dramática só comparável ao dos grandes 
simbolistas franceses, como Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e 
Stéphane Mallarmé. Negro, filhos de escravos e pobre, 
encontramos em sua obra uma síntese entre as formas de 
expressão prestigiadas na Europa e o drama espiritual de um 
homem marginalizado socialmente e atormentado filosoficamente. 
Antonio Candido comenta que as maiores influências que o poeta 
sofreu, e que o marcaram para sempre, foram a de Baudelaire e a 
de Antero de Quental. ―Ao primeiro, deve não apenas o domínio 
do poema em prosa, mas certo satanismo, o senso dos contrastes 
e das correspondências, o gosto pela forma lapidar. Ao segundo 
deve o pendor pela poesia filosófica, o culto da noite, a tensão 
meditativa e a predileção pelo soneto. 
 
Temas básicos 
- A obsessão pela cor branca; 
- O erotismo e sua sublimação; 
- O sofrimento da condição negra; 
- A espiritualização, a busca pela transcendência. 
Cárcere das almas 
Ah! Toda a alma num cárcere anda presa, 
Soluçando nas trevas, entre as grades 
Do calabouço olhando imensidades, 
Mares, estrelas, tardes, natureza. 
 
Tudo se veste de uma igual grandeza 
Quando a alma entre grilhões as liberdades 
Sonha e, sonhando, as imortalidades 
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza. 
 
Ó almas presas,mudas e fechadas 
Nas prisões colossais e abandonadas, 
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo! 
 
Nesses silêncios solitários, graves, 
que chaveiro do Céu possui as chaves 
para abrir-vos as portas do Mistério?! 
Cruz e Sousa 
 
Incensos 
Dentre o chorar dos trêmulos violinos, 
Por entre os sons dos órgãos soluçantes 
Sobem nas catedrais os neblinantes 
Incensos vagos, que recordam hinos... 
 
Rolos d'incensos alvadios, finos 
E transparentes, fulgidos, radiantes, 
Que elevam-se aos espaços, ondulantes, 
Em Quimeras e Sonhos diamantinos. 
 
Relembrando turíbulos de prata 
Incensos aromáticos desata 
Teu corpo ebúrneo, de sedosos flancos. 
 
Claros incensos imortais que exalam, 
Que lânguidas e límpidas trescalam 
As luas virgens dos teus seios brancos. 
Cruz e Sousa 
 
Lubricidade 
Quisera ser a serpe venenosa 
Que dá-te medo e dá-te pesadelos 
Para envolverem, ó Flor maravilhosa, 
Nos flavos turbilhões dos teus cabelos. 
 
Quisera ser a serpe veludosa 
Para, enroscada em múltiplos novelos, 
Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa 
E babujá-los e depois mordê-los... 
 
Talvez que o sangue impuro e flamejante 
Do teu lânguido corpo de bacante, 
Da langue ondulação de águas do Reno 
 
 
Estranhamente se purificasse... 
Pois que um veneno de áspide vorace 
Deve ser morto com igual veneno... 
Cruz e Sousa 
 
 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
201 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
Tristeza do infinito 
Anda em mim, soturnamente, 
uma tristeza ociosa, 
sem objetivo, latente, 
vaga, indecisa, medrosa. 
 
Como ave torva e sem rumo, 
ondula, vagueia, oscila 
e sobe em nuvens de fumo 
e na minh'alma se asila. 
 
Uma tristeza que eu, mudo, 
fico nela meditando 
e meditando, por tudo 
e em toda a parte sonhando. 
 
Tristeza de não sei donde, 
de não sei quando nem como... 
flor mortal, que dentro esconde 
sementes de um mago pomo. 
 
Dessas tristezas incertas, 
esparsas, indefinidas... 
como almas vagas, desertas 
no rumo eterno das vidas. 
 
Tristeza sem causa forte, 
diversa de outras tristezas, 
nem da vida nem da morte 
gerada nas correntezas... 
 
Tristeza de outros espaços, 
de outros céus, de outras esferas, 
de outros límpidos abraços, 
de outras castas primaveras. 
 
Dessas tristezas que vagam 
com volúpias tão sombrias 
que as nossas almas alagam 
de estranhas melancolias. 
 
Dessas tristezas sem fundo, 
sem origens prolongadas, 
sem saudades deste mundo, 
sem noites, sem alvoradas. 
 
Que principiam no sonho 
e acabam na Realidade, 
através do mar tristonho 
desta absurda Imensidade. 
 
Certa tristeza indizível, 
abstrata, como se fosse 
a grande alma do Sensível 
magoada, mística, doce. 
 
Ah! tristeza imponderável, 
abismo, mistério, aflito, 
torturante, formidável... 
ah! tristeza do Infinito! 
Cruz e Sousa 
 
Antífona 
"Ó Formas , brancas, Formas claras 
De luares, de neves, de neblinas!... 
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas... 
Incensos dos turíbulos das aras... 
 
Formas do Amor, constelarmente puras, 
De Virgens e de Santas vaporosas... 
Brilhos errantes, mádidas frescuras 
E dolências de lírios e de rosas... 
 
Indefiníveis músicas supremas, 
Harmonias da Cor e do Perfume. 
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas, 
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume. 
Cruz e Sousa 
 
Litania dos pobres 
Os miseráveis, os rotos 
São as flores dos esgotos 
São espectros implacáveis 
Os rotos, os miseráveis 
São prantos negros de furnas 
Caladas, mudas, soturnas (...) 
Faróis à noite apagados 
Por ventos desesperados(...) 
Bandeiras rotas, sem nome, 
Das barricadas da fome. 
Bandeiras estraçalhadas 
Das sangrentas barricadas. 
Cruz e Sousa 
 
O Emparedado 
Se caminhares para a direita baterás e esbarrarás ansioso, aflito, 
numa parede horrendamente incomensurável de Egoísmos e 
Preconceitos! Se caminhares para a esquerda, outra parede, de 
Ciências e Críticas, mais alta do que a primeira, te mergulhará 
profundamente no espanto! Se caminhares para a frente, ainda 
nova parede, feita de Despeitos e Impotências, tremenda, de 
granito, broncamente se elevará ao alto! Se caminhares, enfim, 
para trás, ah! Ainda, uma derradeira parede, fechando tudo, 
fechando tudo — horrível! — parede de Imbecilidade e Ignorância, 
te deixará num frio espasmo de terror absoluto [...]. 
E, mais pedras, mais pedras se sobreporão às pedras já 
acumuladas, mais pedras, mais pedras [...] Pedras destas ódios as, 
caricatas e fatigantes Civilizações e Sociedades [...] Mais pedras, 
mais pedras! E as estranhas paredes hão de subir, — longas, 
negras, terríficas! Hão de subir, subir, subir mudas, silenciosas, até 
às Estrelas, deixando-te para sempre perdidamente alucinado e 
emparedado dentro do teu Sonho. 
Cruz e Sousa 
 
ALPHONSUS DE GUIMARAENS 
 
Obras: Poesia 
Septenário das Dores de Nossa Senhora e Câmara Ardente 
(1899); Dona Mística (1899); Kyriale (1902), seu primeiro livro, 
publicado tardiamente; Pauvre Lyre (1921); Pastoral dos Crentes 
do Amor e da Morte (1923), A Escada de Jacó (1938); Pulvis 
(1938). 
 
Prosa: Os Mendigos (1920). 
 
 
 
 
 202 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 20 - Simbolismo 
 
Alphonsus de Guimaraens é apontado como um dos principais 
representantes do Simbolismo. Sua obra apresenta uma linguagem 
simples, repleta de lirismo, e um ritmo bem musical, carregado de 
aliterações e sinestesias. 
O poeta sofreu, quando jovem, a morte de uma prima de 17 anos a 
quem amava, Constança, e a presença da amada perdida será 
constante em sua poesia: a mulher é apresentada como uma 
deusa, perfeita e intocável, acessível apenas espiritualmente, 
através da morte. Sua obra apresentará, então, um profundo 
misticismo e uma frequente referência à morte. 
 
Ismália 
Quando Ismália enlouqueceu, 
Pôs-se na torre a sonhar... 
Viu uma lua no céu, 
Viu outra lua no mar. 
 
No sonho em que se perdeu, 
Banhou-se toda em luar... 
Queria subir ao céu, 
Queria descer ao mar... 
 
E, no desvario seu, 
Na torre pôs-se a cantar... 
Estava longe do céu... 
Estava longe do mar... 
 
E como um anjo pendeu 
As asas para voar. . . 
Queria a lua do céu, 
Queria a lua do mar... 
 
As asas que Deus lhe deu 
Ruflaram de par em par... 
Sua alma, subiu ao céu, 
Seu corpo desceu ao mar... 
Alphonsus de Guimaraens 
 
Eras a sombra do poente 
Eras a sombra do poente 
Em calmarias bem calmas; 
E no ermo agreste, silente, 
Palmeira cheia de palmas. 
Eras a canção de outrora, 
Por entre nuvens de prece; 
Palidez que ao longe cora 
E beijo que aos lábios desce. 
Eras a harmonia esparsa 
Em violas e violoncelos: 
E como um vôo de garça 
Em solitários castelos. 
Eras tudo, tudo quanto 
De suave esperança existe; 
Manto dos pobres e manto 
Com que as chagas me cobriste. 
Eras o Cordeiro, a Pomba, 
A crença que o amor renova... 
És agora a cruz que tomba 
À beira da tua cova. 
Alphonsus de Guimaraens 
 
 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 
(UFV) Considere as alternativas abaixo, relativas ao 
Simbolismo: 
I - No plano temático, o Simbolismo foi marcado pelo mistério e 
pela inquietação mística com problemas transcendentais do 
homem. No plano formal, caracterizou-se pela musicalidade e 
certa quebra no ritmo do verso, precursora do verso livre do 
modernismo. 
II - O Simbolismo, surgido contemporaneamente ao 
materialismo cientificista, enquanto atitude de espírito, passou 
ao largo dos maiores problemas da vida nacional. Já a 
literatura realista-naturalista acompanhou fielmente os modos 
de pensar das gerações que fizeram e viveram a Primeira 
República. 
III - O Simbolismo, com Cruz e Sousa e Alphonsus de 
Guimaraens, nossos maiores poetas do período, legou-nos 
uma produção poética que se caracterizou pela busca da "arte 
em arte", isto é, uma preocupação com o verso artesanal, 
friamente moldado. Devido a essa tendência à objetividade na 
composição, o movimento também se denominou 
"decadentista". 
 
Assinalea alternativa CORRETA: 
a) II e III verdadeiras. 
b) I, II e III são verdadeiras. 
c) Apenas I é verdadeira. 
d) apenas I e II são verdadeiras. 
e) apenas II é verdadeira. 
 
 Questão 02 (Espm 2006) 
O poeta francês Charles Baudelaire, citado por Ferreira Gullar, 
escreveu em "As Flores do Mal" os famosos versos 
(traduzidos): 
 "Como longos ecos que ao longe se confundem 
Em uma tenebrosa e profunda unidade, 
Vasta como a noite e como a claridade, 
Os perfumes, as cores e os sons..." 
Esses versos traduzem algo de influência destacada na literatura 
brasileira nos fins do século XIX. Trata-se da: 
a) "torre-de-marfim", lugar isolado e distante dos problemas sociais 
e existenciais, para onde se refugiavam os parnasianos. 
b) "teoria do Humanitismo", princípio norteador das personagens 
machadianas, no qual prevalece a lei do mais forte. 
c) "teoria das correspondências", relação entre as diferentes 
esferas dos sentidos, ideário tão fundamental aos simbolistas. 
d) "poesia marianista", poemas de culto e exaltação a Virgem 
Maria (figura que se confunde com a amada do poeta). 
e) "poesia pau-brasil", poesia de exportação que resgata o 
primitivismo cultural. 
 
 Questão 03 
Texto I 
Com o capitalismo e a evolução da ciência e da tecnologia, o 
mundo volta seu olhar para os interesses materiais. Entretanto, 
a classe trabalhadora não obteve melhorias em suas condições 
de vida, principalmente por causa da exploração de mão de 
obra como meio de auferir grandes lucros pelos 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
203 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
empreendedores capitalistas. Isso gerou insatisfação e 
frustração ao homem comum, que passa a buscar conforto no 
lado místico e espiritual do universo. 
Tal busca pelo subjetivismo revela-se na arte como um retorno 
ao Romantismo, em que o anseio pelo refúgio fora do mundo 
real era valorizado. Nesse sentido, o predomínio da emoção 
supera o cientificismo e o objetivismo do período anterior, mas 
uma emoção carregada de frustrações e tristezas em 
decorrência do momento vivido na época. 
Fonte: 
http://educacao.globo.com/literatura/assunto/movimentos-
literarios/simbolismo.html 
 
Texto II 
Ânsia inocente 
Ai! Como bom para nós dois seria 
Se o bom Deus, dessas lendas milagrosas, 
Cheio de amor, nos concedesse um dia 
Dois brancos pares de asas vaporosas! 
 
Não sei mesmo, de alegre, o que eu faria! 
Deixando os lírios e deixando as rosas, 
feliz contigo às nuvens subiria 
para o noivado em flor das nebulosas... 
 
na carícia de pluma de uma Trova. 
Viveríamos nós, nós dois sozinhos, 
Lá nas terras fiéis da Lua-Nova... 
 
Morrer longe dos homens e das casas 
Se Deus nos desse, como aos passarinhos, 
Dois brancos pares de travessas asas! 
 
Maranhão Sobrinho, Papéis Velhos... Roídos pela Traça do 
Símbolo 
 
(Uema 2015) A voz poética do texto II, explorando 
possibilidades expressivas propostas no Simbolismo, insere-se 
no contexto histórico explicitado no texto I, pois revela a 
existência de 
a) saudade intensa da amada, o que faz o eu-lírico buscá-la 
nos sonhos, evidenciada nos versos da última estrofe. 
b) expressão de desejo de morrer, uma vez que o locutor vive 
distante da amada, anunciada, sobretudo, nos versos da 
segunda estrofe. 
c) diálogo entre o enunciador e um interlocutor imaginário em 
que aquele expressa o desejo de ambos transcenderem como 
dois anjos, sobretudo, nos versos da primeira estrofe. 
d) referência constante aos milagres da vida eterna, em que o 
enunciador busca o amor infinito, metaforizado pelas palavras 
do último verso da terceira estrofe. 
e) ideia expressa de sonho materializado, em que o locutor 
demonstra já ter vivenciado essas viagens nebulosas, 
sobretudo, nos versos da terceira estrofe. 
 
Violões que Choram... 
Ah! plangentes violões dormentes, mornos, 
soluços ao luar, choros ao vento... 
Tristes perfis, os mais vagos contornos, 
bocas murmurejantes de lamento. 
 
Noites de além, remotas, que eu recordo, 
noites de solidão, noites remotas 
que nos azuis da Fantasia bordo, 
vou constelando de visões ignotas. 
 
Sutis palpitações à luz da lua, 
anseio dos momentos mais saudosos, 
quando lá choram na deserta rua 
as cordas vivas dos violões chorosos. 
Cruz e Sousa 
 
Questão 04 (ITA 2013) 
O poema acima traz a seguinte característica da escola literária 
em que se insere: 
a) tendência à morbidez. 
b) lirismo sentimental e intimista. 
c) precisão vocabular e economia verbal. 
d) depuração formal e destaque para a sensualidade feminina. 
e) registro da realidade através da percepção sensorial do 
poeta. 
 
Questão 05 (Espcex (Aman) 2013) 
Leia a estrofe que segue e assinale a alternativa correta, 
quanto às suas características. 
 
“Visões, salmos e cânticos serenos 
Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes... 
Dormências de volúpicos venenos 
Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...” 
 
a) valorização da forma como expressão do belo e a busca 
pela palavra mais rara – Parnasianismo. 
b) linguagem rebuscada, jogos de palavras e jogos de 
imagens, característica do cultismo – corrente do Barroco. 
c) incidência de sons consonantais (aliterações) explorando o 
caráter melódico da linguagem – Simbolismo. 
d) pessimismo da segunda geração romântica, marcada por 
vocábulos que aludem a uma existência mais depressiva – 
Romantismo. 
e) lírica amorosa marcada pela sensualidade explícita que 
substitui as virgens inacessíveis por mulheres reais, lascivas e 
sedutoras – Naturalismo. 
 
Questão 06 (Uem 2015) 
Assinale o que for correto sobre o poema abaixo e sobre seu 
autor, Cruz e Souza. 
 
 Beleza morta 
De leve, louro e enlanguescido helianto 
Tens a flórea dolência contristada... 
Há no teu riso amargo certo encanto 
De antiga formosura destronada. 
 
No corpo, de um letárgico quebranto 
Corpo de essência fina, delicada, 
Sente-se ainda o harmonioso canto 
Da carne virginal, clara e rosada. 
Sente-se o errante, as harmonias 
Quase apagadas, vagas, fugidias 
E uns restos de clarão de Estrela acesa... 
 
Como que ainda os derradeiros haustos 
De opulências, de pompas e de faustos, 
As relíquias saudosas da beleza. 
	SEMANA 20 - LITERATURA - Simbolismo - STELLER sem as respostas
	CRUZ E SOUSA
	Obras Principais:
	Poesia
	Broquéis (1893); Faróis (1900); Últimos Sonetos (1905); O livro Derradeiro (1961).
	Prosa poética
	Tropos e Fanfarras (1885), em conjunto com Virgílio Várzea; Missal (1893); Evocações (1898).
	A obra de Cruz e Sousa, segundo os críticos, alcança uma densidade lírica e dramática só comparável ao dos grandes simbolistas franceses, como Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e Stéphane Mallarmé. Negro, filhos de escravos e pobre, encontramos em sua obr...
	Antonio Candido comenta que as maiores influências que o poeta sofreu, e que o marcaram para sempre, foram a de Baudelaire e a de Antero de Quental. ―Ao primeiro, deve não apenas o domínio do poema em prosa, mas certo satanismo, o senso dos contrastes...
	Temas básicos
	- A obsessão pela cor branca;
	- O erotismo e sua sublimação;
	- O sofrimento da condição negra;
	- A espiritualização, a busca pela transcendência.
	Cárcere das almas
	Ah! Toda a alma num cárcere anda presa, Soluçando nas trevas, entre as grades Do calabouço olhando imensidades, Mares, estrelas, tardes, natureza.
	Tudo se veste de uma igual grandeza Quando a alma entre grilhões as liberdades Sonha e, sonhando, as imortalidades Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.
	Ó almas presas, mudas e fechadas Nas prisões colossais e abandonadas, Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!
	Nesses silêncios solitários, graves, que chaveiro do Céu possui as chaves para abrir-vos as portas do Mistério?!
	Cruz e Sousa
	Incensos
	Dentre o chorar dos trêmulos violinos, Por entre os sons dos órgãos soluçantes Sobem nas catedrais os neblinantes Incensos vagos, que recordam hinos...
	Rolos d'incensos alvadios, finos E transparentes,fulgidos, radiantes, Que elevam-se aos espaços, ondulantes, Em Quimeras e Sonhos diamantinos.
	Relembrando turíbulos de prata Incensos aromáticos desata Teu corpo ebúrneo, de sedosos flancos.
	Claros incensos imortais que exalam, Que lânguidas e límpidas trescalam As luas virgens dos teus seios brancos.
	Cruz e Sousa
	Lubricidade
	Quisera ser a serpe venenosa Que dá-te medo e dá-te pesadelos Para envolverem, ó Flor maravilhosa, Nos flavos turbilhões dos teus cabelos.
	Quisera ser a serpe veludosa Para, enroscada em múltiplos novelos, Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa E babujá-los e depois mordê-los...
	Talvez que o sangue impuro e flamejante Do teu lânguido corpo de bacante, Da langue ondulação de águas do Reno
	Estranhamente se purificasse... Pois que um veneno de áspide vorace Deve ser morto com igual veneno...
	Cruz e Sousa
	Tristeza do infinito
	Anda em mim, soturnamente, uma tristeza ociosa, sem objetivo, latente, vaga, indecisa, medrosa.
	Como ave torva e sem rumo, ondula, vagueia, oscila e sobe em nuvens de fumo e na minh'alma se asila. Uma tristeza que eu, mudo, fico nela meditando e meditando, por tudo e em toda a parte sonhando. Tristeza de não sei donde, de não sei quan...
	Dessas tristezas incertas, esparsas, indefinidas... como almas vagas, desertas no rumo eterno das vidas.
	Tristeza sem causa forte, diversa de outras tristezas, nem da vida nem da morte gerada nas correntezas... Tristeza de outros espaços, de outros céus, de outras esferas, de outros límpidos abraços, de outras castas primaveras.
	Dessas tristezas que vagam com volúpias tão sombrias que as nossas almas alagam de estranhas melancolias. Dessas tristezas sem fundo, sem origens prolongadas, sem saudades deste mundo, sem noites, sem alvoradas. Que principiam no sonho e ac...
	Certa tristeza indizível, abstrata, como se fosse a grande alma do Sensível magoada, mística, doce.
	Ah! tristeza imponderável, abismo, mistério, aflito, torturante, formidável... ah! tristeza do Infinito!
	Cruz e Sousa
	Antífona
	"Ó Formas , brancas, Formas claras
	De luares, de neves, de neblinas!...
	Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
	Incensos dos turíbulos das aras...
	Formas do Amor, constelarmente puras,
	De Virgens e de Santas vaporosas...
	Brilhos errantes, mádidas frescuras
	E dolências de lírios e de rosas...
	Indefiníveis músicas supremas,
	Harmonias da Cor e do Perfume.
	Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
	Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume.
	Cruz e Sousa
	Litania dos pobres
	Os miseráveis, os rotos São as flores dos esgotos
	São espectros implacáveis Os rotos, os miseráveis
	São prantos negros de furnas Caladas, mudas, soturnas (...)
	Faróis à noite apagados Por ventos desesperados(...)
	Bandeiras rotas, sem nome, Das barricadas da fome.
	Bandeiras estraçalhadas Das sangrentas barricadas.
	Cruz e Sousa
	O Emparedado
	Se caminhares para a direita baterás e esbarrarás ansioso, aflito, numa parede horrendamente incomensurável de Egoísmos e Preconceitos! Se caminhares para a esquerda, outra parede, de Ciências e Críticas, mais alta do que a primeira, te mergulhará pro...
	E, mais pedras, mais pedras se sobreporão às pedras já acumuladas, mais pedras, mais pedras [...] Pedras destas ódios as, caricatas e fatigantes Civilizações e Sociedades [...] Mais pedras, mais pedras! E as estranhas paredes hão de subir, — longas, n...
	Cruz e Sousa
	ALPHONSUS DE GUIMARAENS
	Obras: Poesia
	Septenário das Dores de Nossa Senhora e Câmara Ardente (1899); Dona Mística (1899); Kyriale (1902), seu primeiro livro, publicado tardiamente; Pauvre Lyre (1921); Pastoral dos Crentes do Amor e da Morte (1923), A Escada de Jacó (1938); Pulvis (1938).
	Prosa: Os Mendigos (1920).
	Alphonsus de Guimaraens é apontado como um dos principais representantes do Simbolismo. Sua obra apresenta uma linguagem simples, repleta de lirismo, e um ritmo bem musical, carregado de aliterações e sinestesias.
	O poeta sofreu, quando jovem, a morte de uma prima de 17 anos a quem amava, Constança, e a presença da amada perdida será constante em sua poesia: a mulher é apresentada como uma deusa, perfeita e intocável, acessível apenas espiritualmente, através d...
	Ismália Quando Ismália enlouqueceu, Pôs-se na torre a sonhar... Viu uma lua no céu, Viu outra lua no mar. No sonho em que se perdeu, Banhou-se toda em luar... Queria subir ao céu, Queria descer ao mar... E, no desvario seu, Na torre pôs-se a cantar....
	E como um anjo pendeu As asas para voar. . . Queria a lua do céu, Queria a lua do mar... As asas que Deus lhe deu Ruflaram de par em par... Sua alma, subiu ao céu, Seu corpo desceu ao mar...
	Alphonsus de Guimaraens
	Eras a sombra do poente
	Eras a sombra do poente
	Em calmarias bem calmas;
	E no ermo agreste, silente,
	Palmeira cheia de palmas.
	Eras a canção de outrora,
	Por entre nuvens de prece;
	Palidez que ao longe cora
	E beijo que aos lábios desce.
	Eras a harmonia esparsa
	Em violas e violoncelos:
	E como um vôo de garça
	Em solitários castelos.
	Eras tudo, tudo quanto
	De suave esperança existe;
	Manto dos pobres e manto
	Com que as chagas me cobriste.
	Eras o Cordeiro, a Pomba,
	A crença que o amor renova...
	És agora a cruz que tomba
	À beira da tua cova.
	Alphonsus de Guimaraens

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