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84 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) c) o desapego aos temas do cotidiano o aponta como um poeta que, embora inserido no Modernismo, está muito distanciado das causas sociais e da busca de uma identidade nacional, como fizeram seus contemporâneos. d) o movimento modernista teve com seu trabalho e com o de poetas como Oswald e Mário de Andrade a base de sua criação. Bandeira recriou literariamente suas experiências pessoais, com temas como o amor, a morte e a solidão, aos quais conferiu um valor mais universal. e) o poeta trata de temas bastante recorrentes ao Romantismo, como a saudade, a infância e a solidão. Além disso, expressa-se como os românticos, já que tem uma visão idealizada do mundo. Daí seu distanciamento dos demais modernistas da primeira fase. Questão 07 (Ufrs) Leia os versos abaixo, do poema "Chama e Fumo" de Manuel Bandeira. "Amor - chama, e, depois, fumaça... Medita no que vais fazer: O fumo vem, a chama passa... Gozo cruel, ventura escassa, Dono do meu e do teu ser, Amor - chama, e, depois, fumaça... [...] A cada par que a aurora enlaça, Como é pungente o entardecer! O fumo vem, a chama passa..." Assinale a alternativa correta sobre os versos citados. a) Através de uma linguagem concisa e metafórica, os versos abordam o tema do amor - em sua intensidade e efemeridade. b) Os versos se apresentam numa linguagem elaborada e explícita, contrariando a tendência à síntese inerente ao gênero lírico. c) As quadras que compõem as estrofes do poema são irregulares quanto à métrica e às rimas. d) Os versos 07 e 08 contêm imagens visuais em que o poeta descreve um par amoroso, alternadamente, ao amanhecer e ao crepúsculo. e) O poeta expressa, em versos decassílabos, o desejo de que o amor permaneça eternamente vivo. Questão 08 (FUVEST) Leia o poema de Manuel Bandeira para responder ao teste. Não sei dançar Uns tomam éter, outros cocaína. Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria. Tenho todos os motivos menos um de ser triste. Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria... Abaixo Amiel! E nunca lerei o diário de Maria Bashkirtseff. Sim, já perdi pai, mãe, irmãos. Perdi a saúde também. É por isso que sinto como ninguém o ritmo do jazz-band. Uns tomam éter, outros cocaína. Eu tomo alegria! Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda. (...) (Libertinagem, Manuel Bandeira) Sobre os versos transcritos, assinale a alternativa incorreta: a) O eu-lírico revela, em tom bem-humorado e descompromissado, ser uma pessoa exageradamente sensível. b) A perda dos familiares e da saúde são aspectos autobiográficos do autor presentes no texto. c) A alegria do carnaval é meio de evasão para eu-lírico, que procura alienar-se de seu sofrimento. d) O último verso transcrito associa-se ao título do poema, pois o eu-lírico não participa, de fato, do baile de carnaval. e) A melancolia do eu-lírico é apenas aparente: interiormente ele se identifica com a atmosfera festiva do carnaval, como se percebe no tom exclamativo de "Eu tomo alegria!" Anotações Aula 27 – Primeira Geração do Modernismo II 85 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 (Ueg 2012) Leia o poema a seguir. Vou me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconsequente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d'água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar Vou-me embora pra Pasárgada Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro De impedir a concepção Tem telefone automático Tem alcaloide à vontade Tem prostitutas bonitas Para a gente namorar E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito Quando de noite me der Vontade de me matar — Lá sou amigo do rei — Terei a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada. “Vou-me Embora pra Pasárgada” é um dos poemas mais conhecidos de Manuel Bandeira. Ele expressa uma complexa concepção de temporalidade, na qual o eu lírico busca evadir da realidade para “Pasárgada,” que expressaria a ideia de a) um “paraíso perdido”, retomando as imagens e noções de pureza edênicas vigentes na época medieval. b) um socialismo utópico, propondo uma reforma social que garantisse um futuro melhor e igualitário a todos. c) uma idealização do modelo social monárquico persa, repudiando as tradições culturais brasileiras. d) uma mescla do saudosismo da infância com expectativas positivas acerca da inovação tecnológica. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES: Dois anúncios Rondó de Efeito - para todas as combinações possíveis Olhei para ela com toda a força, Disse que ela era boa, Que ela era gostosa, Que ela era bonita pra burro: Não fez efeito. Virei pirata: Dei em cima de todas as maneiras, Utilizei o bonde, o automóvel, o passeio a pé, Falei de macumba, ofereci pó... À toa: não fez efeito. Então banquei o sentimental: Fiquei com olheiras, Ajoelhei, Chorei, Me rasguei todo, Fiz versinhos, Cantei as modinhas mais tristes do repertório do Nozinho. Escrevi cartinhas e pra acertar a mão, li Elvira a Morta Virgem (Romance primoroso e por tal forma comovente que ninguém pode lê-lo sem derramar copiosas lágrimas...) Perdi meu tempo: não fez efeito. Meu Deus que mulher durinha! Foi um buraco na minha vida. Mas eu mato ela na cabeça: Vou lhe mandar uma caixinha de Minorativas, Pastilhas purgativas: É impossível que não faça efeito. (Bandeira, Manuel. Estrela da vida inteira. São Paulo: Nova Fronteira, 2007) Questão 02 (Insper 2011) Sobre a primeira e segunda estrofes, só não é correto afirmar que a) o grau de coloquialidade é demonstrado pelo emprego de expressões como “gostosa”, “bonita pra burro” e “dei em cima”. b) os esforços do “eu poético” para conquistar a jovem são marcados pelas expressões “Utilizei o bonde, o automóvel, o passeio a pé”. c) os termos “macumba” e “pó” denotam alguns dos recursos de que o “eu poético” se utilizou em vão para angariar o afeto da amada. d) a expressão “não fez efeito”, proveniente do vocabulário médico, é de uso exclusivo da linguagem técnica. e) o “eu poético” recorre a qualificativos de ordem ética (“boa”), sexual (“gostosa”) e física (“bonita”) para atrair o interesse da jovem. Questão 03 (Insper 2011) Sobre a terceira estrofe, não é correto afirmar que a) ao declarar “Então banquei o sentimental”, o “eu poético” mostra que o percurso de suas investidas vai da concretude para a abstração. b) o emprego de diminutivos como “versinhos”, “modinhas”, “cartinhas” remete a um comportamento infantilizado por parte do “eu poético”. 86 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) c) há um rol de características e comportamentos que podem ser forjados por aqueles que pretendem se mostrar apaixonados. d) o sofrimento intenso e as atitudes dramáticas e exageradas são lugares comuns próprios de mulheres e homens apaixonados. e) o caráter dramático de suas afirmações permite presumir que, para o poeta, a paixão não correspondida foi realmente dolorosa. Questão 04 (Insper 2011) Sobre a última estrofe, considere as seguintes inferências: I. Os versos evidenciam a última atitude tomadapelo poeta objetivando conquistar a moça. II. A forma “mato ela”, embora condenada pela norma culta, não deve ser considerada errada, pois é legitimada pelo registro coloquial predominante no texto. III. O humor reside no emprego do termo “efeito”, que agora não se refere apenas à indiferença da jovem. É(são) correta(s) a) apenas I. b) apenas I e II. c) apenas II e III. d) I, II e III. e) apenas III. Poema Encontrado por Thiago de Mello No Itinerário de Pasárgada Vênus luzia sobre nós tão grande, Tão intensa, tão bela, que chegava A parecer escandalosa, e dava Vontade de morrer. Manuel Bandeira Questão 05 (FGV-RJ 2013) Nesse breve poema de Bandeira, manifesta-se um aspecto que alguns de seus principais estudiosos consideram central e decisivo na obra do poeta, a saber, a) a aversão tipicamente modernista ao belo natural. b) a rejeição do que é grande e, também, do que é sublime. c) o sestro romântico de transfigurar a paisagem. d) a conjugação da maior expansão vital e do sentimento de morte. e) o erotismo de caráter amoral, que contamina todo o cosmo. TEXTO Paisagens da minha terra, Onde o rouxinol não canta - Mas que importa o rouxinol? Frio, nevoeiros da serra Quando a manhã se levanta Toda banhada de sol! [...] Sou assim, por vício inato. Ainda hoje gosto de Diva, Nem não posso renegar Peri, tão pouco índio, é fato, Mas tão brasileiro... Viva, Viva José de Alencar! Manuel Bandeira, Sextilhas românticas Questão 06 (Mackenzie 2010) Assinale a alternativa correta. a) Em respeito ao cânone da estética modernista, o autor formalizou harmonicamente seu poema, atendendo à regularidade de estrofação e à regularidade rítmica. b) O título do poema ganha sentido irônico, quando relacionado à linguagem coloquial e marcadamente musical. c) O padrão estético do poema, valorizando os versos heptassílabos, de caráter mais popular, em oposição à métrica clássica, recupera a tradição romântica. d) A descrição idealizada da paisagem revela a influência parnasiana presente nas primeiras obras do poeta. e) A crítica à tradição literária reflete-se também na forma livre e na linguagem satírica adotada pelo poeta. Questão 07 (Ebmsp 2017) A onda a onda anda aonde anda a onda? a onda ainda ainda onda ainda anda aonde? aonde? a onda a onda BANDEIRA, Manoel. A onda. A Estrela da Tarde, 1960. Disponível em: <https://pensador.uol.com.br>. Acesso em: 16 ago. 2016. Objetivando imitar o movimento da onda, por meio de uma fluidez sonora, Manoel Bandeira utiliza-se de um recurso estilístico denominado a) pleonasmo poético, enfatizando, a partir da redundância, a potência do fluxo fluvial ou marinho que se move no ambiente aquático. b) assonância, valendo-se da repetição da mesma vogal tônica com a intenção de provocar um efeito de estilo associado à força das ondas. c) eco, por meio da seleção de termos com terminação idêntica, para sugerir um percurso impreciso do volume de água que segue seu destino. d) onomatopeia, mediante o uso de vocábulos, procurando imitar o rumor produzido pelo deslocamento da massa líquida de inestimável valor para a continuidade da vida na Terra. e) paronomásia, na medida em que, buscando sugerir o movimento recorrente da vaga, traz um jogo de palavras que se assemelham na pronúncia, mas são diferentes do ponto de vista semântico, em função de um efeito poético. Texto 1 Professora é cercada por alunos e agredida em Rondônia A vítima estava saindo de uma escola quando foi abordada pelo grupo. Uma estudante desferiu um soco no rosto dela. Publicado em 08/07/2016, às 10h45 Uma professora de 48 anos de uma escola estadual de Rondônia foi cercada por estudantes e agredida por uma aluna na cidade de Ji-Paraná, nessa quarta-feira (6). De acordo com a polícia, a vítima foi abordada pelo grupo depois de ter saído das dependências do colégio. As informações são do G1 RO. A suspeita de ter desferido um soco no rosto da educadora, que teve um corte no supercílio, é uma aluna do 1º ano do Ensino Aula 27 – Primeira Geração do Modernismo II 87 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Médio. A vítima foi levada para um hospital da cidade, e a menor que cometeu a agressão ainda não foi localizada. Ela poderá responder por lesão corporal, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Uma fotografia mostrando a mulher sendo socorrida gerou comoção nas redes sociais. “Que país é este onde o profissional que deveria ser reverenciado é agredido?”, questionou uma usuária. A Secretaria de Educação de Rondônia disse que repudia o ato de violência e acompanhará o processo para que depois possa tomar medidas. (http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/mundo/brasil/noticia/2016/07/08/professora-e- cercada-por-alunos-e-agredida-em-rondonia-243547.php. Adaptado) Texto 2 Poema tirado de uma notícia de jornal João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia num [barracão sem número Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. BANDEIRA, Manuel. Libertinagem. In: Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1966. Questão 08 (Upe-ssa 1 2017) O texto literário tem características peculiares que o diferenciam de outros tipos de texto. Aplicando essa ideia aos textos 1 e 2, é CORRETO afirmar: a) o Texto 1 tem como características a atualidade e brevidade dos fatos, simplicidade vocabular, coloquialismos, clareza e objetividade na sua linguagem; assim, deve ser lido como texto literário. b) o Texto 2 não mantém nenhum tipo de relação com o Texto 1, porque a linguagem literária de Manuel Bandeira diverge estilisticamente da jornalística. c) o Texto 1 é jornalístico, porque tem conteúdo efêmero, não possui caráter poético e traz marcas típicas como a referência a uma fotografia e ao portador. d) o traço em comum que há entre os textos 1 e 2 é a “objetivação do lirismo”, ou seja, ambos possuem uma linguagem amparada nas experiências do mundo. e) o Texto 2 é marcadamente subjetivo, distanciando-se da realidade do cotidiano, sem provocar a imaginação do leitor por ser narrativo. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 5 QUESTÕES Poética Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de [apreço ao sr. diretor. Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo Abaixo os puristas Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis Estou farto do lirismo namorador Político Raquítico Sifilítico De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo De resto não é lirismo Será contabilidade tabela de cossenos secretário do amante exemplar com cem modelos de [cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbados O lirismo difícil e pungente dos bêbados O lirismo dos clowns de Shakespeare — Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. (Manuel Bandeira, in: Libertinagem) Questão 09 (Espm 2016) A repetição de palavras no início do verso (“Estou farto”, “Todas”, “O lirismo”) e a omissão de termos subentendidos do verso anterior (“Político”) caracterizam respectivamente: a) anáfora e zeugma. b) hipérbole e hipérbato. c) catacrese e antonomásia. d) epístrofe e elipse. e) anacoluto e perífrase. Questão 10 (Espm 2016) Com o verso: “Abaixo os puristas”, Bandeira critica os autores exagerados em matéria de pureza da linguagem escrita e falada. Baseado nisso, poderiam ser listados osseguintes nomes: a) Eça de Queirós, Machado de Assis e Raul Pompeia. b) Rui Barbosa, Olavo Bilac e Coelho Neto. c) Claudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga. d) Gregório de Matos e Padre Antônio Vieira. e) José de Alencar, Manuel Antônio de Almeida e Joaquim Manuel de Macedo. Questão 11 (Espm 2016) Pode-se asseverar que os tipos humanos citados (“loucos”, “bêbados”, “clowns”) possuem o seguinte denominador comum: a) representam os segmentos sociais mais perseguidos na época, e isso fazia com que o “eu” poético se manifestasse a favor deles. b) simbolizam os poetas marginais da época, e isso fazia com que houvesse uma identificação entre “eu” lírico e os citados. c) pertencem, de uma ou outra maneira, a uma classe social inferior, menosprezada e discriminada e, por isso, o “eu” poético quer ser solidário a eles. d) desempenham papeis de transgressores, daqueles que quebram as “regras sociais” e/ou a seriedade da vida, daí o “eu” poético identificar-se com essas figuras. e) defendem, de certa maneira, ideologias incompatíveis com qualquer sociedade humana, daí o “eu” lírico simpatizar com eles. Questão 12 (Espm 2016) Sobre o poema, verdadeiro manifesto dos ideais revolucionários do Modernismo de 22, só NÃO é possível afirmar que: a) repudia os modelos de correção técnica dos parnasianos: obrigatoriedade do verso “fita métrica”, da rima e da pontuação perfeitas. b) critica a contenção lírica, a postura protocolar e burocrática na poesia. 88 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) c) condena o preciosismo vocabular e, indiretamente, o sentido frio da palavra em estado de dicionário. d) rejeita os moldes sentimentais "fabricados" pela perspectiva, já tão desgastada, do Romantismo. e) censura, já perceptível desde o início pelo título, as teorias de versificação em vigor. Questão 13 (Uem 2012) Assinale o que for correto sobre o poema a seguir e sobre seu autor, Manuel Bandeira. 01) A lírica de Bandeira, apesar de ter legado à tradição literária brasileira poemas marcantes como “Poética”, constitui apenas uma pequena parte da produção do autor, uma vez que ele se notabilizou como romancista, merecendo destaque obras como Macunaíma e Memórias sentimentais de João Miramar. 02) A preocupação com a forma poética revela a principal influência da lírica de Manuel Bandeira: o parnasianismo e seus mestres como Olavo Bilac e Alberto de Oliveira. 04) A visão poética que o poema defende se adequa àquela que o modernismo brasileiro apresentou, sobretudo aquele da geração de 1922, da qual Bandeira foi um dos principais nomes. 08) Apesar de propor o afastamento de todo “lirismo que não é libertação”, Bandeira constrói um poema com métrica regular, o que estabelece um diálogo com modelos poéticos anteriores aos do modernismo brasileiro. 16) Embora Bandeira seja um dos mais expressivos exemplos do modernismo do Brasil, sua produção inicial foi marcada por forte influência do simbolismo, tal como pode ser verificado em uma obra como Cinza das horas, de 1917. Texto Di Cavalcanti era um intelectual muito bem informado sobre as vanguardas modernistas do seu tempo, interessado não só por artes plásticas, mas por outras áreas também. Por isso mesmo, em 1921, o artista fora convidado a ilustrar o livro “Balada do Cárcere de Reading”, de Oscar Wilde, um dos mais significativos escritores contemporâneos. Em 1923, Di Cavalcanti realiza viagem a Paris, frequentando o ambiente intelectual e boêmio da época e convivendo com Picasso e Braque, entre outros, numa relação de admiração mútua. Sua experiência do contato com o cubismo, expressionismo e outras correntes artísticas inovadoras, conjugadas à consciência da sua posição de artista brasileiro, concorreram para aumentar a sua convicção no propósito de ousar e destruir velhas barreiras, colocando a arte brasileira em compasso com o que acontecia no mundo. Di Cavalcanti sabia estar no caminho certo esteticamente e a viagem a Paris só reforçou as suas certezas. Entretanto, o ambiente do pintor não era o dos boulevares de Paris: Di Cavalcanti estava impregnado dos trópicos, de uma atmosfera sensual e quente. À sua ousadia estética e perícia técnica, marcada pela definição dos volumes, pela riqueza das cores, pela luminosidade, vem somar-se a exploração de temas ligados ao seu cotidiano, que ele percebia com vitalidade e entusiasmo. A profunda inclinação aos prazeres da carne e a vida notívaga influenciaram sobremaneira sua obra: o Brasil das telas de Di Cavalcanti é carregado de lirismo, revelando símbolos de uma brasilidade personificada em mulatas que observam a vida passar, moças sensuais, foliões e pescadores. A sensualidade é imanente à obra do pintor e os prostíbulos são uma de suas marcas temáticas, assim como o carnaval e a festa, como se o cotidiano fosse um permanente deleitar-se. A originalidade de uma cultura constituída por um caldo de referências indígenas, europeias e africanas, de forma contraditória e única, transparece em suas telas através de uma luminosidade ímpar. Fonte: http://www.pinturabrasileira.com/ artistas_bio.asp?cod=13&in=1 Questão 14 Observando as informações contidas no texto sobre Di Cavalcanti, sua obra revela: a) o desprezo pelos movimentos de vanguarda, a exemplo do Cubismo e do Expressionismo, pois os ideais propostos não correspondiam à realidade brasileira. b) a preferência por temas ligados a fatos históricos consagrados, retratados de forma idealizada e em total obediência às exigências da arte acadêmica. c) o estabelecimento de regras rígidas e definidas para a criação artística, reafirmando sua ligação com as formas e os temas clássicos. d) a percepção de que os modelos artísticos europeus deveriam ser substituídos pelos dos EUA, já que esse país despontava como nação líder. e) a conscientização dos artistas brasileiros sobre a riquíssima cultura de nosso país, sobretudo a popular, que até então era discriminada pelas elites. Questão 15 (Enem PPL 2009) Cândido Portinari, nascido em 1903, em uma fazenda de café em Brodósqui, no interior do estado de São Paulo, é um dos ícones das artes plásticas no Brasil e no mundo. Sua vasta e variada obra é um dos valiosos patrimônios da cultura brasileira. A seguir, são apresentadas pinturas desse grande artista. Meninos no balanço 1960