Buscar

direito_medico_disciplina01_aula07_marcos_coltri

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você viu 3, do total de 17 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você viu 6, do total de 17 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você viu 9, do total de 17 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Prévia do material em texto

1 
 
Pós-Graduação Online 
 
Apresentação do conteúdo 
• Para os profissionais da saúde a palavra prescrição está 
associada aos cuidados de saúde que devem ser destinados a um 
paciente específico. Para as pessoas sem formação em saúde, 
prescrição é sinônimo de receita médica para aquisição de 
medicamentos. 
Prescrição, no âmbito cível, pode ser definida como a perda do 
direito de ingressar com uma ação judicial pleiteando o cumprimento 
de um dever jurídico, em razão da inércia do seu titular, no prazo 
estabelecido pela lei. 
Na seara do Direito Médico e Odontológico, seria a perda do 
direito do paciente (e/ou seu familiar) ingressar com ação judicial 
indenizatória contra o profissional e/ou instituição de saúde, por ter 
decorrido o prazo prescricional fixado em lei, sem a propositura da 
ação. 
Diz o art. 189, do Código Civil: “violado o direito, nasce para o 
titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a 
que aludem os arts. 205 e 206”. 
AULA 
07 
Prescrição 
Responsabilidade civil 
médica e odontológica 
 
2 
 
Pós-Graduação Online 
Note-se que a prescrição é um benefício a favor do 
profissional/instituição de saúde, impedindo que este fique, de modo 
perene, sujeito a ser processado pelo paciente/familiar. 
Outro importante conceito é o de decadência. A decadência 
pode ser entendida como a perda de um direito em si, quando o seu 
titular não o exerce em um determinado tempo. 
Destaca-se que a prescrição e a decadência, apesar de terem 
relações com o decurso de tempo e a inércia do titular, não se 
confundem, haja vista a prescrição, ao contrário da decadência, não 
gerar a perda do direito em si, mas sim a perda do poder de exigir de 
outrem, por meio de ação judicial, o cumprimento de um dever jurídico. 
Pode-se dizer, assim, que a decadência aniquila o direito e, 
indiretamente, a ação judicial, ao passo que a prescrição fulmina a ação 
judicial e, por via indireta, o direito do titular. 
Entretanto, em relação às ações indenizatórias por suposta má 
prática profissional médica e odontológica, a prescrição é disciplinada 
por 4 (quatro) diplomas legais, a saber: Código Civil, Código de Defesa 
do Consumidor, Decreto 20.910/32 e Lei 9.494/97. 
Para que seja possível a identificação de qual diploma legal, bem 
como do dispositivo normativo aplicáveis ao caso concreto, necessário 
se faz alguns esclarecimentos. 
O primeiro ponto que merece análise diz respeito à incidência ou 
não das normas do Código de Defesa do Consumidor, ou seja, é 
necessário que se identifique, na ação judicial sob exame, se há 
relação de consumo. 
Se houver relação de consumo, há se de apurar se a ação 
judicial versa sobre vício do serviço ou fato (defeito) do serviço. Embora 
comumente se confunda vício e defeito do serviço, sob o prisma do 
Código de Defesa do Consumidor a diferenciação entre eles é 
importante e traz consequências diferentes para o objeto do presente 
estudo. 
 
3 
 
Pós-Graduação Online 
O fato (defeito) do serviço é o chamado acidente de consumo, 
ou seja, o consumidor é atingido em sua integridade e incolumidade 
psíquica e/ou física, vindo a sofrer danos de natureza física, moral e/ou 
estética. O fato (defeito) do serviço atinge diretamente o consumidor. 
Por seu turno, o vício do serviço se caracteriza por um 
descompasso entre o que fora contratado e o que efetivamente foi 
entregue pelo prestador do serviço ao consumidor, sem que haja 
ofensa direta à sua incolumidade e integridade física, moral e/ou 
estética. O vício do serviço também pode estar na disparidade entre a 
oferta/publicidade e o serviço efetivamente disponibilizado ou prestado 
ao consumidor. 
Como bem sintetiza Leandro Cardoso Lages (2020): “o defeito 
corresponde a uma falha na segurança; o vício, a uma falha na 
prestabilidade”. 
A título de exemplo, se um cirurgião-dentista contrata com o 
paciente a colocação de uma prótese de porcelana, mas confecciona e 
instala uma prótese de resina, estamos diante de um vício do serviço, 
posto que não houve nenhum acidente de consumo, mas sim um 
descompasso entre o que fora contratado (prótese de porcelana) e o 
que efetivamente foi realizado pelo profissional (prótese de resina). 
Tem-se o fato (defeito) do serviço, por exemplo, nos casos em 
que o procedimento cirúrgico acarretou danos (incapacidade para as 
atividades profissionais, necroses, sequelas, óbito, etc.) ao paciente. 
Para além da má qualidade do serviço em si, houve uma afronta à 
integridade e à incolumidade física, moral ou estética do paciente, 
caracterizando, desse modo, o acidente de consumo (fato/defeito do 
serviço). 
O fato (defeito) do serviço está previsto no art. 14 do Código de 
Defesa do Consumidor e o vício do serviço está disciplinado no art. 20 
do mesmo diploma legal: 
 
4 
 
Pós-Graduação Online 
Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da 
existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos 
consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem 
como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição 
e riscos. 
Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade 
que os tornem impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim 
como por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações 
constantes da oferta ou mensagem publicitária, podendo o consumidor 
exigir, alternativamente e à sua escolha: 
Consoante exposto no art. 27 do CDC, se houver algum dano 
decorrente de fato (defeito) do serviço, o paciente/familiar (consumidor) 
terá 5 (cinco) anos para ingressar com ação judicial para pleitear 
indenização em face do prestador de serviço de saúde 
(profissional/instituição): 
Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos 
causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste 
Capítulo, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento 
do dano e de sua autoria. 
Esse prazo de 5 (cinco) anos somente terá início, portanto, a 
partir do momento em que o paciente/familiar tiver conhecimento do 
dano em si, bem como da autoria deste dano. Enquanto não houver o 
conhecimento destes dois elementos (dano e autoria do dano) não tem 
início o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para o paciente/familiar 
(consumidor) ingressar com a ação civil indenizatória. Repita-se à 
exaustão: não basta a ciência do dano para o início da contagem do 
prazo prescricional de 5 (cinco) anos, posto que este prazo somente 
terá seu desenrolar a partir do conhecimento do dano e da autoria do 
dano. 
Outra questão tormentosa diz respeito ao prazo prescricional 
para reclamação de indenização para reparação de perdas e danos em 
 
5 
 
Pós-Graduação Online 
decorrência de vício do produto ou do serviço, prevista na parte final do 
inciso II do art. 20 do CDC: 
Art. 20. [...] 
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, 
sem prejuízo de eventuais perdas e danos; 
Isso porque, o prazo decadencial de 30 (trinta) ou 90 (noventa) 
dias contido no art. 26 do CDC se restringe aos vícios (aparentes ou 
ocultos) para o consumidor (paciente/familiar) pleitear uma das 
alternativas do art. 20 (incisos I a III) do Código Consumerista. Além 
disso, o art. 27 do CDC é expresso ao afirmar que o prazo prescricional 
de 5 (cinco) anos não se aplica às hipóteses de vício do serviço, mas 
sim, e apenas, ao fato do serviço. 
O prazo decadencial previsto no art. 26 do CDC se relaciona ao 
período de que dispõe o consumidor (paciente/familiar) para exigir em 
juízo alguma das alternativas que lhe são conferidas pelo 20, incisos I 
a III, do mesmo diploma legal, não se confundindo com o prazo 
prescricional a que se sujeita o consumidor para pleitear indenização 
decorrente do vício do serviço. Neste sentido: REsp 1819058/SP, Rel. 
Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 
03/12/2019, DJe 05/12/2019.Desta forma, o prazo prescricional relativo à ação indenizatória 
para reparação de perdas e danos em decorrência de vício do serviço 
não se sujeitaria nem ao prazo (decadencial) do art. 26 do CDC, 
tampouco ao prazo (prescricional) do art. 27 do mesmo CDC. 
Neste caso, o prazo prescricional aplicável ao caso concreto 
seria o da regra geral previsto no art. 205 do Código Civil, qual seja, 10 
(dez) anos: 
Art. 205. A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja 
fixado prazo menor. 
Se o caso concreto não revelar uma relação consumerista, ou 
seja, se não foram aplicáveis as regras contidas no Código de Defesa 
 
6 
 
Pós-Graduação Online 
do Consumidor, a prescrição será regida pelas normas trazidas pelo 
Código Civil. 
Dúvida que pode surgir a partir deste momento diz respeito à 
aplicação do prazo prescricional contido na regra geral do art. 205 do 
Código Civil ou da regra especial, trazida pelo art. 206, §3º, inciso V, 
do mesmo diploma civil. Diz o art. 206, §3º, inciso V, do Código Civil 
(original sem destaques): 
Art. 206. Prescreve: 
[...]§3º Em três anos: 
[...]V - a pretensão de reparação civil; 
O Superior Tribunal de Justiça, sobretudo a partir de 2018, 
firmou o entendimento de que o prazo prescricional de 3 (três) anos 
enunciado pelo art. 206, §3º, inciso V do Código Civil se aplica apenas 
e tão somente aos casos de responsabilidade civil extracontratual. Para 
os casos de responsabilidade civil contatual, deve ser considerado o 
prazo decenal, contido na regra geral do art. 205 do mesmo Código 
Civil. 
Ademais, considerando que o Código Civil é silente quanto ao 
termo inicial do prazo prescricional, a doutrina e a jurisprudência têm 
adotado a tese da actio nata. Neste sentido os ensinamentos de 
Cristiano Chave de Farias e Nelson Rosenvald (2015): 
“A tese da actio nata, reconhecida jurisprudencialmente, melhor 
orienta a questão. Efetivamente, o início da fluência do prazo 
prescricional deve decorrer não da violação, em si, de um direito 
subjetivo, mas, sim, do conhecimento da violação ou lesão ao 
direito subjetivo pelo respectivo titular. Com isso, a boa-fé é 
prestigiada de modo mais vigoroso, obstando que o titular seja 
prejudicado por não ter tido conhecimento da lesão que lhe foi 
imposta. Até porque, e isso não se põe em dúvida, é 
absolutamente possível afrontar o direito subjetivo de alguém 
sem que o titular tenha imediato conhecimento.” 
 
7 
 
Pós-Graduação Online 
Nas ações movidas em face do Estado, o prazo prescricional é 
de 5 (cinco) anos, nos termos do Decreto 20.910/32 (art. 1º) e da Lei 
9.494/97 (art. 1º-C): 
Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, 
bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, 
estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 
cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. 
Art. 1º-C. Prescreverá em cinco anos o direito de obter indenização 
dos danos causados por agentes de pessoas jurídicas de direito 
público e de pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de 
serviços públicos. 
Cumpre destacar que os prazos prescricionais previstos na 
legislação específica afastam a incidência da regra do prazo 
prescricional de 3 (três) anos para os casos de responsabilidade civil 
extracontratual contido no art. 206, §3º, inciso V, do Código Civil. De 
igual sorte, a teoria da acta nata também se aplica aos casos de 
responsabilidade civil extracontratual do Estado. 
As causas impeditivas ou suspensivas estão dispostas nos arts. 
197 a 201 do Código Civil. Dentre estas causas, destaca-se aquela 
contida no art. 198, inciso I: 
Art. 198. Também não corre a prescrição: 
I - contra os incapazes de que trata o art. 3º; 
De acordo com o art. 198, inciso I, do Código Civil, não corre a 
prescrição contra os absolutamente incapazes. De acordo com o art. 3º 
do Código Civil são absolutamente incapazes os menores de 16 
(dezesseis) anos. 
Logo, ainda que já se tenha conhecimento do dano e de sua 
autoria, e independentemente da norma aplicável (Código de Defesa 
do Consumidor, Código Civil, Decreto 20.910/32 ou Lei 9.494/97), o 
prazo prescricional para que o menor ingresse com ação judicial 
indenizatória em face do culpado e/ou do responsável pelo dano 
 
8 
 
Pós-Graduação Online 
somente tem início a partir do aniversário de 16 (dezesseis) anos do 
ofendido. 
 
 
Objetivos 
• Embora a questão da prescrição seja tratada com relativa 
simplicidade nas obras específicas relacionadas ao Direito Médico e 
Odontológico, as informações apresentadas nesta aula permitem 
concluir que a questão está longe de ser de fácil interpretação, 
sobretudo à luz do que disciplinam a doutrina e a jurisprudência. 
 Para o estabelecimento de qual prazo prescricional será 
aplicado ao caso concreto, dever-se-á definir se há uma relação de 
consumo, se há fato ou vício do serviço, se a responsabilidade civil é 
contratual ou extracontratual e se a reclamação é em relação a um 
serviço público ou privado. 
 
 
Amplie o seu conhecimento 
1. REsp 1717160 / DF 
Relator(a): Ministra NANCY ANDRIGHI 
Órgão Julgador: T3 - TERCEIRA TURMA 
Data do Julgamento: 22/03/2018 
Ementa 
DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO 
DE REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS E COMPENSAÇÃO DE 
DANOS MORAIS. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. 
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU 
OBSCURIDADE. AUSÊNCIA. ACÓRDÃO RECORRIDO. 
FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA. DEFEITOS APARENTES DA 
 
9 
 
Pós-Graduação Online 
OBRA. METRAGEM A MENOR. PRAZO DECADENCIAL. 
INAPLICABILIDADE. PRETENSÃO INDENIZATÓRIA. SUJEIÇÃO À 
PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. ART. 205 DO CÓDIGO CIVIL. 
1.O propósito recursal é o afastamento da prejudicial de 
decadência em relação à pretensão de indenização por vícios de 
qualidade e quantidade no imóvel adquirido pelos consumidores. 
2. É de 90 (noventa) dias o prazo para o consumidor reclamar por 
vícios aparentes ou de fácil constatação no imóvel por si 
adquirido, contado a partir da efetiva entrega do bem (art. 26, II e 
§ 1º, do CDC). 
3. No referido prazo decadencial, pode o consumidor exigir 
qualquer das alternativas previstas no art. 20 do CDC, a saber: a 
reexecução dos serviços, a restituição imediata da quantia paga 
ou o abatimento proporcional do preço. Cuida-se de verdadeiro 
direito potestativo do consumidor, cuja tutela se dá mediante as 
denominadas ações constitutivas, positivas ou negativas. 
4. Quando, porém, a pretensão do consumidor é de natureza 
indenizatória (isto é, de ser ressarcido pelo prejuízo decorrente 
dos vícios do imóvel) não há incidência de prazo decadencial. A 
ação, tipicamente condenatória, sujeita-se a prazo de prescrição. 
5. À falta de prazo específico no CDC que regule a pretensão de 
indenização por inadimplemento contratual, deve incidir o prazo 
geral decenal previsto no art. 205 do CC/02, o qual corresponde ao 
prazo vintenário de que trata a Súmula 194/STJ, aprovada ainda na 
vigência do Código Civil de 1916 ("Prescreve em vinte anos a ação 
para obter, do construtor, indenização por defeitos na obra"). 
6. Recurso especial conhecido e provido. 
Trechos do acórdão: 
Com efeito, o prazo decadencial previsto no art. 26 do CDC se relaciona 
ao período de que dispõe o consumidor para exigir em juízo alguma 
das alternativas que lhe são conferidas pelos arts. 18, § 1º, e 20, caput 
do mesmo diploma legal (a saber, a substituição do produto, a 
 
10 
 
Pós-Graduação Online 
restituição da quantia paga, o abatimento proporcional do preço e a 
reexecução do serviço), não se confundindo com o prazo prescricional 
a que se sujeita o consumidor para pleitear indenização decorrente da 
má-execução do contrato. E, à falta de prazo específico no CDC que 
regule a hipótese de inadimplemento contratual – o prazo quinquenal 
disposto no art. 27 é exclusivo para as hipóteses defato do produto ou 
serviço – entende-se que deve ser aplicado o prazo geral decenal do 
art. 205 do CC/02. 
Não obstante, em que pese tratar-se de vícios aparentes – o que atrai, 
de fato, a imediata fluência do prazo decadencial – observa-se que a 
demanda veicula pretensão indenizatória, e não pretensão de redibição 
do contrato, abatimento do preço ou reexecução dos serviços. Assim, 
incide na espécie o prazo de prescrição decenal, não transcorrido entre 
a entrega do imóvel e o ajuizamento da ação. 
 
2. EREsp 1280825 / RJ 
Relator(a): Ministra NANCY ANDRIGHI 
Órgão Julgador: S2 - SEGUNDA SEÇÃO 
Data do Julgamento: 27/06/2018 
EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. 
RESPONSABILIDADE CIVIL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO. 
INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. PRAZO DECENAL. 
INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA. REGIMES JURÍDICOS 
DISTINTOS. UNIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ISONOMIA. 
OFENSA. AUSÊNCIA. 
Ementa: 
1. Ação ajuizada em 14/08/2007. Embargos de divergência em 
recurso especial opostos em 24/08/2017 e atribuído a este 
gabinete em 13/10/2017. 
2. O propósito recursal consiste em determinar qual o prazo de 
prescrição aplicável às hipóteses de pretensão fundamentadas 
em inadimplemento contratual, especificamente, se nessas 
 
11 
 
Pós-Graduação Online 
hipóteses o período é trienal (art. 206, §3, V, do CC/2002) ou 
decenal (art. 205 do CC/2002). 
3. Quanto à alegada divergência sobre o art. 200 do CC/2002, 
aplica-se a Súmula 168/STJ ("Não cabem embargos de divergência 
quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido 
do acórdão embargado"). 
4. O instituto da prescrição tem por finalidade conferir certeza às 
relações jurídicas, na busca de estabilidade, porquanto não seria 
possível suportar uma perpétua situação de insegurança. 
5. Nas controvérsias relacionadas à responsabilidade contratual, 
aplica-se a regra geral (art. 205 CC/02) que prevê dez anos de prazo 
prescricional e, quando se tratar de responsabilidade 
extracontratual, aplica-se o disposto no art. 206, § 3º, V, do CC/02, 
com prazo de três anos. 
6. Para o efeito da incidência do prazo prescricional, o termo 
"reparação civil" não abrange a composição da toda e qualquer 
consequência negativa, patrimonial ou extrapatrimonial, do 
descumprimento de um dever jurídico, mas, de modo geral, 
designa indenização por perdas e danos, estando associada às 
hipóteses de responsabilidade civil, ou seja, tem por antecedente 
o ato ilícito. 
7. Por observância à lógica e à coerência, o mesmo prazo 
prescricional de dez anos deve ser aplicado a todas as pretensões 
do credor nas hipóteses de inadimplemento contratual, incluindo 
o da reparação de perdas e danos por ele causados. 
8. Há muitas diferenças de ordem fática, de bens jurídicos 
protegidos e regimes jurídicos aplicáveis entre responsabilidade 
contratual e extracontratual que largamente justificam o 
tratamento distinto atribuído pelo legislador pátrio, sem qualquer 
ofensa ao princípio da isonomia. 
9. Embargos de divergência parcialmente conhecidos e, nessa 
parte, não providos. 
 
12 
 
Pós-Graduação Online 
Trechos do acórdão: 
Analisando-se o período de 2013 até o primeiro semestre de 2016, é 
possível encontrar mais quatorze recursos julgados por este STJ que 
abordam a questão da prescrição de responsabilidade contratual. Com 
exceção de recursos que não impugnavam o julgamento relativo à 
prescrição dos Tribunais de origem, é possível afirmar que todos os 
julgamentos deste Superior Tribunal de Justiça decidiam pela aplicação 
da prescrição decenal para as hipóteses de responsabilidade 
contratual. 
No segundo semestre de 2016, contudo, após praticamente uma 
década de jurisprudência firmada no sentido de aplicar o prazo decenal 
à responsabilidade contratual, no julgamento do REsp 1.281.594/SP 
(Terceira Turma, DJe 28/11/2016), esta Turma entendeu que o prazo 
prescricional deve ser o mesmo, três anos, tanto para responsabilidade 
contratual para a extracontratual... 
Considerando a relevância da controvérsia em julgamento e as 
diferentes orientações jurisprudenciais deste Superior Tribunal de 
Justiça, o recurso em julgamento impõe a este STJ nova reflexão e 
aprofundamento sobre o tema. 
Para se determinar o correto prazo prescricional nas hipóteses de 
responsabilidade contratual, deve-se perquirir, em primeiro lugar, sobre 
o elemento normativo-literal do dispositivo legal. Nesse sentido, 
questiona-se a designação “reparação civil” também poderia ser 
utilizada para se referir a situações de danos gerados a partir do 
inadimplemento contratual. Para esse mister, é necessário analisar as 
ocorrências desse termo no CC/02. 
A primeira ocorrência é no art. 932, em que expande os responsáveis 
pela reparação civil por danos cometidos por terceiros, por exemplo, de 
forma que os pais são responsáveis pelos filhos, o tutor, pelos pupilos, 
o empregador, pelos empregados, etc. Outra ocorrência é no art. 942, 
em que se estabelece a solidariedade pela reparação em situações de 
coautoria. Ademais, no art. 943 dispõe que o direito de exigir a 
reparação é transmissível por meio de herança. 
 
13 
 
Pós-Graduação Online 
Por fim, o caput do art. 953 afirma que “a indenização por injúria, 
difamação ou calúnia consistirá na reparação do dano que delas resulte 
ao ofendido”. 
Repare-se que todas essas ocorrências do uso da expressão 
“reparação civil” estão contidas no Título IX, do Livro I, da Parte 
Especial do CC/02, que versa sobre responsabilidade civil 
extracontratual. 
Nas hipóteses em que o CC/02 se refere à inadimplemento contratual, 
tal como o Título IV do Livro I da Parte Especial (arts. 389 a 405), não 
há menção à expressão “reparação civil”. Da mesma forma no CC/16, 
o qual não continha a esse termo nos arts. 955 a 963 e 1056 a 1061, 
os quais dispunham sobre inadimplemento contratual. Dessa forma, 
partindo-se de uma interpretação literal do texto normativo, 
compreende-se que o termo “reparação civil” foi utilizado pelo 
legislador apenas quando pretendeu se referir à responsabilidade 
extracontratual. 
Em conclusão, para o efeito da incidência do prazo prescricional, o 
termo “reparação civil” não abrange a composição da toda e qualquer 
consequência negativa, patrimonial ou extrapatrimonial, do 
descumprimento de um dever jurídico, mas apenas as consequências 
danosas do ato ou conduta ilícitos em sentido estrito e, portanto, 
apenas para as hipóteses de responsabilidade civil extracontratual. 
Por observância à lógica e à coerência, portanto, o mesmo prazo 
prescricional de dez anos deve ser aplicado a todas as pretensões do 
credor nas hipóteses de inadimplemento contratual, incluindo o da 
reparação de perdas e danos por ele causados. 
Com efeito, é possível encontrar muitas distinções de regime jurídico 
entre a responsabilidade contratual e a extracontratual, inclusive com 
relação: à capacidade das partes, quanto à prova do prejuízo; à 
avaliação da culpa entre os sujeitos envolvidos no dano; aos diferentes 
graus de culpa para a imputação do dever de indenizar: ao termo inicial 
para a fixação do ressarcimento: e, por fim, à possibilidade de 
prefixação do dano e de limitar ou excluir a responsabilidade, pois 
 
14 
 
Pós-Graduação Online 
somente a responsabilidade contratual permite fixar, limitar ou mesmo 
excluir o dever de indenizar. 
No contrato, que é sempre voluntário, há o maior grau de proximidade 
entre as partes contratuais, que se aproximam e planejam em conjunto 
o futuro de suas relações patrimoniais. Nessas hipóteses, o contrato 
pode ser precedido de longa fase negocial, e podem se protrair 
longamente no tempo. 
De outro lado, na responsabilidade extracontratual, os sujeitos 
encontram-se no grau máximo de distanciamento. Em realidade, 
nessas circunstâncias, as partes entram em contato pelo mero fato de 
viverem em sociedade, sem qualquer negociação ou aproximação 
prévias.Também há uma relevante diferença quanto aos bens jurídicos 
tutelados por cada espécie de responsabilidade civil. Na 
responsabilidade civil extracontratual, protegem-se bens jurídicos 
gerais, absolutos, derivados do comando de não ofender ninguém 
(neminem laedere). A relação jurídica entre vítima e ofensor é pontual, 
surge com o dano e apenas em razão dele, encerrando-se assim que 
ocorre a reparação. 
Porém, quando se trata de responsabilidade por inadimplemento 
contratual, há previamente uma relação entre as partes que se protrai 
no tempo, normalmente precedidas de aproximação e negociação, que 
ajustam exatamente o escopo do relacionamento entre elas. Essas 
relações não ocorrem por acaso, ou pelo mero “viver em sociedade”, 
mas derivam de um negócio jurídico. 
Normalmente, há um mínimo de confiança entre as partes, e o dever 
de indenizar da responsabilidade contratual encontra seu fundamento 
na garantia da confiança legítima entre elas. 
Como demonstrado acima, há muitas diferenças de ordem fática, de 
bens jurídicos protegidos e regimes jurídicos aplicáveis entre 
responsabilidade contratual e extracontratual que largamente justificam 
o tratamento distinto atribuído pelo legislador civil pátrio, sem qualquer 
ofensa ao princípio da isonomia. 
 
15 
 
Pós-Graduação Online 
Como argumento de reforço, podemos mencionar que, no direito 
privado brasileiro, a responsabilidade extracontratual é historicamente 
tratada de modo distinto daquela contratual, por um motivo muito 
simples: são fontes de obrigações muito diferentes, com fundamentos 
jurídicos distintos. 
 
3. REsp 1020801 / SP 
Relator(a): Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA 
Órgão Julgador: T4 - QUARTA TURMA 
Data do Julgamento: 26/04/2011 
Ementa: 
RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. ERRO 
MÉDICO. CONHECIMENTO DA LESÃO POSTERIORMENTE AO 
FATO LESIVO. PRESCRIÇÃO. TERMO A QUO. DATA DA CIÊNCIA. 
1. Ignorando a parte que em seu corpo foram deixados 
instrumentos utilizados em procedimento cirúrgico, a lesão ao 
direito subjetivo é desconhecida e não há como a pretensão ser 
demandada em juízo. 
2. O termo a quo do prazo prescricional é a data em que o lesado 
tomou conhecimento da existência do corpo estranho deixado no 
seu abdome. 
3. Recurso especial conhecido em parte e provido. 
Trechos do acórdão: 
Passo à análise do caso, valendo-me da situação fática delineada nas 
instâncias ordinárias - o suposto ilícito ocorreu em 1979, e a parte 
somente tomou conhecimento em 1995. 
Em situações parecidas com a exposta nos autos, esta Corte entende 
ter aplicação o princípio da actio nata, pelo qual não é possível 
pretender que alguém ajuíze uma ação sem ter ciência exata da 
extensão do dano sofrido. 
 
16 
 
Pós-Graduação Online 
Esse entendimento tem sido aplicado naquelas situações em que a 
vítima tem ciência do dano, mas desconhece a sua extensão. O caso 
dos autos não guarda exata similitude, pois, até 1995, a recorrente nem 
sequer sabia da existência do dano e, por conseqüência, não poderia 
conhecer a sua extensão. Todavia, apesar da ligeira dessemelhança, 
o raciocínio que embasa tal entendimento também tem aplicação no 
caso analisado. Se a parte não tinha conhecimento de que, em seu 
corpo, foram deixados instrumentos utilizados em procedimento 
cirúrgico, por óbvio que a lesão era desconhecida e, assim, ainda não 
existia a pretensão a ser demandada em juízo. Referida pretensão 
somente surgiu com o conhecimento do dano e suas conseqüências. 
Assim, se a parte somente tomou conhecimento da existência do objeto 
no seu abdome em 1995, nessa ocasião surgiu a pretensão, devendo 
correr daí o prazo prescricional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
 
Pós-Graduação Online 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Decreto Nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932 [acesso em 15 
Ago 2021]. Regula a prescrição quinquenal. Rio de Janeiro. 1932. 
Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/antigos/d20910.htm 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil [acesso em 15 
Ago 2021]. Brasília. 1988. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm 
BRASIL. Lei Nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 [acesso em 15 Ago 
2021]. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras 
providências. Brasília. 1990. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm 
BRASIL. Lei Nº 9.494, de 10 de setembro de 1997 [acesso em 15 Ago 
2021]. Disciplina a aplicação da tutela antecipada contra a Fazenda 
Pública, altera a Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, e dá outras 
providências. Brasília. 1997. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9494.htm 
BRASIL. Lei Nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 [acesso em 15 Ago 
2021]. Institui o Código Civil. Brasília. 2002. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm 
BRASIL. Lei Nº 13.105, de 16 de março de 2015 [acesso em 15 Ago 
2021]. Código de Processo Civil. Brasília. 2015. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2015/lei/l13105.htm 
FARIAS, Cristiano Chaves; ROSENVALD, Nelson. Curso de direito 
civil. Parte geral e LINDB. 13. ed. v.1. São Paulo: Atlas, 2015. 
LAGES, Leandro Cardoso. Direito do consumidor: a lei, a jurisprudência 
e o cotidiano. 4. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2020.

Outros materiais