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Aula 31 – Revolução Chinesa 153 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência tiva doutrinação ideológica baseada no “Livro Vermelho” (ou “Pensamento de Mao Tsé-tung”). Milhões de jovens se engajaram no movimento com um fervor e devoção inacreditáveis, aderindo à Guarda Vermelha. Os burocratas do PCCh que se opunham a Mao foram perseguidos, universidades foram fechadas, intelectuais foram presos e deportados para campos de trabalhos forçados, a fim de serem reeducados. De acordo com Mao, a Revolução Cultural deveria combater os “quatro velhos” (velhas ideias, velhos hábitos, velha cultura e velhas tradições), resgatando o fervor da revolução socialista. O historiador Stéphane Courtois, em O Livro Negro do Comunismo, apresenta o testemunho de um chinês que participou, quando jovem, da Guarda Vermelha e testemunhou toda a efervescência da Revolução Cultural: “Éramos jovens. Éramos fanáticos. Acreditávamos que o presidente Mao era grande, que detinha a verdade, que era a verdade. Eu acreditava em tudo o que Mao dizia. E acreditava que havia razões para a Revolução Cultural. Julgávamos ser revolucionários e que, à medida que éramos revolucionários, que seguíamos o presidente Mao, poderíamos resolver qualquer problema, todos os problemas da sociedade.” O professor Norman Lowe, em História do Mundo Contemporâneo, diz que a Revolução Cultural instaurou uma situação caótica que beirou uma guerra civil: “Uma vez mobilizadas, as massas estudantis denunciaram e atacaram fisicamente qualquer pessoa com autoridade, e não apenas os críticos de Mao. Professores, profissionais, dirigentes partidários locais, todos eram alvo. Milhõesde pessoas caíram em desgraça e foram destruídas. Em 1967, os extremistas entre os Guardas Vermelhos estavam quase fora de controle, e Mao teve que chamar o exército, comandado por Lin Biao, para restaurar a ordem. (...) A Revolução Cultural gerou grande desagregação, destruiu milhões de vidas e provavelmente atrasou o desenvolvimento econômico da China em 10 anos.” O movimento começou a perder força no início da década de 1970, chegando ao fim com a morte de Mao Tsé-tung em 1976. A viúva de Mao, Chiang Ching, que durante a Revolução Cultural determinava o que podia ser pintado, escrito, dramatizado, cantado ou exibido no país, acabou se suicidando em 1991, na cadeia (ela e outros líderes foram presos depois da morte de Mao, acusados de crimes e atrocidades cometidos na época da Revolução Cultural maoísta). Com a morte de Mao Tsé-tung, o poder passou para as mãos de Deng Xiaoping, que havia sido perseguido na Revolução Cultural. Com a ascensão de Deng, a China inicia uma impressionante guinada em relação ao caminho que vinha percorrendo desde a instalação do regime maoísta. O novo governo adota reformas que foram denominadas de Quatro Modernizações, com o objetivo de desenvolver a indústria, a agricultura, a defesa e a ciência e tecnologia. Foram criadas as Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), estabelecendo uma abertura ao capitalismo. As Zonas Econômicas Especiais são áreas do território chinês abertas ao capital privado, onde funciona uma economia de mercado. Nas ZEEs vigora uma legislação econômica e tributária diferenciada em relação ao restante da China, o que garante o funcionamento de empresas de capital privado nacional e estrangeiro. O Estado continua presente, pois é ele quem diz onde, quando e em que áreas o capital privado deve ser aplicado. Nessas regiões a renda é bem superior à média das outras regiões do país, o que cria um brutal contraste social. Hoje, a renda média dos 10% mais ricos é 12 vezes maior do que a dos 10% mais pobres (uma década atrás, essa diferença era de apenas 4 vezes). Empresas multinacionais começam a se estabelecer no país, criando milhares de novos empregos e estimulando o desenvolvimento econômico. Aos poucos, a China, por tanto tempo fechada e voltada para si mesma, começa a incorporar-se à economia capitalista globalizada. Quando questionado se a China era capitalista ou socialista, o líder Deng Xiaoping respondeu: “Não importa se o gato é preto ou branco, desde que ele pegue os ratos.” Alguns denominam o modelo chinês de socialismo de mercado, enquanto outros preferem chamá-lo de socialismo misto. O PIB chinês cresceu, nas últimas décadas, em média 9% ao ano. Mão de obra abundante e barata, subsídios estatais, entrada de investimentos estrangeiros (atraídos pelas condições favoráveis da economia), instalação de fábricas montadoras (que importam peças e tecnologia, apenas montando seus produtos na China) e exportação de produtos baratos parecem ser a receita para o espetacular crescimento econômico da China, que conseguiu arrancar cerca de 500 milhões de chineses da pobreza absoluta em pouco mais de duas décadas. De acordo com o professor Paulo Henrique Martinez, em Socialismo: caminhos e alternativas, os principais elementos que indicam a abertura chinesa ao capitalismo ão: “a prioridade colocada sobre a produção com o objetivo de lucro; a volta do sistema salarial por produção; o comando unificado e hierarquizado, sem a participação dos trabalhadores; a imposição de regulamentos e a rigidez disciplinar; a privatização de muitas empresas e portos; a abertura da economia ao ingresso de capitais e empresas multinacionais e a abertura do comércio exterior.” Cartaz de propaganda oficial durante a Revolução Cultural (observe a figura de Mao pairando sobre os jovens que portam nas mãos exemplares do Livro Vermelho). O dirigente chinês Deng Xiaoping, responsável pela modernização do país. 154 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. A abertura econômica que a China experimentou não foi acompanhada de uma abertura política. É comum entre os historiadores se dizer que a China experimentou uma “perestroika sem glasnost”, numa alusão às reformas que Mikhail Gorbatchev implementou na URSS na segunda metade da década de 1980 (“perestroika”, em russo, significa restruturação; “glasnost” significa transparência). As reformas econômicas avançaram, os salários e as condições de vida melhoraram de forma significativa (pelo menos nas ZEEs), mas o Partido Comunista Chinês continuou a controlar a estrutura política com mão de ferro, como numa típica ditadura socialista. Em 1989 eclodiu um movimento que ficou conhecido como Primavera de Pequim. Entusiasmados com os ventos de liberdade política e mudanças que sopravam no Leste europeu e na URSS, universitários, professores e intelectuais da Universidade de Pequim ocuparam a Praça Tiananmen (ou Praça da Paz Celestial), no centro da capital chinesa, exigindo do governo reformas políticas, fim da corrupção, transparência nos atos do governo, liberdade de imprensa e respeito aos direitos humanos. A ocupação da Praça da Paz celestial pelos manifestantes começou em abril de 1989. Em maio, o movimento havia atingido proporções gigantescas, pois o número de manifestantes ali reunidos ultrapassara um milhão de pessoas, chamando cada vez mais a atenção da comunidade internacional e despertando preocupação no governo de Deng Xiaoping. Em junho de 1989, a tolerância do governo ao movimento chegou ao fim: tropas fortemente armadas do Exército Vermelho marcharam até Tiananmen, avançando sobre os manifestantes ali concentrados. Milhares de pessoas foram mortas no episódio que ficou conhecido como o Massacre da Praça da Paz Celestial. Um dos mais poderosos registros desse trágico episódio está na foto ao lado, quando o jovem chinês Wang Weilin tentou deter uma coluna de tanques que se aproximava do local onde os manifestantes estavam reunidos. Ele foi preso e executado poucos dias depois da repressão armada aos manifestantes. Comentando, à época, o episódio do jovem que tentou deter os tanques em Pequim, o jornalista Augusto Nunes escreveu no jornal O Estado deSão Paulo (18/06/1989): “(...) sozinho no meio da praça, o corpo magro modestamente emoldurado pela calça escura e a camisa branca, um jovem chinês, desarmado, detém uma coluna de tanques. Imobilizados os mamutes de aço, o chinesinho sobe ao dorso do primeiro deles e grita algo para o soldado que o pilota. Desce em seguida para o chão e novamente hasteia o próprio corpo diante da coluna. O tanque se move para a direita, o chinesinho acompanha seu movimento. É possível adivinhar a perplexidade do soldado que comanda a máquina assassina – a perplexidade que precede a fúria. O tanque avança alguns centímetros, o jovem o encara desafiadoramente. Há uma tragédia em seu começo: o soldado não poderá recuar. Mas alguns braços providenciais convergem para o meio da praça e resgatam o combatente solitário (...).” A repressão à Primavera de Pequim desencadeou uma onda de críticas da comunidade internacional ao governo chinês. Entretanto, Deng Xiaoping não recuou em sua postura de recrudescimento político, deixando claro que seu governo não faria concessões democráticas. Estava definitivamente consolidada a “perestroika sem galsnost” da China. A morte de Deng Xiapoping, em fevereiro de 1996, não afetou o porcesso de abertura econômica. Jiang Zemin, que o sucedeu no poder, deu continuidade à política reformista em vigor no país, marcada pela mescla de uma economia de mercado com a ditadura monopartidária. Hoje, sob o governo de Xi Jinping, a China avança em sua trajetória para a definitiva consolidação como potência mundial. O incontestável sucesso dos Jogos Olímpicos de 2008, sediados em Pequim, foram uma prova defi-nitiva do espaço que o país conquistou no cenário internacional. “A nação que sediou o maior evento esportivo do planeta não lembra em nada a China de 1968. O contraste entre as duas realidades, separadas por apenas quarenta anos, fica evidente quando se compara a vida dos jovens chineses naquele tempo e hoje. Um rapaz ou uma moça típicos de 1968 não estudava, porque as instituições de ensino superior haviam sido fechadas pelo líder comunista Mao Tsé-tung. Era integrante das Guardas Vermelhas maoístas e havia passado os meses anteriores participando como claque de expurgos de intelectuais, professores universitários, membros do Partido Comunista e dirigentes de estatais. Além disso, preparava-se para trabalhar numa colônia rural, a fim de ‘purificar-se’ ideologicamente por meio do contato diário com camponeses. Em suma, o jovem de 1968 vivia o fim da Revolução Cultura, iniciada por Mao em 1966, para exterminar o que o Grande Timoneiro considerava ser uma classe de políticos e intelectuais corrompida por valores ocidentais e, portanto, fora dos trilhos do socialismo. (...) O jovem chinês de 2008 [e de hoje] vive em outro país – um país em que a Revolução Cultural é um assunto tabu. Ele usufrui de uma economia aberta e que mantém, desde o fim da década de 90, o título de segundo maior receptor de investimentos externos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. (...) A universidade não é o centro de doutrinação marxista, mas trampolim para uma profissão bem remunerada. Além disso, ele tem acesso aos bens de consumo – em especial, produtos eletrônicos – que fazem a alegria da juventude ocidental. (...) Diz-se que o século XXI será da China, da mesma forma que o século XX foi dos Estados Unidos. Se a tendência de crescimento se mantiver, em uma década os chineses terão a segunda maior economia do mundo.” (Revista Veja, edição especial de 40 anos. São Paulo: Abril, 2008, p. 204-05.) Essa imagem se tornou o símbolo da repressão do governo chinês à Primavera de Pequim. O dirigente chinês Xi Jinping. Aula 31 – Revolução Chinesa 155 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência LEITURA COMPLEMENTAR: RELAÇÕES COMPLICADAS COM TIBETE E TAIWAN “No fim da guerra civil chinesa, em 1949, as forças derrotadas por Mao Tsé-tung fugiram para a ilha de Taiwan, estabelecendo um governo próprio. A China considera Taiwan uma província rebelde e ameaça entrar em guerra caso essa formalize a sua independência. Com a entrada da China na ONU, em 1971, Taiwan teve de sair da organização e desfez laços diplomáticos com quase o mundo todo. Os EUA, que financiaram a industrialização de Taiwan, permanecem como aliados e ajudam na defesa da ilha. Hoje em dia, as relações entre Taiwan e China atravessam a sua melhor fase em seis décadas. Ampliaram-se os laços de viagem e turismo (já existem vôos diretos), e os dois governos estão prestes a assinar um acordo de livre comércio. Até o momento, a agenda da aproximação deixou de fora o tema da reunificação política. A maioria dos taiwaneses almeja cooperação econômica, mas quer a independência. O Tibete, território de tradição budista com status de região autônoma, foi anexado à China em 1950. A ocupação tentou suprimir a identidade do povo tibetano. Por causa disso, Tenzin Gyatso, o 14º dalai-lama, líder os tibetanos, partiu para o exílio em 1959. Desde então, tem corrido o mundo divulgando a causa tibetana e ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1989. Em 2008, antes dos Jogos Olímpicos, protestos contra o domínio chinês levaram à pior onda de violência em 20 anos. Mesmo assim, o dalai-lama prosseguiu o diálogo com o governo. Ele afirma não querer a independência, mas a autonomia real, que garanta ao Tibete a preservação de suas tradições. A China, porém, empenha-se em desenvolver o Tibete para romper seu isolamento natural e diluir a cultura local. Grandes projetos de infraestrutura – como a ferrovia que liga Lhasa, a capital tibetana, a Golmud, na província de Qinghai – têm estimulado a imigração em massa dos chineses. Como resultado, a população tibetana perde importância em seu território.” GE Atualidades Vestibular + ENEM 2011. São Paulo: Abril, 2011, p. 79. 156 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM Questão 01 A foto acima, capturada pelas lentes da câmera de um fotógrafo da agência de notícias Reuters, tornou-se o principal testemunho da repressão do governo chinês à Primavera de Pequim, movimento de jovens estudantes universitários por uma abertura política, na noite de 3 a 4 de junho de 1989, na Praça da Paz Celestial (Tiananmen, em mandarim). No entanto, o governo chinês mantém até hoje um silêncio sobre o episódio. Vinte anos depois, o massacre de Tiananmen continua condenado ao esquecimento da sociedade e do governo chineses, mas com a comunidade internacional a aumentar a pressão para que Pequim liberte os participantes dos protestos que ainda permanecem detidos. Sobre a Primavera de Pequim (1989), infere-se que a) as autoridades chinesas agem em função das pressões da própria população, visto que o movimento refletia os interesses e insatisfações de parte da cúpula do partido comunista chinês e de seus apoiadores. b) hoje, passados mais de vinte anos do episódio “Massacre da Praça da Paz Celestial”, o governo chinês já permite que, nas escolas, se estude sobre tal acontecimento. c) o uso da repressão e da censura pelo partido comunista chinês é uma estratégia que visa reprimir a memória sobre o movimento e reforçar o poder governamental no país. d) o movimento de Pequim contou com a participação de ativistas tibetanos, que aproveitaram a oportunidade e conseguiram a emancipação do Tibet em relação ao domínio chinês. e) apesar de terem reprimido brutalmente o movimento de 1989, as autoridades chinesas não impedem que a população acesse sites que tratam sobre o assunto e nem proíbe debates sobre o mesmo. Questão 02 Observe as imagens abaixo. As fotos da senhora chinesa revelam uma prática da cultura daquele país que dava aos pés femininos, uma vez calçados, uma aparência delicada e diminuta, tal qual sapatinhos de boneca. A tradição foi banida com a RevoluçãoSocialista de 1949. Entretanto, milhares de mulheres ainda são um testemunho vivo de uma prática dolorosa que deformava seus pés, conferindo-lhes a aparência conhecida como “flor de lótus”, que tanto agradava aos homens. Refletindo sobre a prática dos “pezinhos de chinesa”, podemos associá-la a) a um costume tribal que os chineses herdaram dos mongóis quando seu império caiu sob o domínio desse povo asiático. b) a um procedimento da tradicional medicina chinesa, que acreditava que o mesmo traria mais força e resistência às mulheres. Anotações http://2.bp.blogspot.com/_LLg-5NC6BU0/SShUWwHgOGI/AAAAAAAAAGM/wWWQtuCAtuw/s1600-h/sapatochines4.jpg http://2.bp.blogspot.com/_LLg-5NC6BU0/SShUWyLAPRI/AAAAAAAAAGU/IMDDUtRcfGA/s1600-h/sapatochines5.jpg Aula 31 – Revolução Chinesa 157 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência c) às dificuldades da economia chinesa, que exigia esforços no sentido de economizar matérias primas na fabricação de calçados. d) à subjugação feminina na sociedade chinesa imperial, uma vez que os pés atrofiados contribuíam para a submissão da mulher ao homem. e) a um costume que os chineses herdaram da tradicional sociedade japonesa, assentada ideologicamente sobre o pensamento xintoísta. Questão 03 O principal articulador do atual modelo econômico chinês argumenta que o mercado é só um instrumento econômico, que se emprega de forma indistinta tanto no capitalismo como no socialismo. Porém os próprios chineses já estão sentindo, na sua sociedade, o seu real significado: o mercado não é algo neutro, ou um instrumental técnico que possibilita à sociedade utilizá-lo para a construção e edificação do socialismo. Ele é, ao contrário do que diz o articulador, um instrumento do capitalismo e é inerente à sua estrutura como modo de produção. A sua utilização está levando a uma polarização da sociedade chinesa. OLIVEIRA, A. A Revolução Chinesa. Caros Amigos, 31 jan. 2011 (adaptado). No texto, as reformas econômicas ocorridas na China são colocadas como antagônicas à construção de um país socialista. Nesse contexto, a característica fundamental do socialismo, à qual o modelo econômico chinês atual se contrapõe é a a) desestatização da economia. b) instauração de um partido único. c) manutenção da livre concorrência. d) formação de sindicatos trabalhistas. e) extinção gradual das classes sociais. Questão 04 “A China é agora a segunda economia do mundo, superando o Japão. Nesse inacreditável laboratório da modernidade, há muitos perigos à espreita, quer eles venham da ecologia, do sistema político ou do próprio crescimento vertiginoso da economia. Mas a China é hoje um lugar onde acontecem coisas surpreendentes....” HORTA, Luiz Paulo. “O Império do Meio manda chamar Confúcio”. O Globo. Caderno Opinião, 1º caderno, 22/08/2010, p.06. Com as reformas econômicas iniciadas por Deng Xiaoping, a partir de 1979 e do início da década de 80, a China deixou de ser um país atrasado e agrícola para se converter numa potência industrial, ingressando, já no início do século XXI, na Organização Mundial do Comércio (OMC). Ao combinar uma economia de mercado com a ditadura de um partido único, a China ainda possui desafios para se sustentar e se integrar ao cenário da economia mundial. Com base nos conhecimentos das mudanças geoeconômicas atuais, afirma-se que a(o) a) China se tornou um centro produtor e exportador mundial de produtos têxteis e manufaturados de baixo valor, a partir do crescente uso de mão de obra barata, do amplo mercado consumidor e de altos investimentos, vindos dos países asiáticos. b) manutenção das Zonas Econômicas Especiais é uma das metas do novo modelo de desenvolvimento econômico, cujo principal objetivo é a aproximação da China com países africanos, como Angola e Nigéria, fornecedores de petróleo, produto essencial ao crescimento industrial. c) início do processo de abertura da China ao comércio exterior se deu com a implantação do socialismo, logo após o término da Guerra do Ópio, mas retroagiu com a eclosão do movimento xenófobo conhecido como Guerra dos Boxers. d) novo modelo de desenvolvimento chinês para o século XXI aponta para a diminuição da desigualdade social com o aumento do consumo interno e investimentos em setores estratégicos de produção, como os de alta tecnologia e serviços, apesar da recente expansão de sua economia e dependência em relação ao comércio exterior. e) rompimento das relações sino-soviéticas na década de 70, a partir da desestalinização promovida na União Soviética, favoreceu a autonomia chinesa e ampliou os investimentos na produção, até então, controlados exclusivamente pelos russos. Questão 05 "Questiona-se atualmente qual o fôlego do desenvolvimentismo do peculiar socialismo chinês e se suas reformulações econômicas exigirão iguais mudanças políticas, dando os contornos a uma verdadeira 'glasnost' chinesa." VICENTINO, Cláudio e SCALZARETTO, Reinaldo. "Cenário Mundial. A nova ordem internacional". São Paulo: Scipione, 1992. Anotações 158 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. Tomando como referência a citação acima, assinale a alternativa correta. a) Embora sejam reconhecidos os avanços no plano econômico, politicamente o governo chinês mantém o centralismo e o autoritarismo, tal como se verificou em Pequim no massacre da Praça da Paz Celestial. Naquele momento, os estudantes lutavam contra a influência cultural norte-americana, contra as privatizações e pelo fortalecimento do Partido Comunista Chinês. b) A base das reformas econômicas na China, a partir da década de 1980, foi a criação de uma economia mercantil planificada, com investimentos na importação de tecnologia e abertura para empresas estrangeiras, aproveitando o potencial da farta mão de obra e do excelente mercado consumidor. c) Em função da supervalorização da mão de obra, com os altos salários pagos aos operários chineses, e da concorrência da exportação de produtos agrícolas feita por Taiwan, os produtos chineses ficaram restritos ao comércio com o sudeste asiático. d) A devolução de Hong Kong pelos ingleses à China foi fruto de intensos conflitos que envolveram recentemente os dois países, culminando com a implantação de eleições livres e a formação de uma bolsa de valores naquela região. Questão 06 Em 1842, Hong Kong foi cedida para o Reino Unido pelo Tratado de Nanquim. No ano de 1984, após inúmeras negociações, um comunicado conjunto (China - Reino Unido) aceita a reincorporação de Hong Kong à China a partir de 1997. A reincorporação a) gerou forte oposição da Rússia, que se sentiu ameaçada pela economia chinesa. b) ocasionou o boicote, pelo Japão, aos produtos vindos de Hong Kong, por temor da concorrência. c) ocasionou um acordo recusado pela população de Hong Kong, que se declarou anexada a Formosa. d) fez com que Hong Kong, após anos de domínio imperialista americano, finalmente voltasse a fazer parte do território chinês. e) gerou apreensão nos habitantes de Hong Kong, receosos de medidas chinesas de restrição aos direitos democráticos e à economia capitalista. Questão 07 O mundo todo se volta para o Oriente para entender o "milagre chinês", fruto da política reformista de Deng Xiaoping. Sobre a China hoje, é correto afirmar que, EXCETO: a) a abertura da economia aos investimentos externos está associada ao planejamento e controle do Estado. b) no campo político, há um profundo desrespeito aos direitos humanos e um forte autoritarismo governamental. c) o grande desenvolvimento industrial é o responsável pelo declínio acentuado da economia agrária. d) a mão de obra farta e barata é um dos grandes atrativos para os investimentos estrangeiros. e) a prosperidade é regionalizada, havendo ainda grandes bolsões depobreza e de arcaísmos no interior. Questão 08 "O drama foi tão vasto quanto a própria China. Encorajados pelos ventos da libertação vindos de Moscou e da Europa do Leste, quase um milhão de manifestantes foram se juntando na Praça da Paz Celestial, em Pequim, para pedir reformas. Após sete semanas, sobrou um núcleo de três mil estudantes que pediam a democracia. (Revista "Veja" - Editora Abril) O trecho acima refere-se à: a) Revolução Cultural, na qual grupos políticos antagônicos assumiram posições marcadas pelo radicalismo. b) proclamação da República Popular da China, após o vitorioso movimento liderado por Mao Tse- Tung. c) cisão entre a China e a União Soviética, devido a divergências relativas à tese de coexistência pacífica. d) manifestação que obrigou os seguidores de Chiang Kai-Shek a fundar a China nacionalista em Taiwan (Ilha de Formosa). e) repressão comunista contra o movimento por abertura política e contra a corrupção e privilégios de altos funcionários do Partido Comunista Chinês. Anotações