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Historia em movimento Vol 1-50

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342 Manual do Professor
ironiza traços pessoais (como o tamanho ou o peso das pes-
soas) deve ser vista da mesma forma que uma caricatura que 
ridiculariza traços étnicos? Por outro lado, é preciso discutir 
com a classe como criar leis que não impeçam escritores e de-
senhistas de trabalhar e expressar suas opiniões. Professor, a 
leitura do artigo Direito à blasfêmia: e quem é a vítima? pode 
oferecer subsídios para o debate. O artigo encontra-se no 
endereço eletrônico: <www.dw.de/dw/article/0,,1906358_
page_0,00.html>. Acesso em: 28 jan. 2013.
Capítulo 24
Renascimento urbano 
e comercial
Conteúdos e procedimentos sugeridos
Este capítulo trata das transformações econômicas, sociais 
e culturais que se processaram na Europa no período conhecido 
como Baixa Idade Média. Transformações que enfraqueceram o 
sistema feudal e levaram à formação de novos grupos sociais. 
Aborda ainda a crise que se seguiu a esse período de expansão 
e que mostrou a necessidade de mudanças econômicas, políti-
cas e sociais na sociedade europeia desse período.
A abertura do capítulo expõe aspectos do mundo con-
temporâneo que fazem parte do universo dos alunos: compu-
tador, internet, comércio virtual. Com base nessa identificação 
com a realidade deles, algumas questões podem ser propostas 
para orientar o estudo do capítulo: Quais são as formas adota-
das pelo comércio hoje? Como os alunos imaginam que era rea- 
lizado no mundo medieval, no qual o contato entre os feudos 
era reduzido? O que modificou essa realidade, fazendo ressur-
gir as atividades urbanas? 
Antes de começar o estudo deste capítulo, é interessante 
propor aos alunos que retomem o capítulo 22, levantando as 
principais características do feudalismo. A partir daí, eles podem 
observar as mudanças ocorridas na Europa ocidental entre os 
séculos XI e XIII, verificando o processo que se configurou. Per-
cebe-se a passagem, embora lenta e gradual, de uma sociedade 
em que a medida da riqueza era a terra, para uma nova fonte de 
riqueza – o comércio –, que é permeada pelo dinheiro.
É importante que os alunos compreendam o encadea- 
mento entre o advento de novas tecnologias, o aumento da 
produtividade agrícola, o crescimento demográfico e o reaque-
cimento comercial e urbano. Vale lembrar o papel que as Cru-
zadas (capítulo 23) tiveram nesse cenário, ou seja, o contato 
que elas promoveram entre Ocidente e Oriente, contribuindo 
para a circulação de mercadorias. Com relação a isso, há no 
boxe Os mercadores reativam a economia (p. 189) informações 
que ampliam os conhecimentos sobre o assunto.
Uma mudança tão profunda nas relações econômicas 
logo se fez sentir também em nível social e cultural68. Assim 
ocorreu com as atividades urbanas: artesãos e mercadores for-
mam um novo grupo social; universidades são organizadas. 
Particular importância teve nesse processo o surgimento de no-
vos hábitos e valores, tendo em vista a posição da instituição 
mais influente sobre a vida espiritual das pessoas à época. Para 
um estudo mais acurado, pode-se retomar o boxe Os merca-
dores reativam a economia, já mencionado. Valiosa análise ico-
nográfica também pode ser realizada com base na seção Olho 
vivo (p. 192), cuja imagem contém vários símbolos de prestígio 
e de posse, salientando o vínculo entre enriquecimento, con-
sumo e prestígio social.
Com relação à crise do século XIV, vale ressaltar os aspec-
tos que abalaram esse florescimento do comércio e das cida-
des – notadamente a peste negra69 e a fome. Com a leitura do 
boxe A propagação da peste negra (p. 195) e do texto A peste 
negra em Florença, da seção No mundo das letras (p. 197), os 
alunos têm oportunidade de entender o que ela representou 
para os europeus.
Sugestão de leitura
CHANDA, Nayar. Sem fronteira: os comerciantes, missionários, 
aventureiros e soldados que moldaram a globalização. Rio de 
Janeiro: Record, 2011.
¡sso...Enquanto
As armas de fogo na Europa
De olho no mundo
Segundo estudo concluído pela Unesco (Organização 
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) 
em 2005, o Brasil ocupava o 2o lugar em mortes por armas de 
fogo entre 57 países, ficando atrás apenas da Venezuela. O Ja-
pão figura no último (e honroso) lugar. O estudo alerta ainda 
para o impacto da violência e das armas de fogo sobre a qua-
lidade da educação no Brasil. Segundo dados preliminares de 
10 069 questionários aplicados a estudantes em 113 escolas 
da rede pública, cerca de 35% dos alunos afirmaram ter vis-
to armas dentro da escola, e 12,1% deles viram revólveres. A 
pesquisa envolve o Distrito Federal e cinco capitais brasileiras 
– São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Belém e, apenas na par-
te qualitativa, o Rio de Janeiro. O levantamento revela, ainda, 
que a taxa de óbitos por armas de fogo no Brasil é maior do 
que a registrada em países como Israel, que enfrentam situa-
ção de conflito armado. Apesar da gravidade da situação, a 
indústria de armas de fogo exerce significativa influência nas 
decisões sobre qualquer restrição à livre venda de armas e mu-
nições, não só no Brasil, mas em todos os países produtores 
de armas. O crescimento da violência e da insegurança só agra-
va essas circunstâncias, já que muitas pessoas acreditam estar 
mais seguras de posse de uma arma de fogo – crença essa con-
trariada pelas estatísticas. Um plebiscito realizado em outubro 
de 2005 não permitiu que entrasse em vigor o artigo 35 do 
Estatuto do Desarmamento, que proibia a comercialização de 
arma de fogo e munição no Brasil. A íntegra desse Estatuto, 
sancionado em 2003, pode ser lida no seguinte endereço ele-
trônico: <http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicaco-
es.action?id=238125>. Acesso em: 28 jan. 2013.
68 As mudanças políticas decorrentes desse processo serão examinadas no próximo capítulo.
69 Leo Huberman, em seu clássico História da riqueza do homem, observa que a peste negra teria sido um grande fator de liberdade para o camponês. Segundo 
seu raciocínio, se a terra só era fonte de riqueza caso houvesse braços que pudessem trabalhá-la, e a peste resultou em uma redução drástica da mão de obra 
disponível, os camponeses sobreviventes poderiam passar a exigir mais por sua força de trabalho.
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343Manual do Professor
Organizando aS iDEiaS
1. Entre os vários avanços tecnológicos, destaca-se a charrua 
(arado de ferro) puxada a cavalo, mais eficiente do que seu 
antecessor, um arado feito de madeira e movido pela força 
do boi. Outro avanço significativo deve-se ao surgimento 
dos moinhos de água, utilizados para moer cereais, substi-
tuindo a força de trabalho de muitos homens. Entre os sé-
culos XII e XIII, os árabes introduziram na península Ibérica 
os moinhos de vento, que se tornaram indispensáveis para a 
manutenção dos sistemas de diques e canais e também para 
drenar pântanos e aumentar as áreas de plantio. O próprio 
modo de cultivar a terra passou por mudanças, sendo a ro-
tação bienal substituída pela rotação trienal de culturas: o 
terreno era dividido em três partes e, a cada ano, uma delas 
descansava, enquanto nas outras revezava-se o plantio de 
legumes e cereais, evitando-se assim o rápido empobreci-
mento do solo. Esses avanços tecnológicos elevaram de for-
ma expressiva a qualidade e a quantidade da produção agrí-
cola. Alimentando-se melhor e momentaneamente livre das 
epidemias e das invasões, a população aumentou substan-
cialmente. Ao mesmo tempo, o excedente agrícola passou a 
ser vendido em quantidades cada vez maiores, reaquecendo 
o comércio, que decaíra nos séculos anteriores. Esse proces-
so provocou o aumento da circulação do dinheiro.
2. Ao retornarem à Europa, muitos cruzados de origem nobre 
traziam consigo produtos do Oriente, de grande aceitação 
no mercado europeu, especialmente as especiarias (pimen-
ta, noz-moscada, canela, etc.) e as sedas da China. O au-
mento da oferta desses produtos aguçava o desejodos eu-
ropeus ricos de exibi-los como símbolo de riqueza. Atentos 
a esses novos hábitos de consumo, os mercadores intensi-
ficaram o comércio com o Oriente para levar esses artigos 
até a Europa. Assim, ampliava-se a riqueza e o poder de ci-
dades da península Itálica, como Gênova e Veneza, onde vi-
viam esses mercadores. 
3. Em primeiro lugar, eles ampliaram significativamente suas 
atividades, à medida que aumentava a circulação de moe-
das e crescia o interesse por novos produtos. Assim, das pe-
quenas trocas locais, os comerciantes passaram a atravessar 
grandes distâncias à procura dos produtos orientais e arti-
gos de outras regiões da Europa. Para ampliar seus lucros e 
lutar pelos seus interesses, os comerciantes criaram associa-
ções, como a Grande Hansa Germânica (ou Liga Hanseáti-
ca), fundada em 1356. Essa associação foi responsável pela 
definição de regras comuns para o comércio e pela padro-
nização de pesos e medidas. Com o incremento das ativida-
des comerciais, foram criados seguros contra roubos, letras 
de câmbio e registros de contabilidade. As atividades bancá-
rias foram reativadas, e os empréstimos a juros tornaram-se 
frequentes. Com esse processo, uma parcela dos comercian-
tes enriqueceu, ampliando seu espaço e sua posição social.
4. A intensificação das atividades comerciais permitiu o apare-
cimento de feiras regulares nos cruzamentos das rotas co-
merciais percorridas pelos mercadores. Esses locais transfor-
maram-se lentamente em cidades. Outros centros urbanos 
surgiram a partir da expansão dos burgos, isto é, das aglo-
merações formadas em torno de abadias ou de castelos. 
Nesse processo, as cidades passaram a ter importância 
cada vez maior na vida da sociedade medieval. Entre 1100 
e 1300, surgiram na Europa ocidental cerca de 140 novos 
centros urbanos. Tanto as cidades novas quanto as antigas 
assumiram um forte caráter econômico, transformando-se 
em zonas de produção artesanal e centros comerciais. Elas 
acolhiam não apenas comerciantes, mas senhores feudais 
endividados e camponeses que fugiam da opressão dos feu-
dos. Além disso, muitas pessoas vindas do campo sabiam 
produzir artigos como sapatos, roupas, ferramentas e ar-
mas, e, nas cidades, passaram a se dedicar a atividades ma-
nufatureiras em pequenas oficinas. 
5. As corporações de ofício foram organizadas pelos mestres 
das oficinas com o objetivo de defender os interesses cole-
tivos das várias categorias profissionais (sapateiros, marce-
neiros, tecelões, etc.). A princípio, elas regulamentavam a 
atividade, garantindo o preço final dos artigos pelo controle 
da produção. Mais tarde, as corporações passaram a funcio-
nar também como uma forma de inibir a ascensão profis-
sional dos oficiais que pretendiam se tornar mestres e abrir 
suas próprias oficinas. Assim, o oficial que quisesse se tornar 
mestre deveria ser avaliado com base em critérios muito rí-
gidos, que incluíam a produção de uma peça a ser analisada 
e aprovada por uma comissão de mestres.
6. Inicialmente, eram chamados burgueses os moradores dos 
burgos, aglomerações formadas em torno de abadias ou de 
castelos. Muitos desses burgueses eram mercadores e arte-
sãos sem nenhum vínculo ou obrigação para com o senhor 
feudal. Por isso, o termo se transformou em sinônimo de 
“pessoa livre”. Posteriormente, passou a designar cada vez 
mais apenas uma parcela da população urbana, os comer-
ciantes mais ricos, os banqueiros e os empresários, detento-
res dos meios de produção e de circulação das riquezas. O 
grupo social formado por essas pessoas, a burguesia, seria 
mais tarde confrontado pelos trabalhadores urbanos, que 
formariam o proletariado, ou classe operária.
7. O aumento das atividades urbanas promoveu mudanças na 
vida cultural e intelectual, graças à criação de novas escolas 
laicas e das primeiras universidades, que deviam preparar pro-
fissionais para as novas atividades econômicas. Finalmente, o 
lazer também se transformou com o crescimento das cidades, 
onde se realizavam festivais com a presença de artistas. Junto 
à nobreza, surgiu um novo tipo de poeta, o trovador, que de-
clamava poesias com acompanhamento musical.
No mundo DaS lETraS
A peste negra em Florença
1. O crescimento desordenado das cidades e da população, 
aliado às condições insalubres de vida e à falta de higiene 
nessas cidades, podem explicar a alta taxa de disseminação 
da peste negra no século XIV. A doença seria responsável por 
dizimar cerca de um terço da população europeia naquele 
século. Vinda do Oriente por meio de um navio genovês, era 
transmitida pela pulga de ratos contaminados com a bac-
téria transmissora da peste bubônica. Pessoas que tivessem 
contraído a forma pulmonar da doença poderiam propagá-
-la ao expelir a bactéria transmissora por meio da tosse.
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344 Manual do Professor
2. O texto mostra um estado de desordem e de desolação 
generalizados em Florença, uma das muitas cidades atin-
gidas pela doença. Sob o impacto da peste negra, a morte 
se alastrava por Florença, afetando não apenas as pessoas 
comuns, mas também as autoridades civis e religiosas. Com 
a morte dessas autoridades, um verdadeiro caos se instalou 
em Florença. Sem ninguém para se fazer cumprir as leis na 
cidade, as pessoas faziam “aquilo que melhor lhes aprou-
vesse”. Muitos, temendo se contaminar, abandonaram a ci-
dade, deixando tudo para trás: parentes, bens, moradia.
3. Atividade interdisciplinar com Biologia. Além de obter infor-
mações com o professor dessa disciplina, será interessante 
que os alunos pesquisem os programas existentes em sua 
cidade para a educação, a prevenção da doença e o apoio a 
pacientes e seus familiares. O site <http://www.aids.gov.br/> 
traz importantes informações sobre a doença. O vírus do HIV 
pode ser transmitido pelos sangue, pelo sêmen, pela secre-
ção vaginal e pelo leite materno. Entre as principais formas 
de contágio estão as relações sexuais com pessoas infecta-
das pelo HIV sem o uso de preservativos, transfusão de san-
gue contaminado e o reaproveitamento de seringas descar-
táveis, cujas agulhas estejam contaminadas pelo vírus.
Fechando a unidade
Reflita e responda
1. Resposta pessoal. A atividade procura conduzir a uma refle-
xão sobre as práticas de intolerância vividas cotidianamen-
te ou registradas pelos meios de comunicação. Pretende-
-se que o aluno compreenda melhor um mecanismo que 
dinamiza e fortalece as práticas de intolerância, visto que 
estas se justificam como se fossem “respostas” a manifes-
tações de intolerância experimentadas anteriormente. Esse 
raciocínio pode ser aplicado a situações cotidianas (um vizi-
nho intolerante com o qual somos intolerantes também) e a 
processos históricos mais complexos (o longo conflito entre 
árabes e israelenses, por exemplo).
2. O documento 2 registra a presença de representantes de 
diversas religiões em manifestação pela paz e pela tolerân-
cia. O lugar escolhido para essa manifestação tem uma im-
portância simbólica, pois foi ali que os nazistas instalaram 
um campo de extermínio na Polônia, ocupada pelas tropas 
alemãs durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). 
A fotografia provoca uma reflexão sobre as afinidades exis-
tentes entre as várias religiões. O documento 3, o quadro de 
Rockwell, traz uma mensagem sobre a necessidade de tole-
rância religiosa, afirmando que não se deve fazer aos outros 
o que não gostamos que se faça contra nós. O modo pelo 
qual as pessoas foram representadas, todas muito próximas 
e voltadas para a mesma direção, contribui para construir 
um efeito de “humanidade”. Assim, essa grande multidão, 
embora diferente nos modos de vestir ou no tipo físico, uni-
fica-se na mesma experiência da vida humana. O quadro 
expressa uma ideia importante para a tolerância religiosa 
sintetizada na frase: “somos iguais nas diferenças”.Em ou-
tras palavras, embora sejamos diversos nas nossas manifes-
tações culturais, somos semelhantes em nossa humanidade.
3. Resposta pessoal. Nesta atividade, pretende-se que o aluno 
compreenda que suas práticas pessoais também podem es-
tar marcadas pela intolerância. Essa intolerância pode apa-
recer quando refletimos sobre os preconceitos e estigmas 
criados para se referir a pessoas que professam crenças di-
ferentes da nossa ou que são pouco conhecidas nas comu-
nidades onde vivemos. Esses preconceitos aparecem nas 
piadas, na distância que mantemos em relação a certas pes-
soas, no sentimento de superioridade. Professor, além de 
identificar essas formas de intolerância e propor que elas 
não sejam mais praticadas, você pode estimular os alunos 
a pensar nos motivos que os levaram a ações intolerantes. 
Em geral, um aspecto estrutural é a ignorância, isto é, o des-
conhecimento em relação ao outro e à sua cultura. Assim, 
você pode sugerir aos alunos que reflitam sobre suas (pos-
síveis) práticas intolerantes e procurem evitá-las, mas que 
busquem também conhecer melhor as religiões ou culturas 
que eram objetos de intolerância. Muitas vezes esses pro-
cessos ocorrem na própria sala de aula, manifestados em 
brincadeiras ou ironias contra certos grupos ou alunos.
5Unid
a
d
e
Soberania e 
Estado nacional
Começo de conversa
1. A resposta depende das informações dos alunos. Há diver-
sos casos divulgados na imprensa sobre o tema, envolven-
do as relações internacionais do governo brasileiro. Dois ca-
sos recentes podem servir de exemplos: o gás da Bolívia e a 
concessão de exílio político para o italiano Cesare Battisti. 
No primeiro, a polêmica envolveu mudanças no contrato de 
compra de gás entre os governos brasileiro e boliviano; o se-
gundo relacionou-se a um debate sobre a situação jurídica 
do ex-ativista político Battisti, considerado por setores da Itá-
lia como criminoso, mas interpretado pelo governo brasileiro 
como um exilado político. Professor, é importante estimular 
a classe a identificar as diversas opiniões e pontos de vista so-
bre o assunto. Como observa o texto de abertura desta uni-
dade, há duas tendências opostas sobre a relação entre os 
Estados nacionais e os organismos multilaterais e suprana-
cionais. Nesta etapa do trabalho, é necessário apenas que os 
alunos compreendam essas tensões e procurem definir opi-
niões sobre o tema, sem que haja a exigência de uma “res-
posta única e correta”.
2. A resposta depende da reflexão pessoal dos alunos, mas eles 
devem ser estimulados a avaliar diversas situações complexas 
envolvendo o tema proposto. Como devem se comportar os 
organismos supranacionais, por exemplo, diante da prática 
de genocídio em Estados que se autoproclamam autônomos 
e rejeitam qualquer tipo de interferência externa? Durante 
décadas, o regime político da África do Sul, o aphartheid, 
segregou legalmente a população negra, impedindo que a 
maioria dos habitantes tivesse acesso a direitos políticos, so-
ciais e civis. Atualmente, vários países do mundo mantêm 
políticas de segregação e discriminação por motivos religio-
sos, étnicos ou de gênero, argumentando que se trata de 
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345Manual do Professor
assuntos internos. Isso ocorre em diversas regiões da África 
e da Ásia, mas também em países como os Estados Unidos, 
especialmente depois do ataque às Torres Gêmeas, em Nova 
York, em 2001 (desde então, o tratamento dado a imigran-
tes de origem árabe tornou-se discriminatório). Ao mesmo 
tempo, o governo dos Estados Unidos recusou-se a assinar 
acordos internacionais em setores estratégicos, como o meio 
ambiente (Protocolo de Kyoto), sem que alguma instituição 
supranacional conseguisse intervir para modificar essa deci-
são. Outro desafio à intervenção de órgãos supranacionais 
foi a invasão do Iraque em 2003 por forças anglo-america-
nas que não contavam com a aprovação da ONU (Organiza-
ção das Nações Unidas). Professor, em todas essas situações 
é necessário que o aluno compreenda que um debate con-
temporâneo tem sido travado sobre o tema, mobilizando es-
pecialistas, organizações sociais e Estados. Trata-se de um 
assunto polêmico e extremamente importante para a com-
preensão do mundo contemporâneo.
Capítulo 25
A formação do Estado moderno
Conteúdos e procedimentos sugeridos
Ao tratar da formação das primeiras monarquias nacio-
nais europeias, o capítulo remete às origens da instituição po-
lítica e jurídica que é, atualmente, a mais reconhecida e ado-
tada para representar os povos do mundo: o Estado nacional.
A observação de um planisfério, chamando a atenção 
dos alunos para a divisão política atual, acrescida de algumas 
perguntas, pode constituir o ponto de partida para o estudo 
dos conteúdos do capítulo. As fronteiras entre os países sem-
pre existiram? Eles sempre tiveram o mesmo território? O que 
define os países hoje? 
Alguns países têm seus territórios consolidados há muito 
tempo, a exemplo de Inglaterra, França, Portugal e Espanha. 
Outros ainda vivem esse processo. É importante que os alunos 
percebam que a delimitação de territórios é fruto de um pro-
cesso histórico, aspecto estudado neste capítulo. 
O processo de formação das monarquias nacionais teve 
início com o fortalecimento do poder real, que permitiu aos 
monarcas: deter o comando do exército, submeter à sua au-
toridade os poderes e a população locais, consolidar a justiça 
real, unificar a moeda. Vale salientar que esse processo não 
ocorreu ao mesmo tempo nem do mesmo modo nas monar-
quias que se constituíram no período estudado no capítulo.
No caso da Inglaterra, as reações da nobreza tiveram con-
sequências importantes nos rumos das disputas políticas, com 
a imposição ao rei da Carta Magna.
Na França, com a ampliação da autoridade real verificou-se 
a restrição ao poder do clero e dos senhores feudais. Isso permitiu 
ao rei favorecer o comércio e trazer para sua administração repre-
sentantes da burguesia. No processo de consolidação da monar-
quia francesa, merece destaque a atuação de Joana d’Arc, que 
contribuiu para a formação de um sentimento de identidade na-
cional entre a população. Sobre isso, as informações do boxe A 
Guerra dos Cem Anos (p. 205) ampliam os conteúdos. O boxe 
contribui também para o debate atual sobre a equação “territó-
rio, povo, Estado, nação”, no que este se refere, por exemplo, a 
questões relacionadas a povos como os curdos e os palestinos, 
que lutam para formar seus próprios Estados.
Os processos de centralização política das monarquias de 
Portugal e Espanha sugerem considerações como a participa-
ção da Igreja católica nesses processos e a relação entre centra-
lização do poder e território. O estudo das monarquias ibéricas, 
em particular, pode ser útil para a percepção da historicidade 
das fronteiras políticas dos atuais Estados nacionais. Esse en-
tendimento torna-se ainda maior com o trabalho dos mapas A 
Reconquista (p. 206). 
No caso da Espanha, destaca-se a aliança dos reis com a 
Igreja católica. É significativo desse fato que os reis de Aragão 
e Castela, cuja união constituiu o primeiro passo para a for-
mação da Espanha moderna, ficaram conhecidos como “reis 
católicos”. A possibilidade de atuar em nome da Igreja e de 
sua autoridade, com a implantação do Tribunal do Santo Ofí-
cio, e o empenho para expulsar os povos não cristãos do terri-
tório (muçulmanos e judeus), trouxe grande força para a mo-
narquia espanhola. 
A leitura do boxe Os muçulmanos na península Ibérica 
(p. 206) coloca os alunos em contato com a influência árabe 
nessa região, decisiva para o pioneirismo ibérico nas Grandes 
Navegações70. A seção Enquanto isso... (p. 208) também abor-
da importante herança árabe – Os algarismos indo-arábicos –, 
que está nas origens de nosso sistema numérico. 
A Guerra dos Cem Anos
De olho no mundo
O povo curdo é uma etnia que habita o norte do Iraque 
e o sul da Turquia e reivindica a criaçãode uma nação própria, 
o Curdistão. Atualmente, depois da queda do ditador Saddam 
Hussein, os curdos estão representados no novo parlamento ira-
quiano. Já os nacionalistas bascos consideram o território situa-
do no norte da Espanha – hoje administrativamente uma comu-
nidade autônoma espanhola – e no noroeste da França como 
parte da nação basca. A formação de um país independente é 
também o objetivo do movimento armado clandestino chama-
do ETA, que muitas vezes usou de violência para alcançar seus 
objetivos e por isso foi qualificado de terrorista pelas autoridades 
espanholas. Em 2011, o ETA enviou comunicado renunciando à 
violência. Os palestinos, por sua vez, vivem em sua maioria num 
território dividido: a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, ambos na Pa-
lestina. Partes dispersas dessa área passaram há alguns anos a 
ser administradas por uma entidade autônoma, a Autoridade 
Palestina. Professor, você pode solicitar aos alunos que façam 
uma apresentação oral reunindo os grupos que estudaram cada 
um dos casos propostos pela atividade. Depois, podem-se ree-
laborar os cartazes e montar uma pequena exposição na escola. 
É oportuno definir um título para a exposição, um texto curto 
de apresentação e cartazes informativos para que outros alunos 
possam compreender o tema pesquisado.
Sugestão de site
Biblioteca Nacional da França – Acervo digital da Bibliothèque 
Numérique (site em francês). Disponível em: <http://gallica.bnf.
fr/>. Acesso em: 28 jan. 2013.
70 Este assunto será retomado no capítulo 28.
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346 Manual do Professor
Organizando aS iDEiaS
1. A partir do século XI, com a reativação do comércio e da 
vida urbana, surgiu um novo grupo social formado por 
mercadores que enriqueceram e se fortaleceram com a 
atividade comercial: a burguesia. Esse grupo via no poder 
dos senhores feudais um obstáculo para o crescimento e a 
prosperidade do comércio. Nos domínios de cada proprie-
dade, havia pesos e medidas diferentes, impostos diversos 
e abusos praticados pelos senhores feudais. Assim, a bur-
guesia procurou aproximar-se dos reis em busca de apoio 
político capaz de limitar os poderes da nobreza. Por outro 
lado, alguns monarcas, interessados em enfraquecer a no-
breza feudal e em fortalecer seu próprio poder, passaram 
a aproximar-se da burguesia, adotando medidas a favor 
desse grupo social. Finalmente, os pobres também viam na 
figura real uma espécie de protetor contra as injustiças co-
metidas pelos senhores feudais. Apoiando-se nesses con-
flitos de interesses e contando com o apoio da burguesia 
mercantil, os reis puderam enfrentar e vencer a resistência 
dos senhores feudais e concentrar poderes em suas mãos: 
tinha início a formação das monarquias nacionais na Eu-
ropa ocidental.
2. A Carta Magna foi uma resposta da nobreza à excessiva 
centralização do poder real. Em 1215, o rei João Sem-Terra 
sofreu um cerco pelas forças militares de um grupo de no-
bres, às margens do rio Tâmisa. Essa reação da nobreza le-
vou o monarca a atender às exigências de seus adversários, 
contidas num documento posteriormente chamado de Car-
ta Magna. Ela proibia o rei de decretar novos impostos ou 
criar leis sem a aprovação do Grande Conselho, formado 
por representantes da nobreza e do alto clero. Ela foi impor-
tante para a organização política na Inglaterra porque deu 
início às futuras garantias que iriam impedir a centralização 
total do poder real.
3. Na França, a monarquia iniciou o processo de centraliza-
ção durante a dinastia dos capetíngios com o apoio da bur-
guesia. Ao centralizar o poder, as novas medidas tomadas 
favoreceram o comércio e contribuíram para ampliar o pres-
tígio do rei junto à população. O rei Felipe II (1180-1223) 
foi particularmente importante nesse processo de centra-
lização. Ele integrou membros da burguesia no seu gover-
no e delegou a cobrança de impostos e a fiscalização do 
comércio para agentes administrativos. Posteriormente, 
Luís IX (1226-1270) criou uma moeda de circulação nacio-
nal e ampliou o poder dos tribunais do rei (em oposição aos 
tribunais sob controle dos senhores feudais). Finalmente, 
Felipe IV (1285-1314) convocou uma assembleia conheci-
da como Estados Gerais, com representantes da nobreza, 
do clero e da burguesia. Essa assembleia aprovou a co-
brança de impostos do clero, resolvendo uma disputa en-
tre Felipe IV e o papa Bonifácio VIII e, com isso, fortalecen-
do ainda mais o poder real.
4. A Guerra dos Cem Anos levou a França a um longo proces-
so de luta contra os ingleses que terminou com a unificação 
definitiva do território e da coroa francesa. Para expulsar 
os ingleses, a monarquia francesa havia mobilizado os sen-
timentos de identidade do povo francês. Joana D’Arc, por 
exemplo, foi uma liderança importante no conflito, estimu-
lando os franceses a lutarem, pois ela acreditava que havia 
sido enviada por Deus para derrotar os ingleses. Esses fato-
res fortaleceram o Estado e o sentimento de identidade na-
cional dos franceses.
5. Nos primeiros séculos da era cristã, a península Ibérica foi 
ocupada pelos romanos, que transformaram a região na 
província de Hispânia. Com as invasões germânicas, a pe-
nínsula foi ocupada pelos visigodos, povo de origem germâ-
nica. Em 711, quase toda a região caiu sob domínio muçul-
mano. Tempos depois, os cristãos deram início a ações de 
resistência à ocupação muçulmana, desencadeando lutas 
descontínuas, conhecidas como Reconquista, que preten-
diam expulsar os muçulmanos da península. No século XI, 
essa ofensiva cristã se tornou sistemática. A partir de então, 
em quatro séculos de luta, as cidades sob controle muçul-
mano caíram uma após outra, até que toda a península foi 
ocupada por reinos cristãos.
6. a) No segundo mapa, que mostra a península em 1085, 
quando o Condado Portucalense foi entregue pelo rei 
Afonso VI ao nobre francês Henrique de Borgonha.
b) Apenas no último mapa, que mostra a península em 
1212, quando os muçulmanos detinham apenas o Rei-
no de Granada.
c) À medida que os muçulmanos eram expulsos, reinos e 
condados cristãos expandiam seus territórios. Lentamen-
te, o processo de lutas, o sentimento de apego ao terri-
tório e a união de alguns reinos (por meio de casamentos 
ou disputas) levaram à formação dos dois Estados nacio-
nais, Portugal e Espanha.
7. Em 1383, o último monarca da dinastia de Borgonha ha-
via morrido sem deixar herdeiros. O rei de Castela preten-
dia anexar Portugal ao seu território. A disputa dividiu a so-
ciedade portuguesa entre partidários da coroa de Castela 
e os que queriam a manutenção da independência (espe-
cialmente, mercadores, uma parte da nobreza e dos setores 
mais pobres da população). Em meio à disputa, a segunda 
facção conduziu dom João ao trono para garantir a inde-
pendência de Portugal e, consequentemente, fortalecer o 
poder real.
8. Após a união dos dois reinos, os reis católicos selaram com 
a Igreja uma aliança com o objetivo de expulsar da Espanha 
muçulmanos e judeus. Em 1478, o papa Sixto IV assinou 
uma bula autorizando a criação de um Tribunal do Santo 
Ofício na região sob controle do governo. Para os reis da 
Espanha, o tribunal da Inquisição funcionava como um 
braço de seu poder. O Tribunal deu início a um período 
de intolerância e perseguições a dissidentes e opositores 
por razões religiosas e políticas. Sob a ação da Inquisição, 
as reações contrárias à centralização do Estado nas mãos 
de Fernando e Isabel, ou contra qualquer política do go-
verno, seriam sufocadas no nascedouro, quer partissem 
de pessoas das camadas baixas da sociedade, de antigos 
senhores feudais ou de representantes da burguesia.
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347Manual do Professor
Hora DE rEFlETir
O nacionalismo é genericamente um sentimento de for-
te apego à nação. Quando essesentimento se torna radical, 
costuma ser chamado de ufanismo. São vários os movimentos 
políticos que se apropriaram ou se apropriam do nacionalis-
mo, ora como componente programático, ora como forma de 
propaganda. No século XX, por exemplo, o ultranacionalismo, 
ou seja, o nacionalismo exacerbado, permeou movimentos de 
extrema direita, como o fascismo e o nazismo. Atualmente, 
verificam-se manifestações nacionalistas, algumas de caráter 
violento, em diversas partes do mundo. Na península Balcâ-
nica, o nacionalismo sérvio levou nos anos 1990 a confrontos 
sangrentos contra outros grupos da região, em especial contra 
bósnios e croatas. Na França, a ultradireita cresceu, no início 
do século XXI, graças à manipulação de valores nacionalistas e 
de intolerância aos estrangeiros (sobretudo árabes e africanos 
que migraram para o país). Sob o governo de George W. Bush 
(2001-2009), o nacionalismo norte-americano foi mobilizado 
para apoiar as investidas militares do país contra o Afeganis-
tão e o Iraque.
Capítulo 26
A revolução cultural do Renascimento
Conteúdos e procedimentos sugeridos
Neste capítulo são abordadas as principais transforma-
ções nos campos filosófico, científico e artístico que ocorreram 
na Europa ocidental, entre os séculos XIV e XVI, e definiram o 
Renascimento. Transformações estas ancoradas no crescimen-
to econômico e no desenvolvimento social decorrentes do revi-
goramento do comércio e da revitalização das cidades, assunto 
estudado no capítulo 24.
A discussão sobre a origem do nome Renascimento, 
dado a esse processo, pode iniciar o estudo do capítulo. Por 
que “Re-nascimento”? O que nascia de novo naquele momen-
to? Além de comentar a origem do nome (desejo de fazer re-
nascer o pensamento e a arte dos antigos gregos e romanos), 
pode-se mencionar que foram os próprios renascentistas que 
cunharam o termo Idade Média (séculos V a XV), dando a ideia 
de uma época intermediária (“Idade das Trevas”), entre o pe-
ríodo de esplendor da Antiguidade Clássica e o de retomada 
desse esplendor (Renascimento).
O Humanismo foi a corrente de pensamento cujas refe-
rências, concepções e valores orientaram o pensamento polí-
tico e o movimento renascentista nas artes, na filosofia e nas 
ciências. Com o antropocentrismo ocorre o deslocamento do 
centro de preocupações da esfera religiosa para a esfera hu-
mana e racional. O choque entre fé e razão chegou a resul-
tar em perseguições e condenações (à fogueira) por parte 
da Inquisição.
Com relação ao pensamento político e ao papel desem-
penhado por Maquiavel71, há no Texto complementar, no fi-
nal destas orientações sugeridas, um fragmento de O príncipe, 
que pode ser interpretado e discutido com os alunos, amplian-
do os conteúdos estudados. A discussão pode ser precedida da 
pergunta: por que a expressão maquiavélico remete a astucio-
so, cínico, ardiloso?
No que se refere às ciências, é oportuno observar que, 
ao usar a razão para explicar e conhecer os fenômenos natu-
rais e o corpo humano, os renascentistas inauguraram o méto-
do experimental72, que se baseia na observação, em cálculos e 
experimentos. Com base nessa observação, pode-se relacionar 
a influência das inovações científicas sobre as artes plásticas, 
como, por exemplo, no caso do resgate da nudez masculina e 
feminina. Os artistas faziam estudos de anatomia para repre-
sentar com precisão o corpo humano. Os estudos de Leonardo 
da Vinci são exemplo disso.
Além da valorização do ser humano e de sua individua-
lidade, outras mudanças artísticas podem ser observadas no 
boxe As três dimensões da pintura (p. 214), que comenta a 
inovação na perspectiva e propõe a comparação entre duas 
imagens. Pode-se ainda propor aos alunos que folheiem o li-
vro, observando as imagens dos capítulos anteriores.
Trabalho específico com imagens também pode ser fei-
to na seção Olho vivo (p. 216). A análise da obra permite en-
tender a associação que se formou entre arte, riqueza e po-
der. Esse contexto favorece um debate importante, pela sua 
relevância e atualidade, sobre a construção da própria imagem 
por homens públicos, como é mencionado na seção Hora de 
refletir (p. 220).
Atualmente, em quase todos os países vem se acentuan-
do a preocupação com a conservação das obras de arte. Obras 
do patrimônio histórico-cultural, expostas em locais públicos, 
estão sujeitas à ação do sol e da chuva, e de agentes poluidores.
Com relação à Literatura, pode-se destacar o contex-
to histórico em que se dá sua produção na península Itálica, 
em Portugal, na Espanha e na Inglaterra, considerando seus 
expoentes – Dante, Petrarca, Bocaccio, Camões, Cervantes, 
Shakespeare. Podem ser exploradas, nesse momento, as ativi-
dades da seção No mundo das letras (p. 220), que trabalham 
a relação entre arte e crítica social. 
Ainda no âmbito das obras literárias, o boxe Os tipos mó-
veis de impressão (p. 218) aborda a questão da reprodução em 
série de textos. Com a prensa de Gutenberg tem-se outro tipo 
de revolução. Trata-se de um grande passo no sentido da difu-
são do conhecimento. Mais recentemente, a humanidade deu 
mais alguns passos com o advento da internet. A seção Sua 
opinião desse boxe propõe uma discussão sobre inclusão digi-
tal e acessibilidade ao conhecimento.
Por fim, a leitura da seção Enquanto isso... (página 219) 
pode ajudar os alunos a perceberem que os indígenas tinham 
seu próprio modo de ler e interpretar o céu.
71 Para uma análise do pensamento político de Maquiavel, ver: BERLIN, Isaiah. A originalidade de Machiavelli. Rio de Janeiro: Ediouro, 1972.
72 Um interessante exemplo desse método é a obra do médico Andreas Vesalius, Sobre a organização do corpo humano, publicada em 1543. Vesalius estudou 
o corpo humano por meio da observação e dissecação de cadáveres, fundando as bases da moderna anatomia. Antes da publicação de seu trabalho, os es-
tudos mais respeitados sobre anatomia eram do médico grego Galeano, que viveu mil anos antes. Os estudos de Galeano baseavam-se em dissecações de 
animais, única forma permitida pela Igreja.
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348 Manual do Professor
Texto complementar
Apresentamos a seguir um trecho da obra O príncipe, de 
Maquiavel, escrita em 1513.
Quem quiser praticar a bondade em tudo o que faz 
está condenado a penar, entre tantos que não são bons. 
É necessário, portanto, que o príncipe que deseja manter-
-se aprenda a agir sem bondade, faculdade que usará ou 
não, em cada caso, conforme seja necessário. [...]
Pode-se observar que todos os homens – especial-
mente os soberanos, colocados em posição mais eleva-
da – têm a reputação de certas qualidades que lhe valem 
elogios ou vitupérios (palavra ou atitude ofensiva). Assim, 
alguns são tidos como liberais, outros por miseráveis [...]; 
um é considerado generoso; o outro, ávido; um cruel; o 
outro, misericordioso; um, efeminado e pusilânime (co-
varde); e outro, bravo e corajoso; [...] e assim por diante. 
Naturalmente, seria muito louvável que um príncipe 
possuísse todas as boas qualidades acima mencionadas, 
mas como isso não é possível, pois as condições huma-
nas não o permitem, é necessário que tenha a prudência 
necessária para evitar o escândalo provocado pelos vícios 
que poderiam fazê-lo perder seus domínios, evitando os 
outros se for possível; se não for, poderá praticá-los com 
menores escrúpulos. Contudo não deverá preocupar-se 
com a prática escandalosa daqueles vícios sem os quais é 
difícil salvar o Estado; isso porque, se refletir bem, será fá-
cil perceber que certas qualidades que parecem virtudes 
levam à ruína, e outras que parecem vícios trazem como 
resultado o aumento da segurança e do bem-estar.
MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Apud: ARANHA, Maria Lucia de Arruda. 
Maquiavel – a lógica da força. São Paulo: Moderna, 1993. p. 110-111.
Os tipos móveis de impressão
Sua opinião
Resposta pessoal. Professor, é importante avaliara ca-
pacidade de argumentação dos alunos. Como forma de esti-
mular o debate, você pode elaborar algumas perguntas: po-
de-se dizer que a democratização da comunicação resume-se 
apenas à livre circulação de informações? Com a internet, a 
sociedade está mais bem informada, ou apenas uma parcela 
tem mais acesso às informações? Existem diferenças entre o 
público que acessa a internet e o que costuma comprar revis-
tas e jornais? Embora ainda restrita a uma porcentagem rela-
tivamente pequena da população mundial, pode-se dizer que 
a internet vem contribuindo para a democratização das infor-
mações e do conhecimento. Assim como no passado a publi-
cação de um grande volume de livros a partir do invento de 
Gutenberg possibilitou um novo modelo de disseminação do 
conhecimento, a internet permite a disseminação de informa-
ções de forma rápida, independentemente da distância, atin-
gindo diferentes regiões do planeta quase que instantanea-
mente. A internet possibilita que os chamados “formadores 
de opinião”, organizações da sociedade civil, pesquisadores e 
professores tenham acesso a informações importantes e tam-
bém as disseminem para parcelas significativas da população. 
Assim, ainda que a exclusão digital deva ser combatida, a in-
ternet já vem propiciando certa democratização e uma mu-
dança no ritmo das trocas virtuais de informação e conheci-
mento. Esses fatores implicam maior democratização e uma 
sociedade mais informada e atuante. Solicite aos alunos que 
escrevam o texto na forma de carta, respeitando os procedi-
mentos desse tipo textual. Isso pode contribuir para ampliar o 
domínio sobre o texto escrito. A respeito do tema, o texto a 
seguir, da professora Elizabeth Rondelli, da Universidade Fe-
deral do Rio de Janeiro, pode ser um bom ponto de partida 
para a reflexão.
Inclusão digital é, entre outras coisas, alfabetiza-
ção digital. Ou seja, é a aprendizagem necessária ao in-
divíduo para circular e interagir no mundo das mídias 
digitais como consumidor e como produtor de seus 
conteúdos e processos. Para isso, computadores conec-
tados em rede e softwares são instrumentos técnicos 
imprescindíveis. Mas são apenas isso, suportes técni-
cos das atividades a serem realizadas a partir deles no 
universo da educação, no mundo do trabalho, nos no-
vos cenários de circulação das informações e nos pro-
cessos comunicativos. Dizer que inclusão digital é so-
mente oferecer computadores seria análogo a afirmar 
que as salas de aula, cadeiras e quadro negro garanti-
riam a escolarização e o aprendizado dos alunos. Sem 
a inteligência profissional dos professores e sem a sa-
bedoria de uma instituição escolar que estabeleçam di-
retrizes de conhecimento e trabalho nesses espaços, as 
salas seriam inúteis. Portanto, a oferta de computado-
res conectados em rede é o primeiro passo, mas não 
é o suficiente para se realizar a pretensa inclusão di-
gital. O segundo passo para se aproximar do conceito 
é que as pessoas que serão digitalmente incluídas pre-
cisam ter o que fazer com os seus computadores co-
nectados ou com suas mídias digitais. Se não tiverem, 
serão como aqueles que aprendem a ler e escrever o 
alfabeto, mas não encontram oportunidades para usá-
-lo com frequência. Ou como quem aprende uma lín-
gua estrangeira e acaba esquecendo-a por não praticá-
-la. Mesmo que as pessoas saibam o alfabeto, se não 
tiverem acesso a determinadas condições sociais e cul-
turais podem tornar esse aprendizado letra morta. Por-
tanto, inclusão digital significa criar oportunidades para 
que os aprendizados feitos a partir dos suportes téc-
nicos digitais possam ser empregados no cotidiano da 
vida e do trabalho. O terceiro passo para se pensar a in-
clusão digital, corolário do anterior, é que precisa haver 
todo um entorno institucional para que esta se realize. 
Empresas precisam fabricar as tecnologias (hardware, 
software e a estrutura física das redes) que são desen-
volvidas a partir de algum conhecimento e de pesqui-
sa que, por sua vez, são desenvolvidas em instituições 
universitárias e de pesquisa. Para isso, é preciso muito 
investimento financeiro, pois essa tecnologia não é gra-
tuita, mesmo que pública. E tal desenho institucional 
não se faz de modo aleatório. Por isso, a necessidade 
de políticas governamentais que orientem e orquestrem 
o trabalho dessas empresas de produção tecnológica, 
apontem e organizem seus mercados. Para se propor 
tais políticas, há novamente necessidade de pesquisa, 
muita pesquisa, que possa subsidiar, planejar e colocá- 
-las em execução para o desenvolvimento desse setor. 
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