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Historia em movimento Vol 2-54

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370 Manual do Professor
de empréstimos do Banco Mundial. “Há sobretudo um 
sentimento de que, nos últimos sete anos, a África vem 
superando o drama histórico das guerras internas. O 
número de conflitos armados caiu de treze para cinco. 
Existe uma onda democratizante dos regimes políticos 
de várias partes do continente. Essa redução dramáti-
ca de guerras faz pensar que os recursos, quase da or-
dem de US$ 300 bilhões, queimados nos conflitos entre 
1990 e 2005, podem agora ser dirigidos às políticas de 
redução de pobreza e miséria”, avalia. [...] “Os meios 
de comunicação insistem em apresentar uma África in-
dolente e ditatorial, onde o Brasil nada tem a fazer e 
muitos empresários ainda duvidam das possibilidades 
de agir em terreno africano. Há um reumatismo crôni-
co como força impeditiva no avançar o país na veloci-
dade dos demais corredores em direção ao continente 
africano.” Os próprios Estados africanos teriam aban-
donado o antigo discurso da vitimização colonial, im-
peditivo para qualquer progresso, e adotado uma linha 
pragmática de relações com países estrangeiros. “Ao 
reivindicarem a capacidade de construção do seu futu-
ro, as lideranças africanas estão atraindo para si maior 
responsabilidade de superação do grau marginal de in-
serção ao qual o continente foi submetido na década 
de 1990”, analisa Saraiva [...].
Há, porém, boas-novas até para o campo científi-
co, como a entrada recente da Empresa Brasileira de Pes-
quisa Agropecuária (Embrapa) no continente, atuando na 
África com desenvolvimento de projetos de uso susten-
tável de recursos naturais, sistemas produtivos e prote-
ção sanitária de plantas e animais, com direito a um ca-
minho inverso no futuro, já que o continente tem muito 
a ensinar ao Brasil sobre tecnologia de mineração, entre 
outras coisas. “É preciso que a nova política africana do 
Brasil não seja um ato de retórica, mas deverá servir ao 
conjunto da sociedade de todos os países envolvidos, na 
articulação em favor do acesso dos nossos produtos nos 
mercados fechados do Norte”, avisa Saraiva. A verdadeira 
“mama” África não é mãe solteira.
HAAG, Carlos. “Mama África” não pode ser mãe solteira. 
Revista da Fapesp. Edição 150, agosto de 2008. p. 96-101. Disponível em: 
<http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=3614&bd=1&pg=1&lg=>. 
Acesso em: 15 dez. 2012.
Eu também posso participar
A eletricidade muda hábitos e costumes
Diálogos 
Professor, entre algumas fontes alternativas de energia 
que podem ser citadas estão a energia eólica, a energia da bio-
massa e a energia solar. Estimule os alunos a investigar de que 
forma e em quais setores essas tecnologias podem ser aplica-
das. Outros tipos de tecnologia de produção de energia, por 
exemplo a energia atômica, podem ser pesquisados e avaliados 
quanto aos riscos e benefícios que oferecem. Solicite que os 
alunos incluam no texto questões ligadas aos impactos ambien-
tais dessas tecnologias de geração de energia e estabeleçam 
uma comparação com os custos ambientais da energia elétrica. 
A reportagem “Um bem cada vez mais raro e caro”, assinada 
pela jornalista Isabel Clemente e disponível em: <http://revista-
epoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR74565-6009,00.html>, 
acesso em: 15 dez. 2012, traz informações que podem auxiliar 
na elaboração dessa pesquisa.
Ciência e racismo
De olho no mundo
A resposta depende da realidade local e da reflexão do 
grupo em relação à discriminação e ao preconceito, que são 
conceitos mais abrangentes do que a noção de racismo. Como 
ponto de partida, pode-se discutir o significado dos termos 
discriminação, preconceito e racismo. Discriminação é o tra-
tamento desfavorável dado a uma pessoa ou grupo com base 
em características físicas, étnicas, questões religiosas, etc. Por 
exemplo: não contratar uma pessoa pelo fato de ela ser gor-
da ou por não ser branca. Preconceito é o conceito ou opinião 
formados antecipadamente, sem conhecimento dos fatos, ou 
resultante de uma generalização ilógica de um fato. Trata-se 
de uma ideia preconcebida e desfavorável a um grupo étni-
co, religioso ou social. Afirmações observadas muitas vezes em 
nossa sociedade, como a de que os negros são criminosos ou 
de que os judeus são gananciosos e só pensam em dinheiro, 
são exemplos de preconceito. Já racismo é uma doutrina que 
afirma haver relação entre características étnicas e desenvolvi-
mento cultural. Segundo essa concepção alguns grupos étni-
cos são, por natureza, superiores a outros. Foi o que observa-
mos na segregação imposta pelo apartheid na África do Sul, 
por exemplo. Professor(a), é importante que as diferentes opi-
niões sejam ouvidas em sala de aula. Podem surgir grupos ou 
alunos que afirmem que não há essas práticas no Brasil. Solici-
te que exponham suas opiniões e argumentos e que os outros 
alunos possam refletir e responder a essas opiniões. Não é pre-
ciso chegar a uma conclusão única, mas criar o ambiente para 
que se valorizem as diversas opiniões sobre o assunto.
¡sso...Enquanto
O Primeiro de Maio
De olho no mundo 
Nas últimas décadas, inúmeras conquistas dos trabalha-
dores têm sido sistematicamente questionadas e até mesmo 
suprimidas em virtude da chamada precarização das relações 
de trabalho. As transformações provocadas pela globalização 
da economia reforçaram dois processos concomitantes: o au-
mento da competitividade (provocando a extinção de empresas 
pouco competitivas ou inadaptadas ao mercado consumidor) e 
a aceleração das estratégias de automação e redução de equi-
pes de profissionais. Ambos convergiram para um mesmo fe-
nômeno: a consolidação do desemprego estrutural, isto é, de 
uma massa significativa da população mundial constantemente 
sem emprego, com taxas variando entre cerca de 4% e 10%. A 
presença deste fenômeno se tornou geral nos países industriali-
zados e provocou a queda dos salários e a maior disposição dos 
que estão empregados em aceitar condições piores de trabalho 
para manter seus empregos. Antes de cortar salários, uma ten-
dência mundial pretendeu “solucionar” o problema eliminando 
(ou reduzindo) os direitos trabalhistas. Essa tendência se bene-
ficiou de uma forte corrente liberal, chamada desde a década 
de 1970 de “neoliberal”, caracterizada pelo ataque aos direitos 
sociais e trabalhistas – encarados como um “prejuízo” alto de-
mais para o Estado e as empresas e vistos como custos a serem 
cortados. Por sua vez, no Brasil esses direitos só foram efetiva-
mente garantidos em lei pela Constituição de 1988. Mesmo as-
sim, diversas categorias profissionais nunca foram beneficiadas 
completamente, como os trabalhadores rurais, as empregadas 
domésticas e os milhões de subempregados não qualificados. 
Finalmente, outro fenômeno completa este quadro de preca-
riedade de direitos: a terceirização que deslocou certas funções 
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371Manual do Professor
para empresas específicas. Os casos de limpeza e segurança de 
edifícios públicos e privados é bastante conhecido, mas há si-
tuações de médicos, professores, escritores, etc. que se tornam 
“pessoas jurídicas” e prestam serviços a certas instituições (que 
não precisam mais pagar os direitos trabalhistas, mas apenas o 
salário). Professor, o quadro de precarização do trabalho é bas-
tante complexo e os alunos devem encontrar grande variedade 
de situações ao entrevistarem as pessoas escolhidas. Por isso, 
é importante que eles tenham clareza sobre o tema e possam 
montar as entrevistas com a sua orientação. Pode ser produti-
vo definir com a classe inteira quais serão as perguntas-chaves 
e que temas devem aparecer em todas as entrevistas. Assim, 
os perfis dos entrevistados pela classe poderão ser comparados 
mais facilmente.
Organizando aS iDEiaS
1. Em meados do século XVIII, a Revolução Industrial inglesa 
inaugurava um novo tipo de sociedade, baseada no capita-
lismo industrial pautado no trabalho assalariado, na fábrica 
mecanizada e na livre concorrência. Naquele momento, a 
principalfonte de energia era o carvão e as matérias-primas 
fundamentais eram o ferro (para as máquinas e ferrovias), 
além do algodão e da lã, que supriam as grandes tecela-
gens movidas a vapor. Na segunda metade do século XIX, o 
aperfeiçoamento da fabricação do aço e, posteriormente, a 
descoberta do petróleo e o uso industrial da energia elétri-
ca provocaram transformações significativas no processo de 
produção industrial. Essas mudanças, conhecidas como Se-
gunda Revolução Industrial, reforçaram uma tendência an-
terior: a concentração de capitais e a formação de empresas 
cada vez maiores. A este novo tipo de economia, chamou-se 
de “capitalismo monopolista”, em oposição ao “capitalismo 
competitivo” da fase anterior.
2. A concentração de capitais nas grandes empresas provocou a 
necessidade de investimentos em outros continentes, como a 
África, a Ásia e a América Latina. Também foi necessário am-
pliar o controle de fontes de matérias-primas (carvão, ferro, 
petróleo) e de mercados consumidores para os produtos in-
dustrializados. As potências europeias tinham ainda interesse 
geopolítico na formação de impérios coloniais, por isso, ob-
servou-se uma associação de interesses entre o capital mono-
polista e os Estados nacionais europeus. Essa associação pro-
duziu um novo tipo de imperialismo, isto é, uma expansão 
econômica e militar promovida pelas nações industrializadas 
da Europa e, posteriormente, pelos Estados Unidos. 
3. A teoria da evolução defendida por Darwin explicava o sur-
gimento e o desenvolvimento das espécies na Terra. Segun-
do Darwin, a seleção natural garantia a sobrevivência e a 
adaptação das espécies diante dos obstáculos da natureza, 
pois os seres vivos transmitiam a seus descendentes as ca-
racterísticas que ampliavam as chances de sobrevivência de 
sua espécie. A partir do século XIX, alguns cientistas procu-
raram aplicar as ideias evolucionistas para explicar as dife-
renças entre as sociedades humanas. Segundo esses pen-
sadores, a humanidade era dividida em raças, sendo que 
algumas delas eram mais evoluídas e adaptadas que outras, 
cujo destino seria desaparecer do planeta. 
Porém Darwin não se referia aos humanos ao formular sua 
teoria, e sim ao conjunto dos seres vivos. No século XX, di-
versos autores e correntes de pensamento criticaram pro-
fundamente essa visão. Em 2003, os resultados do Proje-
to Genoma concluíram que não há “raças” humanas, mas 
apenas uma única espécie, cujas variações genéticas não 
chegam a 1%. Assim, pode-se comprovar cientificamen-
te que as diferenças físicas e culturais entre os grupos hu-
manos não eram consequência de uma suposta evolução 
distinta entre raças, mas era resultado de processos históri-
co-sociais distintos e da adaptação do ser humano aos dife-
rentes ambientes.
4. Os objetivos declarados do monarca belga eram promover 
ações humanitárias e científicas na bacia do rio Congo. Esse 
tipo de finalidade se justificava pela noção de “missão civiliza-
dora” que sustentava a necessidade de levar aos “povos bár-
baros” ou “primitivos” os valores da civilização ocidental e 
cristã. No entanto, os objetivos reais das medidas do rei Leo-
poldo II eram conquistar uma vasta região rica em minérios e 
subjugar a população do Congo ao domínio belga. Esses ob-
jetivos nunca eram declarados publicamente e todo o proces-
so de dominação e controle dos continentes africano e asiá-
tico contou com justificativas humanitárias baseadas numa 
hipotética superioridade da civilização branca e europeia.
5. A Conferência procurou evitar conflitos entre as potências 
europeias, dividindo o continente africano segundo áreas 
de interesse e dominação das nações europeias. Na prática, 
a Conferência retalhou todo o continente, com exceção de 
três regiões que permaneceram independentes (uma parte 
do Marrocos, a Etiópia e a Libéria). As fronteiras foram cria-
das por acordos diplomáticos e não levaram em conta as di-
visões étnicas e culturais dos povos do continente. Por isso, 
diversos conflitos regionais eclodiram desde o fim do sécu-
lo XIX. Esses conflitos se acirraram ainda mais no século XX, 
com o processo de independência das ex-colônias africanas.
6. A conquista da Índia começou no final do século XVI, com a 
criação da Companhia das Índias Orientais, destinada a es-
tabelecer uma atividade comercial sistemática com a Índia e 
o Sudeste asiático. A partir de então, os ingleses instalaram 
feitorias em diversas cidades do subcontinente indiano (Ma-
dras, Bombaim, Calcutá, etc.). Assim, o território indiano foi 
pouco a pouco colocado na área de influência dos ingleses. 
No início do século XIX, embora o imperador mongol fosse o 
governante nominal da Índia, o país era de fato um proteto-
rado da Inglaterra. Em 1876, a Índia tornou-se oficialmente 
parte do Império Britânico, com a coroação da rainha Vitória. 
A presença britânica afetou profundamente a cultura local, 
destruindo a tradicional economia indiana, especialmente, as 
manufaturas de algodão. Este longo processo de dominação 
estimulou o ódio dos indianos pelos britânicos, provocando 
rebeliões como a Revolta dos Cipaios, em 1857.
7. Em 1839, a China destruiu carregamentos de ópio contra-
bandeados por navios ingleses em portos chineses. A me-
dida foi interpretada pela Inglaterra como uma violação às 
leis do livre-comércio, e o país declarou guerra à China. O 
conflito deu início à Guerra do Ópio (1838-1842), vencida 
pelos ingleses, que exigiram a abertura de portos chineses 
aos produtos britânicos e a entrega da ilha de Hong Kong. 
Novos conflitos de 1856 e 1858 (Segunda Guerra do Ópio) 
impuseram novas derrotas chinesas e ampliaram ainda mais 
o poder britânico e francês sobre a região, graças ao paga-
mento de vultosas indenizações pelos chineses e a abertura 
de novos portos ao comércio internacional.
8. Após a abertura dos portos japoneses e o fim do isola-
mento, a sociedade tradicional japonesa entrou em crise. 
Uma guerra civil em 1868 conduziu ao poder o imperador 
Mutsuhito, que assumiu o poder destinado a modernizar o 
país, dando início a Era Meiji. O imperador mandou emis-
sários ao Ocidente com a finalidade de descobrir como fun-
cionavam as fábricas, os hospitais, as escolas, etc. e trazer 
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372 Manual do Professor
informações que auxiliaram na introdução de profundas mu-
danças econômicas, políticas, culturais, tecnológicas e milita-
res no Japão. Mutsuhito aboliu o antigo sistema semifeudal, 
promulgou uma Constituição, instituiu um parlamento, in-
centivou a criação de fábricas e de ferrovias e adotou o calen-
dário europeu. Houve também mudanças significativas na or-
ganização das forças militares, graças à assessoria de oficiais 
franceses e britânicos. Estas transformações fizeram do Ja-
pão uma potência econômica que passou a alimentar sonhos 
imperialistas na região. Os japoneses conquistaram algumas 
áreas no Pacífico, iniciaram um conflito com a China e derro-
taram os russos no início do século XX. 
Hora DE rEFlETir
O objetivo desta atividade é aprofundar a reflexão sobre as 
questões mais amplas envolvendo o uso e a propriedade da terra 
e suas relações com o meio ambiente. O aluno deve ser capaz de 
compreender que a humanidade recentemente atingiu um está-
gio tecnológico capaz de solucionar efetivamente os problemas 
de fome e a maioria das doenças provocadas pela fome ou pela 
pobreza, como as doenças infectocontagiosas, a diarreia e a tu-
berculose. Não há uma resposta única para esta questão, mas 
é importante que o aluno não se limite a afirmar que a subnu-
trição seria resolvida “se todos colaborassem”, pois trata-se de 
um problema social que exige políticas de Estado e formas de or-
ganização da sociedade (não são apenas gestos individuais que 
podem mudar este quadro). Em termos de uso da terra, pode-
-se apontar fatores que são responsáveis pela manutenção des-
te quadro de desigualdade e subnutrição: a ausência de reforma 
agrária em diversos paísesdo mundo, a concentração da pro-
priedade nas mãos de poucos proprietários, as políticas agrícolas 
dirigidas para a grande propriedade, a concentração de tecnolo-
gia de irrigação em países capitalistas desenvolvidos, os diversos 
conflitos militares em vários países pobres, etc. Professor, caso 
considere oportuno, a atividade sugere que os alunos definam 
um tema (dentro da variedade de assuntos possíveis levantados 
pela questão) para ser aprofundado. Você pode organizar uma 
mesa de debate na escola ou solicitar dos alunos uma pesquisa 
para aprofundar o tema.
Capítulo 29
O Brasil sob dom Pedro II
Conteúdos e procedimentos sugeridos
O capítulo 29 aborda o período histórico conhecido como 
Segundo Reinado, que teve dom Pedro II como governante do 
Brasil. A centralização do poder promovida por dom Pedro II – 
que fez amplo uso das prerrogativas asseguradas pelo Poder 
Moderador –, a alternância política entre os representantes dos 
partidos Liberal e Conservador e o clientelismo foram aspectos 
marcantes da política brasileira da época. Nesse momento da 
história brasileira ocorreram significativas mudanças econômi-
cas, por exemplo, a expansão do cultivo do café, que se tor-
nou o principal produto de exportação do país, e o incentivo à 
industrialização. Além disso, aconteceu a Guerra do Paraguai, 
conflito que causou profundos impactos nos campos político, 
econômico e social do Brasil. 
A centralização do poder promovida por dom Pedro II não 
foi aceita de forma passiva por toda a população brasileira, como 
evidencia a Revolução Praieira . Para ampliar a discussão sobre o 
assunto, foi incluído neste Manual um texto complementar.
A seção Hora de refletir (página 254) pode contribuir 
para a compreensão da atuação e influência políticas dos la-
tifundiários, permitindo um diálogo com o passado, por meio 
do estudo sobre a origem de aspectos da realidade presente. 
Essa reflexão possibilita também identificar rupturas e perma-
nências no processo histórico.
Ao abordar as mudanças observadas no Brasil durante 
o Segundo Reinado, vale ressaltar as primeiras tentativas de 
modernização do país. No boxe Modernização para poucos 
(página 248), torna-se evidente que esse projeto de moderni-
zação não incluía toda a população da cidade, uma vez que 
as melhorias se restringiam às áreas consideradas “nobres”. 
A compreensão desses aspectos pode ser ampliada por meio 
de um debate que estimule o conhecimento e a reflexão so-
bre a organização urbana da época e a ausência de um pro-
jeto de nação que considere a importância de todos os gru-
pos sociais. A atividade Sua comunidade, inserida nesse boxe, 
possibilita ao aluno refletir sobre sua própria realidade, ao su-
gerir uma pesquisa a respeito da política habitacional do lu-
gar em que vive. Ao fazer essa pesquisa, o aluno poderá per-
ceber avanços e/ou recuos nessa esfera, percebendo o vínculo 
entre passado e presente. 
A Guerra do Paraguai, um dos principais acontecimentos 
do Segundo Reinado, foi tratada nesse capítulo por meio de di-
ferentes aspectos: além do texto central e das informações da 
seção Patrimônio e diversidade, com o texto Terra de muitos 
povos (página 252), esse assunto é tratado por meio de mapas 
e imagens (na seção Olho vivo, página 250).
Já o boxe Uma guerra, diferentes versões (página 254) po-
de contribuir para a compreensão do saber histórico por trazer 
diferentes interpretações para um mesmo conflito. O texto do 
boxe permite que o aluno perceba que nenhum tema histórico, 
por mais que se estude, pode ser considerado esgotado, uma 
vez que novas interpretações podem surgir à luz de novos docu-
mentos ou com base em pontos de vista diferentes. É importan-
te que os alunos percebam que essa multiplicidade interpretati-
va reflete a complexidade dos acontecimentos humanos .
Para aprofundar essa reflexão, a atividade Sua opinião, (in-
serida no boxe da página 254) permite que o aluno entenda um 
pouco mais sobre o ofício do historiador e perceba que a explica-
ção construída sobre diferentes aspectos da realidade – seja do 
presente, seja do passado – depende da visão de mundo de quem 
faz a interpretação e da forma como o objeto de estudo é trata-
do. Tal fato evidencia a impossibilidade de existir uma verdade 
absoluta.
A seção Olho vivo (página 250), por sua vez, pode dar uma 
grande contribuição tanto para a discussão sobre a Guerra do 
Paraguai como para a reflexão iniciada com o boxe Uma guer-
ra, diferentes versões. A obra de arte analisada nessa seção – 
A batalha do Avahy – aborda uma visão do conflito construída 
para glorificar a atuação brasileira e para justificá-la. Vale ressal-
tar também o destaque dado ao povo no quadro, exemplifican-
do de que forma o governo da época buscava construir uma 
identidade nacional. Porém, ao representar os soldados, o artista 
retratou poucos negros entre eles, embora eles compusessem a 
maioria da tropa. Tal fato evidencia o preconceito étnico vigen-
te na época.
Texto complementar
A Revolução Praieira, ocorrida em 1848 em Pernambuco, 
foi uma importante revolta gerada pelo descontentamento em 
relação à política do Segundo Reinado e ao governo do impe-
rador D. Pedro II. O texto a seguir, dos historiadores José Murilo 
de Carvalho e Leslie Bethell, além de demonstrar as origens e 
as causas do movimento, explicita as características peculiares 
dessa revolta em comparação a outras regiões, evidenciando a 
tradição de luta da história pernambucana: 
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373Manual do Professor
O Brasil: da Independência a meados do 
século XIX [trecho]
Em setembro de 1848, depois de quatro anos e meio 
de governo liberal, o imperador Dom Pedro II convidou Pe-
dro de Araújo Lima, visconde de Olinda, antigo regente 
(1837-1840), para formar um gabinete conservador. Qua-
se que imediatamente a seu retorno ao poder, os conser-
vadores defrontaram-se com uma revolta liberal armada 
nas províncias, como haviam feito em 1841-1842. Desta 
vez, o problema não teve origem em São Paulo nem em 
Minas Gerais, na época firmemente ligados ao governo 
central no Rio de Janeiro, mas em Pernambuco. Aquele 
que foi o último dos principais levantes provinciais do pe-
ríodo eclodiu nessa região, no final de 1848. Conhecida 
pela designação de Revolta Praieira, nome tirado da rua da 
Praia, onde era publicado um jornal liberal, apresentou al-
gumas características comuns às rebeliões provinciais ante-
riores e algumas específicas de Pernambuco.
À primeira vista, a estrutura socioeconômica de Per-
nambuco não era muito diferente da da Bahia, por exem-
plo. Em ambos os casos, um grande centro urbano era 
circundado por uma faixa onde se produzia açúcar, con-
trolada por uma rica oligarquia de senhores de engenho. 
À margem dessa faixa – e além dela – podia-se encontrar 
uma grande diversidade de pequenos agricultores, fazen-
deiros e criadores de gado. No entanto, a tradição de luta 
política das duas províncias era muito diferente. Na Bahia, 
o Recôncavo, conservador, sempre conseguiu manter sob 
controle o radicalismo urbano da capital, enquanto a vasta 
interiorana se mantinha calma. Em Pernambuco, desde as 
rebeliões de 1817 e 1824, tanto os radicais urbanos quan-
to a classe dos senhores de engenho como um todo sem-
pre estiveram envolvidos na política provincial. [...]
As reivindicações mais radicais dos rebeldes – fe-
deralismo, revogação do poder moderador, expulsão dos 
portugueses e nacionalização do comércio varejista e, 
uma novidade, voto universal – foram formuladas pelos 
chefes urbanos, em particular por Borges da Fonseca, an-
tigo opositor republicano de Dom Pedro II. Todavia, ape-
sar do grande impacto ocasionado pela Revolução Fran-
cesa de 1848, não foi incluído entre as reivindicações um 
governo republicano. E mais uma vez não se falou em 
escravidão. Apesar de intensa agitação urbana, o conflito 
acabou por restringir-se, em sua maior parte, a uma dis-
puta entre setores da classe proprietária rural.
BETHELL,Leslie; CARVALHO, José Murilo de. O Brasil: 
da Independência a meados do século XIX. In: BETHELL, Leslie (Org.). 
História da América Latina: da Independência até 1870. v. III. São Paulo: 
Edusp/Imprensa Oficial, 2001. p. 760-761.
Modernização para poucos
Sua comunidade 
Pesquisa local. Como estratégia de investigação, suge-
rimos iniciar a pesquisa pelas associações de bairro existentes 
nas comunidades onde os alunos residem. Orientados pelas in-
formações fornecidas pelas associações, os alunos podem sa-
ber onde procurar outros dados (inclusive junto ao poder públi-
co) e explorar problemas mais gerais da cidade.
Professor, as ferramentas para a construção de sites são 
cada vez mais acessíveis. Mesmo que você não tenha afinidade 
ou não conheça profundamente essas ferramentas, verifique se 
alguns dos alunos sabem utilizá-las. Se for possível, você pode so-
licitar que os mais habilidosos na questão organizem uma peque-
na equipe de “webdesigners” e construam a página da classe.
Uma guerra, diferentes versões
Sua opinião 
É interessante mostrar que as interpretações historio-
gráficas sofrem influência do contexto em que são produzi-
das. Qual era o contexto dos historiadores brasileiros antes de 
1960, ou, mais precisamente, do próprio período imperial? 
Qual era o contexto dos historiadores brasileiros entre as déca-
das de 1960-1990? E a partir dessa data?
Antes de 1960, os historiadores geralmente aceitavam, 
ou não questionavam, a versão da Guerra do Paraguai construí-
da ainda no Império, talvez porque a atmosfera que os cercava 
estivesse impregnada pelo nacionalismo. A partir da década de 
1960, a Guerra Fria e a ascensão dos movimentos de esquerda 
no Brasil – que pretendiam lutar contra o capitalismo – inter-
ferem no olhar dos historiadores, estimulando novas análises 
sobre a Guerra do Paraguai que poderiam trazer novas respos-
tas. Dessa forma, num contexto de luta contra a economia ca-
pitalista e o imperialismo norte-americano, não é estranho os 
historiadores ligarem as razões da guerra ao capitalismo e ao 
imperialismo britânico do século XIX.
Com a crise do socialismo burocrático de Estado e o fim 
da União Soviética em 1991, a historiografia deixou de ter 
como referência a polarização entre capitalismo e socialismo. 
No novo contexto, marcado pela globalização e pela revisão 
dos modelos de análise inspirados no pensamento nacionalis-
ta e no marxismo, a Guerra do Paraguai ganhou novas inter-
pretações.
Vale ressaltar ainda que estudar História consiste em fa-
zer uma interpretação do passado, e essa interpretação pode 
variar de acordo com o enfoque do historiador ou conforme 
novas descobertas vão sendo feitas.
Professor, não se espera que os alunos sejam capazes de 
formular hipóteses sobre esse debate historiográfico, mas é im-
portante que eles o conheçam para entender de que modo o 
tempo presente interfere na problematização do passado. A 
atividade sugere que os alunos escrevam textos curtos para 
que você possa discuti-los numa dinâmica coletiva, envolvendo 
a classe e facilitando a reflexão de todos os grupos.
Organizando aS iDEiaS
1. Durante todo o Segundo Reinado, dom Pedro II manteve um 
governo fortemente centralizado em torno de sua figura, 
utilizando de forma sistemática as prerrogativas legalmen-
te asseguradas ao Poder Moderador. Ao mesmo tempo, por 
meio da escolha do presidente do conselho de ministros, ele 
garantiu a participação alternada dos dois partidos políticos, 
o Liberal e o Conservador, que se revezavam na formação 
dos ministérios e na Câmara dos Deputados. Além disso, o 
imperador conseguiu restabelecer a ordem interna e repri-
miu as revoltas provinciais, consolidando um governo rela-
tivamente estável.
2. A Revolução Praieira foi um movimento ocorrido em Per-
nambuco em 1848 contra o excesso de poder nas mãos do 
imperador e por conta do sentimento antilusitano.
3. O imperador e seus diplomatas procuravam apresentar o 
Brasil como uma nova nação “civilizada e moderna”, com 
grande potencial para o desenvolvimento. Para isso, era pre-
ciso que a cidade do Rio de Janeiro, capital do Império, es-
tivesse “à altura” dessas iniciativas. Nessa perspectiva, a ca-
pital ganhou iluminação a gás e serviço de bondes puxados 
por burros, iniciou-se o calçamento das zonas nobres e fo-
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374 Manual do Professor
ram construídos esgotos em diversas regiões. Avenidas e 
ruas foram projetadas, novos bairros surgiram. No entanto, 
essas melhorias não beneficiavam as camadas mais pobres 
da população que viviam nas periferias ou amontoadas nos 
cortiços no centro da cidade. 
4. Assim como ocorreu em outros países, o Romantismo brasi-
leiro foi estreitamente ligado ao passado e à História, ainda 
que de forma idealizada. Nesse sentido contribuiu em certa 
medida para caracterizar uma identidade nacional, valori-
zando temas e tipos nacionais, como temas indígenas, pro-
blemas regionais e escravidão.
5. Os Estados Nacionais diretamente envolvidos na Guerra do 
Paraguai foram o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. 
Em agosto de 1864, as tropas brasileiras invadiram o Uru-
guai, depuseram o presidente Atanásio Aguirre e colocaram 
em seu lugar Venâncio Flores. Em resposta, o presidente do 
Paraguai, Solano López, aliado de Aguirre, declarou guerra 
ao Brasil e, em seguida, declarou guerra à Argentina – que 
não havia permitido a passagem das tropas paraguaias pelo 
território argentino em direção ao Rio Grande do Sul e ao 
Uruguai. Em 1865, representantes do Brasil, da Argentina e 
do Uruguai formaram a Tríplice Aliança, um acordo político, 
econômico e militar contra o Paraguai. Após longo conflito, 
a guerra só terminou com o assassinato de López e a morte 
da maior parte da população masculina do Paraguai.
Hora DE rEFlETir
O poder político dos latifundiários no Brasil ainda é imen-
so, embora tenha menos visibilidade do que em períodos ante-
riores. É um equívoco imaginar que os “latifundiários” represen-
tam apenas um velho poder, relacionado ao atraso ou a valores 
tradicionais e fora de moda. É importante que os alunos com-
preendam que a grande propriedade, no Brasil e, em geral, nos 
países capitalistas, não está desvinculada do grande capital fi-
nanceiro que circula globalmente. Pelo contrário, a agroindústria 
é um setor dinâmico e poderoso da nossa economia. Em termos 
políticos, os latifundiários possuem uma entidade com repre-
sentação nacional, a UDR (União Democrática Ruralista), e es-
tão fortemente representados no Congresso, onde possuem um 
grupo de deputados de vários partidos, conhecido como “ban-
cada ruralista”. Através dessa bancada, todas as leis de interes-
se da grande propriedade agrícola são elaboradas e conduzidas 
para votação no plenário. Professor(a), o objetivo da atividade é 
que o aluno saiba pesquisar na imprensa um tema, selecionar 
um material específico e explicá-lo para a classe. Pode ser ne-
cessário orientar antecipadamente os alunos que a explicação 
do material selecionado não é um resumo do conteúdo, mas a 
interpretação dos significados daquele conteúdo. Isso exige que 
cada aluno faça uma pequena pesquisa sobre o material selecio-
nado e saiba, por exemplo, quem são as pessoas citadas, o que 
significam as siglas, quem é o órgão de imprensa (ou o site) que 
produziu a matéria, etc.
Capítulo 30
Café, uma nova riqueza
Conteúdos e procedimentos sugeridos
O capítulo 30 aborda a expansão das plantações de café 
pelo interior da região Sudeste no século XIX, quando o produ-
to se tornou o principal artigo de exportação do Brasil. A pro-
dução do café e a sua forma de comércio (destinada à exporta-
ção) fomentou o surgimento de uma nova elite de agricultores 
(desta vez, oriundos do Sudeste) e de novas cidades, além de 
promover o desenvolvimento urbano de outras, que já exis-
tiam (veja Texto complementar 1, neste Manual), e gerou a ne-
cessidade de implantação de um novo meio de transporte – o 
ferroviário –responsável pela integração do Sudeste brasileiro. 
A chegada da ferrovia, por meio da qual se escoava o 
café produzido na região Sudeste, é um dos tópicos centrais 
do capítulo. O boxe As estradas de ferro (página 258) pode ser 
instrumento para ampliar a compreensão do desenvolvimen-
to das ferrovias no Brasil. Um debate a respeito da relação en-
tre a dinâmica econômica e os meios de transportes pode ser 
proposto com base na leitura e análise desse boxe. Da mesma 
forma, o texto de abertura do capítulo, ao abordar a recente 
invenção de um trem que flutua sobre os trilhos, mostra as per-
manências e rupturas entre os meios de transporte do passado 
e do presente. A discussão em torno das linhas férreas com-
plementa-se com a seção Interpretando documentos (página 
261), que trata do contraste entre o modo de vida urbano e o 
rural predominante na época. Ao propor a análise de uma tira 
de história em quadrinhos, a atividade indica a inserção de no-
vas linguagens no Brasil do século XIX. 
O café expandiu-se no Brasil, principalmente nas regiões 
do Vale da Paraíba, no oeste do estado de São Paulo, chegan-
do às terras do atual estado do Paraná. O mapa O avanço do 
café (séculos XIX e XX), da página 260, permite que o alu-
no visualize e compreenda esse processo. Além disso, o texto 
da seção Patrimônio e diversidade (página 259), sobre o Pa-
raná, não só reforça a importância da produção cafeeira para 
a expansão e a colonização dessa parte do território brasilei-
ro, mas também chama a atenção para o papel fundamental, 
nesse processo, dos imigrantes europeus. Paralelamente, pode 
ser proposta a atividade da seção Hora de refletir (página 262) 
sobre o impacto da expansão cafeeira na vida das populações 
indígenas da região e na destruição das florestas nativas, espe-
cialmente a mata Atlântica. É mais uma reflexão a respeito do 
conceito da unidade (Terra e Meio ambiente).
As mulheres constituem um dos grupos que, em muitas 
ocasiões, são omitidos pelas interpretações históricas. Até mes-
mo mulheres que tiveram atuação política e social de destaque 
são esquecidas, o que acaba criando a ideia de que a partici-
pação feminina não existiu no passado (ver Texto complemen-
tar 2, a seguir). Em sintonia com as novas interpretações his-
toriográficas, que defendem o resgate da história por meio do 
estudo de vida de pessoas comuns, o boxe Mulheres do Brasil 
(página 256) extrapola a chamada história oficial e dá “voz” 
às mulheres brasileiras de diferentes origens e grupos sociais. 
Complementando o boxe, a atividade Sua comunidade leva o 
aluno a refletir sobre sua realidade, ao propor uma pesquisa 
sobre alguma personalidade feminina de sua região.
Texto complementar 1
O texto a seguir relaciona a expansão da cultura cafeeira 
com o processo de urbanização do interior paulista na segunda 
metade do século XIX.
História do café
Fala-se que a rede urbana do Sudeste originou-
-se significativamente do café, sendo que 90% das ci-
dades paulistas resultaram do avanço daquela cultura. 
Nessa afirmação há exagero. Ocorre que, paralelamen-
te às cidades nascidas com o café, já havia núcleos urba-
nos originários dos tempos da Colônia, desenvolvidos em 
função da catequização, do avanço colonizador, da ex-
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ploração de ouro, do comércio, do pouso de tropas, da 
produção da cana e do cultivo do arroz. Muitas dessas vi-
las preexistentes acabaram por se consolidar, em função 
da economia cafeeira. Outras surgiram, de fato, por con-
ta do avanço dos cafezais, sobretudo em sua itinerância 
para as frentes pioneiras.
Apesar do irromper do trem na paisagem, por 
bom tempo as tropas de muares percorreram pachor-
ramente trilhas empoeiradas, trazendo no lombo a 
produção do campo, ligando povoações que, tão só 
por caprichos administrativos, recebiam a denomina-
ção de “cidade”. [...]
De fato, a própria capital era uma cidade triste e 
aquelas do interior, imersas no mundo rural, figuravam 
como espaços meramente administrativos, definidos por 
ruas mal traçadas e sem calçamento, largos desleixados 
de terra batida, igreja matriz acanhada, edifício da Câma-
ra e cadeia em condições precárias, por vezes um teatro 
de proporções modestas, ou a instalação tosca da Santa 
Casa de Misericórdia. As poucas “vendas” de comércio 
não lhes conferiam expressão maior e o abastado pro-
prietário das terras locais ainda não construíra seu palace-
te na praça da matriz, exercendo da sede rural o controle 
sobre o espaço urbano, movimentando-se entre a fazen-
da, a capital ou a Corte.
Com exceção de São Paulo, que se tornaria em bre-
ve a “Capital dos Fazendeiros” e Campinas, a “Princesa do 
Oeste”, a rede de núcleos urbanos da província minguava 
na direção oeste. Na altura dos campos de Araraquara, era 
abruptamente interrompida pelo sertão. A mancha ocupa-
da desde o fundo do vale do Paraíba até os campos de Ara-
raquara cobria-se do verde dos cafezais, interrompido pela 
permanência da cana-de-açúcar nas imediações de Itu, o 
arroz no vale do Ribeira, ao sul, ou pelas recentes planta-
ções de algodão nas cercanias de Sorocaba. Entre 1870 e 
1890, não se registrou alteração substancial nos limites 
geográficos desse perímetro desbravado e cultivado. To-
davia, foi em seu interior, nesse momento, que ocorreram 
transformações de vulto, em decorrência do avanço ca- 
feeiro e da chegada do trem, traduzidas pelo aumento da 
população e pela emergência de novos núcleos urbanos.
MARTINS, Ana Luiza. História do café. 
São Paulo: Contexto, 2008. p. 172-173.
Texto complementar 2
O texto a seguir trata da atuação e da vida de Nísia Flo-
resta, uma mulher que lutou e modificou seu tempo, deixando 
marcas até hoje.
Nísia Floresta: uma mulher do seu tempo: 
almanaque histórico
Em pleno início do século XIX, uma representan-
te do sexo feminino, de espírito inquieto contra as in-
justiças, brasileira nordestina, potiguar, rompendo com 
os padrões sociais vigentes, ousa separar-se do marido, 
viver com um companheiro, ter filhos, criar uma escola 
para moças, mudar de nome e escrever sobre os direi-
tos das mulheres. Além disso, trouxe para si a tarefa de 
mostrar, de maneira coerente e crítica com seus princí-
pios, no estrangeiro, as belezas e mazelas de um país 
rico e exuberante por natureza. Essa história de resis-
tência – e de muitas militâncias – é, na verdade, a vida 
de Dionísia Gonçalves Pinto, que mais tarde se tornou 
Nísia Floresta Brasileira Augusta, dando nome a uma ci-
dade. Alguém à frente de seu tempo, nascida em 1810, 
no sítio Floresta, na povoação de Papari, no interior do 
Rio Grande do Norte.
Uma educadora, a quem cabe o título de primei-
ra feminista do Brasil, cuja contribuição foi fundamental 
na luta por transformações das condições adversas que 
enfrentavam então as brasileiras. Não apenas falou, mas 
também agiu por uma liberdade ampla e irrestrita. Sua 
resistência à opressão – por meio de atitudes, palestras, 
poemas, textos, crônicas, artigos e ensaios, publicados 
em português, francês e italiano – estendeu-se à defesa 
da República, contra a escravidão, pela liberdade religiosa 
e a favor dos(as) índios(as).[...]
Entretanto, apesar da história que escreveu, a histó-
ria oficial não lhe fez, ainda, justiça! Suas obras são mais 
facilmente encontradas em bibliotecas da Europa do que 
no Brasil. Além disso, pelas posições que assumiu – como 
também ocorreu com outras brasileiras que romperam 
com paradigmas –, pagou um alto preço e seu passado é 
envolto em desconhecimentos e preconceitos. [...]
BARBOSA, Paulo Corrêa. Nísia Floresta: uma mulher do seu tempo. 
Almanaque histórico. Brasília: Mercado Cultural, 2006. p. 5-6.
Sugestões de leitura
CASTRO, Bertholdo de. Na trilha das ferrovias. São Paulo: 
Solaris, 2005.
MATOS, Odilon Nogueira de. Café e ferrovias. São Paulo: 
Pontes, 1990.
Mulheres do Brasil
Sua comunidade
A pesquisa pode estar voltada tanto para mulheresque 
se destacaram no passado quanto para mulheres que se des-
tacam no presente. Não é necessário pensar apenas em gran-
des figuras, mas também nas pessoas mais simples que com 
sua sabedoria ou conhecimento popular exerceram papel im-
portante para a história da comunidade, como antigas partei-
ras, pessoas que desenvolvem trabalhos sociais na região, etc.
Professor, se julgar oportuno, convide as mulheres entre-
vistadas para participar de alguma atividade na escola ou na 
sala de aula. Você pode também incentivar os alunos a gravar 
entrevistas em vídeo e apresentar para a turma, com a devi-
da autorização por escrito da depoente. É importante, no en-
tanto, que os estudantes tenham clareza sobre os aspectos 
biográficos e históricos da pessoa entrevistada e que não se 
deixem “encantar” com os recursos tecnológicos ou com sua 
própria imagem refletida nos materiais produzidos.
¡sso...Enquanto
As ervilhas e a genética
Diálogos
A discussão sobre os transgênicos é polêmica. Nela estão 
envolvidas questões científicas e políticas, problemas de saúde 
pública e interesses econômicos. Por causa da complexidade 
do assunto, o governo brasileiro resistiu por algum tempo à li-
beralização do plantio e comercialização desses produtos. Em 
março de 2005 foi aprovada pelo Congresso Nacional e san-
cionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nova lei de 
biossegurança, que permite o plantio e a comercialização de 
produtos transgênicos no país.
Argumentos favoráveis aos transgênicos: 1) redução dos 
custos de produção. Com o desenvolvimento de alimentos re-
sistentes a pragas, o produtor poderia diminuir o uso de agro-
tóxicos; 2) alimentos mais nutritivos. A alteração genética pode 
gerar alimentos enriquecidos com nutrientes não naturais; 
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376 Manual do Professor
3) redução da fome mundial. A diminuição do custo de produ-
ção e o consequente aumento da produtividade tornariam os 
alimentos mais baratos.
Argumentos contrários aos transgênicos: 1) riscos desco-
nhecidos à saúde e à vida humana e animal. A inoculação ou o 
fortalecimento de uma certa característica na planta podem ser 
transferidos para bactérias nocivas ao corpo humano tornando-
-as resistentes a antibióticos; 2) a modificação genética dos ali-
mentos pode provocar desequilíbrios ambientais. Isso porque 
pode favorecer algumas espécies animais ou vegetais em detri-
mento de outras que contribuem para o equilíbrio do meio am-
biente; 3) o monopólio das sementes nas mãos de poucas em-
presas. Os pequenos agricultores temem ficar dependentes das 
multinacionais que produzem sementes e herbicidas.
No endereço da revista Época (<http://revistaepoca.globo.
com/Epoca/0,6993,EPT474558-1655,00.html>) e do portal 
Terra (<www.terra.com.br/reporterterra/transgenicos/sociedade. 
htm>) (acesso em: 15 dez. 2012), o professor encontrará algu-
mas informações mais pontuais, porém interessantes, e algu-
mas perguntas e respostas sugeridas pela Organização Mun-
dial de Saúde (OMS) – sobre a polêmica. A legislação brasileira 
relativa ao assunto está disponível em: <www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11105.htm>. Acesso em: 
15 dez. 2012.
Organizando aS iDEiaS
1. No início do século XIX, o café podia ser encontrado no lito-
ral do Rio de Janeiro e São Paulo. A partir de 1836 chegou 
ao Vale do Paraíba, em torno das cidades de Taubaté e Gua-
ratinguetá, e se expandiu para o Oeste paulista, por volta de 
1854. No fim do século XIX, atingiu a região de Ribeirão Pre-
to e Araraquara, chegando no século XX a outras regiões dos 
estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Espírito Santo. 
2. Durante a expansão de novas áreas agrícolas e o estabeleci-
mento de fazendas de café, as terras foram tomadas à for-
ça e os índios que ali viviam foram dizimados ou expulsos 
do território. No que diz respeito ao meio ambiente, quase 
toda a cobertura florestal, constituída de mata Atlântica e 
bosques de araucárias, foi desmatada. A derrubada da mata 
utilizava técnicas agrícolas rudimentares, como a queimada 
para limpar o terreno e a ausência de curvas de nível no ter-
reno. Isso fez com que surgisse um solo erodido e empobre-
cido em algumas regiões, como o Vale do Paraíba.
3. Os fazendeiros do Vale do Paraíba eram, em geral, mais tra-
dicionais, utilizavam técnicas agrícolas rudimentares, como 
a queimada para limpar o terreno e, principalmente, a mão 
de obra escrava. Por outro lado, os fazendeiros do Oeste 
paulista tinham uma mentalidade mais moderna e empresa-
rial. Embora utilizassem escravos, passaram cada vez mais a 
adotar a mão de obra assalariada. Com o lucro das exporta-
ções, aprimoraram técnicas agrícolas e, alguns fazendeiros, 
começaram a diversificar seus investimentos em atividades 
industriais e comerciais.
4. As primeiras ferrovias brasileiras foram construídas para per-
mitir o escoamento rápido do café plantado no Oeste pau-
lista. No início do século XIX o café produzido e exportado 
era conduzido para o porto através de carros de boi, mas à 
medida que se ampliou o volume de produção e as planta-
ções chegaram ao Oeste paulista (distante do litoral), foi ne-
cessário modernizar o transporte construindo linhas férreas 
para escoar as sacas de café.
5. A produção cafeeira era baseada fundamentalmente no tra-
balho escravo. Os cativos eram responsáveis por todo o tra-
balho no campo: preparavam o terreno, plantavam e co-
lhiam. Durante o período da colheita, eles deviam entregar 
ao administrador da fazenda uma quantidade determinada 
de grãos. Até 1850, os escravos também tinham a respon-
sabilidade pela condução dos carros de boi com as sacas de 
café até os portos do Rio de Janeiro ou de Santos. Depois, o 
transporte passou a ser feito pelas ferrovias.
Interpretando DOCUMENTOS
1. Há cinco momentos significativos das diferenças entre a cul-
tura de Nhô-Quim e as práticas sociais comuns no interior 
de um trem. Antes de subir na locomotiva, o personagem se 
benze, com medo do que está por vir. Ao entrar, Nhô-Quim 
cumprimenta as pessoas e oferece um pedaço de queijo mi-
nas guardado na bota; depois, ao ver seu chapéu voar com 
o vento, pede ao maquinista que “puxe a rédea da máqui-
na” para que o trem pare e Nhô-Quim possa resgatar seu 
chapéu; numa outra situação, ele se apavora ao entrar no 
túnel e chega a pensar que foi enterrado vivo e que o dia-
bo veio para carregá-lo; finalmente, ele desce numa para-
da para tomar café e perde o trem que partiu sem que nin-
guém o avisasse (provavelmente, Nhô-Quim desconhece os 
“sinais” convencionais, como um apito ou o grito do ma-
quinista, informando a saída do trem da estação). Embora 
haja um tom de sátira nas práticas sociais do personagem, o 
autor valoriza sua ingenuidade e, principalmente, sua gene-
rosidade em cumprimentar os outros passageiros e oferecer-
-lhes um pedaço de queijo. Esta forma de contato social já 
parecia estranha e imprópria para a vida urbana, em que se 
valorizava certo anonimato e indiferença em relação aos de-
mais habitantes da cidade, ou no caso, passageiros do trem. 
Além disso, sua tristeza ao perder o chapéu revela a preocu-
pação “sentimental” do personagem que lamenta a perda 
do objeto, pois foi dado pelo pai e ornado com uma fita por 
Sinhá Rosa, a moça por quem está “enamorado”. 
2. Neste quadrinho, o autor narra que Nhô-Quim foi mandado 
à Corte para esquecer uma namorada pobre, indicando assim 
que na Corte o personagem teria outras distrações e pode-
ria se encantar com as novidades, mudando seus interesses e 
desejos. Já no início do trajeto o seu estranhamento é com-
pleto, pois é evidente que ele nunca havia visto um trem na 
sua vida e nem havia tido orientações sobre as práticas sociais 
comuns neste tipo de transporte. Como indicam os dados do 
Censo apresentados no capítulo, de fato, a vida urbana era 
bastante reduzida, visto que 80% daspessoas viviam de ati-
vidades agrícolas. E a introdução das ferrovias não teve por 
finalidade propiciar um meio de transporte para facilitar a cir-
culação de pessoas, mas basicamente da produção cafeeira. 
Deste modo, pode-se compreender que a cidade e a ferrovia 
eram situações “exóticas”, isto é, externas à cultura e aos co-
nhecimentos da maioria dos habitantes do país.
Hora DE rEFlETir
A resposta é pessoal e depende das reflexões produzidas 
pelos alunos. No entanto, o problema pode ser apresentado 
antecipadamente para aprofundar a discussão em sala. Há pelo 
menos duas correntes de pensamento atuais sobre o assunto. 
De um lado, há os que acreditam na perspectiva do “desen-
volvimento sustentável”, que significaria uma adequação dos 
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