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As crenças religiosas e espirituais do idoso no enfrentamento

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Pró-Reitoria Acadêmica 
Escola de Medicina 
Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Gerontologia 
 
 
 
AS CRENÇAS RELIGIOSAS E ESPIRITUAIS DO IDOSO NO 
ENFRENTAMENTO DE DESAFIOS ADVINDOS 
DAS FERIDAS CRÔNICAS 
 
 
BRASÍLIA – DF 
2015 
 
Autor: Abdoulaye Coulibaly 
Orientador: Prof. Dr. Vicente Paulo Alves 
 
 
 
ABDOULAYE COULIBALY 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AS CRENÇAS RELIGIOSAS E ESPIRITUAIS DO IDOSO NO ENFRENTAMENTO 
DOS DESAFIOS ADVINDOS DAS FERIDAS CRÔNICAS 
 
 
 
 
 
 
 
Dissertação apresentada ao Programa de 
Pós-Graduação Stricto Sensu em 
Gerontologia da Universidade Católica de 
Brasília como requisito para obtenção do 
título de mestre em Gerontologia. 
 
Orientador: Prof. Dr. Vicente Paulo Alves 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Brasília 
2015 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ficha elaborada pela Biblioteca Pós-Graduação da UCB 
 
 
 
 
 
C855c Coulibaly, Abdoulaye. 
As crenças religiosas e espirituais do idoso no enfrentamento dos 
desafios advindos das feridas crônicas. / Abdoulaye Coulibaly – 2015. 
57 f.; 30 cm 
 
Dissertação (Mestrado) – Universidade Católica de Brasília, 2015. 
 Orientação: Prof. Dr. Vicente Paulo Alves 
 
1. Gerontologia. 2. Idosos. 3. Feridas crônicas. 4. Qualidade de vida. 5. 
Espiritualidade. 6. Religiosidade. I. Alves, Vicente Paulo, orient. II. Título. 
 
 
 CDU 613.98 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico este trabalho aos meus filhos, 
Aboubakr Ismael e Awa Nadira, e, 
especialmente, à minha amada esposa, 
Rosemeire, que sempre está ao meu lado, 
dando apoio incondicional aos meus 
trabalhos e à família. Todo empenho foi 
válido em nosso caminhar. 
AGRADECIMENTO 
 
Agradeço primeiramente a Deus, por sua presença constante na minha vida, 
o que me possibilitou concluir esta tarefa. 
À minha esposa, Rosemeire, que nunca esteve ausente nos meus projetos, 
um exemplo de humanismo e companheirismo na minha vida. Muitíssimo obrigado 
por estar no meu cotidiano, por me dar a certeza do seu apoio e amor por nossa 
família. 
Ao meu primogênito filho, Aboubakr Ismael, que tem me dado alegria e força 
para lutar ainda mais. Sua presença é hoje indispensável para minha sobrevivência 
e esforços. Meu amor por você é incondicional. 
À minha princesa, Awa Nadira, cujo sorriso e calor transmitem paz e me 
fazem gigante diante dos desafios e a quem eu amo sem medidas. Que Deus a 
abençoe. 
Ao meu orientador, Professor Doutor Vicente Paulo Alves, pela paciência, 
dedicação, competência e profundo conhecimento. Sou grato por tudo que fez neste 
processo acadêmico a meu favor. 
À Professora Doutora Maria Liz Cunha de Oliveira, pelo tempo e dedicação 
durante as aulas. Uma figura marcante na minha vida acadêmica. Valeu por tudo. 
À Professora Doutora Lucy Gomes, por sua profunda experiência na área e 
condução de suas aulas que certamente encheram-me de conhecimento. O meu 
carinho, respeito e admiração pelo empenho, capacidade e dedicação profissional. 
À Professora Doutora Altair Macedo Lahud Loureiro, pela ajuda e elucidação 
de dúvidas nos momentos certos. Muito agradecido. 
Aos participantes desta pesquisa, pela acolhida e pela rica experiência de 
uma vida plena de sentido. 
E ao amigo de família e motivador Xavier, por seu apoio nas horas difíceis. 
Meu eterno e valoroso obrigado. 
RESUMO 
 
 
COULIBALY, A. As crenças religiosas e espirituais do idoso no enfrentamento 
dos desafios advindos das feridas crônicas. 57 f. Dissertação (Mestrado em 
Gerontologia) - Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2015. 
 
 
A velhice é um desafio para todos e graças à evolução da ciência há um crescimento 
da expectativa de vida em nível mundial. O envelhecimento provoca modificações 
em vários aspectos, que determinam maior fragilidade frente aos processos 
patológicos, tornando os indivíduos mais suscetíveis às doenças. Os cuidadores de 
pessoas idosas, formais ou informais, procuram destinar suas decisões e 
procedimentos junto ao idoso que, quando portador de feridas crônicas, enfrenta um 
desafio maior. Os principais fatores que foram identificados nesta pesquisa mostram 
a influência que há na abordagem das feridas crônicas por cuidadores, e foram 
agrupadas em cinco áreas (ou ambientes): fisiológico, psicossocial, econômico, 
político e espiritual. As feridas crônicas provocam mudanças na vida da pessoa, que, 
a partir da patologia, sofre alterações no seu padrão e estilo de vida e passa a viver 
em função de seu problema, abrindo mão das coisas que mais gosta e das 
atividades que desempenhava. Além de envolver questões como a aparência e 
limitações, a doença também abala a "psique", devido às alterações na autoimagem, 
vida afetiva e emocional. O presente estudo objetiva investigar como a religiosidade 
e a espiritualidade podem contribuir no enfrentamento das feridas crônicas. Trata-se 
de um estudo do tipo descritivo observacional, com delineamento transversal e 
abordagem qualitativa e quantitativa. Os resultados permitiram identificar que os 
idosos portadores de feridas crônicas, além de recorrem à ajuda médica, se valem 
da sua fé em Deus em busca da cura e da melhoria da sua qualidade de vida. Os 
dados encontrados indicam a relevância do estudo sobre os idosos possuidores de 
feridas crônicas, o cuidado médico humanizado e a importância dada por este 
quanto aos aspectos religiosos e de fé no processo de cura. 
 
 
Palavras-chave: Idosos. Feridas Crônicas. Qualidade de Vida. Espiritualidade. 
Religiosidade. 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
 
COULIBALY, A. Religious and spiritual beliefs of the elderly to face the 
challenges arising from chronic wounds. 57 f. Dissertation (Masters in 
Gerontology) - Catholic University of Brasília, Brasília, 2015. 
 
 
Old age is a challenge for everyone and for the sciences, which enabled an increase 
in life expectancy worldwide. Aging causes changes in various aspects that 
determine greater fragility front of pathological processes, making individuals more 
susceptible to disease. Caregivers of elderly, formal or informal, looking aside 
decisions and procedures with the elderly and when they are suffering from chronic 
wounds, then face a bigger challenge. The main factors that have been identified in 
this research shows that there is influence in addressing chronic wounds by 
caregivers, which were grouped into five areas (or environments): physiological, 
psychosocial, economic, political and spiritual. Chronic wounds cause changes in the 
life of the person from the disease undergoes changes in its pattern and lifestyle and 
begins to live according to your problem, giving up the things they like and the 
activities they performed. Besides involving issues with the appearance and 
limitations, the disease also undermines the "psyche" due to changes in self-image, 
affective and emotional life. This study aims to investigate how religion and spirituality 
can help in coping with chronic wounds. It is a study of observational descriptive, 
cross-sectional design and qualitative and quantitative approach. The results showed 
that patients with chronic wounds elderly addition to turn to medical help, make use 
of their faith in God for healing and improving their quality of life. The data indicate 
the relevance of the study on the elderly possessors of chronic wounds, the 
humanized medical care and the importancegiven by them about the religious 
aspects and faith in the healing process. 
 
 
Keywords: Senior citizens. Chronic wounds. Quality of Life. Spirituality. Religiosity. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 8 
2 REFERENCIAL TEÓRICO ..................................................................................... 12 
2.1 O ENVELHECIMENTO ....................................................................................... 12 
2.2 IMPACTOS PSICOLÓGICOS NA PESSOA IDOSA COM FERIDAS CRÔNICAS
 .................................................................................................................................. 12 
2.3 PRÁTICAS RELIGIOSAS E ESPIRITUAIS ......................................................... 15 
2.4 A RELIGIOSIDADE COMO FATOR DE PROTEÇÃO ......................................... 16 
3 OBJETIVOS ........................................................................................................... 18 
3.1 OBJETIVO GERAL ............................................................................................. 18 
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................... 18 
4 ARTIGO ................................................................................................................. 19 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 19 
ANEXO - Parecer Consubstanciado CEP .............................................................. 35 
APÊNDICE A - Roteiro de entrevista semiestruturada, identificação e perfil 
social ........................................................................................................................ 40 
APÊNDICE B - Eixo Temático da entrevista semiestruturada ............................. 41 
APÊNDICE C - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ............................ 42 
APÊNDICE D - Transcrição das entrevistas .......................................................... 43 
 
 
8 
1 INTRODUÇÃO 
 
O processo de envelhecimento e a velhice, embora uma consequência natural 
da vida, torna-se um desafio para todos e continua sendo uma das preocupações da 
humanidade desde o início da civilização, ainda que, com a evolução da ciência, a 
expectativa de vida venha crescendo em nível mundial. Nesse contexto, o Brasil 
experimenta um crescimento significativo da população idosa em relação a outros 
grupos etários. Em razão disso, poucos problemas têm merecido tanta preocupação 
do homem como o envelhecimento e a incapacidade funcional comumente 
associada ao fator tempo (FREITAS et al., 2011). 
Mesmo que envelhecer seja um processo doloroso e contínuo, lento e 
gradual, em que acontecem diversas modificações no organismo em vários aspectos 
- determinantes para a diminuição da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio 
ambiente, ocasionando maior fragilidade diante dos processos patológicos, 
tornando-o mais suscetível às doenças, que terminam por levá-lo à morte - a maioria 
dos idosos, sejam eles portadores de doenças ou disfunções orgânicas, não 
apresentam necessariamente limitação de suas atividades ou restrição da 
participação social (GUTZ; CAMARGO, 2013). 
Ainda assim, com a presença de doenças, o idoso pode continuar exercendo 
seu papel social e as ações de saúde têm uma estreita relação com a funcionalidade 
global do indivíduo, sendo esta definida como a capacidade de gerir a própria vida 
ou cuidar de si mesmo. Um indivíduo pode ser tido como saudável quando ainda 
seja capaz de realizar suas atividades diárias sozinho, de forma independente e 
autônoma, mesmo que seja portador de uma patologia (NEGREIROS, 2010). 
A prevalência de doenças crônico-degenerativas, entretanto, contribui para o 
aumento de idosos com limitações funcionais, o que leva à necessidade de cuidados 
especiais e constantes. O aparecimento de doenças, sobretudo de cunho crônico, 
prejudica a saúde de muitos indivíduos, principalmente nessa fase mais avançada 
da vida, conforme referenciam Ferreira et al. (2010), ao descreverem que as 
doenças crônicas representam a causa mais comum do desenvolvimento de 
incapacidades associadas ao envelhecimento. Dentre as muitas doenças crônicas 
que provocam grande impacto psicológico, estão as feridas crônicas, que causam 
uma longa, dolorosa e progressiva caminhada, dia após dia, na espera da cura. 
Sobre esta temática, Oliveira et al. (2012, p. 3) dizem em seu trabalho: 
9 
As úlceras de membros inferiores são lesões que podem surgir 
espontaneamente ou de forma acidental, relacionadas a processos 
patológicos sistêmicos ou no membro afetado e que não cicatrizam em 
determinado intervalo de tempo.
 
Consideradas como um problema de saúde 
pública, pela alta incidência e importância socioeconômica, as úlceras de 
perna são prevalentes entre as feridas crônicas na população em geral (0,6 
a 3,6/1000 pessoas), causam dor e reduzem a capacidade de deambular, 
resultando em dependência, perdas econômicas e isolamento social devido 
a aparência e odor desagradável. 
 
No Brasil, as feridas representam um problema de saúde pública, devido ao 
elevado número de doentes com alterações (WAIDMAN et al., 2011), e o alto 
número de indivíduos com feridas contribui para onerar o gasto público, além de 
interferir na qualidade de vida da população. Para amenizar essa situação, a equipe 
multiprofissional deve favorecer uma assistência abrangente, atendendo às 
necessidades biopsicossociais, para melhorar as condições de vida, e com o intuito 
de favorecer essa assistência, a prática de cuidados de feridas crônicas ao longo 
dos anos passou por profundas transformações, desafiando o conhecimento técnico-
científico dos profissionais de saúde. 
Uma assistência de boa qualidade é direito de todo cidadão e o profissional 
de saúde deve ter uma visão integradora e compreensiva de que o cuidado é mais 
que um ato, é um momento de atenção, uma atitude de ocupação, preocupação, 
envolvimento afetivo com o outro. Dessa forma, Waidman et al. (2011, p. 3) 
concluíram em seus pensamentos: 
 
No cotidiano de pessoas com feridas há presença de sofrimento, e isto 
acontece devido a dúvidas e angústias em relação ao tratamento e, 
principalmente, a ansiedade em ver a evolução da ferida para uma melhora. 
Dentro desta perspectiva, percebe-se que para estas pessoas uma ferida 
pode não ser apenas uma lesão física, mas algo que dói sem 
necessariamente precisar de estímulos sensoriais, uma marca, uma perda 
irreparável, ou seja, algo além de uma doença incurável. Ela fragiliza e 
muitas vezes incapacita o ser humano para diversas atividades, em especial 
as laborativas. Frente a observações realizadas e queixas ouvidas das 
pessoas com esses problemas que chegam ao serviço especializado se faz 
pensar que esta doença acomete o indivíduo como um todo. 
 
Deve ser dada devida atenção aos aspectos psicológicos dos idosos na 
assistência, tanto institucional como domiciliar, quando estes são portadores de 
doenças cutâneo-crônicas, pois esta atenção é fortemente determinante para a 
melhoria da qualidade de vida e bem-estar físico, psicológico e espiritual. A situação 
de adoecimento de um familiar idoso ou pessoa querida pode ser um momento 
muito delicado para a família, pois, muitas vezes, a pessoa que está doente 
10 
desempenhava um papel ativo na família, trabalhando, prestando apoio emocional e 
financeiro aos familiares e, de repente, de uma hora para outra, tudo isso pode 
mudar de forma dramática e impactante (CARVALHO; PAIVA; APARICIO, 2012). 
A ferida sempre esteve vinculada a um processo de sofrimento humano. 
Historicamente, os indivíduos que sofreram com essas feridas foram excluídos da 
sociedade e maculados pelo resto de suas vidas, pois simbolizavam pecado, dor, 
angústia,isolamento e morte. O distanciamento dos familiares, a perda dos amigos, 
o abandono dos parceiros, assim como a perda da autonomia e da atividade 
profissional são situações enfrentadas por esses indivíduos que experimentam não 
apenas mudanças no corpo físico, mas também alterações psicológicas e sociais 
(CARVALHO, 2010). 
Para Lucchetti, Almeida e Granero (2010), as práticas religiosas e espirituais 
proporcionam melhores resultados na saúde, incluindo maior longevidade, 
habilidades de enfrentamento, qualidade de vida e menos ansiedade. 
Segundo Carvalho, Paiva e Aparicio, (2012), as questões da religiosidade e 
da espiritualidade devem ser tidas como fundamentais, visto a influência das práticas 
religiosas na interpretação e modo de tratar com os eventos adversos - como a 
superação da dor emocional e a autoconfiança em lidar com várias outras 
circunstâncias. Diante do entendimento da doença e do próprio estado de saúde em 
que se encontra, o paciente se envolve em dimensões subjetivas, emocionais e 
religiosas em busca de mecanismos que lhe sirvam de estratégias para aumentar o 
autofortalecimento e como proteção. Neste aspecto, a religião e a espiritualidade 
podem ser um elemento de apoio no processo de adoecimento. 
O interesse em estudar feridas crônicas e saber se as crenças religiosas e 
espirituais do idoso podem ajudar no enfrentamento de desafios advindos das 
feridas crônicas, surgiu da vivência como médico cirurgião plástico, ao observar 
idosos com lesões cutâneas crônicas e suas percepções e reações. O que levou à 
reflexão de que as diversas demonstrações de fé que ocorreram durante os 
procedimentos, como fazer o sinal da cruz, buscar falar com Deus em voz baixa, 
clamar por Deus, dentre outras devoções religioso-espirituais, pareciam trazer 
conforto e diminuição da ansiedade no momento dos procedimentos. Foram essas 
manifestações de espiritualidade, religiosidade, fé e esperança que se tornaram 
motivo de incentivo para o desenvolvimento desta pesquisa. 
11 
Este estudo, portanto, será sobre o cuidar do idoso, os aspectos psicológicos 
do envelhecimento e seus impactos em pessoas idosas com feridas crônicas, as 
resiliências como fator de autoajuda e superação de desafios, bem como a religião e 
a pessoa idosa. Justifica-se em razão das lesões cutâneas crônicas que provocam 
impactos psicológicos em seus portadores, afetando diretamente o seu estilo de 
vida, sendo estigmatizados pela sociedade, já que esta doença provoca 
incapacidades laborais e deformidades físicas. Dentro desse contexto, os 
profissionais que atuam na área de saúde devem ter um novo olhar para as 
questões religiosas e espirituais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
2 REFERENCIAL TEÓRICO 
 
2.1 O ENVELHECIMENTO 
 
O envelhecimento pode ser uma etapa de vida difícil, pois, além de suas 
características próprias, encerra ainda muitos preconceitos e desconhecimento de 
seu processo, tornando difícil a aceitação da sociedade para as mudanças que se 
apresentam. O resultado disso é que o idoso, muitas vezes, traz consigo a sensação 
de inadequação ao meio em que vive, o que explica muitas das mudanças no seu 
comportamento, estado de humor e hábitos (FERREIRA et al., 2010). 
Esses efeitos podem ter consequências positivas e/ou negativas, as quais são 
observadas nas diversas dimensões do indivíduo idoso. No campo orgânico, tem-se 
o envelhecimento biológico; no setor do psiquismo, o envelhecimento 
psíquico/mental. Todos esses fatores são de igual importância uma vez que fazem 
parte da manutenção da autonomia e independência da pessoa (WAIDMAN et al., 
2011). 
A velhice é o elemento principal para o surgimento da degeneração do 
organismo humano e de doenças que levam à incapacidade de ordem física e 
mental. As décadas vividas colocam o indivíduo diante de uma gama de fatores que 
causam negatividade ao bem-estar, que na sua grande maioria são revelados e 
percebidos na velhice, após anos de exposição silenciosa (NEGREIROS, 2010). 
 
2.2 IMPACTOS PSICOLÓGICOS NA PESSOA IDOSA COM FERIDAS CRÔNICAS 
 
Nota-se que a qualidade de vida dos portadores de feridas crônicas possui 
um agravante importante no que se refere aos pacientes idosos, muitos deles 
convivendo com o mal por períodos prolongados. Não se pode restringir apenas a 
prestar uma assistência técnica ou à doença especificamente, deve-se ater aos 
aspectos que envolvem a qualidade de vida destes. As feridas crônicas afetam o 
estilo de vida e, geralmente, são acompanhadas de sofrimento, elevados custos de 
tratamentos e baixa qualidade de vida e de autoestima (FERREIRA et al., 2010). 
Os avanços científicos e técnicos no domínio do tratamento das feridas 
permitiram uma evolução significativa na assistência às pessoas que delas 
padecem, tendo-se desenvolvido intensa atividade de investigação, essencialmente, 
13 
no desenvolvimento das várias modalidades terapêuticas a serem aplicadas nas 
úlceras venosas crônicas. Porém, neste campo, mantém-se a necessidade de 
compreender o complexo processo de cicatrização, bem como os aspectos 
biopsicossociais que envolvem o “universo próximo” dos possuidores destas feridas 
(FERREIRA et al., 2010). 
Deste modo, tal como acontece em muitas outras doenças crônicas, a 
abordagem terapêutica das feridas crônicas é influenciada por múltiplos fatores. 
Esses não se reduzem somente aos fatores fisiológicos, como a presença de 
circulação sanguínea adequada ou de sinais de infecção (WAIDMAN et al., 2011). 
De fato, o processo de cicatrização de uma ferida crônica pode ser 
influenciado por muitos outros fatores, quais sejam: 
 econômicos, no que concerne ao acesso a produtos adequados e 
necessários ao tratamento; 
 sociais, por exemplo, na acessibilidade aos recursos/sistemas de saúde; 
 espirituais, relacionados com as crenças pessoais e com a própria 
esperança dos doentes; 
 psicoemocionais, relacionados com a motivação dos indivíduos, a forma 
como reagem e lidam com o seu tratamento, a forma como outros cuidadores 
interagem em todo este processo; 
 políticos, nomeadamente na forma como são equacionadas e postas em 
prática políticas de saúde que influenciam direta ou indiretamente as pessoas que 
necessitam de assistência e de cuidados de saúde (WAIDMAN et al., 2011). 
Esses são apenas alguns exemplos que nos impelem à reflexão acerca da 
grande multiplicidade de fatores distintos que, não sendo estáticos e imutáveis, 
mostram que são dinâmicos, interagem entre si, concorrendo de um modo global 
para a abordagem necessária que o fenômeno das pessoas com feridas crônicas 
exige. Neste contexto, torna-se essencial constar que os problemas crônicos de 
saúde são multidimensionais na sua natureza. 
Desta feita, entende-se que a sua abordagem também deve seguir uma lógica 
holística, que no caso particular da intervenção médica se traduz no cuidar da 
pessoa como um todo, não atendendo somente ao processo fisiológico (físico), mas 
também às necessidades associadas às vertentes sociais, psicológicas, 
econômicas, culturais e espirituais dos indivíduos (GUTZ; CAMARGO, 2013). 
14 
No entanto, além dessas doenças, os idosos podem sofrer com as chamadas 
doenças psicossomáticas, ou seja, aquelas que têm componente psíquico em sua 
origem. São manifestações orgânicas provocadas por problemas emocionais, como 
tensões e depressão. As feridas crônicas provocam mudanças na vida da pessoa 
que a partir da patologia sofre alterações no seu padrão e estilo de vida e passa a 
viver em função de seu problema, abrindo mão das coisas que mais gostam e das 
atividades que desempenhavam. Além de envolver questões com a aparência e 
limitações, a doença também diminui prazeres do cotidiano da pessoa, devido às 
alterações na autoimagem, vida afetiva e emocional. 
O testemunho dado por Waidman et al. (2011, p. 2) em suas pesquisas 
demonstram falta de motivação,alegria e prazer pela vida decorrentes dessa 
situação, acarretando alterações na saúde mental: 
 
Para ser considerado saudável, acredita-se que o indivíduo precisa estar em 
harmonia com seu eu, e acima de tudo, sentir-se saudável e gozando de 
bem-estar. Desta forma, a saúde mental faz a diferença para o sentimento 
de saúde geral do indivíduo, No entanto, a experiência mostra que nos 
serviços de saúde, os profissionais ainda não conseguem ver o ser humano 
na sua integralidade, muitas vezes enxergando apenas a ferida, que é 
"visível" e por esta razão, oferecem cuidados relacionados apenas a ela. 
Esta provavelmente é a razão de as pessoas em seus depoimentos durante 
a coleta de dados, terem revelado sofrimento psíquico relacionado à 
presença da ferida, assim, necessitam ser mais bem explorados por 
pesquisadores. 
 
Observa-se que as feridas causam transtornos na vida cotidiana do paciente, 
tanto pelos altos custos com tratamento, pelas repetidas faltas ao trabalho e/ou 
demissão, além de uma significativa diminuição do prazer pelas atividades do dia a 
dia. A doença provoca alterações especialmente na vida do indivíduo, aumentando 
as responsabilidades e exigindo habilidades de natureza médica, de forma particular 
nos casos de doenças incapacitantes, em que o doente deixa de exercer suas 
atividades rotineiras (WAIDMAN et al., 2011). 
Apresentam, ainda, os autores que a saúde mental é hoje um aspecto 
importante para o bem-estar de todo ser humano. A partir da experiência desses 
pesquisadores, percebe-se que a ferida crônica provoca mudanças significativas na 
saúde mental desses indivíduos. Assim sendo, o cuidado à saúde das pessoas que 
sofrem com feridas representa um desafio a ser enfrentado e superado, não só por 
quem vivencia, mas também por quem se ocupa no cuidado. 
 
15 
A saúde mental dessas pessoas, como elas vivenciam essa experiência de 
vida, como lidam com esse problema e como é o convívio familiar frente a 
essa situação, podendo ou não, levar ao sofrimento físico e psíquico, 
dependendo do grau de comprometimento da família, é um dos desafios 
que a enfermagem enfrenta ao cuidar de pacientes com feridas crônicas. 
Por isso, cuidar do indivíduo significa estar atento a toda a sua dimensão 
enquanto ser humano, destarte, ao preocupar com a saúde mental estamos 
nos referindo a uma adaptação eficaz a fatores de estresse do ambiente 
interno e externo, o que é evidenciada por pensamentos, sentimentos ou 
comportamentos apropriados para a idade e congruentes com normas 
locais e culturais. Num modelo de saúde integrado e baseado na evidência, 
a saúde mental, onde incluem-se as emoções e os padrões de pensamento, 
emergem como determinante-chave da saúde geral (WAIDMAN et al., 2011, 
p. 2). 
 
Neste contexto, o convívio com a pessoa doente portadora de uma ferida 
crônica e a possibilidade de perceber seu sofrimento físico e psíquico levam a refletir 
que essa condição traz uma série de mudanças na vida, não apenas de quem tem 
uma ferida, mas também de seus familiares que, muitas vezes, não estão 
preparados para compreender todos os aspectos que envolvem o problema, 
necessitando, desta forma, de apoio social e psicológico de forma sistemática 
(WAIDMAN et al., 2011). 
 
2.3 PRÁTICAS RELIGIOSAS E ESPIRITUAIS 
 
A religião é um sistema organizado de crenças, práticas, rituais e símbolos 
destinados a facilitar a proximidade do indivíduo com o sagrado ou o transcendente 
(GUTZ; CAMARGO, 2013). Um dos recursos utilizados pelos idosos diante de 
problemas, especialmente quando se trata de doença, é a religião. A religião e a 
espiritualidade podem auxiliar no enfrentamento desses eventos, considerados 
frequentemente como estressores. 
O papel da religião pode assumir funções diversas nos mais variados estilos 
de solução de problemas, que mudam conforme a atribuição de responsabilidade e 
do grau de participação da pessoa na resolução do problema. O primeiro é chamado 
de autodirigido, no qual se crê que a resolução dos problemas é de responsabilidade 
do indivíduo, e o Divino é concebido como dando libertação à pessoa para conduzir 
sua própria vida. O segundo é o estilo delegante, no qual o indivíduo transfere tal 
responsabilidade a Deus, esperando que soluções venham por meio dos esforços 
Dele. O terceiro é o chamado estilo colaborativo, cuja responsabilidade é dada tanto 
16 
ao indivíduo como a Deus, ambos percebidos como participantes ativos na solução 
de problemas (GUTZ; CAMARGO, 2013). 
A hospitalização também representa um evento estressor. A doença, os 
sintomas físicos, os procedimentos invasivos, a dependência, a quebra de rotina e 
de papéis sociais, a distância dos familiares, a gravidade do estado de saúde, o 
medo do desconhecido e as fantasias sobre a morte são condições frequentemente 
vivenciadas. 
De acordo com Waidman et al. (2011, p. 5) algumas famílias evidenciaram 
que a esperança está relacionada à fé da existência divina, que dá força e 
realimenta diariamente o desejo da melhora e da cura, além de diminuir a ansiedade 
frente à situação de estar doente ou da morte. 
 
A crença religiosa constitui uma parte importante da cultura, dos princípios e 
dos valores utilizados pelos clientes para dar forma a julgamentos e ao 
processamento de informações. Muitas pesquisas têm sido desenvolvidas 
no sentido de provar que a crença, o cultivo de uma fé e a participação em 
uma comunidade, faz bem e ajuda as pessoas a viverem mais, ressaltando-
se a fé como um fator de saúde, como observamos [...]. 
 
Neste aspecto, é possível acreditar que a fé e a religiosidade sejam capazes 
de amenizar a angústia e o sofrimento em relação à doença, em especial daqueles 
que convivem com algum tipo de agravo crônico. A espiritualidade leva a pessoa à 
esperança, aumentando as perspectivas de um futuro melhor, de viver com maior 
qualidade de vida, ou então, alimentando a esperança de uma cura (WAIDMAN et 
al., 2011). 
Deste modo, percebe-se que o cuidar da pessoa idosa engloba fatores de 
ordem física, psicológica e espiritual, os quais devem ser observados por aqueles 
que se ocupam no serviço de assistência ao idoso, para que tenham elementos para 
a autoajuda e superação de suas angústias e desafios. 
 
2.4 A RELIGIOSIDADE COMO FATOR DE PROTEÇÃO 
 
Lucchetti, Almeida e Granero (2010, p. 2) defendem a ideia de que a 
espiritualidade e a religiosidade possuem um papel importante para o paciente que é 
portador de uma patologia aguda ou crônica. A espiritualidade e a religiosidade 
auxiliam no fortalecimento da relação médico-paciente, melhorando a qualidade de 
17 
vida e o enfrentamento da doença, devendo sempre ser consideradas pelos 
profissionais de saúde como fator relevante, desde que não comprometam o 
tratamento: 
 
A partir da década de 1950, estudos epidemiológicos passaram a mostrar 
as correlações entre a religiosidade e a espiritualidade para o paciente e 
desencadearam uma série de linhas de pesquisa nesse assunto. 
Atualmente são demonstradas associações entre maior 
religiosidade/espiritualidade e doenças mentais (maior bem-estar geral, 
menores prevalências de depressão,
 
abuso de drogas
 
e suicídio), melhor 
qualidade de vida, maior "coping" (modo de lidar com a doença), menor 
mortalidade, menor tempo de internação
 
e até melhor função imunológica. 
 
Assim, pode-se supor que aqueles que estreitam seus laços e possuem uma 
vivência religiosa e espiritual adquirem maior força para o enfrentamento, muitas 
vezes crucial, de doenças psicológicas ou físicas. Sobre isso, alguns autores 
afirmam que: 
 
A religiosidade e a espiritualidade a muito foram consideradas essenciais, 
parceiras das pessoas que sofrem ou estão doentes. A medicina oriental por 
exemplo, procura integrar de forma clara as dimensões religiosa e espiritual 
ao binômio saúde e doença, acreditando na positividade da fé e da religião 
para o bem esta dos envolvidos (GUTZ; CAMARGO,2013). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
3 OBJETIVOS 
 
3.1 OBJETIVO GERAL 
 
Investigar como as crenças religiosas e espirituais do idoso podem contribuir 
para o enfrentamento de desafios advindos das feridas crônicas. 
 
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
 
 Identificar se os pacientes sofreram impactos psicológicos em 
decorrência do surgimento das feridas crônicas. 
 Analisar como a religião tem servido de fonte de apoio para os idosos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 
4 ARTIGO 
 
As crenças religiosas e espirituais no enfrentamento de desafios advindos das feridas 
crônicas em idosos 
 
The religious beliefs and spiritual in facing challenges arising in elderly chronic wounds 
 
Abdoulaye Coulibaly 
Vicente Paulo Alves 
 
RESUMO 
Este estudo objetiva investigar como as crenças religiosas, espirituais e a fé do idoso podem 
contribuir para o enfrentamento de desafios advindos das feridas crônicas. Trata-se de um 
estudo do tipo descritivo observacional, com delineamento transversal e abordagem 
qualitativa e quantitativa. Os resultados permitiram identificar que os idosos portadores de 
feridas crônicas, além de recorrem à ajuda médica, valem-se da sua religiosidade e fé em 
busca da cura e da melhoria da sua qualidade de vida. 
Palavras-chave: Idosos. Feridas Crônicas. Religiosidade. 
 
ABSTRACT 
 
 
 
 
 
 
Keywords: Elderly. Chronic wounds. Religiosity. 
 
Introdução 
 
A velhice é um desafio para todos, uma vez que, com a evolução da ciência, a 
expectativa de vida vem crescendo em nível mundial. Nesse contexto, o Brasil experimenta 
um crescimento significativo da população idosa em relação a outros grupos etários. O 
processo de envelhecimento é uma consequência natural e a velhice continua sendo uma das 
20 
preocupações da humanidade desde o início da civilização. Poucos problemas têm merecido 
tanta preocupação do homem como o envelhecimento e a incapacidade funcional comumente 
associada ao fator tempo (Freitas et al., 2011). 
Envelhecer é um processo doloroso e contínuo, lento e gradual, no qual acontecem 
diversas modificações no organismo, em vários aspectos, que são determinantes para a 
diminuição da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando maior 
fragilidade diante dos processos patológicos, tornando-o mais suscetível às doenças, que 
terminam por levá-lo à morte. Mesmo assim, a maioria dos idosos, sejam eles portadores de 
doenças ou disfunções orgânicas, não apresentam necessariamente limitação de suas 
atividades ou restrição da participação social (Gutz & Camargo, 2013). 
Assim, mesmo com a presença de doenças, o idoso pode continuar exercendo seu 
papel social. As ações de saúde têm uma estreita relação com a funcionalidade global do 
indivíduo. É definida como a capacidade de gerir a própria vida ou cuidar de si mesmo. Um 
indivíduo pode ser tido como saudável quando ainda seja capaz de realizar suas atividades 
diárias sozinho, de forma independente e autônoma, mesmo que seja portador de uma 
patologia (Negreiros, 2010). 
Porém, a prevalência de doenças crônico-degenerativas contribui para o aumento de 
idosos com limitações funcionais, implicando necessidade de cuidados especiais e constantes. 
O aparecimento de doenças, sobretudo de cunho crônico, prejudica a saúde de muitos 
indivíduos, principalmente quando estão na fase mais avançada da vida que é a velhice, 
conforme referenciam Ferreira et al. (2010), ao descreverem que as doenças crônicas 
representam a causa mais comum do desenvolvimento de incapacidades associadas ao 
envelhecimento. Dentre as doenças crônicas, umas das muitas que provocam grande impacto 
psicológico, estão as feridas crônicas, que causam uma longa, dolorosa e progressiva 
caminhada, dia após dia, na espera da cura. 
Sobre esta temática, Oliveira et al. (2012:3) dizem em seu trabalho: 
 
As úlceras de membros inferiores são lesões que podem surgir espontaneamente ou 
de forma acidental, relacionadas a processos patológicos sistêmicos ou no membro 
afetado e que não cicatrizam em determinado intervalo de tempo.
 
Consideradas 
como um problema de saúde pública, pela alta incidência e importância 
socioeconômica, as úlceras de perna são prevalentes entre as feridas crônicas na 
população em geral (0,6 a 3,6/1000 pessoas), causam dor e reduzem a capacidade de 
deambular, resultando em dependência, perdas econômicas e isolamento social 
devido a aparência e odor desagradável. 
 
21 
Waidman et al. (2011) apresentam que, no Brasil, as feridas representam um problema 
de saúde pública, devido ao elevado número de doentes com alterações na pele. O alto 
número de indivíduos com feridas contribui para onerar o gasto público, além de interferir na 
qualidade de vida da população. Para amenizar essa situação, a equipe multiprofissional deve 
favorecer uma assistência abrangente, atendendo às necessidades biopsicossociais, para 
melhorar as condições de vida. 
Com o intuito de favorecer essa assistência, a prática de cuidados de feridas crônicas 
ao longo dos anos passou por profundas transformações, desafiando o conhecimento técnico-
científico dos profissionais de saúde. 
Todo cidadão tem direito a uma assistência de boa qualidade, sendo que o profissional 
de saúde deve ter uma visão integradora e compreensiva de que o cuidado é mais que um ato, 
é um momento de atenção, uma atitude de ocupação, preocupação, envolvimento afetivo com 
o outro. Dessa forma, Waidman et al. (2011:3) concluíram em seus pensamentos: 
 
No cotidiano de pessoas com feridas há presença de sofrimento, e isto acontece 
devido a dúvidas e angústias em relação ao tratamento e, principalmente, a 
ansiedade em ver a evolução da ferida para uma melhora. Dentro desta perspectiva, 
percebe-se que para estas pessoas uma ferida pode não ser apenas uma lesão física, 
mas algo que dói sem necessariamente precisar de estímulos sensoriais, uma marca, 
uma perda irreparável, ou seja, algo além de uma doença incurável. Ela fragiliza e 
muitas vezes incapacita o ser humano para diversas atividades, em especial as 
laborativas. Frente a observações realizadas e queixas ouvidas das pessoas com 
esses problemas que chegam ao serviço especializado se faz pensar que esta doença 
acomete o indivíduo como um todo. 
 
Deve ser dada devida atenção aos aspectos psicológicos dos idosos na assistência, 
tanto institucional como domiciliar, quando estes são portadores de doenças cutâneo-crônicas, 
pois esta atenção é fortemente determinante para a melhoria da qualidade de vida e bem-estar 
físico, psicológico e espiritual. A situação de adoecimento de um familiar idoso ou pessoa 
querida pode ser um momento muito delicado para a família, pois, muitas vezes, a pessoa que 
está doente desempenhava um papel ativo na família, trabalhando, prestando apoio emocional 
e financeiro aos familiares e, de repente, de uma hora para outra, tudo isso pode mudar de 
forma dramática e impactante (Carvalho, Paiva, & Aparicio, 2012). 
A ferida sempre esteve vinculada a um processo de sofrimento humano. 
Historicamente, os indivíduos que sofreram com essas feridas foram excluídos da sociedade e 
maculados pelo resto de suas vidas, pois simbolizavam pecado, dor, angústia, isolamento e 
morte. O distanciamento dos familiares, a perda dos amigos, o abandono dos parceiros, assim 
como a perda da autonomia e da atividade profissional são situações enfrentadas por esses 
22 
indivíduos que experimentam não apenas mudanças no corpo físico, mas também alterações 
psicológicas e sociais (Carvalho, 2010). 
Para Lucchetti, Almeida e Granero (2010), as práticas religiosas e espirituais 
proporcionam melhores resultados na saúde, incluindo maior longevidade, habilidades de 
enfrentamento, qualidade de vida e menos ansiedade. 
Segundo Carvalho, Paiva e Aparicio (2012), as questões da religiosidade e da 
espiritualidadedevem ser tidas como fundamentais, visto a influência das práticas religiosas 
na interpretação e modo de tratar com os eventos adversos - como a superação da dor 
emocional e a autoconfiança em lidar com várias outras circunstâncias. Diante do 
entendimento da doença e do próprio estado de saúde em que se encontra, o paciente se 
envolve em dimensões subjetivas, emocionais e religiosas em busca de mecanismos que lhe 
sirvam de estratégias para aumentar o autofortalecimento e como proteção. Neste aspecto, a 
religião e a espiritualidade podem ser um elemento de apoio no processo de adoecimento. 
O interesse em estudar feridas crônicas e saber se as crenças religiosas e espirituais do 
idoso podem ajudar no enfrentamento de desafios advindos das feridas crônicas, surgiu da 
vivência como médico cirurgião plástico, ao observar idosos com lesões cutâneas crônicas e 
suas percepções e reações. O que levou à reflexão de que as diversas demonstrações de fé que 
ocorreram durante os procedimentos, como fazer o sinal da cruz, buscar falar com Deus em 
voz baixa, clamar por Deus, dentre outras devoções religioso-espirituais, pareciam trazer 
conforto e diminuição da ansiedade no momento dos procedimentos. Foram essas 
manifestações de espiritualidade, religiosidade, fé e esperança que se tornaram motivo de 
incentivo para o desenvolvimento desta pesquisa. 
Este estudo, portanto, será sobre o cuidar do idoso, os aspectos psicológicos do 
envelhecimento e seus impactos em pessoas idosas com feridas crônicas, as resiliências como 
fator de autoajuda e superação de desafios, bem como a religião e a pessoa idosa. Justifica-se 
em razão das lesões cutâneas crônicas que provocam impactos psicológicos em seus 
portadores, afetando diretamente o seu estilo de vida, sendo estigmatizados pela sociedade, já 
que esta doença provoca incapacidades laborais e deformidades físicas. Dentro desse 
contexto, os profissionais que atuam na área de saúde devem ter um novo olhar para as 
questões religiosas e espirituais. 
 
Materiais e Métodos 
 
23 
Trata-se de uma pesquisa descritiva, com delineamento transversal e abordagem 
qualitativa, que foi desenvolvida na Fundação Hospitalar Senhora Santana (FHSS) na cidade 
de Caetité, interior da Bahia, instituição filantrópica construída em 1948 e inaugurada em 
1962, que atende pela rede particular e pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Conta com 
diversos serviços de saúde e profissionais especializados. O atendimento na instituição é de 
24 horas, incluindo fins de semana e feriados. Dentre os serviços oferecidos pela FHSS, estão 
o setor de urgência e emergência, ambulatorial, hospitalar, serviço de apoio, serviço 
especializado e comissões - Notificações de Doenças Compulsórias e Comissão de Controle 
de Infecção Hospitalar (CCIH). 
A escolha desta instituição foi motivada por ser o espaço de percurso e vivência 
profissional em que eram atendidas, no momento da coleta de dados, dez pessoas com feridas 
crônicas. Destas, somente seis atenderam aos critérios de inclusão e foram convidadas a 
participar da pesquisa. Os critérios definidos para a inclusão no estudo foram: idosos com 60 
anos ou mais, de ambos os sexo, portadores de feridas crônicas, que tivessem compreensão 
cognitiva, auditiva e boas condições de saúde psicológica. Os dados foram coletados por meio 
de entrevistas semiestruturadas, no período de março a abril de 2014. 
A coleta de dados levou em conta a rotina de atendimento dos pacientes portadores de 
feridas atendidos na instituição a cada quinze dias. Esses pacientes retornam quinzenalmente 
e, em um primeiro momento, foram contatados para falar sobre o estudo, que se daria no 
próximo atendimento agendado. Na oportunidade, 15 dias após, realizaram-se as entrevistas 
com aqueles que aceitaram participar da pesquisa. As entrevistas foram gravadas e digitadas 
em seguida, preservando-se a linguagem popular expressiva relatada pelos participantes, com 
base na sua vivência. 
A análise dos dados coletados para a pesquisa se deu em três etapas: 1) primeira etapa 
ou pré-análise: leitura das entrevistas e sistematização dos dados, ressaltando os pontos altos, 
organizando-se, assim, os objetivos salientados na pesquisa; 2) segunda etapa: também 
conhecida como exploração de dados, teve como finalidade organizar as ideias em grupos de 
categorias; 3) terceira e última etapa: análise dos conteúdos, em que foi avaliada a ligação dos 
achados com a literatura estudada que referenciou o estudo (Severino, 2010). Com base 
nessas análises, criaram-se os eixos temáticos: o impacto da ferida na vida cotidiana; a fé na 
cura; o ambiente espiritual; e o apoio biopsicossocial. 
O desenrolar deste estudo se deu com base na Resolução nº 466/2012 do Conselho 
Nacional de Saúde. O trabalho foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa 
(CEP) da Universidade Católica de Brasília (UCB), Parecer nº 573.674. 
24 
 
Resultados 
 
O Quadro 1 identifica os idosos com relação ao sexo, grau de instrução, estado civil e 
faixa etária. Detectou-se que 60% dos entrevistados são do gênero masculino e 40%, 
feminino. Quanto ao grau de instrução, nota-se que 100% dos sujeitos eram analfabetos. Em 
relação ao estado civil, 80% referiram ser casados e 20%, solteiros. No que tange à faixa 
etária, verificou-se que o maior número das pessoas entrevistadas (80%) está com 80 anos ou 
mais, e o menor número (20%), na faixa entre 70 e 75 anos. Entre os participantes, 80% 
professaram ser católicos e 20%, evangélicos. No quesito renda, 100% dos entrevistados 
recebem mensalmente 1 salário mínimo. 
 
Quadro 1 - Perfil dos idosos participantes da pesquisa 
 
Sexo 
Masculino Feminino 
03 02 
Variáveis 
Grau de instrução 
Analfabeto 1ª série 2ª série 3ª série 4ª série 5ª série 
05 - - - - - 
Estado Civil 
Casado Solteiro Viúvo Divorciado União Estável 
04 01 - - - 
Idade 
60 – 65 66 – 69 70 – 75 80 + 
- - 02 03 
Religião 
Católicos Evangélicos 
04 01 
Renda 
1 Salário mínimo 2 Salários mínimos 3 Salários mínimos 4 Salários mínimos 
05 - - - 
 
Impacto da ferida na vida cotidiana 
 
As doenças crônicas tendem a assumir uma complexidade que se projeta no cotidiano 
de vida dos indivíduos adoecidos. Conduzir a vida levando consigo uma marca que necessita 
ser cuidada rotineiramente provoca efeitos angustiantes e muitas vezes desesperadores. O 
desgaste emocional sofrido pelos participantes da pesquisa, em contrapartida com a crença 
religiosa, constitui uma parte importante, porque ainda não havia sentido uma das funções da 
25 
religião, que é a de dar apoio nesses momentos. Eles não se sentiam preparados para 
compreender todos os aspectos que envolvem os problemas advindos da doença. 
O impacto da ferida reflete-se na redução das atividades dos indivíduos, anteriormente 
ativos, em relação ao seu trabalho e tarefas cotidianas. Com a ferida eles têm que repousar 
alguns períodos do dia e, por não estarem habituados, sentem-se incomodados com essa 
situação, a qual é percebida como limitação e incapacidade, além de prejuízo econômico. 
 
O que há de fazer? É tudo é dado por Deus, a gente tem que se 
conformar com o que Deus faz, não é? (E3). 
 
Tem dias que eu fico ansiosa assim, mas olho pra Deus (E5). 
 
Já me incomodou bastante, porque me prejudicou muito e foi muito 
complicado para minha vida, mas, graças a Deus hoje eu já estou 
muito feliz e agradeço muito a Deus pelas pessoas que me 
acompanharam e que me ajudaram. Gastei muito e ainda gasto até 
hoje, mas sempre agradeço as pessoas que me ajudou bastante aqui 
e as de São Paulo. Agradeço de coração (E1). 
 
A ferida tem me incomodado muito, essa ferida tem me incomodado 
muito, mas agora estou me sentindo melhor (E2). 
 
A fé na cura 
 
A doença geralmente produz sofrimento, trazendo modificações na vida diária de uma 
pessoa, e esse sofrimento pode tanto promover a dúvida, como sustentar a confiançade uma 
pessoa em Deus ou em uma divindade. 
 
Graças a Deus tenho esperança que hoje eu posso dizer que, graças 
a Deus, eu espero que já estou recebendo a graça de Deus pela cura 
(E4). 
 
Tenho com fé em Deus (E1). 
 
26 
Eu tenho fé em Deus que eu ainda saro a perna (E3). 
 
Tenho, tenho esperança (E5). 
 
Eu tenho fé em Deus que é de sarar isso (...) (E2). 
 
O ambiente espiritual 
 
Este domínio inclui um conjunto de aspectos ligados ao que a pessoa acredita ser seu 
relacionamento com as forças superiores. Aqui são incluídos os principais fatores capazes de 
influenciar o tratamento de uma ferida crônica. 
 
Graças a Deus sou da Igreja Católica. Eu agradeço muito a Deus 
pela minha fé e por ter me acompanhado sempre. Sem a graça de 
Deus eu hoje não era mais vivo. Então eu agradeço a Deus em 
primeiro lugar. Sou religioso, vou na igreja, assisto a missa, ajudo 
rezar, ajudo com meus irmãos com muito prazer, fé, esperança, 
amor e paz (E3). 
 
Gente, sempre procurei ser religioso, ser católico né, ninguém sabe 
é, é um católico mas não muito seguidor nem ir direto na igreja, mas 
eu já segui um pouco (E1). 
 
Sobre as práticas religiosas, espirituais e como poderia curar a partir da fé, fonte de 
apoio, alguns entrevistados mencionaram: 
 
Graças a Deus. Eu espero em Deus que a prática de Deus é quem 
cura, que se Deus não me curar ninguém cura, né? (E5) 
Sim, considero sim. É Deus ajudando, né? Quem pega com Deus 
ajuda (E3). 
 
Considero. Ajuda só de quem nos cura é Deus, não é? Tem os 
médicos para... mas tudo é dado para Deus, não é? (E1). 
 
27 
Mais ou menos. Ajuda. Ajuda curar sim (E2). 
 
Eu ... eu vou te falar, eu entendi bem disso ai, mas a religião dar 
apoio, acho que deve ser apoio espiritual, deve ser de outra religião 
também, mas eu acho que é apoio também não sei. Acho que sim, né? 
Talvez, né, eu não sei, só Deus é quem sabe (E3). 
 
O apoio biopsicossocial 
 
Dentro desta questão e perspectiva, procurou-se saber dos entrevistados a importância 
do apoio de familiares e amigos para obtenção de força para enfrentar seus desafios, temores e 
incertezas advindos da doença. 
 
Tive apoio de minha família, depois de casado tive apoio da minha 
esposa, que até hoje graças a Deus me acompanha, meus filhos ... 
tudo é um coração só comigo. Eles fazem tudo na vida comigo, tudo 
o que for preciso fazer (E3). 
 
Dos amigos e estranhos (E5). 
 
Tenho muito, graças a Deus, tenho amigos, tenho muito apoio. Eu 
morava na zona rural, agora depois da ferida eu mudei para o 
comércio de Ibitira já faz 20 anos que eu mudei para Ibitira (E1). 
 
De amigos demais, principalmente dos filhos (E4). 
Hoje eu penso assim: meu Deus, o que será de mim, será que eu 
estou pagando algum erro que eu fiz, não sei se eu fiz algum erro 
que. Que a vida leva assim (E2). 
 
Sobre isso, Bedin et al. (2014:63-4) relatam em seu estudo: 
 
A inclusão da família e dos grupos sociais nas ações de cuidado é uma estratégia 
para promover a autoestima, autonomia e autocuidado. [...] Alguns autores destacam 
a necessidade do fortalecimento e estabelecimento das redes de apoio, que abarcam 
os atores sociais que circundam a realidade de vida das pessoas com feridas 
crônicas. Essas redes de apoio têm significado importante para a obtenção do 
28 
comprometimento e da inclusão dos indivíduos no planejamento de seus cuidados, 
garantindo os subsídios necessários para a autoestima, autonomia e autocuidado. 
 
Sobre a questão do apoio físico e emocional, os entrevistados relataram: 
 
Graças a Deus em primeiro lugar, eu jurei e peço a Deus, nosso 
Senhor Jesus Cristo, nossa mãe Maria Santíssima e todos os Santos 
do céu, que foram quem me socorreram e está me valendo, que é a 
única coisa na vida que eu enxergo é Deus na minha frente. É meu 
tratamento, que sem Deus eu não era ninguém hoje (E1). 
 
Com Deus (risos). Supero a dor com a força de Deus, vou à religião, 
volto e peço a Deus força para me poder ajudar (E4). 
 
Sobre preconceitos sofridos devido à doença, eles relataram: 
 
A isso aí muita gente fala. Falam que isso não tem cura, que não tem 
jeito. Que eu estava em São Paulo era por que não tinha mais jeito e 
que eu iria acabar morrendo. Aí enchia de fuxico, e isso o mundo 
tem de fartura. É conversa perdida, mas graças a Deus, eu sempre 
estou com Deus, que eu acredito que só iria morrer no dia que Deus 
marcar. O dia que eu nasci foi ele que marcou o dia de terminar 
minha vida, também é ele quem sabe do dia, né? Então essa grande 
fé que eu tenho, que várias pessoas dessas, muitas pessoas dessas 
que andou falando, já morreu há muitos anos e eu estou vivo, graças 
a Deus (E3). 
 
Quem é que sabe né? Ninguém sabe não, uma fala uma coisa outro 
fala outra, eu não sei (E1). 
 
Não que eu saiba, eu nunca soube de alguém que falou nada. A 
doença é natural, dar em todo mundo não é? (E5). 
 
Não. Nunca falaram nada (E3). 
 
29 
Discussão 
 
O impacto da ferida na vida cotidiana 
 
Nesse contexto, as alterações provocadas pela ferida podem comprometer a qualidade 
de vida, além de causar grandes impactos, se não houver apoio e conhecimento adequado 
quanto ao tratamento ou ao reconhecimento da importância das complicações que decorrem 
desta patologia, que poderá trazer prejuízos à satisfação na vida familiar, amorosa, social e à 
própria estética existencial (Pereira Júnior & Henriques, 2010). 
 
Já me incomodou bastante, porque me prejudicou muito e foi muito 
complicado para minha vida (...) (E3). 
 
A percepção do portador de úlceras crônicas traduz-se em dificuldades decorrentes do 
agravo pela dor, preconceito, dependência para atividades diárias e consequentes alterações 
no estado emocional e, por conseguinte, fazendo gerar mudanças no cotidiano desse paciente. 
Paciente é justamente a denominação que cabe ao portador de uma ferida crônica, já que 
espera dia após dia pela cura. 
 
Tem dias que eu fico ansiosa assim, mas olho pra Deus (E5). 
Para lidar com as questões perturbadoras decorrentes da situação estressora vivenciada 
por portadores de feridas crônicas, é relevante refletir sobre a percepção da fé na cura neste 
contexto. 
 
A fé na cura 
 
Neste sentido, é possível inferir que a fé e a religiosidade são capazes de amenizar a 
angústia e o sofrimento em relação à doença, principalmente, daqueles que convivem com 
algum tipo de agravo crônico conforme se observa nos discursos dos participantes do estudo. 
 
Eu tenho fé em Deus que eu ainda saro a perna (E1). 
 
A espiritualidade instiga a esperança, aumentando perspectivas de um futuro melhor, 
de viver com maior qualidade de vida, ou então, alimentando a esperança de cura. 
30 
As crenças religiosas constituem uma parte integrante e fundamental da cultura, dos 
princípios e dos valores utilizados pelos indivíduos para dar forma a julgamentos e ao 
processamento de informações. Muitas pesquisas têm sido realizadas e desenvolvidas no 
sentido de comprovar que faz bem a crença, o cultivo de uma fé e a participação em uma 
comunidade, ajudando as pessoas a viverem mais, ressaltando-se a fé como um fator de saúde 
importante (Gutz & Camargo, 2013). 
 
O ambiente espiritual 
 
Em uma pesquisa realizada com idosos em uso crônico de medicação, Pereira (2011) 
observou que o idoso busca na religião um sentido, um significado, para enfrentar e superar as 
condições adversas da doença e que a religiosidade constitui um importante aspecto na vida 
dos idosos, devendo ser considerada pelos profissionais de saúde. 
Em situações de tensão por vários motivos que também inclui a doença, a pessoa se 
vale da fé como fonte de apoio e orientação. A ideia e personificação da morte leva o 
indivíduo a procurar apoio nas experiências religiosas. A fé é um elemento que proporciona 
uma direção, servindo de sustentação das horas de dor e aflição, assim, a crença em um ser 
supremo e divino,dá sentido à vida, fortalece a fé e, com isso, o poder de superação é 
aumentado, trazendo refrigério frente aos problemas advindos da doença (Gutz & Camargo, 
2013). 
 
O apoio biopsicossocial 
 
Nota-se que, mesmo onde muitos pacientes conseguem por si só realizar seu próprio 
cuidado, a família atua como apoio no processo do cuidado. Favorecer um espaço de 
convivência onde ele possa receber este apoio integral para o seu tratamento é de suma 
importância para sua recuperação. Assim, é preciso identificar, junto com os familiares, 
formas de ajudar esses indivíduos com feridas crônicas a enfrentar seu sofrimento físico e 
psíquico (Waidman et al., 2011). 
Acredita-se que a fé pode se tornar uma grande aliada para que a pessoa com ferida 
crônica seja assistida de forma participativa. O cuidado das condições crônicas na atenção 
primária à saúde é um imperativo na consolidação da estratégia da saúde da família (OPAS, 
2012). 
31 
A focalização na família impõe considerá-la como uma esfera na qual estão os sujeitos 
da atenção. Para tanto, é importante conhecer os problemas de saúde e necessidades em 
função do contexto físico, econômico e social em que vivem. Em um estudo composto por 32 
pacientes portadores de feridas na perna, avaliados pelo instrumento WHOQOL-Bref, o 
domínio do ambiente foi o que apresentou menor pontuação no que se refere às condições de 
moradia e apoio que se recebe dos amigos (Savassi, 2010). 
Em uma pesquisa desenvolvida pelo Ambulatório de Especialidades do Hospital 
Universitário Regional de Maringá (HURM), na qual 12 idosos com feridas crônicas foram 
entrevistados, os resultados demonstram que há perda da autoestima, dor, deficit na qualidade 
do sono, inaptidão para o trabalho, vergonha e constrangimento para se relacionar 
socialmente, levando à propensão de problemas de ordem emocional (Waidman et al., 2011). 
Os efeitos do preconceito prejudicam o processo saúde-doença e têm sido bastante 
estudados pela psicologia, quando associados ao processo de enfrentamento diante das 
situações adversas. Esse enfrentamento, tradução da expressão coping, é conceituado como o 
conjunto de estratégias utilizadas pelas pessoas para adaptarem-se a circunstâncias adversas. 
Sua função é a de administração da situação estressora, em vez de controle ou domínio da 
mesma. 
 
Considerações finais 
 
Diante das observações e reflexões deste estudo, percebe-se que ser acometido por 
uma ferida causa no indivíduo idoso sentimentos de tristeza e baixa autoestima. No entanto, a 
pesquisa pretendeu mostrar que, embora as feridas crônicas possam perdurar por vários anos, 
causando na pessoa profunda tristeza, a prática religiosa, a espiritualidade e a fé podem 
sustentar e alimentar a esperança de cura nesses indivíduos. Isso leva a inferir que os 
participantes da pesquisa desenvolveram práticas religiosas e espirituais que fortaleceram sua 
fé, ajudando-os a superar os desafios advindos do processo de adoecimento. 
Conforme os objetivos propostos nesta pesquisa, foi perceptível a presença da 
religiosidade no dia a dia dos entrevistados, servindo como fonte de apoio, o que levou à 
reflexão quanto à importância que é dada à crença, à espiritualidade e à fé no percurso da 
doença, apesar de algumas dificuldades acerca dos desafios experimentados no processo 
patológico apresentadas pelos participantes. Notou-se que a fé é um dos componentes no 
auxílio, no enfretamento e na superação de desafios advindos da doença, e que a associação 
positiva da religiosidade ajuda-os na diminuição dos impactos psicológicos provenientes do 
32 
processo de envelhecimento integrado ao adoecimento. Com isso, é possível estimular na 
população uma visão positiva do que é o envelhecimento, sem descriminação, principalmente 
no momento de fragilidade de cunho patológico crônico, conscientes que a religiosidade, a 
espiritualidade e a fé constituem ferramentas importantes para o enfretamento de doenças. 
Neste contexto, ressalta-se a importância fundamental do apoio necessário para as 
pessoas portadoras de feridas crônicas, para que ocorra o respeito, a colaboração e, 
principalmente, o cuidado que elas requerem no difícil convívio com a doença. Por esse 
motivo, pode-se dizer que as crenças religiosas e espirituais cumprem esse papel, uma vez que 
representam o estímulo e o condicionamento interno indispensável para a superação da 
exclusão causada pela doença. A autoaceitação da condição de vida é um dos princípios que 
norteia o estar do homem sobre a terra, portanto, a partir daí, a qualidade de vida passa a ser 
uma realidade possível. 
 
Referências 
 
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__________________________________________ 
Abdoulaye Coulibaly - Médico pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. 
Mestrando do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Gerontologia da Universidade 
Católica de Brasília. couli2004@hotmail.com 
 
Vicente Paulo Alves - Doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São 
Paulo. Diretor e professordo Programa de Pós-Graduação em Gerontologia (Mestrado) da 
Universidade Católica de Brasília. tutorvicente@ucb.br 
 
mailto:couli2004@hotmail.com
mailto:tutorvicente@ucb.br
34 
REFERÊNCIAS 
 
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WAIDMAN, M. A. P. et al. O cotidiano do indivíduo com ferida crônica e sua saúde 
mental. Texto Contexto Enferm., Florianópolis, v. 20, n. 4, p. 691-699, out.-dez. 
2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/tce/v20n4/07.pdf>. Acesso em: 19 
mar. 2014. 
 
 
 
 
35 
ANEXO - Parecer Consubstanciado CEP 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
36 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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40 
APÊNDICE A - Roteiro de entrevista semiestruturada, identificação e perfil 
social 
 
 
Data:___/___/___ Horário: início ________ término___________ 
 
IDENTIFICAÇÃO: 
Nome: _______________________________ 
Idade: ____________________________sexo: M ( ) F ( ) 
Estado civil: __________________ Profissão: ___________________________ 
Escolaridade: ______________________________ 
 
41 
APÊNDICE B - Eixo Temático da entrevista semiestruturada 
 
 
Idoso 
Experiência religiosa 
Enfrentamento social e de fé 
Religião e espiritualidade como fonte de apoio 
Força para superar a dor física e emocional decorrentes da sua doença 
Prática religiosa e espiritual importância para superar a sua dor 
Cotidiano após o surgimento das feridas 
Impactos psicológicos em decorrência das feridas 
Apoio biopsicossocial por parte da sua família, amigos 
Preconceito e as lesões cutâneas 
Prática religiosa ou espiritual e a cura 
Fé e o aparecimento da ferida 
Feridas e ansiedade 
Esperança na cura 
 
42 
APÊNDICE C - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 
 
 
O(A) senhor(a) está sendo convidado(a) a participar da pesquisa intitulada: 
AS CRENÇAS RELIGIOSAS E ESPIRITUAIS DO IDOSO NO ENFRENTAMENTO 
DOS DESAFIOS ADVINDOS DAS FERIDAS CRÔNICAS. 
Conversaremos sobre questões relacionadas a lesões cutâneas crônicas, 
espiritualidade e religiosidade, por meio de entrevista semiestruturada. É para esses 
procedimentos que o(a) senhor(a) está sendo convidado(a) a participar, o que muito 
contribuirá para a avaliação desses temas. 
Sua participação nesta pesquisa é voluntária e o sigilo de todas as 
informações oferecidas é garantido; elas serão utilizadas apenas para fins de 
pesquisa. Os resultados da pesquisa podem ser apresentados por meio de veículos 
impressos, em eventos acadêmicos ou outros meios de divulgação científica. 
Caso o(a) senhor(a) tenha qualquer dúvida em relação à pesquisa, pode me 
procurar por meio do telefone (77) 9999-2726 ou pelo e-mail 
couli2004@hotmail.com. 
Este projeto foi revisado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da 
Universidade Católica de Brasília. 
Este documento foi elaborado em duas vias, uma ficará com o pesquisador 
responsável pela pesquisa e a outra com o(a) senhor(a). 
Caso algo não esteja claro, pergunte-me a qualquer momento que explicarei 
novamente. 
 
 _________________________ ____________________________ 
 Assinatura do(a) participante Abdoulaye Coulibaly 
 
 
 
________________________ 
Orientador 
 
mailto:couli2004@hotmail.com
43 
APÊNDICE D - Transcrição das entrevistas 
 
 
IDENTIFICAÇÃO: 
Nome: Idoso 1 
Idade: 72 anos Sexo: Masculino 
Estado civil: casado Profissão: Aposentado 
Escolaridade: Analfabeto 
 
1- Experiência religiosa 
Graças a Deus sou da Igreja Católica. Eu agradeço muito a Deus pela minha fé e 
por ter me acompanhado sempre. Sem a graça de Deus eu hoje não era mais vivo. 
Então eu agradeço a Deus em primeiro lugar. Sou religioso, vou na igreja, assisto a 
missa, ajudo rezar, ajudo com meus irmãos com muito prazer, fé, esperança, amor 
e paz. 
 
2- Religião e espiritualidade como fonte de apoio 
Graças a Deus acredito que é Deus quem conforta. 
 
3- Ferida crônica, incômodo. 
Já me incomodou bastante, porque me prejudicou muito e foi muito complicado 
para minha vida, mas, graças a Deus hoje eu já estou muito feliz e agradeço muito 
a Deus pelas pessoas que me acompanharam e que me ajudaram. Gastei muito e 
ainda gasto até hoje, mas sempre agradeço as pessoas que me ajudou bastante 
aqui e as de São Paulo. Agradeço de coração. 
 
4- Ferida 
Esse problema começou de um jeito que eu nem seu dizer como. Foi um caso tão 
complicado na minha vida, que só Deus é quem sabe como tem acontecido 
comigo. Eu era saudável, não tinha problema algum na perna. Esse problema foi 
assim, eu deitei a noite e quando foi no outro dia eu já amanheci com esse 
problema sem achar um lugar para ficar. Aí depois eu fui ao médico em São Paulo 
várias vezes e o médico não descobria nada, fazia exame e não dava nada. Aí 
agora representou como uma pólvora dentro da minha perna, acidente de uma 
44 
queimadura de pólvora. Depois eu fui pra Cachoeira de São Felix, lá eles fizeram 
um trabalho lá, disseram que foi uma sujeira que fizeram em mim. Eu era saudável, 
que tão aprovado que nem no meu sangue nunca deu doença, nada, outro 
problema eu não tenho. Então desse tempo pra cá eu comecei a seguir o médico. 
Fui pra São Paulo, tenho os documentos dos médicos. Eu tinha 18 anos, eu fiz 
acompanhamento, primeiro documento que eu fui pra São Paulo na Santa Casa eu 
tenho guardado em casa. Desse tempo pra cá eu passei como médico fui tratando 
em São Paulo, eu já fui lá umas quatro vezes, fiz duas cirurgias plásticas, desse 
tempo pra cá fizeram aquela limpeza que tirou o lugar aí graças a Deus e hoje eu 
posso dizer que já estoucurado. Agradeço muito a Deus. 
Uso a que O Dr. Coulibaly passou para mim. E o médico de São Paulo sempre 
passava, pois eu tenho o meu médico lá e quando eu venho de lá eu vou nele aqui. 
Hoje eu estou usando a que ele mandou para eu usar, um remédio, estou usando o 
complexo “B”, AAS esse é para o sangue não engrossar, aí ele mandou eu ficar 
uns dias parado, agora ele vai ver que remédio vai passar para mim. 
Vou sempre. Nunca descuidei. Eu nunca descuidei de mim desde a época de São 
Paulo pra cá, nunca falhei. Sempre dou assistência, a vida toda. 
 
5- Força para superar a dor física e emocional decorrentes da sua doença. 
Graças a Deus, em primeiro lugar, eu jurei e peço a Deus nosso Senhor Jesus 
Cristo, nossa mãe Maria Santíssima e todos os Santos do céu que foram quem me 
socorreram e está me valendo, que é a única coisa na vida que eu enxergo é Deus 
na minha frente. É meu tratamento que sem Deus eu não era ninguém hoje. 
 
6- Prática religiosa e espiritual importância para superar a dor e doença. 
Graças a Deus eu espero com muita fé, que se Deus quiser eu vou ficar liberado, 
em vista do que eu já tive, hoje pode dizer que eu não estou sentindo mais nada. 
Dor não sinto, graças a Deus. É muito importante ter fé e ir na igreja. 
 
7- Mudanças no cotidiano com surgimento das feridas. 
Bom, depois, o que mudou foi isso, depois a pessoa está sadia e cai numa 
condição dessa, quer dizer quer dizer que isso faz, perde o lado da força de 
vontade da pessoa trabalhar, né? Que eu sou uma pessoa da roça, nasci na roça, 
até hoje eu trabalho graças a Deus, criei a família com oito filhos, um morreu de 
45 
acidente, mas graças a Deus hoje os outros estão vivos e sadios e isso para mim já 
é uma benção de Deus que agradeço de coração o que Deus me deu. Houve 
muita mudança. 
 
8- Impactos psicológicos em decorrência das feridas. 
Eu pensava muito assim, só que tinha hora que, eu pensava assim até eu falava 
assim, louvado seja Deus. Uma pessoa assim como eu para cair numa situação 
dessa, mas só que acima daquela aflição, daquela tristeza eu só ajoelhava e pedia 
a Deus, Deus é mais do que tudo, Deus é poderoso, eu estando com Deus pra 
mim não está faltando nada. Graças a Deus estou aqui hoje e não me atingiu. 
 
9- Apoio biopsicossocial por parte da família, amigos. 
Tive apoio de minha família, depois de casado tive apoio da minha esposa, que até 
hoje graças a Deus me acompanha, meus filhos tudo é um coração só comigo. Eles 
fazem tudo na vida comigo que for preciso fazer. Os amigos do mesmo jeito. 
 
10- Preconceito devido à presença das lesões cutâneas. 
Ah, isso aí muita gente fala, muita gente tem. Falam que isso não tem cura, que 
não tem jeito. Que eu estava em São Paulo era porque não tinha mais jeito e que 
eu iria acabar morrendo. Aí enchia de fuxico, e isso o mundo tem de fartura. É 
conversa perdida, mas graças a Deus eu sempre estou com Deus, que eu acredito 
que só iria morrer no dia que Deus marcar. O dia que eu nasci foi ele que marcou o 
dia de terminar minha vida, também é ele quem sabe do dia, né? Então essa 
grande fé que eu tenho, que várias pessoas dessas, muitas pessoas dessas que 
andou falando, já morreu há muitos anos e eu estou vivo, graças a Deus. E não dou 
preço pra esses que comentam. 
 
11- Prática religiosa ou espiritual e cura. 
Eu espero em Deus que a prática de Deus é quem cura, que se Deus não me curar 
ninguém cura, né? 
 
12- Fé e o aparecimento da ferida. 
Minha fé cada vez está aumentando, 90%, e assim uma coisa que eu nunca perco 
é a esperança. É assim sob aflição que eu já passei uma situação tão difícil na 
46 
minha vida, mas a fé é tão grande em Deus, que graças a Deus eu tenho fé em 
Deus e eu peço a ele para todos os meus irmãos em cima da terra e todas as 
crianças do mundo inteiro, eu rezo todo dia por todo mundo, eu entro na igreja, 
assisto a missa e agradeço a Deus por hoje está vivo e agradeço por todos os 
meus irmãos do mundo inteiro. Quero amor, saúde e paz para o mundo todo. 
 
13- Feridas e ansiedade. 
Já deixou muito ansioso, bastante, graças a Deus já saiu pela fé grande que eu no 
meu coração já saiu a tristeza, graças a Deus. 
 
14- Fé e cura 
Graças a Deus tem esperança que hoje eu posso dizer que graças a Deus eu 
espero que já estou recebendo a graça de Deus pela cura. 
 
15- Dor física. 
Eu sentia dores que dentro de um ano eu não dormia trinta noites, dentro de um 
ano. Eu sentia tantas dores. Mesmo assim eu ia para a roça trabalhar, tinha dia que 
eu pegava a ferramenta e eu não aguentava trabalhar. Chagava na roça, colocava 
a ferramenta lá e deitava, quando era meio dia eu levantava e ia embora de tantas 
dores e hoje graças a Deus fiz todo o tratamento nesse meio de mundo, e tudo que 
eu venho passando, graças a Deus sobre a dor da perna e hoje, deito pra mim e 
parece que nem existe mais a perna. 
 
IDENTIFICAÇÃO: 
Nome: Idoso 2 
Idade: 80 anos Sexo: Feminino 
Estado civil: Solteira Profissão: Aposentada 
Escolaridade: Analfabeta 
 
1- Experiência religiosa. 
Sou seguidora de Deus. 
 
2- Religião e espiritualidade como fonte de apoio. 
Sim, considero sim. A religião apoia e a fé em Deus. 
47 
3- Ferida crônica, incômodo. 
A ferida tem me incomodado muito, essa ferida tem me incomodado muito, mas 
agora estou me sentindo melhor. 
 
4- Ferida 
Como que descobriu? Aí agora eu tinha essa ferida, foi de um corte de lenha, 
quando eu fui cortar a lenha, pelejando com um filho doente em cima da cama, 
doente, fui apanhar uma lenhazinha à tarde e eu na peleja para apanhar uma água. 
Pela tarde fui apanhar uma lenha e por derradeiro apanhei a lenha, quando eu 
peguei a lenha o derradeiro pau que eu cortei tinha uma ponta pequena, que feriu 
com a pontinha, só senti a furada só que não saiu sangue, aquilo não saiu nada. É 
isso ai, quando depois Deus ajudou que ficou melhor mais um pouco, aí agora com 
quinze dias, aí agora esse pé arruinou, ficou inchado, esse pé piorou, piorou, fiquei 
quase quinze dias sem poder movimentar nada. Deus ajudou que ele já tinha 
melhorado. Deus ajudou que estava me socorrendo viu, que ele estava me 
socorrendo, mas, vou dizer uma coisa para você, eu tenho cuidado, eu tenho 
cuidado mesmo comigo. 
Agora que eu estou usando curativo. Eu usava assim direto que eu sempre ia fazer 
curativo, mas sempre fazendo curativo e sempre que fazia estou quase sentindo 
melhora, pois agora arruinou. Foi uma filha de Deus que me guiou, foi que eu vim 
para cá. E agora tem que vejo o médico com frequência há seis meses. 
 
5- Força para superar a dor física e emocional decorrentes da doença. 
Procuro a Deus e procuro a Deus que tudo pode. 
 
6- Prática religiosa e espiritual para superar a dor. 
Justamente é isso que me conforta. 
 
7- Mudanças no cotidiano com surgimento das feridas. 
Mudou graças a Deus que esse pé aqui era inchado e não movimentava esse dedo 
eu mexia aqui já sentia um negócio doendo aqui. Ficou sem eu poder fazer as 
coisas, agora que Deus me ajudou é que eu estou labutando e fazendo umas 
coisinhas dentro de casa graças a Deus, né? Não consigo mais labutar como antes. 
 
48 
8- Impactos psicológicos em decorrência das feridas. 
Ficamos pensando, NE, que fica pensando, penso assim ainda penso o filho doente 
né? Isso tudo mexe com a minha cabeça. 
 
9- Apoio biopsicossocial por parte da família, amigos. 
Família, dos amigos e estranhos também. 
 
10- Preconceito devido à presença de lesões cutâneas. 
Quem é que sabe, né? Ninguém sabe não, um fala uma coisa, outro fala outra, eu 
não sei se é ou não. 
 
11- Prática religiosa ou espiritual e cura. 
É Deus ajudando, né? Quem pega com Deus ajuda. Quem pratica a fé Deus ajuda. 
 
12- Fé e o aparecimento da ferida. 
Aumentou, mais, né? Porque tem que apegar com Deus, né? Pra Deus abençoar, 
né? 
 
13- Feridas e ansiedade. 
A ferida não tem jeito, tem dias que eu fico ansiosa

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