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NOÇÕES INTRODUTÓRIAS CPC

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NOÇÕES INTRODUTÓRIAS DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL
CPC: serve para regular as relações travadas nas ações judiciais cíveis. Todos os processos judiciais cíveis que tramitam no território nacional adotam suas disposições. 
Com o declarado intuito de buscar maior agilidade da Justiça, enfrentando os processos judiciais em menor tempo, o Código de Processo Civil brasileiro de 1.973 (CPC 73) deu lugar a um novo diploma legislativo, vigente desde março de 2016. Portador de inúmeras e auspiciosas mudanças, mas que não conseguirá, sozinho, resolver o problema da crise da Justiça. Segundo relatórios divulgados pelo CNJ, os principais litigantes no Brasil são entes públicos – INSS, Fazenda Nacional, Estado do Rio Grande do Sul, União etc. – que não possuem o interesse de acelerar a tramitação dos processos em que estão envolvidos.
· Tornar mais efetiva a tutela jurisdicional, reduzindo o tempo de duração dos processos e o número de sentenças proferidas pelos juízes, tendo em vista que o código estimula a solução alternativa de conflitos.
As principais reformas promovidas pelo CPC podem ser divididas em três categorias: 
1. Estímulo à mediação e à conciliação
Objetiva criar a cultura do acordo.
No início do processo, insere uma audiência de mediação e conciliação de realização quase obrigatória – só não ocorrerá se ambas as partes manifestarem, expressamente, seu desinteresse ou se estiverem presentes direitos indisponíveis no caso –, em que se buscará a solução do conflito por meio de acordo.
O CPC obriga a utilização de conciliadores capacitados, treinados em técnicas de conciliação, o que irá melhorar, certamente, a qualidade do serviço e a eficácia do método. 
2. Coletivização do julgamento de demandas originalmente individuais
O legislador brasileiro, por meio das ações coletivas, como a ação civil pública, tentou agrupar casos semelhantes, que tratam da mesma situação jurídica, em um único processo. Desse modo, em vez de trabalhar inúmeros casos, o Poder Judiciário pode resolver a questão de uma vez só. No entanto, nosso sistema permite que sejam propostas ações individuais, tanto quanto forem os indivíduos lesados, mesmo que já tenha sido proposta uma ação coletiva. Desse modo, a ação coletiva não substitui as individuais; é apenas mais uma.
Em vez de tentar agrupar os casos antes do ingresso no Judiciário, o Código possui instrumentos de reunião dos processos já ajuizados, para que sejam julgados de uma só vez, de forma isonômica. Essa técnica – aqui, chamada de coletivização do julgamento de demandas originalmente individuais – é realizada, nos tribunais superiores, por meio do recurso extraordinário (STF) e do recurso especial (STJ) repetitivos. Já nos tribunais locais, é realizada pelo Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas. A questão controvertida é julgada uma vez só, e a decisão é aplicada em todos os processos que possuam o mesmo objeto. A justiça é prestada de forma mais rápida, se comparada com o julgamento individualizado de milhares de casos iguais.
3. Aumento do número de precedentes obrigatórios
Tradicionalmente, as decisões de tribunais brasileiros não têm a mesma força da lei. Os juízes não estão compelidos a seguir, nos casos futuros, aquilo que se decidiu, em casos passados, nos tribunais hierarquicamente superiores, como acontece na Inglaterra ou nos EUA. Não obstante a controvérsia doutrinária a respeito da constitucionalidade desse sistema,1 o CPC 2015 tenta mudar esse cenário, criando uma lista de precedentes com eficácia vinculante, especialmente aqueles oriundos dos tribunais superiores e dos órgãos especiais dos tribunais locais. A finalidade dessa alteração é obrigar os juízes a decidirem de acordo com a jurisprudência de instâncias superiores e, dessa forma, evitar recursos. Essa é outra grande mudança cultural, que vai impactar a vida de advogados e juízes, cuja formação profissional deu-se em sistema distinto.
Crise da justiça brasileira
· Número excessivo de processos em tramitação. 
Formas de enfrentamento na crise da justiça
· Jurisprudência defensiva e reformas legislativas.
Apostas do novo CPC para o enfrentamento da crise na justiça por excesso de demanda
· coletivização do julgamento de demandas originalmente individuais; 
· sistema de precedentes. 
· adoção de métodos autocompositivos.
Objetivos do novo CPC
· simplificar o sistema recursal; 
· propiciar um processo civil mais célere e justo; 
· harmonizar o processo civil com a constituição e 
· buscar a satisfação efetiva das partes por meio da mediação e da conciliação.
Novo Código Processual Civil 
· Primeiro código processual brasileiro elaborado em período democrático.
NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO CIVIL
O legislador decidiu incluir um capítulo inicial no CPC 2015 com três propósitos:
1. Estabelecer princípios gerais que devem pautar a interpretação e a aplicação da lei processual pelos operadores do direito, deixando clara a observância das garantias constitucionais do processo;
2. Demonstrar sua opção pela solução consensual dos conflitos, estimulando o emprego – prévio ou incidental ao processo – dos chamados métodos alternativos de solução de conflitos; 
3. Indicar a abrangência a ser conferida na aplicação de algumas garantias do processo, como isonomia, contraditório, duração razoável e motivação das decisões judiciais.
· Nesse sentido, o capítulo destinado às Normas Fundamentais serve de diretriz e de base para todos os outros capítulos e livros do Código. 
Uma mudança estrutural importante introduzida pelo novo CPC foi o estímulo ao uso de mecanismos autocompositivos de solução de conflitos, como a mediação e a conciliação.
Tribunal multiportas
Nós advogados temos sido muito limitados no que se refere à solução de conflitos. Tendemos a considerar os tribunais os naturais, óbvios – e únicos – solucionadores de conflitos. Na verdade, existe uma rica variedade de métodos que podem solucionar conflitos de forma bem mais efetiva. Frank Sander (1976)
· triagem; 
· formação nas faculdades de Direito; 
· estímulo legal ou judicial;
Estados Unidos
· American Bar Association – Comissão de ADR; 
· Washington, Tulsa e Houston (1985); 
· triagem (tribunal, Bar’s Lawyer Referral and Information Service); 
· mediação obrigatória (1987) e 
· semana de acordos (1987).
Argentina 
· Lei nº 24.573/1995 – descongestionar o Poder Judiciário; 
· estímulo aos métodos de solução consensuais de conflito (1991): 
· mediação comunitária e escolar; 
· mediação incidental facultativa e sugerida; 
· divulgação na mídia; 
· intercâmbio com especialistas americanos;
· constitucionalidade da Lei – decisão da Corte Suprema de Justicia de la Nación (2001) e 
· Lei nº 26.589/2010
Inglaterra 
· Civil Procedure Rules (1998); 
· Court Case Management; 
· Stay Order ou Mediation Order; Rule 44.4 e 
· Caso Cable & Wireless v IBM UK Ltd. – cláusula de mediação.
Brasil 
II Pacto Republicano de Estado (2009): 
· visa fortalecer a mediação e a conciliação, estimulando a resolução de conflitos por meios autocompositivos, voltados à maior pacificação social e menor judicialização.
Brasil – Resolução 125 CNJ (2010) 
· institui a política pública de tratamento adequado de conflitos; 
· define o papel do CNJ como o organizador dessa política perante o Judiciário;
· impõe a criação, pelos tribunais, de centros de solução de conflitos e cidadania; 
· regulamenta a atuação do mediador e do conciliador e 
· define o conteúdo programático mínimo para a capacitação de mediadores conciliadores.
Criação de duas novas leis 
· Novo CPC – (Lei nº 13.105/2015) e 
· Nova Lei de Medicação (Lei nº 13.140/2015)
Novo CPC: sistema multiportas 
· centros de mediação; 
· profissionais capacitados e remunerados; 
· confidencialidade e 
· obrigatoriedade (art. 334, § 8º).
Princípio do contraditório
· ciência prévia; 
· audiência bilateral; 
· diálogo entre as partes e o juiz e 
· direito de defender-se por meio de prova.
Liminares e vedação às decisões – surpresa
“Art. 9º. Não se proferirá decisão contrauma das partes sem que ela seja previamente ouvida. 
Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica: 
I – à tutela provisória de urgência;
II – às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos II e III; 
III – à decisão prevista no art. 701 (tutela monitória).
“Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.”
PRINCIPAIS ALTERAÇÕES NAS MODALIDADES DE INTERVENÇÃO DE TERCEIRO
No art. 138, o Código regulamentou a participação do amicus curiae. Para maior eficácia do contraditório, criou-se o incidente de desconsideração da personalidade jurídica, que possibilita a intervenção provocada do sócio (ou da empresa, na desconsideração inversa). Fora do Título III, destinado às modalidades de intervenção de terceiros, o CPC 2015 disciplina a possibilidade de substituição do réu, em caso de ilegitimidade passiva ad causam, sem implicar na extinção do processo.
Amicus curiae
A Lei da ADIN (9.868/99) introduziu a figura do amicus curiae no processo brasileiro. Por sua vez, o CPC 2015 estendeu a possibilidade de participação processual do amicus curiae a todas as ações judiciais. Por conseguinte, na forma do artigo 138 do CPC, o juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a manifestação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de quinze dias da sua intimação. Ao inserir o amicus curiae entre as hipóteses de intervenção de terceiros, o CPC 2015 acabou com a antiga discussão a respeito de sua natureza, tendo em vista que, para alguns autores, tratava-se de mero colaborador do juízo, e não parte interveniente. Para sua admissão no processo, deve estar presente relevante interesse público, como fato de projeção ultra partes dos efeitos da decisão judiciária. O amicus curiae visa auxiliar a tomada de decisão juridicamente correta e politicamente adequada
O CPC 2015 amplia a possibilidade de utilização do amicus curiae nos processos subjetivos, e não só no controle concentrado de constitucionalidade, na edição de súmula vinculante ou uniformização de jurisprudência. O art. 138 do NCPC permite, expressamente, essa modalidade de intervenção de terceiro desde que haja, no caso, especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia. Por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento, o juiz admitirá a manifestação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de quinze dias da sua intimação. Como pressuposto subjetivo, é necessário que o candidato a ingressar no processo como amicus curiae apresente especialização no tema de relevância para a causa e demonstre possuir representatividade adequada, isto é, entre os especialistas da área, é visto como referência, possuindo legitimidade e credibilidade para opinar representando a classe de profissionais, cientistas etc. Os poderes do amicus curiae não são irrestritos, mas delimitados pelo julgador na decisão que solicitar ou admitir a sua intervenção. O CPC deixa a critério do juiz a forma de manifestação, se será veiculada por petição, em audiência, por meio da produção de provas etc. (§ 2o )
Além disso, no exame de admissibilidade, o juiz levará em conta o pressuposto objetivo: presença de interesse público na demanda, como fato de projeção ultrapartes. De acordo com o Enunciado nº 395 do Fórum Permanente de Processualistas Civis (FPPC), os referidos pressupostos são alternativos e não necessariamente cumulativos e, nesse sentido, Eduardo Talamini conclui que “tanto a sofisticação da causa quanto sua importância ultra partes pode autorizar, por si só, a intervenção”.20 A intervenção do amicus curiae não altera a competência e só permite, no âmbito recursal, a oposição de embargos de declaração e a interposição de recurso contra decisão que julgar incidente de demandas repetitivas. O CPC não limita o pedido de ingresso como amicus curiae a um determinado momento do processo, de modo que o requerimento pode ser realizado a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição. 21 A decisão que inadmite a intervenção do amicus curiae comporta impugnação por meio de agravo de instrumento (art. 1.015, IX, c/c art. 138, que veda a interposição de recurso no caso de admissão da intervenção).
Incidente de desconsideração da personalidade jurídica
· desconsideração da personalidade jurídica e desconsideração inversa (art. 133, § 2º); 
· hipóteses de cabimento (art. 28, CDC e art. 50 CC); 
· legitimidade para requerer a instauração do incidente (art. 133) e 
· procedimento e recurso cabível (art. 134 a 136).
PODERES DO JUIZ E CONVENÇÕES PROCESSUAIS
 Ao mesmo tempo em que se ampliam os poderes do juiz, com a disposição contida nos incisos do art. 139, reforça-se a possibilidade de as partes convencionarem sobre direitos processuais – estritamente processuais ou procedimentais. Historicamente, as reformas legislativas no âmbito do processo revelaram-se causadoras do incremento da participação do juiz no processo ou das partes, mas não de ambos. O processo dito liberal entregava às partes a sua condução, o que acarretou a sua pejorativa qualificação como coisa das partes. Já o processo social ou publicista, observado a partir do final do século XIX – especialmente, em virtude do Código austríaco de 1895 –, transferiu ao juiz a condução do processo e, para tanto, alargou seus poderes. 
O art. 139 do CPC 2015 contém seis novos incisos se comparado com seu equivalente (art. 125) do CPC 1973. Além de incumbir-lhe assegurar às partes igualdade de tratamento, velar pela duração razoável do processo, prevenir ou reprimir ato contrário à dignidade da justiça e promover, a qualquer tempo, a autocomposição, compete igualmente ao juiz indeferir postulações meramente protelatórias (parte final do inciso III), determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária (inciso, IV), dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos meios de prova, adequando-os às necessidades do conflito de modo a conferir maior efetividade à tutela do direito (inciso VI), exercer o poder de polícia, requisitando, quando necessário, força policial, além da segurança interna dos fóruns e tribunais (inciso VII), determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal das partes, para inquiri-las sobre os fatos da causa, hipótese em que não incidirá a pena de confesso (inciso VIII), determinar o suprimento de pressupostos processuais e o saneamento de outros vícios processuais (inciso IX) e quando se deparar com diversas demandas individuais repetitivas, oficiar o Ministério Público, a Defensoria Pública e, na medida do possível, outros legitimados a que se referem o art. 5º da Lei no 7.347, de 24 de julho de 1985, e o art. 82 da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, para, se for o caso, promover a propositura da ação coletiva respectiva (inciso X). Entre as novidades, destacam-se três incisos. O inciso IV amplia os poderes coercitivos do juiz, permitindo-lhe um juízo discricionário na opção pelo meio executivo mais adequado – e atípico –, capaz de garantir o cumprimento de ordem judicial, isto é, de dar efetividade à execução independentemente da natureza da obrigação (de fazer, de não fazer, de dar ou pecuniária). Essa nova norma tem sido objeto de grande discussão doutrinária – e ferrenhas críticas23 –, mormente por já ter sido utilizada como fulcro para decisões que, para alcançar o cumprimento de obrigações, suspenderam o uso pelo devedor de sua Carteira Nacional de Habilitaçãoe confiscaram seu passaporte.24 A aplicação desses meios executivos atípicos tem sido objeto de análise pelo STJ, que, por sua vez, vem se manifestando no sentido de que a grande maioria das medidas são lícitas e possíveis, desde que esgotados os meios típicos de satisfação do crédito, observando os critérios da adequação e da razoabilidade. 25 Além disso, a Corte Superior entendeu que, para a utilização destes métodos, é necessária uma decisão fundamentada, que apresente as especificidades do caso em concreto, devendo ser observado também o contraditório substancial.26 Não obstante, a Terceira Turma do STJ já proferiu decisão no sentido de que a quebra de sigilo bancário com o objetivo de satisfazer interesse particular, notadamente a satisfação de um crédito, é mitigação desproporcional de direitos fundamentais e, por isso, é descabida a sua utilização como medida atípica.27 As discussões em torno desse dispositivo resultaram na propositura da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5.941, sob o fundamento de que essas medidas atípicas violariam a proporcionalidade e restringiriam liberdades em razão de dívida civil. O inciso VI permite ao juiz flexibilizar prazos, dilatando-os, e alterar a ordem de produção dos meios de prova, adequando-os às necessidades do conflito de modo a conferir maior efetividade à tutela do direito. Durante o processo legislativo, o referido dispositivo chegou a possuir redação que concedia largos e discricionários poderes de flexibilização procedimental ao juiz. No entanto, em razão da reação dos estudiosos do processo, receosos com a carta branca que se outorgava, o legislador recuou e limitou a possibilidade de flexibilização a prazos e provas.28 No entanto, o inciso VI parece-me desnecessário, em virtude do disposto nos art. 223 (dilatação de prazos) e art. 361 (ordem da produção de provas em audiência), que já permitem ao juiz a adaptação do procedimento ao caso concreto pretendida pelo art. 139. O último inciso do art. 139 também não dispõe sobre ato o qual o juiz, antes da reforma, não poderia praticar. Já era lícito ao juiz, deparando-se com inúmeras demandas individuais versando sobre a mesma questão, oficiar ao Ministério Público, à Defensoria Pública ou a outros legitimados à propositura de ação civil pública com o escopo de sugerir sua propositura. O CPC apenas estimula essa conduta do juiz. Além desse dispositivo, há outra opção conferida ao juiz para o enfrentamento das inúmeras demandas que tratam de interesses individuais homogêneos e que congestionam o juízo: expedição de ofício sugerindo a instauração de Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (art. 977).
TUTELA PROVISÓRIA
A tutela jurisdicional é a proteção estatal decorrente de uma provocação dos jurisdicionados por meio da propositura de uma ação. No entanto, a proteção é conferida apenas àqueles cujas pretensões estão agasalhadas pelo direito material. Nesse sentido, para a sua concessão é imprescindível que se descubra – por meio dos fundamentos e das provas – que o postulante tem direito e é merecedor da tutela. Desse modo, em regra, presta-se a tutela jurisdicional após ultrapassadas as etapas do procedimento e obtida a chamada cognição exauriente, isto é, um grau elevado de certeza sobre as pretensões trazidas à apreciação do Poder Judiciário, que permite a tomada de decisão com segurança. Essa é a tutela definitiva, concedida na sentença. No entanto, por vezes, uma pretensão não se pode sujeitar ao trâmite natural de uma demanda, já que a demora processual pode ocasionar ou agravar um dano ou até levar ao perecimento do direito que se busca ver protegido. Além disso, em alguns casos, o direito pode estar evidenciado em momento anterior à sentença e, embora não presente a urgência na concessão da proteção, não faria sentido aguardar mais tempo para tutelar o direito do autor. Nesse sentido, para que a tutela jurisdicional seja eficaz quanto ao resultado esperado, é imprescindível que o titular da posição jurídica de vantagem possa se valer dos mecanismos aptos a assegurar não somente a tutela formal de seu direito como também proteção real, capaz de proporcionar-lhe, na medida do possível, a mesma situação que lhe adviria caso houvesse o adimplemento espontâneo da norma pelo devedor. Com isso, a tutela é concedida antes da obtenção da certeza, em cognição apenas sumária. Essa é a tutela provisória. Tutela provisória é toda proteção concedida antes da sentença, em cognição sumária, o que a torna instável, precária e incapaz de ser acobertada pela imutabilidade de efeitos da coisa julgada. O juiz pode alterá-la em qualquer momento, se, submetido a uma cognição mais aprofundada, perceber que a decisão tomada em cognição sumária não deve prevalecer, já que a pretensão inicialmente protegida não era merecedora de tutela segundo as normas de direito material. Dessa forma, a tutela provisória visa garantir o acesso à justiça efetivo e tempestivo, evitando perecimento de direitos (tutela antecipada) e garantindo o resultado útil do próprio processo (tutela cautelar).
Tutela provisória versus tutela definitiva
Sistematização
Espécies, fundamentos e formas

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