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A EFETIVIDADE NA SIMBIOSE ENTRE O GCOC E O GAECO NO COMBATE ÀS

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POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS 
ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR 
CENTRO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Elias Alves Dantas 
 
 
 
 
 
 
A EFETIVIDADE NA SIMBIOSE ENTRE O GCOC E O GAECO NO COMBATE ÀS 
ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS, BEM COMO O FORTALECIMENTO DA PMMG 
NA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Belo Horizonte 
2020 
 
 
 
Elias Alves Dantas 
 
 
 
 
 
 
 
 
A EFETIVIDADE NA SIMBIOSE ENTRE O GCOC E O GAECO NO COMBATE ÀS 
ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS, BEM COMO O FORTALECIMENTO DA PMMG 
NA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL 
 
 
 
Monografia apresentada ao Curso de 
Especialização em Segurança Pública 
(CESP) do Centro de Pesquisa e Pós-
Graduação da Academia de Polícia Militar 
de Minas Gerais, como requisito parcial 
para obtenção do título de Especialista em 
Segurança Pública. 
 
Área de concentração: Segurança Pública 
Orientador: Ten Cel PM Wesley Rodrigues 
Rosa 
 
 
 
 
 
 
 
Belo Horizonte 
 2020 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 D192e Dantas, Elias Alves 
 A efetividade na simbiose entre o GCOC e o GAECO no 
 combate as organizações criminosas, bem como o 
 fortalecimento da PMMG na investigação criminal / Elias 
 Alves Dantas. Belo Horizonte, 2020. 
 135 f.: il. 
 
 Inclui bibliografias: f. 116-123. 
 Monografia (Especialização em Segurança Pública) - 
 Academia de Polícia Militar de Minas Gerais, Centro de 
 Pesquisa e Pós-Graduação. 
 Orientação: Wesley Rodrigues Rosa. 
 
1. Investigação Criminal. 2. Grupo de Combate a 
 Organizações Criminosas (GCOC). 3. Ministério Público. 
 4. Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime 
 Organizado (GAECO ). I. Rosa, Wesley Rodrigues (orient.). 
 II. Academia de Polícia Militar de Minas Gerais. III. Centro 
 de Pesquisa e Pós-Graduação. IV. Título. 
 
 CDU – 343.1:351.75(815.1) 
 Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais 
 Rita Lucia de Almeida Costa CRB6/1730 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico a conclusão deste trabalho 
científico à minha esposa e filhos, pelo 
apoio e amor imensurável em suprir minha 
ausência no seio da família durante todo o 
ano de 2020 e oferecer-me serenidade nos 
momentos em que me destinei à 
monografia, na busca por vencer mais um 
obstáculo na carreira policial militar. 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço a Deus pela benção em me oferecer uma família tão querida e 
compreensível, capaz de absorver minhas dificuldades e garantir o amor necessário 
para transformar as dificuldades na força motriz rumo à vitória. 
Ao meu orientador Sr. Ten Cel PM Wesley Rodrigues Rosa, que ofereceu 
ferramentas fundamentais na elaboração e consolidação da presente pesquisa, vindo 
a transformá-la no estudo cientifico necessário para a conclusão do CESP 2020. 
Ao meu amigo Cap PM Isaías Cardoso da Silva Junior, que disponibilizou 
horas de conversas, que me proporcionaram conduzir a pesquisa com clareza e 
serenidade. 
Às autoridades entrevistadas nesta pesquisa e Chefes de GCOC’s que 
dividiram o conhecimento necessário e permitiram ao pesquisador ampliar a 
maturidade no entendimento da relação de simbiose entre a PMMG e o MP, 
propiciando a elaboração científica da pesquisa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, 
mas não chegará a ti. Somente com os teus 
olhos comtemplarás, e verás a recompensa 
dos ímpios. 
(SALMO 91, 7-8) 
 
 
 
RESUMO 
 
A presente pesquisa teve por objetivo estudar a Efetividade na simbiose entre o Grupo 
de Combate a Organizações Criminosas da Polícia Militar de Minas Gerais (GCOC) e 
o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), bem como 
o Fortalecimento da PMMG na Investigação Criminal. Desse modo, apresentou-se o 
problema de pesquisa e como forma de nortear o estudo científico formulou-se o 
seguinte questionamento: Tem sido efetivo o trabalho do GCOC junto ao GAECO no 
combate às Organizações Criminosas, bem como o fortalecimento da Investigação 
Criminal realizada em apoio ao Ministério Público, pela Policia Militar no desempenho 
das suas atividades através do GCOC? Nesse sentido, para responder a pesquisa 
inicialmente tratou-se do conceito de ‘Efetividade’ para o contexto do trabalho 
proposto. Na sequência buscou-se a temática Organizações Criminosas e seus 
aspectos conceituais, a evolução histórica concernente à legislação brasileira que 
aborda o assunto e seus mecanismos de combate ao Crime Organizado, bem como 
o avanço do cangaço ao novo cangaço como Organização Criminosa. Em outro 
passo, tratou-se das Instituições Polícia Militar de Minas Gerais e o Ministério Público 
Mineiro, posteriormente abordou a articulação do Estado no combate às Organizações 
Criminosas, através da simbiose existente entre a Polícia Militar e o Ministério Público, 
e por derradeiro apresentou o poder investigativo deste egrégio órgão e sua 
ferramenta de investigação conhecida como Procedimento Investigatório Criminal. 
Como método de pesquisa utilizou o hipotético-dedutivo, com base na formulação da 
hipótese a partir do problema definido na pesquisa. A metodologia utilizada no 
presente trabalho monográfico foi de natureza descritiva, com a abordagem mista, ou 
seja, tanto qualitativa quanto quantitativa, através de questionários e entrevistas na 
coleta de dados do trabalho de campo. A pesquisa seguiu o procedimento documental 
e bibliográfico, calcando o Referencial Teórico em fontes bibliográficas, com base em 
estudos científicos identificados em documentações impressas e eletrônicas, através 
de revistas científicas, artigos, monografias, dissertações e teses, de livros e obras 
dos mais variados autores, bem como a legislação nacional afeta ao tema de 
pesquisa, a Carta Magna e a Constituição Mineira. Em conclusão, constatou-se que 
os objetivos geral e específicos foram plenamente atendidos, de forma que resultado 
obtido impõe a constatação de que a simbiose entre o GCOC e o GAECO é 
claramente efetiva, tendo em vista a relação de trabalho e a alta produtividade fruto 
da atuação de tais Instituições, bem como o fortalecimento da PMMG na Investigação 
Criminal. 
 
Palavras-chave: Investigação Criminal. Ministério Público. Organizações Criminosas. 
Polícia Militar. Simbiose. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
This research aimed to study the Effectiveness in the advantageous association 
between the Group for Combating Criminal Organizations from the Military Police of 
Minas Gerais (GCOC) and the Special Action Group for Combating Organized Crime 
(GAECO), as well as the Military Police of Minas Gerais (PMMG) enhancement in 
criminal investigation. Therefore, this research problem, seen as the way of guiding 
this scientific study, was presented as the following question: The work of GAECO 
together with GCOC has been effective, as well as the enhancement of criminal 
investigation carried out by military police supporting the public prosecutor's office in 
the endeavour of its activities. In this sense, to answer the research question, it was 
initially defined the concept of "Effectiveness" for this research context. In the 
sequence, if it was studied the issues related to criminal organizations and its 
conceptual aspects, the historical evolution concerning the brazilian legislation that 
addresses this questionand its mechanisms to fight organized crime, as well as the 
advance of the term "cangaço" to "novo cangaço" as a criminal organization. In another 
step, is was addressed the Institutions: Military Police of Minas Gerais and Public 
Prosecutor's Office of Minas Gerais, later it was analized the state articulations in the 
war against criminal organizations throught the symbiosis existing between the military 
police and the public prosecutor's office, and finally it was presented the investigative 
power of this egregious institution and its investigation tool know as "Procedimento 
Investigatório Criminal" (PIC). As a research, it was used the hypothetical-deductive 
method, based on the formulation of the hypothesis from the defined problem. The 
methodology used in this monographic work was the descrptive nature method with 
mixed approach, that is, both qualitative and quantitative, through questionnaires and 
interviews obtained from the fieldwork data collection. The research followed the 
documentary and bibliographic procedure approached to the theoretical reference in 
bibliographic sources, based on scientific studies identified in paper and electronic 
documentation, through scientific journals, articles, monographs, dissertations and 
theses, books and works written by the most varied authors, as well as national 
legislation related to this research, the "Magna Carta" and the state constitution. In 
conclusion, it was found that the general and specific objectives were fully met, so that 
the result obtained imposes the observation that the symbiosis between the GCOC 
and GAECO is clearly effective, having in mind the working relationship and the high 
productivity achieved by the this institutions performance, as well as the enhancement 
of the PMMG in criminal investigation. 
 
Keywords: Criminal Investigation. Public Prosecutor's Office. Criminal Organizations. 
Military Police; Symbiosis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE GRÁFICOS 
 
Gráfico 1 – Tempo de serviço no GCOC, que possuem os militares Chefes da 
atividade .................................................................................................................. 74 
Gráfico 2 – Ano em que foi criado cada GCOC ........................................................ 75 
Gráfico 3 - GCOC’s que trabalham em conjunto com alguma outra instituição além do 
Ministério Público, no âmbito do GAECO ................................................................. 76 
Gráfico 4 – Atividades realizadas pelo GCOC, no âmbito do GAECO ...................... 79 
Gráfico 5 – Grau de concordância no que diz respeito ao efetivo de cada GCOC, dada 
a demanda de serviços e as funções desenvolvidas no âmbito do GAECO ............. 80 
Gráfico 6 – Instituições que apoiaram na execução das operações de combate às 
Organizações Criminosas orquestradas pelo GCOC-GAECO entre os anos de 2014 a 
2019 ......................................................................................................................... 81 
Gráfico 7 – Número de operações que ocorreram em decorrência da atividade em 
cooperação GCOC-GAECO entre os anos de 2014 e 2019 ..................................... 82 
Gráfico 8 – Número de Mandados de Busca e Apreensão cumpridos em decorrência 
da atividade em cooperação GCOC-GAECO entre os anos de 2014 e 2019 ........... 83 
Gráfico 9 – Número de prisões realizadas em decorrência da atividade em cooperação 
GCOC-GAECO entre os anos de 2014 e 2019 ........................................................ 84 
Gráfico 10 – Contribuição do GCOC na realização do Procedimento Investigatório 
Criminal no GAECO entre os anos de 2014 e 2019 ................................................. 85 
Gráfico 11 – O gráfico aponta se o GCOC aparece descrito nos autos como 
participante do Procedimento Investigatório Criminal no âmbito do GAECO entre os 
anos de 2014 e 2019 ............................................................................................... 87 
Gráfico 12 – O gráfico aponta quanto a existência de questionamento por algum Juiz 
de Direito sobre a participação da PMMG (GCOC) na realização do Procedimento 
Investigatório Criminal no âmbito do GAECO, durante as investigações entre os anos 
de 2014 e 2019 ........................................................................................................ 88 
Gráfico 13 – O gráfico aponta se tais questionamentos chegaram a invalidar/anular 
alguma prova ou algum PIC no âmbito do GAECO durante alguma instrução 
processual sob a responsabilidade do Juiz de direito............................................... 88 
Gráfico 14 – Existência de laboratório Forense (perícia), com foco na análise das 
mídias digitais .......................................................................................................... 91 
 
 
 
Gráfico 15 – Participação do GCOC na composição do laboratório forense ............ 92 
Gráfico 16 – Exclusividade do efetivo que compõe o laboratório forense por apenas 
policiais militares ...................................................................................................... 93 
Gráfico 17 – Contribuição do GCOC junto ao GAECO, para o fortalecimento da PMMG 
na Investigação Criminal .......................................................................................... 96 
Gráfico 18 – Valor estimado em Reais, quanto aos recursos financeiros 
‘sequestrados’, os ‘Acordos de Colaboração Premiada’ e ‘Acordos de Não Persecução 
Penal’, oriundos das operações de combate às Organizações Criminosas 
orquestradas pelo GCOC-GAECO de 2014 a 2019 ................................................. 98 
Gráfico 19 – Destinação dos recursos financeiros citados da questão 15, oriundos das 
Organizações Criminosas, frutos de operações realizadas pelo GCOC-GAECO ... 100 
Gráfico 20 – Relação de trabalho GCOC-GAECO desenvolvida dentro do Ministério 
Público ................................................................................................................... 101 
Gráfico 21 – Grau de satisfação quanto a sensação de cada Chefe de GCOC em 
relação ao trabalho que desempenha no âmbito do GAECO ................................. 102 
Gráfico 22 – Grau de concordância quanto ao aumento do elo de vinculação entre as 
Instituições PMMG e o MP, por intermédio da relação de cooperação, desde a criação 
do GCOC no âmbito do GAECO ............................................................................ 103 
Gráfico 23 – Grau de concordância quanto à Efetividade do trabalho em cooperação 
realizado pelo GCOC e o GAECO, ao se avaliar os resultados obtidos em decorrência 
das operações no combate às Organizações Criminosas entre os anos de 2014 e 
2019 ....................................................................................................................... 105 
 
 
 
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 1 – Quantidade de Procedimentos Investigatórios Criminais em que o GCOC 
teve participação, no âmbito do GAECO .................................................................. 86 
 
 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
ACIT Auto Circunstanciado de Interceptação Telefônica 
BOPE Batalhão de Operações Policiais Especiais 
CAO CRIMO Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado 
CESP Curso de Especialização em Segurança Pública 
CHEM Chefe do Estado Maior 
CF Constituição Federal 
CGMP Corregedor Geral do Ministério Público 
CNMP Conselho Nacional do Ministério Público 
CNPG Conselho Nacional dos Procuradores Gerais 
CP Código Penal 
CPP Código de Processo Penal 
CV Comando Vermelho 
DEPEN Departamento Penitenciário 
Diest Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da 
Democracia 
DInt Diretoria de Inteligência 
GAECO Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado 
GAECO-S Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado-
SedeGCOC Grupo de Combate a Organizações Criminosas 
GCOCMG Grupo de Combate a Organizações Criminosas de Minas Gerais 
GCOC-R Grupo de Combate a Organizações Criminosas-Regional 
GNCOC Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas 
IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada 
LCO Lei do Crime Organizado 
MBA Mandando de Busca e Apreensão 
MG Minas Gerais 
MP Ministério Público 
MPMG Ministério Público de Minas Gerais 
ONU Organização das Nações Unidas 
PC Polícia Civil 
 
 
 
PCMG Polícia Civil de Minas Gerais 
PCC Primeiro Comando da Capital 
PGJ Procurador Geral de Justiça 
PGR Procurador Geral da República 
PIC Procedimento Investigatório Criminal 
PM Polícia Militar 
PMMG Polícia Militar de Minas Gerais 
PRF Polícia Rodoviária Federal 
RE Recurso Extraordinário 
RRCM Regimento Regular de Cavalaria de Minas 
RPM Região de Polícia Militar 
SEDS Secretária de Estado de Defesa Social 
SEJUSP Secretária do Estado de Justiça e Segurança Pública 
STF Supremo Tribunal Federal 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 15 
2 CONCEITO DE “EFETIVIDADE” NO CONTEXTO DAS AÇÕES DO ESTADO NO 
COMBATE ÀS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS ................................................... 19 
3 ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS ......................................................................... 24 
3.1 ASPECTOS CONCEITUAIS .............................................................................. 24 
3.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA QUANTO À LEGISLAÇÃO CONCERNENTE ÀS 
ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS ............................................................................. 27 
3.3 DO CANGAÇO AO NOVO CANGAÇO .............................................................. 34 
3.4 A QUEBRA DO PODERIO ECONÔMICO CRIMINOSO, COMO FORMA DE 
COMBATER O CRIME ORGANIZADO .................................................................... 38 
3.4.1 Sequestro de bens móveis e imóveis .......................................................... 38 
3.4.2 Acordo de Colaboração Premiada ............................................................... 40 
3.4.3 Acordo de Não Persecução Penal ............................................................... 42 
4 INSTITUIÇÕES DO ESTADO NO ENFRENTAMENTO ÀS ORGANIZAÇÕES 
CRIMINOSAS .......................................................................................................... 45 
4.1 A POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS .......................................................... 45 
4.2 O MINISTÉRIO PÚBLICO .................................................................................. 49 
5 A ARTICULAÇÃO DO ESTADO NO COMBATE ÀS ORGANIZAÇÕES 
CRIMINOSAS .......................................................................................................... 52 
5.1 A SIMBIOSE POLÍCIA MILITAR E MINISTÉRIO PÚBLICO ............................... 52 
5.2 O PODER INVESTIGATIVO DO MINISTÉRIO PÚBLICO .................................. 58 
5.3 O PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO CRIMINAL ......................................... 60 
6 METODOLOGIA ................................................................................................... 67 
7 APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS ... 73 
7.1 QUESTIONÁRIOS E ENTREVISTAS ................................................................ 73 
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 110 
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 116 
APÊNDICE “A” – QUESTIONÁRIO DIRECIONADO A TODOS OS CHEFES DE 
GCOC’S DA POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS ........................................... 124 
APÊNDICE “B” – ROTEIRO DE ENTREVISTA COM O DIRETOR DE 
INTELIGÊNCIA DA POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS ................................ 131 
 
 
 
APÊNDICE “C” – ROTEIRO DE ENTREVISTA AO PROMOTOR DE JUSTIÇA – 
COORDENADOR DO GAECO UBERLÂNDIA 2014 - 2019 .................................. 134 
15 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A Polícia Militar de Minas Gerais é uma Instituição bicentenária prestadora 
de serviços de Segurança Pública, consolidada no contexto histórico nacional. Nesses 
duzentos e quarenta e cinco anos de história, a corporação tem passado por 
constantes transformações, procurando amoldar-se à evolução e ao dinamismo 
social. 
Nesse diapasão, insere-se o constante trabalho de combate à 
criminalidade, bem como às organizações criminosas, que a passos largos evolui 
diuturnamente, refina a forma de atuação e inserção na vida da sociedade ordeira, 
afetando diretamente a qualidade de vida do cidadão mineiro, trazendo notável reflexo 
tanto no convívio social, quanto no modo como o Estado opera no combate ao crime. 
O presente estudo de pesquisa terá seu delineamento no âmbito do Estado 
de Minas Gerais capaz de oferecer ao cidadão ferramentas de combate ao crime, em 
seu mais alto grau de requinte e organização, cometido pelas organizações 
criminosas, as quais têm expandido tanto no cenário estadual, quanto nacional. 
A pesquisa irá debruçar sobre os resultados das operações realizadas e, 
não obstante, fazer cumprir a lei, com as prisões dos detratores, identificação dos 
delitos ora cometidos pelas Organizações Criminosas e o seu desmantelamento ao 
desentranhar condutas delituosas das mais complexas atividades ilegais, na busca 
de informações quanto às ações direcionadas em “quebrar” o poderio econômico, 
através do impacto nos recursos financeiros ilícitos das Organizações Criminosas, 
na medida em que tais operações direcionam esforços no sequestro de bens e 
recursos financeiros, bem como os acordos de colaboração premiada e de acordos 
de não-persecução penal apresentados como fruto das operações realizadas. 
Nessa premissa, diante do problema de pesquisa delimitou-se 
geograficamente ao Estado de Minas Gerais, considerando que a presente pesquisa 
tem o condão de buscar compreender a efetividade nos locais onde realizada a 
atividade de cooperação entre o Grupo de Combate a Organizações Criminosas 
(GCOC) da Polícia Militar de Minas Gerais, no trabalho em conjunto com Grupo de 
Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público 
de Minas Gerais, no combate às Organizações Criminosas, bem como o 
fortalecimento da PMMG na Investigação Criminal. 
16 
 
 
Para tanto, buscar-se-á os resultados obtidos nas ações envolvendo o 
trabalho em conjunto desenvolvido pelas duas instituições, no período compreendido 
entre 2014 e 2019, partindo-se da criação dos GAECO’s Regionais, bem como os 
GCOC’s, que somados ao GAECO Sede e ao GCOC Central, totalizam atualmente 
13 (treze) GAECO’s/GCOC’s em funcionamento pelo Estado Mineiro. 
Diante da realidade do cenário de Minas Gerais, após delimitar o estudo 
proposto, o tema foi estabelecido da seguinte forma: A efetividade na simbiose entre 
o GCOC e o GAECO, no combate às Organizações Criminosas, bem como o 
fortalecimento da PMMG na investigação criminal. 
Sendo assim, este estudo se sustentará pelo fato do referido assunto ser 
de relevância institucional e pautar-se no rol de interesse da PMMG para a devida 
investigação, o qual se encontra elencado dentre os temas designados pela 
Academia de Polícia Militar para o CESP 2020, após avaliação de tema a tema pelo 
Alto Comando da Polícia Militar Mineira1. 
Nesse mister, a pesquisa proposta terá o amparo na busca pelo estudo 
científico, em acompanhar a dinâmica criminal atual e trazer à baila o complexo 
combate às Organizações Criminosas, desenvolvido por Minas Gerais, por intermédio 
da PMMG trabalhando em cooperação com o Ministério Público Estadual, através de 
ações desenvolvidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime 
Organizado (GAECO), descentralizado estrategicamente por todo o Estadoem 
regionais desde 2014, as quais possuem vinculação com o GAECO sede em Belo 
Horizonte, que já existe na capital do Estado desde o início da década de 2000. Está 
inserido em cada GAECO Mineiro a atuação conjunta do Grupo de Combate a 
Organizações Criminosas – GCOC da PMMG, conforme regulamentação vigente, em 
comum acordo entre a Polícia Militar e o Ministério Público. 
Diante desse labor em conjunto realizado pela Polícia Militar e o Ministério 
Público de Minas Gerais, a justificativa será consolidada em contribuir para o fiel 
entendimento dessa simbiose entre as instituições, a qual tem a capacidade de render 
resultados significativos dada a amplitude de suas ações, não só no campo da 
Investigação Criminal, assim como, a atividade de planejamento e execução das 
 
1 Ato de designação de Oficiais e Temas para Monografia CESP 2020, assinado pelo Chefe do Estado 
Maior da Polícia Militar de Minas Gerais, Coronel PM Marcelo Fernandes, como requisito para a 
conclusão do CESP, realizado pelo Centro de Pesquisa e Pós-graduação (CPP), (MINAS GERAIS, 
2020b). 
17 
 
 
operações promovidas pelo GAECO e o GCOC no combate às Organizações 
Criminosas entre os anos de 2014 e 2019, sendo escolhido esse período por se tratar 
do marco inicial para a ampliação dos Grupos a partir da Cooperação firmada entre 
as Instituições no Estado. 
Seguindo esse raciocínio, o presente trabalho acadêmico, terá como 
objetivo geral: avaliar a efetividade na simbiose entre o GCOC e o GAECO no combate 
às Organizações Criminosas, desenvolvido pela Polícia Militar e o Ministério Público, 
bem como o fortalecimento da PMMG na Investigação Criminal, e assim, nesse 
contexto, procurou-se também atender os seguintes objetivos específicos: 
a) Analisar a forma de atuação do GCOC em cooperação com o GAECO 
no Estado de Minas Gerais; 
b) Analisar o fortalecimento da Investigação Criminal realizada pelo GCOC, 
enquanto integrante da estrutura de apoio ao GAECO; 
c) Pesquisar e analisar os resultados do trabalho realizado em conjunto 
pelo GCOC e o GAECO em todo o Estado de Minas Gerais, nas regiões onde existam 
as parcerias entre a PMMG e o MPMG voltadas para o combate às Organizações 
Criminosas. 
Diante dos objetivos da pesquisa, a hipótese básica será de que o trabalho 
em cooperação realizado pelo GCOC e o GAECO tem trazido resultados efetivos no 
combate à criminalidade organizada, bem como proporcionado o fortalecimento da 
PMMG no campo da Investigação Criminal. As hipóteses secundárias foram definidas 
abaixo: 
O elo entre a Polícia Militar de Minas Gerias e Ministério Público Estadual 
aumentou consideravelmente, desde a vinculação das Instituições por intermédio do 
GAECO e do GCOC, no tocante ao combate às Organizações Criminosas. 
O fruto do trabalho em cooperação entre a PMMG o MP, realizado pelo 
GCOC e o GAECO, tem garantido expressivo número de prisões, ao considerar as 
investigações desdobradas no tocante às operações desenvolvidas. 
O GCOC tem aprimorado seu poder investigativo em apoio ao GAECO 
desde sua implantação, até os dias de hoje, locupletando a produção de prova. 
Para alcançar os objetivos e a pertinência das hipóteses o presente estudo 
terá sua estrutura definida em oito seções, a partir desta introdução, os quais são 
discriminadas a seguir. 
18 
 
 
Na seção 02 contemplará o conceito de Efetividade para o contexto do 
estudo que se propõe, como forma de identificar claramente o tema da presente 
pesquisa. 
Na seção 03 terá o estudo concernente às Organizações Criminosas, 
buscando seus aspectos conceituais de relevância para a pesquisa, bem como a 
evolução histórica da legislação pertinente ao assunto. Será devidamente 
aprofundado a evolução do cangaço como Organização Criminosa e sua vinculação 
com o chamado novo cangaço, terminologia comumente utilizada em Organizações 
voltadas para as práticas delituosas na atualidade. 
Na seção 04 ter-se-á a abordagem às Instituições do Estado de Minas 
Gerais abrangidas pelo presente estudo cientifico, como forma de serem entendidas 
quanto à criação e atual função pública, capazes de combater o Crime Organizado. 
Na seção 05 tratar-se-á da articulação no combate às Organizações 
Criminosas, com enfoque na simbiose entre a Polícia Militar, o Ministério e o Público. 
Será tratado também o Poder Investigativo do MP, bem como o Procedimento 
Investigatório Criminal, como atividade investigativa realizada por esse Egrégio 
Órgão. 
 Na seção 06 será procedida a apresentação de questões atinentes à 
metodologia da pesquisa, com definições capazes de definir o ‘Norte’ deste estudo 
acadêmico. 
Na seção 07 serão apresentadas as ferramentas, como questionários e 
entrevistas, utilizadas para a viabilidade do correto conteúdo a ser identificado para a 
concatenação da análise e interpretação dos dados coletados. 
Finalmente, na oitava e última seção, serão realizadas as Considerações 
Finais, onde todo o estudo proposto tem seu fechamento com assertivas capazes de 
levar o leitor a entender o caminho traçado desde o ponto de partida, até seu 
destinatário final, com conclusões vinculadas ao alcance dos objetivos pretendidos. 
Após as Considerações Finais, ter-se-á as Referências, e três Apêndices, 
nos quais apresentam o modelo de questionário e o roteiro de entrevistas utilizados 
durante a pesquisa. 
 
19 
 
 
2 CONCEITO DE “EFETIVIDADE” NO CONTEXTO DAS AÇÕES DO ESTADO NO 
COMBATE ÀS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS 
 
O embasamento teórico da pesquisa tem-se como um dos pilares de sua 
fundamentação o estudo sobre conceitos da Teoria Geral da Administração e do 
Direito Administrativo, no âmbito do entendimento a respeito de critérios importantes 
para a mensuração e análise da Gestão Pública, quais sejam, a eficiência, eficácia e 
efetividade, no que tange ao trabalho de Segurança Pública desenvolvido pela Polícia 
Militar de Minas Gerais por intermédio do Grupo de Combate a Organizações 
Criminosas (GCOC), em cooperação com o Grupo de Atuação Especial de Combate 
ao Crime Organizado (GAECO) como representante do Ministério Público Estadual, 
no combate às Organizações Criminosas. 
É de suma importância ressaltar a abordagem teórica no campo da 
administração pública para que se possa entender o significado da terminologia 
“EFETIVIDADE”, disposta no tema deste estudo monográfico, por considerar o reflexo 
direto desse seu contexto quanto ao objeto da presente proposta, qual seja, tratar da 
efetividade na simbiose entre o GCOC e o GAECO no combate às Organizações 
Criminosas, desenvolvido pela Polícia Militar e o Ministério Público, bem como o 
fortalecimento da PMMG na investigação criminal. 
Para tanto, tem-se o delineamento da pesquisa com amparo nos 
estudiosos que tratam do conceito de “efetividade”, voltado para o modelo gerencial 
da gestão da administração pública e seus reflexos na realidade atual, com o foco em 
demonstrar a relevância de se propiciar um serviço público de qualidade à sociedade, 
em meio à aplicação dos recursos que o Estado dispõe no combate às Organizações 
Criminosas, como, por exemplo, a Polícia Militar e o Ministério Público na utilização 
de suas ferramentas, como o GCOC e o GAECO, os quais levam ao caminho a ser 
percorrido pelo objetivo do presente estudo. 
Nesse mister, ao buscar entendimento na Carta Magna, tem-se ancorado 
em seu art. 37, o seguinte preceito mandamental: 
 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios 
obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, 
publicidade e eficiência [...] (BRASIL, 1988). 
 
20 
 
 
A redação do caput deste artigo trouxe inovação em 1998, momento em 
que foi criada a Emenda Constitucional nº 19, e aduz a ampliação, dentre os princípios 
já existentes, o da eficiência voltado para a administração pública.Tal informação, 
conforme aclara Carvalho Filho (2019, p. 107), arremete a necessidade de se buscar 
o entendimento da gestão pública gerencial2 diante do cenário nacional consoante à 
alteração no texto constitucional, que de acordo com o referido Projeto da citada 
Emenda, eficiência tem a denominação de “qualidade do serviço prestado”. Assevera 
ainda o autor citado que: 
 
Nenhum órgão público se tornará eficiente por ter sido a qualificada 
como princípio na Constituição [...], o que precisa haver é a busca dos 
reais interesses da coletividade e o afastamento dos interesses 
pessoais dos administradores públicos (CARVALHO FILHO, 2019, p. 
108). 
 
 
Nessa ótica, tem-se o aprofundamento do estudo científico ao destrinchar 
as conceituações de eficiência, eficácia e também da efetividade. Com isso, pode-se 
absorver o que de fato o tema proposto almeja alcançar. Aduz Carvalho Filho (2019, 
p. 108, grifo nosso), ao lecionar que: 
 
A eficiência não se confunde com a eficácia nem com a efetividade. A 
eficiência transmite sentido relacionado ao modo pelo qual se 
processa o desempenho da atividade administrativa; a ideia diz 
respeito, portanto, à conduta dos agentes. Por outro lado, eficácia tem 
relação com os meios e instrumentos empregados pelos agentes no 
exercício de seus misteres na administração; o sentido aqui é 
tipicamente instrumental. Finalmente, a efetividade é voltada para os 
resultados obtidos com as ações administrativas; sobreleva nesse 
aspecto a positividade dos objetivos. 
 
 
Afirma ainda Carvalho Filho (2019, p. 110) que, o desejo é que tais 
instrumentos possam caminhar simultaneamente, no entanto, uma conduta 
administrativa pode vir a se desenvolver mesmo sem o acompanhamento do outro, 
 
2 Para Chiavenato a “administração pública gerencial caracteriza - se fundamentalmente pela eficiência 
dos serviços prestados a milhares, senão milhões, de cidadãos”, e em ato continuo o mesmo autor 
afiança que “o princípio administrativo fundamental é o da efetividade, entendido como a capacidade 
de ver obedecidas e implementadas com segurança as decisões tomadas” (CHIAVENATO, 2012, p. 
116). 
 
21 
 
 
como, por exemplo, admitir que condutas mesmo eficientes e eficazes possam acabar 
por não alcançar os resultados desejados; em consequência, serão despidas de 
efetividade. 
Segue na mesma vertente Castro (2006, p. 3), ao afirmar que a reforma 
administrativa com o advento da gestão pública gerencial, com vistas a superar o 
modelo burocrático de gestão, tem de fato como marco legal a alteração no artigo 37 
da Carta Magna, promovido pela Emenda Constitucional nº 19 de 04 de junho 1998, 
ao afirmar que o princípio da eficiência pode permitir entendimento amplo, o que “faz 
necessária a verificação dos tradicionais conceitos de eficiência, eficácia e de outro 
mais novo, a efetividade”. 
Chiavenato (2012, p. 153) aclara que “não raro, as pessoas confundem os 
termos eficiência, eficácia e efetividade”, daí a necessidade de abordar esses três 
conceitos e destaca-los a seguir: 
 
A eficácia consiste em fazer a coisa certa (não necessariamente da 
maneira certa). Assim, está relacionada ao grau de atingimento do 
objetivo”, de forma a chegar ao resultado almejado. Noutro 
entendimento, Chiavenato estabelece que o “conceito de eficiência 
relaciona-se com a maneira pela qual fazemos a coisa. É o como 
fazemos, o caminho, o método”. Por conseguinte, a “efetividade 
ressalta o impacto, na medida em que o resultado almejado (e 
concretizado) muda determinado panorama, cenário”, vindo o autor, 
por conseguinte, a afiançar que “na ponta da linha, a efetividade ocorre 
quando um produto ou serviço foi percebido pelo usuário como 
satisfatório” (CHIAVENATO, 2012, p. 153-154, grifo do autor). 
 
 
Já no entendimento de Torres (2004, p. 175), o entendimento de eficiência, 
eficácia e efetividade traduz-se nos seguintes aspectos: 
 
Eficiência: aqui, mais importante que o simples alcance dos objetivos 
estabelecidos é deixar explícito como esses foram conseguidos. 
Existe claramente a preocupação com os mecanismos utilizados para 
obtenção do êxito da ação estatal, ou seja, é preciso buscar os meios 
mais econômicos e viáveis, utilizando a racionalidade e busca 
maximizar os resultados e minimizar os custos, ou seja, fazer o melhor 
com menores custos, gastando com inteligência os recursos pagos 
pelo contribuinte. 
Eficácia: basicamente, a preocupação maior que o conceito revela, se 
relaciona simplesmente com o atingimento dos objetivos desejados 
por determinada ação estatal, pouco se importando com os meios e 
mecanismos utilizados para atingir tais objetivos. 
22 
 
 
Efetividade: é o mais complexo dos três conceitos, em que a 
preocupação central é averiguar a real necessidade e oportunidade de 
determinadas ações estatais, deixando claro que setores são 
beneficiados e em detrimento de que outros atores sociais. Essa 
averiguação da necessidade e oportunidade deve ser a mais 
democrática, transparente e responsável possível, buscando 
sintonizar e sensibilizar a população para a implementação das 
políticas públicas. Este conceito não se relaciona estritamente com a 
ideia de eficiência, que tem uma conotação econômica muito forte, 
haja vista que nada mais impróprio para a administração pública do 
que fazer com eficiência o que simplesmente não precisa ser feito. 
 
 
Sendo assim, conforme explicita Torres (2004), tem-se a reflexão de que 
ao seguir os passos da eficiência busca-se a preocupação de como o objetivo foi 
atingido, enquanto a eficácia se traduz basicamente no próprio atingimento do objetivo 
proposto, não importando a preocupação de que forma se chegou a ele, já na 
efetividade a conceituação tem o enfoque na qualidade do resultado atingido pelo 
objetivo. 
No tocante à inserção dos indicadores de desempenho de avaliação da 
administração pública, verificados pela ação estatal como atividade avaliativa, a partir 
da reforma gerencial do Estado sob a percepção de Silva (2015, p. 112), permitiu 
incluir “o conceito de resultado ao arcabouço da Nova Gestão Pública”. 
 Sendo assim, destaca ainda Silva (2015, p. 12), que “novas práticas de 
monitoramento e avaliação de políticas públicas estão sendo desenvolvidas no intuito 
de sustentar a Gestão Pública com informações concretas e que sejam capazes de 
alavancar a eficiência, eficácia e efetividade”. 
Nesse contexto, nova contribuição traz Silva (2015, p. 45) ao asseverar que 
efetividade se traduz na capacidade de produzir efeito, decorrente de uma realidade 
existente, e garante ainda que: 
 
Em termos governamentais verifica-se a relação entre os resultados 
da intervenção sobre a população-alvo (impactos observados) e os 
objetivos pretendidos (impactos esperados). Busca estabelecer a 
relação de causalidade entre as variáveis do programa e os efeitos 
observados. [...] examina-se, além do cumprimento de objetivos 
imediatos (metas de produção ou de atendimento), se os resultados 
observados foram realmente causados pelas ações desenvolvidas e 
não por outros fatores (SILVA, 2015, p. 45). 
 
 
23 
 
 
Em ato contínuo, na próxima seção serão abordados os aspectos 
conceituais sobre as Organizações Criminosas, bem como a evolução histórica 
concernente à legislação que trata do assunto proposto, além de aprofundar no 
amparo do ordenamento jurídico vigente, que abarca formas de combate ao Crime 
Organizado, através do impacto em quebrar o poderio econômico de tais atividades, 
sendo este um dos pilares das Organizações Criminosas. 
 
 
 
24 
 
 
3 ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS 
 
O combate às Organizações Criminosas apresenta-se na atualidade como 
um grande obstáculo que as instituições públicas voltadas para segurança pública 
enfrentam, representam um verdadeiro desafio, com grande poder de crescimento, 
avanço e inserção nas camadas sociais, o que preocupa não só o cidadão ordeiro,como também o próprio Estado enquanto responsável pela garantia da paz, 
manutenção e restauração da ordem pública. 
 
3.1 ASPECTOS CONCEITUAIS 
 
Ao abordar estudiosos com cabedal no assunto, sob a perspectiva de 
Melo3 (2015, p. 18-19), a diferenciação básica dos crimes cometidos pelas 
Organizações Criminosas, tidos como especiais, dos crimes cotidianos ou de rua, 
dá-se pela perspectiva de que aqueles ocorrem de maneira organizada. Nessa ótica, 
o autor aclara a existência de dois tipos de Organizações, sendo elas a “organização 
‘violenta’ e a organização ‘suave’. No conceito amplo, pode haver organização 
criminosa que opera com violência ou sem violência. Entende, ainda, que muitas 
organizações criminosas suaves cometem crimes de colarinho branco. 
Nesse contexto, Mingardi (2007, p. 56), defende que “não é a modalidade 
do crime que define a existência de Crime Organizado”. Destaca o autor que algumas 
características que os diferenciam do crime comum, são: “1 – Hierarquia; 2 - Previsão 
de lucros; 3 - Divisão do trabalho; 4 - Planejamento Empresarial; 5 - Simbiose com o 
Estado”. 
Afirma Mingardi (2007) que nas quatro primeiras características são 
comuns a atividade empresarial moderna e adaptadas pelas Organizações 
Criminosas, no entanto, a quinta é a mais polêmica, pois em todas as organizações 
estudadas aparece uma ligação com a máquina do Estado. 
 
3 Técnico de Planejamento e Pesquisa na Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições 
e da Democracia (Diest-IPEA), o qual realizou a pesquisa oferecida pelo Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada – IPEA. 
25 
 
 
Em ato contínuo, Marçal e Masson (2018, p. 55), asseveram a existência 
de “quatro formas básicas de Organizações Criminosas”, que inclusive havendo a 
possibilidade de tais formas mesclarem entre si, sendo elas as que seguem abaixo: 
 
1. Tradicional (ou Clássicas): Das quais o exemplo mais clássico são 
as máfias. [...] O elemento constitutivo especial das associações de 
tipo mafioso, que as diferenciam daquelas comuns (demais), é a 
existência de uma profunda força intimidatória, de forma autônoma, 
difusa e permanente. 
2. Rede (Network – Rete Criminale – Netszstruktur): Cuja principal 
característica é a globalização. [...] É provisória por natureza, e se 
aproveita das oportunidades que surgem em cada setor e em cada 
local. [...] A Organização Criminosa se forma em decorrência de 
‘indicações’ e ‘contratos’ existentes no ambiente criminal, sem 
qualquer compromisso de vinculação (muito menos em caráter 
permanente), age em determinado espaço territorial favorável [...] (no 
geral em alguns meses) e depois se dilui. [...] Para tanto, são ou se 
valem de agentes públicos de altos escalões, que realizam transações 
financeiras e comerciais que camuflam seu verdadeiro propósito, 
utilizando-se muitas vezes, através de ‘laranjas’, ou testas-de-ferro de 
empresas públicas. 
3. Empresarial: Formada no âmbito de empresas lícitas – licitamente 
constituídas. Nesse formato, também modernamente chamadas de 
Organizações Criminosas, os empresários se aproveitam da própria 
estrutura hierárquica da empresa. Mantém suas atividades primárias 
licitas [...] para secundariamente praticar crimes fiscais, crimes 
ambientais, cartéis, fraudes, [...] (lavagem de dinheiro falsidades 
documentais, materiais ideológicos, estelionatos, etc). 
4. Endógena: Trata-se de espécie de Organização Criminosa que age 
dentro do próprio Estado, em todas as suas esferas – Federal, 
Estaduais e Municipais, envolvendo, [...] Executivo, Legislativo ou 
Judiciário. É formada essencialmente por políticos e agentes públicos 
de todos os escalões [... ] crimes praticados por funcionários públicos 
contra a administração pública (corrupção, concussão, prevaricação, 
etc) [...] Mas também, quase que inevitavelmente outra infrações 
penais como aquelas que se relacionam direta ou indiretamente. 
 
 
Para Mingardi (2007, p. 57) “No nosso país, a cadeia é a grande gestora 
dessas organizações. Foi nela que surgiram o Comando Vermelho (CV), o Primeiro 
Comando da Capital (PCC) e o Terceiro Comando (TC)”. Nesse sentido, Adorno e 
Salla (2007, p. 15) asseveram que: 
 
 
 
 
26 
 
 
A modalidade de criminalidade organizada com sua origem nas 
prisões se formou nos anos 1970 no Rio de Janeiro, experimentando 
rápido crescimento na década seguinte. Em São Paulo, todavia, esse 
processo se expandiu mais tarde, na década de 1990, conquanto 
houvesse sinais de sua existência na década imediatamente anterior. 
 
 
O Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo4 (2007), 
em entrevista publicada com o Delegado da Polícia Federal Getúlio Bezerra Santos, 
traz a seguinte conceituação de Crime Organizado: 
 
Trata-se de crimes de grande potencial ofensivo, praticados por 
grupos criminosos organizados, permanentes ou duradouros, que 
buscam incessantemente vantagem financeira e que debilitam o 
Estado. Esse é apenas um conceito amplo porque não há uma 
definição legal. Acredito que o Brasil deverá acatar as recomendações 
da Convenção de Palermo, da qual é signatário, para melhor tipificar 
o conceito (SÃO PAULO, 2007, p. 100). 
 
 
Assevera Ferro (2006, p. 517), que para conceituar Organização 
Criminosa faz necessária a associação estável dos detratores, de caráter 
permanente, dotada de hierarquia, divisão nas tarefas e estrutura empresarial, 
valendo-se de tecnologia avançada, capaz de causar elevada lesividade social, no 
intuito prioritário de almejar lucro e poder, mediante o uso de meios intimidativos, 
com características territoriais e dotada de vínculos nas relações com outras 
associações ilícitas, além da própria conexão estrutural e funcional com Poder 
Público, destacando também que o crime organizado é a espécie de 
macrocriminalidade perpetrada pela organização criminosa. 
Na ótica de Nucci (2019, p. 3), é indiscutível a relevância da conceituação 
de Organização Criminosa, pois cabe não só a abordagem acadêmica, mas também 
pelo fato de ter sido criado um tipo penal ao longo dos anos, dotado de especificidade 
capaz de punir detratores componentes dessa modalidade de associação criminosa, 
e sendo assim, o referido autor estabelece a conceituação de Organização Criminosa 
como: 
 
 
4 O Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo publicou em 2007 a entrevista 
realizada entre o Instituto e o Delegado da Policia Federal Getúlio Bezerra Santos. Disponível em: 
https://www.scielo.br/pdf/ea/v21n61/a07v2161.pdf. Acesso em: 06 maio. 2020. 
https://www.scielo.br/pdf/ea/v21n61/a07v2161.pdf
27 
 
 
A associação de agentes, com caráter estável e duradouro, para o 
fim de praticar ações penais, devidamente estruturada em organismo 
preestabelecido, com divisão de tarefas, embora visando ao objetivo 
comum de alcançar qualquer vantagem ilícita, a ser partilhada entre 
seus integrantes. [...] Seja qual for o objetivo da Organização 
Criminosa, a sua atuação, em algum ponto e sob determinada 
medida, termina por se sustentar pelo apoio de servidores públicos 
mancomunados e aliciados, integrantes do esquema, direta ou 
indiretamente (NUCCI, 2019, p. 2). 
 
 
 Na próxima seção tratar-se-á da legislação pertinente às Organizações 
Criminosas, dentro do contexto de sua evolução histórica afeta ao ordenamento 
jurídico nacional. 
 
3.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA QUANTO À LEGISLAÇÃO CONCERNENTE ÀS 
ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS 
 
Na busca pelo parâmetro legal quanto à definição de Organizações 
Criminosas, o ordenamento jurídico brasileiro tem esquadrinhado desde seu 
nascedouro enquanto previsão em lei a partir 1995, para tratar do complexo assunto. 
A Lei 9.034 de 03 de maio de 19955 traz a informação de que a 
Organização Criminosa está num mesmo patamar das ações praticadas por 
quadrilha ou bando, entretanto, não elenca a definição para tal modalidade 
criminosa,apenas abarca o cometimento de “crime”, de forma a não contemplar 
também a contravenção penal, como se observa em seu art. 1º - “Esta Lei define e 
regula meios de prova e procedimentos investigatórios que versarem sobre crime 
resultante de ações de quadrilha ou bando” (BRASIL, 1995). 
 Sendo assim, pode constatar claramente que ,em seu conteúdo 
normativo, a citada norma não contempla a definição, nem a tipificação, como forma 
de aprofundar o assunto sobre as Organizações Criminosas. 
Em 11 de abril de 2001, com a promulgação da Lei 10.217, o art. 1º da Lei 
9034 de 1995, passou a vigorar da seguinte forma, “art. 1o - Esta Lei define e regula 
meios de prova e procedimentos investigatórios que versem sobre ilícitos 
decorrentes de ações praticadas por quadrilha ou bando ou organizações ou 
associações criminosas de qualquer tipo", vindo suprimir a palavra ‘crime’ e 
 
5 A Lei Federal nº 9034 de 03 de maio de 1995 foi o primeiro texto normativo no Brasil a abordar o 
complexo e abrangente tema sobre Organização Criminosa. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9034.htm#art1
28 
 
 
acrescentar a palavra ‘ilícito’, de forma a abranger também a contravenção penal, 
além do próprio crime, já previsto desde 1995, contudo, novamente não traz a 
conceituação de Organização Criminosa. 
Em 12 de março de 2004, tem-se a edição do Decreto 5.015, que o 
Governo Federal promulga tratativas sobre a Convenção de Palermo6, ocorrida em 
2000 na cidade de Nova Yorque, ocasião em que ocorrera a Convenção das Nações 
Unidas (ONU), que à época tratou do Crime Organizado Transnacional. 
Nesse diapasão, o referido decreto apresenta a Convenção de Palermo 
e nela traz consigo a seguinte definição: 
 
"Grupo criminoso organizado" - grupo estruturado de três ou mais 
pessoas, existente há algum tempo e atuando concertadamente com 
o propósito de cometer uma ou mais infrações graves ou enunciadas 
na presente Convenção, com a intenção de obter, direta ou 
indiretamente, um benefício econômico ou outro benefício material 
(BRASIL, 2004). 
 
 
Em alinhamento ao segmento jurídico apresentado em 24 de julho de 
2012, a Lei 12.694, dentre suas disposições, busca abarcar, para organização 
criminosa, a definição a seguir: 
 
Art. 2º Para os efeitos desta Lei, considera-se organização criminosa 
a associação, de 3 (três) ou mais pessoas, estruturalmente ordenada 
e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com 
objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer 
natureza, mediante a prática de crimes cuja pena máxima seja igual 
ou superior a 4 (quatro) anos ou que sejam de caráter transnacional 
(BRASIL, 2012). 
 
 
No intento de convergir para a definição de Organização Criminosa, em 2 
de agosto de 2013, tem-se estabelecida a Lei 12.850/13 que além da revogação da 
Lei 9.034 de 1995, aduz em seu escopo: 
 
 
 
6 A Convenção de Palermo ocorrida em Nova Yorque em 2000, é também conhecida como Convenção 
das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, e trouxe em seu texto normativo a 
definição de Organização Criminosa, no entanto não contemplou a tipificação penal para o 
cometimento do delito apresentado na norma (BRASIL, 2004). 
29 
 
 
Art. 1º Esta Lei define organização criminosa7 
[...] 
§ 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) 
ou mais pessoas estruturalmente ordenada8 e caracterizada pela 
divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, 
direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a 
prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 
4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional. 
[...] (BRASIL, 2013). 
 
 
O dispositivo legal citado acima, ao abordar o assunto Organização 
Criminosa, basicamente se diferencia dos demais anteriormente citados pela 
quantidade de autores ao participar da referida associação, bem como a previsão da 
tipificação legal como se pode verificar adiante: 
 
Art. 2º Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por 
interposta pessoa, organização criminosa: 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, sem prejuízo das 
penas correspondentes às demais infrações penais praticadas. 
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de qualquer forma, 
embaraça a investigação de infração penal que envolva organização 
criminosa. 
§ 2º As penas aumentam-se até a metade se na atuação da 
organização criminosa houver emprego de arma de fogo. 
§ 3º A pena é agravada para quem exerce o comando, individual ou 
coletivo, da organização criminosa, ainda que não pratique 
pessoalmente atos de execução. 
§ 4º A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços): 
I - Se há participação de criança ou adolescente; 
II - Se há concurso de funcionário público, valendo-se a organização 
criminosa dessa condição para a prática de infração penal; 
III - Se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, no todo ou 
em parte, ao exterior; 
IV - Se a organização criminosa mantém conexão com outras 
organizações criminosas independentes; 
V - Se as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade da 
organização (BRASIL, 2013). 
 
 
Há que se destacar a situação em que o infrator exerce o comando da 
Organização Criminosa, em que “o ponto fundamental para incidir a agravante é o 
 
7 O art. 1º da Lei 12.850 de 02 de agosto de 2013, estabelece que para a validação quanto a constituição 
de quaisquer Organização Criminosa, exige-se um quantitativo mínimo de 04 integrantes (BRASIL, 
2013). 
8 Para Nucci (2018, p. 4) “não se concebe uma Organização Criminosa sem existir um escalonamento, 
permitindo ascensão no âmbito interno, com chefia e chefiados”, de forma a estabelecer alguma 
hierarquia organizada entre superiores e subordinados. 
30 
 
 
exercício de liderança no contexto da Organização Criminosa” (NUCCI, 2019, p. 31), 
não importando a relevância se a atividade de comando dá-se nas ordens emanadas 
ou no ato de integrar a gestão da Organização. 
Importante ressaltar a conexão entre as Organizações e o caráter da 
transnacionalidade, como previsões de aumento de pena, descrito no dispositivo 
legal acima citado, pois para Nucci (2019, p. 29) tais conexões, permitiram observar 
“nos últimos tempos, o nefasto contato entre Organizações Criminosas de presídios, 
cada uma delas comandando uma facção e uma região do país”. 
A danosidade social é elevada justificando a causa de aumento e a 
transnacionalidade de acordo com Marçal e Masson (2018, p. 91) “o caráter 
transnacional não é elemento inerente a toda e qualquer Organização Criminosa, 
não fazendo parte de sua essência”. 
Tem-se também como aumento de pena o concurso do funcionário 
público, em que para Marçal e Masson (2018, p. 89) dá-se da seguinte forma: 
 
Quando mais profunda a reconfiguração cooptada do Estado 
(infiltração às avessas), tanto maior deverá ser o aumento da 
sanção”, ou seja, leva-se em consideração a utilidade do servidor 
público, no tocante a sua atuação na Organização Criminosa, 
permitindo que se estabeleça vinculação entre a sua atividade 
funcional e a pratica do crime, na busca de se aferir a elevação de 
pena de acordo com o “nível de engajamento do servidor público para 
com a Organização Criminosa”. 
 
 
Necessário faz-se ressaltar a importância da Lei 12.850 de 2013, não só 
para definir e tipificar as Organizações Criminosas, bem como para aduzir os meios 
de obtenção de provas, os quais se apresentaram como ferramentas importantes no 
combate ao Crime Organizado a serem utilizadas durante a persecução penal, de 
acordo com art. 3º da referida Lei, descritos abaixo: 
 
Art. 3º Em qualquer fase da persecução penal, serão permitidos, sem 
prejuízo de outros já previstos em lei, os seguintes meios de obtenção 
da prova: 
I -Colaboração premiada; 
II - Captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou 
acústicos; 
III - Ação controlada; 
31 
 
 
IV - Acesso a registros de ligações telefônicas e telemáticas, a dados 
cadastrais constantes de bancos de dados públicos ou privados e a 
informações eleitorais ou comerciais; 
V - Interceptação de comunicações telefônicas e telemáticas, nos 
termos da legislação específica; 
VI - Afastamento dos sigilos financeiro, bancário e fiscal, nos termos 
da legislação específica; 
VII - Infiltração, por policiais, em atividade de investigação, na forma 
do art. 11; 
VIII - Cooperação entre instituições e órgãos federais, distritais, 
estaduais e municipais na busca de provas e informações de interesse 
da investigação ou da instrução criminal (BRASIL, 2013). 
 
 
Atualmente, o dispositivo legal mais moderno concernente às 
Organizações Criminosas alicerça-se na Lei 13.964/19, conhecida como “Pacote 
Anti-Crime”, que altera alguns dispositivos da Lei, 12.850, além de aperfeiçoar a 
legislação penal e processual penal vigente, com enfoque claro em endurecer o 
ordenamento quanto ao alcance dos criminosos responsáveis por tais delitos. 
Nas palavras de Apolinário e Filippetto (2016), imperioso destacar a 
ascensão na última década da modalidade criminosa organizada conhecida como 
‘novo cangaço’, a qual se manifesta em tomar cidades de pequeno porte, tidas como 
interioranas, para a subtração de grandes volumes de dinheiro de instituições 
financeiras, subjugando a fragilidade das forças policiais presentes naqueles locais, 
valendo-se da violência, caos e terror aplicados nas ações criminosas, por intermédio 
do aparato logístico e o planejamento das ações. 
Dada a evolução das ações do ‘novo cangaço’, tem-se notícia de fatos 
envolvendo essa modalidade de Organização Criminosa, não só em cidades de 
pequeno porte por todo o país, mas também em cidades de médio e grande porte 
como os ataques registrados em cidades localizadas no Estado de São Paulo9 como 
Ribeirão Preto, Campinas e Santos e em Uberaba10 situada em Minas Gerais, dentre 
outras, o que evidencia a ampliação dessa conduta criminosa. 
 
9 No site HNT Hipernotícias foi publicada em 26 de agosto de 2016 matéria que tratou do alcance das 
ações típicas do novo cangaço em vários Estados do país. Disponível em: 
https://www.hnt.com.br/cidades/policia-investiga-participacao-de-cabelo-de-bruxa-em-assaltos-
contra-empresas-de-valores-em-sp/63918. Acesso em: 09 set. 2020. 
10 Conforme matéria publicada no site Estado de Minas, dia 27 de junho de 2019 “bandidos explodem 
banco, fazem reféns e trocam tiros com a PM em Uberaba”. Na matéria cita que em novembro de 
2017, criminosos haviam sitiado a mesma cidade de Uberaba praticando delito semelhante, que na 
ocasião se tratava da empresa de valores RODOBAN. Disponível em: 
https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2019/06/27/interna_gerais,1065067/bandidos-explodem-
banco-fazem-refens-e-voltam-a-aterrorizar-uberaba.shtml. Acesso em: 06 set. 2020. 
https://www.hnt.com.br/cidades/policia-investiga-participacao-de-cabelo-de-bruxa-em-assaltos-contra-empresas-de-valores-em-sp/63918
https://www.hnt.com.br/cidades/policia-investiga-participacao-de-cabelo-de-bruxa-em-assaltos-contra-empresas-de-valores-em-sp/63918
https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2019/06/27/interna_gerais,1065067/bandidos-explodem-banco-fazem-refens-e-voltam-a-aterrorizar-uberaba.shtml
https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2019/06/27/interna_gerais,1065067/bandidos-explodem-banco-fazem-refens-e-voltam-a-aterrorizar-uberaba.shtml
32 
 
 
A onda criminosa conhecida como ‘novo cangaço’, que se iniciou nas 
cidade interioranas e posteriormente se alastrou para cidades maiores pelo Brasil, 
dada a forma de atuação, causando grande pânico, terror e medo, tendo em vista a 
brutalidade e o perigo impostos à sociedade, através das ações de tais Organizações 
Criminosas, ensejou a mudança na legislação penal brasileira, através da criação da 
Lei 13.654 de 23 de abril de 2018, a qual dispõe sobre a alteração do Código Penal 
Brasileiro, no que abrange os crimes de furto qualificado e de roubo que tenha 
envolvimento quanto ao uso de explosivos, bem como a prática de roubo com o 
emprego de arma de fogo, ou que resulte em lesão corporal grave, além de trazer a 
previsão na referida norma, que obrigue as Instituições instalarem dispositivos de 
segurança que permitam a inutilização de dinheiro nos caixas eletrônicos. 
O endurecimento da aplicação da reprimenda penal promovido pelo 
Estado através da Lei 13.654 de 2018, ampliando com maior severidade sua 
intervenção quanto ao furto, aponta para as questões a seguir: 
 
Art. 155. Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: 
 [...] 
§ 4º-A A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se 
houver emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo 
comum. 
[...] 
§ 7º A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se a 
subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, 
conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou 
emprego (BRASIL, 2018). 
 
 
Conforme apresentado acima, as alterações no crime de furto levadas ao 
Código Penal, aclaram a intenção de incluir condutas criminosas que anteriormente 
não haviam previsão na norma penal, em que a pena traz semelhança com a pena 
do roubo simples11, com a previsão de pena de 4 a 10 anos, em se tratando da pratica 
de furto nas situações acima descritas. 
Em se tratando do furto qualificado com emprego de explosivos, para 
Jesus (2020), tem-se o entendimento de que o explosivo se refere a substância ou 
 
11De acordo com o Código Penal Brasileiro o roubo simples tem previsão no art. 157 - Subtrair coisa 
móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de 
havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência: Pena - reclusão, de quatro a 
dez anos, e multa” (BRASIL, 1940). 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art155%C2%A74a
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art155%C2%A77
33 
 
 
material capaz de provocar liberação de grande energia, sendo ele homogêneo 
(fórmula de caráter explosivo como a nitroglicerina) ou heterogêneo (compostos 
quando separados não possuem o caráter explosivo como a pólvora), devendo como 
qualificadora tais explosivos ou análogos ter a capacidade de romper obstáculos. 
Segue Jesus (2020) noutra qualificadora, ao tratar do furto na ocasião em que é 
subtraído substâncias de caráter explosivo, ou substâncias que possam permitir a 
fabricação montagem ou emprego do material explosivo. 
A Lei 13.654 de 2018, no que tange as alterações referente ao roubo, traz 
abaixo tais modificações realizadas no Artigo 157 do Código Penal: 
 
Art. 157: Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante 
grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por 
qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:12 
 [...] 
§ 2º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade: 
I – (revogado); 
[...] 
VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios 
que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, 
montagem ou emprego. 
 [...] 
§ 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços): 
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo; 
II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego 
de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. 
§ 3º Se da violência resulta: 
I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) 
anos, e multa; 
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa 
(BRASIL, 1940). 
 
 
A citada norma em seu § 2º, expõe a mesma preocupação para o aumentode pena de 1/3 a metade, com relação à subtração das substâncias explosivas 
também prevista na modalidade de furto, com a mesma intenção em aplicar pena 
mais pesada para o delito em questão. 
 
12Importante salientar que o art. 157 do Código Penal Brasileiro, teve outra alteração, posterior a 
alteração ocorrida pela Lei 13.654 de 2018, em que a Lei 13.964 de 2919, trouxe em seu conteúdo 
normativo a inclusão do inciso VII do parágrafo 2º - em que abrange o uso da violência ou grave 
ameaça mediante o emprego de arma branca para os casos de aumento de pena de 1/3 até a metade, 
e também a inclusão do § 2º-B que prevê o emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido, no 
uso de violência ou grave ameaça, com a previsão da aplicação do dobro da pena descrita no caput 
do artigo (BRASIL, 1940). 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art157%C2%A72.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art157%C2%A72i.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art157%C2%A72vi
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art157%C2%A72a
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art157%C2%A73..
34 
 
 
Já no § 2º-A - tem-se o aumento de 2/3 para os casos em que haja o 
emprego da arma de fogo no ato da violência ou grave ameaça, ou o rompimento de 
obstáculo mediante o emprego de explosivo, ou análogo. Quanto ao § 3º amplia a 
pena nos casos em que da violência resulte lesão corporal ou morte. 
Na próxima seção, será abordado com o devido aprofundamento a gênese 
das Organizações Criminosas nos séculos XIX e XX, bem como sua relação histórica 
e diferenciações com o Crime Organizado atual, ao apresentar o cangaço e o novo 
cangaço brasileiro. 
 
3.3 DO CANGAÇO AO NOVO CANGAÇO 
 
Ao buscar entendimento quanto à conduta de Organizações Criminosas 
típicas da modalidade do ‘novo cangaço’, obrigatoriamente se arremete o estudo 
científico em pauta a idos do final do século XIX e início do século XX, de acordo com 
Apolinário e Filippetto (2016, p. 83), relacionando-se com o movimento do cangaço, 
que envolvia pessoas organizadas hierarquicamente que, sob o comando de Lampião 
(Virgulino Ferreira da Silva), saqueavam vilas e pequenas cidades e praticavam 
extorsão”. Ilustra Clemente (2007, p. 1) em sua obra, adiante: 
 
O cangaço desse período é definido na literatura para referir-se ao 
bandido que vive debaixo da canga, o complexo de armas 
sobrepondo-lhe o corpo, mas principalmente para referir-se a um 
modo específico de ação independente, em que o cangaceiro estaria 
subordinado apenas ao seu bando. 
 
 
Para Villela (2001, p. 146) “em função das alianças políticas, das relações 
pessoais entre os diversos grupos, um número significativo de pessoas passa a 
integrar as facções e a formar grupos armados. Estas pessoas são chamadas [...] 
cangaceiros”. 
Em ato contínuo, afiança Tavares (2013, p.16) que inicialmente “significava 
um grupo de homens armados a serviço de um fazendeiro, mas, a partir de 1900, os 
cangaceiros começaram a operar independentemente. Daí em diante é que a palavra 
‘cangaceiro’ começou a ser usada”. 
O cangaço, com origens enraizadas na realidade do sertão nordestino, 
onde a grande seca de 1877 é o pano de fundo para o surgimento do cangaço. De 
35 
 
 
acordo com Gomes, Hackmayer e Primo (2008, p. 17), a seca arrasou o Nordeste, 
criou uma massa de flagelados, além de tumultos em várias regiões: vilas eram 
invadidas e os saques eram frequentes, destacam os autores: 
 
 A revolta social implicou em atividades banditistas que se formavam 
espontaneamente e o caos social se instalava com a ocorrência de 
assaltos, sequestros, roubos a fazendas, comboios, comércios, 
cenário de um verdadeiro caos social. Tal desestruturação do sertão 
nordestino enfraqueceu o poder imposto pelos coronéis, que no 
intento de buscar evitar tal desestabilização passaram a promover a 
organização de bandos para impor a ordem local. Dos bandos 
surgiram os rebeldes, que além de agirem em favor dos Coronéis, 
também agiam em proveito próprio como forma de luta pela 
sobrevivência dado os problemas sociais e a dificuldade de acesso a 
terra (GOMES; HACKMAYER; PRIMO, 2008, p. 17). 
 
 
Ao ilustrar o cenário do cangaço, faz necessário depreender alguns 
conceitos a seguir: 
 
O coronel: o dono da terra; representa o legítimo árbitro social, 
mandando em todos (do padre à força policial), com o apoio integral 
da máquina do Estado. Contrariar o coronel, portanto, é algo a que 
ninguém se atreve. 
Volantes: para combater o Cangaço, esse novo fenômeno social, o 
Poder Público cria os “volantes”. Nestas forças policiais, os seus 
integrantes se disfarçavam de cangaceiros, tentando descobrir os 
seus esconderijos. Logo, ficava bem difícil saber ao certo quem era 
quem. Do ponto de vista dos cangaceiros, eles eram, simplesmente, 
os “macacos”. 
Jagunços ou capangas: aqueles assalariados que trabalham para os 
“coronéis” como vaqueiros, agricultores ou mesmo assassinos, 
defendendo com unhas e dentes os interesses do patrão, de sua 
família e de sua propriedade. 
Coiteiros: a polícia chama de “coiteiros” todas as pessoas que, de 
alguma forma, ajudam os cangaceiros. Os residentes no interior do 
sertão – moradores, vaqueiros e criadores, por exemplo – se inserem, 
também, nessa categoria (GOMES; HACKMAYER; PRIMO, 2008, p. 
17, grifo do autor). 
 
 
Afirmam Gomes, Hackmayer e Primo (2008, p. 16) que a “revolução social 
que Virgulino aparentava defender, estava conivente com a própria elite agrária, que 
precisava dos bandos e de sua valentia para estabelecer a ordem social na então 
República Velha”. 
36 
 
 
De acordo com Clemente (2007, p. 2), Lampião, como era chamado 
Virgulino Ferreira da Silva, era o cangaceiro mais conhecido em seu tempo13, dada a 
construção voluntária de sua imagem perante a sociedade nordestina, ofertando 
entrevistas e fotografias dele e do bando que compunha, sendo também 
representante emblemático na relação com os coronéis da época, tendo se tornado 
chefe de cangaço por volta de 1920, reinou absoluto até 1938 quando, junto com Maria 
Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, sua companheira, morreu em Angico, sertão de 
Sergipe. 
Destaca, também, Clemente (2007) que em 1940 morreu seu parceiro de 
cangaço, tido como o vingador de Lampião, o Cristino Gomes da Silva Cleto, 
conhecido como Corisco, levando à ruína o ciclo do cangaço. Tinha-se no cangaço 
uma realidade de extrema violência na conduta dos cangaceiros, e nesse sentido, 
importantes lições de Villela (201, p. 147): 
 
Procurava-se, como na guerra e na política, a desmobilização 
completa das forças do inimigo. Na impossibilidade total de matar 
pessoas, matavam-se animais, queimavam-se casas e cercas das 
propriedades rurais. Quando se podia matar gente, procurava-se os 
mais influentes, capazes de apoiar financeiramente, juridicamente, 
politicamente, a ação dos bandos armados da sua facção; ou então os 
mais valentes, responsáveis pela liderança do seu ou de vários 
bandos de homens armados. 
 
 
Além disso, segundo Villela (2001, p. 149-150) “alguns desses bandos 
eram acusados de arrombar e roubar casas, violar mulheres, [..] roubar armas, 
dinheiro e munição”. Acerca do que foi o cangaço, para Tavares (2013, p. 34) pode-
se afirmar que “foi um fenômeno de homens armados que faziam do roubo, da 
vingança, da extorsão, e de outros delitos, seu meio de vida. Pode-se afirmar que o 
cangaço conhecido e desenvolvido nos moldes lampiônicos não existe mais”. 
Ao abordar o novo cangaço como Organização Criminosa, como o próprio 
nome faz alusão ao tradicional cangaço, assunto já apresentado anteriormente, tem-
se o cabedal necessário para abordar essa conduta criminosa atual que assola vários 
Estados brasileiros, a começar pela vertente de Costa (2016, p. 5) descrita a adiante:13Os cangaceiros Jesuíno Brilhante (1844-1879) e Antônio Silvino (1875-1944) eram considerados 
cangaceiros famosos no ciclo do cangaço, no entanto, raramente se deixavam fotografar, condutas 
bem diferentes da que Lampião adotava, o qual investia na representação de sua imagem 
(CLEMENTE, 2007). 
37 
 
 
Apesar das semelhanças existentes entre as ações dos grupos de 
cangaceiros como os de Lampião e o ‘Novo Cangaço’, entre elas, ação 
voltada para pequenas cidades, grupo de 10 (dez) a 15 (quinze) 
pessoas, utilização de armas de fogo e reféns, saques e pilhagem, 
essas modalidades não devem ser confundidas, uma vez que Lampião 
e seu bando possuíam intrinsecamente motivação político pessoal, 
levando em consideração a vingança privada e a subversão à ordem 
estatal, concentrando suas ações e integrantes à realidade regional do 
sertão nordestino. 
 
 
Nesse mister, Costa (2016, p.5), aduz o entendimento de que o novo 
cangaço possui outro contexto finalístico, sendo que esses grupos criminosos são 
atrelados à lavagem de dinheiro, ao tráfico de drogas e de armas de fogo tomam de 
assalto instituições bancárias, públicas ou privadas, saqueando-as com o objetivo de 
fomentar e capitalizar investimentos em atividades aparentemente legais ou 
manifestamente ilícitas. 
Outra nítida diferenciação apontada por Costa (2016), trata-se dos 
componentes das Organizações Criminosas, a qual no cangaço, a formação dava-se 
pela afinidade e pelos laços sanguíneos entre eles, além de serem frutos de uma 
mesma realidade cultural. Já o novo cangaço tem a formação nítida de integrantes 
desvestidos de qualquer vínculo, onde as naturalidades são as mais diversas ou até 
mesmo não se conhecem, em que o objetivo busca apenas o cometimento do evento 
delituoso, assim, destaca o autor: 
 
Esse novo modelo de organização criminosa permite a formação de 
diversos grupos não necessariamente vinculados a uma estrutura 
piramidal e hierárquica, mas sim com a divisão em diversas células, 
cada qual com função específica, que interagem conforme o momento 
da prática criminosa. [...] mesmo reclusos no sistema prisional, os 
criminosos continuam com seu poder de comando, uma vez que 
articulam novas ações delituosas com comparsas em liberdade, 
aliciam novos integrantes e se beneficiam com parte do dinheiro 
roubado, seja para manutenção de suas famílias, pagamento de 
advogados, corrupção de funcionários públicos e investimento em 
outras ações criminosas, atuando preponderantemente no tráfico de 
drogas e de armas, sequestros, roubos a bancos e cargas. (COSTA, 
2016, p. 6). 
 
 
Na próxima seção, serão apresentadas medidas adotadas conforme suas 
disposições no ordenamento jurídico brasileiro, como resposta ao enfrentamento às 
Organizações Criminosas, qual seja, com o intuito de combater um dos pilares do 
38 
 
 
Crime Organizado, como forma de enfraquece-lo, através de ações Estatais que 
buscam quebrar o poder econômico de tais organizações. 
 
3.4 A QUEBRA DO PODERIO ECONÔMICO CRIMINOSO, COMO FORMA DE 
COMBATER O CRIME ORGANIZADO 
 
É comumente utilizado no ordenamento jurídico brasileiro, como forma de 
buscar enfraquecer o Crime Organizado, no intuito de quebrar o poderio econômico 
das Organizações Criminosas, com vistas a combater um dos grandes pilares de 
sustentação do Crime Organizado, algumas medidas judiciais previstas no sistema 
normativo nacional que foram ao logo dos anos desenvolvidas, no intuito de oferecer 
ao Estado, mecanismos capazes de fazer frente à realidade na qual às Organizações 
Criminosas se inserem, as quais seguem adiante no presente estudo científico. 
 
3.4.1 Sequestro de bens móveis e imóveis 
 
O sequestro de bens móveis e imóveis tem sua previsão legal no Código 
de Processo Penal (CPP) brasileiro com previsão no Decreto-Lei 3.689 de 03 de 
outubro de 1941, em seu capitulo VI, concernente às medidas assecuratórias, o qual 
faz parte de medidas cautelares que visam assegurar os direitos do ofendido e a 
responsabilização pecuniária do criminoso, sendo que de acordo com o art. 126 – 
“Para a decretação do sequestro, bastará a existência de indícios veementes da 
proveniência ilícita dos bens” (BRASIL, 1941). 
Ao ancorar no art. 13314 caput do Código de Processo Penal, garante que 
após o trânsito em julgado da sentença condenatória, “o juiz, de ofício ou a 
requerimento do interessado ou do Ministério Público, determinará a avaliação e a 
venda dos bens em leilão público cujo perdimento tenha sido decretado”, vindo ainda 
a salientar em seu § 1º15 que “do dinheiro apurado, será recolhido aos cofres públicos 
o que não couber ao lesado ou a terceiro de boa-fé”, bem como no § 2º16 que prevê o 
 
14O Código de Processo Penal foi alterado em seu Artigo 133, através da redação prevista na Lei 
13.964, de 24 de dezembro de 2019. 
15O § 1º do art. 133 do Código de Processo Penal foi incluído pela Lei 13.964 de 24 de dezembro de 
2019. 
16O § 2º do art. 133 do Código de Processo Penal foi incluído pela Lei 13.964 de 24 de dezembro de 
2019. 
39 
 
 
recolhimento do valor apurado no fundo penitenciário nacional, exceto na condição 
em que houver alguma outra previsão em lei especial. Nas palavras de Mendes e 
Martinez (2020, p. 72), cabe ressaltar que como incremento no art. 133, a “principal 
alteração no caput é a inclusão expressa do Ministério Público como legitimado ativo”. 
No art. 133-A, também contemplado dentre o rol de inovações abarcadas 
pela Lei 13.964 de 2019, que alteraram o CPP aduz a seguinte previsão: 
 
Art. 133-A. O juiz poderá autorizar, constatado o interesse público, a 
utilização de bem sequestrado, apreendido ou sujeito a qualquer 
medida assecuratória pelos órgãos de segurança pública previstos 
no art. 144 da Constituição Federal, do sistema prisional, do sistema 
socioeducativo, da Força Nacional de Segurança Pública e do Instituto 
Geral de Perícia, para o desempenho de suas atividades. 
[...] 
§ 3º Se o bem a que se refere o caput deste artigo for veículo, 
embarcação ou aeronave, o juiz ordenará à autoridade de trânsito ou 
ao órgão de registro e controle a expedição de certificado provisório 
de registro e licenciamento em favor do órgão público beneficiário, o 
qual estará isento do pagamento de multas, encargos e tributos 
anteriores à disponibilização do bem para a sua utilização, que 
deverão ser cobrados de seu responsável. 
§ 4º Transitada em julgado a sentença penal condenatória com a 
decretação de perdimento dos bens, ressalvado o direito do lesado ou 
terceiro de boa-fé, o juiz poderá determinar a transferência definitiva 
da propriedade ao órgão público beneficiário ao qual foi custodiado o 
bem (BRASIL, 1941). 
 
 
Nota-se, com a inovação do art. 133-A no CPP trazido pela Lei 13.964 de 
2019, o intento da norma em disciplinar a utilização de maneira aberta e clara. Nesse 
sentido, destaca Nucci (2020, p. 68) que “Imagine-se a apreensão de armas de grosso 
calibre. [...] o juiz poderá autorizar seu uso pelos órgãos de Segurança Pública. Nada 
mais racional e razoável”. 
Em continuidade, de acordo com Nucci (2020, p. 68) “Abrange a nova Lei, 
também, veículo, embarcação ou aeronave. [...] Transitada em julgado a decisão 
condenatória, esses bens podem ser incorporados definitivamente à propriedade do 
órgão público”. 
O Juiz de Direito em sua própria avaliação tem o condão de determinar, 
conforme o art. 144-A do CPP17, “alienação antecipada para preservação do valor dos 
bens sempre que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação, 
 
17O art. 144-A do Código de Processo Penal, foi acrescido pela lei 12.694 de 24 de julho de 2012. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3689.htm#art133a
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
40 
 
 
ou quando houver dificuldade para sua manutenção”, inclusive mediante a

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