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Prática Pedagógica Interdisciplinar Análise e Produção de Textos

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FACULDADE ÚNICA 
DE IPATINGA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Paloma Carlean de Figueiredo Souza 
 
Mestre em Letras pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES-MG) (2015). 
Especialista em Tutoria em Educação a Distância pela Faculdade Vale Do Gorutuba, 
(FAVAG) (2014). Graduada em Letras com ênfase em Português e Inglês pela Universidade 
Católica Dom Bosco (2005). Possui experiência na área de Letras, com ênfase em Língua 
Portuguesa e Literatura Brasileira. Atua como docente na rede pública do estado de Minas 
Gerais desde 2007. 
 
LÍNGUA PORTUGUESA E 
PRODUÇÃO DE TEXTO 
 
1ª edição 
Ipatinga – MG 
2021 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FACULDADE ÚNICA EDITORIAL 
 
Diretor Geral: Valdir Henrique Valério 
Diretor Executivo: William José Ferreira 
Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Cristiane Lelis dos Santos 
Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Gilvânia Barcelos Dias Teixeira 
Revisão Gramatical e Ortográfica: Imperatriz da Penha Matos 
Revisão/Diagramação/Estruturação: Bárbara Carla Amorim O. Silva 
 Carla Jordânia G. de Souza 
 Rubens Henrique L. de Oliveira 
Design: Brayan Lazarino Santos 
 Élen Cristina Teixeira Oliveira 
 Maria Luiza Filgueiras 
 
 
 
 
 
 
 
© 2021, Faculdade Única. 
 
Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autorização 
escrita do Editor. 
 
 
 
Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/2920. 
 
 
 
 
 
NEaD – Núcleo de Educação a Distância FACULDADE ÚNICA 
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Anexo 03 – Bairro Bethânia – CEP: 35164-779 – Ipatinga/MG 
Tel (31) 2109 -2300 – 0800 724 2300 
www.faculdadeunica.com.br
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Trata-se dos conceitos, definições ou afirmações 
importantes às quais você deve ter um maior grau de 
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São exercícios de fixação do conteúdo abordado em 
cada unidade do livro. 
 
São para o esclarecimento do significado de 
determinados termos/palavras mostradas ao longo do 
livro. 
 
Este espaço é destinado para a reflexão sobre 
questões citadas em cada unidade, associando-as a 
suas ações, seja no ambiente profissional ou em seu 
cotidiano. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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A LÍNGUA PORTUGUESA COMO 
INSTRUMENTO DE INTERAÇÃO 
SOCIAL 
 
1.1 INTRODUÇÃO 
Nesta unidade, introduziremos os conteúdos relacionados à Língua Portugue-
sa, com o objetivo de percebê-la como mais poderoso instrumento de comunicação 
que a sociedade possui. Abordaremos fala e escrita, estabelecendo as diferenças 
entre esses dois processos e a importância deles para a interação social. Partindo do 
pressuposto que toda linguagem é uma atividade funcional, regulada e moldada 
pelas estruturas sociais, nos contextos de uso e interação, discutiremos os níveis de 
formalidade de acordo com a necessidade de adequação da linguagem ao 
contexto, ou seja, Norma Padrão (Culta) e Norma Não Padrão (coloquial) da língua. 
 
1.2 FALA E ESCRITA 
A Língua Portuguesa é, de fato, complexa e não se pode negar que, ao utilizá-
la, no nosso dia a dia, estabelecemos relações sociais com nós mesmos e com o 
mundo. Desse modo, a língua materna nos oferece importante instrumento de 
interação social, desde a nossa infância, momento em que começamos as nossas 
primeiras formas de comunicação. 
Antes de termos contato com a modalidade escrita da língua, porém, temos 
acesso à oralidade, pois, segundo Marcuschi (2008), apesar de ser pouco valorizada, 
em detrimento da escrita, a fala constitui o modo de comunicação mais utilizado 
entre os povos, pois ela está presente na vida humana desde o momento da 
gestação, quando a mãe conversa com o bebê. Assim que nasce, a criança emite 
o choro, em seguida, com poucas semanas, começa a balbuciar em resposta aos 
diálogos que a família realiza ao seu redor. A partir de então, com essa interação 
natural, a criança, concomitante a expressões faciais e gestos, desenvolverá a fala, 
meio pelo qual passará a se comunicar. 
Desse modo, como afirma Marcuschi (2008), a fala é adquirida em contextos 
espontâneos e informais, contrapondo-se ao processo da aquisição da escrita, que 
UNIDADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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acontecerá mais tarde e, provavelmente, em um ambiente escolar- local de prestí-
gio social. 
Embora a fala esteja mais presente no nosso cotidiano, uma vez que falamos 
muito mais do que escrevemos, a escrita possui um lugar de destaque, pois “seu 
domínio se tornou um passaporte para a civilização e para o conhecimento.” 
(MARCUSCHI, 2008, p. 21). Em outras palavras, e concordando com o autor, afir-
mamos que a sociedade valoriza mais a escrita por razão desta representar certo 
status, haja vista que muitos estudos sociais associam a escrita e a alfabetização à 
saúde, ao progresso e à riqueza. Por outro lado, doença, regresso e pobreza estão 
associados ao analfabetismo. 
 
 
 
Segundo Marcuschi (2008), embora os usuários de qualquer língua passem 
mais parte do tempo falando que escrevendo, essas duas modalidades- fala e 
escrita- são inerentes às nossas relações sociais diárias ao mesmo tempo em que são 
complementares. 
Se observarmos, durante vinte e quatro horas, a rotina de alguém, inclusive a 
nossa, é possível perceber que utilizamos, diariamente, tanto a fala quanto a escrita, 
em casa, no trabalho, nas igrejas, na internet e em várias outras esferas de 
comunicação. Desse modo, tanto oralidade quanto escrita são imprescindíveis para 
a comunicação e circulação dos saberes na sociedade. 
Ainda sobre fala e escrita, é preciso ressaltar que uma modalidade não é 
superior à outra, já que ambas são modos legítimos de representação cognitiva e 
social. Marcuschi (2008) destaca que é necessário reconhecer a importância de fala 
e escrita e distinguir os papéis de cada uma a depender do contexto de uso da 
língua. O autor também esclarece que a escrita não pode ser definida como 
representação da fala, pois na oralidade, temos alguns fatores que não são possíveis 
de ser representados na escrita, tais como entonação, gestos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1.3 REGISTRO FORMAL E REGISTRO INFORMAL 
Aula de português 
A linguagem 
na ponta da língua, 
tão fácil de falar 
e de entender. 
 
A linguagem 
na superfície estrelada de letras, 
sabe lá o que ela quer dizer? 
 
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe, 
e vai desmatando 
o amazonas de minha ignorância. 
Figuras de gramática, esquipáticas, 
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me. 
 
Já esqueci a língua em que comia, 
em que pedia para ir lá fora, 
em que levava e dava pontapé, 
a língua, breve língua entrecortada 
do namoro com a prima. 
 
O português são dois; o outro, mistério. 
Andrade, Carlos Drummond de. Esquecer para Lembrar. R J: Record, 1979 
 
Nesse poema, denominado Aula de Português, Carlos Drummond de Andrade 
apresenta ao leitor as suas inquietações sobre a Língua Portuguesa. Para ele, há duas 
línguas, aquela ensinada na escola, que se baseia em regras gramaticais, em certo 
e errado , normatizada e que, por isso , nos parece estranha; e a outra, que é simples, 
livre de regras e, portanto, mais fascinante e utilizada com tanta tranquilidade pelos 
usuários. De fato,o que o poeta nos diz é que há maneiras de se utilizar a língua a 
depender do contexto. Sem utilizar os termos técnicos, Drummond apresenta as 
diferenças entre a norma culta da língua (padrão) e a norma coloquial (não padrão). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Apesar de a língua apresentar variedades linguísticas, existe uma tradição 
gramatical, baseada em parâmetros para a escrita ou para situações mais formais 
de fala, que é denominada Norma-padrão. A norma-padrão, portanto, é um 
“conjunto de regras, pautadas em autores consagrados, que impõe uma unidade à 
língua escrita.” (CEREJA; VIANNA; CODENHOTO, 2016, p. 53). 
 
 
 
Primeiramente, devemos levar em consideração que quando o estudante 
chega à escola, ele já é falante da língua materna e, certamente, se comunica bem 
em situações informais e familiares, desse modo, não é necessário que a escola o 
ensine a falar. O que ocorre, porém, é que como os contextos sociais são 
diversificados, esse estudante acessará outros modos de falar, que estão 
relacionados a questões culturais, geográficas e sociais. Diante dessa realidade, é 
função do professor promover o respeito às diversidades linguísticas, sem perder o 
foco no objeto de ensino, que é a comunicação eficiente, independente da 
realidade socio-cultural. Em outras palavras, conhecer e respeitar as variedades 
linguísticas é de grande importância. 
 
 
1.4 VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS 
Variedade padrão (língua culta formal) variedade linguística baseada no modo de 
falar e escrever dos grupos sociais de maior prestígio cultural, político e econômico; 
caracteriza-se pelo uso de estruturas frasais mais complexas, pelo vocabulário mais 
elaborado (mais sofisticado) e pela observância às regras da gramática normativa.
Variedade não padrão (coloquial), variedade mais espontânea, empregada em 
situações informais do dia a dia e caracterizada pelo emprego de frases de estrutura 
simples, pela pouca (ou nenhuma) observância às regras da gramática normativa, pelo 
vocabulário mais comum e pela presença de frases feitas, expressões populares e gírias 
(AMARAL et al., 2013, p. 165).
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Embora haja a determinação de uma norma padrão, de convenções do uso 
da língua, é importante ressaltar que ela é dinâmica e apresenta variações, segundo 
elementos geográficos, históricas, sociais, entre outros. Desse modo, podemos definir 
variações linguísticas ou variedades linguísticas como “os diferentes modos de falar 
uma língua- relacionados à idade do falante, à sua classe social, ao espaço em que 
ele se encontra e, ainda, aos objetivos e aos usos específicos que ele faz da língua,” 
(CEREJA; VIANNA; CODENHOTO, 2016, p. 50). 
Para Bortoni-Ricardo (2004), a variação linguística acontece em qualquer 
comunidade de fala, urbana ou rural, pois de acordo com os grupos ou situações de 
comunicação, apresentamos maneiras distintas de falar. Vejamos alguns casos de 
variação linguística: 
 
1.4.1 Variação histórica ou diacrônica 
Algumas palavras ou expressões sofrem modificações ou caem em desuso 
com o passar do tempo, é possível que você já tenha notado em textos mais antigos 
ou em conversa com pessoas mais idosas. Essa variação na língua, que ocorre 
através do tempo, é chamada de variação histórica ou diacrônica. Para exemplificar 
a variação histórica ou diacrônica , vejamos um fragmento do texto “Antigamente”, 
de Drummond (1966): 
 
Antigamente as moças chamavam-se “mademoiselles” e eram todas mimosas e muito 
prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo 
não sendo rapagões, faziam-lhe pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses 
debaixo do balaio. E se levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em 
outra freguesia. 
As pessoas, quando corriam, antigamente, era para tirar o pai da forca, e não caíam 
de cavalo magro. Algumas jogavam verde para colher maduro, e sabiam com quantos paus 
se faz uma canoa. O que não impedia que, nesse entremente, esse ou aquele embarcasse 
em canoa furada. Encontravam alguém que lhes passava a manta e azulava, dando às de 
Vila-Diogo…. 
 
Esse tipo de variação pode ocorrer também por mudanças na ortografia de 
algumas palavras, por acordos ortográficos ou simplesmente pelo uso, já que a língua 
é dinâmica. Observe na imagem abaixo como a palavra farmácia era grafada 
antigamente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 1: Exemplo de variação diacrônica 
 
Fonte: Disponível em https://bit.ly/3fjK5Lo. 
Acesso em: 30 dez. 2020. 
 
1.4.2 Variação Linguística Geográfica ou Diatópica 
A variação linguística geográfica ou diatópica está relacionada ao lugar de 
origem do falante, inclui o uso de determinadas palavras ou expressões regionais, 
independentemente de outros fatores, como idade e escolarização. Além de mani-
festar-se no vocabulário, esse tipo de variação linguística evidencia-se também na 
pronuncia, ou seja, o modo de falar também varia de acordo com a localização 
geográfica, daí os sotaques mineiro, carioca, caipira, nordestino, entre outros. Ve-
jamos, a seguir, trecho de uma crônica em que o autor emprega várias palavras e 
expressões próprias de uma determinada região para demonstrar o fenômeno da 
variação linguística geográfica (regionalismo). 
 
Fui dar um passeio por Rondônia. Lá pelas tantas, comecei a perceber que não estava 
entendendo a conversa do povo. Eu, que falo o português do centro-oeste mineiro, achei 
toada na fala da região. Cheguei numa beira de porto e pus sentido na prosa em redor. 
Decorei alguma coisa, que divido agora com o leitor. [...] Eis meu relato: 
O regatão saltou do alvarenga onde estava morcegando e berrou: 
— Açaí, cajarana, cupuaçu e pupunha! Loção contra carapanã, mucuim, mutuca e pium. 
Vai levar, patrão? [...] 
Procurei um taxi, mas desanimei ao ouvir o informante dizer: 
— Aqui, BK é só para quem está bamburrado. Tu está? 
E saiu rindo, apontando para mim e falando: 
— Brabo aqui vai de catrai! [...] 
Logo que pude, abri buraqueira (fugi) para não ser forçado a fazer uso de uma assistência 
(ambulância) com destino a um hospício; nem para ser submetido a um bascolejo (revista 
policial). Claro! Do jeito que fiquei, talvez pensassem que eu estava bordado (maluco) [...]. 
Logo eu, que sou tão virado (trabalhador)! 
É uma faceta (epa!) da nossa língua...brasileira ou portuguesa? 
Wilson Liberato, in jornal O Pergaminho, 21/10/2000 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1.4.3 Variação Linguística sociocultural 
A distribuição de bens materiais e culturais influenciam no modo de dizer dos 
grupos de falantes, pois indicam o acesso ou privação de aparatos da cultura, por-
tanto, a variação sociocultural tem a ver com fatores de diversidade. Desse modo, 
leva-se em consideração o grau de escolaridade, a idade, o gênero e, sobretudo, o 
nível socioeconômico. 
Esse tipo de variação linguística não compromete a compreensão entre 
indivíduos, embora o uso de certas variantes possa gerar algum tipo de 
discriminação, o que chamamos de preconceito linguístico. 
É importante ressaltar que, mesmo tendo em vista a necessidade de atingir um 
padrão linguístico eficiente, sobretudo na escrita, a língua não deverá ser objeto de 
discriminação ou preconceito. Afinal, mais importante que aprender a norma de 
prestígio, a norma culta/padrão da língua, é a eficiência na comunicação, em 
qualquer variedade linguística. 
 
1.4.4 Adequação Linguística 
Para uma comunicação eficiente, é essencial considerar o interlocutor (com 
quem eu estou me comunicando) e o contexto de interação, ou seja, é relevante 
reconhecer se a situação comunicativa demanda maior ou menor formalidade e 
monitoramento. Assim como é preciso observar qual roupa devemos usar nos nossos 
compromissos cotidianos, é fundamental adequarmos a linguagem à situação de 
uso. A essa capacidade de adequar o uso da língua às necessidades impostaspela 
situação de comunicação chamamos de Adequação Linguística. 
Como exemplo de monitoramento do uso da língua, pensemos na seguinte 
situação: Paulo é promotor de justiça, um homem que dedicou boa parte da sua 
vida a estudar. Em seu trabalho, utiliza uma linguagem formal, culta e objetiva para 
se comunicar, pois a situação comunicativa exige essa formalidade. Em casa, porém, 
e entre amigos, Paulo utiliza uma linguagem mais informal, porque o contexto 
permite. Desse modo, portanto, Paulo possui a competência comunicativa, porque 
sabe adequar a língua à situação de uso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 2: Exemplo de inadequação linguística 
 
Disponível em: https://bit.ly/2NXsGNh. Acesso em: 17 mar. 2021. 
 
Cada situação comunicativa indica um tipo de linguagem a ser usada. Não 
se pode usar biquíni ou bermuda para ir ao fórum, é preciso estar adequado, apre-
sentar bom senso, assim também se dá com a língua. Importa salientar que existe a 
variação da linguagem, as gírias, mas nem tudo é legítimo e aceitável. O vale-tudo 
na língua também acarreta confusão. De todo modo é sinal de respeito aceitar os 
modos de falar e se expressar de cada indivíduo ou grupo, ainda que não esteja 
adequado à situação de comunicação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FIXANDO O CONTEÚDO 
1. (ENEM) Leia o texto abaixo 
Cabeludi 
 
Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos amigos: Este é meu neto. Ele 
foi estudar no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição 
deslocada me fantasiava de ateu. Como quem dissesse no Carnaval: aquele menino está 
fantasiado de palhaço. Minha avó entendia dregências verbais. Ela falava de sério. Mas 
todo-mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia fazer de uma informação um 
chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor. 
E pode ser instrumento de rir. De outra feita, no meio da pelada um menino gritou: 
Disilimina esse, Cabeludinho.Eu não disiliminei ninguém. Mas aquele verbo novo trouxe um 
perfume de poesia à nossa quadra. Aprendi nessas férias a brincar de palavras mais do 
que trabalhar com elas. Comecei a não gostar de palavra engavetada. Aquela que não 
pode mudar de lugar. Aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do que 
pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a cantar com saudade: Ai morena, 
não me escreve / que eu não sei a ler. Aquele a preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, 
ampliava a solidão do vaqueiro. 
 
BARROS, M. Memórias inventadas: a infância. São Paulo: Planeta, 2003. 
 
No texto, o autor desenvolve uma reflexão sobre diferentes possibilidades de uso 
da língua e sobre os sentidos que esses usos podem produzir, a exemplo das 
expressões “voltou de ateu”, “disilimina esse” e “eu não sei a ler”. Com essa 
reflexão, o autor destaca: 
 
a) os desvios linguísticos cometidos pelos personagens do texto. 
b) a importância de certos fenômenos gramaticais para o conhecimento da língua 
portuguesa. 
c) a distinção clara entre a norma culta e as outras variedades linguísticas. 
d) o relato fiel de episódios vividos por Cabeludinho durante as suas férias. 
e) a valorização da dimensão lúdica e poética presente nos usos coloquiais da lin-
guagem. 
 
2. (ENEM - Adaptada) Um aspecto da composição estrutural que caracteriza o 
relato pessoal de A.P.S. como modalidade falada da língua é: 
 
a) predomínio de linguagem informal entrecortada por pausas. 
b) vocabulário regional desconhecido em outras variedades do português. 
c) realização do plural conforme as regras da tradição gramatical. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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d) ausência de elementos promotores de coesão entre os eventos narrados. 
e) presença de frases incompreensíveis a um leitor iniciante. 
 
3. (UFMA) Analise a charge abaixo para responder a questão. 
 
Considerando a fala dos interlocutores, pode-se concluir que: 
 
a) o uso de “excelência” denota desrespeito, pois o depoente não vê o depu-
tado como autoridade. 
b) o efeito humorístico é provocado pela passagem brusca da linguagem formal 
para a informal. 
c) o uso da linguagem formal e da informal evidencia a classe social a que perten-
cem as personagens. 
d) a linguagem empregada no texto serve apenas para compor as imagens do 
deputado e do depoente. 
e) o pronome “seu” foi usado pelo depoente como sinal de respeito para com o 
parlamentar ilustre. 
 
4. Na representação escrita da conversa telefônica entre a gerente do banco e o 
cliente, observa-se que a maneira de falar da gerente foi alterada de repente 
devido: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Gerente: Boa tarde. Em que eu posso ajudá-lo? 
Cliente: Estou interessado em financiamento para compra de veículo. 
Gerente: Nós dispomos de várias modalidades de crédito. O senhor é nosso cliente? 
Cliente: Sou Júlio César Fontoura, também sou funcionário do banco. 
Gerente: Julinho, é você, cara? Aqui é a Helena! Cê tá em Brasília? Pensei que você inda 
tivesse na agência de Uberlândia! Passa aqui pra gente conversar com calma. 
 
 BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004. 
 
a) à adequação de sua fala à conversa com um amigo, caracterizada pela infor-
malidade. 
b) à iniciativa do cliente em se apresentar como funcionário do banco. 
c) ao fato de ambos terem nascido em Uberlândia (Minas Gerais). 
d) à intimidade forçada pelo cliente ao fornecer seu nome completo. 
e) ao seu interesse profissional em financiar o veículo de Júlio. 
 
5. (ENEM - Adaptada) 
MANDIOCA — mais um presente da Amazônia 
 
Aipim, castelinha, macaxeira, maniva, maniveira. As designações da Manihot utilissima 
podem variar de região, no Brasil, mas uma delas deve ser levada em conta em 
todo o território nacional: pão-de-pobre — e por motivos óbvios. Rica em fécula, a 
mandioca — uma planta rústica e nativa da Amazônia disseminada no mundo 
inteiro, especialmente pelos colonizadores portugueses — é a base de sustento de 
muitos brasileiros e o único alimento disponível para mais de 600 milhões de pessoas 
em vários pontos do planeta, e em particular em algumas regiões da África. 
O melhor do Globo Rural, fev. 2005. (fragmento). 
 
De acordo com o texto, há no Brasil uma variedade de nomes para a 
Manihot utilissima, nome científico da mandioca. Esse fenômeno revela que: 
 
a) existem variedades regionais para nomear uma mesma espécie de planta. 
b) mandioca é nome específico para a espécie existente na região amazônica. 
c) “pão-de-pobre” é designação específica para a planta da região 
amazônica. 
d) os nomes designam espécies diferentes da planta, conforme a região. 
e) a planta é nomeada conforme as particularidades que apresenta. 
 
6. (ENADE- adapatada) Analise a tirinha abaixo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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( ) Considerando a transposição do cartum acima, analise os excertos e marque V 
para verdadeiro e F para falso: 
( ) A concepção de linguagem que a professora revela em sua prática disvincula a 
llingua de seu funcionamento social e histórico. 
( ) No segundo quadrinho, é possível perceber exemplos de variação linguística 
diatópica, ou seja, regionalismos. 
( ) A abordagem da professora, ao se referir a questões de linguagem, demonstra 
respeito com as variedades llinguísticas da língua portuguesa. 
( ) Nessa situação do cartum, a professora poderia ter utilizado os conhecimentos 
linguísticos de que os alunos dispõem para abordar as diferenças que ocorrem 
na língua de acordo com as regiões, ou seja, explicar variação linguística 
geográfica. 
 
a) V,V,V,V 
b) V,F, F,V 
c) F,F,F,F 
d) F,V,V,F 
e) V,V,F,F 
 
7. Leia o fragmento de texto abaixo. 
 
Só há uma saídapara a escola se ela quiser ser mais bem-sucedida: aceitar a mudança 
da língua como um fato. Isso deve significar que a escola deve aceitar qualquer forma de 
língua em suas atividades escritas? Não deve mais corrigir? Não! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Há outra dimensão a ser considerada: de fato, no mundo real da escrita, não existe ape-
nas um português correto, que valeria para todas as ocasiões: o estilo dos contratos não é 
o mesmo dos manuais de instrução; o dos juízes do Supremo não é o mesmo dos cordelis-
tas; o dos editoriais dos jornais não é o mesmo dos cadernos de cultura dos mesmos jornais. 
Ou do de seus colunistas. 
POSSENTI, S. Gramática na cabeça. Língua Portuguesa, ano 5, n. 67. 
 
Sírio Possenti defende a tese de que não existe um único “português correto”. Assim 
sendo, o domínio da língua portuguesa implica, entre outras coisas, saber: 
 
a) descartar as marcas de informalidade do texto. 
b) reservar o emprego da norma padrão aos textos de circulação ampla. 
c) moldar a norma padrão do português pela linguagem do discurso jornalístico. 
d) adequar as formas da língua a diferentes tipos de texto e contexto. 
e) desprezar as formas da língua previstas pelas gramáticas e manuais divulgados 
pela escola. 
 
8. (UEFS) Leia o texto abaixo para responder a questão. 
 
A língua sem erros 
 
Nossa tradição escolar sempre desprezou a língua viva, falada no dia a dia, como se fosse 
toda errada, uma forma corrompida de falar “a língua de Camões”. Havia (e há) a crença 
forte de que é missão da escola “consertar” a língua dos alunos, principalmente dos que 
frequentam a escola pública. Com isso, abriu-se um abismo profundo entre a língua (e a 
cultura) própria dos alunos e a língua (e a cultura) própria da escola, uma instituição 
comprometida com os valores e as ideologias dominantes. Felizmente, nos últimos 20 e 
poucos anos, essa postura sofreu muitas críticas e cada vez mais se aceita que é preciso 
levar em conta o saber prévio dos estudantes, sua língua familiar e sua cultura 
característica, para, a partir daí, ampliar seu repertório linguístico e cultural. 
 
Disponível em: https://bit.ly/3wpei1L. Acesso em: 5 nov. 2020. 
 
De acordo com a leitura do texto, a língua ensinada na escola: 
 
a) Ajuda a diminuir o abismo existente entre a cultura das classes consideradas he-
gemônicas e das populares. 
b) Deve ser banida do ensino contemporâneo, que procura basear-se na cultura e 
nas experiências de vida do aluno. 
c) Precisa enriquecer o repertório do aluno, valorizando o seu conhecimento prévio 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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e respeitando a sua cultura de origem. 
d) Tem como principal finalidade cercear as variações linguísticas que comprome-
tem o bom uso da língua portuguesa. 
e) Torna-se, na contemporaneidade, o grande referencial de aprendizagem do 
aluno, que deve valorizá-la em detrimento de sua variação linguística de origem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
 
TEXTO, CONTEXTO E INTENÇÃO 
COMUNICATIVA 
 
 
2.1 LINGUAGEM VERBAL 
 No processo comunicacional, utilizamos a linguagem para nos expressar. 
Quando o código utilizado é a palavra, seja oral ou escrita, dizemos tratar-se da 
linguagem verbal. Por meio de palavras, expomos aos outros nossos pensamentos, 
ideias e nossas interpretações dos fatos, portanto, empregamos a linguagem verbal 
ao falar com alguém, ao cantarolar uma canção, quando escrevemos e em diversas 
outras formas de comunicação. Observe, por exemplo, o poema de Prado (2015), no 
qual a autora utilizou-se da linguagem verbal: 
 
Ensinamento 
 
Minha mãe achava estudo 
a coisa mais fina do mundo. 
Não é. 
A coisa mais fina do mundo é o sentimento. 
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, 
ela falou comigo: 
"Coitado, até essa hora no serviço pesado". 
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente. 
Não me falou em amor. 
Essa palavra de luxo. 
 
PRADO, Adélia. Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 2015. 
 
Por outro lado, quando pretendemos comunicar algo e o fazemos por meio 
de outros códigos que não sejam palavras, estamos fazendo uso da linguagem não 
verbal. Essas mensagens também fazem parte dos textos que circulam na sociedade 
e são relevantes para o processo comunicacional. São exemplos de linguagem não 
verbal imagens, sinais, expressões faciais, gestos, entre outros. Veja alguns textos 
compostos apenas por linguagem não verbal: 
 
 
 
 
UNIDADE
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23 
 
 
Figura 3: Exemplo de linguagem não-verbal 
 
Fonte: Educa Mais Brasil. Disponível em https://bit.ly/39jw0tE. Acesso em: 02 dez. 2020. 
 
Há também uma grande variedade de textos que utilizam mais de uma lin-
guagem, compondo uma linguagem mista. Na charge abaixo, por exemplo, para 
que ocorra a compreensão da mensagem, é necessário cruzar as duas linguagens, 
ou seja, relacionar a linguagem verbal (palavras) e a linguagem não verbal 
(imagem), o que configura uma linguagem mista ou híbrida. 
 
Figura 4: Negligência 
 
Fonte: Disponível em https://bit.ly/39rBD98. Acesso em: 10 dez. 2020. 
 
 
 
2.2 CONCEITUANDO TEXTO 
Seria simplista entendermos a língua apenas como um código que precisa ser 
decodificado, da mesma forma não se pode restringir um texto a apenas um 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
24 
 
 
conjunto de palavras. 
As atividades de leitura são complexas e o sentido de um texto é construído , 
pois ele se concretiza na interação entre código, interlocutores e situação de co-
municação. Em outras palavras, dizemos que a comunicação ocorre levando-se em 
consideração vários fatores, desse modo, o texto é um processo , e não um produto. 
De acordo com Mendonça (2014), o que faz com que uma produção oral ou escrita 
seja classificada como texto é a “possibilidade de se estabelecer uma coerência 
global, ou seja, de se (re)construir sentidos a partir de um conjunto de pistas 
apresentadas”. 
Seguindo esse viés de pensamento, é necessário pensar no texto como uma 
construção que envolve elementos linguísticos, mas que só se realiza tendo em vista 
os interlocutores (emissor, receptor), os propósitos comunicativos, o gênero discursivo, 
a esfera social de circulação, suporte, etc. 
Não se pode negar o caráter dialógico e social da linguagem. É muito im-
portante a natureza construcionista, sociointeracional e situada da linguagem, pois 
traz à tona o fato de que ela “não ocorre em um vácuo social e que, portanto, textos 
orais e escritos não têm sentido em si mesmos.” Os sentidos são construídos pelos 
interlocutores, situados socialmente, levando-se em consideração os elementos do 
discurso: quem produz o texto, com que finalidade, quem recebe, qual o lugar social 
de cada interlocutor, qual momento o texto foi produzido, a partir de quais 
ideologias. Nessa perspectiva, os significados são contextualizados (BRASIL, 2004). 
 
 
 
As pessoas sempre comunicam entre si por meio de textos, e não por meio de 
palavras ou frases isoladas. Toda e qualquer produção de linguagem, em última 
instância, possui um emissor, aquele que a produz, um receptor (imediato ou não), 
aquele que a recebe e passa a construir uma compreensão sobre ela, um conteúdo 
em si, entre outros elementos. 
 
2.3 ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
 
Com o intuito de estudar a língua em uso, sem dissocia-la da fala e das situa-
ções sociais em que ela ocorre, emerge a teoria da comunicação, proposta pelo 
linguista Roman Jakobson. 
Nessa perspectiva, a língua é considerada como um código utilizado pelos 
sujeitos a fim de se comunicarem por meio de textos. De acordo com Jakobson 
(2007), para que ocorra a comunicação, são essenciais seis elementos, que serão 
descritos a seguir: 
 
 Emissor ou locutor: é quem produz o texto oral ou escrito; 
 Receptor ou destinatário: aquele a quem o texto se dirige; 
 Mensagem: o texto oral ou escrito que foi produzido pelo emissor; Código: a língua ou os sinais utilizados, que devem ser conhecidos pelos envol-
vidos na comunicação. 
 Canal: meio físico pelo qual a mensagem é veiculada que permite o 
estabelecimento da comunicação. 
 Referente: o contexto, o assunto, aquilo a que a mensagem faz referência. 
 
Na teoria da comunicação, a depender da proposta ou intento do texto, é 
possível perceber o foco em um desses seis elementos, por exemplo, se o objetivo de 
determinado texto é divulgar um produto ou serviço, a ênfase será dada ao receptor 
do texto, possível consumidor do produto. Portanto, segundo os pressupostos dessa 
teoria, organizamos a linguagem de tal modo a atender nossa finalidade 
comunicativa. 
 
 
 
2.4 FUNÇÕES DA LINGUAGEM 
Atualmente, com o avanço dos estudos da linguagem, a língua é vista de 
maneira mais ampla, como um processo dinâmico de interação social, ou seja, 
como forma de realizar ações, de atuar sobre o outro por meio da linguagem. Nessa 
Para aprofundar seu conhecimento em contextos textuais e intenção comunicativa, sugiro 
que visitem a Biblioteca Virtual da Única e acessem o livro “Linguística Textual e Ensino”. 
Disponível em: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 
 
 
perspectiva, os elementos da linguagem descritos por Jakobson passam a ser mais 
dinâmicos e a comunicação se realiza dando ênfase ao processo de enunciação. 
Os elementos emissor e receptor passam a ser chamados de interlocutores. 
 
2.4.1 Função emotiva ou expressiva 
A ênfase é dada à expressão dos sentimentos, emoções e opiniões do emissor. 
Há também o reforço ao aspecto subjetivo, pessoal da mensagem. É comum em 
textos que predomine a função emotiva ou expressiva da linguagem algumas 
marcas gramaticais: o uso de verbos e pronomes em primeira pessoa ; frases 
exclamativas; termos e expressões modalizadoras, haja vista que o objetivo desses 
textos é, como o próprio nome já diz, expressar as emoções. 
Exemplo de textos em que há o predomínio da função da linguagem emotiva 
ou expressiva: 
 
Só Hoje 
Jota Quest 
 
Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito 
Nem que seja só pra te levar pra casa 
Depois de um dia normal 
Olhar teus olhos de promessas fáceis 
E te beijar a boca de um jeito que te faça rir 
(Que te faça rir) 
 
Hoje eu preciso te abraçar 
Sentir teu cheiro de roupa limpa 
Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz 
 
Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua 
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria 
Em estar vivo 
 
Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar 
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia 
Que eu faço tudo errado sempre, sempre 
 
Disponível em: https://bit.ly/3lUYleA. Acesso em: 20 dez. 2020. 
2.4.2 Função Conativa ou Apelativa 
Ocorre em textos em que o objetivo é influenciar o receptor, estimulá-lo, por 
meio da linguagem, a aderir a uma ideia, mudar de comportamento, adquirir de-
terminado produto. Com foco no receptor, geralmente é um texto claro e objetivo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
 
 
que visa à persuasão. Em textos que há o predomínio da função da linguagem co-
nativa ou apelativa, algumas marcas gramaticais são comuns: verbos e pronomes 
em 2ª pessoa (ou 3ª pessoa – você), vocativos, imperativos, perguntas ao interlocutor 
etc. 
 
Figura 5: Campanha publicitária do Governo de Santa Catarina 
 
Fonte: Disponível em https://bit.ly/3suVs6L. Acesso em: 18 jan. 2020. 
 
2.4.3 Função Referencial ou Denotativa 
Os textos nos quais há o predomínio da função Referencial ou Denotativa 
apresentam como principal objetivo informar, utilizam uma linguagem denotativa, 
clara e precisa. Pautam-se em dados e colocam em evidência o referente, isto é, o 
foco é o assunto, a mensagem a ser veiculada. Veja o exemplo abaixo: 
 
Senado aprova PEC com 44 bi para novo auxílio emergencial; proposta segue para Câmara 
Um dia após o país registrar novo recorde de mortes pela covid-19, o Senado aprovou nesta 
quinta-feira (04/03) a PEC Emergencial, proposta de alteração da Constituição que cria 
mecanismos para conter gastos públicos e é um primeiro passo para a volta do auxílio 
emergencial — benefício para proteger os mais vulneráveis durante a pandemia. 
 
Fonte: Disponível em https://bbc.in/3did7Z8. Acesso em: 18 mar. 2021. 
 
O texto estabelece também a possibilidade de o Congresso aprovar estado 
de calamidade quando o país passar por momentos excepcionais como uma pan-
demia, situação em que regras fiscais ficariam suspensas e despesas extraordinárias 
poderiam ser criadas temporariamente. 
Na quarta-feira, foram registradas 1.910 vítimas fatais do coronavírus, elevando 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28 
 
 
o número total de mortes a 259.271, segundo boletim do Conselho Nacional de 
Secretários da Saúde (Conass). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
também anunciou pela manhã retração de 4,1% da economia em 2020. 
Por ser uma tentativa de alterar a Constituição, a PEC só entra em vigor se for 
aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados, sem qualquer alteração no 
texto do Senado. O presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL), quer votar a 
proposta já na próxima semana. 
 
2.4.4 Função Poética 
A função poética é encontrada em textos que o emissor enfatiza a 
construção, a elaboração da mensagem, por meio de palavras que realcem a 
sonoridade. Nesses casos, o mais importante é o jogo de palavras, o trabalho com a 
linguagem. A função poética ocorre tanto em prosa como em verso. 
Exemplo de função poética: 
 
Autopsicografia 
 
O poeta é um fingidor. 
Finge tão completamente 
Que chega a fingir que é dor 
A dor que deveras sente. 
E os que leem o que escreve, 
Na dor lida sentem bem, 
Não as duas que ele teve, 
Mas só a que eles não têm. 
E assim nas calhas de roda 
Gira, a entreter a razão, 
Esse comboio de corda 
Que se chama coração. 
 
Pessoa, Fernando. Autopsicografia. São Paulo. 1925. 
 
2.4.5 Função Metalinguistica 
Com ênfase no código, a função metalinguística está centrada no processo 
de metalinguagem, que é quando o emissor faz uso de um código para explicar o 
próprio código.. Por exemplo, quando o produtor de um cinema faz um filme con-
tando a própria história do cinema; ou uma crônica discute o processo de produção 
do gênero textual crônica; uma palavra é utilizada para definir outra; uma tirinha tece 
considerações sobre o gênero tirinha, etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
 
 
 
“Catar feijão se limita com escrever: 
joga-se os grãos na água do alguidar 
e as palavras na da folha de papel; 
e depois, joga-se fora o que boiar. 
Certo, toda palavra boiará no papel, 
água congelada, por chumbo seu verbo: 
pois para catar feijão, soprar nele, 
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.” 
 
João Cabral de Mello Neto 
 
Figura 6: Exemplo de metalinguagem 
 
Fonte: Disponível em https://bit.ly/3m28575. Acesso em: 21 jan. 2021. 
 
2.4.6 Função Fática 
A função fática da linguagem ocorre quando há a finalidade de estabelecer 
ou manter uma comunicação entre os interlocutores, por isso a ênfase é dada ao 
canal que veicula a mensagem. Desse modo, há função fática nos inícios de 
diálogos, cumprimentos e saudações e qualquer outra forma de testar a 
comunicação. Em textos escritos, têm muita importância os recursos gráficos. Veja 
os exemplos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
 
Figura 7: Recursos gráficos 
 
Fonte: Disponível em https://bit.ly/2O72IXJ. Acesso em: 
30 mar. 2021. 
Diálogos 
 
 
— Tudo bem com você? 
— Sim. E você? 
— Tudo bem! 
— Ah... Até mais tarde. 
— Até mais tarde. 
 
 
É importante destacar que as funções da linguagem se mesclam em um 
mesmo texto. É muito comum, em uma comunicação, aparecer mais de uma fun-
ção, porém uma ganhará mais destaque que a outra a depender do propósito 
comunicativo de quem produz o texto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
 
 
FIXANDO O CONTEÚDO 
1. (ENEM 2020) Nessa campanha publicitária,a imagem da família e o texto verbal 
unem-se para reforçar a ideia de que: 
 
 
 
a) a família que adota é mais feliz. 
b) a adoção tardia é muito positiva. 
c) as famílias preferem adotar bebês. 
d) a adoção de adolescentes é mais simples. 
e) os filhos adotivos são companheiros dos pais 
 
2. Leia o fragmento de texto abaixo: 
 
Desabafo 
 
[...] Desculpem-me, mas não dá pra fazer uma cronicazinha divertida hoje. 
Simplesmente não dá. Não tem como disfarçar: esta é uma típica manhã de segunda-
feira. A começar pela luz acesa da sala que esqueci ontem à noite. Seis recados para 
serem respondidos na secretária eletrônica. Recados chatos. Contas para pagar que 
venceram ontem. Estou nervoso. Estou zangado. 
 
CARNEIRO, J. E. Veja, 11 set. 2002 (fragmento). 
 
 
Nos textos em geral, é comum a manifestação simultânea de várias funções da 
linguagem, com o predomínio, entretanto, de uma sobre as outras. No fragmento 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
 
 
da crônica “Desabafo”, a função da linguagem predominante é a emotiva ou 
expressiva, pois: 
 
a) o discurso do enunciador tem como foco o próprio código. 
b) a atitude do enunciador se sobrepõe àquilo que está sendo dito. 
c) o interlocutor é o foco do enunciador na construção da mensagem. 
d) o referente é o elemento que se sobressai em detrimento dos demais. 
e) o enunciador tem como objetivo principal a manutenção da comunicação. 
 
3. Leia a canção de Geraldo Vandré: 
 
Pequeno concerto que virou canção 
Não, não há por que mentir ou esconder 
A dor que foi maior do que é capaz meu coração 
Não vai nunca entender de amor quem nunca soube amar 
Ah, eu vou voltar pra mim 
Seguir sozinho assim 
Até me consumir ou consumir toda essa dor 
Até sentir de novo o coração capaz de amor 
 
 
Na canção de Geraldo Vandré, tem-se a manifestação da função poética da 
linguagem, que é percebida na elaboração artística e criativa da mensagem. 
Pela análise do texto, entretanto, percebe-se, também, a presença marcante da 
função emotiva ou expressiva, por meio da qual o emissor: 
 
a) imprime à canção as marcas de sua atitude pessoal, seus sentimentos. 
b) transmite informações objetivas sobre o tema de que trata a canção. 
c) busca persuadir o receptor da canção a adotar um certo comportamento. 
d) procura explicar a própria linguagem que utiliza para construir a canção. 
e) objetiva verificar ou fortalecer a eficiência da mensagem veiculada. 
 
 
4. (ENEM 2020) Leia o texto abaixo para responder a questão. 
 
Vou-me embora p'ra Pasárgada foi o poema de mais longa gestação em toda a minha 
obra. Vi pela primeira vez esse nome Pasárgada quando tinha os meus dezesseis anos e foi 
num autor grego. [...] Esse nome de Pasárgada, que significa “campo dos persas” ou 
“tesouro dos persas”, suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um pais de 
delícias, como o de L'invitation au Voyage, de Baudelaire. Mais de vinte anos depois, 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
33 
 
 
quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desâ-
nimo, da mais aguda sensação de tudo o que eu não tinha feito em minha vida por motivo 
da doença, saltou-me de súbito do subconsciente este grito estapafúrdio: “Vou-me 
embora p'ra Pasárgada!” Senti na redondilha a primeira célula de um poema, e tentei 
realizá-lo, mas fracassei. Alguns anos depois, em idênticas circunstâncias de desalento e 
tédio, me ocorreu o mesmo desabafo de evasão da “vida besta”. Desta vez o poema saiu 
sem esforço como se já estivesse pronto dentro de mim. Gosto desse poema porque vejo 
nele, em escorço, toda a minha vida; [...] Não sou arquiteto, como meu pai desejava, não 
fiz nenhuma casa, mas reconstruí e “não de uma forma imperfeita neste mundo de 
aparências”, uma cidade ilustre, que hoje não é mais a Pasárgada de Ciro, e sim a “minha” 
Pasárgada. 
 
BANDEIRA. Minerário de Pasárgada Rio de Janeiro Nova Fronteira, Brasília INL, 1984 
 
Os processos de interação comunicativa preveem a presença ativa de múltiplos 
elementos da comunicação, entre os quais se destacam as funções da 
linguagem. Nesse fragmento, a função da linguagem predominante é: 
 
a) emotiva, porque o poeta expõe os sentimentos de angústia que o levaram à 
Criação poética. 
b) referencial, porque o texto informa sobre a origem do nome empregado em um 
famoso poema de Bandeira. 
c) metalinguística, porque o poeta tece comentários sobre a gênese e o processo 
de escrita de um de seus poemas. 
d) poética, porque o texto aborda os elementos estéticos de um dos poemas mais 
conhecidos de Bandeira. 
e) apelativa, porque o poeta tenta convencer os leitores sobre sua dificuldade de 
compor um poema. 
 
Texto para as questões 5 e 6 (adaptadas do ENEM) 
 
Canção do vento e da minha vida 
 
O vento varria as folhas, 
O vento varria os frutos, 
O vento varria as flores... 
E a minha vida ficava 
Cada vez mais cheia 
De frutos, de flores, de folhas. 
[...] 
O vento varria os sonhos 
E varria as amizades... 
O vento varria as mulheres... 
E a minha vida ficava 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
34 
 
 
Cada vez mais cheia 
De afetos e de mulheres. 
O vento varria os meses 
E varria os teus sorrisos... 
O vento varria tudo! 
E a minha vida ficava 
Cada vez mais cheia 
De tudo. 
BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. 
 
5. Predomina no texto a função da linguagem: 
 
a) fática, porque o autor procura testar o canal de comunicação. 
b) metalinguística, porque há explicação do significado das expressões. 
c) conativa, uma vez que o leitor é provocado a participar de uma ação. 
d) referencial, já que são apresentadas informações sobre acontecimentos e fatos 
reais. 
e) poética, pois chama-se a atenção para a elaboração especial e artística da 
estrutura do texto. 
 
6. Na estruturação do texto, destaca-se: 
 
a) a construção de oposições semânticas. 
b) a apresentação de ideias de forma objetiva. 
c) o emprego recorrente de figuras de linguagem, como o eufemismo. 
d) a repetição de sons e de construções sintáticas semelhantes. 
e) a inversão da ordem sintática das palavras. 
 
7. Analise o texto abaixo e identifique qual é a função da linguagem predominante: 
 
 
 
a) Fática, pois o foco está no receptor do texto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
35 
 
 
b) Poética, já que a ênfase é dada à elaboração da mensagem. 
c) Metalinguística, uma linguagem sendo explicada por ela mesma.. 
d) Conativa, pois pretende persuadir o receptor da mensagem. 
e) Referencial, pois objetiva informar. 
 
8. Leia a notícia abaixo: 
 
Dados preliminares divulgados por pesquisadores da Universidade Federal do Pará 
(UFPA) apontaram o Aquífero Alter do Chão como o maior depósito de água potável 
do planeta. Com volume estimado em 86 000 quilômetros cúbicos de água doce, a 
reserva subterrânea está localizada sob os estados do Amazonas, Pará e Amapá. “Essa 
quantidade de água seria suficiente para abastecer a população mundial durante 500 
anos”, diz Milton Matta, geólogo da UFPA. Em termos comparativos, Alter do Chão tem 
quase o dobro do volume de água do Aquífero Guarani (com 45 000 quilômetros 
cúbicos). Até então, Guarani era a maior reserva subterrânea do mundo, distribuída por 
Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. 
(Época, N° 623, 26 de Abril, 2010) 
 
Essa notícia, publicada em uma revista de grande circulação, apresenta 
resultados de uma pesquisa científica realizada por uma universidade brasileira. 
Nessa situação específica de comunicação, a função referencial da linguagem 
predomina, porque o autor do texto prioriza: 
 
a) as suas opiniões, baseadas em fatos. 
b) os aspectos objetivos e precisos. 
c) os elementos de persuasão do leitor. 
d) os elementos estéticos na construção do texto. 
e) o canal de comunicação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
36 
 
 
TIPOLOGIA TEXTUAL E GÊNEROS 
DISCURSIVOS 
 
 
3.1 INTRODUÇÃO 
Os textos, sejam orais ou escritos , estão inseridos no nosso cotidiano e fazem 
parte dasnossas ações no trabalho, na convivência familiar, nos relacionamentos 
virtuais, enfim, em todas as esferas sociais , utilizamos textos para nos comunicar. Eles 
são veiculados pela oralidade, nas mensagens via internet, nos livros, sites, nos muros 
e até os corpos já são considerados suportes de circulação de textos. Desse modo, 
vivemos imersos em um universo textual, mesmo quando não nos damos conta disso. 
Em uma sociedade onde a cultura escrita está tão presente, é necessário 
lançar mão de diferentes competências e habilidades para ler, compreender e 
produzir textos, já que os tipos e gêneros textuais requerem habilidades comunicati-
vas específicas. Assim como é necessário adequar a linguagem ao contexto, ao ler 
um poema usamos estratégias diferentes de quando vamos ler um manual de ins-
truções, ou seja, cada texto que circula na sociedade foi produzido com um objetivo, 
e veiculado em determinado suporte, segue algumas regras e, portanto, exige uma 
forma de ser recebido. Nessa perspectiva, o texto é abordado como lugar de 
interação, em que, dialogicamente, autor e leitor, por meio de texto, se constituem. 
 
 
 
Com ênfase na produção e recepção de texto, é importante recorrer às 
considerações teóricas de Marcuschi (2008) sobre a distinção entre tipo e gêneros 
textuais. Os termos tipo textual e gênero textual diferenciam- se, uma vez que gênero 
está relacionado à funcionalidade dos textos na sociedade, enquanto tipologia 
baseia-se em questões de ordem estrutural da língua. 
 
[...] o gênero textual pauta-se, basicamente, na utilidade da língua 
como instrumento comunicativo, ou seja, a língua é um veículo de 
UNIDADE
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
37 
 
 
representações, concepções, valores socioculturais e de instrumento 
de intervenção social; já o tipo, leva em consideração a língua, numa 
perspectiva formal e estrutural – de natureza linguística (DURÃES, 2018, 
p. 34-35). 
 
Observe, no Quadro 1, a relação entre tipos e gêneros textuais, estabelecida 
pelo autor. 
 
Quadro 1: Relação entre tipos e gêneros textuais 
TIPOS TEXTUAIS GÊNEROS TEXTUAIS 
Construtos teóricos definidos por 
propriedades linguísticas intrínsecas. 
Realizações linguísticas concretas definidas 
por propriedades sociocomunicativas. 
Constituem sequências linguísticas ou 
sequências de enunciados e não são 
textos empíricos. 
Constituem textos empiricamente realizados 
cumprindo funções em situações 
comunicativas. 
Sua nomeação abrange um conjunto 
limitado de categorias teóricas 
determinadas por aspectos lexicais, 
sintáticos, relações lógicas, tempo 
verbais. 
Sua nomeação abrange um conjunto aberto 
e praticamente ilimitado de designações 
concretas determinadas pelo canal, estilo, 
conteúdo, composições e função. 
Designações teóricas dos tipos: 
narração, argumentação, descrição, 
injunção e exposição. 
Exemplos de gêneros: telefonema, sermão, 
carta comercial, carta pessoal, romance, 
bilhete, aula expositiva, bula de remédio, 
bate-papo virtual, resenha, piada, etc. 
Fonte: Durães (2018, p. 35) 
 
Analisando o quadro acima, é possível verificar que os tipos de texto são 
definidos predominantemente por suas características linguísticas, por isso, eles são 
caracterizados por um conjunto de traços que formam uma sequência, e não um 
texto. Um mesmo texto pode conter narração, descrição e argumentação, o que vai 
definir a sua tipologia é a predominância da sequência. Pode-se dizer, portanto, que 
o tipo textual se encaixará nos propósitos comunicativos da mensagem, ele designa 
um tipo de sequência teoricamente definida pelo teor linguístico da composição 
(MARCUSCHI, 2008). 
Os tipos textuais se definem por seus objetivos, finalidade, estrutura, 
determinados por elementos sintáticos, semânticos, lexicais. Há cinco tipos textuais, 
sempre presentes nas comunicações cotidianas. Nesta unidade, veremos mais 
detalhadamente o tipo narrativo (ato de contar história, com personagens, tempo, 
espaço, narrador); o tipo descritivo (ato de descrever um personagem, local, com 
adjetivações, qualidades) e argumentativo (ato de expor e defender um ponto de 
vista, utilizando-se de argumentos, evidências baseadas na razão e no raciocínio.) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
38 
 
 
É importante destacar que os tipos textuais se mesclam, por exemplo, ao es-
crever uma carta ao prefeito reclamado da situação das ruas do seu bairro, você irá 
defender um ponto de vista e para isso irá argumentar, mas no seu texto, prova-
velmente, haverá parágrafos que descrevem as condições em que a rua se en-
contra e parágrafos que apresentam narrativa. 
 
 
 
3.2 TIPOLOGIA NARRATIVA (NARRAÇÃO) 
Narrar consiste em contar uma história, seja real ou fictícia, situada em 
determinados tempo e lugar, envolvendo personagens. A narração realiza-se a partir 
da perspectiva de um narrador e objetiva responder aos seguintes questionamentos: 
O que aconteceu? Com quem? Onde? Como? Quando? Por que aconteceu? 
Geralmente toda narrativa apresenta um enredo, que é a história em si, o 
conjunto encadeado dos fatos, linear ou não, de acordo com o desejo de quem 
produz a narrativa. Todo enredo supõe um conflito. Destaca-se que uma narrativa 
pode oferecer um enredo linear – quando os fatos estão em ordem cronológica ou 
um enredo não linear – quando a historia é interrompida por uma volta ao passado 
e não segue uma ordem cronológica. 
Narrar, portanto, consiste em construir o conjunto de ações que constitui a 
história- o enredo- e relacionar essas ações aos personagens- seres que praticam atos 
ou sofrem os fatos. 
Chama-se foco narrativo o estudo do posicionamento do narrador perante a 
narração. Em textos narrados pela perspectiva da primeira pessoa, ou seja, quando 
o narrador faz parte do enredo, tem-se uma narrador personagem. Por outro lado, 
nos casos em que o narrador não participa do fato narrado e apenas serve de elo 
entre a narrativa e o ouvinte /leitor , tem-se o foco narrativo em terceira pessoa e um 
narrador –observador. 
Em algumas situações, com o foco narrativo em terceira pessoa, o narrador é 
denominado onisciente, pois tem acesso ao lado psíquico de seus personagens, 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
39 
 
 
prevendo suas ações como se lhes percorresse a mente e a alma. 
Veja os exemplos que seguem. No texto 1, a narradora relata sobre a sua 
experiência, portanto é narradora/personagem e o foco narrativo está em primeira 
pessoa. 
Segue trecho do relato “Docência: uma experiência de encanto, superação 
e sucesso”. 
 
“Nutri o sonho de ser professora desde a infância, nas brincadeiras, a professora só poderia 
ser eu e mais ninguém. Ao finalizar o Ensino Fundamental, tinha nítida a certeza do que eu 
queria ser: professora. Meu primeiro desafio foi fazer meus pais acreditarem no meu sonho, 
pois de família simples e conservadora, a possibilidade de ser uma grande professora não 
era considerada real. Meu pai acreditava que estudar até a 4ª série era o suficiente pra 
mim.” 
Marilene Nunes, 
professora e coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade Única de Ipatinga 
 
Já no texto 2, trecho do conto “A Mentira” é possível observar que o narrador 
não participa das ações, portanto ele é um narrador observador e o foco narrativo 
está em terceira pessoa. 
 
“João chegou em casa cansado e disse para a mulher, Maria, que queria tomar um banho, 
jantar e ir direto para a cama. Maria lembrou a João que naquela noite eles tinham ficado 
de jantar na casa de Pedro e Luísa. João deu um tapa na testa, disse um palavrão e decla-
rou que de maneira nenhuma, não iria jantar na casa de ninguém. Maria disse que o jantar 
estava marcado há uma semana e seria uma falta de consideração com Pedro e Luísa, 
que afinal eram seus amigos, deixar de ir. João reafirmou que não ia. Encarregou Maria de 
telefonar para Luísa e dar uma desculpa qualquer. Que marcassem o jantar para a noite 
seguinte. 
Maria telefonoupara Luísa e disse que João chegara em casa muito abatido, até com um 
pouco de febre, e que ela achava melhor não tirá-lo de casa naquela noite. Luísa disse 
que era uma pena, que tinha preparado uma Blanquette de Veau que era uma beleza, 
mas que tudo bem. Importante é a saúde e é bom não facilitar. Marcaram o jantar para a 
noite seguinte, se João estivesse melhor.” 
 
 
 
3.3 TIPOLOGIA DESCRITIVA (DESCRIÇÃO) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
40 
 
 
A descrição é um processo de caracterização que exige sensibilidade e 
perspicácia, pois, por meio dela se oferece ao interlocutor uma imagem, uma 
espécie de fotografia do que é descrito. A tipologia textual descritiva consiste em 
apresentar detalhes, características de uma pessoa, de determinado objeto, de um 
animal ou até mesmo de uma cena , sem se preocupar com a progressão temporal. 
Os textos em que predomina a descrição são, geralmente, compostos por muitos 
adjetivos, já que a finalidade é caracterizar, colocar em destaque os aspectos do 
objeto descrito. Em textos descritivos, podem aparecer verbos que exprimem ação, 
mas o foco não é indicar uma progressão temporal, como acontece nos textos 
narrativos. 
O ato de descrever pode ser feito de dois modos: de modo objetivo- quando 
descreve-se o objeto, ação, as pessoas, utilizando uma linguagem comum e em 
sentido denotativo, ou seja, sentido literal da palavra. Nesse tipo de descrição, os 
detalhes são apresentados tal qual a realidade: forma, cor, tamanho, peso, cheiro, 
etc. 
A descrição feita de modo subjetivo acontece por meio de uma linguagem 
mais pessoal, produto da impressão que se tem do objeto, ação, ou ser descrito. A 
descrição subjetiva é também conhecida como impressionista ou psicológica, já 
que nela se reflete o estado de espírito do autor do texto e o objeto descrito 
apresenta as impressões pessoais de quem o descreve. 
Veja, no trecho abaixo, a descrição objetiva que Aluísio Azevedo faz de uma 
personagem: 
 
Não vinha em traje de domingo; trazia casaquinho branco, uma saia que lhe deixava ver 
o pé sem meia num chinelo de polimento com enfeites de marroquim de diversas cores. No 
seu farto cabelo, crespo e reluzente, puxado sobre a nuca, havia um molho de manjericão 
e um pedaço de baunilha espetado por um gancho. E toda ela respirava o asseio das 
brasileiras e um odor sensual de trevos e plantas aromáticas. Irrequieta, saracoteando o 
atrevido e rijo quadril baiano, respondia para a direita e para a esquerda, pondo à mostra 
um fio de dentes claros e brilhantes que enriqueciam a sua fisionomia com um realce 
fascinador. 
 
AZEVEDO, Aluísio de. O Cortiço. São Paulo: Editora Scipione, 1995. 
 
No trecho abaixo, têm-se um exemplo de descrição subjetiva de uma perso-
nagem, haja vista que as impressões do autor sobre a pessoa descrita ficam eviden-
tes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 
 
 
Não era uma mulher, era uma sílfide, uma visão de poeta, uma criatura divina. Era loura; 
tinha os olhos azuis, que buscavam o céu ou pareciam viver dele. Os cabelos, 
desleixadamente penteados, faziam-lhe em volta da cabeça, um como resplendor de 
santa; santa somente, não mártir, porque o sorriso que lhe desabrochava os lábios era um 
sorriso de bem-aventurança, como raras vezes há de ter tido a terra. 
Um vestido ranço, de finíssima cambraia, evolvia-lhe o corpo, cujas formas, aliás, 
desenhava, pouco para os olhos, mas muito para a imaginação. 
 
ASSIS, Machado de. A chinela turca. Rio de Janeiro: Editora Aguilar. 1986. 
 
Os dois trechos apresentados acima são exemplos de tipologia descritiva. 
Vejamos quais as características apresentadas por eles que os fazem ser classificados 
como tal. Todos os enunciados são simultâneos, ou seja, tudo acontece ao mesmo 
tempo. Não há nenhuma transformação de estado e seria possível inverter a posição 
dos enunciados sem que o entendimento fosse comprometido. 
 
3.4 TIPOLOGIA DISSERTATIVA (ARGUMENTATIVA) 
A tipologia textual dissertativa configura-se em estruturas em que o autor faz 
uma exposição de ideias, de pontos de vista, fundamentados em argumentos e 
raciocínios, por meio dos quais ele procura convencer o leitor acerca de 
determinado tema. Os textos dissertativos costumam apresentar três partes 
fundamentais: a introdução (parte do texto em que o autor apresenta, em linhas 
gerais, o tema que será abordado); o desenvolvimento (a partir da exposição de 
argumentos, o autor apresenta o seu ponto de vista com a finalidade de defendê-
lo) e a conclusão (o autor sintetiza o ponto de vista defendido no desenvolvimento, 
afirmando seu o posicionamento). 
A dissertação é utilizada quando o objetivo é defender uma tese, ou seja, uma 
ideia e, consequentemente convencer o interlocutor sobre algum ponto de vista. 
Para isso, o produtor do texto dissertativo deve apresentar hipótese e, no fio do 
discurso, justificar a hipótese utilizando-se de estratégias argumentativas. 
A tipologia dissertativa pode ter caráter expositivo ou argumentativo a 
depender do objetivo do produtor do texto. Ele será dissertativo / expositivo quando 
a ênfase for dada à reflexão e ao raciocínio por meio da apresentação de dados, 
conceitos que levem ao leitor a informação ou conhecimento pretendido. Já nos 
textos dissertativos de caráter argumentativo o autor objetiva comprovar o que 
afirma e utiliza estratégias argumentativas, tais como citações, dados, argumento de 
autoridade, exemplos e outros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
42 
 
 
Como já foi dito anteriormente, o texto dissertativo constitui-se em três 
etapas, cada uma delas com funções bem definidas que, somadas, oferecem ao 
leitor uma visão de totalidade. Observe com mais detalhes cada uma dessas partes: 
A introdução é a parte ou momento do texto em que a ideia central, a tese, é 
apresentada. A ideia principal representa o ponto de partida para a organização 
textual, é a partir dela que o leitor adere ou não ao texto, por isso, essa etapa exige 
capacidade de síntese e clareza na exposição da temática. É na introdução que se 
apresenta ao interlocutor um contato direto com os elementos que encaminharão 
a argumentação, para que o texto obtenha maior objetividade, rigor e 
credibilidade. 
O desenvolvimento é a parte ou momento do texto em que são inseridos e 
articulados novos argumentos. As informações apresentadas na introdução são 
analisadas, debatidas em confronto com outras informações do meio a que 
pertence o tema. É no desenvolvimento que outras vozes são trazidas para reforçar 
o ponto de vista do autor. 
Esse movimento argumentativo pode se dar por meio de sustentação, refu-
tação ou negociação e os tipos de argumentos utilizados podem ser: argumento de 
autoridade, argumentos por exemplificação, argumentos de princípios, relação de 
causa e consequência e outras estratégias argumentativas. 
A conclusão é a parte ou momento do texto em que será sintetizado o que 
há de mais relevante no conteúdo desenvolvido. O objetivo é apresentar as 
considerações finais sobre a temática discutida. 
Veja o exemplo de um texto dissertativo, “Olhares que buscam o Brasil”, 
redação do ENEM escrita pela estudante Caroline Lopes dos Santos. 
 
Quadro 2: Análise de um texto dissertativo 
 
Introdução: o autor 
introduz a discussão e 
apresenta seu ponto 
de vista. 
Ao despontar como potência econômica do século XXI, o Brasil 
tem cada vez mais atraído os olhares do mundo, chamando a 
atenção da mídia, de grandes empresas e de outros países. 
Contudo, é outro olhar não menos importante que deveria 
começar a nos sensibilizar mais: o olhar marginalizado e cheio 
de esperança daqueles que não têm dinheiro, dos famintos e 
desempregados ao redor do globo. São pessoas com esse perfil 
que majoritariamente contribuem para o crescente volume de 
imigrantes no país, e o que se vê é uma ausência de políticas 
públicas eficientes para receber e integraressas pessoas à 
sociedade. 
Desenvolvimento: o 
autor desenvolve 
Não parece que a solução seja simplesmente deixar que imi-
grantes pouco qualificados continuem entrando no país de 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
43 
 
 
argumentos para 
justificar seu ponto de 
vista. 
 
 
forma irregular e esperar que eles, sozinhos, encontrem um ofício 
para se sustentar. O governo ainda não percebeu que a 
regularização desses imigrantes e a inserção dos mesmos no 
mercado de trabalho formal poderiam servir como 
oportunidades para o país arrecadar mais impostos e possíveis 
futuros cidadãos, ou seja, novos contribuintes para a deficitária 
Previdência Social. 
Visando aproveitar tais benefícios, o governo poderia começar 
a implantar, nas regiões por onde chegam os imigrantes, mais 
órgãos e agências que oferecessem serviços de regularização 
do visto e da carteira de trabalho, posto que ainda há muita 
deficiência de controle nesse setor. Além disso, nos destinos 
finais desses imigrantes poderiam ser oferecidos cursos de 
português e cursos qualificantes voltados para os mesmos. Isso 
facilitaria muito a inserção dessas pessoas no mercado de 
trabalho formal e poderia inclusive suprir a alta demanda por 
mão-de-obra em setores como o da construção civil, por 
exemplo. 
Conclusão: o autor 
retoma a 
argumentação e 
finaliza o texto. 
 
Nesse sentido, é preciso que atitudes mais energéticas sejam 
tomadas a fim de que o país não deixe escapar essa 
oportunidade: a de transformar o problema da imigração 
crescente em uma solução para outros. A questão merece mais 
atenção do governo, portanto, pois não deve ser a toa que o 
Brasil, além de ser conhecido pela hospitalidade, também o é 
pelo modo criativo de resolver problemas. Prestemos mais 
atenção aos olhares que nos cercam; deles podem vir novas 
oportunidades. 
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3m815FQ. Acesso em: 20 mar. 2021. 
 
3.5 TIPOLOGIA INJUNTIVA 
É um texto instrucional, que indica procedimentos a serem realizados. O 
objetivo pode ter caráter persuasivo ou apenas instrutivo. São exemplos de textos 
injuntivos as receitas, os manuais de instruções, as bulas de remédios, etc. As marcas 
linguísticas predominantes nesse tipo de texto são: verbos no modo imperativo, ou no 
infinitivo, linguagem acessível, uma vez que a finalidade é instruir. 
 
 
 
 
 
 
Exemplo de texto injuntivo: 
 
Manual de Instruções SUPER MIXER MARKOCH 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
44 
 
 
 
RECOMENDACÕES E ADVERTÊNCIAS IMPORTANTES: 
 Antes de utilizar o aparelho, leia atentamente todas as instruções de uso, pois elas 
são necessárias para um perfeito funcionamento de seu produto, e para sua se-
gurança: 
 Antes de ligar o plugue na tomada, verifique se a voltagem do aparelho é 
compatível com a da rede elétrica local. 
 Este aparelho foi produzido para fins domésticos; sua utilização comercial 
acarretará a perda da garantia. 
 Desligue o aparelho da tomada sempre que não estiver utilizando o mesmo. 
 Para evitar choques elétricos, nunca use o aparelho com as mãos molhadas, não 
molhe o corpo do aparelho e não o mergulhe em água. 
 Para evitar acidentes, não permita que crianças utilizem o produto ou mesmo 
pessoas que desconheçam suas instruções de uso. 
 Sempre que colocar o aparelho de lado, mesmo que por breves instantes, 
desligue-o. 
 Não utilize extensões auxiliares para aumentar o comprimento do cabo plugue. 
 Nunca permita que o cabo plugue se encoste a superfícies quentes. 
 Nunca transporte ou desligue o produto puxando pelo cabo plugue. 
 Nunca use o produto com o cabo plugue ou plugue danificados, ou ainda se o 
produto apresentar mau funcionamento. Leve-o a uma Assistência Técnica Autori-
zada MARKOCH. 
 Para não perder a garantia, evitar problemas técnicos e risco de acidentes ao 
usuário, não permita que sejam feitos consertos e/ou trocas de peças em casa; 
caso seja necessário, leve o produto a uma Assistência Técnica Autorizada 
MARKOCH. 
 
Alguns teóricos apresentam outras tipologias textuais, tais como dialogal e 
preditiva, porém as tipologias abordadas nesta unidade são as consideradas mais 
importantes, haja vista que estão presentes nos diversos gêneros textuais/discursivos 
que circulam na sociedade. É importante ressaltar que um único texto pode conter 
mais de uma tipologia, pois elas se mesclam e se completam. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
45 
 
 
FIXANDO O CONTEÚDO 
1. (ENEM 2019) Leia o trecho da canção abaixo: 
 
Blues da piedade 
Vamos pedir piedade 
Senhor, piedade 
Pra essa gente careta e covarde 
Vamos pedir piedade 
Senhor, piedade 
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem 
 
CAZUZA. Cazuza: o poeta não morreu. Rio de Janeiro: Universal Music, 2000 (fragmento). 
 
 
Todo gênero apresenta elementos constitutivos que condicionam seu uso em 
sociedade. A letra de canção identifica-se com o gênero ladainha, essencial-
mente, pela utilização da sequência textual: 
 
a) expositiva, por discorrer sobre um dado tema. 
b) narrativa, por apresentar uma cadeia de ações. 
c) injuntiva, por chamar o interlocutor à participação. 
d) descritiva, por enumerar características de um personagem. 
e) argumentativa, por incitar o leitor a uma tomada de atitude. 
 
2. (ENEM 2020) Leia o texto abaixo; 
 
Caminhando contra o vento, 
Sem lenço e sem documento 
No sol de quase dezembro 
Eu vou 
O sol se reparte em crimes 
Espaçonaves, guerrilhas 
Em cardinales bonitas 
Eu vou 
Em caras de presidentes 
Em grandes beijos de amor 
Em dentes, pernas, bandeiras 
Bombas e Brigitte Bardot 
O sol nas bancas de revista 
Me enche de alegria e preguiça 
Quem lê tanta notícia 
Eu vou 
 
VELOSO, C. Alegria, alegria. In: Caetano Veloso. São Paulo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
46 
 
 
É comum coexistirem sequências tipológicas em um mesmo gênero textual. Nesse 
fragmento, os tipos textuais que se destacam na organização temática são: 
 
a) descritivo e argumentativo, pois o enunciador detalha cada lugar por onde passa, 
argumentando contra a violência urbana. 
b) dissertativo e argumentativo, pois o enunciador apresenta seu ponto de vista sobre 
as notícias relativas à cidade. 
c) expositivo e injuntivo, pois o enunciador fala de seus estados físicos e psicológicos 
e interage com a mulher amada. 
d) narrativo e descritivo, pois o enunciador conta sobre suas andanças pelas ruas da 
cidade ao mesmo tempo que a descreve. 
e) narrativo e injuntivo, pois o enunciador ensina o interlocutor como andar pelas ruas 
da cidade contanto sobre sua própria experiência. 
 
3. Leia atentamente o texto e analise as informações: 
 
[...] Vovó me contava uma ou duas histórias, acariciava minha face, beijava a minha 
testa e imediatamente a esfregava com um lencinho perfumado , que mantinha 
sempre enfiado dentro da manga esquerda para espanar ou esmagar os micróbios, e 
apagava a luz. Mesmo no escuro, ela continuava a cantarolar, não era em cantarolar, 
nem murmurar, nem mesmo um zumbir baixinho, como posso dizer, ela fazia surgir de 
dentro dela própria uma voz distante, onírica , um som cor de nozes, escuro e agradável 
, que lentamente se transformava num eco, num tom, um matiz, um cheiro, uma leve 
aspereza, um calor, uma cálida água de poço[...] toda a noite. 
 
OZ, Amós. De amor e de trevas. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. 
 
I. O texto é predominantemente descritivo, pois apresenta verbos que indicam 
ações habituais, ocorridas no passado. 
II. A presença dos sentidos do tato, do olfato, da visão e da audição acentua o 
caráter descritivo do texto. 
III. A expressão “imediatamente”, presente no trecho, por indicar a ideia de ação, 
permite concluir que ele é predominantemente narrativo. 
 
Em relação a essas informações, é correto afirmar que: 
 
a) Apenas a I é verdadeira. 
b) Apenas a II é verdadeira. 
c) Apenas as afirmações I e III são verdadeiras.. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
47 
 
 
d) Apenas as afirmaçõesI e II são verdadeiras. 
e) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras. 
 
Leia o texto abaixo para responder as questões 4 e 5. 
A carreira do crime 
 
Estudo feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz sobre adolescentes recru-
tados pelo tráfico de drogas nas favelas cariocas expõe as bases sociais dessas qua-
drilhas, contribuindo para explicar as dificuldades que o Estado enfrenta no combate 
ao crime organizado. 
O tráfico oferece ao jovem de escolaridade precária (nenhum dos entrevistados havia 
completado o ensino fundamental) um plano de carreira bem estruturado, com salários 
que variam de R$ 400,00 a R$ 12.000 mensais. Para uma base de comparação, convém 
notar que, segundo dados do IBGE de 2001, 59% da população brasileira com mais de 
dez anos que declara ter uma atividade remunerada ganha no máximo o ‘piso salarial’ 
oferecido pelo crime. Dos traficantes ouvidos pela pesquisa, 25% recebiam mais de R$ 
2.000 mensais; já na população brasileira essa taxa não ultrapassa 6%. 
Tais rendimentos mostram que as políticas sociais compensatórias, como o Bolsa-Escola 
(que paga R$ 15 mensais por aluno matriculado), são por si só incapazes de impedir 
que o narcotráfico continue aliciando crianças provenientes de estratos de baixa 
renda: tais políticas aliviam um pouco o orçamento familiar e incentivam os pais a 
manterem os filhos estudando, o que de modo algum impossibilita a opção pela 
delinquência. No mesmo sentido, os programas voltados aos jovens vulneráveis ao 
crime organizado (circo-escola, oficinas de cultura, escolinhas de futebol) são 
importantes, mas não resolvem o problema. 
A única maneira de reduzir a atração exercida pelo tráfico é a repressão, que aumenta 
os riscos para os que escolhem esse caminho. Os rendimentos pagos aos adolescentes 
provam isso: eles são elevados precisamente porque a possibilidade de ser preso não 
é desprezível. É preciso que o Executivo federal e os estaduais desmontem as 
organizações paralelas erguidas pelas quadrilhas, para que a certeza de punição 
elimine o fascínio dos salários do crime. 
Editorial. Folha de São Paulo. 
 
4. No Editorial, o autor defende a tese de que “as políticas sociais que procuram 
evitar a entrada dos jovens no tráfico não terão chance de sucesso enquanto a 
remuneração oferecida pelos traficantes for tão mais compensatória que aquela 
oferecida pelos programas do governo”. Para comprovar sua tese, o autor 
apresenta: 
 
a) instituições que divulgam o crescimento de jovens no crime organizado. 
b) sugestões que ajudam a reduzir a atração exercida pelo crime organizado. 
c) políticas sociais que impedem o aliciamento de crianças no crime organizado. 
d) pesquisadores que se preocupam com os jovens envolvidos no crime organizado. 
e) números que comparam os valores pagos entre os programas de governo e o 
crime organizado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
48 
 
 
 
5. Com base nos argumentos do autor, o texto aponta para: 
 
a) Uma denúncia de quadrilhas que se organizam em torno do narcotráfico. 
b) a constatação de que o narcotráfico restringe-se aos centros urbanos. 
c) o convencimento do leitor de que para haver a superação do problema do nar-
cotráfico é preciso aumentar a ação policial. 
d) uma exposição numérica realizada com o fim de mostrar que o negócio do nar-
cotráfico é vantajoso e sem riscos. 
 
6. Analise as afirmações sobre o texto abaixo e marque a sequência correta: 
 
Tarde de verão, é levado ao jardim na cadeira de braços –sobre a palhinha dura a 
capa de plástico e, apesar do calor, manta xadrez no joelho. Cabeça caída no peito, 
um fio de baba no queixo. Sozinho, regala-se com o trino da corruíra, um cacho 
dourado de giesta e, ao arrepio da brisa, as folhinhas do chorão faiscando –
verde, verde! primeira vez depois do insulto cerebral aquela ânsia de viver. De 
novo um homem, não barata leprosa com caspa na sobrancelha –e, a sombra das 
folhas na cabecinha trêmula adormece. Gritos: Recolha a roupa. Maria, feche a 
janela. Prendeu o Nero? Rebenta com fúria o temporal. Aos trancos João ergue o 
rosto, a chuva escorre na boca torta. Revira em agonia o olho vermelho –é uma 
coisa, que a família esquece na confusão de recolher a roupa e fechar as janelas? 
Trevisan, Dato In: Ah, é?. 2.ed. Rio de Janeiro: Record, 1994). 
 
 
I. O trecho apresenta sequência dissertativa argumentativa. 
II. Trata-se do um trecho de uma narrativa que apresenta elementos descritivos. 
III. A voz narrativa é de primeira pessoa. Trata-se de um narrador-
personagem. 
IV. É possível perceber tanto a descrição objetiva quanto subjetiva no trecho 
transcrito. 
 
a) V, V, V, V 
b) V, F,V, F 
c) F,F,F,F 
d) F, V,F,V 
e) F,V,V,V 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
49 
 
 
Leia os textos abaixo: 
 
Medo de ser feliz 
De onde vem a sensação de que a nossa felicidade pode ser destruída a qualquer 
momento? (IVAN MARTINS) 
Por uma razão ou outra, a gente vive com medo. A sensação de que as coisas 
podem repentinamente dar errado faz parte da nossa essência, eu acho. Alguns a têm 
mais forte; outros, mais fraca. Mas a ansiedade essencial em relação ao futuro está lá, 
em todos nós – mesmo quando estamos apaixonados e contentes. Ou, sobretudo, 
quando apaixonados e contentes. [...] 
Já vi pessoas ficarem com tanto medo do futuro que detonam o presente. É 
uma espécie de pânico em câmera lenta. O sentimento de desastre iminente é tão 
forte, a sensação de insegurança é tão grande, que a pessoa conclui (mesmo que seja 
de maneira inconsciente) que é melhor chutar logo o pau da barraca e sair correndo, 
em qualquer direção – deixando para trás o relacionamento, o emprego, o futuro e 
tudo o mais que estava dando certo e por isso mesmo parecia estar sob ameaça. É 
uma piração, claro, mas gente normal faz essas coisas todos os dias. 
Existe uma coisa chamada medo de ser feliz. Não estou falando daquele clichê 
sobre as pessoas terem medo de se entregar ao sentimento do amor e por isso não 
darem bola ao que sentimos por ela. Em geral, essa situação esconde um equívoco: a 
pessoa em questão não sente nada relevante por nós, mas preferimos acreditar que 
ela tem “medo de amar”. É uma ficção que protege a nossa autoestima e rende uma 
boa história para contar aos amigos. Mas quase nunca é verdade. 
Existem, porém, pessoas tocadas por dores tão intensas, por experiências tão 
sofridas, que não conseguem evitar a sensação de que tudo de mau vai se repetir, de 
uma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde. Esse sentimento é ainda mais forte 
quando tudo vai bem e existe algo importante a ser perdido. Apaixonada e feliz, a 
pessoa começa a ser perseguida por seus medos. 
 
7. (COTEC) Em “A sensação de que as coisas podem repentinamente dar errado faz 
parte da nossa essência, eu acho.”, a expressão em destaque demonstra: 
 
a) uma certeza científica em relação ao que o autor afirma anteriormente. 
b) que várias pessoas compartilham da mesma opinião do autor em relação ao que 
foi dito. 
c) que o autor não concorda com a afirmação feita anteriormente. 
d) que a afirmação anterior é uma consideração do autor. 
e) que o autor é uma autoridade nesse assunto. 
 
8. Observando a predominância da sequência textual, com base no que você 
conhece sobre tipologia textual, pode-se afirmar que: 
 
a) O texto é predominantemente descritivo. 
b) Trata-se de um texto narrativo. 
c) Têm-se um exemplo de tipologia dissertativa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
50 
 
 
d) O texto é injuntivo. 
e) O texto apresenta a tipologia dialogal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
51 
 
 
ELEMENTOS LINGUÍSTICOS TEXTUAIS 
 
 
 
4.1 INTRODUÇÃO 
Conforme vimos na unidade 2, texto é a “ocorrência linguística falada ou es-
crita, de qualquer extensão, dotada de unidade sociocomunicativa, semântica e 
formal” (COSTA VAL, 1999, p. 3). Em outros termos, texto não é apenas uma sequência 
de palavras

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