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Aula 2 - CIencia Politica

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Aula 2 - Ciência Política
Heráclito de Éfeso (550-480 a.C.).
Seus 126 fragmentos chamam a
atenção por suas intuições e pela
visão de um universo em movimento.
Pensa um mundo fluido, animado por
um jogo de
forças contrárias que muda sem
cessar. "Tudo flui" e "não se banha
duas vezes no mesmo rio"
O fogo é a matéria primordial que,
entrando em contato com outros
elementos (mar, terra, atmosfera),
produz um jogo de forças opostas
umas às outras, contribuindo para
uma ordem universal equilibrada. O
logos é o principio universal e
permanente que rege a ordem do
mundo. É a razão universal que
garante a continuidade do mundo. Há
aí um paralelo entre a visão do
cosmos e a da cidade. Se o universo
alcança o equilíbrio entre seus
elementos opostos, também a cidade
pode alcançar a ordem e a justiça. Se
o logos comanda o universo, a lei civil
(nomos) deve comandar a cidade. O
equilibrio da cidade depende do
equilíbrio entre as classes sociais e o
respeito de todos às leis. O injusto
está no excesso, na desmedida
(hybris).
Esses primeiros filósofos,
considerados fisicos, adotam o mundo
físico (a physis) como modelo, mas a
filosofia posterior vai tomar o homem e
a sociedade por seu objeto.
Sócrates e os Sofistas: na democracia
de Atenas, a palavra é a arma para
derrotar o adversário. Nesse contexto,
nascem os sofistas e o socratismo,
dirigindo a filosofia para o homem e o
mundo que o cerca.
Para os Sofistas, a democracia
depende da arte da persuasão e de
técnicas de expressão, sendo a
argumentação e o debate seus
instrumentos principais Têm grande
influência na democracia de Atena
Protázoras, Górgias, Pródicos e
Hipias: Para Protágoras de Abdera
(490-420 a. C), o homem , a medida
de todas as coisas Para ele, o
conhecimento se constroi através das
sensações que variam de um individuo
para o outro. A filosofia deve então se
dedicar à compreensão do homem e
Não à explicação dos princípios da
natureza. É cético em relação à
tradição defende a democracia. Os
homens só podem se entender
através de leis e convenções para se
governarem livremente. Górgias de
Leontinol é famoso por sua eloquência
e dons de improvisação. Atribui poder
quase mágico à retórica que considera
a fonte de toda autoridade,
Pródicos e Migias são caricaturados
por Platão, sendo o primeiro ligado a
uma moral do trabalho e o segundo às
qualidades persuasivas da erudicão
Trasímaco, Antifonte e Cálicles:
segunda geração de sofistas se
dedica mais ao mundo da cidade,
sustentando que o poder é apenas
uma relação de forças através das
quais uns se impõem aos outros. À
cidade, nesse caso, deve garantir a
proteção e a segurança para todos.
Crítica a democracia como arma dos
fracos para limitarem o poder e se
imporem aos mais fortes. O poder,
para Trasímaco, não pode ser a
representação de um ideal que busca
o Bem e a justiça. A lei para ele não é
expressão de um equilíbrio, mas
reflexo dos interesses dos que detém
a força naquele momento. Antifonte
também se mostra cético com relação
às leis da cidade, dizendo que a lei é
expressão artificial e temporária de
compromissos assumidos entre os
homens e, por isso, pode ser violada e
o homem pode transgredir a natureza,
se desenvolvendo a si mesmo. Crítias
é hostil à democracia é um dos Trinta
Tiranos de Atenas Cilicieis defende
simplesmente o direito do mais forte. A
justiça, para ele, é aquela que
reconhece cada um segundo a sua
força, é a potência dos homens
superiores e se opõe à justiça
convencional do amor, expressão dos
fracos e medíocres.
Os Sofistas foram desacreditados por
Platão e Aristóteles, mas contribuíram
para a evolução do pensamento.
Valorizando a linguagem e a palavra,
distinguem o homem do animal, o que
lhes permite transformar o mundo. A
eles se deve, no entanto, a oposição
entre o mundo da natureza (physis) e
o mundo dos homens (nomos), entre
as leis do cosmos e as leis da cidade.
Sócrates (469-399 a. C.) inaugura
uma nova fase na filosofia. Só
conhecemos dele o retrato deixado
por Xenofonte e por algumas
interpretações de Aristóteles.
Ensinamento oral. Sua fórmula
"conhece-te a ti mesmo" é o ponto de
partida de todo conhecimento A um
caminho moral para ter acesso ao
Bem e ao Justo. Cria a ética. Cético
em relação à democracia ateniense,
pois a democracia confia a política a
homens designados pelo sufrágio de
uma massa ignorante ou ainda pelas
leis do acaso. Os governantes
permanecem cativos dos caprichos da
multidão. Para ele, a política é uma
arte que exige excelência moral,
requer o conhecimento e a aptidão em
buscar o bem e, por isso, só pode ser
confiada aos melhores que dispõem
da sabedoria e da virtude. Mostra
hostilidade ao regime de Péricles que
prepara o terreno para políticos
incapazes e medíocres. Respeita o
nomos, a lei dos homens que resulta
da discussão democrática. Ela não
contradiz a physis, a lei da natureza,
como afirmam os sofistas. Respeita as
leis da cidade e sua ordem. A relação
do cidadão com a cidade é como a do
pai com o filho, do senhor com o
escravo, supõe a desigualdade das
condições e a
dependência total. A partir de
Sócrates, a filosofia toma por objeto os
homens organizados em comunidade
na polis.
Platão e a Cidade Ideal
Fortemente inspirado por Sócrates de
quem foi discípulo, Platão (427-346 a.
C.) faz a primeira tentativa de uma
reflexão sistemática sobre o poder
político. Esse é o tema de três de suas
obras da maturidade: A República, O
Político e As Leis. Observador atento
da democracia
ateniense, assiste ao seu fim, na
guerra do Peloponeso, em 404, à sua
restauração, após a queda da tirania
dos Trinta tiranos, e à sua
degradação, ao longo do séc. IV.
Morre dez anos antes do fim da
democracia, quando Alexandre toma
Atenas, em 336 a.C. Com origens na
aristocracia (membros de sua família
participaram da tirania dos Trinta),
Platão despreza a democracia. Decide
se dedicar à filosofia, procurando as
formas ideais das "Constituições" ou
dos regimes políticos. Sua reflexão se
orienta para as condições ideais de
realização do bem, da moral e da
verdade.
Baseia a ordem política na moral ou
sobre um conjunto de valores que
conduzam ao Bem e ao Justo.
Concepção elitista da cidade. O
governo político deve se fundar sobre
a excelência dos melhores e numa
ordem social hierarquizada. É visto
hoje como um pensador que busca na
moral as garantias da estabilidade
social e da justiça. Há quatro
características dominantes da filosofia
política platônica:
A busca da justiça: a justiça platônica
consiste em cada um encontrar o seu
lugar e a posição que lhe convém,
segundo suas qualidades e
competências. Os postos de
responsabilidade devem ser
distribuídos entre os homens em
função de sua virtude e de seu mérito.
A justiça não consiste numa lei
abstrata aplicada a todos, mas ela
leva em conta as particularidades de
cada um, suas aptidões naturais, seus
gostos e inclinações. Define os valores
e as regras de organização geral da
sociedade ideal.
Associa a análise do governo à teoria
geral do conhecimento. A política justa
repousa sobre a razão e, por isso, se
volta contra os sofistas que tendem a
agradar apenas a opinião da maioria,
funda apenas na observação imediata
do mundo visível, nos sentimentos e
apetites sensíveis. Ao contrário, o
governo da cidade deve apoiar-se
muito mais num conhecimento exato
da ordem das coisas e da natureza
dos seres. Só a filosofia dá acesso à
verdade e pode conduzir a ações
virtuosas.
Estabelece uma ligação indissociável
entre o indivíduo e a cidade, entre a
alma nobre e a arte política. O assunto
central da política são as qualidades
humanas e a moralidade dos atos.
Portanto, a boa política depende das
qualidades morais dos cidadãos, em
sua alma virtuosa e em seu gosto de
felicidade comum, além do desprezo
pelas riquezas pessoais: Um governo
é bom se cada cidadão é capaz de
agir de acordo com o Bem. Como a
política depende da faculdade de
julgar, só pode ser comandada por
aquele que possui determinadas
qualidades morais e possuem uma
competência particular. Pertence à
minoria dos que praticam a virtude e
que, com seuconhecimento, podem
deliberar. A cidade ideal deve ser
capaz de lutar contra as divisões e
levar a uma maior justiça entre os
homens, pois suas regras valorizam
as qualidades morais dos cidadãos.
A cidade ideal platônica: Em A
República, Platão estabelece as
qualidades da cidade ideal. Expõe os
fundamentos de uma sociedade
imaginária onde reinaria a justiça. Faz
uma descrição detalhada da cidade
perfeita (Livros II-VI).
A organização social - os cargos
devem ser ocupados em função da
capacidade de cada um. A cidade
seria dividida em três grupos distintos,
tendo cada um uma função
determinada. O governo deve ser
ocupado pelos cidadãos mais
virtuosos que seriam selecionados
após um longo período de educação,
sendo a elite dos sábios.
Dedicar-se-iam somente ao bem
comum e, por isso, não poderiam ter
propriedade, pois, despojados de toda
riqueza, não seriam corrompidos. Se
casarem, seus filhos deveriam ser
educados pela cidade para que os
pais se dedicassem somente à
felicidade de todos. Os guerreiros
formariam outra classe, treinados
fisicamente para a defesa da cidade
contra as ameaças externas. E o
povo, composto por marinheiros,
camponeses, artesãos e
comerciantes, exerceria funções
econômicas e concentraria todas as
riquezas, pois, não tendo nenhum
poder, não tiraria vantagem delas.
Vantagens do modelo platônico:
separação entre os que produzem e
os que governam; supressão da
distinção entre a esfera privada e a
esfera pública (abolição de toda
comunidade familiar, comunidades de
mulheres e crianças, comunidade de
bens que pertenceriam a todos,
proibição do enriquecimento pessoal).
Essas são as bases de uma ordem
política comum, fundada na abolição
da propriedade privada. O interesse
da cidade está acima dos interesses
individuais ou familiares. Tende ao
autoritarismo ao eliminar toda
expressão individual e se transformar
em sistema disciplinar. Trata-se de
uma aristocracia dos sábios em que
os mais sábios e virtuosos comandam
os que se guiam apenas pelas
emoções e sentimentos. Os
governantes estariam inteiramente
voltados para o bem dos outros.
Os reis filósofos: Platão confia o
poder aos filósofos. Ou o filósofo deve
tornar-se rei ou o rei, filósofo, já que a
arte política implica num conhecimento
profundo da natureza humana. Em O
Político, Platão identifica a arte de
comandar com uma ciência e o
político deve conhecer a ciência do
governo. Na sociedade justa, o
filósofo-rei detém o poder e a ciência.
Com base na dialética, o governante
pode avaliar as propostas contrárias e
identificar aquelas que conduzem ao
Bem. Para ele, as sociedades
corrompidas excluem os filósofos de
todas as magistraturas e não
reconhecem sua aptidão para julgar o
verdadeiro.
É a educação que deve selecionar os
melhores e deve conter um
ensinamento físico, intelectual e moral
que associa a ginástica, a matemática
e a dialética. Ela deve fazer do grupo
dos governantes um grupo
homogêneo, disciplinado, coeso, onde
as individualidades cedem às
obrigações morais exigidas pela
sociedade. Trata-se de uma união do
saber e do poder. Platão recusa o
despotismo (o poder absoluto do rei),
mas reconhece também a diferença
entre a competência dos governantes
e a do filósofo. O filósofo deve
aconselhar o príncipe com seu
conhecimento, interpretar as leis da
cidade, assegurar a educação política
dos cidadãos. Nesse caso, ele nem
sempre comanda, mas exerce uma
função de vigilância, zelando
para que a política caminhe segundo
as regras da virtude e da moral. As
formas de governo: o gosto dos
governantes pelas riquezas e pelo
prazer enfraquece o
senso de comunidade e faz a cidade
entrar numa era de corrupção e de
decadência. Platão propõe então uma
classificação dos regimes políticos,
nos livros VIll, IX e X da República.
Identifica quatro formas dominantes
de governo:
Timocracia: regime fundado na honra
em que os governantes gozam de
estima e
dignidade da população. Garante a
justiça entre os homens, pois respeita
especialização de cada classe. Sua
descrição corresponde às
constituições de Esparta e
Creta, admiradas por Platão por sua
capacidade de manter valores
essenciais como a
dedicação à comunidade e o
desinteresse pelas riquezas além de
sua estabilidade
Oligarquia: governo de pequeno
número dotados de riqueza.
Hierarquia fundada na comodidade e
na fortuna. É perigosa, pois suscita
todas as cobiças, ambições,
ostentação e desprezo pelos mais
humildes. Atiça a tensão entre ricos e
pobres. O exercício do poder tende à
busca de mais e mais riquezas. Os
pobres só têm que se revoltar e exigir
uma constituição que eles controlem.
Democracia: governo do maior
número. Ele a vê como o regime dos
miseráveis contra as classes
afortunadas. Incapaz de manter a paz
e a unidade na cidade. Não respeita a
especialização de cada e cai na
anarquia. Por recusar as hierarquias
sociais, destrói os laços comunitários.
A seleção de governantes pelo sorteio
é seu principal erro, pois promove a
incompetência. O governo do povo é,
para Platão, um regime decadente.
Ela submete a política à apreciação
cega de massa de cidadãos incultos,
dominados pelas paixões e interesses
imediatos, caindo na demagogia.
Tirania: incapaz de governar-se pela
ecclesia, sujeita à desordem
constante, à disputa e corrupção pela
compra de votos, tendo o povo de
recorrer a chefes capazes de ordem e
estabilidade. Vendo no chefe seu
protetor, a massa se sujeita a ele e o
tirano governa segundo seus
caprichos, negando os princípios e
regras da sabedoria e da virtude.
Muda rapidamente para o despotismo
intransigente com a violência como
instrumento de poder. O povo torna-se
então escravo de um senhor!
Ver classificação das constituições na
pâg. 46 de Oliveir Nay.
A proteção das leis e a defesa da
constituição: Contra a tendência
autoritária da República, O Político e
as leis admitem o papel da legislação
na busca da Justiça. Na ausência do
rei filósofo,
Platão admite que a lei tem a
vantagem de manter uma regra
comum para o conjunto da sociedade
e limitar o poder despótico. Sendo
expressão da razão, as leis podem
manter a estabilidade do governo.
Platão denuncia também os excessos
do poder absoluto, propondo a
moderação e o equilibrio. Estabelece
também a classificação das
constituições imperfeitas em O
Político. Ver pág. 47.
Admite que as leis podem reforçar a
estabilidade da vida política e impedir
as piores injustiças e, por isso, elas
mantêm a ordem social e limitam os
riscos de abuso de poder dos
governantes. Nessa obra, O Político,
não são mais os sábios que devem
governar, mas eles Devem elaborar
leis, zelar por sua aplicação, pelo
respeito à moral e à virtude. Como a
justiça perfeita é inacessível aos
homens, a cidade deve buscar a justa
medida'. Platão então defende o
princípio da constituição mista, uma
forma híbrida de governo que busca
uma mediação entre a monarquia e a
democracia. Esse regime médio
condena os excessos da liberdade e
do despotismo.
No geral, Platão, em sua filosofia
política, sacrifica a individualidade, a
liberdade e o autodesenvolvimento em
nome da comunidade e do bem
comum. Só uma mudança radical do
homem e da sociedade pode permitir
a vida feliz e a justiça. Por isso, a
cidade platônica é desigual e
antidemocrática e nega a pluralidade
dos pensamentos e opiniões que
devem ceder ao conhecimento
superior do filósofo. Propõe a volta a
uma concepção moral da vida pública,
embora não escape a uma tendência
ao autoritarismo que Aristóteles vai
depois denunciar.
A filosofia política de Aristóteles
Aristóteles (384-322 a.C.) apresenta
inovações em relação à política
platônica, embora a influência de
Platão sobre ele seja inegável dado
que foi aluno da Academia por quase
vinte anos. Se Platão ainda está preso
ao estilo alegórico e à poesia,
Aristóteles usa um estilo
totalmente racional. Seu método é o
exame analitico, a demonstração
lógica e o método histórico. Introduz o
raciocínio lógico na observação da
vida da cidade.

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