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GRAMÁTICA
Pronomes Oblíquos, Vozes Verbais e 
Funções do SE
Livro Eletrônico
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Pronomes Oblíquos, Vozes Verbais e Funções do SE
GRAMÁTICA
Elias Santana
Sumário
Pronomes Oblíquos, Vozes Verbais e Funções do SE ..................................................................................3
1. Bloco I: Pronomes Oblíquos e Colocação Pronominal ............................................................................3
1.1. Pronomes Pessoais .................................................................................................................................................4
1.2. Colocação Pronominal ..........................................................................................................................................8
1.3. Colocação Pronominal em Locuções Verbais ........................................................................................12
2. Bloco II – Vozes Verbais e Funções do SE ...................................................................................................16
2.1. As Vozes Verbais ....................................................................................................................................................16
2.2. A Transposição da Voz Ativa para a Passiva ........................................................................................18
2.3. A Voz Reflexiva ......................................................................................................................................................25
2.4. Outras Funções do SE .......................................................................................................................................27
Questões de Concurso ................................................................................................................................................31
Gabarito ..............................................................................................................................................................................70
Gabarito Comentado ....................................................................................................................................................71
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Pronomes Oblíquos, Vozes Verbais e Funções do SE
GRAMÁTICA
Elias Santana
PRONOMES OBLÍQUOS, VOZES VERBAIS 
E FUNÇÕES DO SE
1. Bloco I: Pronomes oBlíquos e colocação PronomInal
Analise comigo o seguinte exemplo:
EXEMPLO
(1) O professor está feliz! O professor tem alunos dedicados!
A sentença acima é perfeitamente compreensível para qualquer pessoa (até demais)! Note 
que o professor que está feliz é o mesmo que tem alunos dedicados. Todavia, você há de con-
vir comigo que é uma construção linguisticamente pobre, uma vez que apresenta um mesmo 
vocábulo duas vezes. Esse é um mecanismo chamado de coesão por repetição. Consiste em 
repetir uma mesma palavra para formar a malha textual. Vale aqui um aviso importante: repetir 
palavras não é um erro gramatical, mas é um recurso que, quando adotado desnecessária ou 
abusivamente, torna o texto paupérrimo.
Sei que você já está pensando em inúmeras formas de escrever o texto acima. Quero te 
apresentar uma possibilidade:
EXEMPLO 
(2) O professor está feliz! Ele tem alunos dedicados!
Em vez de repetir uma mesma palavra, optei por usar um pronome substantivo. A coesão 
foi estabelecida, mas com vocábulos diferentes. Preciso que você relembre o que é um prono-
me, assunto visto no PDF 1.
Agora, veja comigo essa outra construção:
EXEMPLO
(3) O professor estava em reunião. A diretora chamou o professor.
Mais uma vez, fiz uso da repetição de palavras na construção do texto. Como você já sabe, 
o pronome é uma possibilidade que pode resolver essa questão. Mas o que você acha desta?
EXEMPLO 
(4) O professor estava em uma reunião. A diretora chamou ele. *
Sei que essa é uma forma comumente falada em nosso cotidiano. Ela não é, entretanto, 
aceita pela norma culta. Meu objetivo não é (e nunca será) mudar o jeito como você fala, mas 
te ensinar os padrões previstos para a língua escrita, a fim de que você seja mais assertivo em 
provas e redija melhor. Conforme a tradição gramatical, o correto seria:
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EXEMPLO 
(5) O professor estava em uma reunião. A diretora chamou-o.
Agora, você me questiona:
Professor, mas como saberei qual pronome usar? E esse pronome pode ficar antes do 
verbo também?
Fique tranquilo! É isso que estudaremos neste PDF!
1.1. Pronomes PessoaIs
Você se lembra que, no PDF 2, eu apresentei as pessoas do discurso? Existem, na nossa 
gramática, pronomes responsáveis por designar cada uma delas. Esses são os chamados 
pronomes pessoais. Eles são assim divididos:
Pronomes pessoais
Pessoas do 
discurso Do caso reto
Do caso oblíquo
átonos (P.O.A.) tônicos (P.O.T.)
1ª p. do singular Eu me a mim, comigo
2ª p. do singular Tu te a ti, contigo
3ª p. do singular Ele o, a, lhe, se a ele, a ela, a si, consigo
1ª p. do plural Nós nos a nós, conosco
2ª p. do plural Vós vos a vós, convosco
3ª p. do plural Eles os, as, lhes, se a eles, a elas, a sim, consigo
Para você entender bem o que esses pronomes fazem, precisamos voltar um pouco no 
tempo e falar sobre o latim. Nesta língua, as funções sintáticas eram chamadas de casos. 
Como o português é uma língua derivada do latim, alguns resquícios ficaram na gramática. Em 
outras palavras, os pronomes que são classificados em casos já possuem funções sintáticas 
pré-definidas! Os pronomes pessoais do caso reto, por exemplo, são usados em posição de 
sujeito. Já os pronomes pessoais do caso oblíquo, em geral, ocupam a posição de complementos! 
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GRAMÁTICA
Elias Santana
Isso explica o que ocorre nos exemplos que já foram aqui apresentados. Em 2, o pronome “ele” 
ficou adequado porque desempenhava a função de sujeito, mas não ficou bom em 4 porque 
estava em função de objeto direto. Por isso, em 5, fiz uso de um pronome oblíquo átono de 3ª 
pessoa do singular (“o”) para corrigir o texto. Aqui, algumas perguntas surgem:
Professor, mas pronomes como ele, ela, nós, vós, eles e elas aparecem tanto nos pesso-
ais do caso reto como nos pessoais do caso oblíquo tônico. Como vou diferenciá-los?
Não sei se você percebeu, mas os pronomes oblíquos tônicos são sempre dotados de 
preposição! Essa é a diferença! Nem sempre será a preposição “a”, mas sempre haverá uma 
preposição!
Professor, os pronomes oblíquos só desempenham a função de complemento verbal?
Não. Eles podem também desempenhar outras funções sintáticas, mas isso é pouco co-
brado em provas.
Elias, então o que cai muito em provas?
Os pronomes oblíquos átonos, principalmente os de 3ª pessoa, desempenhando a função 
de complementos verbais (OD ou OI). Eu vou te apresentar outras funçõesdos pronomes, mas 
só ao final do PDF – e de maneira breve! Lembre-se: o seu objetivo aqui é aprender a resolver 
questões de gramática! Logo, atacaremos aquilo que é mais frequente em provas!
Como funcionam os pronomes oblíquos átonos?
Amigo(a), vou, em um quadro simples, apresentar a você como se distribuem os P.O.A. nas 
funções de complemento verbal:
Funções sintáticas dos P.O.A.
me, te, nos, vos (1ª e 2ª p.v.) OD ou OI
o, a, os, as (3ª p.v.) OD
lhe, lhes (3ª p.v.) OI
se (3ª p.v.) estudaremos no PDF “vozes verbais e funções do SE”
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Os pronomes de primeira e segunda pessoas verbais desempenham tanto a função de 
objeto direto quanto a de objeto indireto. Isso, claro, vai depender do verbo a que se ligam. Veja 
os exemplos:
EXEMPLOS 
(6) Ela te encontrou na reunião.
(7) Ela te disse a verdade.
Em 6, o pronome “te” desempenha a função de OD porque quem encontra, encontra al-
guém. Em 7, o mesmo pronome é OI, uma vez que quem diz, diz algo (a verdade=OD) a alguém 
(te=OI). Vamos garantir o entendimento por meio de mais um par de orações:
EXEMPLOS 
(8) Ela nos viu durante o evento.
(9) Ela nos deu aquele lindo presente.
A situação é semelhante, mas agora com um pronome de primeira pessoa do plural. Em 8, 
quem vê, vê alguém (por isso o pronome é OD). Já em 9, quem dá, dá algo a alguém (por isso 
o pronome é OI).
Agora, eu vou ser muito sincero com você: são raras as questões de prova que abordam 
pronomes oblíquos átonos de primeira ou de segunda pessoas. O grande foco dos examinado-
res são os pronomes de terceira pessoa. Isso ocorre por dois motivos: (a) são mais trabalho-
sos; (b) aparecem mais nos textos adotados nas provas.
Vamos ver então como funcionam os pronomes de terceira pessoa:
EXEMPLO 
(10) Ela comunicou o ocorrido aos familiares.
Com a classificação sintática dos termos da oração, podemos determinar quais pronomes 
usaremos. “O ocorrido” e “aos familiares” são pessoas de que se fala – por isso, terceira pes-
soa verbal. Como “o ocorrido” é um OD, devemos substituí-lo por “o” (“ocorrido” é masculino e 
singular). Por sua vez, “aos familiares” é um OI e pode ser substituído por “lhes” (“familiares” 
é plural). Claro que não empregaremos os dois pronomes ao mesmo tempo (essa era uma 
possibilidade comum no português arcaico). No português contemporâneo, as construções 
possíveis seriam:
EXEMPLOS 
(11) Ela comunicou-o aos familiares. (“o”= o ocorrido)
(12) Ela comunicou-lhes o ocorrido. (“lhes” = aos familiares)
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001. (IADES/2014) Em “deu-lhe uma bronca” (linha 6), no lugar do pronome destacado, pode-
ria ser empregado o pronome o.
Note que, na construção, quem dá, dá algo (“uma bronca” = OD) a alguém (lhe = OI). A substi-
tuição sugerida é entre pronomes de funções sintáticas distintas.
Errado.
002. (CESPE/2013) Em busca de mais recursos, Marconi escreveu ao governo italiano, mas 
um funcionário descartou a ideia, dizendo que era melhor apresentá-la em um manicômio.
No fragmento II, estaria mantida a correção gramatical do texto caso fosse inserido, logo após 
a forma verbal “dizendo”, o pronome lhe ― dizendo-lhe ―, elemento que exerceria a função de 
complemento indireto do verbo, retomando, por coesão, “Marconi”.
Pela semântica textual, é possível entender que o funcionário disse algo a Marconi. Colocar o 
pronome lhe diante de “dizendo” significa tornar explícito o objeto indireto do verbo.
Certo.
003. (IBFC/2011) Assinale a alternativa que indica corretamente a substituição do nome des-
tacado pelo pronome.
Não contei a Paulo a verdade.
a) Não contei-lhe a verdade.
b) Não lhe contei a verdade.
c) Não o contei a verdade.
d) Não contei-o a verdade.
Primeiramente, preciso que você tenha certeza de algo: “a Paulo” é o OI do verbo “contei”. Por 
isso, o pronome adequado é lhe) Isso nos permite dispensar as alternativas c e d) Mas surge 
uma nova dúvida: qual é a posição correta do pronome? Antes ou depois do verbo “contei”? Por 
enquanto, eu vou te deixar nessa expectativa!
Letra b.
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1.2. colocação PronomInal
Em linhas gerais, existem três posições para se colocar um P.O.A.: depois do verbo (ên-
clise), antes do verbo (próclise) ou no meio do verbo (mesóclise). Existem princípios e regras 
para o uso de cada uma delas. Vamos conhecê-los:
Princípios (estão acima das regras):
1) Não se usa um pronome oblíquo átono em início de frase ou após pontuação.1
2) Casos facultativos de colocação pronominal (os pronomes podem ser colocados em 
duas das três posições previstas):
2.1) Verbos no infinitivo.
2.2) Sujeito explícito anteposto ao verbo.2
004. (IADES/2014)
Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
A colocação do pronome em “Me dê um abraço” (linha 3) está correta.
Conforme reza o princípio 1, não se inicia uma frase com um P.O.A.
Errado.
005. (CESPE/2013) O filósofo francês Jacques Rancière critica a ideia de democracia que tem 
estruturado nossa vida social — regida por uma ordem policial, segundo ele —, devido ao fato 
de ela se distanciar do que seria sua razão de ser.
A correção do texto seria mantida caso o pronome “se”, em vez de anteceder, passasse a ocu-
par a posição imediatamente posterior ao verbo: devido ao fato de ela distanciar-se.
Questão simples: você notou que o verbo “distanciar” está no infinitivo? Conforme está em 2.1, 
trata-se de um caso facultativo de colocação pronominal. Logo, o pronome pode ser colocado 
em próclise ou em ênclise.
Certo.
1 É possível ver P.O.A. Após pontuação quando esta representa uma intercalação na oração. Ex.: O professor chegou atra-
sado; ele, todavia, nos dará aula.
2 Quando há um caso de sujeito explícito anteposto ao verbo interno a uma oração subordinada, só se pode usar a próclise, dei-
xando, portanto, de ser um caso facultativo. Falaremos sobre isso quando chegarmos ao período composto (em outro PDF).
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006. (CESPE/2013) O cenário se repete neste início de 2013, com a redução no nível de água 
dos reservatórios.
Em “se repete”, o deslocamento do elemento “se” para depois da forma verbal — repete-se — 
preservaria a correção gramatical do trecho.
Esta questão enquadra-se no princípio 2.2. Pergunte ao verbo: quem se repete? “O cenário”, 
que é o sujeito da oração. Novamente, estamos diantede mais um caso facultativo!
Certo.
Regras
1. A ênclise é a regra geral! É a colocação em que primeiro devemos pensar! Só que exis-
tem casos em que ela não é aplicável. São eles:
• Quando há fator de atração antes do verbo;
• Quando o verbo estiver no futuro;
• Quando o verbo estiver no particípio.
Para resolver o primeiro caso, usamos a próclise. Para o segundo, a mesóclise. O último 
veremos melhor quando estudarmos a colocação pronominal em locuções verbais.
2. A próclise é usada prioritariamente quando há um fator de atração antes do verbo (tam-
bém conhecido como fator de próclise). São algumas palavras que atraem o pronome para 
perto delas, o que faz com que este fique antes do verbo. Eis a lista de fatores de atração:
• Palavras negativas (Ex.: Ele não se perdoa pelo ocorrido.)
• Advérbios (Ex.: Ontem me falaram a verdade.)
• Pronomes
− indefinidos (Ex.: Alguém te dará atenção.)
− interrogativos (Ex.: Quem lhe doou os cobertores?)
− relativos (Ex.: O homem que nos abordou era policial.)
• Conjunções subordinativas (Ex.: Ele disse que a ouviu atentamente.)
• Orações exclamativas ou optativas3 (Ex.: Que Jesus te acompanhe!)
• Em+gerúndio (Ex.: Em se tratando de gramática, não tenho dificuldades.)
Algumas dicas importantes sobre os fatores de atração:
a) Nenhum fator de atração é tão cobrado quando o NÃO. Sabemos que ele é um advérbio 
de negação, mas prefiro separá-lo dos advérbios, uma vez que é muito mais fácil reconhecê-lo 
como palavra negativa.
b) Todo QUE é um fator de atração. Mais tarde, você aprenderá comigo a diferenciar as 
classificações dessa palavra. Por enquanto, quero que você saiba apenas que o QUE atrai 
os P.O.A..
3 Orações optativas são as que exprimem desejo (quando se deseja algo a alguém).
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c) Os advérbios também são muito cobrados em provas, mas tome um certo cuidado! Se o 
advérbio estiver isolado por pontuação, ele perde o valor atrativo!
007. (CESPE/2013) Mas a opção entre o certo e o errado não se coloca apenas na esfera de 
temas polêmicos que atraem os holofotes da mídia.
Devido à presença do advérbio “apenas” (R.18), o pronome “se” poderia ser deslocado para 
imediatamente após a forma verbal “coloca”, da seguinte forma: coloca-se.
Uma palavra só é fator de atração se estiver anteposta ao verbo. Logo, “apenas” não influencia 
na colocação pronominal. Além disso, veja que, antes do verbo, há uma palavra negativa.
Errado.
008. (CESPE/2013) Diversidade é a semente inesgotável da autenticidade e da individualida-
de humana, que se expressam na subjetividade da liberdade pessoal.
No trecho “que se expressam na subjetividade da liberdade pessoal”, o emprego do pronome 
átono “se” após a forma verbal — expressam-se — prejudicaria a correção gramatical do texto, 
dada a presença de fator de próclise na estrutura apresentada.
Conforme eu disse, o QUE é sempre fator de atração. Não quero, agora, que você se preocupe 
em identificar a função dele) Agora, preocupe-se apenas com a colocação do pronome.
Certo.
3. Há casos em que nem próclise e nem ênclise são aplicáveis. É aí que entra a mesó-
clise. Veja:
EXEMPLO
(13) Contarei uma história aos meus alunos.
Vou fazer uso do OI – que será substituído por lhes nas minhas construções seguintes. 
Veja o resultado:
• Contarei-lhes uma história. (errado, pois o verbo está no futuro – que não admite ênclise)
• Lhes contarei uma história. (errado, pois fere o primeiro princípio)
• Contar-lhes-ei uma história. (certo)
A mesóclise só é aplicável a verbos no futuro! Vamos testar outras duas possibilidades:
EXEMPLO 
(14) Eu contarei uma história aos meus alunos.
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Eu contarei-lhes uma história. (errado, pois o verbo está no futuro – que não admite ênclise)
Eu lhes contarei uma história. (certo, conforme o segundo princípio – sujeito explícito)
Eu contar-lhes-ei uma história. (certo, conforme o segundo princípio – sujeito explícito)
EXEMPLO 
(15) Eu não contarei uma história aos meus alunos.
Eu não contarei-lhes uma história. (errado, pois o verbo está no futuro – que não admi-
te ênclise)
Eu não lhes contarei uma história. (certo, pois há respeito ao fator de atração)
Eu não contar-lhes-ei uma história. (errado, pois desrespeita a presença do fator de atração)
009. (CESPE/2013) O Ministério Público Federal impetrou mandado de segurança contra a 
decisão do juízo singular que, em sessão plenária do tribunal do júri, indeferiu pedido do im-
petrante para que às testemunhas indígenas fosse feita a pergunta sobre em qual idioma elas 
se expressariam melhor, restando incólume a decisão do mesmo juízo de perguntar a cada 
testemunha se ela se expressaria em português e, caso positiva a resposta, colher-se-ia o de-
poimento nesse idioma, sem prejuízo do auxílio do intérprete.
A posposição do pronome “se” ao verbo em “colher-se-ia” — colheria-se — comprometeria a 
correção gramatical do trecho.
Primeiramente, note que o verbo colheria está no futuro do pretérito, o que já inviabiliza a êncli-
se) No trecho apresentado, a próclise também não é possível, na medida em que há um sinal 
de pontuação anteposto ao verbo. A mesóclise é a única opção válida.
Certo.
Viu como é simples? Não há mistério na colocação dos P.O.A.!
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ADENDO: adaptação fonética dos pronomes o, a, os, as
Por uma questão de eufonia – garantir a composição de uma sonoridade harmoniosa –, os 
pronome o, a, os, as podem sofrer alterações. Veja o quadro abaixo:
Adaptação fonética (o, a, os, as)
Diante de verbos terminados em Usa-se
R, S ou Z lo, la, los, las
Sons nasais (M ou algo com ~) no, na, nos, nas
Demais verbos o, a, os, as
Vejamos alguns exemplos:
• É hora de deixar o apartamento. = É hora de deixá-lo.
• Fiz as tarefas. = Fi-las.
• Ele quis alguns conselhos. = Ele qui=lo.
• Fecharei minha casa com cadeado. = Fechá-la-ei com cadeado.
• Declamaram minha poesia favorita. = Declamaram-na.
• Ele propõe novas regras. = Ele propõe-nas.
• Encontrei meu filho aos prantos. = Encontrei-o aos prantos.
1.3. colocação PronomInal em locuções VerBaIs
A colocação pronominal em locuções verbais é ainda mais simples do que em um único 
verbo! Preciso, primeiramente, que você se lembre de que uma locução verbal é formada por 
verbo auxiliar + verbo principal. Vejamos as possibilidades no esquema abaixo:
Nesse caso, pode-se usar o pronome antes do auxiliar, entre o auxiliar e o principal e após o 
principal (exceto quando este estiver no particípio). Atenção: cuidado para não ferir o princípio 
1. Veja exemplos:
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EXEMPLO
(16) Eu vou encontrar novos caminhos.
Eu os vou encontrar.
Eu vou(-)os encontrar.
Eu vou encontrá-los.
EXEMPLO 
(17) Estou construindo uma nova casa.
A estou construindo. (Errado. Princípio 1.)
Estou(-)a construindo.
Estou construindo-a.
EXEMPLO 
(18) Ele tinha imprimido o documento.
Ele o tinha imprimido.
Ele tinha(-)o imprimido.
Ele tinha imprimido-o. (Errado. Verbos no particípio não aceitam ênclise.)
Obs.: � Segundo muitos gramáticos, o emprego do hífen quando o pronome está entre o auxi-
liar e o principal é facultativo.
2. Com fator de atração antes da locução verbal:
Neste caso, o pronome deve ser empregado antes do auxiliar ou depois do principal. Aten-
ção: cuidado para não ferir o princípio 1. Veja exemplos:
EXEMPLO
(19) Eu não vou encontrar novos caminhos.
Eu não os vou encontrar.
Eu não vou encontrá-los.
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EXEMPLO 
(20) Já estou construindo uma nova casa.
Já a estou construindo.
Já estou construindo-a.
EXEMPLO 
(21) Ele nunca tinha imprimido o documento.
Ele nunca o imprimiu.
ADENDO – Apossínclise
Sempre há um aluno para me perguntar sobre essa quarta forma de colocação pronominal. 
Ela é encontrada em registros literários antigos – e, ainda assim, raramente. Ocorre quando 
há dois fatores de atração antepostos a um verbo.
O homem que se não respeita pode padecer.
Também seria gramaticalmente correto escrever
O homem que não se respeita pode padecer.
De coração: acrescentei isso por curiosidade de alguns! Não é uma preocupação para provas.
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ADENDO: outras funções sintáticas dos pronomes oblíquos átonos.
Conforme prometi, ao fim da unidade, apresento a você outras funções sintáticas que os 
pronomes oblíquos átonos podem desempenhar. São elas: adjunto adnominal, complemen-
to nominal e sujeito.
1. Adjunto adnominal (sempre haverá a semântica de posse)
• Levaram-me a mala. (=Levaram a minha mala.)
• Cheirei-te os cabelos. (=Cheirei os seus cabelos.)
• A fila do banco nos tirou a paciência. (=A fila do banco tirou a nossa paciência.)
• Aquela garota lhe veio ao pensamento. (=Aquela garota veio ao seu pensamento.)
2. Complemento nominal
• Suas ideias sempre me foram agradáveis. (=Suas ideias sempre foram agradáveis a 
mim.)
• Eu sempre te serei fiel. (=Eu sempre serei fiel a ti.)
• Eles sempre nos foram próximos. (=Eles sempre foram próximos a nós.)
• A falta de fé não lhe é favorável. (=A falta de fé não é favorável a ele.)
3. Sujeito (quando há um verbo causativo ou sensitivo + infinitivo ou gerúndio)
Os P.O.A. Só se tornam sujeitos na configuração que acima apresentei. Os verbos causativos 
são mandar, deixar, fazer e os sensitivos são ver, ouvir, sentir, olhar (verbos sinônimos des-
ses também recebem a mesma classificação). Veja, agora, os exemplos:
• Deixe-me falar de amor! (me é o sujeito do verbo “falar”)
• Mandaram-te comprar um novo par de tênis. (te é o sujeito de “comprar”)
• Ele se deixou levar pela opinião alheia. (se é sujeito de “levar”)
• Sinto-nos levitando pela sala. (nos é sujeito de “levitando”)
• Fizeram-lhes falar a verdade. (lhes é sujeito de “falar”)
• Eu os vi namorando na praça. (os é sujeito de “namorando”)
Obs.: � Esse tipo de sujeito também é conhecido como sujeito acusativo.
Repito: isso pouco aparece em provas.
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2. Bloco II – Vozes VerBaIs e Funções do se
Nesta seção, quero tratar de um assunto muito importante mesmo em provas de concur-
sos públicos! Primeiramente, falaremos acerca das vozes verbais. Ao falar desse assunto, ine-
vitavelmente, passaremos pelas funções do pronome oblíquo “SE”. Você se lembra de que, na 
seção anterior, eu destaquei que, mais a diante, discutiríamos só o “SE”? Chegou o momento! 
Prepare seu material! É hora de aprender!
2.1. as Vozes VerBaIs
As vozes verbais dizem respeito à forma como o verbo estabelece sua relação com o sujei-
to. A tradição gramatical diz que ocorre voz ativa quando o sujeito pratica a ação verbal (sujeito 
agente); a voz passiva, quando o sujeito sofre a ação verbal (sujeito paciente); a voz reflexiva, 
quando o sujeito pratica e sofre a ação verbal.
Todavia, grande parte dos estudantes de língua portuguesa dão um tratamento errado a 
esse conteúdo, por pensar que é uma descrição meramente semântica) Na verdade, o sentido 
é fruto de uma estrutura morfossintática) Entenda: para dominar as vozes verbais, você deve 
conhecer as estruturas gramaticais que as caracterizam. O sentido é uma mera consequência 
dessa estrutura.
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Para facilitar a nossa vida, criei um quadro-resumo, que será detalhado ao longo deste PDF:
Voz verbal Estrutura gramatical Semântica
Passiva
Locução verbal 
SER+PARTICÍPIO 
(analítica4)
OU
Verbo-SE (pronome 
apassivador) (sintética)
Paciente
Reflexiva Pronome reflexivo Agente+paciente
Ativa O resto Agente5
A partir dessas informações, vamos analisar as orações abaixo:
EXEMPLOS
(1) O carro foi levado pelos ladrões durante a madrugada.
(2) Encontrou-se uma nova evidência no local do crime.
(3) Aquele rapaz se olhava no espelho.
(4) O professor chegou atrasado.
(5) As crianças sofreram com a perda do avô.
Em 1, note a presença da locução “foi levado”. Ela indica que a frase está na voz passiva 
(analítica). Em 2, além do pronome “se”, veja também que, na oração, ninguém praticou a ação 
de encontrar – por isso, voz passiva (sintética). Em 3, também há o pronome “se”, todavia po-
demos identificar que alguém pratica a ação verbal de olhar: “aquele rapaz”. O pronome, aliás, 
tem a função de revelar que a ação verbal foi praticada e sofrida pelo sujeito, uma vez que 
“aquele rapaz” olhava a si mesmo – portanto, voz reflexiva. Agora, olhe com carinho para as 
frases 4 e 5. Você está vendo alguma locução verbal? Você está vendo algum pronome para 
ser classificado como apassivador ou reflexivo? NÃO, para as duas perguntas. Isso é o sufi-
ciente para afirmar que 4 e 5 são orações na voz ativa.
Tenho certeza de que você não tem dúvidas acerca da classificação da oração 4, mas deve 
estar se remoendo com a 5. “Elias, mas as crianças sofreram! Ninguém praticaa ação de so-
frer!” Eu concordo com você, mas preciso que você tenha objetividade: as orações 4 e 5 não 
possuem estrutura gramatical de voz passiva ou reflexiva, e isso deve bastar a você. O que 
4A voz passiva analítica também pode ser formada pela locução verbal ESTAR+PARTICÍPIO.
Ex.: O prédio está cercado pela polícia.
Mas peço que você não se prenda a isso. A locução SER+PARTICÍPIO domina as provas de concursos públicos.
5Nem sempre, haverá a semântica de agente, conforme explicita Bechara (2008). Você entenderá isso melhor quando eu falar 
sobre a diferença entre “voz passiva” e “passividade”.
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ocorre em 5 foi explicado na Moderna Gramática da Língua Portuguesa, de Evanildo Bechara. 
A oração 5 possui semântica de passividade, mas estrutura de voz ativa! Isso porque a voz 
passiva, depende, primeiramente, de uma estrutura morfossintática.
Detalhe: não vá pensando que, com essa explicação, você já sabe tudo sobre o assunto! 
Eu te garanto que, na frase 2, o “se” é um pronome apassivador, assim como, a frase 3, o “se” é 
reflexivo. Mas esse pronome não seria tão famoso se possuísse apenas duas funções, não é 
mesmo? Depois das vozes verbais, falaremos das funções do SE!
2.2. a TransPosIção da Voz aTIVa Para a PassIVa
Agora que você já sabe superficialmente reconhecer as vozes verbais, podemos falar acer-
ca de um assunto MUITO cobrado em qualquer prova de concurso público: a transposição da 
voz ativa para a passiva) Primeiramente, preciso que você saiba que nem toda oração da nossa 
língua admite isso! Veja as construções abaixo:
EXEMPLOS 
(6) As mulheres dominaram a sociedade.
(7) O delegado comunicou as medidas à população.
(8) As crianças gostam de palhaços.
(9) Renato Russo vivia em Brasília.
(10) Os palestrantes permaneceram calados.
Tente, em sua mente, colocar essas cinco construções na voz passiva. Acredito que você 
só tenha obtido êxito nos exemplos 6 e 7. Sabe por quê?
COLOCAR UMA ORAÇÃO NA VOZ PASSIVA (OU APASSIVAR UMA ORAÇÃO) SIGNIFICA 
TRANSFORMAR O OBJETO DIRETO EM SUJEITO PACIENTE.
Queridos, a condição para que uma frase possa ir à voz passiva é que ela apresente, inicial-
mente, um objeto direto, e só funciona com esse tipo de complemento, uma vez que ele, via de 
regra, não é preposicionado. Em 6 e 7, existem objetos diretos (“a sociedade” e “a situação”). 
Em 8, o verbo é transitivo indireto; em 9, intransitivo; em 10, de ligação.
Agora, analise comigo como é a transposição da voz ativa (VA) para a voz passiva analí-
tica (VPA):
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Note que a única parte que se preservou foi “a sociedade”. “Dominaram” passou a ser “foi 
dominada”, e “as mulheres” passou a ser “pelas mulheres” (agente da passiva, que é quem 
pratica a ação verbal na voz passiva). O verbo que, na voz ativa, concordava com “as mulheres” 
passou a ser uma locução verbal que concorda com “a sociedade”.
Primeiramente, perceba que “as medidas” deixou de ser objeto direto e passou a ser sujeito 
paciente) “Comunicou” passou a ser “foram comunicadas”, e “o delegado” passou a ser “pelo 
delegado”. Nada ocorreu com “à população”, uma vez que o objeto indireto não participa da 
formação da voz passiva.
E se colocarmos os trechos acima na voz passiva sintética (VPS)? Qual será o resultado?
Inicialmente, note o aparecimento da partícula “se”. Ela é responsável por transformar o 
objeto direto em sujeito paciente) Por esse motivo, é conhecida como pronome apassivador, 
ou partícula apassivadora (PA). Na VPS, não é permitida a presença do agente da passiva.
Vou listar aqui alguns cuidados que você deve ter acerca desse assunto:
• Em qualquer voz passiva, o que seria o objeto direto é transformado em sujeito paciente, 
sempre.
• Em qualquer transposição de vozes, esteja atento(a) ao tempo e ao modo verbal. Eles 
precisam ser preservados. Se, na voz ativa, o verbo estiver no presente do indicativo, ele 
deve permanecer no presente do indicativo, tanto na VPA quanto na VPS.
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• Na voz passiva analítica, tome muito cuidado com a concordância verbal. O verbo auxi-
liar (verbo “ser”) concorda em número com o sujeito; o verbo principal (verbo no particí-
pio) concorda em gênero e número com o sujeito. Na VPA, pode aparecer o agente da 
passiva.
• Na voz passiva sintética, é preciso ter muito cuidado com a concordância (apenas em 
número) entre o sujeito paciente e o verbo. Na VPS, não há agente da passiva.
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ADENDO: COMO DIFERENCIAR O PRONOME APASSIVADOR DO ÍNDICE DE INDETERMINA-
ÇÃO DO SUJEITO?
Vamos fazer um retorno aos exemplos de 6 a 10:
Orações na voz ativa Orações com a partícula SE
As mulheres dominaram a sociedade. Dominou-se a sociedade.
O delegado comunicou as medidas à 
população. Comunicaram-se as medidas à população.
As crianças gostam de palhaços. Gosta-se de palhaços.
Renato Russo vivia em Brasília. Vive-se em Brasília.
Os palestrantes permaneceram 
calados. Permanece-se calado.
O que quero que você entenda: nem todas as cinco orações admitem a voz passiva, mas 
todas admitem uma reescritura com o pronome “se”! As duas primeiras, por aceitarem a voz 
passiva, possuem pronome apassivador. As três últimas, que não podem ser apassivadas, 
apresentam índice de indeterminação do sujeito (IIS).
Vamos sistematizar a análise das cinco construções com o pronome “se”:
• Entre as cinco orações possuem algo em comum: em nenhuma delas, é possível 
identificar quem pratica a ação verbal6.
• A partícula apassivadora serve para transformar objetos diretos (não preposiciona-
dos7) em sujeitos pacientes (que também não são preposicionados). Nesses casos, 
como há sujeito, o verbo deve concordar com ele. A PA só ocorre com VTD ou VTDI.
• O índice de indeterminação só aparece quando não é possível apassivar. Isso ocorre 
com o VTI, VI e VL. Nesses casos, como não há sujeito, o verbo deve ficar sempre no 
singular.
6 Existe uma diferença entre identificar quem pratica a ação verbal e identificar o sujeito da oração. Identificar quem pratica 
a ação verbal é completamente semântico (e nem sempre será o sujeito); identificar o sujeito da oração é sintático (e nem 
sempre será quem pratica a ação verbal), pois sujeito é o termo com quem o verbo estabelece concordância.
7 Na língua portuguesa, existem os chamados “objetos diretos preposicionados”.Nesses casos, o verbo não é responsável 
pela presença da preposição. Ela aparece para garantir algum efeito semântico ou para conferir ênfase. Veja:
Ex.: O aniversariante comeu do bolo. (A preposição só aparece para dar a ideia de que o aniversariante comeu apenas uma 
parte do bolo.)
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010. (2003/CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS) Na Carta de Pero Vaz de Caminha, escrita a 
el-rei D. Manuel, observam-se melhor as obsessões dos portugueses.
No texto, a estrutura da voz passiva em “observam-se” equivale a foram observados.
Primeiramente, nome que, no texto, não há quem pratica a ação de observar. Como o verbo 
está no plural, sabemos que o pronome “se” é uma partícula apassivadora) O sujeito paciente 
é a expressão “as obsessões dos portugueses”. Como o núcleo do sujeito é feminino e plural, 
e o verbo está no presente do indicativo, a correta transposição para a voz passiva analítica 
seria “são observadas as obsessões dos portugueses”. “Foram observados” está no pretérito 
perfeito do indicativo, e o verbo no particípio está no masculino.
Errado.
011. (2013/CESPE/ANS) A avaliação das operadoras de planos de saúde em relação às ga-
rantias de atendimento, previstas na RN 259, é realizada de acordo com dois critérios.
Prejudica-se a correção gramatical do período ao se substituir “é realizada” por realiza-se.
No texto, a forma “é realizada” está na voz passiva analítica, e o sujeito paciente tem como 
núcleo o vocábulo “avaliação”. Para transpor para a voz passiva sintética, além da presença do 
pronome apassivador, é necessário observar a concordância, o tempo e o modo verbal. Ambas 
as construções estão no singular e no presente do indicativo. Portanto, não haveria prejuízo à 
correção gramatical.
Errado.
012. (2013/CESPE/PCDF) Em agosto deste ano, foram registrados 39 casos de sequestro-
-relâmpago em todo o DF, o que representa redução de 32% do número de ocorrências dessa 
natureza criminal em relação ao mesmo mês de 2012.
Ex.: Eu não vejo a ele desde o Natal. (Os pronomes oblíquos tônicos são sempre preposicionados.)
Ex.: O pai ama ao filho. (A preposição aparece para conferir ênfase, para garantir o entendimento de quem pratica e quem 
recebe a ação de amar.)
Aí vem um detalhe: essas construções não podem ser apassivadas. Portanto, uma oração como “comeu-se do bolo” possui 
um índice de indeterminação do sujeito, e não uma partícula apassivadora. Veja, novamente, como a voz passiva está com-
pletamente ligada à estrutura morfossintática. A ausência de um objeto direto sem preposição impede a possibilidade de 
formação da voz passiva.
Observação importante: esse assunto praticamente não aparece em provas!
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A correção gramatical e o sentido da oração “Em agosto deste ano, foram registrados 39 casos 
de sequestro-relâmpago em todo o DF” seriam preservados caso se substituísse a locução 
verbal “foram registrados” por registrou-se.
A locução verbal “foram registrados” está no plural para concordar com o núcleo do sujeito “ca-
sos”. Coloque uma ideia em sua cabeça: o que é sujeito para a voz passiva analítica também 
é sujeito para a voz passiva sintética! Portanto, não há motivos para que o verbo “registrou-se” 
seja empregado, uma vez que está no singular. O correto seria registraram-se.
Os efeitos da seca espalham-se no campo e são visíveis nos incontáveis animais mortos por 
onde passam as rodovias sertanejas.
Errado.
013. (2013/CESPE/MI) Os efeitos da seca espalham-se no campo e são visíveis nos incontá-
veis animais mortos por onde passam as rodovias sertanejas.
Em “espalham-se”, o termo “se” indica que o sujeito da oração é indeterminado.
Primeiramente, lembre-se de que o “se” só será índice de indeterminação do sujeito com ver-
bos no singular (o que já é suficiente para julgar o item). O verbo possui um sujeito paciente, 
que é “os efeitos da seca”. O pronome é PA.
Errado.
014. (2013/IBFC/EBSERH) Considere as orações abaixo.
I – Prescreveu-se vários medicamentos.
II – Trata-se de doenças graves.
A concordância está correta em
a) somente I
b) somente II
c) I e II
d) nenhuma
Em I, a expressão “vários medicamentos” é sujeito paciente (uma vez que o “se” é PA). Por-
tanto, o correto seria “prescreveram-se”. Em contrapartida, a II está correta, pois “de doenças 
graves” é um objeto indireto. O pronome é um IIS, e o verbo deve permanecer no singular.
Letra b.
015. (2013/IBFC/IDECI) Considere a oração e as afirmativas a seguir.
Precisa-se de funcionário com experiência.
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I – A oração encontra-se na voz passiva.
II – O sujeito é indeterminado.
Está correto o que se afirma em
a) I
b) II
c) I e II
d) nenhuma
A forma verbal “precisa” é transitiva indireta, a expressão “de funcionário com experiência” é 
o OI, e o pronome é IIS. Nesse caso, a frase está na voz ativa (só seria voz passiva se o “se” 
fosse PA).
Letra b.
016. (2013/IBFC/PGE-SP) Assinale a alternativa em que a oração não está na voz passiva.
a) Necessita-se de funcionários capacitados.
b) Comentou-se o caso do sequestro.
c) O aluno foi reprovado no exame.
d) As ruas foram cercadas pela polícia.
e) Alugam-se salas.
Na letra a, a forma verbal “necessita” é transitiva indireta, e a expressão “de funcionários capa-
citados” é o objeto indireto. O pronome funciona como um índice de indeterminação do sujeito. 
Detalhe importantíssimo: quando o “se” é IIS, a oração está na voz ativa! Nas alternativas b e e, 
há a voz passiva sintética) Nas alternativas c e d, voz passiva analítica.
Letra a.
017. (2013/IBFC/ILSL) Considere as orações abaixo.
I – Devem-se pensar em todos os aspectos do problema.
II – Devem-se analisar todos os aspectos do problema.
A concordância está correta em
a) somente I.
b) somente II.
c) I e II.
d) nenhuma.
Agora, estamos falando de casos em que o pronome “se” está associado a locuções verbais. 
O procedimento será:
• buscar a transitividade no verbo principal;
• verificar a concordância no verbo auxiliar.
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Em I, o verbo “pensar” é transitivo indireto, a expressão “em todos os aspectos do problema” é 
o OI. Portanto, o “se” é IIS, e o verbo auxiliar deveria estar no singular. Em II, o verbo “analisar” é 
transitivo direto, e a expressão “todos os aspectos do problema” é o sujeito paciente, uma vez 
que o “se” é PA (e o verbo auxiliarestá em concordância com o sujeito). Detalhe: as locuções 
verbais apresentadas na questão são formadas pelo verbo auxiliar DEVER e pelo verbo princi-
pal no INFINITIVO. Nada de pensar em voz passiva analítica, ok?
Letra b.
2.3. a Voz reFlexIVa
Antes de iniciarmos a terceira seção, quero fazer um comentário importante: até aqui, vi-
mos a parte da matéria que cai em 90% das questões sobre funções do SE (e esse percentual 
ainda pode ser maior)! A verdade é que PA e IIS dominam as provas de concursos!
Compare comigo as seguintes orações:
EXEMPLOS
(11) Vendem-se casas de praia.
(12) Não se depende de novas políticas públicas.
(13) Maria olhou-se no espelho.
(14) João se deu um carro novo.
Há algo em comum entre 11 e 12: não é possível identificar quem pratica a ação verbal. 
Há algo em comum entre 13 e 14: é possível identificar quem pratica a ação verbal. Esse é o 
primeiro passo que você deve dar sempre que for analisar as funções do “se”! Veja este quadro 
e grave-o na sua memória:
SITUAÇÃO RESULTADO
Quando não é possível identificar 
quem pratica a ação verbal. O pronome “se” ou é PA ou é IIS.
Quando é possível identificar quem 
pratica a ação verbal.
O pronome “se” possui qualquer outra 
função diferente de PA ou IIS.
Isso vai mudar a sua vida para sempre! Você precisa ter essa consciência antes de tentar 
identificar a função do pronome! Sabemos agora que 11 e 12 possuem ou PA ou IIS, assim 
como sabemos que 13 e 14 não podem apresentar PA ou IIS.
Em 11, temos PA, pois “casas de praia” é sujeito paciente. Em 12, temos IIS, pois “de novas 
políticas públicas” é objeto indireto.
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Já em 13 e 14, note que a ação verbal que é praticada pelo sujeito recai sobre o próprio 
sujeito! Maria poderia olhar outra pessoa, mas olhou a si mesma. João poderia dar algo a outra 
pessoa, mas deu a si mesmo. Estamos diante da chamada voz reflexiva8, também conhecida 
como voz medial. Nesses casos, o “se” é classificado como pronome reflexivo, e pode assumir 
a função de objeto direto (como ocorre em 13) ou de objeto indireto (como ocorre em 14).
018. (2011/CESPE/CFO-BM) Acorriam todos os aguadeiros com suas pipas, e também os po-
pulares, que faziam longas filas até o chafariz mais próximo, transportando de mão em mão os 
baldes de água, ao mesmo tempo em que se improvisavam escadas de madeira para efetuar 
salvamentos, retirando-se os moradores, antes que eles se atirassem das janelas dos sobrados.
As partículas “se” destacadas exercem a mesma função sintática em ambas as ocorrências.
Note: pela estrutura textual, não é possível identificar quem praticou a ação de retirar, mas é 
possível identificar quem praticou a ação de atirar (eles = os moradores). O primeiro “se” é uma 
partícula apassivadora, ao passo que o segundo é um pronome reflexivo.
Errado.
019. (2011/CESPE/CORREIOS) Nos primeiros anos como seminarista, em Bois le Due, na 
Holanda, Erasmo dedicou-se mais à pintura e à música do que à filosofia e à religião.
Na Universidade de Oxford, terminou os estudos da língua grega — idioma dominado apenas 
por eruditos. A partir de então, conheceu o filósofo Juan Colet, que lhe apresentou a primeira 
versão da Bíblia) O acesso ao livro foi decisivo para Erasmo se afastar da filosofia escolástica.
As formas verbais “dedicou-se” e “se afastar” estão na voz reflexiva.
Primeiramente, é possível identificar quem pratica a ação verbal, nos dois casos. Erasmo dedi-
cou a si mesmo. Erasmo afastou a si mesmo.
Certo.
020. (2013/CESPE/MPU) Há um dispositivo no Código Civil que condiciona a edição de bio-
grafias à autorização do biografado ou descendentes. As consequências da norma são ne-
gativas. Uma delas é a impossibilidade de se registrar e deixar para a posteridade a vida de 
personagens importantes na formação do país, em qualquer ramo de atividade.
O termo se, em “se registrar”, é utilizado para indicar reflexividade.
8 A voz reflexiva também pode ser praticada com outros pronomes oblíquos. Tudo depende da pessoa verbal.
Ex.: Nós nos olhamos no espelho.
Ex.: Eu me dei um carro novo.
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Pronomes Oblíquos, Vozes Verbais e Funções do SE
GRAMÁTICA
Elias Santana
É fácil dizer que o “se” não é reflexivo, pois, no texto, não é possível identificar quem pratica a 
ação de registrar. O pronome é PA.
Errado.
ADENDO: Pronome recíproco?
Compare as seguintes construções:
• O garoto se machucou na cozinha.
• As amigas se abraçaram com carinho.
Há uma pequena diferença de sentido entre as duas construções. Na primeira, o garoto abra-
çou a si mesmo, ao passo que, na segunda, as amigas abraçaram umas às outras. A prono-
me “se” pode ser chamado de reflexivo nos dois casos, mas, no segundo, é possível também 
atribuir uma outra nomenclatura: pronome recíproco ou pronome reflexivo recíproco!
2.4. ouTras Funções do se
Agora que você já conhece a partícula apassivadora, o índice de indeterminação do sujeito 
e o pronome reflexivo, posso afirmar que você já sabe 99% da matéria! O pronome “se” possui, 
na língua portuguesa, outras funções, mas são pouco exploradas em provas. Mas não pode-
mos deixar de falar sobre elas, não é mesmo?
2.4.1. Parte Integrante do Verbo
Compare comigo as seguintes construções:
EXEMPLOS
(15) Kurt se matou.
(16) Kurt se suicidou.
Semanticamente, as duas construções são semelhantes, pois ambas indicam que alguém 
tirou a própria vida) Todavia, gramaticalmente, as duas construções são diferentes, pois os 
verbos apresentam entendimentos diferentes. O verbo “matar” significa “tirar a vida”, que pode 
ser a vida de alguém ou a do próprio sujeito que pratica ação. Portanto, podemos afirmar que a 
reflexividade da oração 15 é de inteira responsabilidade do pronome, pois é ele quem faz com 
que a ação recaia sobre o sujeito.
Já o verbo “suicidar-se” significa “tirar a própria vida”. É inconcebível a ideia de que “alguém 
suicida outra pessoa”. Isso mostra que a reflexividade não está no pronome, mas no próprio 
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Pronomes Oblíquos, Vozes Verbais e Funções do SE
GRAMÁTICA
Elias Santana
verbo. Vou ser ainda mais explícito: na língua portuguesa, não existe o verbo “suicidar”, mas 
apenas “suicidar-se”. Ele só existe com o pronome! Por isso, o “se” é conhecido como parte 
integrante do verbo, e o verbo que possui esse tipo de estrutura é conhecido como verbo 
pronominal.
A parte integrante do verbo acompanha apenas verbos intransitivos ou transitivos indire-
tos. Eles podem indicar sentimentos (arrepender-se, queixar-se, lembrar-se, esquecer-se, or-
gulhar-se, alegrar-se, admirar-se) ou ações do ser que são praticadas em relação a si próprio 
(suicidar-se, concentrar-se, precaver-se).
EXEMPLOS
A samaritana se arrependeu dos pecados cometidos.
A aluna se concentrou antes da prova.
Obs.: � os verbos pronominais se conjugam semprecom o pronome.
2.4.2. Pronome Expletivo
Também conhecido como partícula expletiva ou partícula de realce) É um elemento com-
pletamente dispensável na estrutura oracional. Sua presença (ou ausência) não altera o senti-
do ou a morfossintaxe da sentença) Ocorre, geralmente, com verbos intransitivos.
EXEMPLOS
Ela se riu da situação. → Ele riu da situação.
Ele se tremeu durante o assalto. → Ele tremeu durante o assalto.
O show se acabou. → O show acabou.
Ele se foi sem dizer nada. →Ele foi sem dizer nada.
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Pronomes Oblíquos, Vozes Verbais e Funções do SE
GRAMÁTICA
Elias Santana
ADENDO: lembrar X lembrar-se / esquecer X esquecer-se
Inicialmente, ao ver que as formas verbais acima apresentadas podem existir com ou sem o 
pronome, pensamos que o pronome “se” se classifica como partícula expletiva. No entanto, 
esse pensamento é incorreto. Veja o porquê:
• Ela lembrou o seu nome. (lembrar=VTD)
• Ela se lembrou do seu nome. (lembrar-se=VTI)
• Ele esqueceu o seu aniversário. (esquecer=VTD)
• Ele se esqueceu do seu aniversário. (esquecer-se=VTI)
Em resumo: as formas verbais lembrar e esquecer (sem o pronome) são transitivas diretas, 
ao passo que lembrar-se e esquecer-se (com o pronome) são transitivas indiretas. Uma 
partícula expletiva pode ser colocada ou retirada sem causar qualquer alteração na senten-
ça. E, para a nossa gramática, construções como
• Ela lembrou do seu nome.
• Ela se lembrou o seu nome.
• Ele esqueceu do seu aniversário.
• Ele se esqueceu o seu aniversário.
São consideradas agramaticais.
Verbos como lembrar-se e esquecer-se são classificados como acidentalmente pronomi-
nais, e a função do “se”, nesses casos, é parte integrante do verbo.
Fiz questão de fazer este adendo porque esses verbos são muito cobrados em prova. Os 
examinadores não costumam perguntar sobre a função do “se” nesses casos, mas sobre a 
regência desses verbos!
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Pronomes Oblíquos, Vozes Verbais e Funções do SE
GRAMÁTICA
Elias Santana
O que cai, Elias?
Sobre o bloco I: TUDO é importante, mas peço que você dê importância aos pronomes 
oblíquos como complementos verbais (OD e OI), colocação pronominal (devore) e adaptações 
fonéticas (lo, la, los, las/no, na, nos, nas). Só houve uma questão recente que explorou o pro-
nome “lhe” como adjunto adnominal. Além disso, não queira resolver colocação pronominal 
com base naquilo que é aceitável pelos seus ouvidos. Assim, suas chances de errar aumentam 
exponencialmente.
Sobre o bloco II: as bancas gostam mesmo é de concordância! Por esse motivo, dê muita 
atenção às implicações da partícula apassivadora e do índice de indeterminação do sujeito 
para a relação entre sujeito e verbo. Você também verá nas questões que outras funções do SE 
foram exploradas (como pronome reflexivo/recíproco ou pronome expletivo), mas com baixa 
recorrência.
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GRAMÁTICA
Elias Santana
QUESTÕES DE CONCURSO
001. (FUNDAÇÃO PARA O VESTIBULAR DA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA/VU-
NESP/2022/PREFEITURA DE JUNDIAÍ – SP/ENGENHEIRO DE SEGURANÇA DO TRABALHO)
A sardinha plebeia deixou o nobre salmão para trás
 O nobre das águas gélidas está sendo desbancado pelo mais plebeu dos espécimes 
que habitam os oceanos. A virada do jogo tem a ver com a poluição ambiental. O salmão, até 
pelo porte, é um peixe que come outros peixes. Já a sardinha, que caberia na palma da mão, 
não tem tamanho para comer de tudo – é totalmente vegana.
 É preciso desmistificar a ideia de que o alimento mais saudável é sempre o mais caro. 
Preço salgado e qualidade nutricional não andam necessariamente lado a lado. Alguns itens 
pouco prestigiados estão justamente entre os mais nutritivos. É o caso do amendoim, que, 
sendo o primo pobre das castanhas, é o mais rico em proteínas.
Considere, portanto, se não é hora de puxar a sardinha para a sua brasa)
(Veja, 10 de novembro de 2021. Adaptado)
A frase – … é um peixe que come outros peixes. – equivale, de acordo com a norma-padrão do 
emprego e da colocação pronominal, a:
a) … é um peixe que os come.
b) … é um peixe que come-os.
c) … é um peixe que lhes come.
d) … é um peixe que come-los.
e) … é um peixe que come-lhes.
002. (FUNDAÇÃO PARA O VESTIBULAR DA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA/VU-
NESP/2022/PREFEITURA DE JUNDIAÍ – SP/NUTRICIONISTA)
 Ainda me lembro de meu pai. Era um homem alto e bonito, com uns olhos grandes e um 
bigode preto. Sempre que estava comigo, era a me beijar, a me contar histórias, a me fazer os 
gostos. Tudo dele era para mim. Eu mexia nos seus livros, sujava as suas roupas, e meu pai 
não se importava) Às vezes, porém, ele entrava em casa calado. Sentava-se numa cadeira ou 
passeava pelo corredor com as mãos para trás, e discutia muito com minha mãe) Gritava, dizia 
tanta coisa, ficava com uma cara de raiva que me fazia medo. E minha mãe saía para o quarto 
aos soluços. Eu não sabia compreender o porquê de toda aquela discussão. Sei que, com um 
pouco mais, lá estava ele com a minha mãe aos beijos. E o resto da noite, até ir me deitar, era 
só com ela que ele estava, com os olhos vermelhos de ter chorado também.
 Eu o amava porque o que eu queria fazer ele consentia, e brincava comigo no chão 
como um menino da minha idade) Depois é que vim a saber muita coisa a seu respeito: que era 
um temperamento excitado, um nervoso, para quem a vida só tivera o seu lado amargo. A sua 
história, que mais tarde conheci, era a de um arrebatado pelas paixões, a de um coração sensível 
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GRAMÁTICA
Elias Santana
demais às suas mágoas. Coitado do meu pai! Parece que ainda o vejo quando saía de casa le-
vado pelos soldados, no dia de seu crime) Que ar de desespero ele levava, no rosto de moço! E 
o abraço doloroso que me deu nessa ocasião! Vim a compreender, com o tempo, porque tinha 
se deixado levar ao desespero. O amor que tinha pela esposa era o amor de um louco.
(José Lins do Rego, Menino de Engenho. 94 ed) Rio de Janeiro: José Olympio, 2007. Excerto adaptado)
Assinale a alternativa em que, com a alteração da posição do pronome destacado, conforme 
indicado nos parênteses, a redação permanece em conformidade com a norma-padrão.
a) Ainda me lembro de meu pai. (Ainda lembro-me) [1º parágrafo]
b) … meu pai não se importava) (não importava-se) [1º parágrafo]
c) Sentava-se numa cadeira ou passeava… (Se sentava) [1º parágrafo]
d) Eu o amava porque o que eu queria fazer ele consentia… (Eu amava-o) [2º parágrafo]
e) E o abraço doloroso que me deu nessa ocasião! (que deu-me) [2º parágrafo]
003.(FUNDAÇÃO PARA O VESTIBULAR DA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA/VU-
NESP/2021/PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE ARAÇARIGUAMA – SP/PROFESSOR/ÁREA: EDU-
CAÇÃO INFANTIL)
Da calma e do silêncio
Quando eu morder
a palavra,
por favor,
não me apressem,
quero mascar,
rasgar entre os dentes,
a pele, os ossos, o tutano
do verbo,
para assim versejar
o âmago das coisas.
Quando meu olhar
se perder no nada,
por favor,
não me despertem,
quero reter,
no adentro da íris,
a menor sombra,
do ínfimo movimento.
Quando meus pés
abrandarem na marcha,
por favor,
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GRAMÁTICA
Elias Santana
não me forcem.
Caminhar para quê?
Deixem-me quedar,
deixem-me quieta,
na aparente inércia.
Nem todo viandante
anda estradas,
há mundos submersos,
que só o silêncio
da poesia penetra.
(Conceição Evaristo. Poemas da recordação e outros movimentos. Rio de Janeiro: Malê, 2017)
Assinale a alternativa em que o verso do poema está corretamente reescrito, no que se refere 
à norma-padrão de colocação pronominal.
a) Quero rasgá-los para assim versejar.
b) Não apressem-me, por favor.
c) Os quero mascar entre os dentes.
d) O silêncio atinge mundos submersos, os penetrando.
e) Por que deixas-me caminhar?
004. (FUNDAÇÃO PARA O VESTIBULAR DA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA/VU-
NESP/2021/TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO TJ SP – SP/ESCREVENTE TÉCNICO 
JUDICIÁRIO)
Vida ao natural
 Pois no Rio tinha um lugar com uma lareira) E quando ela percebeu que, além do frio, 
chovia nas árvores, não pôde acreditar que tanto lhe fosse dado. O acordo do mundo com aqui-
lo que ela nem sequer sabia que precisava como numa fome) Chovia, chovia) O fogo aceso 
pisca para ela e para o homem. Ele, o homem, se ocupa do que ela nem sequer lhe agradece; 
ele atiça o fogo na lareira, o que não lhe é senão dever de nascimento. E ela – que é sempre 
inquieta, fazedora de coisas e experimentadora de curiosidades – pois ela nem lembra sequer 
de atiçar o fogo; não é seu papel, pois se tem o seu homem para isso. Não sendo donzela, que 
o homem então cumpra a sua missão. O mais que ela faz é às vezes instigá-lo: “aquela acha*”, 
diz-lhe, “aquela ainda não pegou”. E ele, um instante antes que ela acabe a frase que o esclare-
ceria, ele por ele mesmo já notara a acha, homem seu que é, e já está atiçando a acha) Não a 
comando seu, que é a mulher de um homem e que perderia seu estado se lhe desse ordem. A 
outra mão dele, a livre, está ao alcance dela) Ela sabe, e não a toma) Quer a mão dele, sabe que 
quer, e não a toma) Tem exatamente o que precisa: pode ter.
 Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se 
referindo ao fogo, refere-se ao que sente) O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e 
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GRAMÁTICA
Elias Santana
pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce 
arde, arde, flameja) Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao 
prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja)
(Clarice Lispector, Os melhores contos [seleção Walnice Nogueira Galvão], 1996)
* pequeno pedaço de madeira usado para lenha
Assinale a alternativa em que a reescrita de informações textuais atende à norma-padrão de 
colocação pronominal.
a) Antes que ela esclareça onde está a acha, ele por ele mesmo já tinha notado-a, homem 
seu que é.
b) Ela às vezes instiga o homem, dizendo-lhe: “aquela acha ainda não pegou e você não 
atiçou-a”.
c) Como ela esquece de atiçar o fogo, pois não é seu papel, o seu homem dedica-se a 
essa missão.
d) Ela acha que aquilo vai acabar. Não é ao fogo que refere-se, certamente refere-se ao que sente.
e) Se apercebendo de que chovia nas árvores, ela não pôde acreditar que tanto lhe fosse dado.
005. (FUNDAÇÃO PARA O VESTIBULAR DA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA/VU-
NESP/2021/PREFEITURA DE GUARULHOS PREFEITURA – SP/BIBLIOTECÁRIO)
A busca por um sentido
 “Os dois dias mais importantes da sua vida são aqueles em que você nasceu e aquele 
em que descobre o porquê.” A máxima atribuída ao escritor americano Mark Twain (1835- 
1910), autor de clássicos como As Aventuras de Tom Sawyer (1876), resume com precisão o 
valor de encontrar um propósito para a própria existência) Naturalmente, nunca é demais su-
blinhar, a busca por um sentido para estar vivo se confunde com o humano – ou, melhor ainda, 
com “ser” humano.
 Há cerca de 50 000 anos, quando, segundo achados recentes, o Homo Sapiens come-
çou a pintar nas paredes das cavernas, desenhávamos figuras místicas, como caçadores do-
tados de superpoderes, que pareciam auxiliar os homens daquela época a situar a si mesmos 
em meio ao desconhecido. De lá para cá, não existem indícios de que se possa chegar a uma 
razão única que justifique o viver – porém cada indivíduo pode descobrir a sua.
 Diante da pergunta “por que estamos aqui?”, feita durante uma entrevista, o escritor 
Charles Bukowski (1920- 1994), alemão radicado nos Estados Unidos, destacou: “Para quem 
acredita em Deus, a maior parte das grandes questões pode estar respondida) Mas, para aque-
les que não aceitam a fórmula de Deus, as grandes respostas não estão cravadas na pedra) 
Nós nos ajustamos a novas condições e descobertas”.
 No rastro desse debate, outra indagação se impõe: afinal, vale tanto assim o esforço 
de refletir acerca dos motivos de estar na Terra? Um estudo publicado em dezembro no perió-
dico científico Journal of Clinical Psychiatry (EUA) foi pioneiro ao garantir que, até mesmo do 
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ponto de vista da saúde física e mental, vale, sim, a pena) O veredito do estudo: aqueles que 
revelavam ter descoberto sentido em sua vida demonstravam também melhores condições de 
saúde, tanto psicológica como física) Enquanto isso, ocorreu o contrário com os que declara-
vam estar no máximo em um processo de busca) Esses apresentavam, com maior frequência, 
problemas de saúde)
(Sabrina Brito, Veja, 15.01.2020. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o trecho destacado está substituído, nos colchetes, de acordo 
com a norma-padrão de emprego e colocação do pronome.
a) … desenhávamos figuras místicas… [lhes desenhávamos]
b) … pareciam auxiliar os homens daquela época… [auxiliar-lhes]
c) … chegar a uma razão única que justifique o viver… [justifique-o]
d) … aqueles que revelavam ter descoberto sentido… [tê-lo descoberto]
e) … para aqueles que não aceitam a fórmula de Deus… [aceitam-na]
006. (FUNDAÇÃO PARA O VESTIBULAR DA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA/VU-
NESP/2021/PREFEITURA DE GUARULHOS PREFEITURA – SP/PROFESSOR DE EDUCA-
ÇÃO INFANTIL)
 Separadas por uma tela, as pessoas na sociedade virtual não alcançam o outro, motivo 
pelo qual não conseguem se colocar em seu lugar. Estamos vivendo o maior individualismo da 
história humana.
 A falta da empatia, do toque físico, do acolhimento,do contato ocular e da presença 
física faz com que a pessoa não veja o outro, não o perceba, não note a presença do outro e, 
consequentemente, não se coloque no lugar dele.
 A necessidade da felicidade como objetivo e não como consequência provoca a criação 
de um mundo irreal em que, para o outro, você é feliz, mas não para si mesmo. Esse mundo per-
feito exposto na mídia social gera uma concorrência, uma competição que resulta em duelo, e 
isso cria um individualismo que, com o tempo, passa a ficar impregnado no indivíduo.
 O individualismo está ligado também à falta da verdade, ou seja, não quero que o outro 
saiba minha azeda verdade, já que o que projeto na mídia social não é real, não é de verdade.
Ama-se tanto a si mesmo e promove-se tanto o amor próprio que esquecemos o outro e torna-
mos o egoísmo um hábito.
 Não admitimos que somos apenas humanos. Temos vidas fictícias fragmentadas em 
momentos e apenas nos alegra o impacto que isso causa no outro. 
(Fabiano de Abreu – A geração que não consegue se colocar no lugar do outro. www.deabreu.pt/artigo – acesso 
em 11.12.2019. Adaptado)
A alternativa que apresenta o emprego do pronome e a colocação pronominal corretos, de 
acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, é:
a) Os individualistas criam um mundo irreal, em que não consegue-se viver plenamente.
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b) Se conhece o individualista, hoje em dia, por meio das redes sociais.
c) O individualista sofre, por isso precisamos lhe ajudar.
d) Os individualistas querem a felicidade, só conseguindo encontrá-la nas redes sociais.
e) O mundo virtual gera vidas fictícias, mas as pessoas têm usado-o constantemente.
007. (FUNDAÇÃO PARA O VESTIBULAR DA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA/VU-
NESP/2021/PREFEITURA DE JUNDIAÍ – SP/AGENTE DE TRÂNSITO)
Pegar o bonde andando
 Expressão antiga) Literalmente, era tomar o veículo em movimento, com cuidado para 
não levar um espetacular tombo e perder uma perna nessa travessura) Em sentido não literal, 
significa “pegar uma conversa pela metade, entrar num assunto sem saber direito do que se 
trata”. Mas falemos do bonde propriamente dito. Se você é jovem, não deve tê-lo conhecido. 
Portanto, é bom saber que, durante décadas, ele foi figurinha fácil na paisagem urbana das 
maiores cidades brasileiras.
 O berço do vocábulo é curioso. O dinheiro que financiou os primeiros desses veículos 
que circularam entre nós no século 19 veio de um empréstimo negociado com a Grã-Bretanha) 
Para garanti-lo, foram emitidos bonds (títulos a receber). Esses bonds, usados pelos passagei-
ros, exibiam a figura do veículo. O nome pegou e o povo passou a chamar de “bonde” não só o 
bilhete, mas o próprio veículo.
 O bonde deixou saudade) Gente da terceira e até da quinta idade ainda se lembra da 
popular figura do “almofadinha”. Como os bancos dos bondes eram de madeira, sem muito 
conforto, esses sujeitos levavam almofadas onde se sentavam durante a viagem e, vento no 
rosto, iam cultivando seus sonhos.
 Enquanto isso, o cobrador, pendurado no estribo, ia cobrando a passagem, e, às vezes, 
era obrigado a ouvir os mais gozadores assim cantarolando: “Din din din din, dois pra Light e 
um pra mim” (Light era a concessionária que prestava o serviço).
(Márcio Cotrim. Revista Língua Portuguesa, fevereiro de 2014. Adaptado)
Considere as frases elaboradas a partir do texto.
Tombos espetaculares eram comuns, e pegar o bonde em movimento exigia cuidado para evi-
tar esses tombos.
A imagem dos bondes tornava-se popular, especialmente pelas passagens que traziam a ima-
gem dos veículos impressa no papel.
Atendendo ao emprego e à colocação dos pronomes determinados pela norma-padrão, as ex-
pressões destacadas podem ser substituídas por:
a) evitá-los; traziam-na
b) evitá-los; a traziam
c) evitar-lhes; a traziam
d) evitar-lhes; lhe traziam
e) evitar-lhes; traziam-na
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Elias Santana
008. (FUNDAÇÃO PARA O VESTIBULAR DA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA/VU-
NESP/2021/SERVIÇO MUNICIPAL DE ÁGUA E ESGOTO DE PIRACICABA SEMAE – SP/PRO-
GRAMADOR JÚNIOR)
O mundo é dos românticos
 O que querem as mulheres? Freud, que era Freud, não conseguiu responder à pergunta) 
Mas o “Wall Street Journal” incendiou as sensibilidades com um cenário aterrador.
 O mérito pertence a Gerard Baker. Escreveu o editorialista que, nos EUA, as mulheres já 
representam 57% dos graduados com curso superior. Na pós-graduação, o número sobe para 
59%. O futuro será delas, não deles.
 Todavia esse triunfo, embora positivo para uma sociedade mais igualitária, traz um pro-
blema inusitado. Se existem três homens graduados para quatro mulheres na mesma situa-
ção, com quem vão se casar as mulheres?
 Explico melhor. Para um homem, o estatuto social ou profissional de uma mulher não 
é uma prioridade) E alguns, mais inseguros, até preferem parceiras que estejam um degrau 
abaixo das suas habilitações acadêmicas ou contas bancárias.
 Com as mulheres, é a situação inversa) As donzelas valorizam o estatuto social ou 
profissional do homem de uma forma mais seletiva) É fazer as contas: não haverá doutores 
suficientes para tantas doutoras exigentes.
 Quando li o editorial, ri e me perguntei: de onde saiu esse dinossauro? Mas depois, com 
o riso a apagar-se, dei por mim a pensar nas minhas amigas. Com quem casaram elas, afinal?
Na esmagadora maioria, casaram no interior da mesma classe) Em teoria, algumas delas, mé-
dicas ou jornalistas, poderiam se apaixonar pelo encanador. Na prática, isso só acontece nos 
filmes de Hollywood) E se o leitor desconfia do meu universo pessoal, há sempre estudos 
impessoais para esclarecer estas matérias. Um deles foi realizado pela Universidade de Swa-
nsea, no Reino Unido.
 Os pesquisadores entrevistaram 2.700 alunos de cinco países (Singapura, Malásia, Aus-
trália, Noruega e Reino Unido) com uma pergunta fundamental: o que mais valoriza num poten-
cial parceiro? Na lista de opções, estas oito características: beleza, finanças, gentileza, humor, 
castidade, religiosidade, criatividade, desejo de ter filhos.
 Os resultados, partilhados pela revista “Time”, não mentem: os homens valorizam mais 
a beleza; as mulheres valorizam mais as finanças. O mundo é um lugar cruel?
 Não, porque o mesmo estudo coloca no primeiro lugar para cada um dos sexos a mes-
ma virtude imaterial: a gentileza) Antes da beleza (para eles) ou do dinheiro (para elas), parece 
que essa formosura da alma é o artigo mais cobiçado. A Ocidente e a Oriente.
 Será que todo mundo realmente diz a verdade nessas pesquisas?
(João Pereira Coutinho. Folha de S.Paulo. Https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/ 
2019/10/o-mundo-e-dosromanticos.shtml. Adaptado)
Considere as frases elaboradas a partir do texto.
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Pronomes Oblíquos, Vozes Verbais e Funções do SE
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Elias Santana
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