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MASSOTERAPIA 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Descrever a história e os princípios filosóficos do ayurveda.
 > Identificar as indicações e contraindicações da massagem abhyanga.
 > Explicar a técnica de massagem e sua associação com os óleos e ervas.
Introdução
A massagem é conhecida desde a Antiguidade pelos seus benefícios no alívio de 
tensões e pela promoção do bem-estar. Na Índia, surgiu a prática da massagem 
abhyanga, inserida na medicina aiurvédica ou ayurveda, que utiliza óleos vegetais 
e ervas específicas. Essa modalidade de massagem constitui um tratamento 
muito importante dentro da filosofia do ayurveda, apresentando efeitos sobre os 
sistemas musculoesquelético, circulatório, linfático, gastrointestinal e nervoso. 
A massagem abhyanga é indicada para o tratamento de diversas condições, 
como insônia, estresse, ansiedade, distúrbios sexuais, reumatismos, queda de 
cabelo, dentre outras. No entanto, não deve ser realizada em gestantes e pacientes 
durante o período menstrual, bem como em pacientes que apresentam febre, 
náuseas, vômitos, indigestão e diarreia.
Neste capítulo, você vai estudar os benefícios, os efeitos fisiológicos e as 
principais indicações e contraindicações da massagem abhyanga. Você também 
vai compreender os princípios filosóficos do ayurveda que são importantes para 
a prática e vai verificar quais são os principais óleos e ervas utilizados nessa 
modalidade de massagem.
Massagem abhyanga
Marcella Gabrielle Mendes Machado
Ayurveda
O ayurveda é uma filosofia médica oriental que surgiu na Índia há milhares de 
anos, durante o período de 2000 a 1000 a.C. A palavra ayurveda é composta 
de duas partes, em que “veda” significa conhecimento, ciência ou sabedoria, e 
“ayus” significa vida. Dessa forma, ayurveda significa o “conhecimento da vida”. 
Essa filosofia propõe que, para se alcançar felicidade, a vida humana deve 
estar em harmonia com as leis da natureza, sendo que a saúde é um estado 
de completude (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AYURVEDA, [20--?]; BRASIL, 2017).
Por um longo tempo, o ensino da medicina aiurvédica era realizado so-
mente de forma oral, em que o professor-guru treinava os seus alunos com 
base nos três principais autores dessa filosofia: Caraka, Susruta e Vagbhata. 
De acordo com a Associação Brasileira de Ayurveda ([20--?]), todo estudante 
da medicina aiurvédica, na Índia, pesquisa profundamente os três principais 
tratados elaborados por esses autores:
 � o compêndio de Caraka de medicina interna ou clínica médica;
 � o compêndio de Susruta de cirurgia aiurvédica; e
 � o coração dos oito ramos do ayurveda de Vagbhata.
Em cada um desses compêndios, é possível observar a aplicação da mesma 
doutrina para diferentes objetivos.
Com o passar dos anos, o modelo de interação entre guru e discípulo foi 
sendo modificado, devido às diversas e intensas invasões no território indiano, 
à influência de outras culturas e à adaptação ao modelo ocidental de aulas. 
De acordo com Nery (2019), até o início do século XX, a medicina aiurvédica 
permanecia sendo praticada apenas nos países que já a haviam incorporado 
por meio da migração de monges budistas e mestres iogues. Isso ocorreu 
em torno do século V a.C. nestes países: Sri Lanka, Burma, Tibet, Nepal, sul 
da China, Bangladesh, Laos, Tailândia, Mongólia, Malásia, Indonésia e Japão.
A medicina aiurvédica foi divulgada em países como Estados Unidos e 
Inglaterra a partir de viagens de mestres espirituais hinduístas que propaga-
vam também o yoga e o tantra. O conhecimento do ayurveda nesses países 
ganhou maior força na década de 1960, quando os ocidentais passaram a 
buscar novas abordagens alimentares e ressignificação espiritual e, com 
isso, apresentaram um maior interesse pelos saberes orientais. Em 2003, a 
Organização Mundial de Saúde (OMS) inseriu o ayurveda nos sistemas de saúde 
como medicina tradicional ou complementar. A OMS descreve sucintamente 
a utilização do ayurveda para “[...] prevenir e curar doenças, e reconhece 
Massagem abhyanga2
que esta não é apenas um sistema terapêutico, mas também uma maneira 
de viver” (BRASIL, 2017, p. 68).
No Brasil, a difusão do conhecimento dessa medicina se deu pela visita 
do guru Maharishi Mahesh ao estado de Goiás, em 1983. Em 1999, foi fundada 
a ABRA, com o intuito de preservar e divulgar os estudos do ayurveda em 
todo o país. Em 2017, o ayurveda foi incluído no Sistema Único de Saúde (SUS) 
como prática integrativa e complementar em saúde, por meio da Portaria nº 
849, de 27 de março de 2017 (NERY, 2019; BRASIL, 2017).
O ayurveda constitui um sistema único de cuidado, em que são conside-
rados os campos energético, mental e espiritual. O ayurveda presume que 
tudo no universo, inclusive o corpo físico, é composto pelos cinco elementos 
básicos da natureza, também conhecidos como panchamahabhutas; são eles: 
espaço ou éter, ar, fogo, água e terra. Esses cinco elementos se expressam na 
fisiologia do organismo por meio de três doshas (humores biológicos): vata 
(espaço e ar), pitta (fogo e água) e kapha (água e terra).
De acordo com Rocha ([20--], documento on-line), “[...] os doshas são as 
expressões fisiológicas dos 5 elementos quando existe equilíbrio, porém 
quando ocorre uma desarmonia, tornam-se suas expressões patológicas”. No 
Quadro 1, é possível observar as qualidades físicas de cada um dos doshas, 
enquanto, no Quadro 2, estão descritas as funções e localizações de cada 
um deles.
Quadro 1. Formação e qualidades físicas dos doshas
Dosha
Formação pelos 
cinco elementos Qualidades físicas
Vata Éter + ar Maciez, leveza, frieza, sutileza, secura, 
delicadeza, volatilidade, aspereza, 
mobilidade, instabilidade, insidiosidade
Pitta Fogo + água Leveza, calor, sutileza, secura, ardência, 
agudeza, profunda penetração, leve 
untuosidade
Kapha Água + terra Maciez, liquidez, frieza, oleosidade, 
letargia, viscosidade, dureza, 
estabilidade, peso, densidade, grossura
Fonte: Adaptado de Carneiro (2009).
O dosha vata opera basicamente nas funções nervosa e excretória, locali-
zando-se no sistema digestório, na porção do intestino grosso. Quando o vata 
Massagem abhyanga 3
se encontra em desequilíbrio, pode vir a causar perda de peso, gases, prisão 
de ventre, inquietação, ansiedade, insônia, medo, depressão, entre outros 
sintomas. De acordo com Rocha ([20--]), algumas patologias relacionadas ao 
dosha vata incluem: cefaleia, dores em geral, fibromialgia, artrose, problemas 
de coluna, constipação, flatulência, colite, síndrome do intestino irritável, 
doença de Parkinson, síndrome bipolar e demência senil.
O dosha pitta opera nas funções metabólica e digestiva, localizando-se 
no sistema digestório, na porção do estômago e duodeno. Quando o pitta se 
encontra em desequilíbrio, pode vir a causar calor e aumento da sudorese, 
azia, queimação abdominal, fezes soltas, pele sensível, vermelhidão nos 
olhos, irritabilidade e agressividade. De acordo com Rocha ([20--]), algumas 
patologias relacionadas ao dosha pitta incluem: enxaqueca, diarreia, gastrite, 
úlcera digestiva, regurgitação, hepatite, acne, estresse exacerbado, crises de 
fúria e ciúmes, inflamações, climatério e menopausa.
O dosha kapha age na função estrutural e de lubrificação dos tecidos e, 
quando se encontra em desequilíbrio, pode vir a causar aumento do peso 
corporal, preguiça, lentidão, oleosidade, secreções e embotamento mental. 
As patologias relacionadas ao dosha kapha incluem: obesidade, aumento 
do colesterol, diabetes, alergias respiratórias, bronquite, sinusite, tosse 
com secreção, lentidão nas funções físicas e mentais e apego acentuado 
(ROCHA, [20--]).
Massagem abhyanga4
Quadro 2. Principais funções e localizações dos doshas
Dosha Funções Localizações preferenciais
Vata Todas as formas de 
movimentos e circulação: 
respiração, pulsação, 
circulação sanguínea e 
linfática, movimentos 
peristálticos dos intestinos, 
movimentos articulares, 
transmissão de impulsos 
nervosos, movimento dos 
pensamentos, percepção 
das sensações pelo sistemanervoso
Bexiga, intestino grosso, região 
pélvica, membros inferiores, 
ossos
Pitta Digestão e metabolismo em 
todas as fases da fisiologia; 
todas as transformações 
ocorridas no processo vital
Região umbilical, estômago, 
intestino delgado, quilo, linfa, 
olhos e pele
Kapha Estruturação, coesão, definição 
de forma material, construção, 
adesão e estabilidade de todas 
as estruturas materiais do 
corpo
Acima da região cardíaca — 
tórax, pulmões, brônquios, 
cabeça, garganta — e no 
estômago, em catarros, 
secreções, líquidos e músculos 
do corpo
Fonte: Adaptado de Carneiro (2009).
A medicina aiurvédica apresenta dois objetivos principais: preservar e 
promover a saúde de indivíduos saudáveis e curar doenças. A promoção da 
saúde é de grande importância, visto que as doenças têm início muito antes 
de serem percebidas no corpo por meio de sinais e sintomas. Com isso, o 
ayurveda possibilita que sejam tomadas ações adequadas e eficazes com 
antecedência (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AYURVEDA, [20--?]; BRASIL, 2017). 
Segundo Carneiro (2009), o ayurveda considera uma pessoa sadia quando 
esta:
 � apresenta em equilíbrio os princípios vitais (doshas), bem como as 
enzimas metabólicas e digestivas (agnis);
 � apresenta funcionamento correto dos tecidos (dhatus), dos produtos 
secundários do metabolismo (catabólitos) e das excreções orgânicas 
(malas);
Massagem abhyanga 5
 � apresenta uma felicidade no espírito, na mente e nos sentidos. 
A partir do diagnóstico do dosha que se encontra em desequilíbrio, pode-se 
planejar o tratamento, sendo que este é totalmente individual e considera 
a singularidade do indivíduo. “A abordagem terapêutica básica é aquela que 
pode ser realizada pelo próprio indivíduo através do autocuidado, sendo 
o principal tratamento” (BRASIL, 2017, p. 69). O ayurveda possui uma vasta 
gama de ferramentas terapêuticas para proporcionar o equilíbrio dos doshas, 
como (ROCHA, [20--]):
 � massagem aiurvédica;
 � óleos medicinais;
 � fitoterapia;
 � dieta;
 � rotina diária de hábitos saudáveis;
 � oleação e sudação (purvakarma);
 � terapias purificadoras (panchakarma);
 � medicamentos com metais, minerais e pedras preciosas (rasa shastra);
 � meditação; e
 � yoga.
Massagem abhyanga
A massagem abhyanga faz parte do tratamento de snehana, um vocábulo 
sânscrito que significa oleação do corpo. O óleo medicinal pode ser ingerido 
ou aplicado no corpo, e uma das formas de aplicação é por meio de mas-
sagens. De acordo com Rocha ([20--?]), o abhyanga pode ser definido como 
“[...] a metodologia de utilização transdérmica do óleo vegetal através da 
massagem terapêutica”. 
O abhyanga é uma massagem corporal e facial na qual são utilizados óleos 
vegetais ou ervas específicas, sendo um dos procedimentos mais importantes 
do ayurveda. Na medicina aiurvédica, a massagem é utilizada como recurso 
terapêutico, sendo recomendada como prática diária. A massagem abhyanga 
promove a nutrição dos tecidos, diminui a tensão e o estresse, equilibra os 
doshas e cura as doenças causadas pelo desequilíbrio deles, rejuvenesce o 
sistema e promove força e vitalidade.
Essa técnica exerce efeito sobre os sistemas musculoesquelético, circu-
latório, linfático, gastrointestinal, nervoso, dentre outros. De acordo com 
Meneguzzi et al. (2011, p. 67), “O principal objetivo da massagem é estimular 
Massagem abhyanga6
a eliminação de toxinas dos tecidos mais profundos do corpo e, consequen-
temente, o movimento dessas toxinas para o trato gastrointestinal onde 
poderão ser eficientemente eliminadas”.
Na prática da massagem abhyanga, é fundamental a utilização de óleos 
vegetais medicamentosos, os quais são utilizados geralmente mornos, po-
dendo também ser aplicados na forma de automassagem. Nessa massagem, 
busca-se equilibrar corpo-mente-energia, bem como fortalecer o sistema 
imunológico, a fim de ajudar o indivíduo a se defender, bem como se adaptar, 
às mudanças externas e intempéries (CARNEIRO, 2009). 
A massagem abhyanga pode ser aplicada em regiões específicas do corpo. 
Dessa forma, pode receber diferentes denominações, a saber:
 � shiroabhyanga — massagem na cabeça;
 � mukhabhyanga — massagem facial;
 � pristhabhyanga — massagem nas costas;
 � padababhyanga — massagem nos pés.
A shiroabhyanga é uma massagem realizada na região da cabeça e 
trabalha também os ombros e parte das costas. Essa modalidade 
de massagem é ideal para aliviar tensões nessas regiões, assim como auxiliar 
o tratamento de dor de cabeça e dos olhos. Outros benefícios dessa massagem 
incluem:
 � relaxamento do sistema nervoso;
 � eliminação da fadiga;
 � aumento da oxigenação e do fornecimento de nutrientes para o cérebro;
 � aumento da secreção dos hormônios do crescimento;
 � estimulação do desenvolvimento de células do cérebro;
 � retardamento da queda do cabelo e da calvície, devido à estimulação da 
circulação dos folículos capilares.
A massagem abhyanga pode ser aplicada por um terapeuta ou dois, de 
forma sincronizada. O massoterapeuta, antes de iniciar o tratamento com a 
abhyanga, deve realizar a leitura do desequilíbrio do paciente, relacionando 
os distúrbios apresentados com os doshas vata, pitta e kapha e também com 
agni (fogo digestivo) e ama (toxinas). O massoterapeuta deve estar com boa 
disposição e saudável; caso esteja doente, deve evitar realizar a sessão com 
o paciente (ROCHA, ([20--?]).
Massagem abhyanga 7
Na Índia, uma sessão de massagem abhyanga dura em média 30 a 45 
minutos, sendo preferencialmente realizada no início da manhã ou no final 
da tarde, devido à temperatura ser mais amena, pois temperaturas muito 
altas podem promover o desequilíbrio do dosha pitta. Quanto à duração do 
tratamento, é recomendado que sejam realizadas de cinco a 10 sessões, de 
uma a duas vezes por semana (ROCHA, ([20--?]).
De acordo com Rocha ([20--?]), a pressão e a direção da massagem va-
riam de acordo com o dosha a ser tratado. A pressão é suave para o dosha 
vata, média para pitta e profunda para kapha. Quanto à direção, para vata 
e pitta é descendente (anuloma), ou no sentido dos pelos, e, para kapha, é 
ascendente (pratiloma) ou contrária aos pelos. Meneguzzi et al. (2011) discorre 
que a aplicação da pressão no abhyanga pode ser realizada utilizando mãos, 
cotovelos, antebraços e, certas vezes, até mesmo os pés.
A seguir, tem-se uma sugestão de passo a passo para a realização da 
automassagem abhyanga, relatada por Schulz (2012).
1. Primeiramente, deve-se colocar cerca de ½ xícara de óleo em um 
recipiente plástico, podendo ser em uma garrafa tipo squeeze. Deve-se 
certificar que o óleo não esteja rançoso.
2. O recipiente com óleo deve ser colocado em banho-maria, até que o 
óleo fique agradavelmente aquecido.
3. Para a realização da massagem, recomenda-se que se permaneça em 
pé ou sentado confortavelmente em um ambiente aquecido, podendo 
envolver-se em uma toalha, para absorver o excesso de óleo.
4. Deve-se então aplicar o óleo no corpo inteiro. 
5. Começa-se a massagem pelas extremidades, em direção ao centro do 
corpo. Deve-se realizar movimentos longos nos membros e circulares 
nas juntas. No abdômen e no tórax, devem ser realizados movimentos 
circulares no sentido horário. No abdômen, deve-se seguir a direção do 
intestino grosso, com movimentos ascendentes no lado direito, movi-
mentos transversais e movimentos descendentes no lado esquerdo.
6. A massagem do corpo deve ser realizada com amor e paciência, por 
5 a 20 minutos.
7. Ao menos uma vez por semana, deve-se dedicar um tempo extra para 
a massagem da cabeça, dos ouvidos e dos pés. O óleo morno deve 
ser aplicado na coroa da cabeça, realizando-se movimentos suaves e 
circulares a partir do centro. Deve-se colocar algumas gotas de óleo 
aquecido na ponta do dedo mínimo e posteriormente aplicar na aber-
tura do canal do ouvido. Um algodão também pode ser utilizado para 
Massagem abhyanga8
esse procedimento. Ao realizar a massagem nos pés, deve-se certificar 
de enxaguá-los durante o banho, para evitar escorregar.8. Ao final da massagem abhyanga, deve-se tomar um banho ou uma 
ducha morna, podendo utilizar um talco do dosha tratado para auxiliar 
no enxágue sem ressecar a pele.
9. Ao sair do banho, deve-se utilizar uma toalha seca para se enxugar.
10. É recomendado colocar um par de meias de algodão orgânico, prefe-
rencialmente, para proteger o ambiente dos resíduos de óleo dos pés.
11. Por fim, deve-se aplicar um óleo essencial apropriado para o dosha 
nos pulsos e no pescoço.
Alguns pacientes relatam no início do tratamento com a massagem 
abhyanga um certo desconforto em determinadas áreas do corpo, 
uma sensação semelhante à de se realizar uma aula inteira de ginástica após 
muito tempo sem realizar atividade física. Esse desconforto pode ser amenizado 
utilizando-se uma bolsa de água quente na região afetada por 20 minutos, 
sendo também recomendado o aumento da ingestão de água, para ajudar na 
eliminação de toxinas pelo corpo.
Escolha dos óleos
Os óleos utilizados na massagem abhyanga devem ser prensados a frio, 
originados de sementes orgânicas, não tostados e de origem 100% vege-
tal. Normalmente os óleos são levemente aquecidos em banho-maria, exceto 
em dias muito quentes e quando são tratados os desequilíbrios do dosha 
pitta. Nos óleos vegetais, podem ser adicionadas plantas medicinais ou óleos 
essenciais para potencializar a sua ação. Por exemplo, em óleos para vata e 
kapha, pode-se adicionar gengibre e canela, enquanto, para pitta, pode-se 
adicionar coentro e alcaçuz (ROCHA, [20--?]). 
Assim como o movimento a ser realizado, o tipo de óleo também pode 
variar de acordo com o desequilíbrio dos doshas apresentado pelo paciente. 
Para o dosha vata, o óleo de gergelim é considerado a melhor escolha, por ser 
naturalmente aquecido. O óleo de amêndoa e o óleo de mostarda também são 
boas opções, por serem quentes. Outras opções de óleos para vata relatadas 
por Rocha ([20--?]) incluem: castanha do Brasil, mahanarayan, dhanvantari 
e bala tailam. O óleo mahanarayan é produzido a partir de mais de trinta 
Massagem abhyanga 9
ervas aiurvédicas, sendo tradicionalmente utilizado para fraqueza ou dor nas 
juntas, devendo ser aplicado diretamente nas juntas e nos músculos afetados.
Como opções de óleos para o dosha pitta, tem-se os óleos de coco, giras-
sol, neem e azeite de oliva. A aplicação do óleo de bhringaraj ou do óleo de 
brahmi na cabeça e nos pés ao dormir pode reduzir pitta e promover um sono 
tranquilo. Bhringaraj é uma erva rasteira e seu nome botânico é Eclipta alba. 
O óleo dessa erva apresenta cor verde e, entre os seus principais benefícios, 
ele ajuda no tratamento de problemas relacionados com o couro cabeludo, 
fortalecendo as raízes do cabelo e combatendo a calvície precoce. Por me-
lhorar o funcionamento do sistema nervoso, esse óleo também aumenta a 
resistência do organismo e melhora o bem-estar. O óleo de brahmi (Bacopa 
monnieri) também melhora a saúde capilar e apresenta outros benefícios, 
como alívio da ansiedade, auxílio no tratamento de artrites, promoção das 
capacidades cognitivas e alívio de dores estomacais. 
Para o dosha kapha, os óleos de gergelim, milho e mostarda são úteis por 
serem quentes. Porém, óleos de plantas medicinais são ainda melhores para 
kapha, pois estes adicionam mais propriedades pacificadoras ao óleo. Rocha 
([20--?]) indica para kapha óleos de pó de ervas e óleo de semente linhaça.
Indicações e contraindicações
A massagem abhyanga é indicada para harmonização das energias físicas, 
psíquicas e espirituais do indivíduo, proporcionando relaxamento e bem-estar. 
Ela é indicada no tratamento dos distúrbios associados ao dosha vata, no 
tratamento das cefaleias, em pacientes dependentes de drogas (p. ex.: álcool, 
tabaco, maconha e cocaína), em pacientes com alterações musculoesqueléticas 
(reumatismos), no tratamento das disfunções sexuais, entre outras.
Alguns benefícios dessa modalidade de massagem relatados por Rocha 
([20--?]) são:
 � equilíbrio do sistema nervoso;
 � aumento da circulação sanguínea e linfática;
 � melhora da pele e do cabelo;
 � auxílio na função gastrointestinal;
 � alívio de tensões e dores musculares;
 � dissolução de estresse, tensão emocional e ansiedade; 
 � melhora do sono;
 � redução de edemas e inchaços;
 � aumento da libido;
Massagem abhyanga10
 � auxílio na excreção de malas (excreções);
 � liberação dos doshas dos tecidos para o tubo digestivo, para serem 
eliminados.
O abhyanga, por ser, além de uma massagem, um tratamento médico, pos-
sui algumas contraindicações, como em caso de indigestão. O dosha pitta é o 
responsável pelo processo digestivo, sendo que esse processo é desempe-
nhado por um complexo sistema enzimático. Essas enzimas são denominadas 
agnis no ayurveda e representam o poder digestivo. Indivíduos com o agni 
em desequilíbrio e que, portanto, apresentam um quadro de indigestão, não 
devem ser submetidos ao processo de abhyanga (MACÊDO; FERREIRA, 2020).
O abhyanga também é contraindicado na gravidez, pois se deve ter cui-
dados especiais com a paciente grávida e com mulheres durante o período 
menstrual, por aumentar o fluxo sanguíneo. Para pacientes com distúrbios 
do dosha kapha, é indicada a udhvartana, uma esfoliação aiurvédica com 
pós de ervas (ROCHA, ([20--?]).
De acordo com Rocha ([20--?]), são contraindicações da massagem 
abhyanga:
 � distúrbios do dosha kapha;
 � acúmulo de toxinas no corpo (ama, no ayurveda);
 � alterações no fogo digestivo (agni, no ayurveda);
 � infecções com febre;
 � menstruação; 
 � gravidez;
 � trombose e tromboflebite;
 � náuseas, vômitos e diarreia.
A massagem abhyanga é considerada um dos tratamentos de reju-
venescimento da medicina aiurvédica. Esse tratamento melhora a 
circulação do sangue, aumenta a força e rejuvenesce os tecidos, embeleza a 
pele e atrasa a velhice, remove a celulite, promove a indução do sono saudável, 
reduz toxinas, remove o estresse e promove vitalidade.
A partir do conteúdo abordado, percebem-se os diversos efeitos fisiológi-
cos e benéficos da massagem abhyanga, que vão além do relaxamento e do 
bem-estar. Diferentes óleos e ervas são utilizados nessa técnica de massagem, 
Massagem abhyanga 11
devendo o profissional massoterapeuta ter o conhecimento adequado deles 
para o correto tratamento dos distúrbios associados ao dosha do paciente. 
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AYURVEDA. Ayurveda ou medicina ayurvedica, Rio de Ja-
neiro: ABRA, [20--]. Disponível em: https://ayurveda.org.br/a-abra/o-que-e-ayurveda/. 
Acesso em: 27 dez. 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 849, de 27 de março de 2017. Diário Oficial da 
União, Brasília, DF, ano 154, n. 60, seção 1, p. 68-69, 28 mar. 2017. Disponível em: https://
pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=28/03/2017&jornal=1&pag
ina=68&totalArquivos=132. Acesso em: 27 dez. 2020.
CARNEIRO, D. M. Ayurveda: saúde e longevidade na tradição milenar da Índia. São 
Paulo: Pensamento, 2009.
MACÊDO, M.; FERREIRA, C. O que é abhyanga? Vida Veda, [S.l.], 21 abr. 2020. Disponível 
em: https://medium.com/@vidaveda/o-que-%C3%A9-abhyanga-556e19ceba40. Acesso 
em: 27 dez. 2020.
MENEGUZZI, P. et al. Massagem Ayurvédica Abhyanga na melhora da qualidade de vida, 
dor e depressão em portadores de fibromialgia. Revista Brasileira Terapia e Saúde, 
[S.l.], v. 1, n. 2, p. 66-67, 2011.
NERY, D. R. O Ayurveda na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares 
(PNPIC): análise do material didático do Sistema Único de Saúde (SUS). 2019. 190f. 
Monografia (Pós graduação em Ensino em Biociências e Saúde) – Instituto Oswaldo 
Cruz, Rio de Janeiro, 2019. 
ROCHA, A. M. A medicina ayurvedica ou ayurveda. Rio de Janeiro: ABRA, [20--]. Disponível 
em: https://ayurveda.org.br/amedicinaayurvedicaouayurveda/. Acesso em: 27 dez. 2020.
ROCHA, A. M. Abhyanga: a massagem ayurvedica. Rio de Janeiro: Clínica de Ayurveda, 
[20--?]. Disponível em: https://ayurveda.com.br/abhyanga-a-massagem-ayurvedica/. 
Acesso em: 27 dez. 2020.
SCHULZ, E. Abhyanga:Massagem Ayurvédica com utilização de óleos, por Dra. Claudia 
Welch. Blog do Instituto Naradeva Shala, São Paulo, 15 maio 2012. Disponível em: http://
blog.naradeva.com.br/2012/05/15/abhyanga-massagem-ayurvedica-com-utilizacao-
-de-oleos-por-dra-claudia-welch/. Acesso em: 27 dez. 2020.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos 
testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da 
publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas 
páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores 
declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou 
integralidade das informações referidas em tais links.
Massagem abhyanga12

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