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MASSOTERAPIA
Daniele Simão
Shiatsu
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer a origem do shiatsu.
 � Identificar os principais meridianos a serem manipulados.
 � Relacionar as manobras do shiatsu e seus efeitos.
Introdução
O shiatsu, traduzido por “pressão com o dedo”, é uma técnica de mas-
sagem japonesa recomendada para reestabelecer o equilíbrio e o bom 
funcionamento do organismo por meio da aplicação de pressão em 
determinados pontos do corpo humano, onde circula a energia vital. Visa, 
assim, prevenir ou amenizar disfunções internas e doenças específicas, 
causadas pelo desequilíbrio destes pontos energéticos. 
Neste capítulo, você vai conhecer a técnica de shiatsu, sua origem, os 
principais meridianos para sua aplicação, suas manobras e seus efeitos. 
A origem do shiatsu
É bem provável que você já conheça o shiatsu como uma massagem oriental. 
Essa prática japonesa, porém, é reconhecida não apenas como técnica de 
massagem, mas também como terapia preventiva de reequilíbrio físico e 
energético, que se obtém por meio de pressões exercidas em áreas e pontos 
específicos, conhecidos como meridianos. 
Considera-se como preventiva porque, ao reequilibrar a energia nesses 
pontos, regula e fortalece o funcionamento dos órgãos, estimulando sua re-
sistência natural às doenças, promovendo e mantendo a saúde. 
A palavra vem do Japão. “Shi”, significa dedo e “atsu” significa pressão. 
No entanto, para entender melhor a origem do shiatsu, precisamos ir mais 
longe, até a China antiga, onde surgiram os princípios básicos de todas as 
formas de medicina oriental. Por serem proferidos e aceitos como verdades 
universais, esses princípios e práticas se mantiveram durante séculos, quase 
sempre da mesma maneira.
Apesar de existirem evidências da prática da acupuntura antes de 2500 
a.C e da descoberta de uma placa em bronze em que os pontos e meridianos 
são mencionados, o texto médico mais antigo que temos sobre ela foi escrito 
apenas por volta de 400-200 a.C., já que o usual, na antiguidade, era transmitir 
oralmente os conhecimentos. Esse livro Nei Ching, o Livro do Imperador 
Amarelo é um dos mais importantes textos para o estudo da Medicina Tradi-
cional Chinesa (JAHARA-PRADIPTO, 1986). 
Esta, a Medicina Chinesa, foi unificada por volta de 206 a.C – 220 a.C, 
quando a massagem foi adotada como um dos quatro pilares clássicos do 
tratamento médico, juntamente com a acupuntura, o moxabustão e a fitote-
rapia. Antes desse período, dividia-se em dois principais segmentos: o das 
raízes e ervas, no sul; e o da acupuntura, moxa e massagem (amna), ao norte. 
Ambas as tradições eram decorrentes das influências climáticas e ambientais 
das respectivas regiões e respondiam aos tipos de doenças mais comuns em 
cada uma delas. 
Nas áreas mais quentes, havia uma vida vegetal vasta e abundante, fa-
cilitando o uso de raízes, folhas e cascas de árvores. Naquelas localizadas 
a leste, a acupuntura era mais eficaz contra os ardores internos e as úlceras 
decorrentes da alimentação à base de peixe e sal. Já a moxabustão, queima 
de artemísia seca sobre pontos específicos, produzia calor e estimulava a 
circulação local para combater às doenças do frio a que estavam sujeitos os 
habitantes do norte. As populações residentes ao centro, por sua vez, sujeitas 
a doenças como paralisia total, arrepios e febre, eram melhor tratadas com 
exercícios respiratórios, massagens na pele e exercícios nas mãos e nos pés 
(LIECHTI, 1994). 
Esse sistema unificado somou-se à teoria do Yin-Yang, registrada no I 
Ching, o Livro das Mudanças; e à teoria dos Cinco Elementos, Cinco Fases ou 
Cinco Transformações). Mais tarde, por volta do ano de 552 d.C., foi levado para 
o Japão, onde se manteve inalterado até a chegada da ciência médica ocidental 
ao país, entre os anos de 1868-1912, trazendo o impacto de inovações como 
as técnicas cirúrgicas e práticas eficazes contra epidemias. 
Em 1912, a família de Tokujiro Namikoshi, criador da terapia de shiatsu 
como a conhecemos na atualidade, sofreu desordens em seu modo de vida em 
Shiatsu2
razão da migração imposta por severas alterações climáticas. A mãe passou a 
sentir fortes dores nos joelhos, que se estenderam para os tornozelos, punhos, 
cotovelos e ombros, num quadro hoje conhecido como reumatismo múltiplo 
nas articulações. Como não havia médicos nem medicamentos onde residiam, 
Tokujiro, então com sete anos de idade, se revezava com os irmãos em sessões 
em que aplicavam pressão com os dedos sobre os pontos onde a mãe relatava 
sentir dores. Estas passaram a diminuir gradualmente e, incentivado pela mãe, 
aprofundou a pressão nos pontos da pele em que percebia mais calor e rigidez 
da pele. Passou também a observar a melhora dos pontos doloridos, quando 
alternava movimentos de fricção e pressão. Mesmo sem conhecer anatomia 
e fisiologia, o menino estimulava o corpo a secretar cortisona, que minimiza 
e até cura o reumatismo. 
Em 1919, o massagista Tamai Tempaku publicou o primeiro livro sobre essa 
técnica, intitulado Shiatsu Ho, referindo-se à terapia de pressão com os dedos 
e propondo tratamentos para doenças através da integração entre a anatomia, 
a psicologia, conhecimentos vindos do Ocidente e práticas orientais como 
anma, ampuku (técnica de massagem abdominal chinesa), do-in e o sistema 
de canais de meridianos chineses.
O sistema de shiatsu nasceu desse processo experimental. O termo shiatsu, 
ou digitopuntura, veio a ser incorporado ao dicionário científico japonês 
após a superação de várias dificuldades e a inauguração do Shiatsu Institute 
of Therapy em 1925, com o intuito de diferenciar essa técnica da massagem 
para relaxamento. Compunham essa associação os discípulos e seguidores 
de Tamai Tempaku, dos quais se destacaram Katsusuke Serizawa, Tokujiro 
Namikoshi e a mãe de Shizuto Masunaga, influenciadora do filho na criação 
de um estilo próprio de shiatsu, o Zen Shiatsu (BASTOS, 2000).
Entretanto, o shiatsu só se consolidou como forma de terapia há cerca de 
70 anos, quando o governo japonês passou a exigir a licença para a prática 
de Anma e muitos terapeutas migraram para o shiatsu, a fim de fugirem da 
regulamentação (JAHARA-PRADIPTO, 1986). 
Após a derrota japonesa na segunda guerra mundial, o governo reestru-
turado buscou o desenvolvimento de uma nova identidade nacional e passou 
a investir no conhecimento científico e tecnológico, mirando a reconstrução 
do país. O general americano Douglas Mac Arthur tentou vetar a prática de 
todas as técnicas orientais no país. Sob polêmica e pressão de muitos protes-
tos, foi constituída uma comissão para avaliar, classificar e regulamentar a 
Medicina Tradicional Japonesa, enquanto seus praticantes eram intimados a 
exibir a teoria e a prática dos métodos terapêuticos, comprovando sua eficácia 
e demonstrando sua cientificidade.
3Shiatsu
Como o shiatsu já vinha sendo ensinado em muitas escolas japonesas desde 
1925, Tokujiro Namikoshi, obteve a legalização do shiatsu pela Instituição de 
Saúde do Governo Japonês, mas apenas em 1964. 
Se a normatização contribuiu para a aceitação formal, os efeitos do período 
pós-guerra também ajudaram a propagação do shiatsu pelo mundo, através dos 
imigrantes que difundiram a cultura japonesa nos países ocidentais, unindo a 
prática da massagem às artes marciais (BASTOS, 2000).
Como é possível perceber, o shiatsu despertou grande interesse por pro-
porcionar alívio das tensões musculares e equilíbrio. Codificado como ciência 
em tempos recentes, originou-se da medicina tradicional chinesa, percorrendo 
longo caminho até ser praticado como é atualmente. Você vai, agora, conhe-
cer os resultados dessa técnica e tenho certeza que terá vontade de aprender 
também sobre suas manobras e formas de aplicação.
Os principais meridianos
Neste momento, você deve estar pensando: a proposta da técnica de shiatsu é 
maravilhosa, principalmente pelo seu caráter de prevenção de doenças, mas 
oque são meridianos? 
Os meridianos são canais comunicantes com os órgãos e tecidos (Zang Fu) 
por onde são transportadas as substâncias fundamentais, entre elas o Qi (ti), 
termo chinês traduzido como “energia”. Estes canais ligam os órgãos (Zang 
Fu) aos membros, ajustando o funcionamento de cada parte do corpo onde 
circulam o Qi e o sangue (Xue em chinês). 
Para entender melhor o trajeto desses fluxos e a ação do shiatsu sobre eles, 
é preciso conhecer cada um dos principais meridianos, bem como sua ligação 
com desequilíbrios e patologias. Preste atenção ao Quadro 1. 
É importante observar que alguns meridianos não estão ligados a nenhum 
órgão ou víscera, pois fazem parte da “Pequena Circulação”, cuja função é 
regular o funcionamento da “Grande Circulação”. Além disso, correspondem 
aos meridianos principais também o meridiano do vaso concepção, que rege 
a energia Yin do corpo, e o meridiano do vaso governador, que rege e regula 
a energia Yang e sustenta a resistência do corpo. 
Shiatsu4
Meridiano do 
Pulmão (P)
Meridiano do 
Intestino Grosso (IG)
Meridiano do 
Estomago (E)
 
Sintomas de excesso: 
dor torácica; ruído 
ao respirar; voz alta; 
expectoração com pus.
Sintomas de 
deficiência: 
sudorese noturna; 
depressão; voz fraca; 
expectoração fluida.
Sintomas de excesso: 
faringite; dor de 
garganta e abdominal; 
constipação.
Sintomas de 
deficiência: 
cansaço, frio nas 
extremidades, diarreia.
Sintomas de excesso: 
fome frequente; 
constipação; dor e 
distensão epigástrica.
Sintomas de 
deficiência: 
perda de apetite; 
diarreia, calafrio; cansaço.
Meridiano do Baço-
Pâncreas (BP)
Meridiano do 
Coração (C)
Meridiano do Intestino 
Delgado (ID)
Sintomas de excesso: 
distenção abdominal; 
constipação; dor 
no estômago.
Sintomas deficiência: 
indigestão; diarreia; 
náuseas e vômitos.
Sintomas de excesso: 
ansiedade; sono; sede.
Sintomas de 
deficiência: 
dispneia no 
esforço; palpitação; 
membros frios.
Sintomas de excesso: 
dor de ganganta; dor 
e rigidez na nuca; dor 
no ombro e braço.
Sintomas de 
deficiência: 
diarreia; adormecimeto 
ou formigamento 
do braço.
Quadro 1. Meridianos e suas características
(Continua)
5Shiatsu
Quadro 1. Meridianos e suas características
Meridiano da 
Bexiga (B)
Meridiano de 
Circulação-Sexo 
Meridiano da 
Vesícula Biliar (VB)
Sintomas de excesso: 
dor de cabeça; dor 
aguda nas costas, 
lombar e pernas.
Sintomas de 
deficiência: 
frio nas costas, 
adormecimento e 
formigamento da perna.
Sintomas de excesso: 
calor e vermelhidão 
facial; dor no coração; 
ansiedade.
Sintomas de 
deficiência: 
palpitação e 
desconcentração.
Sintomas de excesso: 
irritabilidade; 
enxaqueca; 
boca amarga.
Sintomas de 
deficiência: 
vertigem; tontura; 
vômito; zumbido; fobia.
Meridiano do Rim (R)
Meridiano do Triplo 
Aquecedor (TA)
Meridiano do 
Fígado (F)
Sintomas de excesso: 
sede e ardência na boca;
distensão abdominal.
Sintomas de 
deficiência: 
impotência; 
dor na lombar; 
queda de cabelo; 
enfraquecimento 
dos dentes.
Sintomas de excesso: 
dor na faringe, distensão 
abdominal, surdez.
Sintomas de 
deficiência: 
zumbido; aurdez; mãos 
frias; transpiração.
Sintomas de excesso: 
dor no peito; boca 
amarga; náuseas e 
vômitos; dor genital.
Sintomas de 
deficiência: 
tontura; olhos secos; 
visão embaçada.
(Continuação)
(Continua)
Shiatsu6
Fonte: Adaptado de Perez e Levin (2014).
Quadro 1. Meridianos e suas características
Meridiano do Vaso Concepção (VC)
Meridiano do Vaso 
Governador (VG)
Sintomas gerais: 
doenças genitais; retenção urinária; corrimento; 
parto prematuro; dor de garganta; dispneia.
Sintomas gerais: 
dor nas costas; dor de 
cabeça; hemorroidas; 
hérnia; diurese; 
esterilidade; epilepsia.
(Continuação)
Note que, no Quadro 1, cada meridiano corresponde a um órgão do corpo 
humano e está representado pelas letras maiúsculas de seu nome. Perceba tam-
bém que, junto a cada meridiano, estão listados os seus sintomas relativos aos 
excessos e às deficiências. Esses sintomas são relacionados aos desequilíbrios 
na circulação energética, que se constitui de um fluxo contínuo e constante de 
energia pelo corpo, assegurado pela comunicação entre todos os meridianos. 
Na circulação energética, cada meridiano transmite ou recebe energia de 
outro meridiano específico, promovendo a comunicação e a regulação das 
funções de cada órgão, de acordo com o diagrama da Figura 1. 
7Shiatsu
Figura 1. Circulação energética entre os meridianos.
Como você pode perceber, a comunicação entre os meridianos garante o 
equilíbrio energético do organismo, permitindo uma interação saudável entre 
todos os sistemas. 
Agora você entenderá como a técnica de shiatsu atua regulando essa energia 
de forma preventiva e curativa. 
As manobras do shiatsu e seus efeitos 
Você já observou como ao sentir uma dor específica, nossa tendência é pres-
sionar ou massagear instantaneamente a região? Então, percebeu como essa é 
uma das formas mais simples de terapia, que vem sendo utilizada por milênios 
e aprimorada desde o início da história da humanidade. 
A partir do desenvolvimento dessa prática, o shiatsu se constituiu como 
técnica de toque, sensorial e intimista, onde as mãos do profissional precisam 
se moldar ao corpo do paciente. Mais do que qualquer outra técnica, não pode 
ser praticado, mecanicamente, nem de maneira “fria” ou superficial. Nela, 
o praticante é mais importante que próprio paciente que recebe a massa-
gem. Se o praticante não estiver consciente de seus sentimentos, não poderá 
estabelecer um contato humano e autêntico com o paciente. 
Alguns artigos de divulgação se referem ao shiatsu e à acupressão como 
sinônimos. A acupressão, porém, acaba por ser muito mais uma forma simplista, 
Shiatsu8
de praticar a acupuntura com os dedos, como se fosse um shiatsu de emergência, 
que visa a eliminação imediata das dores apenas. O shiatsu, porém, ao agir também 
sobre doenças e sintomas, é essencialmente uma técnica preventiva, que visa a 
manutenção da saúde e o fortalecimento orgânico do paciente. Numa sequência 
de shiatsu, trabalham-se todos os meridianos principais, sejam quais forem os 
sintomas, atuando de forma completa sobre o sistema corpo-mente e permitindo, 
assim, ao praticante, entender a essência do trabalho realizado e, ao paciente-
-cliente, usufruir da melhora do seu bem-estar (JAHARA-PRADIPTO, 1986). 
As exigências para a prática da acupuntura e do shiatsu também são di-
ferentes no que se refere à qualidade do toque e à dedicação do praticante. 
Na acupuntura, há um objeto, a agulha, entre o praticante e o paciente. Já no 
shiatsu, o praticante põe diretamente “as mãos na massa”. Ainda comparando as 
aplicações destas duas técnicas, o acupunturista deve dominar o conhecimento 
da medicina oriental, mas nem sempre o controle do seu corpo, a qualidade de 
toque ou o sentimento necessário à prática do shiatsu. Neste último, as pressões 
são realizadas com movimentos que mobilizam todo o corpo do praticante, 
exigindo muito senso de equilíbrio, tornando mais fácil a aplicação da técnica 
para pessoas que estão acostumadas a trabalhar com seu próprio corpo, como 
na dança, yoga, teatro, entre outras práticas (JAHARA-PRADIPTO, 1986). 
Com conhecimento e experiência, é bem simples de aplicar a técnica de shiatsu, 
mas ela exige muita concentração e foco quando você está nos primeiros passos 
de aprendizagem, principalmente no desenvolvimento do toque e dos pontos de 
referência a serem dominados. Embora simples, essa técnica requer muito foco, 
concentração e prática para que seja bem executada, produzindo resultados eficazes. 
Você deve também ter ouvido falar que nosso corpo armazena emoções 
e sentimentos que se refletem em nosso estado mental e que nosso corpo 
descreve um pouco de nosso passado através dos músculos e nervos, contando 
as histórias de vida muito mais nitidamente que as palavras. É nesse contexto 
que o shiatsu atua, aliviando dores e pequenos distúrbios orgânicos, fazendocom que a pessoa que recebe a massagem desperte nova consciência de seu 
próprio corpo. É o que buscamos ao tocar em pontos de energia bloqueados 
e ajudando a normalizá-los, trazendo uma sensação de equilíbrio interno, 
leveza, bem-estar e profundo relaxamento. 
Como o shiatsu é uma técnica que visa a homeostasia do organismo, suas 
manobras são realizadas no sentido do fluxo energético dos meridianos, pro-
movendo inicialmente sua sedação e, em seguida, sua tonificação, necessárias 
a cada meridiano, garantindo consequentemente a regulação de seu fluxo. 
Para prática da técnica de shiatsu, você pode utilizar as palmas das mãos 
e, principalmente os dedos, em especial os polegares, mas nunca a ponta dos 
9Shiatsu
dedos. Estas alteram radicalmente a qualidade da massagem para quem a 
está recebendo, principalmente na percepção de dor, muito mais causada pela 
pressão inadequada do que por reação da região de desconforto a ser tratada. 
Além disso, poderá causar tendinite e outros problemas ao profissional que 
aplica a técnica. Considerando-se estes fatos, vale voltar a frisar que a pressão 
deve ter origem na posição e no movimento do seu corpo, retirando a tensão 
e o estresse das mãos para manter o equilíbrio e a pressão uniforme durante 
a massagem (BECK; HESS; MILLER, 2010). 
Quanto à pressão adequada, como varia muito de área para área e de pessoa 
para pessoa, você deve utilizar como parâmetro “o desconforto suave da dor”. 
Em outras palavras, a massagem nunca deve ser extremamente dolorosa para 
quem está recebendo, pois a dor intensa pode sinalizar um problema em algum 
meridiano específico ou em seu órgão correspondente. Lembre-se que uma 
pressão excessivamente forte e/ou prolongada causa tensão nos músculos, 
contrariando o intuito da aplicação da técnica como relaxamento. 
É preciso, ainda, entender que a dor não é ruim em si, mas um instrumento 
do corpo para detectar estímulos nocivos e resguardá-lo contra futuras lesões, 
gerando uma sensação desagradável de desconforto como resultado de um dano 
já instalado ou que poderá acontecer ao tecido (ALVES NETO et al., 2009). 
Por isso, movimentos lentos, suaves e rítmicos são essenciais para sessões 
mais eficazes de shiatsu, para que você possa distinguir se a origem da dor está 
na pressão de seu movimento ou se já está sinalizando desequilíbrios locais. 
Até porque, muitos pontos utilizados são sensíveis ao toque e a aplicação da 
técnica não deve ser comparada a uma sessão de tortura. 
Determinados pontos sob a superfície da pele interferem diretamente na 
atividade de um meridiano correspondente e auxiliam no diagnóstico e trata-
mento de desequilíbrios energéticos. Estes pontos são conhecidos como pontos 
de tonificação, de sedação e de alarme, devendo ser trabalhados ao longo da 
massagem de shiatsu de forma a aumentar (quando há deficiência), diminuir 
(quando há excesso) ou simplesmente verificar o fluxo de energia nos meridianos. 
A ação em cada ponto é determinada pela função desse ponto. Deve ser 
mais profunda, lenta e intensa nos pontos de sedação e, nos de tonificação, 
deve ser menos intensa, mais superficial, rápida e rotativa.
Para reequilibrar o fluxo energético nos meridianos, são utilizadas as 
manipulações de pressão. As manobras nos pontos de tonificação aumentam 
o fluxo de energia no meridiano e são empregadas quando há deficiência 
energética na função do meridiano. Já nos pontos de sedação, diminuem o 
fluxo da energia, sendo utilizadas quando há excesso energético.
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13Shiatsu
Você viu no Quadro 2, os principais tipos de manobras que podem ser 
utilizados nessa técnica.
O que determina a escolha de cada manobra é o efeito desejado e sua região 
de aplicação. Para isso, você deve conhecer cada uma delas e suas respectivas 
funções. Também se recomenda que a massagem inicie pelo lado posterior 
do corpo, na região occipital, seguindo pela cervical, ombros, costas, lombar, 
pernas e pés. Depois, ao mudar de lado, siga a sequência contrária, pés, pernas, 
abdome, braços, pescoço e face, trabalhando cada um dos meridianos. 
Região Meridiano Manobras
Decúbito ventral
Base occipital VG, B, VB Pressão IMA, pressão 
simples, movimentando 
os polegares na 
transversal.
Pescoço B Pressão rotativa 
alternada e pinçamento.
Trapézio VB, TA, IG, ID, B Pressão rotativa e 
pressão palmar, pressão 
simples movimentando 
os polegares na 
transversal.
Região torácica e 
lombo/sacro
B Pressão simples, 
pressão rotativa.
VG Pressão simples 
(processo espinhal). 
Escápula Pressão simples 
e palmar.
Região Glútea VG, B Pressão simples 
e palmar.
Coxa, perna, pé B Pressão simples, pressão 
rotativa, pinçamento. 
Região plantar pé Percussão ulnar, 
deslizamento.
Quadro 3. Relação regiões, meridianos e manobras
(Continua)
Shiatsu14
Fonte: Adaptado de Souza (2005).
Quadro 3. Relação regiões, meridianos e manobras
Região Meridiano Manobras
Decúbito dorsal
Dorso do pé Pressão IMA (espaços 
interósseos a 
articulações dos 
dedos e pés).
Pernas E, R, BP, F Pressão simples 
e rotativa.
Região abdominal VC, E, BP Pressão simples, IMA e 
rotativa e deslizamento 
palmar (sentido horário 
dos órgãos e vísceras).
Tórax VC Pressão IMA.
Mãos Pressão simples 
(interósseos).
Braços/antebraço C, P, IG, TA, ID Pressão simples, 
rotativa e palmar.
Pescoço e cabeça IG, ID, TA, VG, VB Pressão simples, 
rotativa e IMA.
Face TA, E, IG, VC, VB, ID, TA Pressão simples, 
rotativa e palmar, 
percussão digital. 
(Continuação)
Assim, relacionando as regiões, manobras e meridianos, temos as opções 
que foram apresentadas no Quadro 3.
Como efeitos gerais do reequilíbrio do fluxo energético do organismo, 
a técnica de shiatsu extingue excessos e ajusta deficiências, promovendo 
relaxamento, redução do estresse e da ansiedade, melhora da pressão arterial 
e da circulação sanguínea, liberação de toxinas e prevenção de doenças. 
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Estágios de intensidade da pressão
O toque é utilizado apenas para apalpação quando o objetivo é diagnóstico, requerendo 
quase nenhuma pressão. Já as manobras de aplicação, podem ser realizadas com 
pressão suave, leve, média ou forte. É essencial que o praticante da técnica desenvolva 
a habilidade de controlar e sustentar a pressão durante a sessão de shiatsu, nunca 
causando sensações doloridas desagradáveis.
Lembre-se que cada pessoa tem tolerância e sensibilidade diferentese você deve 
saber diferenciar os pontos de desconforto dos pacientes, uma vez que pode causar 
dor desnecessária se aplicar intensidade inadequada de pressão. Veja os estágios de 
intensidade da pressão na Figura 2.
Toque
0 - 100 g
Suave
100 g - 1 kg
Leve
1 kg - 5 kg
Média
5 kg - 15 kg
Forte
15 kg - 30 kg
Figura 2. Intensidade e pressão no shiatsu.
Fonte: Namikoshi (1992).
É importante você ter presente que, como qualquer outra, também essa 
técnica não pode ser aplicada em casos de febre, processos inflamatórios 
agudos, dores agudas nas regiões de aplicação, processos infecciosos, 
fraturas ósseas, neoplasias, processos degenerativos ósseos, queimadu-
ras, trombose venosa, profunda, insuficiência renal e cardíaca e doenças 
hemorrágicas.
Como vimos, o shiatsu é uma técnica muito fácil, porém exige amplo 
conhecimento e prática em relação aos meridianos, pontos, e sua manipulação. 
Por isso, antes aplicá-la, estude e pratique muito as manobras, entendendo em 
especial o que você está fazendo. Alcance, assim, ótimos resultados. 
Shiatsu16
ALVES NETO, O. et al. (Org.). Dor: princípio e prática. Porto Alegre: Artmed, 2009. 
BASTOS, S. R. C. Shiatsu tradicional: fundamentos, prática e clínica de shiatsuterapia. 2. 
ed. São Paulo: Sohhaku-in Gasho, 2000.
BECK, M.; NESS, S.; MILLER, E. Curso básico de massagem: uma guia para as técnicas de 
massagem sueca, shiatsu e reflexologia. São Paulo: Cengage, 2010. 
LIECHTI, E. Shiatsu: a massagem japonesa. Lisboa: Estampa, 1994.
PEREZ, E.; LEVIN, R. Técnicas de massagens ocidental e oriental. São Paulo: Érica, 2014. 
SOUZA, W. Shiatsu dos meridianos: um guia passo a passo. São Paulo: Senac, 2005. 
Leituras recomendadas
FERRAZ, J. A.; BERGAMINI, M. C. P. Massagem: princípios e práticas orientais e ocidentais. 
São Paulo: Senac, 2017. 
WEN, S.; BING, W. Princípios de medicina interna do imperador amarelo. São Paulo: Cone, 
2001. 
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