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Direitos fundamentais

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Teoria Geral dos Direitos Fundamentais
DIREITO CONSTITUCIONAL
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TEORIA GERAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
TÍTULO II – DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS (ARTIGOS 5º A 17)
Obs.: o art. 5º será de fundamental importância para a sua preparação. Às vezes, a banca 
irá perguntar o texto da Constituição; mas, às vezes, é necessário ir além, dentro do 
que determina o STF, o STJ e a doutrina dominante.
• Art. 5º: direitos e deveres individuais e coletivos;
• Arts. 6º a 11: direitos sociais;
• Arts. 12 e 13: nacionalidade;
• Arts. 14 a 16: direitos políticos;
• Art. 17: partidos políticos.
Há um conceito que não está no texto da Constituição e que tem sido muito perguntado 
pelas bancas, que faz parte da teoria geral dos direitos fundamentais.
TEORIA GERAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
Características:
• Relatividade;
• Concorrência;
• Imprescritibilidade;
• Inalienabilidade;
• Irrenunciabilidade;
• Historicidade;
• Extensão a pessoas jurídicas?
• Extensão a estrangeiros?
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – I
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS – I
RELEMBRANDO
Nesta aula, prosseguindo com o estudo do Direito Constitucional, será iniciada a análise 
dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos.
O artigo 5º da Constituição Federal é o maior dispositivo do texto de 1988, contando com 
78 incisos e 4 parágrafos. Além disso, o rol de direitos e deveres previstos nesse artigo não 
p�WD[DWLYR��PDV�H[HPSOL¿FDWLYR��FRPSRUWDQGR�D�LQWURGXomR�GH�RXWURV�GLUHLWRV�
Por isso, nas aulas que se seguem, serão destacados apenas os direitos mais importan-
tes, dando enfoque àqueles que aparecem com maior frequência em provas de concurso. 
Logo, a ordem de análise dos incisos poderá não ser crescente, pois dependerá da meto-
dologia de ensino.
1. TEXTO CONSTITUCIONAL
1.1. Artigo 5º: introdução
Partindo à análise do texto constitucional, é comum que todos os cidadãos tenham tido 
um mínimo acesso à seguinte frase: “todos são iguais perante a lei”. Essa expressão vem 
do artigo 5º da Constituição Federal, que se segue:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos 
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à 
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
Nesse ponto, percebe-se que há um erro no texto constitucional, o qual, por sua vez, foi 
corrigido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de interpretação.
Ao dizer que todos são iguais, sem distinção, garantindo-se direitos básicos aos estran-
geiros residentes no Brasil, o texto acaba por excluir os cidadãos estrangeiros turistas que 
estejam apenas de passagem por esse Estado. Essa leitura, porém, não é verdadeira, uma 
vez que, caso um desses cidadãos seja furtado, ele poderá se direcionar a uma delegacia 
para fazer uma ocorrência policial, por exemplo.
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos II
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS II
RELEMBRANDO
Na aula passada, foi analisado e aplicado o inciso I do art. 5º da Constituição Federal (CF) 
a vários casos práticos.
Nesta aula, será dado prosseguimento à análise desse artigo, dando enfoque ao inciso II, 
que trata sobre o princípio da legalidade.
1. TEXTO CONSTITUCIONAL: ARTIGO 5º – INCISO II
1.1. Princípio da Legalidade
Partindo para o princípio da legalidade, o inciso I do art. 5º da CF estabelece que:
II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; (art. 
5º, inciso I, CF)
Embora esse dispositivo pareça simples, dele se extrai diversas leituras que perpassam 
pelas mais variadas situações cotidianas.
De maneira resumida, esse inciso explica que não se pode obrigar um cidadão a fazer ou 
deixar de fazer algo, excetuando-se os casos em que a lei o obrigue.
O princípio da legalidade pode ser identificado em diversos outros trechos da CF; a saber:
• Legalidade tributária: art. 150, CF;
• Legalidade como um dos princípios da Administração Pública: art. 37, CF;
• Entre outros.
No caso do art. 5º, porém, o conceito da legalidade não se trata do princípio da Adminis-
tração Pública.
1.2. Legalidade Ampla x Legalidade Estrita
Em Direito Administrativo, a legalidade é dividida em dois tipos distintos: a ampla e a 
estrita. Esta constitui o art. 37 da CF, enquanto aquela faz parte do art. 5º em questão.
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos III
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS III
Esta aula trata sobre um dos temas mais importantes na atualidade que envolve o art. 5º 
da Constituição Federal. 
É importante lembrar que no Direito Constitucional não há direito absoluto e nem hierar-
quia entre dispositivos ou garantias constitucionais. Porém, isso deve ser relativizado.
O STF tem repetido em vários julgamentos que no confronto entre direitos fundamentais a 
liberdade de expressão tem um papel proeminente, até porque é através dela que é assegurado 
um grande leque de princípios constitucionais.
A liberdade de expressão, quando em confronto com outros valores fundamentais, tem 
uma posição de expoente, saindo na frente nesse confronto.
Isso não significa que ela sempre prevalecerá, porém a liberdade de expressão terá 
sempre um papel muito importante.
Art. 5º, IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando neces-
sário ao exercício profissional;
Por exemplo: jornalistas e parlamentares.
O anonimato não é permitido e esse é só o ponto de partida, pois há disque-denúncia 
garantindo a proteção ao anonimato.
O disque-denúncia é, portanto, uma relativização da questão da proibição do anonimato. 
Serve para garantir a elucidação de crimes em que se permite a denúncia anônima. Também 
é chamada de delação apócrifa.
Pode haver denúncia anônima? Sim. Porém, a denúncia anônima por si só não é sufi-
ciente para acusar o indivíduo, para abrir um inquérito ou lançar uma denúncia. Para isso, 
quando houver o oferecimento da denúncia, esta deve ser baseada em outros elementos 
de prova. 
Desse modo, quando o delegado receber a denúncia anônima ele terá que realizar outras 
diligências para confirmar a denúncia anônima.
O delegado pode utilizar a denúncia anônima para fazer a quebra do sigilo das comuni-
cações telefônicas?
Exemplo concreto – Operação Castelo de Areia: utilizou-se a denúncia anônima para dar 
sequência à interceptação telefônica.
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos IV
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS IV
Agora estudaremos um dispositivo que causa muita confusão na hora da prova, seja pelo 
texto da Constituição, seja pela quantidade de temas que podem surgir dele em decorrência 
da jurisprudência.
XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados 
e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na 
forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;
No “último caso” refere-se a comunicações telefônicas.
Reparem que pelo texto da Constituição dá a entender que até a palavra “dados” seriainviolável, ou seja, tudo seria inviolável menos o sigilo das comunicações telefônicas. Porém, 
é justamente o contrário. Até a palavra “dados” é menos difícil violar, depois, é muito mais difícil.
CPI pode quebrar sigilo de correspondência, de comunicação telegráfica, de dados fis-
cais, de dados bancários, de dados telefônicos? SIM. Até aqui não há reserva de jurisdi-
ção. Tanto o Poder Judiciário quanto a CPI podem quebrar o sigilo. Todavia, quando se fala 
do sigilo das comunicações telefônicas (escuta, grampo) apenas o Poder Judiciário poderá 
determinar, mas, ainda assim, nem o Poder Judiciário poderá determinar em qualquer caso, 
pois há que se respeitar a reserva de Lei qualificada. Tem que ser por Lei, por determinado 
prazo, apenas nas hipóteses cabíveis e apenas para fins de investigação criminal ou instru-
ção processual penal. Não pode em processo de dívida de alimentos, nem processo cível e 
nem processo administrativo.
Aqui, mais uma vez, vamos trabalhar com pontos polêmicos da jurisprudência do STF.
Quebra de Sigilos – Poder Judiciário
O poder judiciário pode quebrar qualquer sigilo. A quebra é exceção e deve ser sempre 
de forma fundamentada. .
Não há direito absoluto. A medida é excepcional e se for o caso de quebra de sigilo das 
comunicações, deverá ser observada a Lei, os prazos e as restrições, que serão estudadas 
mais a frente.
Quando se fala em sigilo de dados, são considerados os dados fiscais, bancários e telefônicos.
Dado telefônico: é o extrato da conta (para quem você ligou, quantos minutos durou a 
ligação);a CPI pode determinar.
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos V
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS V
Vamos começar a aula de hoje com o princípio da liberdade do exercício profissional.
Normalmente, não traz muito problema nas provas, porém há dois julgamentos do STF 
que tendem a cair bastante em provas.
XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualifica-
ções profissionais que a lei estabelecer;
Esse dispositivo é uma norma de eficácia contida. Nasce com aplicabilidade direta, mas 
possivelmente não integral. Deixa de ser integral se surgir uma lei reduzindo, restringindo o 
exercício da profissão.
A regra no nosso país é a liberdade do exercício profissional, salvo em algumas circuns-
tâncias que a lei trouxer restrição.
Por exemplo: para exercer a advocacia, é necessário, além do curso de Direito, aprova-
ção na OAB. O mesmo ocorre com a medicina que exige, além do curso de Medicina, o regis-
tro no órgão de classe. Para exercer algumas profissões, em especial, as que podem trazer 
algum potencial de dano para a sociedade.
Para ser professor de curso preparatório, atendente ou diretor não há essa restrição. A 
regra é não precisar.
Não havendo lei restringindo o exercício da profissão, o indivíduo pode exercer a ativi-
dade profissional com tranquilidade. A norma nasce 100%, o problema é quando vier a lei e, 
então, terá que ser analisado se a lei é válida ou não.
Chegou ao STF uma discussão interessante a respeito da OAB e da OMB.
• OAB – Ordem dos Advogados do Brasil: algumas pessoas que não passaram no 
exame da OAB foram subindo até chegar ao STF, pedindo para que fosse excluída a 
exigência da prova da Ordem, afinal, para ser médico, também não havia exigência.
Para o STF, para exercer a profissão de medicina também deveria haver prova. Está cor-
reta a aplicação do exame da OAB.
Em seguida, chegou outro processo ao STF envolvendo a OMB.
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos VI
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS VI
Na aula de hoje, vamos estudar o princípio da inafastabilidade de jurisdição.
XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
Importante tomar cuidado com alguns pontos delicados:
INSS - o INSS concede o benefício para todos? Quando alguém precisa do benefício 
previdenciário, o caminho natural é pedir o benefício ao INSS e se negado recorrer à Jus-
tiça Federal. Todavia, algumas pessoas começaram a requerer o benefício direto na Justiça 
Federal. Ao receber a ação o juiz exigia que primeiro fosse analisado pelo INSS, pois não 
tinha como o Poder Judiciário saber o motivo de ter o benefício negado.
Diante disso, foi interposto ação no STF para resolver a questão. Para o STF, primeiro 
deve passar pelo INSS e somente se houver a negativa é que seguirá para a Justiça.
Exceção: poderá ir direto para a Justiça se houver a notória e reiterada negativa em todos 
os casos referentes àquela demanda. Se for notório que, nesse caso, o INSS sempre negou 
o benefício aí sim poderá ir direto para a Justiça.
Essa exceção não é uma exceção ao princípio da inafastabilidade, pois para surgir o inte-
resse de ir para o Judiciário tem que ter havido uma negativa.
Por exemplo: ação rescisória – ação para rescindir o trânsito em julgado. Para ter acesso 
à ação rescisória, a condição é que a ação tenha transitado em julgado. É uma condição da 
ação. No caso do INSS é a mesma situação, primeiro deve haver a recusa do INSS. .
A CF/88 traz alguma exceção ao princípio da inafastabilidade? Sim! A própria Constitui-
ção dispõe que a disciplina de competições desportivas primeiro deve seguir na Justiça Des-
portiva, que não é o Poder Judiciário. Se negado ou passado 60 dias, poderá seguir para o 
Poder Judiciário. Nesse caso, é uma instância administrativa de cunho forçado.
Nesses casos específicos, primeiro vai para a Justiça Desportiva e somente depois segue 
para o Poder Judiciário.
Comissão de Conciliação Prévia na Justiça do Trabalho – Lei 9.958/00 – dispunha 
que o indivíduo era obrigado a antes de entrar na Justiça do Trabalho passar pela CCP, 
mesmo sem haver possibilidade de acordo. Era obrigatório passar pelo CCP, conforme dis-
positivo previsto em Lei. Todavia, o STF dispôs que a Lei estava impedindo o acesso ao 
Poder Judiciário.
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos VII
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS VII
Na aula de hoje falaremos sobre penas, pena que é proibida, pena que é permitida, 
intranscendência da pena, tudo o que o candidato precisa saber para a prova.
Vamos iniciar com penas proibidas:
XLVII – não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX (estado de sítio);
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
Se a prova for fácil, a pergunta será “pode haver pena de morte em alguma circunstância?”. Sim!
Porém o professor acredita que as alíneas que cairão nas provas serão “b” e “e”.
A pena de caráter perpétuo consiste em quanto tempo a pessoa pode ficar presa. Quem 
responde essa questão é o Código Penal.
O art. 75 do CP, dispõe que a pena não pode ultrapassar 40 anos, mesmo que a pena 
aplicada na prática seja superior.
Por exemplo: X cometeu uma chacina e teve uma pena de 400 anos. O cumprimento 
da pena não ultrapassará 40 anos. Porém, X requer o regime semiaberto após cumprir 2/5. 
Esses 2/5 será em cima dos 400 anos ou em cima dos 40 anos? Será 2/5 sobre a pena total 
imposta e não sobre o limite de duração da pena.
Para a prova, os benefícios da execução são calculados em cima da pena total imposta. 
Nesse exemplo, 400 anos.
O que cai em prova normalmente é a respeito do inimputável. Quando uma pessoa impu-
tável comete um crime ela recebe uma pena, mas a pessoa que é inimputável não recebe 
pena, recebe medida de segurança.
Medida de segurança não tem um prazo certo, pois ela é aplicada até o dia em que a 
pessoa ficar bem. E se a pessoanão ficar boa nunca? Por exemplo: uma pessoa com defici-
ência mental tinha por costume jogar pedra nas pessoas. Foi condenada por lesão corporal 
leve, cuja pena é de 3 meses a 1 anos. . Todavia, essa pessoa estava em medida de segu-
rança há 27 anos e 11 meses. Isso é razoável, é proporcional? Não. Por esse motivo, tanto 
o STF quanto o STJ afirmam que a duração da medida de segurança não pode extrapolar a 
pena abstratamente prevista. Ou seja, nesse exemplo, a medida de segurança não poderia 
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – VIII
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS – VIII
Nesta aula, serão analisadas as penas permitidas e o Princípio da Intranscedência ou 
Individualização da pena no ordenamento jurídico brasileiro, por exemplo: há suspensão 
do direito de dirigir mesmo para motoristas profissionais – é uma das restrições cabíveis de 
aplicação.
Princípio da Intranscedência
Princípio da Intranscedência: nenhuma pena passará da pessoa do condenado.
XLV – nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o 
dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores 
e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;
XLVI – a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a. privação ou restrição da liberdade;
b. perda de bens;
c. multa;
d. prestação social alternativa;
e. suspensão ou interdição de direitos;
Prestação social alternativa: uma exceção: na Lei Maria da Penha, nos crimes cometidos 
por violência doméstica, não pode ter cesta básica como penalidade, que seria uma presta-
ção social alternativa.
Se há pena de multa, se é cumprida a pena privativa de liberdade e não houve o cum-
primento da multa, não pode ser extinta a punibilidade. A progressão de regime prisional 
(regime fechado para o semiaberto ou para o aberto, a depender da natureza do crime), o 
condenado só poderá ter a progressão do regime, se ele pagar.
Nos crimes contra a Administração pública, também é necessário fazer o pagamento 
de todos os valores devidos, mesmo que sejam valores superiores ao que o réu possui no 
momento, pois, para que mude de regime, é preciso quitar todas as suas multas.
Individualização e da intranscedência da pena
• Imposição de cumprimento de pena em regime fechado – crimes hediondos – tortura:
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos - IX
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS IX
Você saberia dizer quantos remédios constitucionais existem? O que normalmente se 
ouve é que eles são cinco: habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado 
de injunção e ação popular. Há ainda um remédio constitucional que está fora do art. 5º: a 
ação civil pública (art. 129 da CF/88). No entanto, esses remédios constitucionais são judi-
ciais – existem também os remédios constitucionais administrativos. Falaremos nesta aula 
sobre eles.
TEXTO CONSTITUCIONAL
XXXIV – são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade 
ou abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclareci-
mento de situações de interesse pessoal;
DIREITO DE CERTIDÃO E DIREITO DE PETIÇÃO
• Extensão da gratuidade;
Tanto o direito de petição, quanto o direito de certidão são gratuitos, a todos. Se, por exem-
plo, alguém tem seu carro furtado, essa pessoa vai a uma delegacia registrar um boletim de 
ocorrência. Não interessa se o carro é simples, antigo, ou uma Ferrari do último modelo – o 
registro será gratuito para todos (direito de petição aos poderes públicos). Logo, não poderá 
haver a cobrança de emolumentos ou custas.
Em outro dispositivo do art. 5º, a CF/88 estabelece a gratuidade do habeas corpus, do 
habeas data e, para os pobres na forma da lei, da certidão de nascimento e do registro de 
óbito. Acontece que a própria CF/88 dispõe sobre a gratuidade dos atos necessários ao exer-
cício da cidadania. Há, portanto, um aparente conflito no art. 5º. 
Embora a CF estabeleça gratuidade para os pobres, na forma da lei, de acordo com os 
termos da LRP (Lei de Registros Públicos), a primeira certidão de nascimento é gratuita para 
todos. Da segunda em diante, será gratuita apenas para os pobres.
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – X
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS – X
PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA (NÃO CULPABILIDADE)
Falaremos nesta aula sobre o princípio da presunção de inocência, estado de inocên-
cia ou presunção de não culpabilidade. A citação eventual de um ou outro político é apenas 
para fins estritamente necessários à aula, sem a intenção de ofender a convicção política 
de ninguém.
TEXTO CONSTITUCIONAL
LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória;
* Prisão após o julgamento em 2ª instância x trânsito em julgado da condenação
Sabemos que a Constituição Federal de 1988 é regulamentada por leis. No julgamento 
sobre a prisão em segunda instância e o princípio da presunção de inocência no STF esta-
vam em jogo 3 ADC’s (ações declaratórias de constitucionalidade) que questionavam o art. 
283 do CPP. Veja:
TEXTO DO ARTIGO 283 DO CPP
Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamen-
tada da autoridade judiciária competente, em decorrência de prisão cautelar ou em virtude de 
condenação criminal transitada em julgado.
Obs.: a prisão cautelar pode ser preventiva ou temporária.
A ideia de que seria possível prender após condenação em segunda instância já foi e 
voltou a ser pauta algumas vezes no STF. E essa redação do art. 283 do CPP foi dada pelo 
Pacote Anticrime, mantendo a redação que não prevê prisão em segunda instância.
Observe a seguinte sequência:
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – XI
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS – XI
PROVAS ILÍCITAS
Estudaremos o tema desta aula – provas ilícitas – em paralelo ao estudo do texto consti-
tucional e de muita jurisprudência sobre o assunto.
TEXTO CONSTITUCIONAL
Art. 5º (...)
LVI – são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;
Diferença entre ilícitas e ilegítimas
Observe que a CF/88 disse menos do que deveria, pois são inadmissíveis, também, as 
provas obtidas por meios ilegítimos. Essas provas são imprestáveis: aquelas obtidas por 
meios ilícitos violam o direito material. E aquelas obtidas por meios ilegítimos violam o direito 
processual.
ATENÇÃO
Direito material são o Direito Penal e o Direito Civil, por exemplo. Enquanto o direito pro-
cessual são exatamente o Direito Processual Penal e o Direito Processual Civil.
Teoria dos frutos da árvore envenenada
Segundo a teoria norte-americana (“fruits of poisoned tree”), as provas que derivam de 
outra “envenenada”, também são “envenenadas” – é o que chamamos de ilicitude por deri-
vação. Assim, as provas que derivem de outras ilícitas também são ilícitas.
Você sabe que a interceptação telefônica precisa de autorização judicial. Se o Delegado 
fizer a intercepção sem autorização judicial, a prova A proveniente desta interceptação é ilí-
cita, inválida. Imagine que, depois de ouvir sem autorização, o Delegado solicita autorização 
judicial para outra escuta (prova B). Mesmo tendo sido autorizada, a prova B, derivada da 
provaA, será inválida também (a prova A “contaminou” a prova B).
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – XII
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS – XII
O art. 5º é cláusula pétrea, que pode ser modificada, desde que seja para melhorar, 
acrescentar e nunca para suprimir, restringir direitos.
Texto constitucional
O inciso LXXVIII, o parágrafo 3º e o 4º foram incorporados por meio de emenda cons-
titucional.
LXXVIII – a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável dura-
ção do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.
O Princípio da Razoável Duração do Processo se aplica na esfera judicial e na esfera 
administrativa. A Constituição não define o que é razoável duração, logo, quanto tempo é 
razoável? A razoabilidade é aferida pelo Princípio da Complexidade do Feito (processo). 
Exemplo: um processo de roubo com um réu, uma vítima e dois policiais é rápido. Outro 
exemplo: um processo que envolve uma grande organização criminosa com cinquenta réus 
tende a demorar mais. Algumas testemunhas serão ouvidas em outros estado e é preciso de 
carta precatória, algumas em outros países e é preciso carta rogatória. Há uma burocracia 
envolvida. É razoável, em casos mais complexos, demorar mais, mas não há uma contagem 
fixa de prazos.
A exceção é quando se trata de atos infracionais envolvendo adolescentes. Há um prazo 
fixo, antes da sentença: o máximo de internação provisória (“prisão cautelar”) é de 45 dias.
Obs.: o inciso LXXVIII e o parágrafo 4º não costumam ser muito cobrados, diferentemente 
do parágrafo 3º.
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha mani-
festado adesão.
O Tribunal Penal Internacional também é conhecido como Corte de Haia.
No TPI há a pena de caráter perpétuo e a entrega de nacional (entregar para um orga-
nismo supranacional), sendo que a maior parte de doutrinadores de Direito Internacional 
entende que isto é válido.
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – XII
DIREITO CONSTITUCIONAL
Obs.: extradição é entregar de um país para outro país.
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em 
cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos 
membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.
Tratados internacionais podem ser sobre direitos humanos ou não (são os tratados nor-
mais). Um tratado internacional normal é equivalente às leis, e é um ato normativo primário, 
ou seja, tem status equivalente às leis.
Se o tratado é sobre direitos humanos, há duas possibilidades: incorporado em dois 
turnos de votação, por três quintos de voto em cada Casa do Congresso Nacional, que tem 
status equivalente às emendas constitucionais, porque foi aprovado em rito especial; e apro-
vado sem o rito próprio das emendas, tem status superlegal (está acima das leis, mas abaixo 
da CF) – é uma construção da jurisprudência do STF.
Na pirâmide de Kelsen, no topo está a Constituição Federal, as emendas da Constitui-
ção, tratados internacionais sobre direitos humanos com rito especial. Abaixo, há as normas 
supralegais, que são os tratados internacionais sobre direitos humanos sem rito de emenda. 
Abaixo, há os atos normativos primários (lei complementar, lei ordinária, lei delegada, medida 
provisória, resoluções, decretos legislativos, decretos autônomos, tratados internacionais, 
regimento interno dos tribunais, resolução do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho 
Nacional do Ministério Público).
CF + EC + TIDH C/ Rito Esp
Supralegais → TIDH S/ Rito 
ANP (LC, LO, LD, MP, RES, DL, 
DA, TI. RI. RES CNJ/CNMP
O art. 59 da CF estabelece quais são os atos normativos primários e cita as emendas 
da Constituição, só que as emendas estão no topo da pirâmide. A emenda está no topo e 
não está abaixo porque, diferentemente dos outros atos normativos primários, as emendas 
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – XII
DIREITO CONSTITUCIONAL
entram no topo, se inserindo, em regra, ao texto constitucional. Há emendas à Constituição 
que não emendam à Constituição, porque elas são uma extensão, exemplo: em 2020 com 
a covid, as eleições municipais programadas sempre, de acordo com a Constituição, para 
outubro, foram prorrogadas mais para o final do ano pelo TSE usando uma emenda à Consti-
tuição. O Congresso Nacional prorrogou a eleição de 2020 mais para frente. A emenda ficou 
“do lado de fora” e não alterou o texto da Constituição propriamente dita, foi só circunstan-
cialmente para aquela ocasião.
Os atos normativos primários têm esse nome por retirarem a força normativa diretamente 
da Constituição.
Abaixo dos atos normativos primários, há os atos normativos secundários, que não tiram 
a sua força normativa direto da Constituição, eles tiram a sua força normativa do primário. 
Um ato normativo secundário se submete a controle da lei, que é chamado de controle de 
legalidade, o que significa que, se um decreto regulamentar violar a lei, é controle de lega-
lidade, mas se o decreto de maneira indireta, reflexa, violar a Constituição, não está autori-
zado a ir ao Supremo Tribunal Federal e não cabe controle de constitucionalidade. Não cabe 
uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra um decreto (ato regulamentar/ato normativo 
secundário). O controle de constitucionalidade, via Ação Direta de Inconstitucionalidade, se 
baseia diante de atos normativos primários. Neste caso, o decreto pode ter violado a lei, que 
é controle de legalidade, mas não pode violar direto à Constituição. Não cabe nem as ferra-
mentas de controle concentrado (ADI, ADO, ADC, ADPF) e nem o Recurso Extraordinário, 
que é o “carro chefe” em matéria recursal no STF.
Obs.: o assunto estudado é um “bate-bola” entre o Poder Judiciário e direitos e garantias 
fundamentais, entre direitos e garantias fundamentais e controle de constitucionali-
dade para que se entenda, de modo sistematizado, o conteúdo mais para frente.
No controle de constitucionalidade, as normas precisam ser compatíveis com a 
Constituição.
O controle de convencionalidade é o ato normativo primário frente ao ato supralegal. As 
leis, de modo geral, vão se submeter a duplo controle: controle perante a Constituição, que 
é o controle de constitucionalidade, e o controle surgido a partir de uma decisão do Supremo 
Tribunal Federal (isso não existia no Direito Internacional, o STF que criou), controle dos 
tratados, controle de convencionalidade, porque são tratados e convenções internacionais. 
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – XII
DIREITO CONSTITUCIONAL
Os atos normativos primários se submetem a regime de dupla compatibilização vertical. Em 
outras palavras, se os atos normativos primários não forem compatíveis com as normas 
supralegais, a norma superior revoga a norma inferior; se os atos normativos primários não 
forem compatíveis com o topo da pirâmide (Constituição Federal, as emendas da Consti-
tuição, tratados internacionais sobre direitos humanos com rito especial), norma superior 
revoga norma inferior, é o critério da hierarquia.
Exemplo de critério da hierarquia: o Pacto de São José da Costa Rica foi celebrado em 
1979, ano em que ainda não havia a Constituição de 1988. O Brasil só aderiu o Pacto em 
1992, quando já havia a Constituição de 1988. O art. 5º da CF estabelece que não haverá a 
prisão civil por dívida, salvo, em caso de pensão alimentícia, de inadimplementovoluntário e 
inescusável e em caso de depositário infiel. O STF entendeu que não podia mais prender o 
depositário infiel, porque o Pacto de São José da Costa Rica é um tratado internacional sobre 
direitos humanos e vale mais do que uma lei, está acima das leis. O Pacto de São José da 
Costa Rica só admite a prisão por dívida por pensão alimentícia, não admite do depositário 
infiel. Não é inconstitucional a prisão civil por dívida do depositário infiel, porque a norma 
originária (aquela que está na Constituição desde 5 de outubro de 1988) jamais será incons-
titucional, e o art. 5º estabelece que não haverá prisão civil por dívida, salvo, em caso de 
pensão alimentícia e depositário infiel. O tratado internacional sobre direitos humanos sem 
rito especial é norma supralegal (Pacto de São José), e revogou as hipóteses legais de prisão 
do depositário infiel, ou seja, norma superior revogou norma inferior. Não houve mudança na 
Constituição, logo, não se tornou inconstitucional, não tem como norma originária se torna 
inconstitucional.
Obs.: ler a súmula vinculante que trata sobre a prisão civil por dívida.
A súmula vinculante que trata sobre a prisão civil por dívida estabelece que é ilícita (não é 
inconstitucional), a prisão civil por dívida do depositário infiel, qualquer que seja a modalidade 
de depósito. É ilícita, porque a norma supralegal revogou a lei, tornando ilícita, mas nunca 
inconstitucional. Na prática, não pode prender, mas não se tornou inconstitucional. A norma 
constitucional é de eficácia contida e foi reduzida pelo Pacto de São José da Costa Rica. O 
Pacto de São José da Costa Rica foi usado para revogar uma norma infraconstitucional, um 
ato normativo primário, o Pacto se sobrepôs à lei.
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DIREITO CONSTITUCIONAL
Exemplo: no Código Penal, há o crime de desacato, que é desrespeitar o servidor público 
no exercício das funções. Foi para o Superior Tribunal de Justiça e depois para o Supremo 
Tribunal Federal, uma tese que envolvia exatamente o Pacto de São José da Costa Rica, 
entendendo que o crime de desacato não continua no ordenamento por conta do Pacto de 
São José da Costa Rica. O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça enten-
deram que o Pacto de São José da Costa Rica não mexeu no crime de desacato.
Exemplo de critério da hierarquia: o indivíduo faz uma viagem internacional para Miami 
e compra muitas coisas. Ao voltar para o Brasil, a mala do indivíduo desaparece. O indiví-
duo quer ser indenizado. Dentro do transporte internacional, não se pode usar o Código de 
Defesa do Consumidor, porque é um ato normativo primário, é uma lei, e acima dele, no 
transporte aéreo internacional, vale a Convenção de Varsóvia e de Montreal, que limitam o 
valor da indenização. É um tratado internacional sobre direitos humanos se sobrepondo à 
ordem interna.
Obs.: o assunto estudado acima é um “bate-bola” dos arts. 5º e 178 da CF/88 sobre a 
ordem econômica. Não são todos os tratados internacionais sobre direitos huma-
nos que terão status Constitucional. Tratados internacionais sobre direitos humanos, 
aprovados no rito da Constituição, serão equivalentes às normas constitucionais. 
O rito de Constituição é o mesmo das emendas. A Constituição não dita o rito das 
normas supralegais, isso foi criado pelo STF a partir do julgamento de um Recurso 
Extraordinário (RE 466343).
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.
É o título II da Constituição os direitos e garantias fundamentais, que abrange desde o 
art. 5º até o art. 17. Nem todas as normas de direitos e garantias fundamentais terão aplica-
bilidade imediata.
Obs.: aplicação é diferente de aplicabilidade.
Aplicabilidade imediata é dada para a norma de eficácia plena e para norma de eficá-
cia contida. Aplicabilidade mediata é dada para a norma de eficácia limitada e para norma 
programática.
Tudo que envolve direitos e garantias fundamentais tem aplicação imediata.
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DIREITO CONSTITUCIONAL
Direitos sociais (art. 6º, CF) são normas programáticas, têm aplicabilidade mediata. O art. 
7º, CF, trata da participação nos lucros como direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, é 
uma norma de eficácia limitada, consequentemente, de aplicabilidade mediata.
José Afonso da Silva, criador da aplicabilidade das normas, estabelece que as normas 
têm aplicação imediata, ou seja, mesmo sem complemento legislativo, desde a inauguração 
da Constituição (05/10/1988), é preciso extrair a máxima efetividade das normas constitucio-
nais, tudo o que for possível dos direitos e garantias fundamentais, independentemente de 
precisar ou não de complemento.
Aplicabilidade e aplicação não são a mesma coisa. Pode ser afirmado que todos os direi-
tos e garantias fundamentais têm aplicação imediata, mas não pode afirmar que todos têm 
aplicabilidade imediata, porque há alguns com aplicabilidade mediata, indireta, reduzida.
Aplicação imediata dos direitos fundamentais
O artigo 5º possui normas de eficácia limitada? Sim. A CF estabelece que a defesa do 
consumidor em juízo será feita por meio de lei. A Constituição é de 1988, o Código de Defesa 
do Consumidor é de 1990, entre 1988 e 1990 havia uma norma de eficácia limitada.
O art. 5º, XII, estabelece que pode haver a inviolabilidade do sigilo das comunicações 
telefônicas (interceptação) nos prazos e hipóteses previstas em lei. Enquanto não havia a lei, 
não podia fazer interceptação. A Constituição é de 1988, a Lei da Interceptação é de 1996, 
entre 1988 e 1996, nem com autorização judicial era possível interceptação, porque preci-
sava da lei para regulamentar.
O art. 5º, § 2º, estabelece que as normas definidoras de direitos e garantias fundamentais 
não excluem outras. Logo, há um rol exemplificativo de direitos fundamentais. Não se pode 
falar em numerus clausus, em rol taxativo. Embora o art. 5º seja muito grande, ele não exclui 
outros direitos que vêm por meio de tratados internacionais, é um rol aberto.
Há direitos e garantias fundamentais que valem só para brasileiros, exemplo: proibição do 
banimento, que é a proibição de expulsar brasileiro do território nacional. Há muitos direitos e 
garantias fundamentais que valem para brasileiros e estrangeiros. Há direitos fundamentais 
que valem para pessoas naturais e pessoas jurídicas, no que couber. Há direito fundamental 
aplicado exclusivamente à pessoa estrangeira: o Brasil nega a possibilidade de concessão 
de extradição em caso de perseguição política. A extradição não é possível para o brasileiro 
nato, para o brasileiro naturalizado é possível em duas hipóteses (crime cometido antes da 
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naturalização, envolvimento comprovado com tráfico de drogas antes e depois), para os 
estrangeiros pode ter extradição, salvo, crime político ou de opinião, sendo que nestes casos, 
pode ter concessão de asilo político que é somente possível ao estrangeiro.
Pode haver direitos fundamentais a mais, aplicáveis à pessoa jurídica, aplicáveis a apá-
tridas, aplicáveis a estrangeiros, aplicáveis somente a estrangeiros.
�������������������������Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula 
preparada e ministrada pelo professor Aragonê Nunes Fernandes.
����A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo 
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu-
siva destematerial.
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – XI
DIREITO CONSTITUCIONAL
Outro exemplo: imagine que a polícia tenha entrado em uma casa, violando o domicílio, 
sem autorização judicial e sem indício da prática de crime (também não era caso de flagrante, 
desastre, ou para prestação socorro). Porém, nesta busca, encontrou drogas no local. Ocorre 
que essa prova derivou de ação ilícita da polícia. Logo, é inválida. 
Por vezes, o fato de haver prova ilícita não significa proibição de condenação. Isso porque 
podem “sobrar” provas que não sejam ilícitas. Portanto, se a prova C for independente, há 
possibilidade de condenação.
ATENÇÃO
Para provas, o mero fato de haver prova ilícita não impede a condenação do agente.
Acesso a conversas no WhatsApp
O WhatsApp utiliza dados telemáticos, que se valem de comunicações telefônicas.
A polícia, para ter acesso a conversas de WhastApp, precisa de autorização do dono do 
telefone ou de ordem judicial.
Tratando-se de WhatsApp Web, a polícia não poderá fazer o espelhamento, em razão 
da criptografia de ponta a ponta. Pelo mesmo motivo, não se admite “print” de tela do What-
sApp Web como meio de prova. Também não é possível que a polícia troque o chip do celular 
do agente.
Obs.: se a polícia encontrar, por exemplo, dentro do imóvel em que procedeu a uma busca 
e apreensão, um pacote fechado, não será possível abri-lo, devido ao sigilo da cor-
respondência. Neste caso, necessária a autorização judicial.
Encontro fortuito de provas ou crime achado (fenômeno da serendipidade)
Imagine que haja autorização judicial para ouvir o criminoso “A” e o criminoso “B”. Ouvindo 
“A” e “B”, de repente eles começam a conversar com “C”. É possível que “A, “B” e “C” sejam 
processados pelos crimes cometidos. 
Observe que o encontro fortuito pode provir de uma pessoa a mais, ou de outro crime 
(exemplo: a conversa revela que traficantes também atuam no desmanche de carros 
roubados).
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DIREITO CONSTITUCIONAL
Serendipidade significa o fenômeno de “encontrar sem querer” e pode ser aplicado para 
crimes ou pessoas novas.
Gravação clandestina: conceito e (in)admissibilidade da prova
Sabemos que gravações do serviço de atendimento de operadoras telefônicas utilizam 
a seguinte mensagem “informamos, para sua segurança, que esta ligação está sendo gra-
vada”. Ocorre que essa mensagem é desnecessária.
No ano de 2017, ocorreu o “Joesley day”, quando a bolsa de valores desabou no Brasil. 
Nesse dia, Joesley mostrou a gravação de uma conversa com o Presidente da República, à 
época Michel Temer. Ocorre que, mesmo sem o consentimento ou conhecimento de Temer, 
Joesley poderia ter feito a gravação.
Obs.: a prova pode ser utilizada não apenas para defesa, mas também para condenar a 
conduta de alguém.
A gravação clandestina, no entanto, nem sempre é válida. A exceção é a impossibili-
dade de o policial gravar conversa informal com o preso. Isso porque o preso (investigado 
ou suspeito) tem o direito de ser ouvido formalmente, tanto perante o Delegado, quanto 
perante o juiz. 
PROVAS ILÍCITAS
Hipóteses de admissão:
- Meio de defesa
- Teoria da descoberta inevitável
- Teoria da mancha purgada ou diluída
- Teoria da fonte ou prova independente
A prova ilícita poderá ser usada para defender, seja ou não a única. E para acusar? 
Também.Nas hipóteses das teorias da descoberta inevitável, da mancha purgada ou diluída 
ou, ainda, da teoria da fonte ou prova independente (esta última já explicada nesta aula).
Segundo a teoria da descoberta inevitável, se inevitavelmente, por meios lícitos, se che-
garia àquela prova, esta poderá ser utilizada, inclusive para condenar.
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – XI
DIREITO CONSTITUCIONAL
Já conforme a teoria da mancha purgada ou diluída, se houver muito tempo transcorrido, 
a passagem do tempo pode diluir e afastar a ilicitude de uma prova.
CRIMES HEDIONDOS + TTT
TEXTO CONSTITUCIONAL
Art. 5º (...)
XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da 
tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes 
hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, 
se omitirem;
O dispositivo traz um “mandado de criminalização” (a CF disse: “criminalize tais condutas”).
Aqui, a CF/88 também disse menos do que deveria: a anistia é concedida pelo Poder 
Legislativo e apaga o fato histórico. E a graça é utilizada no seu sentido genérico, abran-
gendo graça, indulto e comutação.
Características dos crimes hediondos e equiparados:
• Inafiançáveis (não admite o pagamento de fiança)
Obs.: no cometimento desses crimes, é possível a liberdade provisória, desde que 
sem fiança.
• Insuscetíveis de graça e anistia
A graça é concedida pelo Presidente da República – mas o sentido de graça utilizado na 
CF pode significar graça (perdão individual), indulto (perdão coletivo) ou comutação (indulto 
parcial, de um pedaço da pena). Nenhum desses institutos é possível para crimes hediondos, 
tráfico, tortura e terrorismo. 
• Prescritíveis
Com o passar do tempo, o Estado (poder público) perde o direito de punir.
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – XI
DIREITO CONSTITUCIONAL
• Regime prisional
São inconstitucionais a proibição de progressão de regime, e a fixação de início de cum-
primento da pena, sempre, em regime fechado.
• (im)possibilidade de o STF restringir os limites do decreto presidencial de indulto
Perto do Natal, todos os anos, os Presidentes da República editam um decreto chamado 
de “indulto natalino” (quando o condenado não volta à prisão, pois a pena é perdoada). 
Quando o PR era Temer, foi decretado um indulto muito benevolente, principalmente para 
quem havia sido condenado por crimes de colarinho branco. A questão chegou ao STF, para 
decidir sobre a possibilidade de o Judiciário diminuir a extensão do decreto de indulto. E pre-
valeceu a tese de que o Judiciário não pode se intrometer.
TEXTO CONSTITUCIONAL
Art. 5º (...)
XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclu-
são, nos termos da lei;
XLIV – constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, 
contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;
Obs.: a pena de reclusão é mais grave que a de detenção. Na reclusão, há os regimes 
fechado, semiaberto e aberto. Na detenção, só há regime aberto ou semiaberto. 
CRIMES IMPRESCRITÍVEIS
Racismo
• Inafiançabilidade
• Imprescritibilidade
• Antissemitismo e Antissionismo
• Homofobia e Transfobia
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – XI
DIREITO CONSTITUCIONAL
Dentro do “balaio” do racismo, o STF considerou em decisão de 2004 que estão, também, 
as práticas de antissionismo e antissemitismo (equiparados a racismo). Portanto, escrever 
livros contra o povo judeu, negando o holocausto, ou fazendo discurso de ódio não são con-
dutas protegidas pela liberdade de expressão. Fazer apologia ao nazismo, portando suás-
tica, por exemplo, é conduta que configura crime (racismo, na modalidade social).
Em 2019, o STF considerou a prática de homofobia e transfobia, até que venha lei disci-
plinando o assunto, crimes equiparados a racismo.
Também decidiu o STF quea injúria racial é imprescritível.
ATENÇÃO
No racismo, há ofensa genérica e abstrata. Diversamente, na injúria racial, a ofensa é pes-
soal (injuriar é xingar, e injúria racial é xingar, usando elementos de raça). Tanto o racismo 
quanto a injúria racial são imprescritíveis segundo o STF. 
CRIMES IMPRESCRITÍVEIS
Golpe de Estado (ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitu-
cional e o Estado Democrático)
A Lei de Anistia e os atos praticados durante o regime militar
Em 1979, houve a edição de lei que concedeu anistia a crimes políticos e conexos, ocorri-
dos entre 1961 e 1979 (durante a ditadura militar, seja de militar contra civil ou de civil contra 
militar). Em 2010, a OAB ingressou com uma ADPF (Arguição de Descumprimento de Pre-
ceito Fundamental) no STF, alegando que a Lei da Anistia não seria compatível com a CF/88. 
O STF decidiu, então, pela validade da Lei da Anistia, inclusive para crimes hediondos, entre 
61 e 79. Exatamente com base na lei de 1979, as pessoas que haviam sido expulsas do ter-
ritório brasileiro puderam retornar ao Brasil, possibilitando o movimento das Diretas Já e da 
redemocratização do país. O raciocínio aplicado pelo STF, portanto, foi o de que a lei não era 
a ideal, mas sim a possível para o momento, validando a Lei da Anistia.
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – XI
DIREITO CONSTITUCIONAL
PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE/RAZOABILIDADE
Quando consideramos algo desproporcional, a desproporcionalidade pode ser para mais 
ou para menos. A proporcionalidade, portanto, é o equilíbrio. 
• Princípio implícito: não está expresso, mas é válido.
• Aplicação: muito utilizado na ponderação de interesses no caso concreto.
ATENÇÃO
Basicamente, não há diferença entre razoabilidade e proporcionalidade. A última vem do 
direito alemão, enquanto a razoabilidade provém do direito norte-americano.
• Duas faces da mesma moeda: a proibição ocorre quando a desproporção é para mais 
ou para menos. Exemplo da venda do celular do professor. Para mais: proibição de 
excesso (por exemplo, uma pena não deve ser muito maior do que deveria); para 
menos: proibição de proteção insuficiente/deficiente.
• Subprincípios
São três:
• Adequação;
• Necessidade; e
• Proporcionalidade em sentido estrito (ou razoabilidade).
Se, na condição de juiz, alguém pretende quebrar o sigilo das comunicações telefônicas 
de outra pessoa, o juiz deve demonstrar que essa medida excepcional se justifica, relativi-
zando a privacidade.
Vimos nesta aula (e veremos nas próximas) tudo o que o examinador pode exigir em 
provas sobre o art. 5º, o filé mignon necessário para fazer uma prova “massa” e conseguir 
alcançar a aprovação em um concurso público de ponta.
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – X
DIREITO CONSTITUCIONAL
• A CF, em 1988, estabeleceu que ninguém será considerado culpado antes do trânsito 
em julgado;
• Em 1991, decisão do STF permitiu a prisão depois do julgamento em segunda instância;
• Em 2009, outra decisão do STF determinou a possibilidade de prisão só depois do 
trânsito em julgado;
• Em 2016, o STF decidiu pela possibilidade da prisão em segunda instância; e
• Em 2019, o STF decidiu pela possibilidade de prisão somente depois do trânsito 
em julgado.
Portanto, o entendimento do STF pode mudar, de acordo com a composição do tribunal.
ATENÇÃO
Hoje, para provas, o que vale é que a prisão em segunda instância não é válida. 
Não é verdade que, após o último entendimento do STF, vários criminosos que comete-
ram crimes violentos foram soltos: por exemplo, o casal Nardoni, Elize Matsunaga, líderes do 
PCC e do Comando Vermelho, todos esses indivíduos estavam presos e presos continuaram 
após a decisão do STF. Isso porque a prisão é possível a qualquer momento, desde que haja 
adequação a uma das situações do art. 283 do CPP: hipóteses de flagrante, cautelar (pre-
ventiva ou temporária) ou trânsito em julgado. Havendo fundamentação para prisão cautelar, 
a prisão pode ocorrer em qualquer momento.
Quando o ex-juiz Sergio Moro condenou o ex-presidente Lula, o ex-presidente respon-
deu ao processo em liberdade, pois não havia fundamentos para a prisão cautelar, não era 
o caso de prisão em flagrante e não havia trânsito em julgado. Como, na época, prevalecia 
o entendimento de que a prisão antes do trânsito em julgado era possível, ele foi preso. Em 
2019, quando vigente o novo entendimento (ver linha do tempo), o ex-presidente foi solto.
Tudo o que dissemos, no entanto, tem uma exceção: o Tribunal do Júri. Observe:
TEXTO DO ARTIGO 492 DO CPP
Art. 492. Em seguida, o presidente proferirá sentença que:
I – no caso de condenação:
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e) mandará o acusado recolher-se ou recomendá-lo-á à prisão em que se encontra, se 
presentes os requisitos da prisão preventiva, ou, no caso de condenação a uma pena igual 
ou superior a 15 (quinze) anos de reclusão, determinará a execução provisória das penas, 
com expedição do mandado de prisão, se for o caso, sem prejuízo do conhecimento de recur-
sos que vierem a ser interpostos;
Portanto, se o acusado receber pena igual ou maior a 15 anos e, durante o processo, res-
pondia solto, a prisão ocorre automaticamente (não precisa de fundamentação). Isso ocorre 
porque, no júri, existe o princípio da soberania dos veredictos.
Obs.: você sabe que, em 2018, Lula não pôde concorrer à Presidência da República por-
que, segundo a Lei da Ficha Limpa, a condenação por órgão colegiado é hipótese de 
inelegibilidade. 
Outra situação específica é a do adolescente infrator, que não comete crime, mas ato 
infracional (ato análogo a crime). Se determinado acusado tem passagens pela Vara da 
Infância e Juventude, os atos infracionais cometidos não podem ser utilizados para aumen-
tar a pena, nem como reincidência ou maus antecedentes. No entanto, podem justificar a 
prisão cautelar.
ATENÇÃO
O que estamos estudando é o entendimento do STF e mesmo em concursos da área fiscal 
ou de controle, as bancas podem exigir tais conhecimentos.
Delimitação do conceito de maus antecedentes – inquéritos e ações penais em 
andamento – crimes cometidos após ‘período depurador’ do artigo 64 do Código Penal
Quanto ao maior de idade (imputável), se não há trânsito em julgado da condenação, não 
é possível aumentar a pena. Exemplo: considere uma pessoa que não tenha nenhuma pas-
sagem criminal e outra que tenha 30 passagens criminais (nenhuma dessas 30 passagens 
têm condenação definitiva). Se não há condenação penal definitiva, não é possível aumentar 
a pena, considerando como reincidência ou maus antecedentes, em razão da presunção de 
inocência. No exemplo, o segundo acusado, que tem 30 passagens criminais, mas nenhuma 
condenação definitiva, é considerado primário e de bons antecedentes.
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DIREITO CONSTITUCIONAL
Imagine agora que uma pessoa tenha sido condenada e a condenação tenha transitado 
em julgado (decisão definitiva). No entanto, depois de 5 anos do cumprimento da pena ou 
daextinção da pena (perdão judicial, anistia ou indulto, por exemplo), o acusado volta a ser 
réu primário.
ATENÇÃO
Esse período de 5 anos chama-se, também, “período depurador”. 
O PULO DO GATO
Ao tornar-se reincidente, e passar pelo período depurador (de 5 anos), o réu volta a ser réu 
primário de bons ou de maus antecedentes? Resposta: volta a ser réu primário de maus 
antecedentes. Segundo o STF, pelo resto de sua vida, o acusado nunca mais ostentará 
a condição de réu primário com bons antecedentes. Portanto, para o STF, mesmo após 
o período depurador, condenações anteriores podem justificar pena mais alta, a título de 
maus antecedentes.
RETROATIVIDADE DA LEI PENAL MAIS BENÉFICA
TEXTO CONSTITUCIONAL
XL – a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
O nome desse princípio é “irretroatividade da lei mais gravosa” ou “retroatividade da lei 
mais benéfica”.
Lei da Ficha Limpa e a (im)possibilidade de aplicação retroativa
A Lei da Ficha Limpa (LC 135/2010) alterou a Lei das Inelegibilidades. Então, chegou ao 
STF a seguinte discussão: a Lei da Ficha Limpa poderia retroagir para fatos anteriores a ela?
Obs.: havia um governador no DF, chamado Joaquim Roriz. Em 2007, Roriz renunciou ou 
mandato de senador para escapar de processo de cassação no Conselho de Ética 
do Senado Federal. Àquela época não existia a Lei da Ficha Limpa e também não 
havia nenhuma punição em razão da renúncia. Em 2010, veio a Lei da Ficha Limpa e 
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estabeleceu a inelegibilidade daqueles que renunciarem a mandato eletivo para es-
capar de processo de cassação. Pergunta-se: ele poderia ser proibido de concorrer 
por fatos anteriores à Lei da Ficha Limpa? Segundo o STF, a CF/88 determina que 
a lei PENAL não retroage, salvo para beneficiar o réu e a Lei da Ficha Limpa não é 
lei penal. 
ATENÇÃO
Portanto, segundo o entendimento do STF, a Lei da Ficha Limpa pode retroagir, mesmo 
para “ferrar” o réu, pois não é lei penal.
Retroatividade de normas temporárias e excepcionais
- A abolitio criminis temporária da posse ilegal de arma de fogo
A lei penal sempre retroage? A regra é que a lei penal retroaja para beneficiar o réu, 
mesmo em caso de condenação definitiva e mesmo após a sentença. No entanto, a lei penal 
não retroage em caso de leis temporárias e excepcionais
Exemplo: abolitio criminis da posse ilegal de armas. Entre 2003 e 2005, era possível devol-
ver armas e ainda ganhar valores a título de indenização; entre 2008 e 2009, também havia 
essa possibilidade. Mas, quem foi pego com armas em 2007 “se lascou”, porque a norma da 
“janela” 2008-2009” não poderia retroagir, mesmo para benefício do réu. Isso porque as leis 
eram temporárias.
(Im)possibilidade de aplicação da norma mais severa na continuidade delitiva e no 
crime permanente
Exemplo: imagine que um indivíduo tenha sido sequestrado. O sequestro começou no dia 
1º e foi até o dia 30. Quando o sequestro começou, vigorava a Lei A (pena: 12 a 18 anos); no 
dia 20, entrou em vigor a Lei B (pena: 20 a 30 anos, mais grave). Pergunta: quando o seques-
tro terminou qual lei deveria ser aplicada?A Lei B. Se o sequestro tivesse terminado no dia 
15, seria aplicada a Lei A (a lei B não poderia retroagir em prejuízo do réu).
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DIREITO CONSTITUCIONAL
Exemplo 2: o caixa de uma padaria furta, todos os dias, 50 reais. Isso se chama crime 
continuado. Tanto na continuidade delitiva quanto no crime permanente, se a moça da pada-
ria leva 50 reais, todos os dias, do dia 1º ao 30, e, se no meio do caminho, a pena for aumen-
tada, a pena mais grave poderá ser aplicada. 
Veremos no próximo bloco o tema provas ilícitas.25m
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DIREITO CONSTITUCIONAL
Em uma prova que foi aplicada há alguns anos, verificou-se que uma questão estava com 
o gabarito errado. Sugerimos a anulação porque o item da prova afirmava que a certidão de 
nascimento seria gratuita para todos, brasileiros e estrangeiros. E assim é, mas para o pri-
meiro registro.
A CF/88 estabelece a gratuidade para os atos necessários ao exercício da cidadania, 
como vimos. Isso faz todo o sentido, porque não há como ter acesso a programas sociais, 
por exemplo, se a pessoa nem existe formalmente.
• Remédio cabível em caso de indeferimento injustificado na expedição de certidão com 
informação de caráter pessoal.
Se um cidadão quer, por exemplo, se aposentar, e requer uma certidão de tempo de con-
tribuição, o eventual indeferimento do servidor desafia a utilização de mandado de segurança 
(há direito líquido e certo à obtenção de informação pessoal) e não de habeas data. 
ATENÇÃO
Saiba que o serviço de certidões “nada consta”, cíveis ou criminais, solicitadas comumente 
de candidatos a concurso público, não pode ser cobrado.
TEXTO CONSTITUCIONAL
XXII – é garantido o direito de propriedade;
XXIII – a propriedade atenderá a sua função social;
XXIV – a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade 
pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados 
os casos previstos nesta Constituição;
XXV – no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade 
particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;
XXVI – a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, 
não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, 
dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;
O direito de propriedade não é absoluto – a propriedade deve atender a sua função social.
A função social de uma propriedade rural é produzir alimentos e/ou criar animais. Por-
tanto, um grande latifúndio improdutivo pode ser desapropriado, pois não está respeitando 
sua função social.
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DIREITO CONSTITUCIONAL
Se, no quarteirão onde você mora, há um lote vazio, o proprietário desse lote não está 
respeitando a função social da propriedade.
DIREITO DE PROPRIEDADE
• Desapropriação por interesse público, necessidade ou utilidade pública
• Desapropriação-sanção
• Expropriação:
- terras nas quais se cultive substâncias psicotrópicas
- terras nas quais se utilize de mão de obra escrava
• Uso da propriedade particular em caso de iminente perigo público
• Requisição feita por ente público em relação a bem público
O art. 182 da CF estabelece que, quando o proprietário não está respeitando a função 
social da propriedade, deve ocorrer o uso progressivo da força: primeiro, parcelamento ou 
edificação compulsórios; se o não atendimento persistir, IPTU progressivo; se ainda assim, o 
problema não for resolvido, aplica-se a desapropriação.
Obs.: note que, tanto no latifúndio improdutivo, quanto na propriedade urbana que não 
respeita a função social, o proprietário será punido. Essa punição é chamada de 
desapropriação-sanção. A indenização, nesse caso, é realizada através de títulos 
dadívida pública (se o imóvel é urbano), resgatáveis em até 10 anos, ou através de 
títulos da dívida agrária (se o imóvel é rural), resgatáveis em até 20 anos. 
As desapropriações por necessidade pública, por utilidade pública, ou por interesse 
social, diferentemente, não têm caráter sancionatório. Exemplos: no meio da propriedade, 
tem de passar uma estrada; ou é necessário construir uma escola no imóvel. Nesses exem-
plos, o Estado tem de desapropriar o imóvel, mesmo que o proprietário não tenha feito nada 
de errado. Aqui, a indenização precisa ser prévia, justa e em dinheiro.
A expropriação (retirada da propriedade) ocorre em duas situações no cenário brasileiro:
• Terras nas quais se cultivem plantas psicotrópicas (drogas); e
• Terras nas quais se explore mão de obra escrava.
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DIREITO CONSTITUCIONAL
A Lei Antidrogas prevê o confisco (expropriação) de bens móveis (carro que transporta 
drogas) e imóveis.
Obs.: o confisco do bem – móvel ou imóvel – ocorre mesmo quando não haja habitualida-
de. No entanto, se houver boa-fé (exemplo da locadora de veículos que não estava 
ciente do transporte da droga, ou do arrendatário de imóvel que não tinha ciência da 
plantação de maconha, devidamente comprovado), o bem não será confiscado. 
No caso da expropriação de terras em que se explore mão de obra escrava, a EC 81/2014 
alterou o texto da Constituição (não é texto originário).
ATENÇÃO
O STF confirmou a constitucionalidade da “lista suja” (listagem de empresas que empre-
gam mão de obra escrava, divulgada periodicamente).
Na hipótese de uso da propriedade particular, quando ocorrer iminente perigo público, só 
haverá o dever de indenizar se caracterizado dano.
ATENÇÃO
A União pode fazer requisição temporária de bens de outros entes da federação? 
Note que o texto da CF menciona “propriedade particular”. Essa questão foi decidida pelo 
STF na situação de pandemia do coronavírus: no caso concreto, o Ministério da Saúde 
intencionava requisitar agulhas e seringas do Estado de São Paulo. Segundo decidiu o 
Supremo, em regra, a requisição temporária ocorre em relação a propriedade particular. 
Há, no entanto, exceção: no Estado de Sítio, a própria CF prevê a possibilidade de a União 
requisitar bens que pertençam a outros entes da federação.
A pequena propriedade rural é impenhorável. A impenhorabilidade estabelecida pela CF 
é relativa, tão somente, à pequena propriedade rural
Obs.: o bem de família impenhorável é outra situação, distinta, e regulamentada pela Lei n. 
8.009/90).
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DIREITO CONSTITUCIONAL
A Lei n. 8.629/93 estabelece que a pequena propriedade rural é aquela que possui de 1 
a 4 módulos fiscais. 
Segundo o STF, se dois lotes considerados em conjunto não chegarem ao conceito 
máximo (1 a 4 módulos), a impenhorabilidade garante toda a sua extensão. Ainda que o pro-
prietário possua mais de um terreno, contíguos, estes terrenos, se menores de 4 módulos 
fiscais, terão a proteção constitucional da impenhorabilidade.
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DIREITO CONSTITUCIONAL
No primeiro momento, é importante entender a história da jurisprudência da Constitui-
ção de 88, seguida pela Lei dos Crimes Hediondos a qual afirmava não existir progressão 
de regime prisional, será o regime fechado. Em 2006, o STF tratou como inconstitucional 
a determinação de cumprir integralmente em regime fechado. Para corrigir o texto com a 
adaptação da determinação do STF, em 2007, ao invés de colocar que o réu iria cumprir inte-
gralmente em regime fechado, o texto coloca que o condenado irá cumprir inicialmente em 
regime fechado. 
Crimes hediondos ou equiparados (tráfico, tortura e terrorismo), o início da pena seria 
sempre em regime fechado, porém esse dispositivo foi declarado inconstitucional pelo 
Supremo, pois começar o processo sem saber as condições pessoais do réu fere a individu-
alização. Atualmente, o que deve ser levado como parâmetro é o Código Penal, até quatro 
anos é regime aberto; de quatro até oito, regime semiaberto; mais de oito será fechado – são 
as regras gerais.
Há uma exceção: na tortura, há uma divergência entre o Supremo e o STJ: para o STF, 
inicia-se a pena com regime fechado independentemente da pena: na tortura mais simples, 
a pena mínima é de dois anos, segundo o Código Penal, mesmo com o tempo dentro do 
regime aberto, o STF compreende que não há opção de regimes diferentes do fechado para 
crimes de tortura.
Por outro lado, o STJ segue a mesma decisão da Lei de Crimes Hediondos (regime 
aberto, semiaberto ou fechado).
• A transmissão da pena de multa:
Nenhuma pena passará da pessoa do condenado. Se a multa de pena é pena, não 
poderá ser transmitida do mesmo jeito.
• A constitucionalidade da agravante da reincidência:
Exemplo: dois criminosos agiram juntos num roubo, o primeiro é reincidente, já o segundo 
nunca cometeu crime. O réu reincidente ficou com uma pena maior que o segundo por conta 
do seu histórico. Porém, a questão é: ele cometeu um crime anterior o qual teve sua pena já 
paga, sendo assim, não motivo para ganhar mais tempo preso por um crime que já pagou. 
Para o Supremo, o agravante de pena não fere a individualização.
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DIREITO CONSTITUCIONAL
Direito de Reunião e Direito de Associação
ATENÇÃO
A parte sobre direito de associação e de reunião é um conteúdo muito cobrado em concur-
sos. É importantíssimo entender e compreender essa parte.
Direito de reunião e de associação pressupõem um vínculo – a diferença está em: na 
associação, o vínculo é mais estável. Porém, em 2020, o Supremo reavaliou alguns itens do 
direito de reunião.
XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, indepen-
dentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para 
o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
Não há necessidade de autorização, mas é obrigatório o aviso prévio.
• Requisitos constitucionais: fins pacíficos, sem armas, em locais abertos ao público.
• Marcha da maconha e o crime de incitação ao consumo de drogas: o STF permitiu 
a realização dessas manifestações por se tratar do direito de liberdade e expressão, 
porém seguindo quatro balizas : não pode ter consumo de drogas, não pode ter inci-
tação ao consumo de drogas, crianças e adolescentes não poderão participar; por fim, 
não precisa de autorização, mas é obrigatório o aviso prévio.
• Diferenças para o direito de associação: estabilidade do vínculo.
• Negativa do direito de reunião e remédio cabível – regra geral: mandado de segurança.
ATENÇÃO
Segundo o Supremo Tribunal Federal, independentemente de comunicação oficial prévia 
às autoridades, é válida a reunião, pois o aviso prévio indicado pela Constituição pode ser 
feito pela veiculação da informação que possa atingir o poder público. 
XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráterparamilitar (milícias);
XVIII – a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, 
sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;
XIX – as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspen-
sas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
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DIREITO CONSTITUCIONAL
XX – ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; XXI - as entidades 
associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados 
judicial ou extrajudicialmente.
O PULO DO GATO
XIX – as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspen-
sas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
Este dispositivo é muito cobrado nas provas de concursos. Numa decisão judicial, há duas 
possibilidades de penalizar uma associação: suspensão ou dissolução. Para esta, exige 
o trânsito em julgado. Por outro lado, para suspender, qualquer decisão judicial é válida.
O PULO DO GATO
XXI – as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para repre-
sentar seus filiados judicial ou extrajudicialmente. 
Muitas questões são feitas com base nesse item. Quando uma associação vai para a justi-
ça em juízo, ela pratica: a representação processual ou a substituição processual.
Na representação processual, alguém vai à justiça em nome alheio, buscando um inte-
resse alheio, por exemplo: a mãe entra judicialmente contra o pai de seu filho que não assu-
miu a criança, com o objetivo de ganhar uma pensão para seu filho, isto é, a responsável 
substituiu a criança em prol de algo para o filho.
Na substituição processual, o indivíduo entra na justiça em nome próprio para obter um 
ganho para um terceiro envolvido.
A regra é a associação entrar na justiça em nome de seus associados, age como repre-
sentante processual, por isso precisa de autorização.
Não basta a previsão do Estatuto do Social da Associação.
A substituição é uma EXCEÇÃO, logo só acontecerá em dois casos: mandado de caso 
de segurança coletiva, e mandado de injunção coletivo. Não precisa de autorização dos 
associados. 
• Liberdade de criação – vedação às associações de caráter paramilitar;
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – VIII
DIREITO CONSTITUCIONAL
• Vedação à interferência estatal – criação de associações e cooperativas;
• Dissolução e Suspensão compulsórias;
• Associação: representação x substituição processual.
Exemplo:
Em 2017, o Supremo entendeu que é inconstitucional a cobrança por parte da associa-
ção de taxa de manutenção, conservação e alojamento imobiliário. O não associado até a Lei 
n. 13.465/2017 não pagará mais a taxa de cobrança extra. 
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ser superior a 01 ano. E se a pessoa continuar com deficiência mental? Nesse caso, o Estado 
retira a mão penal e aplica o tratamento (hospital psiquiátrico).
Exemplo 2: Champinha, adolescente que violentou e matou um casal de namorados. 
Pela norma criminal aplicada ao adolescente ele pegaria no máximo 03 anos de medida 
socioeducativa, porém, ele está “guardado” há quase 20 anos. Ou seja, a mão penal foi reti-
rada, mas o tratamento não.
Banimento: trata-se da expulsão de brasileiro do território nacional. A Constituição Fede-
ral é clara: não se pode expulsar “filho de casa”.
Exemplo 3: X é estrangeiro com família no Brasil e cometeu um crime. Se o crime foi 
praticado fora do Brasil, o outro país pedirá a extradição. Se o crime foi praticado no Brasil, o 
Brasil não o quer aqui (expulsão).
Se ele tiver família no Brasil, não poderá haver a expulsão. Se ele tiver família no Brasil, 
poderá extraditar.
Em outras palavras, o fato de o estrangeiro possuir família no Brasil não impede a extradição.
• O brasileiro não pode ser expulso, pois seria banimento.
• O brasileiro, se nato, não pode ser extraditado.
• Se o estrangeiro tiver família brasileira, tem que diferenciar de expulsão e extradição. 
Expulsão não pode. Extradição pode. .
Trabalhos forçados é só responder que não pode. Apenas isso.
Penas cruéis: alguns estados da federação começaram a prender pessoas em contêine-
res. O primeiro estado que fez isso foi o Espírito Santo. Isso é proibido.
O Brasil foi acusado em vários órgãos internacionais. Prender pessoas em contêiner é 
considerado cruel.
O sistema carcerário no Brasil é um estado de coisas inconstitucional. Isso ocorre quando 
uma situação é considerada por completo um erro, sendo necessário várias ações dos Poderes.
No Poder Executivo não pode mais contingenciar, restringir, verba do fundo penitenciário 
nacional, não pode mais restringir dinheiro e, além disso, será possível determinar pelo Poder 
Judiciário obras emergenciais em presídios. É necessário ação de todos os entes da federação.
Por exemplo: no caso de superpopulação carcerária, é autorizado indenizar o preso.
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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos VII
DIREITO CONSTITUCIONAL
Várias outras medidas foram determinadas, entre as quais a implementação das audiências 
de custódia no Brasil, tanto para presos em flagrante quando para as pessoas que forem captu-
radas, como forma de diminuir a massa carcerária e melhorar a situação do sistema carcerário.
O Estado tem o dever e direito de reprimir a criminalidade, mas sem “esculachar” o criminoso.
Então, no estado das coisas inconstitucionais o STF determinou:
• A implantação de audiência de custódia;
• A proibição do contingenciamento de verbas; e
• Autorizou que fossem feitas obras emergenciais em presídios por determinação do 
Poder Judiciário.
Essas foram as punições proibidas. As punições permitidas são:
XLV – nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar 
o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos suces-
sores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;
XLVI – a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos (inclusive a CNH).
A suspensão da CNH poderá ocorrer mesmo nos casos de motoristas de aplicativos ou 
caminhoneiros. O STF entende que essas pessoas têm muito mais obrigação de “andar na 
linha” do que um motorista normal.
Cumprimento de pena privativa de liberdade e não pagamento de pena pecuniária:
Exemplo: se X cumprir a pena privativa de liberdade, mas não pagar a multa ele não cum-
priu a pena inteira, logo, não há que se falar em extinção da punibilidade.
Ambas as penas devem ser cumpridas. Se X não tem dinheiro para pagar a multa, deverá 
ser discutido de outra forma.
Não cumprir o pagamento da multa, a princípio, inviabiliza a extinção de punibilidade.
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