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Livro Eletrônico
Aula 06
História Mundial p/ CACD 2018 (Primeira Fase)
Diogo D´angelo, Pedro Henrique Soares Santos
18888189807 - Caio Danilo Sales
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Aula 06 
 
 
 
América Latina nos séculos XIX e XX 
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Sumário 
Apresentação .................................................................................................................... 2 
O despontar das Independências latino-americanas .......................................................... 3 
A descoberta das Américas ............................................................................................................................ 3 
O estabelecimento do Império espanhol: da ascensão ao declínio ............................................................... 4 
As guerras de Independência na América hispânica ........................................................... 7 
As guerras napoleônicas e a invasão de Espanha .......................................................................................... 7 
A Guerra de Independência espanhola e a Junta de Cádiz: a guerra se espalha pelo reino ......................... 9 
O Império fraturado: a Primeira e Segunda Guerra de Independência (1810-1824) .................................. 10 
A Longa espera: a Formação nacional na América Latina independente .......................... 15 
Bolivarianismo, Republicanismo e Federalismo ........................................................................................... 15 
Militarismo e Caudilhismo na condução dos novos Estados ....................................................................... 17 
O caso mexicano: da Revolução de Independência até a Revolução Mexicana .......................................... 19 
Exercícios ......................................................................................................................... 26 
Exercícios apresentados ..... 41 
 
 
Livro Digital 
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Aula 06 
 
 
 
 
 
América Latina nos séculos XIX e XX 
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Apresentação 
 
 Olá caro aluno! 
Seguindo nosso curso, estudaremos os processos de independência na América Latina, a difícil construção 
das identidades nacionais na região ao longo do século XIX e a Revolução Mexicana de 1910. 
As independências latino-americanas se inserem no amplo contexto social e político que temos estudado ao 
longo das últimas aulas. Politicamente, resultaram de uma contraofensiva autonomista por parte das 
colônias hispânicas (pois aqui não incluiremos o caso brasileiro, visto que será trabalhado por História do 
Brasil) à invasão das tropas napoleônicas em Espanha, que levaram à prisão do rei Fernando VII, 
desenrolando, no entanto, em ações separatistas nos anos seguintes. 
Socialmente, as independências responderam aos anseios das populações locais, sobretudo de suas elites 
comerciais, que buscavam a quebra do exclusivo colonial e a abertura comercial com outros países parceiros, 
como a Inglaterra. Assim, em um misto de autodefesa e desejo de emancipação, os povos latino-americanos 
alçaram voo rumo às suas independências ao longo do século XIX (ainda que com grandes dificuldades 
externas e, principalmente, internas). O tema desta aula já foi explorado outras vezes pela prova do CACD, e 
seu conteúdo é deveras importante para a compreensão do desenvolvimento político-econômico da região 
ao longo do século XX, bem como de sua interação com outros países, sobretudo os Estados Unidos da 
América. 
Portanto, foco nos estudos WàさáヴヴキH;àáマYヴキI;ざぁ 
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Aula 06 
 
 
 
 
 
América Latina nos séculos XIX e XX 
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3 
 
O despontar das Independências latino-americanas 
A descoberta das Américas 
Entre os séculos XV e XVI, os principais reinos europeus voltaram-se para os mares em busca de novos 
parceiros econômicos e políticos, bem como terras e mão-de-obra. Os dois reinos que mais se destacaram 
nesta empresa foram os reinos de Portugal e Espanha, os primeiros protagonistas do grande expansionismo 
marítimo europeu que se denotou pelas conquistas de novos territórios e pelo avanço tecnológico e 
científico que marcou os Renascimentos do fim da Baixa Idade Média. 
Portugal foi o primeiro reino a buscar a expansão marítima de seu tímido território nacional ainda na segunda 
metade do século XV, fator tradicionalmente remetido à localização geográfica do país (na costa sudoeste 
da Península Ibérica, às margens do oceano atlântico) e a sua precoce centralização política, o que teria 
possibilitado à coroa portuguesa arcar com suntuosos investimentos no campo científico-militar, sobretudo 
em torno da Escola de Sagres, em nome da consolidação de sua marinha mercante. 
Ao passo em que o Reino de Portugal colonizava pequenas ilhas da costa atlântica norte do continente 
africano, do outro lado da estremadura, castelhanos e aragoneses, sob a coroa dos reis católicos Isabel de 
C;ゲデWノ;àWàFWヴミ;ミSラàSWàáヴ;ェ?ラがàH┌ゲI;┗;マàIラミゲラノキS;ヴà;àWミゲWテ;S;à┌ミキaキI;N?ラàS;ゲàさEゲヮ;ミエ;ゲざがàラàケ┌WàヴWIWHW┌à
grande impulso neste período, sobretudo após a capitulação do Reino de Granada em 1492, que 
representava o último resquício dos antigos califados árabes na Península Ibérica. No entanto, o Império de 
Espanha apenas tomaria forma sob a coroa de Carlos I, neto de Isabel e Fernando. 
O ano da queda de Granada também foi marcado por outro ato que seria crucial para a potencialização das 
Grandes Navegações e para a hegemonia internacional europeia nos séculos seguintes: a chegada das 
embarcações espanholas à costa caribenha. Em 1492, o navegador genovês Cristóvão Colombo, após 
conseguir convencer à rainha Isabel de Castela a financiá-lo em uma longa expedição marítima que buscava 
abrir novas rotas comerciais rumo à Ásia partindo de Castela, encontrou outras rotas não esperadas, que o 
levou ao então desconhecido continente americano. 
À época, Portugal também já há muito buscava traçar novas rotas marítimas que tornassem mais rápidas, 
baratas e eficientes as longas e onerosas viagens terrestres rumo às Índias, como eram conhecidos os 
diferentes reinos coabitantes da península indiana, e que eram cobiçados graças à produção de especiarias. 
O objetivo inicial foi finalmente alcançado apenas entre 1497 e 1499, pelo navegador Vasco da Gama, isto é, 
cerca de cinco anos após à chegada de Colombo às Américas. Não obstante, o objetivo de ambos os reinos 
permanecia sendo o alcance das Índias, ao menos em um primeiro momento. Após o retorno de Vasco da 
Gama, coube a Pedro Álvares Cabral a missão de estabelecer os primeiros tratados comerciais com os reinos 
indianos, e que visava o favorecimento português frente à Castela na compra de suas raras especiarias. No 
entanto, sua busca foi eclipsada por inesperadas correntes marítimas que, à altura da ilha de Cabo Verde, 
acabaram levando-o rumo ao Monte Pascoal, na atual cidade de Porto Seguro, localizada no estado brasileiro 
da Bahia, no ano de 1500. A descoberta de Cabral novamente equiparou os dois reinos ibéricos, e abriu os 
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horizontes para o início da era colonial, também chamado de período colonial ou ainda colonialismo de 
Antigo Regime. 
 
O estabelecimento do Império espanhol: da ascensão ao declínio 
 
O Império colonial espanhol talvez tenha sido o mais bem-sucedido exemplo de colonialismo propugnado 
pelos reinos europeus entre os séculos XVI e XVIII. Denotou-se pelo domínio de amplos territórios, que 
abarcavam grande parte da atual América Latina, e pela exploração de imensas somas de minérios raros e 
valiosos, sobretudo de ouro e prata. Coube também aos espanhóisa subjugação e o controle das populações 
indígenas que compunham suas novas terras, fosse por meio da cooptação de suas lideranças, a partir da 
distribuição de favores e títulos nobiliárquicos, ou ainda por meio da ressignificação das antigas instituições 
sociais e culturais com as quais as populações locais já estavam habituadas. Em última instância, recorria-se 
à violência como mecanismo de controle social, o que não poucas vezes veio a ocorrer. 
Não cabe aqui proporcionarmos uma visão pormenorizada do desenvolvimento do império espanhol ao 
longo dos séculos de colonização, no entanto, faz-se necessário vislumbrarmos brevemente como se dava a 
organização política e econômica das colônias de Su Majestad Católica, de modo a compreendermos o cerne 
das principais questões que evoluiriam à luta revolucionária a partir do fim do século XVIII, culminando nas 
revoluções de independência. 
A partir de meados do século XVI, o Império espanhol passou a objetivar o fortalecimento do poder régio 
sobre suas novas colônias, possibilitando maior eficiência ao controle da extração das ricas jazidas de ouro 
dos astecas e, mais tarde, da prata andina. Para tanto, fez-se imperativo a consciência de que apenas um 
império colonial rigidamente estruturado poderia ser capaz de proteger os interesses de Espanha sobre um 
território que a cada dia chamava mais atenção dos demais reinos europeus recém-chegados à corrida 
colonial, como França, Inglaterra e Países Baixos. 
Assim, no auge da presença espanhola, as colônias hispânicas do continente passaram a ser concentradas 
em uma estrutura política hierarquizada segundo a importância geopolítica e econômica do território. As 
áreas de maior importância eram organizadas em Vice-reinados, pontas-de-lança do colonialismo espanhol, 
e em Capitanias-gerais. Inicialmente houveram três Vice-Reinos, os de Nova Espanha, Nova Granada e o Vice-
Reino do Peru, aos quais mais tarde, em 1776, passou a integrar o Vice-Reino do Rio da Prata, criado para 
conter o avanço colonial português sobre o estuário do Rio da Prata. 
De modo geral, os Vice-Reinados se concentravam em regiões de grande importância econômica para o 
Império, residindo ali o maior número de funcionários da coroa, oriundos de Espanha, e de tropas. Haviam 
ainda quatro Capitanias-gerais, que tinha por objetivo controlar regiões de importância política para o 
Império, sobretudo em locais com maior índice de revoltas indígenas e de ações de pirataria. Eram elas: 
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Capitania-Geral de Cuba, do Chile, da Guatemala e da Venezuela. Por fim, na parte mais inferior da estrutura 
colonial espanhola, encontravam-se os ayuntamientos, mais conhecidos como cabildos, que funcionavam 
como instâncias representativas de caráter local, geralmente concentradas em importantes cidades 
coloniais. 
Socialmente, as colônias hispânicas também eram hierarquizadas sob uma ótica essencialmente 
metropolitana. À frente dos altos cargos públicos e da liderança militar se encontravam os chapetones (ou 
peninsulares), colonos nascidos na Espanha. Abaixo em termos de importância vinham os criollos, que eram 
em sua maioria compostos de filhos de espanhóis nascidos e radicados nas colônias. A maior parte da 
população colonial, entretanto, compunha-se de mestiços, indígenas e escravos africanos. 
Apesar de ricos e influentes nas colônias, os criollos eram desprivilegiados em relação aos espanhóis 
metropolitanos, sobretudo pelo impedimento real à ocupação de altos cargos públicos nas áreas políticas e 
econômicas por seus membros, em grande medida pelo favorecimento dado à nobreza espanhola na 
ocupação destes cargos e, na mesma medida, pelo temor de desvios e corrupção por parte das elites locais. 
O fato é que esta medida gerava grande descontentamento dentre parcelas das elites políticas americanas. 
O descontentamento dos criollos em relação à metrópole espanhola não se resumia somente ao campo 
estritamente político. Também no campo econômico este grupo social veio a exercer grande pressão sobre 
a coroa espanhola. O principal motivo para isto se devia à manutenção do monopólio econômico 
metropolitano sobre as colônias. 
O exclusivo metropolitano (ou colonial) é o termo utilizado para a política espanhola de controle da 
produção, compra e venda de produtos por parte das colônias, estabelecendo-se assim um monopólio 
favorável à Espanha. Este monopólio foi criado ainda no início da colonização e correspondia à mentalidade 
mercantilista comum às monarquias europeias entre os séculos XVI e XVIII. Para esta, cabia à metrópole o 
direito de controle da produção colonial como forma de fortalecimento da economia nacional, que seria 
favorecida pela mediação constante da metrópole sobre os interesses das terras de sua majestade. Portanto, 
todos os produtos comprados pelas colônias deveriam ter origem espanhola ou autorização de comércio 
expedido pela Espanha; do mesmo modo, todos os itens de exportação das colônias deveriam ter como 
origem primeira a metrópole. 
O exclusivo metropolitano inicialmente ajudou a enriquecer e fortalecer as elites criollas, sobretudo por a 
elas caber a produção local e as atividades intermediárias necessárias à exportação e importação de 
produtos. Além disto, os portos utilizados pela marinha mercante metropolitana geralmente eram 
administradas por estas elites, o que resultava em grandes lucros para seus representantes. Na mesma 
medida, durante o auge da colonização, o governo espanhol desenvolveu em grande medida as colônias, 
tornando muitas de suas cidades em versões dignas das grandes cidades do Império, repletas de grandes 
praças públicas, suntuosas Catedrais, palácios, universidades (algo inexistente no Brasil colônia), escolas e 
bibliotecas. Portanto, enquanto se reverteu em lucro para a população local, o exclusivo metropolitano não 
foi encarado com mal-estar pelos criollos. 
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A situação sofreu radicais mudanças ao longo do século XVIII. Primeiramente, devido à crise da economia 
mineradora local, agravada pela escassez de parte das principais jazidas de ouro e prata das colônias, e 
também pelas constantes crises políticas e sociais que abalaram as bases da monarquia espanhola ao longo 
deste século. Soma-se, ainda, a estes fatores a manutenção do monopólio comercial por Espanha, a falta de 
autonomia local e a baixa representatividade política das elites criollas junto à Coroa. 
Do mesmo modo, as relações com as colônias também sofreram abalos quanto à manutenção das antigas 
políticas de trabalho que vigoravam na região desde o início da colonização. Destacavam-se a mita e a 
encomienda. A mita consistia em um trabalho compulsório a ser desempenhado por nativos aos chapetones 
e criollos em determinados momentos do ano, a partir de um sorteio de escolha e de pequenas 
compensações posteriores ao término do trabalho. Já a encomienda era o direito de exploração de 
determinados territórios indígenas por pessoas escolhidas pela coroa, as quais adquiriam a liberdade de uso 
da mão-de-obra local para o trabalho, em troca de garantias de um bom tratamento para com os mesmos. 
Ocorre que ambas instituições sociais tiveram suas bases de legitimidade abaladas ao longo do século XVIII 
devido à determinadas rebeliões surgidas em meio às populações indígenas, diretamente impactadas pelas 
reformas. Em 1780, teve início a principal revolta indígena do período colonial, ocorrida no Vice-Reino do 
Peru e liderada por José Gabriel Condorcanqui, mais tarde autodenominado Túpac Amaru II, título utilizado 
em homenagem ao último imperador inca. Túpac Amaru fora até o início da rebelião,devido a sua alta 
instrução e descendência nobre inca, um dos curacas daquele povo, os quais representavam junto à 
administração do Vice-Reino as comunidades indígenas sob sua tutela. As principais obrigações destas 
comunidades eram o cumprimento da mita e o pagamento de determinados tributos à administração 
colonial. Endividado, sobretudo pelas custosas guerras nas quais havia se envolvido, o governo espanhol 
decretou no mesmo ano o aumento dos impostos cobrados das comunidades indígenas, além de promover 
mudanças no cumprimento da mita, as quais permitiram, na prática, a piora das condições de trabalho dos 
indígenas. 
Túpac Amaru decidiu, devido ao cenário em que os indígenas se encontravam, enviar determinadas 
solicitações à coroa que visavam modificar as condições de trabalho daqueles. Diante da recusa do governo 
central, o líder inca deu início à revolta, por meio da mobilização de milhares de indígenas. A revolta atingiu 
grandes proporções, e colocou em perigo a manutenção do poder régio sobre seus súditos incas. No fim, as 
tropas enviadas por Espanha deram fim às revoltas, com a prisão e morte das principais lideranças do 
movimento. Túpac Amaru foi condenado ao enforcamento em praça pública e ao esquartejamento. 
Politicamente, o Império espanhol, como já dito, encontrava-se em franca decadência. Os demais reinos 
europeus, em especial o Império britânico, já o percebiam como o elo fraco e doente das coroas europeias. 
O Império, com suas estruturas econômicas arcaicas, afundava em uma crescente dependência externa, 
sobretudo com vistas à manutenção dos custosos privilégios da nobreza espanhola. Devido a isto, desde 
meados do século XVIII a coroa perdera força junto às elites criollas, permitindo-lhes o relativo aumento da 
autonomia administrativa local. A situação ousou sofrer radicais mudanças com a ascensão do bourbon 
Carlos III ao trono espanhol, que até então fora regido pelos Habsburgo. 
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Carlos III, e mais tarde seu filho Carlos IV, empreendeu um amplo esforço de modernizações políticas e 
econômicas ao Império, com vistas a reintroduzi-lo entre os grandes protagonistas da política europeia, e 
que ficaram conhecidas como as Reformas Bourbônicas. As reformas tinham como meta refortalecer as 
estruturas bases que alçaram o Império espanhol à hegemonia europeia no início do século XVI, porém, para 
tanto, solapou, ou reformou radicalmente, determinadas instituições e políticas já tradicionais do império. 
Em suma, as reformas trataram de elevar a arrecadação imperial, modificar o exclusivo metropolitano, 
aumentando o número de portos coloniais que poderiam comercializar com a metrópole, e tornar mais forte 
a presença do reino sobre as colônias. Se por um lado as reformas empreendidas pelos Bourbon visavam 
modernizar internamente o reino, por outro prejudicava em todas as suas frentes a autonomia 
recentemente adquirida pelas colônias e por suas elites criollas, que começavam a angariar postos sociais 
até então enublados por sua origem não peninsular. 
O descontentamento interno gerado pelas reformas modernizadoras adotadas no Império no fim do século 
XVIII permaneceram adormecidos por alguns anos. Somente no início do século XIX, em reação às agressões 
oriundas da França napoleônica, o ímpeto revolucionário voltou a ser instigado entre os colonos de sua 
majestade católica. 
As guerras de Independência na América hispânica 
 
As guerras napoleônicas e a invasão de Espanha 
 
Entre 1802 e 1814, transcorreram no continente europeu as guerras napoleônicas, que consistiram em 
sucessivas batalhas militares entre o Império francês de Napoleão Bonaparte e os demais reinos da Europa. 
Como não pudera deixar de acontecer, também Espanha foi atingida pelo avanço dos exércitos napoleônicos, 
levando à abdicação de Carlos IV e a posterior prisão de seu filho, Fernando VII. 
A invasão da Espanha, ocorrida entre 1807 e 1808, fez parte de um amplo esforço francês de consolidação 
do Bloqueio continental contra sua inimiga Inglaterra. Este movimento militar, no entanto, não fez parte dos 
objetivos iniciais de Napoleão. Em um primeiro momento, Napoleão buscou promover a hegemonia francesa 
na Península Ibérica por meio de tentativas de concordatas com os reinos ibéricos. Seu esforço encontrou 
ecos na corte de Carlos IV, o qual tinha interesses sobre o seu vizinho português, bem como em evitar novos 
problemas com a França. 
Anos antes, entre 1793 e 1795, Espanha participara da Primeira Coligação contra a então Convenção 
Nacional francesa, e participara da Campanha do Rossilhão, que consistiu em uma ampla movimentação 
militar por parte de Portugal, Espanha e Inglaterra sobre a região dos Pirineus, motivada pela execução de 
Luís XVI e a radicalização da Revolução Francesa. A Campanha chegara ao fim de forma negativa para ambos 
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reinos ibéricos, com a Paz da Basiléia e a perda de territórios pelos dois reinos, como a parte espanhola da 
ilha de Hispaniola (ou São Domingos) no Caribe para a França (parte do atual Haiti). Uma nova guerra com 
uma França ainda mais poderosa não estava nos planos da corte espanhola. 
Napoleão, por sua vez, percebia na Espanha uma aliada natural (tanto por sua rivalidade histórica quanto 
por sua posição geográfica) em uma possível invasão de Portugal, ideia então em gestação. Ocorria que D. 
João VI, príncipe regente de Portugal, permanecia neutro quanto à política do Bloqueio Continental, em 
revelia às inúmeras cartas e intimados expedidos pelo governo de Paris em exigência de uma tomada de 
posição. Portugal era um histórico aliado político e econômico dos ingleses na Europa continental, e a 
possibilidade de rompimento com seus aliados britânicos causava a inércia do príncipe. 
Em 1807, por meio do Tratado de Fontainebleau, França e Espanha se aliavam contra Portugal e tramavam 
a invasão deste país por meio do ataque de um exército franco-espanhol, que tomaria de assalto Lisboa e 
pegaria de surpresa D. João VI. O Tratado previa que, após a invasão, Portugal se dividiria em três diferentes 
reinos, o Reino da Lusitânia Setentrional, o Algarve e o Reino de Portugal (que seria o menor e mais frágil 
dos três). No entanto, Napoleão e seus aliados espanhóis ignoravam a tenacidade do pensamento do 
príncipe português. Secretamente, Portugal e Inglaterra firmaram um acordo pelo qual acordava-se que a 
Marinha inglesa escoltaria a Corte portuguesa até o Brasil. Desta forma, quando da chegada das tropas de 
Napoleão à Lisboa, toda a corte portuguesa já se encontrava em alto-mar. 
Não obstante a vitória com gosto amargo de França em território português, Napoleão se utilizou da invasão 
para consolidar um já plano anteriormente arquitetado. Em fins de 1807, sob o pretexto de organizar os 
exércitos que atacariam à Portugal, Napoleão enviou para a Espanha um imenso contingente armado, que 
deveria se abrigar provisoriamente em solo espanhol até o início das manobras militares. Os marechais 
franceses, então, instigaram as tropas espanholas aliadas e parte da população civil em uma revolta contra 
Carlos IV, que já se encontrava debilitado devido à forte insatisfação popular frente ao seu reinado nos 
últimos anos. Por fim, Carlos IV se viu forçado a abdicar do trono em favor de seu filho Fernando VII em 19 
de março de 1808. Apesar de controverso, já é bastante aceito entre os historiadores a existência de uma 
possível trama secreta envolvendo o então infante Fernando e Napoleão, que o teria convencido a estimular 
os motins populares contra o seu pai. 
O fato é que Fernando VII assumira como o novo rei de Espanha em março de1808, no entanto, seu reinado 
duraria aproximadamente três meses. Fernando VII fora mais uma peça no intricado jogo político de 
Napoleão, o qual demonstrara mais de uma vez uma astuta e fria capacidade de calcular medidas cujos fins 
poderiam resultar em maior prestígio e poder para o seu Império. Assim o fez também na Espanha. Entre 
maio e junho de 1808, com o apoio das tropas francesas presentes em Espanha e Portugal e se aproveitando 
do afastamento momentâneo do grosso das tropas espanholas, que se encontravam espalhadas em 
diferentes frentes de batalha Europa a fora em parceria com as tropas francesas, Napoleão aprisionou 
Fernando VII, o qual foi mantido em cárcere na França até 1812, e em seu lugar coroou a seu irmão mais 
velho, José Bonaparte, como o rei de Espanha. 
 
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A Guerra de Independência espanhola e a Junta de Cádiz: a guerra se espalha 
pelo reino 
 
A coroação de Luís Bonaparte como rei de Espanha gerou grande repercussão dentre os espanhóis. 
Imediatamente, os legalistas (favoráveis ao rei deposto) convocaram as Cortes espanholas (também 
chamadas de Juntas Gobernativas) para debater uma contraofensiva à invasão francesa. As Juntas, as quais 
representavam não somente as diferentes províncias da Espanha como também as suas colônias além-mar, 
decretaram a ilegitimidade de José e passaram criar instâncias locais de governo, que não reconheciam o 
novo rei e suas ações. Ainda em setembro, as diferentes Juntas existentes se reuniram em torno de uma 
Junta Central Suprema de Governo do Reino, a qual buscou contrapor as tropas francesas e restabelecer a 
autonomia do país. No entanto, o poderio militar francês fez frente à oposição espanhola, levando à derrota 
das tropas legalistas (realistas) e forçando as Cortes reunidas em torno da Junta Central a se deslocarem para 
a região de Cádiz, no ano de 1810. Ali, formou-se a Junta de Cádiz, coração das guerras que se travariam 
contra os franceses entre 1810 e 1812, e cerne dos problemas que mais tarde assombrariam o reinado 
restaurado de Fernando VII. 
Entre 1808 e 1810, a Junta Central ajudou a organizar nas colônias espanholas americanas uma série de 
Juntas governativas provisórias cujo objetivo inicial também seria o não reconhecimento de José e a 
manutenção dos territórios em favor do verdadeiro rei, Fernando VII. Por toda a América espanhola, em 
torno dos diferentes Vice-Reinos, Capitanias Gerais e dos cabildos se organizaram Juntas legalistas sob o 
comando dos chapetones e das elites criollas. A constituição destas Juntas demarcou um importante 
momento de eclosão da ideia de autodeterminação e soberania popular juntos às colônias e também dentro 
da própria Espanha. 
A Junta de Cádiz, por exemplo, foi um laboratório a céu aberto, no qual se experimentaram diferentes 
concepções de poder e Estado entre 1810 e 1812, discussões estas que tiveram forte impacto sobre as Juntas 
provisórias coloniais. Em Cádiz, reuniam-se desde grupos favoráveis à manutenção do status quo anterior a 
1808, de tendência mais conservadora e absolutista, quanto grupos de tendência liberal e constitucionalista, 
cujas ideias emanavam de escritos de filósofos franceses e ingleses, como Montesquieu e Jeremy Bentham. 
Ainda em 1810, o primeiro grupo liderou a proposta de criação de uma regência provisória e à subsequente 
submissão das Cortes reunidas em Cádiz a seus atos, visto que estes emanariam da vontade do próprio rei 
exilado. 
Os liberais não aceitavam o expurgo das Cortes e a manutenção do status quo absolutista, e além do mais, 
consideravam que cabia à Junta de Cádiz garantir por meio de atos concretos a ilegitimidade do governo 
francês de José I. Por isto, após comporem maioria nos debates em vigência, conseguiram decretar ainda em 
1810 que as Cortes ali reunidas eram as legítimas depositárias do poder nacional e que, como fonte legítima 
do poder, das Cortes emanava o verdadeiro poder constituinte da Nação. Formulou-se, a partir de então, o 
texto constitucional que seria definitivamente aprovado e promulgado pela Junta de Cádiz em 1812, surgindo 
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assim a Constituição de 1812, que na prática transformava o reino em uma Monarquia constitucional de 
forte inclinação liberal. 
As influências da Constituição de 1812 se fizeram sentir do outro lado do atlântico, marcando enormemente 
as Juntas governativas americanas. Ainda que a influência marcadamente liberal de Cádiz não tivesse como 
foco, em um primeiro momento, as colônias americanas, suas ideias de soberania popular e 
autodeterminação nacional ganharam repercussão e apoio dentre elites criollas ciosas de maior autonomia 
e independência local. No entanto, nem todas as influências da Constituição sobre o contexto colonial foram 
positivas. Vale lembrar que, segundo as leis e costumes espanhóis, as colônias estavam intimamente ligadas 
à coroa, como bens dos reis de Espanha e de seus herdeiros. A Junta de Cádiz, deste modo, ao retirar do 
monarca o cerne do poder, atacou um dos princípios basilares da sustentação do sistema colonial e da ligação 
natural das colônias a sua metrópole. A Constituição submetia, ainda, as colônias aos ditames legais da 
península, o que também fragilizava o tratamento tradicional entre colônias e metrópole. 
O período 1808-1810 observou a formação de uma série de Juntas provisórias cujos objetivos eram a 
preservação da autonomia local e a manutenção da soberania do legítimo rei espanhol sobre suas terras 
além-mar. No entanto, na medida em que o cativeiro de Fernando VII e a reação liberal à presença francesa 
no reino avançavam, mais as juntas locais ganhavam autonomia de ação e soberania sobre os seus territórios. 
Somavam-se a esse repentino ganho de soberania o crescente sentimento independentista que ganhava 
força entre os membros das elites criollas e o acirramento das disputas entre estes e seus antagonistas 
chapetones, sobretudo nas discussões relativas à condução das juntas. O sentimento de manutenção do 
status quo, vivo no início da formação das Juntas provisórias, começa a perder peso frente ao desejo de 
emancipação local na medida em que os interesses dos criollos passam a se chocar com os rumos tomados 
pela metrópole, bem como a partir do momento em que a causa emancipatória se constitui em movimento 
popular de grande expressão, gerando conflitos entre locais e tropas realistas espanholas. Entendamos o 
contexto das lutas de independência. 
 
O Império fraturado: a Primeira e Segunda Guerra de Independência (1810-
1824) 
 
As Guerras de Independência na América espanhola são tradicionalmente divididas em dois amplos 
movimentos insurrecionais: a chamada Primeira Guerra de Independência, desenrolada entre 1810 e 1816, 
cuja marca foi a proclamação de declarações e cartas constitucionais em diversos Vice-Reinos e Capitanias 
espanholas. Como já falado, boa parte destes documentos ainda não possuíam, nos idos de 1810, a intenção 
deliberada de constranger a governança espanhola sobre aqueles territórios, uma vez que foram encarados 
por parte das elites criollas como medidas necessárias para a garantia da soberania destes territórios frente 
às investidas dos franceses. 
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Não obstante, tanto por influência ideológica (sobretudo de ideias atreladas ao largo escopo de pensamento 
dos iluminismos inglês e francês, bem como do jus naturalismo espanhol) quanto por interesses imediatos 
das elites criollas, em pouco tempo o espírito independentistapassou a protagonizar a política local, 
sobretudo no trato com espanhóis e com a Junta de Cádiz, ainda a estância máxima de representação política 
das Cortes espanholas (aqui também presentes as colônias). Segue uma tabela extraída da internet1 que 
resume bem o rápido desenvolvimento das declarações de independência nos territórios hispânicos: 
Vice-reinado o u 
território 
emancipado 
Ano Data Declaração Nome País atual 
Virreinato de 
Nueva Granada 
181
0 
20 de 
julho 
Constitución de 
Cundinamarca 
Provincias 
Unidas de la 
Nueva 
Granada 
Colombia 
Capitanía General 
de Venezuela 
181
1 
5 de julio 
Acta de la 
Declaración de 
Independencia 
de Venezuela 
Confederació
n Americana 
de Venezuela 
Venezuela 
Virreinato de 
Nueva Granada 
181
1 
11 de 
septiembr
e 
Independencia 
de Cartagena 
Estado Libre 
de Cartagena 
Colombia 
Real Audiencia de 
Quito 
del Virreinato de 
Nueva Granada 
181
1 
11 de 
octubre 
Constitución de 
Quito 
Estado de 
Quito 
Ecuador 
Virreinato del Río 
de la Plata 
181
3 
31 de 
enero 
Asamblea 
General 
Constituyente del 
Año 1813 
Provincias 
Unidas del 
Río de la 
Plata 
Argentina y Bolivia (Uruguay no fue 
admitida y Paraguay no participó) 
Gobierno de las 
Misiones 
Guaraníes 
del Virreinato del 
Río de la Plata 
181
3 
12 de 
octubre 
Primera 
constitución 
paraguaya 
Independenci
a paraguaya 
Paraguay 
Virreinato de 
Nueva España 
181
3 
13 de 
septiembr
e 
Independencia 
de la América 
Septentrional 
Congreso de 
Chilpancingo 
México 
Gobernación de 
Montevideo 
del Virreinato del 
Río de la Plata 
181
5 
29 de 
junio 
Congreso de 
Oriente 
Liga Federal Uruguay 
Virreinato del Río 
de la Plata 
181
6 
09 de julio 
Declaración de 
independencia 
de la Argentina 
Congreso de 
Tucumán 
Argentina 
Capitanía General 
de Chile 
181
8 
12 de 
febrero 
Acta de 
Independencia 
de Chile 
Chile Chile 
 
1 Extraído de Wikipedia. Disponível em: https://es.wikipedia.org/wiki/Guerras_de_independencia_hispanoamericanas . Acesso 
em: 05 de abril de 2017. 
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Virreinato de 
Nueva Granada 
y Capitanía 
General de 
Venezuela 
181
9 
17 de 
diciembre 
Congreso de 
Cúcuta 
Gran 
Colombia 
Colombia, Venezuela, Ecuador y Pana
má 
Gobierno de 
Guayaquil 
del Virreinato del 
Perú 
182
0 
9 de 
octubre 
Independencia 
de Guayaquil 
Provincia 
Libre de 
Guayaquil 
Ecuador 
Virreinato del Perú 
182
1 
28 de julio 
Declaración de 
Independencia 
Congreso 
Constituyente 
del Perú 
(1822) 
Perú 
Capitanía General 
de Guatemala 
182
1 
15 de 
septiembr
e 
Independencia 
de 
Centroamérica14 
15 
 
Guatemala, El 
Salvador, Honduras, Nicaragua y Cost
a Rica 
Provincia de 
Nueva España 
182
1 
28 de 
septiembr
e 
Acta de 
Independencia 
del Imperio 
Mexicano 
Junta 
Provisional 
Gubernativa 
México 
Provincia de 
Panamá y Provinci
a de Veraguas 
del virreinato de 
Nueva Granada 
182
1 
28 de 
noviembr
e 
Acta de 
Independencia 
de Panamá 
Independenci
a de Panamá 
Panamá 
Provincia de 
Charcas 
del Virreinato del 
Río de la Plata 
182
4 
6 de 
agosto 
Declaración de 
Independencia 
de Bolivia 
Asamblea 
General de 
Diputados de 
las Provincias 
del Alto Perú 
Bolivia 
Percebe-se, por meio do quadro acima, que muitas das declarações de independência surgiram de forma 
quase simultânea, demonstrando que o desenrolar das revoluções se deu de modo entrelaçado em 
diferentes áreas das Américas. O primeiro Vice-Reino a se ver inundado pela onda revolucionária foi o de 
Nova Granada na América do Sul, após a declaração de independência da Colômbia, seguida da Venezuela e 
Equador. 
Ainda na América do Sul, no Vice-Reino do Rio da Prata, entre 1811 e 1813, diferentes províncias ligadas ao 
cabildo de Buenos Aires declararam suas independências, por meio de um Assembleia Geral convocada sem 
a presença dos líderes uruguaios e dos paraguaios. Desta assembleia surgiriam as Províncias Unidas do Rio 
da Prata, novo país surgido sobre os escombros do Vice-Reino. O Paraguai, todavia, não aceitara participar 
da Assembleia convocada por Buenos Aires, por não reconhecer a cidade como o centro natural de poder da 
região. Em vez disso, os paraguaios, sob a liderança do caudilho Gaspar Rodríguez de Francia, declararam 
sua independência em 1813, com o apoio de caudilhos das províncias de Entre Rios e Missiones, ambas 
pertencentes às Províncias Unidas. 
Após a independência paraguaia, uma missão diplomática (e militar) foi destacada de Buenos Aires 
encabeçada pelo general Manuel Belgrano, o qual buscou, por várias vezes, convencer Francia a se unir às 
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Províncias Unidas (até mesmo ameaçando-o). Após sucessivas vitórias militares dos paraguaios tanto contra 
forças realistas espanholas quanto contra tropas portenhas, a independência paraguaia foi definitivamente 
selada pelo Parlamento, o qual logo em seguida foi dissolvido, dando origem a mais de duas décadas de 
isolamento de um Paraguai reduzido ao autoritarismo de Francia. A região do Alto Peru (Bolívia), então 
pertencente ao Vice-Reino do Rio da Prata, também não constituiu as Províncias, pois esta região logo seria 
retomada pelas forças realistas e, somente alguns anos mais tarde, definitivamente libertada pelas tropas 
de Bolívar. Já a região da Banda Oriental (atual Uruguai, também chamada no período de Cisplatina pelos 
brasileiros) permaneceu alheia às políticas adotadas por Buenos Aires por muitos anos, sobretudo por conta 
da anexação militar da região ao Brasil por ordem de D. João VI. 
No Vice-Reino da Nova Espanha, os levantes revolucionários se iniciaram em 1810 e, ao contrário do restante 
do continente, teve grande protagonismo popular e um forte apelo social, destacando o caso mexicano do 
restante do continente (o qual será analisado mais a frente de forma destacada). Na América Central e no 
Caribe, a revolução se iniciaria somente anos mais tarde. 
Em meio aos levantes revolucionários que tomaram de assalto as possessões de sua Majestade na América, 
a Junta de Cádiz se debilitou enormemente, dando lugar a um Conselho de Regência, presidido por cinco 
membros escolhidos pelas cortes para governar a Espanha e suas colônias até o retorno do rei. Fernando VII 
permanecia apartado de seu reino, e acabou sendo ajudado pelos ventos da fortuna. Em 1812, a Inglaterra, 
aproveitando-se da campanha de Napoleão na Rússia, reorganizou a Coligação e voltou a desferir um forte 
golpe contra a frente ocidental do Império. Desta vez, os ingleses (que haviam há pouco retomado Portugal 
do jugo francês) utilizaram-se deste país como zona de contato inglesa com o restante do continente. A partir 
dali, os ingleses marcharam para a Espanha e expulsaram os franceses junto com José Bonaparte. Em seu 
lugar, por meio do Tratado de Valença (1814), reempossaram Fernando VII como rei de Espanha. 
A despeito da euforia popular representada pelo retorno de Fernando VII a seu trono, as Cortes de Cádiz 
viram com assombro o repentino retorno do rei e a rápida tomada de ações por sua parte que ameaçavam 
destruir a quase totalidade das reformas introduzidas pelos liberais na Espanha durante a ausência do rei. 
Logo após reassumir o seu trono, Fernando VII extinguiu as Cortes, anulou a Constituição de 1812 e voltou a 
assumir a roupagem de monarca absoluto. A próxima medida de Fernando VII foi suspender as Juntas 
provisórias americanas e enviar reforços militares rumo às Américas de modo a extirpar as revoluções de 
Independência. As tropas enviadas eram encabeçadas,em sua maioria, por grandes e renomados generais 
espanhóis, os quais, contando com ajuda interna provida pela minoria realista da região, conseguiram 
efetivar com sucesso a retomada de quase todos os territórios tornados independentes entre 1810 e 1815. 
A segunda Guerra de Independência se caracterizou pela reação espanhola aos primeiros movimentos 
independentistas surgidos nos anos anteriores. Foi o período de destaque de algumas figuras de grande 
renome militar dentre os revolucionários, tais como José de San Martín, Simon Bolívar e Bernardo O'Higgins. 
O período de 1817 a 1824 se destacou por duas frentes de batalha na América do Sul, bem como pela 
radicalização no México e na América Central. 
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A primeira frente de batalha sul-americana foi liderada pelo venezuelano Simon Bolívar, um general 
experimentado na arte da guerra e com anos de estada na Europa, período em que viveu e estudou na 
Espanha, Itália e França. Bolívar retornou à Venezuela em 1807 e participou das primeiras guerras ao lado 
de Francisco de Miranda. Após a retomada do Vice-Reino pelas forças realistas, Bolívar reorganizou as tropas 
revolucionárias dispersas e preparou uma nova investida entre 1817 e 1821 contra as forças realistas. Após 
sucessivas batalhas, Bolívar conseguiu retomar a região do domínio realista e fundar, ainda em 1819, a 
República da Grã-Colômbia, que reunia as atuais Colômbia, Venezuela, Equador e Bolívia, e a qual presidiu 
até o ano de sua morte em 1830. 
Enquanto Bolívar descia com suas tropas a partir da Colômbia rumo o Equador e a Bolívia, liberando o norte 
da América do Sul do domínio espanhol, no Cone Sul, José de San Martín avançava com suas tropas a partir 
de Buenos Aires rumo ao norte. San Martín, outro militar experiente com ampla formação intelectual, foi o 
principal líder da guerra de independência das Províncias Unidas do Rio da Prata, que foram concluídas em 
1816. Após a liberação da Argentina, San Martín concluiu o processo de independência do Chile, já 
encabeçado por Bernardo O´Higgins desde 1810, após um feito militar memorável: conseguir atravessar são 
e salvo os altos picos enevoados dos Andes liderando milhares de soldados montados, de modo a derrotar 
as tropas realistas assentadas em Santiago com o efeito surpresa. Do Chile, seguiu rumo ao Peru, onde 
também expulsou as tropas realistas ali presentes e deu bases para a posterior independência do país. 
San Martín e Bolívar se encontraram pessoalmente em julho de 1822 na cidade de Guayaquil, no Equador. 
Ali se realizou a Conferência de Guayaquil, na qual a liderança das revoluções sul-americanas foi passada 
para Bolívar, por meio de uma concordata de San Martín, que logo após se retiraria em definitivo da América 
do Sul para viver em um autoexílio na Europa. Os motivos para esta inesperada decisão ainda são 
desconhecidos pelos historiadores, ainda que se argumente que as diferentes visões dos dois líderes quanto 
ao futuro das regiões libertadas tenham motivado San Martín a tomar esta atitude, inclusive como uma 
forma de evitar guerras entre as próprias lideranças revolucionárias. 
O desfecho das lutas entre realistas e revolucionários foi facilitado graças aos acontecimentos internos ao 
próprio reino. Após ter rasgado a Constituição de 1812 e ter iniciado uma forte perseguição aos seus 
adversários liberais, Fernando VII passou a lidar com intensas manifestações opositoras dentro de seu 
próprio país, muitas das quais sob inspiração republicana. Em 1820, após a revolta de Riego, o rei se viu 
forçado a se afastar da vida política, situação que perdurou até 1823, conformando o chamado Triênio 
Liberal, que foi sufocado por uma ação conjunta da Santa Aliança, sob liderança francesa, que permitiu o 
retorno do rei ao trono em 1823. O fato é que os anos do Triênio liberal permitiram às tropas revolucionárias 
contraporem os seus adversários espanhóis nas guerras travadas nas colônias. 
As guerras de independência cessaram entre 1824 e 1825, com a quase completa separação da América de 
seus colonos ibéricos (lembrando que em 1822, também o Brasil se tornou independente de Portugal), e a 
formação de novos países independentes, como a Grã-Colômbia, Chile, Peru, Paraguai, Províncias Unidas do 
Rio da Prata, México e a República Dominicana (mais tarde anexada pelo Haiti até 1861). O Uruguai tornar-
se-ia independente somente em 1828, concluída a Guerra da Cisplatina sob mediação da Grã-Bretanha. 
Outros países também se tornaram independentes somente nas décadas seguintes, como Nicarágua (1838), 
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Guatemala e Honduras (1839) e El Salvador (1841). Permaneceram como colônias espanholas apenas Porto 
Rico e Cuba, que se tornariam protetorados norte-americanos, conjuntamente às Filipinas (Ásia) e Guam 
(Micronésia), somente após finalizada a Guerra Hispano-Americana e assinado o Tratado de Paris, onde 
Espanha se comprometia a transmitir o controle destes locais aos Estados Unidos da América. 
O período final das guerras de independência teve forte repercussão dentre as potências europeias no pós-
1815. Até este momento, a Grã-Bretanha ainda não havia conseguido se posicionar de modo claro em 
relação à causa independentista, principalmente por ainda se encontrar envolvida nas guerras napoleônicas. 
No entanto, a partir de 1815, preso Napoleão Bonaparte, pode a Inglaterra se voltar para a América e a 
conformação da nova ordem política local. É fato que as independências atraíram o apoio britânico, 
sobretudo pela necessidade de garantir o livre-comércio e a livre-navegação dos rios interioranos. Também 
era de interesse inglês a contenção da influência diplomática norte-americana sobre os revolucionários, os 
quais já se encontravam ideologicamente alinhados à matriz republicana federalista norte-americana. 
Fernando VII, entre 1823 e 1825, após ter retornado ao trono espanhol graças a uma intervenção militar da 
Santa Aliança, ainda tentou angariar o apoio da mesma para a contenção das guerras de independência. 
Todavia, a recusa britânica ao pedido do monarca foi decisiva para o não envolvimento europeu nas lutas na 
América. Os ingleses foram, aliás, os grandes panfletários das novas nações americanas, buscando o seu 
reconhecimento diplomático em toda a Europa. Não obstante, por décadas a monarquia espanhola se 
recusou a reconhecer a independência das novas nações, vindo a fazê-lo somente a partir de 1850. Não por 
um acaso, pois com a perda de seus vastos territórios coloniais, os espanhóis perderam grande parte de seu 
faturamento interno, decaindo nos anos seguintes ao posto de potência de segunda classe. 
 
A Longa espera: a Formação nacional na América Latina 
independente 
Bolivarianismo, Republicanismo e Federalismo 
 
Buscar compreender as guerras de independências da América espanhola também é reconhecer a sua 
importância para a constituição política das novas nações latino americanas. Diversos historiadores, como 
Eric Hobsbawm, costumam atrelar os rumos tomados por estas nações ao longo do século XIX como uma 
forma de manutenção do status quo anterior às guerras, qual seja: uma sociedade rigidamente estratificada 
sob o controle político e econômico das elites criollas e com a permanência das estruturas coloniais sobre as 
quais se assentavam os seus privilégios. No entanto, observa-se na historiografia recente, como em Tulio 
Halperin Donghi, conclusões bastante diferentes: 
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En 1825 terminaba la guerrade Independencia; dejaba en toda América española un 
legado nada liviano: ruptura de las estructuras coloniales, consecuencia a la vez de 
una transformación profunda de los sistemas mercantiles, de la persecución de los 
grupos más vinculados a la antigua metrópoli, que habían dominado esos sistemas, 
de la militarización que obligaba a compartir el poder con grupos antes ajenos a él 
(...)2(Grifo nosso) 
 
O despontar das novas nações encarnou, portanto, a quebra do vínculo histórico com Espanha, não apenas 
no nível das estruturas políticas e econômicas, conforme apresentado no trecho acima, como também no 
nível social e cultural, ao menos nas áreas mais cosmopolitas e mercantis, que passaram a sofrer forte 
influência inglesa e norte-americana durante o século XIX. 
Terminadas as independências, as novas nações passaram à discussão das formas de Estado e governo mais 
apropriadas às realidades locais. A frente monarquista (favorável à instauração de monarquias com base em 
casas dinásticas europeias e/ou com base nas dinastias pré-colombianas, como a inca) teve certa influência 
durante a Primeira Guerra de Independência, perdendo força a partir de 1817 para o republicanismo, graças, 
principalmente, às ideias republicanas de Simon Bolívar. San Martín, por sua vez, encarnava um dos poucos 
defensores do monarquismo, no entanto, após o seu autoexílio em 1822, o ideário bolivariano ganhou 
destaque e permeou todo o restante do conflito, se alongando após o seu término. 
A primeira República federalista moderna constituiu-se em torno das 13 colônias inglesas na América, que 
passaram a se autodenominar Estados Unidos da América. O federalismo norte-americano consistia em uma 
engenharia política inovadora, cujo objetivo central seria a manutenção da autonomia dos diferentes estados 
que compunham o país (federação), ligados entre si somente por um arcabouço de leis em comum e um 
governo central que deveria zelar pela constituição e pela representatividade das mesmas. Deste modo, o 
ideal basilar do federalismo republicano estadunidense era a limitação da ação do governo central (União) 
frente às autonomias dos demais estados, os quais são encarados como as verdadeiras fontes de poder da 
nação. 
O exemplo estadunidense influenciou enormemente diversos expoentes criollos nas regiões de colonização 
ibérica do continente americano, ciosos como eram por maior representatividade e autonomia sobre os seus 
próprios assuntos. Lembremo-nos de que a instância principal de representação política dos criollos eram os 
cabildos, os quais configuravam a unidade política de cidades e/ou pequenas regiões circunscritas às 
unidades administrativas maiores. Deste modo, interessava-lhes a existência de um sistema político que 
 
2 HALPERIN DONGHI,Tulio. Historia Contemporánea de América Latina. Madrid: Alianza Editorial, 2010, pág. 135. Tradução livre: 
さEマàヱΒヲヵàデWヴマキミ;┗;à;àェ┌Wヴヴ;àSWàIミSWヮWミSZミIキ;がàケ┌WàSWキ┝;┗;àWマàデラS;à;àáマYヴキI;àWゲヮ;ミエラノ;à┌マàノWェ;Sラàミ;S;àノW┗キ;ミラぎàruptura das 
estruturas coloniais, consequência, por sua vez, de uma transformação profunda dos sistemas mercantis, da perseguição dos 
grupos mais vinculados à antiga metrópole, que haviam dominado estes sistemas, da militarização que obrigava ao 
Iラマヮ;ヴデキノエ;マWミデラàSラàヮラSWヴàWミデヴWàェヴ┌ヮラゲà;ミデWゲà;ノエWキラゲà;àWノWàふくくくぶざく 
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pudesse manter a autonomia dos antigos cabildos coloniais frente aos novos governos centrais surgidos do 
término das guerras de Independência. 
Outro modelo republicano utilizado como inspiração por parte das elites criollas foi o francês, mais 
exatamente aquele experimentado durante a I República francesa a partir da Convenção Nacional. O modelo 
francês, que durante o jacobinismo foi inspirado no princípio da Vontade geral de Rousseau, tinha como 
marca central o sufrágio universal masculino e a centralidade das funções legislativa e executiva em torno 
de uma Assembleia geral nacional. Nisto residia a principal diferença entre o modelo republicano francês e 
o estadunidense, uma vez que em França o Poder executivo nacional (segundo a tripartição de Montesquieu, 
adotada em ambas nações), ao mesmo tempo Legislativo nacional, concentrava enorme poder de ação 
frente às demais províncias do reino, ausentes de representações políticas locais. 
Na América Latina pós-1825, os debates tocantes à formação política dos novos Estados independentes, 
giraram em torno destas duas concepções de Republicanismo. O modelo bolivariano, de inspiração francesa, 
foi apresentado formalmente às elites criollas em 1826, durante o Congresso do Panamá, onde se reuniram 
representantes da Grã-Colômbia, México, Peru (incluso a Bolívia), as Províncias Unidas da Centro-América e 
Estados Unidos. Não estiveram presentes os representantes das Províncias Unidas do Rio da Prata e do 
Paraguai. 
Bolívar tinha por meta fincar bases para a criação de uma unidade de países hispano-americanos em toda a 
América, cujas relações se dariam em torno da paz e da cooperação pan-americana. Deste modo, o objetivo 
final de Bolívar seria levar à criação de um grande país hispano-americano que pudesse garantir as 
independências recém-conquistadas e fazer frente à hegemonia continental dos Estados Unidos e do Império 
do Brasil, bem como a uma tentativa recolonizadora da região por parte de Espanha e de seus aliados 
europeus. 
Contudo, apesar do êxito momentâneo logrado pelo Congresso, onde se aprovou pautas como a cooperação 
militar mútua (em caso de agressões externas), um efetivo militar máximo a ser atingido pelos diferentes 
países, de modo a evitar a criação de conflitos internos, o estabelecimento de Congressos com a finalidade 
de se debater problemas (ou seja, a opção pela via diplomática ante a militar) e a abolição do tráfico negreiro 
em todo o continente, em pouco tempo os seus ideais se perderam em meio a conflitos e disputas internas. 
Não obstante, a semente de uma cooperação pan-americana com base na igualdade de forças entre as 
nações americanas continuou a germinar em diferentes momentos, assentando-se no pensamento de 
diversos diplomatas latino-americanos ao longo dos séculos XIX e XX. 
O republicanismo, não obstante o fracasso da proposta bolivariana, saiu-se vitorioso em todas as nações 
hispano-americanas. No entanto, a proposta federalista não conseguiu lograr êxito com a mesma facilidade, 
devido, sobretudo, às disputas de interesse existentes entre os criollos de todo o continente. 
Militarismo e Caudilhismo na condução dos novos Estados 
 
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A emancipação política dos novos Estados foi conquistada com base na força militar das elites criollas e de 
parte dos peninsulares com interesses locais. Do mesmo modo, estes mesmos criollos permaneceram à 
frente da hierarquia social, política e econômica de suas nações após as independências, cabendo a eles as 
discussões fundamentais em torno de como seriam os novos países, desde o seu modelo político até a sua 
matriz econômica. 
Do ponto de vista político, as jovens nações logo se viram divididas entre dois grupos de interesses distintos, 
os federalistas e os unitaristas. O primeiro grupo defendia a constituição de Estados baseados na existência 
de governos centrais mínimos, garantidores da autonomia de suas províncias (ou Estados, como no caso da 
Grã-Colômbia). Já o segundo grupo, os unitaristas (ou centralistas, a depender do país), defendiam a 
formação de Estados centralizados em torno de um governo unitário nacional. 
O federalismo era defendido principalmente pelos caudilhos interioranos, cujo poder político e econômicose assentavam no campo, na produção agropecuária e no apadrinhamento das comunidades rurais, por meio 
da manutenção de vínculos de fidelidade e obediência dos camponeses para com os caudilhos. É preciso 
ressaltar, caro estudante, que o caudilhismo deste período, apesar de ter servido de paradigma para os 
caudilhos populistas do século XX, possui algumas diferenças e características essenciais em relação a estes 
últimos. O caudilho original costumava ser um grande proprietário de terras, cujo poder de ação política era 
assentado em suas milícias aヴマ;S;ゲàふ;ノェラàゲキマキノ;ヴà;ラゲàさテ;ェ┌ミNラゲざàミラヴSWゲデキミラゲがàゲWヴ┗キSラヴWゲàSWàゲW┌ゲàIラヴラミYキゲぶくà
Ou seja, o modus operandi do caudilhismo do século XIX se baseava no uso da força e da guerra como forma 
de concretização de seus ideais. O caudilhismo do século XX, por sua vez, não necessariamente se baseava 
na figura do grande proprietário de terra (ainda que muitos tenham sido) ou no uso da força como ação 
política (o que a maior parte, no entanto, o fez), mas sim no uso do personalismo, do carisma pessoal e na 
cooptação da vontade popular como artifícios de manobra política. No século XX, portanto, caudilhismo e 
populismo muitas vezes se confundiram em um só, abarcando a quase totalidade das relações políticas 
praticadas na maior parte da América Latina. 
O unitarismo, por sua vez, foi alavancado por elites criollas (e também caudilhas) mais ligadas às atividades 
mercantis, geralmente localizadas em áreas mais cosmopolitas, próximas ou não aos grandes portos e zonas 
extrativistas que se destacavam ao longo do continente. A atividade mercantil, em ritmo de crescimento 
desde o início do século XIX, cooperou com o enriquecimento destas zonas mercantis/extrativistas e de suas 
elites, e sua concretização se baseava na centralidade de poder em torno das cidades ali presentes, de modo 
a garantir a manutenção da prosperidade local. 
A disputa entre federalismo e unitarismo pelo controle interno das jovens nações latino-americanas não 
obscurantizou uma questão salutar ao desenvolvimento destes países ao longo do século XIX: a marcante 
presença de capitais externos, em especial ingleses, e a consolidação do modelo agroexportador da região. 
Diversos historiadores defenderam que a consolidação de um modelo econômico baseado na exportação de 
matérias-primas básicas em troca da importação de produtos manufaturados britânicos concorreu para um 
さミラ┗ラà ヮ;Iデラà Iラノラミキ;ノざがà ラミSWà ;à ;ミデキェ;à Wà SWI;SWミデWàマWデヴルヮラノWà Wゲヮ;ミエラノ;à aラヴ;à ゲ┌Hゲデキデ┌ケS;à ヮWノ;à ヮ┌テ;ミデWà Wà
マラSWヴミ;àさマWデヴルヮラノWざàHヴキデ>ミキI;くàâàヮ;ヴデWàラゲàSWH;デWゲàエキゲデラヴキラェヴ=aキIラゲà;IWヴI;àSWゲデ;àケ┌Wゲデ?ラがàラàa;デラàYàケ┌Wà;ラà
longo da segunda metade do século XIX as nações latino-americanas se tornaram satélites das economias 
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capitalistas europeias, especialmente a inglesa, o que concorreu para a definitiva consolidação de um 
modelo político centralizador (unitarista) em praticamente todo o continente. 
 
O caso mexicano: da Revolução de Independência até a Revolução Mexicana 
 
Entre 1810 e 1910 o México, país localizado no coração do antigo Vice Reino de Nova Espanha na América 
Central, partindo da Península de Yucatán em direção da América do Norte, vivenciou um dos mais 
turbulentos contextos pós-independência de toda a América Latina. 
Desde as suas guerras de independência, para a qual as questões relativas às desigualdades sociais se 
mostraram bem mais determinantes do que nas demais nações hermanas, o México se viu envolto uma 
longa era de instabilidade política, permeada de governos democráticos e, principalmente, autoritários. 
Inicialmente, cabe mencionar algumas questões de suma importância para o desenrolar da história mexicana 
até a revolução de 1910. Em primeiro lugar, a questão da posse da terra. No início de sua colonização por 
espanhóis, a região mexicana era habitada por uma imensa população indígena, de maioria asteca e maia. O 
processo colonizador, por sua vez, precisou fazer uso de sistemas de trabalho e de organização social 
precedentes aos espanhóis (algo também feito com os incas, conforme já vimos!), de modo a angariar, da 
melhor forma possível, a colaboração da mão-de-obra nativa para os empreendimentos do Império 
espanhol. Uma das instâncias sociais essenciais ao antigo Império Asteca que foram ressignificadas pelos 
espanhóis foram os ejidos, os quais eram grandes porções de terra pública (pertencentes ao imperador 
asteca) de uso coletivo dentre a população asteca. Os espanhóis, de modo a fazer uso destas terras, 
restabeleceu os ejidos sob a figura das encomiendas, por nós já analisadas anteriormente. Todavia os 
esforços dos espanhóis para a utilidade dos ejidos para a estrutura colonial, veremos que entre o fim do 
século XVIII e o início do século XX, por múltiplos motivos, as terras comunais mexicanas foram alvo de 
interesses e disputas por parte das elites criollas locais, e chegaram praticamente a desaparecer, causando 
inúmeras rebeliões indígenas (incluso o próprio estopim da independência). 
Em segundo e último lugar, a questão religiosa é de suma importância para este período da história 
mexicana. Quanto a este ponto, cabe ressaltar a presença marcante da Igreja católica e de seu clero em meio 
à sociedade mexicana (cerne da contrarreforma espanhola na América no início da colonização). Essa 
presença se denotava por meio de uma interação sempre presente entre Igreja e Estado no México (bem 
como em praticamente toda a América Espanhola), relação esta que foi alvo de amplos ataques por parte de 
elites criollas e peninsulares de veio liberal a partir do início do século XIX. É importante lembrarmos, no 
entanto, a heterogeneidade do clero católico mexicano, composto, em sua maior parte, por membros da 
baixa hierarquia (sacerdotes, frades, monges, etc.), os quais, por sua estreita relação com as populações 
indígenas e de mestiços pobres, fizeram-se porta-vozes das causas das camadas mais baixas da sociedade 
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mexicana. Não obstante, muitos membros da alta hierarquia eclesiásticas também se envolveram nas 
revoltas populares daquele contexto. 
O estopim das guerras de independência do México é um exemplo perfeito da sincronia entre as duas 
questões acima colocadas. Em 1810, inserido no contexto político de Cádiz e da prisão de Fernando VII, teve 
início a independência do Vice-Reino de Nova Espanha, inicialmente em nome do rei e contrária à Junta de 
Cádiz. Seu primeiro grande líder foi o Padre Miguel Hidalgo y Costilla, o qual decidira declarar ilegítimo o 
novo governo espanhol e, sobretudo, o seu viés liberalizante, oposto às tradições católicas espanholas. Além 
do debate em torno da ilegitimidade de Cádiz, Pe. Hidalgo também inaugurou os debates em torno da posse 
da terra, sendo o grande opositor às grandes propriedades privadas de terra e à minoria criolla e peninsular 
detentora da maior parte do território mexicano, às custas de expurgos forçados de populações indígenas 
dos centenários ejidos ali existentes. 
Pe. Hidalgo, que já liderara levantes indígenas e populares contra criollos e peninsulares anos antes de 1810, 
começara a articular uma revolução social no México, primeiramente contra as próprias elites locais, em 
seguida contra o próprio governo peninsular. Após o decreto de 1810 de Cádiz, que transferia a soberania 
do reino às Cortes ali reunidas (à revelia das colônias e de suas lideranças), Pe. Hidalgo conclamou a 
ヮラヮ┌ノ;N?ラà<à ェ┌Wヴヴ;à Iラミデヴ;àラà ェラ┗Wヴミラà キノWェケデキマラàSWàEゲヮ;ミエ;àWà <ゲàマ=ゲàWノキデWゲà ノラI;キゲàヮラヴàマWキラàSラà さGヴキデラàSWà
DラノラヴWゲざがàWマキデキSラà;àヮ;ヴデキヴàS;àヮ;ヴルケ┌キ;àSWàDラノラヴWゲàHキSalgo em Guanajuato, em 16 de setembro de 1810, sob 
os gritosde さVキ┗; ; VキヴェWマ SW G┌;S;ノ┌ヮWぁ MラヴデW ;ラ マ;ノ ェラ┗Wヴミラぁ Vキ┗; FWヴミ;ミSラ VIIざ. 
Ao conclame popular, seguiu-se a rápida reunião de populares em torno de Hidalgo, que marcharam rumo, 
a partir de Guanajuato, rumo à Cidade do México, atacando terras privadas e matando peninsulares e 
criollos, bem como seus apoiadores. Após a tomada de Zacatecas, San Luís de Potosí e Valladolid, as tropas 
populares de Hidalgo enfrentaram os primeiros destacamentos militares enviados pelo Vice-Rei para o 
abafamento da revolta. As tropas populares conseguiram se sair vencedoras, no entanto, enfraquecidas pela 
batalha e as perdas, deixaram de rumar à Cidade do México e seguiram para o norte, no atual Texas. Ali, já 
em março de 1811, foram vencidas de forma definitiva e Pe. Hidalgo, após julgamento, foi fuzilado em julho 
e seu corpo mutilado. 
Hidalgo foi substituído pelo também sacerdote José María Morelos y Pavón, responsável pela reorganização 
das tropas populares e pela iniciativa de isolar a Cidade do México do restante das províncias, objetivo 
conquistado por poucos meses, os quais, no entanto, foram muito frutíferos. Morelos, durante o cerco, 
conseguira reunir membros de todas as províncias em torno de um Congresso independente, de onde se 
originou a declaração de independência mexicana, de 6 de novembro de 1813. Ocorre que as tropas 
espanholas (já entendidas como realistas) conseguiram romper o cerco e retomaram boa parte dos 
territórios insurgentes, levando os congressistas e suas tropas a se retirarem para o interior do país, sob a 
liderança do generalíssimo Morelos. Em 1814, Morelos e os demais congressistas aprovaram e juraram a 
constituição nacional, que, no entanto, permaneceria inapta por muitos anos, pois em 1815, após uma 
batalha fracassada contra tropas realistas, Morelos e os congressistas foram presos, e o primeiro também 
fuzilado, assim como Hidalgo. 
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A principal mudança ocorrida durante a liderança de Morelos, não obstante a sua derrota, foi a união de 
grupos de criollos e peninsulares à guerra de independência, que fora desde o seu estopim essencialmente 
popular (e contrária a essas mesmas elites coloniais). A aliança pragmática entre criollos, peninsulares e 
populares permitiu que, mesmo após a morte de Morelos, a guerra atingisse nova estatura, insuflando todo 
o Vice-Reino à guerra entre 1815 e 1821. Emergiram neste contexto as três figuras mais emblemáticas do 
período final da guerra de independência mexicana: os criollos Guadalupe Victoria e Vicente Guerrero, com 
o acréscimo, mais tarde, de Agustín de Iturbide. 
Victoria e Guerrero lideraram não guerras abertas, como até então fora feito, mas sim guerras de guerrilhas 
e localizações estratégicas, uma vez que as tropas populares se encontravam sensivelmente diminuídas e 
enfraquecidas, sobretudo após muitos populares aceitarem o indulto concedido pelo Vice-Rei Juan Ruíz. 
Certo da vitória realista, Juan enviou para derrotar, de forma definitiva, aos dois líderes independentistas o 
também criollo e fiel súdito de Sua majestade, Agustín de Iturbide. Caudilho astuto e católico fervoroso, 
Iturbide combatera todos os líderes revolucionários desde 1810, vencendo e matando muitos destes. No 
entanto, guardava (ou projetou) internamente o desejo de colaborar com a formação de um México 
independente, onde pudesse ter maior ascensão social e política. Seu ímpeto somente emergiu quando das 
primeiras batalhas travadas contra as tropas de Victoria e Guerrero, entre 1820 e 1821. Seu envio à frente 
de batalha coincidiu com o golpe de Estado liberal em Espanha, o qual forçou Fernando VII a aceitar a 
Constituição de 1812 e a se retirar do poder (na prática, o rei fora aprisionado pelos liberais até 1823, ano 
de sua reação). Iturbide percebeu que este seria o momento ideal para a derrocada das forças realistas, que 
já se encontravam com a vitória definitiva praticamente em mãos. Ele e os outros dois caudilhos 
revolucionários se encontraram em campo de batalha e firmaram um pacto de ajuda mútua, que daria 
ラヴキェWマà;ラàさP;IデラàSWàIェ┌;ノ;ざがàaキヴマ;SラàヮWノラゲàデヴZゲàWマàヲヴàSWàaW┗WヴWキヴラàSWàヱΒヲヱく 
O Pacto de Iguala determinava que o novo país seria regido por um monarca oriundo, prioritariamente, de 
alguma casa dinástica europeia ou, em última instância, dentre os próprios criollos mexicanos. Além disto, 
firmava que criollos e peninsulares tornar-se-iam iguais em direitos sob a nova constituição (o que não 
significava iguais ao restante da população) e que as suas terras permaneceriam privadas. Ainda, a religião 
católica continuaria sendo a fé oficial do Estado mexicano. Satisfeitas as lideranças, Iturbide tornou-se então 
o líder do exército revolucionário (engrossado por populares convocados em todas as províncias), chamado 
SWàさE┝YヴIキデラàS;ゲàTヴZゲàG;ヴ;ミデキ;ゲざがàWà;àゲ┌;àaヴWミデWàマ;ヴIエラ┌à;デYà;àCキS;SWàSラàMY┝キIラがàラミSWàaラヴNラ┌à;à;HSキI;N?ラà
do Vice-RWキがàケ┌Wがà;ミデWゲàSWàゲ┌;àヴWデキヴ;S;がà;ゲゲキミラ┌àIラマàIデ┌ヴHキSWàラàさTヴ;デ;SラàSWàCルヴSラH;ざがàヮWノラàケ┌;ノàゲWàヴWIラミエWIキ;à
a independência do México. O Pacto de Iguala, por conta de suas brechas, permitia que algum criollo 
reivindicasse o trono do novo país, o que fora feito, por meios militares, pelo próprio Iturbide, o qual forçou 
o Congresso constituinte, a partir de ameaças, a reconhecê-lo como rei, o que veio a acontecer em 19 de 
maio de 1822. Iturbide foi coroado como Agustín I, sob o título de Imperador do México. 
Agustín I reinou, no entanto, por apenas 10 meses. Entre o fim de 1822 e o início de 1823, alguns grupos 
republicanos contrários ao regime monárquico instituído, sob a liderança de Guadalupe Victoria, passaram 
a tramar um golpe de Estado. A trama somente conseguiu se sair vitoriosa graças ao apoio do general e 
caudilho Antonio López de Santa Anna (ou simplesmente Sant´Anna), que firmara um acordo com Victoria, 
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Iエ;マ;SラàSWàさP;IデラàSWàVWヴ;Iヴ┌┣ざがàW┝キェキミSラà;àヴW;HWヴデ┌ヴ;àSラàCラミェヴWゲゲラàマW┝キI;ミラがàケ┌Wàaラヴ;àaWIエ;SラàヮWノラàヴWキà
após a sua coroação. Poucos meses depois, em março de 1823, Sant´Anna angariou do rei a sua abdicação. 
Com a abdicação de Agustín I, o México se transformou em uma República de inspiração liberal e anticlerical. 
Sant´Anna se tornou o mais importante expoente político do período 1823-1855, caracterizando-se como 
um caudilho forte e autoritário, que soube fazer uso da fraudulenta máquina eleitoral republicana para se 
perpetuar no poder, ainda que não de modo constante, mas sim alternado a outros políticos por ele 
apadrinhados. Sant´Anna se tornou presidente da República mexicana primeiro em 1833, e depois por mais 
dez vezes foi eleito presidente, provisório ou efetivo, em intervalos de tempo muito curtos. Apesar de 
autoritário, Sant´Anna foi o grande responsável pela estruturação do exército profissional mexicano pela 
tentativa de modernização da economia do país, por meio da atração de estímulos estatais e de 
investimentos externos, principalmente no setor ferroviário e agrário. Não obstante, também a ele se credita 
a perda do Texas e de territórios limítrofes na desastrosa guerra mexicano-americana de 1846-1848, que 
levou à perda de quase metade do território original do México. 
A crescente insatisfação dos caudilhos mexicanos aos governos de Sant´Anna foi materializada por Benito 
Juarez, caudilho aliado dos liberais mexicanos. Juarez derrubou Sant´Anna em 1855 e assumiu 
provisoriamente o governo até 1857, promovendo durante este período reformas liberais radicais, de forte 
cunho anticlerical e positivista. Instituiu-se a educação secularizada e a tentativa de conversão dos ejidos 
existentes em pequenas propriedades privadas voltadas aos indígenas e mestiços,iniciativa que foi, no 
entanto, fracassada pelo tempo. Todas estas reformas foram instituídas pela Constituição liberal de 1857, 
que despertou, sobretudo por suas posições anticlericais, a reação dos grupos conservadores católicos, 
despertando uma guerra civil que durou mais de três anos, sendo finalizada com a vitória de Juarez e dos 
liberais em 1861. 
Juarez voltou à presidência mexicana, cargo que ocupou por apenas um ano. Em 1862, devido às constantes 
guerras travadas em solo mexicano, a economia do país se viu solapada, evitando, portanto, o pagamento 
da dívida externa mexicana com os credores franceses, ingleses e espanhóis. Napoleão III, em sua desastrosa 
política de hegemonia francesa no continente americano (algo que buscava atender os seus interesses frente 
à Grã-Bretanha e sua liderança global), invadiu o México em 1862 com o apoio de opositores de Juarez. 
Conseguiu que o príncipe Maximiliano de Habsburgo, irmão do Imperador Fernando José I da Áustria e primo 
de D. Pedro II do Brasil, aceitasse assumir a coroa do Império mexicano restaurado. Deste modo, Napoleão 
buscava tornar o México um território satélite dos interesses franceses no coração da América (e ao lado dos 
Estados Unidos). Tornou Maximiliano I, Imperador do México. 
Maximiliano I reinou com grandes dificuldades e com pouca lealdade local entre 1864 e 1867, ano em que 
Benito Juarez, com o apoio militar dos estadunidenses, liderou uma revolta liberal contra Maximiliano I (ele 
próprio um rei de inspiração liberal), o qual se encontrava apoiado por apenas algumas poucas tropas 
francesas, visto que a maior parte dos soldados franceses já havia retornado à Europa para fortificar o 
exército francês em suas dificuldades. O golpe definitivo foi dado em 1867, com o cerco de Santiago de 
Querétaro, onde Maximiliano foi capturado junto com seus generais e fuzilado. Juarez retornou ao poder, 
restaurou a República e governou até 1872, ano de sua morte. Entre 1872 e 1876, o México foi novamente 
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assolado por uma guerra civil, que levou ao poder o caudilho Porfírio Diaz, que governaria de forma quase 
absoluta entre 1876 e 1910, período em que se afastou do poder somente entre 1880-1884, durante a 
presidência de Manuel González. 
O período de primado das ideias de Porfírio Diaz ficou conhecido como Porfiriato, e se marcou pelo 
restabelecimento das boas relações institucionais do Estado mexicano com a Igreja Católica, pela 
modernização econômica e infra estrutural do país e pela manutenção de boas relações diplomáticas com 
outras nações, incl┌ゲラàIラマàラゲàEゲデ;SラゲàUミキSラゲがàヮ;ヴ;àラàケ┌;ノàDキ;┣àデWヴキ;àSWSキI;Sラà;àa;マラゲ;àaヴ;ゲWàさPobre México. 
Tan lejos de Dios, tan cerca de Estados Unidosざ3. O Porfiriato foi, portanto, um período de inserção 
internacional do México como potência agroexportadora, sob a égide de um governo autoritário, o qual 
perseguia seus opositores de modo a manter a sua hegemonia por meio de eleições fraudulentas (algo 
também observado em quase toda a América Latina no mesmo contexto, à exceção honrosa do Brasil até 
1889). 
A concentração de terras, e o subsequente aumento da pobreza no campo, aumentou durante os anos do 
Porfiriato, aguçando o sentimento anti-porfirista entre os setores populares. Não bastasse, também entre as 
elites liberais, destronadas após a ascensão de Porfirio Diaz ao poder, cresceram em insatisfação contra os 
atos do governo, sobretudo no tocante à restauração das boas relações com a Igreja Católica e ao modo 
como ele lidava com a oposição política ao seu governo. 
Em 1910, Porfírio Díaz voltou a se candidatar à presidência mexicana, pleito no qual se saíra, novamente por 
meio de fraudes, corrupção e aprisionamento de seu principal rival eleitoral, Francisco Madero, vencedor. 
Madero, logo após a vitória de Díaz, conseguiu fugir da prisão e se exilar nos Estados Unidos, de onde criou, 
com o apoio de outros opositores do porfirismo dentro do México, o Plano de San Luis, que convocava o 
povo a pegar em armas contra a ditadura de Díaz. Iniciava-se a Revolução Mexicana. 
O conflito arquitetado por Madero logo tomou todo o norte do México, para onde ele se dirigiu com o apoio 
militar norte-americano. Do norte, as tropas revolucionárias se dirigiram para o sul, rumo à Ciudad Juárez 
(atual Chihuahua), onde enfrentaram as tropas porfiristas, derrotando-as após uma sangrenta batalha. 
Percebendo a animosidade de seus opositores, Porfírio Díaz se convenceu de que uma invasão à capital seria 
inevitável, terminado por renunciar ao governo e buscar asilo político na França. 
Francisco Madero foi eleito para a presidência em 1911, porém, a falta de ação em favor de reformas 
profundas na sociedade mexicana (causa que animara a população mais pobre contra Díaz) levou à 
reinstalação da revolução contra o seu governo. Os principais líderes desta revolta foram Emiliano Zapata 
(líder popular e membro de uma família de rancheros pobres da região de Morelos) e Pascual Orozco (rico 
investidor extrativista originário de uma família de hacienderos da região de Guerrero e radical opositor do 
porfirismo). 
 
3 Tradução livre: “Pobre México. Tão longe de Deus, tão perto dos Estados Unidos”. 
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Zapata era o que mais se destacava dentre os revolucionários. Rígido em seus ideais, não aceitara 
desmobilizar suas tropas (como outros fizeram) após a saída de Díaz e o estabelecimento do interinato de 
León de la Barra. Do mesmo modo, recusou-se a desarmar seu exército de camponeses após a eleição de 
Madero e de seu pedido para a desmobilização das tropas zapatistas, ao menos enquanto não se cumprisse 
o que fora prometido no Tratado de Ciudad Juárez em relação a uma reforma agrária que democratizasse o 
uso da terra. 
Após rejeitar as exigências de Zapata, Madero convocou o general Felipe Ángeles para acabar com o exército 
zapatista, ato que levou Zapata a firmar o Plano de Ayala (pois fora firmado em Villa de Ayala), onde acusava 
Madero de tirania e conluio com os inimigos da revolução, e negava a legitimidade de seu governo. O Plano 
キミSキI;┗;àOヴラ┣IラàIラマラàさCエWaWàS;àRW┗ラノ┌N?ラざàWà);ヮ;デ;àIラマラàゲW┌àHヴ;NラàSキヴWキデラく 
Madero convocou Victoriano Huerta para sufocar a rebelião convocada por Orozco com apoio de Zapata e 
Pancho Villa, e no fim se saiu vitorioso, derrotando as tropas de Villa e levando-o a fugir rumo os Estados 
Unidos. No entanto, a vitória de Huerta o elevou ao nível de herói nacional entre as classes médias e altas, o 
que lhe levou a tramar contra Madero. Em fevereiro de 1912, com o apoio de generais maderistas cooptados 
para a causa, confirmou-se o golpe de Estado que pôs fim ao governo de Madero, que viria a ser assassinado 
a caminho do presídio federal, e ficou conhecido como Decena Trágica. 
Victoriano Huerta impôs uma nova ditadura ao país, cujas características muito o assemelhava ao 
さPラヴaキヴキ;デラざくàáàマWデ;àIWミデヴ;ノàSWàH┌Wヴデ;àaラキàラàaキマàS;àRW┗ラノ┌N?ラがàWがàヮ;ヴ;àデ;ミデラがàH┌ゲIラ┌à;àヴW┌ミキヴàマWマHヴラゲàSWà
todas as facções revolucionárias em um armistício. Não obstante, diante da oposição declarada apresentada 
pelos congressistas ao seu governo, Huerta dissolveu o Congresso e assumiu poderes extraordinários, 
tornando-se, em suma, um ditador. Entretanto, Huerta conseguiu o apoio de Orozco, a despeito da negativa 
de Zapata a um armistício. 
Desconhecendo o regime huertista, Zapata e Francisco Villa, aliados a Venustiano Carranza, governador de 
Coahuila, consolidaram-se em torno do Plano de Guadalupe, pelo qual desconheciam os Três poderes da 
aWSWヴ;N?ラà Wà Iヴキ;┗;マà ┌マà E┝YヴIキデラà Cラミゲデキデ┌Iキラミ;ノキゲデ;がà I┌テラà ラHテWデキ┗ラà ゲWヴキ;à

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