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Aula 07
História Mundial p/ CACD 2018 (Primeira Fase)
Diogo D´angelo, Pedro Henrique Soares Santos
18888189807 - Caio Danilo Sales
Pヴラaく Dキラェラ Dげ;ミェWノラ W Pedro Soares 
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Os Estados Unidos: da colonização à guerra de secessão 
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Sumário 
Apresentação .................................................................................................................... 2 
As 13 colônias inglesas ....................................................................................................... 3 
O processo de Independência ............................................................................................ 7 
Os conflitos entre colônias e metrópole ......................................................................................................... 7 
A separação, a guerra revolucionária e conceitos relevantes ..................................................................... 10 
Cria-se uma nova nação ................................................................................................... 12 
O modelo político ......................................................................................................................................... 12 
A nova guerra de independência e a expansão para o Oeste ...................................................................... 14 
Guerra civil, de secessão ou guerra de agressão do Norte? ........................................................................ 18 
Exercícios ......................................................................................................................... 22 
Exercícios apresentados ................................................................................................... 26 
 
 
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Apresentação 
Saudações caro aluno! 
Nesta semana apresentamos a você mais uma aula de nosso curso de história mundial! Viemos até aqui 
abordando os desenvolvimentos políticos e internacionais da Europa, desde a Revolução inglesa até o 
colapso do sistema montado no pós-Revolução Francesa no Velho Mundo a partir da guerra da Crimeia e 
com as unificações italiana e alemã. 
Daremos agora uma guinada para o continente americano, iniciando pela história de nosso vizinho do norte, 
os Estados Unidos. Nesta aula veremos desde a colonização das terras das 13 colônias até a guerra de 
secessão entre União e Confederação. 
A colonização do continente norte-americano não foi um tema abordado nas provas do CACD até agora, mas 
é importante conhecê-la para compreendermos a independência e os desenrolar da política norte-americana 
no século XIX, temas esses que mais recentemente apareceram na prova. 
Sigamos então adiante a desbravar um novo conteúdo! 
 
 
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As 13 colônias inglesas 
 
Para melhor compreendermos o movimento de colonização da Inglaterra no Novo Mundo, faz-se necessário 
entendermos a história inglesa e o que lá ocorria, tal como devemos estudar a história portuguesa 
previamente à colonização da América do Sul. 
Comparativamente aos países ibéricos, a Inglaterra, tanto quanto a França, ficara para trás na corrida colonial 
empreendida por portugueses e espanhóis. A historiografia mais clássica に que tem embasado a prova do 
concurso に fornece uma explicação relativamente simples para o sucesso ibérico e o fracasso inglês/francês: 
a fraqueza do poder real e o dispêndio de recursos em outras áreas no continente. 
O que explica essa suposta fraqueza do poder real? No caso inglês, temos guerras e instabilidades contínuas 
desde o século XIV até o século XVI. De maneira mais clara, temos a guerra dos Cem Anos (1337-1453) 
enfrentada contra a França に da qual a Inglaterra saiu derrotada に, seguida por instabilidades religiosas 
causadas pelos lolardos (movimento contestador da interpretação e autoridade católicas que tomou o reino 
no século XIV), passando pela guerra civil entre a casa de Lancaster e York, a chamada guerra das rosas (1455-
1485), e, por fim, os graves conflitos religiosos advindos da reforma anglicana do século XVI. 
Para alguns historiadores e estudiosos, a dinastia dos Tudor に da qual falamos na primeira aula に tendo 
subido ao poder num país cansado e desestruturado após décadas de conflitos internos e externos, teria sido 
capaz de concentrar mais o poder político em suas mãos. Isso, no entanto, não levou ao movimento de 
colonização imediatamente das terras americanas. Somente após a Reforma e o com o crescente 
さ;Hゲラノ┌デキゲマラざàSラàヴWキàYàケ┌Wà;àWマヮヴWゲ;àIラノラミキ;ノàゲWヴキ;àキミキIキ;S;àヮWノラàヴWキミラàキミゲ┌ノ;ヴく 
Enquanto espanhóis e portugueses já estavam no caminho de estabelecer feitorias e colônias, a Coroa inglesa 
lutava por se afirmar dentro de seu país. Quando conseguiu, faltavam-lhe os recursos humanos e financeiros 
para colonizar o novo mundo. Elizabeth I, a última dos Tudor, incentivou, assim os corsários ingleses para 
caçar os galeões espanhóis cheios de ouro das Américas. 
Na ausência de capital para conduzir os avanços sobre o novo continente, os ingleses decidiram ir por outra 
via, o do fornecimento de cartas de concessão de terras, de maneira muito similar ao que os portugueses 
fizeram com as chamadas capitanias hereditárias. No caso específico, a rainha Elizabeth concedeu permissão 
a sir Walter Raleight para fundar colônias na América: 
Walter Raleight poderá apropriar-se de todo o solo dessas terras, territórios e regiões 
por descobrir e possuir, como antes se disse, assim como todas as cidades castelos, 
vilas e vilarejos e demais lugares dos mesmos, com os direitos, regalias, franquias e 
jurisdições tanto marítimas como outras, nas ditas terras ou regiões ou mares 
adjuntos, para utilizá-los com plenos poderes, para dispor deles, em todo ou em 
parte, livremente ou de outro modo, de acordo com os ordenamentos das leis da 
Inglaterra [...] reservando sempre para nós, nossos herdeiros e sucessores, para 
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anteder qualquer serviço, tarefa ou necessidade, a quinta parte de todo o mineral, 
ouro ou prata que venha se obter lá (25 de março de 1585). 1 
Sir William estabeleceu às terras americanas, às quais chamou de Virgínia em homenagem à Elizabeth, 
IラミエWIキS;à Iラマラà さヴ;キミエ;à ┗キヴェWマざくà Sua tentativa de montar povoamentos fracassou diante da resistência 
indígena, de doenças e da fome. Fracassado o experimento de William, não houve outra tentativa de 
colonização até o início do século XVII. 
Sob o domínio dos Stuarts, tendo passado os perigos políticos mais imediatos à Inglaterra に como a tentativa 
de invasão espanhola e as várias tentativas de assassinato de Elizabeth に novo esforço colonizador foi 
colocado em prática. Dessa vez, no entanto, provavelmente inspirado pelos holandeses, a colonização foi 
entregue a duas empresas: a companhia de Londres e de Plymouth. A primeira recebeu a exploração das 
entre o cabo Fear e Nova York, a segunda, a região entre a Flórida atual e o rio Potomac. 
Novamente, a colonização não seria de muito sucesso. As duas empresas entraram em colapso econômico 
em 1624 (Companhia de Londres) e em 1635 (Companhia de Plymouth). 
Observem que os problemas iniciais da colonização inglesa foram muito grandes, se compararmos com o 
sucesso dos países ibéricos. Mesmo assim, as tentativas não cessaram no século XVII e aos poucos, o núcleos 
de povoamento que foram sendo criados ao longo dessas tentativas de estabelecimento na América foram 
crescendo.Isto deve-se, em parte, ao contínuo esforço da Coroa em entrar na disputa colonial, mas também 
pelo crescimento da população na Inglaterra e pelas perseguições religiosas na metrópole. 
Ao contrário do que ocorria com o pequeno reino de Portugal, a Inglaterra passava já por problemas de 
crescimento demográfico. Tal como falamos na primeira aula, o problema dos cercamentos foi levando a um 
IヴWゲIキマWミデラàSWàヮラHヴWゲàミ;ゲàさェヴ;ミSWゲざàIキS;SWゲàキミェノWゲ;ゲがàヮ;ヴデキI┌ノ;ヴマWミデWàLラミSヴWゲくàEゲゲ;àマ;ゲゲ;àSWàI;マヮラミWゲWゲà
sem terra e outros grupos indigentes era visto como potencialmente explosiva na metrópole に como também 
seria, se não pior, no século XIX. Esse conjunto de pessoas seria aproveitada pela companhias e pela Coroa 
para iniciar a colonização da América. Resolvia-se, assim, dois problemas para o governo inglês. 
Por outro lado, um grupo de pessoas que migraria para o Novo Mundo neste contexto seria o de protestantes 
puritanos que se recusavam a aceitar os preceitos da Igreja Anglicana, a oficial da Inglaterra. Perseguidos 
pela não-conformidade com os princípios anglicanos, juntaram-se e partiram para a América, para lá 
formarem uma nova sociedade baseada em seu credo. É a famosa viagem do Mayflower, o navio que levou 
ラゲàさヮ;キゲàヮヴラデWゲデ;ミデWゲざàヮ;ヴ;àラゲàEゲデ;SラゲàUミキSラゲく 
Embora nos soe bastante comum e prosaico dizer que os Estados Unidos foram formados por protestantes 
brancos puros に numa contraposição ao que teria sido o começo da colonização da América do Sul, com 
degredados e prisioneiros に eles compunham somente um dos vários grupos que migrou para a América. 
Somente após a independência, na luta pela afirmação de uma nacionalidade própria, é que os estudiosos 
;マWヴキI;ミラゲàキヴキ;マà┗ラノデ;ヴà;ラàヮ;ゲゲ;SラàWàWノWミI;ヴàWゲゲWàェヴ┌ヮラàSWàヮヴラデWゲデ;ミデWゲàIラマラàラゲàさ┗WヴS;SWキヴラゲà;マWヴキI;ミラゲざà
ラ┌à;àさヴ;キ┣ざàSラàミラ┗ラàヮ;ケゲくàEマàヴW;ノキS;SWがàデ;ミデラàケ┌;ミデラàミ;àáマYヴキI;àキHYヴキI;がàェWミデWàSWàデラS;àWゲデキヴヮWàマキェヴラu para 
a América do Norte em busca de novas oportunidades に ou uma vida longe da guerra に que não encontravam 
na Inglaterra. 
 
1 Apud KARNAL, Leandro. História dos Estados Unidos. São Paulo: Editora Contexto, p.40. 
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Neste tópico é interessante introduzirmos alguns aspectos da socidade e da economia das 13 colônias 
inglesas, que foram sendo formadas ao longo do século XVII e XVIII. 
 
 
Nome Fundada por Ano 
Virgínia 
Companhia de 
Londres 
1607 
New Hampshire Companhia de 
Londres 
1623 
Massachussets 
(Plymouth) 
John Mason e outros 
puritanos 
1620-1630 
Maryland Lord Baltimore 1634 
Connecticut Emigrantes de Mass 1635 
Rhode Island Roger Williams 1636 
Carolina do Norte Emigrantes da Virgínia 1653 
Nova York Holandeses 1613 
Nova Jersey Barkeley Carteret 1664 
Carolina do Sul Nobres ingleses 1670 
Pensilvânia William Penn 1681 
Delaware Suecos 1638 
Geórgia George Oglethorpe 1733 
De maneira geral, podemos dividir as 13 colônias em dois grandes conjuntos que possuíam características 
diferentes: colônias do sul e colônias do norte. As colônias do sul possuíam uma geografia apropriada para o 
cultivo do solo para culturas que se popularizavam na Europa, como o tabaco e, posteriormente, o algodão. 
A produção foi organizada em plantations, isto é, grandes propriedades com mão-de-obra servil/escrava 
(houve inicialmente na colonização o uso de servos brancos vindos da Europa) com produtos voltados ao 
exterior, importando, por sua vez, produtos manufaturados/industrializados. Pela necessidade intrínseca da 
venda de matérias-prima para o Velho continente, os produtores sulistas estavam mais ligados à metrópole 
por laços comerciais e seriam reticentes a medidas protecionistas, primando pela livre circulação de bens. 
As colônias do norte, no entanto, tinham clima e solo mais parecidos com aqueles da Europa, não 
possibilitando a produção agrícola diferente da do velho mundo. A atividade econômica do norte foi fundada 
sobre a produção de peles, inicialmente, e depois pela policultura de subsistência baseada em pequenas 
propriedades, no comércio e na produção manufatureira. A atividade fabril foi iniciada com a produção de 
têxteis e foi se diversificando durante o período colonial. Ponto significativo também foi o chamado comércio 
triangular, conforme nos explica Karnal: 
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O comércio triangular pode ser descrio, simplificadamente, como a compra de cana e melado 
das Antilhas, que seriam transformados em rum. A bebida obtinha fáceis mercados na África, 
para onde era levada por navios da Nova Inglaterra e trocada, usualmente, por escravos. Esses 
escravos eram levados para serem vendidos nas fazendas das Antilhas ou nas colônias do sul. 
Após a venda, os navios voltavam para a Nova Inglaterra com mais melado e cada para a 
produção de rum. Era um atividade altamente lucrativa, entre outros motivos por garantir que 
o navio sempre estivesse carregado de produtos para vender em outro lugar.2 
 
Essas diferenças entre as colônias do norte e do sul irão, depois de feita a independênia, somente aumentar, 
criando tensões que explodiriam posteriormente com a guerra civil. 
Em termos sociais, as trezes colônias inglesas foram marcadas por profundo zelo religioso cristão に cabe aqui 
ノWマHヴ;ヴàケ┌WàラàWヮキゲルSキラàS;ゲàさHヴ┌┝;ゲàSWà“;ノWマざàラIラヴヴW┌àミ;ゲàIラノレミキ;ゲàキミェノWゲ;ゲàヮヴラデWゲデ;ミデWゲくàáヮWゲ;ヴàSラàデWヴマラà
┌ミキaキI;SラヴàさIヴキゲデ?ラざがàエ;┗キ;àマ┌キデ;ゲàWàSキaWヴWミデWゲàSWミラマキミ;NロWゲàヴWノキェキラゲ;ゲàミ;àáマYヴキI;àSWゲデWàヮWヴケラSラがàSWミデヴWà
anglicanos, quakers, anabatistas, católicos (poucos), luteranos, calvinistas, dentre outros. Essa multiplicidade 
de profissões de fé é considerada por muitos historiadores como uma das razões da maior tolerância religiosa 
que existia no novo mundo anglo-saxão do que nas metrópoles europeias no mesmo período. 
O impulso protestante para a leitura da Bíblia seria um dos motivos pelos quais o letramento das crianças 
seria levado bastante a sério pelas autoridades e lideranças religiosas coloniais. Assim, várias escolas e 
universidades foram fundadas com o objetivo de dar condições aos colonos de lerem a Sagrada Escritura. 
Essa afirmação não pode nos confundir sobre a inexistência de instituições do mesmo tipo na América 
católica ibérica. A diferença reside no maior número na América do Norte. 
Dado o surgimento de muitas dessas colônias como movimento espontâneo de migrantes fugidos da Europa 
e a relativa incapacidade da Coroa inglesa de dirigir a empresa colonial, as relações colônia-metrópole eram 
relativamente tranquilas, com poucos atritos entre os ingleses da América e os ingleses da Europa. A situação 
viria mudar quando, fortalecido o governo inglês após os problemas internos e ameças externas, a metrópole 
buscou controlar mais a situação na América e procurou explorar os colonos como não havia feito antes. 
Uma série de medidas protecionsitas e de maior controle da metrópole sobre as colônias resultaria na guerra 
de independência dos Estados Unidos da América. 
 
 
2 KARNAL, Leandro. História dos Estados Unidos. São Paulo: Editora Contexto, p. 56. 
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O processo de Independência 
Os conflitos entre colônias e metrópole 
As treze colônias britânicas cresceram muito rapidamente durante os aproximadamente dois séculos de 
colonização. Em 1700, a população girava em torno de 250 mil pessoas, passando a pouco mais de 2,5 
milhões durante o período da independência concentrada na costa leste (para se ter ideia, oImpério faria 
sua independência em 1822 com pouco mais de 4 milhõe de habitantes espalhados pelo imenso território). 
Como dissemos acima, a Inglaterra não mantinha sobre esses colonos um rígido controle, e isso porque não 
era capaz ainda de direcionar suas forças para tanto. A situação se alteraria ao longo do século XVIII, com o 
fortalecimento militar e econômico da metrópole. 
Para compreendermos bem o movimento de independência, faz-se necessário abordar alguns eventos e a 
medidas tomadas pela Inglaterra que foram aumentando as tensões entre os colonos e o governo inglês. 
Leandro Karnal elenca alguns conflitos desencadeados na Europa que levaria a crescentes problemas entre 
as duas partes destacadas.3 A primeira seria a guerra contra a França no fim do século XVII após a subida de 
Guilherme III ao poder na chamada revolução Gloriosa. Recorde-se que falamos na primeira aula que depois 
da coroação de Guilherme, a Inglaterra declararia guerra a sua rival. Essa guerra teve seu principal teatro de 
guerra no Velho Mundo, mas também se desenrolaria na América. Lá, os principais combatentes seriam os 
colonos americanos, que tomaram pontos importantes das possessões coloniais francesas. Finda a guerra, 
as conquistas americanas seriam entregues de volta aos franceses, desconsiderando os interesses (e o 
esforço) dos colonos. 
O conflito seguinte deveu-se a sucessão do trono espanhol em 1703. O rei espanhol Carlos II morreu sem 
herdeiros. Duas casas reais se viram, então, com possibilidades de colocar seus familiares no trono espanhol: 
os Habsburgo austríacos e os Bourbon franceses. Para evitar uma hegemonia francesa no continente, a 
Inglaterra decidiu apoiar os austríacos e evitar qualquer tipo de união pessoal entre franceses e espanhóis. 
Mais uma vez, as Américas se viram em combate por questões europeias. Os exércitos coloniais foram 
mobilizados e tropas inglesas foram enviadas para as colônias. Desta vez o inimigo era mais forte, pois se 
lutava contra franceses e seus aliados indígenas ao norte e espanhóis ao sul. A guerra terminaria 1713 com 
a vitória dos franceses na Europa, colocando um Bourbon no trono espanhol, mas com mudanças na América 
do Norte, com a Inglaterra aumentando seu controle sobre a baía do rio Hudson e adquirindo outros 
territórios. 
 
3 Idem, p. 71-74. 
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Em meados do século, outro conflito de grande escala no velho mundo tragaria a América: a guerra de 
sucessão austríaca (1740-1748). Neste caso, a rainha Maria Teresa de Habsburgo era a única herdeira de seu 
pai, Carlos VI. A França negava sua legitimidade, afirmando que uma mulher não poderia estar a frente do 
trono austríaco e do Sacro-Império. Assim, iniciou-se um conflito que novamente colocaria as principais 
potências rivais em campos opostos. Mais uma vez, a Inglaterra se opôs à França, levando suas colônias ao 
mesmo. A guerra não mudaria muito a geografia política americana, mas causou muito desgaste aos 
colonos.4 
Pouco tempo depois, a maior guerra europeia até então eclodiria, a chamada Guerra dos Sete Anos (1756-
1763). Fruto de muitas disputas entre as potências europeias, a guerra dos sete anos ocorreu em vários locais 
do mundo, envolvendo fortemente todas as colônias europeias. Para além do continente europeu, um dos 
mais importantes teatros de guerra foi a América do Norte, onde ocorreram grandes embates entre 
franceses e ingleses/colonos. 
Nessa investida contra os franceses na América, os ingleses enviaram muitas tropas para as treze colônias, 
aumentando sua presença militar a um nível nunca antes experimentado pelos colonos. O desfecho da 
guerra foi favorável aos ingleses, que conseguiram tomar todas as posses francesas na América, afastando, 
definitivamente a ameaça de invasão das colônias britânicas. 
O fim da guerra trouxe uma nova realidade para as possessões coloniais americanas da Inglaterra. Depois de 
derrotada a França, o Parlamento inglês decidiu manter um exército regular em suas colônias que deveria 
ser custeado por essas últimas. Essa situação já mostrava o intento inglês de manter maior domínio sobre 
seus colonos e o alto custo de manutenção dessa força militar muito desagradou a elite colonial. 
Esses muitos conflitos dos quais falamos rapidamente aqui acabaram por aumentar bastante as tensões 
entre o governo inglês e os elementos coloniais, particularmente a elite produtora e comercial, que se via 
diretamente atingida pelo envolvimento inglês em tantas guerras. Finda a guerra dos sete anos, o novo 
direcionamento da política inglesa faria com que os colonos fossem, progressivamente, tomando consciência 
de seus interesses em contraposição aos interesses britânicos. 
Como dito, os problemas agravaram quando o Reino Unido decidiu tomar maior controle sobre as colônias. 
A partir de 1750, o governo britânico emitiu uma série de leis que antagonizavam diretamente com os 
colonos. Vamos falar sobre algumas delas. 
A primeira foi o Sugar Act de 1764, que previa uma redução nos impostos sobre o melaço, mas aumentava 
as taxas sobre açúcar, o vinho, artigos de luxo, roupas brancas, café e seda de outros locais que não colônias 
inglesas. Essa medida tinha por objetivo resguardar os interesses dos produtores de açúcar das Antilhas 
 
4 Ao fim da guerra, Maria Teresa se manteria no trono austríaco, apesar de ser obrigada a ceder partes de seu território 
para a Prússia. 
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britânicas. No entanto, isso ia contra os interesses daqueles diretamente envolvidos no comércio triangular, 
que buscavam comprar onde fosse mais barato e nem sempre era o caso de uma colônia inglesa. 
Houve reações imediatas ao Sugar Act, com panfletos e boicotes a produtos ingleses. John Otis, um colono, 
IエWェラ┌à;àヮ┌HノキI;ヴà┌マ;àラHヴ;àWマàケ┌Wà;aキヴマ;┗;àケ┌Wàさデ;┝;N?ラàゲWマàヴWヮヴWゲWミデ;N?ラàYàキノWェ;ノざくàOàヮヴキミIケヮキラàW┝ヮヴWゲゲラà
por Otis seria um dos grandes lemas do período e significava que toda forma de cobrança de impostos sobre 
as colônias era ilegal frente a tradição inglesa já que eles não tinham elegido nenhum membro da Câmara 
dos Comuns, isto é, não tinham representantes eleitos. 
No mesmo ano, foram emitidas duas outras leis, a Lei da Moeda e a Lei da Hospedagem. A primeira proibia 
a emissão de papéis de crédito na colônia, o que era comum até então. Esse ato retirava grande autonomia 
econômica das maõs dos colonos. A segunda, por sua vez, discriminava como os colonos deveriam abrigar 
os soldados da Inglaterra em suas casas e forncer-lhes alimento. Seu objetivo era diminuir os custos militares 
com a manutenção dessas forças na América. 
No ano seguinte, em 1765, foi aprovada a lei do Selo. Esta previa que todos os jornais, cartazes e documentos 
públicos deveriam ser taxados por meio de selos. Desta vez, a resistência foi muito grande. Casa foram 
invadidas e membros do governo, agredidos. Realizaram-se mais um vez boicotes aos produtos ingleses, 
causando um prejuízo aproximado de 600 mil libras em 1765. Além disso, membros da elite colonial 
convocaram o Congresso da Lei do Selo em Nova York. O fruto de seu encontro foi a elaboração da 
Declaração dos Direitos e Reivindicações, em que pediam para o rei Jorge III os mesmos direitos que os 
ingleses da metrópole, mais uma vez trazendo a proposta de representação política, e a abolição da lei do 
selo. Pressionado, o Parlamento aboliu a lei. 
Em 1767, após a formação de um novo governo, outras medidas foram executadas com o propósito de 
controlar mais as colônias. Essas medidas ficaramconhecidas como Atos Townshend, nome do ministro da 
Fazenda responsável por editá-las. Previa-se o aumento de impostos sobre o vidro, chá e corantes. A 
assembleia de Nova York foi dissolvida por não cumprir a lei da Hospedagem. Outros funcionários foram 
nomeados para aumentar a fiscalização real. Seguiram-se mais protestos, boicotes e declarações que 
forçaram o governo a retroceder. 
Por fim, em 1773, foi entregue o monopólio do comércio do chá para a Companhia das Índias Orientais. Nas 
colônias, tanto quanto na metrópole, o chá era uma bebida bastante comum e popularizada. O monopólio 
dado pela metrópole resultou num encarecimento do produto. Como forma de reação, muitos colonos 
passaram a consumir outras bebidas, como o café e o chocolate. Um pequeno grupo formado de 150 colonos 
vestidos de índios, no entanto, decidiu invadir os navios da Companhia ancorados em Boston e jogar as caixas 
de chá ao mar. Em face dessa resistência, o Parlamento inglês decidiu tomar outras medidas mais duras 
Iラミデヴ;àゲW┌ゲàIラノラミラゲがàIエ;マ;S;ゲàさノWキゲàキミデラノWヴ=┗WキゲざぎàaWIエ;┗;-se o porto de Boston até que fosse pago o prejuízo 
do ataque, transformava-se a colônia de Massachussets em colônia real に acabando com a autonomia local 
に, restringia-se o direito de reunião, dentre outras providências. Com elas, acendia-se os pavis para a 
revolução. 
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A separação, a guerra revolucionária e conceitos relevantes 
 
Cラマà ;ゲà さノWキゲà キミデラノWヴ=┗Wキゲざà Wà ラà ;I┎マ┌ノラà SWà デWミsões entre colonos e britânicos, chegava-se às raias da 
separação entre as duas partes. Inspirados por filósofos iluministas, como John Locke, os habitantes ingleses 
das Américas consideravam tirânica a atuação do governo de Sua Majestade Rei Jorge III, principalmente 
pelo fato de que não eram representados no Parlamento, isto é, não possuíam voz na política britânica. Além 
disso, as leis e medidas tomadas a partir da segunda metade do século XVIII foram muito graves e foram 
vistas como contrárias às tradições e liberdades britânicas. 
Em face desses problemas, autoridades e figuras proeminentes das colônias decidiram realizar uma reunião 
para peticionar o rei a mudar as decisões do Parlamento. Essa reunião, o primeiro Congresso da Filadélfia de 
1774, e seu documento subsequente, nos indica que, apesar de tudo, a independência não era um consenso 
e nem o único caminho para as colônias naquele momento. A petição do Congresso, no entanto, não resultou 
no que pediam os colonos. Percebendo a dificuldade em manter o controle sobre suas colônias, o governo 
inglês acabou enviando mais tropas para a América, o que levou a mais tensões, desta vez chegando a 
choques armados. Em meio a esses problemas, outro congresso na Filadélfia foi convocado, que decidiu no 
dia 2 de julho de 1776 pela separação. No dia 4 de julho estava pronta a Declaração de Independência dos 
Estados Unidos da América. 
Dois pontos devem ser levados em consideração quando falamos da independência americana. O primeiro 
e mais significativo deles é a ausência de um sentimento nacional, ou ainda, de uma identidade nacional 
clara tal como estamos acostumados nos dias de hoje. E isso fica muito evidente quando consideramos o 
ヮヴルヮヴキラàミラマWàSラàミラ┗ラàヮ;ケゲくàさEゲデ;SラゲàUミキSラゲざàキミSキI;à┌マ;àaラヴマ;àSWàラヴェ;ミキ┣;N?ラàヮラノケデキI;が isto é, a federação; 
さáマYヴキI;ざがà ラà ノラI;ノà ラミSWàWゲデ;à aWSWヴ;N?ラàWゲデ;┗;à ゲWà aラヴマ;ミSラくàDキaWヴWミデWマWミデWàSWà さFヴ;ミN;ざがà さPラヴデ┌ェ;ノざà ラ┌à
さIミェノ;デWヴヴ;ざがàラàミラマWàWゲIラノエキSラàミ?ラàキマヮノキI;┗;à┌マ;àエキゲデルヴキ;àIラマ┌マàラ┌à┌マàIラミテ┌ミデラàSWàヮヴキミIケヮキラゲàラ┌à┌マàマキデラà
fundador, típico dos países europeus ou mesmo asiáticos. O que unia aqueles colonos, ao contrário, era um 
sentimento em negativo, ou seja, o de antimetrópole, antibritânico, e não positivo, ou melhor, de 
I;ヴ;IデWヴケゲデキI;ゲàIラマ┌ミゲくàOàマキデラàa┌ミS;SラヴàゲWヴキ;àIヴキ;Sラàマ;キゲàデ;ヴSWがàIラマàラゲàさヮ;キゲàa┌ミS;SラヴWゲざàデ?ラàIラミエWIキSラゲà
atualmente. 
O outro, trata-se do medo das elites coloniais norte-americanas daqueles elementos periogosos de sua 
sociedade: os escravos. Embora o número de escravos ainda fosse crescer substancialmente no decorrer do 
século XIX, havia o temor に tanto quanto houve no Brasil e nas áreas de grande concentração de escravos に 
que a chama revolucionária de busca da liberdade pudesse inspirar também os elementos servis a quebrar 
seus grilhões. Isso compõe parte da explicação do porquê os colonos tentaram manter seus laços com os 
ingleses e não buscar a independência logo de uma vez. 
Bem, continuemos com a narrativa dos eventos que levaram ao fim do domínio inglês sob os Estados Unidos. 
Pelo que já comentamos em aulas pretéritas, você deve imaginar que a luta contra a Inglaterra não foi 
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simples. Afinal, combater a maior marinha do mundo e a maior potência econômica do período não é tarefa 
fácil! 
A primeira coisa que devemos ter em mente sobre o processo revolucionário é que não houve consenso 
entre os cidadãos das colônias pela cisão de laços com a Inglaterra. Claro, grupo expressivo apoiou o 
movimento, mas houve colonos que apoiaram o rei inglês (afinal, o poder simbólico da monarquia e o 
sentimento de pertença a um grupo maior に o inglês に eram muito fortes no período), e outros que ficaram 
indiferentes à guerra, somente buscando viver sua vida sem se meter em questões políticas maiores. 
Dito isso, depois da declaração de independência realizada pelos founding fathers, era necessário vencer o 
exército britânico presente na América. Foi escolhido então Jorge Washington como líder do exército 
ヴW┗ラノ┌Iキラミ=ヴキラくàW;ゲエキミェデラミàWヴ;à┌マàa;┣WミSWキヴラàWàヮラゲゲ┌ケ;àIラミエWIキS;àW┝ヮWヴキZミIキ;àマキノキデ;ヴくà“W┌àさW┝YヴIキデラざがàミラà
entanto, nada mais era do que a reunião de homens dispostos a lutar, com pouca ou nenhuma experiência 
bélica. Igualmente, pouco armamento possuíam. O primeiro passo do exército, que mais se assemelhava a 
milícias, foi o de conseguir armas, o que foi feito com ataques surpresas a vários depósitos de armamento 
ingleses. 
Mesmo armado às custas inglesas, os americanos não eram páreos para o exército profissional inglês, já 
treinado em várias guerras no continente e na América. Assim, o exército inglês obteve significativas vitórias 
sobre os colonos até que as potências europeias rivais da Inglaterra decidiram intervir に a França e a Espanha. 
Diferentemente do que ocorrera ao longo do século XVIII, desta vez não era um conflito europeu que 
interferia na América, mas o contrário. Percebendo uma chance de se vingar da derrota da guerra dos sete 
anos e de fazer fracassar alguns planos ingleses, os franceses deram total suporte aos americanos, 
fornecendo armas e homens para o combate.5 A presença francesa e espanhola foi fundamental para que 
os americanos fossem vitoriosos no campo de batalha. Vencidos os ingleses depois de anos de combate, em 
1783, os Estados Unidos tiveram sua independência reconhecida. 
A independência da primeira colônia da América teve um profundo impacto nas demais colônias do 
continente. O exemplo norte-americano ecoaria nos movimentos do início do século XIX, quando o furacão 
napoleônico precipitou os movimentos independentistas da América Latina. Seu modelo político seria 
imitado por muito dos novos países que se fariam livres do jugo colonial に repúblicas presidencialistas 
bicamerais. O que causaria discórdia seria a federação, da qual falamos acima. 
Finda a guerra de independência e, portanto, do inimigo comum que unia a todos os agora cidadãos, 
impunha-se a difícil tarefa de criar um país, de lidar com suas questões internas e seus conflitos. 
 
 
5 RECORDANDO: Esse apoio custaria muito caro aos franceses,sem que obtivessem retorno à altura do gasto. Essa guerra 
aprofundaria a crise fiscal francesa, sendo um dos fatores para a eclosão da revolução francesa, tal como abordamos na primeira 
aula. 
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Cria-se uma nova nação 
O modelo político 
Tendo abordado o processo revolucionário de independência, temos agora de entender o sistema político 
adotado para o novo Estado: uma República Federativa Presidencialista, a primeira de seu tipo. Vamos 
entender cada um desses conceitos? 
OàIラミIWキデラà さヴWヮ┎HノキI;ざàヮヴラ┗YマàSラà ノ;デキマà res publica e significa, em termos etiマラノルェキIラゲがà さIラキゲ;àヮ┎HノキI;ざくà
Funcionou como uma organização política na Antiguidade clássica romana. Em contraposição ao governo 
hereditário e baseado na soberania da linhagem dinástica típicos da monarquia, a res publica seria uma 
forma de governar baseada na alternância dos dirigentes políticos no poder e baseada nas decisões do 
さヮラ┗ラざがàWミデWミSキSラà;ケ┌キàIラマラà;ケ┌WノWゲàケ┌Wàヮラゲゲ┌ケ;マàSキヴWキデラゲàヮラノケデキIラゲくàáà‘Wヮ┎HノキI;àヴラマ;ミ;がàSWà;IラヴSラàIラマà
Políbio, seria o sistema político perfeito porque misturaria elementos da monarquia (os cônsules que 
dirigiriam a república), da aristocracia (o senado) e da democracia (com os comícios votados pelos cidadãos 
romanos). 
M;キゲàSラàケ┌Wà┌マàゲキゲデWマ;àヮラノケデキIラがà;àさヴWヮ┎HノキI;ざàヮ;ゲゲラu, durante a idade moderna, a significar, em alguns 
casos, o Estado ou domínio do rei e/ou uma inclinação do governo para o bem comum. É por isso que 
ヮラSWマラゲàWミIラミデヴ;ヴàW┝WマヮノラゲàSWàヴWキゲàケ┌Wà;aキヴマ;┗;マàデラマ;ヴàSWデWヴマキミ;S;ゲàSWIキゲロWゲàヮWノラàさHWマàS;àヴWヮ┎HノキI;ざくà 
Durante o século XVI, no auge do Renascimento, os textos clássicos e a história romana seriam retomadas e 
inspiraram uma série de estudos e autores que, contra a corrupção e luxo dos governantes renascentistas, 
propunham uma vida política mais austera num movキマWミデラà ケ┌Wà aキIラ┌à IラミエWIキSラà Iラマラà さヴWヮ┌HノキI;ミキゲマラà
Iケ┗キIラざくà N?ラà ケ┌Wà WノWゲà SWaWミSWゲゲWマà ラà aキマà S;à マラミ;ヴケ┌キ;がà マ;ゲà ケ┌Wà ラà ヮヴケミIキヮWà ゲWà SW┗ラデ;ゲゲWà ;à ┌マà
engradecimento de suas virtudes pessoais e governasse buscando o bem comum. Esses escritos e estudos 
teriam grande impacto no período da revolução inglesa e inpiraram alguns de seus líderes. 
Assim, quando as autoridades políticas desse novo Estado proclamaram uma república, ela não era novidade 
no mundo político e no mundo das ideias políticas europeias. Desde a Idade Média havia repúblicas na 
Europa, como a República de Veneza, de Gênova, ou mesmo a de Novgorod na atual Rússia. O diferencial 
dessa república americana se daria com seu sistema de Estado e com a liderança do poder Executivo, isto é, 
a federação e o presidencialismo. 
A federação, ou seja, a autonomia dos estados に considerados como instância própria de poder に, foi a 
solução encontrada pelas autoridades do movimento revolucionário para lidar com as ex-colônias ciosas de 
suas independências. Assim, o governo central serviria somente para combater ameaças externas enquanto 
que a maior parte da administração pública e investimentos ficariam por conta dos estados. Ao dizermos 
que a federação foi uma novidade, não queremos afirmar com isso que não havia autonomia dWàさェWゲデ?ラざàミ;à
E┌ヴラヮ;くàCラマラàSキゲゲWマラゲàミ;àヮヴキマWキヴ;à;┌ノ;がàエ;┗キ;àミラà┗Wノエラàマ┌ミSラà┗=ヴキ;ゲàさノキHWヴS;SWゲざがàキゲデラàYがà┗=ヴキラゲàさSキヴWキデラゲざà
ケ┌WàS;┗;マà;ラゲà┗=ヴキラゲàさIラヴヮラゲざàS;àゲラIキWS;SWàェヴ;┌ゲàSWà;┌デラミラマキ;à┗;ヴキ=┗WキゲくàáàSキaWヴWミN;à;ェラヴ;àYàケ┌Wà┌マ;à
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determinada circunscrição geográfキI;à Iエ;マ;S;à さWゲデ;Sラざà ゲWヴキ;à ヴWIラミエWIキS;à ヮWノ;à ノWキà マ;キラヴà Sラà ヮ;ケゲà に a 
constituição に como o locus próprio do poder político. Esse reconhecimento pode ser percebido por meio de 
várias instituições, como o colégio eleitoral, o trâmite para a realização de emendas constituicionais, as 
constituições estaduais etc. 
áàさミラ┗キS;SWàaWSWヴ;デキ┗;ざがàゲWàヮラSWマラゲà;ゲゲキマàIエ;マ=-la, seria fonte de inspiração para vários outros países 
americanos durante o século XIX. No Brasil imperial, grupos de políticos advogariam pela causa de uma 
monarquia federativa como uma forma de resolver as gritantes diferenças entre as diversas partes do país. 
Também a Argentina passaria por essas questões e de uma maneira bem mais grave e sanguinolenta que no 
Brasil. Do outro lado, os inimigos da federação na América Latina, tendiam a ver a organização federativa 
como anárquica e que levaria a manutenção de determinados privilégios políticos (o caso brasileiro 
exemplifica bem isso, com a federação da Primeira República). 
O presidencialismo, por sua vez, também foi uma invenção norte-americana. Baseando-se na teoria da 
separação de poderes de Montesquieu, o braço executivo do poder central dos Estados Unidos ficou a cargo 
de um presidente. Este seria eleito pelo colégio eleitoral, não podendo ser destituído ヮラヴà ┌マà さ┗ラデラà SWà
Iラミaキ;ミN;ざà Sラà P;ヴノ;マWミデラがà ラ┌à ゲWテ;がà ラà E┝WI┌デキ┗ラà ミ?ラà ヮヴラ┗キミエ;à S;à マ;キラヴキ;à ノWェキゲノ;デキ┗;à ミラà CラミェヴWゲゲラくà Oà
presidente era o comandante-em-chefe das forças militares, poderia vetar leis aprovadas pelo Congresso, 
poderia indicar membros para a Suprema Corte dentre outras prerrogativas. Muito se assemelhava com o 
papel executivo que os reis na Europa possuíam, com a vital diferença de que seus poderes estavam 
demarcados na lei e que poderia ser destituído do poder por meio de impeachment. Perceba aqui que a 
engenharia política norte-americana foi toda baseada no princípio do checks and balances, ou melhor, no 
equilíbrio entre os poderes. Nenhum dos poderes pode ter maior relevância ou capacidade de interferência 
na vida social que o outro. E, mais ainda, um pode tolher o outro nesta tentativa. Esse modelo também 
serviria de grande inspiração para a tradição jurídica ocidental.6 
Para além dessas questões, devemos ainda ressaltar algumas das primeiras emendas feitas à Constituição 
norte-americana e que são muito representativas do ideário político que inspirou a criação do novo país. 
Várias emendas foram apresentadas em 1789 e, dado que o processo de mudança constitucional exigia a 
aprovação de 2/3 dos estados federados, somente em 1791 fora aprovadas. A primeira emenda tinha o 
propósito de limitar os poderes do Estado na relação com os cidadãos. Ela proibia a fixação de uma religião 
oficial, a perseguição a qualquer religião, a censura à imprensa, a limitação do direito de reunião e de 
expressão. A segunda emenda deu aos cidadãos o direito de portar armas. A explicação para isso reside no 
efetivo medo que os cidadãos norte-americanos possuíam da tirania do Estado. Caso o governo se tornasse 
tirânico に e seguindo a tradição lockeana に os cidadãos deveriam ter o direito de resisti-lo por meio de armas. 
 
6 Diferentemente do modelo americano, o modelo francês não previa os tais equilíbrios. Inspirados pela Vontade Geral encarnada 
na Convenção ou na Assembleia, os franceses iriam pela decisão da maioria reunida no poder Legislativo, espécie de encarnação 
do desejo de todos os cidadãos. Essa tradição francesa permaneceria por longo tempo na república francesa e seria alterada com 
a reforma de De Gaulle na década de 1950. 
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Essa emenda teve forte apoio porque foram os cidadãos armados que formaram o grosso do exército 
revolucionário americano. 
A terceira emenda proibiu o aquartelamento de soldados nas casas das pessoas, uma clara resposta às leis 
britânicas de aquartelamento pretéritas à Revolução. A Quarta emenda, proibiu a busca e apreensão de 
judiciais sem motivo razoável e mandado comjusta argumentação. E, para ficarmos somente com as cinco 
primeiras, a famosa quinta emenda estabeleceu a possibilidade de tribunal de júri, o direito de ficar calado 
em tribunais, o direito de ser julgado somente uma vez sobre o mesmo fato e a compensação por bens 
desapropriados. 
Vemos assim que estava entranhado na tradição político-jurídica do novo país a defesa acirrada dos direitos 
inviduais dos cidadãos, restringindo ao máximo o poder de interferência do Estados em suas vidas. Após essa 
breve explanação do sistema político americano, passemos para alguns dos principais eventos e processos 
que ocorreram no século XIX. 
 
A nova guerra de independência e a expansão para o Oeste 
Após a independência, os primeiros presidentes precisaram focar seus esforços em estabilizar o novo país, 
fazer valer as leis, reformar a constituição. Foi o caso dos presidentes George Washington, John Adams e 
Thomas Jefferson. A situação externa passaria a influir diretamente nos negócios americanos a partir do 
mandato do presidente James Madison (1809-1817). 
Durante o mandato do quarto presidente, os conflitos na Europa estavam em seu auge. Napoleão subjugara 
boa parte da Europa e a Inglaterra resistia quase que exclusivamente ao imperador francês. O governo norte-
americano não quis se envolver nos problemas do continente e adotou a neutralidade に uma postura que o 
país manteve por todo o século XIX em relação aos assuntos europeus に significando que manteria relações 
comerciais com ambos os países. Isso, no entanto, não agradou aos ingleses que passaram a tomar navios 
americanos que se dirigiam à França e a obrigar os marinheiros desses navios a trabalhar para os ingleses 
em seu esforço de guerra. Em face desses problemas que vinham ocorrendo desde o governo de seu 
antecessor, James Madison passou uma lei に Lei de Proibições ao Comércio に em 1809 que ditava que os 
comerciantes nacionais não poderiam comercializar com a Inglaterra e a França. A primeira das duas nações 
que retirasse suas restrições ao comércio americano teria suas relações reatadas com os EUA. O mecanismo, 
entretanto, não funcionou: comerciantes estadunidenses simplesmente ignoraram a medida e, mais ainda, 
o mercado americano não era tão grande quanto eles haviam calculado. 
A impotência em resolver esse imbróglio envolvendo as potências europeias foi um tapa no brio nacional. A 
humilhação sofrida levou a acirrados ânimos contra a Inglaterra e impulsionou o governo de Madison a 
declarar guerra ao Reino Unido em 1812 に mesmo ano em que Napoleão enviava suas tropas para invadir a 
Rússia. 
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Se o governo norte-americano achava que seria fácil vencer uma Inglaterra distraída, enganou-se 
profundamente. Os ingleses possuíam ainda colônias に e, portanto, tropas に ao norte dos EUA に o Canadá に 
e contavam com a marinha mais poderosa do mundo. O combate militar terrestre não viu avanços 
significativos por parte de nenhum dos lados, embora as tropas inglesas tenham invadido a capital do país e 
incendiado-a. O grupo político americano que desejava um avanço para o norte, em direção ao Canadá, 
também se viu frustrado. 
Ao governo inglês não interessava continuar uma guerra do outro lado do Atlântico enquanto seu principal 
ヴキ┗;ノà Wà キミキマキェラà Wゲデ;┗;à <à ゲラノデ;à ミ;à E┌ヴラヮ;くà Dキ;ミデWà Sキゲゲラà Wà Sラà さWマヮ;デWざà ミラゲà SWゲWミ┗ラ┗キマWミデラゲà マキノキデ;ヴWゲà
terrestres, a Inglaterra sentou para assinar um tratado de paz, ocorrido em 1814, levando ao fim das 
hostilidades em 1815. 
O fim da guerra resultou num certo alívio para os americanos, que poderiam muito bem ter perdido a guerra 
dada a disparidade de forças em conflito. Outrossim, era a primeira vez que o governo independente lidava 
com guerra externa e saía vitorioso. 
Terminada a guerra de 1812 ou segunda guerra de independência (embora seu motivo não fosse a 
independência, vale lembrar), os EUA se dedicariam à consolidação de seu sistema político por meio de 
reformas eleitorais e à expansão de suas fronteiras a Oeste, em direção às terras controladas por indígenas, 
franceses, espanhóis e mexicanos. 
O primeiro ponto é relativamente simples. O sétimo presidente dos EUA に Andrew Jackson (1829-1837) に 
concorreu a eleição norte-americana contra John Quincy Adams. O estilo de Jackson, mais simples e rústico, 
aラキàIラミデヴ;ヮラゲデラà<àaラヴマ;àマ;キゲàさWS┌I;S;àWàヮラノキS;ざàSWàáS;マゲがàミ┌マ;àWゲヮYIキWàSWà;I┌ゲ;N?ラàSWàケ┌WàWゲデWà┎ノデキマラà
teria um estilo aristocrático に algo abominável aos olhos dos americanos. Jackson acabou vencedor da 
corrida eleitoral e realizou amplas reformas eleitorais que expandiram o direito de voto a todos os cidadãos 
に homens brancos e maiores de idade. Essa mudança é apontada por Hobsbawm como fazendo parte das 
ondas revolucionárias que atingiram o mundo ocidental na década de 1830 に num estilo próximo do 
マラ┗キマWミデラà I;ヴデキゲデ;à キミェノZゲくà EゲデWà ヮラミデラà ヮラSWà ゲWヴà ┌マà さヮWェ┌キミエ;ざà ミ;à ヮヴラ┗;à ヮラヴケ┌Wà ミ?ラà エラ┌┗Wà ┌マ;à
さ┌ミキ┗Wヴゲ;ノキ┣;N?ラàSラà┗ラデラざがàラàケ┌WàヮラSWàゲWヴàWミデWミSキSラàIラマラà;àW┝デWミN?ラàSラàSキヴWキデラàSWà┗ラデラà;àデラS;à;àヮラヮ┌ノ;N?ラがà
incluindo mulheres, negros etc. Isso não ocorreu. Atenção! 
No que se refere à expansão territorial, a primeira investida americana se deu neste contexto da Revolução 
Francesa, antes mesmo da segunda guerra de independência. Em 1803, durante o Consulado de Napoleão, 
os Estados Unidos ofereceram 15 milhões de dólares à época para se apropriarem de todo o território da 
Louisiana francesa, que compreendia um território de 2144476 quilômetros quadrados. Esse imenso 
território seria depois dividido em vários estados (embora não tenham sido incorporados como unidades da 
federação imediatamente após a compra), que são hoje: Arkansas, Missouri, Iowa, Minnesota, Dakota do 
Norte, Dakota do Sul, Nebrasca, Novo México, parte do atual Texas, Oklahoma, Kansas, Montana, Wyoming 
e Colorado. 
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Dez anos depois, no contexto da expansão imperial napoleônica pela Europa, outra investida seria feita no 
sentido de incorporação de novos territórios, neste caso, contra os espanhóis. A Espanha, internamente 
instável dado o sequestro do rei e a instauração das juntas governativas se mostrava incapaz de administrar 
suas colônias. Assim, em 1813, Madison enviou tropas para a Flórida sob o pretexto de que os espanhóis não 
estavam sendo capazes de lidar com os indígenas locais que estavam prejudicando as terras americanas. Em 
1817, Andrew Jackson に que viria a se tornar presidente depois に foi enviado ヮ;ヴ;àさヮ;IキaキI;ヴざàラゲàキミSígenas. 
O secretário de Estado に espécie de ministro das relações exteriores do governo norte-americano に Jonh 
Quincy Adams acusou o governo espanhol de incapaz de lidar com os indígenas e sugeriu que o território 
fosse vendido aos EUA. Com medo de que essa questão levasse a um conflito armado e efetivamente 
impossibilitado de atuar com mais energia no local, o governo espanhol assinou um tratado em 1819 
vendendo a Flórida, que foi incorporada como um novo Estado à Federação. 
Entre as décadas de 1820 e 1840, outra onda de expansão territorial tomaria conta das políticas americanas. 
O alvo, desta vez, seriam os mexicanos. A expansão se iniciaria com o Texas. Em 1821, o México se tornou 
independente e herdou o território do atual Texas, que era esparsamente habitado por mexicanos. Em 1823, 
o governo mexicano fez uma acordo com dois americanos に Moses e Stephen Austin に para trazerem colonos 
americanos para essas terras. Mas observe, o território continuava sob jurisdição mexicana, sob leis 
mexicanas. No entanto, vários problemas e atritos de fronteira ocorriam nesse local entre México e EUA. 
Todos os escravosque cruzavam a fronteira ganhavam a liberdade e os colonos americanos que chegavam 
às terras texanas eram forçosamente convertidos ao catolicismo. Os problemas com os migrantes 
americanos, que desrespeitavam as leis mexicanas, foi crescendo e o México proibiu a entrada de mais 
pessoas. 
Em 1833, Austin foi até a capital mexicana levar as reclamações dos americanso habitantes do Texas e tentar 
obter a independência do território. Resultado: acabou preso por mais de um ano. Os colonos 
estadunidenses iniciaram então uma revolta e em 1836 declararam o Texas um Estado independente com 
uma constituição similiar àquela dos Estados Unidos. Houve então uma retaliação do governo mexicano, que 
enviou tropas para atacar as posições do rebeldes texanos e venceram temporariamente. O governo dos 
EUA, que há muito ansiava aquele território, não tardou a apoiar os rebeldes. Declararou, então, guerra ao 
México e enviou um grande contigente de homens para auxiliar a causa texana. No mesmo ano de 1836, o 
governo mexicano foi derrotado, reconheceu a independência do Texas e cedeu territórios para os Estados 
Unidos. Pouco tempo depois, o Texas adentraria a federação como estado escravista. 
Terminada esta fase, a prioridade seria seguir para o Pacífico e anexar a Califórnia, neste período parte da 
República Mexicana. Os conflitos ocorreriam na década de 1840, com vitória americana. Em 1848, foi feito 
o acordo Guadalupe-Hidalgo que reconhecia a fronteira do Rio grande e a cessão do Novo México e Califórnia 
para os Estados Unidos. O território sob domínio americano se estendia agora entre os dois Oceanos. 
Claro que esses tratados não significaram um povoamento imediato destas áreas. A ida dos americanos para 
o Oeste ainda teria de passar pelo enfrentamento com os indígenas, algumas tribos dos quais simplesmente 
não aceitariam negociar com o governo e resistiram até o extermínio completo. O movimento mais intenso 
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de ida para a costa Oeste foi realizado quando da descoberta de ouro na Califórnia, na segunda metade do 
século XIX. 
O forte expansionismo norte-americano é explicado por, em geral, duas questões. A primeira e mais simples 
é dada pela entrada dos EUA na mesma onda imperialista que varria a Europa. Enquanto que os países 
europeus se expandiam e colonizavam a África e a Ásia, os norte-americanos passaram, inicialmente, à 
colonização da própria América. Por vezes temos dificuldade em enxergar este processo como colonizatório 
ou imperialista porque os territórios anexados eram contíguos, isto é, formavam um só bloco de terra no 
mesmo continente. No entanto, devemos sempre nos lembrar que ali habitavam outros povos に mexicanos 
e indígenas de várias etnias に que passaram ao jugo de um terceiro povo, os americanos. A diferença crucial 
entre o imperialismo e colonialismo dos europeus para os americanos encontra-se no fato de que as novas 
terras anexadas foram incorporadas ao sistema político dos EUA, com representação congressual e a 
extensão de novos direitos, o que não ocorrera com os povos dominados pelos europeus.7 
O segundo ponto, mais complexo para nós entendermos atualmente, refere-se à ideia de que os americanos 
se consideravam escolhidos por Deus para ocuparem todo o território entre as duas costas do Atlântico e do 
P;IケaキIラくà Eゲデ;à Sラ┌デヴキミ;à ゲWヴキ;à IラミエWIキS;à Iラマラà さSWゲデキミラàマ;ミキaWゲデラざくà P;ヴ;à ;ノYマàS;àラI┌ヮ;N?ラà デWヴヴキデラヴキ;ノがà aラキà
articulada um outra noção, de que c;Hキ;à;ラàェラ┗WヴミラàSラゲàEゲデ;SラゲàUミキSラゲàノW┗;ヴà;àさノキHWヴS;SWàWà;àSWマラIヴ;Iキ;ざà
para as áreas que as desconheciam, ou seja, mais atrasadas. Claro que esses conceitos se moldavam 
conforme as necessidade de justificativa por parte dos expansionistas para lidar com as diferentes situações. 
Também aqui vemos um traço de similaridade com o neocolonialismo europeu. Enquanto ingleses, 
aヴ;ミIWゲWゲがàHWノェ;ゲàWàラ┌デヴラゲàヮラ┗ラゲà;aキヴマ;┗;マàWゲデ;ヴàノW┗;ミSラà;àさIキ┗キノキ┣;N?ラざàWàラàさヮヴラェヴWゲゲラざà;ラゲàヮラ┗ラゲà;aヴキI;ミラゲà
Wà ;ゲキ=デキIラゲがà ラゲà EUáà Wゲデ;┗;マà さWゲヮ;ノエ;ミSラざà ;à さノキHWヴS;SWà Wà ;à SWマラIヴ;Iキ;ざくà IミデWヴWゲゲ;ミデWà Yà ミラデ;ヴà ケ┌Wà Wゲデ;à
retórica não saiu completamente hoje do vocabulário político norte-americano que até recentemente os 
utilizou para justificar suas intervenções em outros países. 
A expansão americana, embora tenha trazido por determinado momento um sentido de unidade para seus 
cidadãos, acabou resultando em mais problemas para o país. Isto porque a questão da escravidão se 
impunha como uma realidade de difícil trato. Como seriam admitidos os novos estados na União: como 
escravistas ou não-WゲIヴ;┗キゲデ;ゲいàQ┌;ノàゲWヴキ;à;àさH;ノ;ミN;àSWàヮラSWヴざàSWミデヴラàS;àFWSWヴ;N?ラàIラマà;àキミIラヮラヴ;N?ラàSWà
tantos novos territórios? 
Essas e outras questões levariam a uma escalada de tensões entre os estados do sul, escravistas, e os estados 
do norte, não-escravistas, que acabou resultando na tentativa de separação dos primeiros em relação aos 
segundos. Para entendermos bem essa história, precisamos rever os pontos problemáticos para a União e a 
realidade política americana nesse período. 
 
7 Questão similar passou a Rússia. A expansão russa ocorreria pela anexação de territórios contíguos do leste dos montes Urais 
em direção à Ásia. O Alaska poderia, inclusive, adentrar nesta mesma categoria, já que está dividido pelo pequeno estreiro de 
Bering do território russo. 
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Guerra civil, de secessão ou guerra de agressão do Norte? 
 
Embora o Sul e o Norte dos EUA tivessem suas desavenças, estavam integrados economicante antes da 
guerra civil. As plantations do sul alimentavam as indústrias têxteis do norte, enquanto o norte fornecia o 
sul com bens de consumo não-duráveis. No entanto, as desavenças entre os estados sulistas e nortistas 
foram se ampliando na medida que o país foi se expandindo. 
Os estados sulistas gozavam de muita influência no governo federal に na Câmara dos Representantes, para 
ser mais exato に porque o número de deputados a que os estados tinham direito estava baseada no tamanho 
da população e para o cálculo os escravos contavam, dando ao Sul, portanto, uma quantidade considerável 
de deputados. 
Essa influência se transformava em poder político na medida em que o país foi indo para o Oeste. Para 
continuar a manter seu poder, os estados do sul exigiam da União que a escravidão fosse válida em estados 
incorporados à federação. O Norte protestou em várias ocasiões e o governo federal foi pressionado a adotar 
uma política de conciliação, em que alguns estados se tornariam escravocratas e outros não. Um exemplo 
concreto e o mais tenso antes da guerra civil foi a das regiões do Kansas e do Nebraska. Como nos traz Luiz 
Fernandes e Marcus de Morais: 
Mais um exemplo das disputas com o Norte foi o projeto de governo territorial pensado para 
as novas regiões de Kansas e Nebrasca. Os sulistas (...) propuseram uma lei em que nenhum 
projeto de administração territorial poderia ser aprovado a não ser que contivesse uma 
cláusula que anulasse a proibição da escravidão. O Congresso aprovou o projeto que passou a 
se chamar Lei Kansas-Nebrasca, e os nortistas ficaram indignados pelo fato de o governo federal 
e o presidente Franklin Pierce (1853-ヱΒヵΑぶà デWヴWマà ゲWà I┌ヴ┗;SラàSキ;ミデWàS;à さWゲIヴ;┗ラIキ;ざくà DWゲゲWà
マラSラがàラàキマヮYヴキラàSラà;ノェラS?ラàSWゲaキ;┗;がàSWà┌マ;à┗W┣àヮラヴàデラS;ゲがàラàさキマヮWヴキ;ノキゲマラàSラàゲラノラàノキ┗ヴWざくàOà
território do Kansas tornou-se um verdadeiro palco de disputas políticas em torno do controle 
político da região, além de ficar amplamente aberto aos imigrantes que acabavam 
apresentando posturas pró e contra o regime da escravidão.8 
As eleições para a Câmara dosRepresentantes durante o mandato do presidente Pierce に marcada por 
acusações recíprocas de fraudes e ilegalidades に deram maioria a deputados sulitas o que irritou 
profundamente os estados nortistas. 
A eleição para presidente do década de 1860 colocou no centro do debate político a questão da escravidão. 
O democratas に escravocratas に colocaram o nome de Stephen Douglas e os Republicanos, de Abraham 
Lincoln, um jovem advogado. Lincoln era contra a instituição da escravidão, mas não um abolicionista, isto 
é, ele não gostava da instituição, entretanto, não propugnava ativamente por seu fim. Para ele, a escravidão 
 
8 FE‘NáNDE“がàL┌キ┣きàMO‘áI“がàM;ヴI┌ゲàVくàSWくàさáàけI;ゲ;àSキ┗キSキS;げàWà;àェ┌Wヴヴ;àSWàゲWIWゲゲ?ラざくàIミぎàKá‘NáLがàLW;ミSヴラくàHistória dos Estados 
Unidos. São Paulo: Editora Contexto, 2011, p. 130. 
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deveria ser fixada no Sul e não expandida para o Oeste, muito embora afirmasse que caberia aos estados に 
e não à União に decidirem pela continuidade ou pelo fim da escravidão. 
Essa posição de Lincoln, no entanto, era considerada para os estados sulistas suficientemente ruim. Eles 
queriam que a escravisão avançasse para o Oeste para que a instituição pudesse sobreviver ao fim do tráfico 
de escravos decretado em 1808. Quando a eleição deu vitória a Lincoln, os níveis de tensão entre os dois 
grupos chegou ao auge. Isto porque o presidente recém-empossado afirmara que não aceitaria qualquer 
secessão da federação e os desejos de separação já rondavam as elites políticas sulistas. 
O estopim iniciou-se com a Carolina do Sul. Lá foi convocada uma assembleia que anulou a ratificação da 
constituição norte-americana. Pouco depois, seguiram seu exemplo o Alabama, Flórida, Mississipi, Geórgia 
e Texas, que juntos formaram os Estados Confederados da América e elegeram um presidente, Jefferson 
Davis. 
Você pode se perguntar: como assim anularam a ratificação da constituição? Isso era possível? Esse é um 
dos aspectos mais intrigantes desse conflito. Conforme a interpretação corrente à época, os estados haviam 
formado uma federação de maneira livre e espontânea e nela poderiam permanecer enquanto lhes fossem 
respeitados suas autonomias e direitos. Na medida em que isso não ocorresse, seria possível に mais uma vez, 
a partir de uma das interpretações constitucionais do período に sair da União. Ao formarem uma 
confederação, os estados do sul buscavam uma forma ainda mais flexível de unidade, com mais autonomia 
ainda aos estados confederados. 
De maneira resumida então: os estados do sul, por questões políticas に de manutenção do poder no governo 
federal e procura por maior autonomia に e econômicas に busca de livre-comércio do sul versus protecionismo 
do norte; e manutenção e expansão da escravidão versus trabalho livre に decidiu sair da União e fundar um 
novo país. 
O início dos combates se deu na Carolina do Sul, onde havia forte guarnecido por tropas da União, forte 
Sumter. O governo confederado exigiu a imediata retirada das tropas nortistas em abril de 1861. Lincoln 
então aumentou a guarnição com mais 80 mil homens ao que os confederados retaliaram e atacaram. Pouco 
depois, mais quatro estados se juntaram à Confederação. Iniciava-se a guerra mais sangrenta e destrutiva 
ocorrida em solo norte-americano. 
Iniciamos este tópico com uma pergunta: guerra civil, guerra de secessão ou guerra de agressão do Norte? 
Com o que dissemos acima, podemos refletir apropriadamente sobre esses termos. Uma guerra civil é 
entendida como um conflito entre membros de um mesmo país, normalmente associado a disputas de 
poder. Uma guerra de secessão é uma que implica que um grupo inicia hostilidades contra o governo central 
para deixar de fazer parte daquele país. Uma guerra de agressão é de um país contra o outro para anexá-lo 
ou obter vantagens sobre ele. 
Atualmente em grande parte dos Estados Unidos, este confノキデラàYàデヴ;デ;SラàIラマラàさェ┌Wヴヴ;àIキ┗キノざがàWミデWミSWミSラ-
se aí uma luta fratricida. No Brasil, diz-ゲWàさェ┌Wヴヴ;àSWàゲWIWゲゲ?ラざがàWミデWミSWミSラ-se a luta entre uma parte que 
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H┌ゲI;┗;àゲ┌;àキミSWヮWミSZミIキ;くàEがàヮラヴàaキマがàミラàゲ┌ノàSラゲàEUáがàWノ;àWミデWミSキS;àIラマラàさェ┌Wヴヴ;àSWà;ェヴWゲゲ?ラàSラàNラヴデWざà
porque, para os sulistas, como a constituição permitia a saída dos membros da União e um novo governo 
havia sido fundado, ao manter seus soldados nos forte Sumter e se recusar a sair, estavam abrindo 
hostilidades aos confederados. Nesta última perspectiva, não houve uma guerra civil, mas uma guerra entre 
dois países. 
O início da guerra foi de muito otimismo nos dois lados. Ambos acreditavam que a guerra seria rápida e sem 
muitos danos e custos. Este seria um tremendo erro de cálculo estratégico. Durando mais de 4 anos, a guerra 
teria um efeito desastroso tanto em termos humanos quanto econômico para os Estados Unidos. 
O norte possuía claras vantagens sobre o sul: tinha mais de quatro vezes o número de pessoas aptas para 
servir militarmente que o Sul (desconsiderando os escravos), abrigava a maior parte do parque industrial 
americano e milhares de quilômetros de estradas de ferro に o que muito facilitava a locomoção das tropas. 
Também possuía um número maior de navios. O sul, por outro lado, contava com generais mais 
experimentados e prestigiosos, como Robert Lee. 
Os custos da guerra foram se tornando cada vez mais pesados para o sul e isso por alguns motivos. Em 
primeiro lugar, a guerra estava sendo travada em seu território, ou seja, os danos estavam sendo inflingidos 
nas propriedades e riquezas do sul, retirando recursos importantes para o governo. Em segundo, a economia 
sulista não era tão dinâmica quanto a nortista e, portanto, não gerava a riqueza necessária para a 
manutenção da guerra. Em terceiro, o norte contava com mais indústrias bélicas que o sul, o que dificultava 
o reabastecimento de armas e munição aos sulistas. Em quarto, o sul tinha de se preocupar com a 
manutenção da escravidão enquanto lutava a guerra e não podia contar com a participação de um estrato 
importante de sua sociedade para lutar に certamente os escravos não lutariam por um governo que queria 
mantê-los no estado servil. Em quinto, o norte obteve sucesso em bloquear os portos confederandos, 
evitando o escoamento da produção e a auferição de lucros com exportações. Por fim, enquanto o norte 
cerceou um pouco o direito de expressão ao proibir jornais de escreverem notícias contra a guerra, o sul 
manteve totalmente o direito de expressão. Isso resultou em críticas ferozes de jornais que diminuíam o 
moral das tropas e da sociedade civil. 
Durante o desenrolar da guerra, a escravidão foi um ponto fundamental. Como uma das questões opunha o 
Sul e o Norte, e iniciada a guerra entre ambas as partes, a União liderada por Lincoln, decidiu tomar algumas 
atitudes contrárias à instituição como uma estratégia de guerra contra seus opositores. Como nos traz 
Fernandes e Morais: 
O presidente Abraham Lincoln propôs, então, uma emancipação dos escravos de modo lento, 
gradual e indenizado, em que o governo pagaria a quantia equivalente ao valor dos escravos 
libertos para os fazendeiros, já que os escravos eram verdadeiras mercadorias e perdê-los 
significaria perder um bem, um investimento. Lincoln reafirmava, assim, que seu objetivo maior 
era manter a União. Eマà;ェラゲデラàSWàヱΒヶヱがà aラキà;ヮヴラ┗;S;à;àヮヴキマWキヴ;àさLWキàSラàCラミaキゲIラざがàWマàケ┌Wà
qualquer propriedade usada em favor dos confederados (como gado, algodão, matéria-primas 
e, sobretudo, escravos) que caísse em mãos dos nortista seria imediatadamente confiscada. 
Essa lei impulsionou as fugas coletivas de escravosdas fazendas, pois sabiam que, em maõs dos 
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nortistas, poderiam alcançar a libWヴS;SWくà ふくくくぶà ぷEマà ヱΒヶヲへà aラキà ;ヮヴラ┗;S;à ;à ゲWェ┌ミS;à さLWキà Sラà
CラミaキゲIラざがàケ┌Wàaキミ;ノマWミデWàSWIノヴ;┗;àノキ┗ヴWàデラSラàWゲIヴ;┗ラàI;ヮデ┌ヴ;Sラàラ┌àa┌ェキSラく9 
Diante de grupos de pressão contrários à escravidão, o governo federal foi tomando outras medidas, que 
aos poucos destruía os pilares sobres os quais se baseavam esse sistema de trabalho e que resultou, por sua 
vez, na desarticulação da economia sulista. Em 1863, foi proclamada a Lei de Emancipação dos Escravos. Em 
1865, depois de terminada a guerra, seria aprovada a décima terceira emenda, que proibia a escravidão em 
todo território do país. 
Depois de mais de quatro anos de guerra, destruição e da perda de mais de 600 mil homens, o maior conflito 
pelo qual os EUA passaram に e passariam に em sua história chegou ao fim. Em 1864, o presidente dos 
confederados, Jefferson Davis, foi preso na Geórgia. Os exércitos sulistas, que no fim da guerra estavam 
somente tenデ;ミデラà ヴWゲキゲデキヴà ;à ラaWミゲキ┗;à S;à Uミキ?ラがà キミI;ヮ;┣à SWà ノW┗;ヴà ;ゲà H;デ;ノエ;ゲà ヮ;ヴ;à さデWヴヴキデルヴキラà キミキマキェラざà ゲWà
rendeu. Terminado o conflito, abria-se o momento para a recuperação política e econômica do país. 
Finalizada esta narrativa, vamos praticar? 
 
 
9 FE‘NáNDE“がàL┌キ┣きàMO‘áI“がàM;ヴI┌ゲàVくàSWくàさáàけI;ゲ;àSキ┗キSキS;げàWà;àェ┌Wヴヴ;àSWàゲWIWゲゲ?ラざくàIミぎàKá‘NáLがàLW;ミSヴラくàHistória dos Estados 
Unidos. São Paulo: Editora Contexto, 2011, p. 133. 
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Exercícios 
Prova do CACD 2015 
 
Questão 59 
 
Independentes em 1776, os EUA lançaram-se ao esforço de consolidação nacional ao longo do 
século XIX, assumindo e vencendo muitos desafios, mas foram envolvidos em uma monumental 
guerra civil que explicitou diferenças marcantes ね aparentemente inconciliáveis ね entre o Sul e 
o Norte do país. Ao fundo, o que estava em jogo era o modelo de desenvolvimento econômico, 
que colocava no centro do debate a dramática questão da escravidão. A eleição de 1860, na qual 
Abraham Lincoln saiu-se vitorioso, polarizou de tal forma o debate acerca do trabalho escravo 
que abriu o caminho para a Guerra de Secessão. 
 
A respeito da história norte-americana no século XIX, julgue (C ou E) os itens que se seguem. 
 
1 O governo de Andrew Jackson conduziu os EUA a uma democracia de massas, e suas propostas 
inovadoras ね universalização do voto, demarcação de terras indígenas e grandes obras públicas 
ね angariaram o que antes parecia impossível: o apoio de democratas e republicanos, de 
lideranças sulistas e nortistas. 
 
Comentário: 
 
Como comentamos anteriormente, o governo de Jackson não universalizou o voto, mas o 
extendeu a grupos maiores de homens brancos. Embora Jackson tenha demarcado algumas terras 
indígenas, a expulsão dos índios foi extremamente violenta e resultou na morte de milhares de 
;┌デルIデラミWゲà S┌ヴ;ミデWà ;à ┗キ;ェWマà ヮ;ヴ;à Wゲゲ;ゲà デWヴヴ;ゲがà ミラà ケ┌Wà aキIラ┌à IラミエWIキS;à Iラマラà さTヴキノエ;à S;ゲà
L=ェヴキマ;ゲざくàFキミ;ノマWミデWがàJ;Iニゲラミがà┌マàSWマラIヴ;デ;がàミ?ラàIラミゲWェ┌キ┌àWゲゲWà;ヮラキラàHキヮ;ヴデキS=ヴキラくàEマàゲ┌;ゲà
duas campanhas eleitorais foram grandes os ataques entre candidatos e que resultou em divisão 
durante o período de governo. Item errado. 
 
2 Na Guerra de Secessão, defrontaram-se o Sul ね essencialmente agrícola, senhorial e escravista 
ね e o Norte, onde vigoravam o trabalho assalariado, a pequena propriedade e uma sólida classe 
média urbana; em ambos os casos, porém, o negro estava excluído da vida política. 
 
Comentário: 
 
De fato, essas características elencadas são apropriadas para cada um dos lados da guerra civil. 
Enquanto o Sul apostava no sistema de plantation に latifúndios, monocultores, agroexportadores 
e escravistas に o Norte possuía um sistema econômico baseado na pequena propriedade 
policultora, mas, principalmente na indústria e no trabalho livre. Essa diferença econômica 
guardava semelhanças, contudo, na exclusão dos negros dos direitos políticos. Item correto. 
 
3 Legítimo representante do Norte empreendedor e capitalista, Abraham Lincoln era 
antiescravista e abolicionista, defensor da igualdade racial: por tais posições, sua eleição 
constituiu a senha que deu início ao conflito que dividiu o país ao meio. 
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Comentário: 
 
Essa questão está errada em dois aspectos. Primeiramente, Lincoln, apesar de antiescravista, não 
era abolicionista, como afirmarmos anteriormente no texto. Ele era contra a escravidão, mas não 
さマキノキデ;┗;ざàヮラヴàゲW┌àaキマくàEマàゲWェ┌ミSラがàWノWàミ?ラàWヴ;à;àa;┗ラヴàS;àキェ┌;ノS;SWàヴ;Iキ;ノがàキゲデラàYがàヮWノ;àキェ┌;ノS;SWà
entre brancos e negros civil e politicamente. Item errado. 
 
4 A partir da aquisição da Louisiana à França, no governo de Thomas Jefferson, o sentimento 
nacionalista norte-americano começou a ganhar nova roupagem, a de conquistas territoriais, 
vindo a Marcha para o Oeste traduzir esse espírito 
 
Comentário: 
 
A conquista territorial norte-americana foi realizada por meio de compras e conquistas militares. 
A compra do território da Louisiana, imensa faixa de terra do Oeste norte-americano, impulsionou 
a colonização e a marcha para o Oeste dos Estados Unidos, dentro daquela perspectiva discutida 
SラàさDWゲデキミラàM;ミキaWゲデラざがà キゲデラàYがàSWàケ┌WàI;Hキ;à;ラゲàamericanos a missão de ocupar os territórios 
WミデヴWà;ゲàS┌;ゲàIラゲデ;ゲàラIW>ミキI;ゲàWàノW┗;ヴà;àさノキHWヴS;SWàWàSWマラIヴ;Iキ;ざàヮ;ヴ;àWゲゲ;ゲàデWヴヴ;ゲく Item correto. 
 
 
Prova do CACD 2016 
 
Questão 60 
 
 
P;ヴ;à;àェWヴ;N?ラàSラゲàさヮ;キゲàa┌ミS;SラヴWゲざがà;àW┝ヮ;ミゲ?ラàSラゲàEゲデ;SラゲàUミキSラゲàS;àáマYヴキIa para o oeste 
abria a possibilidade de realizar uma utopia espacial grandiosa. Na visão de Thomas Jefferson, os 
EUA tinham uma oportunidade sem precedentes de evitar o declínio das velhas sociedades 
europeias, na medida em que o seu desenvolvimento se realizasse no espaço e não 
precipuamente no tempo. 
 
Jürgen Osterhammel. Die Verwandlung der Welt. Eine Geschichte des 19. Jahrhunderts. 
München: CH Beck, 2011, p. 479 (traduzido e adaptado). 
 
A propósito do tema abordado no texto precedente, julgue (C ou E) os itens seguintes. 
 
1 O reconhecimento oficial dos Estados Confederados da América pela Rússia e pela França, nos 
primeiros meses da Guerra Civil, conferiu aos secessionistas certa legitimidade internacional, 
garantindo-lhes mercado consumidor para as suas exportações agrícolas, além do fornecimento 
de armas e munição. 
 
Comentário: 
 
O erro desta questão se encontra na afirmação de que a França e a Rússia reconheceram os 
Estados Confederados. Nenhuma nação reconheceu o Estado secessionista. Item errado. 
 
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2 Em meados do século XIX, com a expansão que acrescentou ao território estadunidense áreas 
como a antiga colônia francesa de Luisiana, e as antigas colônias espanholas da Flórida Ocidental, 
da Flórida Oriental e do Texas, os Estados Unidos da América transformaram-se na maior potência 
econômica e militar do planeta. 
 
Comentário: 
 
áデYà;àヮ;ノ;┗ヴ;àさTW┝;ゲざàWゲデ=àデ┌SラàIラヴヴWデラくàáà;aキヴマ;N?ラàケ┌WàゲWàゲWェ┌WàYàケ┌WàYàWヴヴレミW;くàOàEゲデ;Sラゲà
Unidos não se tornaram nem a maior potência econômica nem militar durante o século XIX. 
Somente no século XX é que eles se tornariam a maior potência do Ocidente, particularmente 
depois da Segunda Guerra Mundial. Item errado. 
 
3 O processo de expansão territorial estadunidense foi acompanhado da integração daspopulações autóctones à sociedade da fronteira expandida, ainda que, geralmente, as pessoas de 
origem indígena não ocupassem posições privilegiadas na comunidade política nem no sistema 
econômico. 
 
Comentário: 
 
Os indígenas não foram integrados à sociedade norte-americana. Ao contrário, a política dos 
diversos governos foi de expulsão, combate ou de criação de reservas específicas para esses 
povos. Resumindo então pessoal, sempre que se referirem à política indígena dos EUA, pensem 
sempre no extermínio dos povos autóctones! Item errado. 
 
4 Para a Guerra de Secessão contribuíram divergências entre estados do norte e do sul dos 
Estados Unidos da América a respeito da escravidão, que se associaram, entre outros, a conflitos 
de interesse decorrentes da defesa do livre-comércio pelos fazendeiros sulistas e da defesa do 
protecionismo pela elite industrial nortista. 
 
Comentário: 
 
Como escrevemos mais acima, os conflitos entre os estados do sul e do norte se davam mais do 
que somente a escravidão. Embora este fossem um dos pontos, outros se acumulavam, como a 
disputa política entre estados do escravistas e não-escravista no governo federal e como a 
questão econômica, em que os sulistas defendiam o livre-comércio para se beneficiarem com 
comércio inglês, enquanto o norte queria que suas indústrias fossem protegidas dos produtos 
europeus に naquele momento, de maior qualidade. Item correto. 
 
Prova do CACD 2017 
 
Questão 57, item 3 
 
3 O governo de Abraham Lincoln, candidato do Partido Republicano que venceu a eleição 
presidencial norte-americana de 1860, não contou com o apoio da maioria do Congresso, 
tampouco da Corte Suprema, então dominada por sulistas. 
 
Comentário: 
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Quando Abraham Lincoln foi eleito presidente, seu partido, o Republicano, havia ganhado a 
maioria em ambas as casas legislativas. Entretanto, de fato a Suprema Corte era majoritariamente 
democrata. Item errado. 
 
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Exercícios apresentados 
Prova do CACD 2017 
 
Questão 57, item 3 
 
3 O governo de Abraham Lincoln, candidato do Partido Republicano que venceu a eleição 
presidencial norte-americana de 1860, não contou com o apoio da maioria do Congresso, 
tampouco da Corte Suprema, então dominada por sulistas. 
 
Prova do CACD 2015 
 
Questão 59 
 
Independentes em 1776, os EUA lançaram-se ao esforço de consolidação nacional ao longo do 
século XIX, assumindo e vencendo muitos desafios, mas foram envolvidos em uma monumental 
guerra civil que explicitou diferenças marcantes ね aparentemente inconciliáveis ね entre o Sul e 
o Norte do país. Ao fundo, o que estava em jogo era o modelo de desenvolvimento econômico, 
que colocava no centro do debate a dramática questão da escravidão. A eleição de 1860, na qual 
Abraham Lincoln saiu-se vitorioso, polarizou de tal forma o debate acerca do trabalho escravo 
que abriu o caminho para a Guerra de Secessão. 
 
A respeito da história norte-americana no século XIX, julgue (C ou E) os itens que se seguem. 
 
1 O governo de Andrew Jackson conduziu os EUA a uma democracia de massas, e suas propostas 
inovadoras ね universalização do voto, demarcação de terras indígenas e grandes obras públicas 
ね angariaram o que antes parecia impossível: o apoio de democratas e republicanos, de 
lideranças sulistas e nortistas. 
 
2 Na Guerra de Secessão, defrontaram-se o Sul ね essencialmente agrícola, senhorial e escravista 
ね e o Norte, onde vigoravam o trabalho assalariado, a pequena propriedade e uma sólida classe 
média urbana; em ambos os casos, porém, o negro estava excluído da vida política. 
 
3 Legítimo representante do Norte empreendedor e capitalista, Abraham Lincoln era 
antiescravista e abolicionista, defensor da igualdade racial: por tais posições, sua eleição 
constituiu a senha que deu início ao conflito que dividiu o país ao meio. 
Comentário: 
 
4 A partir da aquisição da Louisiana à França, no governo de Thomas Jefferson, o sentimento 
nacionalista norte-americano começou a ganhar nova roupagem, a de conquistas territoriais, 
vindo a Marcha para o Oeste traduzir esse espírito 
 
Prova do CACD 2016 
 
Questão 60 
 
18888189807 - Caio Danilo Sales
Pヴラaく Dキラェラ Dげ;ミェWノラ W PWSヴラ Sラ;ヴWゲ 
Aula 07 
 
 
 
 
 
Os Estados Unidos: da colonização à guerra de secessão 
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27 
 
 
P;ヴ;à;àェWヴ;N?ラàSラゲàさヮ;キゲàa┌ミS;SラヴWゲざがà;àW┝ヮ;ミゲ?ラàSラゲàEゲデ;SラゲàUミキSラゲàS;àáマYヴキI;àヮ;ヴ;àラàラWゲデWà
abria a possibilidade de realizar uma utopia espacial grandiosa. Na visão de Thomas Jefferson, os 
EUA tinham uma oportunidade sem precedentes de evitar o declínio das velhas sociedades 
europeias, na medida em que o seu desenvolvimento se realizasse no espaço e não 
precipuamente no tempo. 
 
Jürgen Osterhammel. Die Verwandlung der Welt. Eine Geschichte des 19. Jahrhunderts. 
München: CH Beck, 2011, p. 479 (traduzido e adaptado). 
 
A propósito do tema abordado no texto precedente, julgue (C ou E) os itens seguintes. 
 
1 O reconhecimento oficial dos Estados Confederados da América pela Rússia e pela França, nos 
primeiros meses da Guerra Civil, conferiu aos secessionistas certa legitimidade internacional, 
garantindo-lhes mercado consumidor para as suas exportações agrícolas, além do fornecimento 
de armas e munição. 
 
2 Em meados do século XIX, com a expansão que acrescentou ao território estadunidense áreas 
como a antiga colônia francesa de Luisiana, e as antigas colônias espanholas da Flórida Ocidental, 
da Flórida Oriental e do Texas, os Estados Unidos da América transformaram-se na maior potência 
econômica e militar do planeta. 
 
3 O processo de expansão territorial estadunidense foi acompanhado da integração das 
populações autóctones à sociedade da fronteira expandida, ainda que, geralmente, as pessoas de 
origem indígena não ocupassem posições privilegiadas na comunidade política nem no sistema 
econômico. 
 
4 Para a Guerra de Secessão contribuíram divergências entre estados do norte e do sul dos 
Estados Unidos da América a respeito da escravidão, que se associaram, entre outros, a conflitos 
de interesse decorrentes da defesa do livre-comércio pelos fazendeiros sulistas e da defesa do 
protecionismo pela elite industrial nortista. 
18888189807 - Caio Danilo Sales

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