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Medicina - 5º Semestre - Ana Paula Cuchera e Eduarda Costa 6 de abr. de 2023 Introdução - A escolha do antibiótico sempre dependerá do estado em que o paciente se encontra ● Saber espectro, se são muito ou pouco tóxicos, alguns fármacos são reservados para casos muito graves - Glossário: ● Quimioterapia: termo que descreve o uso de fármacos que são “seletivamente tóxicos” para patógenos (incluindo bactérias, vírus, protozoários, fungos e helmintos). ● Antibiótico: do grego anti = contra, e bióticos = meios de vida, significando “contra a vida”, sem indicar especificidade do seu uso. ● Antimicrobiano (ou agente antimicrobiano): fármaco utilizado para tratar infecções bacterianas - A célula bacteriana - Toda bactéria tem: ● Ácido nucleico ● Ribossomos ● Citoplasma ● Membrana celular - Estrutura e função da parede celular - classificação commecanismo de ação ● Parede celular - para proteção da bactéria ○ Sem parede ○ Com parede → a maioria, usam coloração de gram ■ Gram positiva: ● Parede celular formada por: ○ Peptidoglicano (mureína) ○ Ácido lipoteicóico ○ Ácido teicóico ■ Favorecem a interação da bactéria com a célula do hospedeiro OBS! Existem antibióticos que atuam na parede celular 1 ■ Gram negativa: ● Camada menor de peptidoglicano ● Lipoproteínas no espaço periplasmático ● Membrana celular externa ○ Porinas → permitem a passagem de moléculas hidrofílicas ○ Lipopolissacarídeos, que variam de acordo com o tipo de bactéria ● Barreira de entrada de fármacos nesse tipo de bactéria é muito maior OBS! Existem antibióticos que atuam na parede celular ○ Com parede atípica: ■ Micobactérias ■ Espiralados ■ Clamídias ■ Riquétsias Antibioticoterapia - 1928: Alexander Fleming e a penicilina: ação inibitória do Penicillium notatum sobre o crescimento de estafilococos; - Final da década de 1930: síntese do Prontosil (Sulfonamida) - 1940: Florey, Chain e col. demonstraram que a Penicilina não era tóxica para o hospedeiro - 1941: primeiro uso da penicilina em humanos 2 - 1945-1960: era dos antibióticos - Princípios - fatores envolvidos na eficácia terapêutica ● Extensão da infecção ○ “Infecção mais controlada ou generalizada?” ● Bactericidas x bacteriostáticos; ○ Bacteriostático → inibe o crescimento ○ Bactericida → mata, aqueles que inibem a síntese da parede ● Espectro antibacteriano ○ Cobre gram negativos ou positivos, ou os dois ● Fatores farmacológicos; ○ Função renal do paciente pode empatar ○ Efeito mais dependente de concentração do que tempo entra com a dose de ataque maior ● Esquema posológico; ○ Baseado no espectro antibacteriano e nas características do pacientes ● Condições relacionadas ao paciente ○ Idade ○ Comorbidades - Condições relacionadas ao paciente: ● Idade ○ Aminoglicosídeos → ototoxicidade idosos ● Gravidez ○ Tetraciclina→ alteração óssea no feto ● Lactantes ○ Sulfonamidas → hemólise lactente ● Presença de alergias ○ Penicilinas ● Exposição ambiental ● Imunossuprimidos ● Função hepática e renal ● Fatores genéticos Tratamento empírico - A recomendação é para que seja em doenças mais graves → ver histórico de uso do paciente - O uso, dose e tempo, depende muito da situação do paciente ● Diminuir dose assim que possível → iniciar com dose de ataque ● Passar para a via oral assim que possível → inicia com intravenosa para ser mais rápido ● Alta hospitalar precoce → antibiótico ajuda na infecção ● Fazer medicação ambulatorial ou domiciliar assim que melhorar ● Com antibiograma, se possível, trocar para antibióticos de menor espectro (tratamento específico) ○ Tratamento específico → quando é mais direcionado para um patógeno específico, por isso fazer o antibiograma ○ De amplo espectro → pega vários tipo de bactérias (começa com ele quando não sabe o que é) OBS! Não usar antibiótico a toa → está surgindo muitas superbactérias (resistentes a antibióticos conhecidos) - Terapia antimicrobiana combinada: ● Prover terapia de amplo espectro nos pacientes em estado grave ● Utilizar doses menores - reduzir toxicidade ● Sinergismo → melhorar a qualidade ○ Bloqueio de etapas sucessivas em uma rota metabólica ○ Inibição da inativação enzimática ○ Aumento da captação do agente antimicrobiano OBS! Bactrim → associação de sulfametoxazol + trimetoprima → para ter sinergismo 3 - Amoxicilina + clavulanato ● Clavulanato é inibidor da classe de enzimas que degradam amoxicilina → antibiótico mais disponível Bactérias patogênicas de interesse clínico - Escherichia Coli → Septicemia, infecções de feridas, ITU ● Bacilos gram negativa - Haemophilus Influenzae → Infecções aguda do trato respiratório, meningite ● Cocobacilos gram negativa - Helicobacter pylori → úlcera péptica, câncer gástrico ● Gram negativa - Klebsiella pneumoniae → pneumonia, septicemia ● Bacilos encapsulados gram negativos - Neisseria gonorrhoeae → gonorreia ● Coco/cocobacilos gram negativos - Neisseria meningitidis →meningite ● Coco/cocobacilos gram negativos - Pseudomonas aeruginosa → septicemia, infecções respiratórias, ITU ● Bastão aeróbio gram negativo - Staphylococcus aureus → infecções de feridas, furúnculos, septicemia ● Coagulase positivo ● Gram positiva - Streptococcus pneumoniae → pneumonia, meningite ● Bacilos encapsulados gram positivo ● Não beta-hemolíticos - Streptococcus pyogenes → escarlatina, febre reumática, celulite ● Beta-hemolíticos ● Gram positiva - Enterobacter sp ● Bacilos gram negativos - Acinetobacter baumannii ● Gram negativa - Pneumonia adquirida na comunidade (PAC): ● S. pneumoniae (gram-positivo) ● H. Influenza (gram negativo) ● Micoplasma -Meningite: ● N. meningitidis O problema da resistência - Mecanismo de resistência das bactérias ● Alvos farmacológicos estão na maioria dentro da bactéria, todo fármaco que inibe síntese proteica tem que atravessa as 2 membranas e a parede → alguns usam as porinas, em alguns casos tem uma alteração genética com perda da expressão de proteína ● Beta-lactâmicos têm como alvo enzimas que constroem a parede celular, esse quando entra sofre degradação de enzimas do interior da bactéria (betalactamase) ○ Antibiótico entra e inibe síntese das enzimas que constroem a parede, com isso a bactéria altera enzimas que estão nesse processo de síntese → se muda isoforma da enzima o antibiótico não consegue mais agir naquele alvo ● Bomba contra gradiente de pressão: o antibiótico entra, mas a bomba contra o gradiente de concentração joga para fora ● Para cada alvo tem uma estratégia diferente para gerar resistência. 4 OBS! Carbapenêmico → usar em último caso - Vancomicina → trata apenas infecções graves “O grupo mais crítico de todos inclui bactérias multirresistentes, que são particularmente perigosas em hospitais, casas de repouso e entre os pacientes cujos cuidados exigem dispositivos como ventiladores e cateteres intravenosos. Entre elas, estão Acinetobacter, Pseudomonas e várias Enterobacteriaceae (incluindo Klebsiella, E. coli). São bactérias que podem causar infecções graves e frequentemente mortais. Essas bactérias tornaram-se resistentes a um grande número de antibióticos, incluindo carbapenemas e cefalosporinas de terceira geração " 5 “Estima-se que 700.000 pessoas morram anualmente em todo o mundo por causa das superbactérias. Recentemente, dados revelam que até 2050 as infecções provocadas por superbactérias devem causar, anualmente, a morte de 10 milhões de pessoas em todo o mundo”. Alvos dos antibióticos - Inibidores da síntese da parede: ● β-lactâmicos (penicilinas, cefalosporinas, monobactâmicos e carbapenêmicos) ● Glicopeptídeos (vancomicina, teicoplanina) ● Outros: bacitracina, fosfomicina, nitrofurantoína - Inibidores da membrana: ● Daptomicina ● Polimixina - Antimetabólitos: ● Sulfas (sulfametoxazol, sulfadiazina) ● Trimetoprima - Inibidor da síntese do RNA: ● Rifampicina - Inibidores da síntese do DNA: ● Fluorquinolonas (ciprofloxacino, levofloxacino, gemifloxacino) - Inibidores da síntese proteica: ● Tetraciclinas (tetraciclina, doxiciclina, tigeciclina) ● Macrolídeos (claritromicina,azitromicina) ● Aminoglicosídeos (amicacina, gentamicina, tobramicina) ● Lincosaminas (clindamicina) ● Anfenicóis (cloranfenicol) ● Oxazolidinonas (linezolida) - Legenda: ● Quinolones: age na DNA-girase → inibe a síntese do DNA bacteriano ● Rifampicina: para tuberculose → inibe a RNA-polimerase dependente de DNA ● Atuam em alguma subunidade ribossomal → compromete síntese proteica - alvo vai ser a 50S e 30S (ou inibe o complexo de iniciação ou dentro do ribossomo) ○ 50S: macrolides, chloramphenicol, clindamycin ○ 30S: aminoglycosides, tetracyclines ● Sulfonamida e trimetropina → são antimetabólicos 6 https://youtu.be/20vmMS1WCyA OBS! Todos os alvos são específicos para bactéria, mas não quer dizer que não dá efeito colateral nos humanos 1- Inibidores da síntese da parede: Beta-lactâmicos - Anel beta-lactâmico em comum ● Estruturas centrais de quatro famílias de antibióticos β-lactâmicos. O anel indicado com B em cada estrutura é o anel β-lactâmico. ● Anel betalactâmico pode ser clivado por β-lactamases OBS! Existem enzimas produzidas pelas bactéria para: (mecanismo de resistência) - Betalactamase → um grupo de enzimas diferentes que degradam o anel lactâmico - Cefalosporinase → geralmente degrada cefalosporina e penicilina - Penicilinase → degrada penicilina Mecanismo de ação dos beta-lactâmicos ● Inibição da síntese da parede bacteriana ○ Bloqueio da fase de transpeptidação do peptidoglicano: ligam-se covalentemente ao sítio ativo das proteínas de ligação da penicilina (PBP) ● Recebem esse nome pq tem um anel chamado de anel beta lactâmicos 7 https://youtu.be/20vmMS1WCyA - Etapas da síntese da parede celular: 1. Síntese dos monômeros de mureína 2. Polimerização 3. Ligações cruzadas dos polímeros → catalisadas pelas proteínas de ligação da penicilina (PBP), que são transpeptidases → formadas por ligações peptídicas (ligações cruzadas) OBS! Não ocorre de modo espontânea → tem enzimas que fazem esse processo, chamado transpeptidação - Legenda: ● Verde - n-acetilglicosamina ● Vermelho - n-acetil murano ● Entre as duas camadas tem a ligação peptídica ● Transpeptidase - proteínas de ligação à penicilina ● Na parte final tem dois resíduos de D-alanina após a sequência de aminoácidos, para catalisar a reação a D-alanina tem que sair → ocorre ligação ● Quem catalisa a saída da D-alanina para a ligação, são as proteínas de ligação à penicilina ● Quando o antibiótico se encaixa, não faz mais a ligação Representação das reações de transpeptidase (TP) catalisada pelas penicillin binding proteins (PBP). Os antibióticos β-lactâmicos, análogos estruturais do substrato d-Ala-d-Ala natural, ligam-se de modo covalente ao local das PBP OBS! Os antibióticos tem diferença na afinidades das enzimas - Inibem a síntese da parede celular: ● Bloqueio da fase de transpeptidação do peptidoglicano: ligam-se covalentemente ao sítio ativo das proteínas de ligação da penicilina (PBP) - Resultado: bactéria sofre lise osmótica → efeito bactericida (morte) ● Inibem PBP → Inibem síntese da parede → bactericida - Não associar com bacteriostáticos → pois esses apenas inibem o crescimento, como o crescimento está lentificado todas as reações também, inclusive a produção das PBP (proteínas de ligação da penicilina) 8 - Espectro de ação depende: ● Grau de dificuldade em penetrar a membrana externa e parede celular (no caso das gram negativas, esses tem que ter capacidade de penetrar a membrana externa para chegar na parede) ● Capacidade de ligação às transpeptidases específicas (proteínas de ligação à penicilina - PBP - existem 5 classes diferente de PBPs, quanto mais a capacidade de ligar a diferentes PBP, maior o espectro) - Toxicidade seletiva (mamíferos não tem parede) Mecanismo de resistência dos beta-lactâmicos 1- Inativação do antibiótico pelas β-lactamases ● Essa betalactamase cliva o anel 2- Modificação das PBP-alvo ● Mutações genéticas que geram a produção de diferentes isoformas de proteínas ● Isoformas diferentes fazem com que o fármaco não consiga se encaixar no sítio, pois enzima é uma estrutura tridimensional 3- Penetração reduzida do fármaco até as PBP-alvo (infra regulação das porinas) ● Menor ativação da transcrição gênica, que são importantes para fármacos hidrofílicos e maiores que não conseguem se difundir da membrana externa, precisa da porina para entrar 4- Efluxo do antibiótico - Mecanismo de resistência contra o principal mecanismo de ação: ● Desenvolver Inibidores da beta-lactamase (esses não tem ação antimicrobiana, são inibidores enzimático - para manter o espectro de ação do antibiótico) - temmais efeito ● Ácido clavulânico (clavulanato): amoxicilina + clavulanato; ticarcilina + clavulanato ● Sulbactam - ex: ampicilina + sulbactam ● Tazobactam - piperacilina + tazobactam / ceftolozana + tazobactam (Zerbaxa®, 2018) ● Avibactam - ex: ceftazidima + avibactam (Torgena®, 2018) ● Vaborbactam - ex:meropenem + vaborbactam (Vaborem®) OBS! Essas associações já vendem junto, não tem como comprar separado - Em negrito estão os mais potentes NÃO VAI SER COBRADO: (informação) - Penicilinases: hidrolisam penicilinas e cefalosporinas de 1 geração - Cefalosporinases: penicilinas e cefalosporinas até 3 geração - ESBL: todas as penicilinas (incluindo as associadas à inibidores), quase todas cefalosporinas e aztreonam - Carbapenemases: todos betalactâmicos - sensível a avibactam e vaborbactam - MBL: todos betalactâmicos (e todos inibidores), exceto aztreonam 9 Subclasses dos beta-lactâmicos A- Penicilinas: ● Penicilina G ○ Protótipo ○ Instável emmeio ácido → uso parenteral ○ Rápida excreção renal ○ Susceptível à β-lactamases → por ser antigos OBS! Penicilina V → de via oral Proteína G → mais antigas, instável emmeio ácido → degradada no estômago (IV ou IM) - Cristalina é rapidamente excretada - MRSA ou ORSA (S. aureus meticilina ou oxacilina resistentes): ● Em alguns hospitais ultrapassam de 40% dos isolamentos estafilocócicos ○ Isso é um problema mundial ○ Com isso tem infecções respiratórias bem graves 10 ● Resistência: gene mecA (ou SCCmec) que codifica o desenvolvimento de uma nova PBP, a PBP2a. Esse novo receptor não tem afinidade pelos antibióticos betalactâmicos; ● Frequentemente, os MRSA adquiridos em hospital se mostram resistentes a vários outros antimicrobianos; OBS! As cefalosporinas de quinta geração, os glicopeptídeos, a linezolida e a tigeciclina são a opção terapêutica nesses casos - Efeitos adversos ● Poucos efeitos tóxicos diretos ● Hipersensibilidade (compostos degradáveis viram antigênicos) - 1 a 10% dos pacientes ○ Agudas (rara): choque anafilático (30 seg) → raro ○ Imediatas (mais graves): angioedema, broncoconstrição, distúrbios TGI e choque ○ Tardias: (2 ou + dias, 80 a 90 % dos casos): erupções bolhosas, lesões da mucosa oral. ● TGI: Alteração da microbiota normal → risco de infecções secundárias (candidíase, colite pseudomembranosa) B- Cefalosporinas ● 1945: Giuseppe Brotzu isolou o Cephalosporium acremonium e observou que inibiam a Salmonella typhi (causadora da febre tifóide) ● 1960: lançada a primeira cefalosporina 11 ● Mecanismo de ação: ○ Semelhante ao de todos os βlactâmicos, inibem a formação da parede bacteriana (bactericida) ● Alta toxicidade seletiva: ○ Usado na gravidez, lactação e pediatria ● Resistência: ○ Tem aumentado devido a betalactamases codificadas por plasmídeos ○ Alterações nas proteínas da membrana externa ou nas proteínas de ligação - Professora vai cobrar: 1ª geração: Cefalexina ● Cobertura para gram negativo ● Trato respiratório, urinário ● Sensíveis a penicilinase e cefalosporinase (resistência) ● Não atravessa barreira hematoencefálica 2ª geração: Cefuroxima ● Melhor sensibilidade para gram negativo ● Mais para rinite, sinusite (catarrhalis) 3ª geração: Ceftriaxona e Ceftazidima ● Ceftazidima → especial - pseudomonas aeruginosa 4ª geração: Cefepima ● Perde um pouco para gram negativo, mas começa a ter mais para gram positivo 5ª geração: Ceftolozana ● Perde um pouco para gram negativo, mas começaa ter mais para gram positivo ● Bactéria vai ser mais resistente que todas as anteriores ● Para resistentes a MRSA/ORSA OBS! Pergunta: Qual a diferença da terceira geração? Ela vai preservar o espectro da primeira e segunda geração, mas vai ter ganhar mais espectro para negativo 12 - Quarta e quinta geração é para casos mais graves Esse não cai - Efeitos adversos ● Geralmente são bem toleradas ● 1- 3%, Pode ocorrer alguma sensibilidade cruzada em pacientes alérgicos à penicilina ● Irritação local: dor após injeção IM e tromboflebite após injeção IV ● Diarreia 13 C- Monobactâmicos - Aztreonam ● Efetivo apenas contra bacilos/cocobacilos gram-negativos aeróbios, como as espécies de: ○ Pseudomonas ○ Klebsiella ○ N. meningitidis ○ H. Influenza ○ Serratia ○ E. Coli OBS! Espectro estreito por sua especificidade ● Não tem ação contra microrganismos gram-positivos ou anaeróbios ● Resistente à maioria das betalactamases; único betalactâmico resistente à metalobetalactamases (mas EBSL hidrolisam) ● Alguns usos: ○ Pneumonia e outras infecções do trato respiratório, meningite, sepse e infecções do TU por patógenos gram-negativos sensíveis ■ Ativo em patógenos específicos da UTI ● Pacientes alérgicos a penicilinas toleram o aztreonam ● Vias IM e IV, meia-vida plasmática cerca 2 horas ● Na terapia empírica, pode ser associado com aminoglicosídeos e cefalosporinas de 3º geração ● Efeito adversos: semelhantes aos de outros antibióticos betalactâmicos; geralmente bem tolerado OBS! Aztreonam → único em uso no Brasil D- Carbapenêmicos ● Mecanismo de ação: Semelhante ao de todos os βlactâmicos, inibem a formação da parede bacteriana (bactericida) ● Fármacos: ○ Imipenem ○ Meropeném ○ Doripenem ○ Ertapeném - Características: ● Mais resistentes aos micro-organismos produtores de betalactamases (mas não as carbapenemases e metalobetalactamases) ● Amplo espectro: gram positivos e negativos, aeróbios e anaeróbios ● Reservados para infecções hospitalares graves causadas por bactérias altamente resistentes 14 - Imipeném: ● A associação imipeném + cilastatina sódica (função: inibir a inativação do imipeném pelas enzimas renais) ● Demonstra eficácia contra muitas infecções polimicrobianas e mistas (quando temmuitos tipos), aeróbias e anaeróbias ● Ação em alguns patógenos resistentes às cefalosporinas, aminoglicosídeos e/ou penicilinas ● Não é indicado para o tratamento de meningite → não atravessa barreira hematoencefálica - Meropeném: ● Infusão prolongada está indicado para o tratamento de infecções graves, ocasionadas por bactérias multirresistentes, sendo intrinsecamente mais potente contra Acinetobacter baumannii e Pseudomonas aeruginosa, tais como: pneumonia associada ao uso de ventiladores mecânicos, meningite, septicemia, infecções em pacientes com fibrose cística → meropeném + vaborbactam - Ertapeném: ● Meia-vida longa, mas ↓ atividade contra Acinetobacter e Pseudomonas (tem vida mais longa) - Efeitos adversos: ● Os efeitos adversos mais comuns dos carbapenêmicos, que tendem a ser mais frequentes com o imipeném, consistem em náuseas, vômitos, diarreia, exantemas cutâneos e reações no local de infusão. ● A ocorrência de níveis excessivos de imipeném em pacientes com insuficiência renal pode provocar crises convulsivas. ● Os pacientes alérgicos às penicilinas podem ser alérgicos aos carbapenêmicos, porém a incidência de reatividade cruzada é baixa. Caso clínico Um homem de 55 anos é transportado de ambulância até o serviço de emergência do hospital local. A esposa relata que o marido estava com boa saúde até três dias atrás, quando apresentou febre e tosse produtiva. Nas últimas 24 horas, ele se queixou de cefaleia e foi constatado um estado de confusão crescente. A esposa declara que, na história clínica do marido, o único dado significativo é a hipertensão, para a qual ele toma hidroclorotiazida e lisinopril; além disso, ele é alérgico à amoxicilina. Segundo o relato da esposa, o paciente apresentou exantema há muitos anos, quando foi prescrito o uso de amoxicilina para tratamento de bronquite. No serviço de emergência, o paciente está febril (38,7°C), hipotenso (90/54 mmHg), taquipneico (36/min) e taquicárdico (110/min). Ele não apresenta qualquer sinal de meningismo, porém está orientado apenas para pessoas. Uma radiografia de tórax revela consolidação na parte inferior do pulmão esquerdo, compatível com pneumonia. O plano é iniciar antibióticos empíricos e efetuar uma punção lombar para excluir a possibilidade de meningite bacteriana. Qual dos antibióticos poderia compor o esquema de tratamento, tanto da pneumonia como da meningite? Justifique. a. Imipenem → não está em quadro agravado b. Cefalexina → cefalosporina primeira geração (não passa barreira hematoencefálica) c. Ceftriaxona d. Ampicilina → penicilina 15 2- Inibidores da síntese da parede: Glicopeptídeos - Vancomicina: ● Antibiótico produzido pelo Streptococcus orientalis e Amycolatopsis orientalis ● Ativa apenas contra bactérias Gram-positivas: estreptococos, pneumococos, estafilococos - Teicoplanina: ● Semelhante à vancomicina ● Meia-vida longa (45 - 70 horas), I.V e I.M - Mecanismo de ação: ● Inibir as transglicosilases (parte de polimerização) impedindo o alongamento do peptidoglicano → célula torna-se suscetível à lise. ● Também altera a permeabilidade da membrana citoplasmática e a síntese do RNA - Uso da vancomicina: ● Tratamento MRSA (I.V) e em outras infecções graves ● Infecções por gram-positivos em alérgicos a penicilinas ou cefalosporinas (I.V) ou para pacientes que não responderam ao tratamento com fármacos destas classes ● Eficaz no tratamento de septicemia, infecções ósseas, infecções do trato respiratório inferior e infecções na pele e estruturas da pele causadas por microorganismos sensíveis ● Colite pseudomembranosa por C. difficile (V.O) → adaptação 16 ● Para endocardite causada por Enterococcus faecalis, só é eficaz em combinação com um aminoglicosídeo (gentamicina) OBS! O problema é que os dois são bem tóxicos (vancomicina e aminoglicosídeo → nefrotóxicos e ototóxicos) - Quando a solicitação de vancocinemia é justificada para a individualização da terapêutica? ● Doentes críticos, função renal alterada ou flutuante, falta de resposta clínica adequada após três a cinco dias de terapia com vancomicina ou uso concomitante de drogas nefrotóxicas (aminoglicosídeos, piperacilina-tazobactam, anfotericina B, diuréticos de alça, AINES - VRSA ou GRSA (S. aureus vancomicina ou glicopeptídeo resistentes) ● Mecanismo de resistência relacionado ao: ○ Espessamento da parede celular ○ Aprisionamento das drogas pela hiperprodução de componentes da parede - Daptomicina é ativa contra cepas de enterococos e S. aureus resistentes à vancomicina - Efeitos adversos: ● Febre, eritemas e flebite no local da infusão ● Ototoxicidade e Nefrotoxicidade (↑risco com associações, ou paciente idoso) ● Infusão rápida: síndrome do “homem vermelho”: urticária, exantema, febre, hipotensão grave (fazer infusão lenta ou pré-tratamento com anti-histamínico) Inibidores da síntese da parede: outras classes - Bacitracina: - Mecanismo de ação: ● Impedir o alongamento do peptidoglicano ● Reservada para uso tópico (muito nefrotóxica), normalmente associada com neomicina OBS! Pode atuar em gram negativos mas atua mais em gram positivos - Indicações: ● Infecções de pele e mucosas causadas por microorganismos sensíveis, sobretudo gram + (ex: piodermite, acne infectada, furúnculos, queimaduras infectadas) ● Profilaxia de infecções decorrentes de ferimentos cortantes, queimaduras pouco extensas 17 - Fosfomicina: - Mecanismo de ação: ● Inibe o estágio inicial da síntese do peptidoglicano ● Amplo espectro, baixa toxicidade e ½ vida longa, posologia usual de 1 a 2 envelopes - Indicações: ● Tratamento de curta duração de infecções não complicadas das vias urinárias baixas, como cistite aguda e recidivante, uretrite não específica, bacteriúria na gravidez e infecção urinária pós-operatória - Nitrofurantoína - Alémde inibirem a síntese na parede: geram intermediários reativos que inativam proteínas ribossomais e outras macromoléculas, inibindo síntese proteica e de ácidos nucleicos - Específico para infecções agudas e crônicas do trato urinário, principalmente por E. coli, Enterococcus faecalis e S. aureus. ASSISTIR: (passado em aula) https://www.youtube.com/watch?v=8KlXDMo3WXM - Resistência constitutiva → não precisa da exposição ao microrganismo para o mecanismo acontecer 18 https://www.youtube.com/watch?v=8KlXDMo3WXM