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Direito das coisas

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PROPRIEDADE
DA PROPRIEDADE IMÓVEL AQUISIÇÃO E PERDA
NOÇÕES GERAIS
 Conceito
A aquisição da propriedade consiste na personificação do direito num titular.
Classificação
Originária: não há transmissão de um sujeito para o outro: Usucapião e Acessão.
Derivada: ocorre quando houver transmissibilidade, a título universal ou singular do domínio por ato causa mortis ou inter vivos: herança ou transcrição
DA AQUISIÇÃO POR USUCAPIÃO
 CONCEITO
É o modo de aquisição do direito de propriedade e de outro direitos reais (ex. servidões) pela posse prolongada da coisa com observância dos requisitos legais. (prescrição aquisitiva)
OBS: pode recair sobre bens móveis e imóveis. 
REQUISITOS
a) Pessoais
· São as exigências em relação ao possuidor que pretende adquirir o bem e a proprietário que o perde. 
b) Reais:
· São alusivos aos bens e direitos suscetíveis de serem usucapidos, pois nem todas as coisas podem ser objeto de usucapião.
Ex.: coisas fora do comércio (inapropriáveis); os bens públicos (Súmula 340 do STF), bens em condomínio enquanto não cessar o estado de comunhão.
c) Formais: 
· Comuns: posse, lapso de tempo e sentença
· Especiais: justo título e boa-fé 
OBS1: A posse deve ser ad usucapionem, mansa e pacífica, contínua, pública e justa.
OBS2: O lapso de tempo varia a depender da espécie de usucapião. Antes de expirado o prazo, o possuidor poderá valer-se dos interditos possessórios.
OBS3: A sentença tem natureza declaratória.
OBS4: O justo título e a boa-fé são exigidos para o usucapião ordinário. 
ESPÉCIES 
a) Extraordinária
b) Ordinária
c) Especial (ou constitucional):
Urbana (pró-moradia ou pro misero, familiar e coletiva)
Rural (pro labore)
EXTRAORDINÁRIA (art. 1.238)
· Posse mansa, pacífica e contínua, exercida com animus domini
· Decurso de prazo de 15 anos (que pode ser reduzida a 10 anos se possuidor houver estabelecido no imóvel sua residência habitual ou nele realizado obras ou serviço de caráter produtivo)
· Dispensa de prova de justo titulo ou boa-fé
· Sentença declaratória que deverá ser levada a registro 
ORDINÁRIA (art. 1.242)
Posse mansa, pacífica e ininterrupta com a intenção de dono
Decurso de tempo de 10 anos ou 05 anos (no caso do § único/posse –trabalho)
Justo título e boa-fé
Sentença declaratória levada a registro (§ único do art. 1.241)
ESPECIAL 
a) Urbana (pro moradia ou pro misero): art. 183 da CF, Art. 1.240 do CC e art. 9º da Lei 10.257/2001)
· Posse contínua, mansa e pacífica 
· Posse de área urbana de até 250m2
· Prazo de 05 anos
· Utilização de imóvel para moradia do possuidor ou de sua família (pro misero)
Não se concede se proprietário de outro imóvel urbano ou rural
Não pode recair sobre imóveis públicos e nem serem concedidos ao mesmo possuidor mais de uma vez.
OBS1:Enunciado n. 85 CJF/STJ: “Para efeitos do art. 1.240, caput, entende-se por área urbana o imóvel edificado ou não, inclusive autônomas vinculadas a condomínios edilícios”.
OBS2: Não se incluem no preceito posses anteriores a 1988 (CF)
Usucapião Familiar (usucapião especial urbana por abandono de lar)
· A lei nº 12.424/2011 acrescentou o art. 1.240-A criando uma nova modalidade de usucapião especial urbana, estabelecendo o prazo de 02 anos para a consumação do usucapião familiar.
· Requisitos específicos: a) o usucapiente deve ser coproprietário com o ex-cônjuge/companheiros e b) abandono de forma consciente e voluntário 
Usucapião especial urbana Coletiva
Prevista no art. 10 da Lei nº 10.272/2001 (estatuto das cidades), estabelece os seguintes requisitos:
a) Área urbana com mais 250m2
b) Posse de 05 anos ininterruptos e sem oposição (dispensa boa-fé)
c) Existência no local de famílias de baixa renda utilizado o imóvel para moradia
d) Impossibilidade de identificação da área de cada morador.
e) Quem adquire não pode ser possuidor de outro imóvel urbano ou rural.
b) Rural (pro labore): Art. 191 e §único da CF c/c o art. 1.239 do CC
O usucapiente não pode ser proprietário rural nem urbano
Posse contínua, mansa e pacífica pelo prazo de 05 anos
Área rural contínua não excedente a 50 hc
Ter tornado o imóvel produtivo e constituído sua moradia.
Independe de justo título e boa-fé
Não pode recair sobre bens públicos
DA AQUISIÇÃO PELO REGISTRO (ART. 1.245 A 1.247 CC)
1 – INTRODUÇÃO
· No Brasil contrato não transfere domínio, sendo necessário a tradição para coisa móvel (art. 1.267) e pelo registro do título translativo se a coisa for imóvel (art. 1.245).
· Cfr. os atos sujeitos a registro na LRP (Lei 6.015/1973 – art. 167)
EFEITOS
a) Publicidade do ato
b) Legalidade
c) Força probante (art. 1.245, §2º)
d) Continuidade
e) Obrigatoriedade (art. 1.245)
f) Mutabilidade ou retificação
ATOS DO REGISTRO
a) Matrícula: é feita somente por ocasião do primeiro registro.
b) Registro: sucede à matricula, sendo o ato que efetivamente acarreta a transferência da propriedade.
c) Averbação: alteração feita à margem do registro para indicar alterações no imóvel.
RETIFICAÇÃO DO REGISTRO
· É admissível quando há inexatidão nos lançamentos , isto é, “se o teor do registro de imóveis não exprimir a verdade.”(art. 1.247 CC e art. 212 a LRP)
· Pode ser feita extrajudicialmente quando não afete direito de terceiros.
DA AQUISIÇÃO POR ACESSÃO (ART. 1.248 A 1.259)
CONCEITO
É o modo de aquisição originário de adquirir, em virtude do qual fica pertencendo ao proprietário tudo quanto se une ou se incorpora ao bem. (Clóvis Beviláqua).
ESPÉCIES (art. 1.248)
a) Naturais
· Formação de ilhas (inc. I)
· Aluvião (inc. II)
· Avulsão (inc. III)
· Abandono de álveo (inc. IV)
b) Artificial
· Plantações e construções (inc. V)
Das Ilhas (art. 1.249)
Observa 3 regras:
Primeira regra (inc. I): As ilhas que se formarem no meio do rio consideram-se acréscimos sobrevindos aos terrenos ribeirinhos fronteiros de ambas às margens, na proporção de suas testadas, até a linha que dividir o álveo em duas partes iguais.
Segunda regra (inc. II): As ilhas que se formarem entre a referida linha e uma das margens consideram-se acréscimos aos terrenos ribeirinhos fronteiros desse mesmo lado.
Terceira regra (inc. III): As ilhas que se formarem pelo desdobramento de um novo braço do rio continuam a pertencer aos proprietários dos terrenos à custa dos quais se constituírem.
Da Aluvião (art. 1.250 e § único )
Art. 1.250. Os acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das águas destas, pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem indenização. 
Parágrafo único. O terreno aluvial, que se formar em frente de prédios de proprietários diferentes, dividir-se-á entre eles, na proporção da testada de cada um sobre a antiga margem.
a) Própria (hipótese em que “a terra vem”)
b) Imprópria (hipótese em que “a água vai”)
Da Avulsão (art. 1.251 e § único)
Art. 1.251. Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um ano, ninguém houver reclamado.
Parágrafo único. Recusando-se ao pagamento de indenização, o dono do prédio a que se juntou a porção de terra deverá aquiescer a que se remova a parte acrescida.
Do Álveo Abandonado (art. 1.252)
Art. 1.252. O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens, sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendo-se que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo.
Das Plantações e Construções (art. 1.253 a 1.259)
· REGRA GERAL: Toda construção ou plantação existente em um terreno presume-se feita pelo proprietário e à sua custa, até que se prove o contrário. (art. 1.253)
REGRAS ESPECIAIS:
1ª Regra: Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno próprio com sementes, plantas ou materiais alheios, adquire a propriedade destes; mas fica obrigado a pagar-lhes o valor, além de responder por perdas e danos, se agiu de má-fé. (art. 1.254)
Exemplificando:
Um fazendeiro X está guardando por amizade sacosde cimentos de uma amigo Y em sua fazenda. Certo dia, o fazendeiro X utiliza o cimento e constrói um galpão em sua fazenda. O fazendeiro X terá direito à propriedade do galpão, mas terá que pagar ao amigo Y o valor do cimento, sem prejuízo das perdas e danos em razão de ter agido de má-fé.
2ª Regra: Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, plantas e construções; se procedeu de boa-fé, terá direito a indenização. Se a construção ou a plantação exceder consideravelmente o valor do terreno, aquele que, de boa-fé, plantou ou edificou, adquirirá a propriedade do solo, mediante pagamento da indenização fixada judicialmente, se não houver acordo. (art. 1.255 e § único)
Exemplificando:
A pessoa X está ocupando a casa de um amigo Y que está viajando para o exterior por 1 ano. Aproveitando-se da ausência de X, Y constrói uma churrasqueira no quintal com material próprio. Y não terá qualquer direito.
3ª Regra: Se de ambas as partes houve má-fé, adquirirá o proprietário as sementes, plantas e construções, devendo ressarcir o valor das acessões. Parágrafo único. Presume-se má-fé do proprietário, quando o trabalho de construção, ou lavoura, se fez em sua presença e sem impugnação sua. (Art. 1.256 e § único).
Exemplificando:
O proprietário X permite que Y construa uma piscina com material próprio nos fundos da propriedade. Y ao construir pensava que por isso adquiriria a propriedade do bem principal. O proprietário X ficará com a piscina, mas deverá indenizar Y pelos gastos da construção.
4ª Regra: Se a construção, feita parcialmente em solo próprio, invade solo alheio em proporção não superior à vigésima parte deste, adquire o construtor de boa-fé a propriedade da parte do solo invadido, se o valor da construção exceder o dessa parte, e responde por indenização que represente, também, o valor da área perdida e a desvalorização da área remanescente. (art. 1.258, caput)
Exemplificando:
O proprietário X constrói uma churrasqueira em sua propriedade, cuja cobertura vem invadir o terreno alheio do vizinho Y, em percentual não superior a 5%. Se construiu de boa-fé, poderá adquirir a parte invadida, desde que a construção exceda o valor da parte invadida. Todavia, X deverá indenizar Y pelo valor da área perdida e por eventual desvalorização do imóvel remanescente.
5º Regra: Pagando em décuplo as perdas e danos previstos neste artigo, o construtor de má-fé adquire a propriedade da parte do solo que invadiu, se em proporção à vigésima parte deste e o valor da construção exceder consideravelmente o dessa parte e não se puder demolir a porção invasora sem grave prejuízo para a construção. (§ único, do art. 1.258)
6ª Regra: Se o construtor estiver de boa-fé, e a invasão do solo alheio exceder a vigésima parte deste, adquire a propriedade da parte do solo invadido, e responde por perdas e danos que abranjam o valor que a invasão acrescer à construção, mais o da área perdida e o da desvalorização da área remanescente; se de má-fé, é obrigado a demolir o que nele construiu, pagando as perdas e danos apurados, que serão devidos em dobro. (art. 1.259)
DA PERDA DA PROPRIEDADE IMÓVEL (ART. 1.275 E 1.276 e 1.228, §§§ 3], 4º e 5º)
1 – Considerações Gerais
· Em razão do caráter perpetuo do domínio, este permanecerá na pessoa do titular ou de seus sucessores causa mortis de modo indefinito ou até que por meio legal seja afastado do seu patrimônio. (Silvio Rodrigues)
Modos
2.1 Alienação (art. 1.275, I e § único)
a) Conceito:
É uma forma de extinção subjetiva do domínio, em que o titular desse direito, por vontade própria, transmite a outrem seu direito sobre a coisa.
Renúncia (art. 1.275, II e § único)
a) Conceito
· É um ato unilateral pelo qual o proprietário declara, expressamente, o seu intuito de abrir mão de seu direito sobre a coisa, em favor de terceira pessoa que não precisa manifestar sua aceitação.
· OBS: Não pode se renunciar quanto há prejuízo de terceiros.
Abandono (art. 1.275, III e 1.276)
a) Conceito
É ato unilateral em que o titular do domínio se desfaz voluntariamente do seu imóvel porque não quer mais continuar sendo, por vários motivos, se dono.
OBS: Abandono x Renúncia
Perecimento o imóvel (art. 1.275, IV)
a) Conceito
· É a perda irreparável e definitiva do imóvel.
· Pode ocorrer por ato involuntário ou ato voluntário do titular do domínio. 
Desapropriação Administrativa (art. 1.275, V)
a) Conceito
É o procedimento através do qual o Poder Público, compulsoriamente, por ato unilateral, despoja alguém de um bem certo, fundado em necessidade pública, utilidade pública ou interesse social, adquirindo-o mediante indenização prévia e justa, pagável em dinheiro ou, se o sujeito passivo concordar, em títulos da dívida pública com cláusula de exata correção monetária, ressalvado à União o direito de desapropriar imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, quando objetivar a realização da justiça social através da reforma agrária (arts. 5º, XXIV; 182; §§ 3º e 4º, III; 184, 1º a 5º; 185, I e II)
OBS1: Em regra todos os bens pode ser desapropriados: móvel e imóvel; corpóreo e incorpóreo. 
OBS2: Não se desapropria a moeda nacional. Tal restrição não se aplica às moedas estrangeiras ou raras.
OBS3: Bens públicos podem ser desapropriados. Bens dos Estados, dos Municípios , do DF e dos Territórios são suscetíveis de desapropriação pela União. 
Requisição
a) Conceito
· É o ato pelo qual o Estado, em proveito de um interesse público, constitui alguém de modo unilateral e auto-executório, na obrigação de prestar-lhe um serviço ou ceder-lhe, transitoriamente, o uso de uma coisa obrigando-se a indenizar os prejuízos que tal medida, efetivamente, acarretar ao obrigado (art. 1.228, §3ºsegunda parte CC; art. 5º, XXV, 139, VII CF)
Distinção entre Desapropriação e Requisição
Desapropriação recai sobre bens e a requisição sobre bens e serviços;
Desapropriação diz respeito à aquisição da propriedade e a requisição ao uso da propriedade;
Desapropriação decorre de necessidade permanentes da coletividade e a requisição por necessidades temporárias.
A Desapropriação para que se efetive depende de acordo ou procedimento judicial, a requisição é auto-executória;
A Desapropriação é sempre indenizável , já a requisição , por sua vez, pode ser indenizada a posterior e nem sempre é obrigatória.
Desapropriação Judicial 
a) Conceito
· Trata-se do reconhecimento da posse-trabalho ou pro labore, admitindo a desapropriação judicial, nos termos do art. 1.228, §§ 4º e 5º.
DA AQUISIÇÃO E PERDA DA PROPRIEDADE IMÓVEL (art 1.260 a 1.274)
1 – Considerações Gerais
O capítulo III e IV do Livro do Direito das Coisas trata das regras de aquisição do domínio, mas regulamenta também a perda.
Modos Originários: ocupação e usucapião.
Modos Derivados: especificação, confusão, comistão, adjunção, tradição e herança.
FORMAS ORIGINÁRIAS/ DA OCUPAÇÃO
A) Considerações Gerais
Ocupar é apropriar de:
· De coisa sem dono propriamente dita (res nullius)
· De coisa sem dono abandonada (res derelictae)
Parcialmente, de coisa comum (res communis omnium)
Formas
· Ocupação propriamente dita (art. 1.263)
· Tesouro (art. 1.264 a 1.266)
· Descoberta (art. 1.233 a 1.236)
1. Da ocupação propriamente dita
· Tem por objeto seres vivos e coisas inanimadas: caça (CF, art. 225, §1º, III; L. 5.197/67) e pesca (L. 11.959/2009) 
Do Tesouro (art. 1.264 a 1.266)
a) Conceito:
Conferir art. 1.264, 1ª parte.
b) Requisitos:
O depósito de coisa móvel valiosa deve ser feita pelo homem.
Não haver memória de seu proprietário.
Estar oculto
A descoberta deve ser meramente casual
c) Regras sobre a propriedade do tesouro
1ª REGRA
· Art. 1.264, 2ª parte: O tesouro será divido em parte iguais entre o proprietário do prédio e o que achá-lo casualmente. 
Ex.: Um operário contratado para abrir um poço em terreno alheio que encontra um baú com pedras preciosas.
2ª REGRA
· Art. 1.265: O tesouro pertencerá totalmente ao proprietário do prédio privado, se for achado por ele, ou em pesquisa que ordenou ou por terceiro não autorizado . 
Ex.:O proprietário que contrata alguém para encontrar o tesouro, este terá direito à remuneração contratada, mas não a tesouro. A hipótese de alguém invadir propriedade alheia para escavar o solo
3ª REGRA
· Art. 1.266: Se o tesouro for encontrado em terreno aforado será divido por igual entre o descobridor e o enfiteuta, ou será deste por inteiro quando ele mesmo seja o descobridor . 
3. Da Descoberta (res perdita)
· Matéria já vista. Conferir arts. 1.233 a 1.237 
DA USUCAPIÃO DE COISAS MÓVEIS (ART. 1.260 A 1.262)
· Exceto no que se refere aos prazos, os fundamentos, conceitos e requisitos são idênticos à usucapião de imóveis.
· Poder ser ordinária quando alguém possuir como sua coisa móvel, ininterruptamente e sem oposição, com justo título e boa-fé pelo lapso de 03 anos.
· Poder ser extraordinária quando houver posse ininterrupta e pacífica, sem que haja necessidade de provar justo título e boa-fé, pelo prazo de 5 anos.
· OBS: aplica-se à usucapião de coisas móveis os art. 1.243 e 1.244.
FORMAS DERIVADAS
3.1 DA ESPECIFICAÇÃO ARTS. 1.269 A 1.271)
A) Conceito
É o modo de adquirir a propriedade mediante a transformação de coisa móvel em espécie nova, em virtude do trabalho ou da indústria do especificador, desde que não seja possível reduzi-la à suas forma primitiva. (Washington de Barros Monteiro)
Ex.: escultura em relação à pedra, a pintura em relação à tela, a poesia em relação ao papel, etc.
B) Regras sobre o domínio
1ª REGRA (geral)
Art. 1.269: se a matéria-prima pertencer só em parte ao especificador e não puder voltar à sua forma anterior: a propriedade da coisa nova é do especificador.
2ª REGRA
Art. 1.269: se a matéria-prima pertencer só em parte ao especificador e puder ser restituído à sua forma anterior: o dono da matéria prima não perde a propriedade.
3ª REGRA
Art. 1.270: Se toda matéria-prima for alheia e não se puder reduzir à forma precedente, será do especificador de boa-fé a espécie nova. 
Ex.: Um escultor que encontra um pedra de cantaria nas ruas de Alcântara e elabora um bela escultura. Após realizar o trabalho, descobre que a pedra é de terceiro. Nesse caso a escultura será sua, mediante indenização do dono da pedra pelo seu valor.
4ª REGRA
§ 1º, do art. 1.270: Sendo praticável a redução a estado anterior; ou quando impraticável, se a espécie nova foi obtida de má-fé, pertencerá ao dono da matéria-prima. 
Ex.: Um escultor que encontra um pedra de cantaria nas ruas de Alcântara, sabendo a quem pertence, e elabora um bela escultura. Nesse caso a escultura será de propriedade do dono da matéria-prima, não tendo o especificador direito à indenização pelo trabalho (art. 1.271)
5ª REGRA
§ 2º, do art. 1.270: Em qualquer caso, inclusive no da pintura e relação à tela, da escultura, escritura e outro qualquer trabalho gráfico em relação à matéria-prima, a espécie nova será do especificador, se o seu valor exceder consideravelmente o da matéria-prima . 
OBS: aplica-se também à hipótese o art. 1.271.
DA CONFUSÃO, COMISTÃO E ADJUNÇÃO (ARTS. 1.272 A 1.274)
A) Conceito
Ocorre quando coisas pertencentes a pessoas diversas se misturam de tal forma que é impossível separá-las.
1 – Confusão (confusão real):
Mistura entre coisas líquidas (ou gazes) em que não é possível a separação. Ex.: álcool e gasolina; água e vinho, etc..
2 – Comistão:
Mistura de coisas sólidas ou secas, não sendo possível a separação. Ex.: cereais de safras diferentes, misturas de grãos de café tiopo A com tipo B, areia e cimento, etc.
3 – Adjunção: 
Justaposição ou sobreposição de uma coisa sobre a outra, sendo impossível a separação. Ex.: a colagem de um selo valioso no álbum de um colecionador, tinta sobre a parede, etc.
C) Regras sobre a propriedade
1ª REGRA
Art. 1.272, caput: se as coisas puderam ser separadas, sem deterioração, possibilitando a cada proprietário a identificação do que lhe pertence, cada qual continuará com o seu domínio sobre a mesma coisa que lhe pertencia antes da mistura.
2ª REGRA
§1º, do art. 1.272: Não sendo possível a separação da coisas, ou exigindo dispêndio excessivo, permanece o estado de indivisão, cabendo a cada um do donos quinhão proporcional ao valor da coisa com que entrou para a mistura ou agregado. 
3ª REGRA 
§2º, do art. 1.272: Se, porém, uma das coisa puder ser considerada principal, o respectivo dono sê-lo-á do todo, indenizado os outros proprietários pelo valor das coisas acessórias.
4ª REGRA
art. 1.273: Se a confusão, comistão ou adjunção se operou de má-fé, a outra parte que estiver de boa-fé caberá escolher:
a) Adquirir a propriedade do todo, pagando o que não for seu, abatida a indenização que lhe for devida;
b) Renunciar o que lhe pertencer, caso em que será indenizado de forma integral.
5ª REGRA
art. 1.274: Se da união de matérias de natureza diversa se formar espécie nova, à confusão, comistão, ou adjunção aplicam-se as noras dos art. 1.272 e 1.273. Ex.: uma mistura de dois minerais que surja um mineral novo.
OBS: Erro de digitação do CC/2002, os artigos as quais se deveriam remeter arts. 1.270 e 1.271 referentes à especificação. 
DA TRADIÇÃO (ART. 1.267 E 1.268)
A) Considerações Gerais:
· Aplica-se, em regra, o estudo relativo à tradição da posse.
· Do mesmo modo como ocorre com a propriedade imóvel, o negocio jurídico não transfere o domínio, pois este estabelece apenas um direito pessoal. Somente com a tradição é que a declaração translatícia de vontade se transforma em direito real.
B) Conceito
A tradição vem ser a entrega da coisa móvel ao adquirente, com a intenção de lhe transferir o domínio, em razão de título translativo de propriedade (Washington de Barros Monteiro)
 C) Classificação
§ único do art. 1.267 
· Ficta: quando o transmitente continua a possuir pelo constituto possessório;
· Simbólica (traditio breve manu): quando o transmitente cede ao adquirente o direito à restituição da coisa que se encontra em poder de terceiro;
· Ficta (traditio brevi manu): o adquirente já está na posse da coisa, por ocasião do negócio jurídico.
DA HERANÇA
Pelo que consta do art. 1.784 do CC/2002, o direito sucessório pode gerar aquisição derivada da propriedade móvel (assim como da imóvel), seja a sucessão legítima ou testamentária em sentido genérico (testamento, legados e codicilos).
DIREITO DE VIZINHANÇA
ARTS. 1.277 A 1.313 
NOÇÕES GERAIS
· As regras do direito de vizinhança se constituem em limitação ao direito de propriedade
· Tem a finalidade de evitar eventuais conflitos entre proprietários de prédios vizinhos (vizinhança x contiguidade)
· Em geral, as regras são limitações impostas como obrigações de permitir e se abster.
· Os direitos de vizinhança emanam da lei e suas normas são recíprocas
· As regras são direcionadas ao proprietário e ao possuidor
· Constituem obrigações propter rem 
CONCEITO
Os direitos de vizinhança compreendem o conjunto de normas de convivência entre os titulares do direito de propriedade ou de posse de imóveis localizados próximos uns dos outros.
DO USO ANORMAL DA PROPRIEDADE (art. 1.277 a 1.281)
Bens Tutelados
· Segurança, Sossego e Saúde (teoria dos 3 ‘s’)
 Espécies de atos nocivos
a) Ilegais: (cf. art. 186)
b) Abusivos: (cf. art. 187 c/c o art. 1.288, §2º)
c) Lesivos (uso normal da propriedade mas que causam dano ao vizinho)
Critérios para se aferir a normalidade (§ único, art. 1.277)
a) Verificar se o incômodo causado se contém ou não no limite do tolerável
b) Examinar a zona onde ocorre o conflito, bem como os usos e costumes locais
c) Considerar a anterioridade da posse (pré-ocupação)
SOLUÇÕES PARA COMPOSIÇÃO DOS CONFLITOS
a) Se o incômodo é tolerável, não deverá ser reprimido
b) Se o incômodo for intolerável, deverá o juiz, primeiramente, determina que o mesmo seja reduzido a patamares normais (art. 1.279)
c) Se não for possível a redução, então determinará o juiz a cessão da atividade, se esta for do interesse particular
d) Se a atividade danosa for de interesse social, não se determinará a sua cessão, mas se imporá ao seu responsável a obrigação de indenizar o vizinho (art. 1.278)
DAS ÁRVORES LIMÍTROFES (Arts. 1.282 a 1.284)
· A árvorecujo tronco estiver na linha divisória presume-se pertencer em comum aos donos dos prédios confinantes (art. 1.282). 
· As raízes e ramos que ultrapassarem a estrema do prédio poderão ser cortados, até o plano vertical divisório, pelo proprietário do terreno invadido (art. 1.283)
· Os frutos caídos das árvores no terreno vizinho pertencem ao dono do solo onde caíram, se este for propriedade particular (art. 1.284)
DA PASSAGEM FORÇADA (art. 1.285)
O CC/2002 assegura ao proprietário do prédio encravado de forma natural e absoluta, sem acesso à via pública, nascente ou porto direito de, mediante indenização e de forma menos onerosa, constranger o vizinho a lhe dar passagem, cujo rumo será judicialmente fixado, se necessário (art. 1.285)
Visa assegurar a destinação ou utilidade econômica, não se confundindo com a servidão de passagem.
Pode ser extinta por desuso pelo prazo de 10 anos (art, 1.389, III)
DA PASSAGEM DE CABOS E TUBULAÇÕES (art. 1.286 e 1.287)
· O proprietário é ainda obrigado à tolerar, mediante indenização, a passagem pelo seu imóvel de cabos e tubulações e outros condutos subterrâneos de serviços de utilidade pública (luz, água, esgoto, etc.) em proveito de proprietários vizinhos, quando de outro modo for impossível ou excessivamente onerosa. (art. 1.286)
DAS ÁGUAS (art. 1.288 e 1.296)
O CC/2002 disciplina a utilização de aqueduto ou canalização das águas, permitindo a todos canalizar pelo prédio de outrem as águas a que tenha direito, mediante prévia indenização ao proprietário, não só para as primeira necessidades da vida como também para os servidos da agricultura ou da indústria, escoamento da águas supérfluas ou acumuladas ou a drenagem de terrenos.
8 – DOS LIMITES ENTRE PRÉDIOS E DO DIREITO DE TAPAGEM (art. 1.297 e 1.298)
· Estabelece o CC/2002 regras para demarcação dos limites entre prédios, dispondo que o proprietário pode constranger o seu confinante a proceder com e ele à demarcação entre os dois prédios, aviventar rumos apagados e a renovar marcos destruídos ou arruinados, repartindo-se proporcionalmente entre os interessados as respectivas despesas (art. 1.297).
· A lei concede ao proprietário o direito cercar, murar, valar ou tapar de qualquer modo o seu prédio, quer seja urbano ou rural (art. 1.297).
· Tem-se entendido que a divisão das despesas deve ser previamente convencionada. Quanto aos tapumes especiais, destinados à vedação de animais de pequeno porte, ou adorno de propriedade ou sua preservação, entende-se que a construção ou conservação cabem unicamente ao interessado, que provocou a necessidade deles.
DO DIREITO DE CONSTRUIR
9.1. Limitações e responsabilidades
Pode o proprietário levantar em seu terreno as construções que lhe aprouver, salvo o direito dos vizinhos e o regulamentos administrativos (art. 1.299).
A ação mais comum entre vizinhos é a de indenização, mas podem ser utilizadas ação demolitória (art. 1.280 e 1.312), cominatória, de nunciação de obra nova, de caução de dano infecto, possessória.
A responsabilidade pelos danos causados a vizinhos em virtude de construção é objetiva
Devassamento da propriedade vizinha
· É defeso “abrir janelas, ou fazer eirado ou terraço ou varanda, a menos de metro e meio do terreno vizinho” (art. 1.301).
· Conta-se a distância de um metro e meio da linha divisória e não do edifício vizinho.
· Nesse caso, o lesado pode embargar a construção, mediante embargo de obra nova.
Cfr. Sumulas STF 120 e 414
Águas e Beirais
· Não pode o proprietário construir de modo que 0 beiral de seu telhado despeje sobre o vizinho. 
· As águas pluviais devem ser despejadas no solo próprio dono do prédio , e não na do vizinho,
· Se, porém, o proprietário colocar calhas que recolham as goteiras, impedindo que caiam na propriedade vizinha, poderá encostar na linha divisória (art. 1.300)
Paredes e Divisórias
· Paredes divisórias (parede-meia) são as que integram a estrutura do edifício, na linha da divisa.
· O art. 1.305 abra ao proprietário que primeiro edificar a alternativa: a) assentar a parede somente no seu terreno ou b) assentá-la, até meia espessura, no terreno vizinho.
· Na primeira hipótese, a parede pertencer-lhe-á inteiramente; na segunda, será de ambos.
· Nas duas hipóteses, os vizinhos podem usá-las livremente, 
Uso do prédio vizinho
· O proprietário ocupante do imóvel é obrigado a tolerar que o vizinho entre no prédio, mediante aviso prévio para “dele temporariamente usar, quando indispensável à reparação, construção ou limpeza de sua casa ou de muro divisório” e “ apoderar-se de coisas suas, inclusive animais que aí se encontrem casualmente”. (art. 1.313) 
DIRETO REAIS SOBRE COISAS ALHEIAS
SUPERFÍCIE
1 – Considerações Gerais
· Teve origem no direito romano.
· No Brasil, foi introduzido pelo Estatuto das Cidades, e surgiu em substituição à Enfiteuse, buscando melhor atendimento da função social da propriedade (melhor utilidade da coisa).
OBS.: A enfiteuse somente poderia ser onerosa, perpétua e com laudêmio
· O instituto é regulado pelo Código Civil e pelo Estatuto das Cidades (Lei nº 10.257/2001)
Conceito:
· Trata-se de direito real de fruição ou gozo sobre coisa alheia, de origem romana, pelo qual o proprietário concede a outrem o direito de construir ou de plantar em seu terreno, por tempo determinado, mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis. (art. 1.369) (Carlos Roberto Gonçalves)
Partes:
Proprietário, concedente ou fundieiro (titular do direito de propriedade)
Superficiário (titular do direito real)
Regulamentação
· O superficiário, que tem o direito de construir ou plantar, responderá pelos encargos e tributos que incidirem sobre o imóvel (art. 1.371) (cf. Enunciado 94 CJF/STJ)
· Permite a transmissão inter vivos ou causa mortis (art. 1.372)
· Não poderá ser estipulado pelo concedente, a nenhum título, qualquer pagamento pela transferência (§único, art. 1.372)
· Em caso de alienação do imóvel ou do direito de superfície, o proprietário ou superficiário têm direito de preferência em igualdade de condições (art. 1.373)
5 – EXTINÇÃO E SEUS EFEITOS
· Der o superficiário der ao terreno concedido destinação diversa. (art. 1.374)
· Pelo termo final da concessão (extinção do prazo) (art. 1.375)
· Pela Desapropriação (art. 1.376)
· Resilição (por prazo indeterminado – Estatuto das cidades)
· Distrato
· Perecimento do terreno gravado
· Pelo não uso do direito de construir ou plantar dentro do prazo acordado
· Falecimento do superficiário sem deixar herdeiros
SERVIDÃO
1 – Conceito
Constitui restrição imposta a um imóvel, para uso e utilidade de outro pertencente a dono diverso. 
Trata-se de direito real instituído em favor de um prédio (dominante) sobre outro (serviente) pertencente a dono diverso. (Carlos Roberto Gonçalves)
Características
a) Predialidade
b) Acessoriedade
c) Ambulatoriedade
d) Indivisibilidade
e) Perpetuidade
f) Inalienabilidade
g) Não se presume
Classificação
 Quanto à natureza dos prédios envolvidos
a) Rústica: prédios localizados fora da área urbana. Ex.: Servidão para condução de gado, de pastagem, retirada de águas, etc.
b) Urbana: prédios localizados na área urbana. Ex.: servidão de construir acima de uma determinada altura, escoamento de água da chuva para o vizinho.
Quanto à conduta das partes
a) Positiva: decorre de conduta comissiva por parte do prédio dominante.
Ex.: Servidão de passagem
b) Negativa: decorre de ato omissivo ou de abstenção do prédio serviente.
Ex.: servidão de não construir edificação no terreno 
Quanto ao modo de exercício
a) Contínua: é exercida independentemente de ato humano, e em geral ininterruptamente. Ex.: Passagem de luz, de água, de ventilação, etc.
b) Descontínua: depende de atuação humana de forma sequencial, com intervalos. Ex.: servidão de passagem de pessoas, servidão para retirada de água em terreno alheio, etc.
Quanto à forma de exteriorização
a) Aparente (visível por olho nu): é aquela que se manifesta por obras exteriores, visíveis e permanentes. Ex.: Servidão de passagem ou trânsito onde há um caminho demarcado, aqueduto.b) Não aparente (não é visível a olho nu) : é aquela que não se revela por obra exterior. Ex.: servidão de não construir, de não passar por determinada via, de não abrir janela, etc.
Modos de Constituição
a) Negócio Jurídico causa mortis (testamento) ou inter vivos (contrato) (art. 1.378)
b) Usucapião (art. 1.379)
c) Sentença em ação de partilha (art. 596, §único, II, CPC) e ação confessória
c) Destinação do proprietário (serventia)
– Direitos e Deveres (Exercício)
Do proprietário do prédio dominante
a) Direitos
· Usar e gozar da servidão
· Realizar obras necessárias à sua conservação e uso (art. 1.380)
· Exigir a ampliação da servidão para facilitar a exploração do prédio dominante (art. 1.385, §3º)
· Renunciar à servidão (art. 1.388, I) e Removê-la (art. 1.384, parte final)
 Deveres
Pagar todas as obras feitas para o uso e conservação da servidão (art. 1.381)
Exercer a servidão civiliter modo (art. 1.385)
Indenizar o dono do prédio serviente pelo excesso do uso da servidão em caso de necessidade (art. 1.385,§3º)
Do proprietário do prédio serviente
Direitos
· Exonerar-se de pagar as despesas com o uso e conservação da servidão, desde que abandone total ou parcialmente a propriedade em favor do dono do prédio dominante (art. 1.382, §único)
· Remover a servidão de um local para o outro (art. 1.384)
· Impedir que o proprietário do dominante efetive qualquer mudança na forma de utilização da servidão, pois este deve manter sua destinação (art. 1.385, §3º)
· Cancelar a servidão nos termos do art. 1.388 e 1.389
Deveres
· Permitir que o dono do prédio dominante realize obras necessárias à conservação e utilização da servidão (art. 1.380)
· Respeitar o uso normal e legítimo da servidão (art. 1.383)
· Pagar as despesas com a remoção da servidão e não prejudicar ou diminuir as vantagens do prédio dominante, que decorrerem dessas mudanças (art. 1.384) 
EXTINÇÃO
a) Renúncia do dominante (art. 1.388, I)
b) Cessação da utilidade (art. 1.388, II)
c) Resgate (art. 1.388, III)
d) Pela reunião dos prédios no domínio da mesma pessoa - Confusão (art. 1.389, I)
e) Supressão das respectivas obras (art. 1.389, II)
f) Desuso (art. 1.389, III)
g) Desapropriação (art. 1.387)
TUTELA DA SERVIDÃO
a) Ação Confessória
· Visa à obtenção do reconhecimento judicial da existência de uma servidão negada ou contestada.
b) Ação Negatória
· Visa obter a declaração da inexistência da servidão ou de direito de sua ampliação.
c) Manutenção ou Reintegração de Posse 
d) Usucapião (art. 1.379) 
USUFRUTO
1 – CONCEITO
· É o direito real, conferido a alguma pessoa, durante certo tempo, que a autoriza a retirar, da coisa alheia, frutos e utilidades, que ela produza (Clóvis Beviláqua)
2 – PARTES
a) Usufrutuário: usa e goza da coisa (domínio útil/posse direta)
b) Nu-proprietário: reivindica e dispõe da coisa (posse indireta) 
CARACTERÍSTICAS
a) É um direito real sobre coisa alheia
b) É temporário (art. 1.410, I e III)
c) É intransmissível e inalienável, mas admite a cessão do seu exercício. (art. 1.393)
d) É impenhorável (o direito, mas não o exercício do direito como a percepção dos frutos e utilidades do bem) 
CLASSIFICAÇÃO
4.1. Quanto à origem
a) Legal: quando instituído por lei em benefícios de determinadas pessoas. Ex.: o do pai ou da mãe sobre os bens dos filhos menores (art. 1.689, I), do cônjuge sobre os bens do outro (art. 1.652, I).
b) Voluntário ou Convencional: decorre de um ato de vontade inter vivos ou causa mortis, Ex.: contrato ou testamento. Pode ser:
b.1) por alienação: concede o usufruto e conserva a nua propriedade.
b.2) Por retenção ou deducto: conserva o usufruto e concede a nua propriedade. 
Quanto ao objeto
a) Próprio: tem por objeto coisa inconsumíveis e infungíveis, cujas substâncias podem ser conservadas e restituídas ao nu-proprietário.
b) Impróprio (quase usufruto): tem por objeto coisa consumíveis e fungíveis. 
Quanto à Extensão
a) Universal ou geral: recai sobre a universalidade ou quota-parte de bens. Ex.: herança; estabelecimento empresarial.
b) Particular: recai sobre bens individualizados ou determinados. Ex.: uma casa, um sítio.
c) Total ou Pleno: abrange todos os acessórios e acrescidos. Ex.: Usufruto do apartamento abrange a garagem.
d) Parcial ou restrito: tua abrangência limitada no ato da instituição. 
Quanto à Duração
a) Temporário ou a termo: quando da instituição já se estabelece o prazo de duração. Ex.: pessoa jurídica cujo prazo máximo é de 30 anos (art. 1.410, III)
b) Vitalício: É o que perdura até a morte do usufrutuário. (art. 1.410)
c) Simultâneo: instituído para beneficiar várias pessoas, extinguindo-se gradativamente, em ralação a cada uma das que faleceram. 
DIREITOS E DEVERES DO USUFRUTUÁRIO
Direitos
a) Direito à posse, administração e percepção dos frutos (art. 1.394 e 1.395)
b) Salvo direito adquirido por outrem, o usufrutuário tem direitos aos frutos naturais, pendentes ao começar o usufruto, sem encargo de pagas as despesas de produção desses frutos (art. 1.396 e 1.397)
c) Os frutos vencidos na data inicial do usufruto pertencem ao proprietário, e ao usufrutuário os vencidos na data que cessa o usufruto (art. 1.398)
d) O usufrutuário tem o direito de usufruir em pessoa, ou mediante arrendamento, do prédio do contrato (art.1.399)
Deveres
a) Dever de zelar pela coisa como se fosse sua;
b) O usufrutuário, antes de assumir o usufruto, tem o dever de inventariar, à sua custa, os bem que receber, determinando o estado em que se acham, e de dar caução usufrutuária, pessoal ou real, se essa for exigida pelo dono da coisa (art. 1.400)
c) O usufrutuário tem o dever de pagar as despesas ordinárias de conservação dos bens, levando-se em contar o estado em que os recebeu (art. 1.403, I) 
d) O usufrutuário deve pagar as prestações e os tributos devido pela posse ou rendimento da coisa usufruída (art. 1.403, I). Ex.: despesa com a taxa ordinária de condomínio e IPTU
e) Se o usufruto recair em patrimônio, ou parte deste, será o usufrutuário obrigado aos juros da dívida que onerar o patrimônio ou parte dele (art. 1.405)
f) O usufrutuário é obrigado a dar ciência ao dono de qualquer lesão produzida contra a posse de coisa, ou direitos deste (art. 1.406)
g) Se a coisa usufrutuária estiver segurada, incumbe ao usufrutuário pagar, durante o usufruto, as contribuições do seguro (art. 1.407)
h) Se um imóvel sujeito a usufruto for destruído sem culpa do proprietário, não será este obrigado a reconstruí-lo. Além disso, o usufruto não será restabelecido se o proprietário reconstruí à sua custa o prédio, Porém, se a indenização do seguro for aplicada à reconstrução do prédio, haverá restabelecimento do usufruto (art. 1.408)
EXTINÇÃO
· Conferir as hipótese previstas nos art. 1.410 e 1.411 do CC/2002
USO (usufruto limitado, anão, nanico ou em miniatura)
1 – CONCEITO
Direito real que, a título gratuito ou oneroso, autoriza uma pessoa a retirar, temporariamente, de coisa alheia, todas as utilidades para atender às suas próprias necessidades e às de sua família. Ex.: jazigos
CARACTERÍSTICAS
· É direito real sobre coisa alheia gratuito ou oneroso
· É temporário
· É intransmissível ou incessível
· É personalíssimo 
OBJETO
· Bens móveis (infungíveis e inconsumíveis) e imóveis
· Bens Corpóreos (e incorpóreos)
4 – MODOS DE CONSTITUIÇÃO
· Ato jurídico inter vivos e causa mortis
· Sentença Judicial
· Usucapião
OBS: Não pode ser constituído por Lei.
DIREITOS E DEVERES
Direitos
· Usar a coisa 
· Extrair do bem todas os frutos para atender às suas próprias necessidades e de sua famílias
· Melhorar o bem introduzindo benfeitorias que o tornem mais cômodo ou agradável
· Administrar a coisa
Deveres
· Conservar a coisa como se fosse sua
· Não retirar rendimentos ou utilidades que excedem à prevista em lei
· Proteger o bem com as ações possessórias
· Não dificultar ou impedir o exercício dos direitos do proprietário
· Restituir a coisa, pois só detém a sua posse direta, a titulo precário, uma vez que o uso é temporário
EXTINÇÃO
Morte do usuário
Advento do prazo final
Perecimento do objeto
Consolidação 
Renúncia
HABITAÇÃO
1 -CONCEITO
· Direito real temporário de ocupar gratuitamente casa alheia, para moradia do titular e de sua família (art. 1.414).
2 – CARACTERÍSTICAS
· Direito real limitado
· Personalíssimo
· Temporário
· Gratuito
· Intransmissível 
DIREITOS E DEVERES
Direitos
· Morar na casa com a família
· Exigir que o dono respeite o seu direito de moradia
· Defender sua posse pelos meios legais
· Receber indenização pelas benfeitorias necessárias
Deveres
· Guardar e conservar o prédio
· Não alugar e nem emprestar o imóvel
· Pagar os tributos que recaírem sobre o imóvel
· Restituir o prédio ao proprietário no estado em que recebeu, sob pena de pagar perdas e danos pelos danos que por sua negligência ocasionar.
Constituição
· Por Lei (art. 1.831)
· Por ato inter vivo ou causa mortis
 Extinção
· Desaparece do mesmo modo que o usufruto e o uso.

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