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4º Período Eduardo Zanella Gastrite Objetivos: 1. Revisar a morfologia do estômago; 2. Sobre a gastrite, compreender: definição, classificação, epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, complicações, manifestações clínicas, diagnostico e tratamento; 3. Compreender os aspectos microbiológicos do H. pylori. Morfologia do estômago • O estômago é um alargamento do canal alimentar em formato de J diretamente inferior ao diafragma no abdome. • Como uma refeição pode ser consumida muito mais rapidamente do que os intestinos podem digeri-la e absorvê-la, uma das funções do estômago é servir como uma câmara de mistura e reservatório de retenção • No estômago, a digestão de amido e triglicerídios continua, a digestão das proteínas começa, o bolo alimentar semissólido é convertido em um líquido, e determinadas substâncias são absorvidas. Anatomia do estômago Localizado na região epigástrica e no hipocôndrio esquerdo e ele se conecta diretamente com o esôfago; O estômago faz ligação com o fígado, tendo ligamentos que são responsáveis por fazer essa conexão As paredes do estomago são irregulares, assim, elas possuem a capacidade de se estender para realizar a digestão O estômago tem quatro regiões principais: 1. Cárdia: A cárdia circunda a abertura do esôfago ao estômago. 2. Fundo gástrico: A porção arredondada superior e à esquerda da cárdia. 3. Corpo gástrico: Inferior ao fundo gástrico. 4. Parte pilórica: A parte pilórica pode ser dividida em três regiões. - Antro pilórico - Canal pilórico - Piloro: O piloro se comunica com o duodeno do intestino delgado por meio de um esfíncter de. músculo liso chamado músculo esfíncter do piloro 4º Período Eduardo Zanella Histologia do estômago A parede do estômago é composta pelas mesmas camadas básicas que o restante do canal alimentar, com certas modificações. 1. Túnica mucosa: É formada por uma camada de células epiteliais colunares simples, chamada células mucosas da superfície. Contém a lâmina própria (tecido conjuntivo areolar) e a lâmina muscular da mucosa (músculo liso). *** Observação: Na lâmina própria, formam-se glândulas gástricas. Várias glândulas gástricas se abrem na base de canais estreitos chamadas criptas gástricas. Secreções de várias glândulas gástricas fluem para cada cripta gástrica e, em seguida, para dentro do lúmen do estômago. 2. Tela submucosa: É composta por tecido conjuntivo areolar. 3. Túnica muscular: Possui três camadas de músculo liso: uma camada longitudinal externa, uma camada circular média e fibras oblíquas internas. As fibras oblíquas estão limitadas principalmente ao corpo gástrico. 4. Túnica serosa: É composta por epitélio escamoso simples (mesotélio) e tecido conjuntivo areolar. Hisyologia das glândulas gástricas As glândulas gástricas contêm três tipos de células glandulares exócrinas que secretam seus produtos para o lúmen do estômago: 1. Células mucosas do colo: Secretam muco. 2. Células principais : Secretam pepsinogênio e lipase gástrica. 3. Células parietais: Produzem fator intrínseco (necessário para a absorção de vitamina B12) e ácido clorídrico. ***Observação: As glândulas gástricas incluem um tipo de célula enteroendócrina, a célula secretora de gastrina, que está localizada principalmente no antro pilórico e secreta o hormônio gastrina na circulação sanguínea Fisiologia do estômago O estômago possui três funções gerais: 1. Armazenamento: O e estômago armazena alimento e regula a sua passagem para o intestino delgado. 2. Digestão: O estômago digere a comida, química e mecanicamente, formando a mistura “cremosa” de partículas uniformemente pequenas, chamada de quimo. 3. Defesa: O estômago protege o corpo por destruir muitas das bactérias e outros patógenos que são deglutidos juntamente com a comida ou aprisionados no muco das vias respiratórias. ARMAZENAMENTO DO BOLO ALIMENTAR: • Quando o alimento chega do esôfago, o estômago relaxa e expande para acomodar o volume aumentado. 4º Período Eduardo Zanella • A metade superior do estômago permanece relativamente em repouso, retendo o bolo alimentar até que ele esteja pronto para ser digerido. • enquanto a parte superior do estômago está retendo o bolo alimentar, a parte inferior do estômago está ocupada com a digestão. • Na metade distal do estômago, uma série de ondas peristálticas empurra o bolo alimentar para baixo, em direção ao piloro, misturando-o com o ácido e as enzimas digestórias. • Quando as partículas grandes são digeridas e a textura do quimo fica mais uniforme, cada onda contrátil ejeta uma pequena quantidade de quimo no duodeno através do piloro. • O aumento da motilidade gástrica durante a refeição é estimulada pela distensão do estômago. SECREÇÕES GÁSTRICAS PROTEGEM E DIGEREM • As criptas levam a glândulas gástricas profundas dentro da camada mucosa. • Múltiplos tipos celulares dentro das glândulas produzem ácido gástrico (HCl), enzimas, hormônios e moléculas parácrinas. Secreção de gastrina: • As células G, encontradas profundamente nas glândulas gástricas, secretam o hormônio gastrina no sangue. • A principal ação da gastrina é promover a liberação de ácido. Ela faz isso diretamente por agir nas células parietais e indiretamente por estimular a liberação de histamina. Secreção Ácida : • As células parietais profundas nas glândulas gástricas secretam o ácido gástrico (HCl) no lúmen do estômago. O ácido gástrico tem múltiplas funções: 1. O ácido no lúmen do estômago causa a liberação e a ativação da pepsina, uma enzima que digere proteínas. 2. O ácido desencadeia a liberação de somatostatina pelas células D. 3. O HCl desnatura proteínas deixando as ligações peptídicas entre os aminoácidos mais acessíveis à digestão pela pepsina 4. O ácido gástrico ajuda a destruir bactérias e outros microrganismos ingeridos. 5. O ácido inativa a amilase salivar, cessando a digestão de carboidratos que iniciou na boca. Secreção enzimática : • O estômago produz duas enzimas: 1. Pepsina: Realiza a digestão inicial de proteínas. É secretada na forma inativa pepsinogênio pelas células principais das glândulas gástricas. Uma vez no lúmen do estômago, o pepsinogênio é clivado à pepsina ativa pela ação do H+, e a digestão proteica inicia. 2. Lipase gástrica: A lipase gástrica é cosecretada com a pepsina. As lipases são enzimas que quebram triacilgliceróis Secreções parácrinas: • As secreções parácrinas da mucosa gástrica incluem: 1. Histamina: É secretada em resposta à estimulação por gastrina ou por acetilcolina. A histamina difunde- se para o seu alvo, as células parietais, estimulando a secreção ácida por se ligar a receptores H2 nas células parietais. 2. Fator intrínseco: É uma proteína secretada pelas células parietais. No lúmen do estômago e do intestino delgado, o fator intrínseco se complexa com a vitamina B12, um passo que é necessário para a absorção da vitamina no intestino. 3. Somatostatina: Conhecida como hormônio inibidor do hormônio do crescimento, é secretada por células D no estômago. Ela reduz a secreção ácida direta e indiretamente por diminuir a secreção de gastrina e histamina. A somatostatina também inibe a secreção de pepsinogênio 4º Período Eduardo Zanella O ESTÔMAGO EQUILIBRA DIGESTÃO E DEFESA: • Sob condições normais, a mucosa gástrica protege a si mesma da autodigestão por ácido e enzimas com umabarreira muco- -bicarbonato. • O muco forma uma barreira física, e o bicarbonato cria uma barreira tamponante química subjacente ao muco. • A secreção de muco aumenta quando o estômago é irritado, como pela ingestão de ácido acetilsalicílico ou de álcool. • Outro mecanismo de defesa está na cobertura de células epiteliais superficiais excepcionalmente justapostas umas às outras e, portanto, impermeável. • O epitélio gástrico estão conectadas por junções estreitas que impedem a penetração do ácido e estão cobertas por uma camada lipídica hidrofóbica impermeável, que não viabiliza a difusão das moléculas hidrossolúveis ionizadas. • O ácido acetilsalicílico (AAS) consegue atravessar a camada lipídica e causar danos às células superficiais, que podem resultar em erosões agudas. • O álcool, que é lipossolúvel como o AAS, também rompe a barreira mucosa. • lterações da irrigação sanguínea do estômago (p. ex., choque) tendem a reduzir a produção de HCO3–. • O AAS e os antiinflamatórios não esteroides (AINEs) também reduzem a secreção de HCO3– por inibição da COX1, uma enzima d e á c i d o g r a x o q u e s i n t e t i z a a s prostaglandinas mediadoras da secreção de bicarbonato. Existem dois tipos de muco que protegem a mucosa gástrica: solúvel e insolúvel em água: 1. O muco insolúvel em água forma um gel estável fino, que adere à superfície da mucosa gástrica e confere proteção contra as ações proteolíticas (digestão das proteínas) da pepsina. Além disso, esse tipo de muco forma uma camada irremovível que retém bicarbonato e forma uma interface alcalina entre o conteúdo luminal do estômago e sua superfície mucosa. 2. O muco hidrossolúvel é desprendido da superfície mucosa e mistura-se com o conteúdo luminal; sua composição viscosa tem função lubrificante, impedindo lesão mecânica da superfície mucosa. • As prostaglandinas – desempenham um papel importante como proteção da mucosa gástrica contra lesão. Aparentemente, as prostaglandinas exercem seu efeito por: 1. Aumento da irrigação sanguínea da mucosa, 2. Redução da secreção ácida 3. Aumento da secreção de íons bicarbonato produção de muco. 4º Período Eduardo Zanella Sobre a gastrite, compreender: Definição “Gastrite” significa inflamação gástrica... Este termo é utilizado atualmente para indicar a presença de infiltrado leucocitário inflamatório na mucosa do estômago, que pode ou não se associar a alterações do aspecto endoscópico. A gastrite por H. pylori e a gastrite autoimune (anemia perniciosa) são os dois principais representantes. O termo “Gastropatia” foi criado para indicar a lesão da mucosa gástrica, com injúria e regeneração epitelial, edema e vasodilatação, não acompanhados de infiltrado leucocitário. Gastropatia por AINE, lesão aguda de mucosa gástrica e gastropatia alcoólica são os principais exemplos. Classificações Antigamente, atribuía-se a gastrite aos sintomas de dispepsia, quando o paciente apresentava na endoscopia enantema ou erosões da mucosa gástrica. Hoje sabemos que a relação entre gastrite e dispepsia é precária, pois a maioria das gastrites é assintomática e a maioria dos pacientes com dispepsia sem úlcera não tem gastrite. Por isso, foi criado o termo “Dispepsia não ulcerosa” ou “Dispepsia funcional” para todo paciente com sintomas dispépticos não acompanhados de úlcera péptica ou neoplasia na endoscopia. Hoje classificamos as gastrites e gastropatias baseando-se em: 1) tempo de instalação (aguda ou crônica); 2) histopatologia (gastrite superficial ou gastrite atrófica ou gastropatia); e 3) etiologia (ex.: gastrite por H. pylori). Etiologia + Fisiopatologia Gastrite: lesão endotelial, muito infiltrado inflamatório e tem etiologia por infecções e autoimunidade; Gastropatia: lesão endotelial, pouco infiltrado inflamatório e tem etiologia por substancias e causas vasculares; 4º Período Eduardo Zanella Gastrite por Helicobacter pylori O H. pylori é um bacilo Gram-negativo que se adere à mucosa gástrica, sobrevivendo neste local graças à secreção de urease (enzima que converte a ureia em amônia, alcalinizando o meio ambiente). O germe não é invasivo, mas possui fatores de virulência que estimulam a resposta inflamatória tecidual (como os produtos dos genes cagA e vacA). Trata-se da infecção crônica mais comum do mundo, geralmente adquirida na infância. Sua prevalência tem caído nos países desenvolvidos, sendo inversamente proporcional ao nível socioeconômico. Mesmo assim, boa parte da população (30-50% dos adultos) alberga a bactéria em seus estômagos! FISIOPATOLOGIA: Helicobacter pylori (H. pylori) é um bacilo gram-negativo, espiralado e flagelado (Figura 4) cuja principal enzima produzida é a urease, fundamental para sua sobrevivência no ambiente ácido do estômago. A urease hidrolisa a ureia luminal e forma amônia que aumenta o pH gástrico, promovendo um ambiente favorável para a bactéria. Somado a esse fato, sua forma espiral, os flagelos e as enzimas mucolíticas que ele produz facilitam sua passagem através da camada de muco para o epitélio da superfície gástrica, levando à inflamação e à lesão mucosa (Figura 5). • Gastrite aguda por H. pylori: Após aquisição da bactéria, o paciente desenvolve uma pangastrite aguda superficial, que pode ser totalmente assintomática ou se apresentar com dispepsia (dor epigástrica, náuseas e vômitos). Neste momento, o histopatológico revela uma gastrite neutrofílica. Tal quadro evolui com resolução espontânea dentro de alguns dias ou semanas, porém, na maioria das vezes, a bactéria não desaparece... A partir daí, três evoluções são possíveis: (1) gastrite crônica leve; (2) gastrite antral crônica; (3) pangastrite crônica grave (atrófica). Em todas elas, o histopatológico revela uma gastrite linfocítica. § A gastrite crônica leve representa o fenótipo mais comum, cursando de forma assintomática e sem repercussões clínicas no futuro. 4º Período Eduardo Zanella § A gastrite antral crônica (15% dos casos), por outro lado, se associa à HIPERcloridria e à úlcera péptica (principalmente duodenal). O mecanismo é o seguinte: o H. pylori danifica de forma seletiva as células D do antro, secretoras de somatostatina, o que suprime o feedback negativo deste hormônio sobre as células G, secretoras de gastrina... Assim, ocorre hipergastrinemia, que estimula a secreção ácida do corpo e fundo gástrico (os quais se encontram livres de doença nesta forma de gastrite). § Na pangastrite grave (forma menos frequente) há destruição e atrofia das glândulas oxínticas do corpo e fundo gástrico, gerando HIPOcloridria. Tal fenótipo se associa às úlceras gástricas, à metaplasia intestinal (lesão precursora do adenocarcinoma) e à hiperestimulação do tecido linfoide associado à mucosa, aumentando o risco de linfoma B de baixo grau (linfoma MALT do estômago) No geral, até 10% dos portadores crônicos do H. pylori complicam doença ulcerosa péptica. O adenocarcinoma gástrico aparece em 0.1-3% desses pacientes, e o linfoma MALT em < 0.01%. Como diagnosticar? • Pesquisa de antígeno fecal; • Teste respiratório da ureia; • Sorologia não é tao confiável → cicatriz sorológica; • O diagnóstico também pode ser dado por meio da EDA (teste rápido da urease ou histopatológico de um fragmento de biópsia). Gastrite Atrófica Autoimune Envolve predominantemente a mucosa do corpo e fundo gástricos, poupando o antro. É frequente a associação com outras doenças autoimunes, como a tireoidite de Hashimoto e a doença de Graves. Autoanticorpospodem estar presentes: anticélula parietal (o mais frequente) e antifator intrínseco (o mais específico). A falta do fator intrínseco leva à anemia megaloblástica por carência de B12. Esta gastrite é um importante fator de risco para o adenocarcinoma gástrico! Gastropatia Erosiva/Hemorrágica Existem três condições principais que normalmente se associam a este tipo de lesão gástrica: • Gastropatia pelos AINE:Pode ser aguda ou crônica e pode cursar ou não com sintomas dispépticos e sangramento digestivo alto (hematêmese, melena). O uso de AINEs está associado à petéquias, erosões e úlceras na mucosa gástrica, sem que haja inflamação típica. As erosões são superficiais, e raramente causam sangramento importante. Em alguns casos, entretanto, estas são responsáveis por sangramento crônico (sangue oculto nas fezes) que resulta em anemia ferropriva. As petéquias são devidas ao sangramento focal que infiltra a mucosa e têm pouco significado clínico. Eventualmente as erosões evoluem para úlceras, com sangramento importante. A fisiopatologia da gastropatia por AINE é bem conhecida: estes fármacos inibem a formação de prostaglandinas pelas células da mucosa gástrica, prejudicando seriamente a proteção contra o ácido gástrico e a própria regeneração epitelial. • “Lesão Aguda da Mucosa Gástrica”: A Lesão Aguda de Mucosa Gástrica (LAMG) ocorre no curso de uma doença grave, frequentemente nos pacientes de CTI, já nas primeiras 72h da internação. O mecanismo de injúria não é totalmente conhecido, mas há participação fundamental de isquemia mucosa. As lesões erosivo/hemorrágicas são responsáveis porepisódios de hemorragia digestiva alta em cerca de 6% desses pacientes, acarretando aumento da morbimortalidade. 4º Período Eduardo Zanella • Gastropatia Alcoólica: Comumente são encontradas em pacientes alcoólatras hemorragias subepiteliais puntiformes, com aspecto endoscópico de “sangue sob envoltório plástico”, associadas ao edema de mucosa. Embora anteriormente denominadas “gastrites hemorrágicas”, estas lesões não costumam causar sangramento importante. Sangramentos graves indicam a procura de outras condições (úlcera péptica, hipertensão porta, Mallory-Weiss etc.). Aguada: • Geralmente transitória; • Pode causar vômitos, dor, hemorragia e ulceração; • A forma erosiva é a mais comum; • Associada a compostos irritativos locais; • Em geral, a gastrite aguda é um distúrbio autolimitado, com recuperação e cicatrização completas dentro de alguns dias depois • da eliminação da condição ou do agente desencadeante. Crônica: • inexistência de erosões visíveis macroscopicamente; • existência de alterações inflamatórias crônicas; • atrofia do epitélio glandular do estômago. Tratamento A primeira conduta é tranquilizar o paciente quanto ao caráter benigno de seu quadro, sem desmerecer seus sintomas. Quanto à dieta, devemos respeitar as intolerâncias específicas de cada paciente. A saciedade precoce pode ser aliviada com o fracionamento das refeições e a plenitude pós-prandial, evitando-se alimentos gordurosos e condimentos. 4º Período Eduardo Zanella A psicoterapia tem bons resultados em um subgrupo de pacientes, especialmente quandomos fatores emocionais parecem predominar. O tratamento farmacológico em geral é pouco eficaz quando comparado ao placebo! Vale ressaltar que o placebo pode melhorar transitoriamente 30-60% dos pacientes, mostrando a necessidade de se prescrever algum medicamento para eles... Como já enfatizamos, se o H. pylori estiver presente recomenda-se instituir o tratamento de erradicação da bactéria. Para os pacientes com dispepsia “tipo úlcera”, os bloqueadores H2 e os IBP se mostraram 20% superiores ao placebo, devendo ser prescritos por 1-2 meses. Os antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, imipramina) e a fluoxetina, em baixas doses, mostraram eficácia em alguns estudos. Aspectos microbiológicos do H. pylori: • Gram negativa, helicoidal, móvel, com 4 a 6 flagelos; • Coloniza apenas a mucosa gástrica; • Grande afinidade pelas células produtoras de muco localizadas no antro gástrico (em alguns casos podem migrar para regiões mais proximais); • Quase todos os casos levam à gastrite crônica ativa; • Possui a uréase: enzima que produz meio acalino em volta do bacilo, de modo a neutralizar a acidez do lumen gástrico (converte a ureia em bicarbonato e amônia → facilita a adesão da bactéria + lesiona o epitélio pois gera amônia). • Outros fatores de agressão bacteriana: o Produção de adesinas; o Algumas de suas proteínas induzem a formação de quimiocinas pelo epitélio gástrico o Liberação local de PAF → trombose de capilares e isquemia; o FLAGELOS;