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F R E N T E 3 269 Fig. 4 No caso da obturação dentária, todas as direções da dilatação são importantes. Observação: É importante salientar que a dilatação ocorre sempre nas três dimensões, porém, para simplificar, só estudamos a dilatação na direção que é determinante. Dilatação linear Considere uma haste de comprimento L0 a uma tempe ratura T0 e de secção transversal desprezível. A experiência mostra que, se a haste for aquecida até a temperatura gené rica Tf, seu comprimento passará ao valor genérico L (Fig. 5). L 0 L f T 0 T f L f > L 0 Fig. 5 Variação do comprimento de uma haste, com área transversal desprezível, devido a uma variação de temperatura DT. A diferença DL = Lf - L0 é denominada alongamento, correspondente ao intervalo térmico DT = (Tf T0). A experiência revela os seguintes fatos: • DL é diretamente proporcional ao comprimento ini cial L0. • DL é diretamente proporcional ao intervalo térmico DT. As observações empíricas citadas acima podem ser resumidas na expressão: DL ~ L0 ⋅ DT, em que o sinal “~” indica proporcionalidade. Para transformar a relação de proporcionalidade ante rior em uma equação, é preciso introduzir um coeficiente de proporcionalidade, que indicaremos por a e que é chamado coeficiente de dilatação linear. Portanto: DL = L0 ⋅ a ⋅ DT Observe que a equação anterior pode ser trabalhada até chegarmos ao comprimento final da haste. DL = L0 ⋅ a ⋅ DT ⇒ Lf – L0 = L0 ⋅ a ⋅ DT Lf = L0 + L0 ⋅ a ⋅ DT ⇒ Lf = L0 ⋅ (1 + a ⋅ DT) Exercícios resolvidos 1 Um fio metálico tem comprimento de 100 m, a 0 °C. Sabendo que esse fio é feito de um material com coeficiente de dilatação linear igual a 17 ⋅ 10–6 °C–1, determine: a) a variação no comprimento do fio quando este é aquecido até 10 °C. b) o comprimento final do fio na temperatura de 10 °C. Resolução: a) Sabemos que DL= L0 ⋅ a ⋅ T, logo: DL = 100 ⋅ 17 ⋅ 10–6 ⋅ (10 0) DL = 17 ⋅ 10 3 m DL = 17 mm b) Como DL = Lf - L0, temos: 17 mm = 0,017 m = Lf - 100 Portanto: Lf = 100,017 m 2 O gráfico a seguir nos mostra como varia o comprimen to de uma barra metálica em função de sua temperatura. L(cm) 500,1 500,0 200 T(°C)0 a) Qual é o coeficiente de dilatação linear do mate rial que constitui a barra? b) Se uma barra constituída por esse material tiver 200 m de comprimento a 10 °C, determine seu comprimento final quando ela for aquecida a 110 °C. Resolução: a) Pelo gráco, temos: • para 0 °C ⇒ Lbarra = 500,0 cm • para 200 °C ⇒ Lbarra = 500,1 cm Para um DT = 200 °C, temos: DL = 0,1 cm, a partir de um L0 = 500 cm; logo: D D D D L L T L L T = ⇒ = ⇒0 0 · · · · a a ⇒ = 0 1 500 200 , · a logo: a = 1,0 ⋅ 10–6 °C–1 b) Sabemos que DL = L0 ⋅ a ⋅ DT e que Lf = L0 ⋅ (1 + a ⋅ DT) Portanto: Lf = 200 (1 + 1 ⋅ 10 –6 (110 - 10)) Lf = 200,02 m A constante a é uma característica de cada material e é chamada de coeficiente de dilatação linear. Vale salientar que a expressão DL = L0 ⋅ a ⋅ DT representa a dilatação linear no caso de DL > 0, mas também pode representar a contração linear para o caso de DL < 0, dependendo do valor de DT. FÍSICA Capítulo 2 Dilatação térmica270 A dilatação linear (DL) apresenta a mesma unidade de grandeza da dimensão inicial (L0), enquanto o coeficiente de dilatação linear (a) apresenta como unidade de me dida o inverso da unidade de temperatura apresentada. Observe: D D D D L L T L L T = ⇒ = ⇒0 0 · · · a a unidade de temperatura ⇒ = 1 [ ]a Por exemplo, para DT em °C ⇒ a = °C–1. Veja a seguir uma tabela com o coeficiente de dilatação linear de alguns importantes materiais. Material Valor aproximado de a (°C–1) Vidro pirex 3 ⋅ 10–6 Porcelana 3 ⋅ 10–6 Vidro comum 8 ⋅ 10–6 Ferro (Fe) 12 ⋅ 10–6 Cobre (Cu) 17 ⋅ 10–6 Alumínio (Al) 22 ⋅ 10–6 Chumbo (Pb) 27 ⋅ 10–6 Tab. 1 Coeficiente de dilatação linear de alguns materiais. Dilatação superficial No estudo da dilatação superficial, passaremos a considerar a dilatação em duas dimensões. Para isso, pen saremos em uma placa feita de um material isótropo de espessura desprezível, ou seja, um corpo em que uma das dimensões (a espessura) é desprezível em relação às duas outras dimensões em estudo. Considere uma placa que tenha uma área superficial S0 a uma temperatura T0. Se a temperatura passar para Tf, a área da superfície passará ao valor S. A diferença DS = Sf - S0 é chamada variação da área da superfície, no intervalo DT. A experiência revela fatos análogos aos que foram es tudados na dilatação linear, portanto DS ~ S0 ⋅ DT. Para transformar a informação experimental em uma igualdade, bastará introduzir o coeficiente de proporciona lidade b, denominado coeficiente de dila ta ção superficial. Portanto: DS = S0 ⋅ b ⋅ DT Analogamente, a área final pode ser representada por: DS = S0 ⋅ b ⋅ DT ⇒ Sf S0 = S0 ⋅ b ⋅ DT Sf = S0 + S0 ⋅ b ⋅ DT ⇒ Sf = S0 ⋅ (1 + b ⋅ DT) Observação: Todas as características apresentadas pelo coe fi ciente a são também válidas para o coeficiente b. Relação entre b e a Considere uma placa feita de material isótropo, o coe ficiente de dilatação linear a será o mesmo qualquer que seja a direção considerada. b a Fig. 6 Placa retangular de material isótropo com dimensões a e b e superfície S. Para a superfície S, você pode escrever: S = a ⋅ b Considerando a dilatação linear nas dimensões a e b, temos: a = a0 ⋅ (1 + a ⋅ DT) e b = b0 ⋅ (1 + a ⋅ DT) Portanto: Sf = [a0 ⋅ (1 + a ⋅ DT)] ⋅ [b0 ⋅ (1 + a ⋅ DT)] ⇒ Sf = a0 ⋅ b0 ⋅ (1 + a ⋅ DT) 2 = S0 ⋅ (1 + a ⋅ DT) 2 ⇒ Sf = S0 ⋅ (1 + 2 ⋅ a ⋅ DT + a 2 ⋅ DT2) Lembrando que: Sf = S0 ⋅ (1 + b ⋅ DT) e que a parcela a 2 ⋅ DT2 é despre zível, podemos concluir que: S0 ⋅ (1 + b ⋅ DT) = S0 ⋅ (1 + 2 ⋅ a ⋅ DT) ⇒ 1 + b ⋅ DT = 1 + 2 ⋅ a ⋅ DT ⇒ b ⋅ DT = 2 ⋅ a ⋅ DT ⇒ b = 2a Portanto, a relação entre a e b é dada por: b = 2a, isto é, o coeficiente de dilatação superficial de um corpo isótropo é igual ao dobro do seu coeficiente de dilatação linear. O coeficiente de dilatação a é um número da ordem de milionésimos, ou seja, 10–6. Por isso, nas considerações teóricas, abandonamos as po tên cias de a superiores à primeira, ou seja a2, a3, ... ; com isso estaremos cometendo um erro não mensurável experimentalmente. Atenção Exercício resolvido 3 Uma placa de alumínio, cujo coeficiente de dilatação linear vale 22 ⋅ 10–6 °C–1, tem, a 0 °C, área igual a 10m 2. Qual será a área dessa placa a 200 °C? Resolução: Sabemos que DS = S0 ⋅ b ⋅ DT e que b = 2a; dessa forma: DS = S0 2 ⋅ a ⋅ DT DS = 10 ⋅ 2 ⋅ 22 ⋅ 10–6(200 - 0) DS = 0,088 m2 Como o que foi pedido é a área nal, temos: DS = Sf - S0 ⇒ Sf = S0 + DS; logo: Sf = 10,088 m 2 F R E N T E 3 271 Dilatação volumétrica Vejamos agora a dilatação em três dimensões, ou seja, a dilatação volumétrica. Para isso, consideremos um bloco feito de um material isótropo e que tenha, à temperatura T0, o volume V0. Se a temperatura aumentar para Tf, o bloco passará a ter volume Vf. A diferença DV = Vf - V0 é chamada variação do volume, correspondente ao intervalo térmico DT. A experiência revela fatos análogos aos que vimos para a dilatação superficial ou mesmo linear, ou seja, que DV é proporcional a V0 e a DT. Portanto: DV ~ V0 ⋅ Tf. Introduzindo o coeficiente de proporcionalidade g, de nominado coeficiente de dilatação volumétrica, temos: DV = V0 ⋅ g ⋅ DT Analogamente, o volume final pode ser representado por: DV = V0 ⋅ g ⋅ DT ⇒ Vf - V0 = V0 ⋅ g ⋅ DT Vf = V0 + V0 ⋅ g ⋅ DT ⇒ Vf = V0 ⋅ (1 + g ⋅ DT) Observação: Todas as características apresentadas pelos coeficientes a e b são também válidas para o coeficiente g. Relação entre g e a a b c Fig. 7 Paralelepípedo de material isótropo com dimensões a, b e c e com volume V. Para o volume V, podemos escrever: V = a ⋅ b ⋅ c. Vale lembrar que, por ser um bloco isótropo, o coefi ciente de dilatação linear é o mesmo em todas as direções. Considerando a dilatação linear nas dimensões a, b e c, temos: a = a0 ⋅ (1 + a ⋅ DT), b = b0 ⋅ (1 + a ⋅ DT) e c = c0 ⋅ (1 + a ⋅ DT) Portanto: Vf = [a0 ⋅ (1 + a ⋅ DT)] ⋅ [b0 ⋅ (1 + a ⋅DT)] ⋅ [c0 ⋅ (1 + a ⋅ DT)] ⇒ Vf = a0 ⋅ b0 ⋅ c0 ⋅ (1 + a ⋅ DT) 3 = V0 ⋅ (1 + a ⋅ DT) 3 ⇒ Vf = V0 ⋅ (1 + 3 ⋅ a ⋅ DT + 3 ⋅ a 2 ⋅ DT2 + a3 ⋅ DT3) Lembrando que: Vf = V0 ⋅ (1 + g ⋅ DT) e que as parcelas: 3 ⋅ a 2 ⋅ DT2 e a3 ⋅ V ⋅ T3 são desprezíveis, podemos concluir que: V0 ⋅ (1 + g ⋅ DT) = V0 ⋅ (1 + 3 ⋅ a ⋅ DT) ⇒ 1 + g ⋅ DT = 1 + 3 ⋅ a ⋅ DT ⇒ g ⋅ DT = 3 ⋅ a ⋅ DT ⇒ g = 3a Portanto, a relação entre a e g é dada por: g = 3a, isto é, o coeficiente de dilatação volumétrica de um corpo isó tropo é igual ao triplo do seu coeficiente de dilatação linear. Observe na tabela alguns exemplos numéricos de coe ficiente de dilatação volumétrica. Material Valor aproximado de g (°C–1) Água 1,3 ⋅ 10–4 Mercúrio (Hg) 1,8 ⋅ 10–4 Álcool etílico 11,2 ⋅ 10 4 Acetona 14,9 ⋅ 10–4 Tab. 2 Coeficiente de dilatação volumétrica de algumas substâncias. Exercício resolvido 4 Um bloco metálico possui um volume de 250 cm3 a 0°C e de 250,75 cm3 à temperatura T. Determine essa temperatura, sabendo que o coeficiente de dila ta ção linear do bloco vale 25 ⋅ 10–6 °C 1. Resolução: • para T = 0 °C, temos V0 = 250 cm 3 • para T, temos Vf = 250,75 cm 3 Como: DV = V0 ⋅ g ⋅ DT e g = 3a temos: V - V0 = V0 ⋅ 3 ⋅ a ⋅ DT (250,75 - 250) = 250 ⋅ 3 ⋅ 25 ⋅ 10–6 (T - 0) Logo: T = 40 °C Dilatação de corpo oco ou com furo Passaremos a analisar o que ocorre na dilatação de um corpo oco (uma panela, por exemplo) ou de um furo em uma chapa ou uma parede, quando submetidos à variação de temperatura. Fig. 8 Todo corpo oco ou com furo, ao se dilatar, comporta-se como se fosse maciço. Note que o raio de um furo aumenta quando a tem peratura aumenta e diminui quando a temperatura diminui (Fig. 8). Atenção Lembrese de que o processo de dilatação ocorre devido ao fato de as partículas estarem com maior ener gia de vibração, necessitando, portanto, de maior espaço físico para se acomodar. FÍSICA Capítulo 2 Dilatação térmica272 Exercícios resolvidos 5 O que acontece com o diâmetro do orifício de uma aliança de ouro quando esta é aquecida? Resolução: A experiência mostra que o diâmetro desse orifício au menta. Veja: T 1 T 2 T 1 < T 2 Para entender melhor o fenômeno, imagine uma situação equivalente à de uma moeda circular, de tamanho igual ao do orifício da aliança antes de ser aqueci da. Aumentando a temperatura, o diâmetro da moeda aumenta. T 1 T 2 T 1 < T 2 6 Imagine que, se envolvesse a Terra, na região do Equa dor, com um anel de cobre, como está representado na figura a. Se a temperatura do anel fosse elevada em apenas 1 °C, sem que a temperatura da Terra sofresse modificações, em que altura DR, acima da superfície da Terra (figura b), ficaria o anel? Dados: aCu= 17 ⋅ 10 –6 °C–1; RTerra = 6,4 ⋅ 10 6 m R 0 a R 0 b ΔR Resolução: Tratase de uma dilatação linear. Sabemos que: DL = L0 ⋅ a ⋅ DT, em que: • DT = 1 °C • a = 17 ⋅ 10–6 °C–1 • L0 = 6,4 ⋅ 10 6m, Portanto: DL = L0 ⋅ a ⋅ DT DL = 6,4 ⋅ 106 ⋅ 17 ⋅ 10–6 ⋅ 1 DL = 108,8 m Assim, o anel caria a 108,8 m da superfície em toda a Linha do Equador. Observação: 108,8 m equivale, aproximadamente, à altura de um edifício de 30 andares! Variação da densidade Você já aprendeu que a densidade de uma substância é a razão entre a massa do corpo e o seu volume, isto é: d = m V . Evidentemente, a massa do corpo independe da tempe ratura. Por outro lado, como acabamos de ver, o volume do corpo varia com a temperatura. Assim sendo, concluímos que a densidade de um corpo depende da temperatura a que se encontra esse corpo. Observe: Consideremos um corpo que se acha, inicialmente, à temperatura T0 e cuja temperatura passa a Tf . Teremos, então: Na temperatura T0 e Tf: d m V 0 0 0 = e d m V f f f = Dividindo membro a membro: d d m V m V f f f 0 0 0= Como: m0 = mf (a massa permanece constante), temos: d d V V f f0 0 = Lembrando que: V = V0 ⋅ (1 + g ⋅ DT), temos: d d V T V 0 0 0 1 = +· ( · )g D , ou seja: d d T = + 0 1 g · D Observação: A expressão anterior mostra que a densidade de um sólido diminui à medida que a temperatura aumenta, pois o volume do sólido au- menta com a temperatura. Exercício resolvido 7 A massa específica do ferro a 0 °C vale d0 = 7,8 g/cm 3. Se o coeficiente de dilatação cúbica do ferro é g = 12 ⋅ 10–6 °C–1, determine a densidade desse me tal a 75 °C. Resolução: d0 = d75 ⋅ [1 + g ⋅ (75 0)] d d d d 75 0 6 75 75 1 75 7 8 1 12 10 75 7 8 1 0009 7 = + = + = ⇒ = -g · , · · , , ,7792 3 g cm/ Observe que: d75 < d0