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Aula 02 - Fato Típico - Material de Apoio

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daniel menezes vilaça - dm40816@gmail.com - CPF: 005.102.442-03
Sumário
1. Introdução 2
2. Fato Típico 3
2.1 Elementos do Fato Típico 3
2.1.1 CONDUTA 3
Vamos fazer uma questão para sedimentar o conhecimento adquirido? 6
2.1.2 RESULTADO 10
Vamos fazer uma questão para sedimentar o conhecimento adquirido? 12
Desistência Voluntária e Arrependimento Eficaz 13
Arrependimento Posterior (Ponte de Prata) 14
2.1.3 NEXO CAUSAL 15
Concausas (duas oumais condutas ) 16
➔ Absolutamente Independentes (COINCIDÊNCIAS): 16
➔ Relativamente Independentes (AMBAS CONCORREM PARA O
RESULTADO): 16
3. Como o Tema Aparece na 2ª Fase do Exame de Ordem 17
COMO O TEMA JÁ FOI ABORDADO NA 2º FASE DO EXAME DE ORDEM: 17
4. Raio-X 19
5. Referências Bibliográficas 20
1
daniel menezes vilaça - dm40816@gmail.com - CPF: 005.102.442-03
1. Introdução
Olá, pessoal! Sejam todos (as) muito bem-vindos (as) à nossa aula sobre fato
típico. Essa é uma aula muito importante para a sua preparação, então toda
atenção é necessária. Vamos lá?
O fato típico é um dos três elementos do crime. Veja a seguir a pirâmide do
crime:
Sem uma dessas bases, o crime não existe. É necessária, portanto, a
configuração desses três elementos para que o crime exista.
Cada um desses elementos possui seus próprios componentes. Assim, se
algum componente desses elementos não estiver presente, também não
haverá crime.
Entender cada um desses termos é importante para a compreensão do crime,
pois é a base de toda a teoria do crime e é um conhecimento necessário para o
estudo dos crimes em espécie.
Segundo o artigo 1º da Lei de Introdução ao Código Penal, o crime é a infração
penal que a lei comina pena:
Art. 1º, LICP: Considera-se crime a infração penal que a lei comina
pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer
alternativa ou cumulativamente com a pena de multa;
contravenção, a infração penal a que a lei comina, isoladamente,
pena de prisão simples ou de multa, ou ambas. Alternativa ou
cumulativamente.
O conceito de crime pode ser dividido em:
Material: conduta material que representa lesão ou perigo de lesão a bem
jurídico tutelado pelo direito penal, necessitando de aplicação de sanção.
Formal: conduta vedada pela lei.
2
daniel menezes vilaça - dm40816@gmail.com - CPF: 005.102.442-03
Analítico: crime é o fato típico, ilícito e culpável (teoria tripartida).
A doutrina majoritária adota a teoria tripartida de crime. Assim,
todo crime é um fato típico, ilícito e culpável. Sem qualquer um
desses pilares não há crime.
Deu pra perceber o quanto esse conteúdo é importante? Nessa aula,
especificamente, iremos falar sobre o fato típico.
Superada essa parte introdutória, vamos diretamente ao estudo do fato típico.
2. Fato Típico
O fato típico é o que se amolda ao modelo legal da conduta proibida. É o fato
que se enquadra no conjunto de elementos descritivos do delito contidos na lei
penal.
Ausente um dos elementos do fato típico, a conduta passa a constituir um
indiferente penal. É um fato atípico.
FATO TÍPICO = ADEQUAÇÃO/ENCAIXE
Logo, o fato típico adequa/encaixa um fato que já existe com a conduta
descrita na norma.
2.1 Elementos do Fato Típico
São elementos do Fato Típico:
Conduta
REsultado PARAMEMORIZAR!
Nexo Causal Mnemônico CRENTI
TIpicidade
2.1.1 CONDUTA
A conduta é o comportamento desenvolvido pelo indivíduo que visa atingir um
determinado objetivo.
3
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A conduta pode ser comissiva (uma ação) ou omissiva (por
omissão), dolosa ou culposa. Desse modo, demonstra-se
importante saber a distinção entre essas classificações:
CONDUTA COMISSIVA X OMISSIVA
➔ Conduta comissiva: é a realização (ação) de uma conduta desvaliosa
proibida pelo tipo penal incriminador, ou seja, a conduta viola um tipo
proibitivo. Trata-se de uma conduta positiva, um fazer.
Exemplos: homicídio (artigo 121, Código Penal); furto (artigo 155, Código
Penal); falsificação de documento público (artigo 297, Código Penal).
➔ Conduta omissiva: inversamente do que ocorre nos crimes comissivos, o
crime omissivo é a NÃO realização (não fazer) de determinada conduta
valiosa (comportamento ideal) a que o agente estava juridicamente
obrigado e que lhe era possível concretizar. Há, portanto, a violação de um
tipo mandamental.
No crime omissivo o agente não age quando deveria agir.
Exemplos: Omissão de socorro (artigo 135, Código Penal) e omissão de
notificação de doença (artigo 269, Código Penal).
A omissão pode ser subdividida em:
❖ Omissão Própria:
➢ Existe um tipo penal específico;
➢ Envolve o dever de agir;
➢ Todos nós temos um dever de agir nesses casos previstos.
A omissão própria trata especificamente do tipo penal de omissão de
socorro. Dessa forma, a omissão própria pode alcançar a todos que
pratiquem a conduta omissiva do tipo penal próprio, ou seja, do artigo 135
do Código Penal.
DE OLHO NO ARTIGO!
Omissão de socorro
Art. 135, CP: Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo
sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à
pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente
perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Relevância: quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado.
4
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Exemplo: o agente, ao dirigir seu veículo, presencia um
acidente de trânsito. Neste momento ele percebe que não
havia mais ninguém para ajudar e que era a única pessoa que
poderia prestar socorro. Percebe também que podia ajudar,
sem risco pessoal, a vítima do acidente, mas mesmo assim,
nada faz.
❖ Omissão imprópria: nesta modalidade de omissão a lei estabelece quem
tem a obrigação ou não e prevê as situações em que deve existir o dever
de agir. Não há, portanto, previsão própria. Por isso, exige-se uma
norma de extensão que forme uma “ponte” entre o dever de agir e o
resultado que deveria ter sido evitado.
DEVER DE AGIR + IMPEDIR O RESULTADO
OMISSÃO IMPRÓPRIA = INCUMBE A PESSOAS ESPECÍFICAS
DE OLHO NO ARTIGO!
Art. 13, CP: O resultado, de que depende a existência do crime,
somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a
ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. (...)
Art. 13, § 2º, CP: A omissão é penalmente relevante quando o
omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir
incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o
resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do
resultado.
Pessoas com dever de agir (artigo 13, § 2º, Código Penal):
1. Quem possui obrigação de cuidado, proteção ou vigilância disposta em
lei;
Exemplo: O dever que os pais possuem para com seus filhos.
2. Quem assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
Exemplo: Quando uma amiga da família diz se responsabilizar pelo
cuidado das crianças em um clube aquático. Logo, se assumiu a
responsabilidade, deve impedir o resultado.
3. Quem criou o risco da ocorrência do resultado com seu comportamento
anterior.
Exemplo: O agente cria o risco da ocorrência ao empurrar uma pessoa
na piscina sabendo que esta não sabia nadar.
5
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OMISSÃO PRÓPRIA OMISSÃO IMPRÓPRIA
Ver um acidente e deixar de prestar
assistência, quando possível fazê-lo
sem risco pessoal, à pessoa ferida.
Umamãe que deixa de alimentar seu
filho, provocando a sua morte.
Vamos fazer uma questão para sedimentar o
conhecimento adquirido?
(FGV - 2016 - OAB - Exame de Ordem Unificado - XXI -
Primeira Fase) Carlos presta serviço informal como
salva-vidas de um clube, não sendo regularmente
contratado, apesar de receber uma gorjeta para observar os
sócios do clube na piscina, durante toda a semana. Em seu horário de
“serviço”, com várias crianças brincando na piscina, fica observando a
beleza física da mãe de uma das crianças e, aomesmo tempo, falando no
celular com um amigo, acabando por ficar de costas para a piscina. Nesse
momento, uma criança vem a falecer por afogamento, fato que não foi
notado por Carlos. Sobre a conduta de Carlos, diante da situação narrada,
assinale a afirmativa correta.
A) Não praticou crime, tendo em vista que, apesar de garantidor, não podia
agir, já que concretamente não viu a criança se afogando.
B) Deve responder pelo crime de homicídio culposo, diante de sua omissão
culposa, violando o dever de garantidor.
C) Deve responder pelo crime de homicídio doloso, em razão de sua omissão
dolosa, violando o dever de garantidor.
D) Responde apenas pela omissão de socorro, mas não pelo resultadomorte,
já que não havia contrato regular que o obrigasse a agir como garantidor.
6
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Gabarito
A resposta correta é a letra “B”.
CONDUTA DOLOSA X CULPOSA
➔ Conduta Dolosa: quando o agente quis o resultado (dolo direto) ou
assumiu o risco de produzi-lo (dolo eventual);
➔ Conduta Culposa: quando o agente deu causa ao resultado por
imprudência, negligência ou imperícia.
Atenção! Quando estamos falando de um crime culposo, salvo nos
casos expressos em lei, ninguém poderá ser punido por fato previsto
como crime, senão quando o pratica dolosamente.
DE OLHO NO CÓDIGO PENAL
Art. 18, CP: Diz-se o crime:
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de
produzi-lo;
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por
imprudência, negligência ou imperícia.
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode
ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica
dolosamente.
Art. 19, CP: Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só
responde o agente que o houver causado ao menos culposamente.
Teoria do Ferre-se
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Vista a distinção entre a conduta dolosa e a culposa, vamos nos
aprofundar?
Crime Doloso e Crime Culposo
O crime doloso é POR QUERER, enquanto o crime culposo é SEM QUERER.
Mais na frente veremos as especificidades de cada uma dessas classificações.
Doloso: segundo o que estabelece o artigo 18 do Código Penal, o crime será
doloso quando o agente quiser o resultado ou quando assumir o risco de
produzir o resultado.
Veja a seguir o esquema acerca das espécies de dolo:
Culposo: a doutrina define crime culposo como “o que se verifica quando o
agente, deixando de observar o dever objetivo de cuidado, por imprudência,
negligência ou imperícia, realiza voluntariamente uma conduta que produz
resultado naturalístico, não previsto nem querido, mas objetivamente previsível, e
excepcionalmente previsto e querido, que podia, com a devida atenção, ter
evitado.” (MASSON, 2019).
NEGLIGÊNCIA X IMPRUDÊNCIA X IMPERÍCIA
No crime culposo, conforme visto anteriormente, o agente dá causa ao
resultado ao deixar de observar um dever de cuidado por imprudência,
negligência ou imperícia. Vejamos cada uma dessas modalidades a seguir:
1. Negligência: a pessoa deixa de tomar uma atitude ou de apresentar uma
conduta que era esperada para a situação. Dessa forma, o agente age
com descuido, indiferença ou desatenção.
Exemplo: Fábio não verificou os freios, vindo a causar lesões corporais no
outro motorista com o qual colidiu o seu veículo.
Resumindo: A negligência ocorre quando o indivíduo se omite, não
tomando as precauções devidas. Trata-se de uma conduta negativa (-).
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2. Imprudência: pressupõe uma ação precipitada e sem
cautela. Neste caso, diferentemente da negligência, a
pessoa age, mas a sua atitude é diversa da esperada. Logo,
a conduta é positiva (+).
Exemplo: Junior, mesmo diante com sinalização, ultrapassou onde a faixa
não permitia, colidindo com outro veículo que vinha na direção contrária.
3. Imperícia: inaptidão, ignorância, falta de qualificação técnica, teórica
ou prática, ou ausência de conhecimentos elementares e básicos. Para
entender melhor, vejamos o esquema a seguir:
Perícia = conhecimento
Imperícia = falta de conhecimento
Exemplo: Robertinho, sem a devida habilitação, causou um acidente de
trânsito.
Para verificar a imperícia, é necessário constatar:
➔ Inaptidão; ou
➔ Ignorância; ou
➔ Falta de qualificação técnica, teórica ou prática; ou
➔ Ausência de conhecimentos elementares e básicos.
Superado o estudo do crime culposo, neste momento vamos acrescentar um
tema ao seu estudo relacionado às espécies de culpa. A culpa subdivide-se em
culpa consciente e inconsciente. Veja a seguir cada uma delas especificamente:
1. Culpa Consciente: neste caso, o agente prevê o resultado, mas espera
que o resultado não ocorra, pois supõe que pode evitá-lo com sua
habilidade.
Exemplo: Motorista de Uber que faz uma ultrapassagem perigosa na
faixa proibida.
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Neste caso, o motorista prevê que pode ocasionar um
acidente, mas acredita que possui muita experiência na
direção e, por este motivo, confia que possui o
conhecimento necessário para evitar um possível acidente.
2. Culpa Inconsciente: diferentemente do que ocorre na culpa consciente,
na culpa inconsciente o agente não prevê o resultado, mas este era
objetiva e subjetivamente previsível.
Mas qual seria a diferença entre essas modalidades de culpa e o dolo
direto e indireto?
Dolo direto: o agente prevê o resultado, possuindo consciência acerca
de sua conduta, e também possui a vontade.
Dolo eventual: o agente também prevê o resultado, mas não possui a
vontade. Nesta modalidade de dolo, o agente assume o risco.
Culpa consciente: o agente prevê resultado, mas acredita que pode
evitá-lo.
Culpa inconsciente: o agente não prevê e não quer o resultado.
Obs.: Também existe o denominado Crime Preterdoloso ou preterintencional,
que é aquele crime que gerou um resultado mais grave, embora a vontade do
criminoso fosse dirigida à prática de um crimemenos grave.
Exemplo: O agente foi agredir uma pessoa e acabou matando-a. A conduta
iniciou com o dolo da lesão, mas acabou com a culpa do homicídio.
2.1.2 RESULTADO
O resultado é a alteração exterior que foi produzida através do ato praticado.
Exemplo: resultado tentado e consumado.
Iter Criminis
Segundo o autor Cleber Masson, o iter criminis ou caminho do crime,
corresponde às etapas percorridas pelo agente para a prática de um fato
previsto em lei como infração penal. (MASSON, Direito Penal: parte geral,
2019).
10
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Em regra, um delito será dado como crime no momento de sua consumação.
Contudo, há casos em que é possível verificar a tentativa, que ocorre quando,
iniciada a execução, o crime não se consuma por circunstâncias alheias à
vontade do agente.
Há também os atos preparatórios que podem vir a ser penalizados, que serão
vistos em aulas futuras.
CRIME IMPOSSÍVEL
DE OLHO NO CÓDIGO PENAL
Art. 17, CP: Não se pune a tentativa quando, por ineficácia
absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é
impossível consumar-se o crime.
O crime impossível, tipificado no artigo 17 do Código Penal, promove a
atipicidade da conduta caso esteja verificada a ineficácia absoluta domeio OU
a absoluta impropriedade do objeto.
Exemplo 1: Tentar matar alguém com uma arma de brinquedo;
Exemplo 2: Consumir substância de efeito abortivo para estimular aborto sem
estar grávida.
Veja a seguir algumas súmulas importantes no que diz respeito ao crime
impossível:
➔ Súmula 567, STJ: Sistema de vigilância realizado por monitoramento
eletrônico ou por existência de segurança no interior de estabelecimento
comercial, por si só, não torna impossível a configuração do crime de
furto.
➔ Súmula 145, STF: Não há crime, quando a preparação do flagrante pela
polícia torna impossível a sua consumação.
11
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Vamos fazer uma questão para sedimentar o
conhecimento adquirido?
(XXXVIIExame de Ordem Unificado/Adaptada) Ricardo e
Roberto, no dia 10/08/2020, às 19 horas, foram flagrados
pela Polícia Militar quando saíam da agência bancária do
Banco Peixe, localizada no centro de Barnabeu, Estado de
Campo Novo (CN), de posse de equipamentos tipo serrote, chave de fenda e
alicate. A Polícia Militar fora acionada por vigilantes da agência que,
remotamente, por meio de câmeras de segurança, acompanharam a ação de
Ricardo e Roberto, que tentaram utilizar o serrote para romper a placa de aço
e, assim, ter acesso ao conteúdo dos caixas eletrônicos da agência. (...)
Em diligência requerida pela defesa, foi juntado aos autos um ofício do
Banco Peixe, que informou ao Juízo que a estrutura do caixa eletrônico é de
aço, imune à ação mecânica por força humana, e que os acusados não
lograram danificar a estrutura do caixa eletrônico. Qual a tese?
Gabarito
Pedido de reconhecimento do crime impossível (0,40), ante a absoluta
ineficácia domeio empregado (0,20), nos termos do Art. 17 do CP (0,10).
TENTATIVA
DE OLHO NO CÓDIGO PENAL
Art. 14, CP: Diz-se o crime:
Crime consumado
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua
definição legal;
Tentativa
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por
circunstâncias alheias à vontade do agente.
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a
tentativa com a pena correspondente ao crime consumado,
diminuída de um a dois terços.
O crime tentado possui previsão legal no art. 14, inciso II, do CP. Veja que, na
punição pelo crime tentado, é aplicada a pena do crime consumado, diminuída
de ⅓ a ⅔ (art. 14, p. único, do CP). Trata-se, portanto, de uma importante
tese de defesa.
12
daniel menezes vilaça - dm40816@gmail.com - CPF: 005.102.442-03
Dessa forma, ao se deparar com essa hipótese na sua prova, é de
extrema importância que você pugne pela aplicação da
diminuição da pena em seu quantummáximo, ou seja, em⅔.
Atenção! Alguns crimes não admitem tentativa. Veja a seguir:
➔ Crimes culposos;
➔ Crimes preterdolosos;
➔ Contravenções Penais;
➔ Crime Omissivos Próprios;
➔ Crimes Unissubsistentes;
➔ Crimes Habituais;
➔ Crimes de Atentado (recebem o mesmo tratamento que o crime
consumado).
Desistência Voluntária e Arrependimento Eficaz
DE OLHO NO CÓDIGO PENAL
Art. 15, CP: O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir
na execução ou impede que o resultado se produza, só responde
pelos atos já praticados.
Segundo a doutrina, na desistência voluntária (art. 15, primeira parte, CP) há a
presunção de que o agente possui os “meios para prosseguir na execução, ou seja,
ele ainda não esgotou o iter criminis posto à sua disposição” (MASSON, Direito
Penal: parte geral, 2019).
Exemplo: O agente inicia os atos executórios, mas não dá continuidade ao atos
executórios, ou seja, desiste de consumar o crime de forma VOLUNTÁRIA.
No arrependimento eficaz (art. 15, segunda parte, CP), a doutrina estabelece
que, neste caso, o agente já teria “esgotado todos os meios disponíveis e que,
após terminar todos os atos executórios (mas sem consumar o fato), pratica
alguma conduta positiva, tendente a evitar a consumação” (MASSON, Direito
Penal: parte geral, 2019).
Exemplo: O genro que ministra veneno na bebida do sogro com a intenção de
matá-lo, mas se arrepende e vai atrás de um antídoto, ministra esse antídoto
no genro e impede, de maneira eficaz, o resultado do crime, que seria a morte.
13
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DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA ARREPENDIMENTO EFICAZ
DESISTE DE PROSSEGUIR IMPEDE QUE O RESULTADO SE
PRODUZA
Juninho, enquanto tirava os parafusos
da televisão, viu um retrato da família,
desistindo, voluntariamente, de
prosseguir no furto.
(posso, mas não quero!)
Ricardinho aplicou o veneno na bebida
do seu sogro e, depois, arrependido,
fornece o antídoto, impedindo assim a
consumação do crime. (posso, mas não
quero!)
Atenção! Conforme estabelecido no artigo 15 do Código Penal, o
arrependimento deve ser eficaz. Ou seja, se o agente não conseguiu
impedir que o resultado do crime fosse produzido, então ele responderá pela
consumação do crime.
Arrependimento Posterior (Ponte de Prata)
DE OLHO NO CÓDIGO PENAL
Art. 16, CP: Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à
pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento
da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena
será reduzida de um a dois terços.
Diferentemente do que ocorre na desistência voluntária e no arrependimento
eficaz, no arrependimento posterior há uma espécie de “premiação” ao
agente por uma atitude praticada depois da consumação do delito.
Para a configuração do arrependimento posterior, é necessária a existência de
alguns elementos:
1. O crime ter ocorrido sem violência ou grave ameaça;
2. Deve haver a reparação do dano ou a restituição da coisa até o
recebimento da denúncia;
3. O agente deve agir de forma voluntária.
Exemplo: Marquinhos foi até uma loja e, sem que ninguém visse, subtraiu um
celular. Chegando em casa, vê uma pregação e se arrepende da conduta
realizada, voltando na respectiva loja e devolvendo o celular subtraído.
14
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2.1.3 NEXO CAUSAL
O nexo de causalidade é a relação que existe entre a conduta praticada pelo
indivíduo e o resultado do ato. É, portanto, o elo entre os dois.
TEORIAS
1. DA EQUIVALÊNCIA DOS ANTECEDENTES
DE OLHO NO CÓDIGO PENAL
Art. 13, CP: O resultado, de que depende a existência do crime,
somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a
ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
Assim, segundo essa teoria, ainda que tenha acontecido uma conduta e um
resultado, se não houver ligação entre ambos por intermédio do nexo causal,
não há configuração de um crime.
Exemplo: Um indivíduo que atira para cima em determinado estabelecimento
e, naquele mesmo instante morre uma pessoa baleada em local próximo, mas
cuja morte está relacionada a outro disparo.
2. DA CAUSALIDADE ADEQUADA
DE OLHO NO CÓDIGO PENAL
Art. 13, § 1º, CP: A superveniência de causa relativamente
independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o
resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os
praticou.
15
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Concausas (duas oumais condutas )
➔ Absolutamente Independentes (COINCIDÊNCIAS):
Há o rompimento do nexo causal – um antecedente não dependia do outro
para ocorrer: responde pelos atos que já praticou. Neste caso, a causa é
desvinculada da vontade. Trata-se de uma coincidência.
1. Preexistentes: já existia uma causa anterior.
Exemplo: Shrek desfere golpes no Príncipe, que veio a óbito, mas não por
conta dos golpes e sim, exclusivamente, por conta ingerir o veneno que a
Fiona tinha lhe dado anteriormente. Shrek responde por tentativa de
homicídio.
2. Concomitantes: lado a lado.
Exemplo: No mesmo instante em que a Shrek ministra veneno para o
Príncipe, Fiona lhe desfere golpes, morrendo por conta destes. Shrek
responde por tentativa de homicídio.
3. Supervenientes: uma nova causa.
Exemplo: Shrek ministra veneno ao Príncipe que, em seguida, tropeça e vem
a morrer por traumatismo craniano. Shrek responde por tentativa de
homicídio.
➔ Relativamente Independentes (AMBAS CONCORREM PARA O
RESULTADO):
A causa origina-se da conduta do agente, mesmo que de forma indireta – em
regra, não rompe o nexo causal. Neste caso, a causa deriva da conduta.
1. Preexistentes: já existia uma causa anterior.
Exemplo: Burro, diabético, é vítima de um golpe de faca do Gato de Botas,
que queria lhe matar. A diabetes, de conhecimento do Gato, agravou o
ferimento após o seu golpe, vindo a causar a morte de Burro. O Gato responde
por homicídio consumado.
2. Concomitantes: lado a lado.
Exemplo: Gato de Botas, com intenção de matar, atira no Burro, mas não o
atinge. Porém, em virtude disso, Burro, assustado, tem um ataque cardíaco e
morre. Gato responde por homicídio consumado, já que,sem a sua conduta,
Burro não teria tido o ataque e morrido.
16
daniel menezes vilaça - dm40816@gmail.com - CPF: 005.102.442-03
3. Supervenientes (Art. 13, CP): uma nova causa.
➔ Por si sóNÃO produz o resultado:
◆ Não rompem o nexo causal;
◆ Tiro + errinho médico, infecção ou omissão de atendimento
hospitalar;
◆ Responde pelo consumado.
Exemplo: O agente desfere um tiro em um indivíduo. A vítima vai para o
hospital com vida, mas, ao ser atendida pelo médico, morre por erro médico.
O agente responde pelo crime consumado.
➔ Por si só PRODUZ o resultado (Art. 13, §1º. CP):
◆ Rompem o nexo causal;
◆ Tiro + escorpião, acidente com ambulância, incêndio em hospital;
◆ Responde por tentativa.
Exemplo: O agente desfere um tiro em um indivíduo. A vítima está dentro de
uma ambulância com vida, a caminho do hospital. Contudo, a vítima falece
por conta de um acidente de trânsito envolvendo a ambulância. Responde
pela tentativa.
POR SI SÓ NÃO PRODUZ O
RESULTADO
POR SI SÓ PRODUZ O RESULTADO
O resultado é a consequência esperada
pelo agente
O resultado é uma consequência
imprevisível para ele.
3. Como o Tema Aparece na 2ª Fase do Exame de Ordem
Agora chegou uma das partes mais importante da aula que é o treinamento.
Vamos resolver uma questão para validar o conhecimento adquirido até aqui?
COMO O TEMA JÁ FOI ABORDADO NA 2º FASE DO EXAME
DE ORDEM:
(XXV EXAME DE ORDEM UNIFICADO (2018.1) -
Reaplicação Porto Alegre/RS) Vitor efetuou disparos de
arma de fogo contra José, com a intenção de causar sua
morte. Ocorre que, por erro durante a execução, os disparos
atingiram a perna de seu inimigo e não o peito, como pretendido.
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Esgotada a munição disponível, Vitor empreendeu fuga, enquanto José
solicitou a ajuda de populares e compareceu, de imediato, ao hospital para
atendimento médico.
Após o atendimento médico, já no quarto com curativos, enquanto dormia,
José vem a ser picado por um escorpião, vindo a falecer no dia seguinte em
razão do veneno do animal, exclusivamente. Descobertos os fatos,
considerando que José somente estava no hospital em razão do
comportamento de Vitor, o Ministério Público oferece denúncia em face do
autor dos disparos pela prática do crime de homicídio consumado, previsto
no Art. 121, caput, do Código Penal.
Após regular prosseguimento do feito, na audiência de instrução e
julgamento da primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri, quando da
oitiva das testemunhas, o magistrado em atuação optou por iniciar a oitiva
das testemunhas formulando diretamente suas perguntas, sem permitir às
partes complementação. Após alegações finais orais das partes, o
magistrado proferiu decisão de pronúncia. Apesar da impugnação da defesa
quanto à formulação das perguntas pelo juiz, o magistrado esclareceu que
não importaria quem fez a pergunta, pois as respostas seriam as mesmas.
Com base apenas nas informações narradas, na condição de advogado(a) de
Vitor, responda aos itens a seguir.
A) Existe argumento de direito material a ser apresentado, em momento
oportuno, para questionar a capitulação jurídica apresentada pelo Ministério
Público? Justifique. (Valor: 0,65)
B) A capitulação jurídica estaria correta diante da existência de uma causa
superveniente que, por si só, não tivesse produzido o resultado? (Valor:
0,60)
Gabarito Comentado
A) Em relação ao argumento de direito material, deveria a defesa de Vitor
questionar a capitulação jurídica realizada pelo Ministério Público. De fato,
Vitor, ao efetuar disparos de arma de fogo contra José, em direção ao seu
peito, tinha a intenção de matá-lo, como o enunciado deixa claro. Todavia,
os disparos de Vitor não foram suficientes para causar a morte de seu
inimigo por circunstâncias alheias à sua vontade, já que os projéteis
atingiram a perna de José. José recebeu atendimento médico e já estava no
quarto com curativos. Posteriormente, José veio a ser mordido por
escorpião, sendo que o veneno do animal causou, exclusivamente, sua
morte. Certo é que José só estava no hospital em razão dos disparos de Vitor,
mas houve causa superveniente, relativamente independente, que por si só
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causou a morte de José. Diante disso, o resultado fica afastado, mas
responde Vitor pelos atos já praticados, conforme previsão do Art. 13, § 1º,
do Código Penal. Assim, por mais que José tenha falecido, Vitor deveria
responder pelo crime de tentativa de homicídio.
B) Sim. Diante de uma causa superveniente relativamente independente que
por si só não causou o resultado, deveria Vitor responder pelo delito na sua
modalidade consumada.
DISTRIBUIÇÃO DE PONTOS:
A. O argumento de direito material é o de que ocorreu causa
superveniente relativamente independente que por si só
causou o resultado (0,35), devendo Vitor responder por
tentativa de homicídio (0,15), nos termos do Art. 13, § 1º, do
CP (0,10).
0,00 / 0,35 /
0,15 / 0,10/
0,60
B. Sim. Diante de uma causa superveniente relativamente
independente que por si só não causou o resultado (0,35),
deveria Vitor responder pelo delito na sua modalidade
consumada (0,30).
0,00 / 0,35 /
0,30 / 0,60
4. Raio-X
Lei de Introdução ao Código Penal
Art. 1º.
Código Penal
Art. 13;
Art. 14;
Art. 15;
Art. 16;
Art. 17;
Art. 18;
Art. 19;
Art. 135;
19
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Súmulas
S. 567, STJ;
S. 145, STF.
5. Referências Bibliográficas
BRASIL. Decreto-Lei 2.848, de 07 de dezembro de 1940. Código Penal.
Disponível em: DEL2848compilado (planalto.gov.br). Acesso em 22 dez. 2022.
LIMA, Renato Brasileiro de. Legislação criminal especial comentada. 8 ed. rev.
ampl. e atual. Salvador: Editora JusPodivm, 2020.
Masson, Cleber Direito Penal: parte geral (arts. 1º a 120) – vol. 1 / Cleber
Masson. – 13. ed. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2019.
Estefam, André Direito penal esquematizado® : parte geral / André Estefam e
Victor Eduardo Rios Gonçalves. – 7. ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2018.
(Coleção esquematizado® / coordenador Pedro Lenza).
PACELLI, Eugênio. Manual de Direito Penal. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2019.
20
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm

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