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Indaial – 2021
Tópicos EspEciais 
Em BiomEdicina
Prof. Carlos Rafael Vaz
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2021
Elaboração:
Prof. Carlos Rafael Vaz
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
V393t
Vaz, Carlos Rafael
Tópicos especiais em biomedicina. / Carlos Rafael Vaz – Indaial: 
UNIASSELVI, 2021.
245 p.; il.
ISBN 978-65-5663-988-8 
ISBN Digital 978-65-5663-985-7 
1. Medicina. – Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
CDD 610
aprEsEnTação
Olá, acadêmico! Vamos iniciar os estudos do Livro Didático de 
Tópicos Especiais. Este livro está dividido em três unidades e tem o intuito de 
apresentar e reforçar temas no componente de Formação Geral e específica 
para o curso de Biomedicina, conforme orientação do INEP. 
A partir das orientações, queremos que você compreenda que 
aprender a questionar é tão importante quanto buscar o saber, e que, ao 
final do estudo deste livro, você seja capaz de formular novas perguntas 
sobre a realidade humana e consiga propor soluções responsáveis para os 
desafios profissionais que surgirem. Assim, este livro traz conteúdos gerais 
e específicos para você estar bem preparado para o ENADE e também para 
o que a vida lhe apresentar. São temas pertinentes, atuais, abrangentes e que 
fazem parte da vida de todos nós. Vamos começar?!
Na primeira unidade, iremos abordar os principais tópicos do 
questionário de formação geral do ENADE, tendo como base a Portaria n° 
517, de 31 de maio de 2019, que dispõe:
[...] no componente de Formação Geral, tomará como referência 
do perfil do concluinte as seguintes características: I - ético e 
comprometido com questões sociais, culturais e ambientais; II 
- comprometido com o exercício da cidadania; III - humanista 
e crítico, apoiado em conhecimentos científico, social e cultural 
historicamente construídos, que transcendam a área de sua 
formação; IV - proativo e solidário na tomada de decisões; e V 
- colaborativo e propositivo no trabalho em equipes e/ou redes 
que integrem diferentes áreas do conhecimento, atuando com 
responsabilidade socioambiental (BRASIL, 2019b). 
Iremos tratar também sobre cidadania e sociedade, seremos 
conduzidos por um mundo intrínseco do comportamento humano em 
sociedade e suas regras de conduta e participação social, política e econômica, 
na qual trabalharemos a questão da formação dos princípios morais e éticos 
dos homens que vivem e convivem em sociedade, além de abordarmos 
questões pertinentes à democracia, à ética e à cidadania. Dessa forma, 
abordaremos a compreensão dos significados dos princípios norteadores da 
democracia, ética e cidadania, além de realizar uma reflexão e uma discussão 
sobre as questões ético-morais na relação indivíduo e sociedade.
Para as Unidades 2 e 3 utilizamos como base no artigo 7° da Portaria 
n° 491, de 31 de maio de 2019, em que se dispõem os componentes específicos 
para a área do curso de biomedicina.
[...] no componente específico da área de Biomedicina, tomará 
como referencial os conteúdos que contemplam: I. Ciências 
exatas aplicadas à Biomedicina: abordagens, processos e métodos 
físicos, químicos, matemáticos, estatísticos e de bioinformática 
como suporte à Biomedicina; II. Ciências biológicas e da 
Saúde: bases estruturais, moleculares e celulares dos processos 
fisiológicos e patológicos, bem como processos bioquímicos, 
farmacológicos, parasitológicos, microbiológicos, imunológicos 
e genéticos no processo saúde-doença; III. Ciências humanas e 
sociais aplicadas à Biomedicina: as diversas dimensões da relação 
indivíduo/sociedade, envolvendo ética e bioética, filosofia, 
sociologia, antropologia, políticas públicas, gestão e deontologia; 
IV. Ciências da Biomedicina: processos relacionados a saúde, 
doença e meio ambiente, com ênfase nos processos laboratoriais 
(análises clínicas, toxicológicas, citopatológicas, histoquímicas, 
moleculares e genéticas, hemoterápicas, bromatológicas e 
ambientais) (BRASIL, 2019a).
Também trataremos dos principais processos envolvidos o 
profissional biomédico, desde a recapitulação da formação do curso, áreas 
de atuação e código de ética, até os principais processos relacionados à 
saúde que está presente no dia a dia do profissional biomédico. Desse modo, 
abordaremos a compreensão dos significados dos princípios norteadores 
pelas as normativas associadas às Diretrizes Curriculares Nacionais e à 
legislação profissional, e as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de 
Graduação em Biomedicina, Resolução CNE/CES n° 2, de 18 de fevereiro de 2003.
Esperamos que este estudo possa auxiliá-lo na dos temas que 
compõem este Livro Didático, preparar-se bem para o ENADE e levar para a 
vida as abordagens aqui feitas.
Bons estudos!
Prof. Carlos Rafael Vaz
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela 
um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro 
que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá 
contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, 
entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
LEMBRETE
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
sumário
UNIDADE 1 —FORMAÇÃO GERAL ................................................................................................ 1
TÓPICO 1 — DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA ................................................................. 3
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3
2 A DEMOCRACIA EM PAUTA .......................................................................................................... 4
3 A QUESTÃO DA ÉTICA .................................................................................................................... 9
4 O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA CIDADANIA ............................................................ 15
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 17
AUTOATIVIDADE ..............................................................................................................................19
TÓPICO 2 — MULTICULTURALISMO: VIOLÊNCIA, 
TOLERÂNCIA/INTOLERÂNCIA E RELAÇÕES DE GÊNERO ........................ 23
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 23
2 CONCEITUANDO MULTICULTURALISMO ............................................................................ 23
3 SURGIMENTO DO MULTICULTURALISMO........................................................................... 25
4 ÁREAS DE CONHECIMENTO QUE ABRIGAM O MULTICULTURALISMO .................. 26
5 MOVIMENTO FEMINISTA ............................................................................................................ 27
5.1 FEMINISMO .................................................................................................................................. 27
5.2 A PRIMEIRA ONDA FEMINISTA ............................................................................................. 28
5.3 A SEGUNDA ONDA FEMINISTA ............................................................................................. 28
5.4 A TERCEIRA ONDA FEMINISTA E O SURGIMENTO DOS ESTUDOS DE GÊNERO ...... 29
6 CONCEITUANDO GÊNERO.......................................................................................................... 30
7 ESTUDOS DE GÊNERO .................................................................................................................. 33
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 38
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 40
TÓPICO 3 — RELAÇÕES DE TRABALHO .................................................................................... 45
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 45
2 ORIGEM/SIGNIFICADO DA PALAVRA TRABALHO ............................................................ 45
3 AS MULHERES NO CONTEXTO DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL .................................... 50
4 O TRABALHO NOS TEMPOS CONTEMPORÂNEOS ............................................................ 51
4.1 AS POSSIBILIDADES DO TRABALHO INFORMAL ............................................................. 52
4.2 RELAÇÕES DE TRABALHO E OS PROCESSOS LEGAIS NO BRASIL .............................. 53
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 55
RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 57
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 58
TÓPICO 4 — POLÍTICA PÚBLICA DE SAÚDE ............................................................................ 61
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 61
2 CONCEITO DE SAÚDE ................................................................................................................... 63
3 SAÚDE: DIREITO DE TODOS E DEVER DO ESTADO .......................................................... 65
4 AS REDES DE ATENÇÃO EM SAÚDE ......................................................................................... 67
5 DIVERSOS ATENDIMENTOS EM SAÚDE ................................................................................ 70
5.1 POLÍTICAS DE SAÚDE E PROGRAMAS ESPECÍFICOS ...................................................... 71
RESUMO DO TÓPICO 4..................................................................................................................... 74
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 75
REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................... 77
UNIDADE 2 — FORMAÇÃO ESPECÍFICA EM BIOMEDICINA I ........................................... 81
TÓPICO 1 —O PROFISSIONAL BIOMÉDICO ............................................................................. 83
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 83
2 CONSELHOS DE BIOMEDICINA ................................................................................................ 84
2.1 CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA ........................................................................... 84
2.2 CONSELHO REGIONAL DE BIOMEDICINA ........................................................................ 84
3 HABILITAÇÕES ................................................................................................................................ 85
3.1 BIOMÉDICO PATOLOGISTA CLÍNICO ................................................................................... 87
3.2 BIOMÉDICO ESTETA .................................................................................................................. 88
4 CÓDIGO DE ÉTICA DO BIOMÉDICO ........................................................................................ 89
4.1 DEVERES DO PROFISSIONAL BIOMÉDICO ......................................................................... 89
4.2 DIREITOS DO PROFISSIONAL BIOMÉDICO ......................................................................... 91
4.3 LIMITES PARA PROPAGANDA, PUBLICIDADE E ANÚNCIO DA ATIVIDADE 
BIOMÉDICA .................................................................................................................................. 92
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 95
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 96
TÓPICO 2 — LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS E CONTROLE DE QUALIDADE ..... 99
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 99
2 LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS ............................................................................ 100
2.1 PROCESSOS OPERACIONAIS ................................................................................................ 101
2.1.1 Fase Pré-analítica .............................................................................................................. 102
2.1.2 Fase Analítica...................................................................................................................... 103
2.1.3 Fase Pós-analítica .............................................................................................................. 107
3 CONTROLE DE QUALIDADE ..................................................................................................... 109
3.1 CONTROLE INTERNO DE QUALIDADE ............................................................................ 109
3.2 CONTROLE EXTERNO DE QUALIDADE ............................................................................ 110
3.3 REGRAS DE CONTROLE DE QUALIDADE ......................................................................... 110
3.3.1 Ciclo PDCA ......................................................................................................................... 110
3.3.2 Gráfico de Levey-Jennings................................................................................................ 111
3.3.3 Regras de Westgard ........................................................................................................... 111
RESUMO DO TÓPICO 2...................................................................................................................116
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 117
TÓPICO 3 — PROCESSOS BIOQUÍMICOS ................................................................................ 121
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 121
2 MACROMOLÉCULAS ................................................................................................................... 121
3 CARBOIDRATOS ............................................................................................................................ 122
3.1 DIABETES MELLITUS (DM) ..................................................................................................... 124
3.2 DIAGNÓSTICO DA D. M. ........................................................................................................ 125
4 PROTEÍNAS ..................................................................................................................................... 126
4.1 ENZIMAS ..................................................................................................................................... 126
4.1.1 Enzimas Cardíacas ............................................................................................................. 127
4.1.2 Enzimas hepáticas ............................................................................................................ 129
5 LIPÍDEOS ......................................................................................................................................... 129
5.1 PERFIL LIPÍDICO ....................................................................................................................... 130
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 133
RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 138
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 139
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 147
UNIDADE 3 — FORMAÇÃO ESPECÍFICA EM BIOMEDICINA II ....................................... 153
TÓPICO 1 — PROCESSOS HEMATOLÓGICOS ........................................................................ 155
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 155
2 HEMATOPOIESE ............................................................................................................................ 156
2.1 LEUCOPOIESE ........................................................................................................................... 156
2.2 ERITROPOIESE ........................................................................................................................... 157
3 HEMOGRAMA ................................................................................................................................ 157
4 ANEMIAS ......................................................................................................................................... 158
4.1 ANEMIA FERROPRIVA ............................................................................................................ 159
4.2 ANEMIA FALCIFORME .......................................................................................................... 159
5 LEUCEMIAS .................................................................................................................................... 160
5.1 NEOPLASIAS DAS CÉLULAS MIELOIDES .......................................................................... 161
5.1.1 LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA (LMA) ....................................................................... 161
5.1.2 LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA (LMC) ................................................................... 163
5.2 NEOPLASIAS DAS CÉLULAS LINFOIDES .......................................................................... 163
5.2.1 LEUCEMIA LINFOIDE AGUDA (LLA) ......................................................................... 164
5.2.2 LEUCEMIA LINFOIDE CRÔNICA (LLC) ..................................................................... 166
6 HEMOSTASIA ................................................................................................................................. 166
RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 168
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 169
TÓPICO 2 — PROCESSOS IMUNOLÓGICOS ........................................................................... 175
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 175
2 ANTÍGENO E ANTICORPO ......................................................................................................... 176
3 IMUNIDADE INATA E IMUNIDADE ADAPTATIVA ........................................................... 177
4 HIPERSENSIBILIDADES ............................................................................................................. 178
5 DOENÇAS AUTOIMUNES ........................................................................................................... 179
6 IMUNOENSAIOS ............................................................................................................................ 179
6.1 TÉCNICA EM AGLUTINAÇÃO EM LÁTEX ......................................................................... 179
6.2 NEFLOMETRIA E TURBIDIMETRIA ..................................................................................... 180
6.3 IMUNOCROMATOGRAFIA .................................................................................................... 181
6.4 ENSAIO IMUNOENZIMÁTICO (ELISA) ............................................................................... 181
6.5 ENSAIO IMUNOENZIMÁTICO DE MICROPARTÍCULAS ............................................... 183
RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 184
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 185
TÓPICO 3 — PROCESSOS MICROBIOLÓGICOS .................................................................... 191
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 191
2 BACTERIOLOGIA CLÍNICA ........................................................................................................ 192
2.1 IDENTIFICAÇÃO BACTERIANA .......................................................................................... 194
2.1.1 Morfologia bacteriana ....................................................................................................... 195
2.1.2 Parede Celular .................................................................................................................... 196
2.1.3 Meios de cultura ................................................................................................................ 198
2.2 TESTES DE SENSIBILIDADE AOS ANTIMICROBIANOS .................................................. 198
3 PARASITOLOGIA........................................................................................................................... 199
3.1 HELMINTOS NEMATÓDEOS .................................................................................................200
3.2 HELMINTOS PLATYHELMINTHES ...................................................................................... 200
3.3 PROTOZOÁRIOS ....................................................................................................................... 200
3.4 DIAGNÓSTICO ......................................................................................................................... 201
3.4.1 Método direto .................................................................................................................... 201
3.4.2 Sedimentação espontânea ................................................................................................ 202
3.4.3 Baermann e Rugai .............................................................................................................. 203
3.4.4 Centrifugação-flutuação ................................................................................................... 203
4 VÍRUS ................................................................................................................................................ 205
4.1 VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA ..................................................................... 205
4.2 HEPATITES ................................................................................................................................. 208
RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 211
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 212
TÓPICO 4 — PROCESSOS GENÉTICOS ..................................................................................... 221
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 221
2 HEREDOGRAMAS ......................................................................................................................... 224
3 REAÇÃO EM CADEIRA DA POLIMERASE (PCR) ................................................................. 225
4 SEQUENCIAMENTO ..................................................................................................................... 227
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 229
RESUMO DO TÓPICO 4................................................................................................................... 236
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 237
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 243
1
UNIDADE 1 — 
FORMAÇÃO GERAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender diferentes conceitos de democracia, ética, cidadania e 
sociodiversidade;
•	 identificar	 a	 importância	 da	 responsabilidade	 social	 e	 os	 três	 setores:	
público,	privado	e	terceiro	setor	para	uma	sociedade	equânime;
•	 refletir	sobre	relações	de	trabalho;
•	 conhecer	e	analisar	as	principais	características	das	políticas	públicas	de	
saúde	do	Brasil.
Esta	 unidade	 está	 dividida	 em	 quatro	 tópicos.	 No	 decorrer	 da	
unidade,	 você	 encontrará	 autoatividades	 com	 o	 objetivo	 de	 reforçar	 o	
conteúdo	apresentado.
TÓPICO	1	–	 DEMOCRACIA,	ÉTICA	E	CIDADANIA
TÓPICO	2	–	 MULTICULTURALISMO:	VIOLÊNCIA,	 
TOLERÂNCIA/INTOLERÂNCIA	E	RELAÇÕES	 
DE	GÊNERO
TÓPICO	3	–	 RELAÇÕES	DE	TRABALHO
TÓPICO 4 – POLÍTICA PÚBLICA DE SAÚDE
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
2
3
TÓPICO 1 — 
UNIDADE 1
DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA
1 INTRODUÇÃO
Entraremos	 no	 mundo	 do	 comportamento	 humano	 em	 sociedade	 e	
suas	 regras	 de	 conduta	 e	 participação	 social,	 política	 e	 econômica,	 no	 qual	
trabalharemos	a	questão	da	formação	dos	princípios	morais	e	éticos	dos	homens	
que	vivem	e	convivem	em	sociedade,	além	de	abordarmos	questões	pertinentes	à	
democracia	e	à	cidadania.	Esses	conceitos	estão	previstos	na	Portaria	INEP	n°	493	
de	6	de	junho	de	2017,	em	seu	Art.	1°,	que	destaca:
O	Exame	Nacional	de	Desempenho	dos	Estudantes	 (ENADE),	parte	
integrante	do	 Sistema	Nacional	 de	Avaliação	da	Educação	 Superior	
(SINAES),	 tem	 como	 objetivo	 geral	 avaliar	 o	 desempenho	 dos	
estudantes	 em	 relação	 aos	 conteúdos	 programáticos	 previstos	 nas	
diretrizes	 curriculares,	às habilidades e competências para atuação 
profissional e aos conhecimentos sobre a realidade brasileira e 
mundial,	 bem	 como	 sobre	 outras	 áreas	 do	 conhecimento	 (BRASIL,	
2017,	grifos	nossos).
A	mesma	portaria,	 em	 seu	Art.	 5°,	 indica	 como	 referência	do	perfil	do	
concluinte,	no	âmbito	da	Formação	Geral,	as	seguintes	características:
I-	 ético	 e	 comprometido	 com	 as	 questões	 sociais,	 culturais	 e	
ambientais;	
II-	 humanista	e	crítico,	apoiado	em	conhecimentos	científico,	social	e	
cultural,	historicamente	construídos,	que	transcendam	o	ambiente	
próprio	de	sua	formação;
III-	protagonista	do	saber,	com	visão	do	mundo	em	sua	diversidade	
para	 práticas	 de	 letramento,	 voltadas	 para	 o	 exercício	 pleno	 de	
cidadania; 
IV-	proativo,	solidário,	autônomo	e	consciente	na	tomada	de	decisões	
pautadas	pela	análise	contextualizada	das	evidências	disponíveis;	
V-	 colaborativo	e	propositivo	no	trabalho	em	equipes,	grupos	e	redes,	
atuando	 com	 respeito,	 cooperação,	 iniciativa	 e	 responsabilidade	
social	(BRASIL,	2017).	
UNIDADE 1 — FORMAÇÃO GERAL
4
E	 no	Art.	 6°	 é	 indicado	 que	 a	 prova	 ENADE	 avaliará	 se	 o	 concluinte	
desenvolveu,	no	processo	de	formação,	competências	para:
I-	 fazer	escolhas	éticas,	responsabilizando-se	por	suas	consequências;
II-	 ler,	interpretar	e	produzir	textos	com	clareza	e	coerência;
III-	 compreender	 as	 linguagens	 como	 veículos	 de	 comunicação	
e	 expressão,	 respeitando	 as	 diferentes	 manifestações	 étnico-
culturais	e	a	variação	linguística;
IV-	 interpretar	 diferentes	 representações	 simbólicas,	 gráficas	 e	
numéricas	de	um	mesmo	conceito;
V-	 formular	 e	 articular	 argumentos	 consistentes	 em	 situações	
sociocomunicativas,	 expressando-se	 com	 clareza,	 coerência	 e	
precisão;
VI-	 organizar,	 interpretar	 e	 sintetizar	 informações	para	 tomada	de	
decisões;
VII-	 planejar	 e	 elaborar	 projetos	 de	 ação	 e	 intervenção	 a	 partir	 da	
análise	 de	 necessidades,	 de	 forma	 coerente,	 em	 diferentes	
contextos;
VIII-	buscar	 soluções	 viáveis	 e	 inovadoras	 na	 resolução	 de	 situações	
problema;
IX-	 trabalhar	 em	 equipe,	 promovendo	 a	 troca	 de	 informações	 e	 a	
participação	coletiva,	com	autocontrole	e	flexibilidade;
X-	 promover,	 em	situações	de	conflito,	diálogo	e	 regras	 coletivas	de	
convivência,	integrando	saberes	e	conhecimentos,	compartilhando	
metas	e	objetivos	coletivos	(BRASIL,	2017).
Para	 tanto,	 abordaremos	 a	 compreensão	 dos	 significados	 dos	 princípios	
norteadores	da	democracia,	ética	e	cidadania,	além	de	realizar	uma	reflexão	e	uma	
discussão	sobre	as	questões	ético-morais,	na	relação	indivíduo	e	sociedade.
2 A DEMOCRACIA EM PAUTA
Estamos	 vivendo	 em	 um	 país	 apresentado	 como	 democrático!	 Será	
que	todos	nós	compreendemos	o	sentido	real	da	democracia	e	seus	reflexos	na	
sociedade	brasileira?	Em	outros	termos,	o	que	realmente	é	este	Estado	Democrático	 
de	Direito	em	que	vivemos?
Neste	sentido,	Moisés	(2010,	p.	277)	expõe	que	“o	significado	mais	usual	
da democracia se refere aos procedimentos e aos mecanismos competitivos de 
escolha	de	governos	através	de	eleições”,	ou	seja,	a	democracia	é	compreendida	
habitualmente	somente	como	um	processo	de	escolha	dos	nossos	representantes	
legaisem	 todas	 as	 esferas,	 tanto	 local,	municipal,	 estadual	 quanto	 federal,	 no	
qual	a	população	dessas	esferas,	por	meio	de	seu	voto,	seleciona	e	elege	o	seu	
representante	para	legislar	em	nome	dessa	mesma	população.	Assim,	“podemos	
considerar	que	 a	democracia	nada	mais	 é	do	que	um	sistema de governo, no 
qual	o	povo	governa	para	sua	própria	sociedade”	(PIERITZ,	2013,	p.	133,	grifos	
do	original).
TÓPICO 1 — DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA
5
Deste	modo,	 pode-se	 observar	 que	 a	 democracia	 pode	 ser	 exercida	 de	
duas	formas	distintas,	pois	ela	pode	ser	direta	ou	indireta	(Quadro	1).	O	conceito	
de	 democracia	 é	 notoriamente	 o	 entendimento	 de	 toda	 massa	 populacional	
brasileira	 nos	 dias	 de	 hoje,	 pois	 quando	 se	 indaga	 às	 pessoas	 com	 relação	 ao	
conceito	 de	 democracia,	 é	 este	 conceito	 de	 escolha	 de	 nossos	 representantes	
legais,	por	intermédio	do	voto	popular,	que	aparece	nos	discursos	da	população	
de	nosso	país.
QUADRO 1 – FORMAS DE DEMOCRACIA
FONTE: Adaptado de Pieritz (2013, p. 133)
Democracia
direta
Na	qual	o	povo	decide	diretamente,	por	meio	de	referendo/	plebiscito,	se	aceita	
ou	não	determinadas	questões	políticas	e	administrativas	de	sua	localidade,	
Estado	ou	país.
Democracia
indireta
Nesta,	o	povo	participa	democraticamente,	por	meio	do	voto,	elegendo	seu	
representante	político,	ou	seja,	uma	pessoa	que	o	represente	nas	diversas	esferas	
governamentais,	para	tomar	decisões	cabíveis	em	nome	do	povo	que	o	elegeu.
Cunha	 (2011,	 p.	 105)	 expõe	 que	 a	 democracia	 pode	 ser	 compreendida	
como	“método	de	organização	social	e	política	 tendente	à	maior	 realização	da	
liberdade	 e	 da	 igualdade.	 [é	 um]	 Sistema	 político	 em	 que	 o	 povo	 constitui	 e	
controla	o	governo,	no	interesse	de	todos”.	
Outro	 fator	 que	 não	 podemos	 esquecer	 é	 que,	 quando	 falamos	 em	
democracia,	 também	 falamos	 de	 Estado	 Democrático	 de	 Direito.	 Segundo	
Cunha	 (2011,	 p.	 138),	 o	 “Estado	de	direito	 [é	 aquele]	 que	 se	 organiza	 e	 opera	
democraticamente”.	Nossa	Carta	Magna	de	1988,	já	em	seu	preâmbulo,	instituiu	
um	 Estado Democrático de Direito,	 ou	 seja,	 a	 Constituição	 da	 República	
Federativa	do	Brasil	se	organizou	e	definiu	suas	normativas	em	prol	de	um	Estado 
Democrático,	no	qual	a	democracia	deverá	ser	a	base	fundamental	da	República	
Federativa	 do	 Brasil.	 Assim,	 segundo	 Pieritz	 (2013,	 p.	 133),	 “este	 sistema	 de	
governo	democrático	possui	 formatos	diferentes	nas	diversas	 sociedades,	 pois	
em	cada	uma	existem	regras	e	normas	diferentes,	e	 isto	acontece	por	causa	da	
constituição	dos	princípios	ético-morais	de	cada	localidade”.
Vale	salientar	que	a	democracia	vai	muito	além	desse	discurso	sintético	de	
representação	e	de	voto,	pois	Moisés	(2010,	p.	277,	grifos	nossos)	coloca-nos	que:
existem	outras	perspectivas	que	ampliam	a	compreensão	do	conceito,	
incluindo	 tanto	 as	 dimensões	 que	 se	 referem	 aos	 conteúdos	 da	
democracia,	como	também	os	seus	resultados	práticos	esperados	no	
terreno	da	economia	e	da	sociedade.	Por	uma	parte,	acompanhando	
a	abordagem	minimalista	de	Schumpeter	(1950)	e	a	procedimentalista	
de	Dahl	(1971),	vários	autores	definiram	a	democracia	em	termos	de	
competição, participação e contestação pacífica do poder.
UNIDADE 1 — FORMAÇÃO GERAL
6
Neste	 sentido,	 no	 que	 tange	 à	 conotação	 que	 a	 democracia	 tem	 de	
competição,	 participação	 e	 contestação	 pacífica	 do	 poder,	 pode-se	 expor	 que	
falar	 de	 democracia	 também	 está	 atrelado	 ao	 conceito	 do	 “jogo de poderes”,	
principalmente	 a	 disputa	 e	 concorrência	 de	 cargos	 em	 todas	 as	 esferas	
governamentais	 ou	 não,	 além	da	 competição	 entre	 partidos	 políticos	 e	 outros	
grupos	econômicos,	políticos,	culturais	e	sociais.
Além	 disso,	 não	 podemos	 esquecer	 um	 elemento	 fundamental	 da	
democracia,	que	é	a	questão	da	“participação do povo”,	em	que	cada	cidadão	
brasileiro	é	elemento	fundamental	no	processo	democrático	do	Brasil,	pois	direta	
ou	indiretamente	é	parte	do	processo	democrático	instaurado	neste	país.	
Ao	proferir	sua	escolha,	independentemente	do	que	for	ou	de	que	escolha	
fora	 feita,	 torna-se	automaticamente	parte	do	Estado	Democrático	de	Direito	e	
integra-se	ao	sistema	vigente	de	democracia	daquele	determinado	Estado.
Resumidamente,	 a	 Figura	 1	 apresenta	 o	 primeiro	 entendimento	 da	
definição	e	o	significado	da	democracia	e	o	Estado	Democrático	de	Direito.
FIGURA 1 – DEMOCRACIA E O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
FONTE: Os autores
TÓPICO 1 — DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA
7
Maciel	 (2012,	 p.	 73,	 grifos	 do	 original)	 complementa	 expondo	 que	 a	
democracia	“tornou-se	uma	aspiração	universal,	por	ser	o	regime	de	governo	mais	
propenso	a	garantir	os	direitos	individuais,	porém	não	se	resume	simplesmente	
ao	 ato	 de	 votar,	 sendo	 que	 o	direito à participação se	 tornou	 uma	 atividade	
importante	diante	da	constituição	da	cidadania”.
Por	 conseguinte,	 pode-se	 expor	 que	 democracia	 denota	 participação	
direta	ou	indireta	da	população	em	todos	os	espaços	que	necessitem	do	veredito	
do	povo	em	prol	de	objetivos	comuns	a	ele	mesmo.	Assim,	Beethan	(2003,	p.	110	
apud	MACIEL,	2012,	p.	73,	grifos	nossos)	complementa	expondo	que:
O	direito	à	participação	pode	ser	 tanto	reativo	quanto	proativo.	Em	
sua	 forma	 reativa,	 a	 participação	 consiste	 na	 articulação coletiva 
de	 respostas	 a	 políticas	 de	 desenvolvimento.	 Na	 forma	 proativa,	
ela	 invoca	 a	 responsabilidade popular no desencadeamento da 
articulação	 de	 políticas	 de	 desenvolvimento.	 No	 primeiro	 caso,	 os	
governos	 propõem	 e	 os	 cidadãos	 reagem;	 no	 segundo,	 os	 cidadãos	
propõem	 e	 os	 governos	 reagem.	 Em	 ambas	 as	 formas,	 o	direito de 
participação assume a lógica de colaborar com o desenvolvimento. 
“No	coração	da	democracia	repousa,	assim,	o	direito	do	cidadão	de	
opinar	nos	assuntos	públicos	e	de	exercer	controle	sobre	o	governo,	
em	pé	de	igualdade	com	os	demais”.
Deste	modo,	 pode-se	 expor	 que	 um	 dos	 elementos	 da	 democracia	 é	 a	
articulação	 coletiva	 do	 povo	 em	 prol	 de	 uma	 determinada	 demanda	 social,	
política,	cultural	ou	econômica.	
Para	que	se	possa	debater	coletivamente	os	prós	e	contras,	no	que	tange	
aos	 assuntos	 pertinentes	 ao	 interesse	 coletivo,	 dando	 assim	 respostas	 a	 esta	
mesma	demanda.
Vale	salientar,	acadêmico,	que	a	não	participação	e	a	omissão	também	são	
formas	de	participação,	pois	retratam	a	sua	alienação,	indiferença,	contestação	ou	
o	seu	descontentamento	em	relação	ao	sistema	vigente.	
Então,	isto	não	quer	dizer	que	aquele	cidadão	que	se	omitiu	ou	apenas	não	
quis	participar	não	fez	parte	do	processo	democrático	de	um	país,	pelo	contrário,	
todo	cidadão	tem	o	direito	de	participar	ou	não,	mesmo	que	o	voto	no	Brasil	seja	
obrigatório,	pois	ao	votar	ele	exprime	a	sua	vontade,	ou	o	seu	desejo.
Aqui	fica	 claro	que	a	população,	 ao	exercer	 seu	direito	de	participação	
de	 forma	proativa,	demonstra	seus	direitos	e	responsabilidades	perante	os	efeitos	
da	decisão	coletiva.	Entretanto,	também	existem	quatro	condições	necessárias	para	 
que	se	possa	instaurar	um	regime	governamental	pautado	na	democracia.
UNIDADE 1 — FORMAÇÃO GERAL
8
QUADRO 2 – CONDIÇÕES BÁSICAS PARA O REGIME DEMOCRÁTICO
FONTE: Adaptado de Moisés (2010, p. 277)
FONTE: <https://bit.ly/3DdjYyW>. 
Acesso em: 23 ago. 2021.
Direito	dos	cidadãos	de	ESCOLHEREM GOVERNOS por 
meio de eleições com	a	participação	de	todos	os	membros	
adultos	da	 comunidade	política.	A	 isso	 se	dá	o	nome	de	
sufrágio universal (direito	ao	voto).
ELEIÇÕES regulares,	 livres,	 competitivas,	 abertas	 e	
significativas.
GARANTIA DE DIREITOS de	 expressão,	 reunião	 e	
organização,	em	especial,	de	partidos	políticos	para	competir	
pelo	poder.
Acesso a fontes alternativas de INFORMAÇÃO sobre	a	ação	
de	governos	e	a	política	em	geral.
Essas	 quatro	 condições	 mínimas	 para	 implantar	 um	 regime	 democrático	 
são	de	fundamental	importância	para	que	haja	a	participação	democráticade	um	
povo	em	prol	dos	objetivos	comuns	do	próprio	povo,	uma	vez	que	a	democracia	
vai	muito	além	da	simples	representação	e	de	voto,	ela	se	efetiva	e	concretiza-se	
com	a	participação,	com	a	competição	e	a	contestação	dos	processos	pacíficos	da	
busca	do	poder	no	Estado	Democrático	de	Direito.
Sucintamente,	 a	 Figura	 2	 apresenta	 a	 ampliação	 da	 compreensão	 do	
entendimento	do	significado	da	democracia,	ou	seja,	o	seu	conceito	ampliado:
FIGURA 2 – CONCEITO AMPLIADO DE DEMOCRACIA
FONTE: Os autores
TÓPICO 1 — DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA
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Caro acadêmico, para colaborar com seus estudos, veja que a junção das 
Figuras 1 e 2 proporciona o entendimento global do que é democracia.
ATENCAO
3 A QUESTÃO DA ÉTICA
O	tema	que	abordaremos	neste	momento	é	 relativo	à	questão	da	ética,	
a	qual	permeia	constantemente	nosso	dia	a	dia,	 seja	no	âmbito	 familiar,	 social	
ou	profissional.	Acadêmico,	aparentemente,	compreendemos	o	seu	significado	e	
seus	efeitos,	mas	será	que	realmente	compreendemos	o	seu	sentido	real?	Será	que	
sabemos	o	que	é	certo	ou	errado	para	nós	na	sociedade	em	que	vivemos?
Neste	sentido,	Tomelin	e	Tomelin	(2002,	p.	89)	expõem	que	“a	ética	é	uma	
das	áreas	da	filosofia	que	investiga	sobre	o	agir	humano	na	convivência	com	os	
outros	[...]”.	
Em	outros	termos,	as	nossas	ações	perante	a	sociedade	em	que	vivemos	
são	orientadas	por	princípios	éticos	e	morais,	e	esses	princípios	são	norteadores	
de	consciência	moral	do	certo	e	do	errado,	do	bem	e	do	mal.
De	modo	mais	abrangente,	a	ética	pode	ser	conceituada	como	a	área	da	
filosofia	 que	 investiga	 o	 agir	 humano,	 tanto	 aqueles	 com	 repercussão	 social,	
quanto	aqueles	sem	maiores	impactos	na	sociedade,	ou	seja,	não	somente	os	atos	
relativos	à	convivência	com	os	outros,	mas	também	consigo	mesmo.
Assim,	no	que	tange	a	esta	problemática	relativa	à	ética,	Pieritz	(2013,	p.	
3)	expõe	que	“a	ética	não	é	facilmente	explicável,	mas	todos	nós	sabemos	o	que	é,	
pois	está	diretamente	relacionada	aos	nossos	costumes	e	às	ações	em	sociedade,	
ou	seja,	ao	nosso	comportamento,	ao	nosso	modo	de	vida	e	de	convivência	com	
os	outros	integrantes	da	sociedade”.	E	que	esses	valores	éticos	são	construídos	
historicamente	pelos	povos,	de	geração	em	geração.
O	que	 são	valores?	Pedro	 (2014,	p.	 490)	 faz	um	 resgate	 etimológico	da	
palavra	Axiologia,	de	origem	grega,	que	significa	estudo	dos	valores	ou	ciência	do	
valor,	e	aponta	para	um	significado,	o	da	vivência	do	valor,	independentemente	
do	valor	que	for,	pois	este	é	experienciado	como	um	fenômeno	que	se	apresenta	
à	consciência	como	tal	e	como	um	acontecimento	que	nos	é	imediatamente	dado.
Para	a	filósofa	húngara	Agnes	Heller	(1972,	p.	4),	“valor	é	tudo	aquilo	que	
faz	parte	do	ser	genérico	do	homem	e	contribui,	direta	ou	mediatamente	para	a	
explicação	desse	ser	genérico”.	Vejamos	no	Quadro	3	quais	são	os	atributos	dos	
valores	humanos	na	perspectiva	de	Heller:
UNIDADE 1 — FORMAÇÃO GERAL
10
QUADRO 3 – ATRIBUTOS DOS VALORES HUMANOS
FONTE: Adaptado de Paulo Netto (2010, p. 23)
OBJETIVAÇÃO • que	se	expressa	prioritariamente	por	intermédio	do	trabalho;• que	proporciona	sair	do	subjetivo	e	passar	para	o	real	e	concreto.
SOCIALIDADE
• que	se	expressa	com	a	convivência	com	o	outro,	em	grupo;
• aprendizagem	com	o	outro;
• assimilação	de	normas	sociais.
CONSCIÊNCIA
• tomar	ciência	dos	fatos	ou	de	alguma	coisa;
• reconhecimento	da	realidade;
• descoberta	de	algo;
• capacidade	de	perceber	as	coisas.
UNIVERSALIDADE
• universal;
• o todo;
• fazer	parte	de	um	determinado	grupo.
LIBERDADE • livre-arbítrio.
Portanto,	 os	 atributos	dos	valores	humanos	apresentados	no	Quadro	3	 são	
os	elementos	constitutivos	do	ser	humano,	do	ser	social,	que	formam	os	nossos	
valores	morais.	
Complementando,	no	Quadro	4	apresentamos	mais	exemplos	dos	valores	 
e	virtudes	do	ser	humano,	que	vive	e	convive	em	sociedade.
QUADRO 4 – EXEMPLOS DOS VALORES E VIRTUDES HUMANOS
FONTE: Os autores
Amizade Justiça Compreensão Respeito Simplicidade
Lealdade Compreensão Sinceridade Pudor Generosidade
Paciência Ordem Humildade Autoestima Liberdade
Deste	 modo	 acadêmico,	 podemos	 expor	 que	 “todos	 nós	 possuímos	
princípios	e	valores	que	 foram	e	são	constituídos	por	nossa	sociedade.	E,	 com	
relação	a	esses	valores,	cada	um	de	nós	possui	uma	visão	do	que	é	certo	e	errado,	
do	que	é	o	bem	e	o	mal”	(PIERITZ,	2012,	p.	57).
Não	podemos	nos	esquecer	de	que	“esta	consciência	moral	é	determinada	
por	um	consenso	coletivo	e	social,	ou	seja,	o	conjunto	da	sociedade	é	que	formula	
e	 compõe	 as	normas	de	 conduta	que	o	 regem.	Como	exemplo,	 temos	 a	nossa	
Constituição	 Federal	 e	 outras	 regras	 e	 normas	de	 nossa	 sociedade”	 (PIERITZ,	
2013,	p.	4).
São	estas	regras	e	normativas	jurídicas	e	sociais	que	determinam	o	nosso	
agir	em	sociedade,	e	cada	grupo	social	possui	suas	características,	ou	seja,	não	
se	pode	dizer	 que	 todos	nós	 somos	 iguais,	 que	 todas	 as	nações	 e	Estados	 são	
TÓPICO 1 — DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA
11
iguais,	porque	não	somos,	pois,	independentemente	do	Estado,	do	país	ou	grupo	
social,	fomos	moldando	nossos	valores	e	princípios	de	forma	diferente	ao	longo	
de	nossa	existência.
Agora,	acadêmico,	raciocine	o	seguinte:	se	é	um	fato	que	nossa	consciência	
moral	é	construída	no	seio	de	uma	sociedade	e	com	a	influência	do	meio	e	das	
pessoas	com	as	quais	convivemos,	há ainda outros fatores que concorrem para 
a constituição da consciência moral, e esse elemento é chamado de Lei natural 
– pelos jusnaturalistas – e tem caráter universal, pois perpassa as sociedades 
políticas,	é	algo	mais	profundo	que	elas,	constitui-se	na	própria	natureza	humana	 
em	sua	universalidade	(ROHLING,	2012).	Segundo	Valls	(2003,	p.	8):
costuma-se	 separar	os	problemas	 teóricos	da	 ética	 em	dois	 campos:	
num,	os	problemas	gerais	e	 fundamentais	 (como	 liberdade,	consciência,	
bem,	valor,	 lei	e	outros);	e	no	segundo,	os	problemas	específicos,	de	
aplicação	concreta,	como	os	problemas	da	ética	profissional,	de	ética	
política,	de	ética	sexual,	de	ética	matrimonial,	de	bioética	etc.
Em	outros	termos,	os	problemas	éticos	permeiam	todas	as	nossas	ações	em	
sociedade.	Neste	sentido,	vale	salientar	que	“cada	sociedade	possui	suas	normas	
de	conduta	comportamental	e	seus	princípios	morais,	ou	seja,	cada	grupo	social	
constitui	o	que	é	certo	e	errado,	o	que	é	o	bem	e	o	mal	para	o	seu	povo,	portanto,	
nem	sempre	o	que	é	certo	para	nós	pode	ser	certo	para	um	outro	grupo	social	e	
vice-versa”	(PIERITZ,	2013,	p.	4).
Então,	como	desvelar	esta	situação?	Como	saber	se	estamos	no	caminho	
certo?	Se	estamos	fazendo	certo	ou	errado?	Ou	se	realmente	estamos	fazendo	o	
bem	ou	o	mal	a	alguém?	São	muitas	indagações!
Para	 auxiliar	 a	 reflexão	 sobre	 essas	 questões,	 Finnis	 (filósofo	 e	 jurista	
australiano)	identifica	sete	valores	básicos,	os	quais	são	os	seguintes:
I)	vida;	 II)	o	conhecimento;	 III)	o	 jogo;	 IV)	a	experiência	estética;	V)	
a	 sociabilidade;	VI)	 a	 razoabilidade	 prática;	 e,	 VII)	 a	 religião.	 Esses	
valores,	 contudo,	 não	 são	 os	 únicos,	 pois	 existem,	 evidentemente,	
muitos	 outros,	 os	 quais,	 segundo	 propõe	 o	 autor,	 são	 modos	 ou	
combinações	de	modos	de	buscar	–	embora	nem	sempre	com	sensatez	
–	 e	 de	 realizar	 –	 nem	 sempre	 exitosamente	 –	 uma	 das	 sete	 formas	
básicas	de	bem,	ou	alguma	combinação	delas	(ROHLING,	2012,	p.	163).
Neste	sentido,	podemos	observar	ainda	que:
os	 problemas	 éticos	 se	 distinguem	 da	moral	 pela	 sua	 característica	
genérica,	 enquanto	 que	 a	 moral	 se	 caracteriza	 pelos	 problemas	 da	
vida	cotidiana.	O	que	há	de	comum	entre	elas	é	fazer	o	homem	pensar	
sobre	a	responsabilidade	das	consequências	de	suas	ações.	A	ética	faz	
pensar	sobre	as	consequências	universais,	sempre	priorizando	a	vida	
presente	e	futura,	local	e	global.	A	moral	faz	pensar	as	consequências	
grupais,	adverte	para	normas	culturalmente	formuladas	ou	pode	estar	
fundamentada	num	princípio	ético.	A	ética	pode,	desta	forma,	pautar	
o	comportamento	moral	(TOMELIN;TOMELIN,	2002,	p.	90).
UNIDADE 1 — FORMAÇÃO GERAL
12
Podemos	expor	que,	deste	ponto	de	vista,	existem	diferenças	nítidas	entre	
ética	e	moral,	sendo	que	a	ética	é	generalista	e	a	moral	reflete	o	comportamento	
socialmente	construído	e	legitimado	pelo	seu	povo.	
Enfim,	Tomelin	e	Tomelin	(2002,	p.	89,	grifos	do	original)	complementam	
expondo	que	“a	palavra	ética	provém	do	grego	ethos	e	significa	hábitos,	costumes,	
e	se	refere	à	morada	de	um	povo	ou	sociedade.	
A	palavra	moral provém	do	 latim	moralis	e	significa	costume,	conduta.	
Logo,	conforme	Pieritz	(2012,	p.	58,	grifos	nosso):
A	principal	 função	da	ética	é	sugerir	qual	o	melhor	comportamento	
que	cada	pessoa	ou	grupo	social	tem	ou	venha	a	ter.	Indicando	o	que	
é	certo	ou	errado,	o	que	é	bom	ou	mal.	Porém,	este	comportamento	
sempre	 partirá	 do	 ponto	 de	 vista	 dos	 princípios	 morais	 de	 cada	
sociedade,	ou	seja,	seu	grupo	social.	A	ética	auxilia	no	esclarecimento	e	
na	explicação	da	realidade	cotidiana	de	cada	povo,	procurando	sempre	
elaborar	 seus	 conceitos	 conforme	 o	 comportamento	 correspondente	
de	cada	grupo	social.
Por	conseguinte,	“o	ético	transforma-se	assim	numa	espécie	de	legislador	
do	comportamento	moral	dos	indivíduos	ou	da	comunidade”	(VÁZQUEZ,	2005,	
p.	20),	ou	seja,	a	ética	está	para	regular	o	nosso	comportamento	em	sociedade.
Complementando,	Vázquez	(2005,	p.	21)	coloca-nos	que	“a	ética	é	teoria,	
investigação	 ou	 explicação	 de	 um	 tipo	 de	 experiência	 humana	 ou	 forma	 de	
comportamento	dos	homens	[...]”,	ou	seja,	“o	valor	de	ética	está	naquilo	que	ela	
explica	–	o	fato	real	daquilo	que	foi	ou	é	–,	e	não	no	fato	de	recomendar	uma	ação	
ou	uma	atitude	moral”	(PIERITZ,	2013,	p.	7,	grifo	nosso).
Devemos	 compreender	 as	 diferenças	 conceituais	 de	 ética	 e	moral,	 pois	
“podemos	 afirmar	 que	 a	 ética	 estuda	 e	 investiga	 o	 comportamento	moral	 dos	
seres	humanos.	E	esta	moral	é	constituída	pelos	diferentes	modos	de	viver	e	agir	
dos	 homens	 em	 sociedade,	 que	 é	 formada	 por	 suas	 diretrizes	morais	 da	 vida	
cotidiana,	transformando-se	no	decorrer	dos	tempos”	(PIERITZ,	2013,	p.	19).
Todavia, o que é a moral?
Segundo	Aranha	 e	 Martins	 (2003,	 p.	 301,	 grifos	 do	 original),	 “a MORAL 
vem	do	latim	mos, moris,	que	significa	‘costume’,	‘maneira	de	se	comportar	regulada	 
pelo	uso’,	e	de	moralis, morale,	adjetivo	referente	ao	que	é	‘relativo	aos	costumes’”.	
Assim,	a	moral	é	compreendida	como	um	conjunto	de	regras	de	condutas	
socialmente	admitidas	em	determinadas	épocas	ou	por	um	grupo	de	pessoas,	ou	
seja,	“a	moralidade	dos	homens	é	um	reflexo	direto	do	modo	de	ser	e	conviver	
em	 sociedade,	 no	 qual	 o	 caráter,	 os	 sentimentos	 e	 os	 costumes	determinam	o	
seu	comportamento	individual	e	social,	que	foi	ou	está	sendo	perpetuado	num	
espaço	de	tempo”	(PIERITZ,	2013,	p.	35).	
TÓPICO 1 — DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA
13
Ainda	de	acordo	com	Pieritz	(2013,	p.	38):
A	moral	sugere,	constantemente,	a	valorização	de	nossas	ações	e	de	
nossos	comportamentos	em	sociedade,	mas	é	a	moral	que	determina	
quais	 são	 os	 nossos	 direitos	 e	 deveres	 perante	 a	 sociedade	 em	 que	
vivemos.	 Estes	 deveres	 são	 conectados	 ao	 nosso	 modo	 de	 ser	 e	
conviver	em	sociedade,	gerando	certas	responsabilidades	com	relação	
a	si	próprio	e	aos	outros,	tais	como:
• sentimentos;
•	 escolhas;
•	 desejos;
•	 atitudes;
•	 posicionamentos	diante	da	realidade;
•	 juízo	de	valor;
•	 senso	moral;
•	 consciência	moral.
Sob	estas	concepções	de	ética	e	moral,	apresentamos	as	suas	principais	
diferenças	na	Figura	3:
FIGURA 3 – DIFERENÇAS ENTRE ÉTICA E MORAL
FONTE: Adaptado de Tomelin e Tomelin (2002, p. 89-90)
Nasce da necessidade 
de ajudar cada membro 
aos interesses coletivos 
do grupo.
É a CIÊNCIA que 
estuda a moral.
É o MODO DE 
VIVER e agir de 
cada povo, em cada 
cultura.
É a REFLEXÃO 
SISTEMÁTICA sobre o 
comportamento moral.
É O CONJUNTO DE 
NORMAS, prescrição e 
valores reguladores da 
ação cotidiana.
É a parte da filosofia que 
trata da REFLEXÃO DOS 
PRINCÍPIOS universais 
da humanidade.
VARIA no tempo 
e no espaço.
São os VALORES 
HUMANOS 
universais e 
fundamentais.
São valores concernentes 
ao BEM e ao MAL, 
permitindo ou proibindo.
É a TEORIA do 
comportamento 
moral.
Conjunto de normas e 
regras reguladoras da 
relação entre os homens 
de uma determinada 
comunidade.
É a COMPREENSÃO 
SUBJETIVA do ato 
moral.
UNIDADE 1 — FORMAÇÃO GERAL
14
Assim,	 podemos	 observar	 que	 existem	diferenças	 concretas	 entre	 estes	
dois	conceitos,	no	entanto,	ainda	devemos	compreender	que:
FIGURA 4 – DIFERENÇAS ENTRE ÉTICA E MORAL
FONTE: Paulo Netto (2010, p. 23)
Assim,	concluímos	que	a	moral:
Vem	se	 constituindo	historicamente,	mudando	no	decorrer	da	própria	
evolução	do	homem	em	sociedade.	Em	que	seus	hábitos	e	costumes	
são	constituídos	por	esta	relação	social,	em	que	a	essência	humana	é	
pautada	por	estes	princípios	morais.	E	estes,	por	sua	vez,	constituem	o	
ser	social	que	somos.	E	a	ética	nesta	questão	chega	para	simplesmente	
regular	e	analisar	estes	preceitos	morais	(PIERITZ,	2013,	p.	21).
Por	 conseguinte,	 segundo	 Pieritz	 (2013,	 p.	 21,	 grifo	 nosso),	 “a	 ética	
é	 precursora	 da	 TRANSFORMAÇÃO SOCIAL	 dos	 diversos	 sistemas	 ou	
estruturas	 sociais.	 Sistemas	 estes	 que	 imprimiam	 suas	 mudanças	 sociais,	 tais	
como:	Capitalismo	e	Socialismo”.
Por	fim,	Pieritz	(2013,	p.	21)	expõe	que	“quando	é	constituída	uma	nova	
estrutura	 social,	 a	 ética,	 os	 valores	 e	 princípios	 morais	 são	 modificados	 para	
constituir	assim	esta	nova	concepção	de	sociedade”.	Ou	seja,	historicamente,	com	
as	transformações	sociais,	políticas	e	econômicas	de	um	povo,	automaticamente	
o	sistema	de	valores	morais	e	éticos	se	transforma,	para	que	assim	seja	possível	
constituir	um	novo	padrão	sócio-histórico	daquele	determinado	grupo.
E a ANÁLISE dos 
FUNDAMENTOS DA
MORAL.
É um sistema MUTÁVEL.
HISTORICAMENTE determinado 
pela própria sociedade.
MORAL
ÉTICA
De COSTUMES e IMPERATIVOS 
que propiciam a vinculação de 
cada indivíduo em sociedade.
Com a ESSÊNCIA HUMANA 
historicamente constituída.
Com o SER SOCIAL tomado na 
sua UNIVERSALIDADE.
Tomando na sua 
SINGULARIDADE.
TÓPICO 1 — DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA
15
Salientando	ainda	que	nesse	processo	de	transformação	social	devemos	
respeitar	 a	 permanência	 de	 alguns	 valores	 socialmente	 construídos,	 como	 a	
solidariedade,	a	igualdade	e	a	fraternidade,	para	que	todos	possamos	construir	
uma	sociedade	mais	justa,	ética,	democrática	e	cidadã.
4 O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA CIDADANIA
No	 que	 tange	 às	 questões	 pertinentes	 à	 cidadania,	 partiremos	 de	 sua	
concepção	advinda	do	Título	I	–	“Dos	Princípios	Fundamentais”	da	Constituição	
da	República	Federativa	do	Brasil	de	1988,	a	qual	assim	expressa:
Art.	1°	A	República	Federativa	do	Brasil,	 formada	pela	união	
indissolúvel	 dos	 Estados	 e	Municípios	 e	 do	Distrito	 Federal,	
constitui-se	 em	 Estado	 democrático	 de	 direito	 e	 tem	 como	
fundamentos:
I-	 a	soberania;
II- a cidadania;
III-	a	dignidade	da	pessoa	humana;
IV-	os	valores	sociais	do	trabalho	e	da	livre	iniciativa;
V-	 o	pluralismo	político.
Parágrafo	único.	Todo	o	poder	emana	do	povo,	que	o	exerce	
por	meio	de	representantes	eleitos	ou	diretamente,	nos	termos	
desta	Constituição	(BRASIL,	[2016],	p.	11).
Neste	sentido,	podemos	observar	que	um	dos	princípios	fundamentais	da	
Carta	Magna	brasileira	é	a	cidadania,	mas	você	sabe	o	seu	significado?
Vejamos:	cidadania	“é	um	conjunto	de	direitos	e	deveres	que	denotam	e	
fundamentam	as	condições	do	comportamento	de	cada	indivíduo	em	relação	à	
sociedade,	ou	seja,	a	cidadania	designa	normas	de	conduta	para	o	convívio	social,	
determinando	nossas	obrigações	e	direitos	perante	os	outros	 integrantes	da	nossa	
sociedade”	(PIERITZ,	2013,	p.	132).	Neste	sentido:
Ser	 cidadão	é	 respeitar	 e	participar	das	decisões	da	 sociedade,	para	
melhorar	 suas	 vidas	 e	 a	 de	 outras	 pessoas.	 Ser	 cidadão	 é	 nunca	
esquecer	 das	 pessoas	 que	 mais	 necessitam.A	 cidadania	 deve	 ser	
divulgada	através	de	instituições	de	ensino	e	meios	de	comunicação,	
para	o	bem-estar	e	desenvolvimento	da	nação.	A	cidadania	consiste	
desde	o	gesto	de	não	jogar	papel	na	rua,	não	pichar	os	muros,	respeitar	
os	 sinais	 e	 placas,	 respeitar	 os	 mais	 velhos	 (assim	 como	 todas	 as	
outras	pessoas),	não	destruir	telefones	públicos,	saber	dizer	obrigado,	
desculpe,	por	favor	e	bom	dia	quando	necessário	[...],	até	saber	lidar	
com	o	abandono	e	a	exclusão	das	pessoas	necessitadas,	o	direito	das	
crianças	 carentes	 e	 outros	 grandes	 problemas	 que	 enfrentamos	 em	
nosso	país.	‘A	revolta	é	o	último	dos	direitos	a	que	deve	um	povo	livre	
para	garantir	os	interesses	coletivos:	mas	é	também	o	mais	imperioso	
dos	deveres	impostos	aos	cidadãos’.	Juarez	Távora	-	Militar	e	político	
brasileiro	(WEB	CIÊNCIA,	2009	apud	PIERITZ,	2013,	p.	132).
Portanto,	podemos	observar	que	a	cidadania	possui	três	dimensões.
UNIDADE 1 — FORMAÇÃO GERAL
16
QUADRO 5 – DIMENSÕES DA CIDADANIA
FONTE: Adaptado de Pieritz (2013, p. 132-133)
DIMENSÕES DA CIDADANIA
Cidadania 
civil
São	aqueles	direitos	advindos	da	LIBERDADE de cada indivíduo,	por	exemplo:
• o	livre-arbítrio	para	expressar	nossos	pensamentos;
• o	direito	de	propriedade	(venda	e	compra	de	um	imóvel,	um	bem	ou	serviço);	
entre	outros.
Cidadania 
política
Podemos	considerar	que	a	cidadania	política	se	legitima	quando	os	homens	exercem 
seu poder político de ELEGER e SER ELEITOS para	o	exercício	do	poder	político,	
independentemente	da	instituição	pública	ou	privada	na	qual	venham	exercer	suas	
atribuições.
Cidadania 
social
Compreendida como o conjunto de direitos concernentes ao CONFORTO de cada 
cidadão,	no	que	tange	à	sua	vida	econômica	e	social,	ou	seja,	do	seu	bem-estar	social.
A	cidadania	expressa	os	direitos	e	deveres	de	todas	as	pessoas	que	vivem	
e	 convivem	em	sociedade,	 seja	na	esfera	 social,	política	ou	 civil,	no	que	 tange	
ao	respeito	a	si,	ao	próximo	e	ao	patrimônio	público	e	privado.	Além	de	que	a	
cidadania	é	participação	nos	espaços	públicos	de	discussão,	a	qual	permeia	as	
questões	de	democracia	e	ética	de	toda	a	população	daquele	determinado	grupo	
social,	político	ou	econômico.
Nesse	sentido,	tem-se	a	participação	como	um	mecanismo	do	exercício	da	
cidadania,	ou	seja,	“O	conceito	contemporâneo	de	cidadania	transcende	a	simples	
lógica	da	garantia	de	direitos	legais.	Segundo	a	concepção	de	Dallari	(2004	apud 
MACIEL,	 2012,	p.	 31),	 a	 cidadania	 expressa	um	conjunto	de	direitos	que	dá	à	
pessoa	a	possibilidade	de	participar	da	vida	e	do	governo	de	seu	povo”.	Portanto,	
a	palavra	de	ordem	é	“participar”,	fazer	parte	do	processo	democrático,	pois,	de	
acordo	com	Maciel	(2012,	p.	32),	quem	não	exerce	sua	cidadania	“está	excluído	da	
vida	social	e	da	tomada	de	decisões.	
A	cidadania	não	significa	apenas	uma	conquista	legal	de	alguns	direitos,	
mas	sim	a	realização	destes	direitos.	Ela	é	construída	e	conquistada	a	partir	da	
nossa	capacidade	de	organização,	participação	e	intervenção	social”.
Vale	salientar	que	a	cidadania	é	conquistada	pela	nossa	participação	nos	
momentos	das	discussões	e	decisões	coletivas,	portanto	a	cidadania	se	dá	pela	
participação	ativa	de	nossa	vida	em	sociedade	e	na	vida	pública.
17
Neste tópico, você aprendeu que:
•	 A	 compreensão	 do	 significado	 mais	 usual	 da	 democracia	 denota	 que	 a	
democracia	 é	 compreendida	 como	um	 sistema	de	 governo,	 no	 qual	 o	 povo	
governa	para	sua	própria	sociedade.
•	 A	democracia	pode	ser	exercida	de	duas	 formas	distintas,	pois	ela	pode	ser	
direta	ou	indireta.
•	 A	 democracia	 é	 compreendida	 popularmente	 como	 a	 escolha	 de	 nossos	
representantes	legais,	por	intermédio	do	voto	popular.
•	 O	 Estado	 Democrático	 de	 direito	 é	 aquele	 que	 se	 organiza	 e	 opera	
democraticamente.
•	 A	Constituição	da	República	Federativa	do	Brasil	se	organizou	e	definiu	suas	
normativas	em	prol	de	um	Estado	Democrático,	no	qual	a	democracia	deverá	
ser	a	base	fundamental	da	República	Federativa	do	Brasil.
•	 A	 democracia	 também	 está	 atrelada	 ao	 conceito	 do	 “jogo	 de	 poderes”,	
principalmente	 a	 disputa	 e	 concorrência	 de	 cargos	 em	 todas	 as	 esferas	
governamentais	ou	não.
•	 É	 importante	 relembrar	 que	 o	 elemento	 fundamental	 da	 democracia	 é	 a	
“participação	do	povo”.
•	 A	ética	é	uma	das	áreas	da	filosofia	que	investiga	o	agir	humano	na	convivência	
com	os	outros.
•	 A	 ética	 está	 diretamente	 relacionada	 aos	 nossos	 costumes	 e	 às	 ações	 em	
sociedade,	 ou	 seja,	 ao	 nosso	 comportamento,	 ao	 nosso	modo	 de	 vida	 e	 de	
convivência	com	os	outros	integrantes	da	sociedade.
•	 Todos	nós	possuímos	princípios	e	valores	que	 foram	e	 são	 constituídos	por	
nossa	sociedade.	E,	com	relação	a	estes	valores,	cada	um	de	nós	possui	uma	
visão	do	que	é	certo	e	errado,	do	que	é	o	bem	e	o	mal.
•	 A	consciência	moral	é	determinada	por	um	consenso	coletivo	e	social,	ou	seja,	
o	conjunto	da	sociedade	é	que	formula	e	compõe	as	normas	de	conduta	que	 
o	regem.
•	 Os	problemas	éticos	permeiam	todas	as	nossas	ações	em	sociedade.
RESUMO DO TÓPICO 1
18
•	 Existem	diferenças	nítidas	entre	ética	e	moral,	sendo	que	a	ética	regula	a	moral,	
a	ética	é	generalista	e	a	moral	reflete	o	comportamento	socialmente	construído	e	
legitimado	pelo	seu	povo.
•	 A	principal	função	da	ética	é	sugerir	qual	o	melhor	comportamento	que	cada	
pessoa	ou	grupo	social	tem	ou	venha	a	ter.	Indicando	o	que	é	certo	ou	errado,	
o	que	é	bom	ou	mal.
•	 O	valor	da	ética	está	naquilo	que	ela	explica,	o	fato	real	daquilo	que	foi	ou	é,	e	
não	no	fato	de	recomendar	uma	ação	ou	uma	atitude	moral.	
•	 Um	dos	princípios	fundamentais	da	Carta	Magna	brasileira	é	a	cidadania.	
•	 A	cidadania	designa	normas	de	 conduta	para	o	 convívio	 social,	determinando	
nossas	obrigações	e	direitos	perante	os	outros	integrantes	da	nossa	sociedade.
•	 A	cidadania	expressa	os	direitos	e	deveres	de	 todas	as	pessoas	que	vivem	e	
convivem	em	sociedade,	seja	na	esfera	social,	política	ou	civil,	no	que	tange	ao	
respeito	a	si,	ao	próximo	e	ao	patrimônio	público	e	privado.
•	 Cada	 cidadão	 tem	 o	 dever	 e	 o	 direito	 de	 participar	 de	 todos	 os	 espaços	
democráticos	 do	 seu	 município,	 Estado	 ou	 Federação.	 A	 participação	 é	
compreendida	como	um	mecanismo	do	exercício	da	cidadania.
19
AUTOATIVIDADE
1	 (ENADE,	2010)	As	seguintes	acepções	dos	termos	democracia	e	ética	foram	
extraídas	do	Dicionário	Houaiss	da	Língua	Portuguesa.	
democracia.	 POL.	 1	 governo	 do	 povo;	 governo	 em	 que	 o	 povo	
exerce	 a	 soberania	 2	 sistema	 político	 cujas	 ações	 atendem	 aos	
interesses	populares	3	governo	no	qual	o	povo	toma	as	decisões	
importantes	 a	 respeito	 das	 políticas	 públicas,	 não	 de	 forma	
ocasional	ou	circunstancial,	mas	segundo	princípios	permanentes	
de	legalidade	4	sistema	político	comprometido	com	a	igualdade	
ou	com	a	distribuição	equitativa	de	poder	entre	todos	os	cidadãos	
5	governo	que	acata	a	vontade	da	maioria	da	população,	embora	
respeitando	os	direitos	e	a	 livre	expressão	das	minorias.	ética.	1	
parte	da	filosofia	responsável	pela	investigação	dos	princípios	que	
motivam,	distorcem,	disciplinam	ou	orientam	o	comportamento	
humano,	 refletindo	 especialmente	 a	 respeito	 da	 essência	 das	
normas,	valores,	prescrições	e	exortações	presentes	em	qualquer	
realidade	social.	2	p.ext.	conjunto	de	regras	e	preceitos	de	ordem	
valorativa	 e	moral	de	um	 indivíduo,	de	um	grupo	 social	 ou	de	
uma	sociedade.	
Dicionário	 Houaiss	 da	 Língua	 Portuguesa.	 Rio	 de	 Janeiro:	
Objetiva,	2001.
Considerando	 as	 acepções	 anteriores,	 elabore	 um	 texto	 dissertativo,	 com	
até	15	linhas,	acerca	do	seguinte	tema:	Comportamento	ético	nas	sociedades	
democráticas.	Em	seu	texto,	aborde	os	seguintes	aspectos:
FONTE: <https://download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/padrao_resposta/2010/
padrao_respostas_discursivas_FORMACAO_GERAL_2010.pdf>. Acesso em: 23 ago. 2021.
a)	conceito	de	sociedade	democrática;
b)	evidências	de	um	comportamento	nãoético	de	um	indivíduo;
c)	exemplo	 de	 um	 comportamento	 ético	 de	 um	 futuro	 profissional	
comprometido	com	a	cidadania.
2	 (ENADE,	2010)
20
A	charge	anterior	 representa	um	grupo	de	cidadãos	pensando	e	agindo	de	
modo	diferenciado,	frente	a	uma	decisão	cujo	caminho	exige	um	percurso	ético.	
Considerando	a	imagem	e	as	ideias	que	ela	transmite,	avalie	as	alternativas	
que	seguem.
I-	 A	ética	não	se	impõe	imperativamente	nem	universalmente	a	cada	cidadão;	
cada	um	terá	que	escolher	por	si	mesmo	os	seus	valores	e	ideias,	 isto	é,	
praticar	a	autoética.
II-	 A	ética	política	supõe	sujeito	responsável	por	suas	ações	e	pelo	seu	modo	
de	agir	na	sociedade.
III-	A	ética	pode	se	reduzir	ao	político,	do	mesmo	modo	que	o	político	pode	se	
reduzir	à	ética,	em	um	processo	a	serviço	do	sujeito	responsável.
IV-	A	 ética	 prescinde	 de	 condições	 históricas	 e	 sociais,	 pois	 é	 no	 homem	
que	se	situa	a	decisão	ética,	quando	ele	escolhe	os	seus	valores	e	as	suas	
afinidades.
V-	 A	 ética	 se	 dá	 de	 fora	 para	 dentro,	 como	 compreensão	 do	 mundo,	 na	
perspectiva	do	fortalecimento	dos	valores	pessoais.
Estão	CORRETAS:
FONTE: <https://respostas-br.com/sociologia/enade-2010-a-charge-acima-
represent-24131334>. Acesso em: 23 ago. 2021.
a)	(			)	I	e	II.
b)	(			)	I	e	V.
c)	 (			)	II	e	IV.
d)	(			)	III	e	IV.
e)	 (			)	III	e	V.
3	 (ENADE,	 2006)	A	 formação	 da	 consciência	 ética,	 baseada	 na	 promoção	
dos	 valores	 éticos,	 envolve	 a	 identificação	 de	 alguns	 conceitos	 como:	
“consciência	moral”,	“senso	moral”,	“juízo	de	fato”	e	“juízo	de	valor”.	A	
esse	respeito,	leia	os	quadros	a	seguir.
Quadro I - Situação
Helena	está	na	fila	de	um	banco,	quando,	de	repente,	um	indivíduo,	atrás	na	fila,	se	
sente	mal.	Devido	à	experiência	com	seu	marido	cardíaco,	tem	a	impressão	de	que	o	homem	
está	tendo	um	infarto.	Em	sua	bolsa	há	uma	cartela	com	medicamento	que	poderia	evitar	o	
perigo	de	acontecer	o	pior.
Helena	pensa:	"Não	sou	médica	-	devo	ou	não	devo	medicar	o	doente?	Caso	não	seja	
problema	cardíaco	-	o	que	acho	difícil	-,	ele	poderia	piorar?	Piorando,	alguém	poderá	dizer	
que	foi	por	minha	causa	-	uma	curiosa	que	tem	a	pretensão	de	agir	como	médica.	Dou	ou	não	
dou	o	remédio?	O	que	fazer?"
Quadro II - Afirmativas
1-	O	 “senso	moral"	 relaciona-se	 à	maneira	 como	 avaliamos	 nossa	 situação	 e	 a	 de	 nossos	
semelhantes,	nosso	comportamento,	a	conduta	e	a	ação	de	outras	pessoas	segundo	idéias	
como	as	de	justiça	e	injustiça,	certo	e	errado.	
2-	A	"consciência	moral"	refere-se	a	avaliações	de	conduta	que	nos	levam	a	tomar	decisões	por	
nós	mesmos,	a	agir	em	conformidade	com	elas	e	a	responder	por	elas	perante	os	outros.
21
Qual	afirmativa	e	respectiva	razão	fazem	uma	associação	mais	adequada	com	 
a	situação	apresentada?
FONTE: <https://enem.estuda.com/questoes/?id=111412>. Acesso em: 23 ago. 2021.
a)	(			)	Afirmativa	1	–	porque	o	“senso	moral”	se	manifesta	como	consequência	
da	“consciência	moral”,	que	revela	sentimentos	associados	às	situações	
da	vida.
b)	(			)	Afirmativa	1	–	porque	o	“senso	moral”	pressupõe	um	“juízo	de	fato”,	
que	é	um	ato	normativo	enunciador	de	normas	segundo	critérios	de	
correto	e	incorreto.
c)	 (			)	Afirmativa	1	–	porque	o	“senso	moral”	revela	a	indignação	diante	de	
fatos	que	julgamos	ter	feito	errado	provocando	sofrimento	alheio.
d)	(			)	Afirmativa	2	–	porque	a	“consciência	moral”	se	manifesta	na	capacidade	
de	deliberar	diante	de	alternativas	possíveis	que	são	avaliadas	segundo	
valores	éticos.
e)	 (			)	Afirmativa	2	–	porque	a	“consciência	moral”	indica	um	“juízo	de	valor”	
que	define	o	que	as	coisas	são,	como	são	e	por	que	são.
4	 Cidadania	é	a	prática	dos	direitos	e	deveres	de	um	indivíduo	em	um	Estado,	
e	ela	possui	três	dimensões,	disserte	sobre	a	diferença	entre	elas.	
5	 Segundo	Pieritz	(2013)	“[...]a	moral	determina	quais	são	os	nossos	direitos	e	
deveres	perante	a	sociedade	[...]”.	Descreva	quais	são	as	responsabilidades	
que	esses	deveres	geram	em	relação	a	si	mesmo	e	aos	outros.
FONTE: PIERITZ, V. L. H. Ética profissional em serviço social. Indaial: UNIASSELVI, 2013.
22
23
TÓPICO 2 — 
UNIDADE 1
MULTICULTURALISMO: VIOLÊNCIA, TOLERÂNCIA/
INTOLERÂNCIA E RELAÇÕES DE GÊNERO
1 INTRODUÇÃO
Neste	 tópico,	vamos	 trabalhar	o	 conceito	de	multiculturalismo,	enfatizando	
as	 origens	 do	 surgimento	 do	 movimento	 e	 os	 campos	 de	 conhecimento	 que	
acolhem	os	estudos	multiculturais.	Nesse	sentido,	temos	como	objetivo	situar	o	
multiculturalismo	do	ponto	de	vista	político	(movimentos	sociais	multiculturais	
e	 políticas	 públicas)	 e	 teórico	 (ciências	 multiculturalistas),	 visando	 oferecer	
conteúdo	de	base	para	a	interpretação	desse	campo	de	estudos.
No	 desenvolvimento	 deste	 tópico,	 também	 será	 abordado	 os	 temas	
tolerância/intolerância	 e	 relações	 de	 gênero,	 discutindo	 de	 modo	 reflexivo	 os	
conceitos	de	feminismo	e	ideologia	de	gênero.	O	objetivo	é	apresentar	diferentes	
pontos	de	vista	para	os	referidos	conceitos,	e	conduzir	o	acadêmico	a	uma	reflexão	
crítica	da	realidade,	de	modo	que	possa	–	com	embasamento	crítico	e	sempre	que	
possível	científico	–	compreender	melhor	esses	temas.
2 CONCEITUANDO MULTICULTURALISMO
Como	 a	 própria	 etimologia	 da	 palavra	 nos	 sugere,	 o	 termo	 “multi”	
significa	 vários;	 o	 termo	 “culturalismo”	 refere-se	 à	 cultura;	 e	 o	 sufixo	 “ismo”	
está	 associado	 às	 posições	 assumidas	 ou	 ideias	 aceitas	 sobre	 a	 possibilidade	
do	conhecimento,	ou	 seja,	no	caso	do	multiculturalismo	significa	uma	posição	
assumida	sobre	as	diferentes	relações	entre	as	várias	culturas.
O	‘multiculturalismo’	é	um	termo	polissêmico	e	existem,	pelo	menos,	
dois	sentidos	diferentes	em	que	este	pode	ser	utilizado.	Um	primeiro	
sentido é descritivo	e	reporta	a	um	fato	da	vida	humana	e	social,	que	
é	 a	 diversidade	 cultural	 étnica,	 religiosa	 que	 se	 pode	 observar	 no	
tecido	 social,	 ou	 seja,	 um	 certo	 cosmopolitismo	 que	 atualmente	 é	
fácil	de	ver	em	qualquer	grande	cidade	da	Europa	e	da	América	do	
Norte.	Um	segundo	sentido	é	prescritivo	e	está	associado	às	chamadas	
políticas	de	reconhecimento	da	 identidade	e/ou	da	diferença	que	os	
poderes	 públicos	 prosseguem,	 ou	deveriam	prosseguir,	 segundo	 os	
seus	defensores,	em	nome	dos	grupos	minoritários	e/ou	‘subalternos’	
(FERNANDES,	2011,	p.	2,	grifos	do	original).
24
UNIDADE 1 — FORMAÇÃO GERAL
Acadêmico,	 dizendo	 de	 outra	 forma,	 multiculturalismo	 significa	 a	
existência	 de	 grupos	 de	 diversas	 culturas,	 assim	 como	 o	 embate	 político,	
econômico	e	social	travado	pelos	diferentes	grupos	sociais	na	luta	pelo	respeito	
à	diversidade.	
Por	isso,	além	de	estudos	teóricos	e	empíricos,	o	termo	implica	na	conquista	
de	 reivindicações	das	 chamadas	minorias	 ou	grupos	marginalizados,	 como	os	
negros,	 índios,	mulheres,	homossexuais	 e	outros	 tantos	que	buscam	assegurar	
seus	direitos	sociais	através	de	políticas	públicas	de	ação	afirmativa.
FIGURA 5 – MULTICULTURALISMO, DIVERSIDADE E DESAFIO DO HOMEM PARA O SÉCULO XXI
FONTE: <http://3.bp.blogspot.com/-JGK5TSr7cvo/TY5Jrp-kBYI/AAAAAAAAAE8/59-aSOEc0lI/
s748/000489140.jpg>. Acesso em: 7 dez. 2017.
O	multiculturalismo	 é	 pluralista,	 porque	 as	 diferenças	 coexistem	 em	 um	
mesmo	 país	 ou	 região.	 Ali	 convivem	 diferentes	 culturas,	 valores	 e	 tradições.	
Há	o	diálogo	e	convivência	pacífica	entre	as	culturas	diversas.	No	entanto,	esta	
coexistência	pacífica	não	significa	negar	as	diferenças	entre	as	culturas,	nem	as	
homogeneizar,	 mas	 compreendê-las	 a	 partir	 de	 uma	 visão	 dialética	 sobre	 os	
termos	igualdade	e	diferença,	na	medida	em	que	não	se	pode	falar	em	igualdade	
sem	levar	em	conta	as	diferenças	culturais,	e	não	se	pode	relacionar	a	diferença	
como	medida	de	valor.
De	acordo	com	o	que	vimos	podemos	entender	que	igualdade	e	diferença	
não	 são	 termos	 opostos.	 Na	 verdade,	 a	 igualdade	 opõe-se	 à	 desigualdade,	
enquanto	diferença	opõe-se	à	padronização,	à	homogeneização,	à	produção	em	
série.	O	que	o	multiculturalismo	quer	é	lutar	pelaigualdade	e	pelo	reconhecimento	
das	diferenças.
Por	 esse	motivo,	 um	dos	 temas	 centrais	 do	multiculturalismo	 tem	 sido	 o	
Direito	à	Diferença	e	à	Diminuição	das	Desigualdades,	bandeira	de	luta	de	vários	
movimentos	sociais	contemporâneos	espalhados	pelo	mundo	inteiro.
TÓPICO 2 — MULTICULTURALISMO: VIOLÊNCIA, TOLERÂNCIA/INTOLERÂNCIA E RELAÇÕES DE GÊNERO
25
3 SURGIMENTO DO MULTICULTURALISMO
O	termo	multiculturalismo	é	 relativamente	 recente	e	 sua	utilização	ocorreu	
pela	primeira	vez	na	Inglaterra,	entre	as	décadas	de	1960	e	1970.	De	acordo	com	
Fernandes	(2006),	o	multiculturalismo	surgiu	na	linguagem	oficial	do	Canadá	e	
na	Austrália,	para	designar	as	políticas	públicas	com	o	objetivo	de	valorizar	e/ou	
promover	a	diversidade	cultural.	Ainda	nesse	período,	o	autor	destaca	que	outros	
países	anglo-saxônicos,	como	o	Reino	Unido,	a	Nova	Zelândia	e	os	EUA,	também	
iniciam	políticas	públicas	qualificadas	como	multiculturais.
Países anglo-saxônicos são países cujos descendentes são provenientes de 
povos germânicos (anglos, saxões e jutos). Esta denominação é resultado da fusão desses 
povos que se fixaram ao sul e leste da Grã-Bretanha, no século V.
NOTA
Tomando	 como	 base	 o	 caso	 dos	 Estados	 Unidos,	 o	 multiculturalismo	
surge	 como	movimento	organizado	na	década	de	1960,	 a	partir	dos	primeiros	
movimentos	sociais,	como:	o	negro,	feminista,	hippie,	ambientalista,	entre	outros.	
No	 entanto,	 para	 entender	 o	 motivo	 pelo	 qual	 esses	 movimentos	 surgiram,	
devemos	 resgatar	 o	 aspecto	 da	 constituição	 histórica	 dos	 Estados	 Unidos,	
marcada	por	um	longo	processo	de	colonização,	que	teve	como	base	a	eliminação	
e	a	opressão	das	diversas	tribos	indígenas	que	ali	estavam.	Além	disso,	prezado	
acadêmico,	devemos	 levar	 em	 conta	 o	processo	de	 escravidão	que	ocorreu	no	
país,	no	qual	os	negros	serviram	como	base	para	o	desenvolvimento	da	nação.
Essas	posturas	dos	colonizadores	norte-americanos	foram	influenciadas	
pelos	valores	 religiosos	de	 igrejas	protestantes,	 comuns	 à	maioria	dos	 colonos	
de	origem	anglo-saxã.	Esta	influência	permeou	o	pensamento	e	as	atitudes	dos	
colonizadores	norte-americanos	em	relação	aos	demais	grupos,	desencadeando,	
mais	tarde,	uma	série	de	movimentos	pela	busca	de	justiça	social.
O	que	queremos	destacar	neste	momento	é	que,	a	exemplo	do	caso	dos	
EUA,	o	movimento	multiculturalista	surgiu	em	grande	escala	nas	sociedades	nas	
quais	o	direito	à	diversidade	cultural	foi	historicamente	negado.
Segundo	 Silva	 (2000),	 o	 multiculturalismo	 teve	 início	 em	 países	 em	
que	 a	diversidade	 cultural	 era	 vista	 como	um	problema	para	 a	 construção	da	
unidade	nacional.	Muitas	nações	construíram	suas	 identidades	por	 intermédio	
de	processos	autoritários,	pela	imposição	de	uma	cultura,	dita	superior,	a	todos	
os	membros	da	sociedade.
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UNIDADE 1 — FORMAÇÃO GERAL
4 ÁREAS DE CONHECIMENTO QUE ABRIGAM O 
MULTICULTURALISMO
Já	 entendemos	 que	 o	 multiculturalismo	 é,	 ao	 mesmo	 tempo,	 uma	
rede	 de	 movimentos	 sociais	 em	 prol	 da	 afirmação	 dos	 grupos	 minoritários,	
historicamente	excluídos	pela	sociedade.	Neste	sentido,	podemos	compreender	
que	o	multiculturalismo	é	um	campo	de	estudos	que	aborda	a	problemática	dos	
grupos	de	forma	multidisciplinar.	Portanto,	vamos	tratar	agora	de	alguns	aspectos	
sobre	o	caráter	científico	do	multiculturalismo,	que	são	os	estudos	multiculturais.
Prezados	 acadêmicos,	 vocês	 sabiam	 que	 os	 estudos	multiculturais	 são	
provenientes	 de	 várias	 áreas	 do	 conhecimento?	 Pois	 bem,	 entre	 as	 áreas	 de	
conhecimento	podemos	destacar	os	campos	da	Antropologia	Cultural,	Psicologia	
Social,	 História	 e	 Sociologia,	 que	 abordam	 diferentes	 problemas	 relativos	 ao	
multiculturalismo.	 Algumas	 áreas	 se	 ocupam	 do	 ponto	 de	 vista	 histórico	 do	
movimento,	outras	 se	ocupam	da	genealogia,	outras	 se	ocupam	dos	processos	
políticos	 e	 sociais	 que	 os	 movimentos	 promovem,	 e	 ainda,	 outras	 áreas	 se	
ocupam	de	aspectos	epistemológicos	do	estudo	dos	movimentos.	Enfim,	há	uma	
variedade	de	estudos	sobre	o	tema	nas	mais	diferentes	áreas	disciplinares.
• GENEALOGIA: estudo da origem das famílias.
• EPISTEMOLOGIA: estudo do grau de certeza do conhecimento científico em seus 
diversos ramos.
NOTA
Portanto,	 o	 estudo	 do	 multiculturalismo	 requer	 uma	 compreensão	
interdisciplinar	do	 contexto	histórico,	 socioeconômico	 e	 cultural	desses	diferentes	
grupos	sociais	e	da	sua	diversidade	cultural	construída	conforme	seu	 tempo	e	
suas	condições	humanas	e	geográficas.
Abordagem interdisciplinar: refere-se ao trabalho e estudo de profissionais de 
diversas áreas do conhecimento ou especialidades sobre um determinado tema ou área 
de atuação, implicando necessariamente em sua integração para uma compreensão mais 
ampla do assunto.
NOTA
TÓPICO 2 — MULTICULTURALISMO: VIOLÊNCIA, TOLERÂNCIA/INTOLERÂNCIA E RELAÇÕES DE GÊNERO
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Daí	a	complexidade	em	se	abordar	a	temática	do	multiculturalismo	em	
todas	as	regiões	do	planeta,	levando	em	consideração	a	diversidade	e	a	história	
dos	 seus	 diversos	 povos	 em	 cada	 um	 dos	 cinco	 continentes	 e	 seus	 diferentes	
países.	No	entanto,	o	multiculturalismo	já	alcançou	um	elevado	nível	na	discussão	
acadêmica.	De	acordo	com	Sidekum	(2003,	p.	9),	“esse	alcance	é	a	marca	principal	
das	últimas	décadas	do	século	XX,	consolidando-se,	especialmente,	pelos	estudos	
comparados	da	cultura,	desenvolvidos	pela	antropologia	cultural	e	pela	psicologia	
aplicada,	também	conhecida	por	psicologia	social	intercultural”.
5 MOVIMENTO FEMINISTA
O	 surgimento	 dos	 estudos	 atuais	 sobre	 a	 condição	 feminina,	 o	 Estudo	
de	Gênero	 só	 foi	possível	porque,	 ao	 longo	do	 tempo,	 o	movimento	 social	de	
mulheres	“fez	muito	barulho”,	denunciando	as	situações	de	opressão,	preconceito	
e	dominação	que	sofreram.	A	amplitude	do	movimento	feminista	não	pode	e	não	
deve	ser	 reconhecida	apenas	como	um	dos	movimentos	de	 luta	das	mulheres,	
porque	muitas	mulheres	com	perfis	e	histórias	diferentes	participaram.	Se	hoje	
o	 gênero	 representa	 uma	 categoria	 de	 análise	 tão	 importante	 para	 as	 ciências	
humanas	e	sociais,	é	porque	se	fez	legítimo	pelas	tantas	batalhas	dos	movimentos	
feministas,	tornando-se	fundamental	para	a	compreensão	das	relações	humanas.	
5.1 FEMINISMO
O	feminismo	é	um	conceito	múltiplo,	ele	possui	uma	dimensão	política,	
que	se	refere	aos	movimentos	de	luta	por	direitos,	e	uma	dimensão	acadêmica,	
que	se	refere	aos	estudos	da	condição	feminina.	A	dimensão	acadêmica,	ou	seja,	
o	campo	de	pesquisa	e	de	conhecimento	sobre	as	mulheres,	pode	ser	considerada	
multidisciplinar,	 porque	 ocorre	 em	 diferentes	 campos	 disciplinares,	 como:	
Antropologia,	História,	Educação,	Sociologia,	Direito	e	vários	outros.	O	principal	
objetivo	do	movimento	 feminista	não	 foi	alcançar	a	 igualdade	entre	homens	e	
mulheres,	mas	sim	a	equidade	entre	eles.	Para	assegurar	a	igualdade	não	deve	
ser	 necessário	 que	 as	 mulheres	 assumam	 posturas	 “masculinas”.	 Elas	 devem	
preservar	 suas	 identidades.	 Por	 isso	 a	 ideia	 de	 “equidade”	 e	 não	 igualdade.	
Com	 relação	 ao	Movimento	Feminista,	 ele	 surgiu	no	 século	XVIII,	 na	Europa,	
especialmente	na	Inglaterra	e	França,	mas	logo	repercutiu	em	outros	países	e	se	
desenvolveu	de	diferentes	formas	e	expressões	até	os	dias	atuais.	Para	dar	uma	
ideia	de	totalidade	ao	movimento,	ele	foi	dividido	em	três	grandes	momentos,	
que	explicam	as	diferentes	concepções	e	lutas	do	movimento.
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UNIDADE 1 — FORMAÇÃO GERAL
5.2 A PRIMEIRA ONDA FEMINISTA
Esse	 primeiro	 momento	 do	 feminismo,	 chamado	 “Primeira	 Onda	
Feminista”,	 refere-se	 a	um	período	 extenso	de	 atividade	 feminista	ocorrido	
durante	 o	 século	 XIX	 e	 início	 do	 século	 XX,	 no	 Reino	 Unido,	 na	 França	 e	
Estados	Unidos,	que	tinha	o	foco	originalmente	na	promoção	da	igualdade	nos	
direitos	contratuais	e	de	propriedade	para	homens	e	mulheres,	e	na	oposição	
de	casamentos	arranjados	e	da	propriedade	de	mulheres	casadas	(e	seus	filhos)

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