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Lista de Exercícios extras 
 
Nome: __________________________________________________ RM: 
 
 
 
 
Matéria FILOSOFIA: Hegel e Marx 
 
1. (Uece 2020) Atente para a seguinte passagem da obra de 
W. F. Hegel: 
 
“A consciência-de-si é em-si e para-si quando e porque é em 
si e para uma Outra, quer dizer, só é como algo reconhecido. 
Inicialmente uma consciência visa submeter a outra, ao 
apreendê-la como objeto. Porém precisa ser reconhecida 
pela outra como sujeito. Mas o outro é também uma 
consciência-em-si. Um indivíduo se confronta com outro 
indivíduo. Uma, a consciência independente, outra a 
consciência dependente. Uma é o senhor, outra é o escravo”. 
 
Hegel, W. F. Fenomenologia do espírito. Parte I, seç. III. §§178 
– 196. 
 
 
A partir da leitura da passagem acima e considerando o 
pensamento hegeliano a respeito do processo de 
conhecimento, é correto dizer que 
a) Hegel, seguindo os passos de Kant, entendia o 
conhecimento como um processo puramente a-histórico 
de tomada de consciência do mundo. 
b) a visão hegeliana sobre o conhecer reflete uma percepção 
puramente especulativa sobre a realidade e rejeita 
qualquer vínculo com a realidade objetiva. 
c) Hegel, na fenomenologia do espírito, elaborou uma defesa 
veemente da relação de submissão existente entre 
escravos e seus senhores como parte do desenvolvimento 
do espírito do tempo. 
d) o conhecimento parte de uma consciência de si que, numa 
relação de contradição, chega à consciência do outro que 
lhe nega, mas, ao mesmo tempo, lhe identifica como 
sujeito. 
 
2. (Ueg 2020) Karl Marx é considerado um dos grandes 
filósofos da época moderna. Em sua trajetória intelectual, ele 
teve grande influência de outro grande filósofo, Hegel. Existe 
uma polêmica sobre a posição de Marx em relação a Hegel a 
partir do momento em que ele fundou sua concepção 
materialista da história. A esse respeito, verifica-se que Marx: 
a) abandonou toda discussão sobre Hegel e o hegelianismo, 
pois ao se tornar materialista não realizou mais discussões 
filosóficas, mas apenas científicas. 
b) retomou o pensamento de Hegel em sua totalidade e 
apenas acrescentou, a partir da dialética hegeliana, uma 
análise do modo de produção capitalista. 
c) aderiu ao neohegelianismo dos irmãos Bauer e Feuerbach, 
tornando-se um materialista dualista, unindo ideia e 
matéria na análise da realidade. 
d) rompeu totalmente com seu passado hegeliano e não só 
criticou os hegelianos como afirmou que Hegel havia se 
tornado um “cachorro morto”. 
e) resgatou elementos da dialética hegeliana, sendo que uma 
parte, o seu invólucro místico, ele descartou, mas manteve 
seu “núcleo racional”. 
 
3. (Uem 2017) “O que é racional, é efetivo; e o que é efetivo, 
é racional. Nesta convicção está toda consciência 
desprevenida, bem como a filosofia, e é daqui que esta parte 
para a consideração tanto do universo espiritual quanto do 
natural. [...] O que importa, então, é reconhecer na aparência 
do temporal e do transitório a substância que é imanente, e o 
eterno que é presente. Com efeito, o racional, que é 
sinônimo da ideia, quando ele entra em sua efetividade 
simultaneamente na existência externa, emerge uma riqueza 
infinita de formas, fenômenos e configurações, e reveste o 
seu núcleo com uma casca multicolor, na qual a consciência 
inicialmente se instala, e que só o conceito transpassa, para 
encontrar o pulso interno e sentir igualmente o seu 
batimento nas configurações externas”. 
 
HEGEL, G. F. Excertos e parágrafos traduzidos. In MARÇAL, J. 
Antologia de textos filosóficos. Curitiba: Seed, 2009, p. 313 e 
314. 
 
 
A partir do texto de Hegel, assinale o que for correto. 
01) A filosofia não pode se ater às manifestações externas, às 
aparências dos fenômenos e suas diversas configurações. 
02) A imanência é uma qualidade sensível da substância, um 
dado exterior às coisas. 
04) O racional torna-se ideia quando a consciência ultrapassa 
os fenômenos e os leva ao plano dos conceitos. 
08) O processo do conhecimento parte do plano sensível, dos 
fenômenos, e atinge o plano do conceito, quando se 
torna efetivamente racional. 
16) A filosofia busca reconhecer o que permanece na 
substância apesar dos diversos aspectos transitórios e 
variáveis presentes, como a cor, a extensão, a 
quantidade e outros. 
 
4. (Unesp 2017) A genuína e própria filosofia começa no 
Ocidente. Só no Ocidente se ergue a liberdade da 
autoconsciência. No esplendor do Oriente desaparece o 
indivíduo; só no Ocidente a luz se torna a lâmpada do 
pensamento que se ilumina a si própria, criando por si o seu 
mundo. Que um povo se reconheça livre, eis o que constitui o 
seu ser, o princípio de toda a sua vida moral e civil. Temos a 
noção do nosso ser essencial no sentido de que a liberdade 
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pessoal é a sua condição fundamental, e de que nós, por 
conseguinte, não podemos ser escravos. O estar às ordens de 
outro não constitui o nosso ser essencial, mas sim o não ser 
escravo. Assim, no Ocidente, estamos no terreno da 
verdadeira e própria filosofia. 
 
(Hegel. Estética, 2000. Adaptado.) 
 
 
De acordo com o texto de Hegel, a filosofia 
a) visa ao estabelecimento de consciências servis e 
representações homogêneas. 
b) é compatível com regimes políticos baseados na censura e 
na opressão. 
c) valoriza as paixões e os sentimentos em detrimento da 
racionalidade. 
d) é inseparável da realização e expansão de potenciais de 
razão e de liberdade. 
e) fundamenta-se na inexistência de padrões universais de 
julgamento. 
 
5. (Uece 2020) Atente para o seguinte trecho, que apresenta 
o pensamento de Karl Marx sobre a realidade: 
 
“O concreto é concreto porque é a síntese de muitas 
determinações, unidade do diverso. Por isso o concreto 
aparece no pensamento como resultado, não como ponto de 
partida efetivo. Por isso é que Hegel caiu na ilusão de 
conceber o real como resultado do pensamento que se 
sintetiza a si e se move por si mesmo. Mas este não é de 
modo nenhum o processo da gênese do próprio concreto”. 
 
MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos e outros 
textos. Os Pensadores. São Paulo: Abril cultural, 1978. 
Adaptado. 
 
Sobre a forma como Karl Marx entendia o seu método de 
análise da realidade, é correto afirmar que 
a) contra o pensamento burguês, Marx propunha uma análise 
que chamava de ideal-propositiva, que se opunha ao 
idealismo puro, cuja visão de realidade era 
excessivamente idealizada. 
b) tal método era denominado de materialismo histórico e se 
propunha a fazer uma análise da realidade concreta que, 
em si, era contraditória; as contradições eram da realidade 
e não do pensamento. 
c) seu método estava em concordância com o que defendiam 
os jovens hegelianos, sobretudo com o materialismo de 
Ludwig Feuerbach, a quem dedicou um livro de análise. 
d) seguia os passos de seu maior influenciador, Friedrich 
Hegel, aderindo ao pensamento dialético, cuja forma de 
abordagem da realidade era processual e se expressava na 
contradição das ideias. 
 
6. (Ufu 2017) Leia a citação a seguir. 
 
[...] o homem não é um ser abstrato, acocorado fora do 
mundo. O homem é o mundo do homem, o Estado, a 
sociedade. Esse Estado e essa sociedade produzem a religião, 
uma consciência invertida do mundo, porque eles são um 
mundo invertido. 
 
MARX, K. Crítica da filosofia do direito de Hegel. Tradução de 
Rubens Enderle e Leonardo de Deus. São Paulo: Boitempo 
Editorial, 2013, p. 151 – grifos do autor. 
 
 
Responda: 
 
a) Quando Marx afirma que “o homem não é um ser 
abstrato”, ele aponta para a condição efetiva da existência 
humana e para a sua historicidade. Então, quais relações 
são responsáveis pela vida concreta do homem? 
b) Explique o que é a “consciência invertida do mundo”, 
segundo Marx. 
 
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Gabarito: 
 
Resposta da questão 1: [D] 
 
O pensamento hegeliano afirma que toda realidade é 
histórica e que a filosofia deve começar sem suposições, mas 
fundada em pensamentos e objetos que, para o autor, são 
aspectos da realidade. O trecho apresentado na questão 
expõe estudantes à dialética hegeliana, especificamente, à 
relação de oposição entre senhor e escravo. Para o autor, a 
consciência existe numa tentativa de submeter a consciência 
do outro, fazer dela seu objeto, mas ao mesmo tempo, 
precisa que o outro o reconheça como sujeito. 
 
Resposta da questão 2: [E] 
 
A filosofia hegeliana influenciou vários pensadores 
importantes, entre eles, Karl Marx, fornecendo elementos 
importantes para a interpretação filosófica marxista, de 
modo que é incorreto afirmar que Marx teria rejeitado por 
completo o pensamento de Hegel, tal como se observa nas 
alternativas [A] e [D]. 
 
O método dialético, pensado por Hegel, foi retomado por 
Marx que, entretanto, recusa o idealismo hegeliano para 
propor uma dialética materialista, de modo que as 
alternativas [B] e [C] também devem ser identificadas como 
incorretas. 
 
Resposta da questão 3: 01 + 04 + 08 + 16 = 29. 
 
A corrente filosófica hegeliana é idealista, ou seja, concebe as 
ideias como fundamento interpretativo da realidade, tendo 
como premissa que “o real é racional e o racional é real”. 
Para Hegel, o conhecimento do mundo se inicia a partir das 
percepções acerca dos fenômenos do mundo material, que, 
no entanto, são marcados pela transitoriedade, de modo que 
o conhecimento não se limita ao plano sensível. À filosofia, 
então, caberia o reconhecimento daquilo que é inerente à 
essência. Seria no plano racional, ou seja, no plano das ideias, 
que a consciência chegaria aos conceitos. A partir desses 
conhecimentos, o aluno deve identificar que apenas os itens 
[01], [04], [08] e [16] contém afirmações corretas. 
 
Resposta da questão 4: [D] 
 
No texto, o autor relaciona o surgimento do conhecimento 
filosófico ao desenvolvimento, historicamente determinado e 
localizado, da consciência individual vinculada à razão e à 
essência humana de liberdade, que permite aos indivíduos 
exercer seus potenciais. 
 
Resposta da questão 5: [B] 
 
Karl Marx analisa a realidade a partir do método do 
materialismo histórico, considerando também a realidade 
concreta em uma perspectiva dialética. Para esse pensador, 
as contradições da realidade material aparecem no 
pensamento como resultado, não existindo nele em uma 
forma originária, de maneira que Marx faz uma crítica à 
chamada “filosofia idealista” de Hegel. Com efeito, a única 
alternativa correta é a alternativa [B]. 
 
Resposta da questão 6: 
 a) A teoria marxista, em oposição à filosofia idealista 
hegeliana que caracteriza o indivíduo em uma perspectiva 
abstrata, pressupõe as relações materiais como as 
responsáveis pela vida concreta do homem. Assim, seriam 
as relações de produção, entre as quais se destacam as 
relações de trabalho, identificadas na base material da 
sociedade, ou seja, na infraestrutura, que se daria a luta 
de classes, conceito fundamental para a análise social 
proposta por Marx. 
 
b) A crítica à religião elaborada por Marx aponta que a 
mesma é um produto ideológico da burguesia – tomando o 
conceito de ideologia marxista, ou seja, de que a ideologia é 
um mascaramento da realidade – na medida em que legitima 
o Estado burguês a partir de um fundamento abstrato. Esse 
produto ideológico seria uma “consciência invertida do 
mundo” pois, segundo Marx, busca estabelecer que a 
superestrutura determinaria a infraestrutura, ou seja, a base 
material da sociedade, quando, na realidade, ocorreria o 
inverso: as relações materiais de produção determinariam a 
superestrutura.

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