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SEMANA 15 TEORIA DO POEMA I Prof. Ceneme 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA SONETO Def.: também denominado “forma fixa” ou “forma perfeita”; corresponde a um tipo de poema organizado em quatorze versos e quatro estrofes (no soneto, a forma de apresentar a mensagem se destaca em relação à própria mensagem, sobretudo no padrão sonoro criado pelo poema). Estrutura padrão [ primeira estrofe – 4v] [ segunda estrofe – 4v] [ terceira estrofe - 3v ] [ quarta estrofe - 3v] Primeira e segunda estrofe: introdução temática (alegoria) Terceira estrofe: apresentação de tese explicita Quarta estrofe: conclusão (chave de ouro) Classificação (padrão de rima) (VUNESP) Rima alternada (ou cruzada): padrão AB AB Quando a morte cerrar meus olhos duros (A) Duros de tantos vãos padecimentos, (B) Que pensarão teus peitos imaturos (A) Da minha dor de todos os momentos? (B) Rima intercalada (ou interpolada ou oposta): AB BA De tudo, ao meu amor serei atento (A) Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto (B) Que mesmo em face do maior encanto (B) Dele se encante mais meu pensamento. (A) Rima emparelhada (ou paralela): AA BB Aos que me dão lugar no bonde (A) e que conheço não sei de onde, (A) aos que me dizem terno adeus (B) sem que lhes saiba os nomes seus (B) Dicas complementares 1.O soneto que apresentem duas estrofes de quatro versos e duas estrofes de três versos (4 4 3 3) são chamados de italianos ou clássicos; quando apresentarem três estrofes de quatro versos e uma estrofe de dois versos (4 4 4 2) são chamados de soneto ingleses ou shakespearianos. 2.A maior parte dos sonetistas, além de empregar o hipérbato (semana 7), costuma fazer grande uso de elipses, ou seja, apagamentos de palavras ou expressões. Procure sempre recuperar essas palavras ocultadas. 3.A maior parte dos sonetos é estruturada de modo figurativo, ou seja, com substantivos e imagens concretas- para melhor interpretar o texto, procure o campo semântico dessas palavras (semana 14). ANÁLISE DIRIGIDA Se a cólera que espuma, a dor que mora N'alma, e destrói cada ilusão que nasce Tudo o que punge, tudo o que devora O coração, no rosto se estampasse; Reorganização: Se a cólera que espuma e destrói cada ilusão que nasce (se estampasse no rosto), (se) a dor que mora N'alma (se estampasse no rosto), (se) tudo o que punge, tudo o que devora o coração se estampasse no rosto; Se se pudesse, o espírito que chora, Ver através da máscara da face, Quanta gente, talvez, que inveja agora Nos causa, então piedade nos causasse! Reorganização: Opção 1 (falsidade). Se se pudesse ver o espírito que chora através da máscara da face, Quanta gente que nos causa inveja agora, então, talvez, nos causasse piedade! Opção 2 (autoreflexão). Se o espírito que chora se pudesse ver através da máscara da face, Quanta gente que nos causa inveja agora, então, talvez, nos causasse piedade! _______________________________________________________ EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO (VUNESP – São Camilo 2018) Leia o poema de Raimundo Correia (1859-1911) para responder à questão. As pombas... Vai-se a primeira pomba despertada... Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas De pombas vão-se dos pombais, apenas Raia sanguínea e fresca a madrugada E à tarde, quando a rígida nortada Sopra, aos pombais de novo elas, serenas, Ruflando as asas, sacudindo as penas, Voltam todas em bando e em revoada... Também dos corações onde abotoam, Os sonhos, um por um, céleres voam, Como voam as pombas dos pombais; No azul da adolescência as asas soltam, Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam, E eles aos corações não voltam mais... (Melhores poemas, 2001.) 1.No poema, o eu lírico aborda o tema de modo 2 a) objetivo, utilizando uma argumentação lógica que confere um viés científico a suas reflexões. b) subjetivo, identificando-se ora com as pombas em revoada, ora com os adolescentes no processo de libertarem seus sonhos. c) objetivo, identificando-se como poeta e expondo seus ideais sobre a confecção de poemas. d) subjetivo, mesclando às imagens evocadas informações sobre seu estado emocional. e) objetivo, sem se identificar, aproximando-se de uma perspectiva filosófica 2.O posicionamento reflexivo do eu lírico está diretamente associado à (ao) a) efemeridade da vida b) ingenuidade dos sonhos c) transitoriedade dos sentimentos d) brevidade da juventude e) amargor da velhice 3.Verifica-se o emprego de uma metonímia no seguinte verso: a) “Vai-se a primeira pomba despertada...” b) “Raia sanguínea e fresca a madrugada” c) “Voltam todas em bando e em revoada...” d) “Os sonhos, um por um, céleres voam,” e) “Mas aos pombais as pombas voltam,” (UNESP 2018) Leia o soneto “A uma dama dormindo junto a uma fonte”, do poeta barroco Gregório de Matos (1636-1696), para responder à(s) questão(ões) a seguir: À margem de uma fonte, que corria, Lira doce dos pássaros cantores A bela ocasião das minhas dores Dormindo estava ao despertar do dia. Reorganização em ordem direta: A bela ocasião das minhas dores, Lira doce dos pássaros cantores, estava dormindo ao despertar do dia à margem de uma fonte, que corria, Mas como dorme Sílvia, não vestia O céu seus horizontes de mil cores; Dominava o silêncio entre as flores, Calava o mar, e rio não se ouvia. Reorganização em ordem direta: Mas como Sílvia dorme, O céu não vestia seus horizontes de mil cores; o silêncio dominava entre as flores, (o silêncio) calava o mar, e não se ouvia o rio. Não dão o parabém à nova Aurora Flores canoras, pássaros fragrantes, Nem seu âmbar respira a rica Flora. Reorganização em ordem direta: Flores canoras, pássaros fragrantes, Não dão o parabém à nova Aurora Nem a rica Flora respira seu âmbar. Porém abrindo Sílvia os dois diamantes, Tudo a Sílvia festeja, tudo adora Aves cheirosas, flores ressonantes. Poemas escolhidos, 2010. Porém Sílvia abrindo os dois diamantes, Aves cheirosas, flores ressonantes. Tudo festeja, tudo adora a Sílvia 4.Assinale a alternativa em que o trecho do soneto está reescrito em ordem direta, sem alteração do seu sentido original. a) “Não dão o parabém à nova Aurora / Flores canoras, pássaros fragrantes” → A nova Aurora não dá o parabém às flores canoras e aos pássaros fragrantes. b) “Calava o mar, e rio não se ouvia” → O mar se calava e não ouvia o rio. c) “não vestia / O céu seus horizontes de mil cores” → O céu não vestia seus horizontes de mil cores. d) “Tudo a Sílvia festeja, tudo adora” → A Sílvia festeja tudo, adora tudo. e) “A bela ocasião das minhas dores / Dormindo estava ao despertar do dia” → Ao despertar do dia, estava dormindo a bela ocasião de minhas dores. 5.No soneto, a seguinte expressão é empregada pelo eu lírico em lugar de sua musa Sílvia: a) “Flores canoras, pássaros fragrantes”. b) “À margem de uma fonte, que corria”. c) “O céu seus horizontes de mil cores”. d) “A bela ocasião das minhas dores”. e) “Aves cheirosas, flores ressonantes”. (VUNESP) Fogo frio O Poeta A névoa que sobe dos campos, das grotas, do fundo dos vales, é o hálito quente da terra friorenta. O Lavrador Engana-se, amigo. Aquilo é fumaça que sai da geada. O Poeta Fumaça, que eu saiba, somente de chama e brasa é que sai! O Lavrador E, acaso, a geada não é fogo branco caído do céu, tostando tudinho, crestando tudinho, queimando tudinho, sem pena, sem dó? FORNARI, E. Trem da serra. Porto Alegre: Acadêmica, 1987. 6.Neste diálogo poético, encena-se um embate de ideias entre o Poeta e o Lavrador, em que a) a vitória simbólica é dada ao discurso do lavrador e tem como efeito a renovação de uma linguagem poética cristalizada. b) as duas visões têm a mesma importância e são equivalentes como experiência de vida e a capacidade de expressão. c) o autor despreza a sabedoria popular e traçauma caricatura do discurso do lavrador, simplório e repetitivo. d) as imagens contraditórias de frio e fogo referidas à geada compõem um paradoxo que o poema não é capaz de organizar. e) o discurso do lavrador faz uma personificação da natureza para explicar o fenômeno climático observado pelos personagens. 3 GABARITO 1.E 2.B 3.B 4.C 5.D 6.B