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Lista de exercícios (Barroco e Gregório de Matos) 
 
Prof Mariana Neto 
 
Página 1 de 7 
 
 
 
1. (G1 - ifsul 2019) Nos séculos XVII e XVIII, a partir da Europa Ocidental, 
um novo estilo de arte se impôs: o Barroco. Rompendo o sóbrio equilíbrio 
que caracterizava a arte renascentista, busca comover, deslumbrar e dotar 
as obras de um caráter de espetáculo. O Barroco tinha uma ligação 
profunda com o ideário associado 
a) à Reforma. 
b) à Contrarreforma. 
c) ao Humanismo. 
d) ao Racionalismo. 
 
2. (Uem 2018) Sobre o Barroco brasileiro, assinale o que for correto. 
01) Limitou-se à construção das igrejas mineiras, pois a região das Minas 
Gerais era a mais desenvolvida economicamente devido ao ciclo do ouro. 
02) Uma das suas características é a modificação pelo contato com o povo 
miscigenado existente no País, além da mistura de estilos europeus, como 
o português, o francês, o italiano e o espanhol. 
04) Aleijadinho foi um dos principais artistas, e uma de suas grandes 
contribuições é o conjunto escultórico do Santuário do Bom Jesus de 
Matosinhos, em Congonhas do Campo, Minas Gerais. 
08) Mestre Athaíde, considerado um dos maiores pintores do barroco 
mineiro, realizou várias obras, especialmente a decoração das igrejas com 
a pintura de forros e de tetos. 
16) Em relação à Europa, a sua popularização é tardia e ocorreu cerca de 
um século mais tarde. As produções artísticas foram patrocinadas 
principalmente pelas confrarias e pelas irmandades. 
 
3. (G1 - ifce 2019) Leia o poema de Gregório de Matos Guerra. 
 
Goza, goza da flor da mocidade, 
Que o tempo trota a toda ligeireza, 
E imprime em toda flor sua pisada. 
Oh, não aguardes, que a madura idade 
Te converta essa flor, essa beleza, 
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada. 
 
São características da escola literária da qual o autor faz parte 
a) jogo metafórico do Barroco, a respeito da brevidade da vida, assumindo 
um tom de desengano. 
b) caráter de jogo verbal próprio da poesia lírica do século XVI, 
apresentando uma crítica à preocupação feminina com a beleza. 
c) estilo didático da poesia parnasiana, corroborando com as reflexões do 
autor sobre as mulheres maduras. 
d) os traços da escrita romântica, uma vez que fala de flores, terra, sombras. 
e) a abordagem de uma existência mais materialista do que espiritual, típica 
da visão simbolista. 
 
4. (Unifesp 2019) É com base no mito da Arcádia que erguem suas 
doutrinas: destruindo a “hidra do mau gosto”, os árcades procuram realizar 
obra semelhante à dos clássicos antigos. Daí a imitação dos modelos 
greco-latinos ser a primeira característica a considerar na configuração da 
estética arcádica. 
(Massaud Moisés. A literatura portuguesa, 1992. Adaptado.) 
 
A “hidra do mau gosto” mencionada no texto refere-se ao estilo 
a) renascentista. 
b) pré-romântico. 
c) neoclássico. 
d) barroco. 
e) medieval. 
 
5. (Famema 2019) A veia lírico-amorosa do poeta barroco Gregório de 
Matos (1636-1696) está bem exemplificada em: 
a) “Aquele não sei quê, que, Inês, te assiste 
No gentil corpo, e na graciosa face, 
Não sei donde te nasce, ou não te nasce, 
Não sei onde consiste, ou não consiste.” 
b) “Ofendi-vos, meu Deus, é bem verdade, 
É verdade, Senhor, que hei delinquido, 
Delinquido vos tenho, e ofendido, 
Ofendido vos tem minha maldade.” 
c) “Senhor Antão de Sousa de Meneses, 
Quem sobe a alto lugar, que não merece, 
Homem sobe, asno vai, burro parece, 
Que o subir é desgraça muitas vezes.” 
d) “Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te, 
Te lembra hoje Deus por sua Igreja; 
De pó te faz espelho, em que se veja 
A vil matéria, de que quis formar-te.” 
e) “A cada canto um grande conselheiro, 
Que nos quer governar cabana e vinha; 
Não sabem governar sua cozinha, 
E podem governar o mundo inteiro.” 
 
6. (Espcex (Aman) 2018) "Se gostas de afetação e pompa de palavras e 
do estilo que chamam culto, não me leias. Quando esse estilo florescia, 
nasceram as primeiras verduras do meu; mas valeu-me tanto sempre a 
clareza, que só porque me entendiam comecei a ser ouvido. (...) Esse 
desventurado estilo que hoje se usa, os que querem honrar chamam-lhe 
culto, os que o condenam chamam-lhe escuro, mas ainda lhe fazem muita 
honra. O estilo culto não é escuro, é negro (...) e muito cerrado. É possível 
que somos portugueses e havemos de ouvir um pregador em português e 
não havemos de entender o que diz?!" 
 
Padre Antônio Vieira, nesse trecho, faz uma crítica ao estilo barroco 
conhecido como 
a) conceptismo, por ser marcado pelo jogo de ideias, de conceitos, 
seguindo um raciocínio lógico. 
b) quevedismo, por utilizar-se de uma retórica aprimorada, a exemplo de 
seu principal cultor: Quevedo. 
c) antropocentrismo, caracterizado por mostrar o homem, culto e 
inteligente, como centro do universo. 
d) gongorismo, ao caracterizar-se por uma linguagem rebuscada, culta e 
extravagante. 
e) teocentrismo, caracterizado por padres escritores que dominaram a 
literatura seiscentista. 
 
7. (G1 - ifsp 2017) Leia abaixo um dos sonetos de Gregório de Matos. 
 
Moraliza o poeta nos ocidentes do Sol a inconstância dos bens do mundo 
Gregório de Matos 
 
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, 
Depois da Luz se segue a noite escura, 
Em tristes sombras morre a formosura, 
Em contínuas tristezas a alegria. 
 
Porém se acaba o Sol, por que nascia? 
Se formosa a Luz é, por que não dura? 
Como a beleza assim se transfigura? 
Como o gosto da pena assim se fia? 
 
 
 
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Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza, 
Na formosura não se dê constância, 
E na alegria sinta-se tristeza. 
 
Começa o mundo enfim pela ignorância, 
E tem qualquer dos bens por natureza 
A firmeza somente na inconstância. 
DIMAS, Antônio. Gregório de Matos – Literatura comentada. 2. ed. São Paulo: 
Nova Cultural, 1988. p.157. 
Analise as assertivas. 
 
I. Pode-se depreender que o soneto apresentado pertence à temática lírica-
filosófica. No soneto, afloram o pessimismo e a angústia que cerca o 
mundo. 
II. De acordo com os versos do soneto apresentado, a beleza e a alegria 
são transitórias e passageiras. 
III. As incertezas, a fugacidade do nosso espaço-tempo e os demais 
desconcertos e dúvidas acerca do mundo são considerados no soneto 
apresentado. Pode-se perceber que, no soneto, Gregório de Matos deixa 
evidente suas dúvidas e questionamentos acerca do mundo. 
IV. Pode-se depreender que o uso de frases interrogativas faz o leitor refletir 
quanto à incerteza e à dúvida do homem barroco e a ordem inversa das 
frases traduz como se estrutura o raciocínio do homem barroco, remetendo 
à falta de clareza diante do mundo que o cerca. 
 
É correto o que se afirma em 
a) I e II, apenas. 
b) III e IV, apenas. 
c) I e III, apenas. 
d) II e IV, apenas. 
e) I, II, III e IV. 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Considere as imagens e o texto, para responder à(s) questão(ões). 
 
II / São Francisco de Assis* 
 
Senhor, não mereço isto. 
Não creio em vós para vos amar. 
Trouxestes-me a São Francisco 
e me fazeis vosso escravo. 
 
Não entrarei, senhor, no templo, 
seu frontispício me basta. 
Vossas flores e querubins 
são matéria de muito amar. 
 
Dai-me, senhor, a só beleza 
destes ornatos. E não a alma. 
Pressente-se dor de homem, 
paralela à das cinco chagas. 
 
Mas entro e, senhor, me perco 
na rósea nave triunfal. 
Por que tanto baixar o céu? 
por que esta nova cilada? 
 
Senhor, os púlpitos mudos 
entretanto me sorriem. 
Mais que vossa igreja, esta 
sabe a voz de me embalar. 
 
Perdão, senhor, por não amar-vos. 
Carlos Drummond de Andrade 
*O texto faz parte do conjunto de poemas “Estampas de Vila Rica”, que 
integra a edição crítica de Claro enigma. São Paulo: Cosac Naify, 2012. 
 
8. (Fuvest 2017) Analise as seguintes afirmações relativas à arquitetura 
das igrejas sob a estética do Barroco: 
 
I. Unem-se, no edifício, diferentes artes, para assaltar de uma vezos 
sentidos, de modo que o público não possa escapar. 
II. O arquiteto procurava surpreender o observador, suscitando nele uma 
reação forte de maravilhamento. 
III. A arquitetura e a ornamentação dos templos deviam encenar, entre 
outras coisas, a preeminência da Igreja. 
 
A experiência que se expressa no poema de Drummond registra, em boa 
medida, as reações do eu lírico ao que se encontra registrado em 
a) I, apenas. 
b) II, apenas. 
c) II e III, apenas. 
d) I e III, apenas. 
e) I, II e III. 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o soneto “A uma dama dormindo junto a uma fonte”, do poeta barroco 
Gregório de Matos (1636-1696), para responder à(s) questão(ões) a seguir: 
 
À margem de uma fonte, que corria, 
Lira doce dos pássaros cantores 
A bela ocasião das minhas dores 
Dormindo estava ao despertar do dia. 
 
Mas como dorme Sílvia, não vestia 
O céu seus horizontes de mil cores; 
Dominava o silêncio entre as flores, 
Calava o mar, e rio não se ouvia. 
 
Não dão o parabém à nova Aurora 
Flores canoras, pássaros fragrantes, 
Nem seu âmbar respira a rica Flora. 
 
Porém abrindo Sílvia os dois diamantes, 
Tudo a Sílvia festeja, tudo adora 
Aves cheirosas, flores ressonantes. 
 
Poemas escolhidos, 2010. 
 
9. (Unifesp 2017) Mais recorrente na poesia arcádica, verifica-se neste 
soneto barroco o recurso, sobretudo, ao seguinte lema latino: 
a) “locus horrendus” (“lugar horrível”). 
b) “locus amoenus” (“lugar aprazível”). 
c) “memento mori” (“lembra-te da morte”). 
d) “inutilia truncat” (“corta o inútil”). 
e) “carpe diem” (“aproveite o dia”). 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Ao 1valimento que tem o mentir 
 
Mau ofício é mentir, mas proveitoso... 
Tanta mentira, tanta utilidade 
Traz consigo o mentir nesta cidade 
Como o diz o mais triste mentiroso. 
 
Eu, como um ignorante e um baboso, 
Me pus a verdadeiro, por vaidade; 
Todo o meu 2cabedal meti em verdade 
 
 
 
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E saí do negócio 3perdidoso. 
 
Perdi o principal, que eram verdades, 
Perdi os interesses de estimar-me, 
Perdi-me a mim em tanta 4soledade; 
 
Deram os meus amigos em deixar-me, 
5Cobrei ódios e inimizades... 
Eu me meto a mentir e a aproveitar-me. 
 
GREGÓRIO DE MATOS 
PIRES, M. L. G. (org.). Poetas do período barroco. Lisboa: Comunicação, 1985. 
1valimento − validade 
2cabedal − conhecimento 
3perdidoso − prejudicado 
4soledade − solidão 
5cobrar − receber 
 
10. (Uerj 2017) O barroco apresenta duas vertentes: o cultismo, 
caracterizado pela linguagem rebuscada e extravagante, pelos jogos de 
palavras; e o conceptismo, marcado pelo jogo de ideias, de conceitos, 
seguindo um raciocínio lógico. 
 
O poema de Gregório de Matos, exemplo da estética barroca, insere-se em 
uma dessas vertentes. Identifique-a e justifique sua resposta. 
 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
À cidade da Bahia 
 
Triste Bahia! Ó quão dessemelhante 
Estás e estou do nosso antigo estado! 
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado, 
Rica te vi eu já, tu a mi abundante. 
 
A ti trocou-te a máquina mercante, 
Que em tua larga barra tem entrado, 
A mim foi-me trocando e tem trocado 
Tanto negócio e tanto negociante. 
 
Deste em dar tanto açúcar excelente 
Pelas drogas inúteis, que abelhuda 
Simples aceitas do sagaz Brichote. 
 
Oh quisera Deus que de repente 
Um dia amanheceras tão sisuda 
Que fora de algodão o teu capote! 
Matos, Gregório de. Poemas escolhidos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. 
 
11. (Ufjf-pism 3 2017) Em relação ao estilo barroco, qual figura de 
linguagem predomina no poema de Gregório de Matos: 
a) personificação. 
b) silepse. 
c) eufemismo. 
d) sinestesia. 
e) barbarismo. 
 
12. (Ufjf-pism 3 2017) Nos versos “Triste Bahia! Ó quão 
dessemelhante/Estás e estou do nosso antigo estado”, o eu lírico manifesta 
um descontentamento em relação: 
a) à idade média. 
b) ao estilo barroco. 
c) ao sistema colonial. 
d) ao rito jurídico. 
e) ao humanismo renascentista. 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A Christo S. N. Crucificado estando o poeta na 
última hora de sua vida. 
 
Meu Deus que estais pendente em um madeiro, 
Em cuja lei protesto de viver 
Em cuja santa lei hei de morrer 
Animoso, constante, firme e inteiro. 
 
Neste lance, por ser o derradeiro, 
Pois vejo a minha vida anoitecer, 
É, meu Jesus, a hora de se ver 
A brandura de um Pai, manso Cordeiro. 
 
Mui grande é vosso amor e meu delito, 
Porém pode ter fim todo pecar, 
E não o vosso amor, que é infinito. 
 
Esta razão me obriga a confiar, 
Que por mais que pequei, neste conflito 
Espero em vosso amor de me salvar. 
MATOS, Gregório. In: AMADO, James (Org.) Obras Completas de Gregório de 
Matos. Salvador: Ed. Janaína, 1968. V. I, p. 47. 
 
 
13. (Uefs 2017) Sobre as características do autor e do momento literário 
que ele representa encontradas no soneto, é correto afirmar: 
 
I. O poema ilustra uma das razões de Gregório de Matos ter sido chamado 
de “Boca do Inferno”: a ousadia de criticar a igreja católica e o constante 
desafio dirigido a Deus, que, para provar a infinitude de seu amor, seria 
obrigado a perdoá-lo. 
II. No poema, por força da iminência da morte, o poeta se expressa numa 
contrição de fé religiosa, com a admissão humilde da condição de pecador 
e a confiança de merecer a misericórdia de Deus, com o perdão de seus 
pecados. 
III. Há, no poema, um jogo de ideias característico desse momento literário, 
que se expressa numa retórica de campos opostos: condição humana, 
pecado e punição, de um lado e, de outro, condição divina, misericórdia e 
perdão. 
IV. As expressões “vejo a minha vida anoitecer” (v. 6) e “manso Cordeiro.” 
(v. 8), além das contradições entre “viver” (v. 2) e “morrer” (v. 3) bem como 
entre “ter fim” (v. 10) e “infinito” (v. 11) revelam o uso de figuras de 
linguagem e de pensamento que caracterizam o Barroco. 
V. Dentre as categorias que caracterizam o conjunto da obra de Gregório 
de Matos publicada pela Academia de Letras – Sacra, Lírica, Graciosa, 
Satírica e Ultima – este poema se insere na segunda categoria. 
 
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a 
a) I e II. 
b) II e IV. 
c) IV e V. 
d) II, III e IV. 
e) I, III e IV. 
 
14. (Upf 2016) Que falta nesta cidade?... Verdade. 
Que mais por sua desonra?... Honra. 
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha. 
 
O demo a viver se exponha, 
Por mais que a fama a exalta, 
Numa cidade onde falta 
Verdade, honra, vergonha. 
 
 
 
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Os versos transcritos expõem a faceta __________ da obra de Gregório de 
Matos, que é considerado o maior poeta barroco brasileiro. Outras facetas 
importantes, na produção do mesmo autor, são as da poesia __________ 
e da poesia __________. 
 
Assinale a alternativa cujas informações preenchem corretamente as 
lacunas do enunciado. 
a) satírica – nacionalista – indianista. 
b) moralista – bucólica – pastoril. 
c) social – abolicionista – anticlerical. 
d) satírica – religiosa – amorosa. 
e) moralista – egotista – sentimental. 
 
15. (Fuvest 2020) A certa personagem desvanecida 
 
Um soneto começo em vosso gabo*: 
Contemos esta regra por primeira, 
Já lá vão duas, e esta é a terceira, 
Já este quartetinho está no cabo. 
 
Na quinta torce agora a porca o rabo; 
A sexta vá também desta maneira: 
Na sétima entro já com grã** canseira, 
E saio dos quartetos muito brabo. 
 
Agora nos tercetos que direi? 
Direi que vós, Senhor, a mim me honrais 
Gabando‐vos a vós, e eu fico um rei. 
 
Nesta vida um soneto já ditei; 
Se desta agora escapo, nunca mais: 
Louvado seja Deus, que o acabei. 
 
Gregório de Matos 
 
*louvor 
**grande 
 
Tipo zero 
 
Você é um tipo que não tem tipo 
Com todo tipo você se parece 
E sendo um tipo que assimila tanto tipo 
Passou a ser um tipo que ninguém esquece 
Quando você penetra num salão 
E se mistura com a multidão 
Você se torna um tipo destacado 
Desconfiado todo mundo fica 
Que o seu tipo não se classifica 
Você passa aser um tipo desclassificado 
 
Eu até hoje nunca vi nenhum 
Tipo vulgar tão fora do comum 
Que fosse um tipo tão observado 
Você ficou agora convencido 
Que o seu tipo já está batido 
Mas o seu tipo é o tipo do tipo esgotado 
 
Noel Rosa 
 
O soneto de Gregório de Matos e o samba de Noel Rosa, embora distantes 
na forma e no tempo, aproximam‐se por ironizarem 
a) o processo de composição do texto. 
b) a própria inferioridade ante o retratado. 
c) a singularidade de um caráter nulo. 
d) o sublime que se oculta na vulgaridade. 
e) a intolerância para com os gênios. 
 
16. (Fuvest 1993) A poesia lírica de Gregório de Matos subdivide-se em 
amorosa e religiosa. 
a) Quais são os dois modos contrastantes de ver a mulher, em sua lírica 
amorosa? 
b) Como aparece em sua lírica religiosa a ideia de Deus e do pecado? 
 
 
17. (Unicamp 2021) “O vento da vida, por mais que cresça, nunca pode 
chegar a ser bonança; o vento da fortuna pode chegar a ser tempestade, e 
tão grande tempestade, que se afogue nela o mesmo vento da vida.” 
(Antônio Vieira, “Sermão de quarta-feira de cinza do ano de 1672”, em A Arte de 
Morrer. São Paulo: Nova Alexandria, 1994, p. 56.) 
 
 
No sermão proferido na Igreja de Santo Antônio dos Portugueses, em 
Roma, Vieira recorre a uma metáfora para chamar a atenção dos fiéis sobre 
a morte. 
Assinale a alternativa que expressa a mensagem veiculada pela imagem 
do vento. 
a) A vida dos fiéis é comparável à tranquilidade da brisa em alto-mar. 
b) A fortuna dos fiéis é comparável à força das intempéries marítimas. 
c) A fortuna dos fiéis é comparável à felicidade eterna. 
d) A vida dos fiéis é comparável à ventura dos navegadores. 
 
18. (Unicamp 2021) Peroração, do latim perorātio, peroratiōnis, de 
perorāre, significa concluir, arrematar, acabar. Corresponde à parte final do 
sermão, caracterizada geralmente pela recapitulação, pela amplificação de 
uma ideia e pela comoção do auditório. Sua finalidade última é comover e 
mover os ouvintes, isto é, emocionar e mover o ânimo do público para a 
ação. 
(Adaptado de Flávio Antônio Fernandes Reis, “Peroração”. Disponível em 
www.edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/peroracao. Acessado em 06/10/2020.) 
 
“Mortos, mortos, desenganai estes vivos! Dizei-nos que pensamentos e que 
sentimentos foram os vossos, quando entrastes e saístes pelas portas da 
morte. (...) Entre essas duas portas se acha subitamente o homem no 
momento da morte, sem poder tornar atrás, nem parar, nem fugir, nem 
dilatar, senão entrar para onde não sabe, e para sempre. Oh que transe tão 
apertado! Oh que passo tão estreito! Oh que momento tão terrível!” 
(Antonio Vieira, “Sermão de 1672”. Sermões de Quarta-feira de Cinza. A arte de 
morrer: São Paulo: Nova Alexandria,1994, p. 65.) 
 
a) Identifique e explique as duas estratégias retóricas utilizadas por Vieira 
ao encaminhar-se para a conclusão do Sermão de 1672. 
b) Com que sentimentos o pregador busca sensibilizar os ouvintes? Que 
ação procura estimular nos cristãos? 
 
19. (Unicamp 2021) “Repartimos a vida em idades, em anos, em meses, 
em dias, em horas, mas todas estas partes são tão duvidosas, e tão 
incertas, que não há idade tão florente, nem saúde tão robusta, nem vida 
tão bem regrada, que tenha um só momento seguro.” 
(Antonio Vieira, “Sermão de Quarta-feira de Cinza – ano de 1673”, em A arte de 
morrer. São Paulo: Nova Alexandria, 1994, p. 79.) 
 
Nesta passagem de um sermão proferido em 1673, Antônio Vieira retomou 
os argumentos da pregação que fizera no ano anterior e acrescentou novas 
características à morte. Para comover os ouvintes, recorreu ao uso de 
anáforas. 
Assinale a alternativa que corresponde ao efeito produzido pelas repetições 
no sermão. 
 
 
 
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a) A repetição busca sensibilizar os fiéis para o desengano da passagem 
do tempo. 
b) A repetição busca demonstrar aos fiéis o temor de uma vida longeva. 
c) A repetição busca sensibilizar os fiéis para o valor de cada etapa da vida. 
d) A repetição busca demonstrar aos fiéis a insegurança de uma vida cristã. 
 
20. (Unicamp 2020) “O que é então o verossímil? Para encurtar: tudo aquilo 
em que a confiança é presumida. Por exemplo, os juízes nem sempre são 
independentes, os médicos nem sempre capazes, os oradores nem sempre 
sinceros. Mas presume-se que o sejam; e, se alguém afirmar o contrário, 
cabe-lhe o ônus da prova. Sem esse tipo de presunção, a vida seria 
impossível; e é a própria vida que rejeita o ceticismo.” 
(Olivier Reboul, Introdução à retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1998, p. 97-98.) 
 
Considerando o segundo “Sermão da Quarta-feira de Cinza” (1673), de 
Antonio Vieira, é correto afirmar que a presunção de confiança por parte do 
auditório cristão do século XVII decorre da 
a) habilidade política do pregador. 
b) atenção disciplinada dos ouvintes. 
c) crença na salvação e na danação eternas. 
d) defesa institucional da Igreja Católica feita pelo clero. 
 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
Para responder à(s) questão(ões) a seguir, leia o trecho de uma carta 
enviada por Antônio Vieira ao rei D. João IV em 4 de abril de 1654. 
 
No fim da carta de que 1V. M. me fez mercê me manda V. M. diga meu 
parecer sobre a conveniência de haver neste estado ou dois capitães-
mores ou um só governador. 
Eu, Senhor, razões políticas nunca as soube, e hoje as sei muito menos; 
mas por obedecer direi toscamente o que me parece. 
Digo que menos mal será um ladrão que dois; e que mais dificultoso serão 
de achar dois homens de bem que um. Sendo propostos a Catão dois 
cidadãos romanos para o provimento de duas praças, respondeu que 
ambos lhe descontentavam: um porque nada tinha, outro porque nada lhe 
bastava. Tais são os dois capitães-mores em que se repartiu este governo: 
Baltasar de Sousa não tem nada, Inácio do Rego não lhe basta nada; e eu 
não sei qual é maior tentação, se a _____1_____, se a _____2_____. Tudo 
quanto há na capitania do Pará, tirando as terras, não vale 10 mil cruzados, 
como é notório, e desta terra há-de tirar Inácio do Rego mais de 100 mil 
cruzados em três anos, segundo se lhe vão logrando bem as indústrias. 
Tudo isto sai do sangue e do suor dos tristes índios, aos quais trata como 
tão escravos seus, que nenhum tem liberdade nem para deixar de servir a 
ele nem para poder servir a outrem; o que, além da injustiça que se faz aos 
índios, é ocasião de padecerem muitas necessidades os portugueses e de 
perecerem os pobres. Em uma capitania destas confessei uma pobre 
mulher, das que vieram das Ilhas, a qual me disse com muitas lágrimas 
que, dos nove filhos que tivera, lhe morreram em três meses cinco filhos, 
de pura fome e desamparo; e, consolando-a eu pela morte de tantos filhos, 
respondeu-me: “Padre, não são esses os por que eu choro, senão pelos 
quatro que tenho vivos sem ter com que os sustentar, e peço a Deus todos 
os dias que me os leve também.” 
São lastimosas as misérias que passa esta pobre gente das Ilhas, porque, 
como não têm com que agradecer, se algum índio se reparte não lhe chega 
a eles, senão aos poderosos; e é este um desamparo a que V. M. por 
piedade deverá mandar acudir. 
Tornando aos índios do Pará, dos quais, como dizia, se serve quem ali 
governa como se foram seus escravos, e os traz quase todos ocupados em 
seus interesses, principalmente no dos tabacos, obriga-me a consciência a 
manifestar a V. M. os grandes pecados que por ocasião deste serviço se 
cometem. 
(Sérgio Rodrigues (org.). Cartas brasileiras, 2017. Adaptado.) 
1V. M.: Vossa Majestade. 
 
21. (Unesp 2020) Em sua carta, Antônio Vieira relata os padecimentos 
a) dos nativos e dos capitães-mores. 
b) dos negros e dos colonos pobres. 
c) dos nativos e dos colonos pobres. 
d) dos negros e dos capitães-mores. 
e) dos nativos e dos negros. 
 
22. (Unesp 2020) Em um estudo publicado em 2005, o historiador Gustavo 
Acioli Lopes vale-se, no quadro da economia colonial, da expressão “primo 
pobre” para sereferir ao produto derivado das lavouras mencionadas por 
Antônio Vieira em sua carta. 
 
No contexto histórico em que foi escrita a carta, o “primo rico” seria 
a) o açúcar. 
b) o pau-brasil. 
c) o café. 
d) o ouro. 
e) o algodão. 
 
23. (Fuvest 2019) Leia o seguinte texto: 
 
Ocorre aqui ao pensamento o que não é lícito sair à língua, e não falta quem 
discorra tacitamente, que a causa desta diferença tão notável foi a mudança 
da monarquia. Não havia de ser assim (dizem) se vivera um D. Manuel, um 
D. João, o terceiro, ou a fatalidade de um Sebastião não sepultara com ele 
os reis portugueses. 
 
(…) 
 
Não hei de pregar hoje ao povo, não hei de falar com os homens, mais alto 
hão de sair as minhas palavras ou as minhas vozes: a vosso peito divino se 
há de dirigir todo o sermão. (...) quero eu, Senhor, converter-vos a vós. 
 
(...) 
 
Mas pois vós, Senhor, o quereis e ordenais assim, fazei o que fordes 
servido. Entregai aos holandeses o Brasil, entregai-lhes as Índias, entregai-
lhes as Espanhas (que não são menos perigosas as consequências do 
Brasil perdido); entregai-lhes quanto temos e possuímos (como já lhes 
entregastes tanta parte); ponde em suas mãos o Mundo; e a nós, aos 
portugueses e espanhóis, deixai-nos, repudiai-nos, desfazei-nos, acabai-
nos. Mas só digo e lembro a Vossa Majestade, Senhor, que estes mesmos 
que agora desfavoreceis e lançais de vós, pode ser que os queirais algum 
dia, e que os não tenhais. 
Padre Antônio Vieira, Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as 
de Holanda. Sermões, Porto: Lello & Irmão, 1959.p. 300-301. 
 
O padre Antônio Vieira foi considerado um dos mais ilustres luso-brasileiros 
do século XVII. Acerca desse sermão, escrito em 1640, ao final da chamada 
União Ibérica, responda ao que se pede. 
 
a) Caracterize-o do ponto de vista de seu estilo literário. 
b) Identifique o contexto da História de Portugal no qual o sermão foi 
composto. 
c) Explique a situação da América portuguesa, tal como mencionada no 
texto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Gabarito: 
 
Resposta da questão 1: 
 [B] 
 
Diante da proliferação do Protestantismo no mundo, a igreja católica reagiu 
e criou a contrarreforma adotando medidas como o Index, a Companhia de 
Jesus, a retomada da Inquisição e o Concílio de Trento que manteve os 
dogmas católicos. Nesse contexto surgiu o Barroco ligado ao espírito da 
Contrarreforma. Gabarito [B]. 
 
Resposta da questão 2: 
 02 + 04 + 08 + 16 = 30. 
 
[01] Incorreto. Há outras regiões, além de Minas Gerais, que também são 
exemplos do período. 
[02] Correto. O Barroco no Brasil sofreu diferentes influências e 
especialmente difundidos pelos conhecimentos produzidos nas confrarias 
das artes e ofícios. Vale ressaltar que o aluno pode ter outras referências 
sobre outros estilos, além desses citados. 
[04] Correto. Aleijadinho é um dos maiores representantes nas artes do 
barroco mineiro. Em Congonhas do Campo, reúne este conjunto de obras 
que afirma essa presença. 
[08] Correto. Mestre Athaíde se destaca como um grande pintor. 
[16] Correto. O Barroco no Brasil é tardio e o ambiente cultural no qual se 
desenvolveu estava associado pelas confrarias e irmandades das igrejas. 
 
Resposta da questão 3: 
 [A] 
 
Gregório de Matos foi um poeta do Barroco, movimento artístico 
caracterizado sobretudo pela contradição. Assim, o tema do respeito da 
brevidade da vida era comum em sua poesia. 
 
Resposta da questão 4: 
 [D] 
 
Os ideais árcades, baseados na Arcádia Lusitana que pregava a volta ao 
classicismo renascentista através da normatização da estética, da métrica 
e da ordem e cultivando o gosto por uma natureza que se organizasse 
segundo as leis da mimese, combatiam os arroubos e excessos do 
movimento artístico que imediatamente os precedeu: o barroco, a “hidra de 
mau gosto” mencionada no texto. 
 
Resposta da questão 5: 
 [A] 
 
[A] Correta: o eu lírico enaltece os aspectos físicos de Inês, a mulher 
amada. 
[B] Incorreto: o eu lírico estabelece uma situação de diálogo com Deus, 
buscando perdão. 
[C] Incorreto: o eu lírico critica o comportamento de uma figura pública 
baiana. 
[D] Incorreto: a temática central da estrofe é a lírica religiosa. 
[E] Incorreto: a temática central da estrofe é a crítica ao contexto social 
baiano do século XVII. 
 
Resposta da questão 6: 
 [D] 
 
No trecho, Vieira critica o cultismo ou gongorismo, conceito bastante 
popular entre os escritores barrocos, cuja produção literária era marcada 
pelo excessivo rebuscamento, pelo hermetismo e pelo uso de figuras de 
linguagem. A crítica a esse estilo de composição se dá pela dificuldade de 
compreensão, pois Vieira valorizava a clareza textual. 
 
Resposta da questão 7: 
 [E] 
 
Todas as alternativas estão corretas. Vemos que o soneto é escrito por 
meio de uma estrutura pouco tradicional, com as frases na ordem inversa e 
vários questionamentos. Ou seja, a estrutura do poema reflete a estrutura 
do raciocínio do homem barroco, que nessa época era caracterizado por 
um conflito interno. Esse conflito aparece também na temática dos 
questionamentos que o eu lírico faz: por meio do pessimismo e angústia, 
ele se pergunta por que as coisas mundanas são tão fugazes. 
 
Resposta da questão 8: 
 [E] 
 
Todas as proposições são verdadeiras. 
 
Resposta da questão 9: 
 [B] 
 
Ao longo do poema, o eu lírico descreve a paisagem bucólica que rodeia a 
sua amada, Sílvia. Expressões como “À margem de uma fonte”, “pássaros 
cantores”, “Flores canoras”, “pássaros fragrantes”, entre outras, remetem 
ao topo locus amoenus, expressão latina que designa “paisagem ideal”, 
valorizando a vida aprazível no campo em detrimento da vida conturbada 
na cidade. Assim, é correta a opção [B]. 
 
Resposta da questão 10: 
 Vertente: conceptismo. 
 
O poeta estabelece um jogo entre os conceitos de mentira e verdade por 
meio de um raciocínio lógico, mostrando as consequências da opção pela 
verdade. 
 
Resposta da questão 11: 
 [A] 
 
No poema “À cidade da Bahia”, o eu poético lamenta a situação em que se 
encontra a cidade, usando vários recursos como o da personalização, 
visível, por exemplo, no último terceto. Em “Oh quisera Deus que de 
repente,/ um dia amanheceras tão sisuda,/ Que fora de algodão o teu 
capote!”, apresenta a cidade com características humanas, séria e vestida 
com um capote de algodão, como no tempo em que a comercialização 
desse tecido trazia ao estado posição e vantagem econômica. Assim, é 
correta a opção [A]. 
 
Resposta da questão 12: 
 [C] 
 
Nos versos citados, o eu lírico manifesta descontentamento ao monopólio 
comercial que possibilita a seus agentes amplos privilégios no contexto da 
dominação portuguesa, ou seja, ao sistema colonial, como se afirma em 
[C]. 
 
Resposta da questão 13: 
 [D] 
 
Estão incorretas as afirmações: 
[I] Gregório de Matos foi apelidado de “Boca do Inferno” em decorrência da 
acidez de sua obra satírica. O poema “A Christo S. N. Crucificado estando 
o poeta na última hora de sua vida” não se enquadra nessa categoria. 
 
 
 
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[V] Dentre as categorias que caracterizam o conjunto da obra de Gregório 
de Matos publicada pela Academia de Letras – Sacra, Lírica, Graciosa, 
Satírica e Última –, este poema se insere na primeira categoria: “Sacra”. 
 
Resposta da questão 14: 
 [D] 
 
Os versos de Gregório de Matos mostram sua literatura satírica, na qual 
criticava o governo brasileiro; além destes versos, em sua produção 
encontram-se ainda as temáticas religiosa e amorosa. 
 
Resposta da questão 15: 
 [C] 
 
No soneto de Gregório de Matos, o eu lírico mostra-se aliviado por ter 
concluído um poema de louvor a uma mulher “desvanecida” (vaidosa, mas 
sem graça) e que não seria merecedora de elogio. O samba de Noel Rosa 
ironiza também o caráter nulo de pessoa, que se torna singular exatamente 
pela ausência de qualquer tipo de qualidade. Assim, é correta a opção [C]. 
 
Resposta da questão 16: 
 a) A mulher divinizadae a mulher mais terrena e sensual. 
 
b) Como homem, Gregório reconhece-se pecador e Deus representa a 
possibilidade de redenção dos pecados. 
 
 
Resposta da questão 17: 
 [B] 
 
No excerto do enunciado, a imagem do vento metaforiza a vida, 
inexoravelmente sujeita a contratempos e tragédias, o que torna o destino 
(“fortuna”) tão incerto como os fenômenos da natureza: "o vento da fortuna 
pode chegar a ser tempestade". Assim, é correta a opção [B]. 
 
Resposta da questão 18: 
 a) Vieira, através de vocativos começa por conclamar os mortos para que 
venham informar os vivos sobre os pensamentos e sentimentos que 
experimentaram nos momentos finais da sua vida, já que não podem recuar 
nem escapar da inexorabilidade dessa instância. O uso de interjeições, “Oh 
que transe tão apertado! Oh que passo tão estreito! Oh que momento tão 
terrível!”, acentua o aspecto trágico de todos os que não se preocuparam, 
em vida, em obedecer às leis da igreja e estarão, por isso, sujeitos às penas 
do julgamento final. 
 
b) O pregador busca sensibilizar os ouvintes através da consciência da 
transitoriedade da vida e da certeza do julgamento depois da morte. Com 
esse estilo de retórica, Vieira pretende sensibilizar os ouvintes para a 
prática de uma vida terrena de acordo com os ensinamentos da Igreja para 
alcançarem, depois da morte, a graça divina. 
 
Resposta da questão 19: 
 [A] 
 
Vieira comenta que, apesar de sabermos da inevitabilidade da morte, não 
podemos prever o momento em que tal acontecerá, por mais que sejamos 
jovens, saudáveis e regrados: ”mas todas estas partes são tão duvidosas e 
tão incertas, que não há idade tão florente, nem saúde tão robusta, nem 
vida tão bem regrada, que tenha um só momento seguro”. A anáfora 
constituída pela repetição do advérbio de intensidade “tão” enfatiza essa 
característica e busca sensibilizar os fiéis para o desengano da passagem 
do tempo, como transcrito em [A]. 
 
Resposta da questão 20: 
 [C] 
 
Padre Antônio Vieira está inserido no contexto da Contrarreforma, período 
histórico em que os valores religiosos, alicerçados na crença da vida eterna, 
ganham predominância. Assim, o discurso dirigido ao público cristão 
pressupunha a aceitação de que a vida terrena seria apenas uma 
passagem efêmera que levaria, através do cumprimento dos ditames 
religiosos e da renúncia dos valores materiais, à salvação eterna, livre de 
danações, como se afirma em [C]. 
 
Resposta da questão 21: 
 [C] 
 
Ao denunciar as péssimas condições de trabalho e os maus tratos infligidos 
pelos administradores da capitania do Pará aos que viviam a seu mando, 
Padre Antonio Vieira relata os padecimentos dos nativos e dos colonos 
pobres: ”além da injustiça que se faz aos índios, é ocasião de padecerem 
muitas necessidades os portugueses e de perecerem os pobres”. Assim, é 
correta a opção [C]. 
 
Resposta da questão 22: 
 [A] 
 
A referida carta data do século XVII, período no qual a colônia portuguesa 
na América vivia intensamente o ciclo do açúcar, carro-chefe da economia 
colonial. 
 
Resposta da questão 23: 
 a) O estilo literário utilizado é o Barroco, caracterizado pela dramaticidade 
e pelo exagero. 
 
b) Foi composto durante o período da Restauração, que pôs fim à União 
Ibérica. 
 
c) A parte mais significativa da América Portuguesa (o Nordeste) estava sob 
o domínio holandês desde 1630, no que chamamos de Brasil Holandês.

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