Prévia do material em texto
Lista de exercícios (Barroco e Gregório de Matos) Prof Mariana Neto Página 1 de 7 1. (G1 - ifsul 2019) Nos séculos XVII e XVIII, a partir da Europa Ocidental, um novo estilo de arte se impôs: o Barroco. Rompendo o sóbrio equilíbrio que caracterizava a arte renascentista, busca comover, deslumbrar e dotar as obras de um caráter de espetáculo. O Barroco tinha uma ligação profunda com o ideário associado a) à Reforma. b) à Contrarreforma. c) ao Humanismo. d) ao Racionalismo. 2. (Uem 2018) Sobre o Barroco brasileiro, assinale o que for correto. 01) Limitou-se à construção das igrejas mineiras, pois a região das Minas Gerais era a mais desenvolvida economicamente devido ao ciclo do ouro. 02) Uma das suas características é a modificação pelo contato com o povo miscigenado existente no País, além da mistura de estilos europeus, como o português, o francês, o italiano e o espanhol. 04) Aleijadinho foi um dos principais artistas, e uma de suas grandes contribuições é o conjunto escultórico do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, Minas Gerais. 08) Mestre Athaíde, considerado um dos maiores pintores do barroco mineiro, realizou várias obras, especialmente a decoração das igrejas com a pintura de forros e de tetos. 16) Em relação à Europa, a sua popularização é tardia e ocorreu cerca de um século mais tarde. As produções artísticas foram patrocinadas principalmente pelas confrarias e pelas irmandades. 3. (G1 - ifce 2019) Leia o poema de Gregório de Matos Guerra. Goza, goza da flor da mocidade, Que o tempo trota a toda ligeireza, E imprime em toda flor sua pisada. Oh, não aguardes, que a madura idade Te converta essa flor, essa beleza, Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada. São características da escola literária da qual o autor faz parte a) jogo metafórico do Barroco, a respeito da brevidade da vida, assumindo um tom de desengano. b) caráter de jogo verbal próprio da poesia lírica do século XVI, apresentando uma crítica à preocupação feminina com a beleza. c) estilo didático da poesia parnasiana, corroborando com as reflexões do autor sobre as mulheres maduras. d) os traços da escrita romântica, uma vez que fala de flores, terra, sombras. e) a abordagem de uma existência mais materialista do que espiritual, típica da visão simbolista. 4. (Unifesp 2019) É com base no mito da Arcádia que erguem suas doutrinas: destruindo a “hidra do mau gosto”, os árcades procuram realizar obra semelhante à dos clássicos antigos. Daí a imitação dos modelos greco-latinos ser a primeira característica a considerar na configuração da estética arcádica. (Massaud Moisés. A literatura portuguesa, 1992. Adaptado.) A “hidra do mau gosto” mencionada no texto refere-se ao estilo a) renascentista. b) pré-romântico. c) neoclássico. d) barroco. e) medieval. 5. (Famema 2019) A veia lírico-amorosa do poeta barroco Gregório de Matos (1636-1696) está bem exemplificada em: a) “Aquele não sei quê, que, Inês, te assiste No gentil corpo, e na graciosa face, Não sei donde te nasce, ou não te nasce, Não sei onde consiste, ou não consiste.” b) “Ofendi-vos, meu Deus, é bem verdade, É verdade, Senhor, que hei delinquido, Delinquido vos tenho, e ofendido, Ofendido vos tem minha maldade.” c) “Senhor Antão de Sousa de Meneses, Quem sobe a alto lugar, que não merece, Homem sobe, asno vai, burro parece, Que o subir é desgraça muitas vezes.” d) “Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te, Te lembra hoje Deus por sua Igreja; De pó te faz espelho, em que se veja A vil matéria, de que quis formar-te.” e) “A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana e vinha; Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro.” 6. (Espcex (Aman) 2018) "Se gostas de afetação e pompa de palavras e do estilo que chamam culto, não me leias. Quando esse estilo florescia, nasceram as primeiras verduras do meu; mas valeu-me tanto sempre a clareza, que só porque me entendiam comecei a ser ouvido. (...) Esse desventurado estilo que hoje se usa, os que querem honrar chamam-lhe culto, os que o condenam chamam-lhe escuro, mas ainda lhe fazem muita honra. O estilo culto não é escuro, é negro (...) e muito cerrado. É possível que somos portugueses e havemos de ouvir um pregador em português e não havemos de entender o que diz?!" Padre Antônio Vieira, nesse trecho, faz uma crítica ao estilo barroco conhecido como a) conceptismo, por ser marcado pelo jogo de ideias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico. b) quevedismo, por utilizar-se de uma retórica aprimorada, a exemplo de seu principal cultor: Quevedo. c) antropocentrismo, caracterizado por mostrar o homem, culto e inteligente, como centro do universo. d) gongorismo, ao caracterizar-se por uma linguagem rebuscada, culta e extravagante. e) teocentrismo, caracterizado por padres escritores que dominaram a literatura seiscentista. 7. (G1 - ifsp 2017) Leia abaixo um dos sonetos de Gregório de Matos. Moraliza o poeta nos ocidentes do Sol a inconstância dos bens do mundo Gregório de Matos Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas a alegria. Porém se acaba o Sol, por que nascia? Se formosa a Luz é, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Página 2 de 7 Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza, Na formosura não se dê constância, E na alegria sinta-se tristeza. Começa o mundo enfim pela ignorância, E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância. DIMAS, Antônio. Gregório de Matos – Literatura comentada. 2. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988. p.157. Analise as assertivas. I. Pode-se depreender que o soneto apresentado pertence à temática lírica- filosófica. No soneto, afloram o pessimismo e a angústia que cerca o mundo. II. De acordo com os versos do soneto apresentado, a beleza e a alegria são transitórias e passageiras. III. As incertezas, a fugacidade do nosso espaço-tempo e os demais desconcertos e dúvidas acerca do mundo são considerados no soneto apresentado. Pode-se perceber que, no soneto, Gregório de Matos deixa evidente suas dúvidas e questionamentos acerca do mundo. IV. Pode-se depreender que o uso de frases interrogativas faz o leitor refletir quanto à incerteza e à dúvida do homem barroco e a ordem inversa das frases traduz como se estrutura o raciocínio do homem barroco, remetendo à falta de clareza diante do mundo que o cerca. É correto o que se afirma em a) I e II, apenas. b) III e IV, apenas. c) I e III, apenas. d) II e IV, apenas. e) I, II, III e IV. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Considere as imagens e o texto, para responder à(s) questão(ões). II / São Francisco de Assis* Senhor, não mereço isto. Não creio em vós para vos amar. Trouxestes-me a São Francisco e me fazeis vosso escravo. Não entrarei, senhor, no templo, seu frontispício me basta. Vossas flores e querubins são matéria de muito amar. Dai-me, senhor, a só beleza destes ornatos. E não a alma. Pressente-se dor de homem, paralela à das cinco chagas. Mas entro e, senhor, me perco na rósea nave triunfal. Por que tanto baixar o céu? por que esta nova cilada? Senhor, os púlpitos mudos entretanto me sorriem. Mais que vossa igreja, esta sabe a voz de me embalar. Perdão, senhor, por não amar-vos. Carlos Drummond de Andrade *O texto faz parte do conjunto de poemas “Estampas de Vila Rica”, que integra a edição crítica de Claro enigma. São Paulo: Cosac Naify, 2012. 8. (Fuvest 2017) Analise as seguintes afirmações relativas à arquitetura das igrejas sob a estética do Barroco: I. Unem-se, no edifício, diferentes artes, para assaltar de uma vezos sentidos, de modo que o público não possa escapar. II. O arquiteto procurava surpreender o observador, suscitando nele uma reação forte de maravilhamento. III. A arquitetura e a ornamentação dos templos deviam encenar, entre outras coisas, a preeminência da Igreja. A experiência que se expressa no poema de Drummond registra, em boa medida, as reações do eu lírico ao que se encontra registrado em a) I, apenas. b) II, apenas. c) II e III, apenas. d) I e III, apenas. e) I, II e III. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o soneto “A uma dama dormindo junto a uma fonte”, do poeta barroco Gregório de Matos (1636-1696), para responder à(s) questão(ões) a seguir: À margem de uma fonte, que corria, Lira doce dos pássaros cantores A bela ocasião das minhas dores Dormindo estava ao despertar do dia. Mas como dorme Sílvia, não vestia O céu seus horizontes de mil cores; Dominava o silêncio entre as flores, Calava o mar, e rio não se ouvia. Não dão o parabém à nova Aurora Flores canoras, pássaros fragrantes, Nem seu âmbar respira a rica Flora. Porém abrindo Sílvia os dois diamantes, Tudo a Sílvia festeja, tudo adora Aves cheirosas, flores ressonantes. Poemas escolhidos, 2010. 9. (Unifesp 2017) Mais recorrente na poesia arcádica, verifica-se neste soneto barroco o recurso, sobretudo, ao seguinte lema latino: a) “locus horrendus” (“lugar horrível”). b) “locus amoenus” (“lugar aprazível”). c) “memento mori” (“lembra-te da morte”). d) “inutilia truncat” (“corta o inútil”). e) “carpe diem” (“aproveite o dia”). TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Ao 1valimento que tem o mentir Mau ofício é mentir, mas proveitoso... Tanta mentira, tanta utilidade Traz consigo o mentir nesta cidade Como o diz o mais triste mentiroso. Eu, como um ignorante e um baboso, Me pus a verdadeiro, por vaidade; Todo o meu 2cabedal meti em verdade Página 3 de 7 E saí do negócio 3perdidoso. Perdi o principal, que eram verdades, Perdi os interesses de estimar-me, Perdi-me a mim em tanta 4soledade; Deram os meus amigos em deixar-me, 5Cobrei ódios e inimizades... Eu me meto a mentir e a aproveitar-me. GREGÓRIO DE MATOS PIRES, M. L. G. (org.). Poetas do período barroco. Lisboa: Comunicação, 1985. 1valimento − validade 2cabedal − conhecimento 3perdidoso − prejudicado 4soledade − solidão 5cobrar − receber 10. (Uerj 2017) O barroco apresenta duas vertentes: o cultismo, caracterizado pela linguagem rebuscada e extravagante, pelos jogos de palavras; e o conceptismo, marcado pelo jogo de ideias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico. O poema de Gregório de Matos, exemplo da estética barroca, insere-se em uma dessas vertentes. Identifique-a e justifique sua resposta. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: À cidade da Bahia Triste Bahia! Ó quão dessemelhante Estás e estou do nosso antigo estado! Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado, Rica te vi eu já, tu a mi abundante. A ti trocou-te a máquina mercante, Que em tua larga barra tem entrado, A mim foi-me trocando e tem trocado Tanto negócio e tanto negociante. Deste em dar tanto açúcar excelente Pelas drogas inúteis, que abelhuda Simples aceitas do sagaz Brichote. Oh quisera Deus que de repente Um dia amanheceras tão sisuda Que fora de algodão o teu capote! Matos, Gregório de. Poemas escolhidos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. 11. (Ufjf-pism 3 2017) Em relação ao estilo barroco, qual figura de linguagem predomina no poema de Gregório de Matos: a) personificação. b) silepse. c) eufemismo. d) sinestesia. e) barbarismo. 12. (Ufjf-pism 3 2017) Nos versos “Triste Bahia! Ó quão dessemelhante/Estás e estou do nosso antigo estado”, o eu lírico manifesta um descontentamento em relação: a) à idade média. b) ao estilo barroco. c) ao sistema colonial. d) ao rito jurídico. e) ao humanismo renascentista. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: A Christo S. N. Crucificado estando o poeta na última hora de sua vida. Meu Deus que estais pendente em um madeiro, Em cuja lei protesto de viver Em cuja santa lei hei de morrer Animoso, constante, firme e inteiro. Neste lance, por ser o derradeiro, Pois vejo a minha vida anoitecer, É, meu Jesus, a hora de se ver A brandura de um Pai, manso Cordeiro. Mui grande é vosso amor e meu delito, Porém pode ter fim todo pecar, E não o vosso amor, que é infinito. Esta razão me obriga a confiar, Que por mais que pequei, neste conflito Espero em vosso amor de me salvar. MATOS, Gregório. In: AMADO, James (Org.) Obras Completas de Gregório de Matos. Salvador: Ed. Janaína, 1968. V. I, p. 47. 13. (Uefs 2017) Sobre as características do autor e do momento literário que ele representa encontradas no soneto, é correto afirmar: I. O poema ilustra uma das razões de Gregório de Matos ter sido chamado de “Boca do Inferno”: a ousadia de criticar a igreja católica e o constante desafio dirigido a Deus, que, para provar a infinitude de seu amor, seria obrigado a perdoá-lo. II. No poema, por força da iminência da morte, o poeta se expressa numa contrição de fé religiosa, com a admissão humilde da condição de pecador e a confiança de merecer a misericórdia de Deus, com o perdão de seus pecados. III. Há, no poema, um jogo de ideias característico desse momento literário, que se expressa numa retórica de campos opostos: condição humana, pecado e punição, de um lado e, de outro, condição divina, misericórdia e perdão. IV. As expressões “vejo a minha vida anoitecer” (v. 6) e “manso Cordeiro.” (v. 8), além das contradições entre “viver” (v. 2) e “morrer” (v. 3) bem como entre “ter fim” (v. 10) e “infinito” (v. 11) revelam o uso de figuras de linguagem e de pensamento que caracterizam o Barroco. V. Dentre as categorias que caracterizam o conjunto da obra de Gregório de Matos publicada pela Academia de Letras – Sacra, Lírica, Graciosa, Satírica e Ultima – este poema se insere na segunda categoria. A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a a) I e II. b) II e IV. c) IV e V. d) II, III e IV. e) I, III e IV. 14. (Upf 2016) Que falta nesta cidade?... Verdade. Que mais por sua desonra?... Honra. Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha. O demo a viver se exponha, Por mais que a fama a exalta, Numa cidade onde falta Verdade, honra, vergonha. Página 4 de 7 Os versos transcritos expõem a faceta __________ da obra de Gregório de Matos, que é considerado o maior poeta barroco brasileiro. Outras facetas importantes, na produção do mesmo autor, são as da poesia __________ e da poesia __________. Assinale a alternativa cujas informações preenchem corretamente as lacunas do enunciado. a) satírica – nacionalista – indianista. b) moralista – bucólica – pastoril. c) social – abolicionista – anticlerical. d) satírica – religiosa – amorosa. e) moralista – egotista – sentimental. 15. (Fuvest 2020) A certa personagem desvanecida Um soneto começo em vosso gabo*: Contemos esta regra por primeira, Já lá vão duas, e esta é a terceira, Já este quartetinho está no cabo. Na quinta torce agora a porca o rabo; A sexta vá também desta maneira: Na sétima entro já com grã** canseira, E saio dos quartetos muito brabo. Agora nos tercetos que direi? Direi que vós, Senhor, a mim me honrais Gabando‐vos a vós, e eu fico um rei. Nesta vida um soneto já ditei; Se desta agora escapo, nunca mais: Louvado seja Deus, que o acabei. Gregório de Matos *louvor **grande Tipo zero Você é um tipo que não tem tipo Com todo tipo você se parece E sendo um tipo que assimila tanto tipo Passou a ser um tipo que ninguém esquece Quando você penetra num salão E se mistura com a multidão Você se torna um tipo destacado Desconfiado todo mundo fica Que o seu tipo não se classifica Você passa aser um tipo desclassificado Eu até hoje nunca vi nenhum Tipo vulgar tão fora do comum Que fosse um tipo tão observado Você ficou agora convencido Que o seu tipo já está batido Mas o seu tipo é o tipo do tipo esgotado Noel Rosa O soneto de Gregório de Matos e o samba de Noel Rosa, embora distantes na forma e no tempo, aproximam‐se por ironizarem a) o processo de composição do texto. b) a própria inferioridade ante o retratado. c) a singularidade de um caráter nulo. d) o sublime que se oculta na vulgaridade. e) a intolerância para com os gênios. 16. (Fuvest 1993) A poesia lírica de Gregório de Matos subdivide-se em amorosa e religiosa. a) Quais são os dois modos contrastantes de ver a mulher, em sua lírica amorosa? b) Como aparece em sua lírica religiosa a ideia de Deus e do pecado? 17. (Unicamp 2021) “O vento da vida, por mais que cresça, nunca pode chegar a ser bonança; o vento da fortuna pode chegar a ser tempestade, e tão grande tempestade, que se afogue nela o mesmo vento da vida.” (Antônio Vieira, “Sermão de quarta-feira de cinza do ano de 1672”, em A Arte de Morrer. São Paulo: Nova Alexandria, 1994, p. 56.) No sermão proferido na Igreja de Santo Antônio dos Portugueses, em Roma, Vieira recorre a uma metáfora para chamar a atenção dos fiéis sobre a morte. Assinale a alternativa que expressa a mensagem veiculada pela imagem do vento. a) A vida dos fiéis é comparável à tranquilidade da brisa em alto-mar. b) A fortuna dos fiéis é comparável à força das intempéries marítimas. c) A fortuna dos fiéis é comparável à felicidade eterna. d) A vida dos fiéis é comparável à ventura dos navegadores. 18. (Unicamp 2021) Peroração, do latim perorātio, peroratiōnis, de perorāre, significa concluir, arrematar, acabar. Corresponde à parte final do sermão, caracterizada geralmente pela recapitulação, pela amplificação de uma ideia e pela comoção do auditório. Sua finalidade última é comover e mover os ouvintes, isto é, emocionar e mover o ânimo do público para a ação. (Adaptado de Flávio Antônio Fernandes Reis, “Peroração”. Disponível em www.edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/peroracao. Acessado em 06/10/2020.) “Mortos, mortos, desenganai estes vivos! Dizei-nos que pensamentos e que sentimentos foram os vossos, quando entrastes e saístes pelas portas da morte. (...) Entre essas duas portas se acha subitamente o homem no momento da morte, sem poder tornar atrás, nem parar, nem fugir, nem dilatar, senão entrar para onde não sabe, e para sempre. Oh que transe tão apertado! Oh que passo tão estreito! Oh que momento tão terrível!” (Antonio Vieira, “Sermão de 1672”. Sermões de Quarta-feira de Cinza. A arte de morrer: São Paulo: Nova Alexandria,1994, p. 65.) a) Identifique e explique as duas estratégias retóricas utilizadas por Vieira ao encaminhar-se para a conclusão do Sermão de 1672. b) Com que sentimentos o pregador busca sensibilizar os ouvintes? Que ação procura estimular nos cristãos? 19. (Unicamp 2021) “Repartimos a vida em idades, em anos, em meses, em dias, em horas, mas todas estas partes são tão duvidosas, e tão incertas, que não há idade tão florente, nem saúde tão robusta, nem vida tão bem regrada, que tenha um só momento seguro.” (Antonio Vieira, “Sermão de Quarta-feira de Cinza – ano de 1673”, em A arte de morrer. São Paulo: Nova Alexandria, 1994, p. 79.) Nesta passagem de um sermão proferido em 1673, Antônio Vieira retomou os argumentos da pregação que fizera no ano anterior e acrescentou novas características à morte. Para comover os ouvintes, recorreu ao uso de anáforas. Assinale a alternativa que corresponde ao efeito produzido pelas repetições no sermão. Página 5 de 7 a) A repetição busca sensibilizar os fiéis para o desengano da passagem do tempo. b) A repetição busca demonstrar aos fiéis o temor de uma vida longeva. c) A repetição busca sensibilizar os fiéis para o valor de cada etapa da vida. d) A repetição busca demonstrar aos fiéis a insegurança de uma vida cristã. 20. (Unicamp 2020) “O que é então o verossímil? Para encurtar: tudo aquilo em que a confiança é presumida. Por exemplo, os juízes nem sempre são independentes, os médicos nem sempre capazes, os oradores nem sempre sinceros. Mas presume-se que o sejam; e, se alguém afirmar o contrário, cabe-lhe o ônus da prova. Sem esse tipo de presunção, a vida seria impossível; e é a própria vida que rejeita o ceticismo.” (Olivier Reboul, Introdução à retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1998, p. 97-98.) Considerando o segundo “Sermão da Quarta-feira de Cinza” (1673), de Antonio Vieira, é correto afirmar que a presunção de confiança por parte do auditório cristão do século XVII decorre da a) habilidade política do pregador. b) atenção disciplinada dos ouvintes. c) crença na salvação e na danação eternas. d) defesa institucional da Igreja Católica feita pelo clero. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: Para responder à(s) questão(ões) a seguir, leia o trecho de uma carta enviada por Antônio Vieira ao rei D. João IV em 4 de abril de 1654. No fim da carta de que 1V. M. me fez mercê me manda V. M. diga meu parecer sobre a conveniência de haver neste estado ou dois capitães- mores ou um só governador. Eu, Senhor, razões políticas nunca as soube, e hoje as sei muito menos; mas por obedecer direi toscamente o que me parece. Digo que menos mal será um ladrão que dois; e que mais dificultoso serão de achar dois homens de bem que um. Sendo propostos a Catão dois cidadãos romanos para o provimento de duas praças, respondeu que ambos lhe descontentavam: um porque nada tinha, outro porque nada lhe bastava. Tais são os dois capitães-mores em que se repartiu este governo: Baltasar de Sousa não tem nada, Inácio do Rego não lhe basta nada; e eu não sei qual é maior tentação, se a _____1_____, se a _____2_____. Tudo quanto há na capitania do Pará, tirando as terras, não vale 10 mil cruzados, como é notório, e desta terra há-de tirar Inácio do Rego mais de 100 mil cruzados em três anos, segundo se lhe vão logrando bem as indústrias. Tudo isto sai do sangue e do suor dos tristes índios, aos quais trata como tão escravos seus, que nenhum tem liberdade nem para deixar de servir a ele nem para poder servir a outrem; o que, além da injustiça que se faz aos índios, é ocasião de padecerem muitas necessidades os portugueses e de perecerem os pobres. Em uma capitania destas confessei uma pobre mulher, das que vieram das Ilhas, a qual me disse com muitas lágrimas que, dos nove filhos que tivera, lhe morreram em três meses cinco filhos, de pura fome e desamparo; e, consolando-a eu pela morte de tantos filhos, respondeu-me: “Padre, não são esses os por que eu choro, senão pelos quatro que tenho vivos sem ter com que os sustentar, e peço a Deus todos os dias que me os leve também.” São lastimosas as misérias que passa esta pobre gente das Ilhas, porque, como não têm com que agradecer, se algum índio se reparte não lhe chega a eles, senão aos poderosos; e é este um desamparo a que V. M. por piedade deverá mandar acudir. Tornando aos índios do Pará, dos quais, como dizia, se serve quem ali governa como se foram seus escravos, e os traz quase todos ocupados em seus interesses, principalmente no dos tabacos, obriga-me a consciência a manifestar a V. M. os grandes pecados que por ocasião deste serviço se cometem. (Sérgio Rodrigues (org.). Cartas brasileiras, 2017. Adaptado.) 1V. M.: Vossa Majestade. 21. (Unesp 2020) Em sua carta, Antônio Vieira relata os padecimentos a) dos nativos e dos capitães-mores. b) dos negros e dos colonos pobres. c) dos nativos e dos colonos pobres. d) dos negros e dos capitães-mores. e) dos nativos e dos negros. 22. (Unesp 2020) Em um estudo publicado em 2005, o historiador Gustavo Acioli Lopes vale-se, no quadro da economia colonial, da expressão “primo pobre” para sereferir ao produto derivado das lavouras mencionadas por Antônio Vieira em sua carta. No contexto histórico em que foi escrita a carta, o “primo rico” seria a) o açúcar. b) o pau-brasil. c) o café. d) o ouro. e) o algodão. 23. (Fuvest 2019) Leia o seguinte texto: Ocorre aqui ao pensamento o que não é lícito sair à língua, e não falta quem discorra tacitamente, que a causa desta diferença tão notável foi a mudança da monarquia. Não havia de ser assim (dizem) se vivera um D. Manuel, um D. João, o terceiro, ou a fatalidade de um Sebastião não sepultara com ele os reis portugueses. (…) Não hei de pregar hoje ao povo, não hei de falar com os homens, mais alto hão de sair as minhas palavras ou as minhas vozes: a vosso peito divino se há de dirigir todo o sermão. (...) quero eu, Senhor, converter-vos a vós. (...) Mas pois vós, Senhor, o quereis e ordenais assim, fazei o que fordes servido. Entregai aos holandeses o Brasil, entregai-lhes as Índias, entregai- lhes as Espanhas (que não são menos perigosas as consequências do Brasil perdido); entregai-lhes quanto temos e possuímos (como já lhes entregastes tanta parte); ponde em suas mãos o Mundo; e a nós, aos portugueses e espanhóis, deixai-nos, repudiai-nos, desfazei-nos, acabai- nos. Mas só digo e lembro a Vossa Majestade, Senhor, que estes mesmos que agora desfavoreceis e lançais de vós, pode ser que os queirais algum dia, e que os não tenhais. Padre Antônio Vieira, Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda. Sermões, Porto: Lello & Irmão, 1959.p. 300-301. O padre Antônio Vieira foi considerado um dos mais ilustres luso-brasileiros do século XVII. Acerca desse sermão, escrito em 1640, ao final da chamada União Ibérica, responda ao que se pede. a) Caracterize-o do ponto de vista de seu estilo literário. b) Identifique o contexto da História de Portugal no qual o sermão foi composto. c) Explique a situação da América portuguesa, tal como mencionada no texto. Página 6 de 7 Gabarito: Resposta da questão 1: [B] Diante da proliferação do Protestantismo no mundo, a igreja católica reagiu e criou a contrarreforma adotando medidas como o Index, a Companhia de Jesus, a retomada da Inquisição e o Concílio de Trento que manteve os dogmas católicos. Nesse contexto surgiu o Barroco ligado ao espírito da Contrarreforma. Gabarito [B]. Resposta da questão 2: 02 + 04 + 08 + 16 = 30. [01] Incorreto. Há outras regiões, além de Minas Gerais, que também são exemplos do período. [02] Correto. O Barroco no Brasil sofreu diferentes influências e especialmente difundidos pelos conhecimentos produzidos nas confrarias das artes e ofícios. Vale ressaltar que o aluno pode ter outras referências sobre outros estilos, além desses citados. [04] Correto. Aleijadinho é um dos maiores representantes nas artes do barroco mineiro. Em Congonhas do Campo, reúne este conjunto de obras que afirma essa presença. [08] Correto. Mestre Athaíde se destaca como um grande pintor. [16] Correto. O Barroco no Brasil é tardio e o ambiente cultural no qual se desenvolveu estava associado pelas confrarias e irmandades das igrejas. Resposta da questão 3: [A] Gregório de Matos foi um poeta do Barroco, movimento artístico caracterizado sobretudo pela contradição. Assim, o tema do respeito da brevidade da vida era comum em sua poesia. Resposta da questão 4: [D] Os ideais árcades, baseados na Arcádia Lusitana que pregava a volta ao classicismo renascentista através da normatização da estética, da métrica e da ordem e cultivando o gosto por uma natureza que se organizasse segundo as leis da mimese, combatiam os arroubos e excessos do movimento artístico que imediatamente os precedeu: o barroco, a “hidra de mau gosto” mencionada no texto. Resposta da questão 5: [A] [A] Correta: o eu lírico enaltece os aspectos físicos de Inês, a mulher amada. [B] Incorreto: o eu lírico estabelece uma situação de diálogo com Deus, buscando perdão. [C] Incorreto: o eu lírico critica o comportamento de uma figura pública baiana. [D] Incorreto: a temática central da estrofe é a lírica religiosa. [E] Incorreto: a temática central da estrofe é a crítica ao contexto social baiano do século XVII. Resposta da questão 6: [D] No trecho, Vieira critica o cultismo ou gongorismo, conceito bastante popular entre os escritores barrocos, cuja produção literária era marcada pelo excessivo rebuscamento, pelo hermetismo e pelo uso de figuras de linguagem. A crítica a esse estilo de composição se dá pela dificuldade de compreensão, pois Vieira valorizava a clareza textual. Resposta da questão 7: [E] Todas as alternativas estão corretas. Vemos que o soneto é escrito por meio de uma estrutura pouco tradicional, com as frases na ordem inversa e vários questionamentos. Ou seja, a estrutura do poema reflete a estrutura do raciocínio do homem barroco, que nessa época era caracterizado por um conflito interno. Esse conflito aparece também na temática dos questionamentos que o eu lírico faz: por meio do pessimismo e angústia, ele se pergunta por que as coisas mundanas são tão fugazes. Resposta da questão 8: [E] Todas as proposições são verdadeiras. Resposta da questão 9: [B] Ao longo do poema, o eu lírico descreve a paisagem bucólica que rodeia a sua amada, Sílvia. Expressões como “À margem de uma fonte”, “pássaros cantores”, “Flores canoras”, “pássaros fragrantes”, entre outras, remetem ao topo locus amoenus, expressão latina que designa “paisagem ideal”, valorizando a vida aprazível no campo em detrimento da vida conturbada na cidade. Assim, é correta a opção [B]. Resposta da questão 10: Vertente: conceptismo. O poeta estabelece um jogo entre os conceitos de mentira e verdade por meio de um raciocínio lógico, mostrando as consequências da opção pela verdade. Resposta da questão 11: [A] No poema “À cidade da Bahia”, o eu poético lamenta a situação em que se encontra a cidade, usando vários recursos como o da personalização, visível, por exemplo, no último terceto. Em “Oh quisera Deus que de repente,/ um dia amanheceras tão sisuda,/ Que fora de algodão o teu capote!”, apresenta a cidade com características humanas, séria e vestida com um capote de algodão, como no tempo em que a comercialização desse tecido trazia ao estado posição e vantagem econômica. Assim, é correta a opção [A]. Resposta da questão 12: [C] Nos versos citados, o eu lírico manifesta descontentamento ao monopólio comercial que possibilita a seus agentes amplos privilégios no contexto da dominação portuguesa, ou seja, ao sistema colonial, como se afirma em [C]. Resposta da questão 13: [D] Estão incorretas as afirmações: [I] Gregório de Matos foi apelidado de “Boca do Inferno” em decorrência da acidez de sua obra satírica. O poema “A Christo S. N. Crucificado estando o poeta na última hora de sua vida” não se enquadra nessa categoria. Página 7 de 7 [V] Dentre as categorias que caracterizam o conjunto da obra de Gregório de Matos publicada pela Academia de Letras – Sacra, Lírica, Graciosa, Satírica e Última –, este poema se insere na primeira categoria: “Sacra”. Resposta da questão 14: [D] Os versos de Gregório de Matos mostram sua literatura satírica, na qual criticava o governo brasileiro; além destes versos, em sua produção encontram-se ainda as temáticas religiosa e amorosa. Resposta da questão 15: [C] No soneto de Gregório de Matos, o eu lírico mostra-se aliviado por ter concluído um poema de louvor a uma mulher “desvanecida” (vaidosa, mas sem graça) e que não seria merecedora de elogio. O samba de Noel Rosa ironiza também o caráter nulo de pessoa, que se torna singular exatamente pela ausência de qualquer tipo de qualidade. Assim, é correta a opção [C]. Resposta da questão 16: a) A mulher divinizadae a mulher mais terrena e sensual. b) Como homem, Gregório reconhece-se pecador e Deus representa a possibilidade de redenção dos pecados. Resposta da questão 17: [B] No excerto do enunciado, a imagem do vento metaforiza a vida, inexoravelmente sujeita a contratempos e tragédias, o que torna o destino (“fortuna”) tão incerto como os fenômenos da natureza: "o vento da fortuna pode chegar a ser tempestade". Assim, é correta a opção [B]. Resposta da questão 18: a) Vieira, através de vocativos começa por conclamar os mortos para que venham informar os vivos sobre os pensamentos e sentimentos que experimentaram nos momentos finais da sua vida, já que não podem recuar nem escapar da inexorabilidade dessa instância. O uso de interjeições, “Oh que transe tão apertado! Oh que passo tão estreito! Oh que momento tão terrível!”, acentua o aspecto trágico de todos os que não se preocuparam, em vida, em obedecer às leis da igreja e estarão, por isso, sujeitos às penas do julgamento final. b) O pregador busca sensibilizar os ouvintes através da consciência da transitoriedade da vida e da certeza do julgamento depois da morte. Com esse estilo de retórica, Vieira pretende sensibilizar os ouvintes para a prática de uma vida terrena de acordo com os ensinamentos da Igreja para alcançarem, depois da morte, a graça divina. Resposta da questão 19: [A] Vieira comenta que, apesar de sabermos da inevitabilidade da morte, não podemos prever o momento em que tal acontecerá, por mais que sejamos jovens, saudáveis e regrados: ”mas todas estas partes são tão duvidosas e tão incertas, que não há idade tão florente, nem saúde tão robusta, nem vida tão bem regrada, que tenha um só momento seguro”. A anáfora constituída pela repetição do advérbio de intensidade “tão” enfatiza essa característica e busca sensibilizar os fiéis para o desengano da passagem do tempo, como transcrito em [A]. Resposta da questão 20: [C] Padre Antônio Vieira está inserido no contexto da Contrarreforma, período histórico em que os valores religiosos, alicerçados na crença da vida eterna, ganham predominância. Assim, o discurso dirigido ao público cristão pressupunha a aceitação de que a vida terrena seria apenas uma passagem efêmera que levaria, através do cumprimento dos ditames religiosos e da renúncia dos valores materiais, à salvação eterna, livre de danações, como se afirma em [C]. Resposta da questão 21: [C] Ao denunciar as péssimas condições de trabalho e os maus tratos infligidos pelos administradores da capitania do Pará aos que viviam a seu mando, Padre Antonio Vieira relata os padecimentos dos nativos e dos colonos pobres: ”além da injustiça que se faz aos índios, é ocasião de padecerem muitas necessidades os portugueses e de perecerem os pobres”. Assim, é correta a opção [C]. Resposta da questão 22: [A] A referida carta data do século XVII, período no qual a colônia portuguesa na América vivia intensamente o ciclo do açúcar, carro-chefe da economia colonial. Resposta da questão 23: a) O estilo literário utilizado é o Barroco, caracterizado pela dramaticidade e pelo exagero. b) Foi composto durante o período da Restauração, que pôs fim à União Ibérica. c) A parte mais significativa da América Portuguesa (o Nordeste) estava sob o domínio holandês desde 1630, no que chamamos de Brasil Holandês.