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1ª Geração Modernista 
Exercícios 
Profº Mari Neto 
 
 
Página 1 de 11 
1. (Unifesp 2020) Leia o trecho do poema “Os sapos”, de 
Manuel Bandeira. 
 
O sapo-tanoeiro 
[...] 
Diz: — “Meu cancioneiro 
É bem martelado. 
 
Vede como primo 
Em comer os hiatos! 
Que arte! E nunca rimo 
Os termos cognatos. 
 
O meu verso é bom 
Frumento sem joio. 
Faço rimas com 
Consoantes de apoio. 
 
Vai por cinquenta anos 
Que lhes dei a norma: 
Reduzi sem danos 
A formas a forma. 
 
Clame a saparia 
Em críticas céticas: 
Não há mais poesia 
Mas há artes poéticas...” 
 
(Estrela da vida inteira, 1993.) 
 
 
No trecho, o “sapo-tanoeiro” representa uma sátira aos 
a) modernistas. 
b) românticos. 
c) naturalistas. 
d) parnasianos. 
e) árcades. 
 
2. (Enem PPL 2019) Biografia de Pasárgada 
 
Quando eu tinha meus 15 anos e traduzia na classe de 
grego do D. Pedro II a Ciropédia fiquei encantado com o 
nome dessa cidadezinha fundada por Ciro, o Antigo, nas 
montanhas do sul da Pérsia, para lá passar os verões. A 
minha imaginação de adolescente começou a trabalhar, e vi 
Pasárgada e vivi durante alguns anos em Pasárgada. 
Mais de vinte anos depois, num momento de profundo 
desânimo, saltou-me do subconsciente este grito de evasão: 
“Vou-me embora pra Pasárgada!” Imediatamente senti que 
era a célula de um poema. Peguei do lápis e do papel, mas o 
poema não veio. Não pensei mais nisso. Uns cinco anos 
mais tarde, o mesmo grito de evasão nas mesmas 
circunstâncias. Desta vez, o poema saiu quase ao correr da 
pena. Se há belezas em “Vou-me embora pra Pasárgada!”, 
elas não passam de acidentes. Não construí o poema, ele 
construiu-se em mim, nos recessos do subconsciente, 
utilizando as reminiscências da infância – as histórias que 
Rosa, minha ama-seca mulata, me contava, o sonho jamais 
realizado de uma bicicleta etc. 
 
BANDEIRA, M. Itinerário de Pasárgada. São Paulo: Global, 
2012. 
 
 
O texto é um depoimento de Manuel Bandeira a respeito da 
criação de um de seus poemas mais conhecidos. De acordo 
com esse depoimento, o fazer poético em “Vou-me embora 
pra Pasárgada!” 
a) acontece de maneira progressiva, natural e pouco 
intencional. 
b) decorre de uma inspiração fulminante, num momento de 
extrema emoção. 
c) ratifica as informações do senso comum de que 
Pasárgada é a representação de um lugar utópico. 
d) resulta das mais fortes lembranças da juventude do poeta 
e de seu envolvimento com a literatura grega. 
e) remete a um tempo da vida de Manuel Bandeira marcado 
por desigualdades sociais e econômicas. 
 
3. (Famema 2019) Leia o poema “Namorados” de Manuel 
Bandeira (1886-1968). 
 
O rapaz chegou-se para junto da moça e disse: 
– Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a 
sua cara. 
 
A moça olhou de lado e esperou. 
– Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê 
uma lagarta listada? 
 
A moça se lembrava: 
– A gente fica olhando... 
 
A meninice brincou de novo nos olhos dela. 
 
O rapaz prosseguiu com muita doçura: 
 
– Antônia, você parece uma lagarta listada. 
 
A moça arregalou os olhos, fez exclamações. 
 
O rapaz concluiu: 
– Antônia, você é engraçada! Você parece louca. 
 
(Estrela da vida inteira, 2009.) 
 
 
Verifica-se a ocorrência de personificação no seguinte verso: 
a) “– Antônia, você parece uma lagarta listada.” 
b) “A moça arregalou os olhos, fez exclamações.” 
c) “A meninice brincou de novo nos olhos dela.” 
d) “– Antônia, você é engraçada! Você parece louca.” 
e) “A moça olhou de lado e esperou.” 
 
4. (Upf 2018) CAMELÔS 
Manuel Bandeira 
 
Abençoado seja o camelô dos brinquedos de tostão: 
O que vende balõezinhos de cor 
O macaquinho que trepa no coqueiro 
O cachorrinho que bate com o rabo 
Os homenzinhos que jogam boxe 
A perereca verde que de repente dá um pulo que engraçado 
 
 
 
 
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E as canetinhas-tinteiro que jamais escreverão coisa alguma 
 
Alegria das calçadas 
Uns falam pelos cotovelos: 
—“O cavalheiro chega em casa e diz: Meu filho, vai buscar 
[um pedaço de banana para eu acender o charuto. 
[Naturalmente o menino pensará: Papai está malu 
...” 
 
Outros, coitados, têm a língua atada 
Todos porém sabem mexer nos cordéis com o tino 
[ingênuo de demiurgos de inutilidades. 
E ensinam no tumulto das ruas os mitos heroicos da 
[meninice... 
E dão aos homens que passam preocupados ou tristes 
[uma lição de infância. 
 
 
No poema “Camelôs”, que integra a obra Libertinagem, de 
Manuel Bandeira, destaca-se 
a) a admiração do eu lírico pelos camelôs, devido à alegria 
que provocam e à sua capacidade de relembrarem aos 
adultos o caráter lúdico da infância. 
b) o fato de que os camelôs, além de venderem coisas 
inúteis, atrapalham o movimento dos passantes. 
c) o fato de que os camelôs, além de venderem coisas 
inúteis, colaboram para elevar o nível de ansiedade dos 
passantes. 
d) o fato de que os camelôs, ao atrapalharem o movimento 
dos passantes, colaboram para elevar o nível de 
ansiedade dos adultos que têm pressa. 
e) a crítica que o eu lírico faz aos camelôs e ao tumulto que 
provocam, mesmo nutrindo por eles um sentimento de 
admiração. 
 
5. (Ita 2017) Sobre o poema de Manuel Bandeira, 
 
 
Irene no céu 
 
Irene preta 
Irene boa 
Irene sempre de bom humor. 
 
Imagino Irene entrando no céu: 
- Licença, meu branco! 
E São Pedro bonachão: 
- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença. 
 
(Em: Libertinagem. Rio de Janeiro: Pongetti, 1930.) 
 
 
 
é INCORRETO afirmar que a relação afetiva entre o sujeito 
lírico e Irene 
a) faz com que a descrição dela seja permeada pela visão 
carinhosa dele. 
b) torna a linguagem mais coloquial, espelhando a ligação 
afetuosa dos dois. 
c) é responsável pelo tratamento informal dado a uma 
entidade religiosa. 
d) é um mero disfarce da desigualdade entre brancos e 
negros. 
e) é, na visão dele, compartilhada até mesmo por São 
Pedro. 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o texto abaixo e responda à(s) questão(ões). 
 
PRA MIM BRINCAR 
 
 Não há nada mais gostoso do que o mim sujeito de 
verbo no infinitivo. Pra mim brincar. As cariocas que não 
sabem gramática falam assim. Todos os brasileiros deviam 
de querer falar como as cariocas que não sabem gramática. 
 – As palavras mais feias da língua portuguesa são 
quiçá, alhures e miúde. 
 
BANDEIRA, Manuel. Seleta em prosa e verso. Org: Emanuel 
de Moraes. 4ª ed. 
Rio de Janeiro, José Olympio, 1986. p. 19. 
 
 
6. (G1 - ifal 2017) No texto, o poeta modernista Manuel 
Bandeira faz uma recomendação em relação ao emprego do 
pronome oblíquo tônico mim, como se verifica no trecho 
“[...]Todos os brasileiros deviam de querer falar como as 
cariocas que não sabem gramática.”. 
 
Diante disso, pode-se inferir que a sua crítica se centra em 
a) combater a imposição gramatical proveniente dos poetas 
parnasianos. 
b) desrespeitar as normas gramaticais do português padrão. 
c) desconsiderar as variantes linguísticas presentes no 
Brasil. 
d) deslegitimar a norma padrão da língua portuguesa 
brasileira. 
e) ironizar as cariocas que não sabem gramática. 
 
7. (Enem 2ª aplicação 2016) Poema tirado de uma notícia 
de jornal 
 
João Gostoso era carregador de feira livre e morava no 
morro da Babilônia num barracão sem número. 
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro 
Bebeu 
Cantou 
Dançou 
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu 
afogado. 
 
BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira: poesias reunidas. Rio 
de Janeiro: José Olympio, 1980. 
 
 
No poema de Manuel Bandeira, há uma ressignificação de 
elementos da função referencial da linguagem pela 
a) atribuição de título ao texto com base em uma notícia 
veiculada em jornal. 
b) utilização de frases curtas, características de textos do 
gênero jornalístico. 
c) indicação de nomes de lugares como garantia da 
veracidade da cena narrada. 
d) enumeração de ações, com foco nos eventos acontecidos 
à personagem do texto. 
e) apresentaçãode elementos próprios da notícia, tais como 
quem, onde, quando e o quê. 
 
8. (Unesp 2019) Indo às consequências finais da posição de 
 
 
 
 
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José de Alencar no Romantismo, esse autor adotou como 
base da sua obra o esforço de escrever numa língua 
inspirada pela fala corrente e os modismos populares, não 
hesitando em usar formas consideradas incorretas, desde 
que legitimadas pelo uso brasileiro. Com isso, foi o maior 
demolidor da “pureza vernácula” e do “culto da forma”. 
 
(Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. 
Adaptado.) 
 
 
O texto refere-se a 
a) Olavo Bilac. 
b) Machado de Assis. 
c) Mário de Andrade. 
d) Aluísio Azevedo. 
e) Euclides da Cunha. 
 
9. (Uel 2017) Leia o texto a seguir. 
 
No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói de 
nossa gente. Já na meninice fez coisas de sarapantar. De 
primeiro: passou mais de seis anos não falando. Se o 
incitavam a falar, exclamava: – Ai que preguiça!... e não dizia 
mais nada. Quando era pra dormir trepava no macuru 
pequeninho sempre se esquecendo de mijar. Como a rede 
da mãe estava por debaixo do berço, o herói mijava quente 
na velha, espantando os mosquitos bem. Então adormecia 
sonhando palavras feias, imoralidades estrambólicas e dava 
patadas no ar. 
 
Adaptado de: ANDRADE, M. Macunaíma. Rio de Janeiro: 
Agir, 2008. p. 7. 
 
 
Enquanto produção cultural, o Modernismo procurava 
reconhecer as identidades que formavam o povo brasileiro. 
 
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a 
presença da temática indígena no movimento, tendo por 
modelo o romance de Mário de Andrade. 
a) A utilização da temática indígena configurava um projeto 
nacional de busca dos valores nativos para a formação da 
identidade brasileira, na época. 
b) Como herói indígena, Macunaíma difere das 
representações românticas, já que ele figura como um 
anti-herói, um personagem de ações valorosas, mas 
também vis. 
c) Macunaíma se insere no racismo corrente no início do 
século XX, que via uma animalidade no indígena, 
considerado coisa, e não gente. 
d) O indígena foi considerado pelos modernistas como único 
representante da identidade brasileira, pois sua cultura era 
vista como pura e sem interferência de outros povos. 
e) O trecho reafirma a característica histórico-antropológica 
do patriarcado brasileiro, que compreendia o indígena 
como um incivilizado puro e ingênuo. 
 
10. (Unisc 2017) Leia atentamente o trecho de Macunaíma, 
de Mário de Andrade. 
 
No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de 
nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. 
Houve um momento em que o silêncio foi tão grande 
escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia 
tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que 
chamaram de Macunaíma. 
Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou 
mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar 
exclamava: 
– Ai! que preguiça!... 
e não dizia mais nada. Ficava no canto da maloca, trepado 
no jirau de paxiúba, espiando o trabalho dos outros e 
principalmente os dois manos que tinha, Maanape já 
velhinho e Jiguê na força de homem. O divertimento dele era 
decepar cabeça de saúva. Vivia deitado mas si punha os 
olhos em dinheiro, Macunaíma dandava pra ganhar vintém. 
E também espertava quando a família ia tomar banho no rio, 
todos juntos e nus. Passava o tempo do banho dando 
mergulho, e as mulheres soltavam gritos gozados por causa 
dos guaimuns diz-que habitando a água-doce por lá. No 
mucambo si alguma cunhatã se aproximava dele pra fazer 
festinha. Macunaíma punha a mão nas graças dela, cunhatã 
se afastava. Nos machos guspia na cara. Porém respeitava 
os velhos e frequentava com aplicação a murua a poracê o 
torê o bacorocô a cucuicogue, todas essas danças religiosas 
da tribo. 
 
(ANDRADE, Mano de. Macunaíma: o herói sem nenhum 
caráter. Belo Horizonte: Itatiaia, 1987. p. 9) 
 
 
A partir da interpretação do trecho acima, assinale a 
alternativa correta. 
a) Macunaíma é um típico herói idealizado do Romantismo. 
b) Observa-se, no trecho acima, que o comportamento da 
personagem está em sintonia com o ambiente em que 
vive, sendo, por esse motivo, um romance típico do 
Naturalismo. 
c) O trecho apresenta a inovação em termos de linguagem 
que caracteriza as obras literárias da primeira geração do 
Modernismo. 
d) O texto apresenta as características que marcam o 
regionalismo crítico da prosa da segunda geração do 
Modernismo. 
e) O aprofundamento psicológico da personagem permite 
afirmar que se trata de um romance da terceira geração 
do Modernismo brasileiro. 
 
11. (Enem 2ª aplicação 2016) Descobrimento 
 
Abancado à escrivaninha em São Paulo 
Na minha casa da rua Lopes Chaves 
De sopetão senti um friúme por dentro. 
Fiquei trêmulo, muito comovido 
Com o livro palerma olhando pra mim. 
Não vê que me lembrei que lá no norte, meu Deus! Muito 
longe de mim, 
Na escuridão ativa da noite que caiu, 
Um homem pálido, magro de cabelos escorrendo nos olhos 
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia, 
Faz pouco se deitou, está dormindo. 
Esse homem é brasileiro que nem eu... 
 
ANDRADE, M. Poesias completas. São Paulo: Edusp, 1987. 
 
 
O poema “Descobrimento”, de Mário de Andrade, marca a 
postura nacionalista manifestada pelos escritores 
modernistas. Recuperando o fato histórico do 
 
 
 
 
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“descobrimento”, a construção poética problematiza a 
representação nacional a fim de 
a) resgatar o passado indígena brasileiro. 
b) criticar a colonização portuguesa no Brasil. 
c) defender a diversidade social e cultural brasileira. 
d) promover a integração das diferentes regiões do país. 
e) valorizar a Região Norte, pouco conhecida pelos 
brasileiros. 
 
12. (Enem 2ª aplicação 2016) O bonde abre a viagem, 
No banco ninguém, 
Estou só, stou sem. 
Depois sobe um homem, 
No banco sentou, 
Companheiro vou. 
O bonde está cheio, 
De novo porém 
Não sou mais ninguém. 
 
ANDRADE, M. Poesias completas. Belo Horizonte: Vila Rica, 
1993. 
 
 
O desenvolvimento das grandes cidades e a consequente 
concentração populacional nos centros urbanos geraram 
mudanças importantes no comportamento dos indivíduos em 
sociedade. No poema de Mário de Andrade, publicado na 
década de 1940, a vida na metrópole aparece representada 
pela contraposição entre 
a) a solidão e a multidão. 
b) a carência e a satisfação. 
c) a mobilidade e a lentidão. 
d) a amizade e a indiferença. 
e) a mudança e a estagnação. 
 
13. (Unesp 2016) Duas fortes motivações converteram-se 
em molas de composição desta obra: 
 
a) por um lado, o desejo de contar e cantar episódios em 
torno de uma figura lendária que trazia em si os atributos 
do herói, entendido no senso mais lato possível de um ser 
entre humano e mítico, que desempenha certos papéis, 
vai em busca de um bem essencial, arrosta perigos, sofre 
mudanças extraordinárias, enfim vence ou malogra...; 
b) por outro lado, o desejo não menos imperioso de pensar o 
povo brasileiro, nossa gente, percorrendo as trilhas 
cruzadas ou superpostas da sua existência selvagem, 
colonial e moderna, à procura de uma identidade que, de 
tão plural que é, beira a surpresa e a indeterminação. 
 
(Alfredo Bosi. Céu, inferno, 2003. Adaptado.) 
 
Tal comentário aplica-se à obra 
a) Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio 
de Almeida. 
b) Vidas secas, de Graciliano Ramos. 
c) Macunaíma, de Mário de Andrade. 
d) Os sertões, de Euclides da Cunha. 
e) Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de 
Assis. 
 
14. (Unifesp 2016) Uma análise mais atenta do livro mostra 
que ele foi construído a partir da combinação de uma 
infinidade de textos preexistentes, elaborados pela tradição 
oral ou escrita, popular ou erudita, europeia ou brasileira. A 
originalidade estrutural deriva, deste modo, do fato de o livro 
não se basear na mímesis, isto é, na dependência constante 
que a arteestabelece entre o mundo objetivo e a ficção; mas 
em ligar-se quase sempre a outros mundos imaginários, a 
sistemas fechados de sinais, já regidos por significação 
autônoma. Esse processo, parasitário na aparência, é no 
entanto curiosamente inventivo; pois, em vez de recortar 
com neutralidade nos entrechos originais as partes de que 
necessita para reagrupá-las, intactas, numa ordem nova, 
atua quase sempre sobre cada fragmento, alterando-o em 
profundidade. 
 
(Gilda de Mello e Souza. O tupi e o alaúde, 1979. Adaptado.) 
 
 
Tal comentário aplica-se ao livro 
a) A cidade e as serras, de Eça de Queirós. 
b) Macunaíma, de Mário de Andrade. 
c) Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio 
de Almeida. 
d) Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de 
Assis. 
e) Iracema, de José de Alencar. 
 
15. (Enem 2019) HELOÍSA: Faz versos? 
PINOTE: Sendo preciso... Quadrinhas... Acrósticos... 
Sonetos... Reclames. 
HELOÍSA: Futuristas? 
PINOTE: Não senhora! Eu já fui futurista. Cheguei a 
acreditar na independência... Mas foi uma tragédia! 
Começaram a me tratar de maluco. A me olhar de esguelha. 
A não me receber mais. As crianças choravam em casa. 
Tenho três filhos. No jornal também não pagavam, devido à 
crise. Precisei viver de bicos. Ah! Reneguei tudo. Arranjei 
aquele instrumento (Mostra a faca) e fiquei passadista. 
 
ANDRADE, O. O rei da vela. São Paulo: Globo, 2003. 
 
 
O fragmento da peça teatral de Oswald de Andrade ironiza a 
reação da sociedade brasileira dos anos 1930 diante de 
determinada vanguarda europeia. Nessa visão, atribui-se ao 
público leitor uma postura 
a) preconceituosa, ao evitar formas poéticas simplificadas. 
b) conservadora, ao optar por modelos consagrados. 
c) preciosista, ao preferir modelos literários eruditos. 
d) nacionalista, ao negar modelos estrangeiros. 
e) eclética, ao aceitar diversos estilos poéticos. 
 
16. (Acafe 2018) MEUS OITO ANOS 
Casimiro de Abreu 
 
Oh! que saudades que tenho 
Da aurora da minha vida, 
Da minha infância querida 
Que os anos não trazem mais! 
Que amor, que sonhos, que flores, 
Naquelas tardes fagueiras 
À sombra das bananeiras, 
Debaixo dos laranjais! 
[...] 
 
 
MEUS OITO ANOS 
Oswald de Andrade 
 
 
 
 
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Oh que saudades que eu tenho 
Da aurora de minha vida 
Das horas 
De minha infância 
Que os anos não trazem mais 
Naquele quintal de terra 
Da Rua de Santo Antônio 
Debaixo da bananeira 
Sem nenhum laranjais 
[...] 
 
Sobre o poema de Oswald de Andrade, é correto afirmar 
que: 
a) o autor usou um recurso denominado bricolagem, uma 
vez que criou um texto a partir de fragmentos de diversos 
outros textos com os quais dialoga, em um processo de 
citação extrema. 
b) trata-se de uma paródia que, de forma tendenciosa, 
pauta-se pela recriação de um texto com caráter 
contestador e crítico, em tom jocoso. 
c) constitui-se de uma paráfrase do texto Meus Oito Anos, de 
Casimiro de Abreu, atribuindo-lhe uma nova “roupagem” 
discursiva, embora mantendo a mesma ideia contida no 
texto original. 
d) é uma citação, pois Oswald de Andrade incorpora a seu 
texto partes do texto de Casimiro de Abreu, com quem 
dialoga. Todavia, por não expressar a citação entre aspas, 
caracteriza-se como plágio. 
 
17. (Fuvest 2017) 
 
Canção do exílio 
 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá; 
As aves que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá. 
Nosso céu tem mais 
estrelas, 
Nossas várzeas têm mais 
flores, 
Nossos bosques têm mais 
vida, 
Nossa vida mais amores. 
[...] 
Não permita Deus que eu 
morra, 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que desfrute os 
primores 
Que não encontro por cá; 
Sem qu’inda aviste as 
palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 
 
Gonçalves Dias, Primeiros 
cantos. 
Canto do regresso à 
pátria 
 
Minha terra tem palmares 
Onde gorjeia o mar 
Os passarinhos daqui 
Não cantam como os de lá 
Minha terra tem mais rosas 
E quase que mais amores 
Minha terra tem mais ouro 
Minha terra tem mais terra 
[...] 
Não permita Deus que eu 
morra 
Sem que volte pra São 
Paulo 
Sem que veja a Rua 15 
E o progresso de São 
Paulo. 
 
Oswald de Andrade, Pau-
Brasil. 
 
 
a) Considerando que os poemas foram escritos, 
respectivamente, em 1843 e 1924, caracterize seus 
contextos históricos sob os pontos de vista político e 
social. 
b) Comparando os dois poemas, indique uma diferença 
estética e uma diferença ideológica entre ambos. 
 
18. (Unicamp 2016) 
 
 
 
 
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Pobre alimária 
O cavalo e a carroça 
Estavam atravancados no trilho 
E como o motorneiro se impacientasse 
Porque levava os advogados para os escritórios 
Desatravancaram o veículo 
E o animal disparou 
Mas o lesto carroceiro 
Trepou na boleia 
E castigou o fugitivo atrelado 
Com um grandioso chicote 
 
(Oswald de Andrade, Pau Brasil. São Paulo: Globo, 2003, 
p.159.) 
 
 
A imagem e o poema revelam a dinâmica do espaço na 
cidade de São Paulo na primeira metade do século XX. 
 
Qual alternativa abaixo formula corretamente essa 
dinâmica? 
a) Trata-se da ascensão de um moderno mundo urbano, 
onde coexistiam harmonicamente diferentes 
temporalidades, funções urbanas, sistemas técnicos e 
formas de trabalho, viabilizando-se, desse modo, a 
coesão entre o espaço da cidade e o tecido social. 
b) Trata-se de um espaço agrário e acomodado, num 
período em que a urbanização não tinha se estabelecido, 
mas que abrigava em seu interstício alguns vetores da 
modernização industrial. 
c) Trata-se de um espaço onde coexistiam distintas 
temporalidades: uma atrelada ao ritmo lento de um 
passado agrário e, outra, atrelada ao ritmo acelerado que 
caracteriza a modernidade urbana. 
d) Trata-se de uma paisagem urbana e uma divisão do 
trabalho típicas do período colonial, pois a metropolização 
é um processo desencadeado a partir da segunda metade 
do século XX. 
 
19. (Espm 2016) O ensaísta Roberto Schwarz alude ao fato 
de haver no país um descompasso ideológico, isto é, o 
desconcerto de uma sociedade escravista, mais as ideias 
importadas do liberalismo europeu. De onde a sensação de 
que, no Brasil, as ideias estão deslocadas em relação ao seu 
uso europeu: há um desacordo entre a situação local e o 
molde importado. As ‘nossas’ coisas, assim, não seriam 
nossas. 
 
Dos itens abaixo, o exemplo literário que reflete o espírito do 
tema acima exposto é: 
a) “Alguém há de cuidar que é frase inchada / Daquela que 
lá se usa entre essa gente” (Cláudio Manuel da Costa) 
b) “Invejo o ourives quando escrevo;/ Imito o amor / Com que 
ele, em ouro, o alto-relevo / Faz de uma flor.” (Olavo Bilac) 
c) “Minha terra tem primores, / Que tais não encontro eu cá; / 
Em cismar – sozinho à noite - / Mais prazer encontro eu 
lá;” (Gonçalves Dias) 
d) “A praça! A praça é do povo / Como o céu é do condor,” 
(Castro Alves) 
e) “Tupi or not tupi, that is the question”. (Oswald de 
Andrade) 
 
20. (Fuvest 2020) Leia o poema e responda ao que se pede. 
 
Mas a taba cresceu... Tigueras* agressivas, 
Para trás! Agora o asfalto anda em Tabatinguera. 
Mal se esgueira um pajé entre locomotivas 
E o forde assusta os manes** lentos do Anhanguera. 
[...] 
Segue pra forca da Tabatinguera. Lento 
O cortejo acompanha a rubra cadeirinha 
Pro Ipiranga. Será que em tão pequeno assento 
A marquesa botou sua imperial bundinha!... 
 
Mário de Andrade, “Tabatinguera”, Losango Cáqui (1924). In: 
Poesias completas v.1. São Paulo: Martins Fontes, 1979. 
 
 
* área plantada onde já se fez a colheita. 
** alma dos mortos, restos mortais. 
 
a) Identifique um aspecto mencionado no poema que 
justifique a expressão “a taba cresceu”. 
b) Destaque um argumento histórico e outro de caráter 
estético para o emprego de expressões indígenas no 
poema. 
c) Explique as condições históricas que favoreceram a 
citação do “asfalto”, das “locomotivas” e do “forde”. 
 
21. (Unesp 2019) Leia o poema “Pobre alimária”,de Oswald 
de Andrade, publicado originalmente em 1925. 
 
O cavalo e a carroça 
Estavam atravancados no trilho 
E como o motorneiro se impacientasse 
Porque levava os advogados para os escritórios 
Desatravancaram o veículo 
E o animal disparou 
Mas o lesto carroceiro 
Trepou na boleia 
E castigou o fugitivo atrelado 
Com um grandioso chicote 
 
(Pau-Brasil, 1990.) 
 
 
 
 
 
 
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Considerando o momento de sua produção, o poema 
a) celebra a persistência das tradições rurais brasileiras, que 
inviabilizaram o avanço do processo de industrialização de 
São Paulo. 
b) valoriza a variedade e a eficácia dos meios de transporte, 
que contribuíam para impulsionar a economia brasileira. 
c) critica a recorrência das práticas de exploração e maus 
tratos aos animais nos principais centros urbanos 
brasileiros. 
d) registra uma rápida cena urbana, que expõe tensões e 
ambiguidades no processo de modernização da cidade de 
São Paulo. 
e) exemplifica o choque social constante entre as elites 
enriquecidas e a população pobre da cidade de São 
Paulo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gabarito: 
 
Resposta da questão 1: 
 [D] 
 
O poema metalinguístico “Os sapos” apresenta o que, para 
os modernistas, não deveria ser a poesia. O sapo-boi, 
o sapo-tanoeiro, o sapo-pipa são personagens metafóricos 
representativos de determinados poetas que defendem 
preceitos da poética parnasiana, em especial o sapo-
tanoeiro (parnasiano aguado), que passa a descrever o seu 
cancioneiro, a sua poética, baseado na forma. Bandeira, 
através da paródia, critica a preocupação excessiva dos 
parnasianos com a forma, em detrimento do conteúdo. 
Assim, é correta a opção [D]. 
 
Resposta da questão 2: 
 [A] 
 
O depoimento de Manuel Bandeira revela que o processo de 
construção do poema “Vou-me embora pra Pasárgada!” foi 
lento e gradual. A palavra que mais tarde simbolizará o 
mundo ideal em que se vai refugiar o eu lírico para escapar 
da realidade, Pasárgada, surge aos 15 anos, numa aula de 
geografia. Reaparece na memória vinte anos depois, embora 
incapacitada para o fazer poético, o que só irá acontecer 
cinco anos depois de forma espontânea e natural. Assim, é 
correta a opção [A]. 
 
Resposta da questão 3: 
 [C] 
 
[A] Incorreta. Ocorre comparação no verso. 
[B] Incorreta. Percebe-se assíndeto na construção do verso. 
[C] Correta. Personificação ou prosopopeia é a figura de 
linguagem em quer algo inanimado adquire características 
animadas; o verso “A meninice brincou de novo nos olhos 
dela.” exemplifica essa definição. 
[D] Incorreta. Ocorre comparação no verso. 
[E] Incorreta. A linguagem é conotativa no verso destacado. 
 
Resposta da questão 4: 
 [A] 
 
Embora o poeta trate da inutilidade dos produtos vendidos 
pelos camelôs, ele o faz de maneira bem-humorada, 
exaltando os camelôs e destacando seus aspectos positivos 
(“Abençoados sejam os camelôs”): eles trazem alegria 
(“Alegria das calçadas”) e provocam lembranças nos adultos, 
fazendo com que estes recordem do caráter lúdico da 
infância, como vemos nos últimos versos. 
 
Resposta da questão 5: 
 [D] 
 
Em “Irene no céu”, o modo como se tratam os personagens 
branco e negro, representados, respectivamente, por São 
Pedro e pela própria Irene, (“Licença, meu branco!”, “ Entra, 
Irene. Você não precisa pedir licença”) revela que a 
diferença étnica não representa nenhum obstáculo à 
sinceridade da relação e à afetividade entre os dois. Assim, 
é incorreta a opção [D]. 
 
Resposta da questão 6: 
 [A] 
 
 
 
 
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Manuel Bandeira foi um poeta modernista bastante crítico ao 
tradicionalismo parnasiano e às suas regras de composição. 
Assim, no seu texto “Pra mim brincar” ele busca combater a 
imposição gramatical proveniente desses poetas 
parnasianos, mostrando que aquilo que não é 
gramaticalmente correto também é belo. 
 
Resposta da questão 7: 
 [E] 
 
No poema de Manuel Bandeira, o uso da função 
referencial da linguagem reflete a necessidade de transmitir 
ao interlocutor dados da realidade de uma maneira direta e 
objetiva, no caso com elementos próprios da notícia, tais 
como “quem”, “onde”, “quando” e “o quê”. Assim, é correta a 
opção [E]. 
 
Resposta da questão 8: 
 [C] 
 
Os autores mencionados em [A], [B], [D] e [E] estão 
vinculados às estéticas parnasiana, realista, naturalista e 
pré-modernista, respectivamente. Na segunda década do 
século XX, alguns autores brasileiros, influenciados pelas 
vanguardas artísticas que se espalhavam pela Europa, 
optam por apresentar uma estética inovadora através da 
reconstrução da cultura brasileira sobre bases nacionais. A 
obra de Mário de Andrade revela a intenção de o escritor 
privilegiar o uso da língua segundo as características 
diferenciais do Brasil, incorporando o vocabulário e a sintaxe 
irregular de um país onde as raças e as culturas se 
misturam. Assim, é correta a opção [C]. 
 
Resposta da questão 9: 
 [B] 
 
O trecho extraído de Macunaíma revela já uma 
caracterização de um herói bastante distinto e até oposto 
dos heróis comuns. A sua infância é descrita como um 
momento em que ele “fez coisas de sarapantar”, isto é, 
aprontou bastante. É caracterizado, assim, como um herói 
que dizia palavras feias e aprontava com as pessoas, 
realizando, portanto, ações vis. Por outro lado, ao longo do 
romance vemos que Macunaíma também realiza ações 
valorosas. Assim, ele se difere das representações 
românticas de heróis com ações puramente valorosas e 
honráveis, e figura como um anti-herói, variando de ações 
vis a valorosas. 
 
Resposta da questão 10: 
 [C] 
 
[A] Incorreta. Macunaíma é o retrato do anti-herói brasileiro, 
ilustrando o nacionalismo crítico da 1ª geração Modernista. 
[B] Incorreta. Macunaíma é uma obra da 1ª geração 
Modernista. 
[C] Correta. A valorização da linguagem coloquial é uma das 
propostas da 1ª geração Modernista, como se verifica em 
“Nos machos guspia na cara. Porém respeitava os velhos e 
frequentava com aplicação a murua a poracê o torê o 
bacorocô a cucuicogue, todas essas danças religiosas da 
tribo”. 
[D] Incorreta. Macunaíma é uma obra da 1ª geração 
Modernista. Além disso, é conhecida por “rapsódia 
brasileira”, exatamente por buscar retratar a diversidade 
nacional. 
[E] Incorreta. Macunaíma é uma obra da 1ª geração 
Modernista. Além disso, não é preocupação do narrador 
apresentar abordagem psicológica em seus personagens. 
 
Resposta da questão 11: 
 [C] 
 
No poema “Descobrimento”, o eu lírico direciona os seus 
pensamentos para a realidade social do Norte do Brasil, 
onde o trabalhador é vítima de um trabalho duro e mal 
remunerado. Ao comparar essa imagem com a realidade 
que ele mesmo vivencia em São Paulo, percebe as 
disparidades sociais nas várias regiões do Brasil. Assim, a 
construção poética problematiza a representação nacional a 
fim de defender a diversidade social e cultural brasileira, 
como se afirma em [C]. 
 
Resposta da questão 12: 
 [A] 
 
A sucessão de orações coordenadas reproduz a sequência 
de cenas e sensações experimentadas pelo eu lírico ao 
longo da viagem. Os primeiros versos do poema focalizam a 
solidão [“estou só, stou sem”], sensação que é alterada nos 
seguintes, quando alguém se senta a seu lado e parece 
interagir com ele (“Companheiro vou”). Na sequência, o 
bonde lota, e o eu lírico volta a sentir-se solitário e anônimo 
no conjunto heterogêneo de pessoas que se amontoam (“O 
bonde está cheio,/ De novo porém/ Não sou mais ninguém”. 
Assim, é correta a opção [A], pois, no poema de Mário de 
Andrade, a vida na metrópole aparece representada pela 
contraposição entre a solidão e a multidão. 
 
Resposta da questão 13: 
 [C] 
 
A referência ao “herói” como um ser entre humano e mítico 
que vai em busca de um bem essencial e ao seu desejo de 
representar a “nossa gente” permitem deduzir que se trata 
de Macunaíma, o herói sem caráter, protagonista da obra 
homônima de Mariode Andrade. Assim, é correta a opção 
[C]. 
 
Resposta da questão 14: 
 [B] 
 
As referências a uma obra elaborada com base em textos 
preexistentes, transmitidos por via oral ou escrita, em 
linguagem popular e erudita e que mescla o mundo objetivo 
com a ficção apontam para a obra Macunaíma de Mário de 
Andrade, mencionada na opção [B]. Trata-se de uma 
narrativa que o autor classificou de rapsódia por reunir 
lendas, folclores, crendices, costumes e provérbios, em 
linguagem popular e erudita a fim de representar a 
miscigenação cultural da sociedade brasileira. 
 
Resposta da questão 15: 
 [B] 
 
A resposta de Pinote ao questionamento de Heloísa sobre 
se o estilo do poeta seria o Futurismo é reveladora do 
conservadorismo da sociedade brasileira dos anos 30. O fato 
de ter abandonado esse estilo para passar a fazer poesia 
 
 
 
 
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nos moldes clássicos justificava-se pela necessidade de 
aceitação ao gosto do público da época e, desse modo, o 
poeta poder garantir também a sua própria sobrevivência 
financeira. Assim, é correta a opção [B]. 
 
Resposta da questão 16: 
 [B] 
 
Oswald de Andrade faz uma releitura cômica do poema de 
Casimiro de Abreu, configurando, assim, uma paródia. 
Dessa forma, Oswald é irônico ao retomar Casimiro, 
revelando como o olhar romântico já não é coerente com o 
momento em que vive. 
 
Resposta da questão 17: 
 [Resposta do ponto de vista da disciplina de História] 
a) Em 1843 o Brasil atravessa um período de fim da 
Regência e início do Segundo Reinado. A ascensão de d. 
Pedro II ao trono acabou por acalmar os ânimos políticos e 
sociais do Império. 
Em 1924 o país atravessava um período de 
questionamentos acerca do governo oligárquico. A maior 
marca desses questionamentos foram os Levantes 
Tenentistas. 
 
[Resposta do ponto de vista da disciplina de Português] 
a) O contexto histórico de consolidação do Estado nacional 
brasileiro explica o nacionalismo ufanista de Gonçalves Dias, 
postura comum aos poetas da época, que tinham como 
propósito a construção de uma literatura verdadeiramente 
nacional, que refletisse a identidade da jovem nação 
brasileira. 
Nesse contexto se insere o Modernismo, iniciado a partir da 
Semana de Arte Moderna, em 1922. O propósito dos poetas 
dessa época, entre eles Oswald de Andrade, era de 
revolucionar a literatura brasileira. Há, nesse período, 
também uma tendência nacionalista, mas não o 
nacionalismo ufanista dos românticos, mas um nacionalismo 
crítico, capaz de expressar a complexidade da realidade 
brasileira. 
 
b) Diferenças estéticas: o primeiro poema, de Gonçalves 
Dias, possui rimas e métrica de sete sílabas poéticas – trata-
se de uma redondilha maior. Além disso, é uma obra original 
que descreve a terra brasileira em seus aspectos naturais. O 
segundo poema, de Oswald de Andrade, estrutura-se 
predominantemente em sete sílabas poéticas também, com 
exceção do segundo verso, que possui seis; no entanto, não 
possui rimas. A temática é urbana e ele parodia “Canção do 
exílio”, de Gonçalves Dias. 
Diferenças ideológicas: o primeiro poema pertence ao 
Romantismo e apresenta um nacionalismo ufanista. Já o 
segundo é da primeira fase do modernismo e caracteriza-se 
pela iconoclastia – o que justifica a paródia ao poema do 
Romantismo –, pela irreverência e pela criticidade. 
 
Resposta da questão 18: 
 [C] 
 
No poema “Pobre alimária”, integrante da obra “Pau-Brasil”, 
Oswald de Andrade reproduz poeticamente a imagem de 
uma cidade a meio caminho do progresso, mas ainda com 
características de vila pacata e burguesa. Trata-se de uma 
cidade que em pouco tempo irá tornar-se a maior do Brasil e 
adaptar-se a uma nova mobilidade no espaço urbano, mas 
onde ainda permanecem as estruturas do período colonial. 
Isso fica mais claro, quando se vê na fotografia que 
acompanha o poema, a presença de parelhas de bois e 
carroças em meio à agitação de pessoas. Assim, é correta a 
opção [C]. 
 
Resposta da questão 19: 
 [E] 
 
[A] Incorreta. O trecho em questão aponta para o 
rebuscamento linguístico do texto barroco em oposição à 
simplicidade defendida pelos árcades. 
[B] Incorreta. O trecho aponta para convergência de 
finalidades entre o ourives e o poeta parnasiano, 
preocupados em alcançar a perfeição formal. 
[C] Incorreta. O trecho apresenta o saudosismo romântico, 
em leitura ufanista do próprio país, em detrimento do exílio. 
[D] Incorreta. O trecho salienta a importância social da 
participação popular frente a questões sociais – em 
referência à questão abolicionista defendida por Castro 
Alves. 
[E] Correta. Oswald de Andrade, no Manifesto Antropófago, 
pode ser aproximado das colocações de Roberto Schwarz 
ao mencionar as questões estrangeiras como modelo a ser 
seguido pelos brasileiros: a célebre frase de William 
Shakespeare foi aproveitada pelo modernista para expor a 
problemática quanto à origem brasileira indígena. 
 
Resposta da questão 20: 
 a) O avanço do surgimento de áreas urbanas no país, em 
detrimento do campo; 
 
b) Argumento histórico: a influência indígena na formação da 
língua brasileira; 
Argumento estético: o uso de mecanismos modernistas de 
produção cultural. 
 
c) O crescimento da cafeicultura em São Paulo, que 
impulsionou a industrialização e a urbanização. 
 
Resposta da questão 21: 
 [D] 
 
Somente a proposição [D] está correta. O Poema de Oswald 
de Andrade “Pobre alimária”, de 1925, pode ser interpretado 
como um contraste entre o arcaico e o moderno no cotidiano 
da cidade de São Paulo vinculado ao processo de 
modernização. 
 
 
 
 
 
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