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Panorama da antropologia Apresentação O surgimento do estudo antropológico está intimamente ligado à Sociologia. Ambos os estudos abordam, de maneira científica, diferentes aspectos humanos apresentados ao longo da história. Por isso, suas percepções surgem e se desenvolvem a partir de fatos que apresentam aspectos teóricos e empíricos. A Sociologia surge como um estudo científico que busca entender de que modo as sociedades funcionam, utilizando dados empíricos, visíveis e comprováveis. Mas, e a Antropologia? Ela também é capaz de falar sobre a sociedade, porém parte da individualidade humana, buscando compreender o todo a partir do indivíduo e entender o indivíduo a partir do todo. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender sobre os temas debatidos e estudados pela Antropologia, entendendo as características do estudo antropológico e conhecendo um pouco da formação do pensamento dessa ciência. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o percurso histórico da Antropologia.• Explicar a construção do pensamento antropológico ao longo do caminho histórico da Antropologia. • Analisar as divergências e convergências entre a Antropologia e outras ciências.• Desafio A Antropologia tem por objetivo compreender os mais diversos aspectos que fazem parte do ser humano. Por meio dessa ciência, é possível entender questões socioculturais, a partir de aspectos como a religiosidade, a raça, a cor ou as finanças de um indivíduo. Sendo assim, os estudos antropológicos fazem uso de outras abordagens científicas, de modo a amplificar suas capacidades. Sociologia, História e Geografia são alguns dos exemplos de estudos que fazem parte da ampla busca da Antropologia pelo encontro do ser humano e da sociedade em que ele vive. Considerando esse contexto, imagine-se na situação apresentada a seguir. De que maneira você responderia a esse questionamento? Quais argumentos utilizaria? Justifique. Infográfico Os seres humanos são complexos e afetados pelas coisas que os cercam de maneiras totalmente diferentes. Quando um mesmo fato é observado por várias pessoas, umas riem, outras ficam chocadas e, ainda, algumas mostram-se indiferentes. Mas o que há em cada homem e mulher para que tenham reações diferentes? Essa é uma das missões da Antropologia: compreender o ser humano em toda a sua completude e complexidade. Como é possível entender o que se passa com alguém? Quais fatores podem ser levados em conta? E como remeter isso a uma realidade de várias pessoas de um mesmo grupo? Veja, no Infográfico, um pouco mais sobre alguns pontos do percurso histórico da Antropologia. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/36b5c6c0-32c8-45b2-ba4a-724b07ed3199/9c27bccd-2740-4d98-a17d-d7bd81562b5d.jpg Conteúdo do livro A Antropologia busca aprender sobre as pessoas e tudo aquilo que elas falam, manifestam ou produzem, por meio de seus comportamentos. Antes consideradas parte dos estudos sociológicos, as abordagens antropológicas permitem relações que trazem benefícios mútuos às diversas ciências com que se relacionam. Sua missão é buscar, levantar e analisar dados que envolvam aspectos culturais e psicológicos do homem, a fim de compreender quem ele é e como sua ação e seu pensamento se aproximam ou distanciam de outros que apresentam ou não características semelhantes. No capítulo Panorama da Antropologia, da obra Antropologia da Religião, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer a Antropologia como ciência que estuda o ser humano, acompanhando seu percurso histórico. Além disso, vai saber como a Antropologia foi compreendida e abordada no decorrer da história, entrando em contato com os pensamentos de Durkheim e Mauss. Boa leitura. ANTROPOLOGIA DA RELIGIÃO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Identificar o percurso histórico da antropologia. > Explicar a construção do pensamento antropológico ao longo do caminho histórico da antropologia. > Analisar as divergências e convergências entre antropologia e outras ciências. Introdução A antropologia é uma ciência que busca compreender o ser humano a partir das mais diferentes óticas. Para isso, o estudo antropológico utiliza levantamentos e dados históricos e científicos sobre as origens, a evolução e o desenvolvimento do homem. Além disso, sua atenção também é voltada às questões culturais e psicológicas apresentadas nas mais diversas épocas, como questões étnico-raciais e aspectos financeiros a partir de crenças e costumes, por exemplo. Neste capítulo, traçaremos o percurso histórico percorrido pela antropologia até ser reconhecida como ciência. Para isso, apresentaremos o modo de pen- samento antropológico proposto pelo homem em sua caminhada. Ainda, serão apresentadas as convergências e divergências entre a antropologia e outras ciências que se relacionam com os pensamentos antropológicos. Nosso intuito, aqui, é conhecer um pouco mais sobre a ciência antropológica, sua formação e suas relações com outros pensamentos científicos, que buscam um maior conhecimento sobre quem é o ser humano de maneira localizada em seu tempo e espaço. Panorama da antropologia Alisson de Souza O que é antropologia? A antropologia é o estudo que busca compreender o ser humano a partir dos âmbitos culturais e sociais que o envolvem. Seu objetivo é observar e entender a humanidade como um todo, de maneira ampla e complexa. Para isso, o estudo antropológico analisa as pessoas e tudo aquilo que elas falam, manifestam ou produzem, a partir de seus comportamentos. Na teoria histórico-cultural de Marx, por exemplo, o trabalho é o que distingue o ser humano dos outros animais. Por meio do trabalho, é possível desenvolver a cultura, humanizar a vida e romper com uma vida animalesca. De acordo com Moretti, Asbahr e Rigon (2011, p. 478), “Se por um lado, o ho- mem biológico, assim como o animal, defronta-se com necessidades que são orgânicas e vitais, por outro, não se contenta em coincidir sua vida com essas condições objetivas”. Portanto, o ser humano é capaz de criar necessidades a partir de objetivos biológicos, assim como os outros animais. Contudo, ele também é capaz de ter ambições culturais, existenciais ou profissionais, por exemplo. Também é um ser ético, criador de princípios e preceitos que guiam e norteiam suas ações (MORETTI; ASBAHR; RIGON, 2011). Dessa maneira, as necessidades humanas não são puramente biológicas, envolvendo somente sua sobrevivência. Há toda uma complexidade que cir- cunda essas necessidades, uma vez que o homem torna necessidades culturais, profissionais e existenciais em questões fundamentais, equiparando-as às biológicas. Moretti, Asbahr e Rigon (2011, p. 478–479) afirmam que “Sendo assim, o conceito de necessidade, originalmente biológico, transforma-se para o homem em necessidade histórico-cultural”. Com novas necessidades, novas habilidades se fazem presentes e ne- cessárias em meio à vida humana. Segundo os autores, agir em prol daquilo que se almeja, alterando a natureza, também é próprio do ser humano. A intencionalidade movida por conta daquilo que é essencial ao humano gera um nível de satisfação, o qual atinge ou não as expectativas do indivíduo. Ou seja, o ser humano toma consciência de seu ato e do que ele representa, frente as suas expectativas, que são positivas ou negativas (MORETTI; ASBAHR; RIGON, 2011, p. 479). A consciência é capaz de produzir esses objetivos, os quais almejam re- sultados reais, sejam monetários, materiais ou intelectuais, envolvendo o conhecimento de teorias, de hipóteses, de conceitos ou de leis baseadas na realidade. Segundo Moretti, Asbahr e Rigon (2011, p. 479), “Nesse movimento da consciência, cuja intencionalidade passa a ser uma propriedade inerente, o homem constitui-se efetivamente humano”. Panorama da antropologia2Hannah Arendt não só reforça o trabalho como uma atividade humana fundamental, como também adiciona a obra e a ação a esse conceito, sendo todas intimamente relacionadas às condições naturais de nascimento e morte (ARENDT, 2010). Porém, sua visão é diferente da visão kantiana, apresentada anteriormente. Segundo a autora, o trabalho é uma atividade que está di- retamente ligada aos processos biológicos do corpo humano, envolvendo crescimentos espontâneos, questões metabólicas e seus respectivos declínios. Seriam eles vitais para a vida humana. “A condição humana do trabalho é a própria vida”, afirma Arendt (2010, p. 8). Assim, surge a obra, a qual se refere às questões não naturais da vida humana. Ou seja, ela não está ligada ao ciclo natural da existência vital da pessoa. A obra é capaz de proporcionar um mundo “artificial” sobre as coisas, conforme afirma a autora. Esse novo mundo se difere do mundo natural, ou seja, está ligado a questões propriamente mundanas, não se refere aos atos de sobrevivência (ARENDT, 2010). Por fim, Arendt apresenta a última atividade, a ação. Ela se refere às questões de pluralidade humana, uma vez que todos os seres humanos habitam o mundo e, por consequência, enquanto vivos, entram em contato com uma ampla variedade de pessoas, situações e discursos. Segundo Arendt (2010, p. 8–9), “A pluralidade é a condição da ação humana porque somos todos iguais, isto é, humanos, de um modo tal que ninguém jamais é igual a qualquer outros que viveu, vive ou viverá”. A partir de tamanha complexidade presente na formação humana, a an- tropologia busca estudar o ser humano, preocupando-se em conhecer sua totalidade de maneira científica. Para isso, ela propõe três estudos, os quais compõe a ciência antropológica. São eles (MARCONI; PRESSOTO, 2015): 1. ciência social, que propõe conhecer o homem como elemento inte- grante de grupos organizados; 2. ciência humana, que se volta, especificamente, para o homem como um todo: sua história, suas crenças, seus usos e costumes, sua filosofia, sua linguagem, etc.; 3. ciência natural, que se interessa pelo conhecimento psicossomático do homem e por sua evolução. O estudo antropológico é definido como uma ciência que aborda a hu- manidade e a cultura, observando questões sociais, comportamentais e humanísticas, por meio do modo de vida e da arte, por exemplo. Ela possui dimensões física, como o estudo da antropologia física, sociocultural, como a Panorama da antropologia 3 antropologia cultural e a antropologia social, e filosófica, como a busca sobre o que é o homem, por meio da antropologia filosófica. Segundo Marconi e Pressoto (2015, p. 2), “[...] apesar da diversidade dos seus campos de interesse, constitui-se em uma ciência polarizadora, que necessita da colaboração de outras áreas do saber, mas conserva sua unidade, uma vez que seu foco de interesse é o homem e a cultura”. Laplantine (2007), por exemplo, aponta que a antropologia é um estudo que exige uma ruptura inicial com modo de conhecimento abstrato e espe- culativo, pois sua missão é observar de maneirar direta os comportamentos sociais a partir de uma relação humana. O autor propõe que o homem deixe de ser estudado de maneira puramente física, como propõe a botânica, por exemplo. Para se compreender o ser humano, é preciso se comunicar com ele, tendo o anseio de que o indivíduo, ou o grupo formado por indivíduos, compartilhe de maneira sincera e espontânea sua existência. No entanto, a formação da antropologia, em seus pouco mais de 100 anos, não se deu de modo a analisar o homem de maneira completa. Em um primeiro momento, ela buscava compreender o ser humano a partir da ótica biológica, ou seja, restringia-se à formação e à evolução humana no sentido físico, corporal. Com o passar do tempo, as posturas culturais também pas- saram a ser observadas pela ciência antropológica, levando a formação do que se compreende hoje por antropologia, tendo por objeto de estudo aquilo que o homem é e produz, seu ser e suas obras (MARCONI; PRESSOTO, 2015). Sua investigação utiliza métodos comparativos a fim de obter informações relevantes, semelhanças ou diferenças, entre os grupos humanos. Para isso, são categorizadas questões físicas, psíquicas, sociais e culturais (MARCONI; PRESSOTO, 2015, p. 3): Na ausência de um laboratório experimental, o antropólogo lança mão da pesqui- sa de campo, que lhe fornece os dados desejados e permite testar as hipóteses levantadas na observação de situações peculiares. Daí a importância da con- tribuição dos antropólogos de campo, fornecendo o maior número possível de estudos sobre grupos humanos, uma vez que cada um deles é o produto de uma experiência cultural particular. Todo esse estudo apontado, que utiliza comparações entre situações e realidades particulares como dados de análise, tem por objetivo estudar a humanidade como um todo. Isso seria algo não realizado por outras ciências sistemáticas. Tal objetivo seria amplo, pois busca entender o homem de ma- neira global, chamado de um estudo biopsicocultural (MARCONI; PRESSOTO, 2015). Panorama da antropologia4 Agora que você já sabe o que é a ciência antropológica, vamos entrar em contato com a construção de seu pensamento, bem como com sua caminhada ao longo da história. Para isso, na próxima seção, serão apresentados alguns dos principais nomes e seus respectivos pensamentos a partir da ciência antropológica. A antropologia é uma ciência que estuda o ser humano a partir dos mais diversos aspectos que envolvem a fenomenologia. Contudo, é preciso lembrar que ela possui direcionamentos e objetivos que permitem a especialização de sua discussão. Por exemplo, existem as antropologias física, cultural, religiosa, biológica, pré-histórica, linguística, psicológica e social. A construção do pensamento antropológico A ciência antropológica foi reconhecida como um estudo apenas no século XIX. Contudo, a antropologia fazia parte de discussões e levantamentos desde muito antes disso. Antigos pensadores gregos já praticam o pensamento a respeito do ser humano. Segundo Pelto, na antiga Grécia, Heródoto já observava as diferenças entre povos e costumes. Partindo para o Império Romano, Tácito descrevia “[...] o caráter, costumes e ambiente a geográfico das tribos alemãs [germânicas]”. Seu objetivo era advertir os romanos da força e do espírito desse povo, pois os considerava bárbaros não corruptos. Posteriormente, esse mesmo povo estaria ligado a alguns dos motivos da queda do império. Ainda é possível citar Santo Agostinho como um filósofo pensador de questões lógicas e metafísicas da vida e do comportamento humano (PELTO, 1975, p. 22–23). Chegando aos séculos XIII e XIV, alguns pensadores trataram a pesquisa sobre o ser humano de maneira mais ampla, conectando-se a busca por co- nhecimentos de povos e de costumes. Marco Polo (1254–1324) foi um daqueles que desbravou outros povos. Suas pesquisas envolveram os conhecimentos e culturas de populações asiáticas, sobretudo da China. De acordo com Eriksen e Nielsen, (2007, p. 13), “Outro exemplo é a grande viagem através da Ásia Ocidental descrita em The Voyage and Travels of Sir John Mandeville, Knight, escrita por um inglês desconhecido no século quatorze”. Depois, o viajante árabe Ibn Batuta (1304–1378) observou populações do Norte e do Ocidente da África, da Rússia, da China, do Camboja e da Suma- tra, percorrendo, ao todo, 120 mil quilômetros. Por meio de sua narrativa, é Panorama da antropologia 5 possível entrar em contato com a realidade de povos de governos islâmicos, a partir de aspectos religiosos e culturais (PELTO, 1975). Com a chegada do século XV, fatos históricos importantes contribuíram para a evolução das pesquisas e dos levantamentos antropológicos. Segundo Pelto (1975, p. 26), “A imprensa foi inventada em 1446; o conhecimento do papel foi levado à Europa ocidental pelos árabes; a queda de Constantinopla (1453) provocou uma migração de eruditosaristotélicos para a Europa. Tudo isso teve um efeito catalítico sobre a erudição ocidental”. Além dos fatos elencados anteriormente, não se pode esquecer das Gran- des Navegações ao Novo Mundo, proporcionadas, principalmente, por Espanha e Portugal, um movimento que se iniciou com uma massiva exploração de recursos por parte dos espanhóis, que não consideravam os nativos ameri- canos descendentes de Adão e Eva. Essa visão mudou quando o Papa Júlio II declarou que os índios também descendiam de Adão e Eva, e que, portanto, seu tratamento deveria estar alinhado aos princípios morais da época. Em seguida, houve a chegada de missionários católicos, que buscaram al- fabetizar e catequisar esses povos (PELTO, 1975). No Brasil, isso ocorreu no ano de 1549, com a vinda dos jesuítas. De acordo com Oliveira (2004), por meio de sua formação, os membros da Companhia de Jesus foram capazes de transmitir homogeneamente a língua, a religião e a visão de mundo europeia, mantendo uma identidade cultural cristã católica, tendo como um forte instrumento a catequese: Nos séculos seguintes, as sociedades europeias se expandiram rapidamente em escala e complexidade, e os contatos interculturais — através do comércio, das guerras, da atividade missionária, da colonização, da migração e da pesquisa — tornaram-se mais comuns. Ao mesmo tempo, “os outros” passaram a ser progres- sivamente mais visíveis na vida cultural europeia — a começar com as peças de Shakespeare até os libretos de Rameau (ERIKSEN; NIELSEN, 2007, p. 15). As viagens europeias do século XVI foram de crucial importância para o desenvolvimento do estudo antropológico. Por conta do contato com diversos povos e culturas diferentes, alimentou-se uma percepção e uma narrativa única para os relatos e registros produzidos nessa época (ERIKSEN; NIELSEN, 2007). No século XIX, uma virada científica, no que diz respeito aos estudos sobre o ser humano, contribuíram para o surgimento definitivo da antropologia. Padrões e características humanas passaram a ser identificadas e cataloga- Panorama da antropologia6 das. Antes desse momento histórico, havia falta de informações descritivas e empecilhos teológicos para se entender a evolução biológica e cultural do ser humano. Foi nesse momento que surgiram dois grandes nomes e os primeiros antropólogos: Durkheim e Mauss. O francês Émile Durkheim (1858–1917), nascido em Épinal, exerceu diver- sas atividades de cunho científico, como: sociólogo, antropólogo, cientista político, psicólogo social e filósofo. Suas principais obras são: Da divisão do trabalho social (1893), Regras do método sociológico (1895), O suicídio (1897) e As formas elementares de vida religiosa (1912). Seu campo de estudo era a área social, observando fenômenos sociais (LAPLANTINE, 2007). Contudo, Durkheim propõe uma emancipação das abordagens socioan- tropológicas de outras ciências que promovem outras formas de abordagem que não os fatos humanos em si, como a psicologia, por exemplo. De acordo com Laplantine (2007, p. 88), “Se não nega que a ciência possa progredir em seus próprios domínios, considera que na sua época é vantajoso para cada disciplina avançar separadamente e construir um próprio objeto”. É importante afirmar que Durkheim não se preocupava com as origens humanas, evolucionistas, mas se empenhava na reflexão com base em da- dos observáveis e quantificáveis. Ele se convencia de que as sociedades possuíam um sistema lógico e integrado, em uma relação de dependência, considerando a sociedade como um organismo social, em uma analogia com sistemas funcionais de um corpo, a partir de conhecimentos biológicos (ERIKSEN; NIELSEN, 2007). Ele não considerava, por exemplo, os laços afetivos e psicológicos como um objeto de estudo psicológico social, uma vez que eles ocorrem de maneira independente para cada indivíduo. Para Durkheim, os fatos sociais ocorrem como se fossem “coisas”. Assim, eles são passíveis de uma explicação a partir de outros desses “objetos”, ou seja, outros fatos sociais semelhantes: Assim, a sociologia conquista pela primeira vez sua autonomia ao constituir um objeto que lhe é próximo, por assim dizer arrancado ao monopólio das explicações históricas, geográficas, psicológicas, biológicas... da época. Esse pensamento durkheimiano [...] vai, por meio de suas novas exigências metodológicas, renovar profundamente a epistemologia das ciências humanas da primeira metade do século XX, ou, mais exatamente, das ciências sociais destinadas a se separar destas. Vai exercer uma influência considerável sobre a pesquisa antropológica, particularmente na Inglaterra e evidentemente na França, o país de Durkheim, onde, ainda hoje, nossa disciplina [leia-se, Antropologia], não se emancipou realmente da sociologia (LAPLANTINE, 2007, p. 89). Panorama da antropologia 7 Marcel Mauss (1872–1950), sobrinho de Durkheim, também nasceu em Épinal, na França. Os pensamentos desses dois antropólogos são próximos, mas, ao mesmo tempo, distantes. Enquanto se aproxima de Durkheim ao buscar fundar a autonomia do social, afasta-se em algumas questões. Uma delas é o fato de Mauss trabalhar fortemente para que a antropologia fosse reconhecida como uma ciência verdadeira e própria, afastada de outras ciências. Ou seja, diferentemente de Durkheim, ele busca separá-la da so- ciologia, sendo que antes era entendida como como uma disciplina anexa ao pensamento sociológico: Um dos conceitos maiores forjados por Marcel Mauss é o do fenômeno social total, consistindo na integração dos diferentes aspectos (biológico, econômico, jurídico, histórico, religioso, estético...) constitutivos de uma dada realidade social que convém apreender em sua integridade (LAPLANTINE, 2007, p. 90). Contudo, apesar das divergências teóricas sobre como a antropologia deve ser posicionada enquanto estudo, Mauss se considerava um continuador do trabalhado elaborado por Durkheim. O antropólogo foi capaz de levar as abordagens propostas por seu tio e por ele a um nível de compreensão não abordado anteriormente. Por isso, debruçou-se em estudos sobre socieda- des não europeias e “arcaicas”. Segundo Eriksen e Nielsen (2007, p. 63), “Seu objetivo explícito, porém, era classificar sociedades e descobrir caracterís- ticas estruturais comuns a diferentes tipos de sociedades, com o intuito de desenvolver uma compreensão geral da vida social". Mauss propõe que um fenômeno é dividido em diversos aspectos, os quais utilizam olhares específicos e diferentes, e que sua análise deve ser realizada de modo conjunto, amplo e completo. Esse é um esforço de recomposição que deve ser realizado pelos sociólogos, uma vez que os fenômenos podem ser sociais, mas também fisiológicos e psicológicos. Ou seja, para Mauss, estudar a vida a partir da visão puramente social não é suficiente. Os fenômenos sociais são fenômenos mentais, sendo a recíproca verdadeira. As condutas humanas devem ser “[...] apreendidas em todas as suas dimensões, e particularmente em suas dimensões sociológica, histórica e psicofisiológica”. Portanto, a totalidade humana é formada por múltiplos aspectos e planos que são, ao mesmo tempo, separados e complementares (LAPLANTINE, 2007, p. 90). Por isso, para entender determinado fenômeno social, é preciso com- preendê-lo de maneira mútua de dentro para fora e de fora para dentro: um observador que está inserido na realidade. Esse fundamento proposto por Mauss é um desdobramento ininterrupto, buscando analisar uma situação Panorama da antropologia8 de maneira distante, a ponto de entender aquilo que cerca o fato, mas sendo capaz de vivenciar aquela mesma experiência. Quando se traz essa lógica para a análise de um pensamento individual, pode-se dizer que a ação e a consciência de um único indivíduo são uma parte mínima de um todo social, mas representam uma parte importante da sociedade. Por isso, “[...] trabalhando inicialmente com uma abordagem semelhante à de Durkheim, a reflexão de Mauss desembocou,como vemos, em posições muito diferentes” (LAPLANTINE, 2007, p. 91). Agora que você conheceu um pouco mais do percurso histórico da an- tropologia como uma ciência própria, poderá compreender e diferenciar seu estudo de outras formas científicas. Assim, na próxima seção, serão conhecidas algumas divergências e convergências entre algumas dessas ciências e o estudo antropológico. Antropologia versus demais ciências A antropologia é uma ciência autônoma, que aborda as mais diversas questões humanas. Contudo, seu objeto de estudo permite que esses levantamentos antropológicos possam ser analisados a partir de outras ciências. História, psicologia, geografia e sociologia são exemplos de alguns estudos científicos que são capazes de interagir com as abordagens antropológicas. Segundo Marconi e Pressoto (2015), a antropologia é uma das ciências mais jovens a serem formadas. Por consequência, seu desenvolvimento teve de esperar a evolução natural de outras abordagens, como geologia, genética, biologia e a própria sociologia. Para as autoras, “[...] pode-se afirmar que, somente após os conhecimentos da célula e da evolução terem sido formula- dos e aplicados ao homem, é que a Antropologia se sistematizou e progrediu como ciência do homem” (MARCONI; PRESSOTO, 2015, p. 8). A sociologia talvez seja o estudo mais próximo da antropologia, estando intimamente ligada a esta. O discurso sociológico nasceu como uma forma científica para a abordagem teórica e empírica daquilo que ocorre nas re- lações sociais humanas. A partir de suas análises, são formuladas teorias, observando momentos e eventos únicos da história. No final do século XVIII e início do século XIX, grandes sociólogos surgiram, como David Hume (1711–1776), Augusto Comte (1798–1857), Ludwig Feuerbach (1804–1872), Alexis de Tocqueville (1805–1859), Karl Marx (1818–1883) e Henri Bergson (1859–1941). Suas contribuições impactaram de maneira decisiva um plano científico que abordasse intelectualmente impactos sociais não observados anteriormente (CIPRIANI, 2007). Panorama da antropologia 9 Para isso, atentaram-se aos impactos de perspectivas humanas, carac- terizadas por orientações filosóficas e paixões ideológicas, passando a ter um discurso fundamentado em conhecimentos experimentais. Do fim do século XIX até o início do século XX, presenciou-se uma forte contribuição do positivismo de maneira social, científica e política. O positivismo é uma corrente da filosofia que busca ordenar as ciências experimentais a partir de modelos de excelência do conhecimento humano. Para isso, são observa- das questões metafísicas e teológicas, dando origem, de fato, à sociologia, propriamente dita (CIPRIANI, 2007). A antropologia e a sociologia, além de se comunicarem e se relacionarem pelos dados de pesquisas que possuem, auxiliam-se na ampla compreensão de questões que envolvem o ser humano. Os estudos antropológicos dispo- nibilizam seus conceitos sobre a cultura e, por sua vez, os levantamentos sociológicos apresentam suas teorias sobre o conceito de sociedade. De acordo com Marconi e Pressoto (2015, p. 8–9), “Ambas se valem de teorias, conceitos, métodos e técnicas desenvolvidos pelos seus especialistas”. Outra área importante de discussão para a antropologia é a psicologia. Ambas são muito aproximadas, pois buscam compreender o comportamento humano. Enquanto a primeira tenta entender o comportamento de modo grupal, a segunda se ocupa da compreensão do comportamento individual. “Os antropólogos buscam, nos dados levantados pelos psicólogos, explicações para a complexi- dade das culturas e do comportamento humano e apara a interpretação dos sistemas culturais relacionados com os tipos de personalidade correspondentes” (MARCONI; PRESSOTO, 2015, p. 9). É desse modo que são percebidas alterações de condutas sociais e do papel da cultura como fator preponderante para definir como o ser humano se adapta ou age frente a sua comunidade. Também são importantes os fatores biológicos, ambientais e culturais. Todos esses aspectos são variáveis que explicitam aspectos decisivos sobre a personalidade básica das culturas. Marconi e Pressoto (2015, p. 9) comentam que “Na tarefa de proceder a esse conhecimento, antropólogos e psicólogos auxiliam-se mutuamente, fornecendo dados que propiciam a compreensão de problemas comuns” (MARCONI; PRESSOTO, 2015, p. 9). Além disso, a evolução pode ser considerada responsável por uma vasta diversidade de conhecimentos sobre o ser humano. Ela está ligada a observação de características e percepções físicas e intelectuais distintas e particulares. “Por exemplo, os antropólogos biológicas já propuseram que o perfil de cabeça redonda e rosto chato, comum nas populações nativas no centro e no leste da Ásia, assim como na região ártica da América do Norte, é resultado de uma adaptação a ambientes muito frios” (HAVILAND et al., 2011, p. 57). Panorama da antropologia10 A economia e a política também são parte importante dos levantamentos antropológicos. Enquanto a antropologia se preocupa com a globalidade cultural de um povo, os levantamentos econômicos e políticos se preocupam com o funcionamento de uma sociedade, a partir de questões de questões como: poder, ordem, integridade, finanças e recursos (MARCONI; PRESSOTO, 2015). De fato, as abordagens científicas se baseiam em questões econômicas. A partir de suas teorias: [...] é capaz de explicar, de modo geral, todo o procedimento econômico humano. Por outro lado, a antropologia, documentando numerosos sistemas existentes na Terra, tem uma perspectiva mais ampla das organizações econômicas. Desse modo, ambas podem trocar informações valiosas para a melhor compreensão desse setor da cultura (MARCONI; PRESSOTO, 2015, p. 9). Por sua vez, toda a sociedade tem seu caráter e sua organização política. Antropólogos e cientistas políticos têm o mesmo objetivo, ao tentar compreen- der a formação e o desenvolvimento dos governos e poderes existentes em um Estado. Por isso, o intercâmbio dessas duas maneiras científicas de observar a sociedade e a cultura permite que tanto a antropologia quanto a política se compreendam e enriqueçam seus conhecimentos (MARCONI; PRESSOTO, 2015). As autoras também citam outras ciências como passíveis de uma interação colaborativa com a antropologia. A história seria uma dessas ciências, sendo capaz de reconstruir culturas antigas ou já desaparecidas e mostrar aspectos próprios de uma civilização localizada em seu próprio tempo. A geografia humana, por sua vez, entende aquilo que diz respeito à capacidade do ser humano de se adaptar e de modificar o meio ambiente em que se encontra. Assim, é possível observar como surgiram e o quanto foram importantes novas tecnologias e inovações culturais, por exemplo (MARCONI; PRESSOTO, 2015). Também é citada a biologia como uma área de estudo importante para os estudos antropológicos. Por meio desse estudo, torna-se possível com- preender como ocorreram as mudanças e as evoluções que o homem sofreu ao longo de sua história ou diferenças raciais, seja por meio da genética ou da biologia humana. “Além dessas, várias outras ciências como a geologia, a paleontologia, a metalurgia, a arquitetura, a engenharia, a zoologia, a bo- tânica, a fisiologia, a anatomia, a farmacologia, a astronomia e as artes, em geral, podem colaborar com um antropólogo nas suas variadas atividades” (MARCONI; PRESSOTO, 2015, p. 10). Portanto, compreende-se que a antropologia é um estudo amplo sobre o ser humano. Cada uma das ciências apresentadas anteriormente é capaz de compreender o homem a partir de seus próprios âmbitos de estudo. Contudo, é Panorama da antropologia 11 perceptível que nenhuma delas é capaz de trazer a amplitude necessária para que o ser humano possa ser estudado de maneira individuada e agrupada ao mesmo tempo. Também é possível perceber que suas contribuições e visões únicas a respeito de um aspecto específico concedem, à antropologia, uma visãogeneralizada e, contraditoriamente, particular. Cada estudo é importante em sua área de estudo, e a visão antropológica é capaz de concatenar todas essas visões para compreender o todo. Referências ARENDT, H. A condição humana. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010. CIPRIANI, R. Manual de sociologia da religião. São Paulo: Paulus, 2007. ERIKSEN, T. H.; NIELSEN, F. S. História da antropologia. Petrópolis: Vozes, 2007. HAVILAND, W. A. et al. Princípios de antropologia. São Paulo: Cengage Learning, 2011. LAPLANTINE, F. Aprender antropologia. São Paulo: Brasiliense, 2007. MARCONI, M. de A.; PRESSOTO, Z. M. N. Antropologia: uma introdução. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2015. MORETTI, V. D.; ASBAHR, F. da S. F.; RIGON, A. J. O humano no homem: os pressupostos teóricometodológicos da teoria histórico-cultural. 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Panorama da antropologia12 Dica do professor A Sociologia, a Psicologia, a Biologia, a Economia, a Política e a História têm sua própria maneira de observar e estudar o ser humano, não sendo diferente com a Antropologia. A ciência antropológica busca entender essa complexidade humana utilizando ferramentas e artifícios dos estudos apresentados anteriormente. Nesta Dica do Professor, conheça um pouco mais sobre a Antropologia e entenda que ela pode utilizar outras ciências para formar seu conhecimento. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/afadb9f90b2d450d01d60bb908598fa2 Exercícios 1) A Antropologia busca compreender o ser humano a partir da sociedade em que vive. Por isso, precisa observar e entender aquilo que forma e define a humanidade, utilizando a percepção dos mais diversos aspectos apresentados pelas pessoas. Comportamentos, manifestações, produção, ciência, tudo é ferramenta de estudo para a Antropologia. Considerando o exposto, sabe-se que o ser humano é capaz de necessidades e objetivos a serem alcançados. Então, qual alternativa a seguir apresenta as dimensões que esses objetivos podem ter? A) Os objetivos humanos podem ser culturais, reprodutivos, existenciais ou profissionais. B) Os objetivos humanos podem ser biológicos, culturais, existenciais ou amorosos. C) Os objetivos humanos podem ser biológicos, culturais, amorosos ou profissionais. D) Os objetivos humanos podem ser biológicos, culturais, existenciais ou profissionais. E) Os objetivos humanos podem ser biológicos, químicos, culturais ou existenciais. 2) A Antropologia é a ciência que busca entender a humanidade e sua cultura. Para isso, pode observar questões sociais, comportamentais e humanísticas, como, por exemplo, o modo de vida e de arte das pessoas que está estudando. Apresenta algumas dimensões, como: física, sociocultural e filosófica. E, apesar de ser constituída de uma grande diversidade de campos de interesse, se constitui numa ciência polarizadora, precisando da colaboração de outras áreas do saber, porém conservando sua unidade, com interesse no homem e em sua cultura. Segundo Laplantine, o estudo antropológico deve romper com os conhecimentos abstratos e especulativos. Sendo assim, qual das opções a seguir indica o que esse autor pensa ser necessário para compreender o ser humano? A) Para compreender o ser humano, é preciso observá-lo, de modo a perceber como é sua percepção da existência do mundo, da humanidade e de si mesmo. B) Para compreender o ser humano, é preciso se comunicar com ele, de modo que compartilhe de modo sincero e espontâneo sua percepção da existência. C) Para compreender o ser humano, é preciso se comunicar com ele, de modo que compartilhe de modo sincero sua percepção da existência, mesmo que não seja espontâneo. D) Para compreender o ser humano, é preciso se comunicar com ele, de modo que compartilhe de modo espontâneo sua percepção da existência, mesmo que não tenha convicção. E) Para compreender o ser humano, é preciso se comunicar com ele, de modo que compartilhe de modo sincero e espontâneo sua percepção da natureza. 3) A Antropologia é uma das ciências mais jovens a serem formadas. Ela teve como grandes fundadores de seu pensamento os princípios sociológicos. A Sociologia nasceu no século XVIII, como uma forma científica de abordar teórica e empiricamente aquilo que ocorre nas relações sociais humanas. Suas contribuições impactaram de maneira decisiva um plano científico que abordasse intelectualmente os impactos sociais a partir dos mais diversos fatos. Considerando esse contexto, qual seria a diferença entre Antropologia e Sociologia? A) A Antropologia propõe conceitos sobre a cultura e a Sociologia apresenta teorias sobre o conceito de sociedade. B) A Sociologia propõe conceitos sobre a cultura e a Antropologia apresenta teorias sobre o conceito de sociedade. C) Ambas propõem conceitos sobre a cultura e apresentam teorias sobre o conceito de sociedade, sendo idênticas. D) A Sociologia propõe conceitos sobre a ciência e a Antropologia apresenta teorias sobre o conceito de sociedade. E) A Sociologia propõe conceitos sobre a política e a Antropologia apresenta teorias sobre o conceito de sociedade. 4) No século XIX, houve uma grande virada científica nos estudos sobre o ser humano, propiciando o surgimento definitivo da Antropologia. Padrões e características humanas passaram a ser identificados e catalogados, de modo que pudessem ser analisados e comparados. É nesse momento que surgem dois grandes nomes e os primeiros antropólogos: os franceses Émile Durkheim e Marcel Mauss. Contudo, tio e sobrinho divergiam sobre como a Antropologia deveria ser vista e estudada. Considerando o exposto, como eles entendiam a Antropologia? A) Durkheim propõe uma aproximação das ciências socioantropológicas, separando-as de outras ciências que não promovem a abordagem dos fatos humanos em si. Já Mauss busca separar tanto a Sociologia quanto a Antropologia, propondo, inclusive, separá-las entre si. B) Durkheim propõe uma emancipação das ciências socioantropológicas, separando-as de outras ciências que não promovem a abordagem dos fatos humanos em si. Já Mauss busca separar tanto a Sociologia quanto a Antropologia, sem que haja separação entre elas. C) Durkheim propõe uma emancipação das ciências socioantropológicas, separando-as de outras ciências que não promovem a abordagem de fatos biológicos. Já Mauss busca separar tanto a Sociologia quanto a Antropologia, propondo, inclusive, separá-las entre si. D) Durkheim propõe uma emancipação das ciências socioantropológicas, separando-as de outras ciências que não promovem a abordagem dos fatos humanos em si. Já Mauss busca separar tanto a Sociologia quanto a Antropologia, propondo, inclusive, separá-las entre si. E) Durkheim propõe uma emancipação das ciências socioantropológicas, separando-as de outras ciências que não promovem a abordagem dos fatos humanos em si. Já Mauss busca separar tanto a Sociologia quanto a Psicologia,propondo, inclusive, separá-las entre si. 5) A Antropologia é uma ciência autônoma que aborda as mais diversas questões humanas. Contudo, seu objeto de estudo permite que esses levantamentos antropológicos possam ser analisados a partir de outras ciências. História, Psicologia, Geografia e Sociologia são exemplos de alguns estudos científicos capazes de interagir com as abordagens antropológicas. A visão antropológica do ser humano permite que as contribuições e as visões únicas de diversas ciências se tornem objeto de estudo, dando um caráter generalizado e, contraditoriamente, particular para as ponderações criadas pela Antropologia. Sendo assim, marque a opção que apresenta corretamente algumas das ciências que podem contribuir para a Antropologia e seus respectivos objetos de estudo. A) Sociologia, pelo levantamento de teorias sobre o conceito de sociedade. Psicologia, pela compreensão do comportamento coletivo. Biologia, pelo entendimento das mudanças e evoluções do ser humano. História, pela reconstrução de culturas antigas e fatos históricos. B) Sociologia, pelo levantamento de teorias sobre o conceito de ser humano. Psicologia, pela compreensão do comportamento individual. Biologia, pelo entendimento das mudanças e evoluções do ser humano. História, pela reconstrução de culturas antigas e fatos históricos. Política, pelo levantamento de teorias sobre o conceito de sociedade. Psicologia, pela compreensão do comportamento individual. Biologia, pelo entendimento das mudanças e C) evoluções do ser humano. História, pela reconstrução de culturas antigas e fatos históricos. D) Sociologia, pelo levantamento de teorias sobre o conceito de sociedade. Psicologia, pela compreensão do comportamento individual. Biologia, pelo entendimento das mudanças e evoluções do ser humano. História, pela reconstrução de culturas antigas e fatos históricos. E) Sociologia, pelo levantamento de teorias sobre o conceito de sociedade. Psicologia, pela compreensão do comportamento individual. Biologia, pelo entendimento das mudanças e evoluções do ser humano. Política, pela reconstrução de culturas antigas e fatos históricos. Na prática A Antropologia é um estudo que busca compreender o ser humano a partir dos âmbitos culturais e sociais que o envolvem. Seu objetivo é observar e entender a humanidade como um todo, de maneira ampla e complexa.Para isso, as investigações antropológicas são realizadas utilizando aspectos e percepções de outras ciências, como a Educação. Veja, Na Prática, como um jovem professor explicou os objetivos dos estudos da Antropologia para seus alunos. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Fazer laudos: algumas questões teórico-metodológicas de uma práxis institucionalizada Para saber mais sobre as questões teórico-metodológicas que cercam as práticas profissionais especializadas que realizam a investigação antropológica das mais diversas áreas, nos processos administrativos de reconhecimento territorial de populações quilombolas existentes no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), leia o trabalho a seguir. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Covid-19, biossegurança e Antropologia Este trabalho tem o objetivo de fornecer algumas bases teóricas para a realização de debates e a validação da possibilidade de inclusão da Antropologia da Saúde às discussões que envolvem a pandemia do Covid-19. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Antropologia da Biossegurança apresenta debate sobre emergências sanitárias e ambientais como doenças vetoriais, epidemias e pandemia Neste artigo, é abordada uma temática sobre a saúde, a partir de questões como higiene, prevenção e controle de doenças comuns na sociedade. Para isso, são utilizadas abordagens que envolvem entendimentos de biossegurança e das mais diversas áreas de observação da Antropologia. https://revistas.ufpr.br/campos/article/download/70952/pdf https://www.scielo.br/pdf/ha/v26n57/1806-9983-ha-26-57-275.pdf Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://humanas.blog.scielo.org/blog/2020/08/25/antropologia-da-biosseguranca-apresenta-debate-sobre-emergencias-sanitarias-e-ambientais-como-doencas-vetoriais-epidemias-e-pandemia/