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“Desiquilíbrio entre o poder defensivo do hospedeiro e o poder agressivo de microrganismos que o invadem. Caracteriza-se por inflamação, formação de pus, necrose tecidual e pode provocar septicemia.” Toda infecção causará inevitavelmente uma inflamação, mas nem toda inflamação surge de uma infecção, ou seja, uma pode ser consequência da outra, mas não necessariamente, infecção e inflamação NÃO são sinônimos. A inflamação é uma resposta do organismo. A primeira característica de um quadro infeccioso é o surgimento da inflamação. EX: os microrganismos destroem células do hospedeiro (Ser humano), as células possuem uma membrana plasmática, que possui a camada bilipídica, que ao ser degradada libera os fosfolipídios que a compõe e esses fosfolipídios sofrem uma degradação por enzimas (fosfolipase A2), a enzima degrada os fosfolipídios em ácido azaquidônico, a molécula do ácido araquidônico é menor e irá se degradar mais uma vez por um outro grupo de enzimas (cicloxigenase) e um dos produtos que surgem da degradação do ácido araquidônico são as prostaglandina (vaso ativo, que se liga na parede de um vaso sanguíneo, dilatando ele, chegando mais sangue, tendo o extravasamento do liquido plasmático para o tecido, passando pelos poros do vaso sanguíneo, acumulando o liquido no tecido, sendo um edema). O objetivo do processo inflamatório é trazer para a região células de defesa (leucócitos/glóbulos brancos) tendo o combate dos microrganismos por conta das células de defesa. No caso das infecções bacterianas (são mais agressivas), a medida que as células de defesa estão chegando para combater essas bactérias, começa a ter morte de células de defesa e bactérias, as células de defesa que morrem no processo inflamatório decorrente da infecção gera uma secreção purulenta (pus). Ao observar presença de pus, é porque está diante a uma infecção. O pus fica alojado dentro de uma cavidade decorrente da morte de células do tecido conjuntivo, porque as bactérias também causaram necrose tecidual. Muitas vezes a infecção progride tanto que as bactérias param de ficar localizadas numa área circunscrita e passam a se estender a vários locais do corpo, sendo uma septicemia (disseminação de processo infeccioso pelo sangue, sendo a principal causa de óbito). Principal causa de óbito nas infecções odontogênicas: Angina: Dor em aperto. A angina é a principal causa de óbito devido a obstrução das vias aéreas. Nem toda angina é infecção. Ao se ter uma infecção das vias áreas superiores (no caso das odontogênicas), por ter presença de edema e pus terá obstrução das vias aéreas, dando sensação de sufocamento. Antes da infecção odontogênica causar septicemia ela irá causar obstrução das vias áreas (asfixia). Em cavidade oral, podem se estender além do processo alveolar, com potencial de evoluir para um quadro de septicemia rapidamente e até a morte do paciente. Podem evoluir rompendo cortical óssea, passar pela musculatura, rompendo as fáscias (camadas virtuais existentes entre os músculos), atingindo espaços primários e secundários (mais graves) levando a infecções mais graves, quem determina para onde vai caminhar é a virulência do patógeno, a resistência do hospedeiro e anatomia da região. Infecção provocada por bactérias que habitam a cavidade oral e as superfícies dentais e periodontais. Não fica limitadas somente na boca. • Bactérias aeróbicas: 5% (precisa de oxigênio) • Bactérias anaeróbicas: 35% (não precisa de oxigênio) • Bactérias aeróbicas e anaeróbicas: 60% Geralmente uma infecção começa com bactérias aeróbicas, porque os tecidos vivos do paciente são oxigenados e para que a bactéria consiga invadir esses tecidos ela precisa sobreviver em local com oxigênio. Conforme essa bactéria (aeróbica) vai guerreando com as células de defesa e existe morte tecidual, ao ter morte tecidual o tecido deixa de ser oxigenado devido a falta de circulação sanguínea (presença de bactérias anaeróbicas a partir daqui). A fistula é uma característica que indica que a infecção cronificou. O Streptococcus é a bactéria que mais se propagam na cavidade oral, ou seja, mais ativa, porque o streptococcus é uma bactéria anaeróbica e aeróbica. Por isso que a penicilina é o antibiótico de escolha. Endodôntica: Ocorre após a necrose pulpar, onde há uma proliferação de microrganismos pela polpa até chegar na região periapical. Se o paciente não tem dor é porque foi um estímulo lento, gradativo. Essa é a origem mais comum e a mais severa, pois pode acarretar uma endocardite bacteriana. Periodontal: Pela proliferação das bactérias da placa subgengival, levando à uma periodontite progressiva, que alcançam o osso alveolar pela liberação de exotoxinas. Ocorre o rompimento do epitélio da bolsa devido necrose da região, o pus presente escoa pela bolsa periodontal (drenagem espontânea), formando uma fistula, ou seja, perde as características agudas. A carie se estende para a polpa gerando a inflamação do tecido pulpar (pulpite), após isso ocorre a mortificação pulpar, as bactérias que chegaram ali iram colonizar a polpa (tecido necrótico), ao chegar no ápice do dente irá gerar uma pericementite apical (processo inflamatório de origem infecciosa no ligamento periodontal no ápice do dente). A presença de pus nessa situação é caracterizada como abcesso dento-alveolar (abcesso restrito ao espaço entre o ápice do dente e o osso). Ex: O incisivo central tem a cortical vestibular mais próxima do ápice, ou seja, será a cortical que irá necrosar primeiro. Então ao romper a cortical a infecção irá se estender aos tecidos moles, o abcesso deixará de ser dento-alveolar e se tornara um abcesso de tecidos moles. • Vestíbulo labial ou bucal / Palato • Seio maxilar ou cavidade nasal Espaços fasciais primários: São espaços em intima relação com os dentes. O espaço bucal é mais acometido por 1° molar inferior ou superior. O espaço infratemporal é mais acometido por infecções do 3° molar. O espaço coletor é uma área superficial, fica sobre a raiz do primeiro molar. Esses espaços são interligados, por isso a infecção pode passar de um para o outro. Espaços fasciais secundários: Os espaços secundários só podem ser afetados após afetar o espaço primário. Espaços mastigatórios são espaços delimitados pelas fáscias dos músculos da mastigação. São delimitados por músculos levantadores da mandíbula, se esses músculos inflamarem o paciente fica incapacitado de abrir a boca, gerando um trismo. Temporal superficial: localizado na região temporal, lateralmente ao musculo temporal. Temporal profundo: localizado medialmente ao musculo temporal. Massetérico: localizado profundo ao musculo masseter, entre o masseter e o osso. Pterigomandibular: localizado na região da anestesia pterigo, entre o musculo pterigoideo medial e o ramo da mandíbula. Vestíbulo: espaço virtual, caracterizado pelo fundo do vestíbulo. Se é relacionado ao lábio é chamado de vestíbulo labial e se é relacionado a bochecha é chamado vestíbulo bucal. Fascias: localizada ao redor de músculos, vísceras... envolvendo-os e dependendo da região ela ganha nome, por exemplo, fascia massetérica. Espaços parafaríngeos são espaços que participam da via aérea, ou seja, caso a infecção invada esses espaços o paciente tem obstrução das vias aéreas, tendo uma disfagia. O espaço pré-vertebral fica na frente da coluna vertebral. Os espaços retrofaríngeo (fica atras da faringe) e o pré-vertebral são espaços medianos. Se o ápice do dente estiver alta chances de comunicação bucosinusal, a infecção irá disseminar para dentro do seio maxilar causando empiema do seio maxilar (sinusopatia). Se a inserção do musculo estiver acima do ápice do dente a infecção irá se disseminar para bochecha, (espaço bucal). Se a inserção do musculo estiver abaixo do ápice do dente a infecção irá se disseminarpara o espaço interfascial. A disseminação da infecção está relacionada de acordo com a relação anatômica do ápice com a cortical óssea e com as inserções musculares. A outra forma de disseminação de uma infecção: Através das veias, se uma infecção surge em uma área anatômica que contenha uma veia essa infecção pode causar uma erosão na parede da veia e a bactéria penetrar dentro dela. Infecção que se caracteriza pela presença de pus alojado. Lesão com sinais flogísticos (rubor, calor, dor e perda de função), geralmente originários de lesão do periápice. É composto por uma área central de microrganismos e leucócitos destruídos rodeados por leucócitos viáveis. Podem ser restritos ao tecido ósseo (intra-ósseo causa muita dor) ou se exteriorizar a este, tornando uma lesão circunscrita. Se o abscesso estiver “maduro” no meio dele vai ter um ponto de flutuação, local onde é feito a incisão para a drenagem. Se não tratar o abscesso, evolui para uma fistula. Tratamento - Drenagem Extra Oral: Anestesia com vasoconstritor. Ao localizar o ponto de flutuação, é feito a incisão 0,5cm a baixo, a incisão deve ser de 3mm (entrar com a ponta do bisturi), depois é feito a divulsão dos tecidos com a tesoura de metzenbaum. Tratamento sempre em conjunto com ANTIBIOTICOTERAPIA. Dreno com dedo de luva: Corta o dedo de uma luva, segura com uma pinça e coloca dentro do local onde deseja ser drenado, estica bem e solta, depois é feito a sutura. É feito um curativo, pode fazer a movimentação do dreno a cada dois dias puxar ele mais pra fora. Retina o dreno quando o curativo não estiver mais ficando sujo de secreção. Tratamento - Drenagem Intra Oral: Anestesia a mucosa, localiza o local de maior flutuação, faz divulsão dos tecidos. E coloca o dreno de penrose. Quadro inflamatório agudo com muito edema, mas sem pus. É um quadro grave, pois evolui rapidamente. Reação inflamatória difusa dos tecidos moles, envolvendo e se difundindo através dos espaços fasciais, quando a quando virulência das bactérias superam as defesas orgânicas. Caracterizam-se por aumento de volume firme e dolorido, e linfoadenite regional (próximo a região onde está acontecendo o processo inflamatório). Com o tratamento, pode evoluir para um abcesso (circunscrito). Caso não regrida, e ocupe outros espaços fasciais ela se torna uma Angina de Ludwig (espaços submandibulares, submentuais). Ao evoluir para uma Angina de Ludwig o paciente precisa ser tratado a nível hospitalar, para tomar medicação (penicilina) intravenosa e em alguns casos colocar drenos. A inflamação é uma consequência da infecção. Quando uma infecção envolve um espaço interfascial é mais fácil que envolva outros, tornando a infecção mais grave. Ao envolver espaços interfasciais que delimitam as vias aéreas do paciente gera uma obstrução da via aérea. Mediastino: cavidade que aloja o coração, e os grandes vasos toráxicos (artéria aorta e veia cava). Se a infecção atinge esse espaço é chamado mediastinite. Regiões consideradas Superficiais: vestíbulo bucal, vestíbulo labial e palato. NÃO SÃO ESPAÇOS INTERFASCIAIS. A infecção fica abaixo da mucosa. Espaço Canino Drena infecção de dentes superiores, principalmente caninos. É delimitado por dois músculos o levantador do lábio superior e levantador do ângulo da boca. O canino é um dente que possui uma raiz longe e ela fica acima da origem do musculo levantador do ângulo da boca. Espaço Bucal Localizado ao lado do espaço canino, o espaço bucal fica na bochecha. Delimitado medialmente pelo musculo bucinador e lateralmente pela bochecha. Para drenar é preciso romper o musculo bucinador. O principal dente que faz a disseminação para o espaço bucal é o 1° molar superior e inferior (são dentes com raízes mais longas). Para que um dente inferior drene para o espaço bucal é preciso que a raiz seja abaixo da inserção do musculo bucinador. Espaço Infratemporal Localizado abaixo do osso temporal. Esse espaço fica próximo dos espaços mastigatórios, então é um espaço que traz uma certa preocupação. O dente que faz mais disseminação para o espaço infratemporal é o 3°molar superior. Espaço Submentual Localizado abaixo do mento, entre os dois ventres anteriores do digastrico. Os dentes que disseminam para este espaço são dentes com raízes comprimidas, ou seja, abaixo da musculatura do musculo mentual (sendo o dente canino). O espaço submentual se comunica rapidamente com o espaço submandibular (do ventre do digastrico para a lateral já é espaço submandibular). Espaço Coletor É uma exceção, sendo um espaço superficial, diferente dos outros que são profundos. Quando ele é afetado se entende que é uma infecção de menor gravidade. Localizado abaixo da inserção do bucinador e a frente da borda anterior do musculo masseter. O principal dente que faz a disseminação para o espaço coletor é o 1° molar inferior. O que define que a infecção ficará no espaço bucal ou no espaço coletor é a agressividade das bactérias que estão causando esse quadro infeccioso. O espaço coletor é como se fosse um subcompartimento do espaço bucal. Espaço Sublingual Acima do musculo milo-hioideo fica o assoalho da boca que é o espaço sublingual, e abaixo do musculo milo-hioideo fica o espaço submandibular. Quando um molar drena para a língual (tem a raiz mais próxima da cortical lingual) e a infecção vai acima do milo-hioideo a infecção irá disseminar no espaço sublingual (casos de raízes pequenas), mas quando a raiz for longa irá para o espaço submandibular. O espaço sublingual e submandibular delimita as vias aéreas. Espaço Submandibular O espaço submandibular delimita as vias aéreas. Espaços formados pelos músculos da mastigação. São espaços secundário. Quando o paciente tem uma infecção que chega nesses espaços, é possível observar os sinais inflamatórios na área deles (edema...), em todos eles o paciente irá apresentar trismo. Dos espaços mastigatórios (secundário) o mais perigoso é o espaço pterigomandibular Espaço Temporal Superficial Localizado entre o musculo temporal e a fáscia temporal. Superficial ao musculo temporal. Espaço Temporal Profundo Localizado medialmente ao musculo temporal, entre o musculo e o crânio. Profundo ao musculo temporal. Espaço Pterigomandibular Localizado entre o ramo da mandíbula e o musculo pterigoideo medial. Espaço Massetérico Localizado entre o masseter e o ramo da mandíbula. Espaço Parafaríngeos São espaços perigosos. Temos 3: faríngeo lateral direito e faríngeo esquerdo e retrofaríngeo. A faringe é um órgão muscular em formato de tubo, constituída pelos seguintes músculos: músculo constritor superior da faringe, músculo constritor médio da faringe e músculo constritor inferior da faringe. Infecções no espaço retrofaríngeo estão localizadas através da faringe. Infecções no espaço faríngeo lateral fica lateralmente ao músculo constritor superior da faringe. Atras do espaço retrofaringeo temos a coluna vertebral e na frente temos os tecidos moles da parede da faringe. E o faríngeo lateral lateralmente a ele temos o ramo da mandíbula e medialmente a ele temos a parede da faringe que é tecido mole. Se temos edema ou pus nos espaços retrofaringeos ou faríngeos lateral o edema irá em direção a parede da faringe (tecido mole), ou seja, irá fechar a via aérea. Na frente da vertebra temos uma musculatura chamada de pré-vertebral, existe uma fascia que delimita essa musculatura chamada de fascia pré-vertebral. Quando a infecção fica nesta região, atras do espaço retrofaringeo chamamos de espaço pré vertebral (na frente das vertebras). O espaço retrofaringeo e pré-vertebral na literatura americana é chamado de danger space, porque ambos permitem que a infecção desça em direção do mediastino. Celulite: são infecções caracterizadas por processo inflamatório intenso e agudo sem formação de pus. Abcesso:são infecções caracterizadas pelo desenvolvimento de coleção purulenta. A infecção que se desenvolve como celulite tem a tendencia de envolver múltiplos espaços. A celulite é a fase mais aguda da infecção. O abcesso é mais circunscrito, porque está cheio de pus, possui evolução lenta. Ao necrosar a pele, a infecção drena sozinha. Na celulite não forma pus porque ou o paciente tem a imunidade baixa e as células de defesa não chegam no local da infecção (pus nada mais é que um emaranhado de células de defesa morta), ou seja, se não chega células de defesa não tem pus. Ou, quando a infecção é causada por uma bactéria muito agressiva, pois ela passa de um local para o outro muito rápido e não da tempo formar abcesso, por isso uma celulite é mais perigoso, pois sua evolução é muito rápida. Quando o abcesso cronifica e vira uma fistula, é preciso tratar o foco de infecção, pois caso a imunidade do paciente caia, ele pode evoluir e voltar a ser agudo. Em celulite evolução mais rápido e em abcessos não tão rápido. Sinais floogísticos: • Dor • Calor • Rubor • Edema • Perda de função Essas infecções fazem: • Linfodenopatias • Febre • Toxemia – bactérias produzem toxinas • Sudorese • Anorexia –devido a falta de apepite, dor ao abrir a boca, etc. • Oclusão papebral • Trismo – dificuldade em abrir a boca • Disfagia – dificuldade de deglutir • Disfonia – dificuldade de falar • Dispneia – dificuldade de respirar, obstrução de vias aeres. Princípio I: Determinar a gravidade da infecção Princípio II: Avaliar o estado dos mecanismos de defesa do hospedeiro. (histórico de comprometimento na imunidade, diabético e etc...) Princípio III: Decidir se o paciente deve ser tratado por um generalista ou por um especialista. Princípio IV: Tratamento cirúrgico da infecção (drenagem de abcesso, exodontia de dentes, aberturas endodônticas). Princípio V: Suporte médico para o paciente Princípio VI: Escolher e prescrever antibióticos apropriados Vemos aqui um paciente com um abcesso restrito ao periapice do dente, ou seja, abcesso dento alveolar. Não apresenta infecção nos tecidos moles, a infecção está restrita dentro do osso. Neste caso a drenagem é endodôntica. Neste outro caso, vemos que a infecção perfurou a cortical óssea e se acumulou em tecidos moles promovendo a elevação do fundo do vestíbulo. Neste caso é feito a drenagem dos tecidos moles. Pode ser feito endodonticamente, mas obrigatoriamente é a drenagem dos tecidos moles. Faz a incisão no ponto de flutuação, divulsiona, drena, e coloca o dreno de penrose. • Infecções difusas ou de espaços fasciais profundos (todas as celulites, alguns tipos de abcessos) • Infecções severas (febre, toxemia, trismo, disfagia...) • Imunossupressão ou imunodepressão Ex de infecção que não usa antibiotico: abcesso pequeno, bem localizado, circunscrito em um paciente sistemicamente saudável, o abcesso possui ponto de ponto de flutuação. • Antibioticoterapia empírica (microbiologia esperada) • Antibióticoterapia guiada por cultura e antibiograma Antibioticoterapia empírica: Antibioticoterapia empírica é escolhida com base no antibiograma do paciente. 1ª escolha (pacientes não alérgicos à penicilinas) • amoxicilina • amoxicilina + metronidazol (infecções sugestivas de anaerobiose) – Pus escurecido, cheiro forte... amoxicila 500mg e metronidazol 250mg • penicilina G cristalina + metronidazol (infecções severas com necessidade de hospitalização) 2ª escolha (pacientes alérgicos à penicilina) • clindamicina 300mg de 6 em 6h ou de 8 em 8h por via endovenosa • Infecções cervicais • Angina de Ludwig • Trombose séptica do seio cavernoso • Fasceite necrotizante São infecções que envolvem os espaços: faríngeo lateral, retrofaringeo, pré-vertebral. Essas infecções causam obstrução das vias aéreas e que muitas vezes podem trazer a infecção para o mediastino. Quando uma infecção atinge o mediastino, causa um quadro de mediastinite. Celulite de evolução rápida quem envolve espaços fáscias primários que delimitam as vias aéreas superiores. • Espações submandibulares • Espaços sublinguais • Espaço submentual Angina quer dizer “apertamento”, ou seja, apertamento das vias aéreas. Celulite que envolve os espaços sublinguais e submandibulares bilateralmente e o submentoniano, com grande aumento de volume regional, levando a elevação de língua com insuficiência respiratória e infecção de espaços cervicais podendo evoluir para regiões mais inferiores como o mediastino. É potencialmente fatal. É indicada drenagem dos espaços envolvidos e antibiótico IV (penicilinas). O tratamento é feito com penicilina e metronidazol, é colocado vários drenos e o paciente fica internado até ter uma resposta positiva. Complicação encefálica de evolução rápida que se desenvolve por disseminação de processos infecciosos pelas veias faciais. A infecção se dissemina para dentro da cabeça. O seio cavernoso está dentro da fossa craniana média, atras dos olhos, dentro do crânio. Localizado ao lado da sela turca. O seio cavernoso se comunica com a veia facial através da veia oftálmica superior, e se comunica com o plexo pterigoide através da veia oftálmica inferior. o espaço canino é perigoso porque a veia facial passa por dentro dele, e o espaço pterigomandibular porque o plexo pterigoide fica dentro dele. Dentro do seio cavernoso existem os nervos que fazem a movimentação dos olhos (oculomotor, troclear e o abducente), quando se tem o comprometimento do seio irá afetar esses nervos, o que irá resultar em alterações no funcionamento oftalmológico. Oftalmoplegia: olho caído Plefaropitose: pálpebra caída Infecção de evolução rápida que promove celulite difusa e necrose dos tecidos moles sem formação de abcesso. Comum em paciente imunodeprimido. Comprometimento do seio maxilar em relação ao procedimento odontológico. Histórico • Final do século XIX – George Caldwell (1893 EUA) e Henri Lucc (1897 FRA). • Criaram o acesso ao seio maxilar pela abertura na parede lateral da maxila. • Técnica de Caldwell-Lucc, é uma incisão entre o pilar canino e o zigomático. Anatomia O seio maxilar é uma cavidade fisiológica, localizada no terço médio da face. É uma cavidade óssea revestida por uma membrana chamada de membrana sinusal ou membrana de Schneider. É uma cavidade vazia com comunicação com o nariz e recoberta pela membrana sinusal. O seio serve para que quando respiramos o ar entre e chegue ao pulmão numa temperatura equilibrada. Até chegar ao seio o ar é filtrado através das penugens do nariz. Muitas vezes o seio tem uma intima proximidade com os dentes, o que gera preocupação na hora pro procedimento. Para saber se a raiz esta dentro do seio ou se é uma sobreposição é preciso pedir uma tomografia. • Cavidade fechada, não patológica (fisiológica) , de conteúdo vazio e revestida por uma mucosa fina e própria (Schneider). • Epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado, é uma membrana muito fina. • Remoção de partículas e bactérias rumo ao óstio O óstio é um buraquinho que comunica o nariz com o seio. ANATOMIA: Mucosa Sinusal • Espessura de 0,3 a 0,8 mm • Camada de muco é impulsionada para o óstio pelos movimentos ciliares (epitélio pseudo- estratificado ciliado). ANATOMIA: Óstio • O óstio sinusal maxilar une o seio maxilar ao meato médio da cavidade nasal • O entupimento do óstio, parcial ou total pode trazer falta de oxigenação no seio, consequentemente, ambiente favorável para bactérias >infecção. Pelo local anatômico (meato médio) onde o óstio fica localizado, sempre restará um pouco de muco. A sinusite odontogênica pode ter diversas causas, como obstrução do seio por exemplo. Fisiologia • Aquecimento do ar (ventilação) • Umidificação do ar (secreção de muco) • Diminuição do peso da face: osso maxilar é pneumatizado – 1% do pesodo crânio. • Diminui fadiga da musculatura do pescoço • Drenagem: impede a formação de processo infeccioso • Ressonância da voz Pressão positiva no interior dos seios maxilares + falta de estímulo ósseo alveolar (perda dentária). É possível ver a espessura do osso. Pessoas que perdem os dentes cedo ficam com o osso fino. No caso do implante no paciente que possui o osso como a imagem 2 é preciso fazer enxerto ósseo e levantamento de seio. Pressão positiva + pressão negativa = sem reabsorção Pressão positiva + pressão positiva = seio pneumatizado devido à pressão. A membrana do seio maxilar quando fica espessa fecha o Óstio, com o óstio fechado o aumento da secreção fica maior, gerando uma sinusite odontogênica. Exames imaginológicos preconizados para avaliação do seio maxilar são: • Rx periapical • Rx Panorâmico, • Rx Waters (Caiu em desuso) • Tomogarfia computadorizada Finalidade • avaliação anatômica; • alterações relacionadas ao seio maxilar; • planejamento cirúrgico; • avaliação dos resultados; • Sinusite • Corpos estranhos – dente, implantes, material endodôntico (limas, cones, cimento) • Cisto de retenção mucoso – mucocele • Comunicação e Fístula Buco-sinusal ➢ Pós extrações / cirurgias na região ➢ Uso inadequado dos instrumentos ➢ Fraturas ósseas Inflamação do Seio Maxilar pode ser: • Odontogênica • Não odontogênica Origem não odontogênica: alergias, irritação química, trauma facial (fratura). Apresenta maior % de bactérias aeróbias (precisam de oxigênio). Origem odontogênica: infecção periapical aguda, doença periodontal (ou endoperio), exodontias e procedimentos cirúrgicos na região posterior de maxila. Apresenta maior % de bactérias anaeróbias. Medicamentos de escolha: penicilina, clindamicina, clavulin. Iatrogenias/acidentes • Dentes – 3°molares, raízes residuais de molares. • Implantes • Materiais endodônticos (limas, cimentos, cones). Sutura em primeira intenção é quando conseguimos aproximar as bordas Sutura em segunda intenção é quando suturamos (normal). ACESSO CIRÚRGICO DO SEIO MAXILAR • Via Caldwell-Luc (quando não existe fístula) • Via Neuuman modificada com excisão da fístula + 2 relaxantes divergentes Acesso consagrado ao seio maxilar: Incisão de Caldwell-Luc • Retilínea em fundo de sulco vestibular de canino (após pilar canino) até molar (pilar zigomático) • Descolamento mucoperiostal • Ostectomia vestibular ovalada A incisão de Neuuman te da maior garantia de que não vai haver deiscência. • Formado pelo epitélio respiratório • Causa incerta • Coleção de muco no interior da membrana causada pela dilatação da glândula mucosa • Comum na população • Assintomáticos • Controles periódicos Comunicação buco-sinusal: Acidente cirúrgico que consiste no estabelecimento de um pertuito entre a cavidade bucal e o seio maxilar. Para retirar a fistula é feito a anestesia em locais com osso, depois realiza uma incisão circular onde tem osso, remove a fistula. Realiza duas incisões, descola, lima o osso e sutura por primeira impressão.. • Fraturas ósseas • Pós extrações / cirurgias na região • Uso inadequado dos instrumentos • Falha no diagnóstico a comunicação A sinusite causa uma inflamação, ou seja, gera o espessamento da membrana, e essa membrana acaba fechando (obstruindo) o óstio, causando desconforto. Acesso Caldwell-Luc: é realizado uma incisão em fundo de sulco de pilar canino à pilar zigomático (de canino a 1º molar). Faz o descolamento até o osso, realiza osteotomia (loja óssea). Sinusectomia: É realizada quando a membrana está muito danificada. É feita a remoção total da membrana do seio maxilar. Nesses casos é preciso colocar tela de titânio ou enxerto com o corpo adiposo da bochecha. Procedimentos imediatos à uma comunicação buco-sinusal: • Não irrigar o alvéolo para não contaminar o seio • Não curetar o fundo do alvéolo. • Certificar-se que a comunicação não fora causada pela penetração de corpos estranhos no seio maxilar. • Não colocar nenhum apósito (gaze) dentro do alvéolo para obliterar de imediato a comunicação. • Caso haja a penetração de um corpo estranho no seio maxilar, nunca tentar a remoção via alvéolo. • Deixar sempre para um novo tempo cirúrgico. • Sutura oclusiva (relaxantes) – aproximação das bordas da ferida, preservando coágulo. • Remoção de porção vestibular do alvéolo. • Orientar o paciente que não faça força para assoar o nariz, • Quando for espirrar deverá fazê-lo sempre de boca aberta, • Não tomar líquidos de canudinho, • Não fumar e não bochechar. No retalho palatina é feito a incisão e descolado até periósteo. A cicatrização é “aberta”, ou seja, mais dolorida para o paciente. Permanência de uma comunicação da cavidade bucal com o seio maxilar. Clinicamente: falta de continuidade da mucosa, tecido epitelizado do seio com a boca, escape de ar, saída de líquidos pelo nariz, congestão nasal e rinorréia mucopurulenta. Sinais e Sintomas • Seio maxilar velado no Rx • Gosto metálico na boca • Dor à palpação na região zigomática • Ao tomar líquido o mesmo retorna pelo nariz (vice versa) • Dor de cabeça (irradiada para nuca/pescoço) Pré-Operatório • Antibioticoterapia por 10 dias (anaeróbios beta-lactamase – Clavulin – clavulanato de potássio. • Uso de 2 a 4 gotas, 3x ao dia de Fluimucil solução nasal. • Inalação de Fluimucil antes de deitar Pós-Operatório • Retorno para acompanhamento em 5 dias • Remoção da sutura de 10 a 15 dias • Acompanhamento até 3 meses Eversão da Fistula: quando ela não é removida. É feito uma incisão, descolamento como se fosse uma aba de chapéu, e suturada, jogando para dentro do alvéolo. Cistos intra-ósseos: São definidos como sendo uma cavidade patológica, frequentemente revestida por epitélio e que apresenta no seu interior conteúdo fluído ou semi-sólido. Ocorrem em todas as idades, sendo mais frequentes nos adultos, não havendo diferença quanto a gênero e raça. O azul é demonstrado como o osso, o cisto está crescendo dentro dele. Em “lilás” vemos a capsula de tecido conjuntivo fibroso, revestida internamente por epitélio. A medida que cresce/expandindo vai absorvendo osso, ou seja, tornando a cavidade maior, crescendo dentro do osso. Aspectos Clínicos • Assintomático • Localização intra-óssea • Crescimento lento • Assimetria facial • Rompimento das corticais ósseas • Promove deslocamento dentários • Envolvimento de dentes inclusos • Nos infectados: dor – edema inflamatório • Palpação: pressão flutuante – crepitação hidrostática do líquido • Punção aspirativa: líquido amarelo citrino = cristais de colesterol Aspectos Radiográficos • Imagem radiolúcida bem delimitada circular ou oval – contendo halo radiopaco • Deslocamento dentário • Envolve ou não coroa de um dente • Comportamento indolente (ao remover o dente não possui recidivas) – exceto o Queratocisto Odontogênico (possui recidivas frequentes). Quando a lesão é bem delimitada a probabilidade de ser benigna é muito grande. O halo radiopaco é formado devido a uma esclerose óssea, causada pelo crescimento do cisto e osso quer se “refazer”. Vemos um corte axial, é possível ver o seio maxilar rechaçado, ou seja, o cisto empurrou o seio maxilar. Deviram do epitélio da odontogênese. Podem ser inflamatório ou de desenvolvimento. Cisto Inflamatório • Cisto periapical ou radicular – ocorre quando existe morte pulpar, se formam apartir dos restos epiteliais de malassez • Cisto periapical residual – na nova classificação não existe mais, é chamado de periapical. Esse cisto acontece quando o paciente já tinha um cisto e esqueceram de curetar depois da exo • Cisto paradental • Cisto colateral – acomete 3° molares, principalmente em semi-erupcionados Cistos de Desenvolvimento – ocorre a partirdo epitélio durante a formação do órgão dental. • Cisto dentigero • Cisto de erupção • Cisto gengival do recém nascido • Cisto gengival adulto • Cisto periodontal lateral • Cisto odontogênico glandular • Queratocisto odontogênico O queratocisto já foi considerado tumor, é uma incógnita se é cisto ou tumor. Ele possui comportamento parecido com neoplasia benigna, porém ele é invasivo e possui muitas recidivas. O surgimento dos cistos provavelmente está ligado aos resíduos epiteliais que permanece na região durante o processo da formação dentária, podendo estar associado ou não a processos patológicos inflamatórios. Temos os remanescentes epiteliais, que recebem estímulos desconhecidos e proliferam ilhotas de células. As células mais internas iram perder a nutrição, causando a morte. “Nutrição insuficiente, causada pela distância do tecido conjuntivo adjacente, favorecem a degeneração das células centrais, que por ação enzimática e liquefazem (formação de líquido).” O líquido possui uma alta concentração proteica e cristais de colesterol, gerando uma alta pressão osmótica, e essa pressão vai absorvendo o osso, dando o aspecto radiolúcido. A capsula cística funciona como uma membrana semipermeável, trazendo liquido dos tecidos. Isto faz com que a lesão cística apresente um crescimento lento e continuo, passando por quatro fases evolutivas bem marcadas. SEQUÊNCIA: Cápsula, formação de líquido, morte celular (liquefazem), formação de pressão interna, reabsorção do osso. 1. Silenciosa: sem manifestação clínica, encontrada geralmente em exame radiográfico de rotina. 2. Deformação: abaulamento das corticais ósseas decorrente do crescimento da lesão. É mais facilmente percepitivel na maxila que na mandíbula, devido à menor espessura das corticais maxilares, oferecendo menos resistência à expansão. 3. Exteriorização: aumenta da deformação em adelgaçamento das corticais ósseas, ocorre sua ruptura no ponto mais proeminente, o que possibilita à pressão digital a sensação de compressão de uma bola de “ping-pong”. Nesta fase ao abrir vemos a capsula. 4. Infecção: por comunicação com a cavidade bucal, através do periodonto ou eventualmente por via hematogênica (através do sangue), o cisto sofre um processo infeccioso agudo de grande repercussão e evolução rápida, que exige intervenção imediata com medicação antibiótica e drenagem. A drenagem é feita no ponto de flutuação. • Anamnese • Observações clínicas • Exames imageológicos • Inspeção extra e intra oral • Punção aspirativa (avaliar de sai liquido de cor citrina) Ao ter todas as informações coletadas do paciente é feito o planejamento cirúrgico. Escolha do tratamento depende da idade, tamanho, localização, agressividade e as estruturas anatômicas envolvidas. Enucleação Tratamento de ª escolha – ablação total da capsula cística. Remoção completa sem ruptura da membrana cística, por intermédio do seu deslocamento, deixando a cavidade óssea vazia, reduzindo a possibilidade de recidivas. É a terapia de escolha para cistos de dimensões menores e quando não há proximidade ou continuidade com estruturas anatômicas importantes. Técnica: • Anestesia – incisão • Descolamento mucoperiostal • Ostectomia • Descolamento da cápsula • Ablação total da capsula cística • Tratamento da cavidade (enxerto se necessário) • Avaliar • Suturar Curetagem Remoção total ou parcial da cápsula – biopsia incisional ou tratamento. Consiste na exérese pela raspagem no interior da cavidade patológica, após tentativa de enucleação. Ruptura da membrana cística, pelo fato de ficar friável, com auxilio de uma cureta. Marsupialização: abertura da capsula e sutura na mucosa oral. É pra descomprimir a lesão, faz uma incisão na lesão, abre uma janela óssea, tira a cápsula do cisto, drena um pouco, e costura o cisto aberto (mucosa com a capsula) formando uma “bolsinha”, isso faz com que não crie mais liquido no cisto, o osso se regenera e o cisto diminui, por fim cureta só que sobrou do cisto. Essa técnica tem como objetivo eliminar a pressão intra cística – neoformação de tecido ósseo. É feita uma incisão circular na mucosa. Preservar estruturas adjacentes em cistos grandes. Descompressão por dispositivo de drenagem Técnica de descompressão – semelhante a marsupialização, usando um dispositivo de drenagem. Precede a enucleação. Remanescentes da lâmina dentária sofrem mutação ou inativação do PTCH1 levando a uma serie de alterações celulares que culminam no aumento da proliferação celular e inibição da apoptose. Origem – lâmina dentária – crescimento difere do cisto radicular e dentígero – seu crescimento é inerente ao próprio epitélio ou atividade da parede cística – RECIDIVANTE. Predileção pela região posterior do corpo e ângulo de mandíbula. Crescimento antero-posterior difere de outros cistos e tumores. Pode estar associado a Síndrome de Gorlin-Goltz – Imagem uni ou multilocular. Tratamento: Enucleação + tratamento complementar Método físico (-196°C) – Crioterapia com nitrogênio líquido, para eliminação de células remanescentes no tecido ósseo por congelamento – diretas e indiretas. Uma das complicações é a necrose. O método mais utilizado é a ostectomia periférica que é realizada com brocas cirúrgicas (carbide) em toda a cavidade após remoção da capsula. Pode ser realizada por meio do uso de Piezo. Remover de 1 a 3mm. Tratamento Químico: enucleação =+ tratamento complementar. 3ml de clorofórmio 6ml de álcool absoluto 1ml de ácido glacial acético 1g de clorito férnico Neoplasia: crescimento proliferativo novo. Surge a partir de uma célula nova (nova porque surgiu a partir de uma mutação genética) Tumores odontogênicos são neoplasias ou hamartomas (distúrbio de desenvolvimento de um tecido) que se iniciam a partir do germe dental em formação ou de seus remanescentes embrionários, sejam epiteliais, ectomesenquimais ou de ambos. No período de desenvolvimento dos dentes pode-se ter a formação de um odontoma. Essa imagem nos mostra num corte sagital um embrião de um mamífero, por volta da 5° semana de vida intrauterina. Vemos a lâmina dentaria em desenvolvimento e um germe dentário em formação. Em rosa claro vemos o ectomesenquima. A formação de cada dente se da entre a interação do epitélio odontogênico e o ectomesenquima. Na coronogênese (fase de formação da coroa) os germes passam por 4 estágios (lâmina dentária, botão, campanula, formação da coroa e raiz). O esmalte vem do epitélio odontogênico, o restante vem do ectomesenquima (dentina, polpa..). Restos de Serres: restos da lâmina dentaria, que tem capacidade de formar ameloblastos. Quando temos um dente incluso é possível ver uma radiolucidez em volta da coroa. Ao remover o dente é preciso remover o capuz, esse capuz é chamado de epitélio reduzido. Esse epitélio reduzido é remanescente de epitélio odontogênico e pode formar cistos e tumores, o tumor que pode surgir é tumor odontogênico adenomatoide. Bainha epitelial de Hertwig: Surge das bordas do epitélio reduzido, essa baiana tem como função estimular a formação de dentina na raiz (Dentina radicular). Se a bainha se degenerar vai ter contato da dentina radicular com o folículo dental onde temos células que são capazes de produzir cementobastos, fibroblastos e osteoblastos, formando o periodonto de sustentação. Ao se degenerar os seus remanescentes (restos de malassez) ficaram dentro do ligamento periodontal. Formação dos remanescentes epiteliais: Lâmina dental – a lamina se degenera – formam os restos de Serres ao redor dos germes – esses restos de Serres na vida adulta ficam na gengiva e no osso alveolar – formação do epitélio reduzido do esmalte – desaparece nos dentes que erupcionam e continua em dentes inclusos – com a formação das raízes desenvolve os restos de malassez no ligamento periodontal. Os restosde malassez são responsáveis pela formação de um tumor raro que é o tumor odontogênico escamoso, e no caso de cistos forma o cisto radicular. No ectomesenquima temos a célula mensequimal diferencial (célula tronco odontogênica), localizada na polpa e no periodonto. Na polpa e no periodonto jovem temos grande quantidade de células mesenquimias. Posteriormente essa célula mesenquimal pode formar tumores ectomensequimais. OMS 2017 Tumores Benignos Tumores odontogênicos epiteliais: • Ameloblastoma (multicistico/sólido); • Ameloblastoma unicistico; • Ameloblastoma periférico; • Ameloblastoma metastizante; • TO escamoso; • TO epitelial calcificante; • TO adenomatóide; Tumores odontogênicos mistos: • Fibroma ameloblástico; • Tumor odontogênico primordial; • Odontoma: composto e complexo; • T dentinogênico de células fantasmas; Tumores odontogênicos mesenquimais: • Fibroma odontogênico; • Mixoma/ mixofibroma odontogênico; • Cementoblastoma; • Fibroma cemento-ossificante; Tumores Malignos Carcinomas Odontogênicos: • Carcinoma ameloblástico; • Carcinoma intra-ósseo primário; • Carcinoma odontogênico esclerosante; • Carcinoma odontogênico de células claras; • Carcinoma odontogênico de células fantasmas. Carcinossarmas Odontogênicos Sarcomas Odontogênicos 1. Periodonto (sustentação e proteção) 2. Capuz pericoronário de dentes não irrompidos 3. Áreas de dentes ausentes por agenesia 4. Ramo mandibular e tuberosidade maxilar Tumores recidivantes. Tumores epiteliais • Ameloblastoma • Ameloblastoma unicístico • TO escamoso • TO epitelial calcificante Tumores mistos • Fibroma ameloblastico • Tumor dentinogênico de cel. Fantasmas Tumores mesenquimais • Mixoma / mixofibroma odontogênico Comportamento Benigno Benignos crescem lentamente e tendem a apresentar margens bem definidas. Alguns são recorrentes. Comportamento Maligno Os malignos tem evolução variável, podem causar metástases e tendem a apresentar margens mal definidas. Desenvolvem-se em áreas que contém remanescentes celulares da odontogênese. Podem ser radiolúcidos, mistos ou radiopacos. Podem ser multi ou uniloculares. Tumores Odontogênicos Epiteliais Os epiteliais podem apresentar áreas de degeneração cística e os mesenquimais são sólidos. É uma característica exclusiva dos tumores /odontogênicos epiteliais. Um lóculo cístico é uma cavidade patológica que apresenta material líquido ou semi-sólido, revestimento epitelial e uma capsula conjuntiva externa. A degeneração cística acontece quando as células centrais ficam desprovidas de nutrientes, e vão levar a produção de degeneração cística. Tumor benigno odontogênico de origem epitelial, localmente invasivo, derivado de restos do órgão do esmalte e remanescentes da lâmina dental, 80% dos casos na mandíbula, geralmente ângulo e ramo ascendente, e 20% na maxila, geralmente na região dos molares, seios maxilares e assoalho de fossas nasais. Tipos de Ameloblastomas • Sólido ou multicístico - 85% • Unicístico – presença de cápsula -14% - 3 tipos • Mural -Luminal – intra luminal Ameloblastoma Luminal: é quando o epitélio neoplásico está restrito ao epitélio luminal. Lumen é a cavidade cística. Intra-luminal: o epitélio cresce em direção ao lumen. Mural: proliferam para dentro da cápsula. Dos 3 tipos, o mural apresenta a maior chance de invadir o osso e após a remoção da lesão gera recidivas. • Incidência - a partir da 4a década de vida • Localização Anatômica - Mandíbula • Crescimento lento, assintomático e infiltrativo ¨ • Grandes deformidades faciais • Imagens multiloculares- bolhas de sabão • Tratamento – Radical Características Clínicas • Lesão de crescimento lento • Assintomática • Localmente invasiva • Comportamento altamente recidivante • Compromete 80% mandíbula, região de ramo e ângulo • Reabsorve raízes • Causa deformações ósseas Tratamento – Ressecção A Ressecção é a remoção do tecido patológico, juntamente com uma margem de tecido saudável ao redor da lesão em um bloco único. São feitas osteotomias ao redor da lesão, respeitando essa margem de “segurança”. Para ameloblastomas a margem de segurança é de em torno 1cm. Esse resultado chegou por meio de estudos. Quem dita o tipo de ressecção que será feita, é a localização do tumor. Tipos de ressecção maxilomandibulares: • Óssea / de tecidos moles / composta • Maxilar (maxilectomia) / mandibular (mandibulectomia) • Total / parcial • Mandibular parcial: marginal /segmentar • Maxilar parcial: infra, mésio e supra estrutura. Ressecção Tratamento radical Remoção de um tecido ou órgão total ou parcial, sem contato direto com a área da lesão. Tipos: Simples (osso) e composta (osso+tecido mole). Total: mandibulectomia ou maxilectomia Parcial: marginal e segmentar Mandilectomia e maxilectomia são indicadas para tumores recorrentes extensos ou com comprometimento significativo dos tecidos mole. Preferencialmente sólidos. Maxilectomia Maxilectomia parcial infraestrutura: envolve processo alveolar sem a trepanação da via aérea superior, ou seja, sem comunicação buco nasal, ou buco sinusal. Raramente utilizada em tumores odontogênicos. Mas utilizada em tumores gengivais. Maxilectomia parcial mésioestrutura: com envolvimento do seio maxilar, ou seja, com comunicação buco nasal ou buco sinusal. Preserva o soalho da orbita. Maxilectomia parcial supraestrutura: não preserva o soalho da orbita. Mandibulectomia Mandibulectomia marginal: quando margeia o tumor, e o componente que sobra na mandíbula não fica segmentado. Mandibulectomia segmentar: quando o tumor for maior, e se estender para a base da mandíbula, é preciso incluir a base da mandíbula na margem de segurança, causando a segmentação da base da mandíbula. Mandibulectomia lateral: Quando compromete o processo condilar, o paciente fica desarticulado, ou seja, tem a perda da articulação temporomandibular. Uma das formas de reconstruir a mandíbula é a técnica do espelhamento. Após ter a mandíbula reconstruída virtualmente em material resinoso, é modelado uma placa de titânio é fixada na mandíbula de resina. Tratamento Conservador Tumores não recorrentes = Enucleação ou curetação Ostectomia periférica: após fazer a enucleação da lesão com uma broca é feito o desgaste da parede óssea, eliminando mecanicamente os resíduos tumorais. Aplicação de solução de Carnoy: feita após a enucleação, remove possíveis resíduos tumorais ao redor da parede óssea. Crioterapia: Aplicação de nitrogênio líquido, na intenção de congelar as possíveis células tumorais que ficaram na parede óssea. Tumor odontogênico de crescimento lento, localmente invasivo, atingindo mais a maxila que a mandíbula, geralmente a região dos molares perfurando a cavidade sinusal, ocorre entre a segunda e a terceira décadas de vida sem predileção por sexo. O aspecto radiográfico é considerado típico: área radiolúcida multilocular com margens bem definidas com trabéculas ósseas lembrando raquete de tênis, “teia de aranha. É formado por tecido mesênquimal, é 100% sólido. Acontece mais no periodonto de sustentação devido a presença das células mesenquimais indiferenciadas, que são as células que produzem o mixoma. É altamente osteolistica (Absorve osso), deixando os dentes com mobilidade. Não tem tendencia de absorver raiz de dente. Tratamento Excisão cirúrgica do tumor, contudo, devido ao grande volume que podem atingir e a consistência gelatinosa, associados à invasão local, a remoção completa nem sempre é fácil, podendo ser necessária ressecção maior para se eliminar toda a lesão. De grande recidiva e bom prognóstico, porém as deformidades causadas pela sua remoção são grandes. Enucleação + tratamento complementar = mixomas pequenos Ressecção: tratamento com margem O odontomaé uma alteração de desenvolvimento no tecido odontogênico. No odontoma vamos ter esmalte, dentina, cemento... mas com alteração de formato. É um tumor frequente. • Origem - Proliferação das células odontogênicas • Tecido mesenquimal que contém vasos • Encapsulado • Histologicamente estruturas dentárias, • Radiograficamente- área radiopaca • 1ª e 2ª década de vida • Assintomático • Anterior– Composto • Posterior- Complexo Odontoma Composto: é semelhante com um conjunto de pequenas estruturas que lembram dentes, mas com seu formato modificado. Comum na região anterior de mandíbula e maxila. Odontoma Complexo: Massa de tecido mineralizado todo misturado. Comum na região posterior de principalmente de mandíbula. Ambos odontomas apresentam borda radiolucida, que corresponde a capsula da lesão. Tratamento Cirúrgico conservador, com a remoção da lesão, apresenta ponto de clivagem o que facilita sua remoção. O tratamento consiste em remoção cirúrgica simples. Odontoma composto: realiza várias exodontias. Odontoma complexo: enucleação CTBMF é a especialidade que tem como objetivo o diagnóstico e o tratamento cirúrgico e coadjuvante das doenças, traumatismos, anomalias congênitas e adquiridas do aparelho mastigatório, anexos e estruturas crânio-faciais associadas. As áreas de competência para atuação do especialista em CTBMF incluem: • implantes, enxertos, transplantes e reimplantes; • biópsias; • cirurgia com finalidade protética; • cirurgia com finalidade ortodôntica; • cirurgia ortognática; • exodontias simples e de dentes inclusos e impactados; • diagnóstico e tratamento cirúrgico de cistos; • afecções radiculares e perirradiculares; • doenças das glândulas salivares; • doenças da ATM; • lesões de origem traumática na área bucomaxilofacial; • malformações congênitas ou adquiridas dos maxilares; • tumores benignos da cavidade bucal; • tumores malignos da cavidade bucal, atuando integrado em equipe de oncologia; • distúrbio neurológico, com manifestação maxilofacial, em colaboração com neurologista. O crânio é composta pelo esqueleto fixo da face e a mandíbula que está ligada pela articulação temporomandibular. O buco pode trabalhar do osso frontal ao hioíde. Quando falamos em fraturas precisamos ver a direção dessa fratura, qual intensidade do trauma.. Energia Cinética: A massa versos/vezes o volume ao quadrado dividido por dois. O resultado precisa ser maior que a resistência do osso para que exista fratura. Protocolo ATLS: A. Airway = vias aéreas B. Breathing = respiração e ventilação C. Circulation = circulação / controle de hemorragias D. Disability = incapacidade / deficiência neurológica E. Exposure = exposição Antes de começar a avaliação, devemos estabilizar a cervical do paciente com suspeita de trauma com alta energia cinética (acidades automobilísticos, quedas de grandes alturas, etc) em que há risco de lesão de coluna. Após essa etapa devemos nos apresentar ao paciente e fazer alguma pergunta. Caso o paciente responda, já consideramos que as vias aéreas estão pérvias. Em caso de ausência de respostas devemos realizar as manobras Jaw- Thrust (projeção da mandíbula) e Chin Lift (elevação do mento) para avaliar presença de corpo estranho. Após analisar a via aérea com as manobras acima, devemos usar a cânula de Guedel (ou cânula orofaríngea) para manter a via aérea pérvia. Por fim, antes de passar o colar cervical, devemos avaliar o pescoço através da inspeção e palpação para afastar pneumotórax hipertensivo: Tratamento imediato: paciente inconsciente • decúbito lateral (quando há hemorragia drenando na boca) • limpeza do sangue / muco ⇒ orofaringe • remover próteses/dentes avulsionados = risco de aspiração • queda da língua = sutura no dorso lingual / tração anterior • cânula de Guedel (mantém o posicionamento da língua e evitando obstrução das vias aéreas) • chin lift / jaw thrust • Intubação oro / nasotraqueal • Cricotireoidostomia: de urgência - até 72hs - Traqueostomia – eletiva (mais segura nos pacientes com lesão cervical ou da faringe) Cricotireoidostomia é uma manobra mais fácil que a traqueostomia. Incisionar abaixo do hioide, inserir um tubo. Isso diminui o sufocamento do paciente. É preciso tomar cuidado com a artéria tireóidea superior. Nessa etapa devemos realizar inspeção, palpação, ausculta e percussão. OBS: alterações detectadas nessa etapa podem indicar pneumotórax ou hemotórax. • Suporte ventilatório - AMBU / ventilador mecânico – • FR - troca gasosa pulmonar (O2 e CO2) • Ventilação adequada - 30-35 mmHg CO2 • Inspeção da expansão torácica (musculatura acessória) • Desvios de traquéia, cianose, ruídos Hemorragia é a principal causa de morte pós-traumáticas evitáveis. A hipotensão em doentes traumatizados é considerada hipovolêmica até prova em contrário. Hemorragias: tórax, abdome, retroperitônio e fraturas de ossos longos = levam a perda de sangue oculta. • Compressão manual / sutura dos tecidos moles • Ligaduras: carótida externa / facial / temporal / lingual • Tamponamentos nasais anterior e posterior: esfenopalatina / maxilar interna • Redução manual / imobilização temporária: mandíbula com deslocamento Nível de consciência: • AVPU • Escala de coma de Glasgow 12 - 15: normalidade 12 - 9: dano moderado 3 - 8: dano severo necessitando: Intubação e reavaliação do A e B • Análise da extensão das lesões • Controle do ambiente com prevenção da hipotermia • Analisar sinais de trauma, sangramento, manchas na pele. • Despir a vítima para detectar ou excluir novas lesões. • Medir a temperatura da vítima • Cobrir com cobertores aquecidos. • Cristalóides e infusões intravenosas aquecidas A. Anamnese B. Exame físico C. Medicação (antitetânica caso ele não saiba se tomou) D. Solicitação de exames laboratoriais e imaginológicos E. Conduta específica • Indivíduo consciente • Familiar / acompanhante • Agente etiológico – como, onde? ... • Perda de consciência • Doenças sistêmicas • Fumante / etilista / epilético / usuário de drogas – • Intolerância a medicamentos • Estado de imunização Sintomas Sintomas são aquilo que o paciente relata. • Dor • Amasesia: dificuldade para mastigar • Disfagia /odinofagia: dor ao ingerir alimentos • Dispnéia: dificuldade para respirar • Desarmonia oclusal (pode ser considerada um sinal) • Déficits neurosensoriais • Diplopia: visão dupla • Sialorréia: salivação em excesso • Amaurose: perda da visão • Oftalmoplegia: paralisia de um ou mais músculos oculares. • Anosmia: perda completa da capacidade de sentir cheiros A distopia causa a diplopia. A distopia é o desalinhamento do globo ocular, a distopia é um sinal e a diplopia é um sintoma. Palpação: • Bimanual / bidigital / bilateral / intra / extra-oral • Mobilidade / crepitação / degrau ósseo Sinais Sinais é aquilo que posso ver. • Edema: inchaço • Hematoma: acúmulo de sangue • Equimose: infiltração de sangue nos tecidos do corpo • Hemorragia • Laceração de tecidos moles e mucosa • Perdas dentárias • Ptose: pálpebra caída • Mobilidade / Crepitação / Degrau ósseo • Assimetria • Desoclusão • Limitação de movimentos • Desvio da linha média na movimentação mandibular • Epistaxe: sangramento nasal • Distopia: desalinhamento do globo ocular • Liquorinorréia: extravasamento do líquido cefalorraquidiano • Enoftalmia: deslocamento do bulbo ocular para o interior da cavidade orbitária • Exoftalmia / Proptose: olhos esbugalhados • Telecanto traumático: aplainamento da raiz nasal, aumento da distância intercantal • Otorragia: sangramento no ouvido • Hiposfagma: hemorragia subconjuntival • Hifema: sangramento no olho, entre a córnea transparente e a íris colorida. • Antimicrobianos • Antiinflamatórios• Corticosteróides • Analgésicos • Sedativos • Antieméticos • Antitetânica • Hemograma • Glicemia • Sódio • Potássio • Magnésio • Urina I • Uréia • Creatinina • TGO • TGP • Gama GT • Provas da coagulação: TS / TC / TP / TTPA • Gasometria • ECG Terço médio, maxila e zigomático • Frontal e Perfil da face - Caldwell (fronto-naso-placa) • Waters (naso-mento-placa) • Hirtz invertida • Perfil para ossos nasais Mandíbula • PA de mandíbula • Towne • Lateral oblíqua • Hirtz (axial) • Panorâmica TC – 3D A tomografia é o padrão ouro. Cortes tomográficos Axial Coronal Sagital Fratura - solução de continuidade óssea Disjunção - separação óssea pela sutura embrionária Cotos - as partes dos segmentos ósseos fraturados Redução - reposição óssea da fratura Cruento - com acesso cirúrgico e visualização direta da fratura Incruento - sem acesso cirúrgico e sem visualização direta da fratura Contenção - manutenção da estabilidade da fratura após redução Osteossíntese - fixação óssea com fio de aço FIR - fixação interna rígida com placa de titânio e parafusos bicorticais FIE - fixação interna estável com placa de titânio e parafusos monocorticais BMM / BIM - bloqueio maxilo mandibular (intermaxilar) Redução fechada (incruenta). Quando a fratura é pequena, ou é impossibilitado abrir o paciente pra redução aberta. Contenção: • Bandagens (Barton) • Tiras de couro • Amarras – fios de aço • Barras metálicas - Erich Goteira Cerclagens e suspensões: É utilizada em pacientes que fazem uso de prótese total. Feito com fio de kirschnner e agulha de reverdin. A fixação era feita no osso, com o fio e a agulha. Hoje caiu em desuso, pois existem parafusos. Fixadores internos Utilizado quando o paciente está impossibilitado por algum motivo. Hoje caiu em desuso. Redução aberta. É feito a incisão, e descolamento por planos. Fixação interna não-rígida: (osteossíntese) fio de aço aciflex n°2 – BMM 04 a 06 semanas. Fixação interna estável/rígida: com placas e/ou parafusos. A- Estável: miniplacas maleáveis com parafusos monocorticais. B- Rígida: 1. Placas espessas com parafusos bicorticais. 2. parafusos interfragmentários: (lag-screw): bicorticais – fraturas biseladas (Sagitais). O BBM é utilizado apenas no transoperatório. Monocortical: Bicortical: Lag screw: são bicorticais, para fraturas em bisel Considerações Gerais Osso único e móvel, é o único osso que se articula. Se articula com o neuro crânio através da articulação temporomandibular (ATM), a articulação temporomandibular é uma articulação ginglimoartroidal, ou seja, possui antagonista, porque a boca abre e fecha. Possui funções estomatognáticas, ou seja, mastigação, deglutição... A mandíbula possui formato de ferradura horizontal com abertura posterior (corpo), cujas extremidades livres saem dois prolongamentos dando os ramos ascendentes – ATM. As zonas de resistência são zonas em que o osso é mais denso, compacto. Protege estruturas importantes. • Trajetória mentual / sínfise • Trajetória basilar / marginal • Trajetória alveolar / dentária • Trajetória temporal Se interpõem as zonas de resistência. • Colo da mandíbula • Corpo da mandíbula • Ângulo da mandíbula • Processo Coronóide • Forame mentual (região de parasínfise) Anatomia Mandibular Inserções musculares Elevadores da mandíbula: responsáveis por fechar a boca. Masseter, temporal (o feixe posterior é responsável pela retrusão) e pterigoideo medial (Eleva a mandíbula na porção interna). Abaixadores da mandíbula: abrem a mandíbula. Músculos supra-hiódeos: milo-hioideo, digastrico. Não interferem tanto nas fraturas. • Acidentes domésticos • Agressões • Quedas • Acidente de trânsito • Trauma esportivo • Patologias • 3° molares impactados quando fragilizam a mandíbula. • Como aconteceu? • Onde? • O quê? • Perda de consciência? • O que sente? • Vacinas? Alergias? Cirurgias prévias? Buscar também por sinais e sintomas. Inspeção: Observação dos sinais clínicos. Palpação: palpação bilateral, procurar por degrau ósseo, procurar por deslocamentos verticais e horizontais. Apalpar o pavilhão auditivo, para vê se está preenchido com a cabeça da mandíbula. Sinais e sintomas: dor, edema. Hematoma, equimose, desoclusão, degrau oclusa, contato prematuro, crepitação, parestesia, disfagia, dispineia, sialorreia, incapacidade de movimentos mandibulares. Um sinal comum na fratura de côndilo unilateral é o desvio da mandíbula do lado do condilo fraturado. Exames Complementares Radiografias intrabucais: periapical, oclusal. Radiografias extrabucais: • Lateral obliqua de mandíbula: caiu em desuso, mostra todo o contorno mandibular. • PA (póstero-anterior) de mandíbula: caiu em desuso, usada para ângulo, ramo, sínfise e parasínfise. • Towne: específica para côndilo • Hirtz: usada para arco zigomático e basal da mandíbula • Panorâmica: eficiente em fratura de mandíbula. • O padrão ouro é tomografia computadorizada 2D e 3D. Regiões Mandibulares As regiões mandibulares vão determinar as fraturas em relação a anatomia. Em relação a região anatômica: Recebe o nome da região onde ocorreu a fratura. Ex: fratura de sínfise. A fratura de côndilo pode ser: Intracapsular: quando ocorre no alto, dentro da capsula. Extracapsular: quando ocorre mais para baixo. As fraturas extracapsulares se dividem em alta, média e baixa ou alta e baixa (subcondilar alta e subcondilar baixa). Em relação a direção do traço da fratura: Favorável: quando a direção do traço e a ação muscular tendem a trazer u fragmento contra o outro reduzindo-a. O masseter puxa a mandíbula para cima. Quem está mantendo os cotos unidos é ação muscular. A ação do masseter e a direção do traço da fratura faz com que os cotos fiquem unidos. O que determina se a fratura é favorável ou não é o traço da fratura, se o traço vai em direção ao musculo. Desfavorável: quando a direção do traço e a ação muscular tendem a afastar os fragmentos. O masseter e o pterigoideo medial afastam os cotos, criando um deslocamento. Neste caso ocorre um deslocamento horizontal (e vertical). Tipos de Fraturas Simples (fechada): linear de traço único, sem fragmentos intermediários, sem exposição (pele, mucosa ou ligamento periodontal). Exposta (aberta): comunicação do tecido ósseo e tecidos moles adjacentes (pele, mucosa ou lig. periodontal). Danos ao tecido ósseo e tecidos vizinhos Cominutiva: vários fragmentos diminutos que comunicam-se entre si. Geralmente por armas de fogo, fragmentos que se comunicam. Extensão da fratura Completa: separação dos segmentos ósseos Incompleta: separação de uma cortical óssea e deformação da outra cortical. - “fraturas em galho verde”: comuns em crianças - devido a flexibilidade óssea. Em relação ao lado que ocorre • Unilateral • Bilateral • Múltiplas Fratura bilateral de côndilo o sinal e mordida aberta anterior e contato prematuro posterior. Agente causador da fratura Traumática: impacto que leva à fratura Patológica: fragilização por uma alteração local, como nas patologias ósseas ou osteomielite. Mecanismo do Trauma Direta - fratura no local do trauma Indireta - fratura distante do local do trauma. O côndilo é a maior incidência. • Redução Incruenta / Cruenta • Contenção / Imobilização • Osteossíntese - Fixação óssea • Retorno funcional precoce • Devolver a posição anatômica óssea natural. • Guia = oclusão dental • Incruenta – sem incisão • Anestesia local Incruenta: sem incisão e visualização = sem deslocamentos /dento-alveolar. • Anestesia local • BMM rígido / semi-rígido: 04-06 semanas – 45 dias • Barra de Erich / aparelho ortodôntico / parafuso de bloqueio (IMF) • Contenção - Desdentados • Cerclagem • Fixação depróteses • Fio de Kirschner • Agulha de Reverdin Cruenta: acesso cirúrgico e visual à fratura - intra ou extraoral. Normalmente extra-oral para fraturas mandibulares. • Anestesia geral • Incisão + Redução + Contenção / Imobilização: • Guia: oclusão dental + anatômica óssea • Bloqueio maxilo-mandibular (BMM): rígido = trans-cirúrgico Redução cruenta: incisão por planos, porque a primeira coisa a se fazer é reduzir a fratura (Aproximar os cotos). Consolidação da fratura Incruenta: bloqueio maxilomandibular por 30 dias, com barra de Erich. Desvantagens e contra-indicações • Perda de peso • Higiene oral dificultada • Redução de capacidade ventilatório • Não cooperação do paciente • Uso de drogas • Doenças pulmonares • Refluxo gastro-esofágico • Distúrbios psiquiátricos Cruenta: osteossíntese (fio de aço, placas e parafusos). É preciso conter a fratura, para formar um calo ósseo. Caso a fratura não seja contida e fique movimentando o paciente tem uma pseudoartrose (ao invés de forma o calo ósseo para unir os cotos, acaba formando uma fibrose). Numa contenção cruenta com osteossíntese de fio de aço é preciso fazer o bloqueio maxilomandibular de 4 a semanas. Teve início na Suíça, em 1953. Princípios de gestão de fraturas: a) Exata redução anatômica (oclusão e BMM) b) Estabilidade absoluta dos fragmentos (FIR) c) Técnica atraumatica e proteção dos tecidos d) Mobilização precoce (recuperação nutricional) Compressivas • Desuso • Osteólise • Desadaptação na lingual • Aumento da largura facial • Técnica de Champy – década de 70 • Tamanho reduzido e maleabilidade • Facilidade de inserção e adaptação • Menor descolamento do periósteo • Parafuso monocortical. Monocortical: o parafuso entra pela cortical vestibular, e é parafusado no osso medular. Placas 2.0 e 1.8 são placas para fixação estável. Utilizadas em fraturas sem deslocamento, para pacientes com boa oclusão, mandíbula com quantidade de osso bom, padrão oclusal adequado. Placas 2.4 são placas rígidas. Utilizada com parafusos bicorticais. São utilizadas em mandíbula atrófica, maloclusão, fratura de difícil estabilização – desfavorável. • Acesso intra-oral • Todas as regiões da mandíbula • Afastadores especiais / Trocarte Região anterior: 2 placas: basal + sub-apical Região posterior: corpo – 1 placa sub-apical e ângulo – próximo a borda superior. Não necessita de BMM no P.O • Rosca para o parafuso na placa • Alta estabilidade • Permite degrau de até 2mm entre o osso e a placa • Diminui a perda de parafusos • Diminui a reabsorção cortical. Fraturas cominutivas são tratadas com fixação interna rígida (placas acima de 2.4 e parafusos bicorticais). Nos casos de FPAF (ferimento por arma de fogo) é utilizado a fixação interna rígida (placas acima de 2.4 e parafusos bicorticais). A sutura é feita por planos, primeiro é suturado o periósteo, musculatura, subcutâneo e a derme. Também é utilizado a fixação interna rígida (placas acima de 2.4 e parafusos bicorticais). É feito o bloqueio para guia de oclusão. É utilizado a fixação interna rígida (placas acima de 2.4 e parafusos bicorticais). Possui osso compacto, vascularização reduzida, reduzida estrutura óssea de contato no traço e a reparação da fratura é mais lenta. É utilizado a fixação interna rígida (placas acima de 2.4 e parafusos bicorticais). É utilizado a fixação interna rígida (placas acima de 2.4 e parafusos bicorticais). Utiliza também tela de titânio. Sinais e Sintomas • Dor e edema na região da ATM • Limitação de abertura e função • Desvio para o lado fraturado – unilateral • Mordida aberta anterior - bilateral • Assimetria – encurtamento do ramo O pterigoideo lateral joga o côndilo para medial tendo o desvio. • 2 placas – comportamento mecânico mais favorável. • Parafusos mais longos e com maior estabilidade • Placas TCP (é um modelo próprio para fraturas de côndilo) O acesso à fratura é pré-auricular. • É utilizado em tratamento cruento. • 2 ou mais parafusos. • Fraturas obliquas • Também associada a placas. • Perfuração externa permite deslize • Perfuração interna com rosca Côndilo é a região mais acometida 21% à 52%. • Adequada oclusão • Movimentação mandibular normal • Simetria mandibular e facial Exercícios mandibulares isotônicos leves • Abertura, fechamento, protusão dirigidos sem desvio; • Lateralidade contra-lateral; • Mastigação lado oposto – estimular lateralidade; • 8 a 12 sessões – 1x por semana; • Exercícios diários em casa, varias vezes ao dia; • Reavaliações. • Rápida consolidação das fraturas; • Densidade óssea – fratura em “galho-verde”; • Germes dentários; • Condilo como centro de crescimento Pode utilizar placar bioabsorviveis. Titânio: tolerância e possível osseointegração. Remover: desconforto a palpação, intolerância ao frio, parafuso solo e fase de crescimento. Questões: artefatos em TC e RNM, efeitos na biomecânica óssea e corrosão/linfonodos. Em tese o terço médio seria todo o espaço que fica entre a glabela e a espinha nasal anterior. Um osso importante que se encontra nesse terço é a maxila que está ligada a muitos outros ossos O terço médio é a parte central do esqueleto fixo da face. Seus limites são: 1. Superior: frontal 2. Posterior: esfenóide 3. Inferior: mandíbula 4. Cavidade nasal 5. Seio maxilar 6. Cavidade orbitária Os ossos do terço médio são unidos entre si por articulações fibrosos imóveis denominadas de suturas, portanto dificilmente termos uma fratura pura de maxila Podemos ter alterações neurológicas devido a uma fratura no terço médio pois o “teto” do terço médio é o “soalho” do terço superior. Por isso todo paciente poli traumatizado precisa fazer uma avaliação primária utilizando a escala de Glasgow Na região mais mediana superior do teço médio temos uma área delicada denominada de lamina cribiforme, que é formada pela lâmina horizontal do osso etimóide, ela possui esse nome porque é toda perfurada por onde passam as inervações do nervo olfatório, o primeiro nervo craniano. Portanto se tivermos uma fratura que envolva essa lamina teremos o rompimento dessas fibras nervosas gerando uma disfunção no olfato, podendo perder a capacidade de sentir cheiro (Anosmia) Acima da lamina cribriforme, envolvendo o encéfalo na porção frontal, temos a meninge, assim quando temos uma lesão que envolve a lamina cribifome podemos ter o rompimento dessa membrana e o extravasamento do líquido encéfalo-raquidiano (também chamado de liquo) para dentro da cavidade nasal, produzindo a rinoliquorréia/ liquorinorréia. No terço médio da face temos as órbitas que contêm os globos oculares, portanto em fraturas de terço médio podemos ter alterações oftalmológicas variadas como perda de visão, diminuição de visão, visão dupla (diplopia), disfunção na movimentação do globo ocular. A orbita é formada por 7 ossos: frontal, lacrimal, maxila, etimóide, esfenóide, zigomático e palatino. O formato da órbita é como de uma pirâmide deitada, ou seja, o ápice está para trás, a base é aberta e temos 4 paredes: superior, inferior, medial e lateral. A parede superior é formada basicamente pelo osso frontal, a parede medial (que é uma das duas paredes mais finas) pelo osso lacrimal, maxila e principalmente pelo etmóide. A parede lateral é formada pela asa maior do esfenóide e zigomático e a parede inferior é formada pela maxila Como a parede inferior da orbita é formada apenas pela maxila, uma fratura de soalho da orbita é por definição uma fratura de maxila O soalho da orbita é o teto do seio maxilar, portanto quando temos uma fratura de soalho de orbita temos uma fratura de uma das paredes (teto) do seio A cavidade nasal é formada por 14 ossos: frontal, etmoide, esfenoide, vômer, que são os ossos ímpares, depois temos os ossos que são pares: maxila, lacrimais,conchas nasais inferiores, palatinos e nasais se tivermos uma fratura em um desses ossos um sinal bem comum é o sangramento pelo nariz (epistaxe) Dentro desse terço médio também teremos os seios paranasais, e alguma fratura que envolva alguma parede do seio paranasal levará à sangramento nasal O zigomático não participa da formação da cavidade nasal, mas ele delimita o seio maxilar, então quando tem uma fratura do zigomático pode ter um sangramento para dentro do seio maxilar que vai sair pelo óstio e se manifestar pela narina A cavidade nasal tem como função ser uma via de passagem para o ar, então quando temos fratura de terço médio o paciente pode relatar obstrução nasal Portanto uma fratura de terço médio pode gerar alterações respiratórias, oculares, olfatórias, neurológicas. E como na maxila ainda temos os dentes, uma fratura de maxila pode gerar má- oclusões. A estética facial será alterada também, pois os ossos serão deslocados As fraturas de terço médio não apresentam muita dor, não é mito frequente, pois não são ossos que sofrem movimentação por parte da musculatura Ossos do terço médio da face Pares: maxilar, palatino, corneto inferior, lacrimal, nasal, zigomático Ímpares: vômer, etmoide A maxila é um osso par distribuído simetricamente na face. Cada maxila tem um corpo oco com 4 apófises: frontal, zigomática, palatina e alveolar. Na porção posterior da maxila localiza-se a tuberosidade que mantém íntimo contato com o processo pterigóideo do esfenóide fixado na parte anterior da base do crânio, dando estabilidade a maxila 2 maxilas: direita e esquerda que se unem por uma sutura, uma articulação fibrosa chamada de sutura intermaxilar ou interpalatina. A maxila é pneumatizada. A partir do seu corpo temos os processos: 1. Frontal: que vai para o osso frontal 2. Zigomático: que vai para o osso zigomático 3. Palatino: que vai para o osso palatino 4. Alveolar: contém os dentes superiores O processo alveolar da maxila irá se articular com os dentes, formando uma articulação chamada de gonfose Áreas comuns ao crânio afetadas nas fraturas: Toda a área do terço médio é inervada pelo ramo do trigêmeo 1. Fossa perigomaxilar 2. Fossa zigomática 3. Cavidades orbitais 4. Fossas nasais Desenho especial para transmitir forças mastigatórias a base do crânio Pilares e os arcos (áreas a serem reconstruídas no tratamento): pilar canino, pilar pterigoideo, pilar zigomático As fraturas de Le fort rompem os pilares, mas se distribuem por zonas de fragilidade Zonas de fragilidade: parede de seio maxilar, forames... Os pilares são reforços ósseos verticais que conferem proteção a face principalmente a base do crânio, contra traumas no sentido ínfero-superior Pilar anterior ou canino, nasomaxilar: inclui a margem piriforme lateral e superiormente o processo frontal da maxila e o processo maxilar do osso frontal Fratura: solução de continuidade óssea Disjunção: separação óssea pela sutura Etiologia: acidentes automobilísticos, agressões físicas, quedas de própria altura, acidentes esportivos e de trabalho Para fraturar os ossos do terço médio precisamos de uma energia cinética menor do que precisamos para fraturar a mandíbula, pois os ossos do terço médio são mais finos, mais delicados No terço médio temos diversas possibilidades de fraturas Incluem: maxila, zigoma e o complexo naso-órbito-etmoidal, classificadas em: 1. Le fort I, II e III 2. Complexo zigomático 3. Arco zigomático 4. Naso-orbito- etmoidais (NOE) 5. Fronto-naso-órbito-etmoidais (FNOE) Classificação das fraturas Em 1901, René Le Fort estudou as grandes fraturas maxilares e estabeleceu as zonas vulneráveis da maxila, classificando-as de acordo com suas lesões em: 1. Fraturas horizontais: le fort I ou de Guérin Fratura horizontal que passa acima do ápice dos dentes. Ela começa na borda da lamina cribiforme, corre pela parede anterior da maxila, depois corre pela parede posterior da maxila até fraturar o processo pterigoide. Dentro da cavidade nasal temo fratura do septo e da parede medial do seio maxilar Rompe pilar canino, se estende por uma zona de fragilidade que é a parede inferior do seio maxilar, depois rompe outra zona de resistência que é o pilar zigomático e segue correndo para trás a. Traço acima dos assoalhos da cavidade nasal e seio maxilar b. Até processo pterigóide do osso esfenóide c. Diferenciar de fraturas do processo alveolar d. Variante unilateral- associada à sagital 2. Fraturas piramidais: le fort II A fratura começa na região fronto nasal que é uma zona de fragilidade, depois passa pelo pilar canino, desce pela parede da cavidade nasal (outra zona de fragilidade), região de osso lacrimal, passando por borda infra-orbitária (que é uma zona de resistência: arco infra-orbital), passando pelo forame infraorbital, parede anterior do seio maxilar até cruzar a crista zigomático-maxilar (pilar zigomático) e segue o mesmo padrão da le fort I para trás Por passar pelo forame infra orbital é a fratura que costuma causar parestesia infra orbital, de asa do nari, lábio superior, pálpebra inferior. Então se o paciente relatar isso podemos já pensar em estar diante de uma Le fort II a. Alta: Base do nariz, lacrimal, parede medial da orbita até processo pterigoide do esfenoide b. Profunda: borda lateral da abertura piriforme até processo pterigoide do esfenoide 3. Disfunção crânio facial: le fort III ou horizontal alta Le fort III é uma fratura que separa a face do crânio, separando o vicero crânio do neuro crânio O inicio é parecido com a le fort II, iniciando na região fronto- nasal, soltando os ossos nasais, mas diferente da le fort II, ela não vai descer, mas seguir reto para trás pela parede medial da orbita. Rompe o pilar canino na parte superior, passa por uma zona de fragilidade que é a parede medial da orbita, depois muda para a parede lateral da orbita (outra zona de fragilidade) até chegar na região do pilar zigomático nas intermediações da sutura fronto-zigomático, rompendo-o , depois ela desce rompendo arco zigomático e processo pterigóide do osso esfenoide a. Separação de esqueleto facial da base do crânio b. Sutura fronto-zigomatica, parede lateral da orbita, fissura orbital inferior, lacrimal, sutura fronto maxilar, sutura fronto nasal, envolvimento variável do osso etmoide, sutura zigomático- temporal, processo pterigoide do esfenoide É interessante notar que os 3 tipos de fraturas irão romper todos os pilares da face, o que irá diferenciar são as alturas. Todas as fraturas terminam no processo pterigoide (pilar pterigoideo) Podemos ver que mesmo as zonas de resistência são fragilizadas pontualmente por algumas suturas, articulações, forames Anamnese: se o paciente não apresentar déficit neurológico Exame físico: precisamos investigar se não há outras lesões, até chegarmos num diagnóstico que o paciente tem apenas um trauma de face temos que excluir que ele não tenha uma lesão no crânio também por exemplo. É feito independente do quadro neurológico Para fazer o exame físico limpamos, realizamos a inspeção extra e intra oral, palpamos bimanualmente verificando mobilidade e sensibilidade. Palpamos as zonas de resistência e testamos a mobilidade dessas áreas Recurso de imagem: havendo a suspeita de fratura iremos realizar a radiografia Conduta de urgência o buco pode ser chamado na fase A e C do trauma para auxiliar nas seguintes situações: 1. Desobstrução das vias aéreas: intubação traqueal ou traqueostomia: não é o dentista que vai fazer, já que esse paciente estará sendo socorrido por uma equipe médica, mas o dentista faz parte da equipe multidisciplinar Coágulos, ossos fora de posição ou fraturados, próteses podem estar obstruindo as vias aéreas 2. Controle de hemorragia: tamponamento nasal anterior e tamponamento nasal posterior Fraturas de terço médio principalmente costumamcausar muito sangramento nasal e o dentista pode precisar tamponar na avaliação primária ou secundária para conter a perda de sangue Esse tamponamento pode ser feito pelo buco para tamponar podemos usar a sonda de Foley, uma sonda de borracha que possui um balão na ponta. Inserimos essa sonda pela narina e ela vai aparecer na garganta do paciente, puxamos até segurar pela boca, depois disso inflamos a sonda (o balão dela) e puxamos de volta pelo nariz , assim ela via travar esse balão na garganta do paciente caso não tenhamos essa sonda podemos usar uma sonda normal e no lugar do balão amarramos uma trouxinha de gaze. é importante deixar um fio saindo pela boca, pois senão, não tem como tirar a sonda depois esses descritos acima são tamponamentos posteriores, o tamponamento anterior é basicamente colocar gaze dentro do nariz. A escolha entre o anterior e o posterior vai depender de onde que vem a hemorragia, se é da porção anterior ou posterior Lesões associadas: TCE, cervical, politrauma Lesões de tecidos moes: sutura Sinais que podem ser observados nessas fraturas 1. Edema 2. Hematoma: seios paranasais (acúmulo de sangue dentro de um espaço) 3. Equimose periorbitária: derramamento de sangue mais superficial, um sangramento que forma uma mancha no tecido, mas não tem elevação tecidual O hematoma é mais grave que a equimose, pois o hematoma pode obstruir vias aéreas Por mais que não sejam graves, as equimoses são importantes indicativos de locais de fraturas, porque o que geralmente causa uma equimose é o rompimento do periósteo (membrana conjuntiva que reveste o osso). Pelo deslocamento do osso fraturado vai gerar um pequeno sangramento que se manifesta na pele ou mucosa sobrejacente à fratura Quando a equimose periorbitária se manifesta nos dois olhos é chamado de sinal de guaxinim Equimose hiposfagma: é um sangramento na porção branca do olho Uma equimose no olho sugere fratura le fort III, equimose dentro da boca sugere le fort I. SUGERE, não é um sinal patognomônico 4. Equimose subconjuntiva 5. Epistaxe 6. Enfisema subcutâneo: Na maioria das lesões envolve ossos do nariz, se esse paciente assoar o nariz, o ar vai passar pela fratura e vai se acumular na pele ou mucosa 7. Deformidade 8. Alongamento da face 9. Achamento da face 10. Telecanto traumático: aumento da distancia intercantal As nossas pálpebras são inseridas medialmente no processo frontal da maxila e no osso lacrimal. Quando temos fratura nessa região medial podemos ter um deslocamento da inserção da pálpebra lateralmente e assim teremos um alargamento da dessa distancia intercantal ( entre o canto medial do lado direito e esquerdo). Comparamos a distancia de um lado com a distância do outro lado 11. Falso prognatismo: quando tem um traumatismo os ossos do terço médio são deslocados para posterior, ficando com a maxila para trás, dando a falsa impressão de a mandíbula estar mais para frente 12. Maloclusão a. Mordida aberta anterior: porque a maxila desloca para trás e roda, abrindo a mordida b. topo a topo: ocorre quando a mandíbula desloca puramente para posterior, sem rotacionar c. Mordida cruzada: quando o deslocamento para posterior é muito grande d. Diastema= sagital: fraturas sagitais de maxila podem causar separação de dentes, chamadas de fraturas de lannelongue Tudo isso associado com mobilidade e. Mobilidade anormal: à palpação ou ao ocluir f. Crepitação: barulho de um osso raspando em outro osso g. Proptose (deslocamento do globo ocular para fora, também conhecido como exoftalmia) esse sinal pode ser indicativo de um hematoma retrobulbar (acúmulo de sangue atras do globo ocular). O hematoma comprime e estina o nervo ótico podendo gerar perda de visão (amaurose). propiramidal do osso palatino (le fort I e III) h. Enoftalmia (globo ocular deslocado para dentro): envolvimento da orbita Se temos uma fratura que aumente os limites da orbita ficamos com um espaço maior para caber o olho, assim ele entra dentro da orbita i. nariz em sela: envolvimento nasal : afundamento do nariz e do osso etmóide é uma característica das fraturas naso-orbito- etmoidais, que estão associadas ás fraturas le fort II e III exames complementares são usados para confirmar o diagnóstico como radiografias e tomografias observar: 1. bordas inferior e lateral da orbita 2. arco zigomático 3. parede lateral do seio maxilar 4. base do nariz 5. velamento do seio maxilar radiografias pedidas: 1. PA de face= maxila 2. Perfil da face= maxila. O paciente é posicionado lateralmente ao filme. O feixe pode ser restringido para pegar apenas os ossos do nariz, para visualização do dorso nasal. É importante para visualizarmos se há rotação horaria ou anti horaria do feixe fraturado 3. Pa de seios maxilares (Waters)= osso zigomático, borda inferir da órbita, assoalho da órbita, parede lateral do seio maxilar. É uma radiografia mento naso placa, o paciente posiciona o nariz e o mento encostado no filme PA: significa que é uma radiografia póstero-anterior. O feixe de raio x vem de trás para frente 4. Pa de seio frontal (caldwell): borda lateral da orbita Não é uma radiografia especifica para terço médio, pois mostra um pouco do terço superior, então é usada para associação, complementação de exame radiográfico. É uma radiografia fronto-naso placa, o paciente encosta o nariz e a testa no filme 5. Axial (hirtz): sobreposição É uma radiografia para mandíbula 6. Infero-superior (hirtz invertida): é uma radiografia para arco zigomático O filme é colocado acima da cabeça do paciente e o feixe de raio x é colocado abaixo do queixo, então imprime a imagem do arco zigomático 7. Oclusal da maxila 8. Tomografia: imperativo Objetivo: reabilitação máxima do paciente Inclui: 1. Rápida cicatrização óssea 2. Retorno das funções oculares, mastigatórias, nasal e fala 3. Resultados estéticos e dentários aceitáveis Redução da fratura: reposição dos segmentos ósseos em suas corretas posições anatômicas Fixação dos segmentos ósseos: imobilização no local da fratura Independente do tipo de fratura ou da abordagem cirúrgica usada, o procedimento inicial deve ser o posicionamento dos dentes em sua oclusão correta e a seguir, a redução (reposição dos segmentos fraturados, manutenção da reposição) apropriada das fraturas ósseas As placas restabelecem os pilares faciais, devolvendo contornos faciais, devolvendo contornos faciais adequados e estabilizam o máximo de fragmentos ósseos. As placas de fixação variam de espessura 1,5mm a 0,6mm. As microplacas permitem um melhor contorno ósseo, principalmente nos casos de fraturas cominutivas. Esses valores são os diâmetros do parafuso, quanto menor o diâmetro do parafuso a placa necessita ser mais delicada também. Podemos usar placas mais delicadas no terço médio pois não temos ação de músculos para deslocar a fratura As placas tem locais exatos para serem colocadas, sendo as zonas de resistência, jamais nas zonas de fragilidade As placas e parafusos de titânio são biocompatíveis. Normalmente não precisam ser removidas, exceto: 1. Caso estejam palpáveis 2. Infecção 3. Interfiram em uma cirurgia reconstrutora secundaria (implantes ou enxertos ósseos Le fort I Levamos o paciente para o centro cirúrgico, fazemos uma incisão para expor a fratura. Depois promovemos a redução da fratura com o fórceps de rowe. Ele possui uma ponta própria para se adaptar no palato e a outra dentro da cavidade nasal. A ponta maior, que possui uma curvatura é a que vai para a boca, pois essa curvatura é justamente para dar o espaço para os dentes incisivos e não gerar trauma neles. Depois se faz a fixação das fraturas O segmento fraturado contém: rebordo, paredes dos seios, palato e a parte inferior da apófise pterigóide do osso esfenóide Mobilidade transversa da maxila da direita para esquerda ede anterior para posterior e vice versa Impacto direto antero posterior na porção inferir da maxila A fratura pode deslocar para trás, para as laterais ou uma rotação, ficando retida pela força do impacto e não pelas forças musculares Podem ser uni ou bilaterais, havendo separação intermaxilar Na fratura de le fort I iremos utilizar 4 placas, 2 de cada lado. 1 placa no pilar canino ao lado da abertura piriforme e outra placa no pilar zigomático na região da crista zigomático maxilar. Na imagem temos uma placa adicional entre as maxilas pois existem fraturas alveolares associadas O acesso cirúrgico na le fort I é intraoral, com uma incisão no fundo do vestíbulo de 1° a 1° molar Bloqueio maxilo mandibular é a referência, é a contenção que utilizamos para restabelecer a oclusão do paciente Le fort II A fixação das placas será na margem infraorbital e em alguns casos na crista zigomática. Também são 4 pontos de fixação, só não iremos usar o pilar canino, iremos usar o arco infraorbital e pilar zigomático Incisão subciliar (abaixo da pálpebra) é uma das incisões que usamos no tratamento da le fort II Le fort III O arco zigomático é um local que só abordamos e fixamos quando são fraturas com grande deslocamento, grande instabilidade na redução Fixamos geralmente na região fronto nasal e fronto zigomático que conseguimos bem com incisões na área da fratura Utilizamos a incisão supraciliar, onde ela vem tangenciando o supercilio e para a região fronto nasal pode -se fazer uma incisão pequena na testa do paciente, na glabela, chamada de asa de gaivota Pinça de asch é uma outra que utilizamos Quando temos a fratura só na região da glabela não tem tanto problema na hora da intubação. Quando na tomografia visualizamos que tem extensão para base de crânio ou quando tem fratura nasal não se pode fazer intubação nasal e também não pode ser oral por causa do bloqueio maxilo mandibular. Nesses casos antigamente se traqueostomizava, mais recentemente tem-se uma incisão submento oro traqueal. Primeiro se intuba pela boca, faz a incisão na região submentual, essa ponta volta pelo acesso e aparece na incisão, ai intubamos pela incisão, assim ficamos com a cavidade nasal e oral livre É a região que se caracteriza pelo arco zigomático e pela parede inferior (soalho) da orbita, uma vez que esse soalho é formado em parte pelo osso zigomático. Algumas fraturas de zigomático, principalmente do arco, podem levar a obstruções do movimento da mandíbula, que pode ser uma das queixas do paciente Uma fratura de soalho de orbita envolve não apenas o zigomático mas também a maxila. Então uma fratura de orbita é uma fratura de maxila. As fraturas do complexo zigomático estão dentro do conjunto de fraturas de terço médio As fraturas do complexo zigomático envolvem o osso zigomático em si , o arco zigomático e as chamadas fraturas Blow out (explosão) que são fraturas que envolvem o soalho da orbita, é uma fratura onde o soalho da orbita explode Etiologia: acidentes domésticos, agressões interpessoais, quedas, acidentes automobilísticos, FPAF, acidentes esportivos Um soco no olho vai fazer com que o globo ocular seja incluído mais para dentro da orbita, aumentando a pressão, pressionando as paredes da orbita levando a uma fratura da parede mais frágil que é o soalho e a parede medial. As paredes lateral e superior são bem espessas. O soalho é onde ocorre a maioria das fraturas O osso zigomático é um osso par responsável pela projeção lateral e anterior da face. Ele participa da formação da orbita. 3 ossos importantes que vão se articular com o osso zigomático são: frontal, temporal e maxilar através das suturas frontozigomatica, temporozigomatica e zigomaticomaxilar respectivamente. Essas suturas geralmente são comprometidas numa fratura de zigomático Fraturas de arco zigomático são fraturas que envolvem o osso temporal A orbita tem formato de pirâmide deitada e é formada por 7 ossos: maxila, zigomático, lacrimal, etmoide, esfenoide, frontal e o palatino. A função da orbita é alojar o globo ocular, que é o órgão responsável pela visão. O globo ocular capta sinal luminoso para formação de uma imagem no cérebro A íris é a porção que dá a coloração dos nossos olhos, ela é um musculo do tipo esfíncter, onde as fibras são arredondadas e ao contrair ele vai fechar uma abertura. A abertura é o que chamamos de pupila, que é por onde a luz deve penetrar para ser captada nas porções mais profundas. Na frente da íris temos uma cobertura chamada de córnea, é a estrutura mais superficial, sendo uma membrana de revestimento. E existe uma cavidade que fica entre a córnea e a íris chamada de câmara anterior. Atras da íris temos o cristalino que é uma espécie de lente. E na região posterior temos o humos vitrio que é um líquido que preenche o espaço e a retina que é a parte nervosa representando a ramificação do nervo ótico que irão captar o estimulo luminoso Assim como temos a íris, um musculo interno, intrínseco do olho, também temos músculos extrínsecos, do lado de fora do olho, que possuem a função de movimentar o olho. Temos 6 músculos extrínsecos sendo que 4 são chamados de retos (pois tem uma disposição reta, são músculos retilineos) e 2 de oblíquos. Os retos ficam acima, abaixo, lateralmente e medialmente ao olho, sendo denominados de reto superior, reto inferior, reto lateral e reto medial. A função dos músculos retos é indicada pelo seu nome, por exemplo, reto superior move o olho para cima e assim por diante. O movimento do olho para medial podemos chamar de adução e o movimento para lateral de abdução, de supraversão o movimento para cima e infraversão o movimento para baixo Para que eu olhe para o lado direito, um olho vai virar para medial e outro para lateral. Já os outros 2 músculos, que são os oblíquos, chamados assim pois possuem uma disposição obliqua. Temos o obliquo inferior e o obliquo superior. Quando os músculos oblíquos contraem eles vão rodar o olho no sentido contrário da posição deles. O obliquo superior rotaciona o olho para baixo e o obliquo inferior rotaciona o olho para cima O obliquo superior é agonista do reto inferior e o obliquo inferior é agonista do reto superior na supraversão O obliquo inferior e superior também fazem movimento de lateralidade então também são agonistas dos músculos retos laterais e mediais Obliquo superior: infraversão e abdução (lateral) Obliquo inferior: supraversão e adução (medial) Para que esses músculos sejam movimentados eles precisam ser inervados . temos 3 nervos cranianos responsáveis pela movimentação dos olhos: 1. III par: óculo motor É o que tem a função de inervar a maior parte dos músculos: reto superior, reto inferior, reto medial e obliquo inferior. Também inerva o musculo que fica no teto da orbita mas que não movimenta o olho, que é o levantador da pálpebra, que é o musculo responsável pela abertura dos olhos e também inerva a íris, que ao promover contração a pupila se fecha 2. IV par: troclear Inerva apenas um musculo, o obliquo superior a estrutura em azul apontada pela seta é um tendão em formato de anel que faz uma polia pro musculo obliquo superior, pois esse musculo vem de trás da orbita e faz uma angulação nessa polia, mudando de direção, para se inserir no olho. Ele faz a angulação nessa estrutura chamada de troclea (polia). Por isso o nervo que inerva esse musculo é chamado de troclear, pois passa perto da troclea 3. VI par: abducente Inerva apenas um musculo. Como diz o nome ele faz abdução, portanto inerva o musculo reto lateral E temos nervos sensitivos que fazer a inervação do olho também. O nervo trigêmeo possui 3 ramos: oftálmico, maxilar e mandibular. No caso da orbita o nervo oftálmico vai pelo teto da orbita e o maxilar caminha pelo soalho da orbita. O ramo maxilar pode ser lesado em fraturas de soalho de orbita e fraturas do zigomáticona sua porção mais terminal que é o nervo infraorbital. O nervo infraorbital se for lesado pode gerar perda de sensibilidade (parestesia) na região. Outro nervo, responsável pela sensibilidade especial que é a visão, é o nervo optico, ele entra dentro do globo ocular Recobrindo a cavidade orbitária temos o musculo orbicular do olho que precisamos conhecer principalmente para realização de incisões. Esse musculo tem uma parte orbital que fica sobre a margem da orbita e tem uma parte palpebral que fica sobre as pálpebras. A parte fibrosa da pálpebra, a parte resistente, o fibroesqueleto é chamada de tarso, é a parte dura da pálpebra. Na pálpebra superior mede 1mm e na pálpebra inferior mede 5mm Na face temos zonas de fragilidade e zonas de resistência. Suturas, forames e paredes de seios paranasais são zonas de fragilidade, já as zonas de resistência são os pilares, arcos e vigas Pilar: zona de resistência linear e vertical Arco: zona de resistência linear horizontal Se tratando de fraturas do complexo zigomático, as áreas de resistência são pilar zigomático , que se inicia na região do processo alveolar do primeiro molar com a crista zigomática, correndo pelo corpo do zigomático, processo frontal do zigomático, processo zigomático do frontal e terminar por volta da linha temporal superior. No caso de arcos principalmente o infraorbital é lesado em fraturas do complexo zigomático e o arco zigomático que é outra área de resistência Para tratar uma fratura precisamos de uma área ideal para ancoragem dos parafusos que irão prender a placa, então procuramos sempre que possível uma área onde o osso é mais cortical, isso se aplica as zonas de resistência Áreas de fragilidade temos: sutura frontozigomatica, temporozigomatica e zigomaticomaxilar, sendo justamente onde o bloco ósseo se solta durante uma fratura. E o forame infra orbital , onde geralmente as fraturas vão passar, por isso alterações de sensibilidade na região inervada pelo nervo infraorbital ou até parestesia são comuns nesse tipo de fratura . Paredes de seio também são áreas de fragilidade, destacando o soalho da orbita juntamente com a parede anterior da maxila que são áreas formadas por tecido ósseo mais fino que delimitam um seio paranasal no caso aqui o seio maxilar. Soalho da orbita também representa o teto do seio maxilar Numa fratura blow out temos a perda de sustentação, perda de estrutura óssea e o herniamento de gordura que fica ao redor dos olhos juntamente com o musculo reto inferior, sendo uma característica da fratura blow out o encarceramento do musculo reto inferior. Isso gera comprometimento da movimentação do olho. Quando o musculo reto superior tenta girar o olho para cima isso não acontece pois o musculo reto inferior está continuamente puxando o olho para baixo já que está herniado Nas fraturas de corpo do zigomático, o bloco ósseo do zigomático é separado do restante da face. Em fraturas do arco zigomático apenas o arco é fraturado, que muitas vezes leva à limitação da abertura de boca. 1. Grupo I: sem deslocamento O osso quebrou, mas não saiu do lugar. Esse tipo de fratura tratamos apenas acompanhando, orientando a não comprimir o zigomático, não dormir em cima, não brincar com crianças no colo... não tem cirurgia no tratamento 2. Grupo II: fratura de arco zigomático Essa fratura envolve exclusivamente o arco zigomático. O trauma geralmente é de lateral para medial esse arco vai sofrer deslocamento para medial, assim temos um afundamento, assim é necessário um tratamento para reduzir a fratura, reposicionar a fratura. Como a movimentação do osso fraturado é para medial, o tracionamento será para lateral. A reposição é sempre no sentido contrário do deslocamento As próximas fraturas terão deslocamento, dependendo da direção da pancada ela pode deslocar para posterior ou inferior Já a rotação pode ser para medial ou para lateral. Para definir isso iremos usar o processo frontal do zigomático como referência, se o processo frontal se desloca para medial tivemos uma rotação para medial (rotação medial), se o processo frontal se desloca para lateral temos uma rotação para lateral (rotação lateral) 3. Grupo III: com deslocamento e sem rotações 4. Grupo IV: com deslocamento e rotação medial 5. Grupo V: com deslocamento e rotação lateral 6. Grupo VI: fraturas complexas São fraturas que dividem o osso zigomático em vários fragmentos A redução é sempre no sentido contrário do deslocamento e no sentido contrário da rotação Fraturas do tipo I, III, IV e V são fraturas que envolvem o corpo do zigomático, mas ele se solta num bloco único. No tipo VI temos o comprometimento do corpo do zigomático em vários fragmentos, em dois pedaços no mínimo. Um paciente traumatizado vai se submeter a um exame clínico em busca de sinais e sintomas, depois de ter a suspeita clínica de fratura pedimos exames complementares: rx waters, hirtz invertida e TC 3d, assim obtendo o diagnóstico. Tendo o diagnóstico elaboramos um plano de tratamento (redução e contenção). Diagnóstico Anamnese: sintomas, se o paciente estiver consciente. Um importante sintoma que pode indicar fratura de zigomático e/ou soalho de orbita é a parestesia infraorbital. Se essa parestesia for bilateral podemos pensar em uma Le fort II O paciente pode relatar alterações visuais como visão dupla, visão diminuída, embaçada ou até mesmo ausente Inspecionamos na busca de sinais clínicos de fratura, como por exemplo, equimoses principalmente, mas também hematomas. As fraturas de zigomático v=irão causar equimoses periorbitárias e conjuntivais Analisamos se encontramos degraus, mobilidade, crepitação... Exame físico: sinais Palpação: bi-manual 1. Margem infra e supra orbitária 2. Parede medial e lateral da orbita 3. Intra oral: pilar zigomático Sinais e sintomas 1. Dor na oclusão Ele não terá má oclusão, apenas dor ao ocluir 2. Dificuldade de abertura bucal Por conta do travamento do processo coronoide e do musculo temporal que se prende no processo coronoide no arco zigomático fraturado, deslocado. O musculo temporal vai inflamar por conta da porção fraturada do zigomático e vai gerar espasmos causando trismo 3. Degrau ósseo (diástase , separação) 4. Equimose/hematoma periorbitário 5. Equimose subconjuntival (hiposfagma) As equimoses surgem por rompimento de vasos capilares do periósteo Os dois sinais a seguir são indicativos de trauma no olho, então é necessário chamar um oftalmo para avaliar esse paciente 6. Quemose: edema na conjuntiva ocular 7. Hifema: sangue entre a córnea e a íris É o sangramento na câmara anterior do olho. Quando o paciente deita esse sangue espalha e oblitera totalmente a visão 8. Epistaxe: sangramento nasal quando o zigomático fratura ou o soalho da orbita ocorre o extravasamento de sangue para dentro do seio maxilar e pelo osteo ele sai pela cavidade nasal 9. Enoftalmia Deslocamento do globo ocular para dentro da orbita. Quando tem uma fratura de zigomático o tamanho da orbita aumenta, tendo mais espaço o globo ocular entra mais para dentro. Não é necessariamente poque houve uma pancada no olho que ele vai “intruir” 10. Exofitalmia Deslocamento do globo ocular para fora da orbita. Geralmente ocorre por hematomas atras do olho (retobulbares/ retroculares). O acúmulo de sangue causa uma pressão empurrando o olho para fora É perigoso pois estica o nervo ótico ao mesmo tempo que o comprime 11. Ectrópio/ entrópio Ferimento de pálpebra. Se não forem corretamente suturados pode ter retrações cicatriciais que evertem ou invertem a pálpebra. Um grande problema disso é a estética Ectrópio: pálpebra everte. A parte conjuntiva (rosada) fica exposta Entrópio: pálpebra inverte. A dobra da pálpebra ocorre para dentro Isso está muito ligado às incisões que fazemos para acessar as fraturas 12. Bleufaroptose: lesão da pálpebrasuperior, queda da pálpebra superior. O olho fica continuamente fechado. Isso pode ocorrer por uma fratura no teto da orbita, lesão do musculo ou lesão do nervo óculo motor 13. Amaurose: perda da visão 14. Parestesia- hipoestesia 15. Aniscoria: Alterações no tamanho da pupila A íris é responsável pelo tamanho da pupila, quando a íris contrai a pupila fecha. a. Midríase: pupila aberta b. Miose: pupila fechada As duas são reações que ocorrem fisiologicamente para controlar a entrada de luz, mas quando o paciente tem uma lesão traumática na face e afeta os olhos pode ter o desenvolvimento de uma midríase ou uma miose. A midríase está muito ligada a lesões no nervo óculo motor, porque se o nervo é lesado a inervação da íris fica comprometida e ela não vai contrair (fechar). Já a miose está muito ligada a lesão no musculo da íris, se tivermos um trauma no olho que inflame a íris ela vai sofrer espasmo e vai contrair Não é um sinal decorrente da fratura, mas pode aparecer juntamente com ela o dano no olho 16. Oftalmoplegia Paralisação do movimento ocular. Se tivermos dano nervoso podemos ter esse sinal. Quando temos fratura do soalho da orbita o tecido acima do soalho tem a tendencia de ter encarcerado nessa fratura, assim podemos ter o encarceramento do musculo reto inferior, que fica continuamente puxando o olho para baixo e o paciente não consegue fazer supraversão Assim quando pedimos para o paciente olhar para cima, um olho vira pra cima e o que tem a fratura fica parado. Como um olho vai subir e o outro não ocorre o desnivelamento da linha pupilar e isso gera visão dupla 17. Distopia Quando tem fratura do zigomático com deslocamento, se esse deslocamento for para baixo o olho perde a sustentação e acaba descendo um pouco, assim a pupila desse olho vai ficar desnivelada em relação a pupila do outro lado, sendo chamado de distopia Toda vez que tivermos distopia teremos como sintoma a DIPLOPIA. Esse tipo de diplopia só acontece quando os dois olhos estão participando da visão, por isso é chamada de diplopia bilocular. Se tamparmos um dos olhos como não mostrará a diferença do plano pupilar a imagem dupla será corrigida 18. Diplopia: visão dupla Diplopia bilocular não é causada por lesão no olho, mas por deslocamento de posição do olho, que ocorre por causa da fratura. Colocando a fratura no lugar e alinhando as pupilas a visão dupla é solucionada Quando o paciente tem um problema interno no olho como deslocamento de cristalino, descolamento da retina, pode causar visão dupla, como é derivada de um problema no olho em si é chamada de monocular, independe do outro olho, então mesmo que tampe o olho saudável a diplopia irá continuar. Essa diplopia não vai ser solucionada com a redução da fratura 19. epífora é uma sensação de choro constante porque o paciente não consegue drenar a lagrima a lágrima é formada na glândula lacrimal, que fica na parte supero-lateral da orbita e o sistema de drenagem fica na porção ínfero-medial. Temos dois canalicos, um que sai do ângulo medial da pálpebra inferior e outro que sai do ângulo medial da pálpebra superior, ambos vão drenar as lagrimas que estão na superfície dos olhos para o saco lacrimal que fica na orbita e depois vai descer pelo ducto naso lacrimal para dentro da cavidade nasal se o paciente tiver uma lesão de tecido mole que rompe o canalico lacrimal ou até mesmo uma incisão de acesso para tratamento de fraturas o paciente terá um comprometimento na drenagem e isso gera acúmulo de lagrima nos olhos e a lagrima começa a escorrer pela pálpebra, sendo chamada de epífora 20. dacriocistite É uma inflamação que ocorre por causa de um bloqueio no canal nasolacrimal Como o canalico está rompido, não está drenando as lagrimas, ele pode ser colonizado por bactérias e infeccionar gerando um processo inflamatório. Pode ter até drenagem de pus no ângulo medial da pálpebra inferior Radiografias Usamos a radiografia com projeção de Waters (mento naso placa) para visualizar o osso zigomático se há fratura, observando-as principalmente nas áreas de sutura. O seio maxilar que é radioluscido pode ser observado hematoma dentro do seio, tendo um velamento do seio maxilar, ficando meio radiopaco Para avaliação do arco zigomático especificamente usamos a radiografia de hirtz invertida Quando falamos de soalho temos que pensar no envolvimento de soalho orbital, tendo necessidade de tomografia. Utilizamos o corte coronal para avaliar o soalho orbital As reduções das fraturas zigomáticas são cruentas com base em um acesso cirúrgico, exposição da fratura e depois fixação dela A fratura de arco zigomático eventualmente fazemos um acesso percutânea, sem exposição da fratura, incruento. E não haverá fixação, pois pela anatomia que o arco possui geralmente não querem fixação Vias de acesso para redução e contenção das fraturas do complexo zigomático 1. margem infra orbital: transconjuntival, infraciliar, subtarsal, palpebral a incisão pode ser feita pelo lado cutâneo da pálpebra em 3 níveis (infraciliar, infratarsal e subpalpebral) ou pela via transconjuntival que é pelo lado conjuntivo da pálpebra (evertemos a pálpebra e fazemos a incisão) transconjuntival: em alguns casos usa-se uma manobra adicional que é a cantotomia, onde cortamos o canto lateral do olho. Tem uma estética ruim mas aumenta a amplitude do acesso. Em casos que vemos que precise de cantotomia é preferível que faça o acesso pela pele mesmo. A grande vantagem da técnica transconjuntival é a estética, já que a cicatriz ficará escondida infraciliar: podemos fazer em 3 níveis a. subciliar: 2mm abaixo da margem ciliar (onde contém os cílios). Muito boa esteticamente b. subtarsal: resultado estético muito bom, pois a cicatriz fica numa ruga palpebral . A incisão fica mais para baixo exatamente onde termina o tarso inferior (estrutura fibrosa, sendo a parte rígida da pálpebra).O tarso inferior possui 5mm c. Subpalpebral: é a que possui resultado estético menos favorável, a vantagem dessa técnica é a objetividade, pois fazemos a incisão próximo da margem infraorbital 2. sutura frontozigomatica: supracilicar lateral é feita nas imediações da sobrancelha, tangenciando-a na porção mais inferior da sobrancelha. Incisionamos até o periósteo e depois expomos a fratura 3. pilar zigomático: acesso de Keen (intra oral) incisão no fundo do vestíbulo, conseguimos expor a crista zigomática e também conseguimos um acesso tunelizado até o arco zigomático que permite sua redução 4. arco zigomático: keen, coronal, Gillies incisão no fundo do vestíbulo (keen) ou uma incisão na região temporal (Gillies). O acesso coronal promove uma grande exposição da face incluindo o arco zigomático e a sutura fronto zigomática Gillies: uma incisão acima da sobrancelha, na região do temporal indo até o subcutâneo. Incisionamos a fáscia temporal e introduzimos uma espátula Bristow (instrumental próprio para redução de arco zigomático) para baixo até o arco. A ponta do elevador de Bristow ficará medialmente em relação ao arco e realizamos o movimento de alavanca, empurrando o cabo da espatulo para medial, fazendo que a ponta dela empurre o arco para lateral 5. Percutênea: redução do zigoma com gancho de Ginastet/ Barros O gacho perfura a pele com a própria ponta e encaixamos na face interna do zigomático O parafuso de Carrol-Gyrard, nós fazemos uma pequena incisão na pele (3mm), fazemos uma perfuração do corpo do zigomático com uma broca e rosqueamos o parafuso até prender, depois podemos ir puxando que ele vai tracionando o zigomático para o lugar Abaixo do corpo zigomático Redução: tração para cima e para fora Efeitos da redução 1. Sutura zigomaticomaxilar: devolvo projeção lateral da face 2. Arco zigomático: devolvo projeção antero-posterior da face 3. Pilar zigomático: devolvo altura da face A primeiraque reposicionamos é a sutura fronto zigomática, porque meio que ela já vai dar a posição das outras Redução cruenta Vantagens 1. Inspeção do deslocamento 2. Redução perfeita dos fragmentos ósseos 3. Desaparecimento do degrau ósseo 4. Recuperação da simetria facial 5. Melhora da abertura bucal 6. Melhora da função ocular Ordem para fixação A redução deve posicionar no local correto ao mesmo tempo todos os pontos e depois disso promovemos as fixações na seguinte ordem: 1. Sutura frontozigomatica 2. Margem infraorbital 3. Crista zigomática 4. Reconstrução do soalho da orbita: o que mais se utiliza é tela de titânio, porque a maioria das vezes o soalho explode e não tem mais osso para reduzir, assim reconstruímos Nem todos os casos precisam da fixação do arco zigomático, mas tem casos que precisam, como em fraturas complexas, fraturas com muito deslocamento para posterior Blow Out Explosão do soalho orbital e herniação da gordura infra orbital para o seio maxilar. Distopia, enoftalmia e diplopia Reconstrução: malha de titânio, polietileno poroso (tem a vantagem de colocar em espessuras variadas), osso augógeno (retirado da calota craniana) Um dos objetivos da cirurgia é desencarcerar a gordura e o musculo reto inferior para que o paciente retome o movimento de supraversão