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Direito do Trabalho Demissão por Justa Causa POR: DAVI SOBREIRA, YAGO DINIZ, XXXX XXXX, XXXXX e XXXXXX A R T . 4 8 2 D A C L T Contexto Histórico A demissão por justa causa tem raízes históricas e acompanhou a relação empregador e empregado ao longo de gerações; Com a mudança de paradigmas diversas sociedades tiveram a matéria desenvolvida com base em valores culturais e sociais; Surgiu com o objetivo de abordar condutas consideradas graves como: roubo, negligência, insubordinação e outras condutas prejudiciais. Contexto Histórico Sua evolução… O trabalho existe desde a pré-história, quando o homem inventou instrumentos como a pedra lascada, o machado e o fogo; Desenvolveu atividades laborais como a caça, pesca, coleta e agricultura; O homem passou a viver em bandos e cada indivíduo tinha sua função: proteção, alimentação e abrigo; Aquele que não cumprisse com sua função perdia os privilégios, caracterizando uma demissão por justa causa. Contexto Histórico Império Romano & Era Medieval Em sociedades como a Romana e a Medieval as relações de trabalho as vezes estavam associadas a sistemas de servidão e a demissão por justa causa poderia ocorrer por comportamentos inadequados do empregado; A justa causa não existia como o conceito que temos hoje, antes ela era apenas moldada na tradição e de acordo com a sociedade da época. Contexto Histórico Idade Média A sociedade feudal era dividida entre senhores (donos de terras) e os servos, camponeses que trabalhavam em troca de moradia e proteção. Os nobres tinham a função de dar proteção e comida, os camponeses em troca trabalhavam e pagavam uma taxa; O trabalho era um castigo divino por seus pecados que acompanhava o homem em toda sua existência; Uma parcela da sociedade trabalhava e a outra se dedicava a orações e fins religiosos; A demissão por motivos específicos poderia ocorrer em caso do empregado trair o patrão, deslealdade ou descumprimento dos deveres. Contexto Histórico Era Moderna A escravidão virou algo comum; O escravo era considerado uma mercadoria e não um ser humano, perdia sua identidade, família e cultura. Como era a demissão por justa causa? A forma mais comum de demissão era a morte do escravo. Contexto Histórico Revolução Industrial Ocorreu com o crescimento urbano; Surgimento do operário; O salário era baixo e o trabalho era exaustivo; A justa causa da demissão era comum e poderia ser realizada por uma única falta no trabalho. A demissão por justa causa no direito do trabalho brasileiro possuí uma trajetória histórica marcada por transformações significativas; Seu embasamento legal remonta o código comercial de 1850, que estabeleceu o empregado como uma figura de confiança do patrão; A rescisão seria realizada em resposta a quebra dessa confiança como prejudicial aos interesses do patrão. No Brasil CLT Contudo, foi com a CLT de 1943 que a demissão por justa causa consolidou-se de forma abrangente. Inspirada em modelos da Europa, a CLT estabeleceu de forma taxativa as hipóteses que configuram justa causa. Por exemplo: atos de improbidade, Incontinência de conduta, mau procedimento e outros. Influência Alemã Internacionalmente o ordenamento jurídico que exerceu influência notável sobre a matéria no BRASIL foi o CÓDIGO CIVIL ALEMÃO DE 1896; Principalmente no que aborda sobre a culpa grave como fundamento para a rescisão do contrato de trabalho; Esse princípio contribuiu para a consolidação do entendimento brasileiro a respeito da justa causa, mas (obviamente) foi adaptado ao Brasil. A doutrina acompanhou essa transformação social Com o tempo as jurisprudências foram interpretadas de forma mais favorável, sempre analisando os dois polos da relação: empregado e patrão; A doutrina acompanhou esse processo de acordo com as mudanças de paradigmas. Qualquer problema é Justa Causa? NÃO! Somente casos objetivos e taxativos. A justa causa é exceção e os motivos estão no ART. 482 da CLT. Para casos mais simples existem outras medidas, como: ADVERTÊNCIA, SUSPENSÃO. Justa Causa Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo empregador: A seguir… Art. 482 da CLT: É aquele que caracteriza atitude desonesta do empregado que vai contra o patrimônio do empregador, quando ele tem má-fé. Exemplos: utilizar atestado médico falso, furtar objeto da empresa. A) ATO DE IMPROBIDADE B) Incontinência da Conduta ou Mau Procedimento IIncontinência da conduta: ocorre quando o empregado tem uma conduta desrespeitosa, como a prática de ato obsceno, ofensa ao patrão, bate boca etc. Mau procedimento: o empregado trabalha em uma transportadora e ao invés dele ter cuidado ao colocar as caixas no caminhão, joga as caixas de forma errada e proposital, assim causando prejuízo aos consumidores. No caso de falta leve (atrasos, falta injustificada, entregar um trabalho com muitos erros, esquecer de fazer uma tarefa importante, etc.), deve-se adotar punição leve e aumentar gradativamente, em cada reincidência, ou seja, para faltas leves, deve-se iniciar a penalidade com uma advertência, depois suspensão de um dia, suspensão de três dias, suspensão de cinco dias, justa causa, se for o caso. No caso de falta grave, tal como danificar um equipamento de altíssimo custo por negligência ou imprudência, a justa causa poderá ser aplicada na primeira ocorrência. A punição deve ser proporcional à consequência causada pelo ato ao empregador. E) DESÍDIA NO DESEMPENHO DAS RESPECTIVAS FUNÇÕES A embriaguez habitual, é aquela verificada mesmo sem relação com serviço, mas que diante de sua repetição, repercute na execução do trabalho; A embriaguez no serviço, isto é, durante a execução do contrato, ainda que não habitual. F) EMBRIAGUEZ HABITUAL EM SERVIÇO Quando o empregado falta ao trabalho de forma prolongada, quando ele não tem mais a intenção de retornar ao trabalho; O abandono de emprego acontece quando um empregado deixa de comparecer e realizar as suas atividades no trabalho por muitos dias seguidos sem dar qualquer justificativa ao empregador; Não há um prazo específico na CLT para caracterizar o abandono, mas geralmente 30 dias de ausência sem justificativa são considerados prolongados; E para comprovar que o empregado não tem intenção de retornar, cabe à empresa tomar medidas para notificar o colaborador e convoca-lo para o trabalho. Essas notificações podem ser por telegrama, carta com aviso de recebimento, notificação via cartória, e até mesmo por edital de convocação publicado em jornais de grande circulação. I) ABANDONO DE EMPREGO Se mesmo assim o colaborador continue faltando e não apresente justificativa, a empresa poderá comprovar, além das faltas, o seu desinteresse em retornar ao trabalho. E caso haja evidencias claras de abandono, como o empregado trabalhando em outro emprego no mesmo horário, o empregador não precisa esperar os 30 dias, provando o abandono, configura assim a justa causa; Contudo, é importante frisar que se o afastamento for justificado nos termos do art. 473 da CLT, como o motivado por doença ou para cumprimento de exigências do serviço militar, não se configura o abandono de emprego. I) ABANDONO DE EMPREGO J) ATO LESIVO DA HONRA OU DA BOA FAMA PRATICADO NO SERVIÇO CONTRA QUALQUER PESSOA, OU OFENSAS FÍSICAS, NAS MESMAS CONDIÇÕES, SALVO EM CASO DE LEGÍTIMA DEFESA, PRÓPRIA OU DE OUTREM O empregado se envolve em uma briga ao ponto de ofender, xingar, humilhar ou agressão física com o colega de trabalho e até mesmo com o cliente pode ser dispensado por justa causa; Calúnia, injúria ou difamação, contra qualquer pessoa no serviço no local da empresa ou onde esta exerce suas atividades compõem o ato lesivo da honra e boa fama. Calúnia: consiste em atribuir, falsamente, a alguém a responsabilidade pela prática de um fato determinado definido como crime, feita com má-fé. Exemplo: “O diretor está praticando desfalque na empresa”. Difamação: é um termojurídico, que consiste em atribuir a alguém fato determinado ofensivo à sua reputação, a sua honra, e se consuma, quando um terceiro toma conhecimento do fato. Exemplo: “O gerente de vendas possui um relacionamento sexual com a vizinha”. Injúria, Injustiça, falsidade, consiste em atribuir à alguém qualidade negativa, que ofenda sua honra, dignidade ou decoro. Exemplo: “Você é corrupto.” Calúnia vs Difamação vs Injúria J) ATO LESIVO DA HONRA OU DA BOA FAMA PRATICADO NO SERVIÇO CONTRA QUALQUER PESSOA, OU OFENSAS FÍSICAS, NAS MESMAS CONDIÇÕES, SALVO EM CASO DE LEGÍTIMA DEFESA, PRÓPRIA OU DE OUTREM Deve-se analisar neste conjunto a legítima defesa: Se o empregado agir em legítima defesa (a repulsa da força pela força diante do perigo apresentado pela injusta agressão); Não receber a comete justa causa o empregado que, agredido injustamente por outro empregado, usa dos meios disponíveis e necessários para repelir a agressão de que estava sendo vítima. AQUI MAIS ESPECIFICAMENTE FALA DO EMPREGADOR E SUPERIORES HIERÁRQUICOS: Vale lembrar que, por superior hierárquico, se entende aquele empregado que está numa posição acima, portando apto a dar ordens e de impor a disciplina no ambiente do trabalho; Portanto, o que caracteriza a condição de superior hierárquico para efeito da norma legal é quem está autorizado a dar ordens por delegação do empregador, ainda que esteja em situação de interinidade ou provisoriedade. Aliás, é normal numa empresa o superior hierárquico, no intervalo de refeição, deixar outro empregado respondendo pelo departamento enquanto estiver fora ou mesmo em período de férias; Ademais, não se pode esquecer que os empregados subordinados estão obrigados a cumprir ordens lícitas e recebidas de quem está no comando da seção sob pena de incidirem em justa causa sob outra roupagem (indisciplina ou insubordinação).