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Capítulo 126 Com um termômetro a gás de volume constante mediu-se uma pressão p G = 1,821 atm para o ponto de gelo. Vamos desenhar o gráfico da pressão versus a temperatura na escala Celsius. Temos: T G = 273,15 K Sendo a temperatura absoluta proporcional à pressão, temos: T p = 273,15 1,821 = 1,5 ⇒ T = 1,5p O gráfico é uma reta passando pela origem, como mostra a figura 20. Exemplo 7 273,150 p (atm) 1,821 T (K) Figura 20. Exercícios de Aprofundamento 29. (Vunesp-SP) Um bloco metálico, sólido, encon- tra-se a uma temperatura ambiente de 22 °C, quando é levado para o interior de um forno a 250 °C. Após entrar em equilíbrio térmico com o forno, o bloco terá sofrido uma variação de tem- peratura que, expressa na escala Kelvin, vale: a) 238 b) 228 c) 138 d) 128 e) 73 30. (AFA-SP) Um paciente, após ser medicado às 10 h, apresentou o seguinte quadro de temperatura: 10 11 12 13 14 t (h)0 40 38 36 θ (¼C) A temperatura desse paciente às 11 h 30 min, em °F, é: a) 104 b) 54,0 c) 98,6 d) 42,8 31. (ITA-SP) Para medir a febre de pacientes, um estudante de medicina criou sua própria escala linear de temperaturas. Nessa nova escala, os valores de 0 (zero) e 10 (dez) correspondem respectivamente a 37 °C e 40 °C. A temperatura de mesmo valor numérico em ambas as escalas é aproximadamente: a) 52,9 °C c) 74,3 °C e) −28,5 °C b) 28,5 °C d) −8,5 °C 32. Qual é o líquido mais gelado? A B C 220 K– 25 ºC 0 ºF 33. (OPF-SP) Qual é o valor de 68 graus Fahrenheit na unidade equivalente do Sistema Internacional de Unidades (aproximadamente)? a) 70 °F d) 21 °C b) 32 °F e) 293 K c) 70 °C 34. Determine a temperatura na qual a indicação na escala Kelvin é um valor igual ao dobro do valor na escala Fahrenheit. 35. (ITA-SP) Usou-se um termômetro calibrado em graus Celsius para se determinar uma tempera- tura. Caso o termômetro utilizado fosse calibrado em graus Fahrenheit, a leitura seria 62 unidades maior. A temperatura medida foi de: a) 103,0 °F d) 100,5 °F b) 102,0 °F e) 98,5 °F c) 99,5 °F 36. Calibrou-se um termômetro a gás e obteve-se o gráfico de pressão versus temperatura absoluta da figura. Determine: 373 8,00 7,46 T (K)0 p (atm) a) a temperatura correspondente ao ponto de pressão 8,00 atm mostrado no gráfico; b) a pressão relativa ao ponto de gelo. Capítulo 126 Il U St r A ç õ ES : ZA Pt CAPÍTULO 2Dilatação térmica Dilatação térmica 27 1. Considerações preliminares Quando um corpo sólido é aquecido, suas dimensões geralmente aumentam em virtude de suas moléculas ou átomos afastarem-se uns dos outros, como con- sequência da maior agitação térmica. Muitos fatos de observação comum indicam a ocorrência desse fenômeno: a maior difi culdade de se abrir um portão num dia muito quente, a estratégia de se aquecer o gargalo de uma garrafa para a retirada da rolha, etc. Em muitas situações, torna-se necessário compensar os efeitos da dilatação. As- sim, quando se faz um cimentado, as placas de concreto devem ser separadas por ripas de madeira ou de plástico (juntas de dilatação), que sendo compreensíveis “absorvem” a dilatação. Do mesmo modo, em estradas de ferro é necessário que as barras de trilho fi quem separadas por um espaço para permitir a dilatação. Nas grandes obras da construção civil, a dilatação térmica não pode ser negligenciada. Cálculos muito exatos têm de ser feitos levando em conta esse fenômeno, havendo comumente a necessidade de dispositivos especiais que permitam a livre expansão dos materiais, sem a qual toda a estrutura poderia fi car prejudicada, até mesmo com riscos de rachaduras, quebras e desabamentos. O estudo da dilatação térmica dos sólidos é experimental. Para facilitar esse es- tudo, costuma-se dividir a dilatação dos sólidos em três tipos, conforme o número de dimensões que são analisadas. Quando se analisa uma única dimensão, estamos estudando a dilatação linear. Para duas dimensões, temos a dilatação superfi cial e, para as três dimensões, a dilatação volumétrica ou cúbica. 2. Dilatação linear dos sólidos Através de experiências é possível verifi car que a variação do comprimento de uma barra (ΔL) depende do seu comprimento inicial (L i ) e da variação de tempera- tura que ela sofre (Δθ). Consideremos duas barras de metal, feitas de um mesmo material que apre- sentam, numa temperatura inicial θ i , comprimentos iniciais diferentes L i1 e L i2 . Ve- rifi camos que, sofrendo ambas a mesma variação de temperatura Δθ, dilata-se mais a barra que possui maior comprimento inicial, isto é, sen- do L i2 > L i1 temos que ΔL 2 > ΔL 1 (fi g. 1). Com boa aproximação, para intervalos de temperatura não muito grandes, verifi camos ser possível estabelecer que a va- 1. Considerações preliminares 2. Dilatação linear dos sólidos 3. Dilatação superfi cial dos sólidos 4. Dilatação volumétrica ou cúbica dos sólidos 5. Dilatação dos sólidos anisótropos 6. Variação da densidade com a temperatura 7. Dilatação térmica dos líquidos 8. Dilatação aparente 9. Comportamento anômalo da água L i 1 L i 2 ΔL 1 ΔL 2 Figura 1. Sendo L i2 > L i1 , ΔL 2 > ΔL 1 para o mesmo Δθ. z A P t Capítulo 228 riação de comprimento ΔL é, nas condições da experiência, diretamente proporcional ao comprimento inicial L i . Chamando de K 1 a constante de proporcionalidade, podemos então escrever: ΔL = K 1 · L i 1 Consideramos em seguida duas barras do mesmo metal que apresentam o mesmo comprimento inicial L i na temperatura inicial θ i . Sofrendo variações de temperatura diferentes, verificamos que se dilata mais a barra submetida a maior variação de tem- peratura. Na figura 2, sendo Δθ 2 > Δθ 1 , tivemos ΔL 2 > ΔL 1 . Po- demos estabelecer, dentro de certos limites, que a variação de comprimento ΔL é, nas condições da experiência, diretamente proporcional à variação de temperatura Δθ. Chamando de K 2 a constante de proporcionalidade, podemos escrever: ΔL = K 2 · Δθ 2 Analisando as equações 1 e 2 , podemos estabelecer que, para um mesmo ma- terial, a variação de comprimento ΔL da barra, quando ela se dilata, é diretamente proporcional ao produto do comprimento inicial L i pela variação de temperatura Δθ, valendo escrever: ΔL = α · L 1 · Δθ 3 A constante de proporcionalidade α que comparece nessa equação, que traduz a lei da dilatação linear, é denominada coeficiente de dilatação linear do material. Unidade do coeficiente de dilatação linear Isolando-se α da equação 3 , temos: α = (ΔL/L i ) Δθ O termo ΔL L i é adimensional, e o Δθ no denominador sugere que a unidade de α é a do inverso da temperatura. Geralmente usa-se °C–1 (recíproco do grau Celsius). No SI será K–1 (recíproco do Kelvin). Observemos que se trata de Δθ e que a unidade da escala Celsius é igual à da escala Kelvin. Por exemplo, o ferro tem coeficiente de dilatação 12 · 10–6 °C–1 ou 12 · 10–6 K–1. Tabela do coeficiente de dilatação linear É importante salientar que não sendo a proporciona- lidade acima referida muito rigorosa, mas apenas apro- ximada, o valor do coeficiente de dilatação linear para cada substância depende das temperaturas entre as quais está ocorrendo a variação. Assim, o valor do coeficiente para uma variação Δθ = 10 °C pode ser diferente, se esta ocorre de 20 °C a 30 °C ou se ocorre de 110 °C a 120 °C. Nos exercícios seguintes, não levaremos em conta esse fato, admitindo que o resultado obtido ou o dado forne- cido para α equivale a um valor médio correspondente ao intervalo de temperatura em questão. L i L i ΔL 1 ΔL 2 Figura 2. Sendo Δθ 2 > Δθ 1 , ΔL 2 > ΔL 1 , para o mesmo L i . Sólidos α (°C–1) alumínio 24 · 10–6 zinco 27 · 10–6 latão 19 · 10–6 cobre 17 · 10–6 ferro 12 · 10–6 vidro comum 9,0 · 10–6 vidro Pyrex 3,2 · 10–6 sílica (quartzo fundido) 0,5 · 10–6 Tabela 1. Coeficientes de dilatação de alguns sólidos. zA Pt 2