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366 UNIDADE 3 | ELETROMAGNETISMO A bússola norte geográfico sul geográfico A polaridade norte de um ímã em barra, suspenso pelo seu centro de gravidade e com liberdade para girar, naturalmente aponta para uma região próxima do norte geográfico. Ao suspender um ímã pelo seu centro de gravidade, de tal modo que possa girar livremente, este, depois de ficar em equilíbrio, estará numa posição em que seus polos estarão aproximadamente alinhados à dire- ção norte-sul geográfica do local em que se encontra. Por convenção, a extremidade que aponta para o norte geográfico da Terra foi chamada de polo norte (N) do ímã, e a extremidade que aponta para o sul geográfico da Terra, de polo sul (S) do ímã. Esta propriedade dos ímãs permitiu aos chineses a invenção da bússola, que trouxe, para os povos antigos, maior precisão nos deslocamentos por terra, mares e oceanos, sendo fundamental no período das grandes navegações. Ampliando o olhar Atração e repulsão As forças magnéticas de atração e repulsão mútua que os ímãs exercem entre si são tais que: Entre dois polos magnéticos norte, há uma força de repulsão. Entre um polo magnético norte e um polo magnético sul, há uma força de atração. Portanto: Polos magnéticos de mesmo nome repelem-se e polos magnéticos de nomes diferentes atraem-se. F2F SNNS NS F2F SNNS N S Entre dois polos magnéticos sul, há uma força de repulsão. NSS F2F SNN S NS NSNS 2FF S NN NS NS B a n c o d e i m a g e n s /A rq u iv o d a e d it o ra B a n c o d e i m a g e n s / A rq u iv o d a e d it o ra B a n c o d e i m a g e n s / A rq u iv o d a e d it o ra B a n c o d e i m a g e n s / A rq u iv o d a e d it o ra As bússolas nos fornecem, de modo aproximado, a direção norte-sul geográfica das regiões em que se encontram. O lg a P o p o v a /S h u tt e rs to ck 3CONECTEFIS_MERC18Sa_U3_Top1_p362a407.indd 366 9/13/18 9:48 AM 367TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO AO ELETROMAGNETISMO Maglev: os trens capazes de levitar! O nome Maglev é derivado do termo “Magnetic Levitation”. Maglev são trens que uti- lizam propriedades magnéticas para se mover. O sistema de trilhos é formado por dois con- juntos de fortes ímãs, um deles responsável por fazer o trem literalmente levitar, por meio da repulsão magnética, o que elimina o atrito que ocorre entre trens comuns e o solo, respon- sáveis por uma grande dissipação de energia por Efeito Joule (ou seja, gerando calor). O atri- to dos trens convencionais com os trilhos, além de desperdiçar mais energia, é um grande limitador da velocidade que tais trens conse- guem alcançar. O segundo sistema de ímãs dos Maglevs é responsável pela movimentação dos trens. Como o trem movimenta-se enquanto é levitado, ele é “empurrado” para frente por forças magnéticas, sem que haja necessidade de nenhum tipo de roda. Desse modo, além de conseguir alcançar velocidades bem maiores, em geral entre 300-600 km/h, esses trens são extremamente silenciosos e muito mais estáveis. Em geral, o que limita suas velocidades é o atrito com o próprio ar, mas, ainda assim, recordes de velocidade vêm sendo quebrados conforme a tecnologia evolui. O recorde atual de velocidade é do sistema japonês, que em 2015 conseguiu alcançar 603 km/h. Ao redor do mundo, os Maglevs ainda são minoria, quando comparados com trens convencionais. Isso ocorre em função do alto custo de implementação das linhas, já que tanto os trens quanto os trilhos utilizam uma tecnologia diferente e mais custosa do que os trens convencionais. Embora testes já tenham sido realizados em diversos países, Maglevs são utilizados comercialmente, até 2018, apenas no Japão, na Coreia do Sul e na China. Projetos de expansão das linhas existem nesses países, e lugares como Austrá- lia, Estados Unidos, Índia, Alemanha, entre outros, possuem projetos em andamento para implementação de linhas novas. JÁ PENSOU NISSO? Princípio da inseparabilidade dos polos Como já sabemos, todo ímã é sempre dotado de um polo magnético norte e um sul. Isso significa que, mesmo atualmente, não foi identificado nenhum ímã com apenas um polo magnético (também chamado de monopolo magnético). Se cor- tarmos um ímã ao meio, verifica-se que cada parte do ímã cortado se comporta como um novo ímã completo, com polos magnéticos norte e sul. Cada ímã cortado ao meio produz dois novos ímãs, cada qual dotado de um polo magnético norte e um sul. NSS NN SS SNS N S N NS B a n c o d e i m a g e n s /A rq u iv o d a e d it o ra Imagem mostra um trem Maglev percorrendo a linha de Shangai, na China. A imagem borrada da cidade ao fundo dá uma perspectiva da velocidade alcançada pelo trem magnético. c y o b o /S h u tt e rs to ck Se o corte de um ímã ocorresse indefinidamente, obteríamos, em nível micros- cópico, os ímãs elementares, mas mesmo nesse nível, os ímãs têm sempre seus dois polos magnéticos, norte e sul. 3CONECTEFIS_MERC18Sa_U3_Top1_p362a407.indd 367 9/13/18 9:48 AM 368 UNIDADE 3 | ELETROMAGNETISMO Terra, um gigantesco ’m‹ Por muito tempo, pensadores e cientistas buscaram explicações para o funcionamento das bússolas, que se orientam aproximadamente na direção norte-sul geográfica da Terra. Somente por volta do ano de 1600, na obra intitulada De Magnete, publicada pelo médico inglês Willian Gilbert, foi formulada uma teoria consistente para explicar esse fenômeno. As ideias de Gilbert apontavam para o fato de a Terra comportar-se como um ímã gigante. De acordo com Gilbert, os polos geográficos da Terra seriam também grandes polos magnéticos. A agulha magnética de uma bússola se alinha com o campo magnético resultante que interage com ela e, na ausência de outros geradores de campo magnético (como ímãs, por exemplo), o campo magné- tico resultante que irá interagir com uma bússola será o campo magnético da Terra. Em outras palavras, as bússolas, de fato, mostram a direção dos polos magnéticos da Terra, pois suas agulhas magnéticas se alinham com o campo magnético terrestre. Observação 1: A explicação a respeito da origem do campo magnético terrestre é, ainda hoje, objeto de muita discussão entre os cientistas. Sabemos que não existe um grande ímã no interior da Terra, é apenas uma analogia, um modelo. De fato, acredita-se que a movimentação de portadores de carga elétrica no interior da crosta terrestre em regiões de altíssima temperatura seja o fator fundamental para a existência desse campo, bem como o simultâneo movimento de rotação da Terra. Observação 2: Os polos geográficos e magnéticos não são coincidentes, mas bem próximos. Observação 3: Os polos magnéticos da Terra não são fixos, mudam de posição muito lentamente com o tempo, podendo inclusive ocorrer reversões, ou seja, trocarem de posição. Hoje sabemos que o polo magnético norte da Terra fica na região do polo geográfico sul, e o polo mag- nético sul fica na região do polo geográfico norte. Contudo, por muito tempo acreditou-se que o polo norte magnético fosse coincidente com o polo norte geográfico. Ainda é comum se ver confusões com a nomenclatura dos polos, principalmente quando se trata da agulha magnética de uma bússola. Embora saibamos que o polo magnético norte do ímã da bússola aponta aproximadamente para o norte, é importante deixar claro que este norte é o norte geográfico, pois, tratando-se de polaridades magnéticas, o correto é dizer que o polo magnético norte da agulha da bússola aponta (por ser atraído magneticamente) para o polo magnético sul da Terra. Ampliando o olhar B a n c o d e i m a g e n s / A rq u iv o d a e d it o ra O polo geográfico norte da Terra está próximo a um polo magnético sul e o polo geográfico sul da Terra está próximo a um polo magnético norte. N eixo de rotação da Terra S S N polo sul magnético polo norte geográfico polo sul geográfico polo norte magnético campo magnético 3CONECTEFIS_MERC18Sa_U3_Top1_p362a407.indd368 9/13/18 9:48 AM