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A BÍBLIA 
COMO LITERATURA
Uma leitura possível?
Dra. Aliana Georgia Carvalho Cerqueira
JOHN MACY – História da Literatura Mundial
Admitamos de princípio a Bíblia como literatura, livro de 
ler e apreciar, como o fazemos com todos os outros livros, 
pela sua beleza, poesia, sabedoria, seu interesse 
narrativo, seu valor histórico – todas as qualidades, enfim, 
que chamamos literárias.
É possível ler a Bíblia como 
literatura?
Em que sentido? 
O que o senso 
comum 
admite...
Histórias inventadas para 
deleitar. Ficção. Magia. 
Invenção. Conto da 
Carochinha.
O que o leitor 
mais experiente 
talvez pense...
Poesia em verso, salmos de 
David, Cantares de Salomão.
David tocando harpa para Saul
(Rembrandt Van Rijn, óleo sobre tela)
- ROBERT ALTER
“…a Bíblia tem muita coisa a ensinar a
qualquer pessoa que se interesse por
narrativa, pois sua arte – que parece simples,
mas é maravilhosamente complexa – é um
exemplo magnífico das grandes
possibilidades da narrativa.”
Admitir a Bíblia como Literatura 
1. Universalidade – abrange todos os conhecimentos, clássico - atual;
2. Inspirou obras de Milton, Thomas Mann, Kirkegaard, Brecht, Hemingway, 
Faulkner, C. S. Lewis, Tolkien, Guimarães Rosa, Machado de Assis, e 
outros;
3. Utiliza a linguagem de modo peculiar: jogo de sonoridade, de sintaxe, 
ambiguidade deliberada, repetições, paralelismos, figuras de linguagem;
4. Aspectos artísticos literários próprios de gêneros do modo narrativo;
5. Escrita em verso ou prosa, possui poesia e lirismo.
“A abordagem da Bíblia de um ponto de
vista literário não é de per si ilegítimo:
nenhum livro poderia ter uma
influência literária tão pertinaz sem
possuir, ele próprio, características de
obra literária.”
(FRYE, 2004, p. 14)
O problema dos formalistas x abertura moderna:
releitura de textos antigos
1. As funções da linguagem separam cada campo da vida independente um 
dos outros: função poética e f. referencial não se misturam;
2. A vida e arte não se separam. A estética e a ética possuem relações 
dialógicas;
3. Gêneros discursivos: língua, discurso e vida;
4. Gêneros literários: recurso disponível não somente para produção 
ficcional.
Contradição entre a fé e a arte?
1. Estudar os aspectos literários não significa ignorar a pesquisa histórica,
descobertas arqueológicas e conceitos teológicos;
2. A abordagem literária aproxima-se do texto de modo respeitoso,
considerando-o como TEXTO, investigando suas categorias,
características próprias;
3. A arte literária não anula a historicidade.
Se o texto é inspirado por Deus, como pensar em explicá-lo usando 
categorias desenvolvidas para compreender uma atividade de 
natureza tão secular, individual e estética quanto a literatura 
ocidental moderna?
Importante para a leitura
“Prestar atenção a esses detalhes artísticos será
útil para entender de forma mais completa o
sentido de cada texto. Isso obviamente não
significa abrir mão das ferramentas tradicionais da
exegese das passagens bíblicas, nem do conceito de
história, mas é olhar para o texto como um
elemento completo e com sentido próprio sem
determiná-lo por concepções historicizantes.”
(LIMA, 2012, p. 16)
Uma abordagem 
literária da Bíblia
Estratégia de escrita, registros de uma época
01
O papel da arte literária na Bíblia
Conformação da narrativa: 
1. Elementos internos da construção de sentidos de uma narração:
a. Enredo (relação entre os acontecimentos de uma história);
b. Caracterização dos atores – semelhante às personagens;
c. Ponto de vista – narradores diferentes, diferentes focos, olhares;
d. Tempo – repetições, presságio, duração, flashback, flash forward, 
anacronismo;
2. Escolha exata de palavras e detalhes, ritmo da narração, 
movimentos de diálogo, teia de relações ramificadas pelo texto;
3. Funcionamento da narrativa e a interação com seu contexto.
Exemplo de análise (por Robert Alter)
Funcionamento da 
narração
Elementos 
internos
Própria de gêneros e 
modos disponíveis no 
tempo dos autores 
bíblicos.
Técnica
Escolha de palavras, 
ênfases, modalidades de 
escrita – prosa e poesia.
Linguagem
Resumo da história
Gênesis 38
Até a túnica de cores tem 
seu significado.
A história de José e um incômodo interlúdio
1. História intercalada – entender seu funcionamento e material narrativo adjacente;
2. A história de Tamar e Judá, narrada entre o episódio da venda de José por seus irmãos e 
o aparecimento do jovem como escravo no Egito;
3. Suspense, ligações com o tema entre a história de Tamar e a de José;
4. MacArthur já indicia uma análise mais coerente do ponto de vista literário: 
a. Interlúdio – tudo está em seu lugar. Rubem, Simeão e Levi. Judá poderia acender 
ao posto de primogênito, mas também não era correto. 
b. Contraste: caráter imoral de Judá x virtude de José;
5. Versículos do capítulo 37: 
a. Manipulação dos filhos de Jacó (expresso pelo uso de verbos do imperativo 
“Reconhece, é ou não é a túnica de teu filho?”/Ele a reconheceu e disse...);
b. Jacó imagina a própria explicação funesta da evidência, e o diz em versos.
Versos no meio da prosa
1. O verso usado por Jacó:
a. Paralelismo semântico, corte do verso:
“É a túnica de meu filho! Um animal feroz o devorou,/José foi 
despedaçado.”
Hayáh ra’ah’ akhaláthu/taróf toráf Yoséf
2. Versos que foram apagados na tradução, mas que o original mantém:
“Poesia é linguagem potencializada, e a passagem para o verso formal
sugere um elemento de autodramatização na maneira como Jacó
entende a insinuação da suposta morte do filho e a declama em versos
metrificados para a plateia de familiares.”
(ALTER, 2007, p. 17)
Ruptura abrupta, porém proposital
1. A expressão da dor de Jacó
a. Versificação;
b. Exagero no luto: especificação e sinonímia com que são descritas 
as manifestações de seu luto;
c. Paralelismos: Rubem rasgou as suas vestes ao pensar que José 
estava morto. Enquanto Jacó chora o filho morto, os madianitas
vendem o rapaz vivo aos egípcios.
2. Início do capítulo 38: fórmula ambígua de indicação temporal – “por 
esse tempo”;
3. Digressão que estabelece pontos de contato com a narrativa principal 
por meio de paralelos e contrastes explícitos.
1. Paralelo: afastamento de Judá, afastamento de José – “Judá se separou de seus 
irmãos”. Mesmo verbo “desdeu de”/”desceram com José ao Egito”;
2. Justificativa temática a essa conexão: a história de Judá e seus descendentes, a 
história de José e do próprio livro de Gênesis estão centradas na revogação da 
lei da primogenitura – um irmão mais moço perpetua a linhagem. 
a. Ismael/Isaac;
b. Jacó/Esaú;
c. Rubem/Judá
d. Er/Peres/Zara...
e. Manassés/Efraim
3. Narra-se, de um só fôlego, o nascimento dos três filhos de Judá. 
Posteriormente esse nascido de um incesto ocuparia a linha messiânica;
4. Situações paralelas: 
a. Excessos na demonstração de luto de Jacó ;
b. Ausência de manifestações de luto de Judá por seus dois filhos, mortos 
em sequência.
–Robert Alter
“A narrativa bíblica recorre a ações ou situações 
paralelas, de modo que uma comente a outra.”
Paralelismos
O enganador é enganado
1. Cabrito com que mancham de sangue a túnica de muitas cores – enganando 
Jacó com as vestes emblemáticas de seu amor por José;
2. Cabrito prometido a Tamar como pagamento, Judá foi enganado com seus 
pertences que indicavam sua identidade;
3. Reconhecimento: 
a. “Reconhece se é a túnica de teu filho”
b. “Reconhece a quem pertence esse cajado? Judá os reconheceu”;
c. “Desfecho da história de José: José os reconhece, mas eles não o 
reconhecem.
4. Judá foi enganado com uma peça de roupa, assim como seu pai.
Contrastes
1. Da história de Judá para a de José:
a. Um desmascaramento devido a um ato de incontinência 
sexual;
b. Uma derrota aparente que vem a ser um triunfo da 
continência sexual – José e a esposa de Potifar;
1. Mesmos verbos e substantivos, repetição proposital para a 
comparação.
• haker-na e vayaker / reconhece e reconheceu
• gedi‘izim e se‘ir‘izim /cabrito prometido e sanguede um bode
Integridade literária das 
narrativas bíblicas
“A articulação literária da narrativa concede aos leitores uma
informação privilegiada que é negada a Judá, e dessa maneira o elo
entre cabrito e cabrito, reconhecer e reconhecer, compõe um padrão
de ironia dramática em que o leitor sabe de alguma coisa que o
protagonista desconhece, mas bem devia saber.”
(ALTER, 2007, p. 27)
Unidade: 
leitura 
contínua
Analogia indireta
1. Parte do processo de construção de sentido da história, aproximação 
entre:
a. Traição dos filhos de Jacó (Gn 37)
b. Ardil da nora de Judá (Gn 38)
2. Indicada, não tematicamente inequívoca – sutilezas da literatura;
3. A análise literária objetiva observar as modalidades de uso engenhoso 
da linguagem:
i. Variações no jogo de ideias;
ii. Convenções
iii. Dicções e sonoridades;
iv. Repertório de imagens;
v. Sintaxe
vi. Pontos de vista narrativos
vii. Unidades de composição, etc.
Leitura com olhar literário
Exemplos...
1. Diferenciar narrativas de diferentes escritores em diferentes períodos 
históricos:
a. Cultura do AT e do NT, impérios, língua, escrita
2. Escritas para atender a diferentes requisitos de gênero e tema:
a. Uma forma para falar aos judeus, outra aos gentios etc.
3. Ciclo psicologicamente completo das histórias de David;
4. Estrutura propositadamente esquemática do livro de Jó;
5. Narrativas com graus de especificações culturais – vestuário, costumes 
cortesãos, artefatos, do livro de Ester.
O próprio texto é consciente de sua condição de discurso 
engenhoso
1. Gn 38 - brilhante composição da história como uma complexa
totalidade artística;
2. Abordagem literária é mais precisa e menos conjectural que a
histórica;
3. Quando mais se examina uma narrativa antiga, mais se reconhece a
complexidade e a sutileza da sua organização formal e de sua
exploração temática;
4. Com poucas palavras, a narrativa bíblica possibilita a reflexão sobre
a complexidade das motivações e a ambiguidade do caráter humano
– fruto da sua visão do homem;
Alter
“…quase todas as formas de narrativa bíblica
encarnam essa percepção básica de que o
homem deve viver em face de Deus, no tempo
que se transforma, em incessante e complicado
relacionamento com os outros; e uma visão
literária das operações narrativas pode nos
ajudar, mais que qualquer outra coisa, a ver de
que maneira essa percepção se traduziu em
histórias que exerceram influência tão
poderosa e duradoura em nossa imaginação.”
(2007, p. 43)
A história sagrada e a 
prosa de ficção
História e Literatura
02
A história e a ficção 
1. Intenção primária da Bíblia: teológica, não literária;
2. Mas seus autores usaram recursos literários para transmitir suas mensagens;
3. Fusão entre o estudo teológico e o literário;
4. A história tem relações mais estreitas com a ficção do que se supõe:
a. Há uma base comum às duas modalidades de narrativa – histórica e 
ficcional;
b. Não são atividade idênticas, compartilham estratégias narrativas, 
construções imaginativas. 
5. Diferenças – manter-se dentro dos limites de fatos históricos 
reconhecidos x aludir com dinâmica própria, como criação ficcional 
independente.
“Um exemplo claro são as narrativas patriarcais, que podem ser vistas como
ficções compósitas, baseado em tradições nacionais heterogêneas; mas a
recusa dos autores a conformá-las às simetrias da expectativa, somada a suas
contradições e anomalias, sugere o caráter insondável da vida na história sob
um Deus inescrutável.”
“... assistimos ao nascimento de um novo tipo de ficção historicizada, que se
distancia constantemente dos temas e usos do universo da lenda e do mito”
(ALTER, 2007, p. 46)
“[...] apesar de seu caráter religioso, e independente de concepções
normativas ou reivindicações de inspiração, os autores bíblicos foram,
antes de qualquer coisa, escritores, e utilizaram recursos literários para
transmitir suas mensagens.”
(LIMA, 2012, p. 17)
Estudar o texto bíblico de uma perspectiva literária é ir além de
preocupações estéticas, antes uma fusão entre o conceito de teologia e o
conceito literário, este último lança luz ao estudo do primeiro.
Uso da prosa
1. Entre os povos antigos, somente Israel escolheu expressar suas tradições nacionais em prosa;
2. Rejeição deliberada do modo épico , adoção da prosa nas narrativas;
3. A flexibilidade da prosa:
a. importante para que a escrita bíblica recusasse a circularidade estável do mundo mitológico e se 
abrisse à indeterminação, às variáveis causais, às ambiguidades de uma ficção elaborada para se 
aproximar das incertezas da vida na história;
4. Não mais uma narrativa como repetição ritual, mas como os caminhos imprevisíveis da liberdade 
humana, peculiaridades e contradições de homens e mulheres considerados como agentes morais, 
complexos em razão e sentimento;
5. Acontecimentos, caráter e ações das personagens inspirados na perspectiva da realização dos desígnios 
de Deus através da história;
6. Prosa historicizada, entrelaçamento entre história e ficção – preenchimento de lacunas.
“A Bíblia defronta-nos com uma literatura cujo impulso
inicial parece meramente educativo ou informativo, sem
lugar para o simples deleite. Se, no entanto, não nos
dermos conta de que os criadores da narrativa bíblica eram
escritores que, como quaisquer outros, entregavam-se à
exploração dos recursos formais ou imaginativos de seu
meio ficcional, [...] perderemos grande parte do que as
histórias bíblicas têm a nos dizer.”
(ALTER, 2007, p. 78)
Recurso estilístico - humor
(varia segundo a cultura, época...)
O rei Nabucodonosor fez uma imagem de ouro que tinha vinte e sete metros de altura e dois metros e setenta de largura,
que ele levantou na planície de Dura, na província da Babilônia.
Então o rei Nabucodonosor mandou reunir os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os juízes, os tesoureiros, os
magistrados, os conselheiros e todos os oficiais das províncias, para que viessem à dedicação da imagem que o rei
Nabucodonosor tinha levantado.
Então se reuniram os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os juízes, os tesoureiros, os magistrados, os conselheiros e
todos os oficiais das províncias, para a dedicação da imagem que o rei Nabucodonosor tinha levantado. E ficaram em pé
diante da imagem que Nabucodonosor tinha levantado.
Nisto, o arauto proclamou em alta voz: — Ordena-se a vocês, pessoas de todos os povos, nações e línguas,
que, no momento em que ouvirem o som da trombeta, da flauta, da harpa, da cítara, da lira, da gaita de foles e de todo tipo
de música, vocês se prostrem e adorem a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor levantou.
Quem não se prostrar e não a adorar será, no mesmo instante, lançado na fornalha de fogo ardente.
Assim, quando ouviram o som da trombeta, da flauta, da harpa, da cítara, da lira e de todo tipo de música, pessoas de todos
os povos, nações e línguas se prostraram e adoraram a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor tinha levantado.
No mesmo instante, alguns homens caldeus se aproximaram e acusaram os judeus.
Disseram ao rei Nabucodonosor: — Que o rei viva eternamente!
O senhor, ó rei, baixou um decreto, ordenando que todo homem que ouvisse o som da trombeta, da flauta, da harpa, da
cítara, da lira, da gaita de foles e de todo tipo de música deveria se prostrar e adorar a imagem de ouro, e que todo aquele
que não se prostrasse e não adorasse seria lançado na fornalha de fogo ardente.
Há uns homens judeus, que o senhor, ó rei, pôs como administradores da província da Babilônia: Sadraque, Mesaque e
Abede-Nego. Esses homens fizeram pouco caso do senhor, ó rei; não prestam culto aos deuses do rei, nem adoram a
imagem de ouro que o senhor levantou.
Daniel 3:1-20
Humor: exagero, ironia
Ou quem de vocês, se o filho pedir pão, lhe dará uma pedra?
Ou, se pedir um peixe, lhe dará uma cobra?
Ora, se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas aos seus 
filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará 
coisas boas aos que lhe pedirem?
— Portanto, tudo o que vocês querem que os outros façam avocês, façam também vocês a eles; porque esta é a Lei e os 
Profetas.
Mateus 7:9-12
Narrativa de José (Gn 42-45) 
1. O choro de José: o padrão de intensidade crescente das três repetições não
compõem apenas uma simetria formal por meio da qual o escritor dá forma
e ordem à história, mas é a reconstituição de um processo emocional no
herói, desde o momento em que 22 anos de raiva começam a se desmontar
até a hora em que ele consegue revelar sua identidade aos irmãos;
2. Diálogos e repetições de falas de personagens – dar ênfases, mostrar
contrastes;
3. Desenvolvimento da oposição temática entre conhecimento e ignorância –
o desconhecimento por parte de Jacó e seus filhos (do destino de José e da
configuração moral subjacente à família.
Conclusão
1. Histórias cativantes, das melhores jamais contadas;
2. Ilustram de modo inesquecível como o trabalho com a linguagem possibilita 
um conhecimento mais complexo da natureza humana, das intenções divinas 
e dos fios fortes que vinculam Deus e o homem;
3. A perfeição artística da história está ligada ao uso cuidadoso e inventivo da 
maioria das técnicas da narrativa bíblica:
a. A utilização de palavras-chave temáticas;
b. Reiteração de motivos;
c. Sutil definição de personagens, relações e motivações pelo diálogo;
d. Exploração da repetição literal e variação significativa;
e. Mudanças de posição do narrador, da reticência estratégica e sugestiva à 
eventual síntese onisciente;
4. A ficção é um meio de aguçar a percepção das permanentes perplexidades do 
homem, em sua condição de criatura de Deus.
–Robert Alter
“A imaginação ficcional, convocando uma ampla variedade de
procedimentos narrativos, foi um instrumento precioso para a
formulação desse sentido esquivo (ao politeísmo). Fazendo tal
uso da ficção, os autores da Bíblia hebraica legaram à nossa
tradição cultural uma fonte inesgotável; se compreendermos
com mais precisão o funcionamento dessa arte narrativa,
teremos um acesso mais integral à visão que ela encerra.”
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	Diapositiva 1: A BÍBLIA COMO LITERATURA
	Diapositiva 2: JOHN MACY – História da Literatura Mundial
	Diapositiva 3: É possível ler a Bíblia como literatura? Em que sentido? 
	Diapositiva 4: O que o senso comum admite...
	Diapositiva 5: O que o leitor mais experiente talvez pense...
	Diapositiva 6: - ROBERT ALTER
	Diapositiva 7: Admitir a Bíblia como Literatura 
	Diapositiva 8
	Diapositiva 9: O problema dos formalistas x abertura moderna: releitura de textos antigos
	Diapositiva 10: Contradição entre a fé e a arte?
	Diapositiva 11: Importante para a leitura
	Diapositiva 12: Uma abordagem literária da Bíblia
	Diapositiva 13: O papel da arte literária na Bíblia
	Diapositiva 14: Exemplo de análise (por Robert Alter)
	Diapositiva 15: Resumo da história Gênesis 38
	Diapositiva 16: A história de José e um incômodo interlúdio
	Diapositiva 17: Versos no meio da prosa
	Diapositiva 18: Ruptura abrupta, porém proposital
	Diapositiva 19
	Diapositiva 20: –Robert Alter 
	Diapositiva 21: Paralelismos O enganador é enganado
	Diapositiva 22: Contrastes
	Diapositiva 23: Integridade literária das narrativas bíblicas
	Diapositiva 24: Analogia indireta
	Diapositiva 25: Leitura com olhar literário 
	Diapositiva 26: O próprio texto é consciente de sua condição de discurso engenhoso
	Diapositiva 27: Alter
	Diapositiva 28: A história sagrada e a prosa de ficção
	Diapositiva 29: A história e a ficção 
	Diapositiva 30
	Diapositiva 31
	Diapositiva 32: Uso da prosa
	Diapositiva 33
	Diapositiva 34: Recurso estilístico - humor (varia segundo a cultura, época...)
	Diapositiva 35: Humor: exagero, ironia
	Diapositiva 36: Narrativa de José (Gn 42-45) 
	Diapositiva 37: Conclusão
	Diapositiva 38: –Robert Alter 
	Diapositiva 39: Obrigada!