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PRÁTICAS DE ENSINO EM ESPORTES INDIVIDUAIS Professor Dr. Bruno Pereira Melo Professor Dr. Francisco de Assis Manoel Reitor Márcio Mesquita Serva Vice-reitora Profª. Regina Lúcia Ottaiano Losasso Serva Pró-Reitor Acadêmico Prof. José Roberto Marques de Castro Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Ação Comunitária Profª. Drª. Fernanda Mesquita Serva Pró-reitor Administrativo Marco Antonio Teixeira Direção do Núcleo de Educação a Distância Paulo Pardo Coordenação Pedagógica do Curso Fabiana Aparecida Arf Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico B42 Design *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Universidade de Marília Avenida Hygino Muzzy Filho, 1001 CEP 17.525–902- Marília-SP Imagens, ícones e capa: ©freepik, ©envato, ©pexels, ©pixabay, ©Twenty20 e ©wikimedia BOAS-VINDAS Ao iniciar a leitura deste material, que é parte do apoio pedagógico dos nossos queridos discentes, convido o leitor a conhecer a UNIMAR – Universidade de Marília. Na UNIMAR, a educação sempre foi sinônimo de transformação, e não conseguimos enxergar um melhor caminho senão por meio de um ensino superior bem feito. A história da UNIMAR, iniciada há mais de 60 anos, foi construída com base na excelência do ensino superior para transformar vidas, com a missão de formar profissionais éticos e competentes, inseridos na comunidade, capazes de constituir o conhecimento e promover a cultura e o intercâmbio, a fim de desenvolver a consciência coletiva na busca contínua da valorização e da solidariedade humanas. A história da UNIMAR é bela e de sucesso, e já projeta para o futuro novos sonhos, conquistas e desafios. A beleza e o sucesso, porém, não vêm somente do seu campus de mais de 350 alqueires e de suas construções funcionais e conectadas; vêm também do seu corpo docente altamente qualificado e dos seus egressos: mais de 100 mil pessoas, espalhados por todo o Brasil e o mundo, que tiveram suas vidas impactadas e transformadas pelo ensino superior da UNIMAR. Assim, é com orgulho que apresentamos a Educação a Distância da UNIMAR com o mesmo propósito: promover transformação de forma democrática e acessível em todos os cantos do nosso país. Se há alguma expectativa de progresso e mudança de realidade do nosso povo, essa expectativa está ligada de forma indissociável à educação. Nós nos comprometemos com essa educação transformadora, investimos nela, trabalhamos noite e dia para que ela seja ofertada e esteja acessível a todos. Muito obrigado por confiar uma parte importante do seu futuro a nós, à UNIMAR e, tenha a certeza de que seremos parceiros neste momento e não mediremos esforços para o seu sucesso! Não vamos parar, vamos continuar com investimentos importantes na educação superior, sonhando sempre. Afinal, não é possível nunca parar de sonhar! Bons estudos! Dr. Márcio Mesquita Serva Reitor da UNIMAR Que alegria poder fazer parte deste momento tão especial da sua vida! Sempre trabalhei com jovens e sei o quanto estar matriculado em um curso de ensino superior em uma Universidade de excelência deve ser valorizado. Por isso, aproveite cada minuto do seu tempo aqui na UNIMAR, vivenciando o ensino, a pesquisa e a extensão universitária. Fique atento aos comunicados institucionais, aproveite as oportunidades, faça amizades e viva as experiências que somente um ensino superior consegue proporcionar. Acompanhe a UNIMAR pelas redes sociais, visite a sede do campus universitário localizado na cidade de Marília, navegue pelo nosso site unimar.br, comente no nosso blog e compartilhe suas experiências. Viva a UNIMAR! Muito obrigada por escolher esta Universidade para a realização do seu sonho profissional. Seguiremos, juntos, com nossa missão e com nossos valores, sempre com muita dedicação. Bem-vindo(a) à Família UNIMAR. Educar para transformar: esse é o foco da Universidade de Marília no seu projeto de Educação a Distância. Como dizia um grande educador, são as pessoas que transformam o mundo, e elas só o transformam se estiverem capacitadas para isso. Esse é o nosso propósito: contribuir para sua transformação pessoal, oferecendo um ensino de qualidade, interativo, inovador, e buscando nos superar a cada dia para que você tenha a melhor experiência educacional. E, mais do que isso, que você possa desenvolver as competências e habilidades necessárias não somente para o seu futuro, mas para o seu presente, neste momento mágico em que vivemos. A UNIMAR será sua parceira em todos os momentos de sua educação superior. Conte conosco! Estamos aqui para apoiá-lo! Sabemos que você é o principal responsável pelo seu crescimento pessoal e profissional, mas agora você tem a gente para seguir junto com você. Sucesso sempre! Profa. Fernanda Mesquita Serva Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Ação Comunitária da UNIMAR Prof. Me. Paulo Pardo Coordenador do Núcleo EAD da UNIMAR 007 Aula 01: 044 Aula 02: 085 Aula 03: 101 Aula 04: Esportes Individuais: Atletismo Conhecendo e Ensinando o Atletismo Esportes Individuais: Natação Conhecendo e Ensinando a Natação Introdução Olá aluno(a), seja bem-vindo(a) à disciplina de “Práticas de Ensino em Esportes Individuais”! Nesta apostila você irá estudar o atletismo e natação por meio de diferentes aspectos, ou seja, percorremos o processo histórico do atletismo e natação, assim como, conhecimentos teóricos e práticos para atuação pro�ssional dos dias de hoje. Para isso, este material está dividido em quatro unidades, sendo a primeira delas intitulada de “Esportes Individuais: Atletismo”, você conhecerá um pouco mais sobre a modalidade, o seu histórico, assim como as diferentes provas e suas regras. Na Unidade II, “Conhecendo e ensinando o Atletismo”, você conhecerá maneiras de desenvolver a modalidade de Atletismo em diferentes ambientes (formais e informais), assim como a adaptações para o desenvolvimento da mesma (material, local), e a organizar as aulas e treinamento. Na Unidade III, “Esportes Individuais: Natação”, você conhecerá um pouco mais sobre a modalidade, o seu histórico, assim como as diferentes provas e suas regras. Além disso, será abordado os cuidados que se deve ter no desenvolvimento da mesma. Por �m, na Unidade IV, “Conhecendo e ensinando a Natação”, você estudará o ensino da Natação nas diferentes idades, metodologia de ensino da mesma em diferentes ambientes (formais e informais) e aprenderá a planejar as aulas e adaptar materiais para o ensino da modalidade, quando necessário. Caro(a) aluno(a), com esta disciplina e todo o conhecimento contido nela, estamos dando mais um passo em direção à formação pro�ssional em Educação Física. Espero que, ao concluir seus estudos, você seja capaz de re�etir acerca das temáticas abordadas e atuar autonomamente em espaços formais e informais com o Atletismo e a Natação. Desejo a você ótimos estudos! 6 01 Esportes Individuais: Atletismo Introdução Em algum momento você já deve ter em algum momento ouvido falar ou teve contato com o Atletismo ou algum movimento especí�co da modalidade. Muitas pessoas o associam às corridas, outras com a de�nição clássica de que é o esporte base todas as outras modalidades esportivas. E a�nal o Atletismo é isso? Já se perguntaram porque a relação do Atletismo com a Grécia? Apesar de pouco difundido no Brasil, por que é considerado um conteúdo clássico da Educação Física? Neste capítulo, você conhecerá um pouco da origem do atletismo, e isso trará uma nova interpretação do conjunto de movimentos que ao longo da história tornaram a modalidade que é conhecida hoje. Além disso, será possível observar que o atletismovai muito além dos simples movimentos básicos de correr, lançar e saltar. Ele é resultado de um processo de construção social e histórica do indivíduo. O conhecimento das características básicas da modalidade é importante para o desenvolvimento do ensino da mesma, você poderá conhecer cada uma das provas assim como as regras que compõem a modalidade Atletismo nos dias atuais. Para isso faremos uma longa viagem no tempo na história do atletismo, espero que você aproveite a viagem e que possa levar esses conhecimentos adquiridos para além da nossa disciplina, mas que também aplique na sua atuação pro�ssional, divulgando a modalidade de Atletismo, assim como a prática dos movimentos que o compõem. Se prepare, iremos iniciar nossa caminhada pelas trilhas da diversão! Introdução ao Atletismo O Atletismo conta a história esportiva do homem no Planeta. É chamado de esporte-base, porque sua prática corresponde a movimentos naturais do ser humano: correr, saltar, lançar (Confederação Brasileira de Atletismo – CBAT, 2020). 8 A origem do Atletismo retrocede até a origem do gênero humano, quando os primeiros habitantes que se alimentar por meio da caça e, por isto, necessitavam lançar objetos, correr ora atrás, ora à frente dos animais, saltar obstáculos e riachos a �m de proteger a si e aos outros (BARALDI e OLIVEIRA, 2019, p. 15). Entretanto, não devemos limitá-lo a apenas essa de�nição, porque senão a especi�cidade do atletismo acaba sendo deixada em segundo plano, comprometendo o seu conhecimento amplo. Ao longo do tempo esses movimentos básicos já observados nos primeiros habitantes foram se tornando forma aos poucos e se transformando em movimentos especí�cos da modalidade Atletismo. A grande variedade de movimentos, é justi�cada pelo fato dele englobar muitas provas, as quais cada uma apresenta suas características especí�cas. É possível observar movimentos semelhantes do atletismo em outras modalidades esportivas, entretanto com especi�cidades diferentes, cabendo a nós pro�ssionais de Educação Física, ter claro essas diferenças para não resumir a modalidade do atletismo em apenas correr, lançar e saltar e deixando de lado a sua especi�cidade. Ao compararmos os movimentos realizados naquela época com os movimentos atuais, observamos que a maior diferença está na �nalidade. De acordo com Baraldi e Oliveira (2019, p. 15), Os objetivos e signi�cados dos movimentos produzidos pelo ser humano, portanto, também são considerados nesta interpretação da realidade, fazendo- se humano e produzindo a sua existência, compreendidos aqui numa visão histórico-social dos movimentos. Podemos, então, a�rmar que existe uma diferença gigantesca entre os movimentos que fazem parte do conjunto de atividades atléticas conhecidas por nós, hoje, e aqueles que julgamos ser, em sua gênese histórico-social, de forma bem elementar. Os registros mostram que as primeiras manifestações do atletismo no formato competitivo aconteceram na Europa, praticada por duas raças no extremo do continente. A modalidade era praticada pelos povos irlandeses do período pré- céltico e os gregos de Acádia, assim como os seus vizinhos, os cretenses da época minóica (1750-1400 a. C.) (CABRAL, 2004; BARALDI e OLIVEIRA, 2019, p. 16). Durante o período dos primeiros registros até os dias atuais, foram observados diversos jogos em que se notava a presença do atletismo no formato competitivo. Dentre as diversas manifestações podemos destacar: às reuniões atléticas da Grécia Antiga, da Irlanda que também estavam ligadas às cerimônias religiosas e aos funerais (CABRAL, 2004). 9 O atletismo moderno, é marcado com a criação do Amatheur Athletic Club, segundo relatos em 1886, fundado com o propósito de organizar campeonatos nacionais na Inglaterra (OLIVEIRA, 2013). As primeiras edições e descrições dos Jogos Londrinos são datadas do século XII, e são marcadas pelo gosto dos reis pelo esporte, que patrocinavam as competições. Iniciando com o rei Henrique II, depois com o rei Henrique V que era um admirador de corridas, e Henrique VII, um especialista em lançamento de martelo (OLIVEIRA, 2013). Algumas instituições tiveram um papel importante na divulgação da modalidade promovendo competições. A Universidade de Cambridge deu início a organização dessas competições em 1857. Alguns anos depois, em 1860 e em 1864, a universidade de Oxford, organiza uma competição que marca o início de confrontos entre entidades duas universidades (MATTHIESEN; RANGEL; DARIDO, 2014). O Atletismo apresenta uma relação com os jogos Olímpicos, estando presente desde as primeiras edições. Não por acaso, a primeira competição esportiva de que se tem notícia foi uma corrida, nos Jogos de 776 A.C., na cidade de Olímpia, @antoniogravante em freepik Os Jogos Píticos dedicados a Apolo (deus grego da beleza e juventude), eram realizados próximo a Delfos, na cidade de Pítia, a partir de 527 a. C., celebravam- se primeiramente, a cada oito anos e, depois, no ano seguinte, a cada Olimpíada (BARALDI e OLIVEIRA, 2019, p. 16). Em Istmia, eram realizados os Jogos Ístmicos, a cada dois anos, assim como em Argos, os Jogos Nemeus celebravam a vitória de Héracles (�lho de Zeus na mitologia grega) sobre Nemeia (monstro mitológico), vencido naquele mesmo local (CABRAL, 2004; BARALDI e OLIVEIRA, 2019, p. 16). Esses jogos olímpicos são os mais antigos e o seu início remonta ao ano de 884 a. C., mas, na história o�cial, é datado de 776 a. C. (CABRAL, 2004). 10 na Grécia, que deu origem às Olimpíadas. A prova, chamada pelos gregos de "stadium", tinha cerca de 200 metros e o vencedor, Coroebus, é considerado o primeiro campeão olímpico da história (Confederação Brasileira de Atletismo – CBAT, 2020). Já os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, em 1896, foram realizados com provas de 100, 400, 800 e 1500m; e fora da pista, a maratona com 40 km. Foram realizados os saltos em distância, triplo, em altura e com vara. Os arremessos contemplaram disco e peso (BARALDI e OLIVEIRA, 2019). E as mulheres tiveram a sua primeira participação nos Jogos Olímpicos somente em Amsterdã, em 1928. En�m, esse esporte sempre esteve ligado aos Jogos Olímpicos, ele é considerado, por muitos pro�ssionais da área, o primeiro dos esportes (OLIVEIRA, 2013). Figura 1 - Estádio Panatenaico, construído em 536 a.C., foi sede das Olimpíadas de 1896 em Atenas Fonte: acesse o link disponível aqui 11 https://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2016/04/doogle-do-google-relembra-os-120-anos-da-primeira-olimpiada-moderna.html Apesar do espetáculo das competições, e um grande número de atletas negros como detentores de records em diversas provas do Atletismo. Nem sempre foi assim, esses atletas passaram por períodos de preconceito, racismo e inferioridade perante a atletas brancos. Mas ao longo dos anos eles conquistaram seu espaço, mostrando a sua capacidade durante os jogos Olímpicos, dos quais um dos jogos foi marcado pelas vitórias de Jesse Owens nas Olimpíadas de Berlim em 1936, derrubando a ideia de superioridade ariana construída por Hitler durante o regime nazista, mostrando que era apenas uma ideia racista. E o segundo episódio aconteceu nas Olimpíadas de 1986 em houve protestos de dois atletas negros que subiram ao pódio com os punhos fechados com luvas pretas, que era um dos símbolos da luta dos “Panteras Negras”. SAIBA MAIS Assista ao vídeo sobre as olimpíadas e suas modalidades. 12 https://go.eadstock.com.br/7p Para chegar ao período atual, o atletismo passou por diversas mudanças, marcado por datas e acontecimentos descritos a seguir. CONECTE-SE Assista ao vídeo sobre as Olimpíadas de 1968 e a luta dos "Panteras Negras". 13 https://go.eadstock.com.br/7r Figura 2 - Datas importantes na história do Atletismo Fonte: Baraldi e Oliveira (2019 p. 20). E por �m, recentemente a IAAF - International Association of Athletics (Associação Internacional das Federações de Atletismo) altera sua denominação para World Athletics (Atletismo Mundial).14 Características Especí�cas do Atletismo O Atletismo tem uma entidade maior que rege a modalidade mundialmente chamada World Athletics (Atletismo Mundial). Cada país é responsável pela organização da modalidade, no Brasil a entidade principal é a Confederação Brasileira de Atletismo e abaixo dela temos as federações dos estados. Apesar de ser considerada uma única modalidade, o atletismo é composto por diversas provas, as quais podemos dividi-las por grupos que apresentem características semelhantes. Além disso, nas competições elas são divididas em provas de pista: as corridas; marcha atlética e provas de campo: os saltos; arremesso e lançamentos. As provas de pista, como é o caso da maioria das corridas e das provas de marcha atlética, ocorrem na pista de atletismo de 400 m, com duas retas paralelas e duas curvas com raios iguais, normalmente com 8 raias de 1m 22cm cada uma ( Confederação de Brasileira de Atletismo, 2020), além das pistas de 200 m para competições indoor. As outras provas de saltos, arremesso e lançamentos ocorrem em locais especí�cos, próprios para o desenvolvimento das provas de campo (MATTHIESEN; RANGEL; DARIDO, 2014) As categorias e respectivas faixas etárias da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), são as abaixo relacionadas, atendendo às determinações previstas nestas Normas, nas Normas e Regras da WA (Associação das Federações Nacionais) e da CONSUDATLE (Confederação Sul-Americana de Atletismo) e de aplicação obrigatória no Atletismo Brasileiro: �. Categoria Sub-14: atletas com 12 e 13 anos, no ano da competição. �. Categoria Sub-16: atletas com 14 e 15 anos, no ano da competição. �. Categoria Sub-18: atletas com 16 e 17 anos, no ano da competição. �. Categoria Sub-20: atletas com 16, 17, 18 e 19 anos, no ano da competição. �. Categoria Sub-23: atletas com 16, 17, 18, 19, 20, 21 e 22 anos, no ano da competição. �. Categoria de Adultos: atletas a partir de 16 anos em diante (no ano da competição). �. Categoria de Masters: atletas a partir de 35 anos em diante (idade a ser considerada no dia da competição). 15 Figura 3 - Pista O�cial de Atletismo Fonte: adaptada de Müller e Ritzdorf (2000); Baraldi e de Oliveira (2019 p. 19). Figura 4 - Medidas das linhas e das raias da pista de atletismo Fonte: CBAT (2020). 16 Provas do Atletismo: Caracterização e Regras O�ciais Na moderna de�nição, o Atletismo é um esporte com provas de pista (corridas), de campo (saltos e lançamentos), provas combinadas, como decatlo e heptatlo (que reúnem provas de pista e de campo), o pedestrianismo (corridas de rua, como a maratona), corridas em campo (cross country), corridas em montanha, e marcha atlética. Abaixo serão abordadas as provas do atletismo assim como as suas características e regras básicas, que são baseadas na Confederação Brasileira de Atletismo – CBAT (2020), tendo como referência Matthiesen (2017). Corridas rasas As provas de corridas rasas do atletismo caracterizam-se pela ausência de obstáculos ou barreiras para serem transpostos. Segundo Matthiensen (2017) as provas podem ser classi�cadas de acordo com a distância, tempo e fontes energéticas empregadas, e elas podem ser divididas em: corridas de velocidade, meio fundo e fundo. Figura 5 - Saída de bloco para as provas de velocidade Fonte: Shutterstock. Figura 6 - Largada: saída alta das provas de meio fundo e fundo Fonte: Shutterstock. 17 As provas rasas que fazem parte dos jogos Olímpicos são: Com exceção da maratona, todas as outras provas são realizadas na pista de atletismo, e apresentam regras que são comuns a todas e outras que são especí�cas para cada uma. Não é permitido nenhum tipo de saída falsa, sendo excluído da prova aquele que realizar antes do tiro de largada. Em provas de velocidade (até e inclusive os 400m), os comandos de largada são: às suas marcas, prontos, e o tiro de largada; por outro lado nas demais distâncias a partir dos 800m, os comandos serão: às suas marcas e em seguida o tira de largada. A chegada de todas as provas de corridas rasas ocorre no mesmo local, ao �nal da reta principal. Será o vencedor das provas aquele que for o primeiro a atingir o plano vertical que passa pela borda anterior da linha de chegada geral com o tronco, excluindo-se a cabeça, pescoço, braços, pernas, mãos ou pés. Além disso, temos algumas regras especí�cas para as provas de velocidade: As corridas em curva devem escalonadas de acordo com o número de curvas a serem corridas. A saída baixa, assim como, os blocos de partida, são obrigatórios em todas as provas até e inclusive 400 m. A corrida é realizada em raia marcada, ou seja, cada atleta deve correr em sua determinada raia. 18 Corridas com barreiras e com obstáculos As provas com barreiras ou obstáculos, tem por objetivo percorrer uma determinada distância transpondo as barreiras ou os obstáculos. As provas o�ciais olímpicas apresentam diferenças nas distâncias para homens e mulheres. Sendo os 100 metros com barreiras (c/b) disputada pelas mulheres e os 110 metros com barreiras (c/b) disputada pelos homens. Por outro lado, os 400m c/b e 3000m com obstáculos são disputados por ambos. As regras para as provas com barreiras e obstáculos seguem as mesmas das provas de corrida rasas, entretanto podemos acrescentar as seguintes regras: Derrubar a barreira, desde que involuntariamente e sem atrapalhar outro atleta, não gera desclassi�cação. Na prova de 3000 m com obstáculo são sete voltas e meia na pista de atletismo e os atletas devem passar 28 vezes os obstáculos e sete vezes o fosso de água. A transposição dos obstáculos ocorrerá a partir da primeira volta, de forma que da saída até lá, não haverá nenhuma transposição. Além disso, os atletas podem apoiar no obstáculo para ultrapassá-lo, além de poder saltar dentro do fosso. Abaixo segue as características das provas de acordo com a categoria: Figura 7 - Prova 3000m com obstáculo Fonte: Pixabay. Figura 8 - Prova 100m com barreiras Fonte: Pixabay. 19 Quadro 1 - Altura e distâncias das barreiras de acordo com as categorias femininas FEMININO - BARREIRAS Categoria Distância da prova Altura da barreira Distância da linha de saída até a 1ª Barreira Distância entre as Barreiras Distância da última barreira até a linha de chegada Sub-14 60 m 60 cm 12,0 m 7,5 m 10,5 m Sub-16 80 m 76,2 cm 12,0 m 8,0 m 12,0 m Sub-18 100 m 76,2 cm 13,0 m 8,5 m 10,5 m Sub-20; Sub-23 e Adulto 100 m 83,8 cm 13,0 m 8,5 m 10,5 m Sub-16 300 m 76,2 cm 45,0 m 35,0 m 40,0 m Sub-18; Sub-20; Sub-23 e Adulto 400 m 76,2 cm 45,0 m 35,0 m 40,0 m Fonte: Confederação Brasileira de Atletismo – CBAT (2020). 20 Quadro 2 - Altura e distâncias das barreiras de acordo com as categorias masculinas MASCULINO - BARREIRAS Categoria Distância da prova Altura da barreira Distância da linha de saída até a 1ª Barreira Distância entre as Barreiras Distância da última barreira até a linha de chegada Sub-14 60 m 60 cm 12,0 m 7,5 m 10,5 m Sub-16 100 m 83,8 cm 13,0 m 8,5 m 10,5 m Sub-18 110 m 91,4 cm 13,72 m 9,14 m 14,02 m Sub-20 110 m 99,1 cm 13,72 m 9,14 m 14,02 m Sub-23 e Adulto 110 m 1,067 m 13,72 m 9,14 m 14,02 m Sub-16 300 m 76,2 cm 45,0 m 35,0 m 40,0 m Sub-18 400 m 83,8 cm 45,0 m 35,0 m 40,0 m Sub-20; Sub- 23 e Adulto 400 m 91,4 cm 45,0 m 35,0 m 40,0 m Fonte: Confederação Brasileira de Atletismo – CBAT (2020). Quadro 3 - Altura e distâncias dos obstáculos de acordo com as categorias femininas FEMININO - OBSTÁCULOS Categorias Provas Altura do Obstáculo Sub-16 1.000 m 76,2 cm Sub-18 2.000 m 83,8 cm Sub-20; Sub-23 e Adulto 3.000 m 91,4 cm Fonte: Confederação Brasileira de Atletismo – CBAT (2020). 21 Revezamentos A prova de revezamento é uma das mais aguardadas nas competições de atletismo. Apesar da modalidade ser individual, essa é a única prova disputada em equipes. A corrida de revezamento já era conhecida dos antigos gregos nas Panatenéias realizadas em homenagem à deusa Atena. As distâncias para as provasnão diferem entre os naipes (feminino e masculino), apenas nas categorias. A prova é disputada por equipes compostas por quatro atletas cada, em que cada atleta deverá correr um trecho da prova carregando o bastão e depois transferi-lo para o companheiro de equipe. Quadro 4 - Altura e distâncias dos obstáculos de acordo com as categorias masculinas MASCULINO - OBSTÁCULOS Categorias Provas Altura do Obstáculo Sub-16 1.000 m 76,2 cm Sub-18 2.000 m 83,8 cm Sub-20; Sub-23 e Adulto 3.000 m 91,4 cm Fonte: Confederação Brasileira de Atletismo – CBAT (2020). 22 Além disso, temos outras distâncias que podem ser disputadas no revezamento: 4×200m, 4×800m, Revezamento Medley de Longa Distância 1200m - 400m - 800m - 1600m e 4×1500m. Figura 9 - Passagem de bastão na prova de revezamento feminino Fonte: Pixabay. Quadro 5 - Distâncias para as provas de revezamento para cada categoria Naipe Adulto Sub-23 Sub-20 Sub-18 Sub-16 Sub-14 Feminino 4×100m 4×400m 4×100m 4×400m 4×100m 4×400m 4×100m; Medley (100, 200, 300 e 400m) 4×75m 4×60m Masculino 4×100m 4×400m 4×100m 4×400m 4×100m 4×400m 4×100m; Medley (100, 200, 300 e 400m) 4×75m 4×60m Fonte: Confederação Brasileira de Atletismo – CBAT (2020). 23 Regras básicas: O bastão, que pode ser de madeira, metal ou outro material rígido em uma peça única, deve ser um tubo liso, oco, de seção circular com 28 a 30cm de comprimento, pesando no máximo 50 g. Nas provas de 4×100m, a corrida ocorrerá inteiramente em raia marcada, ou seja, cada atleta em sua raia. Nos 4×400m, a corrida terá início em raia marcada e, depois, será realizada em raia livre. Nos revezamentos 4×100m e 4×200m e para a primeira e segunda passagens no Revezamento Medley, cada zona de passagem deve ter 30 m de comprimento, dos quais a linha de interseção �ca 20m à frente do início da zona. Para a terceira passagem no Revezamento Medley e nos 4×400m e mais os revezamentos longos, cada zona de passagem deve ter 20m de comprimento, do qual a linha de interseção é o centro. Em todos os revezamentos, o bastão tem que ser passado dentro da zona de passagem. O atleta deverá segurar o bastão durante toda a prova, e quem derrubá-lo deverá pegá-lo para dar prosseguimento à passagem. A queda do bastão, desde que não atrapalhe outros, não implica a desclassi�cação da equipe. O bastão não deve ser lançado, apenas entregue na mão do companheiro de equipe. Marcha Atlética “A marcha atlética é uma progressão de passos, executados de tal modo que o atleta mantenha um contato contínuo com o solo, não podendo ocorrer (a olho nu) a perda do contato com o mesmo. A perna que avança deve estar reta (ou seja, não �exionada no joelho) desde o momento do primeiro contato com o solo, até a posição ereta vertical” (Confederação Brasileira de Atletismo, 2020). 24 Regras básicas: A saída ocorre nos mesmos moldes das provas de longa distância, ou seja: saída alta e sob a voz de comando: “às suas marcas” e tiro de largada. A chegada também ocorre na reta oposta, vencendo o atleta que cruzar a linha de chegada primeiro. A progressão de passos deve provocar uma manutenção contínua do contato com o solo, ou seja, o pé que avança deve tocar o solo antes que o Figura 10 - Quilômetros iniciais da prova de marcha atlética masculina Fonte: Pixabay. Quadro 6 - Distância das provas de marcha atlética de acordo com o nipe e categoria Nipe Adulto Sub-23 Sub-20 Sub-18 Sub-16 Sub-14 Feminino 20.000 m 20.000 m 10.000 m 5.000 m 3.000 m 2.000 m Masculino 20.000 m 50.000 m 20.000 m 10.000 m 10.000 m 5.000 m 2.000 m Fonte: Confederação Brasileira de Atletismo – CBAT (2020). 25 pé posterior deixe o terreno. A perna que avança deverá estar estendida, de modo que não haja �exão do joelho, do primeiro contato com o solo até a posição ereta vertical. Ficam espalhados árbitros ao longo do percurso para avaliarem se os atletas estão realizando a técnica de maneira correta. Quando o competidor não está realizando a técnica de maneira correta, ele pode ser advertido pelos árbitros, seja com uma placa amarela ou cartões vermelhos. Quando, na opinião de três árbitros, o movimento não se encaixar na de�nição da marcha, o atleta será desquali�cado. Salto em Distância e Salto Triplo O salto em distância é considerado, dentre as provas de saltos, uma das mais antigas. Os registros mostram que os atletas contaram com o auxílio de halteres considerando que esse procedimento contribuiria para um salto mais longo. (Confederação Brasileira de Atletismo-CBAT, 2020). A prova é caracterizada por uma corrida em um corredor, e ao �nal dele o atleta deve realizar uma impulsão na tábua e saltar o mais distante possível, realizando a queda na caixa de areia. 26 O Salto Triplo consistirá de um salto com impulsão em um só pé, uma passada e um salto, nesta ordem. O salto com impulsão em um só pé será feito de modo que o atleta caia primeiro sobre o mesmo pé que deu a impulsão; na passada ele cairá com o outro pé do qual, consequentemente, o salto é realizado (Confederação Brasileira de Atletismo-CBAT, 2020). Figura 11 - Queda na caixa de areia após a realização do salto Fonte: Pixabay. 27 Regras básicas: A impulsão deverá ocorrer de preferência e, para �ns de aproveitamento técnico, sobre a tábua de impulsão. Caso seja realizada antes, o saltador não será punido. Caso sua impulsão ocorra ao lado da tábua de impulsão, seja à frente ou atrás do prolongamento da linha de impulsão ou se tocar o solo além dela, passando-a sem saltar ou no ato de saltar o salto será invalidado. No salto triplo a tábua para os homens se localiza a 13 metros da caixa de areia, e a tábua para as mulheres a 11 metros da caixa de areia. O impulso deverá ser realizado em um dos pés, realizado com a perna de impulsão. Será punido, com a invalidação do salto, aquele que realizar qualquer tipo de salto mortal A linha de impulsão, a partir da qual se realiza a medição, corresponde à borda da tábua mais próxima da caixa de areia. Assim, a medição do salto equivale ao espaço compreendido entre essa linha e a marca da queda na areia mais próxima da mesma, conforme orientações da Confederação Brasileira de Atletismo (2016, p. 85). Figura 12 - Atleta realizando o primeiro salto do salto triplo Fonte: Pixabay. 28 Nas competições, a ordem dos competidores será sorteada. Em competições o�ciais com mais de oito saltadores, cada um terá direito a três saltos; classi�cam-se os oito melhores, os quais terão direito a mais três saltos. Caso o número inicial de competidores seja menor que oito, cada saltador terá direito a seis tentativas e contabilizando e melhor salto. Figura 13 - Setor dos saltos em distância e triplo Fonte: MATTHIESEN, 2017 p. 111. Salto em Altura e Salto com Vara O principal objetivo do salto em altura é transpor a barra e, para que isto ocorra de forma adequada e e�ciente, o saltador deverá elevar o centro de gravidade acima da barra e utilizar uma das técnicas permitidas pelo regulamento técnico da prova (BARALDI e OLIVEIRA, 2019). 29 O salto com vara é considerado umas das modalidades esportivas mais difíceis de serem praticadas, devido a sua complexidade. Além disso, é uma das provas que mais evoluiu no quesito material, que se iniciou com a utilização das varas pesadas e atualmente utiliza-se varas de carbono, que são mais leves e �exíveis permitindo uma melhor e�ciência nos saltos. Figura 14 - Salto em altura estilo fosbury �op Fonte: Pixabay. 30 Regras básicas: Para o salto em altura o atleta deverá apenas um dos pés deverá realizar a impulsão. Cada saltador terá direito a três tentativas para ultrapassar a altura, sendo eliminado da competição caso não consiga. A tentativa será invalidada caso o sarrafo não permaneça nos suportes, ou caso o saltador toque o solo ou a área de queda antes de ter ultrapassado o sarrafo, obtendo quaisquer vantagens dessa ação. O saltador poderá começar a saltar em qualquer altura anunciada pelo árbitro. Caso falhe na primeira tentativa,poderá rejeitar a segunda e a terceira naquela altura e, ainda, saltar em uma altura subsequente. Nas competições, a ordem dos competidores será sorteada. O sarrafo nunca será elevado em menos de 2 cm para o salto em altura e menos de 5 para o salto com vara. Figura 15 - Salto com vara Fonte: Pixabay. 31 A vara, cuja superfície básica deve ser lisa, poderá ser de qualquer material, comprimento ou diâmetro. A tentativa será invalidada caso o sarrafo não permaneça nos suportes, ou caso o atleta toque o solo ou a área de queda com seu corpo ou com a vara antes de ter ultrapassado o sarrafo, obtendo quaisquer vantagens dessa ação. No salto com vara a tentativa será invalidada caso o saltador altere a posição das mãos durante o salto. Arremesso de peso O arremesso de peso foi uma das provas que também teve bastante mudanças na sua técnica. É a única prova de arremesso do atletismo, e tem como objetivo arremessar o implemento o mais longe possível. Figura 16 - Movimento �nal do arremesso de peso Fonte: Pixabay. 32 Regras básicas: O peso deve ser maciço, de ferro, latão ou qualquer outro metal que não seja mais macio que este último, ou um invólucro de qualquer um desses metais, cheio de chumbo ou outro material. O peso deverá ser arremessado de dentro do círculo, a partir de uma posição estacionária, e sua queda deverá ocorrer nos limites internos do setor do arremesso. Ao arremessar, o atleta poderá tocar a borda interna do anteparo, mas não poderá subir nem ultrapassá-lo. O peso deverá partir do ombro, tocando ou estando bem próximo ao queixo, de forma que não seja arremessado atrás da linha dos ombros. Estas próximas regras também valem para todas as provas de lançamento Nas competições, a ordem dos competidores será sorteada, e o tempo de 1 minuto não deve ser excedido para a realização de uma tentativa. Por regra, a orientação é que, em competições o�ciais com mais de oito atletas, cada arremessador tenha direito a três arremessos, classi�cando-se para a �nal os oito melhores, os quais terão direito a mais três arremessos. Caso o número inicial de competidores seja menor que oito, cada arremessador terá direito a seis tentativas, valendo, para �ns de classi�cação �nal, o melhor arremesso. A medição ocorrerá a partir da parte mais próxima da queda do peso em relação ao anteparo, em cuja parte interna será feita a leitura da medida do arremesso. Após a tentativa e tão logo o implemento tenha tocado o solo, o arremessador deverá deixar o círculo por detrás da linha externa que de�ne sua metade. Lançamento de Disco e Martelo A prova do lançamento do disco consiste em lançar o disco à maior distância possível, de uma gaiola de proteção para dentro do setor. O lançamento do martelo consiste no lançamento de um martelo, contendo cabeça, que deve ser feita de ferro maciço ou outro material não menos maciço, com alça de conexão na extremidade e uma empunhadura conectada no cabo do implemento. 33 Regras básicas: O disco, cujas faces devem ser lisas e uniformes, poderá ser de madeira ou outro material, sólido ou oco, envolto por um aro de metal em sua borda, que deve ser arredondada. O disco deverá ser lançado a partir de uma posição estacionária de um círculo de 2,50 m de diâmetro, dividido externamente por uma linha pela qual o lançador deverá deixá-lo (pela metade posterior) após sua queda no setor de lançamento. Na metade anterior, há um arco que coincide com a borda interna do círculo e pode ser tocado lateralmente, mas não pode ser ultrapassado, já que isso invalidará o lançamento. A cabeça do martelo deve ser de ferro maciço ou de outro metal que não seja mais macio que o latão ou um invólucro de qualquer um desses metais, cheio de chumbo ou outro material sólido. O cabo deve ser inteiriço, com alças de conexão nas extremidades, de arame de aço para molas. A empunhadura reta e em forma de triângulo deve ser sólida e rígida sem qualquer tipo de conexão articulada, mas conectada ao cabo. O martelo deverá ser lançado, a partir de uma posição estacionária, de um círculo de 2,135 m de diâmetro, dividido externamente por uma linha pela qual o lançador deverá deixá-lo pela metade posterior após sua queda no setor de lançamento. Na metade anterior do círculo, há um arco que coincide com sua borda interna, o qual pode ser tocado lateralmente, mas não ultrapassado no ato do lançamento. Figura 17 - Lançamento do disco Fonte: World Athletic. Figura 18 - Lançamento do martelo Fonte: World Athletic. 34 Lançamento do Dardo Uma prova que tem bastante relação aos nossos ancestrais que utilizam implementos semelhantes para caçarem. Essa prova consiste em lançar o dardo o mais longe possível dentro do setor de queda. Regras básicas: Deve-se segurar o dardo pela empunhadura, lançando-o sobre o ombro ou acima da parte superior do braço de lançamento; estilos não ortodoxos não são permitidos. Figura 19 - Momento �nal do lançamento de dardo Fonte: Pixabay. 35 O lançamento deverá ocorrer sem que o lançador ultrapasse o arco do setor de lançamento ao �nal do corredor. Uma tentativa só será validada se a ponta de metal cair completamente na parte interna do setor de queda, tocando o solo antes de qualquer outra parte do dardo quando, então, o competidor poderá deixar o setor de lançamento pela parte posterior. Provas Combinadas A origem é novamente grega, pois este povo, sempre buscando a perfeição absoluta ou a procura do atleta completo, criou em 708 a.C. uma fórmula de competição que permitisse aos campeões menos dotados numa disciplina Quadro 7 - Peso dos implementos de acordo com a categoria para as mulheres Implemento Adulto Sub-23 Sub-20 Sub-18 Sub-16 Sub-14 Peso 4 kg 4 kg 4 kg 3 kg 3 kg 3 kg Disco 1 kg 1 kg 1 kg 1 kg 750 g 750 g Martelo 4 kg 4 kg 4 kg 3 kg 3 kg 2 kg Dardo 600 g 600 g 600 g 500 g 500 g 400 g Fonte: Confederação Brasileira de Atletismo – CBAT (2020). Quadro 8 - Peso dos implementos de acordo com a categoria para os homens Implemento Adulto Sub-23 Sub-20 Sub-18 Sub-16 Sub-14 Peso 7,26 kg 7,26 kg 6,0 kg 5,0 kg 4,0 kg 3 kg Disco 2,0 kg 2,0 kg 1,75 kg 1,5 kg 1,0 kg 750 g Martelo 7,26 kg 7,26 kg 6,0 kg 5 kg 4 kg 3 kg Dardo 800 g 800 g 800 g 700 g 600 g 500 g Fonte: Confederação Brasileira de Atletismo – CBAT (2020). 36 mostrar, num programa mais complexo, as suas possibilidades. A prova consiste em um conjunto de provas do atletismo realizadas por um mesmo atleta, em dois dias de competição. Para as categorias principais, as provas realizadas são: Heptatlo para as mulheres (7 provas) e Decatlo (10 provas) para os homens, sendo as provas divididas da seguinte e realizadas nessa ordem. Heptatlo 1º dia: 100m com barreiras; salto em altura; arremesso de peso e 200m rasos. 2º dia: salto em distância; lançamento do dardo; 800m rasos. Decatlo 1º dia: 100m rasos; salto em distância; arremesso de peso; salto em altura; 400m rasos. 2º dia: 110m com barreiras; lançamento do disco; salto com vara; lançamento do dardo; 1.500 m. Regras básicas: Cada uma das provas detém as suas próprias regras, conforme já vimos separadamente. Mas destacamos algumas especí�cas para as provas combinadas: Sugere-se a existência de um intervalo mínimo de 30 minutos, entre o �nal e o início de cada uma das provas da competição, e de 10 horas entre o �nal da prova do primeiro dia e o início da prova no segundo dia. Sobre as regras individuais das provas, temos algumas mudanças para as seguintes provas: - No salto em distância e nas provas de arremessos e lançamentos, cada competidor terá direito apenas a três tentativas. - Nas provas de pista, o competidor será desquali�cado em qualquer uma das provas em que cometer duas saídas falsas. O atleta deverá, obrigatoriamente, participar de todas as provas da prova combinada em que estiver inscrito, devendo pontuar em todas elas. A pontuação em cada uma das provas ocorre de acordo com a Tabela de Pontuação da IAAF após cada uma delas, devendo ser informada separadae cumulativamente. Vence a competição quem, ao �nal, tiver o maior número de pontos. Em caso de empate, vencerá o competidor que tiver o maior número de pontos no maior número de provas. Caso persista o empate, o vencedor será aquele com o maior número de pontos em qualquer outra prova. 37 Corridas de rua, Corridas em campo (cross country) e corridas em montanha As corridas de rua por um tempo eram denominadas como “corridas rústicas”, embora elas contenham características próprias dentre as provas do atletismo, podem ser classi�cadas como corridas de fundo, sendo as distâncias masculinas e femininas, recomendadas pela World Athletic. As corrida de cross-country (ou corrida através do campo) também é considerada como prova de fundo. Caracterizada por percurso ondulado “natural” com curvas planas e retas curtas, a corrida de cross-country ocorre normalmente nas diferentes categorias, de acordo com as distâncias. Figura 20 - Corredores amadores Fonte: Pixabay. Figura 21 - Corredoras de elite Fonte: Pixabay. 38 As corridas em montanha são “realizadas em terreno que seja essencialmente fora da estrada, a menos que haja um ganho signi�cativo de elevação no percurso (apresentando subidas e descidas) em cujo caso uma superfície asfaltada é aceitável” (Confederação Brasileira de Atletismo, 2016, p. 109). Figura 22 - Prova de Cross Country Fonte: Pixabay. 39 Figura 23 - Corrida de montanha Fonte: Pixabay. SAIBA MAIS Você sabia que o ex-maratonista brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima foi condecorado com a medalha Pierre de Coubertin, uma honraria do Comitê Olímpico Internacional a atletas que exempli�cam o espírito esportivo nas Olimpíadas - apenas 17 atletas já receberam o prêmio. Fonte: Globo Esporte (2014). 40 Considerações Finais Chegamos ao �m da Unidade I de nossa apostila Fundamentos Teóricos e Metodológicos de Esportes Individuais e, durante nossa caminhada, conceituamos o atletismo, conhecemos seus percursos históricos e, por �m, caracterizamos as provas do atletismo, assim como, as principais regras. Foi possível veri�car que sua origem, possui sua origem desde o início dos tempos, na era primitiva, na qual o homem precisava correr, lançar, saltar, como meio de sobrevivência. Também foi possível observar que ao longo do tempo esses movimentos básicos foram tomando forma e aperfeiçoados e deram origem à modalidade esportiva atletismo. Além disso, Apesar de ser apenas uma modalidade, o atletismo possui diversas provas com características diferentes que podem ser divididas em blocos de provas: Corridas, Marcha atlética, Saltos, Arremesso e Lançamentos e, as provas combinadas. E cada uma dessas provas apresenta suas características e regras especí�cas. Ao chegarmos no último tópico desta unidade, podemos veri�car que apesar de sempre ser falado que o atletismo é o esporte base para as outras modalidades, devido aos movimentos de correr, lançar e saltar, cada movimento desses apresentam uma especi�cidade dentro de cada prova, o que os diferencia das outras modalidades esportivas. Devendo dessa forma nós pro�ssionais o ver dessa forma para que não se perca a especi�cidade do Atletismo. Então, aluno(a), concluímos a primeira fase de nossa caminhada acadêmica, em direção à formação em Educação Física, com foco nos esportes individuais. E agora dando continuidade à nossa caminhada, vamos descobrir o que nos aguarda na Unidade II. Leitura Complementar Atletismo Teoria e Prática O atletismo, apesar de ser considerado um dos conteúdos clássicos da Educação Física, ainda é pouco difundido no Brasil. Infelizmente, não há grandes di�culdades para a constatação dessa triste realidade. Você quer ver? Pense em sua própria trajetória escolar e identi�que se o atletismo esteve presente em suas aulas de Educação Física durante os ensinos fundamental e médio. Melhor dizendo, durante suas aulas de Educação Física na escola, você aprendeu 41 atletismo? Até seu ingresso no ensino superior, qual foi o seu contato com o atletismo? Conheceu, teórica e praticamente, as diferentes possibilidades de corridas, saltos, arremessos e lançamentos? Não se assuste se a resposta foi “não”; a�nal, essa realidade, infelizmente, vem se repetindo quando a mesma pergunta é feita a universitários, em especial a graduandos do Curso de Educação Física da UNESP-Rio Claro. Para se ter uma ideia, dos 56 alunos matriculados na disciplina “Fundamentos do Atletismo” em 2002 (27 do curso de Bacharelado e 29 do curso de Licenciatura em Educação Física), apenas 15 (27%) tiveram contato com o atletismo no período escolar que antecedeu a Universidade, enquanto os 41 restantes (73%) não tiveram contato com essa modalidade esportiva no mesmo período. Ainda que uma leitura da pesquisa original deva ser feita, gostaríamos de ressaltar que, de maneira geral, a de�ciência do ensino do atletismo no período escolar que antecede a Universidade revela que os alunos chegam ao ensino superior munidos de um conhecimento restrito acerca dessa modalidade esportiva, restando-lhes apenas um exíguo conhecimento televisivo, quase sempre centrado em algumas poucas provas. Espero que, com você, esse processo tenha sido diferente! Somado à discrepância existente entre os que tiveram ou não contato com o atletismo no período escolar, notou-se que, mesmo entre aqueles, a maioria esteve em contato com corridas, sobretudo as de velocidade, ou saltos em distância e em altura, em detrimento de tantas outras provas que compõem o atletismo. Observou-se, também, que a maior parte dos alunos que tiveram contato com o atletismo estudou em escola particular, conquanto as condições de estrutura física e de materiais não devam ser consideradas como um impedimento para o ensino dessa modalidade esportiva, passível de inúmeras adaptações. Esse é um exemplo simples que retrata a de�ciência em relação ao ensino do atletismo no ambiente escolar, repercutindo em um desconhecimento dessa modalidade esportiva ao ingressar no ensino superior. Não sem propósito, vale a pena proceder a outros aprofundamentos e novas investigações capazes de revelar as causas substanciais para justi�car, irrefutavelmente, as possibilidades de ensino do atletismo na escola. Nesse sentido, observamos, de maneira geral, que o conhecimento do atletismo não é apenas restrito no campo teórico, mas, sobretudo, no campo prático, que envolve a realização de movimentos propriamente ditos. Assim, do pouco que se conhece dele, muito se confunde com a história particular de crianças – pobres, na maioria das vezes – que fazem da marcha, das corridas, dos saltos, dos arremessos e dos lançamentos um meio para a sua sobrevivência e inserção social. 42 Além disso, o que se conhece do atletismo mistura-se muito com a história dos Jogos Olímpicos, a�nal sempre fez parte de sua programação, ainda que algumas provas tenham sido incorporadas mais recentemente. Assim, não é difícil constatarmos que quase tudo o que se conhece sobre o atletismo está calcado em recordes, índices, marcas e competições – sobretudo internacionais –, que deslumbram e emocionam os observadores mais atentos e que acompanham as breves, escassas e esporádicas reportagens e informações veiculadas pela mídia brasileira. É nesse sentido que, no Brasil, em época de Jogos Olímpicos – portanto, de 4 em 4 anos –, o atletismo, de mero desconhecido da população, passa a divulgar nomes, provas, esforços físicos, conquistas e recordes, contando com o apoio dos meios de comunicação de massa, sobretudo da televisão, até mesmo em horários de grande audiência. É nesse curto espaço de tempo olímpico que grande parte da população brasileira entra em contato com as provas, os movimentos e as glórias do atletismo, capazes de comover todos aqueles que acompanham o desempenho dos atletas, transformados pela mídia em verdadeiros heróis. Fonte: MATTHIESEN (2017). 43 02 Conhecendo e Ensinando o Atletismo Introdução Ao �nalizar a unidade anterior, você deve ter se perguntadoo que virá depois? E como vamos ensinar essa modalidade que contém um elevado número de provas com diferentes especi�cidades? Vamos lá! Na etapa anterior conhecemos sobre a modalidade Atletismo, o seu histórico, assim como as provas e suas características, nesta unidade iremos dar prosseguimento ao conteúdo, de forma que você consiga veri�car como deve ser o ensinamento do atletismo em diferentes ambientes (formais e informais). Além disso, você aprenderá como adaptar o local e material para a prática da modalidade e a planejar uma aula/treino de Atletismo para diferentes populações. Sendo assim, se prepare para se aprofundar um pouco mais nessa modalidade e prepare o fôlego, pois passaremos por momentos de marcha, corridas, arremesso, lançamentos e saltos. Vamos juntos desvendar tais possibilidades! Ótimo estudo! Aspectos Pedagógicos e Metodológicos para o Ensino da Técnica e Tática do Atletismo em Ambientes Formais Caro(a) aluno(a), você já deve ter notado que estamos utilizando o termo ambiente formal. Pois é, ao mencioná-lo estamos nos referindo à escola. Sendo assim, neste tópico estudaremos os aspectos pedagógicos e metodológicos para o ensino da técnica e tática do Atletismo em ambientes formais (dimensão conceitual, atitudinal e procedimental). 45 Para adentrarmos em nossa temática especí�ca, questiono a você: você teve contato com o atletismo nas suas aulas de Educação Física no ensino fundamental e médio? Se sim, aprendeu todas as modalidades citadas na unidade anterior, assim como as suas características e possibilidades dos grupos de provas? Infelizmente, para grande parte de vocês a resposta foi não, e assim como vocês, a maioria dos graduandos do Curso de Educação Física da UNESP-Rio Claro matriculados na disciplina “Fundamentos do Atletismo” em 2002, em que apenas (27%) tiveram contato com o atletismo no período escolar que antecedeu a Universidade, enquanto os 73% não tiveram contato com essa modalidade esportiva no mesmo período (MATTHIESEN, CALVO, 2003). Observa-se que grande parte desses professores não se sentem seguros em trabalhar com a modalidade, pelo fato de não terem tido contato com todas as provas da modalidade ou realmente não ter visto praticamente nada sobre a mesma. Para que essa realidade possa mudar temos uma responsabilidade como pro�ssionais de Educação Física de contribuir para a divulgação e ensino da modalidade. Devido à complexidade da modalidade Atletismo e suas diversas provas, ela poderia ser planejada da mesma forma que as outras disciplinas como: Português, Matemática, História, Geogra�a, entre outras que em cada série temos o ensino de um determinado conteúdo e a progressão do mesmo. Em cada série poderia ser ensinado provas diferentes ou aspectos diferentes de determinadas @freepik Perante a situação acima de baixo contato dos alunos com o atletismo no ensino fundamental e médio podemos nos perguntar: será que esse baixo contato está relacionado ao fato dos professores não ensinarem ou se os mesmos não tiveram o contato com a modalidade no ensino superior? 46 provas, além de levar em consideração o desenvolvimento motor das crianças, pois dessa forma poder explorar e contribuir para o desenvolvimento do indivíduo. Segundo Gallahue e Ozmuz (2005), O ser humano, durante a sua vida, apresenta algumas fases de desenvolvimento e, em relação ao movimento, ele passa por estágios, ambos sendo in�uenciados por aspectos bio-psico-sociais, ou seja, o desenvolvimento de habilidades motoras depende e é também determinado pelo ambiente externo (oferecendo estímulos e oportunidades para a prática, incentivando, assim, a permanência) e interno (existem in�uências herdadas geneticamente nos indivíduos). Figura 1 - Ampulheta heurística das fases do movimento humano Fonte: Gallahue e Ozmuz (2005). Ao pensarmos no atletismo no ambiente formal (escolar), como devemos trabalhá-lo? de onde partimos? Provavelmente a maior di�culdade seria onde praticá-lo, entretanto o atletismo pode ser praticado em qualquer espaço. Segundo Matthiesen (2014), o ponto de partida dependerá das características de cada grupo, da estrutura e das possibilidades de desenvolvimento oferecidas pelo local em que será trabalhado e dos objetivos a serem atingidos pelo professor em cada uma de suas aulas. 47 Então nesse ambiente o objetivo do ensino do atletismo será fornecer às crianças e jovens experiências que façam com que reconheçam os movimentos, regras o�ciais e características de cada uma das provas, executando-as praticamente, de acordo com suas possibilidades, além da possibilidade de através do atletismo contribuir com o desenvolvimento motor das crianças e jovens respeitando cada fase. E nesse ambiente o foco não será o desempenho, mas sim a vivência na modalidade, para isso sugere-se a utilização de brincadeiras e jogos pré- desportivos em torno das habilidades motoras básicas do atletismo, tais como: marchar, correr, saltar, lançar e arremessar são, sem sombra de dúvida, aliadas importantíssimas na apreensão da linguagem corporal em torno dessa modalidade esportiva (MATTHIESEN, 2007; 2012a). A partir das três dimensões: conceituais, procedimentais, atitudinais (BRASIL, 1998), Matthiensen (2014), sugere a utilização das mesmas de maneira separada para o ensino do Atletismo no ambiente escolar. Dimensão Conceitual - O que se deve ‘saber’ do atletismo? Dimensão Procedimental - O que se deve ‘saber fazer’ do atletismo? Dimensão Atitudinal - Como o atletismo me ajuda a ‘ser?’ A utilização das dimensões dos conteúdos ampliará as possibilidades de abrangência e acesso aos conhecimentos concernentes a essa modalidade esportiva (MATTHIESEN, 2014). Aos poucos, os alunos perceberão que o correr, o saltar, o arremessar e o lançar do atletismo, não são simples atos de correr, saltar, arremessar e lançar, mas envolvem regras e movimentos técnicos especí�cos que fazem dessa modalidade esportiva o que ela é (MATTHIESEN, 2007; 2012a). Além de levá-lo a perceber o quanto do atletismo há em suas atividades cotidianas e como é possível inseri-lo nas atividades do dia a dia (MATTHIESEN, 2014). De acordo com as dimensões, a seguir será apresentado cada uma das dimensões e como aplicá-las nas aulas de atletismo baseado no modelo sugerido por Matthiesen, 2014. Dimensão Conceitual Nessa dimensão é fundamental se explorar fatos, conceitos e princípios (BRASIL, 1998) que abranjam, entre outras coisas: O processo histórico e, portanto, a origem e evolução das provas do atletismo; A relação de suas provas com a vida cotidiana; As capacidades físicas especí�cas de cada uma delas; 48 As diferenças regionais e culturais em torno das provas do atletismo. Dimensão Procedimental Essa dimensão está relacionada ao fazer (BRASIL, 1998). Essa parte é a maneira de como iremos ensinar a modalidade esportiva, quais estratégias utilizar. A utilização de jogos pré-desportivos e brincadeiras que envolvem habilidades motoras básicas como marchar, correr, saltar, lançar e arremessar, ainda é o melhor caminho para se iniciar um trabalho com a dimensão procedimental do atletismo (MATTHIESEN, 2014). O planejamento dessas atividades deve estar relacionado ao objetivo principal da aula: Quais provas do atletismo devem ser vivenciadas pelos alunos nessa fase de idade ou série que eles se encontram. Quais movimentos devem ser executados por eles? Nesse ponto lembrando que é apenas iniciação ao atletismo, então devemos focar nos movimentos básicos ou chave para determinada prova. Como os materiais/implementos o�ciais e alternativos do atletismo devem ser manuseados? E de acordo com a idade, pode-se acrescentar algumas regras o�ciais. Dimensão Atitudinal Nesta dimensão, a modalidade atletismo será aplicado no dia a dia das alunos, utilizando o mesmo como instrumento para estimular a re�exão sobre as normas, valores e atitudes (BRASIL, 1998) que pode in�uenciar positivamente o comportamento dos alunos perante seus colegas e demais pessoasde seu convívio, aprimorando o relacionamento social (família/amigos) fora do ambiente de ensino aprendizagem (MATTHIESEN, 2014). Ao se planejar as atividades, alguns pontos devem ser abordados nas aulas, podemos destacar: Como aprender a respeitar os adversários e a exercitar o diálogo com os demais competidores e árbitros; Quais conquistas e/ou histórias de vida podem ser resgatadas e utilizadas como exemplo de força de vontade e de superação? Promover uma re�exão sobre o meio ambiente a partir do atletismo; 49 Como o atletismo poderá estimular trabalhos em grupo de forma cooperativa e interacional, favorecendo as relações interpessoais, além de situações em que haja uma colaboração entre eles no processo de aprendizagem; De que forma o atletismo pode nos auxiliar a reconhecer e a valorizar atitudes que não sejam preconceituosas, em relação às habilidades, ao gênero, à religião, entre outras? Ético na prática do atletismo? Para o desenvolvimento da aula e o ensino da modalidade o fazer (BRASIL, 1998), a modalidade será dividida em grupo de provas de acordo com (MATTHIESEN, 2014). Marcha atlética Desenvolva as habilidades motoras (andar, correr e marchar) em diferentes ritmos, para que os alunos identi�quem as diferenças entre elas. Figura 2 - Atividade “andar caminhar” Fonte: Matthiesen, 2012, p. 33 . Ao comando do professor por um apito ou algum sinal sonoro os alunos devem alterar a caminhada com a corrida. 50 Corridas rasas, revezamento e fundo Explore ao máximo jogos de pegador, estafetas e jogos em grupo, iniciando por distâncias curtas; Para trabalhar as corridas de fundo, utilize atividades alterando o ritmo e distância. Figura 3 - Atividade “pega-pega marchando” Fonte: Matthiesen, 2012, p. 32. Deverá ser selecionado um pegador, o qual deverá pegar (tocar os outros) apenas marchando. E quem será pego também deverá apenas marchar para se deslocar. Figura 4 - Atividade “estafeta” Fonte: Matthiesen, 2012, p. 40. Os alunos dispostos em duas ou mais colunas divididas ao meio. Ao sinal, o primeiro da coluna deverá correr, indo em direção ao primeiro da equipe que está do lado oposto, tocando-lhe as mãos, e no revezamento pode-se acrescentar o bastão ou algum objeto. 51 Corridas com barreiras e obstáculos Para essas provas pode-se explorar estafetas e corridas individuais, alterando as distâncias e o tipo de obstáculos (caixas de papelão, cones, cordas). Saltos Explore todos os tipos, isto é, para cima, para baixo, para os lados, com um ou dois pés, antes de ensinar os saltos especí�cos de cada prova. Nessas provas devem ser contabilizados os saltos, para evitar lesões. Figura 5 - Atividade “losango” Fonte: Matthiesen, 2012, p. 67. O exercício será realizado em grupo. Cada grupo de alunos deverá deslocar do um ponto ao outro do losango de acordo com o tempo estabelecido pelo professor. Figura 6 - Atividade “transpondo várias cordas” Fonte: Matthiesen, 2012, p. 98. Em colunas, os alunos deverão transpor dois, três, quatro conjuntos de duas cordas colocadas paralela e sequencialmente no solo. Podendo variar a quantidade de passadas entre cada espaço, e a perna que vai passar o obstáculo. As cordas podem ser substituídas por caixa de papelão ou caixotes. 52 Arremesso e dos lançamentos Utilize jogos em grupos com bola ou com materiais de texturas e formatos diferentes, até que os alunos estejam preparados para conhecerem os movimentos especí�cos das provas. Figura 7 - Atividade “Salto marcado” Fonte: Mini Atletismo, 2014, p. 20. Para as provas de salto distância e triplo. Saltar com os dois pés ou com um de acordo com o comando do professor ou a brincadeira amarelinha. Outra alternativa é o pique pega saltando com apenas uma perna. Figura 8 - Atividade “aumenta- aumenta verticalizado” Fonte: Matthiesen, 2012, p. 139. Para as provas de salto em altura, saltar a corda que deve estar a uma altura do chão e a queda pode ser na areia ou colchão. Para o salto com vara, utilizar a vara ou alguma adaptada como a de bambu. 53 Figura 9 - Atividade “Acerte o alvo” Fonte: Matthiesen, 2012, p. 139. Atividade voltada para o lançamento de dardo. Duas equipes, dispostas em colunas de frente para um alvo suspenso, existente entre elas. A equipe marcará um ponto sempre que um de seus executantes conseguir acertar o alvo. Entretanto, essa atividade também pode ser desenvolvida com as outras provas de lançamento, porém deve-se colocar as observações dos movimentos, que devem ser realizados de acordo com a prova. Aspectos Pedagógicos e Metodológicos para o Ensino da Técnica e Tática do Atletismo em Ambientes Informais Caro(a) aluno(a), você já deve ter notado que estamos utilizando o termo ambiente informal. Pois é, ao mencioná-lo estamos nos referindo a outros ambientes fora da escola. Sendo assim, neste tópico estudaremos os aspectos pedagógicos e metodológicos para o ensino da técnica e tática do Atletismo em ambientes informais. Fora da escola, podemos visualizar a prática do atletismo em clubes que também tenham outras modalidades esportivas ou algum projeto especí�co para a prática do mesmo e, normalmente, essas equipes em sua maioria também tem uma vertente competitiva. É interessante uma parceria entre elas e as escolas para o desenvolvimento de projetos, pois nas escolas é o primeiro local de contato das 54 crianças com a modalidade, e apresentando predisposição para a prática da mesma, essas podem ser encaminhadas para a equipe e dar início aos treinamentos direcionados para a competição. Um exemplo dessa parceria, acontece em uma cidade chamada Lavras, localizada em Minas Gerais, em que temos o Centro Regional de Iniciação ao Atletismo (CRIA-Lavras). Esse projeto funciona dentro da Universidade Federal de Lavras, então os alunos da graduação ao �nal de cada semestre organizam um festival de atletismo dentro da Universidade, para isso eles passam o semestre ministrando aulas de iniciação ao atletismo em algumas escolas da cidade. E ao �nal do festival as crianças são convidadas a fazerem parte do projeto, que tem crianças desde a iniciação ao atletismo até atletas pro�ssionais. As crianças que se destacam, já são direcionadas para a equipe competitiva. Ao tratarmos do atletismo em ambientes informais abordaremos o atletismo direcionado para competições, em que daremos um pouco mais de enfoque no treinamento para melhoria da técnica de cada prova. Partimos do princípio que os indivíduos já passaram pelo processo de iniciação como abordado no tópico anterior. Entretanto, gostaria de destacar que em clubes ou equipes de atletismo também temos a parte de iniciação ao atletismo, e essa iniciação pode ser Figura 10 - Pista de Atletismo da Universidade Federal de Lavras-MG (CRIA – Lavras) Fonte: o autor. 55 realizada da mesma maneira em que foi trabalhado no tópico anterior, “Aspectos pedagógicos e metodológicos para o ensino da técnica e tática do atletismo em ambientes formais (dimensão conceitual, atitudinal e procedimental).” Aqui também será utilizada a mesma divisão padronizada anteriormente para os grupos de provas e como descritas na unidade I: Marcha atlética O sistema energético solicitado é o aeróbico, e como característica da pisada, os pés se comportam entrando em contato com o solo apoiando-se em todos os seus segmentos. Dessa forma os treinamentos devem ser direcionados para o aperfeiçoamento da técnica, mas também como a melhoria do condicionamento aeróbio (PETRIS, 2016). Abaixo algumas características importantes da prova (MATTHIESEN, 2017): Figura 11 - Detalhe da marcha atlética Fonte: Matthiesen, 2012, p. 25 (Modi�cada de Barros & Dezem, 1978, p. 90). Membros superiores: os braços devem estar �exionados a 90°, movimentados no sentido anteroposterior e de acordo com o ritmo e amplitude da passada, que impulsiona o marchador para frente. Assim, quanto mais veloz for o deslocamento do marchador, mais veloz será a movimentação dos membros superiores.Tronco: ligeiramente inclinado à frente, o tronco deverá acompanhar, de maneira oposta, os movimentos do quadril, sem que haja uma rotação exagerada. São duas as fases de apoio observadas na marcha atlética: a denominada fase de apoio simples, caracterizada pelo contato do calcanhar no solo, pela “estabilização”, quando toda a planta do pé está apoiada no solo, e pela “impulsão”, realizada a partir da ponta do pé, descrevendo, de maneira geral, o movimento de rolamento do pé sobre o solo; e a denominada fase de duplo apoio, caracterizada pelo contato da ponta do pé posterior no solo, �nalizando a impulsão, enquanto o pé dianteiro realiza o contato pelo calcanhar, iniciando o “ataque”. 56 Corridas rasas, revezamento As corridas são divididas de acordo com a sua duração e contribuição bioenergética, dessa forma os treinamentos devem ser direcionados de acordo com essas características. Mas independente da distância as corridas se resumem em três fases: Apoio, suspensão e apoio. Outro aspecto importante que se deve trabalhar nas corridas, são os educativos de corrida ou exercícios coordenativos, abaixo alguns deles (MATTHIESEN, 2017). Entretanto, de acordo com o nível de aprendizagem dos alunos, pode-se variar e aumentar a complexidade deles. Além disso, os praticantes de outras provas também podem realizar esses educativos especí�cos de corrida, assim como, os educativos especí�cos de cada prova. Figura 12 - Fases da corrida Fonte: adaptado de Müller e Ritzdorf (2000). Figura 13 - Fases da corrida Fonte: adaptado de Müller e Ritzdorf (2000). 57 Alguns fatores podem ser determinantes no resultado de uma corrida de velocidade, dentre eles podemos destacar: Tempo de reação. Força e velocidade de sprint. Resistência de sprint. Os treinamentos devem ter foco para a melhoria dessas variáveis. Nas provas de velocidade teremos a saída de blocos, que fazem muita diferença na largada e no resultado �nal da prova, devendo dedicar uma parte dos treinos voltado para eles, principalmente nas provas mais curtas. É recomendado que treine os mais variados estímulos possíveis (sonoros, visuais, de diferentes posições). Anfersen: deslocamento com base na �exão alternada dos membros inferiores de modo que os calcanhares subam próximos aos glúteos. Dribbling: deslocamento bem curto com base em um molejo apoiando-se os pés alternadamente ora na ponta, ora na planta, com ligeira �exão dos joelhos. Skipping: deslocamento com base na elevação alternada dos joelhos até a altura do quadril, mantendo o tronco ereto e os membros superiores no sentido antero posterior, de acordo com o movimento da corrida, priorizando-se a frequência e a coordenação dos movimentos Hopserlauf: deslocamento com saltos “repicados” (saltitamento duplo na perna de impulsão) alternando-se membros inferiores e superiores. Figura 14 - Sequência completa da saída de bloco Fonte: Matthiesen, 2014, p. 25. 58 Nas provas de revezamento temos as passagens dos bastões, que é o grande momento. Ele é exaustivamente treinado pelas equipes, pois a passagem mal sucedida ou o não acontecimento dela pode trazer resultados bastante penosos, como a perda de tempo ou no pior dos casos a desclassi�cação da equipe (PETRIS, 2016). Para que as passagens sejam bem sucedidas, deve-se ter uma sintonia entre os atletas. Para as provas temos dois tipos de passagens, a “visual” normalmente utilizada no revezamento 4x400 m, caracterizada pelo atleta �car olhando para trás incentivando o atleta que está vindo, pois na maioria das vezes já está bem cansado (PETRIS, 2016). Por outro lado, no revezamento 4x100m as passagens devem ser realizadas mais rápidas e para não perder tempo elas são realizadas de maneira “não visual” (PETRIS, 2016). Além do tipo de passagens, temos o estilo de passagens do bastão: na “passagem ascendente”, o corredor deve entregar o bastão de forma ascendente (de baixo para cima) e colocá-lo entre o indicador e o polegar de quem recebe, os quais devem estar bem afastados (BARALDI e OLIVEIRA, 2019). E na “passagem descendente”, normalmente utilizada por atletas mais experientes, o corredor deve entregar o bastão de forma descendente (de cima para baixo) e colocá-lo na palma da mão, que deve estar bem aberta, de quem recebe (BARALDI e OLIVEIRA, 2019). Aos seus lugares: o corredor tem de se colocar nos blocos de partida e de�nir a posição inicial. Prontos: ele se move, colocando-se na posição ideal para à partida. Partida: aluno abandona os blocos e realiza a primeira passada de corrida. Aceleração: ele aumenta a velocidade e faz a transição para a corrida de velocidade máxima. 59 Figura 17 - Pista de atletismo e as zonas de passagem de bastão da prova de revezamento 4x100m Fonte: Adaptado de Müller e Ritzdorf, 2000; Baraldi e Oliveira, 2019, p. 72. Em relação às corridas rasas de meio fundo e fundo que vão de 800 a maratona, o que devemos priorizar no planejamento dos treinamentos são as características bioenergéticas das provas, ou seja, na prova de 800 m temos umas contribuição maior do metabolismo anaeróbio em relação ao aeróbio, e essa proporção vai mudando de acordo com que vai aumentando a distância da prova. Dessa forma, Figura 15 - Passagem de bastão ascendente Fonte: Adaptado de Müller e Ritzdorf (2000); Baraldi e Oliveira (2019, p. 76 e 77). Figura 16 - Passagem de bastão descendente Fonte: Adaptado de Müller e Ritzdorf (2000); Baraldi e Oliveira (2019, p. 76 e 77). 60 o primeiro passo é realizar a classi�cação bioenergética da prova antes de iniciar a prescrição de treinamento. Outro fator de extrema importância a se trabalhar nessas provas é o ritmo de corrida (MATTHIESEN, 2014). Corridas com barreiras e obstáculos A técnica da corrida sobre barreiras é formada por três fases: impulsão, transposição e recepção. A transposição tem como objetivo principal minimizar o tempo de suspensão. Para que isto ocorra de forma rápida, é necessário dominar a técnica, pois ela permitirá ao atleta cumprir esse objetivo (LOHMANN, 2011; BARALDI e OLIVEIRA, 2019). Figura 18 - Fases da corrida Fonte: adaptado de Müller e Ritzdorf (2000); Baraldi e De Oliveira 2019, p. 66. 61 Na prova com obstáculos as fases são as mesmas, porém os corredores podem apoiar nos obstáculos para ultrapassá-los. O treinamento técnico das duas provas é parecido, em ambas deve-se treinar bastante a técnica de passagem de barreira e obstáculo. Saltos Para os saltadores temos algumas características que são pertinentes a um bom saltador: velocidade; força; impulsão; habilidade; domínio da técnica, com isso o planejamento dos treinamentos deve levar em consideração esses aspectos. Nessas provas o controle da quantidade de saltos é de extrema importância. De acordo com Baraldi e Oliveira (2019), os saltos, em geral, são divididos em quatro fases: Impulsão: O corredor tem de se colocar nos blocos de partida e de�nir a posição inicial. Transposição: Minimizar a perda de tempo na suspensão da transposição. A perna de ataque deverá �car totalmente estendida sobre a barreira e o joelho está �exionado e o pé da perna de rebote também; o joelho deve ser puxado muito rapidamente para cima e para frente. Recepção: transferir a passagem da barreira para a corrida. Corrida entre as barreiras: Após a recepção ele deverá correr até a próxima barreira. 62 Fase da corrida (antecede e prepara o salto) que o objetivo de ganho de velocidade; Fase da impulsão ou chamada: esta fase é determinante e fundamental para todos os saltos, pois de�ne a altura do centro de gravidade e a trajetória do corpo do saltador Fase suspensão ou voo (fase aérea): nesta fase, para os saltos horizontais (em distância e triplo), o saltador deverá evitar a redução da distância do tamanho do salto e deve preparar-se para a queda. Nos saltos verticais (em altura e com vara), o saltador deverá evitar a redução da altura do percurso para assegurar a boa transposição da barra. A fase de queda: nesta fase, para os saltos horizontais,o saltador deverá minimizar a distância do contato inicial dos pés com o solo. Já no salto triplo, cada queda de cada salto é utilizada como transição para o salto seguinte. Nos saltos verticais, a queda deverá ser utilizada de forma segura para evitar lesões. Com algumas particularidades, o salto com vara tem algumas adaptações para o uso do implemento (vara). Porém, no salto triplo, temos a mesma sequência feita por três vezes consecutivas. No salto em distância ainda podemos destacar três estilos de saltos: grupado, arco e passada no ar (ou hitch kick) hoje utilizado pela grande maioria dos atletas de alto nível (MATTHIESEN, 2017). Figura 19 - Tipos de saltos em distância Fonte: Matthiesen, 2014, p. 95. 63 O salto triplo consiste basicamente na realização de três saltos sucessivos, onde o atleta realiza os dois primeiros com a sua perna de impulsão (perna forte) e o último salto é feito com sua perna fraca. Além disso, é considerada uma das provas mais complexas do atletismo. O salto em altura é uma das provas que mais evoluiu no atletismo, devido aos diferentes tipos de saltos que contribuíram para a melhoria das marcas. Dentre os saltos podemos destacar: o estilo tesoura, utilizado na iniciação, não tem a necessidade de um colchão; o estilo “rolo ventral”; e o mais utilizado atualmente, o estilo “fosbury �op”, ou de costas (MATTHIESEN, 2017). Figura 20 - Fases do salto em distância Fonte: adaptado de Müller e Ritzdorf (2002); Baraldi e Oliveira 2019, p. 98. Figura 21 - Fases do salto triplo Fonte: adaptado de Müller e Ritzdorf (2002); Baraldi e Oliveira 2019, p. 98. 64 O salto com vara é considerado a modalidade esportiva mais complexa, além do treinamento básico para a prova é recomendado que os atletas também façam aulas de ginásticas, para o aprimoramento dos movimentos. Figura 23 - Fases do salto com vara Fonte: acesse o link disponível aqui Figura 22 - Fases do salto em altura, “fosbury �op” Fonte: adaptado de Müller e Ritzdorf (2002); Baraldi e Oliveira 2019 p. 98. 65 https://msccristianafurlancaporrino.blogspot.com/2016/08/a-engenharia-do-salto-com-vara.html Arremesso e lançamentos Dentre as provas, de acordo com as nomenclaturas do atletismo, temos apenas uma prova de arremesso que é o arremesso de peso e as outras todas são consideradas lançamentos. Arremesso de peso A técnica O’Brien, é também conhecida como arremesso de costas, é uma das mais utilizadas em todo o mundo (PETRIS, 2016). No que diz respeito ao arremesso do peso lateral, segundo Matthiesen (2017). Sugere-se que, na fase de aprendizado, se inicie pelo arremesso do peso lateral sem deslocamento (parado). A partir dele, o aluno poderá aprender o arremesso do peso lateral com deslocamento, inicialmente sem que haja troca de pés (reversão), até que se tenha condições de realizá-la. Na sequência do aprendizado e de acordo com as possibilidades do arremessador, outros estilos poderão ser experimentados, como o estilo O’Brien e o estilo rotacional (ou com giro), ambos inicialmente sem a troca de pés (reversão) até que se tenha condições de realizá-la (MATTHIESEN, 2017). O que se deve priorizar no ensino do arremesso do peso é que peso não deve perder o apoio com o pescoço até o momento �nal do arremesso e o mesmo deve ser empurrado para cima e para frente. Figura 24 - Fases do arremesso de peso Fonte: adaptado de Müller e Ritzdorf (2002); Baraldi e Oliveira 2019, p. 140. 66 Os movimentos dos lançamentos são divididos em quatro fases, conforme Fernandes (1978), e são comuns a todos: preparação, construção do movimento, lançamento, recuperação. De acordo com Baraldi e Oliveira (2019): Na fase de preparação, o aluno deverá pegar o implemento e se preparar para a construção do movimento. Na fase de construção do movimento, o objetivo é aumentar a velocidade do lançamento e acelerar a velocidade do corpo e do implemento para o nível ideal. Essa velocidade é feita em um movimento linear (reto) no lançamento do dardo e no arremesso do peso e, em movimentos rotacionais, no lançamento do disco e do martelo. Na fase de lançamento, a velocidade é armazenada, aumentando a transferência do peso do corpo para o implemento que será lançado. Existe um momento, em todos os lançamentos, que é chamado de posição de forma, é a ligação entre a construção do movimento e o lançamento. Na fase de recuperação: O objetivo desta fase é a estabilização do corpo a �m de evitar que sejam ultrapassados os limites da borda do setor de lançamento. O treinamento para essas provas, além de ter um grande percentual de treino técnico para melhoria da técnica de dos lançamentos para cada prova especí�ca, deve-se dar uma atenção muito grande aos treinos de força destinados a esses atletas, tanto para membros superiores quanto inferiores, pois os movimentos de pernas são muito importantes para os lançamentos. Quadro 1 - Erros comuns e correções do arremesso do Peso ERROS CORREÇÕES Arremesso do peso muito baixo. Colocação de alvos que estimulem o arremesso do peso para cima e para frente. Ex.: uma corda estendida. Execução de um lançamento e não de um arremesso. Realizar exercícios especí�cos para o encaixe correto da empunhadura, em duplas, contra a parede. Flexão do punho para baixo no momento do arremesso. A palma da mão deverá estar voltada para fora. Exercícios especí�cos com esse foco. Fonte: Adaptado de Matthiesen (2017). 67 Matthiesen (2017), destaca alguns erros comuns que ocorrem em cada uma das provas e possíveis exercícios para correção: Lançamento do dardo Figura 25 - Fases do lançamento do dardo Fonte: adaptado de Müller e Ritzdorf (2002); Baraldi e Oliveira 2019, p. 140. Quadro 2 - Erros comuns e correções do lançamento do dardo ERROS CORREÇÕES Diminuição da velocidade ao iniciar a passada cruzada. Realizar exercícios que combinem a corrida de aproximação com a passada cruzada. Saltar durante a execução da passada cruzada. Realizar exercícios especí�cos da passada, procurando executá-las de forma rasante. Transposição da linha limite no momento do lançamento. Exercícios que favoreçam a retomada do equilíbrio após o lançamento ou introdução do movimento de reversão. Fonte: Adaptado de Matthiesen (2017). 68 Lançamento do disco Figura 26 - Fases do lançamento de disco Fonte: adaptado de Müller e Ritzdorf (2002); Baraldi e Oliveira 2019, p. 140. Quadro 3 - Erros comuns e correções do lançamento do disco ERROS CORREÇÕES Manuseio do disco. Exercícios de adaptação ao implemento. Salto no momento da realização do giro. Exercícios que acentuam a velocidade de deslocamento (rente ao solo) durante o giro. Posicionamento antecipado do braço de lançamento. Realizar movimentos isolados da fase �nal do lançamento: braço atrasado em relação ao corpo. Di�culdades com a recuperação do equilíbrio. Exercícios visando a parte �nal do lançamento, introduzindo-se o movimento de “troca de pés”. Fonte: Adaptado de Matthiesen (2017). 69 Lançamento do martelo Figura 27 - Fases do lançamento do martelo Fonte: adaptado de Müller e Ritzdorf (2002); Baraldi e Oliveira 2019, p. 140. Quadro 4 - Erros comuns e correções do lançamento do martelo ERROS CORREÇÕES Flexão contínua dos braços durante a realização dos molinetes. Executar os molinetes separadamente, utilizando bastão e cordas. Transferência de peso do corpo e imobilidade do quadril. Exercícios com bastão e cordas, a �m de observar o movimento do quadril e dos membros inferiores. Ultrapassagem do arco de lançamento na �nalização. Realização de exercícios para a retomada do equilíbrio após a execução do lançamento. Fonte: Adaptado de Matthiesen (2017). 70 Espaço Físico, Materiais O�ciais e Adaptações No primeiro momento a maior di�culdade para se trabalhar o atletismo parece ser o espaço, pois na maioria das vezes é possível observar a sua prática em uma pista o�cial de 400 metros. Pois não, o atletismo, principalmente na iniciação, pode ser praticado em qualquer espaço, desde umpátio pequeno até uma pista o�cial de atletismo. Essa falta de espaço normalmente é observada nas escolas, então utilize o espaço que tiver disponível: pista, quadras, pátio, espaço com grama ou areia, sala de aula, adapte suas atividades de acordo com o espaço disponível. São muitas as possibilidades de adequações e de aprofundamento dos conhecimentos e vivências, basta que haja criatividade! (MATTHIESEN, 2014). 71 No atletismo temos diversos materiais e implementos, que vão desde materiais simples até outros mais complexos com elevado custo �nanceiro. Entretanto, da mesma maneira que a pista, podemos adaptar utilizando materiais alternativos e desenvolver a modalidade esportiva (MATTHIESEN, 2014). Abaixo temos algumas opções de utilização de material alternativos para os diferentes grupos de provas: Figura 28 - Miniatletismo - Iniciação ao Esporte Fonte: acesse o link disponível aqui 72 https://www.miniatletismo.com.br/ Quadro 5 - Materiais alternativos para as provas de corrida Para CONFECCIONAR MATERIAL UTILIZADO Raias giz branco ou �ta crepe para demarcá-las na quadra esportiva; barbantes colocados no chão ou suspensos, a 30 cm do solo, demarcando-as; cordas ou linhas traçadas no chão para delimitá-las. Blocos buracos cavados no chão, caso o piso seja de terra; companheiro para apoio dos pés. Barreiras barbante de 50 cm amarrados ou cabo de vassoura sobre 2 garrafas plásticas tipo pet; 1 cabo de vassoura (ou folha de jornal dupla enrolada) sobre 2 latas de tinta de 10 L ou de 50 L; 1 cabo de vassoura sobre 2 cones ou 2 banquinhos ou 2 caixas de papelão; caixas de papelão, colocadas no chão invertidas para baixo; canos de PVC encaixados, no formato da barreira. Obstáculos caixotes de madeira resistentes, no chão, boca para baixo; bancos suecos, �xos nas extremidades. Bastões gravetos ou tubos de PVC de 30 cm, com as extremidades contornadas com �ta crepe; 1 folha de jornal enrolada no formato de um bastão de 0,30 cm, envolvida em papel contact ou plástico para preservá-lo. Fonte: MATTHIESEN (2014, p. 41). 73 Quadro 6 - Materiais alternativos para as provas de salto Para CONFECCIONAR MATERIAL UTILIZADO Caixa de areia giz branco, barbante ou �ta crepe para delimitação do espaço correspondente na quadra esportiva; cordas e cones para delimitação do espaço na quadra esportiva. Tábua de impulsão giz branco, barbante ou �ta crepe para delimitação do espaço correspondente à tábua de impulsão, na quadra esportiva; demarcar o local da impulsão utilizando um arco (bambolê), de acordo com a distância adaptada para o salto em distância (30 cm) e para o salto triplo (2 m) em relação ao local de queda. Impulsão caixotes de madeira resistentes, step, banco sueco ou a tampa do plinto. Cuidado para não escorregar no ato da impulsão. Setor de queda colchões para amortecimento da queda, com cuidado para que não escorreguem, segurando-os de encontro ao solo. Poste 2 gravetos dentro de garrafas pet, com suporte para o sarrafo e a �ta métrica para medição, ou garrafas pet e corda elástica. Sarrafo 1 graveto com cerca de 3 m de comprimento; cordas elásticas ou trançadas com tecido. Vara cabos de vassoura ou caibros; varas de bambu com 2 m de comprimento. Fonte: MATTHIESEN (2014, p. 41). 74 Quadro 7 - Materiais alternativos para as provas de arremessos e lançamentos Para CONFECCIONAR MATERIAL UTILIZADO Peso jornal amassado no formato de bola, que caiba na palma da mão. Colocá-la em 1 meia ou sacola plástica, fechada com �ta crepe ou costurada. O peso poderá ser aumentado com areia. Pelota jornal amassado no formato de uma bola, tipo tênis. Colocá-la dentro de 1 meia ou sacola plástica, fechada com �ta crepe ou costurada, cujo peso poderá ser aumentado colocando-se areia. Dardo folha de jornal dupla, enrolada no formato de um dardo, contornando-o com papel contact; cabo de vassoura ou bambu, contornando-se a empunhadura com barbante. A ponta poderá ser confeccionada com garrafa pet ou uma bolinha de meia/ borracha, facilitando a queda. Disco 2 pratinhos de bolo ou círculos de papelão, com jornal amassado ou 1 saco com areia dentro, para �car mais pesado. Contornar os pratos com �ta crepe ou com uma borracha de mangueira, envolvendo-o com papel alumínio ou plástico. Martelo jornal amassado no formato de uma bola que caiba na palma da mão. Colocá-la em 1 meia de nylon ou sacola plástica, fechada com �ta crepe ou costurada. O peso poderá ser aumentado com areia. Para o cabo, utilizar a meia de nylon trançada ou uma corda. Para a empunhadura, utilizar 1 pedaço de borracha no formato de 1 triângulo ou um rolo usado de durex ou �ta crepe. Setor de queda de arremesso e lançamentos giz branco, barbante ou �ta crepe para delimitação do espaço correspondente na quadra esportiva, no formato em ‘V’. Círculo de arremesso e lançamento giz, barbante ou cordas para delimitar o círculo de acordo com a prova. Fonte: MATTHIESEN (2014, p. 43). 75 Organização e Estruturação de Aulas para o Trabalho com a Iniciação do Atletismo no Âmbito do Esporte Educacional e Esporte de Rendimento Agora veremos alternativas de como planejar uma aula de atletismo tanto no âmbito Educacional quanto no esporte de alto rendimento. Como exemplo utilizaremos a mesma modalidade para os dois ambientes para detectarmos as diferenças dos planejamentos. O primeiro passo para o planejamento das aulas é ter um objetivo do que irá trabalhar na aula. Para o nosso exemplo de aula/ treino, iremos desenvolver a prova de salto triplo, que é uma das provas que mais trouxe vitórias para o Brasil no atletismo. Âmbito do Esporte Educacional Como vimos no início desta unidade, a atletismo no ambiente escolar pode ser planejada seguindo as três dimensões (BRASIL, 1998), e nas aulas veremos como elas se interagem no planejamento e decorrer da mesma. Tema: conhecer o salto triplo do atletismo. Conteúdos conceitual, procedimental e atitudinal. Conceitual: Conhecer o salto triplo como sendo a prova em que o Brasil mais conquistou medalhas olímpicas no atletismo. Procedimental: Vivenciar o salto triplo a partir de jogos pré-desportivos. Atitudinal: Evidenciar as diferenças existentes entre a participação masculina e feminina nesta prova, tendo como base as vivências e as atitudes de meninos e meninas nas aulas. 76 Parte inicial da aula É nessa parte em que iremos explorar a dimensão conceitual, em que serão desenvolvidas atividades que proporcione aos alunos conhecerem a prova, assim como seus recordistas (MATTHIESEN, 2014). Roda de conversa inicial �. Pergunte para os alunos se eles conhecem a prova, se já ouviram falar da mesma. Apresente imagens de alguns atletas brasileiros que foram destaques nessa prova. �. Com base em imagens de Adhemar Ferreira da Silva, Nelson Prudêncio e João Carlos de Oliveira (João ‘do Pulo’), apresenta aos alunos as maiores conquistas do salto triplo brasileiro. �. Traga uma comparação da evolução dos recordes para essa prova �. Apresente vídeos para que eles possam ver como é a prova de salto triplo. �. E faça uma re�exão com eles, perguntando porque determinados países são melhores nessa prova comparado a outros. Se tem uma característica comum entre os atletas. Parte intermediária da aula É nessa parte em que iremos explorar a parte procedimental, em que tem que ser desenvolvidas atividades que proporcione aos alunos a vivenciarem a prova. �. Como aquecimento da aula, pode ser desenvolvida a atividade “mamãe da rua”, essa brincadeira consiste em que um pegador ou mais �cam em um determinado espaço, e as outras pessoas devem atravessar de um lado para o outro sem que o pegador as pegue. Para o salto triplo podemos adaptar estabelecendo que todos tenham que saltar em só uma perna, depois só sobre a outra e, pode ir di�cultando, apenas dois saltos com cada perna. �. No espaço correspondente às marcas dos recordistas, colocar quatro arcos em sequência, com espaço de 30 cm entre eles. À frente doúltimo arco, haverá uma letra do nome do atleta, escrita em um pedaço de papel. 77 Parte �nal da aula É nessa parte em que iremos explorar a parte atitudinal (MATTHIESEN, 2014). Roda de conversa �nal �. Discuta com os alunos as diferenças entre as marcas dos atletas do salto triplo, levantando os principais motivos que poderiam ter contribuído para essa evolução. �. Discuta com os alunos as principais razões para que o salto triplo seja a prova em que o Brasil mais conquistou medalhas olímpicas no atletismo. �. Discutir com os alunos como as potencialidades individuais podem ser valorizadas em uma aula ou competição do salto triplo, sem que os menos habilidosos sejam menosprezados; �. Discutir porque temos um baixo número de mulheres nessa prova. Avaliação Ao �nal da aula, o professor deverá fazer uma avaliação do aprendizado dos alunos para dessa forma planejar as aulas seguintes. @davit85 em freepik Distribuídos em quatro colunas, os alunos deverão correr em direção aos arcos posicionados ao �nal das marcas dos recordistas, saltando dentro deles alternando- se os pés, sendo que no último arco executarão a queda com os dois pés. Retirarão um papel de uma caixa de papelão, retornando para a coluna com uma das letras do nome do atleta em mãos. Ao �nal da atividade, o grupo deverá formar o nome do atleta (MATTHIESEN, 2014). 78 Esportes de alto rendimento Quando pensamos no planejamento do treinamento do atletismo voltado para o alto rendimento, o objetivo principal é a melhoria do desempenho. Dessa forma, para que se obtenha os melhores resultados nos treinamentos, os mesmos devem ser planejados de maneira individualizada. Parte inicial do treino �. O treino começa com um aquecimento de corrida, por exemplo, ou podendo utilizar outras formas para o aquecimento. �. Educativos: realiza-se alguns que são comuns para todas as provas e depois realiza os que são especí�cos para a prova do salto triplo. Parte intermediária ou principal do treino Nessa parte temos dois tópicos especí�cos para trabalhar: A técnica do salto e treinamento de força. Normalmente trabalha-se a parte técnica antes das outras partes, quando o objetivo é a melhoria da técnica. @freepik Assim como no planejamento no âmbito educacional, no alto rendimento a aula ou treino deve ter um objetivo especí�co. Vamos imaginar a situação hipotética: Após as avaliações de rotina foi detectado que ele está com di�culdade de fazer o segundo salto com a mesma perna devido a um desequilíbrio muscular na perna, além da di�culdade em �nalizar o salto na areia. Objetivo da sessão de treino: Treino técnico para �nalização do salto e treino de força. 79 1) Para melhorar a parte de �nalização do salto, iremos sugerir os seguintes exercícios: Com auxílio de um plinto ou caixote o atleta efetuará um passo e o impulso em um dos pés em um caixote (ou tampa de plinto), observando o local da queda (MATTHIESEN, 2017). Figura 28 - Exercício de salto sobre o caixote Fonte: Matthiesen, 2014, p. 102. Correr de 5 a 6 m antes de começar a saltar. A partir de uma marca, realizar o hop e o step. A queda do step deverá ser sobre uma plataforma de 15 cm de altura. Após a plataforma, deverá ser realizado o jump ou o salto, caindo na areia. O ritmo entre os saltos deverá ser mantido (BARALDI e OLIVEIRA 2019). Figura 29 - Exercício para o salto triplo com plataforma Fonte: adaptado de Müller e Ritzdorf (2002); Baraldi e Oliveira 2019, p. 109. 80 2) E na segunda parte do treino será focado no treinamento de força para membros inferiores (pernas). Pode ser realizado um treino geral de membros inferiores tanto na academia ou com pesos livres. Só terá que levar em consideração um detalhe: como o atleta está com desequilíbrio muscular em uma das pernas, então deve-se realizar mais exercícios ou algum especí�co para essa perna. Em relação ao número de repetições e de saltos do treino técnico, irão depender das características do atleta, assim como a fase do treinamento que ele se encontra. Parte �nal do treino Nessa parte temos a volta a calma, que pode ser realizada alguma atividade de baixa intensidade seguida de um período de alongamento. Em alguns lugares os atletas têm à disposição �sioterapeutas que sempre realizam alguma ação para acelerar o processo de recuperação muscular. REFLITA Você pro�ssional em Educação Física pode ser a primeira pessoa a apresentar o atletismo a alguém, talvez isso fará com que ela mantenha a prática da atividade ou que ela desista da prática. Então ao ensinar, respeite a individualidade de cada pessoa, pois ninguém nasce bom no esporte, porém com o treinamento ela pode melhorar. E mesmo que ela não se torne um grande atleta, você contribuiu para a formação dela como pessoa. 81 SAIBA MAIS A prova de salto triplo foi a que os brasileiros mais tiveram destaque no atletismo. São eles: Adhemar Ferreira da Silva, cuja melhor marca foi 16,56 m, obtida em 16/03/1955 durante os Jogos Pan-Americanos realizados na Cidade do México, consagrando-se recordista mundial da prova até 28/07/1958, quando o soviético Oleg Ryakhovsky o superou, saltando 16,59 m. Além disso, Adhemar consagrou-se campeão do salto triplo nos Jogos Olímpicos de Helsinque, em 1952, e de Melbourne, em 1956. Foi também na Cidade do México que Nelson Prudêncio, anos depois, saltaria 17,27 m em 17/10/1968. A posição de recordista durou não mais do que meia hora, já que o soviético Viktor Saneyev, nesses mesmos Jogos Olímpicos, saltou 17,39 m, registrando o novo recorde mundial da prova, enquanto Nelson foi premiado com a medalha de bronze. Ainda na Cidade do México, o triplista João Carlos de Oliveira, mais conhecido como “João do Pulo”, superou, em 15/10/1975, o recorde de 17,44 m obtido por Viktor Saneyev em Munique, no dia 17/10/1972. Nessa ocasião, João saltou 17,89 m, marca que perdurou como recorde até 16/06/1985, quando Willy Banks o ultrapassou com seus 17,97 m. Além disso, vale destacar a medalha de bronze conquistada por João Carlos de Oliveira nos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980. Fonte: MATTHIESEN (2017). 82 Considerações Finais Chegamos ao �m da Unidade II de nossa apostila de Práticas de Ensino em Esportes Individuais e, durante nossa caminhada, no primeiro tópico veri�camos como deve ser o ensinamento do atletismo no ambiente formal (escolas). Podemos compreender que as atividades nesse ambiente devem ter mais o foco de vivência na modalidade atletismo, devendo priorizar as brincadeiras para promover a iniciação ao atletismo. No segundo tópico estudamos como deve ser o ensinamento do atletismo no ambiente informal, que esse tem o direcionamento mais competitivo. Dessa forma, os treinamentos são direcionados para melhoria da técnica e consequentemente do desempenho, partindo do princípio do ponto chave de cada prova. Apesar de ser uma modalidade realizada na pista e que utiliza diversos materiais, no tópico 3 vimos algumas alternativas de local para a prática da modalidade, além da adaptação de material para a prática da modalidade. E por �m, veri�camos como deve ser o planejamento de uma aula/treino de Atletismo para diferentes populações, que independente dos praticantes ela deverá ser planejada a partir de um objetivo do que se pretende desenvolver durante a aula. Ao chegarmos no último tópico desta unidade, podemos veri�car que apesar de sempre ser falado que o atletismo é o esporte base para as outras modalidades, devido aos movimentos de correr, lançar e saltar, cada movimento desses apresentam uma especi�cidade dentro de cada prova, o que o diferencia das outras modalidades esportivas. Devendo dessa forma nós pro�ssionais o ver dessa forma para que não se perca a especi�cidade do Atletismo. Concluímos mais uma etapa em busca de novos conhecimentos acerca dos Esportes Individuais, e nessa unidade encerramos a modalidade Atletismo. Espero que ela faça parte das suas aulas e treinos futuramente. Vamos com ânimo para próxima unidade, pois nela vocêaprenderá uma nova modalidade esportiva. 83 Leitura Complementar Atletismo feminino nos Jogos Olímpicos A primeira participação das mulheres na modalidade de atletismo feminino ocorreu durante os esportes de exibição dos Jogos Olímpicos-JO, no ano de 1900. Contudo, somente nos Jogos de Amsterdã, realizados entre 17 de maio e 12 de agosto de 1928, o atletismo feminino foi inserido, dando destaque para a atleta americana Betty Robinson, a primeira mulher a vencer os 100m. A participação feminina brasileira no atletismo em Jogos Olímpicos ocorreu em Londres no ano de 1948, quando se destacou Benedicta Sousa de Oliveira, hoje considerada uma das maiores modelos de atleta olímpica do país. No decorrer dos anos os Jogos Olímpicos mostraram um acréscimo gradual e progressivo na participação das atletas brasileiras. Entretanto, o atletismo feminino não acompanhou esse índice, mantendo uma média semelhante àquela da primeira participação no atletismo feminino, nos JO de 1948. A maior delegação no atletismo feminino foi composta por nove mulheres nos JO de Atlanta, em 1996. Para aumentar o número de mulheres no atletismo de alto nível, segundo estudiosos da modalidade, é preciso criar um ambiente esportivo inclusivo, que englobe mulheres em todos os níveis do atletismo, para que suas vozes sejam ouvidas e suas experiências e perspectivas re�etidas nas decisões das organizações do esporte. Apesar do baixo número de mulheres no alto nível do atletismo, podemos destacar uma brasileira para a prova de salto em distância: a atleta Maurren Maggi foi medalhista de ouro na prova de salto em distância nas Olimpíadas de Pequim 2018. Fonte: DE OLIVEIRA e COSTA (2016). 84 03 Esportes Individuais: Natação Introdução Após estudarmos os contextos históricos, as características e provas do atletismo, bem como os aspectos pedagógicos do ensino e aprendizagem do atletismo chegamos ao momento de compreender e conceituar outra modalidade de esporte individual: a natação! Nesta unidade iremos aprender sobre a história da natação, os cuidados que devemos ter em ambiente aquático e o processo de ensino aprendizagem dos quatro nados. Após isso, iremos aprender sobre as provas de natação e suas regras o�ciais. Você pode estar se perguntando, mas como vou aprender sobre natação se eu mesmo não sei nadar? Fique tranquilo(a)! Nesta unidade você aprenderá como ensinar natação e como trabalhar com esta modalidade esportiva! Sim, caro aluno(a) é isso mesmo! Mas para que você tenha sucesso, o conhecimento sobre a história da natação, os cuidados em ambiente aquático e as regras o�ciais é algo indispensável. Portanto, dedique-se aos estudos e mergulhe na leitura! Vamos em frente? Bons estudos! Introdução a Natação: O Panorama Histórico da Natação de sua Origem a Contemporaneidade Qual a origem da natação? Esta será a primeira pergunta que iremos responder! De fato, nós podemos imaginar que a natação não deve ser um esporte tão recente, os primeiros registros históricos sobre a natação foram encontrados no Egito no ano 5000 a.C, entretanto, nesta época, a natação ainda não era considerada um esporte, mas sim uma mera função de sobrevivência em 86 ambiente aquático (SAAVEDRA et al., 2003). Na Grécia antiga, a natação era considerada fundamental para a formação física de jovens e soldados, mas foi somente a partir do século XVII que os estilos de nados e as regras começaram a ser estabelecidas (COB, 2020). A primeira disputa o�cial de uma prova de natação ocorreu em 1858 na Austrália! Isso mesmo, somente em meados do século XIX! Desde então a natação foi evoluindo e em 1896, a natação foi incluída pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Atenas, sendo realizadas três provas o�ciais: 100m, 500m e 1200m de nado livre. As provas foram realizadas em mar aberto! Isso mesmo! As primeiras provas o�ciais de natação nos Jogos Olímpicos não foram realizadas na piscina! As competições o�ciais de natação em piscina só começaram a ser realizadas, anos depois. De acordo com a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), o primeiro campeonato o�cial de natação no Brasil aconteceu em 1898 no Rio de Janeiro e consistiu na travessia entre a Fortaleza de Villegaignon e a praia de Santa Luzia, uma distância de 1500m de nado livre. As competições o�ciais de natação em piscinas fechadas começaram a ser realizadas somente no século XX, entre os anos de 1930 e 1940, após a criação da Federação Internacional de Natação (FINA). A FINA foi fundada em 1908 e é uma entidade reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), responsável por administrar competições internacionais de natação. Desde a determinação das medidas o�ciais das piscinas de competição de natação até as regras o�ciais, as competições internacionais de natação seguem as diretrizes estabelecidas pela FINA. 87 Atualmente as competições o�ciais de natação em piscinas fechadas incluem a realização de quatro nados (crawl, borboleta, peito e costas) em diferentes distâncias, realizados de forma individual ou combinados (medley). Mas isto nós veremos com mais detalhes a seguir! Portanto, nesta primeira parte vimos que a natação é uma modalidade esportiva antiga que foi incluída pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Atenas de 1858 e as criações das entidades regulamentadoras permitiu a evolução e a padronização da natação como modalidade esportiva. @freepik Cuidados em Ambiente Aquático e Processo de Ensino - Aprendizagem Caros alunos(as), até o momento, nós aprendemos sobre a história da natação e sua organização por diferentes entidades nacionais e internacionais. A partir deste ponto, iremos aprender como ensinar e trabalhar com natação com nossos No Brasil, as competições o�ciais nacionais são organizadas pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) . Fundada em 1977, a CBDA além da natação, também administra outras quatro modalidades: águas abertas, polo aquático, saltos ornamentais e nado artístico. Filiada a CBDA, as Federações Estaduais de Desportos Aquáticos, também são responsáveis por organizar e administrar competições regionais e estaduais em todo território brasileiro. 88 futuros alunos(as). Portanto, a primeira pergunta que devemos fazer é: como ensinar natação? Quais os aspectos e cuidados que devemos ter ao trabalhar em um ambiente aquático? Estas são algumas perguntas que iremos responder neste tópico! O processo de ensino e aprendizagem da natação, incluindo o ensino dos seus diferentes nados (crawl, borboleta, costas e peito) começa com a adaptação ao meio aquático. Por mais simples que pareça, esta é considerada uma das principais fases do ensino aprendizagem da natação. Vale lembrar que muitas pessoas incluindo, crianças, jovens e adultos, ao fazer a matrícula em escolas de natação, visam não apenas ser um(a) atleta pro�ssional, mas o objetivo da grande maioria é simplesmente aprender a nadar! Ou apenas, perder o medo de permanecer em um ambiente aquático! Portanto, saber como trabalhar a adaptação ao meio aquático é o diferencial de grandes técnicos e treinadores! Vale ressaltar aqui que o meio aquático produz uma sensação de estímulos diferente ao nosso corpo quando comparado ao meio terrestre. Por exemplo, quando uma pessoa entra em um meio aquático (em uma piscina, por exemplo), um conjunto de alterações �siológicas ocorre dentro do nosso corpo, incluindo, alterações no equilíbrio, na visão e audição, alterações na respiração, alterações no sistema proprioceptivo e no sistema termorregulatório (CASTRO et al., 2016). Assim, o objetivo principal da adaptação ao meio aquático é o desenvolvimento das habilidades motoras básicas, tais como, equilíbrio, respiração e propulsão. Mas como podemos trabalhar no desenvolvimento destas habilidades motoras? Esta é a pergunta que iremos responder a seguir! Uma das estratégias utilizadas para a adaptação ao meio aquático é a aplicação de atividades lúdicas. As atividades lúdicas proporcionam ao indivíduoo conforto de se exercitar na superfície da água, além de promover a descontração e gosto pela prática (FIORI et al., 2019). Neste sentido, ao propor atividades lúdicas devemos sempre lembrar que os principais objetivos são enfatizar a familiarização do indivíduo ao meio aquático, o desenvolvimento do controle da respiração, da imersão, �utuação e deslize sobre a água. Portanto, trabalhar o desenvolvimento destas habilidades por meio do uso de tarefas e brincadeiras na água é uma excelente estratégia para o início do ensino da natação. O uso de equipamentos e acessórios, tais como, bolas, pranchas, espaguetes, bambolês, entre outros, contribuem para uma ampla variedade de exercícios e atividades que estimulam o desenvolvimento das habilidades motoras. Neste sentido, explorar as diferentes possibilidades de utilização destes materiais é sem dúvida um grande diferencial na atuação pro�ssional. Além das atividades lúdicas, atividades de técnicas (educativos), nados alternativos, deslocamentos variados também podem ser utilizados como estratégias de adaptação ao meio aquático. O quadro 1 apresenta alguns 89 exemplos de atividades que podem ser utilizadas como estratégias para o desenvolvimento das habilidades motoras básicas. Assim como em qualquer atividade, devemos ter alguns cuidados para a realização dos exercícios em ambientes aquáticos. Um dos primeiros cuidados está relacionado à segurança da realização da atividade, isto envolve aspectos relacionados à profundidade da piscina, a temperatura da água, bem como o grau limpeza/pureza da água. Neste sentido, em piscinas profundas e/ou atividades com crianças, o uso de �utuadores é indispensável. Além disso, o monitoramento da temperatura da água da piscina, bem como, dos produtos químicos utilizados para a limpeza da mesma, devem ser realizados com frequência para que evitem quadros de hipotermia (redução da temperatura interna do corpo) e a incidência de alergias e/ou infecções (em decorrência dos produtos químicos utilizados na limpeza da piscina) nos indivíduos praticantes. Portanto, nesta segunda parte aprendemos que uma das etapas iniciais do ensino e aprendizagem da natação é a adaptação ao meio aquático. Vimos também que esta etapa é uma das mais importantes nos estágios iniciais da Quadro 1 – Exemplos de atividades para o desenvolvimento de habilidades motoras e adaptação ao meio aquático Tarefa Objetivos aquáticos Sentar na borda da piscina com os pés dentro da água e movimentá-los em diferentes direções. Propulsão. Caminhar e/ou correr livremente pela piscina. Equilíbrio, propulsão. Inspirar (pelo nariz) e soltar o ar pela boca (no fundo da piscina). Respiração, Imersão. Caça ao tesouro. Colocar objetivos no fundo da piscina para que os alunos(as) mergulhem e procurem os objetos. Respiração, propulsão, imersão e deslize. Passar por dentro de um bambolê que deverá estar abaixo do nível da água. Respiração, propulsão, imersão e deslize. Flutuar de costas (decúbito dorsal) e de frente (decúbito ventral). Respiração, �utuação. Flutuar e empurrar um espaguete na piscina. Flutuação, equilíbrio, respiração e propulsão. Fonte: Adaptado de GOMES (1995) e CABRITA et al., (2017). 90 natação que envolve o desenvolvimento de habilidades motoras básicas, incluindo, o equilíbrio, o controle da respiração, �utuação, propulsão, imersão e deslize sobre a água. Além disso, vimos também que a profundidade da piscina, a temperatura da água, bem como o grau limpeza/pureza da água são um dos cuidados fundamentais para a realização das atividades em ambientes aquáticos. Conhecendo os Quatro Nados e suas Técnicas Caros alunos(as) chegamos na terceira parte desta apostila. Nesta fase iremos aprender sobre os quatro nados da natação (crawl, peito, costas e borboleta). Iremos compreender os fundamentos técnicos envolvidos em cada estilo bem como as características de cada nado. Vamos juntos? Nado Crawl O nado crawl é o estilo mais rápido de todos os nados da natação. É preferencialmente o primeiro estilo a ser ensinado para as pessoas. O nome crawl é de origem australiana e seu surgimento ocorreu por meio de Dick Cavill (membro da família de nadadores australianos) que descobriu que alternar os movimentos dos braços e pernas resultaria em aumentos na velocidade e na propulsão (OLIVEIRA e SILVA, 2015). O nado crawl é dividido em fases: 1) Entrada e alongamento da mão à frente a cabeça; 2) Varredura para baixo ou tração: com os braços �exionados e a palma da mão inclinada para fora, as pontas dos dedos devem ser a primeira parte a entrar na água, em seguida a mão desloca para baixo num trajeto curvilíneo terminando na posição de agarre. Na tração a mão e o antebraço dirigem-se para trás em uma trajetória côncava para dentro 3) Empurre: esta fase inicia-se da máxima �exão dos cotovelos até a sua completa extensão, o braço aproxima da superfície e a mão percorre uma trajetória para cima e para trás empurrando a água até o �nal do movimento; 4) Recuperação: a fase inicia com a mão ao lado da coxa, juntamente com a �exão de cotovelos projetando o braço a frente e o cotovelo saindo da água. O movimento de pernada é realizado na vertical, alternado e de forma contínua. É neste momento em que a respiração acontece, uma rotação da cabeça favorece a inspiração pela boca (veja foto abaixo). 91 Alguns dos erros mais comuns do estilo crawl relacionados à posição do corpo e durante o nado incluem: quadril e cabeça altos (fora da água), levar o braço estendido à frente, levar o braço com a mão mais alta que o cotovelo, entrada da mão na água muito próxima a cabeça, batida da perna com elevação excessiva para fora da água e �exão excessiva dos joelhos (NAKAMURA, 1997). Nado Costas O nado costas inicialmente tinha como principal objetivo facilitar a �utuação e o descanso do nadador. Atualmente, o nado costas é semelhante ao nado crawl, entretanto, neste estilo, o nado é realizado em decúbito dorsal, onde os braços realizam movimentos alternados e para cada ciclo de braçada são realizadas seis pernadas (VASCONCELOS, 2012). Figura 1 - Nado crawl Fonte: acesse o link disponível aqui 92 https://search.creativecommons.org/photos/6293cb46-cb38-44f9-b90b-98ca49e0ab07 Os erros mais comuns do nado costas são: quadril baixo, lançar com violência o braço para trás, manter os ombros dentro da água e a realização de movimentos de pedalada com as pernas (NAKAMURA 1997). Nado peito O estilo peito é caracterizado pelo deslocamento humano na água na posição ventral do corpo, possuindo movimentos simultâneos, simétrico e coordenado dos membros superiores e inferiores, possuindo fases de ascensão e descenso de ombros e quadris permitindo, portanto a realização da inspiração (SAAVEDRA et al., 2003). Figura 2 - Nado costas Fonte: acesse o link disponível aqui 93 https://search.creativecommons.org/photos/66365642-e848-4b72-a521-1f2de558e725 O nado peito é o mais lento de todos os estilos de nados da natação. Entretanto, a sua técnica tem evoluído constantemente nas últimas décadas. A caracterização das fases do nado durante a braçada envolve: 1) Varredura para fora; 2) Agarre; 3) Varredura para dentro; e 4) Finalização e recuperação. Já as fases do nado durante a pernada inclui a 1) Recuperação; 2) Varredura para fora; 3) Agarre; 4) Varredura para dentro; 5) Levantamento e deslize (MAGLISCHO, 2010). Os erros mais comuns durante a realização do estilo peito são: iniciar a braçada sem que os braços estejam completamente estendidos à frente e as palmas das mãos estarem voltadas para fora; executar a tração dos braços diferentemente um do outro; manter os joelhos e pés separados (assimetria do movimento) na fase de �exão dos joelhos; executar a pernada muito na superfície (com parte dos pés saindo da água) e terminar a pernada com elas estendidas e separadas (NAKAMURA 1997). Figura 3 - Nado peito Fonte: acesse o link disponível aqui 94 https://search.creativecommons.org/photos/cfeda27e-7f67-40e8-a43a-7e418f1f1c45Nado Borboleta Assim como o estilo peito, o nado borboleta é considerado um estilo que demanda muita técnica durante a sua execução. O ciclo completo do estilo borboleta é composto por uma braçada e duas pernadas. As fases durante a realização da braçada incluem: 1) Entrada e apoio; 2) Puxada; 3) Empurrada e 4) Recuperação. As fases 1 e 3 são consideradas fases propulsivas e as fases 2 e 4 são consideradas fases não-propulsivas da braçada. Já as fases da pernada são divididos em 1) fase descendente e 2) fase ascendente, sendo que, um ciclo de pernada completa envolve a realização de ambas as fases duas vezes (SILVEIRA et al., 2012). Os erros mais comuns durante a realização do nado borboleta incluem: elevação exagerada do corpo; entrada das mãos muito próxima à cabeça e com os cotovelos baixos; movimento alternado das pernas (assimetria) e realizar a batida de pernas com os pés �exionados (NAKAMURA, 1997). Figura 4 - Nado borboleta Fonte: acesse o link disponível aqui 95 https://search.creativecommons.org/photos/491217ec-ebf0-4d10-b22e-2fc08ccf1455 O nado peito é o mais lento de todos os estilos de nados da natação. Entretanto, a sua técnica tem evoluído constantemente nas últimas décadas. A caracterização das fases do nado durante a braçada envolve: 1) Varredura para fora; 2) Agarre; 3) Varredura para dentro; e 4) Finalização e recuperação. Já as fases do nado durante a pernada inclui a 1) Recuperação; 2) Varredura para fora; 3) Agarre; 4) Varredura para dentro; 5) Levantamento e deslize (MAGLISCHO, 2010). Os erros mais comuns durante a realização do estilo peito são: iniciar a braçada sem que os braços estejam completamente estendidos à frente e as palmas das mãos estarem voltadas para fora; executar a tração dos braços diferentemente um do outro; manter os joelhos e pés separados (assimetria do movimento) na fase de �exão dos joelhos; executar a pernada muito na superfície (com parte dos pés saindo da água) e terminar a pernada com elas estendidas e separadas (NAKAMURA 1997). Provas de Natação: Caracterização e Regras O�ciais Caros alunos(as) esta é a última parte da unidade III. Após compreendermos a história da natação, os processos de ensino e aprendizagem e os quatro estilos de nado da natação, chegou a hora de sabermos sobre as principais regras envolvidas nesta modalidade esportiva, quais as provas e de que forma as competições o�ciais são organizadas. Vamos em frente? Como vimos anteriormente, as regras o�ciais da natação são organizadas e administradas pela FINA. No Brasil a CBDA bem como as Federações Estaduais seguem as regras e as recomendações propostas pela FINA. A seguir veremos as principais regras da natação propostas para o período de 2017-2021. As provas o�ciais de natação que concorrem à quebra de recordes mundiais podem ser disputadas em piscinas de 25 e 50 metros. O quadro 2 apresenta as provas o�ciais realizadas em piscina de 50 metros. Em competições realizadas em piscinas de 25 metros, as provas o�ciais de estilo livre, costas, peito, borboleta e medley seguem as mesmas das provas o�ciais disputadas em piscinas de 50 metros (descritas no quadro 2). Entretanto, em competições realizadas em piscinas de 25 metros as provas de revezamentos são: revezamento Livre (4x50, 4x100 e 4x200 metros); revezamento Medley (4x50 e 4x100 metros) e revezamento misto (4x50 metros livres e 4x50 metros Medley). 96 Na prova de medley individual o nadador nada os quatros estilos na seguinte ordem: borboleta, costas, peito e livre. Já nas provas de revezamento medley, os nadadores nadam os quatros nados na seguinte ordem: costas, peito, borboleta e livre. As equipes que disputam as provas de revezamento misto devem ser compostas por dois (2) homens e duas (2) mulheres (CDA, 2017). Quadro 2 – Provas o�ciais em piscinas de 50 metros Estilo Provas o�ciais Livre 50, 100, 200, 400, 800 e 1500 metros Costas 50, 100 e 200 metros Peito 50, 100 e 200 metros Borboleta 50, 100 e 200 metros Medley 200 e 400 metros Revezamento Livre 4x100 e 4x200 metros Revezamento Medley 4x100 metros Revezamento Misto 4x100 metros livres e 4x100 metros Medley Fonte: Adaptado de Regras O�ciais de Natação 2017-2021 (CBDA). 97 REFLITA O conhecimento das regras da natação permite que você enquanto estudante, professor ou treinador aprofunde os conhecimentos desta modalidade esportiva. Além disso, possibilita você explorar e ter a oportunidade de trabalhar em uma nova área com grandes oportunidades: a arbitragem. A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos promove cursos de arbitragem em natação para pro�ssionais, atletas e acadêmicos com aulas teóricas e práticas. Aproveite! SAIBA MAIS O uso de trajes e acessórios tanto masculinos quanto femininos são regulamentados e controlados pela FINA. A CBDA segue as recomendações e as regras propostas pela FINA sobre os trajes obrigatórios na natação. Trajes que reduzem o arrasto na água, aumentando assim a performance (desempenho físico) dos atletas, são proibidos em competições o�ciais. Portanto a FINA, assim como a CBDA, divulga a cada período de tempo, a lista com o nome de todas as marcas e códigos dos trajes e acessórios permitidos em competições o�ciais. Fonte: CBDA regras o�ciais de natação 2017-2021. 98 Considerações Finais Caro(a) aluno(a), chegamos ao �m de mais uma unidade. Parabéns pela imersão na leitura e conhecimento! Compreender a modalidade esportiva, bem como as suas características e regras é o primeiro passo para obter sucesso no trabalho com a modalidade! Nesta unidade abordamos os conteúdos referentes à natação, desde seu processo histórico até as regras atuais das competições o�ciais. Esperamos que, após compreender os aspectos abordados na Unidade III, você tenha conseguido identi�car as principais características da natação. Trabalhar com esta modalidade exige além do conhecimento e habilidades que foram enfatizadas e exploradas nesta unidade, o conhecimento dos aspectos pedagógicos e metodológicos para o ensino da natação (tema que iremos abordar na próxima unidade). Portanto convido você a continuar esta imersão na leitura e seguir em frente para a próxima unidade. Nela iremos abordar os temas relacionados à como ensinar natação em diferentes faixas etárias (desde o nascimento à idade adulta). Além dos métodos de organização e planejamento do ensino da natação. Leitura Complementar Natação e incidência de lesões A natação é uma modalidade esportiva praticada por muitas pessoas, incluindo crianças, jovens e adultos. A prescrição de atividades em ambientes aquáticos requer não apenas atenção, mas também alguns cuidados durante a realização dos exercícios. Um dos principais desa�os encontrado por técnicos e treinadores de natação é o controle e o monitoramento do treinamento da natação. Isto se deve ao fato de que algumas ferramentas e estratégias utilizadas para o controle da prescrição do treinamento físico podem não ser facilmente aplicadas e utilizadas no ambiente aquático. Assim como em várias outras modalidades esportivas, na natação, o excesso de treinamento pode aumentar o risco para ocorrências de lesões. Em um estudo realizado por Aguiar e colaboradores (2010), os autores avaliaram 215 atletas de natação de ambos os sexos, participantes dos principais campeonatos promovidos pela Federação Aquática Paulista. Dos 215 atletas avaliados, 121 relataram ao menos uma lesão durante a temporada. 99 Além disso, os autores observaram que as maiores taxas de lesões foram musculares e tendíneas em relação às osteoarticulares e o local anatômico mais frequente das lesões é o ombro, exceto, para os nadadores de peito, que relataram lesões mais frequentes na região da coxa e virilha. Por �m, ao veri�car a relação do treinamento físico com a incidência de lesão em nadadores, os autores observaram que o excesso no volume de treinamento foi o principal causador de lesões nos referidos atletas. Neste sentido, saber controlar e monitorar a prescrição do treinamentofísico em ambiente aquático é considerado de grande importância na atualidade. Algumas estratégias são recomendadas para evitar o aumento na incidência de lesões em nadadores, tais como, a realização de exercícios de alongamentos (ativos e passivos), a realização de exercícios para fortalecimento muscular e o controle da técnica do nado. Portanto, ao trabalhar com natação, busque sempre estratégias que permitam o melhor acompanhamento e controle na prescrição e no treinamento físico. 100 04 Conhecendo e Ensinando a Natação Introdução Após estudarmos os contextos históricos, as características e provas da natação, chegamos ao momento de compreender e conceituar os aspectos pedagógicos do ensino e aprendizagem da natação em diferentes faixas etárias bem como em diferentes contextos esportivos (educacional e alto rendimento)! Nesta unidade iremos aprender sobre o processo de ensino-aprendizagem da natação desde o nascimento a idade adulta, os aspectos pedagógicos e metodológicos para o ensino da técnica e tática da natação e de que forma podemos organizar e estruturar as nossas aulas de natação no âmbito educacional e esporte de alto rendimento. Sim, caro(a) aluno(a) é isso mesmo! Compreender as diferenças entre o esporte no âmbito escolar e o alto rendimento é considerado de grande relevância no cenário atual. Portanto, dedique-se aos estudos e mergulhe na leitura! Vamos em frente? Ótimo estudo! Ensino-Aprendizagem da Natação: do Nascimento a Idade Adulta A natação infantil é uma das áreas que mais cresceram nas últimas décadas no Brasil. Saber trabalhar com a natação infantil é um dos grandes diferenciais dos pro�ssionais atuantes na área. Portanto, neste tópico abordaremos os conhecimentos acerca da natação infantil até a idade adulta, os principais cuidados bem como as estratégias de trabalho. Quando falamos de natação infantil, as primeiras perguntas que surgem são: Qual a idade ideal para começar a natação? A partir de qual idade uma criança pode fazer aulas de natação? Estas são algumas perguntas que muitos pais, avós e 102 familiares fazem com frequência aos professores e técnicos que trabalham com natação! Mas a�nal, existe uma idade mínima? Este será o tema que iremos aprender neste primeiro tópico da unidade IV! Vamos lá? Embora ainda não haja um consenso sobre qual a melhor idade para iniciar a natação infantil, alguns autores na literatura cientí�ca apontam que o início em um programa de atividades aquáticas para bebês deve acontecer a partir dos três (03) meses de idade, pois nesta fase a criança já consegue sustentar sua cabeça ou a partir de seis (06) meses de idade, pois, nesta idade a criança já estará com suas vacinas devidamente tomadas (SAAVEDRA et al., 2003). A natação infantil pode ser dividida em fases de acordo com a faixa etária das crianças. O quadro 1 apresenta as fases da natação infantil, bem como, as atividades que devem ser priorizadas em cada uma das fases. Neste sentido, cabe aos professores orientar sempre os pais sobre as faixas etárias para o início da natação infantil. 103 Agora que vimos sobre a natação infantil, chegou o momento de aprendermos sobre a natação na idade adulta. Quando falamos em iniciação à natação, logo pensamos em crianças e adolescentes. Entretanto, o desejo de aprender a nadar ocorre em todas as faixas etárias, incluindo o adulto e o idoso. Portanto, saber trabalhar não apenas a iniciação à natação infantil, mas também com a iniciação à natação para pessoas adultas é sem dúvidas de grande importância. Quadro 1 – Fases da natação infantil e o desenvolvimento de atividades em ambiente aquático Fases Atividades A partir de três (03) ou seis (06) meses até três (03) anos de idade É considerada uma das fases mais importantes para o desenvolvimento das crianças no ambiente aquático. Devem enfatizar a adaptação ao ambiente aquático por meio de atividades lúdicas, canções infantis, atividades de equilíbrio, postura, mergulho e socialização. Entre três (03) a quatro (04) anos de idade Nesta fase a criança já possui habilidades de estabilidade postural e controle da respiração. Portanto, devem-se enfatizar atividades com o objetivo de aprimorar o deslocamento em meio aquático, enfatizando exercícios de propulsão de braços e pernas, nado de sobrevivência, nado submerso, saltos e �utuação. A partir quatro (04) anos de idade Nesta fase é possível iniciar a introdução dos estilos de nado, incluindo crawl, costas e peito. Enfatizar atividades que possibilitam o desenvolvimento e o aprendizado (mesmo que ainda rudimentar) dos estilos de nado da natação. Entre cinco (05) e seis (06) anos de idade Nesta fase é possível iniciar o aperfeiçoamento dos nados crawl e costas com exercícios que estimulam o desenvolvimento da execução correta dos braços, pernas e da respiração lateral. Além disso, é possível a introdução do nado peito. A partir de sete (07) anos de idade Nesta fase é possível enfatizar exercícios e atividades que estimulam o aperfeiçoamento do nado peito, palmateios, saídas e viradas, além do nado medley. Além disso, nesta fase é possível a introdução do nado borboleta. A partir de oito (08) anos de idade Nesta fase, com o aprendizado dos quatros estilos de nado, é possível a realização de exercícios que enfatizam também o condicionamento físico. É recomendado o uso de nadadeiras e palmares para fortalecer o treinamento. Fonte: Adaptado de CAMPOS (2020). 104 Como aprendemos na unidade III, o processo de ensino e aprendizagem da natação inicia-se pela adaptação ao meio aquático. Neste sentido, o início do processo de ensino aprendizagem da natação em pessoas adultas não é diferente. A adaptação ao meio aquático em pessoas adultas é uma das etapas mais importantes para o desenvolvimento da natação. Nesta fase, os exercícios e as atividades lúdicas devem objetivar o desenvolvimento das habilidades motoras básicas, tais como, controle da respiração, �utuação, propulsão e equilíbrio (veja com mais detalhes na unidade III, tópico 2), o desenvolvimento da con�ança (retirada do medo, seja de entrar ou permanecer na piscina) e o aprendizado dos estilos de nados da natação (JÚNIOR et al., 2018). Diferentemente da iniciação à natação em crianças, o processo de ensino aprendizagem da natação em adultos pode envolver também exercícios e atividades competitivas objetivando-se a avaliação de desempenho físico. Neste sentido, o professor desempenha um papel importante no acompanhamento da evolução do(a) aluno(a) durante o período de iniciação à natação em adultos. Aspectos Pedagógicos e Metodológicos para o Ensino da Técnica e Tática da Natação em Ambientes Formais e Informais Caro(a) aluno(a), até o momento, nós aprendemos sobre o processo de ensino aprendizagem da natação desde o nascimento até a idade adulta. A partir deste ponto, iremos aprender quais são os aspectos pedagógicos e metodológicos utilizados para o ensino da técnica e tática da natação. Além disso, iremos aprender sobre os cuidados e as diferenças encontradas no ensino da natação em ambientes formais e informais. Portanto, convido você a continuar a leitura para descobrir todos estes aspectos importantes! Ao observar a imagem acima podemos pensar que ensinar natação não deve ser algo tão simples, por isso você deve estar se perguntando: quais são as estratégias pedagógicas para ensinar natação? Ou melhor, como ensinar natação? Estas são algumas questões que iremos responder neste tópico! Vamos juntos? 105 O ensino da natação realmente não é um processo tão simples. Envolvem vários aspectos metodológicos, técnicas além do conhecimento sobre as adaptações �siológicas ao ambiente aquático. Neste sentido, o ensino da natação tem sido aperfeiçoado nos últimos anos e hoje representa maior estabilidade e abrangência para suprir as carências daqueles que a se submetem. Portanto, ao se tratar da pedagogia do ensino da natação, três correntes metodológicas estão presentes: �. A correnteglobal que tem como objetivo a abordagem metodológica ou organizacional, possuindo a premissa de que a natação está associada ao próprio instinto de sobrevivência e à necessidade da experiência, por isso, possui como base a própria predisposição e o instinto de cada aluno e menor ênfase nos métodos de ensino. �. A concepção analítica que objetiva entender os movimentos no ambiente aquático, procurando analisá-los em diferentes partes para então explicar o seu entendimento total, seguindo, portanto, a sua execução lógica. �. A concepção sintética que atualmente é a mais utilizada por diversos técnicos e treinadores. Sua estruturação centra-se em uma corrente psicológica que promove o conhecimento de forma mais e�ciente, apresentando, portanto, sequências pedagógicas mais propícias à iniciação dos alunos de natação, como por exemplo, a realização de atividades que objetivam a adaptação ao ambiente aquático por meio de exercícios básicos de �utuação, respiração, propulsão e mergulho elementar (GALDI et al., 2004). Como vimos anteriormente, diferentes estratégias pedagógicas podem ser utilizadas no ensino da natação. Neste sentido, o mais importante é sempre levar em consideração o objetivo, as capacidades e as limitações de cada aluno. Assim, o planejamento das atividades e a sequência pedagógica a ser utilizada no desenvolvimento das habilidades motoras deverão levar sempre em consideração a individualidade biológica de cada aluno. Outra questão importante que precisamos entender é: como planejar as aulas de natação durante o processo de iniciação? Inicialmente o ensino da natação pode ser dividido em duas fases: a iniciação e o aprimoramento. Em ambas as fases, o planejamento das atividades das aulas de natação está associado à duração de cada aula (aproximadamente 50 a 60 minutos) e na estrutura de cada aula, que geralmente é composta por aquecimento (com duração de 5 a 10 minutos), parte principal (com duração média de 30 a 40 minutos) e parte �nal ou relaxamento (com duração de 5 a 10 minutos). A parte principal contempla o objetivo especí�co de cada aula. Nela pode conter exercícios educativos, corretivos e de vivências que possibilitará o progresso do aluno na natação. O quadro 2 apresenta um exemplo de planejamento nas aulas de natação durante o período de iniciação. 106 Quadro 2 – Planejamento das aulas de natação durante o processo de iniciação Semanas Planejamento 1ª. Semana Adaptação ao meio líquido (entrada na água); imersão; jogos de integração. 2ª. Semana Adaptação; atividades lúdicas; deslocamento. 3ª. Semana Início ao trabalho respiratório; �utuação. 4ª. Semana Deslocamento; respiração; �utuação. 5ª. Semana Flutuação em decúbito dorsal, ventral e lateral; deslize. 6ª. Semana Deslize ventral e dorsal na superfície; exercícios de recuperação da posição pronada (decúbito ventral) e da posição supino (decúbito dorsal). 7ª. Semana Respiração (frontal/lateral). 8ª. Semana Flutuação; propulsão de membros inferiores e superiores; deslize com impulso. 9ª. Semana Exploração da parte funda da piscina; propulsão de membros inferiores; início ao estilo crawl. 10ª. Semana Propulsão de membros superiores; braço crawl; início ao mergulho. 11ª. Semana Respiração bilateral; crawl; mergulho. 12ª. Semana Sincronização do nado crawl. 13ª. Semana Iniciação ao estilo costas. 14ª. Semana Estilo costas; crawl; mergulho. 15ª. Semana Sincronização do estilo costas; crawl. 107 Como vimos até aqui, o período de iniciação à natação objetiva-se o desenvolvimento das habilidades motoras básicas. Já o período de aprimoramento que ocorre após o período de iniciação, possui como principal característica o desenvolvimento das capacidades físicas e as correções técnicas dos nados e estilos (MAGLISCHO et al., 2010). É neste período que os fundamentos de cada estilo são explorados e aperfeiçoados. Vale ressaltar que o tempo em cada fase de ensino da natação (iniciação e aprimoramento) dependerá não apenas da idade, mas também do desenvolvimento e a progressão técnica de cada aluno. Portanto caberá ao professor / técnico a decisão de qual o melhor momento para avanço de fase no processo de ensino da natação. 16ª. Semana Circuito de materiais; educativos dos estilos crawl e costas. Fonte: Adaptado de GALDI et al. (2004). Materiais de Apoio para o Ensino da Natação Caro(a) aluno(a) conforme aprendemos até aqui, o processo de ensino- aprendizagem da natação contempla desde a iniciação até a fase de aprimoramento. Vimos também as características presentes em cada uma das fases, bem como, o objetivo de cada uma delas. Conforme percebemos, o ensino da natação envolve desde a aplicação de atividades lúdicas até exercícios especí�cos para o aprimoramento da técnica em cada estilo de nado. Neste sentido, saber quais materiais podem ser utilizados no desenvolvimento das atividades e quais os cuidados ao utilizá-los é considerado um passo importante no processo de ensino da natação. Portanto, neste tópico iremos aprender sobre o uso de materiais de apoio no ensino da natação, vamos juntos? Sabemos que o ensino da natação não é uma tarefa muito simples. Neste sentido, diversos materiais de uso pedagógico favorecem o ensino da natação e são comumente utilizados por diferentes técnicos e treinadores. O uso de �utuadores, tais como, bóias, pranchas e espaguetes, por exemplo, podem contribuir no desenvolvimento de diversas habilidades, tais como, equilíbrio, �utuação e deslize. Outros materiais, tais como, bambolês, cones e pratinhos, por exemplo, são 108 comumente utilizados em atividades de imersão, propulsão e mergulho. E por �m, temos os materiais de uso obrigatório para aulas de natação, estes incluem os trajes de banho, óculos e touca. Obviamente, sabemos que existem dezenas de outros materiais que podem auxiliar no processo de ensino da natação. Alguns deles podem ser utilizados para a melhora do deslocamento, como por exemplo, pés de borracha (ou pés de pato), outros podem contribuir para a melhora da capacidade física, tais como os halteres. Mas, o objetivo aqui, não será listar cada um dos materiais, mas é fazer vocês perceberem que, embora o uso destes materiais possa facilitar o ensino da natação, requer alguns cuidados ao utilizá-los. Além dos materiais de uso prático, ou seja, aqueles que podem ser utilizados durante as aulas de natação, temos também os materiais de apoio aos professores. Estes incluem apostilas e livros que apresentam informações relevantes sobre o planejamento das aulas, bem como as estratégias e exemplos de exercícios e atividades para serem utilizadas nas diferentes fases de ensino da natação. Por isso, a leitura e o acesso aos livros didáticos são inevitáveis ao trabalhar com esta modalidade esportiva. @fabrikasimf em freepik Um dos principais cuidados ao utilizar os materiais de apoio no ensino à natação está associado à higiene e o manuseio correto dos mesmos. Por isso, sempre antes e após utilizá-los é necessário a veri�cação da limpeza e condição de uso. Secar bem os materiais antes de guardá-los é uma estratégia importante para evitar o possível acúmulo de fungos e bactérias. Além disso, é necessário reservar um local especí�co para guardar os materiais, de preferência, bem arejado, ao abrigo do sol e de fácil acesso aos alunos e professores. 109 Vale lembrar aqui, que o auxílio visual, ou seja, a utilização de materiais visuais, tais como, imagens e vídeos podem não apenas ajudar os técnicos e professores no planejamento das atividades, mas também durante a realização das aulas. Neste sentido, a visualização da execução correta do movimento pelo aluno por meio de vídeos, podem favorecer o ensino e a correção da técnica de nado realizada. Portanto, cabe ao professor a escolha de quais materiais podem melhor auxiliar os seus alunos no processo de ensino-aprendizagem da natação. Organização e Estruturação de Aulas para o Trabalho com a Natação no Âmbito do Esporte Educacional e Esportede Rendimento Caro(a) aluno(a) esta é a última parte da unidade IV. Após compreendermos os processos de ensino e aprendizagem da natação, os processos metodológicos e pedagógicos, bem como, os materiais utilizados no ensino da natação, chegou a hora de sabermos sobre a organização e estruturação das aulas de natação no âmbito do esporte educacional e no âmbito de esporte de rendimento. Vamos em frente? A natação é uma das modalidades esportivas que deve ser ensinada no âmbito escolar. Embora a falta de estrutura física e de materiais adequados para o ensino da natação nas escolas seja um dos grandes desa�os enfrentados por diferentes professores, o ensino da natação durante as aulas de educação física pode promover diversos benefícios ao aluno(a), como por exemplo, o desenvolvimento das capacidades motoras como também as cognitivas, incluindo a melhora da atenção, da concentração e do aprendizado. O ensino da natação no âmbito escolar também se inicia com a adaptação ao meio líquido e envolvem exercícios de con�ança, �utuação, impulsão, deslize, respiração geral, propulsão de membros inferiores e superiores, coordenação motora, além do ensino dos diferentes estilos de nados (ROMAGNANI, 2016). 110 Uma das principais diferenças encontradas entre a natação no âmbito escolar e a natação no âmbito esportivo de alto rendimento é que as aulas de natação escolar devem ser democráticas e não seletivas, ou seja, as atividades propostas devem sempre objetivar o desenvolvimento da criança no meio aquático e não o desempenho físico competitivo (CAMARGO et al., 2018). Neste sentido, o uso de atividades que envolvem a ludicidade e a coletividade entre os alunos são as principais estratégias pedagógicas no ensino da natação do âmbito escolar. Além disso, a progressão das atividades deve variar entre as classes de acordo com a evolução coletiva dos alunos. Portanto, no contexto escolar, a natação deve sempre contribuir para uma formação integrada dos alunos enfatizando sempre o desenvolvimento motor, cognitivo e sócio afetivo de maneira coletiva (CARVALHO et al., 2016). Por outro lado, a natação no âmbito esportivo de alto rendimento pode ser caracterizada por três diferentes fases: 1) iniciação; 2) aperfeiçoamento; e 3) competitividade. A fase de iniciação compreende o período inicial do aprendizado da natação, ou seja, é a fase correspondente ao processo de adaptação ao ambiente aquático até o aprendizado dos estilos de nado. A fase 2 é caracterizada pelo aperfeiçoamento da técnica de nado, ou seja, após o aprendizado de todos os estilos, o aluno passa a ser inserido em um programa de aperfeiçoamento da técnica de nado, com exercícios e atividades que objetivam a melhora do desempenho físico. Por �m, a última fase da programação das aulas de natação no ambiente esportivo de alto rendimento é caracterizada pela fase competitiva, na qual o aluno/atleta passa a competir em diferentes campeonatos objetivando o alto rendimento esportivo. Trabalhar com a natação objetivando o alto rendimento requer o conhecimento não apenas sobre as técnicas e métodos de treinamento, mas também sobre os métodos de avaliação do desempenho esportivo, bem como o conhecimento sobre a seleção e detecção de talentos esportivos. Aliás, selecionar e detectar talentos, até hoje é um dos grandes desa�os de técnicos e treinadores de diferentes equipes competitivas de natação. Portanto, como podemos observar, dependendo do âmbito a ser trabalhado, a natação pode possuir diversas características especí�cas. Neste sentido, o planejamento das atividades, bem como a escolha dos métodos, sem dúvidas, é um passo fundamental para o sucesso na modalidade. 111 REFLITA A natação é uma das modalidades esportivas mais praticadas por pessoas de diferentes faixas etárias, incluindo crianças, adolescentes, adultos e idosos. Por apresentar diversos benefícios à saúde, a natação também tem sido recomendada para diferentes populações especiais, incluindo, gestantes, pessoas com diabetes, pessoas com doenças ósseas, entre outras. Portanto, a realização de aulas individuais ou em grupos para essas pessoas é uma estratégia interessante de trabalho para o pro�ssional de Educação Física com ótimo retorno �nanceiro. Mas lembre-se, antes de iniciar as aulas de natação, o pro�ssional deve saber os riscos e os principais cuidados para trabalhar com tais populações. Para isso, a participação em cursos de atualização e capacitação é uma excelente alternativa para a obtenção de conhecimento. Portanto, aproveite o período em formação e abranja os estudos na área de natação! 112 SAIBA MAIS As principais competições nacionais de natação são organizadas pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). A CBDA disponibiliza em seu site o calendário atualizado das competições, incluindo informações sobre a data e horário, bem como o local das competições. Além disso, vale ressaltar que faz parte do planejamento anual da CBDA a organização dos jogos escolares da juventude que envolve a competição dos alunos matriculados em escolas tanto da rede pública quanto da rede privada a partir de 12 anos de idade. Portanto, acesse com frequência o site da CBDA e �que informado(a) das principais notícias e das competições o�ciais de natação no Brasil. Fonte: CBDA calendário de competições o�ciais. Considerações Finais Caro(a) aluno(a), chegamos ao �m de mais uma unidade. Parabéns pela imersão na leitura e conhecimento! Compreender a natação, bem como as suas características e seus processos pedagógicos envolvidos no ensino, é sem dúvidas, o principal caminho para obter sucesso ao trabalhar com esta modalidade! Nesta unidade abordamos os conteúdos referentes à natação, desde seu processo de ensino-aprendizagem, modelos pedagógicos de ensino, bem como, as diferenças entre o esporte no âmbito escolar e o esporte no âmbito de alto rendimento. Esperamos que, após �nalizar esta unidade, você tenha conseguido compreender os aspectos mais importantes envolvidos no ensino da natação. Portanto, gostaria de parabenizá-lo pela imersão na leitura e estudos! E desejar além de sucesso, que você tenha uma carreira brilhante no futuro! Lembre-se que um ótimo pro�ssional é sempre um pro�ssional atualizado! Portanto, continue sempre estudando e buscando novos conteúdos e conhecimentos! 113 Leitura Complementar A presença dos pais nas aulas de natação: ajuda ou atrapalha o desenvolvimento das crianças? A presença dos pais nas aulas de natação infantil é sem dúvidas uma das rotinas mais frequentes encontradas por diferentes professores atuantes na área. Mas a�nal, a presença dos pais ajuda ou atrapalha o desenvolvimento das crianças? Esta é a principal pergunta que iremos responder neste tópico. A natação é uma das modalidades preferidas pelos pais para seus �lhos(as) logo nos primeiros meses ou anos de vida. Por isso, o acompanhamento durante as atividades aquáticas e durante as aulas de natação são cada vez mais frequentes. Neste sentido, além dos alunos(as), os professores muitas vezes dividem o espaço da piscina com os pais e/ou responsáveis das crianças. Portanto neste tópico iremos aprender os benefícios da presença dos pais e os limites dos mesmos durante as aulas de natação infantil. A presença dos pais durante as aulas de natação para as crianças, principalmente nos primeiros meses ou ano de vida, é sem dúvidas, de grande importância para a adaptação e o desenvolvimento dos bebês no ambiente aquático. A realização de tarefas e atividades junto aos pais reforça o vínculo de afetividade, proporciona a sensação de segurança, além disso, contribui no processo de desenvolvimento motor, psicológico, cognitivo e social dos bebês (CAMARGO et al., 2012). Entretanto, a participação excessiva dos pais deve ser evitada, uma vez que, tal condição favorece a relação de interdependência e em longo prazo, pode di�cultar o desenvolvimento do bebê. Neste sentido, saber os limites da participação dos pais durante as aulasde natação infantil é de grande importância para o sucesso da atividade. A variação de atividades individuais e coletivas, com e sem a participação direta dos pais, é uma excelente estratégia para as aulas de natação infantil. Além disso, manter o diálogo constante com pais sobre as atividades e o desenvolvimento dos bebês é sem dúvidas, considerado indispensável para o sucesso das aulas de natação. 114 Conclusão Prezado(a) aluno(a), Chegamos ao �nal da nossa apostila de Práticas de Ensino em Esportes Individuais. Durante a disciplina percorremos um caminho de muito conhecimento. Espero ter proporcionado a você, conhecimentos teóricos e práticos sobre as modalidades Atletismo e Natação, que eles possam contribuir para sua formação pro�ssional em Educação Física e, consequentemente, em sua atuação, seja ela, em espaços formais ou informais. Neste material, foi possível fazer uma viagem ao longo do tempo, veri�cando que o atletismo possui sua origem desde o início dos tempos, na era primitiva, na qual o homem precisava correr, lançar, saltar, como meio de sobrevivência. Também foi possível observar que ao longo do tempo esses movimentos básicos foram tomando forma e aperfeiçoados e deram origem a modalidade esportiva atletismo. Além disso, destacamos as inúmeras provas que compõe a modalidade atletismo, assim como as suas regras especí�cas. Destacamos também, como deve-se planejar uma aula/treino de Atletismo para diferentes populações e seu ensinamento em diferentes ambientes (formais e informais). Apesar da complexidade de determinadas provas e utilização de materiais especí�co, o atletismo é uma modalidade que pode ser adaptada, assim como os seus materiais, para ser praticada em diferentes locais. Em relação a modalidade Natação, aprendemos sobre a sua história, os aspectos pedagógicos no ensino-aprendizagem dos diferentes estilos de nados, bem como, a sua caracterização e suas principais regras o�ciais. Além disso, vimos também que a natação é uma modalidade esportiva praticada por pessoas de diferentes faixas etárias, incluindo bebês, crianças, adolescentes, adultos e idosos. Portanto, o conhecimento do processo de ensino-aprendizagem da natação para diferentes faixas etárias tem sido considerado fundamental na formação pro�ssional. Saber trabalhar com a natação em ambientes formais e informais é sem dúvidas, um grande diferencial dos pro�ssionais na atualidade. Embora o ensino da natação no âmbito escolar pode apresentar características diferentes do ensino da natação no âmbito esportivo de alto rendimento, em ambos os contextos, a 115 fase de iniciação do processo ensino-aprendizagem apresenta semelhança. Neste sentido, independente do contexto e da idade, a adaptação ao ambiente aquático é considerada a principal fase no ensino da natação. Portanto caro(a) aluno(a) espero que esse material possa contribuir para sua formação e seus conhecimentos a respeito das modalidades atletismo e natação. Espero que a partir do conhecimento adquirido com esse material, você possa dar continuidade aos estudos sobre a temática, contribuindo dessa forma com a ampliação da sua bagagem de conhecimento. Parabéns pela imersão na leitura e estudos! Desejo sucesso em sua formação! Livro 116 Livro Livro 117 Livro Livro 118 Livro Livro 119 Livro Filme Filme 120 Filme 121 Web 122 https://go.eadstock.com.br/eBD 123 124 125 Esportes Individuais: Atletismo Conhecendo e Ensinando o Atletismo Esportes Individuais: Natação Conhecendo e Ensinando a Natação