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DÚVIDAS MAIS COMUNS AO LONGO DOS ANOS Durante os meus quase 30 anos de docência de Latim, posso, facilmente, elencar as que surgem sempre, em todas as turmas. Eis as recorrentes: Como consultar o dicionário latino? (Claro, aqui estou tomando como exemplo turmas que concluíram o Latim I). Por exemplo, como encontrar no dicionário o substantivo agnos? Identificar o caso, o número e a declinação: ACUSATIVO PLURAL – 2ª. declinação (consultar SEMPRE a tabela – fornecida no Latim Básico I). Buscar o nominativo, lembrando que em todas as declinações os substantivos são dicionarizados no NOMINATIVO SINGULAR E NO GENITIVO SINGULAR e que a terminação mais comum de nominativo de 2ª, declinação é –US, portanto a palavra aparece no dicionário: AGNUS,I (m.) – cordeiro. A 2ª. declinação (genitivo em –i) é formada de palavras, em sua maioria, masculinas. E, se aparecer o substantivo rosam para tradução? Identificar caso, número e declinação: ACUSATIVO SINGULAR - 1ª. declinação (Consultar a tabela). Buscar o nominativo singular que, na 1ª. declinação, é –A, portanto no dicionário a palavra se apresenta ROSA,AE (f.). A 1ª, declinação (genitivo em –ae) é formada de palavras, em sua maioria, femininas. Como traduzir os nomes próprios? Não há regra clara (aqui, uma expressão de Galvão Bueno para descontrair...) no português brasileiro a esse respeito. O português de Portugal, por exemplo, traduz todos os nomes: nos Lusíadas, de Camões, o sobrenome Lancaster é traduzido como Alencastro e, na atualidade, o príncipe Charles, da Inglaterra, é conhecido por “Carlos” em terras lusitanas. Então, no português brasileiro o nome latino Marcus pode ser traduzido para Marco ou deixado em sua forma latina. Como saber se Marce (vocativo de 2ª. declinação) não é ablativo de 3ª. declinação? Porque o substantivo pertence à 2ª. declinação: MARCUS,I . Reiterando: consultar SEMPRE a tabela! E quanto aos verbos? Os verbos, diferentemente do Português, aparecem, no dicionário latino, na primeira pessoa do singular do Presente do Indicativo e, a seguir, em outros tempos e pessoas. Assim, o verbo “amar” vai ser dicionarizado como amo,as,are,avi.atum (primeira pessoa do singular do Presente do Indicativo – amo-, segunda pessoa do singular do Presente do Indicativo -amas -, Infinitivo – amare -, primeira pessoa do singular do Pretérito Perfeito do Indicativo – amavi - e Supino -amatum (algo como “amado”). 2. Como saber se laetitia é o substantivo “alegria” ou o nome próprio “Letícia”? Porque, no latim clássico, não era nome próprio, portanto, provavelmente, é “alegria”. É preciso ver o sentido da frase. 3. Palavras paroxítonas ou proparoxítonas? É comum, quando se elabora um método ou material para o ensino do Latim, utilizar uma das primeiras aulas para explicar a noção de quantidade (duração da pronúncia) no latim clássico. Existem duas quantidades distintas em Latim: a BREVE e a LONGA (que equivale à duração de duas breves). As vogais podiam ser breves ou longas. Também as sílabas podiam ser longas ou breves. No momento, é suficiente esclarecer apenas que uma palavra será proparoxítona quando a penúltima sílaba (marcada pela brachia) for breve. Não havia palavras oxítonas. 4. Exemplos práticos de tradução de frases. Agricolae terram colunt. (agricola,ae = agricultor *terra,ae = terra * colo,is,ere,colui,cultum = cultivar) - quanto à concordância: através da terminação verbal –nt, 3ª.ppl, conclui-se que o sujeito está no nominativo plural, já que o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. A palavra que apresenta desinência de nominativo plural é agricolae ; - quanto à regência verbal: o verbo cultivar é de sentido incompleto, exige um complemento direto, ou seja, sem preposição, objeto direto; - A palavra que apresenta desinência correspondente ao objeto direto, acusativo singular é terram. Tradução: Os agricultores cultivam a terra. Puella feminae obtemperat. (puella,ae = menina * femina,ae = mulher * obtempero,as,are,avi,atum = obedecer) - quanto à concordância: por meio da desinência verbal –t, 3ª.ps, chegamos ao sujeito, nominativo singular, puella (consultar a tabela!!!!!); - quanto à regência verbal: o verbo obedecer (no português, esse verbo já está se tornando, na língua falada, pelo menos, transitivo direto) é transitivo indireto, exige um complemento com preposição, que é o objeto indireto; - a palavra que apresenta desinência correspondente ao objeto indireto, dativo singular, é feminae. Tradução: A menina obedece à mulher. Schola jucunda est. (schola,ae = escola* jucundus,a,um = agradável * sum,es,esse,fui- = ser) - quanto à concordância: a desinência –t, 3ª p.s., nos esclarece que o sujeito só pode ser nominativo singular. Entretanto, encontramos duas palavras com desinência de nominativo singular: uma, o substantivo schola e outra, o adjetivo jucunda. O sujeito será sempre substantivo. -quanto à regência: sendo o verbo de ligação, aparecem na sentença sempre dois nominativos – um para o sujeito e outro para o predicativo. Tradução: A escola é agradável. Schola est jucunda discipulae sedulae. (discípula,ae = aluna * sedulus,a,um = aplicado (a), estudioso (a). - A estrutura e a tradução são idênticas à frase anterior até a palavra jucunda. Assim, temos: A escola é agradável. - Na sentença anterior, o adjetivo “agradável” está empregado em sentido geral. Na sentença em foco, o adjetivo está empregado no sentido particular. - Cabe-nos a pergunta: Agradável a quem ou o quê? - Neste caso, o adjetivo requer um complemento nominal, dativo. - As duas palavras – discipulae sedulae possuem a mesma desinência, pois o adjetivo sedulae concorda com o substantivo em gênero, número e caso. Tradução: A escola é agradável à aluna aplicada (estudiosa). Observação: o complemento nominal aparece regido de preposição em português, assim como o objeto indireto. Para não fazer confusão, verifique se a palavra com a qual ele(s) concorda(m) é verbo ou nome. Laudamus filium magistrae. (laudo,as,are,avi,atum = elogiar * filius,i = filho * magistra,ae = professora) - quanto à concordância: a desinência verbal –mus (-mos na evolução para o português) indica o sujeito em primeira pessoa do plural; -quanto à regência: o verbo elogiar é transitivo direto, por essa razão há na sentença palavra em acusativo – filium. (2ª,declinação, ver tabela!) -Note-se que o acusativo singular é caracterizado pela nasalidade da vogal, representada pelo –m, fato que é uma constante em todas as declinações. - Resta-nos a palavra agricolae. A desinência –ae pode ser, na primeira declinação: genitivo singular, dativo singular e nominativo plural. - Observe sempre que o contexto da palavra é a sentença. - Não pode, nesta sentença, desempenhar a função de sujeito, pois o verbo encontra-se na 1ª.p.pl, Não é dativo, objeto indireto, já que o verbo elogiar é transitivo direto. O nome filius é de sentido completo, não admite complemento nominal. - A sentença, contexto da palavra, nos leva à única hipótese correta: genitivo singular. - Como já é sabido, o genitivo se traduz sempre por intermédio da preposição DE. Tradução: (Nós) Elogiamos o filho da professora. ROTEIRO DE TRADUÇÃO Assinalar as desinências. Localizar o verbo. 2.a. A terminação verbal nos encaminha ao sujeito. 2.b. Determinar a regência do verbo: - de ligação: procurar o predicativo – nominativo; - transitivo direto: procurar o objeto direto, acusativo; - transitivo indireto: procurar o objeto indireto - dativo (traduz-se, sempre, com as preposições A ou PARA. Em latim, apresenta-se sem preposição) - intransitivo: pode aparecer adjunto adverbial, ablativo (em latim, podia aparecer preposicionado ou não; traduz-se SEMPRE com as preposições COM, POR, EM ou DE – ligado a um verbo, por exemplo: “Saiu DO ANGLO” (adjunto adverbial de lugar, ligado a um verbo), diferentemente da preposição DE ligada ao genitivo: “Porta DO ANGLO” (adjunto adnominal, ligado a um nome); Verificar se há nome de sentido incompleto – complemento nominal, dativo, conformeo exemplo: Schola est jucunda discipulae sedulae. (Lembrando: o dativo sempre se traduz com as preposições A ou PARA. - Junto a substantivo pode aparecer o adjunto adnominal, genitivo, como explicado acima .(Porta do Anglo). - Havendo nome separado por vírgula poderá ser: a) aposto; b) vocativo. - O substantivo aparece sempre enunciado em nominativo e genitivo (femina,ae – mulher, 1a, decl), ao passo que o adjetivo aparece só no nominativo singular, nas formas de masculino, feminino e neutro: bonus,a,um (bom,boa). Como no português, o adjetivo latino concorda com o substantivo ao qual se refere em gênero, número e caso.” Mulher bonita” (femina pulchra), mulheres bonitas” (feminae pulchrae), “lobo mau” (lupus malus), “lobos maus” (lupi mali). Tentei fazer aqui um tutorial de fácil e rápida consulta, ao invés de um vídeo em que se tenha de rever várias partes até encontrar a informação desejada. É claro que não há aqui a pretensão de solucionar todas as dúvidas como num passe de mágica e, a qualquer momento, vocês podem solicitar ajuda através do fórum de discussão. Bom estudo! Bona fortuna (boa sorte!) – Paula Brauner