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234
ciÊnciaS da natureZa e SuaS tecnologiaS Biologia I
Anual – Volume 1
Os núcleos 2n do estágio diploide sofrem então meiose 
para dar origem a esporos sexuados, que germinarão para produzir 
novos micélios.
Estrutura
formadora
de esporos (n)
Reprodução
assexuada
Reprodução
sexuada
Plasmogamia
(fusão do citoplasma)
Esporos (n)
Germinação
Micélio (n)
Germinação
Esporos (n) Estrutura
formadora
de esporos (n)
Meiose
Estágio diploide
(2n)
Cariogamia (fusão
dos núcleos)
Estágio dicariótico
(n+n)
Reprodução assexuada (por esporos) e sexuada em fungos.
Classifi cação dos fungos
Os fungos são classificados em quatro filos, a saber: 
Chytridiomycota (citridiomiceto), Zygomycota (zigomiceto), 
Ascomycota (ascomiceto) e Basidiomycota (basidiomiceto).
Os Zygomycotas, Ascomycotas e Basidiomycotas são 
considerados fungos teleomorfos, isto é, eles produzem esporos 
sexuais e assexuais. Alguns ascomicetos perderam a capacidade 
de se reproduzir sexuadamente. Esses fungos assexuais são 
chamados de anamorfos. O Penicillium e o Aspergillus são 
exemplos de fungos anamorfos que surgiram da mutação de 
um teleomorfo primitivo. Historicamente, os fungos cujo ciclo 
sexual ainda não havia sido observado eram colocados em 
uma “categoria de espera” denominada de Deuteromycota
(deuteromiceto). Atualmente, os micologistas estão usando o 
sequenciamento do RNAr para reclassifi car esses organismos. 
Muitos dos que foram previamente classificados como 
deuteromicetos são fases anamórfi cas dos ascomicetos, e alguns 
são basidiomicetos.
REINO FUNGI
Filo Características principais
Chytridiomycota
Unicelulares ou fi lamentos (hifas cenocíticas). 
Apresentam fl agelos em algum estágio do 
ciclo de vida. Ex.: Allomyces arbuscula
Zygomycota
Hifas cenocíticas. Formam esporos sexuados 
chamados zigósporos. Sem corpo de 
frutifi cação. Ex.: Rhizopus nigricans, um bolor 
negro do pão.
Ascomycota
Hifas septadas. Formam esporos sexuados 
chamados ascósporos, em hifas especializadas 
chamadas ascos. Algumas espécies formam 
corpo de frutifi cação (ascocarpo ou ascoma). 
Ex.: Saccharomyces cerevisae (fermento-de-
padaria ou levedo de cerveja).
Basidiomycota
Hifas septadas. Formam esporos sexuados 
chamados basidiósporos em hifas 
especializadas chamadas basídios. Algumas 
espécies formam um corpo de frutifi cação 
(basidiocarpo ou cogumelo). Ex.: Agaricus 
sp. (champignon).
“Classifi cação dos fungos” (AMABIS e MARTHO. Biologia da célula. 
Volume 2. São Paulo: Moderna, 2007. Página 120).
Zoósporos
unif lagelados
Chytr id iomycota Zygomycota Ascomycota Basidiomycota
Zigósporo
Ascocarpo
Ascósporo
Basidiocarpo
Basidiósporo
Corpo de frut i f icação
Perda do f lagelo
Reprodução por esporos
Hifas
Absorção de nutr ientes do meio
Parede celular com quit ina
Evolução dos fungos.
Filo Chytridiomycota (quitridiomicetos)
Os quitridiomicetos ou quitrídias são fungos terrestres e 
aquáticos, unicelulares e multicelulares, que em algum estágio do 
ciclo de vida apresentam células fl ageladas (esporos e/ou gametas). 
É o único fi lo do reino Fungi que possui representantes fl agelados, 
o que levou alguns autores a chamá-los de mastigomicetos
(do grego mastix, fl agelo, e mycetos, fungo). Como os outros 
fungos, os quitridiomicetos apresentam quitina na parede celular 
e armazenam glicogênio.
A maioria dos quitridiomicetos é sapróbia, entretanto, 
há espécies parasitas. Um exemplo de quitrídia parasita é 
Batrachochytrium dendrobatidis, que tem sido responsável pelo 
possível desaparecimento de anfíbios em vários continentes, 
incluindo a América do Sul.
Filo Zygomycota (zigomicetos)
O fi lo Zycomycota (do grego zygos, união) possui em torno 
de 1060 espécies, sendo cosmopolitas. Eles produzem esporos 
sexuais chamados zigósporos, que podem fi car dormentes por um 
determinado período. Podem ser unicelulares ou possuírem hifas 
cenocíticas, alcançando até o estágio de micélio. Alguns zigomicetos 
são utilizados na elaboração de produtos comercialmente 
importantes, como molho de soja, ácidos orgânicos, esteroides 
para drogas contraceptivas e anti-infl amatórias. Muitos desses 
fungos são decompositores, mas há espécies parasitas de plantas 
e animais. Um zigomiceto muito comum é o bolor preto do pão, 
Rhizopus stolonifer.
Na reprodução assexuada dos zigomicetos ocorre a 
diferenciação no micélio de esporângios para a geração dos 
esporos assexuados. Isso ocorre quando as condições ambientais 
são favoráveis.
Esporângio
Esporo
Hifas
Ar (vento)
Ambiente
favorável
Esporo em
germinação
Micélio
Ciclo de reprodução assexuada do zigomiceto Rhizopus stolonifer.
235
ciÊnciaS da natureZa e SuaS tecnologiaSBiologia I
Anual – Volume 1
Na reprodução sexuada, quando as hifas (+) e (–) se tocam, 
fundem-se, ocorrendo nesta área a formação dos gametângios 
com núcleos n (+) e (–) devido à fusão dos citoplasmas 
(plasmogamia), formando o estágio dicariótico (n + n).
Em seguida, ocorre a fusão dos núcleos n (+) e (–) (cariogamia), 
formando o estágio diploide (2n) multinucleado. A parede celular 
dos gametângios fundidos se espessa e assume uma coloração 
negra, passando a estrutura a ser denominada zigoto. Este é 
altamente resistente e pode permanecer meses resistindo a 
condições adversas, até que o ambiente se torne propício para 
a germinação. Nessa etapa, o zigoto se abre e forma um único 
esporângio com todos os núcleos 2n, onde há a meiose para 
a produção e subsequente dispersão dos esporos. Cada esporo 
então origina um novo micélio.
Esporangióforo
Desenvolvimento
do esporangióforo
EsporângioEsporângio
EsporângioEsporângio
Esporos
(n)
 Reprodução
assexuada
 Micélio
(n)
Germinação
do esporo
Esporos
(n)
R!R!
Detalhe da fusão
de micélios sexualmente
compatíveis
MEIOSE
Zigoto (zigosporângio)
(2n)
Fecundação
Gametângios
de sexos diferentes
Ciclo de reprodução sexuada do zigomiceto Rhizopus stolonifer.
Filo Ascomycota (ascomicetos)
O fi lo Ascomycota (do grego askos, bolsa) constitui um grande 
grupo de mais ou menos 32.300 espécies descritas. Recebem também 
o nome de fungos de saco, pois seus esporos sexuais são produzidos 
em pequenos sacos chamados ascos. São representados por espécies 
possuidoras de micélios com hifas septadas como o Neurospora 
crassa e o Claviceps purpurea (esporão de centeio), produtor de ácido 
lisérgico precursor do alucinógeno LSD (dietilamida de ácido lisérgico) 
e de espécies unicelulares como o Saccharomyces cerevisiae, produtor 
de etanol por fermentação alcoólica.
Os ascomicetos variam na complexidade, desde leveduras 
unicelulares, passando por mofos (bolores) multicelulares, 
chegando a fungos em forma de taça. Eles incluem a maioria dos 
bolores esverdeados, rosas e marrons que estragam os alimentos. 
Os ascomicetos desempenham um papel ecológico importante na 
decomposição de moléculas animais e vegetais resistentes como a 
celulose, lignina e o colágeno.
Em certos ascomicetos (antes denominados de deuteromicetos) 
só há reprodução assexuada que origina esporos específicos 
chamados de conídias ou conídios ou conidiósporos. Estas são 
muito diversas na forma, tamanho e cor, nas diferentes espécies de 
ascomicetos. A cor desses esporos dá o aspecto preto, azul, verde, 
rosa ou outro, a muitos destes bolores. As conídias desprendem-se 
das extremidades de certas hifas conhecidas como conidióforos 
(estruturas que possuem os esporos).
Durante a reprodução sexuada, forma-se um tipo particular 
de esporo denominado ascósporo, produzido em estruturas 
denominadas ascos, que são modifi cações das hifas. Neles, os dois 
núcleos n da célula se fundem, formando um núcleo 2n, que sofre 
uma meiose, originando quatro núcleos n. Em leveduras, esses 
quatro núcleos já são os ascósporos, mas na maior parte das espécies, 
ocorre posteriormente uma mitose, originando oito núcleos n que 
corresponderão nesse caso aos ascósporos. Os esporos são então 
dispersos pelo vento para dar origem a novos indivíduos.
Núcleo (2n)
Asco jovem
Meiose
Asco maduro com
quatroascósporos
Ascósporos (n)
Formação de ascósporos em leveduras.
Asco jovem
Fusão
(n)
(n)
dos
núcleos
Meiose
Núcleo (2n)
Núcleos (n) Ascósporos (n)
Mitose
Asco
maduro,
com oito
ascósporos
Formação de ascósporos em ascomicetos em geral.
Corpos de frutificação
(ascocarpo)
Hifas estéreis
Ascocarpo
(perifécio)
em corte
Ascos com
ascósporos
Detalhe do corpo de frutifi cação do
ascomiceto Sarcoscypha coccinea.
Ciclo reprodutivo sexuadoCiclo reprodutivo sexuado
Germinação e
desenvolvimento
Germinação e
desenvolvimento
Micélio
primário
(n)
Micélio
primário
(n)
Fusão de hifas
(plasmogamia)
Fusão de hifas
(plasmogamia)
Hifas
dicarióticas
Hifas
dicarióticas
Esporo
(n)
Esporo
(n)
Micélio
primário
(n)
Micélio
primário
(n)
Hifas
monocarióticas
Hifas
monocarióticas
Meiose
(R!)
Meiose
(R!)
Hifas férteis
(2n)
Hifas férteis
(2n) Fusão dos núcleos
(cariogamia)
Fusão dos núcleos
(cariogamia)
Hifas
dicarióticas
Hifas
dicarióticas
Formação do corpo
de frutificação
Formação do corpo
de frutificação
Micélio secundário
(n + n)
Micélio secundário
(n + n)
AscoAsco
AscósporoAscósporo
Ciclo reprodutivo sexuado do ascomiceto Sarcoscypha coccinea. Vale ressaltar que 
os micélios primários possuem hifas monocarióticas, com a plasmogamia forma-se 
o micélio secundário com hifas dicarióticas.
236
ciÊnciaS da natureZa e SuaS tecnologiaS Biologia I
Anual – Volume 1
Leveduras
Bo
b 
Bl
ay
lo
ck
/W
ik
im
ed
ia
 F
ou
nd
at
io
n
Saccharomyces cerevisiae
As leveduras são fungos unicelulares, presentes em qualquer 
um dos fi los de fungos. Existem, aproximadamente, 850 espécies 
diferentes de leveduras, separadas em cerca de 78 gêneros. Um 
dos grupos mais importantes de leveduras, pertencem ao fi lo 
dos ascomicetos devido à sua importância econômica. Dentre 
estas, temos a espécie Saccharomyces cerevisiae, que através da 
fermentação de carboidratos para a obtenção de ATP, liberam etanol 
e gás carbônico. Este processo é de fundamental importância para a 
produção de pães e bebidas alcoólicas como a cerveja. Através dos 
anos, muitas linhagens diferentes de leveduras têm sido selecionadas 
para este processo.
Outras leveduras apresentam importância médica, por 
causarem doenças como a criptococose, infecção que pode atacar 
os pulmões, e a candidíase, infecção que provoca lesões superfi ciais 
na mucosa bucal e genital.
Filo Basidiomycota (Basidiomicetos)
O fi lo Basidiomycota (do grego basis, base) tem mais 
de 25000 espécies, apresentando hifas septadas e corpos de 
frutifi cação, os basidiocarpos, em formato de guarda-chuva.
São exemplos mais conhecidos os cogumelos do gênero Agaricus, 
apreciados como alimento pelos humanos, os orelhas-de-pau, 
os alucinógenos, como Psilocybe, os venenosos, como Amanita
muscaria, além de importantes parasitas de plantas, como os 
fungos do carvão e da ferrugem.
Durante a reprodução sexuada, forma-se um tipo particular 
de esporo denominado basidiósporo, produzido em estruturas 
denominadas de basídios, formados a partir de hifas modifi cadas. 
A formação desses esporos é bastante semelhante àquela descrita 
para os ascósporos, com a diferença que os basidiósporos 
encontram-se em evaginações do basídio, projetados para o meio 
externo, objetivando facilitar a exposição ao vento. Os esporos 
são, como no caso dos ascósporos, dispersos pelo vento para 
dar origem a novos indivíduos. Vale ressaltar que a diferença 
básica entre ascósporos e os basidiósporos deve-se ao fato de os 
primeiros estarem dentro do asco enquanto os segundos estão 
fora do basídio.
Fusão nuclear
(fecundação)
MEIOSE
Formação dos
basidiósporos
Basídio
BasidiósporosNúcleos haploidesZigotoHifa dicariótica
(n)(n)(2n)
R!
Formação de basidiósporos em basidiomicetos.
Lamela
(ampliação) MEIOSE
ZIGÓTICA
R!R!
Fusão de núcleos
(fecundação)
Liberação
dos
basidiósporos
Liberação
dos
basidiósporosBasidiósporos
(n)
Zigotos
(2n)
Hifas
haploides
(n) Germinaçãodos
basidiósporos
Hifas
dicarióticas
Micélio 
dicariótico
Fusão de micélios
compatíveis
Corpo de
frutificação
(basidiocarpo)
CICLO REPRODUTIVO SEXUADO
DE UM FUNGO BASIDIOMICETO
Ciclo reprodutivo sexuado do basidiomiceto Agaricus campestres.
Importância ecológica
Os fungos são muito importantes para os ecossistemas, 
principalmente, por suas ações decompositoras, como já citado 
anteriormente. Fungos são seres saprófi tas que se desenvolvem 
sobre matéria orgânica morta. Particularmente, em áreas úmidas, 
onde fungos crescem mais facilmente, sua ação de reciclagem 
da matéria mantém a nutrição de raízes de modo geral, que 
necessitam dos produtos inorgânicos de decomposição como 
os íons minerais. Dessa forma, fl orestas temperadas e tropicais 
apresentam abundantes populações de fungos no solo, devido à 
sua umidade. Contudo, nas regiões secas, fungos não proliferam 
com tanta facilidade, uma vez que não possuem estruturas para 
evitar a desidratação.
Um abundante número de espécies de fungos realizam 
associações simbióticas mutualísticas, nas quais há mútuo benefício 
e obrigatoriedade de relação entre os seres associados. Duas dessas 
interações ecológicas se sobressaem, a saber, as micorrizas e os liquens. 
Liquens
Representam uma associação ecológica harmônica 
interespecífi ca entre uma alga, ou uma cianobactéria, e um fungo. 
Este pertence geralmente ao fi lo dos ascomicetos, mas alguns são do 
fi lo dos basidiomicetos. As algas ou cianobactérias encontradas nos 
liquens também são encontradas de forma livre nos ecossistemas, 
contudo, o fungo encontra-se somente como parte do líquen. As 
algas fabricam matéria orgânica pela fotossíntese, usando a água 
e os íons minerais obtidos pelos fungos, enquanto estes dependem 
das algas quanto ao fornecimento de fotossinatos (produtos da 
fotossíntese). Além disto, certas espécies de cianobactérias que 
participam da formação de liquens são capazes de fi xar nitrogênio, 
importante elemento para a síntese de proteínas e ácidos nucleicos. 
237
ciÊnciaS da natureZa e SuaS tecnologiaSBiologia I
Anual – Volume 1
Os liquens possuem formas de reprodução bem particulares 
como uma simples fragmentação, ou pela produção de sorédios 
(propágulos vegetativos), ou por pequenas projeções do talo 
conhecidas como isídios. Fragmentos, sorédios e isídios contêm 
tanto hifas do fungo como algas ou cianobactérias; eles atuam 
como unidades de dispersão que têm a função de estabelecer o 
líquen em novos meios ecológicos.
Há, aproximadamente, 20.000 espécies de liquens. Estes 
podem se instalar em lugares onde a alga e fungo isoladamente não 
sobreviveriam. Dessa forma, são encontrados em troncos de árvores, 
rochas lisas, muros e postes. Toleram variação térmica e de umidade, 
sendo sensíveis à poluição ambiental, por isso, são utilizados como 
bioindicadoras de poluição. Muitos liquens são utilizados como 
fontes de corantes e também como medicamentos, bases fi xadoras 
de perfumes ou fontes de alimento de menor importância.
Os liquens são excelentes organismos pioneiros em processos 
de sucessão ecológica devido aos seus requisitos nutricionais mínimos: 
água, gás carbônico, compostos nitrogenados e alguns íons minerais 
(especialmente para aqueles com cianobactérias em sua estrutura, que 
podem fi xar o nitrogênio atmosférico). Trazidos pelo vento ou pela água, 
liquens podem aderir a rochas e a partir daí criar toda uma comunidade. 
Os ácidos liquênicos liberados para a digestão extracorpórea dos fungos 
podem degradar até mesmo rochas, pulverizando-a, gerando então 
solo. Água retida devido à ação do fungo e nutrientes acumulados a 
partir da ação da alga podem então se acumular nesse solo, abrindo 
caminho para que outros organismos possam se instalar nessa área, 
num processo ecologicamente conhecido como facilitação.
Sorédios (estruturas reprodutivas)
Células 
da alga
Hifas do 
fungo
Hifas do fungo
Células
da alga
Liquens sobre uma rocha no início de uma sucessão ecológica e, abaixo,
o detalhe de um sorédio, estrutura de propagação assexuadado líquen.
Micorrizas 
A micorriza é uma associação benéfi ca entre um fungo e uma 
raiz de planta. Este termo é derivado do grego, signifi cando “raiz 
fúngica”. Estudos mostraram que as plantas benefi ciam-se com essa 
associação, principalmente se o solo for pobre em íons minerais de que 
elas necessitam. Em algumas situações, a relação é tão necessária que as 
plantas não germinam e não se desenvolvem caso não sejam infectadas 
pelos fungos, como no caso de certas orquídeas. As micorrizas ajudam 
na transferência direta do fósforo, zinco, cobre e outros nutrientes 
do solo para as raízes. Por outro lado, a planta fornece fotossinatos 
ao fungo simbionte. Os fi los de fungos da relação são geralmente os 
zigomicetos e os basidiomicetos. 
MICORRIZASMICORRIZAS
Raízes
HifasHifas
Hifas do fungo
Fungo
(Boletus)
Raízes do
pinheiro
(Pinus)
Raízes do
pinheiro
(Pinus)
Micorriza entre basidiomiceto e angiosperma.
Importância alimentar
Diversos alimentos consumidos por humanos são de origem 
fúngica, sendo fontes de importantes nutrientes. Os cogumelos 
como o champignon (Agaricus sp.), o shiitake (Lentinus edodes), 
o shimeji (Pleurotus sp.), bem como os ascomicetos Morchella 
esculenta e as trufas (Tuber sp.) são comestíveis e considerados 
iguarias gastronômicas em várias culturas. 
Os cogumelos são alimentos muito apreciados desde a 
idade antiga por se acreditar em seu elevado valor nutritivo e 
em seu potencial medicinal, além de serem classifi cados como 
uma especiaria nobre em pratos culinários. As propriedades dos 
cogumelos vão muito além do sabor exótico e das suas formas 
graciosas. Essas iguarias têm também funções terapêuticas, 
como prevenir doenças e aumentar a capacidade imunológica do 
organismo, por isso, são ditos alimentos funcionais. 
As trufas são corpos frutifi cantes subterrâneos de certas 
espécies de ascomicetos que crescem em associação com algumas 
árvores, entre as quais o carvalho e a faia, que são os parceiros mais 
comuns. O fungo proporciona certos nutrientes à árvore, a qual, por 
sua vez, fornece substâncias essenciais para o crescimento do fungo. 
As trufas consistem em uma massa de ascósporos e micélios, coberta 
com uma casca espessa e protuberante do micélio. Possuem odor, 
gosto e textura agradáveis, o que as tornam apreciáveis pelos gourmets.
Já a leveduras são fungos unicelulares capazes de realizar 
fermentação alcoólica e, com isso, são fundamentais na produção 
de bebidas alcoólicas e pães. No processo de fermentação alcoólica, 
há a produção de etanol e gás carbônico. Os levedos de cerveja das 
espécies Saccharomyces cerevisae e Saccharomyces carlsbergensis 
são os mais conhecidos, sendo estes também componentes do 
fermento biológico. Vale ressaltar que há também uma específi ca 
levedura para a produção do vinho, sendo da espécie Saccharomyces 
ellipsoideus.
Quando as leveduras fazem fermentação alcoólica e 
acumulam etanol no meio, elas morrem a partir de uma determinada 
concentração alcoólica, em torno de 12 a 14%. Dessa forma, 
a concentração de etanol conseguida com a fermentação é 
relativamente reduzida. Bebidas alcoólicas produzidas dessa maneira 
são ditas fermentadas, como a cerveja, o vinho, o champanhe e 
a sidra. Para se obter uma concentração alcoólica mais elevada, 
deve-se fazer um processo de destilação da mistura de água e 
etanol. Assim, poderemos obter bebidas como a cachaça (a partir 
da cana-de-açúcar), o rum (a partir de melaço de açúcar), o uísque 
(a partir de cereais envelhecidos e milho especial), a vodca (a partir 
de batata e trigo) entre outras.
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ciÊnciaS da natureZa e SuaS tecnologiaS Biologia I
Anual – Volume 1
O gás carbônico liberado na fermentação alcoólica é a 
base para o inchaço de pães e bolos. O fermento biológico é na 
verdade as próprias leveduras, que em contato com o substrato 
adequado, começam a realizar fermentação alcoólica. As minúsculas 
bolhas de gás carbônico se expandem dentro da massa, e devido 
ao glúten, substância elástica e pegajosa, promovem o inchaço 
da massa. A quantidade de etanol produzida nesse processo é 
muito reduzida, e, por isso, evapora no processo. Vale ressaltar 
que os fungos do fermento biológico demoram um pouco para 
degradar os carboidratos da massa e posteriormente fermentá-los, 
lembrando também que esses microrganismos são sensíveis ao calor 
do forno, morrendo em altas temperaturas. Assim, em receitas com 
fermentação biológica, como pães e pizzas, é necessário esperar a 
massa crescer antes de começar a assá-la.
Já no fermento químico, o gás carbônico é obtido em 
reações do bicarbonato de sódio com algum ácido. Na produção 
do fermento em pó, o bicarbonato é mesclado a substâncias que 
se tornam ácidas ao entrar em contato com líquidos ou quando são 
aquecidas. O pó já começa a reagir na hora do preparo da massa do 
bolo e, na maioria das vezes, continua a fazê-lo enquanto o bolo 
está sendo assado no forno.
Os queijos são produzidos a partir da ação de fermentação 
láctica realizada por bactérias como as Lactobacillus. Certos tipos 
de queijos, contudo, chamados de curados, por passarem pela cura, 
processo de maturação que transforma um queijo, dia após dia, em 
outro. O sabor forte do Camembert e do Roquefort, por exemplo, 
é produzido a partir de produtos do metabolismo dos fungos 
Penicillium camembertii e Penicillium roquefortii, respectivamente.
Importância econômica
O valor econômico baseia-se nos produtos formados por 
eles. Como já mencionado, fungos estão relacionados à produção 
de etanol, que além de ter sua importância alimentar é um 
importante combustível e uma interessante alternativa aos derivados 
de petróleo. O etanol é ainda um poderoso antisséptico, pois 
elimina certos tipos de micro-organismos presentes em superfícies.
Os fungos são usados na produção de antibióticos, como a penicilina, 
produzida pelo bolor verde do pão das espécies Penicillium notatum
e Penicillium chrysogenum. Os fungos da espécie Tolypocladium sp. 
produzem o imunossupressor ciclosporina que reduz os riscos de 
rejeição após o transplante de órgãos.
Certos fungos parasitas de plantas causam problemas a 
lavouras diversas. Doenças como a ferrugem do cafeeiro, a necrose do 
amendoim e a vassoura-de-bruxa do cacau causam grandes perdas 
em cultivos a cada ano. Em destaque, temos a vassoura-de-bruxa
do cacaueiro que representa uma doença causada pelo fungo 
basidiomiceto Moniliophtora perniciosa. É uma das doenças de 
maior impacto econômico em áreas produtoras de cacau da 
América do Sul (como a região sul da Bahia) e das ilhas do Caribe. 
A vassoura-de-bruxa ataca as regiões meristemáticas do cacaueiro, 
principalmente frutos, brotos e partes fl orais, ocasionando queda 
acentuada na produção, provocando o desenvolvimento anormal, 
seguido de morte, das partes infectadas. A seleção de variedades 
resistentes de cacau tem felizmente contido a disseminação da 
praga.
Importância médica
Os fungos apresentam relevância médica basicamente de 
duas maneiras, a saber:
• Produzem substâncias tóxicas (venenos) que lesam tecidos e 
órgãos do nosso corpo;
• Atuando como parasitas, proliferam diretamente sobre os tecidos 
e órgãos causando lesão sobre eles. 
Os fungos venenosos podem inclusive causar a morte 
de humanos, como no caso da espécie Amanita phalloides, das 
variedades vermelhas ou amarelas da espécie Amanita muscaria e 
do gênero Psilocybe. Estes fungos, ao serem ingeridos, provocam 
efeitos alucinógenos, alterando a atividade do sistema nervoso 
central.
O Amanita também produz substâncias denominadas 
ciclopeptídeos que atuam inibindo a síntese de RNA em células 
animais, levando-as a óbito. A ingestão de um único cogumelo de 
Amanita phalloides pode causar a morte de um adulto humano.
Através de técnicas laboratoriais produz-se a droga 
alucinógena LSD (dietilamida do ácido lisérgico) a partir do 
ácido lisérgico extraído de grãos de cereais, como o centeio, 
contaminados pelo fungo Claviceps purpurea (esporão-do-
centeio). Outra substânciatambém produzida por esse fungo 
é a ergotina, alucinógeno tóxico que provoca uma doença 
denominada de ergotismo, típica da ingestão de grãos ou farinha 
infectados pelo fungo.
 Os fungos Aspergillus fl avus e Aspergillus parasiticus são 
espécies que crescem, em condições favoráveis de temperatura 
e umidade, em certos alimentos, como amendoim, nozes e 
outras sementes oleosas, e em rações para animais, resultando 
na produção de micotoxinas denominadas de afl atoxinas. Estas, 
mesmo em doses diminutas, provocam em diversas espécies de 
animais, efeitos cancerígenos sobre o fígado, além de provocar 
sobre este órgão necrose aguda e cirrose, caracterizando a 
afl atoxicose.
Os fungos parasitas provocam diversas doenças em 
humanos. O fungo Candida albicans causa uma doença denominada 
candidíase ou monilíase, que se manifesta de diferentes modos em 
cada indivíduo. Este fungo se instala basicamente em indivíduos 
com defi ciência imunológica. Em crianças (cujo sistema imune 
está imaturo), a candidíase se manifesta como manchas brancas 
nos lábios e língua com o nome popular de sapinho. Em pacientes 
imundeprimidos, como os com Aids, a candidíase pode, além das 
manifestações orais e genitais, instalar-se em órgãos internos como 
os do sistema nervoso central (causando meningite), o coração e o 
sangue, sendo essa forma de manifestação bastante grave. 
A histoplasmose é uma micose que provoca lesões 
pulmonares, sendo causada pelo fungo Histoplasma capsulatum, 
que pode se desenvolver em fezes de pombos, de outras aves e de 
morcegos. Também conhecida como a “doença dos exploradores 
de cavernas” uma vez que a infecção se dá normalmente através 
da inalação de esporos do fungo a partir de fezes ressecadas de 
morcego. A prevenção deve ser feita evitando-se inalar o pó, usando 
máscara por exemplo, ao limpar locais abandonados e quando entrar 
em túneis e cavernas que possam ter fezes de animais transmissores.
O fungo Paracoccidioides brasiliensis é muito semelhante 
ao Histoplasma capsulatum, causando lesões graves ulcerativas nas 
cavidades oral e nasal, sendo, por isso, denominado vulgarmente 
de “fungo bravo”, além de poder afetar os pulmões e o SNC. 
A transmissão dessa doença, denominada paracoccidiomicose ou 
blastomicose sul-americana, ocorre muitas vezes por via pulmonar 
através da aspiração de esporos, mas também de forma direta, 
como o contato com vegetação contaminada pelo fungo. 
O fungo Pneumocystys jirovecii é um fungo normalmente 
inócuo em pessoas com o sistema imunológico competente. 
Contudo é oportunista, pois em pacientes imunodeprimidos acaba 
causando uma forma grave de pneumonia que frequentemente 
causa a morte de pacientes com Aids.
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ciÊnciaS da natureZa e SuaS tecnologiaSBiologia I
Anual – Volume 1
Exercícios de Fixação
01. (UFRGS/2017) Sobre os fungos utilizados pela espécie humana, 
é correto afi rmar que 
A) a maioria apresenta fl agelos em algum estágio do ciclo de 
vida.
B) o levedo de cerveja e o fermento de padaria formam esporos 
sexuais.
C) o fermento de padaria é multicelular e apresenta hifas 
cenocíticas.
D) os cogumelos e os parasitas de mucosas, como, por exemplo, 
a Candida albicans, são da mesma classe.
E) a penicilina é obtida de um fungo que não apresenta corpo 
de frutifi cação.
02. (Fuvest/2011) O quadro a seguir lista características que 
diferenciam os reinos dos fungos, das plantas e dos animais, 
quanto ao tipo e ao número de células e quanto à forma de 
nutrição de seus integrantes.
Característica I II III
Tipo de
célula 
Exclusivamente 
procarióticos
Maioria 
eucarióticos
Exclusivamente 
eucarióticos
Número de 
células 
Exclusivamente 
unicelulares
Unicelulares 
ou 
pluricelulares
Exclusivamente 
pluricelulares
Forma de
nutrição 
Exclusivamente 
heterotrófi cos
Autotrófi cos 
ou 
heterotrófi cos
Exclusivamente 
autotrófi cos
Com relação a essas características, os seres vivos que compõem o 
reino dos fungos estão indicados em:
Tipo de célula
Número de 
células
Forma de 
nutrição
A) I III II
B) II III I
C) III II I
D) III I II
E) II II III
03. (Fatec/2017) Uma estante de um escritório fi cou fechada 
durante meio ano. Quando foi reaberta, sentiu-se um odor 
desagradável dos livros, que tinham as capas com manchas 
escuras e aveludadas.
Para evitar que outros livros apresentem o mesmo problema, 
recomenda-se que as demais estantes do escritório sejam 
A) umedecidas, dado que os germes que crescem em livros são 
típicos de ambientes secos. 
B) expostas a maior concentração de gás carbônico, já que 
musgos de livros são autótrofos. 
C) expostas a maior concentração de gás oxigênio, já que mofos 
de livros são autótrofos. 
D) arejadas, combatendo os ácaros que depositam ovos escuros 
nas capas dos livros. 
E) arejadas, difi cultando a deposição e a germinação de esporos 
de fungos nas capas dos livros.
04. (UCS/2016) Os fungos são seres uni ou multicelulares, eucarióticos 
e heterotrófi cos. Desempenham um papel importante como 
decompositores nas cadeias tróficas, permitindo que os 
elementos químicos constituintes da matéria orgânica morta 
possam ser reaproveitados por outros seres vivos. Considere a 
tabela a seguir com as características dos principais grupos de 
fungos.
Filo
Composição 
corporal
Característica 
das hifas
Corpo de 
frutifi cação
Exemplo
Zygomycota I Cenocíticas Ausente
Bolor 
preto do 
pão
Ascomycota
Uni ou 
Multicelulares Septadas II
Levedo 
de 
cerveja
Basidiomycota Multicelulares Septadas
Ausente ou 
Presente
III
Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente 
os espaços I, II e III da tabela apresentada.
I II III
A) Unicelulares Ausente Orelha-de-pau
B)
Uni ou 
multicelulares
Presente Líquens
C) Multicelulares
Ausente ou 
presente
Champignon
D) Multicelulares Presente Shimeji
E) Unicelulares
Ausente ou 
presente
Penicillium
05. (Fac. Santa Marcelina – Medicina/2016) Em um ambulatório 
médico, um paciente foi diagnosticado com pé de atleta, 
popularmente conhecido como frieira. Os sintomas apresentados 
eram fortes coceiras e bolhas entre os dedos dos pés. O médico 
indicou uma pomada específi ca, de uso tópico, para tratar esse 
problema.
A) Considere três medicamentos: um antirretroviral, um 
fungicida e um antibiótico. Qual desses medicamentos atua 
diretamente no agente causador dessa infecção? Justifi que 
sua resposta.
B) Mencione duas condições do ambiente parasitado que 
favorecem a instalação do causador do pé de atleta
Exercícios Propostos
01. (Unesp/2016) Pesquisadores da Universidade de Harvard 
investigaram o efeito invasivo da planta Alliaria petiolata sobre 
o crescimento de mudas de árvores nativas que apresentam 
raízes em associação com fungos micorrizas. Eles sabiam 
que a Alliaria petiolata não se associa às micorrizas. Em um 
experimento, eles cultivaram mudas de três espécies de árvores:
Acer saccharum, Acer rubrum e Faxinus americana em quatro 
tipos de solos diferentes, garantindo que as demais condições 
ambientais fossem as mesmas. Duas das amostras de solo foram 
coletadas de um local invadido por Alliaria petiolata, sendo que 
uma dessas amostras foi esterilizada. As outras duas amostras 
de solo foram recolhidas de um local não invadido por Alliaria 
petiolata, sendo uma delas esterilizada. Depois de quatro meses 
de crescimento, os pesquisadores colheram brotos e raízes de

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