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Abordagem humanista

Módulo sobre bases histórico‑filosóficas do humanismo em Psicologia. Apresenta definição e características do humanismo segundo Holanda, sua trajetória histórica (Sócrates, Antiguidade, Renascimento, época moderna), autores citados e atividades com exercício de múltipla escolha.

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Lena Sil

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Módulo 1 – Bases histórico-filosóficas do humanismo em Psicologia 
 
O Humanismo como movimento recorrente no pensamento ocidental 
Bibliografia Básica: HOLANDA, A. Fenomenologia e Humanismo, Parte II, pp. 
105 – 118 (Introdução; 1. Há uma “questão” humanista; 2. O que é o 
Humanismo) 
O Humanismo não é exclusividade da Psicologia. Pelo contrário, sua história 
remonta ao nascimento da filosofia. Segundo o historiador Holanda (2015), o 
primeiro humanista foi Sócrates, filósofo conhecido pela frase “só sei que nada 
sei”. Nessa frase paradoxal está contida uma das principais características do 
Humanismo ao longo da história do pensamento ocidental: a afirmação da 
capacidade de pensar-se do homem. Na história da filosofia, Sócrates é o 
filósofo que, dialogando, revela que verdades defendidas por seus interlocutores 
eram pressupostos adquiridos de outrem. Dessa primeira desconstrução, surge a 
possibilidade de uma verdade própria, fruto do próprio raciocínio. Isso é 
possível, pois o homem é capaz de pensar e refletir sobre si mesmo e seu 
mundo ao redor. 
Ao longo da história, surgem em vários momentos movimentos que buscam 
resgatar a dignidade do homem, ou seja, seu lugar peculiar na natureza, 
caracterizado pela capacidade de conhecer(-se). Desse modo, não é possível 
falar de um Humanismo, mas, sim, de uma atitude humanista de pensamento, 
que se dedica à questão crucial: quem sou eu? 
Holanda (2015, p.108) indica como características essenciais do humanismo: 
1) “a luta do homem que reflete sobre si mesmo; é refletir sobre o embate do 
ser humano que pensa a natureza e a realidade incluindo-se em relação a 
estas”; 2) a reflexão sobre a “constituição da subjetividade”, do “sujeito no 
mundo que habita”; 3) a reflexão do “lugar do sujeito que pensa” no mundo e no 
conhecimento. Isso está presente no pensamento grego e latino dos séculos 
antes de Cristo, reaparece no final da Idade Média, no chamado Renascimento, 
preparando a época moderna, quando novamente anima as reflexões do homem 
sobre si mesmo e seu mundo. 
O historiador Abbagnano (1992, apud Holanda, 2015), nessa mesma direção, 
resume o Humanismo como o movimento literário e filosófico Renascentista, que 
acontece no final do século XIV, na Itália, assim como toda filosofia que tome o 
homem como “a medida de todas as coisas”. Esta concepção – de que o homem 
é a medida de todas as coisas –, remonta ao filósofo Heráclito de Éfeso (535 
a.C. – 475 a.C.), mas foi assim enunciada por Protágoras de Abdera (490 a.C. – 
415 a.C.). O sentido dessa afirmação aponta para a interligação de homem e 
realidade e para o alcance do conhecimento, que é possibilidade humana. 
Atividades Recomendadas 
1) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, atentando para as 
características do Humanismo. Relacione esses temas com as reflexões da 
Psicologia Humanista moderna. 
2) Pesquise por meios tradicionais ou eletrônicos sobre os filósofos Protágoras, 
Sócrates e Pascal. 
3) Acompanhe o seguinte exemplo de exercício: 
A Psicologia Humanista do século XX encontrou no Humanismo, movimento 
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filosófico medieval, fundamentação para as suas posições na Psicologia. Esse 
movimento filosófico combateu a Escolástica, recolocando como centro das 
reflexões o Homem, como fizera a cultura clássica anteriormente. Das ideias e 
citações abaixo, as que correspondem aos ideais do Humanismo são: 
I – “Qual é a utilidade de conhecer a natureza dos quadrúpedes, aves, peixes e 
serpentes e não conhecer ou até mesmo negligenciar a natureza do homem?” 
(Petrarca) 
II – O homem é um ser que, diferentemente dos demais, não tem lugar ou 
aspecto fixo, não tem forma determinada nem leis que determinam sua 
natureza. Ele pode escolher para si mesmo seu lugar e sua natureza e criar leis 
para si mesmo. (Pico della Mirandola) 
III – Como a mente do homem foi criada pelo sopro de Deus e seu corpo, do 
barro, o homem reúne as naturezas mortal e imortal. (Philo) 
A) I e II, apenas. 
B) II e III, apenas. 
C) I, II e III, apenas. 
D) I, apenas. 
E) II, apenas. 
Seus estudos da fundamentação filosófica da Psicologia Humanista devem ter- 
lhe mostrado que os Humanistas medievais recuperam a dignidade do homem, 
mostrando que é dotado de livre arbítrio, e colocaram a natureza humana como 
foco das reflexões filosóficas. Assim, as afirmações I, II e III expressam esses 
ideais. A alternativa correta é C. 
 
O Renascimento: movimento humanista medieval 
Bibliografia Básica: HOLANDA, A. Fenomenologia e Humanismo, Parte II, pp. 
105 – 118 (Introdução; 1. Há uma “questão” humanista; 2. O que é o 
Humanismo) 
Todo mundo conhece a imagem do homem vitruviano, elaborada por 
Leonardo da Vinci (1452 – 1519). Para muitos, é um símbolo do Renascimento, 
pois retrata a homem como parte da natureza, tal como conhecido e conhecível 
pelo esforço racional humano. Ou seja, contrapõe a representação do homem 
elaborada por ele mesmo, recorrendo aos instrumentos e cálculos humanos, às 
representações alegóricas bíblicas. Nesse desenho, retrata, cuidando para 
revelar com clareza, o corpo humano na sua simétrica e bela perfeição. Os 
gregos e os latinos, antecedentes do pensamento cristão que domina a cultura 
(arte, filosofia) já nos primeiros cinco séculos d.C., também buscavam conhecer 
e representar o corpo humano tal como pode ser (e muitas vezes é) na sua 
humana perfeição. 
Os historiadores são unânimes ao apontar como característica do 
Renascimento o resgate dos gregos e latinos clássicos. O Renascimento é 
movimento cultural que acontece na Europa Ocidental, tendo seu berço na Itália, 
entre a segunda metade do XIV e o começo do XVII. Retoma os clássicos, pois 
recoloca o homem na sua vida terrena no centro das preocupações. 
Anteriormente, o homem era pensado como parte da criação divina e sua 
existência e trajetória terrenas como preparação para a vida após a morte. Ou 
seja, na Idade Média preocupava-se mais com a alma imortal do homem do que 
como sua vida mortal. No lugar da vida monástica, tida como máximo valor 
humano, o Humanismo renascentista cede espaço para os prazeres humanos 
ordinários. Ao invés de pesquisar a vida após a morte, o interesse científico se 
volta para a vida mundana. 
O termo HUMANISMO está relacionado com o professor ou aluno de studia 
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humanitatis (humanidades), isto é, textos clássicos sobre gramática, retórica, 
poética, filosofia moral (ser humano e suas relações com os demais) e história. 
O conhecimento de latim e grego levou humanistas a traduzirem a filosofia 
grega para um latim elegante. É neste período que se inicia 
Os humanistas acreditavam no poder do homem de planejar sua vida, 
comandar seu destino e direcioná-lo para a liberdade, a justiça e a paz. É nesta 
época que surge a ideia de “livre arbítrio” como dádiva divina ao homem, que o 
torna responsável por suas escolhas. Assim como a liberdade, a dignidade do 
homem volta a ser tema filosófico, como fora outrora com os gregos e os latinos 
a.C. 
No pensamento humanista renascentista, o homem era responsável por 
tornar o mundo seu lar, reconhecendo as necessidades que o ligam a ele. 
Apareceram discussões sobre a felicidade humana, sobre o livre arbítrio, o 
destino, a fortuna, sobre o lugar do homem no cosmos. 
As mesmas questões e preocupações reaparecem na fenomenologia, no início do 
XX. Edmund Husserl descreve a crise das ciências, que assumem o modelo 
científico-natural, que abstrai o homem, para o conhecer. Ao fazerem isso, 
deixam de lado a especificidade humana, que é sua condição de conhecedor do 
mundo e de si. Perguntando “o que é o homem?”, as ciências-naturais tornam-no 
um “que”, um objeto, perdendo de vista subjetividade (sujeito). De maneira 
semelhante, os psicólogos humanistas nos EUA criticaram as abstrações e o 
cientificismo do behaviorismo e da psicanálise em voga na época. Recolocaram 
no centro das preocupações a saúde, o potencial e a liberdade humanos, 
esquecidos pelas pesquisas do homem doente (psicopatologia).Atividades Recomendadas 
1) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, atentando para as questões que 
orientam as reflexões humanistas medievais. 
2) Pesquise bibliografia ou por meios eletrônicos sobre o Renascimento e 
Filosofia Humanista. 
3) Acompanhe o seguinte exemplo de exercício: 
O Humanismo na psicologia foi influenciado pelo Renascimento, movimento 
cultural da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVII. Sobre esse 
movimento, é correto afirmar: 
I – O Renascimento irrompeu contra a Escolástica, colocando o homem no 
centro das preocupações especulativas. 
II – Para o Renascimento, o aspecto mais importante do homem é sua alma 
imortal. 
III – O “livre-arbítrio” foi fortemente defendido pelos humanistas, que 
acreditavam no poder do homem de planejar sua vida, comandar seu destino e 
direcionar-se para a liberdade. 
IV – O Renascimento se opôs à hegemonia da religião cristã na produção de 
conhecimento. Os filósofos humanistas eram adversários da Igreja. 
Está correto apenas o que se afirma em: 
A) I e II, apenas 
B) II e III, apenas 
C) I, II e III, apenas 
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D) III e IV, apenas. 
E) I e III, apenas. 
Se você leu os textos atentamente e compreendeu os aspectos principais do 
Humanismo renascentista terá identificado a alternativa E (I e III, apenas) como 
a correta. A afirmação II indica que a “alma imortal” do homem é o aspecto mais 
importante para o Renascimento. Isso está errado, pois a preocupação com a 
alma imortal trazia junto uma desconsideração da vida terrena. Os Humanistas 
voltam a atenção para a existência e para o mundo ao redor do homem, as 
escolhas que faz, como exerce seu livre arbítrio na direção do bem. A afirmação 
IV propõe que o Humanismo Renascentista se opunha à Igreja. Está errado. Os 
Humanistas não se opõem à filosofia cristã que os antecede. O que fazem é 
mudar o foco de interesse para o homem histórico, mortal, deixando em 
segundo plano das reflexões a alma imortal. 
4) Realize os exercícios deste módulo, anotando as dúvidas que surgirem 
durante a resolução. Busque respostas às suas dúvidas na bibliografia indicada 
ou através de novas pesquisas bibliográficas. Caso suas dúvidas persistam, 
apresente-as ao professor, nas aulas presenciais. 
 
Módulo 2: Psicologia Humanista norteamericana – A “Terceira Força” 
Objetivo: Situar o surgimento da Psicologia Humanista e conhecer seus 
principais autores. 
Bibliografia básica: HOLANDA, A. Fenomenologia e Humanismo, Parte II, 
pp.146 – 172 
Psicologias Humanistas 
Reunimos sob o nome de “Psicologias Humanistas” vários modelos de 
compreensão de homem que, embora divirjam entre si, convergem na ênfase 
dada ao sentido das vivências humanas e na liberdade como condição ontológica. 
Tomaremos como foco de nossos estudos a Abordagem Centrada na Pessoa, 
desenvolvida por Carl Rogers a partir da década de 1950, a Gestalt- Terapia, por 
Fritz Perls na mesma época e a Psicologia Existencial-Humanista, desenvolvida 
por Carl Rogers. 
As Psicologias Humanistas florescem nos Estados Unidos a partir da década de 
1950. Esse período que seguiu a Segunda Guerra Mundial estava marcado pelos 
horrores provocados pela humanidade, assim como pelo temor constante da 
autodestruição atômica na Guerra Fria. Nas décadas seguintes cresceram as 
tensões e disputas raciais em busca do fim da discriminação e os Estados Unidos 
se envolveram com a Guerra do Vietnã, que resultou na morte de milhares de 
jovens soldados e na mobilização de parcela considerável da sociedade pela paz. 
Nesse momento histórico, a Psicologia estava dividida entre duas “forças”: A 
Psicanálise freudiana, que apresenta o homem como um organismo determinado 
por impulsos inconscientes que buscam a satisfação do prazer ou a evitação do 
desprazer, e o Behaviorismo, que é a aplicação do modelo científico-natural de 
conhecimento, apresentando o homem como um organismo determinado por sua 
história de modelagem e pelo ambiente. 
Assim, a Psicologia Humanista surge como a Terceira Força na psicologia. A 
Terceira Força considera as psicologias de sua época deterministas, pois buscam 
determinar a causa dos comportamentos humanos. Para isso, recorrem a 
modelos explicativos que não abarcam aquilo que o humano tem de mais 
peculiar: a liberdade. Ao posicionar a questão do sentido da vida como a mais 
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importante, estão afirmando que a existência humana é livre e capaz de fazer 
escolhas em direção ao que é significativo em sua vida. Proclamam também que 
o ser humano é animado por uma força vital, que o impulsiona ao crescimento e 
à complexificação da existência. (Figueiredo, 2012) 
Atividades Recomendadas 
1) Faça uma leitura criteriosa dos textos indicados, atentando para a 
interpretação que a Psicologia Humanista faz da Psicanálise e do Behaviorismo. 
Identifique a natureza dessa crítica; é ela ontológica, epistemológica, 
metodológica, etc.? 
2) Pesquise por meios tradicionais ou eletrônicos: Humanismo, Existencialismo, 
Contracultura. 
3) Pesquise por meios tradicionais ou eletrônicos sobre os psicólogos 
humanistas: Carl Rogers, Abraham Maslow, Karen Horney, Erich Fromm, Rollo 
May. 
4) Acompanhe o seguinte exemplo de exercício: 
A Psicologia Humanista foi caracterizada por Erich Fromm como a Terceira Força 
na Psicologia. Sobre isso, é verdadeiro afirmar: 
I – A Psicologia Humanista é a Terceira Força, que surge em oposição à 
Psicanálise de Freud (1ª Força) e ao Behaviorismo de Skinner (2ª Força). 
II – A Psicologia Humanista surge no começo do séc XX em reação à psicologia 
“pouco científica” do XIX, que era baseada na consciência e na introspecção. É 
ciência aplicada, e enquanto tal busca a previsão e o controle do seu objeto de 
estudo (o humano). 
III – A Psicologia Humanista de Rogers, Fromm, Horney defende que o sentido 
dos comportamentos humanos pode ser descoberto a partir de uma análise da 
história de modelagem. 
IV – A Terceira Força defende que ser humano é ser livre e responsável por si 
mesmo. Seu destino está em suas mãos. Para isso, o homem dispõe de 
responsabilidade, envolvimento, capacidade de ação, de fazer escolhas e de 
crescer. 
V – A Psicologia Humanista considera que “o ser humano é, em seu cerne, um 
organismo em que se pode confiar.” 
Estão corretas as afirmações: 
A) I, II e III, apenas. 
B) II, III e IV, apenas. 
C) I, IV e V, apenas. 
D) III, IV e V, apenas. 
E) I, II, IV e V, apenas. 
Considerando as afirmações acima, identificamos que a I, a IV e a V estão 
corretas. Portanto, a resposta é C. A afirmação II está incorreta, pois a Psicologia 
Humanista não surge como aplicação do método científico-natural de pesquisa 
nem concebe o homem como passível de previsão e controle. Pelo contrário, 
busca a liberdade do humano e os meios para resguardar ou resgatar essa 
6/
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liberdade. A afirmação III está incorreta, pois afirma que as motivações humanas 
podem ser compreendidas como causas, isto é, determinantes do 
comportamento. O ser humano é essencialmente aberto para o seu futuro, 
existindo enquanto processo dirigido à realização pessoal. 
 
A “Terceira Força” em Psicologia 
Bibliografia básica: HOLANDA, A. Fenomenologia e Humanismo, Parte II, pp.146 
– 172 
A Psicologia Humanista é crítica em relação à hegemonia do conhecimento 
científico na investigação sobre o humano. Coloca como questão para a Psicologia 
se não há outras formas de conhecimento sobre o seu “objeto”, o humano. 
O conhecimento científico trabalha com fatos, que são mensuráveis. Segue regras 
precisas de observação e investigação, que recebem o nome de ‘método’, para 
assegurar a veracidade do conhecimento produzido. Apesar da pretensa 
objetividade, há um pressuposto que fundamenta esse modelo de investigação. A 
ciência pressupõe que a natureza funciona de acordo com leis gerais e que o 
homem pode descobri-las através de rigoroso método de investigação. Opera 
sobre a cisão Sujeito – Objeto; os objetos são as partes da natureza e o Sujeito é 
o pesquisador, aquele queé capaz de investigar e explicar o funcionamento da 
natureza. 
A cisão Sujeito - Objeto pode ser retraçada à obra do filósofo René Descartes 
(1596 – 1650). Ele propõe à filosofia que supere o conhecimento vago e 
especulativo que a dominou por séculos, buscando uma fundamentação sólida e 
certa. Encontra-a no conhecimento preciso da matemática, para a qual 2 + 2 
sempre serão igual a 4. No início do Discurso do Método (1637), ele aponta a 
insuficiência do senso comum para o conhecimento certo. Escreve: 
... a diversidade de nossas opiniões não provém do fato de serem uns mais 
racionais do que os outros, mas somente de conduzirmos nossos pensamentos 
por vias diversas e não considerarmos as mesmas coisas. Pois não é suficiente ter 
o espírito bom, o principal é aplicá-lo bem. As maiores almas são capazes dos 
maiores vícios, tanto quanto das maiores virtudes, e os que só andam muito 
lentamente podem avançar muito mais, se seguirem sempre o caminho reto, do 
que aqueles que correm e dele se distanciam. (p.41) 
A partir da consideração de um método preciso de conhecimento racional, 
Descartes formula a divisão da natureza em dois tipos de substâncias: res 
cogitans (coisa pensante) e res extensa (coisa extensa). Podemos identificar 
nessa dualidade a divisão presente no nosso modelo científico entre Sujeito (res 
cogitans) e Objeto (res extensa). 
A Psicologia enquanto ciência padece de um difícil problema. O “objeto” de suas 
pesquisas é também o sujeito que investiga. Para a Psicologia Humanista está 
claro que o “objeto” de pesquisa da Psicologia é o Ser Humano. Sendo assim, a 
investigação não pode seguir os mesmos métodos e critérios de investigação de 
objetos naturais, mensuráveis. 
Assim, as Psicologias Humanistas surgem como um novo caminho – uma 
mudança de paradigma – na investigação sobre o humano. No início, 
desenvolvem-se a partir da prática de psicólogos norteamericanos. Carl Rogers é 
o maior exemplo disso. Mas são vários autores com contribuições às vezes 
divergentes entre si, que converge na compreensão do humano como livre e 
responsável. Num segundo nomento, esses psicólogos humanistas encontram nas 
filosofias fenomenológicas e existenciais alguns fundamentos para esta 
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abordagem vanguardista. Resume Holanda (2015, p.166): 
O movimento humanista foi sendo enriquecido com contribuições de um 
pensamento “fenomenológico-existencial” , que confere um “aplicativo- 
existencial” ao movimento. (Gonzalez, 1988). Um ilustrativo do significado do 
movimento humanista e do que representou, podemos encontrar nas palavras de 
Matson (1978): “A Psicologia Humanista não é apenas o estudo do ‘ser humano’; 
é um compromisso com o devir humano” (p.69). Isto demonstra o que realmente 
“unia” a diversidade desse autores. 
Como já visto, a Psicologia Humanista do século XX encontra no Renascimento, 
movimento artístico e filosófico iniciado no século XV de revalorização do 
humano, em oposição ao Escolasticismo. Os filósofos Humanistas introduziram a 
noção de livre-arbítrio, pois acreditavam no poder do homem de planejar sua 
vida, comandar seu destino e direcioná-lo para a liberdade, a justiça e a paz. 
Além do Humanismo filosófico, a Psicologia Humanista encontra fundamentação 
teórica no Existencialismo (Kierkegaard, Sartre). 
Sob a categoria “Psicologia Humanista” encontraremos o pensamento de autores 
diversos, como Kurt Goldstein, Abraham Maslow, Thomas Greening, Karen 
Horney e Erich Fromm. Além destas influências, Holanda (2015) indica a 
fenomenologia de Husserl e a fenomenologia-existencial de Heidegger como as 
mais importantes fundamentações teóricas. Os humanistas compartilham, 
portanto, da ênfase no conhecimento da singularidade, assim como na 
 postulação de uma força criativa, tendente à autorrealização e ao crescimento. 
Em todos os autores mencionados acima também encontramos a ênfase na 
liberdade para fazer escolhas e na responsabilidade pela própria vida. Também 
compartilham a ênfase no conhecimento da singularidade, assim como na 
postulação de uma força criativa, tendente à autorrealização e ao crescimento. 
Por exemplo, Maslow ficou conhecido pela Pirâmide das Necessidades, na qual 
expõe que estamos sempre em direção a experiências e realizações mais 
complexas, pois o ser humano, diferentemente dos animais, não vive apenas em 
função da realização das necessidades. 
Nós fazemos escolhas em nome de nossa realização existencial. Quanto maior o 
nosso grau de liberdade, mais criativos serão nossos recursos para lançarmo-nos 
em direção ao nosso futuro. Como afirma Holanda (2015, p.169), “As propostas 
das psicologias humanista (americana) e existencial (europeia) foram reações aos 
reducionismos vigentes; ambas valoram as dimensões ‘superiores’ da 
personalidade – coo razão, liberdade, autonomia, criatividade, responsabilidade, 
dentre outras [...]” 
Referências bibliográficas 
DESCARTES, René. Obra Escolhida. Trad. Guinsburg, J e Prado Jr., B. 3ª ed. Rio 
de Janeiro: Bertrand Brasil, 1994. 
Atividades recomendadas: 
1) Faça uma leitura criteriosa dos textos indicados, atentando para as diferenças 
entre ciências naturais e ciências humanas e seus respectivos objetos de 
investigação. 
2) Reflita: para você, a Psicologia é uma Ciência Natural ou uma Ciência 
Humana? Por que? Redija uma dissertação sobre o tema, expondo justificativas 
para ambas as possibilidades. Conclua defendendo a sua posição. 
3) Acompanhe o seguinte exemplo de exercício: 
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No século XIX, iniciou-se um movimento de questionamento da metodologia 
natural-científica na investigação do humano. Esta parte do pressuposto de que a 
natureza está aí e funciona de acordo com leis que o homem pode descobrir 
objetivamente. Os objetos são parte do mundo. Os sujeitos podem conhecê-los. A 
partir dessa crítica, surge a diferenciação entre Ciências Naturais e Ciências 
Humanas. Das alternativas abaixo, aquela que expressa corretamente o tipo de 
relação estabelecida, a origem da objetividade científica, a natureza do que é 
investigado e o objeto de investigação é: 
A) As Ciências Humanas trabalham com a relação Sujeito – Objeto, buscando a 
objetividade nos fatos que surgem dos objetos puros. 
B) As Ciências Naturais trabalham com a relação Sujeito – Objeto, buscando a 
objetividade nos fenômenos que surgem da relação homem-mundo. 
C) As Ciências Humanas trabalham com a relação Sujeito – Objeto, buscando a 
objetividade nos fatos. 
D) As Ciências Humanas trabalham com a relação Sujeito – Sujeito, buscando a 
objetividade nos fenômenos que surgem da relação homem-mundo. 
E) As Ciências Humanas trabalham com a relação Sujeito – Objeto, buscando a 
objetividade nos fenômenos que surgem da relação homem-mundo. 
Se você leu atentamente os textos, compreendeu que as Ciências Naturais 
estabelecem relações Sujeito-Objeto, pois compreendem o investigado como fato 
objetivo. Já as Ciências Humanas estabelecem relações Sujeito-Sujeito, tendo 
como ‘objeto’ os fenômenos, cuja significação brota da intersubjetividade. 
 
Módulo 3: Os pressupostos epistemológicos e ontológicos da Abordagem 
Centrada na Pessoa, desenvolvida por Rogers. Compreensão do conceito 
de Pessoa presente na obra de Carl Rogers 
Bibliografia básica: ROGERS, C. “Ser o que realmente se é: Os objetivos 
pessoais vistos por um terapeuta.” Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins 
Fontes, 2009. 
Bibliografia complementar: AMATUZZI, M. “Abordagem Centrada na 
Pessoa e 
Psicoterapia” Rogers: Ética Humanista e Psicoterapia. Campinas, SP: 
Editora Alínea, 2010. 
Carl Rogers, o fundador dessa abordagem, nasceu em 8 de janeiro de 1902 em 
Oak Park, Illinois, nos Estados Unidos. Trabalha como psicólogo desde 1927 
realizando psicodiagnóstico infantil, aconselhamento de pais, estudantes e 
adultos e psicoterapia no Centro de Prevenção de Violência contra a Criança (NY). 
Rogers falece em 4 de fevereiro de 1987. Visita o Brasil algumas vezes na década 
de 1970. 
Nessa época, a Psicologia norteamericanaestá dividida entre behaviorismo e 
psicanálise, ambas apoiadas nas ciências naturais. Para Rogers, a metade do 
século XX é uma época que valoriza a tecnologia como valor máximo, aplicando 
esse valor às relações humanas. Com isso, visando um tratamento eficiente, o 
psicólogo mantém uma postura distanciada de seu “objeto de estudo”, o 
paciente. Além disso, o ser humano é visto como “vítima passiva de forças”, 
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46 
 
sejam elas impulsos inconscientes, pressões sociais ou condicionamentos. 
Através de seu trabalho como psicólogo no Centro de Prevenção, Rogers percebe 
os efeitos positivos de uma postura acolhedora e respeitosa com seus clientes. 
Essa postura se contrapõe à postura distanciada, científica, dos psicólogos da 
época. Colocando-se assim na relação com os clientes, Rogers descobre que todo 
indivíduo tem a capacidade de descobrir e buscar o que é melhor para si mesmo. 
Essa ideia está em sintonia com a compreensão humanista, que, como já 
discutido, enfatiza a liberdade e a responsabilidade essenciais do homem. 
A hipótese sobre o ser humano formulada por Rogers é a seguinte: “Os indivíduos 
possuem dentro de si vastos recursos para a autocompreensão e para a 
modificação de seus autoconceitos, de suas atitudes e de seu comportamento 
autônomo. Esses recursos podem ser ativados se houver um clima, passível de 
definição, de atitudes psicológicas facilitadoras.” (p.38) Em outras palavras, as 
pessoas são capazes de perceber e compreender o que acontece em suas vidas e 
de se posicionarem em relação a esses acontecimentos. Para isso, precisam 
dispor de liberdade e criatividade diante das situações da vida. 
O termo “responsabilidade” tem dois significados aqui. O primeiro é o significado 
mais corrente do termo: os acontecimentos de minha vida estão sob meu 
encargo. O segundo significado enfatiza a etimologia da palavra, indicando a 
capacidade de responder. Ser responsável significa ser capaz de responder ao 
que me solicita. Esse responder não é um mero reflexo, mas um posicionamento 
do indivíduo em relação ao que lhe advém. É, portanto, um ato de livre 
determinação do homem, mas que exige criatividade. 
 A psicologia da época de Rogers estuda o ser humano visando descobrir as 
causas determinantes de seu comportamento. A psicanálise hipotetiza as pulsões 
como princípio dos comportamentos. Ademais, explica que as pulsões, correlatos 
psíquicos dos instintos, objetivam a satisfação do prazer ou alívio do desprazer. 
Na vida em sociedade, esses impulsos, que facilmente nos levariam a destruir o 
próximo para satisfazer nossos desejos, precisariam ser reprimidos. A partir de 
sua experiência no contato com pessoas que atendia, Rogers vê-se obrigado a 
contestar essa hipótese. Segundo ele, “O ser humano é, em seu cerne, um 
organismo em que se pode confiar.” (p.41) 
Atividades recomendadas: 
1) Faça uma leitura criteriosa dos textos indicados, atentando para a noção de 
pessoa que fundamenta a obra de Carl Rogers. 
2) Críticos da concepção de homem de Carl Rogers, como a psicóloga brasileira 
Virginia Moreira, consideram-na excessivamente otimista. Com base nos textos 
lidos, faz sentido essa crítica? Quais são as consequências positivas e negativas 
desse otimismo? 
3) Acompanhe o seguinte exemplo de exercício: 
A Terapia Centrada no Cliente, desenvolvida por Rogers, oferece ao cliente um 
espaço de acolhimento e aceitação a fim de que ele possa assumir sua própria 
vida e “tornar-se quem é”, desenvolvendo uma atitude de maior consideração em 
relação a si mesmo e às situações significativas de sua vida. Essa abordagem 
assenta sobre uma compreensão de homem que afirma que: 
a) os indivíduos possuem dentro de si recursos para compreenderem-se e para 
modificar seus conceitos, suas atitudes e seu comportamento. Esses recursos 
podem ser ativados a partir de atitudes psicológicas facilitadoras. 
B) quando são ainda bebês, os indivíduos são objeto dos afetos dos pais. Esses 
10/
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afetos são introjetados e formam a personalidade da pessoa. As relações 
significativas posteriores são reedições dessas experiências primeiras. 
C) os indivíduos são determinados pelo meio em que vivem. Assim, a história de 
vida é determinante do jeito que ela se relacionará com os demais ao longo da 
vida. 
D) os indivíduos têm uma tendência a se anularem em favor dos outros. Assim, 
tornar-se quem se é significa entender o quanto é nocivo agradar aos outros. 
E) o único aspecto realmente importante da vida é o aqui-e-agora; a história de 
vida e as expectativas em relação ao futuro são secundários. 
Seus estudos devem ter-lhe auxiliado a perceber que as alternativas B e C 
apresentam hipóteses deterministas sobre a natureza humana, que não 
correspondem à perspectiva de Carl Rogers. A alternativa D interpreta 
equivocamente a noção de “tornar-se quem se é”, pois 
pressupõe que os outros são nocivos para a pessoa. A alternativa E desconsidera 
a importância da história de vida e dos projetos existenciais. Portanto, a 
alternativa correta é a A, que apresenta a compreensão de pessoa como um 
organismo que tende à auto-realização e é, em sua essência, confiável. 
A Tendência Atualizante 
Bibliografia básica: ROGERS, C. “Ser o que realmente se é: Os objetivos 
pessoais vistos por um terapeuta.” Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins 
Fontes, 2009. 
Bibliografia complementar: AMATUZZI, M. “Abordagem Centrada na 
Pessoa e 
Psicoterapia” Rogers: Ética Humanista e Psicoterapia. Campinas, SP: 
Editora Alínea, 2010. 
O ser humano não é determinado por forças que o impelem a destruir o outro ou 
si mesmo. Pelo contrário, todo organismo busca a autorrealização e o 
crescimento cada vez mais plenos. Realizar-me como indivíduo significa também 
ajudar os outros na busca da autorrealização. Assim, Rogers formula que todo 
organismo possui uma tendência natural a um desenvolvimento mais completo e 
mais complexo. Isso pode ser observado em todos os organismos e não seria 
diferente com o ser humano. Nossos processos naturais também estão voltados 
para a manutenção, para o crescimento e para reprodução do organismo que 
somos. Essa tendência natural ao desenvolvimento mais completo e mais 
complexo recebe o nome de Tendência à Autorrealização (ou Tendência 
Atualizante). 
Na Abordagem Centrada na Pessoa, todos os comportamentos humanos são 
manifestação dessa tendência à autorrealização, o que significa que buscam a 
manutenção e o crescimento do organismo. Todas as pessoas possuem essa 
tendência intrínseca para buscar estados novos de maior complexividade 
afetividade e cognitiva. 
A compreensão da tendência atualizante intrínseca às pessoas é o fundamento da 
proposta rogeriana para a psicoterapia. 
Atividades recomendadas: 
1) Faça uma leitura criteriosa dos textos indicados, atentando para a concepção 
de homem desenvolvida por Carl Rogers. Relacione essa concepção com os 
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aspectos gerais das Psicologias Humanistas vistos no Módulo 01. 
2) Reflita sobre a sua recepção dessa concepção otimista da essência humana. 
Você se percebe disposto a reconhecer que a “essência das pessoas é digna de 
confiança” (p.66)? Quais motivações você identifica para o seu posicionamento? 
3) Acompanhe o seguinte exemplo de exercício: 
Rogers reconhece nos seres humanos a tendência à autorrealização. Diz ele: 
 Quer falemos de uma flor ou de um carvalho, de uma minhoca ou de um belo 
pássaro, de uma maçã ou de uma pessoa, creio que estaremos certos ao 
reconhecermos que a vida é um processo ativo, e não passivo. Pouco importa que 
o estímulo venha de dentro ou de fora, pouco importa que o ambiente seja 
favorável ou desfavorável. Em qualquer uma dessas condições, os 
comportamentos de um organismo estarão voltados para a sua manutenção, seu 
crescimento e sua reprodução. Essa é a própria natureza do processo a que 
chamamos vida. Esta tendência está em ação em todas as ocasiões. Na verdade, 
somente a presença ou ausência desse processo direcional total permite-nos dizer 
seum dado organismo está vivo ou morto. (Rogers, 1983, apud Moreira, 2007, 
p.52) 
Sobre a tendência à autorrealização está correto afirmar: 
A) A preocupação com uma possível tentativa de suicídio evidencia a presença 
de uma tendência destrutiva no âmago da condição humana. 
B) Esta tendência se manifestará somente se houver, por parte do indivíduo, 
conscientização de sua existência. 
C) Esta tendência pode ser frustrada ou desvirtuada, mas não pode ser destruída 
sem que se destrua também o organismo. 
D) Sem estímulo externo, não há como esta tendência ser desenvolvida pelos 
organismos. 
E) Esta tendência e sua manifestação independem da relação com o meio, 
sempre se manifestará da mesma forma, na mesma intensidade em todos os 
indivíduos. 
A afirmação A apresenta uma tentativa de suicídio como evidência de uma 
tendência destrutiva na essência humana. Como vimos no texto acima e nas 
leituras indicadas, uma das principais contribuições de Rogers para a Psicologia 
foi a formulação de uma visão otimista do homem: “a essências das pessoas é 
digna de confiança”, pois a tendência à autorrealização visa a manutenção e o 
crescimento do organismo. Essa afirmação está, portanto, incorreta. 
A afirmação B indica uma condição para a manifestação da tendência à 
autorrealização. 
Como vimos, essa tendência é intrínseca aos organismos e está sempre presente 
e atuante, extinguindo-se apenas quando o organismo morre. Está, portanto, 
incorreta. 
Na afirmação C lemos que a “tendência pode ser frustrada ou desvirtuada, mas 
não pode ser destruída sem que se destrua também o organismo.” Está correto 
que ela pode ser frustrada ou desvirtuada. Devido a situações desfavorecedoras o 
organismo pode ficar limitado na sua capacidade de buscar desenvolvimentos 
criativos, restringindo seus comportamentos apenas aos de sobrevivência. Porém, 
mesmo desvirtuada ou frustrada a tendência à autorrealização permanece 
12/
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presente e atuante. Por isso, através de um clima facilitador, pode encontrar 
modos mais apropriados de manifestação, que conduzam a pessoa (o organismo) 
a modos mais complexos de vida. Esta afirmação está correta. Vejamos as 
demais. 
A afirmação D apresenta como condição para a tendência à autorrealização a 
presença de estímulos externos. Há dois erros nessa afirmação. Primeiro, a 
autorrealização é inerente, intrínseca aos organismos. Lembremos, entretanto, 
que toda manifestação acontece no meio em que o organismo vive. O segundo 
erro está em condicionar a tendência à autorrealização a estímulos. Se 
necessitasse de estímulos externos ela seria um reflexo e não uma força motriz, 
origem de todos os comportamentos. Ela é iniciadora. 
 A afirmação E ignora a influência do meio em que vive o organismo. Como 
vimos, cada organismo interage constantemente com seu meio. Os meios podem 
ser mais ou menos favorecedores para a expressão da tendência à 
autorrealização, podendo até sistematicamente frustrá-la. Como o meio em que o 
organismo vive é fundamental para seu crescimento, a relação de ajuda na 
Abordagem Centrada na Pessoa é pensada como um ambiente facilitador. 
Outro equívoco na afirmação E é a ideia de que a tendência à autorrealização se 
manifesta da mesma forma em todas as pessoas. Como cada pessoa tem uma 
história de vida singular, pois desenvolveu-se em ambientes diferentes, 
relacionando-se de formas diferentes consigo mesmo e com os outros, a 
tendência à autorrealização se manifesta de modo singular em cada pessoa ou 
organismo. 
O objetivo da Psicoterapia e o lugar do terapeuta na Terapia Centrada na 
Pessoa 
Bibliografia básica: ROGERS, C. “'Ser o que realmente se é': Os objetivos 
pessoais vistos por um terapeuta.” Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins 
Fontes, 2009. 
Bibliografia complementar: AMATUZZI, M. “Abordagem Centrada na 
Pessoa e 
Psicoterapia” Rogers: Ética Humanista e Psicoterapia. Campinas, SP: 
Editora Alínea, 2010. 
“Tornar-se quem se é” é o objetivo da relação terapêutica. Significa poder 
experimentar seus sentimentos e se relacionar consigo mesmo e com os outros 
de modo profundo, complexo e satisfatório. Porém, as relações vivenciadas 
podem conduzir à direção oposta. Circunstâncias ameaçadoras fazem com que o 
indivíduo priorize a defesa de sua integridade, ficando limitada na sua capacidade 
de experimentar a complexidade de sentimentos presentes nas relações 
humanas. Outras circunstâncias podem levar o indivíduo a falsear ou negar a sua 
realidade vivenciada, ou ainda a reprimir seus sentimentos e desejos. Por 
exemplo, uma criança pode sentir inveja diante do nascimento de um irmão, mas 
esse sentimento é mal visto e repreendido pelos pais. Isso pode levar essa 
criança a reprimir sentimentos percebidos como errados, ficando limitado na sua 
capacidade de se relacionar com os demais, pois a inveja é um sentimento 
humano. 
A Abordagem Centrada na Pessoa compreende que a repetição e o acúmulo de 
ameaças à integridade ou repressão de sentimentos, que experimentamos na 
família, na escola e na cultura podem limitar nossa liberdade de nos 
reconhecermos como somos e nossas necessidades, de experimentarmos nossos 
sentimentos e de realizarmos escolhas pertinentes ao nosso desenvolvimento 
pessoal e relacional. 
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O terapeuta nesta abordagem é um facilitador do desenvolvimento pessoal. É 
alguém que se dispõe a compreender o cliente, respeitá-lo e aceitá-lo tal como 
ele próprio de percebe. Vê o cliente como pessoa, isto é, um ser livre e 
responsável, capaz de compreender-se e transforma- se, e relaciona-se com ele 
enquanto tal. A partir dessa relação terapêutica, a pessoa (cliente) começa a 
afastar-se de modelos falseados de si mesmo, encaminhando-se para maior 
autonomia. Torna-se progressivamente mais responsável por si mesmo, pois 
capaz de decidir- se sobre quais são comportamentos e sentimentos significativos 
e quais não. Encaminha-se, assim, para uma realidade mais fluida, em processo. 
 Atividades recomendadas: 
1) Faça uma leitura criteriosa dos textos indicados, atentando para a concepção 
de homem e de psicoterapia desenvolvida por Carl Rogers e buscando os nexos 
entre ambas. 
2) Responda: fundamentado na abordagem desenvolvida por Carl Rogers, qual é 
a importância do autoconhecimento do terapeuta para a relação terapêutica? 
3) Acompanhe o seguinte exemplo de exercício: 
Com relação à Abordagem centrada na pessoa de Carl Rogers nós podemos 
afirmar que: 
I – Trata-se de uma abordagem que ressalta a importância de que o terapeuta 
desenvolva um conjunto de atitudes que serão fundamentais para a mudança da 
pessoa, muito mais do que recursos técnicos de intervenção terapêutica. 
II – A abordagem centrada preocupa-se fundamentalmente com intervenções 
que visam o conteúdo daquilo que se fala na sessão. 
III – Na medida em que o terapeuta interage de modo autêntico, acolhedor, 
compreensivo e aceitando as pessoas, estas desenvolvem uma atitude de maior 
consideração em relação a si mesmas e fazendo com que elas se tornem mais 
congruentes. 
Estão corretas: 
a) I, apenas. b)II, apenas c)III, apenas. d) I e II, apenas. e) I e III, apenas. 
Se você leu e compreendeu os textos indicados para estudo, pôde perceber que a 
afirmação I está correta, pois a Terapia Centrada no Cliente foi desenvolvida a 
partir da percepção de Rogers de que certas atitudes por parte do terapeuta eram 
mais propiciadoras de mudanças do que as técnicas. Rogers conhecia bem as 
técnicas psicológicas utilizadas na primeira metade do século XX, pois iniciou sua 
carreira como conselheiro psicológico. Sua postura acolhedora, compreensiva, 
revelou-se mais facilitadora de mudanças do que as técnicas persuasivas 
empregadas pela psicologia da época. Isso levou-o a conclusão de que a 
autenticidade, a compreensão e aceitação incondicional do terapeuta são 
condições suficientes para a autocompreensão e automodificação dos clientes. A 
afirmação III também está correta. A afirmação II está incorreta, pois processo 
terapêuticodepende de que o terapeuta consiga propiciar um ambiente facilitador 
para o cliente. Portanto, a alternativa correta é E. 
 
 
 
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Módulo 4: A Gestalt-terapia de Perls. Suas interlocuções com o 
pensamento humanista. Fenômenos psicológicos à luz da Gestalt-
Terapia. 
Objetivo: Conhecer os pressupostos teóricos da Gestalt-terapia e a articulação 
com as abordagens humanistas em psicologia. Diferenciar os pressupostos e os 
objetivos da Gestalt- terapia das demais abordagens humanistas. 
Dados biográficos de Fritz Perls e o desenvolvimento da Gestalt-Terapia 
Bibliografia Básica: PERLS, F. (1988) “Fundamentos” A 
AbordagemGestáltica e Testemunha Ocular da Terapia, cap. 1. 
Bibliografia complementar: MENDONÇA, M. “A psicologia humanista e a 
abordagem gestáltica” In: FRAZÃO, L. M. & FUKUMITSU, K. O. (orgs.) Gestalt-
terapia. 
A Gestalt-terapia é uma abordagem terapêutica que enfatiza a responsabilidade e 
a liberdade essenciais do ser humano perante a sua existência. Seu 
desenvolvimento deve-se principalmente ao trabalho de Frederik Perls, cujo nome 
ficou associado a esse modelo de atendimento psicoterápico. 
Perls nasce em 1893 na Alemanha, onde forma-se médico sob supervisão de Kurt 
Goldstein, neurologista estudioso da percepção em pacientes com ferimentos 
cerebrais. Inicia sua análise com Wilhelm Reich, dissidente da psicanálise 
freudiana. A influência de Reich faz-se sentir na importância que a Gestalt-terapia 
atribui ao corpo. Com a ascensão do nazismo, Perls, já casado com Laura Perls, 
foge para a África do Sul, onde funda um Instituto de Treinamento Psicanalítico. 
Data dessa época o seu primeiro livro Ego, fome e agressão (Ego, Hunger and 
Agression, 1947). 
Em 1946 muda-se para os EUA, estabelecendo-se em Nova Iorque. Lá tem 
contato com a psicóloga humanista Karen Horney. Com a contribuição de Laura 
Perls, que era estudiosa da Psicologia da Gestalt, começa a dar corpo ao modelo 
de atendimento que realiza em workshops nos EUA. O nome Gestalt-terapia 
aparece pela primeira vez em 1951 (no livro O Início da Gestalt-terapia). Pouco 
depois fundam o Instituto de Gestalt-terapia de Nova Iorque. 
Seguindo as ideias de Reich, Perls enfatiza a experiência corpórea como 
possibilidade de expressão. Fritz desenvolve essa compreensão na Gestalt-terapia 
através de uma concepção holística de homem. Há um paralelismo entre corpo e 
mente, de modo que ambos expressam vivencias. O homem é um organismo 
total que busca constantemente o equilíbrio através de trocas com o meio. 
Na Psicologia da Gestalt Perls descobre que o “homem não percebe as coisas 
isoladas e sem relação, mas as organiza no processo perceptivo como um todo 
significativo” (Perls, 
 1988, p.18) a partir de um interesse motivador. Essa mesma teoria fornece 
outros conceitos importantes: figura-fundo, princípio de pregnância e teoria de 
campo. 
Atividades recomendadas 
1. Pesquise na bibliografia a vida e a obra de Fritz Perls e Laura Perls. 
2. Pesquise inserção da Gestalt-terapia no Brasil. É difundida? Dispõem de 
centros de estudo e treinamento? 
 
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3. Pesquise na internet vídeos que mostram Fritz Perls realizando workshops e 
sessões terapêuticas. Descreva a postura dele nos atendimentos. Essa postura 
está em acordo com os fundamentos da Gestalt-terapia? Por que? Está em acordo 
com a Psicologia Humanista? Por que? 
4. Acompanhe o exercício abaixo: 
A imagem abaixo costuma ser usadas para se estudar a relação figura/fundo, 
estudada pela Psicologia da Gestalt e apropriada pela Gestalt-terapia. 
Sobre o termo Gestalt é correto afirmar que: 
 a) refere-se à figura, que emerge a partir de um fundo. No caso da figura, a 
Gestalt é aquilo que vejo primeiro, seja um cálice ou dois rostos. 
b) refere-se a um todo, a uma configuração estrutural que faz do todo uma 
unidade maior do que a soma das partes. 
c) refere-se ao fundo, que determina que aspecto da figura aparece. No caso, se 
eu vejo os rostos primeiro, a Gestalt é fundo branco. 
d) é sinônimo de awareness, isto é, a percepção global de si mesmo. 
e) refere-se à possibilidade de perceber todas as imagens contidas numa mesma 
imagem. Perceber somente o rosto ou o cálice na figura é uma Gestalt-parcial. 
Se você leu atentamente os textos indicados, lembra-se de que o termo Gestalt, 
apresentado pela Psicologia da Gestalt, refere-se a uma forma. A forma organiza-
se como um todo estruturado a partir da relação figura-fundo. A percepção 
humana se dá através de todos organizados (Gestalt), por isso Fritz Perls utilizará 
esse termo para a terapia focada na capacidade de interação saudável indivíduo-
meio que ele desenvolve. Das alternativas fornecidas, devemos encontrar aquela 
que apresenta adequadamente essa noção do termo Gestalt. A alternativa A 
indica como Gestalt apenas a figura que aparece. Está, portanto, incorreta. A 
alternativa C propõe o oposto: que o fundo é a Gestalt. A alternativa D apresenta 
esse conceito como sinônimo de awareness, importante conceito da Gestalt-
terapia que designa a capacidade de apercepção da totalidade presente. Está 
incorreta, portanto. A alternativa E refere-se a todas as figuras possíveis de 
serem vistas no desenho, estando também incorreta. A alternativa que apresenta 
corretamente o conceito de Gestalt é B. 
Principais conceitos da Gestalt-terapia 
Bibliografia Básica: PERLS, F. (1988) “Fundamentos” A 
Abordagem Gestáltica e Testemunha Ocular da Terapia, cap. 1. 
Bibliografia complementar: FRAZÃO, L.M. “Psicologia da Gestalt” In: 
FRAZÃO, L. M. & FUKUMITSU, K. O. (orgs.) Gestalt-terapia. 
A Psicologia da Gestalt estuda a percepção humana. Sua conclusão básica é de 
que o homem percebe totalidades, e não partes isoladas. Uma séria de pontos 
sequenciais, próximos uns aos outros, por exemplo, é visto como uma ‘linha’. A 
Gestalt-terapia busca seu nome no conceito de Gestalt, que se pode traduzir por 
‘forma’. Gestalt significa também um ‘todo’. Nesta concepção, o todo é sempre 
diferente da mera soma das partes. Perls (1988) define esse conceito como: 
“forma, configuração, modo particular de organização das partes individuais que 
entram em composição.” (p.18) Disso se desdobra a concepção de que os 
indivíduos vivenciam totalidades. As totalidades se organizam como figuras sobre 
um fundo, organizadas de acordo com o interesse do indivíduo. 
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De acordo com a visão holística que fundamenta a Gestalt-terapia, os indivíduos 
são totalidades corpo-mente e ambos modos de ação, psíquico ou físico, são 
formas de expressão. O princípio que rege as ações do organismo é a 
homeostase, processo por qual busca o equilíbrio. As necessidades orgânicas e 
psicológicas geram desequilíbrio, que o organismo busca restaurar. Entretanto, a 
vida é um processo contínuo de desequilíbrio e busca de equilíbrio, nunca 
atingindo o equilíbrio absoluto. O mesmo processo regula a tendência à 
sobrevivência de todo organismo. 
Os organismos agem em ‘campos’. Esse é um conceito da Psicologia da Gestalt, 
desenvolvido pelo psicólogo Kurt Lewin. Um campo é uma totalidade em 
equilíbrio de forças e todos os acontecimentos no campo são funções desse 
campo total. Os comportamentos do indivíduo, em resposta a suas necessidades, 
podem estar em relação mútua com o meio no qual acontecem ou em relação 
conflituosa. Neste caso, há dispêndio desnecessário de energia e perda da 
capacidade do indivíduo de interagir com seu meio. Isso pode culminar num 
processo neurótico: “Se, por alguma alteração no processo homeostático, o 
indivíduo for incapaz de manipular seu meio a fim de atingi-las [necessidades], 
comportar-se-á de modo desorganizado e ineficaz.” (Perls, 1988, p. 33) 
A Gestalt-terapia é um processo a partir do qual o organismo (no caso, o cliente) 
pode recuperar sua capacidade de relação com o meio, reconhecendo suas 
necessidades e agindo eficazmente de acordo com elas. 
Atividades recomendadas 
1. Leia atentamente os textos indicados, prestando atenção aos conceitos que 
fundamentamesta abordagem. Marque-os e construa um glossário para seus 
estudos. 
2. Pesquise através de bibliografia e da internet a Psicologia da Gestalt. 
Estabeleça uma relação entre a Psicologia da Gestalt e a Gestalt-terapia a partir 
de seus principais conceitos. 
3. Acompanhe o exercício abaixo: 
Fritz Perls (1988) considera que “se não nos podemos compreender nem 
entender o que fazemos, não podemos pretender resolver nossos problemas nem 
esperar viver vidas gratificantes.” (p. 17). Por essa razão, a Gestalt-terapia deve 
repousar sobre fundamentos claros e compreensíveis, ao invés de obscuros e 
irracionais. A Gestalt-terapia por ele iniciada segue algumas premissas básicas. 
Indique-as abaixo: 
I – A autorregulação, que é o processo através do qual o organismo interage 
com o meio. 
II – A homeostase, segundo a qual o organismo busca permanecer em equilíbrio 
e evitar o desequilíbrio. 
III – o conceito de Gestalt, que se refere ao todo figura-fundo. 
IV – A projeção, a partir do qual o organismo projeta no ambiente os 
significados que lhe são satisfatórios. 
São premissas da Gestalt-terapia apenas: 
a) I, III e IV. b) II e IV. c) I, II e IV. d)I e III. e) I e II. 
 
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A leitura atenta do enunciado indica que precisamos avaliar as afirmações tendo 
em vista a correção dos conceitos gestálticos que apresentam. A afirmação I fala 
de autorregulação, que é a capacidade do organismo de interagir com seu meio 
na busca do equilíbrio homeostático. Está correta. A afirmação II apresenta o 
conceito de homeostase, que é a busca contínua pelo equilíbrio, que nunca é 
atingido pois o campo é móvel e as necessidades, fluídas. Esta afirmação 
apresenta incorretamente a noção de homeostase. A afirmação III apresenta 
corretamente a noção de Gestalt, central na Gestalt-terapia. A afirmação IV fala 
de projeção, que é um mecanismo neurótico. Na projeção, o indivíduo torna o 
meio responsável por algo que se origina no eu, desapropriando-se de seus 
impulsos e necessidades. Não se refere exclusivamente a significados 
satisfatórios, dado que podem ser projetados aspectos insatisfatórios do indivíduo 
também. A alternativa correta é D (I e III, apenas.) 
A Gestalt-terapia como possibilidade de atuação do psicólogo. 
Bibliografia Básica: PERLS, F. (1988) “Fundamentos” A 
Abordagem Gestáltica e Testemunha Ocular da Terapia, cap. 1. 
Bibliografia complementar: MENDONÇA, M. “A psicologia humanista e a 
abordagem gestáltica” In: FRAZÃO, L. M. & FUKUMITSU, K. O. (orgs.) 
Gestalt-terapia. 
A gestalt-terapia é um modelo de atendimento terapêutico para crianças, adultos, 
casais e grupos, que promove a recuperação e/ou a ampliação da capacidade de 
conscientização (awareness) no aqui-agora, possibilitando contato mais pleno e 
trocas mais eficientes com o meio. Esta proposta se fundamenta na compreensão 
de que o sofrimento psicológico é a expressão de dificuldades em perceber as 
próprias necessidades, as ações voltadas para satisfazê-las e o caráter ‘nutritivo’ 
ou ‘tóxico’ das trocas com o meio. O campo (indivíduo-meio) muda 
constantemente de acordo com as mudanças de equilíbrio intrínsecas e geradas 
pelo organismo em busca de sua homeostase. Nos processos neuróticos há uma 
confusão entre indivíduo e meio, de modo que o organismo perde a sua 
capacidade de interagir com eficiência. 
Segundo Perls (1988), a neurose ocorre quando “a busca do equilíbrio do homem 
o leva a retirar-se mais e mais, a permitir que a sociedade o influencie demais, a 
subjugá-lo com suas exigências, ao mesmo tempo a separá-lo do convívio social, 
a pressioná-lo e moldá-lo.” (p.56) Vale destacar que a Gestalt-terapia reconhece 
a neurose como um processo, não como uma estrutura. Com a capacidade de 
autorregulação limitada, cada nova situação propicia ao indivíduo que aumente 
seu desequilíbrio. 
A Gestalt-terapia aproxima-se das terapias humanistas por compreender as 
pessoas como livres e responsáveis. O termo ‘responsabilidade’ deve ser 
entendido como capacidade de responder, e não somente como obrigação de 
responder pelos atos. Nesse contexto, a Gestalt-terapia promove a autonomia 
através da capacidade de responder às situações vivenciadas pelos pacientes. 
O Gestalt-terapeuta é um facilitador da conscientização (awareness) da situação 
presente, aqui-agora, do paciente. Para isso, oferece condições para o encontro 
dual EU-TU (tematizado por Martin Buber), no qual cada um reconhece a 
liberdade e responsabilidade ontológicas do homem. A relação terapêutica é 
horizontal, isto é, não há um agente de mudanças (terapeuta) e um objeto 
(paciente). A relação se estabelece entre dois iguais, sendo que um deles (o 
terapeuta) dispõe-se a facilitar a conscientização (awareness) do outro 
(paciente). 
18/
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A Gestalt-terapia reconhece que frequentemente os pacientes procuram o 
Gestalt- terapeuta esperando que ele provoque transformações, mas cuida para 
que o paciente torne-se consciente (aware) dessa postura de vitimização, que 
dificulta a liberdade, a autonomia e a responsabilidade. 
Atividades recomendadas 
1. Leia atentamente os textos indicados, anotando suas dúvidas. 
2. Considere a perspectiva gestáltica como modelo de trabalho do psicólogo. 
Justifique a sua inserção no âmbito das psicologias humanistas. 
3. Acompanhe o exercício abaixo. 
Nas primeiras sessões, Fernanda parece não conseguir dizer o que quer dizer e se 
perde entre palavras chegando a dizer, entretanto, coisas que parecia não querer 
dizer. Seu discurso compõe frases como: não sei por que estou aqui; acredito que 
ninguém pode me ajudar; ninguém me ajuda; estou sozinha; diga-me o que 
fazer. Parece que Fernanda perdeu o sentido de quem é, e principalmente, de 
quem deve viver a sua vida. Suas demandas incluíam solicitações que se perdiam 
num mundo dos porquês e das tentativas de explicações em busca de uma cura 
para tudo que estava acontecendo em sua vida, uma vida que muitas vezes não 
identificava como sendo dela própria. 
A partir da perspectiva da Gestalt-terapia, leia atentamente as afirmações abaixo 
sobre o modo como se abordaria esta situação terapêutica: 
I – Fernanda pede explicações e se perde nos porquês, pois não observa e não 
parece saber descrever o que está fazendo e como (aqui e agora). 
 II – Fernanda perde o sentido de quem é, pois não está consciente (awareness) 
de sua situação existencial. 
III – Fernanda busca explicações e justificativas, pois não se reconhece como 
autora de sua própria vida. 
IV – Fernanda perde o sentido de quem é, pois parece ter traumas infantis 
importantes que precisam ser analisados. 
V – Fernanda espera que o terapeuta lhe diga quem ela é, dado que esse é o 
papel do terapeuta na Gestalt-terapia. 
Apresentam leituras corretas dos fenômenos clínicos apresentados somente as 
afirmações: 
A) I, II e V. B) I, II e IV. C)II, IV e V. D)I, II e III. E) I, II, III e V. 
Se você leu atentamente os textos indicados, foi capaz de perceber que as 
afirmações I, II e III estão corretas. A primeira apresenta a dificuldade vivenciada 
por Fernanda de descrever-se, isto é, de aperceber-se de si na situação presente. 
Com isso, perde a capacidade de trocar com o meio eficientemente. A segunda 
afirmação apresenta-a como não estando aware de sua situação. Esse modo de 
estar presente nas situações faz com que sinta dificuldades nas suas vivências, 
mas atribua essas dificuldades a motivos alheios, sem reconhecer a sua 
participação (afirmação III). A afirmação IV apresenta “traumas infantis 
importantes” como motivo das dificuldades atuais. Como vimos, é no aqui-agora 
que se encontram as dificuldades, e não no lá- então. Portanto, não são traumas 
infantis, mas sua dificuldade de conscientização (awareness) da situação atual, 
acompanhada da perda de contato, que motivam as dificuldades vivenciadas. A 
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última afirmação apresenta o papel do Gestalt-terapeuta como “dizer a Fernanda 
quem ela é”. Porém, como vimos, o terapeuta facilita o processo de awarenessno 
aqui-agora, acompanhando os pacientes no resgate de sua autonomia. Portanto, 
a alternativa correta é D. 
5) Realize os exercícios deste módulo, anotando as dúvidas que surgirem durante a 
resolução. Estas dúvidas devem ser motivo de novas pesquisas bibliográficas, na 
tentativa de saná-las. Caso elas persistam, apresente-as ao professor, nas aulas 
presenciais. 
 
Módulo 05: Psicologia Humanista como ética 
Objetivo: Reconhecer a atitude ética do psicólogo humanista. 
Bibliografia básica: AMATUZZI, M. A Abordagem Centrada na Pessoa 
como Ética das Relações Humanas. Rogers: Ética Humanista e 
Psicoterapia. Campinas, SP: Editora Alínea, 2010. 
Abordagem Centrada na Pessoa como ética das relações humanas 
A palavra “ética” é definida no Dicionário Houaiss como: 
1. parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, 
distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo esp. a 
respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em 
qualquer realidade social. (Dicionário Houaiss online, 2016) 
Dessa definição deriva o significado de conjunto de regras e valores morais. Ao 
formar-se psicólogo, você comprometer-se-á com o Código de Ética profissional, 
que rege os comportamentos aceitos e não aceitos dos psicólogos no exercício 
profissional. 
Etimologicamente, ética deriva de duas palavras gregas que compartilham a 
mesma raiz: éthos e êthos. A primeira significa costume, uso, hábito e a 
segunda, caráter, maneira de ser de uma pessoa, disposições naturais de 
alguém. A disciplina filosófica Ética trata da segunda. 
O que significa, então, afirmar, como Amatuzzi (2010), que a Abordagem 
Centrada na Pessoa, de Carl Rogers, traz contribuições éticas e é, ela própria, 
uma ética? Significa que as propostas de Rogers não se dirigem a técnicas, 
manejos e procedimentos do psicólogo, como um código de ética faria, mas, sim, 
à sua atitude. Significa ainda mais que isso: que, embora a ACP seja tida como 
uma abordagem psicológica, ela propõe uma atitude, um modo de ser em relação 
com os outros e consigo mesmo. 
Já foi visto com Holanda (2015) que as Psicologias Humanistas são um 
acontecimento recente numa história de resgate da ética do pensamento. Assim 
como o Humanismo renascentista recolocou como centro de preocupação o 
homem, resgatando sua dignidade, devolvendo-lhe sua responsabilidade por seu 
ser e se seu mundo, a ACP surge como abordagem psicológica (no primeiro 
momento ela é Terapia Centrada no Cliente) para, em seguida, tornar-se uma 
reflexão sobre as relações humanas. (Amatuzzi, 2010) 
Diferenciando-se das psicologias em voga nos EUA na década de 1940, Rogers 
assume a crença na orientação positiva e na tendência ao crescimento das 
pessoas. Tal atitude manifesta-se na relação com o cliente como horizontalidade, 
ou seja, o psicólogo deixa de ser um “vidente ilustrado” (Amatuzzi, 2010, p.11), 
que usa teorias psicológicas gerais e causalistas para diagnosticar e intervir, para 
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“facilitar ao o outro o recurso às suas próprias fontes interiores” (Amatuzzi, 2010, 
p.12). Contribui, portanto, postulando um modo de acontecer a relação 
psicólogo-cliente que resguarda (e resgata) sua autonomia e sua 
responsabilidade. 
Atividades recomendadas 
1. Leia atentamente a bibliografia indicada. 
2. Pesquise na literatura e na internet sobre a Ética na filosofia. 
3. Pesquise o Código de Ética Profissional do Psicólogo, considerando se ele se 
 dirige a comportamentos ou a atitudes. 
4. Acompanhe o exercício abaixo: 
Segundo Amatuzzi (2010), A Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida por 
Carl Rogers, é uma ética. Diz ele: 
“Trata-se de olhar o ser humano (pessoas, comunidade, humanidade) com um 
senso de respeito que decorre da natureza própria e original desse objeto. É olhar 
para ele não como algo útil, mas como ser portador de um valor próprio e 
inalienável, como ser que me impõe algo de absoluto. É respeitá-lo naquilo que 
ele é.” (21) 
Nessa afirmação, estão contidos os seguintes pressupostos: 
I – O ser humano é autônomo e capaz de orientar sua própria vida de forma 
positiva para si mesmo e para a coletividade. 
II – A Abordagem Centrada na Pessoa desenvolve técnicas e procedimentos 
voltados para uma relação mais igual entre os participantes. 
III – A ACP é etica porque se refere àquele que procura atendimento psicológico 
como cliente, ao invés de paciente. 
IV – A ACP reconhece o valor único de cada pessoa. 
Estão corretas somente as afirmações: 
A) I e II. B) II e III. C) III e IV. D) I e IV. E) I, II e IV. 
Se você leu atentamente a apresentação acima e a bibliografia indicada, terá 
identificado a alternativa D como correta. A afirmação II propõe que a ACP 
desenvolve técnicas, mas a atitude da pessoa é mais importante do que as 
técnicas que utiliza. Por isso, as reflexões da ACP se dirigem para as atitudes, não 
para as técnicas. Rogers chega a propor que “na relação de ajuda, devemos 
abandonar todas as técnicas e procedimentos padronizados, todas as estratégias 
pré-fabricadas” (Amatuzzi, 2010, p.12). A afirmação III indica uma mudança de 
nomenclatura, que, embora correta, não necessariamente traz consigo uma 
mudança de atitude. Esta, sim, é que é a especificidade da ACP, que a torna uma 
ética das relações humanas. 
A relação psicólogo – cliente na Abordagem Centrada na Pessoa: Relação ética 
Bibliografia básica: AMATUZZI, M. A Abordagem Centrada na Pessoa como Ética 
das Relações Humanas. Rogers: Ética Humanista e Psicoterapia. Campinas, SP: 
Editora Alínea, 2010. 
 
21/
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“Tornar-se quem se é” é o objetivo da relação terapêutica. Significa poder 
experimentar seus sentimentos e se relacionar consigo mesmo e com os outros 
de modo profundo, complexo e satisfatório. Porém, as relações vivenciadas 
podem conduzir à direção oposta. Circunstâncias ameaçadoras fazem com que o 
indivíduo priorize a defesa de sua integridade, ficando limitada na sua capacidade 
de experimentar a complexidade de sentimentos presentes nas relações 
humanas. Outras circunstâncias podem levar o indivíduo a falsear ou negar a sua 
realidade vivenciada, ou ainda a reprimir seus sentimentos e desejos. Por 
exemplo, uma criança pode sentir inveja diante do nascimento de 
 um irmão, mas esse sentimento é mal visto e repreendido pelos pais. Isso pode 
levar essa criança a reprimir sentimentos percebidos como errados, ficando 
limitado na sua capacidade de se relacionar com os demais, pois a inveja é um 
sentimento humano. 
A Abordagem Centrada na Pessoa compreende que a repetição e o acúmulo de 
ameaças à integridade ou repressão de sentimentos, que experimentamos na 
família, na escola e na cultura podem limitar nossa liberdade de nos 
reconhecermos como somos e nossas necessidades, de experimentarmos nossos 
sentimentos e de realizarmos escolhas pertinentes ao nosso desenvolvimento 
pessoal e relacional. 
O terapeuta nesta abordagem é um facilitador do desenvolvimento pessoal. 
É alguém que se dispõe a compreender o cliente, respeitá-lo e aceitá-lo tal como 
ele próprio de percebe. Vê o cliente como pessoa, isto é, um ser livre e 
responsável, capaz de compreender-se e transforma-se, e relaciona-se com ele 
enquanto tal. A partir dessa relação terapêutica, a pessoa (cliente) começa a 
afastar-se de modelos falseados de si mesmo, encaminhando-se para maior 
autonomia. Torna-se progressivamente mais responsável por si mesmo, pois 
capaz de decidir-se sobre quais são comportamentos e sentimentos significativos 
e quais não. Encaminha-se, assim, para uma realidade mais fluida, em processo. 
Esse modo de compreender a relação terapêutica se desenvolve ao longo da obra 
de Rogers para uma atitude nas relações humanas, isto é, não exclusivamente na 
relação terapêutica. O pressuposto humanista – resgate da dignidade humana, 
afirmação de sua responsabilidade, liberdade e autonomia – aparece na 
Abordagem Centrada na Pessoa como atitude de reconhecer que “O ser humano 
tem algum podersobre as determinações que o afetam, e esse poder é, na 
verdade, mais relevante para o desenvolvimento do que aquelas determinações.” 
(Amatuzzi, 2010, p.17) Refere-se a um modo de ser, isto é, de assumir-se e 
estar com outro, como pessoa, no sentido da relação Eu-Tu descrita por Martin 
Buber. 
Rosmaninho (2015) descreve os modos de relação Eu-Tu e Eu-Isso: 
Para Buber existem duas formas básicas do homem se relacionar: uma ele 
chamou de Eu-Isso e outra de Eu-Tu. São modos do homem se relacionar e se 
colocar diante do outro e do mundo. Na relação Eu-Isso, o homem se coloca 
diante do mundo como algo objetivo e, nessa atitude, ele se torna capaz de 
conhecer e habitar o mundo. Já na relação Eu-Tu, o homem se coloca em relação 
a um outro, que pode ser uma outra pessoa, uma obra artística ou literária, ou, 
ainda, uma situação vivenciada. A relação Eu-Tu é marcada pelo impacto da 
presença do outro, é um encontro no qual o homem é atravessado pela potência 
e pela força da vivência do outro. Este encontro foge às apreensões usuais e se 
recusa a ser sistematizado ou esquematizado. (Rosmaninho, 2015, p.176-7) 
Na ACP, a relação Eu-Tu descreve o encontro inter-humano, no qual cada 
participante é aceito como pessoa autônoma, livre, criativa e capaz de dirigir suas 
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ações na direção do crescimento do crescimento, da complexificação e da 
realização. Isso porque a pessoa que assim se coloca na vida reconhece a 
existência de uma tendência formativa universal. (Amatuzzi, 2010) 
Referência bibliográfica: ROSMANINHO, M. A relação Eu – Tu no encontro 
terapêutico. In: EVANGELISTA, P. (org) Psicologia fenomenológico-existencial – 
Possibilidades da atitude clínica fenomenológica. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. 
Via Verita, 2015, pp. 173 – 182. 
Atividades recomendadas: 
 1) Faça uma leitura criteriosa dos textos indicados, atentando para a concepção 
de homem e de psicoterapia desenvolvida por Carl Rogers e buscando os nexos 
entre ambas. 
2) Responda: fundamentado na abordagem desenvolvida por Carl Rogers, qual é 
a importância do autoconhecimento do terapeuta para a relação terapêutica? 
3) Acompanhe o seguinte exemplo de exercício: 
Com relação à Abordagem centrada na pessoa de Carl Rogers nós podemos 
afirmar que: 
I – Trata-se de uma abordagem que ressalta a importância de que o terapeuta 
desenvolva um conjunto de atitudes que serão fundamentais para a mudança da 
pessoa, muito mais do que recursos técnicos de intervenção terapêutica. 
II – A abordagem centrada preocupa-se fundamentalmente com intervenções 
que visam o conteúdo daquilo que se fala na sessão. 
III – Na medida em que o terapeuta interage de modo autêntico, acolhedor, 
compreensivo e aceitando as pessoas, estas desenvolvem uma atitude de maior 
consideração em relação a si mesmas e fazendo com que elas se tornem mais 
congruentes. 
Estão corretas: 
a) I, apenas. b) II, apenas. c)III, apenas. d) I e II, apenas. e) I e III, apenas. 
Se você leu e compreendeu os textos indicados para estudo, pôde perceber que a 
afirmação I está correta, pois a Terapia Centrada no Cliente foi desenvolvida a 
partir da percepção de Rogers de que certas atitudes por parte do terapeuta eram 
mais propiciadoras de mudanças do que as técnicas. Rogers conhecia bem as 
técnicas psicológicas utilizadas na primeira metade do século XX, pois iniciou sua 
carreira como conselheiro psicológico. Sua postura acolhedora, compreensiva, 
revelou-se mais facilitadora de mudanças do que as técnicas persuasivas 
empregadas pela psicologia da época. Isso levou-o a conclusão de que a 
autenticidade, a compreensão e aceitação incondicional do terapeuta são 
condições suficientes para a autocompreensão e automodificação dos clientes. A 
afirmação III também está correta. A afirmação II está incorreta, pois processo 
terapêutico depende de que o terapeuta consiga propiciar um ambiente facilitador 
para o cliente. Portanto, a alternativa correta é E. 
4) Realize os exercícios deste módulo, anotando as dúvidas que surgirem durante a 
resolução. Busque respostas às suas dúvidas na bibliografia indicada ou através 
de novas pesquisas bibliográficas. Caso suas dúvidas persistam, apresente-as ao 
professor nas aulas presenciais. 
 
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Módulo 06 – O Aconselhamento Psicológico com prática psicológica 
humanista 
História do Aconselhamento Psicológico 
Bibliografia básica:SCHMIDT, M. L. S. “O nome, a taxonomia, e o campo 
do Aconselhamento Psicológico”, In: MORATO, H.T.P. et al. (Coord.) 
Aconselhamento Psicológico numa perspectiva fenomenológica 
existencial: uma introdução. Cap. I, p. 1-21. 
O surgimento do Aconselhamento Psicológico como modelo de intervenção 
psicológica está vinculado a alguns acontecimentos históricos nos Estados Unidos, 
como a fundação de Centros de Orientação Infantil e Juvenil para pais e filhos, a 
criação de serviços de Higiene Mental e Centros de Aconselhamento Pré-
Matrimonial e Matrimonial, ao surgimento de instituições de Assistência Social 
que necessitavam oferecer apoio emocional aos seus clientes e ao 
desenvolvimento de serviços de assistência psicológica nas empresas. 
No começo do século XX, o aconselhamento não é realizado por psicólogos. O 
conselheiro é um perito no assunto a ser tratado, enquanto o aconselhando, 
alguém que necessita de orientação. O Aconselhamento pode ser profissional, 
vocacional, educacional ou marital. Diferencia-se bastante da prática 
psicoterapêutica, então restrita à psicanálise. Segundo Scheefer (p.16) o 
Aconselhamento visa a ajudar na tomada de uma decisão e envolve informações 
objetivas que permitem ao orientando utilizar melhor seus recursos pessoais. 
Dentre os principais autores ligados ao início da teorização sobre Aconselhamento 
Psicológico, destacam-se Parsons e Rogers. O primeiro era engenheiro e 
compreendia o aconselhamento como o fornecimento de informações e conselhos 
sobre escolha profissional, baseada na experiência do orientador. A partir da 
década de 1940, o trabalho como conselheiro leva Carl Rogers a questionar o 
modelo vigente, propondo em seu lugar o aconselhamento não-diretivo. 
Concomitantemente, ele desenvolve a Terapia Centrada no Cliente. O 
Aconselhamento é apresentado como um tipo de contato direto com o indivíduo a 
fim de lhe fornecer assistência na modificação de suas atitudes. 
O Aconselhamento distingue-se da Psicoterapia, pois se trata de um auxílio para 
o aconselhando maximizar seus recursos pessoais e fazer escolhas. Pode ser útil 
também como prática educativa, preventiva ou de apoio situacional. Geralmente 
é um processo de curta duração, diferenciando-se do modelo tradicional de 
psicoterapia, de longa duração, que visa a reestruturação da personalidade e o 
tratamento de problemas emocionais e patologias. 
1) Pesquise na bibliografia e na internet sobre o trabalho do psicólogo no 
começo do século XX. 
2) Faça uma leitura criteriosa do texto indicado, atentando para o contexto 
histórico do aparecimento do Aconselhamento Psicológico e seus primeiros 
teóricos. 
3) Acompanhe o seguinte exemplo de exercício: 
O surgimento do Aconselhamento Psicológico está vinculado à criação de centros 
de orientação infantil, de serviços de higiene mental, de centros de 
aconselhamento pré-matrimonial e matrimonial nos EUA nas primeiras décadas 
do século XX. Sobre os profissionais que exerciam o aconselhamento nesse 
período é verdadeiro afirmar: 
 
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I – Os conselheiros eram psicólogos treinados na escuta da demanda do 
cliente. A demanda era considerada a partir do contexto de vida de cada cliente. 
II – Os conselheiros ajudavam os aconselhandos a tomarem decisões em sua 
vida nos âmbitos profissional, educacional, e matrimonial, entre outros. 
III – Aos conselheiros era importante conhecer profundamente o campo no qual 
aconselhavam; isto é, o conselheiro matrimonial conhece o que é o casamento e 
fornece informações sobre isso ao noivo(a) indeciso(a). 
IV – O conselheiro cuida para que aquilo que ele considerao melhor para o 
cliente não apareça, reservando ao aconselhando o poder de tomar suas 
decisões. 
Está correto o que se afirma em: 
A)I, e II, apenas. B)II e III, apenas. C)I e IV, apenas. D)I, II e III, apenas. 
E) II, III e IV, apenas. 
Seus estudos devem ter-lhe dado subsídios para reconhecer que a afirmativa I 
está incorreta, pois os primeiros conselheiros não eram necessariamente 
psicólogos. Eles eram pessoas com conhecimento sobre um determinado assunto, 
como o casamento ou o trabalho, etc. Ademais, a preocupação deles não era a de 
compreender a demanda do cliente à luz do contexto de vida do mesmo, mas 
comparar o perfil do aconselhando com as demandas da situação sobre a qual ele 
pede conselhos. 
Você deve ter identificado que as afirmativas II e III estão de acordo com a 
bibliografia, mas que a IV está incorreta, pois os primeiros Conselheiros 
assumiam o lugar de conhecedores sobre o assunto em questão, deixando claro 
que seu conselho era a indicação correta. 
Portanto, a alternativa correta é B. 
Introdução ao Aconselhamento Psicológico na perspectiva da Psicologia 
Humanista 
Bibliografia básica:SCHMIDT, M. L. S. “O nome, a taxonomia, e o campo 
do Aconselhamento Psicológico”, In: MORATO, H.T.P. et al. (Coord.) 
Aconselhamento Psicológico numa perspectiva fenomenológica 
existencial: uma introdução. Cap. I, p. 1-21. 
O aconselhamento psicológico nasce nos anos 1930 nos Estados Unidos como 
especialidade e área de atuação e saber do psicólogo. No início é estreitamente 
ligado à orientação vocacional e à psicometria, focando as pesquisas em testes 
vocacionais e outros meios de medição de aptidões. 
A primeira teoria mais expressiva chama-se Traço e Fator e foi desenvolvida pelo 
engenheiro William Parsons. A teoria Traço e Fator parte do pressuposto de que o 
aconselhamento deve focar o processo de ensino do aconselhando, pois tem 
como meta a solução de problemas específicos de adaptação do indivíduo nas 
áreas educacional e profissional através do desenvolvimento de atitudes e 
comportamentos (os “traços”) condizentes com o esperado para a realização da 
atividade proposta (os “fatores”). 
Williamson, um dos expoentes do aconselhamento psicológico na Teoria Traço e 
Fator, define-o como um atendimento que auxilia o indivíduo a aprender 
determinadas matérias escolares, condutas adequadas de cidadania, valores 
25/
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sociais e todos os outros hábitos, habilidades, atitudes e crenças que constituem 
um ser humano normal. Em outras palavras, o processo teria o objetivo de 
eliminar ou modificar comportamentos considerados inadequados. A mudança de 
comportamentos e atitudes, segundo o autor, seria satisfatória para o 
aconselhando e para a sociedade em que vivia. Nesse sentido, a Teoria Traço e 
Fator, articulada à vertente experimental dos estudos psicométricos, dá ao 
Aconselhamento uma aura de cientificidade e abre espaço para a prática do 
psicólogo. 
A Psicologia ainda não estava regulamentada como profissão nos EUA e aqueles 
que praticavam a psicologia buscavam delimitar seu campo de atuação. Uma 
possibilidade era a psicoterapia, que, na época, era prerrogativa dos médicos e 
encontrava na psicanálise a teoria que a fundamentava. A psicoterapia tinha 
como público indivíduos que sofriam de distúrbios psicológicos mais graves, 
exigindo tratamentos prolongados. O Aconselhamento Psicológico surge como 
possibilidade de prática psicológica voltada para questões de desajustamento, 
orientando o aconselhando na obtenção das habilidades que o tornam ajustado 
ao seu meio. Isso pode ocorrer num período mais curto do que a psicoterapia de 
longa duração. 
Em 1942, Carl Rogers publica o livro Aconselhamento e Psicoterapia, lançando as 
bases da primeira fase de suas ideias: a terapia não-diretiva. A não- diretividade 
é geralmente associada a total não-interferência do terapeuta (ou conselheiro) no 
processo do cliente. Sua proposta surge em oposição ao processo de 
aconselhamento da Teoria Traço e Fator, que é considerada prepotente e 
autoritária por situar o conselheiro no lugar de quem sabe o caminho certo para 
modificar os comportamentos desajustados e desadaptados socialmente do 
aconselhando. Nesse sentido, o conselheiro psicológico que segue a proposta de 
Rogers coloca-se como “um ouvinte interessado e compreensivo, que, pela 
técnica da reflexão, queria proporcionar que a esfera de exploração pessoal do 
cliente ou aconselhando se configurasse o mais proximamente possível de suas 
vivências e percepções atuais e conscientes.” (Schmidt, 2009, p. 5). Com suas 
ideias, Rogers elimina a distinção entre aconselhamento e psicoterapia. 
 Atividades recomendadas: 
1) Faça uma leitura criteriosa dos textos indicados, observando os argumentos 
utilizados pela autora, em defesa de suas teses. 
2) A partir da leitura, procure definir as características da Teoria Traço e Fator. 
Confronte se sua definição está de acordo com a que Schmidt apresenta: como 
uma teoria que se fundamenta na educação e que tem como finalidade a solução 
de problemas específicos através do ajustamento do indivíduo. 
3) Acompanhe o seguinte exemplo de exercício: 
Historicamente, a Teoria Traço e Fator foi aquela que deu origem ao 
Aconselhamento Psicológico, tendo surgido nos Estados Unidos, nas primeiras 
décadas do século XX. 
Com relação a aconselhamento nessa teoria, assinale a alternativa incorreta: 
A) É uma modalidade psicoterapêutica; 
B) Está ligado à psicometria; 
C) Pretende resolver problemas específicos do indivíduo; 
D) Está ligado à Orientação Vocacional; 
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E) Abre um campo de trabalho para o psicólogo. 
Se você compreendeu adequadamente o conteúdo que estudou terá assinalado a 
alternativa A). O aconselhamento na Teoria Traço e Fator é um processo 
educativo, não psicoterapêutico. 
O Aconselhamento Psicológico fundamentado na Abordagem Centrada na Pessoa 
O psicólogo norteamericano Carl Rogers não distingue aconselhamento 
psicológico e psicoterapia, pois considera que ambos consistem em contatos 
diretos com o indivíduo com o objetivo de facilitar mudanças significativas em 
suas atitudes e comportamentos. Esses encontros são marcados pelas atitudes 
facilitadoras – aceitação incondicional, compreensão empática e congruência – 
que propiciam um ambiente de desenvolvimento psicológico ao indivíduo. 
Atualmente, o aconselhamento psicológico é prática exclusiva de psicólogos, 
caracterizada por centrar-se nas potencialidades e nos aspectos saudáveis dos 
indivíduos, não nas suas fragilidades ou aspectos psicopatológicos. Além disso, o 
aconselhamento também tem como foco o modo como a pessoa se percebe e 
 os projetos pessoais que quer realizar para desempenhar um papel social 
produtivo. 
Pode-se também caracterizar o aconselhamento como um atendimento 
psicológico em períodos de crise, no qual o objetivo é facilitar as escolhas do 
indivíduo na situação que vive, escolhas essas das quais depende seu 
desenvolvimento posterior. 
Assim, esse atendimento está voltado a questões situacionais, ao apoio e à 
prevenção, mais comumente dirigido à solução de problemas. 
No entanto, como assinala Schmidt logo no início de seu texto, aconselhamento 
tem dois sentidos: pode indicar os significados de sugestão, recomendação e 
orientação, mais próximos ao sentido de aconselhamento na perspectiva 
tradicional; pode ainda denotar a situação em que várias pessoas se reúnem para 
pensar e decidir com justeza a respeito de algo de seu interesse, o que se 
aproxima da definição de Rogers da relação de ajuda presente tanto no 
aconselhamento quanto na psicoterapia. 
Atividades recomendadas: 
1) Faça uma leitura criteriosa dos textos indicados, observando os argumentos 
utilizados pelas autoras, em defesa de suas teses. 
2) A partir da leitura, procure definir aconselhamento psicológico. Confronte se 
sua definição está de acordo com a que as autoras apresentam: aconselhamento 
psicológico é um atendimento psicológico que comumente é diferenciado da 
psicoterapia.É mais próprio para períodos situacionais de crise, tem uma duração 
mais curta que a psicoterapia e não leva em conta a questão da normalidade ou 
da psicopatologia, mas a capacidade do indivíduo de lidar com as questões que o 
afligem. 
3) Acompanhe o seguinte exemplo de exercício: 
Com relação ao Aconselhamento Psicológico proposto por Carl Rogers está 
correto afirmar que: 
I) É um atendimento que se diferencia da psicoterapia para a maioria dos 
autores. No entanto, para Rogers, o aconselhamento não se distingue da 
psicoterapia, pois ambos têm como objetivo o desenvolvimento psicológico do 
27/
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indivíduo; 
II) É um atendimento que tem como foco a cura dos aspectos psicopatológicos 
do indivíduo; 
III) É um atendimento mais adequado às situações de crise e para facilitar as 
escolhas do indivíduo. 
Estão corretas apenas as afirmações: 
a) I; b) I e III; c) II e III; d) II; e) III. 
Se você compreendeu adequadamente o conteúdo estudado, terá assinalado a 
alternativa b, pois Rogers desfaz a fronteira que separa psicoterapia do 
aconselhamento psicológico ao objetivar o desenvolvimento de potencialidades do 
indivíduo. É por isso que os aspectos psicopatológicos não são o foco dessa 
modalidade de atendimento (afirmação II). 
5) Realize os exercícios deste módulo, anotando as dúvidas que surgirem durante a 
resolução. Busque respostas às suas dúvidas na bibliografia indicada ou através 
de novas pesquisas bibliográficas. Caso suas dúvidas persistam, apresente-as ao 
professor nas aulas presenciais. 
 
Módulo 07: Plantão Psicológico 
Bibliografia básica: CHALOM, M. et al. A experiência de implantação de 
um serviço de plantão psicológico no Projeto esporte-Talento por alunos 
de graduação do IPUSP. In: MORATO, H. T. P. (Org.) Aconselhamento 
Psicológico centrado na pessoa: novos desafios, p. 177-185. 
Bibliografia complementar: CAUTELLA, W. Plantão Psicológico em 
hospital psiquiátrico. In: In: MORATO, H. T. P. (Org.) Aconselhamento 
Psicológico centrado na pessoa: novos desafios, p. 161- 175. 
Introdução ao Plantão Psicológico 
O Plantão Psicológico é um modelo de atendimento psicológico que se coloca 
disponível para acolher a experiência do cliente no momento em que ele se 
decide por procurar o psicólogo. Seguindo essa mesma orientação, é o cliente 
que determina o foco da sessão. O objetivo do encontro é propiciar uma 
compreensão da situação atual e o resgate de liberdade e autonomia. Trata-se, 
portanto, de um esclarecimento da situação vivenciada. 
Não exige um setting terapêutico como outros modelos de atendimento 
psicológico, podendo acontecer dentro de instituições. Exige apenas que a 
instituição e o profissional garantam a sistematicidade do serviço. Nos relatos de 
experiência de CHALOM et al. (1999) e CAUTELLA (1999), o plantão ocorre em 
instituições em dias e horários previamente combinados. Sempre nos períodos 
determinados há psicólogos-plantonistas disponíveis para atender os 
interessados. Essa sistematicidade e a disponibilidade do psicólogo oferecem 
àqueles que procuram atendimento um ponto de referência em momentos de 
necessidade. 
O Plantão, em geral, acontece em apenas um encontro. Existe a possibilidade de 
ser marcar retornos e follow up, mas o sentido do plantão é resgatar a 
capacidade de apropriação da situação existencial, o que não necessita de mais 
do que um encontro bem feito. O agendamento de retornos já é uma modificação 
em relação à proposta original, pois, nessa situação, o psicólogo determina 
28/
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quando o cliente deve voltar, decidindo por ele. 
É um modelo que corresponde bem às possibilidades de prática psicológica em 
instituições, pois não há agendamento prévio, tampouco fila de espera. Todas 
essas condições facilitam a implementação do serviço nas instituições e viabilizam 
o atendimento a um número expressivo de pessoas. 
Atividades Recomendadas 
1. Leia os textos indicados. 
2. Pesquise na bibliografia sobre a história deste modelo de atendimento. 
3. Responda: qual é o papel do cliente no plantão psicológico? E do psicólogo? 
4. Acompanhe o exercício abaixo: 
Caracterizam o modelo de atendimento chamado Plantão Psicológico: 
I – A delimitação do foco do atendimento, isto é, a realização de um 
diagnóstico informal para delimitar quais assuntos serão trabalhados e como o 
serão. 
II – O Plantão Psicológico deve trabalhar em parceria com psicólogos que 
realizam psicodiagnóstico, pois os clientes que passam pelo plantão precisam já 
estar triados. 
III – O objetivo da sessão de Plantão Psicológico, fundamentado na 
fenomenologia-existencial, é o esclarecimento da situação atual do paciente, 
através do que se torna possível uma compreensão mais ampla do que motivou a 
busca pelo atendimento. 
IV – Diferentemente de outros modelos de atendimento psicológico, o Plantão 
Psicológico não necessita de um espaço físico delimitado para acontecer. O 
setting desse atendimento é formado pela privacidade e intimidade que surgem 
do próprio encontro entre psicólogo e paciente. 
Estão corretas: 
A)I, II, III e IV. B)I, II e III, apenas. C)II e III, apenas. D) II, III e IV, apenas. 
E) III e IV, apenas. 
Se você leu os textos e compreendeu esta modalidade de atendimento, foi capaz 
de identificar que as afirmações I e II estão incorretas. A primeira propõe a 
delimitação de um foco para o atendimento, quando o objetivo do Plantão é o 
esclarecimento da situação existencial. A segunda apresenta o Plantão como um 
serviço psicológico indicado pelo psicodiagnóstico. Porém, é um atendimento que 
acontece no momento da demanda e não necessita a indicação prévia. A 
alternativa correta, portanto, é E. 
Sentido da intervenção psicológica no Plantão Psicológico 
 O objetivo do plantão psicológico é o atendimento no momento da procura do 
cliente, o que possibilita um esclarecimento da situação atual que a motivou e a 
descoberta dos modos próprios de lida com ela. O psicólogo-plantonista precisa 
ter disponibilidade para lidar com o não-planejado. Este é um aspecto crucial 
deste modelo de atendimento, no qual o psicólogo coloca-se a disposição para 
acolher a demanda que aparecer, no momento em que acontece. Também é 
necessário que o plantonista compreenda como possível o acontecimento de um 
único encontro. Como já foi visto, o Plantão pode disponibilizar retornos, mas o 
29/
46 
 
objetivo não depende do prolongamento dos atendimentos. Ademais, o 
plantonista fica disponível para receber o paciente quando este tomar iniciativa 
por buscar ajuda, o que deixa de acontecer se o psicólogo indicar se e quando 
deve retornar. 
As intervenções do psicólogo-plantonista têm o sentido de abrir a compreensão 
da experiência do cliente, cultivando uma fala própria. Assim, não cabe a ele 
explicar o que está vendo ou propor alternativas. Fazer isso seria pressupor a 
incapacidade do cliente de lidar com sua situação, o que, do ponto de vista das 
abordagens humanistas, seria desconsiderar sua capacidade de autocompreensão 
e autodeterminação. Em geral, esse é um dos motivos da procura nas 
instituições, pois estas determinam as possibilidades existenciais de seus 
agentes, despindo-os de singularidade. (CAUTELLA, 1999) O plantão surge, 
assim, como resgate da autonomia do cliente para a autoria de sua narrativa. 
Atividades Recomendadas 
1. Leia os textos indicados. 
2. Pesquise na bibliografia e na internet pesquisas que relatam experiências 
deste modelo de atendimento. 
3. Acompanhe o exercício abaixo: 
Um cliente (Jorge) procurou o plantão psicológico pois descobriu que sua esposa 
(Maria) o estava traindo. Tiveram uma briga violenta e Maria foi embora de casa. 
Jorge não sabe aonde ela foi, mas acredita que tenha fugido com o amante. Ele 
está transtornado, relata que às vezes nem consegue ir ao trabalho; quando vai, 
fica distraído, triste, pensando em toda essa situação. Sente muita raiva de 
Maria, mas também saudades. 
O atendimento aconteceu com um psicólogo-plantonista humanista. A postura 
quecondiz com esse modelo de atendimento e com essa compreensão de homem 
é: 
A) percebendo a angústia de Jorge, encaminhá-lo imediatamente para um 
processo de psicoterapia breve. 
B) procurar ouvi-lo com atenção, explorando com ele seus sentimentos diante 
destas situações e, com isso, compreender melhor o que o aflige. 
C) orientá-lo a procurar Maria, explicar a ela como se sente e que a quer de 
volta. 
D) convidar a família de Jorge para o retorno, a fim de compreender como eles 
percebem os modos como ele está reagindo diante dessa situação. Assim, o 
psicólogo tem outras versões da história e consegue entender de maneira mais 
abrangente a situação. 
 E) explorar com ele o sentido de sua raiva, auxiliando-o a se dar conta de que 
deve contratar um advogado para iniciar um processo de divórcio. 
Se você leu atentamente os textos e compreendeu este modelo de atendimento 
psicológico, identificou que a alternativa B é a única compatível com a proposta. 
A alternativa A confunde o plantão com uma triagem. As alternativas C e D não 
compreendem que o objetivo do plantão é auxiliar o paciente a esclarecer a sua 
situação (isto é, como o paciente percebe, sente e compreende a sua situação). A 
alternativa E propõe um encaminhamento infundado para a situação. 
 
30/
46 
 
4. Estude a bibliografia indicada e realize os exercícios deste módulo. Se 
persistirem as dúvidas, procure um(a) professor(a) desta disciplina para 
esclarecimentos. 
 
Módulo 8 – Oficinas de Criatividade 
Bibliografia básica: SCHMIDT, M.L.; OSTRONOFF, V.H. Oficinas de 
criatividade: Elementos para a explicitação de propostas teórico-práticas. 
In: MORATO, H. T. P. (Org.) Aconselhamento Psicológico centrado na 
pessoa, p. 335-344. 
O termo Oficina remete a ofício, a artesanal. As Oficinas de Criatividade são 
espaço terapêuticos com o objetivo de resgatar possibilidades criativas na vida 
dos participantes. A criatividade pode ser descoberta (ou redescoberta), pois é 
condição humana para as abordagens humanistas em psicologia, e sua 
(re)apropriação repercute na vida dos participantes das oficinas, pois abre novos 
modos de se relacionar consigo mesmos e com os demais. 
Historicamente, as Oficinas de Criatividade surgem no contexto das experiências 
grupais intensivas da Abordagem Centrada na Pessoa e da Gestalt-terapia das 
décadas de 1960 a 1980. Nessas experiências (chamadas Workshops, que, 
traduzido literalmente, significa Oficina), os participantes desenvolviam novos 
modos de se relacionar com os demais. Iniciavam o Workshop desencontrados, 
estranhando-se, e encerravam o período (que podia durar de 1 a 10 ou mais 
dias) organizados como grupo. 
As Oficinas de Criatividade conferem organização a essa experiência. Oferecem 
um ambiente protegido e atividades temáticas que facilitam a confiança no 
processo e à entrega ao potencial criativo de cada um. 
Propõe-se um processo de 6 a 8 sessões. Os facilitadores organizam o grupo e 
elaboram propostas temáticas. Estas utilizam materiais expressivos e/ou 
atividades corporais, solicitando que os participantes experimentem-se 
sensorialmente, sem a referência de “certo” ou “errado” (que frequentemente 
bloqueiam a criatividade). 
São exemplos de recursos usados nas Oficinas de Criatividade: Corporais, que 
favorecem a sensibilização, conscientização e expressão, ampliando o contato 
com o próprio corpo e com os sentimentos; Sensibilização sensorial, que abre 
novos canais de conhecimento do mundo pouco experimentados; Música, que é 
afetiva, criadora de climas emocionais e convidativa ao ritmo; Recursos plásticos, 
que concretizam a experiência pessoal. 
Atividades Recomendadas 
1. Leia os textos indicados. 
2. Responda: “As Oficinas de Criatividade não são psicoterapia, mas são 
terapêuticas. Por que?” 
3. Acompanhe o exercício abaixo: 
As Oficinas de Criatividade utilizam os mais variados recursos como ferramentas 
para explorar diferentes formas de expressão e desenvolver novas formas de 
linguagem. Segundo Cupertino (2008, p.18), 
 
 
31/
46 
 
Há uma mobilização no sentido de tornar o ambiente mais lúdico e interessante, 
de desenvolver habilidade na exploração de diferentes formas de expressão e 
linguagem, no entrecruzamento da escolha do tema, dos recursos de exploração 
(plásticos, corporais) e no efeito esperado, estabelecendo a situação de diálogo 
entre a linguagem expressiva de caráter artístico e a linguagem formal e 
conceitual de uma ou mais disciplinas. 
Referência bibliográfica: CUPERTINO, C. M. B. (Org.) Espaços de criação em 
Psicologia: oficinas na prática. São Paulo: Annablume, 2008. 
Esta modalidade de atenção psicológica, de fundamentação humanista-
fenomenológica, propicia muitas transformações na atitude dos participantes das 
oficinas. Dentre essas transformações, é correto afirmar que as Oficinas de 
Criatividade propiciam: 
I – o acolhimento e esclarecimento de angústias trazidas pelos participantes e 
o encaminhamento para o serviço psicológico mais adequado. 
II – espaços de escuta para as vivências cotidianas e a possibilidade de 
ressignificação. 
III – novas formas de contato entre os participantes, a aceitação de diferenças e 
reinserção social. 
IV – a expressão de sentimentos, a emergência de significados inconscientes e o 
reconhecimento da importância do trabalho do psicólogo. 
 
A)I, II, III e IV. B)I, II e III, apenas. C) I, II e IV, apenas. D) II e III, apenas. 
E) I e IV, apenas. 
Se você compreendeu os objetivos das Oficinas de Criatividade, identificou que 
apenas as afirmações II e III estão corretas. A Oficina de Criatividade não elabora 
um psicodiagnóstico, de modo que não é uma intervenção que determina 
encaminhamentos. É um modelo de intervenção que se fundamenta em 
abordagens humanistas e fenomenológicas, de modo que não há “emergência de 
significados inconscientes”. A alternativa correta é D. 
Lugar e função do psicólogo na Oficina de Criatividade 
Bibliografia básica: SCHMIDT, M.L.; OSTRONOFF, V.H. Oficinas de criatividade: 
Elementos para a explicitação de propostas teórico-práticas. In: MORATO, H. T. P. 
(Org.) Aconselhamento Psicológico centrado na pessoa, p. 335-344. 
O Oficineiro é o psicólogo que organiza as atividades da Oficina de Criatividade. 
Seu papel no grupo é de coordenador e facilitador do processo. Schmidt e 
Ostronoff (1999) caracterizam as Oficinas como “espaços de elaboração da 
experiência pessoal e coletiva através do uso de recursos expressivos, tais como 
movimento corporal e atividades de expressão plástica e de linguagem” (p.335), 
que revitalizam a vida social ou comunitária tornando-a mais criativa e solidária. 
Cabe ao Oficineiro facilitar os processos criativos e criadores nos grupos. 
São várias as tarefas do coordenador. Cabe a ele, primeiramente, constituir o 
grupo, atento às necessidades que motivaram a escolha da Oficina de 
Criatividade como modelo de atendimento e às peculiaridades da população que 
atenderá. Feito isso, deve definir se o grupo é aberto ou fechado, o local onde 
acontecerá, planejar um roteiro de atividades (que será reelaborado ao longo do 
processo) e disponibilizar os materiais que serão utilizados. Além disso, deve 
32/
46 
 
divulgar o início do grupo, de modo que as pessoas se interessem e participem. 
Atento às necessidades do grupo, o Oficineiro escolhe o tema adequado às 
necessidades identificadas e os recursos que melhor atendam à exploração desse 
tema. 
Como modelo geral, acontecem de 6 a 8 encontros, que podem ser divididos em: 
1. 
Aquecimento, no qual os participantes se voltam para a experiência imediata e se 
prepararam para entrar em contato consigo mesmos, com os outros e com o 
tema proposto; 2. Realização da atividade, que é quando entram em contato com 
a temática proposta e utilizam os recursos indicados para entrar em contato 
consigo mesmos e se expressarem; 3. Fechamento, que é ó compartilhar a 
experiência própria na realização da atividade com os demais e criar um espaço 
de discussão esocialização. 
Atividades Recomendadas 
1. Leia os textos indicados. 
2. Responda: Qual é o papel do psicólogo nas Oficinas de Criatividade? 
3. Responda: É necessário ser psicólogo para coordenar Oficinas de 
Criatividade? Justifique a sua resposta. 
4. Acompanhe o exercício abaixo: 
De acordo com Schmidt & Ostronoff (1999), as oficinas de criatividade funcionam 
como espaços de elaboração da experiência pessoal e coletiva através do uso de 
recursos expressivos, tais como o movimento corporal e atividades de expressão 
plástica e de linguagem. Neste contexto, o psicólogo poderá atuar como 
oficineiro, cabendo a ele o desempenho de algumas tarefas específicas. Tendo em 
vista o papel do oficineiro e a natureza de sua intervenção, assinale a alternativa 
INCORRETA: 
A) Em uma oficina de criatividade, uma das tarefas primordiais do oficineiro é 
ensinar habilidades específicas. Desta maneira, é esperado que ele proponha 
somente oficinas que envolvam atividades que são compatíveis com suas 
habilidades; 
B) O oficineiro é um facilitador que se oferece de maneira atenta, autêntica e 
respeitosa à convivência com o outro, proporcionando o compartilhamento da 
experiência; 
C) O oficineiro é o responsável pelo planejamento das oficinas, decidindo sobre a 
constituição de cada grupo, a escolha do tema adequado e a determinação dos 
recursos; 
D) As intervenções do oficineiro ao longo das atividades tem o intuito de facilitar 
a explicitação dos modos de criar de cada um dos participantes; 
E) Em alguns casos, cabe ao oficineiro a tarefa de explicitar a demanda junto ao 
grupo, avaliando se a proposta de uma oficina de criatividade seria a mais 
adequada para as expectativas do grupo naquele momento. 
Se você leu os textos e compreendeu o papel do psicólogo nas Oficinas de 
Criatividade, identificou que todas as afirmações acima estão corretas exceto A. 
Esta sugere que as habilidades trabalhadas na Oficina devam ser apenas aquelas 
já conhecidas e familiares aos participantes. Isso está errado, pois a proposta das 
Oficinas é experimentar novos modos de ser relacionar com o mundo, através de 
33/
46 
 
canais de comunicação e expressão diversos. 
Oficinas de criatividade, constituição dos grupos e elaboração das experiências 
Bibliografia obrigatória: SCHMIDT, M. L. S. e OSTRONOFF, V. H. “Oficinas de 
criatividade: elementos para a explicitação de propostas teórico-
práticas.” In: MORATO, H. T. P. (Coord.) Aconselhamento 
 Psicológico Centrado na Pessoa: novos desafios. Cap. 20, pp. 329-338. 
 
A constituição dos grupos de participantes é de suma importância numa oficina 
de criatividade. Há dois modos de formação de grupos: no primeiro o grupo se 
constitui de um coletivo já existente, como uma equipe de trabalho numa 
instituição; no segundo, o grupo se forma a partir da divulgação de oficinas 
oferecidas pelo facilitador. 
No primeiro caso, é necessário explicitar-se a demanda do grupo para se saber se 
as oficinas são a melhor resposta a ela. Nesse sentido, é de suma importância 
que o psicólogo venha a conhecer as motivações, expectativas e objetivos do 
grupo, e se o nível de integração do grupo é compatível com a realização das 
oficinas, uma vez que estas não são o melhor tipo de atendimento psicológico a 
um grupo desintegrado. 
No segundo caso, o grupo é formado circunstancialmente, em função da 
participação na oficina. Ao oficineiro, neste tipo de coletivo, cabe definir a 
população-alvo e a temática, a duração, o local e o horário das oficinas. Cabe 
também a ele saber quais são as expectativas e motivação das pessoas com 
relação à realização dos trabalhos. 
É fundamental também que o oficineiro esteja atento aos efeitos que as oficinas 
acarretarão na instituição onde elas são oferecidas, tendo em vista certos 
“transtornos” que elas acarretam, uma vez que quebram a rotina institucional, e 
que mobilizam não apenas os participantes, mas também aqueles que ficam fora 
delas. 
As oficinas proporcionam a elaboração de experiências pessoais e coletivas 
através das produções, que se realizam no eixo da aprendizagem significativa. 
Essas produções testemunham não só a força criativa das pessoas e grupos 
quando lhes é oferecido condições facilitadoras, mas também o desejo de 
compartilhamento de experiências. Assim, as oficinas rompem com o isolamento, 
ativam laços sociais e comunicacionais. Possibilitam também o desenvolvimento 
de sentimentos de pertença social dos participantes. 
Atividades recomendadas: 
1) Faça uma leitura criteriosa do texto de Schmidt e Ostronoff., observando os 
argumentos utilizados pelas autoras, em defesa de suas teses. 
2) A partir da leitura, procure explicitar os aspectos importantes da constituição 
dos grupos em oficinas de criatividade. Também defina o que as oficinas 
proporcionam aos participantes. 
3) Acompanhe o seguinte exemplo de exercício: 
Assinale a alternativa correta: 
 Uma equipe de professores do 1º ciclo do Ensino Fundamental de uma escola 
pública da região oeste de São Paulo pediu a um psicólogo que realizasse oficinas 
de criatividade com eles. Num encontro que teve com eles para conhecer sua 
34/
46 
 
demanda, o psicólogo observou que os professores não conseguiam se entender 
quanto às suas expectativas em relação às oficinas, e que, na verdade, o pedido 
do trabalho havia partido de apenas dois professores. Os outro cinco da equipe 
estavam em dúvida se era melhor participarem das oficinas ou de uma análise 
institucional, para tentarem resolver suas dificuldades. 
Diante do enunciado acima podemos dizer que: 
as oficinas de criatividade não são a melhor resposta à demanda dos professores 
PORQUE 
As oficinas de criatividade, enquanto modalidade de atendimento que possibilita a 
elaboração das experiências pessoais, é mais eficaz se houver integração no 
grupo. 
a) As duas afirmativas são verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta 
da primeira; 
b) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa 
correta da primeira 
c) As duas afirmativas são falsas; 
d) A primeira afirmativa é correta e a segunda é falsa; 
e) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é correta. 
Se você tiver compreendido adequadamente o texto estudado terá assinalado a 
alternativa a. 
 
 
 
"Neste conteúdo estão incluídos 20 exercícios que devem ser realizados em ED. 
Não se esqueça que as respostas devem ser justificadas no espaço disponível 
para isso. Justifique suas respostas com atenção e coerência. 
Os exercícios correspondem aos temas relacionados abordados na disciplina: 
Abordagens Humanistas em Psicologia. 
Exercício 1: 
Leia atentamente o texto a seguir: 
No dia 23/02/11 o jornal O Estado de S. Paulo publicou seguinte matéria: 
SP reprova professores que tiveram depressão. Apesar de terem passado em 
concurso no Estado, eles trabalharão como temporários. 
Professores aprovados no último concurso para a rede estadual de São Paulo 
estão impedidos de assumir seus cargos por terem tirado, em algum momento de 
suas carreiras, licenças médicas por motivo de depressão. Especialistas afirmam 
que a decisão é preconceituosa (...). 
Jair Berce, de 36 anos, que leciona na rede pública desde 1994 com contrato 
temporário, é um dos barrados. Ele conta que na primeira perícia foi considerado 
apto. Seu nome foi publicado no Diário Oficial em 8 de janeiro, na lista dos 
professores nomeados. No entanto, no dia 26 Berce foi convocado para uma nova 
35/
46 
 
perícia. O psiquiatra questionou as licenças médicas que ele havia tirado em 2003 
(cinco dias afastado) e em 2004 (respectivamente dez dias e depois duas 
semanas afastado). 
"Eu nem lembrava mais disso, foi há tanto tempo. Tomei fluoxetina 
(antidepressivo) por seis meses, mas hoje não tomo mais e estou muito bem. Foi 
um período difícil na minha vida: minha mãe tinha morrido, minha irmã tinha 
sofrido um acidente e eu estava terminando minha tese", lembra. Berce é 
formado em Ciências Sociais pela USP e tem mestradoem Antropologia pela PUC-
SP. Ele também leciona na rede municipal de Barueri (...). 
"Depois que soube da reprovação, pedi para ver o prontuário” - disse. “Nele, 
havia a seguinte anotação: visto avaliação psicológica F-32 - sugiro temerário o 
ingresso e não apto". F-32 é o código da Classificação Internacional das Doenças 
(CID-10) para depressão. 
Disponível em: <https://www.estadao.com.br/noticias/geral,sp-reprova-
professores-que-tiveram-depressao- imp-,683281>. Acesso em: 15 abr. 2021. 
Tendo em vista o texto acima apresentado, considere as afirmativas a seguir: 
I A Abordagem Centrada na Pessoa não acompanha episódios depressivos na vida 
das pessoas, pois a depressão é sintoma de um desequilíbrio neurológico e 
precisa ser tratada por um psiquiatra com emprego de remédios. 
II As psicologias humanistas consideram as influências biológicas para os 
comportamentos humanos, mas não se limitam a compreender os 
comportamentos como causados por neurotransmissores. 
III O parecer elaborado pelo médico indica uma compreensão humanista de 
homem, pois parte do pressuposto de que, já que ele teve um episódio 
depressivo, ele terá outros no futuro. 
IV Amatuzzi diferencia as compreensões de homem na psicologia entre “homem 
resultante” e “homem iniciante”. O parecer elaborado pelo psiquiatra da 
reportagem mostra é um exemplo da compreensão de “homem resultante”. A 
psicologia humanista pensa o homem como “iniciante”. 
Está correto somente o afirmado em 
A) I e II. B) II e III. C) III e IV. D) II e IV. E) I, II e IV. 
 
Exercício 2: 
Leia atentamente o texto a seguir: 
A Gestalt propõe uma modalidade de terapia mais experiencial do que verbal ou 
interpretativa. Não pedimos ao paciente para falar sobre seus traumas e 
problemas remotos do passado – que são situações inacabadas no presente –, 
mas para os experienciar novamente no aqui e agora. Se o paciente vai fechar o 
livro de seus problemas passados, deve fechá-lo no presente, porque deve 
entender que, se seus problemas passados fossem realmente passados, não 
seriam mais problemas e, certamente, não seriam atuais. PERLS, AAbordagem 
Gestáltica e Testemunha Ocular da Terapia. 1988, p. 76. 
Considere as afirmativas abaixo: 
 
36/
46 
 
I Afirmar que a Gestalt-Terapia é uma terapia experiencial é o mesmo que dizer 
que ela é menos conteúdo-orientada e mais processo-orientada, isto é, sua 
ênfase está mais no como o paciente se desenvolve no processo de 
conscientização (awareness) do que propriamente nos conteúdos que são 
relatados. 
II Toda a ênfase no caráter experiencial da Gestalt-Terapia tem por fundamento 
a ideia de que é apenas a partir de uma conscientização das necessidades atuais 
de um indivíduo que lhe será possível ‘fechar uma Gestalt’, isto é, recolocar em 
fluxo aquilo que permanecia interrompido e inacabado, atingindo assim um 
equilíbrio (homeostase). 
III O objetivo final da Gestalt-Terapia é tornar o paciente capaz de experienciar 
por conta própria as diversas nuances de sua situação e manter-se em um 
contato integral com suas necessidades atuais. Nesse sentido, a conscientização 
(awareness) se configura como o primeiro momento desse processo, e permite ao 
indivíduo o alcance do equilíbrio e da compreensão racional de sua experiência. 
Está incorreto somente o afirmado em 
A) II e III. B) I. C) II. D) III. E) I e II.) 
 
Exercício 3: 
Leia atentamente o texto a seguir: 
Gestalt é uma palavra alemã que não tem tradução em português, contudo, pode 
significar uma forma, uma configuração, uma composição. Ao iniciarmos o tema 
Gestalt Terapia na disciplina Abordagens Humanistas, falamos sobre fundamentos 
como: Homeostase, Doutrina Holística, Limites do Contato, entre outros. 
Com base nos conceitos que embasam a Gestalt Terapia e conduzem sua prática, 
considere as afirmativas a seguir: 
I Psicologia da Gestalt e Gestalt Terapia significam a mesma coisa e ambas são 
designações utilizadas para denominar a abordagem desenvolvida por psicólogos 
alemães que trabalhavam com percepção e aprendizagem. 
II A homeostase é a busca pelo equilíbrio, na qual a provisão de energia é 
constante e tende a se distribuir uniformemente por todo o organismo. Olhando 
para essa energia, que corresponde às necessidades atuais, e buscando satisfazê-
la, inserimo-nos em um processo de autorregulação. 
III A Gestalt considera que a pessoa é um sistema organizado, integrado e 
consistente, que permite a percepção do sintoma como uma parte da totalidade 
do sujeito, ao invés de uma incapacidade ou incompetência do organismo. 
IV A fronteira de contato é concebida como a barreira que separa o organismo 
do ambiente. 
V O contato corresponde às relações entre o sujeito e os objetos da realidade 
exterior, abrangendo o conjunto de suas interações e relacionamentos. 
Está correto somente o afirmado em 
 
A) I, II e III. B) I, III e IV. C) II e III. D) II, IV e V. E) III e V. 
37/
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Exercício 4: 
Leia o texto apresentado a seguir: 
Jorge chegou em sua primeira sessão de Gestalt terapia, em um grupo com sete 
integrantes que já estavam em terapia há pelo menos seis meses. Chegou tímido, 
se apresentou e logo contou o que lhe motivava a procurar terapia: acabara de se 
divorciar. Emocionou-se ao compartilhar, o que fez com que Henrique e Débora, 
também em processos de divórcio, simpatizassem com ele e lhe contassem suas 
histórias. Claudia, que passara as últimas sessões sendo acolhida pelo grupo por 
estar triste com a internação de sua mãe, irritou-se com o assunto, dizendo à 
Henrique e Débora: “vocês já contaram essas histórias no grupo antes e vocês 
sabem que terão outros relacionamentos, mas mãe é uma só!” Claudia então saiu 
irritada do grupo e foi beber água na sala de espera. 
O terapeuta do grupo, em consonância com os fundamentos da Gestalt, 
compreende que 
I Henrique e Débora sentiram-se próximos de Jorge e compartilharam sua 
história com ele e com o grupo. Jorge é um elemento catexizado positivamente 
para esses dois membros do grupo e negativamente para Claudia. 
II a chegada de Jorge modificou o equilíbrio homeostático do grupo, que 
precisou buscar novos arranjos para se reequilibrar. 
III Jorge se fez de vítima no grupo e o que ele realmente queria era conseguir 
atenção dos outros, pois como está se separando, se sente carente de afeto. 
IV Henrique e Débora assumiram inconscientemente o papel de figura paterna e 
figura materna de Jorge, cuidando dele. 
Está correto somente o afirmado em 
A) I e III. B) II e IV. C) I e II. D) II e III. E) III e IV. 
 
Exercício 5: 
Leia o texto apresentado a seguir: 
Uma senhora com bastante experiência com psicoterapeutas punha-se no divã, 
rígida como cadáver, falava como autômato e produzia associações totalmente 
irrelevantes para sua vida presente. Ficou atônita ao perceber que eu não estava 
interessado no material que ela produzia, mas somente na forma como produzia. 
Seu analista anterior não tinha nem mesmo percebido o óbvio, ou seja, que 
quando ela bancava o cadáver, esta dessensibilização e imobilização era o centro 
da sua couraça, da sua resistência. PERLS, F. Teoria e Técnica de Integração da 
Personalidade. In: STEVENS, O. (ORG.) Isto é Gestalt. São Paulo: Summus, 
1977. pg. 85. 
Nessa passagem Perls evidencia alguns preceitos da Gestalt-terapia, a saber: 
I A Gestalt-terapia atenta para o paralelismo psicofísico, no qual não há cisão 
entre corpo e mente, posto que ambos são igualmente reveladores do contato 
indivíduo-meio. 
II A resistência corresponde à dificuldade de entrar em contato com aspectos 
inconscientes que foram reprimidos. 
III A Gestalt-terapia é uma terapia verbal, isto é, dá maior ênfase para o que é 
38/
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falado na sessão, do que para as demais formas de expressão. 
IV A paciente apresenta rigidez nas suas formas de contato consigo mesma e 
com o terapeuta, devido à uma forma neurótica de interação indivíduo-meio, na 
qual seu contato está cristalizado,tornando-a incapaz de se reconhecer e ir ao 
encontro de suas necessidades. 
Está correto somente o afirmado em 
A) I, II e III. B) II e IV. C) I e II. D) I e IV. E) I e III. 
 
Exercício 6: 
Para Rogers, ser empático consiste em aperceber-se com precisão do quadro de 
referências interno de outra pessoa, juntamente com os componentes emocionais 
e os significados a ele pertencentes, como se fôssemos a outra pessoa sem, 
contudo, perdermos a condição de ‘como se’. 
Em relação à empatia, podemos afirmar que 
I com o clima empático o cliente percebe que não está sozinho, tem a sensação 
de que o terapeuta sabe exatamente do que ele está falando, e por vezes até o 
compreende de maneiras mais claras do que ele mesmo. 
II a compreensão empática traz para o receptor a sensação de que alguém o 
acolhe e valoriza, estando atento à sua pessoa, com aceitação incondicional. 
III uma das características da compreensão empática é a de não julgar ou rotular 
o cliente, permitindo-lhe ser ele mesmo e confiando em suas qualidades e 
potenciais. 
IV com o clima empático, o cliente se sente mais confiante e capaz de delegar ao 
terapeuta a tomada das melhores decisões para sua vida, dividindo com ele suas 
responsabilidades. 
Está incorreto somente o afirmado em 
A) I. B) II e IV. C) IV. D) III. E) III e IV. 
 
 Exercício 7: 
(ENADE 2012) O movimento denominado Psicologia Positiva teve início em 1998, 
quando o psicólogo Martin Seligman assumiu a presidência da American 
Psychological Association (APA). Segundo ele, a ciência psicológica vinha 
negligenciando o estudo dos aspectos virtuosos da natureza humana, o que 
poderia ser confirmado por uma simples pesquisa no banco de dados da PsycInfo. 
Ao se utilizar a palavra-chave “depressão”, são encontrados 110.382 artigos 
entre os anos de 1970 e 2006; ao passo que, na busca com a palavra-chave 
“felicidade”, são encontrados apenas 4.711 artigos publicados no mesmo período. 
A negligência ao estudo dos aspectos positivos e virtuosos dos seres humanos 
pela Ciência Psicológica, de acordo com Seligman (2002), baseou-se, 
historicamente, no pensamento dominante na Psicologia, direcionado ao estudo 
dos aspectos “anormais”. Parece que o fator mais intrigante no estudo do 
comportamento humano não era representado pela média da população, mas 
pelo improvável e pelo diferente. 
39/
46 
 
Os motivos, desafios e dificuldades da Psicologia Positiva são consideravelmente 
semelhantes aos da Psicologia Humanista. 
PALUDO S. S.; KOELLER, S.H. Psicologia Positiva: uma nova abordagem para 
antigas questões. Paideia, vl. 17, n. 36, p. 9-20, 2007 (adaptado). 
Avalie as seguintes afirmações acerca da Psicologia Positiva, movimento 
mencionado no texto acima, recorrendo ao conhecimento sobre a Psicologia 
Humanista. 
I O foco em aspectos positivos do desenvolvimento humano já estava presente 
nos trabalhos de teóricos humanistas, tais como Maslow e Rogers. 
II A ênfase em contribuir para o fortalecimento de dimensões saudáveis e 
positivas das pessoas leva esse movimento da Psicologia a afastar-se de métodos 
científicos rigorosos em suas investigações e teorizações. 
III Esse movimento buscou modificar o foco dos estudos da Psicologia, que 
deixaria de atuar na reparação do que está errado ou ruim, para (re)construir 
qualidades positivas, fortalecendo-se, assim, o que existe de mais saudável nos 
indivíduos. 
IV Um dos desafios atuais da Psicologia Positiva é o de operacionalização de 
instrumentos para avaliar e classificar as virtudes e as forças pessoais, tal como 
acontecia com a Psicologia Humanista na década de 1960. 
V A Psicologia Positiva, como a Psicologia Humanista, reconhece que a ênfase 
atribuída, nos últimos 50 anos, às patologias ou àquilo que é desviante, trouxe 
importantes contribuições científicas para a Psicologia e para a capacidade de 
intervenção em tais problemas. Porém, aquelas pesquisas não são o bastante 
para compreender o ser humano. 
Está correto somente o afirmado em 
A) I, II e III. B) I, III e V. C) I, IV e V. D) II, III e IV. E) II, IV e V. 
 
Exercício 8: 
Leia o texto apresentado a seguir 
Procurou um conselheiro “um pai que estava desesperado com a conduta de seu 
filho mais velho. Ele se queixava de que o filho andava em más companhias, 
estava completamente desinteressado nos estudos, tinha vícios e adorava a sua 
moto, quase não ficando em casa. Recentemente, contava o pai, o rapaz tinha 
sofrido um acidente com sua moto, mas continuava a adorá-la. As dúvidas desse 
pai se referiam a como agir de modo geral. Perguntava se deveria punir o filho 
tirando-lhe a moto, brigar com ele, forçá-lo a tomar uma atitude ou deixar que 
continuasse com a moto, mas exigindo uma mudança no seu comportamento.” 
(SPANOUDIS, 1978, p.59) 
Diante do relatado, o psicólogo orientou ao pai que seria prudente que retirasse a 
moto de seu filho por alguns motivos: primeiro, pois isso fará com que o rapaz 
fique mais em casa e dialogue mais com família. Ele diz ao pai que o diálogo 
entre pais e filhos é fundamental para o desenvolvimento de hábitos saudáveis e 
para o bom desempenho profissional no futuro, encerrando sua exposição com o 
bordão: “quem ama, educa!”. O conselheiro defende ao pai que é importante 
para a educação do filho que ele sinta que suas atitudes têm consequências; 
neste caso, ficar sem a moto. Finaliza sua exposição lembrando ao pai que 
40/
46 
 
morrem em média dois motoqueiros por dia na cidade de São Paulo, de maneira 
que tirando a moto de seu filho ele estará lhe protegendo. 
A respeito do Aconselhamento Psicológico oferecido neste caso, considere as 
afirmativas abaixo: 
I Este conselheiro parte da concepção de que seu papel é o de ajudar o cliente a 
tomar decisões, indicando-lhe o melhor caminho. 
II Este conselheiro fundamenta seu posicionamento na noção de que quem ama 
educa, o que caracteriza a adoção da modalidade de aconselhamento humanista, 
dirigida ao desenvolvimento e à complexificação das relações. 
III No caso em destaque, o cliente fornece dados ao conselheiro, que o orienta 
diretivamente na direção que entende ser correta. 
IV Esta é uma relação de aconselhamento psicológico que ilustra a adoção das 
qualidades postuladas por Carl Rogers como necessárias e suficientes para a 
configuração de uma relação de ajuda na perspectiva humanista. 
Está correto somente o afirmado em 
A) I e II. B) II e III. C) III e IV. D) I e III. E) I e IV. 
 
Exercício 9: 
Leia o texto apresentado a seguir: 
Uma psicóloga que trabalha num albergue noturno para mulheres foi procurada 
pela assistente social da instituição com o pedido de atender Maria Cristina, que 
ali reside com a filha de cinco anos, queixando-se que a moça não estava 
seguindo sua sugestão de deixar que a criança fosse para outro abrigo, onde 
seria melhor cuidada, tendo em vista que as regras do albergue as obrigavam a 
passar o dia na rua, retornando somente a partir das 16,00 horas. 
De acordo com a Abordagem Centrada na Pessoa, o procedimento correto para 
este caso é o de 
I concordar de imediato com a assistente social, que deseja apenas o bem-estar 
da criança, e ajudar a convencer Maria Cristina a deixar sua filha ser transferida 
de instituição. 
II pedir orientação ao Conselho Tutelar, que trata de situações de negligência 
parental, a fim de averiguar o melhor procedimento para o bem estar da criança. 
III escutar atentamente Maria Cristina, suspendendo o julgamento a respeito 
dela, visando compreender as razões pelas quais quer conservar a filha com ela. 
IV deixar que Maria Cristina fale livremente de sua experiência e ocupar junto a 
ela o lugar de facilitadora, para que ela possa se ver nas situações que vive. 
V avaliar as condições psicológicas de Maria Cristina, verificando se apresenta 
capacidade para cuidar de uma criança. 
Está correto somente o afirmado em 
 
 
41/
46 
 
A) I e II. B) I e III. C) II e IV. D) III e IV. E) III e V. 
 
Exercício10: 
Leia o texto apresentado a seguir: 
Henrique, de 33 anos, procura o Plantão Psicológico, pois está pensando em 
trocar de emprego. Relata que é casado há 8 anos e que dois filhos, com 7 e 5 
anos. Começou a trabalhar cedo, em uma empresa importadora/exportadora, 
crescendo lentamente dentro da empresa. Quando terminou o colegial, entrou na 
faculdade de administração, pois segundo ele, “tinha tudo a ver para continuar 
crescendo na empresa. Formou-se há 9 anos. Conheceu a sua esposa na 
faculdade e se casou logo depois, vindo a ter o primeiro filho um ano após se 
casarem. A esposa trabalha num hospital. Henrique prossegue contando que sua 
vida econômica vai bem, mas que tem se sentido desmotivado no último ano. Diz 
que sente “tristonho” e que acredita que mudando de emprego voltará a se sentir 
feliz. Resolveu procurar um psicólogo, pois precisa de conselhos sobre como 
procurar um novo emprego, pois nunca precisou fazer isso, e o mercado mudou 
muito desde que ele era adolescente. Indagado pelo psicólogo sobre sua vida 
familiar, conta que ama os filhos e a esposa, mas que ela se distanciou dele nos 
últimos anos em razão de uma promoção que recebeu no trabalho, que equiparou 
os salários dos dois, mas a deixou mais ocupada e “estressada”. 
De acordo com a perspectiva do aconselhamento psicológico humanista, o 
procedimento indicado para o caso acima é o de 
A) realizar uma anamnese, a fim de conhecer os fatores de desenvolvimento que 
possam estar relacionados à situação atual vivenciada por Henrique. 
B) propor a realização de um exame vocacional, a fim de averiguar se a escolha 
tomada por Henrique em sua vida profissional realmente corresponde às suas 
vocações. 
C) convidar Henrique a sintonizar e experimentar sua tristeza, antes de procurar 
explica-la, ou atribuí-la ao trabalho e à família. 
D) explorar em conjunto com Henrique novas possibilidades profissionais e 
auxiliá-lo na elaboração de seu currículo e no preparo para entrevistas. 
E) propor para Henrique que retorne para mais algumas sessões, a fim de que 
seja possível desenvolver uma compreensão mais elaborada sobre o momento 
existencial no qual se encontra. 
 
Exercício 11: 
Leia atentamente o texto a seguir: 
Os psicólogos humanistas Cautella e Morato (2009) consideram que “resgatar a 
possibilidade do cuidar de si pode ser o ponto de partida para qualquer ação do 
divergente dirigida, a partir de uma autonomia, para a cidadania.” Em 
consonância a isso, o instituto A Casa, localizado em São Paulo, oferece aos seus 
usuários durante o período diurno, atividades como psicoterapia de grupo, terapia 
ocupacional, grupos de passeio e oficinas de trabalho. Trata-se de um hospital-
dia, que é também a sede do grupo teatral Ueinzz, formado por pacientes, 
terapeutas e profissionais do meio artístico. 
 
42/
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Sobre as práticas psicológicas inclusivas realizadas no referido hospital, à luz da 
psicologia humanista considere as afirmativas a seguir: 
I A expressão artística no teatro é um modo de promover a reinserção social dos 
pacientes na vida comunitária, ao mesmo tempo em que revela as contradições 
da vida urbana contemporânea e possibilita aos integrantes da companhia Ueinzz 
a participação em uma ação autônoma dirigida à cidadania. 
II Os grupos de passeio, nos quais os frequentadores do hospital-dia circulam nos 
espaços públicos (parques, museus, cinemas), favorecem sua reinserção na vida 
social e urbana, ao fomentar novos modos de apropriação e de realização de suas 
possibilidades existenciais. 
III As oficinas de trabalho, visam “proporcionar aos participantes a experiência do 
exercício de uma atividade profissional com tudo o que ela implica, ou seja, 
horário, organização e limpeza do local, planejamento de tarefas e relações 
humanas”, com o objetivo de reajustar o indivíduo, por meio de capacitação 
profissional, para suportar as pressões do mercado de trabalho e nele 
reingressar. 
IV O modelo de hospital-dia promove a reintegração social dos pacientes, pois 
oferece espaços de convivência e acolhimento para o sofrimento psicológico, ao 
mesmo tempo em que incentiva as relações interpessoais. 
V Esse modelo de atendimento psicológico segue a compreensão humanista de 
que quando uma pessoa perde sua autonomia, precisa ser colocada à margem da 
sociedade para recuperar sua tendência atualizante. 
Está correto somente o afirmado em 
A) I, III e V. B) I, II e IV. C) I, II e V. D) II, III e IV. E) III, IV e V. 
 
Exercício 12: 
Leia atentamente o texto a seguir: 
A Gestalt, conhecida como psicologia da forma ou terapia do contato, nos mostra 
quão complexa pode ser a percepção que temos de nossa própria experiência 
como terapeutas envolvidos na experiência do paciente. Considerar o momento, a 
situação, as necessidades do momento e a possível flexibilidade de mudança de 
percepção a partir da experiência vivenciada, parece tornar nossa ação 
terapêutica difícil, pouco palpável, e porque não dizer, vulnerável. 
Nesse contexto, podemos afirmar os aspectos a serem considerados pelo bom 
terapeuta da Gestalt, incluem 
I não se perder no contato com o paciente, evitando a todo custo o envolvimento. 
A neutralidade total do terapeuta se faz necessária para que consiga se focar no 
outro e não em suas concepções pessoais. 
ll a busca pelo autoconhecimento e o preparo a partir de sua própria experiência, 
para que seja capaz de lidar com as questões existenciais básicas do outro. 
lll ter consciência de seus limites terapêuticos, encaminhando seu paciente caso 
perceba ter sentimentos desconfortáveis ou difíceis em relação ao seu paciente, 
ou ao conteúdo trazido pelo mesmo. 
lV não se recusar, sob hipótese alguma, a atender, ou trabalhar com os pacientes 
que busquem seu auxílio, independentemente dos conflitos trazidos por ele, ou 
43/
46 
 
dos sentimentos suscitados pelo paciente no terapeuta. 
Está correto somente o afirmado em 
A) I e IV. B) II e IV. C) II e III. D) I e III. E) III e IV. 
 
Exercício 13: 
Leia o texto apresentado a seguir: 
Sérgio procura o Serviço de Aconselhamento Psicológico buscando atendimento 
para sua esposa. Conta com detalhes os comportamentos dela que o preocupam, 
como, por exemplo: não dar mais conta de atividades rotineiras como cozinhar, 
estar completamente desatenta às necessidades dos filhos, dormir muito, ouvir 
vozes e acordar assustada durante a noite imaginando que ele esteja morto. O 
conselheiro comenta que percebe estar sendo difícil para ele ficar nessa situação, 
assumindo tarefas que seriam dela, preocupando-se com os filhos que passam o 
dia com ela e assustando-se ao ser apalpado no meio da noite quando ela quer 
verificar se está vivo ou morto. Sérgio passa a falar mais de si mesmo, de sua 
situação com a esposa, e a comentar suas dificuldades no trabalho, no qual se 
sente “abusado”, ampliando a percepção de seu momento atual. 
Ao relacionarmos o Plantão Psicológico e a postura do psicólogo, podemos 
considerar que 
I o Plantão Psicológico tem como objetivo realizar um psicodiagnóstico do cliente 
diante da circunstância que tem vivido. 
II o psicólogo mostrou-se aberto para a experiência relatada pelo cliente, sem 
julgamentos e valorizando-as a partir do referencial do próprio cliente. 
III o Plantão Psicológico possibilita ao cliente expressar suas angústias e anseios 
e poder, com a facilitação do psicólogo, olhar de modo mais claro para si e para a 
situação questionadora. 
IV o Plantão Psicológico é um serviço realizado no pronto atendimento de 
instituições de saúde, nas quais os profissionais plantonistas podem acolher os 
pacientes mais angustiados. 
Está correto somente o afirmado em 
A) II e III. B) I e IV. C) II, III e IV. D) I, III e IV. E) I e III. 
 
Exercício 14: 
Sobre a postura do psicoterapeuta no plantão psicológico humanista, tal como 
apresentado por Amatuzzi (2012) e Morato (2009), podemos afirmar que nesse 
contexto 
I o psicoterapeuta deve ter uma postura mais atuantedo que na psicoterapia de 
longo prazo, pois como o encontro pode ocorrer apenas uma única vez, as 
intervenções devem ser diretivas e assertivas. 
II as atitudes a serem adotadas pelo plantonista são as mesmas da psicoterapia 
tradicional, e incluem ser empático, acolhedor e autêntico. 
III o psicoterapeuta deve estar sempre aberto ao inesperado, pois a 
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disponibilidade para sair do planejado é essencial nessa modalidade de 
atendimento. 
Está incorreto somente o afirmado em 
 
A) I e II. B) II e III. C) I e III. D) II. E) I. 
 
Exercício 15: 
Os trabalhos do chamado Grupo dos Sete da Gestalt terapia, que incluía Laura e 
Fritz Perls, teve início em New York e posteriormente foi definitivamente 
implantado na Califórnia. 
A Gestalt terapia 
I tal como explicitada por Perls, é uma continuidade da terapêutica implantada 
pela Psicologia da Gestalt de Kurt Lewin e outros na Universidade de Berlin, na 
metade do Século XIX. 
II entende que os processos psicoterápicos devem ocorrer preferencialmente em 
grupos. 
III pode ser considerada como uma modalidade de psicoterapia holística. 
IV tal como explicitada por Perls, considera o movimento, o corpo, o outro, e a 
direção. 
Está correto somente o afirmado em 
A) II e IV. B) II, III e IV. C) III e IV. D) I e IV. E) II e III. 
 
Exercício 16: 
Leia o texto apresentado a seguir: 
Vítor procura terapia referindo-se a si mesmo como tímido. Tem 18 anos e nunca 
beijou uma menina. Relata que quando se sente atraído por alguém, não 
consegue controlar sua imaginação, que fica, segundo ele, passando vários filmes 
em sua cabeça. Se vê conversando com a moça, beijando-a, e sendo aceito por 
ela, se vê conhecendo sua família, e até mesmo casado com ela..., mas não 
consegue ir ao encontro da moça. 
A Gestalt-terapia compreende que Vítor 
I está neurótico, pois não dispõe da habilidade de organizar seu comportamento a 
fim de suprir sua necessidade. 
II reprime sua homossexualidade e cabe ao Gestalt-terapeuta revelar a ele que 
seu comportamento mostra que não são as moças que suprem suas 
necessidades. 
III apresenta um quadro de timidez patológica, que precisa ser confirmado por 
um psicodiagnóstico antes do início da terapia. 
IV mantém-se em desequilíbrio, pois sua energia está sendo gasta somente pela 
fantasia, em detrimento de ações no meio. 
45/
46 
 
Está correto somente o afirmado em 
A) I e II. B) II e III. C) II e IV. D) III e IV. E) I e IV. 
 
 Exercício 17: 
(ENADE 2009) A psicologia como ciência caracteriza-se pela tensão entre 
recortes epistemológicos e pressupostos ontológicos sobre seu objeto, criando, ao 
longo de sua história, uma diversidade de abordagens, tal como o cognitivismo e 
a psicologia humanista. 
Em relação à concepção da psicologia como ciência nessas duas abordagens, são 
feitas as seguintes afirmativas: 
I Ambas preconizam uma visão de ciência centrada na concepção de descrição 
precisa e objetiva dos dados da experiência. 
II A psicologia humanista contrapõe-se à psicologia cognitiva por considerar que 
a metodologia científica natural não é a mais adequada para investigar o ser 
humano. 
III Para a psicologia humanista, a experiência é irredutível a uma análise 
descontextualizada da subjetividade do sujeito. 
Está correto somente o afirmado em 
A) I. B) I e II. C) II e III. D) I, II e III. E) I e III. 
 
Exercício 18: 
(Concurso Terra Alta-PA 2015 - adaptado) A abordagem Centrada na Pessoa é 
uma abordagem das relações interpessoais desenvolvida pelo psicólogo 
americano Carl Rogers. Seu pressuposto fundamental é o de que em todo 
indivíduo existe uma tendência atualizadora inerente ao organismo, voltada ao 
crescimento, ao desenvolvimento e à atualização de suas potencialidades. 
Com base nesse contexto, podemos afirmar que a Consideração Positiva 
Incondicional do outro ocorre quando o terapeuta 
A) permite ao cliente ser livre e profundamente ele mesmo. 
B) adota uma modalidade de cuidado não-possessivo, com confiança nos 
potenciais e recursos que existem no cliente. 
C) adota uma postura de honestidade, mostrando-se real e genuíno nos 
encontros. 
D) tem consciência plena das suas próprias experiências. 
E) favorece a ocorrência de Insights por parte do cliente. 
 
Exercício 19: 
O movimento humanista introduziu na Psicologia a questão da consideração do 
sentido. Holanda (2014), recorre ao pensamento de Mauro Amatuzzi, para quem 
a análise do sentido ocupa posição central, ao afirmar: “A palavra é a própria 
46/
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questão de sentido, dado que o homem atual se encontra na palavra.” (Apud, 
Holanda, 2014, p.150). A frase entre aspas indica que 
I o ser humano pode ser compreendido a partir da investigação das causas de 
seus comportamentos. 
II a psicologia humanista investiga o modo pelo qual as motivações 
inconscientes influenciam a formação dos sentidos no ser humano. 
III o homem deve ser compreendido em sua situação atual, isto é, um indivíduo 
desafiado pelas situações presentes, voltado para seu futuro e apoiado em sua 
história pregressa. 
Está correto somente o afirmado em 
A) I e II. B) II e III. C) I. D) II. E)III. 
 
Exercício 20: 
Considerando a influência do Humanismo sobre a Psicologia Humanista, analise 
as afirmativas a seguir: 
I Todas as teorias que se dedicam ao estudo do psiquismo humano podem ser 
consideradas como humanistas, na medida em que definem o homem como 
objeto de conhecimento e centro de suas preocupações. 
II Em sua gênese, a Psicologia Humanista sofreu influências do movimento de 
contracultura americano, que buscava validação científica para defesa da 
liberdade. Os psicólogos associados a esse movimento criaram abordagens que 
enalteceram a liberdade de escolha e de expressão. 
III Um dos fatores que levou ao surgimento da Psicologia Humanista decorre da 
insatisfação de alguns autores, em relação às lacunas e posturas das correntes 
então dominantes: o behaviorismo e a psicanálise. 
IV O movimento humanista na história do pensamento ocidental foi uma reação 
ao sobrenaturalismo medieval, que se preocupava com questões relacionadas a 
pós morte, em detrimento do cuidado das situações vivenciadas no aqui e agora. 
V Rogers e Maslow desenvolveram suas concepções humanistas a partir da 
crença no homem e da confiança no que nele se manifesta. Nesse sentido, tanto 
a tendência à atualização de Rogers como o conceito de autoatualização de 
Maslow exemplificam essa postura. 
Está incorreto somente o afirmado em 
A) V. B)IV. C) III. D) II. E) I.

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