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Aula 03 - Jurisdição e competência II

Anotações de Direito Processual Civil (Aula 03) sobre jurisdição e competência: regime jurídico da competência interna — competência absoluta e relativa; critérios (funcional, material, valorativo, territorial), arts. 64 e 65 do NCPC, interesse protegido, conhecimento de ofício, derrogabilidade e foro de eleição (art. 63).

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Direito Processual Civil – Jurisdição e competência II
Professor Fernando Gajardoni
Aula 03 -Intensivo I 
(atualização em 20/07/2017: questões de concurso)
	- Competência: regime jurídico, critérios, causas modificativas (conexão/continência) e conflito de competência. (CSB – capítulo 3)
JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA II (continuação)
5. Regime jurídico da competência interna
(QUADRO SINÓTICO)
	O sistema jurídico divide a competência interna em: absoluta e relativa.
COMPETÊNCIA ABSOLUTA
A. Critérios
É composta pelos critérios funcional/hierárquico e material
B. Previsão legal (art. 64)
Art. 64. A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de contestação.
§ 1o A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição e deve ser declarada de ofício.
§ 2o Após manifestação da parte contrária, o juiz decidirá imediatamente a alegação de incompetência.
§ 3o Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão remetidos ao juízo competente.
§ 4o Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente.
C. Interesse protegido
Protege-se o interesse público ou o interesse da administração da justiça, que também é público.
Por exemplo, Mandado de Segurança contra o presidente da república, visa proteger o cargo do presidente, que é um interesse público.
Há casos de competência territorial, que, eventualmente protegerem o interesse público, seguirão o modelo de competência absoluta.
Parte da doutrina denomina de competência territorial absoluta, competência valorativa absoluta.
D. Conhecimento pelo juiz
Poderá o juiz, em qualquer momento e grau de jurisdição, proferir a competência absoluta de ofício.
Ficar atento ao art. 10 do NCPC, visto acima.
	
E. Derrogabilidade
Não é possível derrogar.
F. Momento e modo para alegação
Deve ser alegada na preliminar de contestação. Contudo, nada impede que seja alegada em outro momento, a exemplo de ser alegada em apelação.
Não há mais a previsão de pagamento de custas pelo retardamento do processo, quando a parte não alega em momento oportuno.
Segundo Gajardoni, a falta de arguição, no prazo adequado, pode condenar a parte por litigância de má-fé.
G. Violação
Caso haja violação, a decisão dada por juiz incompetente será preservada, tanto na competência relativa quanto na absoluta. Ou seja, a decisão será válida até que o juiz competente mantenha ou casse a decisão do juiz incompetente.
Parte da doutrina afirma que se trata do fenômeno da trasiatio judicci, ou seja, antes de ser incompetente o juiz possui jurisdição.
Cabe ação rescisória.
COMPETÊNCIA RELATIVA
A. Critérios
É composta pelos critérios valorativo e territorial.
B. Previsão legal (art. 65)
Art. 65. Prorrogar-se-á a competência relativa se o réu não alegar a incompetência em preliminar de contestação.
Parágrafo único. A incompetência relativa pode ser alegada pelo Ministério Público nas causas em que atuar.
C. Interesse protegido
Visa o interesse privado.
Por exemplo, a competência do domicílio do cônjuge que ficou com a guarda do filho incapaz, no caso de ação de divórcio ou dissolução de união estável.
Cuidado! Há regras de competência territoriais e valorativas, que deixam de ser competência relativa e passam a ser competência absoluta, tendo em vista que visam proteger o interesse público. São exemplos:
· Art. 47 do NCPC – ações sobre direitos imobiliários devem ser ajuizadas no foro do local do imóvel.
· Art. 3º da Lei dos Juizados Especiais Federais – obrigatoriedade das ações de até 60 SM serem ajuizadas no LEF.
· Art. 2º da LACP – o local do dano é competente para ajuizar a ACP.
D. Conhecimento pelo juiz
Juiz não pode conhecer de ofício.
Apenas o MP e parte podem alegar, sob pena de violação do art. 65 do NCPC e da Súmula 33 do STJ.
	Já caiu!
(MPSC-2016): No que se refere à competência, chamam-se absolutos os critérios criados para proteger interesses públicos e critérios relativos são aqueles criados para a tutela de interesses particulares. Nos termos do novo CPC, a incompetência relativa pode ser alegada pelo Ministério Público nas causas em que atuar. BL: art. 65, § único, NCPC. (V)
E. Derrogabilidade
É possível derrogar, através do foro de eleição, da prorrogação de competência, bem como nos casos de conexão e continência (tratados a seguir).
O art. 63 do NCPC trata do foro de eleição, que se aplica apenas aos casos de competência relativa.
Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações.
§ 1o A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e aludir expressamente a determinado negócio jurídico.
§ 2o O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes.
§ 3o Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu.
§ 4o Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na contestação, sob pena de preclusão.
F. Momento e modo para alegação
Deve ser alegada na preliminar de contestação. Não existe mais a exceção de incompetência.
Visa tornar o procedimento menos burocrático.
Caso não seja alegada, ocorre a prorrogação da competência. Ou seja, o juiz incompetente torna-se competente.
G. Violação
Caso haja violação, a decisão dada por juiz incompetente será preservada, tanto na competência relativa quanto na absoluta. Ou seja, a decisão será válida até que o juiz competente mantenha ou casse a decisão do juiz incompetente.
Não cabe ação rescisória.
Das decisões do juiz que deliberam sobre a competência (seja competência absoluta ou relativa), é irrecorrível por meio de agravo de instrumento, tendo em vista que tal hipótese não se encontra no rol taxativo do art. 1.015 do NCPC.
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:
I - tutelas provisórias;
II - mérito do processo;
III - rejeição da alegação de convenção de arbitragem;
IV - incidente de desconsideração da personalidade jurídica;
V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação;
VI - exibição ou posse de documento ou coisa;
VII - exclusão de litisconsorte;
VIII - rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio;
IX - admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros;
X - concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução;
XI - redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1o;
XII - (VETADO);
XIII - outros casos expressamente referidos em lei.
Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário.
5.1. Critério territorial/absoluto (art. 47, e § 2º, CPC) (art. 2º da Lei 7.347/85) ou valorativo/absoluto (art. 3º, § 3º, da Lei 10.259/2001) (art. 2º, § 4º, da Lei 12.153/2009)
	Regra geral: critério funcional, hierárquio e material: COMPETÊNCIA ABSOLUTA.
	Critério territorial e valorativa: COMPETÊNCIA RELATIVA.
	Acontece que, por vezes, o legislador utiliza um critério valorativo ou um critério territorial para definir competência visando proteger o interesse público. Nesse caso, o regime jurídico passa a ser de competência absoluta, não mais relativa[footnoteRef:1]. Veja o art. 47 e §2º do NCPC: [1: (DPEBA-2016-FCC): Sobre a competência, a ação possessória imobiliária será proposta no foro da situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta. BL: art. 47, § 2º NCPC.] 
Art. 47.  Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de situação da coisa.
(...)
§ 2o A ação possessória imobiliária será proposta no foro de situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta.
	Esse dispositivo do art. 47 do NCPC é uma regra de proteção do interessepúblico, porque permite ao juiz ir ao local para ver o que está acontecendo, isto é, de ter melhores condições de julgar o processo. É um critério territorial absoluto. Se violar esta regra gera nulidade, cabe rescisória, podendo o juiz reconhecer de ofício.
	Outra situação é o caso da ação civil pública, previsto no art. 2º da Lei 7347/85, que a ação será proposta no local do dano. É uma regra de competência territorial absoluta, visando proteger o interesse público, apesar de ser um critério territorial. 
Art. 2º As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e julgar a causa. 
Parágrafo único  A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto. (Incluído pela Medida provisória nº 2.180-35, de 2001)
	Por outro lado, temos o critério valorativo absoluto, que também visa a proteger o interesse público. É o caso dos Juizados Especiais Federais e dos Juizados Especiais da Fazenda Pública. A competência é absoluta. 
	
5.2. Foro de eleição (sempre renunciável em prol da regra do art. 46)
Foro de eleição é um negócio jurídico processual típico (expressa previsão nos arts. 62 e 63, NCPC), isto é, um acordo entre as partes de que o processo será julgado por determinado juízo. 
O foro de eleição é sempre renunciável em favor da regra do art. 46 do NCPC, porque o domicílio do réu é a regra geral.
a) requisitos (arts. 62 e 63, caput e § 1º)
	São dois requisitos:
1) Só pode firmar foro de eleição na competência relativa, que é a única derrogável.
2) Tem que ser por escrito. Não existe foro por eleição oral. Não tem validade alguma. 
Art. 62.  A competência determinada em razão da matéria, da pessoa ou da função é inderrogável por convenção das partes.
Art. 63.  As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações.
§ 1o A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e aludir expressamente a determinado negócio jurídico.	 
b) sucessão (art. 63, § 2º)
	O foro de eleição vincula os sucessores da parte, sejam eles causa mortis ou inter vivos. Entretanto, o foro de eleição não obriga quem não fez parte do contrato. Somente as partes que subscreveram e os seus sucessores se obrigam o que ficou combinado. Terceiros não subscritores não se afetados pelo foro de eleição. 
Art. 63.  As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações.
(...)
§ 2o O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes.
c) abusividade do foro de eleição (63, §§ 3º e 4º)
	O art. 63, §§3º e 4º do NCPC mantiveram no NCPC o controle judicial da abusividade do foro de eleição. O juiz pode, na primeira oportunidade em que recebe o processo, e o réu, na contestação, sob pena de preclusão (preclusão pro judicato e preclusão para o réu) ser reconhecida a abusividade de foro de eleição. É uma cláusula aberta, pois a regra não quis no que consiste a abusividade. Geralmente, a abusividade é relacionada a uma relação de consumo, mas não necessariamente. Pode ser reconhecida a abusividade em relações civis.
	O juiz pode reconhecer a abusividade de ofício, remetendo os autos ao juízo do foro de eleição do domicílio de réu. Caso o juiz não reconheça de ofício, cabe ao réu alegar em preliminar de contestação. Passo o momento oportuno, se nem o juiz reconhecer de ofício, nem o réu alegar, o foro de eleição será considerado válido.
Art. 63.  As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações.
(...)
§ 3o Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu.
§ 4o Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na contestação, sob pena de preclusão.
	Já caiu!
(DPEMT-2016): Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz; após a citação, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na contestação, sob pena de preclusão. BL: art. 63, §§3º e 4º do NCPC. (V)
6. Causas modificativas de competência
6.1. Perpetuatio jurisdictionis (art. 43, CPC) (registro/distribuição) (súmula 58 STJ)
	Essa regra tem previsão no art. 43 do NCPC, que diz que a competência é firmada no momento da propositura, que se dá pelo registro ou pela distribuição. Assim, depois que o processo foi distribuído para o juízo competente, em princípio, ele vai nascer e morrer lá. O juízo desse processo se perpetua.
	O art. 43 do NCPC vai mais além, referindo que a alteração da situação de fato ou de direito das partes não altera a competência. Isso é provado pela Súmula 58 do STJ, que fala de execução fiscal.
	Eu entrei com uma Campinas. Depois me mudei de cidade. O processo continuará na cidade de Campinas. É essa a ideia de perpetuação da jurisdição.
	Há exceções a esta regra serem analisada nos itens seguintes.
Art. 43. Determina-se a competência no momento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta.
	Já caiu!
(MPGO-2016): A competência determina-se no momento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta. BL: art. 43, NCPC. (V)
6.2. Prorrogação voluntária (02 exceções)
a) Não alegação de incompetência relativa (art. 65 CPC)
	Nessa hipótese ocorre a prorrogação da competência.
Art. 65.  Prorrogar-se-á a competência relativa se o réu não alegar a incompetência em preliminar de contestação.
Parágrafo único.  A incompetência relativa pode ser alegada pelo Ministério Público nas causas em que atuar.
b) Foro de eleição (art. 63 CPC)
Art. 63.  As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações.
§ 1o A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e aludir expressamente a determinado negócio jurídico.
§ 2o O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes.
§ 3o Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu.
§ 4o Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na contestação, sob pena de preclusão.
6.3. Prorrogação legal (4 exceções)
	Hipóteses legais.
a) Supressão do órgão judiciário (art. 43 CPC)
Ocorre quando há a extinção da vara. Não há necessidade observar a regra da perpetuação da competência, devendo ser redistribuído o processo.
Art. 43. Determina-se a competência no momento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta.
b) Alteração da competência absoluta (43 CPC)
Art. 43. Determina-se a competência no momento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta.
c) IDC – Incidente de Deslocamento de Competência (art. 109-V-A e §5º, da CF)
Em casos de grave violação de direitos humanos, em não havendo movimentação do caso pela Justiça Estadual, desde que o Brasil tenha se comprometido por tratados internacionais, o Procurador-Geral da República poderá requerer ao STJ a transferênciado processo para uma vara da Justiça Federal. 
§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
d) Conexão (art. 55 CPC) e Continência (arts. 56/57 CPC).
A ação é formada por três elementos: partes, pedido e causa de pedir, quando há identidade total de elementos em mais de uma ação, temos a litispendência, que é causa de extinção do processo sem resolução de mérito.
Há casos em que se tem a identidade parcial dos elementos da ação, são os casos que dão origem a conexão e continência.
De acordo com os arts. 59 e 60 do NCPC, a prevenção se dá na ação aonde houve a primeira distribuição ou registro. O juízo fica prevento. 
A conexão e a continência são critérios de unificação: prevenção (art. 59 e 60 CPC)

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