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SISTEMA DE ENSINO
DIREITO PENAL 
MILITAR
Direito Penal Militar – Parte Geral II
Livro Eletrônico
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Cícero Coimbra
Direito Penal Militar - Parte Geral II
DIREITO PENAL MILITAR
Sumário
Direito Penal Militar (Parte Geral II) ................................................................................3
1. Apresentação ..............................................................................................................3
2. Conteúdo ....................................................................................................................3
2.1. Crime Propriamente e Impropriamente Militar .........................................................3
2.2. Fato Típico Penal Militar ..........................................................................................9
Resumo ....................................................................................................................... 69
Mapas Mentais .............................................................................................................70
Exercícios ......................................................................................................................71
Gabarito ...................................................................................................................... 84
Questões Comentadas ................................................................................................. 85
Referências ................................................................................................................. 101
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Direito Penal Militar - Parte Geral II
DIREITO PENAL MILITAR
DIREITO PENAL MILITAR (PARTE GERAL II)
1. ApresentAção
Caro(a) aluno(a), tudo bem? Espero que sim e que esteja gostando do nosso curso de Di-
reito Penal Militar.
Da mesma maneira que a aula anterior, nossa viagem seguirá com os mesmos atributos.
A parte principal, repita-se, é  o conteúdo de cada aula, mas nosso trabalho não se 
resume a ele.
Adicionaremos também alguns recursos extras, a exemplo de resumos e destaques no 
texto, além de testar sua aprendizagem por questões de concursos e algumas inéditas, por 
mim elaboradas para a melhor fixação.
Meu papel, nesta jornada, é tornar o conteúdo palatável, de fácil compreensão, mas pre-
ciso que você faça sua parte, organizando-se para ler atentamente as aulas e resolver os 
exercícios, sempre com o foco da eficiência na aprendizagem.
Nesta aula veremos o conceito de crime militar próprio e impróprio, inauguraremos a teo-
ria geral do delito militar com os elementos genéricos do crime, com enfoque no fato típico e 
nas hipóteses do art. 9º do CPM. Por fim, falaremos um pouco do art. 10 do CPM que delimita 
crimes militares em temo de guerra.
Decolagem autorizada...
2. Conteúdo
2.1. Crime propriAmente e impropriAmente militAr
O critério de definição para o crime militar é o ratione legis, ou seja, o crime militar é iden-
tificado de acordo com a previsão legal, e não de acordo com o sujeito que o pratica, o local 
onde é cometido etc.
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Direito Penal Militar - Parte Geral II
DIREITO PENAL MILITAR
A lei, obviamente, de forma pontual, poderá eleger, caso a caso, que determinado fato so-
mente será crime militar se praticado por militar ou em determinado local etc., mas isso não 
é um critério de reconhecimento do crime militar, ao menos não é o único.
A lei penal militar, deve-se assinalar, não distingue entre esses crimes militares quais são 
próprios e quais são impróprios, dificultando a sua tarefa, caro(a) aluno(a) que, por vezes, en-
contrará essas expressões no ordenamento jurídico sem que sejam esclarecidas.
Em outras palavras, tanto o crime propriamente como o impropriamente militar são cri-
mes militares julgados pela Justiça Militar, com exceção, em alguns casos, do crime doloso 
contra a vida de civil, julgado pelo Tribunal do Júri, de acordo com o § 1º do art. 9º do CPM, 
com a redação que lhe deu a Lei n. 13.491/2017, havendo ainda que se observar que alguns 
doutrinadores entendem ser possível a instalação do Tribunal do júri na Justiça Militar.
Tanto o crime propriamente militar como o impropriamente militar são crimes militares, em 
regra, julgados pela Justiça Militar.
Não caia na “tentação” de dizer que crimes impropriamente militares não são crimes militares.
A observação é redundante, mas deve ser feita!
O ordenamento jurídico, por outro lado, pontualmente e fora do CPM, faz menção aos cri-
mes propriamente militares, surgindo, pois, sua necessidade de estudo.
Antes de verificar a distinção, pede-se vênia para indicar dois dispositivos que, senão os 
únicos, são os principais a exigirem o conhecimento da diferenciação em curso.
Iniciemos por uma abordagem processual e constitucional, atrelada à previsão do art. 18 
do CPPM e do inciso LXI do art. 5º da Constituição Federal.
O art. 18 do CPPM dispõe que:
Detenção de indiciado
Art. 18. Independentemente de flagrante delito, o indiciado poderá ficar detido, durante as investi-
gações policiais, até trinta dias, comunicando-se a detenção à autoridade judiciária competente. 
Esse prazo poderá ser prorrogado, por mais vinte dias, pelo comandante da Região, Distrito Naval ou 
Zona Aérea, mediante solicitação fundamentada do encarregado do inquérito e por via hierárquica.
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Prisão preventiva e menagem. Solicitação
Parágrafo único. Se entender necessário, o encarregado do inquérito solicitará, dentro do mes-
mo prazo ou sua prorrogação, justificando-a, a decretação da prisão preventiva ou de mena-
gem, do indiciado.
Note-se que pelo dispositivo em comento, é possível a detenção do indiciado sem a exis-
tência de flagrante delito ou de ordem judicial fundamentada.
Ocorre que o inciso LXI do art. 5º da Constituição federal não recepcionou plenamente tal 
dispositivo, dispondo:
LXI – ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de au-
toridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime PROPRIAMENTE 
MILITAR, definidos em lei;
Fácil perceber, por essa construção, que o art. 18 do CPPM foi recepcionado em parte, 
somente podendo ser aplicado para crimes propriamente militares.
Outro dispositivo que exige a distinção entre crime propriamente e impropriamente militar 
é a previsão no Código Penal comum da impossibilidade de indução à reincidência por crime 
propriamente militar anteriormente praticado, nos termos do art. 64, II, do CP.
Por esse dispositivo, uma deserção, crime propriamente militar como veremos, não dará 
ao seu autor a condição de reincidente em futura prática de delito comum, ainda que aquém 
do período depurador.
Art. 64. Para efeito de reincidência:
I – não prevalece a condenação anterior, seentre a data do cumprimento ou extinção da pena e a 
infração posterior tiver decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos, computado o período 
de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer revogação;
II – não se consideram os crimes MILITARES PRÓPRIOS e políticos.
Vejamos, enfim, a distinção entre crime propriamente e impropriamente militar.
Existem várias teorias para essa distinção, no entanto, parece-nos adequado explanar 
duas delas: a teoria adotada pela doutrina de Direito Penal comum e a teoria adotada pela 
doutrina especializada, denominada teoria clássica.
Pela primeira abordagem, afeta à doutrina penal comum, os crimes propriamente militares 
são aqueles que possuem definição no CPM diversa da lei penal comum ou nela não previstos. 
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Exemplificativamente, seriam crimes militares próprios por essa teoria os crimes de violência 
contra superior (art. 157) e de violência contra militar de serviço (art. 158), enquanto seriam 
impropriamente militares o homicídio (art. 205) e a lesão corporal (art. 209). Esta teoria foi 
rotulada como teoria topográfica, pois considera a posição do delito para a classificação.
Violência contra superior
Art. 157. Praticar violência contra superior:
Pena – detenção, de três meses a dois anos.
Formas qualificadas
§ 1º Se o superior é comandante da unidade a que pertence o agente, ou oficial general:
Pena – reclusão, de três a nove anos.
§ 2º Se a violência é praticada com arma, a pena é aumentada de um terço.
§ 3º Se da violência resulta lesão corporal, aplica-se, além da pena da violência, a do crime contra 
a pessoa.
§ 4º Se da violência resulta morte:
Pena – reclusão, de doze a trinta anos.
§ 5º A pena é aumentada da sexta parte, se o crime ocorre em serviço.
Violência contra militar de serviço
Art. 158. Praticar violência contra oficial de dia, de serviço, ou de quarto, ou contra sentinela, vigia 
ou plantão:
Pena – reclusão, de três a oito anos.
Formas qualificadas
§ 1º Se a violência é praticada com arma, a pena é aumentada de um terço.
§ 2º Se da violência resulta lesão corporal, aplica-se, além da pena da violência, a do crime contra 
a pessoa.
§ 3º Se da violência resulta morte:
Pena – reclusão, de doze a trinta anos.
Homicídio simples
Art. 205. Matar alguém:
Pena – reclusão, de seis a vinte anos.
Minoração facultativa da pena
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o 
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a 
pena, de um sexto a um têrço.
Homicídio qualificado
§ 2º Se o homicídio é cometido:
I – por motivo fútil;
II – mediante paga ou promessa de recompensa, por cupidez, para excitar ou saciar desejos sexu-
ais, ou por outro motivo torpe;
III – com emprego de veneno, asfixia, tortura, fogo, explosivo, ou qualquer outro meio dissimulado 
ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
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IV – à traição, de emboscada, com surpresa ou mediante outro recurso insidioso, que dificultou ou 
tornou impossível a defesa da vítima;
V – para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime;
VI – prevalecendo-se o agente da situação de serviço:
Pena – reclusão, de doze a trinta anos.
Lesão leve
Art. 209. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena – detenção, de três meses a um ano.
Lesão grave
§ 1º Se se produz, dolosamente, perigo de vida, debilidade permanente de membro, sentido ou fun-
ção, ou incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias:
Pena – reclusão, até cinco anos.
§ 2º Se se produz, dolosamente, enfermidade incurável, perda ou inutilização de membro, sentido 
ou função, incapacidade permanente para o trabalho, ou deformidade duradoura:
Pena – reclusão, de dois a oito anos.
Lesões qualificadas pelo resultado
§  3º Se os resultados previstos nos §§ 1º e 2º forem causados culposamente, a  pena será de 
detenção, de um a quatro anos; se da lesão resultar morte e as circunstâncias evidenciarem que 
o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo, a pena será de reclusão, até 
oito anos.
Minoração facultativa da pena
§ 4º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor moral ou social ou sob o 
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a 
pena, de um sexto a um terço.
§ 5º No caso de lesões leves, se estas são recíprocas, não se sabendo qual dos contendores ata-
cou primeiro, ou quando ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior, o juiz pode diminuir 
a pena de um a dois terços.
Lesão levíssima
§ 6º No caso de lesões levíssimas, o juiz pode considerar a infração como disciplinar.
A doutrina especializada, no entanto, preferiu, majoritariamente, adotar a chamada teoria 
clássica, com alicerces firmados ainda no Direito Romano. Por essa teoria, crimes propria-
mente militares seriam os que só podem ser cometidos por militares, pois consistem em 
violação de deveres que lhes são próprios. Exemplificativamente, seriam crimes militares pró-
prios por essa teoria os crimes de violência contra superior (art. 157) e deserção (art. 187), 
enquanto seriam impropriamente militares o homicídio (art. 205) e a lesão corporal (art. 209). 
Note-se que o crime de violência contra militar de serviço, nessa abordagem, por poder ser 
cometido por qualquer pessoa, torna-se um crime impropriamente militar. Por outro lado, 
o crime de insubmissão (art. 183), apesar de poder apenas ser cometido por um não militar, 
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é considerado uma exceção à regra e classificado como crime propriamente militar. Adotam 
essa teoria, por exemplo, Célio Lobão (2004, p. 39) e Jorge César de Assis (2016, p. 114).
Insubmissão
Art. 183. Deixar de apresentar-se o convocado à incorporação, dentro do prazo que lhe foi marca-
do, ou, apresentando-se, ausentar-se antes do ato oficial de incorporação:
Pena – impedimento, de três meses a um ano.
Caso assimilado
§  1º Na mesma pena incorre quem, dispensado temporariamente da incorporação, deixa de se 
apresentar, decorrido o prazo de licenciamento.
Diminuição da pena
§ 2º A pena é diminuída de um terço:
a) pela ignorância ou a errada compreensão dos atos da convocação militar, quando escusáveis;
b) pela apresentação voluntária dentro do prazo de um ano, contado do último dia marcado para 
a apresentação.
Deserção
Art. 187. Ausentar-se o militar, sem licença, da unidade em que serve, ou do lugar em que deve 
permanecer, por mais de oito dias:
Pena – detenção, de seis meses a dois anos; se oficial, a pena é agravada.
Há outras classificações, de acordo com outros autores, como a teoria processual que 
surgiupara sanar a classificação do crime de insubmissão (art. 183 do CPM) que, praticado 
por um civil, a ação penal somente pode ser proposta contra o militar já incorporado. A teoria 
clássica considera este crime militar como próprio por exceção. A teoria processual, por sua 
vez, o inclui na regra, já que, por ela, crime propriamente militar é aquele cuja ação penal so-
mente pode ser proposta contra militar.
As três teorias acima são as mais difundidas, com a prevalência da teoria clássica.
Mas você, caro(a) aluno(a), encontrará outras abordagens, como a de Cláudio Amim Mi-
guel e de Ione de Souza Cruz (2005, p. 23-4) que classificam os crimes militares em propria-
mente militares, tipicamente militares e impropriamente militares, classificação essa que não 
tem sido objeto dos editais de concurso.
Com a edição da Lei n. 13.491/2017, uma questão surgiu, resumindo-se na preocupa-
ção de onde classificar os crimes militares extravagantes. Seriam eles própria ou impro-
priamente militares?
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Entendemos que esses “novos” crimes militares devem ser considerados impropriamente 
militares, para os fins que assimilam essa categoria, a exemplo do disposto na parte final do 
inciso LXI do art. 5º da CF e do inciso II do art. 64 do CP, isso com a adoção da teoria clássica, 
malgrado posição doutrinária em sentido diverso (ASSIS. Crime militar & processo: comentá-
rios à Lei n. 13.491/2017, 2018, p. 38).
Crimes militares extravagantes são os crimes comuns, não previstos no Código Penal Militar, 
que se tornam militar quando praticados em uma das hipóteses das alíneas do inciso II do 
art. 9º do CPM.
2.2. FAto típiCo penAl militAr
Como visto anteriormente, o Código Penal Militar foi trazido ao universo jurídico pelo De-
creto-lei n. 1.001, de 21 de outubro de 1969, vigendo desde 1º de janeiro de 1970, com al-
gumas alterações pontuais, porém sem passar por uma reforma de sua Parte Geral, como 
ocorreu com o Código Penal comum, por força da Lei n. 7.209, de 11 de julho de 1984.
Para a doutrina dominante, essa lei trouxe ao nosso ordenamento jurídico os postulados 
finalistas, desenvolvidos por Hans Welzel, na Alemanha, de sorte que, assim se postula, o Có-
digo Penal comum é um instrumento de influência finalista, cujas características são estuda-
das pelo Direito Penal.
O Código Penal Militar, por outro lado, em razão de não ter sido atingido pela reforma de 
1984, continuou impulsionado pelos postulados do sistema penal anterior, o causalismo, que, 
em nossa opinião, no CPM estrutura-se nos moldes de uma abordagem neoclássica.
Assim, pode-se firmar que para o Código Penal Castrense o delito é composto dos seguin-
tes elementos: fato típico, antijuridicidade e culpabilidade. Forma-se, portanto, um conceito 
analítico de crime em uma teoria tripartite.
Alguns sinais podem ser vistos no CPM, que chancelam a conclusão por uma influência 
causalista neoclássica (ou neokantista). Claro, nenhum dos Códigos Penais brasileiros (comum 
ou militar) traz expressamente um sistema adotado, mas os sinais são fortes no caso do CPM.
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Entre eles, destacam-se: o fato de a reforma da Parte Geral de 1984, no CP, não ter alcan-
çado o CPM; a posição do dolo e da culpa na culpabilidade (art. 33 do CPM); isenção de pena 
pela exclusão do dolo no erro de fato essencial (art. 36 do CPM); no mesmo artigo, o dolus 
malus (com a consciência atual da ilicitude) se revela pela isenção de pena na descriminante 
putativa; Exigibilidade de conduta diversa também é elemento da culpabilidade (arts. 38 e 39 
do CPM), marcando uma teoria psicológico-normativa da culpabilidade, diferentemente do 
causalismo clássico, que adotou uma teoria psicológica, e do finalismo, que adotou a teoria 
normativa pura.
Art. 33. Diz-se o crime:
Culpabilidade
I – doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo;
II – culposo, quando o agente, deixando de empregar a cautela, atenção, ou diligência ordinária, ou 
especial, a que estava obrigado em face das circunstâncias, não prevê o resultado que podia prever 
ou, prevendo-o, supõe levianamente que não se realizaria ou que poderia evitá-lo.
Excepcionalidade do crime culposo
Parágrafo único. Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como 
crime, senão quando o pratica dolosamente.
Erro de fato
Art. 36. É isento de pena quem, ao praticar o crime, supõe, por erro plenamente escusável, a ine-
xistência de circunstância de fato que o constitui ou a existência de situação de fato que tornaria 
a ação legítima.
Erro culposo
§ 1º Se o erro deriva de culpa, a este título responde o agente, se o fato é punível como crime culposo.
Erro provocado
§ 2º Se o erro é provocado por terceiro, responderá êste pelo crime, a título de dolo ou culpa, con-
forme o caso.
Art. 38. Não é culpado quem comete o crime:
Coação irresistível
a) sob coação irresistível ou que lhe suprima a faculdade de agir segundo a própria vontade;
Obediência hierárquica
b) em estrita obediência a ordem direta de superior hierárquico, em matéria de serviços.
§ 1º Responde pelo crime o autor da coação ou da ordem.
§ 2º Se a ordem do superior tem por objeto a prática de ato manifestamente criminoso, ou há ex-
cesso nos atos ou na forma da execução, é punível também o inferior.
Estado de necessidade, com excludente de culpabilidade
Art. 39. Não é igualmente culpado quem, para proteger direito próprio ou de pessoa a quem está li-
gado por estreitas relações de parentesco ou afeição, contra perigo certo e atual, que não provocou, 
nem podia de outro modo evitar, sacrifica direito alheio, ainda quando superior ao direito protegido, 
desde que não lhe era razoavelmente exigível conduta diversa.
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2.2.1. Fato Típico: Conduta
Iniciando o estudo pelo fato típico, é ele composto pela conduta, pelo resultado e pelo 
nexo de causalidade, aferível com maior facilidade nos crimes materiais, e pela tipicidade.
A conduta causalista no CPM não está acompanhada do elemento subjetivo, equivalendo 
dizer que a exploração da conduta para o sistema em análise prescinde da averiguação de dolo 
ou de culpa, elementos que estão alocados na culpabilidade, bastando a mera voluntariedade.
Aliás, essa é a principal diferença entre o finalismo e o causalismo (clássico ou neoclássi-
co), porquanto para o sistema finalista a conduta deve ser direcionada a um fim, ou seja, toda 
conduta para ser relevante ao Direito Penal deve apresentar a busca de um fim a ser atingido.
Frise-se, portanto, que o dolo e a culpa no sistema adotado pelo CPM estão na culpabi-
lidade, e não no fato típico, inseridos na conduta. Como prova dessa constatação, tome-se,como já ressaltado acima, o art. 33 do referido Código que, sob a rubrica da culpabilidade, 
define dolo e culpa.
Art. 33. Diz-se o crime:
Culpabilidade
I – doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo;
II – culposo, quando o agente, deixando de empregar a cautela, atenção, ou diligência ordinária, ou 
especial, a que estava obrigado em face das circunstâncias, não prevê o resultado que podia prever 
ou, prevendo-o, supõe levianamente que não se realizaria ou que poderia evitá-lo.
Excepcionalidade do crime culposo
Parágrafo único. Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como 
crime, senão quando o pratica dolosamente.
Obviamente, a conduta pode apresentar-se também no CPM sob as formas de ação ou de 
omissão, muito embora o sistema causalista neoclássico, em sua essência, tenha relegado a 
omissão a um segundo plano.
Por fim, é bom frisar, ainda que possa soar desnecessário, que, ao mencionar uma con-
duta para o Direito Penal militar, há a limitação apenas para alcançar os comportamentos 
humanos, excluindo-se, portanto, os fatos resultantes de comportamento animal ou de fatos 
da natureza, a exemplo de tempestades, terremotos etc.
Também há que se frisar que a pessoa jurídica não pode ser responsabilizada criminal-
mente no Direito Castrense, nem mesmo após a Lei n. 13.491/2017 tendo-se os crimes am-
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bientais como foco (Lei n. 9.605/1998), já que, para se tornar militar, o fato deve ser praticado 
em uma das alíneas do inciso II do art. 9º do CPM, e todas elas admitem apenas pessoas 
naturais como sujeito ativo de delito militar.
DICA
A palavra “castrense” origina-se, como ensina Ronaldo João 
Roth, pelas palavras de Reynaldo Moreira Miranda, do vocá-
bulo “castra”, castrorum do latim, que “significa acampamen-
tos (…), isto é, o incipiente e primitivo ‘direito romano-militar’ 
– o jus castrensis – se exercia, de preferência, nos acampa-
mentos, em tempo de guerra, em plena luta armada” (ROTH, 
2003, p. 91).
2.2.2. Fato Típico: Resultado
Não há diferenças no estudo do resultado para o Código Penal comum e para o CPM.
Pode-se, simplesmente, mencionar que no CPM, a exemplo do CP, há crimes que possuem 
um resultado naturalístico exigido para sua consumação, crimes esses classificados como 
“crimes materiais”. Mas há crimes que a consumação prescinde de um resultado físico, natu-
ral, classificados como crimes de “mera conduta” e crimes “formais”.
Todavia, frise-se, como no Direito Penal comum, que os crimes formais e os de mera 
conduta, embora não possuam um resultado naturalístico, possuem um resultado jurídico, 
idealizado pela norma penal militar.
Assim, conclui-se que todo crime possui resultado jurídico.
2.2.3. Fato Típico: Nexo de Causalidade
O estudo deste tema deve partir do art. 29 do CPM:
Relação de causalidade
Art. 29. O resultado de que depende a existência do crime somente é imputável a quem lhe deu 
causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
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Dessa forma, tal qual o Código Penal comum, o CPM adotou a teoria da equivalência dos 
antecedentes (conditio sine qua non), utilizando-se da eliminação hipotética para a consta-
tação do nexo causal.
Assim, todo aquele que causar o resultado de um delito, responderá pela pena a ele co-
minada e a constatação de que uma conduta foi causa para esse resultado é obtida pela 
operação de eliminação mental (hipotética) da conduta com a consequente indagação de 
ocorrência ou não do resultado verificado.
Por óbvio, essa constatação é válida nos crimes materiais, que exigem um resultado natu-
ralístico, verificando-se, também, um nexo causal físico. Há, entretanto, crimes em que o nexo 
causal não pode ser constatado fisicamente, justamente pelo fato de a conduta não produzir, 
em seu desencadeamento, o resultado, quando teremos um nexo causal normativo. É o que 
ocorre, por exemplo, nos crimes comissivos por omissão, em que a omissão, um “nada”, não 
pode gerar no mundo físico um resultado, havendo a responsabilidade penal de uma cons-
trução da norma em razão do surgimento do dever de ação do garante, conforme o § 2º do 
art. 29 do CPM, equivalendo dizer que há um nexo causal normativo.
Relação de causalidade
Art. 29. […].
§ 1º […].
§ 2º A omissão é relevante como causa quando o omitente devia e podia agir para evitar o resul-
tado. O dever de agir incumbe a quem tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; 
a quem, de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; e a quem, com seu 
comportamento anterior, criou o risco de sua superveniência.
Todo o estudo verificado no Direito Penal comum acerca das causas relativamente e ab-
solutamente independentes, sejam elas antecedentes, concomitantes ou supervenientes, 
aproveitam também ao estudo do nexo de causalidade do Direito Penal militar, posto terem os 
dois diplomas adotado a mesma teoria, inclusive com a previsão expressa de que a superve-
niência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o 
resultado, devendo os fatos anteriores serem imputados a quem os praticou, conforme dispõe 
o § 1º do art. 29 do CPM com texto correlato no § 1º do art. 13 do Código Penal comum.
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Relação de causalidade
Art. 29. […].
§ 1º A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, 
produziu o resultado. Os fatos anteriores, imputam-se, entretanto, a quem os praticou.
§ 2º […].
Compare os dispositivos do Código Penal Militar com os dispositivos correlatos do Códi-
go Penal comum:
Relação de causalidade
Art. 13. O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu 
causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
Superveniência de causa independente
§ 1º A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, 
produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.
Relevância da omissão
§ 2º A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resulta-
do. O dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.
2.2.4. Fato Típico: Tipicidade
Podemos entender a tipicidade, em sua significação no bojo do fato típico, como a pre-
visão do fato concreto pela norma penal militar abstrata. Em outras palavras, ainda que, no 
plano real, haja uma conduta humanaque cause um resultado, tal fato somente ganhará o 
predicado de típico se houver a sua previsão em uma norma penal militar incriminadora.
Até 16 de outubro de 2017, entendia-se como norma penal incriminadora apenas os delitos 
capitulados na Parte Especial do Código Penal Militar. Com o advento da Lei n. 13.491/2017, 
os crimes capitulados na Parte Especial do Código Penal comum e na legislação penal ex-
travagante passaram a poder subsumir condutas no âmbito do Direito castrense, desde que 
praticadas nas hipóteses do inciso II do art. 9º do CPM, inaugurando, como já vimos, a possi-
bilidade de crimes militares extravagantes.
Assim, no estudo da tipicidade do fato típico do Direito Penal Militar, uma realidade pe-
culiar deve ser enumerada, justamente a necessidade de complementação dos tipos penais 
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da Parte Especial do CPM e na legislação penal comum por circunstância previstas na Parte 
Geral, naquilo que chamamos de tipicidade indireta.
Em outras palavras, esses crimes militares somente terão sua tipicidade caracterizada 
com o preenchimento pelo fato concreto de outros elementos típicos, previstos na Parte Geral 
do CPM, especificamente no art. 9º, surgindo, pois, a necessidade de estudo das hipóteses 
trazidas pelo referido dispositivo.
Vamos complicar?
Vem a seção “ME AJUDA AÍ, PÔ!”.
ME AJUDA AÍ, PÔ!
Um grupo de militares constituem um grupo criminoso em um quartel, com a distribuição de 
funções, hierarquização nas deliberações, enfim, perfazendo todos os elementos do art. 1º da 
Lei n. 12.850/2013 (Organização Criminosa).
Esse grupo está especializado na prática de crimes contra a administração militar, em espe-
cial o peculato (art. 303 do CPM), pelos quais já respondem.
Além dos delitos contra a administração militar, poderão responder pelo crime de organização 
criminosa do art. 2º da Lei acima mencionada, isso como crime militar?
Veja a resposta no fim da aula!
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2.2.4.1. Tipicidade Indireta e as Hipóteses do Artigo 9º do CPM
O art. 9º do CPM é de fundamental importância para distinguir o crime comum do crime 
militar, particularmente nos casos em que uma conduta esteja tipificada de maneira idêntica 
no CPM e na legislação penal comum ou apenas nesta.
Inicialmente, deve-se guardar que o art. 9º do CPM complementa a tipicidade dos crimes 
militares em tempo de paz, enquanto o art. 10 do mesmo Código tece comentários aos crimes 
militares em tempo de guerra.
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O dispositivo em comento (art. 9º) possui três incisos, sendo importante ter como dado 
preliminar que o inciso III será aplicado apenas quando o crime for praticado por militares 
inativos, entenda-se militares da reserva ou reformados, ou por civis, o que leva à conclusão 
de que, quando um fato for praticado por militar em situação de atividade, haverá a aplicação 
dos incisos I ou II. Há, entretanto, corrente que sustenta ser possível que o inciso I seja apli-
cado a civis e inativos, que será vista adiante.
Vejamos, novamente (e temos que repetir à exaustão), a íntegra do art. 9º para fixarmos 
este importante artigo.
Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:
I – os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo diverso na lei penal co-
mum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial;
II – os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal, quando pratica-
dos: (Redação dada pela Lei n. 13.491, de 2017)
a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma situação 
ou assemelhado;
b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito à administração 
militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;
c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de natureza mili-
tar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à administração militar contra militar da 
reserva, ou reformado, ou civil; (Redação dada pela Lei n. 9.299, de 8.8.1996)
d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra militar da reserva, ou 
reformado, ou assemelhado, ou civil;
e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o patrimônio sob a admi-
nistração militar, ou a ordem administrativa militar;
f) revogada. (Redação dada pela Lei n. 9.299, de 8.8.1996)
III – os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil, contra as ins-
tituições militares, considerando-se como tais não só os compreendidos no inciso I, como os 
do inciso II, nos seguintes casos:
a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem administrativa militar;
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b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de atividade ou as-
semelhado, ou contra funcionário de Ministério militar ou da Justiça Militar, no exercício de 
função inerente ao seu cargo;
c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão, vigilância, observação, 
exploração, exercício, acampamento, acantonamento ou manobras;
d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar em função de na-
tureza militar, ou no desempenho de serviço de vigilância, garantia e preservação da ordem 
pública, administrativa ou judiciária, quando legalmente requisitado para aquele fim, ou em 
obediência a determinação legal superior.
§ 1º Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por 
militares contra civil, serão da competência do Tribunal do Júri. (Redação dada pela Lei n. 
13.491, de 2017)
§ 2º Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por mi-
litares das Forças Armadas contra civil, serão da competência da Justiça Militar da União, se 
praticados no contexto: (Incluído pela Lei n. 13.491, de 2017)
I – do cumprimento de atribuições que lhes forem estabelecidas pelo Presidente da Repú-
blica ou pelo Ministro de Estado da Defesa; (Incluído pela Lei n. 13.491, de 2017)
II – de ação que envolva a segurança de instituição militar ou de missão militar, mesmo 
que não beligerante; ou (Incluído pela Lei n. 13.491, de 2017)
III – de atividade de natureza militar, de operação de paz, de garantia da lei e da ordem ou 
de atribuição subsidiária, realizadas em conformidade com o disposto no art. 142 da Consti-
tuição Federal e na forma dos seguintes diplomas legais: (Incluído pela Lei n. 13.491,de 2017)
a) Lei n. 7.565, de 19 de dezembro de 1986 – Código Brasileiro de Aeronáutica; (Incluída 
pela Lei n. 13.491, de 2017)
b) Lei Complementar n. 97, de 9 de junho de 1999; (Incluída pela Lei n. 13.491, de 2017)
c) Decreto-Lei n. 1.002, de 21 de outubro de 1969 – Código de Processo Penal Militar; e 
(Incluída pela Lei n. 13.491, de 2017)
d) Lei n. 4.737, de 15 de julho de 1965 – Código Eleitoral. (Incluída pela Lei n. 13.491, 
de 2017)
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7565.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp97.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del1002.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4737.htm
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Para a exata compreensão dessa sistemática, deve-se relembrar que militar da ativa é 
aquele que ainda não está “aposentado”, enquanto o militar inativo é aquele que, por alguma 
razão, não presta mais serviço à sua instituição militar, podendo ser classificado em duas 
categorias, a reserva e a reforma.
Não se deve confundir militar da ativa com militar em serviço. O militar em serviço é aque-
le que, na ativa, está desempenhando a função que possui na instituição, contrapondo-se a 
ele o militar de folga ou fora de serviço.
Podemos definir uma técnica para a verificação da tipicidade do crime militar, já com a 
devida complementação pela Parte Geral.
Nessa operação, em primeiro lugar, deve-se verificar se o fato em análise possui tipifica-
ção na Parte Especial do CPM ou na legislação penal comum. Nesse primeiro passo, claro, 
apenas será crime aquela conduta que esteja prevista na legislação penal como um todo.
Na sequência, deve-se, ainda, verificar se as hipóteses do art. 9º estão presentes a com-
plementar a tipicidade da Parte Especial do CPM ou de um tipo penal da legislação penal co-
mum e, para essa operação, é preciso focar a análise no sujeito ativo, verificando se ele é mi-
litar da ativa, inativo ou civil, com o fito de delimitar qual dos incisos do art. 9º será utilizado.
Dessa forma, é imprescindível que você, caro(a) aluno(a), conheça bem as hipóteses tra-
zidas pelo art. 9º.
Vamos a elas!
Inciso I do Artigo 9º do CPM
O inciso I do art. 9º é de relativa simplicidade, dispondo que são crimes militares em tem-
po de paz os crimes de que trata o Código Penal Militar, quando definidos de modo diverso na 
lei penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial.
Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:
I – os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo diverso na lei penal comum, ou 
nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial;
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Assim, em face de um fato tipificado exclusivamente pelo CPM, ou tipificado no CPM de 
modo diverso da legislação penal comum, você, para encontrar o crime militar, deverá fixar 
sua análise nos termos trazidos por este inciso.
De início, friso o entendimento segundo o qual o inciso I aplica-se apenas às condutas 
praticadas por militares da ativa. E faço isso com uma lógica bem simples, calcada na litera-
lidade do inciso III. Ora, se o inciso III enumera quem são os sujeitos ativos aos quais é des-
tinado (militar da reserva, militar reformado e civil), por exclusão, os incisos que o antecedem 
são destinados ao militar da ativa e ao assemelhado, este figura inexistente, como já visto.
Em adição, no inciso III, há expressamente o trecho “considerando-se como tais não só os 
compreendidos no inciso I, como os do inciso II”, o que comanda o entendimento segundo o 
qual quaisquer dos crimes praticados pelos inativos ou pelo civil, deve passar pelo inciso III, 
não importando se se trate de um crime apenas existente no CPM, ou nele previsto de maneira 
diversa, conforme dispõe o inciso I, ou se o crime esteja no CPM e na legislação penal comum, 
ou apenas nesta, como impõe o inciso II.
Por esses argumentos, sustento uma teoria monista de subsunção de condutas de ina-
tivos e civis como crime militar, ou seja, apenas uma forma de isso ocorrer: pelo inciso III do 
art. 9º do CPM.
Bem lógico, não é?
Entretanto, a expressão “qualquer que seja o agente” grafado no inciso I tem levado alguns 
autores e operadores a sustentarem que também os inativos (militar da reserva e reformado) 
e civis podem ser enquadrados no inciso I, além, claro no inciso III, por expressa previsão, 
razão pela qual denomino essa vertente como dualista.
Esta segunda teoria, da qual não sou adepto, ganhou fôlego com a edição da Lei n. 
13.774/2018, que alterou a Lei n. 8.457/1992, que organiza a Justiça Militar da União. Inau-
gurando a possibilidade de julgamento monocrático na Justiça Militar da União em tempo de 
paz, a redação do atual art. 30 dispõe:
Art. 30. Compete ao juiz federal da Justiça Militar, monocraticamente: (Redação dada pela Lei n. 
13.774, de 2018)
I – decidir sobre recebimento de denúncia, pedido de arquivamento, de devolução de inquérito e 
representação;
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I – A – presidir os Conselhos de Justiça; (Incluído pela Lei n. 13.774, de 2018)
I – B – processar e julgar civis nos casos previstos nos incisos I e III do art. 9º do Decreto-Lei n. 
1.001, de 21 de outubro de 1969 (Código Penal Militar), e militares, quando estes forem acusados 
juntamente com aqueles no mesmo processo; (Incluído pela Lei n. 13.774, de 2018)
Note-se que no inciso I-B, ao delinear a competência monocrática do juiz federal da Jus-
tiça Militar (antigo Juiz-Auditor), a  lei menciona expressamente o civil tendo sua conduta 
subsumida como crime militar tanto no inciso I como no inciso III do art. 9º do CPM.
Não demorou para que os adeptos dessa teoria dualista (duas formas de o civil e o inativo 
terem sua conduta subsumida como crime militar, pelos incisos I e III do art. 9º do CPM), ga-
nharem o combustível que desejavam.
Mas qual seria a diferença em adotar uma teoria monista ou dualista neste caso?
Bem simples!
Em se adotando uma teoria monista, em que sempre deve haver subsunção dos crimes 
praticados por inativos e civis no inciso III, alguns crimes seriam impraticáveis, já que, primei-
ro, como se verá, o crime militar pelo inciso III deve ser contra a instituição militar, e, segundo, 
deve, além disso, encontrar subsunção em uma das alíneas desse inciso. Por outro lado, com 
a teoria dualista, subsumindo diretamente a conduta desses autores no inciso I, essas “amar-
ras” não existiriam, podendo qualquer crime que esteja apenas no CPM ou nele capitulado de 
forma diversa, ser perpetrado por civil ou inativo sem nenhuma cerimônia.
Vamos a um exemplo, para ficar mais claro.
No crime de falso testemunho no CPM, exige-se que o fato ocorraem inquérito policial 
militar, processo judicial militar etc., enfim, que haja uma afronta à promoção de Justiça Mili-
tar em sentido lato. Vejamos o artigo:
Falso testemunho ou falsa perícia
Art. 346. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade, como testemunha, perito, tradutor ou 
intérprete, em inquérito policial, processo administrativo ou judicial, militar:
Pena – reclusão, de dois a seis anos.
Por essa especificidade, o crime é distinto do crime previsto no art. 342 do Código Penal 
comum, o que permite o enquadramento do art. 346 do CPM como crime definido de modo 
diverso na lei penal comum, portanto, crime do inciso I do art. 9º do CPM.
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Pois bem, imagine um civil que cometa falso testemunho perante o juízo militar de uma 
auditoria da JMU. Ao cometer o delito ele afrontará a Justiça Militar (Poder Judiciário), e não 
a instituição militar (Poder Executivo), assim como não haverá nenhuma alínea do inciso III do 
art. 9º do CPM que subsuma a conduta que não foi, ressalte-se, contra a ordem administrati-
va militar, inserta no Poder Executivo.
Nestas circunstâncias, para a teoria monista, não haveria crime militar, por não encontrar 
subsunção no inciso III; para a teoria dualista, como é possível a prática de crime militar por 
civil tanto no inciso III como no inciso I (“qualquer que seja o agente”), haveria crime militar 
de falso testemunho.
Bom, penso equivocada essa construção, por algumas razões.
Primeira, a alteração foi na Lei de Organização da Justiça Militar da União (LOJMU), e não 
no Código Penal Militar, o que significa dizer que a compreensão dada se refere a outro ramo 
do Direito, que não o Direito Penal Militar.
Segunda, justamente por ser na LOJMU, a alteração, frise-se, não alcançou as Justiças 
Militares dos Estados, de maneira que aceitar a teoria dualista seria admitir dois conceitos de 
crime militar para o inativo e para o civil, mas não por previsão múltipla da lei, em que duas 
formas seria grafadas no texto legal, mas sim de acordo com o âmbito de aplicação do Código 
Penal Militar, ou seja, no âmbito federal o civil poderia cometer crime militar diretamente no 
inciso I, enquanto no âmbito da Justiça Militar Estadual não.
Terceira e mais importante, aceitar a teoria dualista pela alteração da LOJMU seria fra-
cionar a compreensão para civis e inativos o que o CPM não faz. Note-se que a alteração da 
LOJMU foi apenas em relação ao julgamento de civis, ao mencionar expressamente o inciso I 
do art. 9º do CPM no inciso I-B do art. 30 da LOJMU. Dessa maneira, utilizando esta alteração 
como fundamento, o civil, previsto expressamente no inciso I-B do art. 30, poderia praticar 
crime diretamente no inciso I, mas o militar da reserva ou reformado, não mencionados no 
inciso I-B do art. 30, não. Perde-se, por completo, a lógica de sustentação da teoria dualista.
Bom, elegemos por premissa, portanto, que o inciso I do art. 9º do CPM é aplicável apenas 
a militares da ativa.
Voltemos, portanto, ao estudo do inciso I.
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Cumpre notar que, diferentemente do próximo inciso, o dispositivo em comento não apre-
senta alíneas com circunstâncias complementadoras da tipicidade, o que leva à conclusão de 
que basta a análise dos elementos típicos da Parte Especial do CPM, grafados no tipo penal 
específico, para a configuração de crime militar por esta via.
A título de exemplo, imaginemos que estamos analisando um caso em que um soldado 
da ativa da Polícia Militar agride a um Capitão da mesma Instituição, conhecendo a condição 
de superior da vítima da agressão. Primeiramente, devemos buscar um tipo penal, na Parte 
Especial do CPM ou na legislação penal comum, que subsuma o fato, quando encontraremos 
o tipo penal do art. 157 do CPM, que criminaliza a violência contra superior. Nesse tipo penal 
temos como elementos típicos a figura de um inferior (hierárquico ou funcional) como sujeito 
ativo que pratica a conduta nuclear de praticar agressão a um superior (também hierárquico 
ou funcional), independentemente de causar-lhe lesões corporais. Ao analisar o fato, perce-
beremos que apresenta ele todos os elementos exigidos pelo tipo penal, quando partiremos 
para a segunda operação, qual seja, a  análise do ar. 9º em complementação. Ocorre que, 
adotando nossa premissa, para verificar o art. 9º, precisamos, primeiro, focar a análise no 
sujeito ativo, para verificar se trabalharemos no inciso III, se militar inativo ou civil, ou nos 
incisos I e II, se militar da ativa. Como grafamos em nosso exemplo, o fato foi praticado por 
militar da ativa, razão pela qual descartamos o inciso III. Como o crime de violência contra 
superior está tipificado apenas no CPM, devemos eleger o inciso I do art. 9º como reitor da 
complementação da tipicidade. Ocorre que, como acima dito, o inciso I do art. 9º não possui 
alíneas complementadoras, concluindo-se que, uma vez encontrados os elementos trazidos 
pelo tipo penal, da Parte Especial, teremos um crime militar nas mãos. Em resumo, o exemplo 
configurará crime militar de violência contra superior.
Essa mesma análise deve ser feita em todos os crimes que, praticados por militares da 
ativa, estejam capitulados apenas no CPM ou nele tipificados de maneira diversa da legisla-
ção penal comum, a exemplo da deserção (art. 187 do CPM), do abandono de posto (art. 195 
do CPM) e do tráfico ou porte de substância entorpecente (art. 290 do CPM). Note-se que no 
caso do último delito exemplificado, apesar de haver legislação penal comum que tipifique a 
conduta, o CPM dispõe de forma diversa, porquanto na Lei n. 11.343/2006 os delitos de porte 
para consumo próprio e de tráfico são constantes de tipos penais diversos (art. 28 e art. 33 da 
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referida Lei), enquanto no CPM constam de um mesmo tipo penal, o art. 290, além de colocar 
como elemento típico a exigência de que o fato ocorra em lugar sujeito à administração militar.
Mas como ficaria a expressão “qualquer que seja o agente”, prevista no final do inciso 
em análise?
Ela deve ser analisada com a outra expressão do inciso “salvo disposição especial”. Jun-
tas, transmitem a mensagem de que a sujeição ativa de tais crimes é aberta pelo inciso I, 
e será delimitada apenas pela previsão especial, ou seja, pela previsão específica do tipo pe-
nal na Parte Especial. Caso o tipo em espécie restrinja a sujeição ativa, muito bem, está res-
trita; caso não o faça, a sujeição ativa será aberta, mas estará limitada, obviamente, no caso 
de inativo ou de civil, aos parâmetros do inciso III do art. 9º do CPM.
Inciso II do art. 9º do CPM
A aplicação do inciso II já demanda uma análise mais acurada,porquanto apresenta ele 
algumas alíneas complementadoras da tipicidade.
Também deve-se partir do princípio de que o inciso II é aplicável apenas a condutas pra-
ticadas por militares da ativa, isso em contraposição ao disposto no inciso III, restrito a mili-
tares inativos e civis.
O inciso em análise dispunha que eram crimes militares em tempo de paz os crimes pre-
vistos no CPM, embora também o fossem com igual definição na lei penal comum, quando 
praticados em algumas circunstâncias definidas em suas alíneas. Agora, como vimos acima, 
após a Lei n. 13.491/2017, o inciso passou a dispor que são crimes militares em tempo de 
paz aqueles previstos no CPM e os previstos na legislação penal, desde que praticados nas 
mesmas circunstâncias trazidas pelas alíneas, que não foram alteradas pela mencionada lei.
Veja, novamente, o quadro comparativo:
QUADRO COMPARATIVO DA REDAÇÃO DO INCISO II DO ART. 9º DO CPM
(antes e depois da Lei n. 13.491/2017)
REDAÇÃO ANTERIOR REDAÇÃO ATUAL
II – os crimes previstos neste Código, embora 
também o sejam com igual definição na lei 
penal comum, quando praticados:
II – os crimes previstos neste Código e os 
previstos na legislação penal, quando prati-
cados: 
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Essas alíneas, por sua vez, elegem critérios para a definição do crime militar, critérios em 
razão da pessoa (ratione personae), em razão do lugar onde o crime é cometido (ratione loci), 
em razão da matéria versada pela conduta praticada (ratione materiae) e em razão do período 
em que o crime é praticado (ratione temporis). Como se percebe, vários são os critérios elei-
tos pela lei penal militar para a configuração do crime militar, o que levou a doutrina a afirmar 
que o critério definidor do crime militar é o ratione legis.
Recorramos, mais uma vez, ao exemplo para tornar clara a aplicação do inciso II. Imagi-
nemos que estamos analisando um caso em que um soldado da ativa do Exército Brasileiro 
agrida a um outro soldado da ativa, em função de uma contenda que se iniciara no quartel, 
mas estando ambos de folga, no interior de um clube recreativo, restando lesões corporais 
no agredido. Primeiramente, devemos buscar um tipo penal, na Parte Especial do CPM ou na 
legislação penal comum, que subsuma o fato, quando encontraremos o tipo penal do art. 209 
do CPM, que criminaliza a lesão corporal. Nesse tipo penal, temos como elementos típicos 
a figura de alguém como sujeito ativo que pratica a conduta nuclear de ofender a integrida-
de física a uma outra pessoa. Ao analisar o fato, perceberemos que apresenta ele todos os 
elementos exigidos pelo tipo penal, no entanto, por existir um tipo penal idêntico no Código 
Penal comum (art. 129), ficaremos em dúvida se a conduta será enquadrada no CPM (crime 
militar) ou no CP (crime comum), razão pela qual partiremos para a segunda operação, qual 
seja, a análise do art. 9º em complementação à tipicidade do crime militar. Ocorre que, para 
verificar o art. 9º, precisamos, primeiro, focar a análise no sujeito ativo, para verificar se traba-
lharemos no inciso III, se militar inativo ou civil, ou nos incisos I e II, se militar da ativa. Como 
o fato em análise foi praticado por militar da ativa, descartamos o inciso III. Como o crime de 
lesão corporal está tipificado no CPM e na legislação penal comum de forma idêntica, deve-
mos eleger o inciso II do art. 9º como reitor da complementação da tipicidade. Ocorre que o 
inciso II do art. 9º possui alíneas complementadoras com diversas circunstâncias, de modo 
que o fato analisado só será crime militar se uma dessas alíneas abarcá-lo. Diferentemente 
do exemplo trazido para o inciso I, aqui a tipicidade será indireta, formada pela presença dos 
elementos dispostos no tipo penal (Parte Especial do CPM, no caso) e em uma das alíneas 
do inciso II do art. 9º (Parte Geral). Ao final da operação, concluiremos por crime militar em 
função do que dispõe a alínea “a” do inciso II do art. 9º do CPM.
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Deve-se, pois, conhecer as alíneas do inciso II do art. 9º do CPM.
• Alínea “a” do inciso II do art. 9º do CPM
Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:
I – […];
II – os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal, quando praticados: (Reda-
ção dada pela Lei n. 13.491, de 2017)
a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma situação ou as-
semelhado;
A alínea “a” do inciso II, como se viu, dispõe que são crimes militares os praticados por 
militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma situação ou asse-
melhado. Há a eleição do critério ratione personae, onde o crime praticado caracterizar-se-á 
como militar em função das pessoas envolvidas (sujeito ativo e passivo).
Em primeiro lugar, retome-se por premissa que a figura do assemelhado prevista no art. 21 
do CPM, não mais existe no universo jurídico, razão pela qual podemos simplesmente reduzir 
a alínea “a” ao crime praticado por militar da ativa contra militar em mesma situação.
Resgate-se, em adição e ainda por premissa, que o militar inativo empregado na Admi-
nistração Militar, por força do art. 12 do CPM, equipara-se a militar da ativa, podendo ser 
enquadrado na hipótese trazida pela alínea “a”. Podem estar nesta situação, por exemplo, 
aqueles militares já na inatividade que prestam tarefa por tempo certo nas Forças Armadas, 
conhecidos pela sigla PTTC.
Por fim, como elemento inaugural, não se deve confundir militar da ativa com militar de 
serviço, sendo certo que na presente alínea basta a situação de atividade, não se exigindo 
que o sujeito ativo e/ou passivo esteja em serviço. Em outras palavras, a alínea “a” é autos-
suficiente para a configuração do crime militar, bastando que haja a presença de militar da 
ativa contra militar da ativa, sem que haja necessidade de averiguação se um deles estava de 
serviço ou se o fato foi praticado dentro do quartel etc.
Bom, ao menos esta é a visão do Superior Tribunal Militar:
Para sua preparação específica para os concursos no âmbito federal, na Justiça Militar, no 
MPM e nas carreiras militares, guarde a posição do Superior Tribunal Militar, segundo a qual, 
para a configuração de crime militar pela alínea “a” do inciso II do art. 9º do CPM, basta que am-
bos, sujeito ativo e passivo, sejam militares da ativa, não se exigindo que estejam em serviço:
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EMENTA: RECURSO EM SENTIDO ESTRITO (RSE). COMPETÊNCIA. ACIDENTE DE TRÂN-
SITO. MILITAR EMBRIAGADO. LESÃO CORPORAL CULPOSA. VÍTIMAS. MILITARES DO 
EXÉRCITO. RECURSO DESPROVIDO. I – Com a publicação da Lei 13.491/2017, há con-
senso doutrinário de que, além dos crimes previstosno Código Penal Militar (CPM), 
outros delitos descritos na legislação penal comum devem ser considerados militares, 
como é o caso da lesão corporal culposa na direção de veículo automotor e demais 
infrações criminais do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), quando praticado em uma 
das hipóteses do inciso II do art. 9º do CPM. II – De acordo com doutrinadores brasilei-
ros, o legislador entendeu que todo fato típico que envolva militares da ativa, estejam 
eles no exercício do ofício ou em momento de folga, atinge os bens jurídicos protegidos 
pela norma penal castrense. Ademais, não caberia ao intérprete restringir os efeitos da 
lei apenas aos atos praticados em atividade de serviço. III – Neste cenário, revela-se 
correta e irretocável a Decisão recorrida. As características do caso concreto indicam 
que, ainda que não houvesse intenção de lesionar os companheiros de farda, houve des-
respeito aos princípios basilares das Forças Armadas e ao que se espera da conduta de 
um superior em relação a seus subordinados. IV – Embora seja a hipótese dos autos um 
pedido de arquivamento indireto pelo membro do Ministério Público Militar, esta Corte já 
enfrentou questão semelhante e consignou que os autos devem ser remetidos ao Juízo 
de origem, para que o Promotor de Justiça se manifeste como entender conveniente, ou 
seja, pelo oferecimento da Denúncia ou pelo arquivamento das peças de informação. 
Somente após a efetiva manifestação do representante do Parquet pelo arquivamento 
do IPM, teria o Juízo de origem a função de aplicar as normas inseridas nos arts. 397 do 
CPPM e 28 do CPP. V – Recurso conhecido e desprovido. Decisão unânime (STM – RSE: 
70005866120197000000, Relator: PÉRICLES AURÉLIO LIMA DE QUEIROZ, Data de Julga-
mento: 17/09/2019, Data de Publicação: 24/10/2019).
Não se pode desconsiderar, no entanto, uma certa visão em sentido oposto, mais restritiva 
ao crime militar, encontrada no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal.
No STJ, por exemplo, já se confundiu, militar da ativa com militar em serviço:
PROCESSO PENAL. HOMICÍDIO CULPOSO. POLICIAL MILITAR. VEÍCULO PARTICULAR. 
ACIDENTE DE TRÂNSITO FORA DO PERÍODO DE CASERNA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA 
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COMUM. 1. Cabe à Justiça Comum Estadual julgar homicídio decorrente de acidente 
automobilístico em que o acusado e a vítima, embora agentes militares, não se encon-
travam em exercício militar. 2. Ademais, diante de atividade de natureza individual e par-
ticular não se há por correto cogitar-se de atividade militar ratione materiae. (Preceden-
tes). 3. Conflito conhecido para declarar competente o Juízo de Direto do Foro Distrital 
de Ipuã, da Comarca de São Joaquim da Barra, SP (STJ – CC: 26986 SP 1999/0070357-0, 
Relator: Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Data de Julgamento: 14/03/2007, 
S3 – TERCEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJ 26/03/2007 p. 192RSTJ vol. 209 p. 369).
Com a devida vênia, equivocou-se em tomar por sinônimos os termos atividade e serviço, 
pois as alíneas do inciso II do art. 9º distinguem essas situações.
Na mesma linha restritiva:
[…].1. Desavença entre condôminos que ostentam a condição de militar da ativa e resi-
dem no mesmo prédio e que culminou em agressões físicas recíprocas, nas depen-
dências do edifício. […]. 3. Se o ilícito investigado não foi cometido em detrimento de 
interesses ou bens de instituições militares, tampouco é expressamente tipificado no 
Código Penal Militar, relacionando-se, nitidamente, a desentendimento de natureza pri-
vada, a mera circunstância de ambos os envolvidos na desavença ostentarem patentes 
militares, por si só, não se revela suficiente para atrair a competência da Justiça Militar 
especializada, tanto mais quando não há infração penal em que a condição de militar se 
afigure essencial ao tipo da lesão corporal (ou mesmo da contravenção de vias de fato). 
Precedentes. […]. (STJ, CC n. 149.487-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Dje 
13FEV17).
Mas o STJ é pródigo em contrariar e retomar a visão restritiva. Veja-se:
CRIMES MILITARES (ARTIGO 205, §  2º, INCISOS IV E V, COMBINADO COM O ARTIGO 
30, INCISO II, ARTIGO 177, § 1º, E ARTIGO 242, TODOS DO CÓDIGO PENAL MILITAR). 
ALEGADA INAPLICABILIDADE DO CÓDIGO PENAL MILITAR AOS POLICIAIS MILITARES. 
DIPLOMA LEGAL CUJA INCIDÊNCIA ESTARIA RESTRITA AOS MILITARES DAS FORÇAS 
ARMADAS. POSSIBILIDADE DE SUBMISSÃO DOS POLICIAIS MILITARES ÀS NORMAS 
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PENAIS CASTRENSES. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 125, § 4º, DA CONSTITUIÇÃO FEDE-
RAL. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO CARACTERIZADO. 1. A competência de Justiça 
Castrense está delineada no artigo 125, §  4º, da Constituição Federal, que preceitua 
competir “à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares dos Estados, nos 
crimes militares definidos em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, 
ressalvada a competência do júri quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal com-
petente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das 
praças”, redação que lhe foi dada com o advento da Emenda Constitucional 45/2004. 
2. Os policiais militares estão abrangidos no conceito de militares dos Estados, sendo 
totalmente descabida e improcedente a interpretação que o recorrente pretende conferir 
ao citado dispositivo constitucional, restringindo a sua aplicação apenas aos militares 
federais, que estão sob o comando das Forças Armadas. Doutrina. Precedentes. TENTA-
TIVA DE HOMICÍDIO, RESISTÊNCIA QUALIFICADA E ROUBO. CRIMES MILITARES IMPRÓ-
PRIOS. INFRAÇÕES PRATICADAS POR MILITAR DA ATIVA CONTRA OUTRO NA MESMA 
SITUAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE MILITAR EM ATIVIDADE E MILITAR EM SERVIÇO. INCI-
DÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO II, ALÍNEA A, DO CÓDIGO PENAL MILITAR. COMPETÊNCIA 
DA JUSTIÇA CASTRENSE. 1. Os crimes de tentativa de homicídio qualificado, resistência 
qualificada e roubo caracterizam-se como impropriamente militares, já que constituem 
infrações penais que podem ser praticadas por qualquer pessoa, seja ela civil ou militar, 
estando previstas no Código Penal Militar porque lesionam bens ou interesses milita-
res, motivo pelo qual se deve verificar a presença de alguma das situações elencadas 
nas alíneas do inciso II do artigo 9º do citado diploma legal. 2. No caso em exame, tanto 
o recorrente quanto a suposta vítima dos ilícitos são militares da ativa, enquadrando-
-se a hipótese na alínea a do inciso II do artigo 9º do Código Penal Militar. 3. Os mili-
tares da ativa não se confundem com os militares em serviço, uma vez que aqueles se 
caracterizam como sendo os que estão em atividade, ou seja, que não estão na reserva, 
sendo desinfluente, por conseguinte, a circunstância de o paciente estar de folga quando 
dos acontecimentos narrados na denúncia. Doutrina. Precedentes do STJ e do STF. 4. 
Recurso improvido (STJ – RHC: 41251 GO 2013/0328398-0, Relator: Ministro JORGE 
MUSSI, Data de Julgamento: 22/10/2013, T5 – QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJe 
29/10/2013).
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Vide, ainda, o seguinte julgado:
PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. CRIME MILITAR. 
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Não há 
incompetência da Justiça Militar, uma vez que tanto o recorrente quanto as vítimas eram 
policiais militares da ativa, embora o acusado estivesse de folga durante a prática deli-
tiva. 2. Agravo regimental não provido (STJ, AgRg no RHC n. 91.473-RJ, Rel. Min. Rogério 
Schietti Cruz, J. 15MAR18).
No Supremo Tribunal Federal, por fim, há preponderância da visão restritiva à alínea “a” do 
inciso II do art. 9º:
EMENTA HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. LESÃO CORPORAL. ARTIGO 209 DO 
CÓDIGO PENAL MILITAR. CRIME MILITAR NÃO CONFIGURADO. COMPETÊNCIA DA JUS-
TIÇA ESTADUAL COMUM. ORDEM CONCEDIDA. 1. O Supremo Tribunal Federal já assen-
tou que o cometimento de delito por agente militar contra vítima militar somente desa-
fia a competência da Justiça Castrense nos casos em que houver vínculo direto com o 
desempenho da atividade militar. Nesse diapasão, “embora o paciente e a vítima fossem 
militares à época, o crime não foi praticado em lugar sujeito à administração militar nem 
durante o horário de expediente, sendo certo que não há quaisquer elementos nos autos 
que denotem sua intenção de contrapor-se à instituição militar ou a qualquer de suas 
específicas finalidades ou operações” (HC 115.590/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJe 
11.9.2013). 2. Diante da hipótese fática delineada nos autos, em que pacientes e vítima, 
militares, no momento do crime, estavam de folga, fora de local sujeito à administração 
militar e do exercício de suas atribuições legais, e não se conheciam antes do fato, evi-
denciada a incompetência da Justiça Castrense. 3. Ordem de habeas corpus concedida, 
para reconhecer a competência da Justiça Comum para processamento e julgamento 
do feito (STF, HC n. 135.675-MG, Rel. Min. Rosa Weber, J. 04OUT16).
[…]. Sendo assim, pelas razões expostas, tendo em vista diretriz jurisprudencial preva-
lecente nesta Corte Suprema e acolhendo, ainda, o parecer da douta Procuradoria-Geral 
da República, defiro o pedido de habeas corpus, para – mantida a validade jurídico-pro-
cessual dos atos praticados perante a Justiça comum do Estado do Rio Grande do Sul 
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(1ª Vara Criminal da comarca de Santa Maria/RS), inclusive a decisão de pronúncia e a 
interposição, pelo ora paciente, do concernente recurso em sentido estrito (Processo-
-crime n. 2.16.0000191-0) – anular o procedimento penal instaurado contra referido 
paciente perante a Justiça Militar da União (Processo n. 0000027-14.2016.7.03.0303 
– 3ª Auditoria da 3ª Circunscrição Judiciária Militar), cuja incompetência absoluta 
para o processo e julgamento dos fatos objeto do presente “writ” é ora reconhecida 
nesta impetração (STF, HC n. 155.245-RS, Rel. Min. Celso de Mello, Decsão Monocrá-
tca de 09ABR19).
Como se comportar nesta insegurança?
É preciso seguir a linha da comissão de Concurso e do concurso em si. Dessa forma, 
ao prestar o concurso para a Justiça Militar, para o Ministério Público Militar, recomenda-se 
a visão mais ampla da alínea “a” do inciso II do art. 9º do CPM, embora esta visão tenha sido 
negada no 11º Concurso para o MPM, de 2013, em função de uma particular visão do exami-
nador. Caso se preste concurso para a Defensoria Pública da União, por outro lado, cai muito 
bem a visão restritiva da alínea.
Continuando na análise da alínea, a eleição do critério ratione personae afasta todos os 
outros, podendo-se dizer que o crime cometido entre militares da ativa será crime militar ain-
da que não haja pertinência do fato com matéria militar, ainda que cometido fora de local sob 
administração militar e ainda que cometido em período em que não se tenha uma operação, 
manobra ou exercício militar.
Uma outra questão pode causar polêmica na análise da alínea “a”, a saber, a prática de cri-
me militar por militar agregado. Agregação é uma condição funcional provocada por algumas 
situações específicas, previstas em lei, como aquela em que o militar, com mais de 10 anos 
de serviço, candidata-se a cargo eletivo. Há duas definições para o militar agregado: para os 
militares das Forças Armadas e para a maioria dos Estados da Federação no que concerne 
aos integrantes das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares, militar agregado 
é conceituado como militar da ativa que não ocupa vaga na escala hierárquica de seu quadro, 
como dispõe o art. 80 do Estatuto dos Militares (Lei n. 6.880/1980); no estado de São Paulo, 
no entanto, por lei específica (art. 4º do Decreto-Lei n. 260/1970), o militar nessa condição é 
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considerado como inativo temporariamente. Entendemos, respeitadas as opiniões em con-
trário que, como o CPM foi idealizado especialmente para as Forças Armadas, a compreensão 
do agregado deve ser aquela afeta aos militares federais, ou seja, militar agregado é militar da 
ativa para fins penais militares, de forma que se um militar agregado provoca lesão corporal 
em outro agregado, estaremos diante de um crime militar ratione personae.
Também polêmico é o reconhecimento do crime militar ratione personae nos casos em que 
o sujeito ativo seja militar federal e o passivo seja militar estadual e vice-versa. Não há visão 
pacífica no plano jurisprudencial, muito embora a doutrina, a exemplo de Jorge César de Assis 
(2016, p. 130-2) e de Célio Lobão (O art. 42 da Constituição, p. 6), tem-se colocado contrária 
à equiparação dos cargos para fins penais militares. Obviamente que a polêmica em foco se 
restringe à alínea “a”, ou seja, ao  critério ratione personae, sendo perfeitamente possível a 
configuração de crime militar entre militares federal e estadual com arrimo em outros critérios.
Vejamos alguns julgados.
CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL E FEDERAL. 
LESÕES CORPORAIS CULPOSAS. POLICIAL MILITAR CONTRA CAPITÃO DO EXÉRCITO. 
BATALHÃO DE INFANTARIA. LOCAL SUJEITO À ADMINISTRAÇÃO MILITAR FEDERAL. 
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO.
1. Lesões corporais praticadas por policial militar contra capitão do exército, dentro de 
um batalhão de infantaria, local sujeito à Administração militar federal, é crime militar 
de competência da Justiça Militar da União, em face da qualificação dos envolvidos e 
também pela proteção que merece o local onde acontecidos os fatos.
2. Aplicação da letra “a” do inciso II do art. 9º do Código Penal Militar.
3. Conflito conhecido para declarar competente o Juízo Auditor da 1ª Auditoria da 2ª Cir-
cunscrição Judiciária Militar da União em São Paulo, o suscitado (STJ, CC 107148, Rel. 
MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, J. 13/10/2010).
EMENTA. Habeas corpus. Crimes

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