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SISTEMA DE ENSINO
DIREITO PENAL 
MILITAR
Direito Penal Militar – Parte Geral I
Livro Eletrônico
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Cícero Coimbra
Direito Penal Militar – Parte Geral I
DIREITO PENAL MILITAR
Sumário
1. Apresentação ..............................................................................................................3
2. Conteúdo ....................................................................................................................5
2.1. Conhecendo o Código Penal Militar ...........................................................................5
2.2. As Inovações da Lei n. 13.491/2017 ......................................................................... 7
2.3. Princípio da Legalidade e Direito Penal Militar ....................................................... 15
2.4. Lei Penal Militar no Tempo ..................................................................................... 19
2.5. Lei Penal Militar no Espaço ....................................................................................22
2.6. Destinatários da Lei Penal Militar ..........................................................................24
2.7. Interpretação Autêntica no CPM ............................................................................27
2.8. Aplicação Subsidiária do CP Comum ......................................................................57
Resumo ....................................................................................................................... 60
Mapas Mentais ............................................................................................................. 61
Questões de Concurso ..................................................................................................62
Gabarito .......................................................................................................................75
Questões Comentadas ..................................................................................................76
Referências ..................................................................................................................93
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Cícero Coimbra
Direito Penal Militar – Parte Geral I
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Cícero Robson Coimbra Neves: Promotor de Justiça Militar. Capitão da Reserva não Re-
munerada da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Mestre em Direito pela Pontifícia Univer-
sidade Católica de São Paulo.
1. ApresentAção
Caro(a) aluno(a), tudo bem? Espero que sim e que esteja animado(a) para me fazer com-
panhia nesta jornada pelo Direito Penal Militar.
Em primeiro lugar, lembre-se de que, na totalidade das matérias a serem estudadas, o Di-
reito Penal Militar é de grande importância nos casos de concursos específicos, como para o 
Ministério Público Militar (MPM) e Magistratura das Justiças Militares da União e dos Esta-
dos.
Assim, dedique especial atenção a esta matéria, pois, certamente, ela será muito cobrada 
em seu certame.
E se eu decidir, paralelamente ao concurso específico, prestar concursos mais abrangen-
tes, como a Defensoria Pública da União? Ainda assim, devo dedicar atenção ao Direito 
penal Militar?
Claro que sim!
Mesmo em concursos mais abrangentes, se o edital grafar a matéria, você deve reservar 
algum tempo para o estudo do Direito Penal Militar, pois, seguramente, algumas questões 
serão cobradas, até mesmo em razão da especificidade do tema, e, sejamos francos, uma 
questão a mais na sua pontuação pode significar o limite para a aprovação.
Mas, o que veremos em nossas aulas?
Bom, inaugure-se dizendo, ainda de maneira precária, que o Direito Penal Militar tem por 
objeto o estudo do crime militar, que pode ocorrer tanto no âmbito federal, quando a com-
petência para processar e julgar será da Justiça Militar da União, quanto no âmbito dos Es-
tados e do Distrito Federal, instalando-se a competência das Justiças Militares Estaduais e 
do Distrito Federal, das quais apenas 3 Estados possuem órgão destacado de segundo grau, 
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o Tribunal de Justiça Militar, sendo eles os Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas 
Gerais.
No primeiro caso, como regra, o ambiente em que o delito militar é cometido está ligado 
às Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica), enquanto, no segundo, o cenário estará 
atrelado às Forças Auxiliares (Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares).
Mas agora não é o momento, nesta apresentação, de trazer densos conceitos. Deixare-
mos essa tarefa mais rígida para o conteúdo.
Neste ponto, ao mesmo passo que lhe faço o convite para a viagem, quero explicar como 
pretendo expor a matéria.
Claro que a parte principal é o conteúdo de cada aula, mas nosso trabalho não se resume 
a ele.
Adicionaremos também alguns recursos extras, a exemplo de resumos e destaques no 
texto, além de testar sua aprendizagem por questões de concursos e algumas inéditas, por 
mim elaboradas para a melhor fixação.
Meu papel, nesta jornada, é tornar o conteúdo palatável, de fácil compreensão, mas pre-
ciso que você faça sua parte, organizando-se para ler atentamente as aulas e resolver os 
exercícios, sempre com o foco da eficiência na aprendizagem.
Bom, deixe-me falar um pouco do comportamento das comissões de concurso.
Nos concursos específicos, claro, o examinador de Direito Penal Militar é sempre um des-
tacado operador do Direito, a exemplo de membros do Ministério Público, da Magistratura 
Militar e da Advocacia, mas sempre com alguma história no Direito Penal Militar.
Exemplificativamente, no 11º Concurso para o MPM, o examinador foi o Professor Jorge 
César de Assis, na época integrante do Ministério Público Militar e autor renomado na área. 
No 12º Concurso para o MPM, foi designado o Subprocurador-Geral de Justiça Militar Edmar 
Jorge de Almeida, outro grande ícone da matéria.
Assim, além da apreensão do conteúdo pelas nossas aulas, é importante que você conhe-
ça a produção literária dos integrantes da comissão do concurso que você prestará e, para 
tanto, no caso do Ministério Público Militar eu já lhe dou a primeira dica.
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DICA
A produção intelectual dos membros do Ministério Público 
Militar está disponível no endereço http://www.mpm.mp.br/
membros-producao-intelectual-artigos/.
Quanto ao tipo de questões formuladas, elas não fogem da regra geral dos concursos, 
havendo a distribuição por graus de dificuldade diversos, mas, por vezes, alguns pontos es-
pecíficos, defendidos pelo integrante, são cobrados. Por isso, é fundamental ler a produção 
intelectual do integrante da comissão de concurso.
Vamos ao conteúdo?
Nesta aula veremos elementos introdutórios, fundamentais para a interpretação e aplica-
ção do DireitoPenal Militar.
Decolagem autorizada.
2. Conteúdo
2.1. ConheCendo o Código penAl MilitAr
Prezado(a) companheiro(a) de viagem, o principal instrumento normativo a ser estudado 
é o Código Penal Militar ou, simplesmente, CPM, fonte formal imediata do Direito Castrense.
DICA
A palavra “castrense” origina-se, como ensina Ronaldo João 
Roth, pelas palavras de Reynaldo Moreira Miranda, do vocá-
bulo “castra”, castrorum do latim, que significa acampamen-
tos (…), isto é, o incipiente e primitivo ‘direito romano-militar’ 
– o jus castrensis – se exercia, de preferência, nos acampa-
mentos, em tempo de guerra, em plena luta armada (ROTH, 
2003, p. 91).
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http://www.mpm.mp.br/membros-producao-intelectual-artigos/
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Trata-se do instrumento normativo reitor do Direito Penal Militar, que foi trazido ao univer-
so jurídico pelo Decreto-Lei n. 1.001, de 21 de outubro de 1969, vigendo desde 1º de janeiro 
de 1970, com algumas alterações pontuais, embora substanciais, como ocorreu com a edição 
da Lei n. 13.491/2017.
É importante ressaltar que o CPM foi recepcionado, quase que totalmente, pela atual 
Constituição Federal com força de lei ordinária, em observância ao inciso I, do art. 22 da Lei 
Maior. Assim, como você bem sabe de seus estudos de Direito Constitucional, para alterar o 
Código Penal Militar, não há grande complexidade, bastando uma lei ordinária da União (fonte 
material).
Voltando um pouco no tempo, lembre-se de que, na época de edição do CPM, o Brasil 
passava por um período excepcional da História, marcado pela condução da Nação por uma 
Junta Militar, em substituição ao Presidente da República, General Arthur da Costa e Silva, 
e do Vice-Presidente Pedro Aleixo. Essa Junta Militar, formada pelo General Aurélio de Lyra 
Tavares, o Almirante Augusto Rade maker e o Brigadeiro Márcio de Souza e Mello, passou a 
concentrar nas mãos não só o Poder Executivo, mas também o Poder Legislativo, por força da 
decretação do recesso do Congresso Nacional.
A idealização do CPM, obviamente, não partiu da Junta Militar, tendo como base o Ante-
projeto do Prof. Ivo D’Aquino e o cuidadoso trabalho da Comissão Revisora, composta, além 
do autor do Anteprojeto, pelos Profs. Benjamin Moraes Filho e José Telles Barbosa.
Em verdade, não é praxe concentrar a análise no conhecimento amiúde dos projetistas 
e dos responsáveis pela edição das leis. Todavia, dois dados do histórico acima devem ser 
extraídos e ressaltados, um verdadeiro “pulo do gato”.
1. O CPM, dadas as características de seu surgimento no mundo jurídico, é um Código feito 
em um governo militar que buscava sua manutenção, sendo esse o motivo de sua extrema 
rigidez em alguns aspectos, especialmente em relação aos próprios militares.
2. O  referido Código está vigendo desde 1970, sem passar pela reforma da Parte Geral do 
Código Penal comum, trazida pela Lei n. 7.209, de 11 de julho de 1984; dessa forma, o CPM 
é um instrumento penal de influência causalista (neoclássico ou neokantista), o que impõe 
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ao delito uma estrutura específica em relação aos seus elementos (fato típico, antijurídico e 
culpável), que serão esmiuçados adiante.
Por fim, tenha-se em mente que o CPM também divide-se em Parte Geral, do art. 1º ao 
art. 135, e Parte Especial, subdividida em Livro I, que define os crimes militares em tempo de 
paz (artigos 136 a 354), e Livro II, que define os crimes militares em tempo de guerra (artigos 
355 a 408).
Mas será que basta ao estudo do Direito Penal Militar que seja conhecido o Código Penal 
Militar?
Pois é, caro(a) aluno(a), a vida dos operadores do Direito Penal Militar ficou um pouco 
mais “animada” com a entrada em vigor da Lei n. 13.491/2017. Antes dela, todos os crimes 
militares estavam grafados apenas no CPM, podendo-se afirmar que não existia crime militar 
fora do Código Castrense.
Entretanto, com a alteração do inciso II do art. 9º do CPM por essa lei, crimes previstos 
apenas na legislação penal comum podem se configurar como militares, o que torna de fun-
damental importância para seu concurso compreender as inovações da Lei n. 13.491/2017.
2.2. As inovAções dA lei n. 13.491/2017
A Lei foi “carinhosamente” apelidada por Jorge Cesar de Assis como (ASSIS, 2019, p. 51) 
“Lei Sexta-Feira 13”, pois foi sancionada na sexta-feira de 13 de outubro de 2017, embora 
tenha sido publicada na segunda-feira seguinte, dia 16 de outubro de 2017.
Há dois eixos disciplinados pela nova Lei ao alterar o art. 9º do CPM, a saber, a redefini-
ção de crime militar, conceito agora mais abrangente, e a pormenorização da competência da 
Justiça Militar da União – ou do órgão da Justiça Militar da União, conforme a interpretação 
– nos crimes militares dolosos contra a vida de civis.
No primeiro eixo, está a alteração do inciso II do art. 9º do CPM, que passou a considerar 
crimes militares não só os previstos neste mesmo Código Castrense, mas também os da le-
gislação penal, nas hipóteses trazidas pelas alíneas do inciso.
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O rol dos crimes militares, em outros termos, foi expandido, o que se nota facilmente com 
a comparação do texto anterior e posterior à Lei n. 13.491/2017:
QUADRO COMPARATIVO DA REDAÇÃO DO INCISO II DO ART. 9º DO CPM
(antes e depois da Lei n. 13.491/2017)
REDAÇÃO ANTERIOR REDAÇÃO ATUAL
II – os crimes previstos neste Código, embora 
também o sejam com igual definição na lei penal 
comum, quando praticados:
II – os crimes previstos neste Código e os previstos 
na legislação penal, quando praticados: 
Na redação anterior, para que o crime fosse considerado militar pelo inciso II, a premissa 
era a de que o fato deveria estar tipificado no CPM e na legislação penal comum de maneira 
idêntica. Preenchida essa premissa, o próximo passo na constatação do crime militar era ve-
rificar se uma das hipóteses do inciso II estava presente, a saber, a prática do fato por militar 
em situação de atividade contra militar na mesma situação (alínea “a” do inciso II), por militar 
em situação de atividade contra civil, militar reformado ou da reserva, em lugar sob adminis-
tração militar (alínea “b” do inciso II), por militar em serviço ou atuando em razão da função 
contra civil, militar reformado ou da reserva (alínea “c” do inciso II), por militar em período de 
manobra ou exercício contra civil, militar reformado ou da reserva (alínea “d” do inciso II) ou 
por militar em situação de atividade contra a ordem administrativa militar ou contra o patri-
mônio sob administração militar (alínea “e” do inciso II). O exemplo claro é o do homicídio 
simples, tipificado identicamente no art.121 do CP e no art. 205 do CPM, que praticado por 
um militar da ativa contra um militar da reserva, em lugar sujeito à administração militar era 
considerado crime militar.
Com a nova disposição, os crimes militares tipificados de maneira idêntica no CPM e na 
legislação penal comum seguem a mesma lógica de antes, mas houve o acréscimo dos tipos 
penais constantes da legislação penal comum que não possuem idêntica previsão no CPM, 
os quais, hoje, se enquadrados em uma das alíneas do inciso II do art. 9º do Código Castrense, 
as mesmas acima enumeradas, serão, em regra, crimes militares. Trata-se de novos crimes 
militares, denominados pela doutrina de crimes militares extravagantes (NEVES. Inquietações 
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na investigação criminal militar após a entrada em vigor da Lei n. 13.491/2017), crimes mili-
tares por equiparação à legislação penal comum (PEREIRA. A Lei n. 13.491, de 13 de outubro 
de 2017, e os crimes hediondos) ou crimes militares por extensão (ASSIS. 2018, p. 39). Esses 
novos crimes militares devem ser considerados, também, crimes impropriamente militares, 
para os fins que assimilam essa categoria, a exemplo do disposto na parte final do inciso LXI 
do art. 5º da CF e do inciso II do art. 64 do CP, isso com a adoção da teoria clássica, malgrado 
posição doutrinária em sentido diverso (ASSIS, 2018, p. 38). 
Após a Lei n. 13.491/2017, é possível haver crime militar que esteja tipificado fora do Código 
Penal Militar, chamados de crimes militares extravagantes, crimes militares por equiparação 
à legislação penal comum ou crimes militares por extensão.
A título de exemplo, o crime de aborto provocado por terceiro, previsto no art. 125 do CP, 
sem correlato no CPM, quando praticado por um militar da ativa contra uma gestante, também 
militar da ativa, será, em tese, crime militar (um crime militar extravagante), nos termos do 
disposto na alínea “a” do inciso II do art. 9º do Código Castrense. Antes da Lei n. 13.491/2017, 
seria crime comum, não abrangido pela competência das Justiças Militares.
O segundo vetor (eixo) disposto pela nova lei, está na fixação da competência para pro-
cessar e julgar o crime militar doloso contra a vida de civil, o que se processou por uma in-
clusão de parágrafos ao art. 9º do CPM. Recorra-se, novamente, ao quadro comparativo das 
redações anteriores e atual:
QUADRO COMPARATIVO DA REDAÇÃO DOS PARÁGRAFOS DO ART. 9º DO CPM
(antes e depois da Lei n. 13.491/2017)
REDAÇÃO ANTERIOR REDAÇÃO ATUAL
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Parágrafo único. Os crimes de que trata este artigo 
quando dolosos contra a vida e cometidos contra 
civil serão da competência da justiça comum, salvo 
quando praticados no contexto de ação militar rea-
lizada na forma do art. 303 da Lei no 7.565, de 19 de 
dezembro de 1986 – Código Brasileiro de Aeronáu-
tica.
§ 1º Os crimes de que trata este artigo, quando dolo-
sos contra a vida e cometidos por militares contra civil, 
serão da competência do Tribunal do Júri.
§ 2º Os crimes de que trata este artigo, quando dolo-
sos contra a vida e cometidos por militares das Forças 
Armadas contra civil, serão da competência da Justiça 
Militar da União, se praticados no contexto:
I – do cumprimento de atribuições que lhes forem 
estabelecidas pelo Presidente da República ou pelo 
Ministro de Estado da Defesa;
II – de ação que envolva a segurança de instituição 
militar ou de missão militar, mesmo que não belige-
rante; ou
III – de atividade de natureza militar, de operação de 
paz, de garantia da lei e da ordem ou de atribuição 
subsidiária, realizadas em conformidade com o dis-
posto no art. 142 da Constituição Federal e na forma 
dos seguintes diplomas legais:
a) Lei n. 7.565, de 19 de dezembro de 1986 – Código 
Brasileiro de Aeronáutica;
b) Lei Complementar n. 97, de 9 de junho de 1999;
c) Decreto-Lei n. 1.002, de 21 de outubro de 1969 – 
Código de Processo Penal Militar; e
d) Lei n. 4.737, de 15 de julho de 1965 – Código Eleito-
ral.
Avaliando a nova redação, tem-se em primeiro plano a ratificação de que o crime doloso 
contra a vida de civil, enquadrado em uma das hipóteses do art. 9º, é um crime militar que, em 
algumas situações, é processado e julgado pelo Tribunal do Júri, ou, se assim não se concluir, 
os incisos do novo § 2º são inconstitucionais em cotejo com o disposto no art. 124 da CF, já 
que se estaria atribuindo a essa Justiça Especializada a competência para processar e julgar 
crimes não militares.
Tem-se, ademais, que a alteração trazida pelo primeiro eixo reflete na compreensão do 
segundo, posto que os crimes militares dolosos contra a vida sofreram ampliação, já que, 
agora, pelo novo inciso II do art. 9º, crimes como o já citado aborto provocado por terceiro e o 
infanticídio poderão ser militares (crimes militares extravagantes).
Analisando o § 1º, em continuação, verifica-se que ele é aplicável a todos os militares, sejam 
integrantes das Forças Armadas, sejam militares dos Estados (policiais militares e bombeiros 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp97.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del1002.htm
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militares), com a ressalva de que, no primeiro caso, a análise constitucional deve ser à luz 
do art. 124, enquanto, no segundo, será reitor dessa análise o § 4º do art. 125, ambos da CF. 
Esses dois dispositivos constitucionais definem a competência da Justiça Militar da União – 
processar e julgar os crimes militares definidos em lei – e das Justiças Militares Estaduais e 
do Distrito Federal – processar e julgar os militares do Estado nos crimes militares definidos 
em lei, ressalvada a competência do Tribunal do Júri, e as ações judiciais contra atos disci-
plinares.
A nova redação, acrescente-se, não excepciona mais em favor da justiça comum, mas em 
favor do Tribunal do Júri, realidade que reforça a discussão sobre a possibilidade da instala-
ção desse órgão na Justiça Militar, o que pode ser uma maneira bem interessante de “salvar” 
o emaranhado gerado pela Lei n. 13.491/20171.
Melhor explicando, no âmbito da Justiça Militar da União, o art. 124 da CF é muito claro 
em definir que todo crime militar será de competência da Justiça Militar. Assim, entendendo 
que a nova redação se refere a um Tribunal do Júri instalado na Justiça Militar, não haveria 
afronta constitucional pela norma ordinária.
Aliás, como bem se sabe, essa discussão já foitravada quando da edição da Lei n. 9.299, 
de 7 de agosto de 1996, que trouxe o tema ao Direito Castrense pelo acréscimo do agora an-
tigo parágrafo único do art. 9º do CPM. Entre idas e vindas, o Superior Tribunal Militar findou 
por pender pelo reconhecimento da inconstitucionalidade do dispositivo, como no julgamento 
do Recurso em Sentido Estrito n. 144-54.2014.7.01.0101/RJ, julgado em 9 de junho de 2016, 
sob Relatoria do Ministro José Coêlho Ferreira.
Tratou-se, no caso, de homicídio contra um civil, supostamente cometido por um militar 
do Corpo de Fuzileiros Navais, durante uma ação militar realizada em abril de 2014, após um 
confronto entre criminosos e uma patrulha do Grupamento de Fuzileiros Navais – pertencente 
à Força de Pacificação São Francisco –, no Complexo da Maré. A Superior Corte Castrense, por 
unanimidade, acolheu o voto do relator, decidindo que a Justiça Militar da União é competente 
1 Ressalte-se que aqui é consignada uma evolução no raciocínio, posto que na primeira construção sobre o tema (in NEVES, 
Cícero Robson Coimbra. Inquietações na investigação criminal militar após a entrada em vigor da Lei n. 13.491, de 13 de 
outubro de 2017. Revista Direito Militar, Florianópolis, n. 126, p. 23-28, set./dez. 2017) não se enxergava essa possibili-
dade de “salvar” o texto.
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para julgar a matéria, sob a premissa de que o então vigente parágrafo único do art. 9º do 
CPM era inconstitucional.
Em se entendendo, por outro bordo, que o Tribunal do Júri mencionado no novo § 1º do 
art. 9º do CPM refere-se unicamente à Justiça Comum, haverá a mesma inconstitucionali-
dade material verificada quando da vigente redação do parágrafo único do art. 9º do mesmo 
Códex, sendo muito lógico que o Superior Tribunal Militar mantenha a visão exposta no julga-
mento do Recurso em Sentido Estrito supracitado.
No caso das Justiças Militares dos Estados, a análise é um pouco mais complexa, posto 
que, após a mencionada Lei n. 9.299/1996 – que também gerou, de início, manifestações 
doutrinárias por sua inconstitucionalidade material, mas que foi aplicada a fórceps por de-
cisão dos Tribunais, em especial do Superior Tribunal de Justiça2 e do Supremo Tribunal Fe-
deral3 –, uma mudança constitucional substancial ocorreu no § 4º do art. 125, pela Emenda 
Constitucional n. 45, de 30 de dezembro de 2004.
O mencionado dispositivo constitucional consignava antes da EC n. 45/2004 que compe-
tia:
À Justiça Militar estadual processar e julgar os policiais militares e bombeiros militares nos crimes 
militares, definidos em lei, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da 
patente dos oficiais e da graduação das praças.
Na atual redação, tem-se que compete:
À Justiça Militar estadual processar e julgar os militares dos Estados, nos crimes militares defi-
nidos em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, ressalvada a competência do 
júri quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da 
patente dos oficiais e da graduação das praças.
Em uma primeira aproximação, há a clara impressão de que a competência do júri men-
cionada na nova redação excepciona a competência da Justiça Militar Estadual, de sorte que 
esse Tribunal do Júri somente poderia ser na Justiça Comum. Por outro lado, defensores de 
um Tribunal do Júri nas Justiças Militares Estaduais, podem argumentar que esse Órgão de 
Julgamento, como garantia do cidadão prevista no inciso XXXVIII do art. 5º da CF, não está 
2 3ª Seção, CComp. 17.665/SP, rel. Min. José Arnaldo, j. 27-11-1996.
3 Pleno, RE 260404/MG, rel. p/ o acórdão Min. Moreira Alves, j. 22-3-2001.
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atrelado a determinada Justiça, podendo, a exemplo do que ocorre na Justiça Federal, ser or-
ganizado na Justiça Militar. Por essa razão, doutrinadores sustentam essa possibilidade com 
muito vigor (STREIFINGER, Direito militar: doutrina e aplicações, p. 893 e seguintes. ROCHA, 
Tribunal do Júri na Justiça Militar Estadual. ASSIS, Crime militar & processo: comentários à 
Lei n. 13.491/2017, p. 82 e 114).
Seja como for, numa ou noutra vertente – Tribunal do Júri na Justiça Militar Estadual ou 
Tribunal do Júri na Justiça Comum dos Estados –, o atual § 1º do art. 9º do CPM não fere a 
Constituição no que se refere à órbita estadual. No caso da Justiça Militar da União, a cons-
titucionalidade (material) do dispositivo exige que esse Tribunal do Júri seja na Justiça Cas-
trense federal.
À guisa de exemplo, se um militar da Polícia Militar matar dolosamente, em serviço, um 
civil, haverá subsunção do fato ao art. 205, combinado com a alínea “c” do inciso II do art. 9º, 
tudo do CPM. A competência para processar e julgar será do Tribunal do Júri, com respaldo 
do art. 125, § 4º, da CF, que se instalará na Justiça Comum ou na Justiça Militar Estadual, 
conforme a vertente adotada.
Em outra senda, se um militar da ativa do Exército receber um civil como visita em seu 
quartel e, após uma discussão, o matar dolosamente em área sujeita à administração militar 
– crime militar nos termos do art. 205 cc a alínea “b” do inciso II do art. 9º do CPM –, a preten-
são da nova lei é de que ele seja processado e julgado pelo Tribunal do Júri, mas esse órgão 
deverá ser instalado na Justiça Militar da União, para satisfazer o comando constitucional 
do art. 124, sob pena de todas aquelas discussões sobre a inconstitucionalidade material do 
outrora vigente parágrafo único do art. 9º ressurgirem.
Toda vez que um militar do Estado ou do Distrito Federal praticar um crime doloso contra a 
vida de civil, mesmo que enquadrado nas alíneas do inciso II do art. 9º do CPM, tornando-se 
crime militar, a competência será do Tribunal do Júri.
Diversamente do § 1º, o novo § 2º do art. 9º é aplicável apenas aos militares das Forças 
Armadas e nas condições de seus incisos, quando os autores do crime militar doloso contra 
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a vida de civil serão processados e julgados pela Justiça Militar da União, não por um Júri 
Popular, mas pelos órgãos de escabinato, em que a mista composição de juiz togado e juízes 
militares possibilitará a adequada compreensão do fato sob as peculiaridades do exercício 
das missões miliares, em sentido genérico.
Pela estrita previsão do § 2º do art. 9º, o crime militar doloso contra a vida de civil (tantos 
os previstos no CPM – v.g. homicídio – como aqueles previstos na legislação penal comum – 
v.g. aborto provocado por terceiro –, quando praticados em uma das situações do inciso II do 
art. 9º também do CPM) serão de competência da Justiça Militar da União, entenda-se, dos 
Conselhos de Justiça (permanente ou especial),quando praticados:
a) no cumprimento de atribuições que lhes forem estabelecidas pelo Presidente da Repú-
blica ou pelo Ministro de Estado da Defesa (inciso I do § 2º do art. 9º do CPM), a exem-
plo da atuação na intervenção federal em Unidade Federativa;
b) em ação que envolva a segurança de instituição militar ou de missão militar, mesmo 
que não beligerante (inciso II do § 2º do art. 9º do CPM), a exemplo da atuação como 
sentinela no serviço de dia de um quartel;
c) em atividade de natureza militar, de operação de paz, de garantia da lei e da ordem 
ou de atribuição subsidiária, realizadas em conformidade com o disposto no art. 142 
da CF e na forma da Lei n. 7.565, de 19 de dezembro de 1986 – Código Brasileiro de 
Aeronáutica (alínea “a” do inciso III do § 2º do art. 9º do CPM) – a exemplo do tiro de 
destruição de aeronave hostil –, da Lei Complementar n. 97, de 9 de junho de 1999 
(alínea “b” do inciso III do § 2º do art. 9º do CPM) – a exemplo de atuação no contex-
to de Garantia da Lei e da Ordem ou de Defesa Civil (subsidiária geral, nos termos do 
art. 16 da Lei Complementar n. 97/1999) –, do Decreto-Lei n. 1.002, de 21 de outubro 
de 1969 – Código de Processo Penal Militar (alínea “c” do inciso III do § 2º do art. 9º 
do CPM) – a exemplo da atuação de escolta de presos em desempenho da Polícia 
Judiciária Militar – e da Lei n. 4.737, de 15 de julho de 1965 – Código Eleitoral (alínea 
“d” do inciso III do § 2º do art. 9º do CPM) – como no caso da atuação de Garantia da 
Votação e Apuração (GVA).
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7565.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp97.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del1002.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del1002.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4737.htm
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Direito Penal Militar – Parte Geral I
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Quando um militar das Forças Armadas praticar um crime doloso contra a vida de civil, mes-
mo que enquadrado nas alíneas do inciso II do art. 9º do CPM, tornando-se crime militar, 
a competência será, em regra, do Tribunal do Júri.
Entretanto, quando o fato for praticado em uma das situações dos incisos do § 2º do art. 9º 
do CPM, a regra será excepcionada e a competência será da Justiça Militar da União.
Como última observação, deve-se ter em conta que pendem no Supremo Tribunal Federal 
a Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 5.804, ajuizada pelo Associação dos Delegados 
de Polícia do Brasil, e a Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 5.901, ajuizada pelo Partido 
Socialismo e Liberdade (PSOL) a discutir a constitucionalidade dos dispositivos trazidos pela 
Lei n. 13.491/2017.
2.3. prinCípio dA legAlidAde e direito penAl MilitAr
Como premissa, é necessário firmar que os princípios constitucionais informam não ape-
nas ao Direito Penal comum, mas também ao Direito Penal Militar, embora neste ramo possa 
ter uma leitura mais estrita, qual ocorre com o princípio da insignificância no crime de posse 
de entorpecente (art. 290 do CPM).
Desde a decisão do Supremo Tribunal Federal (Pleno) no Habeas Corpus n. 103.684, em 21 
de outubro de 2010, pacificou-se que a Lei de Drogas (Lei n. 11.343/2006) não se aplica aos 
casos de caserna, mas, sim, o art. 290 do CPM. Em adição, firmou-se não se aplicar o princípio 
da insignificância nos casos de apreensão de pequena quantidade de droga, por existirem va-
lores diversos daqueles do Direito Penal comum. Lapidar a frase do Relator, Min. Ayres Britto, 
que assenta que “O uso de drogas e o dever militar são como água e óleo, não se misturam”.
Guarde essa premissa!
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No contexto dos princípios que informam o Direito Penal Militar, deve-se dar atenção 
àquele que inaugura o texto legal, já no primeiro artigo do Código Penal Militar, que assim 
dispõe:
Princípio de legalidade
Art. 1º Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal.
Certamente, você já viu esse dispositivo em algum lugar, não?
Claro que sim, pois ele é idêntico ao art. 1º do Código Penal comum e reproduz o comando 
constitucional do inciso XXXIX do art. 5º da Constituição Federal, os quais você já se cansou 
de estudar e de reproduzir, como um mantra.
Pois é, ele também informa o Direito Penal Militar.
Muitos entendem este princípio como sinônimo do princípio da reserva legal. Outros já 
entendem este contendo aquele, sendo acompanhado pela irretroatividade da lei penal. Me-
lhor explicando, para muitos, reserva legal se confunde com legalidade; para outros tantos, 
a reserva legal é um princípio maior, composto pela legalidade e pela irretroatividade.
Tomem-se, inicialmente, as lições de Bitencourt (2002, p. 10), que afirma que o “princípio 
da legalidade ou da reserva legal constitui uma verdadeira limitação do poder punitivo esta-
tal”, consagrado por Feuerbach, no início do século XIX, pela fórmula latina nullum crimen, 
nulla poena sine lege. Nitidamente, para o autor, a distinção entre legalidade e irretroatividade 
é desnecessária, podendo ambos os princípios ser condensados no disposto no inciso XXXIX 
do art. 5º da Constituição Cidadã, transcrito no art. 1º do CPM, como visto acima.
A origem desse princípio, no entanto, é muito anterior a Feuerbach. Em impagável evolu-
ção histórica, embora aponte o dissenso sobre a questão, André Vinicius de Almeida consigna 
que o princípio em estudo “teve origem iluminista, recebendo formulação em sua inteireza 
pelas palavras de John Locke (Segundo Tratado sobre o Governo Civil) e, sobretudo, de Cesa-
re Bonessana, o Marquês de Beccaria (Dos delitos e das Penas)” (2005, p. 23), e ainda que tal 
princípio restou positivado em vários diplomas legais, a exemplo do Bill of Rights, da Consti-
tuição americana, e da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
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Prefere-se, no entanto, seguir o mestre Luiz Luisi (2003, p. 17-30), para quem o princípio 
da legalidade, em vertente contemporânea, desdobra-se em três postulados, a saber: reserva 
legal, determinação taxativa e irretroatividade.
De fato, o princípio da legalidade parece merecer o deslinde apresentado, de importância 
indiscutível e de compreensão simples.
Inicialmente, comanda a reserva legal, ou seja, o  fato de que só a lei pode comportar 
condutas puníveis em âmbito penal, lei aqui compreendida como vontade do legislador, re-
presentante legítimo que é do povo, para descobrir os bens jurídico-penais a serem tutela-
dos. Instala-se, então, um modelo, uma moldura que funciona não apenas como norte de 
persecução, mas também – e mais importante – como elemento limitador para a imputação, 
genericamente entendida.
A aplicação dessa concepção importa, por outro enfoque, avedação de o Poder Executivo 
ou o Poder Judiciário se imiscuírem na função criminalizadora ao mesmo tempo que obsta a 
utilização de outros nascedouros além da lei (reserva absoluta), a exemplo dos costumes e da 
analogia, só admitida in bonam partem. Apenas a lei, em outras palavras, pode versar sobre 
matéria penal.
Obviamente, essa reserva legal atinge também as penas, muito embora haja doutrina em 
sentido oposto.
Na prova subjetiva do 11º Concurso para o MPM, uma das questões explorava os chamados 
“Bandos Militares”, o que surpreendeu vários candidatos.
Na definição de Jorge Alberto Romeiro (1994, p. 17):
Os bandos ou banhos militares (bandi, bans, bandos) existentes desde a mais remota antiguidade 
como importante fonte do direito penal militar em tempo de guerra, com guarida em alguns códigos 
alienígenas, nunca tiveram acolhida em nosso direito positivo castrense.
São Éditos ou proclamações com força de lei, emanados pelos Comandantes Supremos das Forças 
Armadas de um país em guerra, a fim de integrarem as leis penais e processuais bélicas vigentes, 
modificá-las ou ditá-las ex novo, quando as circunstâncias particulares do front o exigirem.
O tema guarda relação com o princípio da legalidade, pois a reserva legal é o anteparo para 
evitar os “bandos” ou “banhos” militares.
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Direito Penal Militar – Parte Geral I
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A taxatividade, ou determinação taxativa, como expõe Luiz Luisi, por seu turno, exige uma 
técnica toda especial do legislador ao consagrar os tipos penais. Essa técnica se evidencia 
pela construção de tipos abstratos dotados de clareza, certeza e precisão, evitando-se, pois, 
expressões e palavras vagas e ambíguas. Claramente, encontramos lesão a essa acepção do 
princípio da legalidade no tipo penal descrito no art. 324 do Código Penal Militar, que traz o 
delito de inobservância de lei, regulamento e instrução, na seguinte ordem:
Art. 324. Deixar, no exercício de função, de observar lei, regulamento ou instrução, dando causa 
direta à prática de ato prejudicial à administração militar.
Pior ainda, o preceito secundário traz a possibilidade de prática dolosa ou culposa. Como 
se percebe, o tipo penal em foco possui uma descrição típica tão abrangente que possibilita 
enquadrar quase tudo como crime de inobservância de lei, regulamento ou instrução, de um 
simples atrasado para o serviço até a não observância de uma regra de segurança que causa 
dano à pessoa ou ao patrimônio, levando a inexatidão típica a evidente lesão à determinação 
taxativa e, por consequência, ao princípio da legalidade.
A irretroatividade, por fim, é, sem dúvida, como assinala Luiz Luisi (2003, p. 26), comple-
mento da reserva legal, porquanto exige a atualidade da lei para que possa surtir consequên-
cias. Em outras palavras, a lei penal, em regra, pode alcançar tão só fatos a ela supervenientes.
Como será visto, há exceções para a irretroatividade, como a retroação da lex mitior e a 
abolitio criminis.
Cumpre assinalar que a questão concernente ao princípio da legalidade comporta outras 
abordagens, conforme ensina Francisco de Assis Toledo (2000, p. 22), ao desdobrá-lo na exi-
gência de uma lex praevia, lex scripta, lex stricta e lex certa. É de notar que a abordagem esbo-
çada pelas lições de Luisi comporta o desdobramento de Assis Toledo, na medida em que a lex 
stricta e a lex certa afeiçoam-se à determinação taxativa, ao passo que a lex praevia encontra 
morada na irretroatividade e a lex scripta compõe a reserva legal, vedando-se o Direito costu-
meiro.
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Direito Penal Militar – Parte Geral I
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2.4. lei penAl MilitAr no teMpo
Neste ponto, prezado(a) amigo(a), vamos utilizar, também, muito de seu conhecimento da 
aplicação da lei penal (comum) no tempo.
Não há diferenças entre o estudo da lei penal no tempo e da lei penal militar no tempo, po-
dendo ser transportado para o Direito Penal Militar aquilo que já se estudou em Direito Penal 
comum.
No entanto, façamos algumas construções de acordo com a previsão no CPM.
Inicialmente, deve-se verificar o tempo do crime (tempus delicti), que será nosso ponto de 
partida
O art. 5º do CPM, de forma semelhante ao art. 4º do CP comum dispõe:
Art. 5º Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o 
do resultado.
Dessa forma, assim como o CP, o CPM adotou a teoria da ação ou da atividade, na defini-
ção do tempo do crime.
A exemplo do que dispõe a doutrina comum, podemos considerar que nos crimes per-
manentes (ex.: cárcere privado do art. 225 do CPM), a ação se protrai no tempo, o que leva à 
conclusão que o tempo do crime também se prolonga, permitindo, por exemplo, que uma lei 
penal militar nova alcance o fato se vigente no curso da ação permanente.
No caso do crime continuado, a análise é diversa, já que se defende, majoritariamente, que 
cada crime componente do único delito, assim considerado por ficção jurídica, deverá sofrer 
análise isolada. Como exemplo, se um militar pratica vários furtos em idênticas condições e 
com unidade de desígnio, elemento exigido pela maioria da doutrina, e eventualmente uma 
nova lei surja no meio da sequência, haverá a análise separada de cada momento; se esta 
nova lei for mais grave, atingirá a sequência de crimes após sua entrada em vigor; se, por ou-
tro lado, for mais branda, retroagirá alcançando toda a sequência a ela anterior, além, é claro, 
da sequência que lhe é posterior. Como voz destoante temos Francisco de Assis Toledo (2000, 
p. 32-3), que, baseado na premissa de que há uma unidade no crime continuado por ficção 
jurídica, defende que toda a sequência será alcançada pela nova lei, ainda que mais grave. 
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Direito Penal Militar – Parte Geral I
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Admite apenas como exceção para essa regra, a lei nova incriminadora, que não alcançará 
fatos a ela anteriores.
Pelo que até agora dissemos, é fácil constatar que a lei penal militar se aplica, em regra, 
aos fatos ocorridos a partir de sua entrada em vigor e somente durante sua vigência, consa-
grando-se o princípio da atividade, que tem como contraponto o princípio da irretroatividade 
da lei penal militar.
Essa regra, como já enumeramos acima, está expressa no art. 1º do CPM ao dispor que 
“não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”, preceito 
que encontrou recepção no inciso XXXIX do art. 5º da Constituição Federal, de mesma reda-
ção.
Firmamos, então, que a regra para a aplicação da lei penal é marcada por sua atividade, 
sem haver retroação a casos havidos anteriormente à sua entrada em vigor.
Esse postulado, no entanto, conhece exceções, também como já foi suscitado e agora 
esmiuçamos.
São os casos de extratividade da lei penal, podendo ocorrer sob duas formas: a retroati-
vidade e a ultratividade.A retroatividade ocorre quando a lei penal militar retroage aos fatos anteriores à sua en-
trada em vigor, o que é possível somente se houver benefício para o agente. Duas circunstân-
cias, portanto, comportam a retroatividade da lei penal militar:
a) a abolitio criminis, prevista no art. 2º do CPM, que dispõe que:
Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando, em virtude 
dela, a própria vigência de sentença condenatória irrecorrível, salvo quanto aos efeitos de natureza 
civil.
b) a retroação de lei mais benéfica sem que descriminalize o fato (novatio legis in mellius), 
disposta no § 1º do mesmo artigo, segundo o qual “a lei posterior que, de qualquer ou-
tro modo, favorece o agente, aplica-se retroativamente, ainda quando já tenha sobre-
vindo sentença condenatória irrecorrível”.
A nova lei que incrimine um fato antes não tipificado (novatio legis incriminadora), ou que, 
de qualquer forma, piore a situação do autor do fato (novatio legis in pejus), nunca retroagirão 
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para alcançar fatos a ela anteriores, consagrando-se nesses casos o princípio da irretroativi-
dade absoluta.
A ultratividade da lei penal militar, por sua vez, caracteriza-se pela produção de efeitos 
da lei penal militar mesmo após o término de sua vigência. É o caso da lei excepcional e da 
lei temporária, conforme disciplina o art. 4º do CPM, segundo o qual “A lei excepcional ou 
temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a 
determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência”. Essas leis são autorrevogá-
veis, ou seja, são exceções à regra de que uma lei se revoga por outra lei.
As leis temporárias são aquelas que já consignam no próprio texto a data de cessação de 
sua vigência.
Já as leis excepcionais são aquelas feitas para um período em que esteja vigendo uma 
situação de exceção, de anormalidade. São diplomas criados para regular um período de ins-
tabilidade. O término de vigência, dessa forma, será incerto, dependendo do término da si-
tuação para a qual ela foi elaborada. O CPM tem um bom exemplo de lei excepcional nos 
crimes militares em tempo de guerra, cujos dispositivos vigem durante o período de exceção 
de guerra declarada.
Há uma questão intrigante no CPM, há muito superada no estudo do Direito Penal comum, 
que merece nossa atenção. Essa questão diz respeito às medidas de segurança.
O art. 3º do CPM dispõe que “As medidas de segurança regem-se pela lei vigente ao tem-
po da sentença, prevalecendo, entretanto, se diversa, a lei vigente ao tempo da execução”.
Por essa previsão, não se aplicariam às medidas de segurança os postulados acima con-
sagrados, principalmente o da retroatividade da lei mais benéfica. Dessa forma, por exemplo, 
se para um fato típico e antijurídico fosse aplicável ao inimputável, na data da sentença, me-
dida de segurança de caráter pessoal detentivo e, posteriormente, durante a execução dessa, 
entrasse em vigor uma lei permitindo o tratamento ambulatorial, o autor do fato continuaria 
em medida de segurança de caráter detentivo.
A solução para esse absurdo está no inciso XL do art. 5º da Constituição federal que, 
ao prever a possibilidade de retroação de lei mais benéfica, não restringe esse fenômeno ape-
nas à pena, abarcando, também, a medida de segurança.
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Por fim, o caso da norma penal cega ou norma penal em branco, que encontra um bom 
exemplo no art. 290 do CPM, para cuja exata definição é mister lançar mão de uma regula-
mentação administrativa a enumerar quais substâncias possuem o rótulo de entorpecentes.
Como ficaria a aplicação da lei penal militar no tempo se houvesse uma alteração da nor-
ma integradora?
Buscando uma posição mais temperada, entendemos que se deve averiguar se a altera-
ção na norma complementar importa em supressão do caráter ilícito do fato ou não.
Assim, em alguns casos, a alteração afetará a própria antijuridicidade do fato, como, por 
exemplo, a supressão de uma substância da norma administrativa que define as substâncias 
entorpecentes, afastando a aplicação do art. 290 do CPM.
Haverá outras situações, no entanto, em que a alteração da norma complementadora sig-
nificará mera modificação de limites, de quantidades, de patamares, sem afetar a antijuridi-
cidade anteriormente constatada no fato, como, por exemplo, a alteração da taxa de juros 
fixada em lei, elemento normativo do tipo penal do art. 267 do CPM, que define o crime de 
usura pecuniária.
2.5. lei penAl MilitAr no espAço
Ao contrário do que dispõe o Código Penal comum, o CPM não consagrou como regra de 
aplicação da lei penal no espaço apenas o princípio da territorialidade, mas também o princí-
pio da extraterritorialidade.
O art. 7º do CPM consagrou esse princípio ao dispor que:
Art. 7º Aplica-se a lei penal militar, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito inter-
nacional, ao crime cometido, no todo ou em parte, no território nacional, ou fora dele, ainda que, 
neste caso, o agente esteja sendo processado ou tenha sido julgado pela justiça estrangeira.
Note, caro(a) aluno(a), que a lei alcançará o fato praticado, no todo ou em parte, no territó-
rio nacional ou fora dele, ou seja, por regra expressa ao fato praticado fora do País é aplicada 
a lei penal militar.
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A exceção a essa regra consiste na previsão de convenções, tratados e regras de Direito 
Internacional, quando a lei penal militar não será aplicada em observância ao pactuado no 
instrumento de Direito Internacional.
Há, como aduz Jorge Alberto Romeiro (1994, p. 57) baseando-se em Silvio Martins Tei-
xeira, uma irrestrita extraterritorialidade, plenamente justificável, já que, não raramente, con-
tingente militar do Brasil atua fora dos limites do País, sendo perfeitamente possível a prática 
de delitos militares que, se não houver disposição em contrário em instrumento de Direito 
Internacional, será reprimido pelo Direito Penal Militar brasileiro.
Uma pergunta, no entanto, surge quando compreendemos a realidade acima. Em sendo a 
extraterritorialidade também a regra, por que o CPM, nos parágrafos do art. 7º trouxe esclare-
cimentos acerca do território nacional?
Em verdade, acolhendo a visão de Jorge Alberto Romeiro (1994, p. 60), tais dispositivos 
são despiciendos, já que não há limitação territorial para a aplicação da lei penal militar.
Note-se, por fim, que a extraterritorialidade é incondicionada pelo disposto no CPM, o que 
está bem claro na expressão “ainda que, neste caso, o agente esteja sendo processado ou 
tenha sido julgado pela justiça estrangeira”. O único cuidado que se deve ter dizrespeito à 
ausência de previsão em tratados, convenções etc.
Mas se um militar foi julgado pelo crime no estrangeiro, em sendo julgado também no 
Brasil, como ficará a aplicação da pena?
A resposta está no art. 8º do COM, que postula que:
Art. 8º A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando 
diversas, ou nela é computada, quando idênticas.
Embora essa possibilidade seja combatida por alguns doutrinadores, a exemplo de Gui-
lherme de Souza Nucci (2006, p. 102-3), a regra tem sido pouco utilizada, redundando desse 
fato o desinteresse pela doutrina especializada.
Uma vez entendida a regra de aplicação espacial da lei penal militar, urge agora verificar 
no CPM qual a regra para a definição do local do crime.
Pelo artigo 6º do referido Código:
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Art. 6º Considera-se praticado o fato, no lugar em que se desenvolveu a atividade criminosa, no 
todo ou em parte, e ainda que sob forma de participação, bem como onde se produziu ou deveria 
produzir-se o resultado. Nos crimes omissivos, o fato considera-se praticado no lugar em que de-
veria realizar-se a ação omitida.
Dessa forma, a exemplo do Código Penal comum, o CPM adotou para os crimes comissi-
vos a teoria da ubiquidade, segundo a qual se considera local do crime tanto o lugar onde se 
deu a ação como aquele em que o resultado ocorreu ou deveria ocorrer. No crime omissivo, 
embora já se tenha sustentado diversamente, a maioria da doutrina entende ter havido a ado-
ção da teoria da ação ou da atividade.
Essa regra, note-se, embora não seja muito interessante à aplicação da lei penal militar 
no espaço, em face do princípio da extraterritorialidade, é de fundamental importância para a 
definição da competência e para a compreensão de alguns delitos marcados por elementos 
espaciais, como o caso do art. 235 do CPM que exige como elemento típico para a configura-
ção do delito, a prática do fato em lugar sujeito à administração militar.
2.6. destinAtários dA lei penAl MilitAr
Prezado(a) aluno(a), presumindo que você seja um civil (não militar), seria possível você 
figurar como sujeito ativo de crime militar?
A resposta está no delineamento dos destinatários do Direito Penal Militar, ou seja, quem 
são os sujeitos sobre os quais a lei penal castrense pode ser aplicada.
O CPM, obviamente, tem como foco maior a repressão e prevenção pela ameaça da pena, 
de fatos graves praticados pelos integrantes das Forças Armadas, ou seja, da Marinha, do 
Exército e da Aeronáutica.
De forma adjacente, por uma construção constitucional (na atual Lei Maior, o  §  4º do 
art. 125) e processual penal militar (art. 6º do Código de Processo Penal Militar – CPPM), a lei 
penal militar sujeita também os militares das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros 
Militares. Acerca dessas instituições, deve-se lembrar que em alguns Estados da Federação, 
trata-se de Corporações distintas, como no Estado do Rio Grande do Norte, enquanto em ou-
tros são facetas de uma mesma Corporação, como no caso do Estado de São Paulo.
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Mas não se pode dizer que o Direito Penal Militar cuida de fatos praticados por militares 
das Forças Armadas, das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares, e sim que 
esse ramo do Direito cuida dos bens jurídicos mais elevados dessas instituições, a exemplo 
da hierarquia, da disciplina, da autoridade etc.
Nesse sentido, é possível a perpetração, em regra, de crime militar por alguém que não 
pertença a essas Instituições, já que o foco de proteção não são seus integrantes, mas os 
bens jurídicos já enumerados. Há crimes, ademais, cuja sujeição ativa restringe-se a militar, 
a exemplo do art. 157 do CPM (crime de violência contra superior), enquanto outros há em que 
o sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, a exemplo do art. 158 do mesmo Código (crime de 
violência contra militar de serviço).
Essa primeira conclusão, no entanto, não soluciona a questão, vez que outros elementos 
devem ser adicionados.
Inicialmente, é preciso compreender que não há uma única interpretação para o Direito 
Penal Militar, já que existem várias vertentes, em razão da realidade federal, atrelada às For-
ças Armadas, e a realidade dos Estados da Federação, atrelada aos militares do Estado. As-
sim, há crimes que podem ser praticados tanto na esfera federal como estadual, consistindo 
na grande maioria dos crimes, mas há outros que somente são praticáveis no âmbito federal, 
a exemplo do art. 183 do CPM (crime de insubmissão). Em adição, a compreensão acerca de 
um delito que se tem no âmbito da Justiça Militar da União, pode não ser a mesma que se tem 
no âmbito da Justiça Militar do Estado de São Paulo, que ainda pode destoar da compreensão 
dada na Justiça Militar do Rio Grande do Sul etc.
Por essa razão, é importante que se foque no âmbito de atuação para se chegar a uma 
conclusão mais adequada.
Claro que alguns assuntos já chegaram ao Supremo Tribunal Federal e ao Superior Tribu-
nal de Justiça, mas nem isso, se não houver veiculação por súmula vinculante do Supremo, 
é capaz de pacificar algumas questões.
Por derradeiro, há um último ponto a ser mencionado, consistente na possibilidade de um 
não militar poder ou não praticar crime militar.
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Há pouco vimos que uma pessoa não integrante das Instituições Militares pode, em regra, 
praticar crime militar, e essa realidade não encontra dificuldades no âmbito das Forças Arma-
das, já que a Justiça Militar da União é competente para julgar qualquer pessoa que pratique 
crime militar, nos termos do art. 124 da Constituição federal. Dessa forma, um não militar que 
agrida um soldado do Exército Brasileiro que esteja de guarda em um quartel, será proces-
sado e julgado, perante a Justiça Militar da União, pelo delito capitulado no art. 158 do CPM.
Essa realidade, no entanto, não é tão tranquila no âmbito das Justiças Militares dos Es-
tados.
O § 4º do art. 125 da Constituição Federal dispõe que:
§ 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares dos Estados, nos crimes 
militares definidos em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, ressalvada a com-
petência do júri quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do 
posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças.
Como se pode perceber, ao contrário da Justiça Militar da União, as Justiças Militares dos 
Estados não possuem como jurisdicionados pessoas que não sejam militares dos Estados, 
surgindo, pois, uma questão que tem atormentado parte da doutrina: pela previsão constitu-
cional, aquele que não é militar do Estado, ou seja, umnão militar, não pratica o crime militar 
em âmbito estadual ou o pratica, devendo ser julgado por esse fato pela Justiça comum?
Embora haja voz destoante, a  compreensão doutrinária e jurisprudencial esmagadora-
mente dominante tem sido a de que o não militar não comete crime militar na esfera estadual, 
devendo ser julgado por crime que abarque o fato previsto no Código Penal comum. Dessa 
forma, no mesmo exemplo do caso da agressão a militar de guarda no quartel, em sendo um 
quartel da Polícia Militar ou do Corpo de Bombeiros Militar, o autor do fato, não militar, será 
julgado pela justiça criminal comum do Estado, por crime previsto no Código Penal comum, 
como a lesão corporal, o homicídio etc.
No âmbito da Justiça Militar da União, qualquer pessoa pode ser processada por crime militar.
No âmbito das Justiças Militares dos Estados e do Distrito Federal, apenas os militares dos 
Estados e do DF, entenda-se, policiais militares e bombeiros militares, podem ser jurisdicio-
nados.
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2.7. interpretAção AutêntiCA no CpM
Você já sabe, claro, do estudo do Direito como um todo, que interpretar uma lei é definir 
o exato alcance de seu texto, ou seja, delimitar o espectro de abrangência da norma penal. 
Como bem ensina Fragoso, por meio “da interpretação descobre-se o significado atual da 
norma, ajustando-a, dentro de sua possível capacidade de expansão, às exigências e concep-
ções do presente” (2004, p. 99).
Muito embora alguns não admitam haver espécies de interpretação, porquanto a consi-
deram um processo único, que abrange vários momentos e técnicas, há setor doutrinário que 
costuma enumerar algumas formas de interpretação que podem prevalecer, de acordo com o 
mote dado no caso em espécie, podendo-se agrupar tais espécies de acordo com a fonte de 
interpretação, com o meio empregado ou com o resultado obtido.
No propósito aqui apresentado, interessa a classificação quanto à fonte da interpretação, 
podendo ser doutrinária, jurisprudencial e autêntica. Esta a que será delineada como peculia-
ridade interessante do Código Penal Militar.
A interpretação autêntica é aquela originária da própria fonte da norma interpretada. Em 
outras palavras, aquele que elaborou a norma a interpreta na mesma lei – interpretação au-
têntica contextual – ou em lei posterior – interpretação autêntica posterior. O exemplo maior 
dessa espécie de interpretação é a Exposição de Motivos dos Códigos, no nosso caso, do 
Código Penal Militar. Como exemplo, ao tratar da maioridade penal, o item 6 da Exposição de 
Motivos do CPM dispõe que a “idade mínima para os efeitos da responsabilidade, que o Direi-
to Penal militar vigente admite inferior a 18 anos, aparece agora mais bem tratada”, e prosse-
gue dizendo que:
Não só é deferida ao juiz a faculdade de reconhecer em alguns casos a capacidade penal, entre 16 
e 18 anos, como é estabelecida taxativamente a equiparação, em casos específicos que a Justiça 
Militar tem definido, de menores de 18 anos aos maiores dessa idade.
Como se percebe, o  legislador de 1969 entendeu como um avanço a possibilidade de 
responsabilização do menor de 18 anos por crimes militares, expondo expressamente essa 
visão, mal sabendo que, em 1988, a Constituição Cidadã afastaria por completo essa possibi-
lidade, como veremos em ponto específico.
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Mas não é a Exposição de Motivos a única materialização da interpretação autêntica. 
Pode ela vir articulada, como dissemos acima, no contexto da própria lei (contextual) ou em 
outra lei que se pretenda explicar uma primeira (posterior). Nesse sentido, o legislador penal 
militar foi prudente em dar à luz inúmeras regras autênticas para interpretar a lei penal no 
próprio texto do estatuto penal militar.
Veremos algumas dessas interpretações trazidas pelo CPM. Alerto a você que não segui-
remos a ordem dos artigos, mas uma escala de IMPORTÂNCIA de cada conceito, o que signi-
fica maior probabilidade de exigência em concurso.
2.7.1. Conceito de Militar (Artigo 22 do CPM)
Caro(a) aluno(a), você sabe o conceito de militar?
Calma!
Antes de responder, saiba que esse conceito é torneado de acordo com a finalidade que 
se pretende.
Assim, no plano constitucional, pode se ter uma concepção segundo a qual militares são 
aqueles que integram as Forças Militares ou nelas se aposentaram (reserva remunerada ou 
reforma). Por exemplo, quando o art. 125, § 4º, CF, dispõe que as Justiças Militares Estaduais 
julgam “militares” dos Estados, a concepção abarca tanto aqueles que estão na ativa, como 
aqueles que estão na inatividade (da reserva remunerada ou reformados).
Ao se deparar com o conceito de militar no direito administrativo militar, em outra frente, 
deve-se buscar o conceito da norma específica da Instituição estudada. Por exemplo, para as 
Forças Armadas, o § 1º do art. 3º da Lei n. 6.880/1980 (Estatuto dos Militares) define que são 
considerados militares na ativa os de carreira, os temporários, incorporados às Forças Arma-
das para prestação de serviço militar, obrigatório ou voluntário, durante os prazos previstos 
na legislação que trata do serviço militar ou durante as prorrogações desses prazos, os com-
ponentes da reserva das Forças Armadas quando convocados, reincluídos, designados ou 
mobilizados, os alunos de órgão de formação de militares da ativa e da reserva e, em tempo 
de guerra, todo cidadão brasileiro mobilizado para o serviço ativo nas Forças Armadas. Na 
inatividade, o mesmo dispositivo considera como militares os da reserva remunerada, quando 
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pertençam à reserva das Forças Armadas e percebam remuneração da União, porém sujeitos, 
ainda, à prestação de serviço na ativa, mediante convocação ou mobilização, os reformados, 
quando, tendo passado por uma das situações anteriores estejam dispensados, definitiva-
mente, da prestação de serviço na ativa, mas continuem a perceber remuneração da União, 
os da reserva remunerada e, excepcionalmente, os reformados, que estejam executando tare-
fa por tempo certo, segundo regulamentação para cada Força Armada.
Entretanto, para o Direito Penal Militar esses conceitos não se aplicam em sua inteireza, 
pois há conceito próprio na lei penal militar.
Antes de conhecer esse conceito, entretanto, veja a aplicação prática.
Há crimes no Código Penal Militar que consignam como elementos típicos palavras que 
somente podem ser compreendidas pela interpretação autêntica, ou então que, ainda que pu-
dessem ser compreendidas facilmente, o legislador, por interpretação autêntica, reduziu seu 
espectro de aplicação.
É, no último caso, o que ocorre com o elemento típico “militar”, palavra que poderia muitobem ser compreendida sem a “voz” do legislador, mas que preferiu ele restringir sua aplicação 
a um menor número de casos.
Como exemplo, vejamos o delito de provocação a país estrangeiro, capitulado no art. 137 
do CPM, que assim dispõe: “Provocar o militar, diretamente, país estrangeiro a declarar guerra 
ou mover hostilidade contra o Brasil ou a intervir em questão que respeite à soberania nacio-
nal”.
O sujeito ativo desse delito é o militar, no entanto, a palavra “militar”, note-se muito bem, 
poderia abranger, como acima indicado, tanto aquele que está em serviço ativo como aqueles 
que já estão em inatividade, ou seja, os integrantes da reserva remunerada ou os reformados.
Em face dos esclarecimentos acima, surge, então, a pergunta: Um militar reformado pode 
ser sujeito ativo do delito do art. 137 do CPM?
A resposta está no art. 22 do CPM, em que o legislador, em interpretação autêntica, dis-
põe que:
Art.  22. É  considerada militar, para efeito da aplicação deste Código, qualquer pessoa que, em 
tempo de paz ou de guerra, seja INCORPORADA às forças armadas, para nelas servir em posto, 
graduação, ou sujeição à disciplina militar.
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No artigo acima, a palavra “incorporada” dá o mote interpretativo adequado, impondo que, 
sempre que houver grafado o elemento típico “militar”, deve-se entender pessoa incorporada 
às Forças Armadas e, por extensão arrimada no art. 42 da Constituição federal, às Polícias 
Militares e Corpos de Bombeiros Militares, ou seja, militares da ativa das Forças Militares 
Federais e Estaduais.
Para se ter um parâmetro, no âmbito das Forças Armadas, a incorporação é o ato de inclu-
são do convocado ou voluntário em uma Organização Militar da Ativa, nos termos do art. 20 
da Lei n. 4.375, de 17 de agosto de 1964. A ela se equipara a matrícula dos militares, entendi-
da como ato de admissão do convocado ou voluntário em qualquer Escola, Centro, Curso de 
Formação de Militar da Ativa, ou Órgão de Formação de Reserva (art. 22 da Lei n. 4.375/1964). 
Dessa forma, desde a incorporação ou matrícula, o  militar estará na ativa, preenchendo o 
disposto no art. 22 do CPM, cessando com a solução de continuidade desse vínculo pela ina-
tividade, licenciamento, demissão etc.
Pensamos dessa maneira, inclusive nos casos daqueles que prestam o serviço militar nos 
Tiros de Guerra, conhecidos como atiradores, malgrado exista posição em sentido oposto, 
com arrimo em precedentes do Supremo Tribunal Federal, entendendo-se que o atirador é 
um civil e não um militar, podendo apenas cometer no período de instrução crimes impropria-
mente militares. Nessa linha, Jorge César de Assis (2017, p. 163-4) menciona, por exemplo, 
o RHC n. 77.290-3/MG, julgado em 6 de outubro de 1998, tendo por relator o Ministro Marco 
Aurélio, quando se consignou que o “tipo do artigo 183 do Código Penal Militar não alcança 
procedimento daquele designado para a feitura do chamado Tiro-de-Guerra”. Arremata com 
a conclusão de que:
Se restou pacificado que o Atirador do Tiro de Guerra não comete o crime de insubmissão – e que 
ele não é considerado militar para os efeitos de aplicação do Código Penal Militar, da mesma forma 
e com muito mais razão ele também não pode cometer nenhum outro crime propriamente militar, 
principalmente o de deserção.
Com o devido respeito, discordamos do autor. O Atirador, após o ato de matrícula, é mili-
tar da ativa, posto ser ela um ato previsto como caminho para o recrutamento para o serviço 
militar, nos termos do art. 12 da Lei n. 4.375/1964. A única diferença é a de que o militar em 
serviço inicial em Unidades diversas do tiro de guerra, será incorporado em não matriculado.
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Mas há, note-se, como acima já mencionado, uma equiparação entre matrícula e incorpo-
ração, já que ambas marcam o início do serviço militar, mesmo para o crime de insubmissão 
(art. 183 do CPM), em que o sujeito ativo é o convocado. O art. 22 da mesma Lei, repita-se, 
é muito claro em definir a matrícula como “ato de admissão do convocado ou voluntário em 
qualquer Escola, Centro, Curso de Formação de Militar da Ativa, ou Órgão de Formação de Re-
serva”. Frise-se, a matrícula também se aplica ao convocado, notadamente no tiro de guerra.
Em adição, o art. 25 da Lei n. 4.375/1964 é também muito claro ao dispor que o:
Convocado selecionado e designado para incorporação ou matrícula, que não se apresentar à Or-
ganização Militar que lhe for designada, dentro do prazo marcado ou que, tendo-o feito, se ausentar 
antes do ato oficial de incorporação ou matrícula, será declarado insubmisso.
Seu parágrafo único, referindo-se obviamente ao anterior Código Penal Militar, comple-
menta dispondo que a:
Expressão ‘convocado à incorporação’, constante do Código Penal Militar (art. 1594), aplica-se ao 
selecionado para convocação e designado para a incorporação ou matrícula em Organização Mili-
tar, o qual deverá apresentar-se no prazo que lhe for fixado.
Reiteramos, portanto, que o atirador é militar da ativa durante a prestação do serviço mi-
litar, e  não estamos sozinhos. O  Superior Tribunal de Justiça, por exemplo, já considerou, 
justamente aplicando o art. 22 do CPM, o atirador como militar da ativa quando contra ele foi 
praticado crime militar, como se viu no Conflito de Competência n. 56.674/RJ, cujo relator foi 
o Ministro Arnaldo Esteves de Lima, julgado pela Terceira Seção, em 28 de março de 2007:
CONFLITO DE COMPETÊNCIA. PENAL. DEFINIÇÃO DE PESSOA CONSIDERADA MILITAR. 
ART. 22 DO CPM. ATIRADOR DO TIRO-DE-GUERRA EM SERVIÇO DE SENTINELA. HIPÓ-
TESE CONFIGURADA. CRIME PRATICADO POR CIVIL CONTRA MILITAR EM SERVIÇO. 
DESACATO. CRIME MILITAR. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR.
4 Código Penal Militar de 1944 (Decreto-Lei n. 6.227, de 24 de janeiro de 1944): Art. 159. Deixar de apresentar-se o convo-
cado à incorporação, dentro do prazo que lhe foi mareado, ou apresentando-se ausentar-se antes do ato oficial de incor-
poração: Pena – detenção, de quatro meses a um ano.
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1) É considerada militar “qualquer pessoa que, em tempo de paz ou de guerra, seja in-
corporada às forças armadas, para nelas servir em posto, graduação, ou sujeição à 
disciplina militar” (Art. 22 do CPM).
2) Constitui crime militar o praticado contra as instituições militares, em lugar sujeito 
à administração militar e contra militar em situação de atividade ou assemelhado 
(Art. 9º, III, b do CPM).
3) Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo Militar da 2ª Auditoria da 1ª 
CJM/RJ, ora suscitante” (g.n.).
Ora, sendo considerado militar para os fins de prática de delito militar contra ele, não há 
razão para desconsiderar essa construção

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