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Soprinho
Fernanda Lopes de Almeida 
Ilustrações de Odilon Moraes
Soprinho
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Todos os bosques do mundo são encantados. 
Se você não acredita, é porque ainda 
não conhece Soprinho. 
Só ele tem o poder de 
fazer a gente ver tudo 
de forma diferente. 
Basta receber o seu 
sopro e pronto! 
Você descobre um 
mundo habitado 
por fadas, mágicos, 
duendes, gênios, todos 
eles entregues a um 
trabalho misterioso. E 
por fim desvenda o grande 
enigma: afinal quem é bom e 
quem é mau no reino da natureza? 
Mas Soprinho ainda deixa outra 
pergunta no ar: o que é bom e o que é 
mau em nossa própria vida?
Fernanda Lopes de Almeida 
é uma das principais autoras de livros infantis 
do Brasil. Com obras repletas de magia e fantasia, 
ela nos conduz, assim como Soprinho, a lugares 
incríveis, onde sempre há algo diferente e importante para 
se descobrir. Lançado em 1971, o livro ganhou o prêmio Jabuti 
e nunca parou de ser reeditado e de conquistar novas gerações de 
leitores, tornando-se um clássico da nossa literatura infantil.
Odilon Moraes
inspirou-se na Mata Atlântica para compor os detalhados cenários de Soprinho. 
A técnica primorosa e o olhar poético que afloram em seu trabalho fazem dele 
um dos mais reconhecidos e premiados ilustradores do país.
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– Pronto, daqui a pouco já estarão levezados e rapidados.
Soprinho às vezes tinha um modo de falar diferente de todo o mundo.
– Nesse caso, vamos logo – disse o Chefe.
Mas aí todos se lembraram que queriam levar alguma coisa. Helena, que era muito 
prática, achou que deviam levar uma sacola com alguns alimentos. Senão o que iriam comer 
no bosque? Teresinha não podia separar-se do livro de histórias que estava lendo. O Chefe 
queria ir com a mochila. Luisinho precisava do anzol de pescaria e, além disso, não dispensava 
o seu boné de estimação. Sem o boné, os passeios perdiam a graça para ele.
Foi preciso irem, um por um, lá dentro, na ponta dos pés. A�nal, acabados os 
preparativos, reuniram-se ao redor de Soprinho.
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– Que maravilha! – aplaudiu a fada. – Faz de novo!
Luisinho teve que gastar a caixa de fósforos quase toda, pois a fada não se cansava de 
ver. Riscava o fósforo e logo apagava, com um sopro, para �car mais parecido com mágica.
– Só falta o trovãozinho – disse a fada.
– Hein? – estranhou Luisinho.
– Você faz um raio pequenino, mas esquece de fazer o trovãozinho junto.
– Ah! Pois justamente: eu inventei um jeito de fazer raio sem trovão. Não acha 
mais interessante?
Felizmente a fada, que era muito irrequieta, abandonou o assunto.
– Eu acho – disse ela – é que você é um mágico bem poderoso, para a idade que tem. 
Imagine, tão pequeno e já faz até raios!
– É, mas só faço raios pequenos.
– Não faz mal – consolou a fada. – Quando você crescer aposto que vai ser capaz 
de fazer até tempestades.
– Nada disso. Quando eu crescer, vou é fazer um arco-íris dez vezes mais bonito que 
o de minha queda-d’água e vou dar de presente a você.
A fada, de tão alegre, deu um abraço em Luisinho:
– Estou louca para ganhar esse arco-íris. Você não podia dar um jeito de crescer 
amanhã mesmo?
Luisinho riu. A fada estava achando que ele era tão poderoso que podia até virar 
gente grande de repente.
– Não sou tão poderoso assim. Tenho de crescer devagar, como todos.
– Então não faz mal. Até é bom porque, se você crescesse já, não ia mais querer 
brincar comigo, que sou pequena.
Luisinho pôs a mão no coração:
– Fadazinha, eu sou seu amigo para o resto da vida, juro. Crescido ou não crescido, 
você mora no meu coração. Sabe de uma coisa? Vou lhe dar o meu boné de presente.
A fada �cou felicíssima:
– Puxa, muito obrigada! Mas ele não vai fazer falta a você?
– Nenhuma, não se preocupe. Tenho outros em casa. Agora preciso ir. Os mágicos, 
meus companheiros, estão me esperando.
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A chuva
– Que pena! – disse o Chefe. – Está um dia feio. Não vamos poder sair.
– Por que me acha feia? – perguntou alguém.
Na entrada da gruta estava uma moça com um vestido todo feito de gotinhas e um 
véu prateado sobre os cabelos.
– Já sei! – gritou Teresinha. – Você é a Fada da Chuva!
– Como adivinhou?
– Percebi pelo seu vestido.
– Pois é. Fico tão triste quando dizem o que esse menino disse...
– Oh! Desculpe! – exclamou o Chefe. – Eu não queria entristecê-la. Não sabia que 
andava por perto.
– Não se preocupe. Já estou acostumada. É só amanhecer chovendo e começa todo 
mundo: “Está um dia tão feio!”. Ora, isso é uma injustiça. Dia de chuva não é feio, é lindo.
– Lindo? Você não está exagerando? Não vejo nada de lindo num dia de chuva.
– É porque você não sabe ver. Repare: feche os olhos e depois olhe para o Bosque 
como se fosse esta a primeira chuva que você vê na vida.
O Chefe fechou, depois olhou:
– É... Estou vendo tudo diferente, mesmo.
Os outros vieram fazer também a experiência. Fechavam os olhos e pensavam: 
“Vou �ngir que nunca vi chuva”. Depois abriam e olhavam.
Perceberam então que o Bosque estava uma beleza. Tudo �cara prateado. A chuva 
cerrada era uma cortina que não parava de se mexer. E, atrás da cortina, as árvores e 
folhagens pareciam de um outro mundo.
– Será possível? – disse Helena. – Não é que dia de chuva é lindo mesmo? Por que 
nós nunca percebemos?
– Costume – explicou a Fada. – De tanto ouvirem dizer: “Que dia feio!”, quando 
está chovendo, vocês se habituaram e nem foram examinar para ver se era feio mesmo.
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O caminho novo
– Desçam, desçam! – disse Soprinho.
Ninguém esperou segunda ordem. Correram todos para lá.
Mas descer não era nada fácil. Tinham que ir segurando-se nas paredes de pedra 
para não caírem lá no fundo. E o mais esquisito era um nevoeiro que não deixava 
enxergar direito.
Quando já não conseguiam ver nada, uma porção de vozes começou a sair das paredes:
– Essas crianças vão perturbar tudo! Ponham essas crianças para fora! – gritavam 
elas, furiosas.
– Isso não se faz! Isso não se faz! Elas vão soltar os dragões! – reclamavam 
outras, esganiçadas.
Os meninos �caram muito assustados.
– Estarão dizendo a verdade? Haverá dragões, mesmo? – perguntou Luisinho, no 
ouvido do Chefe.
O Chefe quis consultar Soprinho, mas não se via onde ele estava.
– Vamos continuar – decidiu ele. – Se Soprinho disse para descermos, devia ter 
uma boa razão.
Continuaram. As vozes foram �cando cansadas e calando. Os meninos perceberam 
que tinham chegado ao �m da descida.
– Pessoal! Estamos na beira do pântano! – gritou o Chefe.
Ninguém conseguia acreditar. Tinham pensado tudo, menos que o pântano fosse 
no fundo da Terra.
Que paisagem triste e sem graça! Só havia lama, pedras e umas plantas feiase 
espinhentas. O nevoeiro cobria tudo.
– Olhem lá a árvore torta! – descobriu Teresinha.
Lá estavam a árvore e o caminho, tal e qual o Gênio da Ventania tinha ensinado. 
Foram todos para lá.
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Todos os bosques do mundo são encantados. 
Se você não acredita, é porque ainda 
não conhece Soprinho. 
Só ele tem o poder de 
fazer a gente ver tudo 
de forma diferente. 
Basta receber o seu 
sopro e pronto! 
Você descobre um 
mundo habitado 
por fadas, mágicos, 
duendes, gênios, todos 
eles entregues a um 
trabalho misterioso. E 
por fim desvenda o grande 
enigma: afinal quem é bom e 
quem é mau no reino da natureza? 
Mas Soprinho ainda deixa outra 
pergunta no ar: o que é bom e o que é 
mau em nossa própria vida?
Fernanda Lopes de Almeida 
é uma das principais autoras de livros infantis 
do Brasil. Com obras repletas de magia e fantasia, 
ela nos conduz, assim como Soprinho, a lugares 
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se descobrir. Lançado em 1971, o livro ganhou o prêmio Jabuti 
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leitores, tornando-se um clássico da nossa literatura infantil.
Odilon Moraes
inspirou-se na Mata Atlântica para compor os detalhados cenários de Soprinho. 
A técnica primorosa e o olhar poético que afloram em seu trabalho fazem dele 
um dos mais reconhecidos e premiados ilustradores do país.
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