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AULA 1 - PARTILHA NO REGIME DA COMUNHAO PARCIAL DE BENS

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_____________________________________________________ 
2 
 
 
AULA 1 
PARTILHA NO REGIME DA COMUNHÃO 
PARCIAL DE BENS 
 
1. Introdução 
 
A forma como os bens, direitos e dívidas serão partilhados depende 
diretamente do regime de bens adotado pelas partes. 
Nos termos do art. 1.639 do CC, “é lícito aos nubentes, antes de celebrado o 
casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver”. Por sua vez, o art. 
1.640 do CC estabelece que “não havendo convenção, ou sendo ela nula ou ineficaz, 
vigorará, quanto aos bens entre os cônjuges, o regime da comunhão parcial”. 
Caso os nubentes queiram adotar regime diverso da comunhão parcial, 
deverão celebrar um pacto antenupcial. O pacto antenupcial é um negócio jurídico 
bilateral e solene por meio do qual os nubentes estipularão o regime patrimonial do 
casamento. O pacto antenupcial será celebrado por instrumento público (escritura 
pública lavrada no tabelionato de notas). Caso seja realizado o pacto antenupcial e, por 
alguma razão, o casamento não ocorrer, o pacto será ineficaz. 
Tratando-se de união estável, é possível que os conviventes instituam o regime 
de bens de forma diversa da comunhão parcial. Contudo, não será celebrado um pacto 
antenupcial (este é só para o casamento). Na união estável, há maior informalidade, 
podendo o regime de bens ser celebrado por instrumento público ou particular. A única 
exigência é que seja escrito. 
Nesse sentido decidiu a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça: 
 
 
 
_____________________________________________________ 
3 
 
PROCESSUAL CIVIL. CIVIL. CONTRATO DE CONVIVÊNCIA 
PARTICULAR. REGULAÇÃO DAS RELAÇÕES PATRIMONIAIS DE 
FORMA SIMILAR À COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. 
POSSIBILIDADE. 1. O texto de Lei que regula a possibilidade de 
contrato de convivência, quando aponta para ressalva de que 
contrato escrito pode ser entabulado entre os futuros 
conviventes para regular as relações patrimoniais, fixou uma 
dilatada liberdade às partes para disporem sobre seu 
patrimônio. 2. A liberdade outorgada aos conviventes deve se 
pautar, como outra qualquer, apenas nos requisitos de validade 
de um negócio jurídico, regulados pelo art. 104 do Código Civil. 
3. Em que pese a válida preocupação de se acautelar, via 
escritura pública, tanto a própria manifestação de vontade dos 
conviventes quanto possíveis interesses de terceiros, é certo que 
o julgador não pode criar condições onde a lei estabeleceu o 
singelo rito do contrato escrito. 4. Assim, o pacto de convivência 
formulado em particular, pelo casal, na qual se opta pela adoção 
da regulação patrimonial da futura relação como símil ao regime 
de comunhão universal, é válido, desde que escrito. 5. Ainda que 
assim não fosse, vulnera o princípio da boa-fé (venire contra 
factum proprium), não sendo dado àquele que, sem amarras, 
pactuou a forma como se regularia as relações patrimoniais na 
união estável, posteriormente buscar enjeitar a própria 
manifestação de vontade, escudando-se em uma possível 
tecnicalidade não observada por ele mesmo. 5. Recurso provido. 
(REsp 1459597/SC, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA 
TURMA, julgado em 01/12/2016, DJe 15/12/2016) 
 
2. Conhecendo os regimes de bens 
 
2.1. Princípios estruturantes do regime de bens 
 
Os princípios que estruturam o regime patrimonial do casamento/união estável 
são os seguintes: 
 
a) Liberdade de escolha 
 
 
_____________________________________________________ 
4 
 
 
Os efeitos econômicos da instituição de uma entidade familiar residem no 
âmbito da autonomia da vontade. Assim, as partes são livres para eleger o regime 
patrimonial da união. 
Nos termos do art. 1.639, caput, do CC, “é lícito aos nubentes, antes de 
celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver”. O § 1º 
do referido artigo, por sua vez, prevê que “o regime de bens entre os cônjuges começa 
a vigorar desde a data do casamento”. 
O código civil elenca os regimes patrimoniais e dispõe sobre as regras aplicáveis 
a cada um deles no tocante aos bens que entram e aos que não entram na comunhão. 
Ao estabelecer regras próprias para cada regime, o código civil busca conferir maior 
previsibilidade à situação patrimonial das partes e maior segurança jurídica. 
Além dos regimes previstos expressamente no código, as partes podem 
celebrar um negócio jurídico solene para estipular, da forma como bem entenderem, 
regras patrimoniais próprias. Trata-se do chamado “pacto antenupcial”. 
O código civil estabelece um regime supletivo da vontade das partes, que é o 
regime da comunhão parcial de bens. Dizendo por outras palavras, caso as partes não 
celebrem um pacto antenupcial, será adotado o regime da comunhão parcial de bens, 
também chamado de “regime legal”. 
Por outro lado, há certas situações nas quais a lei impõe a adoção do regime da 
separação de bens. Fala-se, assim, em regime da separação obrigatória de bens, 
também conhecido como “regime legal obrigatório” ou “regime de bens compulsório”. 
Nesse regime, há total incomunicabilidade entre os bens das partes. Podem ser citados 
como efeitos desse regime: 
 
• Os cônjuges não podem estabelecer sociedade entre si (art. 977 do CC); 
 
 
_____________________________________________________ 
5 
 
• Não precisam de autorização para alienar bens a descendente (art. 496 
do CC); 
• Não haverá direitos sucessórios (art. 1.829 do CC) 
 
b) Variedade de regimes de bens 
 
O código civil estabelece quatro regimes de bens para o casamento, os quais 
também podem ser adotados na união estável: i - comunhão parcial de bens (arts. 1.658 
a 1.666 do CC); ii - comunhão universal (arts. 1.667 a 1.671 do CC); iii – participação final 
nos aquestos (arts. 1.672 a 1.686 do CC); iv – separação de bens (arts. 1.687 a 1.688 do 
CC). 
Além desses regimes previstos na lei, os cônjuges poderão estabelecer um 
regime próprio, ou seja, são livres para desenhar um modelo patrimonial que se adeque 
à sua realidade. 
 
c) Mutabilidade motivada do regime de bens 
 
O código admite que os cônjuges, após o casamento, modifiquem o regime de 
bens. Nos termos do § 2º do art. 1.639 do CC, “é admissível alteração do regime de bens, 
mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a 
procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros”. Contudo, é 
preciso observar alguns requisitos cumulativos. Vejamos: 
 
• O pedido deve ser formulado por ambos os cônjuges; 
• Autorização judicial (procedimento especial de jurisdição voluntária). 
Competência da vara de família. 
 
 
_____________________________________________________ 
6 
 
• Indicação de motivo relevante (os requerentes devem 
fundamentar/justificar o pedido); 
• Inexistência de prejuízo de terceiros e dos próprios cônjuges. 
 
O tema será tratado em capítulo próprio. 
 
2.2. Questões relevantes sobre os regimes de bens 
 
2.2.1. Comunhão parcial de bens 
 
Dispensa pacto antenupcial. 
 
Art. 1.658. No regime de comunhão parcial, comunicam-se os 
bens que sobrevierem ao casal, na constância do casamento, 
com as exceções dos artigos seguintes. 
 
O art. 1.658 do CC estabelece um PRESUNÇÃO ABSOLUTA de colaboração dos 
cônjuges em relação à aquisição onerosa dos bens durante o casamento. 
Também se aplica à união estável (art. 1.725 do CC). 
Os bens excluídos e os bens incluídos da comunhão estão previstos, 
respectivamente, nos arts. 1.659 e 1.660 do CC. Vejamos: 
 
2.2.1.1. Bens expressamente excluídos da comunhão são (art. 1.659 do CC) 
 
I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na 
constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu 
lugar 
 
 
_____________________________________________________ 
7 
 
 
O ônus daprova acerca da doação ou sub-rogação é de quem alega. Por isso é 
importante documentar a negociação (alienação e aquisição de bens). No caso de 
doação, é importante que haja o respectivo instrumento. Se o bem recebido a título de 
doação for dado em pagamento de outro bem (sub-rogação), a parte correspondente 
ao bem doado não entra na comunhão. 
Vejamos um modelo de cláusula de sub-rogação que pode ser inserida no 
negócio jurídico: 
 
Cláusula de Sub-Rogação: O (a) Outorgado (a) Comprador (a) declara para os devidos 
fins e direitos que, nos termos do artigo 1.659, inciso I (ou II) do Código Civil Brasileiro, 
o imóvel objeto desta Escritura Pública é adquirido com o valor decorrente da alienação 
do bem particular …………, que consta/constava exclusivamente em seu nome, conforme 
Matricula n. …do Livro 2 de Registro Geral do Cartório…… e por isso fica mantido a 
natureza de bem particular não comunicável com seu marido /sua mulher (qualificação 
completa), que assina o presente ato dando sua concordância com a declaração de se 
tratar de bem sub-rogado. E por ambos foi declarado que têm conhecimento que 
constitui crime firmar declaração falsa, e estão cientes que aquele que faz, com 
finalidade de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante comente crime de 
falsidade ideológica, punido nos termos do art. 299 do Código Penal. 
 
No tocante à doação, o STJ firmou entendimento no sentido de que não é 
preciso que o instrumento de doação mencione tratar-se de doação exclusiva a apenas 
um dos cônjuges. Isso porque a incomunicabilidade decorre do próprio regime de 
casamento. 
 
DIREITO CIVIL. FAMÍLIA CASAMENTO. COMUNHÃO PARCIAL DE 
BENS. DISSOLUÇÃO. DOAÇÃO EM DINHEIRO. AQUISIÇÃO DE 
IMÓVEL. CLÁSULA DE INCOMUNICABILIDADE. PREVISÃO LEGAL. 
PATRIMÔNIO COMUM. PARTILHA DE BENS. DOCUMENTO 
PARTICULAR. PROVAS POR OUTROS MEIOS. POSSIBILIDADE. 
EXAME. AUSÊNCIA. 1. No regime da comunhão parcial de bens, 
a cláusula de incomunicabilidade dos bens recebidos em doação 
 
 
_____________________________________________________ 
8 
 
por um dos cônjuges decorre da lei (art. 1659, inc. I, do Código 
Civil/2002), sendo desnecessária a inclusão dessa regra no 
contrato correspondente. 2. A comunicabilidade dos bens 
adquiridos na vigência do casamento celebrado sob o regime da 
comunhão parcial de bens tem por lógica a idéia de participação 
mútua na formação do patrimônio do casal. 3. No caso de 
doação em dinheiro feita pelo genitor de um dos cônjuges para 
aquisição de imóvel, o documento particular para formalização 
do negócio jurídico (CC/2002, arts. 541, parágrafo único, e 221, 
parágrafo único) não se caracteriza como instrumento 
substancial do ato, admitindo-se que a transmissão seja 
comprovada por outros meios, em atenção ao princípio do que 
veda o enriquecimento sem causa. 4. Hipótese em que o acórdão 
recorrido limitou-se a declarar não configurada a doação 
exclusivamente em razão de não ter sido ela formalizada por 
instrumento particular, sem examinar as demais provas dos 
autos que comprovariam ter sido o imóvel adquirido pelo pai e 
apenas registrado em nome da filha, tais como cheques dados 
em pagamento, declarações de vendedores e até mesmo 
reconhecimento do ex-cônjuge. 5. Determinado o retorno dos 
autos ao Tribunal de origem, a fim que, a partir do exame de 
todo o conjunto probatório dos autos, decida se o imóvel foi 
adquirido com recursos doados pelo genitor da ora recorrente, 
aplicando o direito à espécie. 6. Agravo interno e Recurso 
especial providos. (AgInt no REsp 1351529/SP, Rel. Ministro 
LÁZARO GUIMARÃES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 
5ª REGIÃO), Rel. p/ Acórdão Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, 
QUARTA TURMA, julgado em 13/03/2018, DJe 24/04/2018). 
 
A parte contrária, contido, poderá alegar que a doação verbal somente é 
admitida para bens móveis de pequeno valor, nos termos do art. 541, parágrafo único, 
do CC, in verbis: 
 
Art. 541. A doação far-se-á por escritura pública ou instrumento 
particular. 
Parágrafo único. A doação verbal será válida, se, versando sobre 
bens móveis e de pequeno valor, se lhe seguir incontinenti a 
tradição. 
 
 
_____________________________________________________ 
9 
 
 
O que disse o STJ? 
Segundo a Min. Maria Isabel Gallotti, no julgamento do AgInt no REsp 
1351529/SP, 
 
“Entendo, todavia, que, sendo certo que a comunicabilidade dos 
bens adquiridos na vigência do casamento celebrado sob o 
regime da comunhão parcial bens tem por lógica a idéia de 
participação mútua na formação desse patrimônio, esse 
documento particular, a que alude o caput do art. 541 do Código 
Civil, não é da substância do ato de doação. Se se tratasse da 
doação de bem imóvel, sem escritura pública, esta seria 
instrumento substancial da doação e, portanto, não se poderia 
fazer qualquer outro tipo de prova, porque sem a escritura 
pública não haveria doação. Sendo doação de dinheiro, como 
vislumbrado no acórdão que julgou os embargos de declaração, 
no caso em exame em que se pretende a partilha em partes 
iguais do imóvel adquirido na constância do casamento, mas 
com recursos que a ex-cônjuge alega serem oriundos de doação, 
o instrumento particular não é da substância do ato de doação e 
é possível que seja feita a prova com outros meios admitidos em 
Direito, conforme se extrai do parágrafo único do art. 221, tido 
também como violado no recurso especial, segundo o qual "a 
prova do instrumento particular pode suprir-se pelas outras de 
caráter legal". 
 
Vejamos a redação do art. 221 do CC: 
 
Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente 
assinado por quem esteja na livre disposição e administração de 
seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; 
mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a 
respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. 
Parágrafo único. A prova do instrumento particular pode suprir-
se pelas outras de caráter legal. 
 
 
 
_____________________________________________________ 
10 
 
II - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos 
cônjuges em sub-rogação dos bens particulares 
 
Tratando-se de sub-rogação (ex.: recebi um valor a título de herança e usei para 
comprar um imóvel), é importante que no instrumento do negócio jurídico (ex.: contrato 
de compra e venda) se faça constar a origem dos valores. 
Trata-se de cláusula de sub-rogação. A parte deve exigir que o tabelião insira 
tal cláusula na escritura pública de promessa de compra e venda (ou de compra e 
venda), a fim de evitar qualquer discussão futura acerca da origem dos valores utilizados 
para a aquisição do bem. 
 
III - as obrigações anteriores ao casamento 
 
As dívidas contraídas por um dos cônjuges antes do casamento não se 
comunicam (ex.: empréstimos anteriores). 
 
IV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do 
casal 
 
As obrigações provenientes de atos ilícitos não se comunicam (ex.: dívida do 
marido decorrente de um acidente de trânsito por ele causado). Contudo, caso o 
proveito obtido com a prática do ato ilícito se reverta em benefício do casal, haverá 
comunicabilidade. 
 
V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão 
 
Os instrumentos de trabalho são incomunicáveis. 
 
 
_____________________________________________________ 
11 
 
 
VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge 
 
VII - as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes. 
 
Tanto os proventos (salário) quanto as pensões e demais rendas são 
incomunicáveis. Contudo, no que diz respeito ao salário e rendas, é preciso ter em 
mente que a incomunicabilidade deve ser compreendida em uma perspectiva futura. 
Isso porque, no curso do casamento/união estável, as rendas obtidas por cada um 
passam a integrar o patrimônio comum do casal. 
Vejamos alguns questionamentos: 
 
1ª) Serão objeto de partilha as indenizaçõesde natureza trabalhista, os valores 
atrasados originados de diferenças salariais e decorrente do Fundo de Garantia por 
Tempo de Serviço – FGTS? 
 
“as indenizações de natureza trabalhista, os valores atrasados 
originados de diferenças salariais e decorrente do Fundo de 
Garantia por Tempo de Serviço - FGTS, quando referentes a 
direitos adquiridos na constância do vínculo conjugal e na 
vigência dele pleiteados, devem ser objeto de comunhão e 
partilha, ainda que a quantia tenha sido recebida apenas 
posteriormente à dissolução do vínculo” (REsp 1651292/RS, Rel. 
Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 
19/05/2020, DJe 25/05/2020). 
 
Nesse sentido: 
 
“No regime de comunhão parcial ou universal de bens, o direito 
ao recebimento dos proventos não se comunica ao fim do 
casamento, mas, ao serem tais verbas percebidas por um dos 
cônjuges na constância do matrimônio, transmudam-se em bem 
comum, mesmo que não tenham sido utilizadas na aquisição de 
 
 
_____________________________________________________ 
12 
 
qualquer bem móvel ou imóvel (arts. 1.658 e 1.659, VI, do 
Código Civil)” (AgRg no REsp 1143642/SP, Rel. Ministro LUIS 
FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 26/05/2015, DJe 
03/06/2015). 
 
Os valores de FGTS cujos fatos geradores ocorreram antes do início do 
casamento/união estável não entram na comunhão. Conforme já decidiu o STJ, diante 
do divórcio de cônjuges que viviam sob o regime da comunhão parcial de bens, não deve 
ser reconhecido o direito à meação dos valores que foram depositados em conta 
vinculada ao FGTS em datas anteriores à constância do casamento e que tenham sido 
utilizados para aquisição de imóvel pelo casal durante a vigência da relação conjugal. 
STJ. 2ª Seção. REsp 1.399.199-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Rel. para acórdão Min. 
Luis Felipe Salomão, julgado em 9/3/2016 (Info 581). 
 
2ª) Será objeto de partilha o crédito previdenciário recebido pelo cônjuge em razão de 
trânsito em julgado de sentença de procedência de ação por ele ajuizada em face do 
INSS, por meio da qual lhe foi concedida aposentadoria por tempo de serviço? 
 
“O crédito previdenciário decorrente de aposentadoria pela 
previdência pública que, conquanto recebido somente veio a ser 
recebido após o divórcio, tem como elemento causal uma ação 
judicial ajuizada na constância da sociedade conjugal e na qual 
se concedeu o benefício retroativamente a período em que as 
partes ainda se encontravam vinculadas pelo casamento, deve 
ser objeto de partilha, na medida em que, tal qual na hipótese 
de indenizações trabalhistas e recebimento de diferenças 
salariais em atraso, a eventual incomunicabilidade dos 
proventos do trabalho geraria uma injustificável distorção em 
que um dos cônjuges poderia possuir inúmeros bens reservados 
frutos de seu trabalho e o outro não poderia tê-los porque 
reverteu, em prol da família, os frutos de seu trabalho” (REsp 
1651292/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, 
julgado em 19/05/2020, DJe 25/05/2020). 
 
3ª) E os valores constantes em regime de previdência privada fechada? 
 
 
_____________________________________________________ 
13 
 
 
“A previdência privada fechada, por sua vez, é bem 
incomunicável e insuscetível de partilha por ocasião do divórcio, 
tendo em vista a sua natureza personalíssima, eis que instituída 
mediante planos de benefícios de natureza previdenciária 
apenas aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas 
aos quais os empregados estão atrelados, sem se confundir, 
contudo, com a relação laboral e o respectivo contrato de 
trabalho” (REsp 1651292/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, 
TERCEIRA TURMA, julgado em 19/05/2020, DJe 25/05/2020). 
 
Bons estudos!