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Fundamentos do Direito 1

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Fundamentos do Direito
Unidade 1
Noções de Direito
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
ALESSANDRA VANESSA FERREIRA DOS SANTOS
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
CAMILA COELHO MOREIRA
AUTORIA
Camila Coelho Moreira
Sou formada, pós-graduada e mestre em Direito, com experiência 
técnico-profissional na área. Atualmente sou diretora da área de 
contencioso civil de um escritório de advocacia no qual eu sou sócia na 
cidade de Vitória/ES. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir 
minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. 
Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de 
autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase 
de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
O direito e sua relação com a justiça e a moral ............................. 12
Classificações, ramos e fontes do direito ........................................ 21
Classificações do direito ............................................................................................................ 21
Ramos do direito ............................................................................................................................22
Direito Público e Direito Privado ......................................................................23
Direito Público Interno .............................................................................................24
Direito Constitucional ............................................................................24
Direito Administrativo ............................................................................24
Direito Penal ................................................................................................24
Direito Previdenciário ............................................................................24
Direito Eleitoral ..........................................................................................25
Direito Processual ....................................................................................25
Direito Tributário .........................................................................................25
Direito Público Externo ...........................................................................................25
Direito Privado Interno ...........................................................................25
Direito Civil ....................................................................................................26
Direito Empresarial .................................................................................26
Direito do Trabalho .................................................................................26
Direito Privado Externo .........................................................................26
Fontes do direito .............................................................................................................................27
A Lei .......................................................................................................................................27
Costumes ...........................................................................................................................28
Jurisprudência ................................................................................................................28
Doutrina ...............................................................................................................................29
Princípios gerais do direito ..................................................................................29
Analogia ............................................................................................................................. 30
Normas jurídicas, processos e procedimento ................................ 32
Normas jurídicas ..............................................................................................................................32
Processo e procedimento ........................................................................................................ 36
Teoria Geral do Estado ............................................................................. 41
Conceito e evolução história do Estado ....................................................................... 41
Elementos do Estado ...................................................................................................................44
Povo .......................................................................................................................................44
Território ..............................................................................................................................45
Soberania ......................................................................................................................... 46
Formas de Governo ......................................................................................................................47
9
UNIDADE
01
Noções de Direito
10
INTRODUÇÃO
O direito é uma área do conhecimento de extrema relevância, a qual 
todos estamos sujeitos até o fim de nossas vidas. Além de sua importância 
no mercado de trabalho, atos cotidianos, como atravessar a rua, pegar um 
ônibus ou fazer um lanche, estão sujeitos a normas jurídicas que devem 
ser observadas e respeitadas, sob pena de sanções. Meu objetivo nessa 
unidade é proporcionar conhecimentos jurídicos básicos para que você 
possa se destacar como profissional e enfrentar situações do dia a dia que 
envolvam essa temática. Isso significa que, ao longo desta unidade letiva, 
você vai mergulhar neste universo de leis, doutrinas, jurisprudências... 
vamos nessa comigo?
Noções de Direito
11
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vinda (o). Nosso propósito é auxiliar você no 
desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término 
desta etapa de estudos:
1. Explicar o que é o direito e sua relação com a moral e com a justiça. 
2. Explicar sobre as áreas, os ramos e as fontes do direito.
3. Identificar as espécies normativas e a diferença entre processo e 
procedimento
4. Interpretar a teoria geral do Estado e os regimes políticos.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? 
Ao trabalho! 
Noções de Direito
12
O direito e sua relação com a justiça e a 
moral
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender 
em que consiste a ciência do Direito e como ela está 
relacionada com a moral e com a justiça. Certamente 
isto será fundamental para a compreensão dos capítulos 
a seguir. Motivado para desenvolver esta competência? 
Então vamos lá. Avante! 
Para darmosinício ao estudo da disciplina, o nosso ponto de 
partida será entender o que é o direito. Pode parecer algo simples, mas 
conceituar o direito não é uma tarefa fácil, pois sua complexidade dificulta 
estabelecer uma única definição. 
Antes de adentrarmos no assunto propriamente dito, precisamos 
pensar o mundo em que vivemos sob duas perspectivas distintas: o 
natural e o cultural. O mundo natural é aquele que nos foi dado, ou seja, 
aquele em que não há a interferência do homem. No mundo natural os 
fenômenos como a chuva, o cair de uma fruta da árvore ou até mesmo as 
estações do ano acontecem de acordo com as leis da Física, Matemática, 
Gravidade e não têm a interferência direta dos sujeitos. 
Figura 1 – Mundo natural
Fonte: Pixabay 
Noções de Direito
13
Já o mundo cultural é aquele que vem sendo construído pelo 
homem ao longo da história. Nele incluem-se a história, as tradições, os 
costumes, a moral e o direito. Desse modo, o homem tem o poder de 
planejar e construir esse mundo cultural, com base nas suas experiências 
e no modo de vida da sociedade e o direito segue o mesmo pensamento. 
Figura 2 – Mundo cultural
Fonte: Pixabay 
Portanto, o direito surge como fruto da cultura social, a partir das 
regras que foram conduzindo o comportamento humano ao longo dos 
tempos. Se consultarmos um dicionário, por exemplo, encontraremos o 
termo Direito definido como um “conjunto de normas e princípios legais 
que regulam as relações dos indivíduos em sociedade” (PRIBERAM, 2020). 
Essa definição se assemelha à de Hans Kelsen, criador da Teoria 
Pura do Direito, a qual considerava ser o direito um conjunto de normas 
(KELSEN, 2003). 
Sob outra perspectiva, Pontes de Miranda define o direito como 
algo que está em função da vida social, conceituando-o como um 
“processo de adaptação social, que consiste em se estabelecerem regras 
de conduta, cuja incidência é independente da adesão daqueles a que a 
incidência da regra jurídica possa interessar” (PONTES DE MIRANDA apud 
NADER, 2012, p. 20). 
Perceba que como é complexo estabelecer um só conceito para o 
direito. 
Tal dificuldade está relacionada com o fato de ser o direito um 
fenômeno que se manifesta em diferentes situações e momentos e por 
Noções de Direito
14
esse motivo é classificado como ciência, denominada de ciência jurídica 
ou ciência do direito, que nas definições de Miguel Reale, trata-se uma 
“ciência complexa que estuda o fenômeno jurídico em todas as suas 
manifestações e momentos” (REALE, 2003, p. 321).
VOCÊ SABIA?
Quando o termo Direito for utilizado como sinônimo de 
ciência, deve ser usada a letra inicial maiúscula. Nos demais 
casos, deve-se utilizar a letra minúscula. 
Nesse ponto você já descobriu que o Direito é fruto do mundo 
cultural, consiste em uma ciência, mas afinal: o que é o Direito? 
Levando em conta os diferentes posicionamentos acerca do tema, 
para fins de conceito trataremos o Direito como um conjunto de normas e 
condutas que regulam as relações humanas vigentes em uma sociedade, 
que devem ser observadas e seguidas por todos e todas. 
Agora que você já sabe o que é o direito, é importante que você 
entenda a sua finalidade, para que ele serve. O direito busca a pacificação 
social e seu principal objetivo é promover a convivência em sociedade 
de forma harmônica e pacífica.
Nas lições de Paulo Nader, o direito está em função da vida social. A 
sua finalidade é a de favorecer o amplo relacionamento entre as pessoas 
e os grupos sociais, que é uma das bases do progresso da sociedade 
(NADER, 2003). Para que isso ocorra, é necessário que se estabeleçam 
limites às vontades individuais de cada um com o fim de proporcionar o 
bem comum, sendo o direito esse limite e a justiça esse equilíbrio. Por 
esse motivo, a balança é um dos símbolos do direito.
Noções de Direito
15
Figura 3 – Balança da justiça
Fonte: Pixabay
Temos, portanto, que o direito serve para disciplinar as condutas 
humanas na sociedade e que os preceitos jurídicos que o integram devem 
buscar o bem comum e a realização da justiça. 
Nesse ponto, faço-lhe outro questionamento: direito e justiça são a 
mesma coisa?
Essa é uma dúvida muito recorrente entre as pessoas, no dia a dia. 
Certamente você já ouviu alguém falar que “fulano foi pra justiça”, ao dizer 
que alguém ingressou ou está respondendo a um processo judicial. É 
importante que nesse ponto você tenha em mente que esses conceitos 
não se confundem, apesar de estarem relacionados. 
Etimologicamente a palavra justiça deriva do latim iustitia, cujo 
conceito é abstrato, relacionado a um estado ideal e imparcial de interesses. 
Na Grécia antiga, a justiça era representada pela deusa Themis, que tinha 
três símbolos marcantes: os olhos vendados, a balança e a espada. 
Os olhos vendados simbolizam sua imparcialidade e ausência de 
preconceitos, a balança em suas mãos simboliza a desigualdade e a 
necessidade de equilíbrio e a espada simboliza seu poder. 
Noções de Direito
16
Figura 4 – Representação da Themis/Deusa da Justiça
Fonte: Pixabay 
Pensadores desde a idade antiga tentam estabelecer definições 
sobre o que seria a justiça. Aristóteles define justiça como uma igualdade 
proporcional, no sentido de tratar de forma igual entre os iguais e desigual 
entre os desiguais, na proporção de sua desigualdade. 
Já Platão reconhece a justiça como uma harmonia social, sendo 
considerado justo tudo o que está de acordo com a lei. 
Na Idade Média, São Tomás de Aquino definiu justiça como a vontade 
de dar a cada um o que é seu. Já na idade moderna, Hanks Kelsen define 
justiça como felicidade social utópica, considerando ser impossível de ser 
alcançado, pois se o objetivo é alcançar a felicidade e que a felicidade 
tem uma definição para cada um, a justiça seria inalcançável. 
Partiremos dessa crítica estabelecida por Kelsen para discutir a 
questão da justiça e seus valores morais. 
Pense no seguinte exemplo: uma mulher dá à luz a uma criança 
e entrega-a para outra pessoa para que a criança não morra de fome. 
Digamos que após o ato da entrega, a mãe biológica dedicou-se dia 
após dia ao trabalho com o fim de retomar a guarda de sua filha. A mãe 
adotiva, por sua vez, passou os cinco anos dedicando-se aos cuidados 
da pequena criança. Eis que a mãe biológica procura a mãe adotiva para 
requerer a guarda da criança de volta e a mãe adotiva se nega a entregá-
Noções de Direito
17
la. O que seria justo nesse caso? Há quem diga que deve a criança ficar 
com a mãe biológica e há quem defenda a mãe adotiva. 
O caso mencionado anteriormente nos serve de referência para 
refletirmos como o conceito de justiça está equiparado a outros fatores, 
como concepções morais, religiosas e pessoais. 
Certamente ao se decidir pelo caso anterior, você valorou questões, 
como a vulnerabilidade da criança, o fator biológico, o elo afetivo da mãe 
adotiva, entre outros. Note que involuntariamente sua concepção de 
justiça foi ventilada por uma série de preceitos e concepções que vão 
além de uma simples definição. 
Nesse sentido, não podemos negar a relação que se estabelece 
entre o direito, a justiça e a moral para a definição de normas de conduta 
de uma sociedade. 
Em um sentido amplo, a moral é um conjunto de normas e de 
comportamentos que foram criados e aceitos pela sociedade ao longo 
dos tempos e está relacionada com comportamentos subjetivos do homem. 
Note que não se confunde com os conceitos de direito e nem de justiça. 
O direito distingue-se da moral quando a moral permite que o 
indivíduo tenha uma liberdade de escolha entre o certo e errado ao praticar 
determinados atos, referindo-se a um sujeito, cujas consequências são 
individuais. 
Já o direito não proporciona tal discricionariedade, pois há uma 
norma a ser seguida, uma regra de conduta posta, cujas consequências 
são voltadas ao integrante da sociedade, não havendo liberdade de 
escolha e com consequênciasante a desobediência. 
EXPLICANDO MELHOR:
Enquanto as normas morais consistem nos valores 
individuais e coletivos da sociedade, as normas jurídicas 
são impositivas, devendo ser obedecidas por todos, sob 
pena de punição. 
Noções de Direito
18
Apesar de espécies diferentes derivadas do mesmo gênero, é 
possível que haja coincidência entre as normas morais e jurídicas. 
É o caso de algumas condutas tipificadas no código penal, como 
roubo, homicídio, estupro. Além de serem normas de condutas reprovadas 
pela ótica da moral, também são vedadas pelas normas jurídicas, mais 
especificamente nos artigos 157, 121 e 129 do Código Penal, cuja pena é a 
de reclusão.
É importante que você saiba que mesmo que seja possível que 
as normas jurídicas e morais coincidam, tal fato nem sempre é uma 
regra, pois existem fatos que, apesar de condenados moralmente, não 
constituem qualquer infração legislativa. 
EXEMPLO: 
Ana é filha de Carla. Por um capricho, Ana abre a carteira de sua 
mãe e furta considerável quantia de dinheiro. A conduta de Ana, 
apesar de ser reprovada moralmente, é isenta de pena, por força do 
art. 181, II do Código Penal.
Neste ponto destacamos que o conceito de moral não se confunde 
com o conceito de ética, também importante para o nosso estudo aqui 
dentro dessa disciplina. 
A ética está relacionada com a avaliação fundamentada dos 
comportamentos humanos morais dentro da sociedade. A ética, portanto, 
consiste no conjunto de conhecimentos extraídos dessa avaliação 
do comportamento humano ao avaliar as normas morais de forma 
racionalizada, fundamentada, a partir da ciência e da teoria. 
NOTA:
A ética é uma reflexão da moral.
Em termos práticos, a ética e a moral possuem finalidades 
semelhantes, no sentido de construir bases para guiar o comportamento 
humano dentro da sociedade. 
Noções de Direito
19
São as normais morais e éticas responsáveis por construir as bases 
que irão guiar a forma de agir do homem, moldar seu caráter, construir 
conceitos de altruísmo e virtudes.
São exemplos de ações que levam em conta os princípios éticos e 
morais.
De cada indivíduo o ato de ajudar a quem precisa, de cometer ou 
não ato ilícitos, jogar lixo na rua, furar fila, maltratar animais, prejudicar 
colegas de trabalho para alcançar objetivos, entre outros. 
Nesse sentido, podemos concluir que os valores que formam 
a moral influenciam na construção das normas jurídicas, mas não 
necessariamente vinculam uma a outra. Embora ambos sejam normas de 
conduta humana, direito e moral não se confundem.
Aprendemos que a moral orienta o comportamento do homem 
a partir das normas instituídas pela própria sociedade ou por um grupo 
social, fazendo as leis parte desse conjunto de normas. 
SAIBA MAIS:
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o 
acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: 
Vídeo: “Saber Direito - Filosofia do Direito” (TV JUSTIÇA), 
acessível por este link. 
Sobre o que conversamos relacionados à moral, sugerimos 
o vídeo a seguir para o aperfeiçoamento dos seus 
conhecimentos. Vídeo “Casa do Saber – O que é Moral – 
Clovis de Barros Filho, acessível por este link. 
Caso você se interesse por esse tema, sugerimos o 
documentário “Justiça”, acessível por este link. 
Noções de Direito
https://bit.ly/3aWgPF5
https://bit.ly/3cSIY1s
https://bit.ly/2wRMdWo
20
RESUMINDO:
E então? Gostou de tudo até aqui? Agora, só para termos 
certeza de que você realmente entendeu o tema de 
estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
Você iniciou esse capítulo aprendendo sobre a diferença 
do mundo natural e mundo cultural, este último ao qual 
o direito faz parte e pode entender sobre a influência do 
homem para sua criação e transformação. Além disso, você 
conheceu algumas definições sobre o que é Direito dadas 
por pensadores como Kelsen e Pontes de Miranda e pode 
entender o porquê do direito ser considerado uma ciência. 
Além disso, definimos que direito é um conjunto de normas 
que regulam as relações humanas e qual é a finalidade 
do direito: regular tais relações, busca a pacificação social. 
Vimos também a relação entre direito e justiça, o significado 
da representação mitológica pela famosa Themis e as 
definições de justiça dadas ao longo da história. Por fim, 
você pode entender sobre a relação entre o direito e a 
moral e como essas regras de conduta podem influenciar a 
vida em sociedade.
Noções de Direito
21
Classificações, ramos e fontes do direito 
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será apresentado às 
subdivisões, aos ramos e às fontes do direito, de modo que 
você possa compreender aas peculiaridades e diferenças 
dessa ciência tão fascinante. Motivado para desbravar esse 
novo universo? Então vamos lá.
Classificações do direito
O termo direito pode ser empregado com diversos significados. 
Aqui chamaremos de classificações do direito, mas quero que você 
tenha em mente que não se trata de formas diferentes de direito, mas sim 
de diferentes significados para esse mesmo termo. Tudo bem? 
O direito natural, como o próprio nome já diz, é aquele proveniente 
da natureza, da existência humana. O direito natural não precisa estar 
escrito, criado por alguém ou formulado pelo Estado. Trata-se de direitos 
que são originados na própria existência ou razão do homem. Alguns 
acreditam que o direito natural deriva da vontade de Deus (teólogos), 
outros, que correspondem à natureza cósmica (helenistas), bem como há 
quem acredite que o direito natural derive da razão humana (racionalistas). 
EXEMPLO: 
São exemplos de direito natural o direito à vida, a liberdade, à 
reprodução, à constituição de uma família. 
O direito positivo, por sua vez, consiste no conjunto de normas 
jurídicas que podem ser escritas ou não, vigentes em determinada 
sociedade, impostas pelo Estado. O direito positivo surgiu a partir do 
século XIX, na transição da Idade Média para a Idade Moderna, diante 
da revolta da população com os reis absolutistas da época, que, sob o 
argumento de serem enviados por Deus, praticavam injustiças com as 
classes sociais menos privilegiadas. 
Noções de Direito
22
EXEMPLO: 
É um exemplo de direito positivo a Constituição e as leis de um 
Estado. 
O direito natural inspira e norteia a formação do direito positivo e 
tem uma importante influência na definição dos princípios gerais que 
norteiam o direito. 
O direito objetivo está relacionado com as normas jurídicas, com 
o conjunto de regras que regulam a vida em sociedade. O direito objetivo 
estabelece regras de conduta social, a forma com que os indivíduos 
devem ou não agir. Já o direito subjetivo está relacionado com uma 
situação jurídica, com o direito do indivíduo. O direito subjetivo está 
relacionado com a faculdade de agir e com o direito de um beneficiário 
da justiça invocar a aplicação das normas a seu favor. 
EXPLICANDO MELHOR:
O Código Civil prevê a obrigação dos genitores prestarem 
alimentos (pensão alimentícia) a seus filhos. Esse é um 
direito objetivo previsto no Código Civil. Joana mora com a 
avó e não recebe pensão de seu pai, Jorge. Joana possui o 
direito subjetivo de requerer alimentos a Jorge. 
Agora que você já aprendeu sobre as classificações do direito, 
vamos aprender um pouco mais sobre os ramos do direito? Vem comigo!
Ramos do direito 
Conforme você já aprendeu, integram o direito as normas jurídicas 
que se destinam a regular a convivência social. Considerando as múltiplas 
formas de relações sociais, quero que você pense as classificações do 
direito como ramos de uma árvore, subdivididos para facilitar a sua 
compreensão sobre o tema (não havendo o que se falar em diferenças 
nas categorias aqui apresentadas). 
Noções de Direito
23
Figura 5 – Ramos do direito
Classificações do Direito
INTERNO
CIVIL
EMPRESARIAL
TRABALHISTA
INTERNO
CONSTITUCIONAL
ADMINISTRATIVO
PENAL
PREVIDENCIÁRIO
ELEITORAL
TRIBUTÁRIO
PROCESSUAL 
EXTERNO
INTERNACIONAL
EXTERNOINTERNACIONAL
PRIVADOPÚBLICO
Fonte: Elaborada pela autora (2021).
Direito Público e Direito Privado 
A primeira categoria que iremos abordar, o primeiro ramo nossa 
árvore será a diferença entre direito público e privado. Direito Público 
consiste nas normas jurídicas que são voltadas para a coletividade, para o 
todo, enquanto o Direito Privado está relacionado a normas que regulam 
as relações particulares entre os sujeitos. 
O Direito Público possui um maior poder normativo e uma menor 
margem de escolha das pessoas a ele subordinada, tendo em vista que 
no direito público o que prevalece é o interesse público, pois é voltado 
para a construção de normas coletivas. Já o Direito Privado consiste em 
um conjunto de normas que permitem uma maior liberdade de escolha 
por parte do indivíduo, considerando sua aplicabilidade nas relações 
entre particulares, associações civis e sociedades. 
Noções de Direito
24
Ainda mentalizando nossa árvore, o ramo do Direito Público se 
subdivide em duas categorias, o Direito Público Interno e o Externo. 
Direito Público Interno 
O Direito Público interno divide-se em sete categorias, sendo 
elas: Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Penal, Direito 
Previdenciário, Direito Eleitoral, Direito Processual e Direito Tributário, as 
quais trataremos pormenorizadamente a seguir. 
Direito Constitucional 
O Direito Constitucional é o ramo do direito que inevitavelmente 
está relacionado com todos os demais ramos do direito, uma vez que 
se refere ao que se encontra previsto na Constituição. Dessa forma, ele 
engloba os direitos fundamentais, a política, as formas de governo do 
Estado e a organização da sociedade. 
Direito Administrativo 
O Direito Administrativo é ramo do direito responsável por reger 
tudo o que diz respeito à Administração Pública. Enquanto o Direito 
Constitucional determina a estrutura político-administrativa do Estado, as 
regras de funcionamento e observância dessa estrutura são ditadas pelo 
Direito Administrativo.
Direito Penal 
O Direito Penal, terceiro integrante da categoria de Direito Público 
Interno, é o responsável por disciplinar os crimes e as contravenções penais. 
Sua principal finalidade é a manutenção da ordem pública e proteção dos 
direitos fundamentais, como a vida, a liberdade e a propriedade. 
Direito Previdenciário 
O Direito Previdenciário é um ramo do direito público interno que 
cuida dos direitos sociais. Esse ramo do direito é o responsável por regular 
a relação entre o Estado e os segurados que dele dependem.
Noções de Direito
25
Direito Eleitoral 
O Direito Eleitoral é o ramo do direito que está relacionado com 
o processo eleitoral, estabelecendo regras desde a candidatura até a 
prestação de contas do mandato.
Direito Processual 
O Direito Processual, sétima categoria do Direito Público Interno, 
disciplina em suma as normas jurídicas para o exercício do direito, ou 
seja, as formalidades e regras a serem obedecidas pelas partes no litígio. 
O direito processual subdivide-se em categorias, de acordo com a área 
do direito ao qual se refere, podendo ser do trabalho, civil, penal. Apesar 
dessa subdivisão, a finalidade é a mesma, ou seja, regular a aplicação do 
direito. 
Direito Tributário
O Direito Tributário, por sua vez, rege as relações tributárias entre 
o fisco (Estado) e o contribuinte (indivíduo), de modo a garantir a receita 
do Estado e a prestação de serviços essenciais previstos na Constituição. 
Direito Público Externo 
O Direito Público Externo, denominado de Direito Internacional 
Público, cuida das relações públicas exteriores do Estado. Esse ramo 
do direito é o responsável por disciplinar as relações exteriores, ou seja, 
com outros Estados, nas esferas políticas, econômicas e sociais. É por 
meio desse ramo do direito que são celebrados acordos e tratados 
internacionais. 
Direito Privado Interno
Assim como o direito público, ele subdivide-se em interno e 
externo. O direito privado interno divide-se em quatro categorias: Civil, 
Empresarial, Trabalho e Direito Internacional Privado. 
Noções de Direito
26
Direito Civil 
O Direito Civil é o ramo que regula as relações civis individuais 
em geral, desde o nascimento até a morte do indivíduo, disciplinando 
questões relativas a negócios jurídicos, casamento, filiação e sucessão. O 
Código Civil é dividido em 2.046 artigos e é objeto do estudante de direito 
durante toda a graduação. 
Direito Empresarial 
O Direito Empresarial é o ramo do Direito que trata da relação 
jurídica entre o indivíduo e empresas e/ou a sociedade empresarial. Em 
geral ele é formado por normas que regulam a atividade do empresário, 
atribuindo-lhe deveres e garantias. 
Direito do Trabalho 
O Direito do Trabalho é o responsável por regular as relações 
de emprego e trabalho. Derivado do Direito Civil, esse ramo do Direito 
surgiu no ordenamento jurídico para estabelecer medidas de proteção e 
proporcionar aos trabalhadores condições dignas de trabalho. 
Direito Privado Externo
Integra a categoria de Direito Privado Externo um único ramo 
do direito, o Direito Internacional Privado. Esse ramo do direito é o 
responsável por estabelecer as normas que serão aplicadas às relações 
jurídicas particulares com outros Estados.
EXPLICANDO MELHOR:
O Direito Público Externo e o Direito Privado Externo estarão 
sempre relacionados com as relações exteriores do Estado, 
ou seja, com o Direito Internacional. 
Agora que você já pode entender quais são os ramos dessa árvore 
do direito, quero te convidar a conhecer as fontes do direito, vamos nessa?
Noções de Direito
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Fontes do direito 
Quando falamos de fontes do direito, estamos falando da origem, 
da causa. A fonte do é onde nasce o direito, pense em algo semelhante 
a uma fonte de água, de onde tudo começa. De acordo com Reale, “por 
fonte do direito designamos os processos ou meios em virtude dos quais 
as regras jurídicas se positivam com legítima força obrigatória, isto é, com 
vigência e eficácia no contexto de uma estrutura normativa” (REALE, 2003, 
p. 140).
As fontes do direito servem como uma espécie de garantia, 
auxiliando os operadores a aplicarem o direito ao caso concreto e 
delimitando a atuação do juiz, de modo a impedir que sejam aplicadas 
concepções pessoais nos casos concretos. 
As fontes do direito classificam-se em: primárias (também chamadas 
de diretas ou imediatas) ou secundárias (indiretas ou mediatas); materiais 
ou formais. 
As fontes primárias, também denominadas de fontes diretas 
ou fontes imediatas, são as normas jurídicas criadas pelo Estado, que 
emanam do Poder Legislativo ou do Poder Constituinte. São exemplos de 
fontes primárias a Constituição Federal, o Código Civil e o Código Penal. 
As fontes secundárias, também denominadas de fontes indiretas 
ou mediatas, são aquelas que atuam como auxiliares na aplicação das 
leis, auxiliando na interpretação de uma fonte primária. São exemplos 
de fontes secundárias os costumes, a analogia, os princípios gerais do 
direito, a jurisprudência e a doutrina. Trataremos de cada uma dessas 
fontes a seguir. 
A Lei
Principal fonte do Direito, o termo lei refere-se ao conjunto de normas 
gerais abstratas e de caráter imperativo existentes no ordenamento 
jurídico brasileiro. Fazem parte dessa classificação a Constituição, as 
emendas constitucionais, as leis ordinárias, as leis delegadas, as medidas 
Noções de Direito
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provisórias, os decretos e as resoluções legislativas. Todas essas normas 
de caráter legislativo integram a classificação de lei. 
Costumes
Os costumes, classificados como fonte indireta ou imediata, 
referem-se ao conjunto de atos praticados por um povo reiteradamente e 
que, ao longo do tempo, passam a se tornarem obrigatórios. Os costumes 
se assemelham às leis, pois devem ser obrigatoriamente observados pelo 
aplicador do direito. 
As normas jurídicas que derivam dos costumes sãodenominadas de 
normas consuetudinárias. Importante destacar que um costume não pode 
ser imposto pelo Estado, nem revogar ou contrariar com uma lei, devendo 
os costumes servirem como fonte do direito de forma secundária, ou seja, 
na ausência de lei específica para regular o caso. 
EXPLICANDO MELHOR:
Via de regra, diante de um conflito entre costume e lei, 
prevalecerá sempre a lei. 
Jurisprudência
A jurisprudência consiste no conjunto de decisões uniformes 
e constantes dos tribunais, proferidas para a solução judicial de 
conflitos, envolvendo casos semelhantes (DINIZ, 2016). Nesse sentido, 
jurisprudência é “a forma de revelação do Direito” resultante do exercício 
da jurisdição, decorrente de uma “sucessão harmônica de decisões dos 
tribunais (REALE, 2003, p. 167). Aqui salientamos que não se tratam de 
julgamentos isolados sobre determinado assunto, mas sim julgamentos 
reiterados sobre o mesmo tema. 
Noções de Direito
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IMPORTANTE:
Julgamentos isolados de casos criam precedentes, mas 
não jurisprudência. 
A jurisprudência criada por esses tribunais pode, além de guiar 
o magistrado na decisão sobre assuntos que não possuem legislação 
específica sobre o tema, dar origem às súmulas. As súmulas consistem 
na publicação do enunciado de uma jurisprudência de forma resumida. 
Elas proporcionam uma maior estabilidade jurídica à jurisprudência. Uma 
espécie de súmula são as súmulas vinculantes, que entraram em vigor 
no ordenamento jurídico, com a aprovação e aplicação da Emenda 
Constitucional nº 45/2004.
ACESSE:
Para conhecer as súmulas vinculantes, acesse aqui.
Doutrina
A doutrina, outra espécie de fonte indireta, é o fruto do estudo de 
operadores e pesquisadores da ciência do direito, por meio dos escritos 
publicados em formato de livro, artigo ou periódico. Apesar de não ser 
uma norma jurídica, a doutrina exerce uma importante função ao auxiliar 
na interpretação e aplicação da lei ao caso concreto. 
Princípios gerais do direito 
Os princípios gerais do direito estão para a ciência de direito como 
uma espécie de bússola, auxiliando os operadores do direito a alcançarem 
a justiça para o caso concreto. 
Como define Miguel Reale, “princípios gerais de direito são 
enunciações normativas de valor genérico, que condicionam e orientam 
Noções de Direito
https://bit.ly/2Iz292l
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a compreensão do ordenamento jurídico, quer para a sua aplicação e 
integração, quer para a elaboração de novas normas”. (REALE, 2002, p. 305) 
Os princípios podem estar previstos expressamente na Constituição, 
como é o caso do princípio da soberania, da cidadania, da dignidade da 
pessoa humana, mas também podem estar relacionados especificamente 
a determinados ramos do direito, como o princípio da autonomia da 
vontade e da afetividade. 
Analogia
A analogia consiste em um método de interpretação jurídica que 
deve ser utilizado quando da ausência de uma norma jurídica específica 
para um caso e da existência de uma norma jurídica semelhante. Um 
exemplo clássico para você entender sobre a analogia está relacionado 
com união estável e o código civil. A união estável passou a ser reconhecida 
após a edição Código Civil, de modo que não há na lei civil nenhuma 
menção à união estável. Desse modo, os juristas analogicamente aplicam, 
no que não houver conflito, as disposições relativas ao casamento à união 
estável.
SAIBA MAIS:
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso 
à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: “O 
começo da história. A nova interpretação constitucional 
e o papel dos princípios no direito brasileiro” (BARROSO; 
BARCELLOS, 2003), disponível clicando aqui. 
Noções de Direito
http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/https://scorm.onilearning.com.br/scorm.php?scorm=5760034fdabe4b7fbfdd1acf08ae7cfb&estudante=0&nome=&licao=&sessao=7fnoq3el1c9n5i1phlophc3bl4/rda/article/viewFile/45690/45068
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RESUMINDO:
E então? Gostou de tudo até aqui? Agora, só para termos 
certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo 
deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você 
iniciou esse capítulo aprendendo sobre as classificações 
do direito, oportunidade em que você foi apresentado aos 
conceitos de direito natural, direito positivo, direito objetivo 
e direito subjetivo. Além disso, trabalhamos nesse capítulo 
com os ramos do direito e você aprendeu sobre a divisão 
do Direito Público e Privado e as áreas derivadas dessa 
classificação. Por fim, trabalhamos as fontes do direito, a 
classificação entre fontes primárias, secundárias, materiais 
e formais e quanto às fontes formais, você pode entender 
em que consiste a lei e sua diferença para as demais fontes 
formais, como a jurisprudência, doutrina e os princípios 
gerais do direito. Nesse capítulo eu espero que você tenha 
entendido como que o direito é uma construção social, fruto 
da evolução da sociedade, criado a partir da necessidade 
de regulação das condutas vividas ao longo dos tempos. 
Bom, chegamos à metade do caminho. Vamos continuar 
nessa jornada incrível em busca do conhecimento junto 
comigo?
Noções de Direito
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Normas jurídicas, processos e procedimento
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, iremos identificar as espécies 
normativas e a diferença entre processo e procedimento, de 
modo que você entenda quais são as espécies normativas 
e como se dá a sua aplicação nos casos concretos. 
Preparado? Então vamos lá.
Normas jurídicas
Conforme já aprendemos, as normas jurídicas consistem em uma 
fonte formal do direito que traduzem as normas de conduta determinadas 
pelo Estado. Consistem na vontade do Estado, traduzida pelo legislador e 
materializada na lei. São características das normas jurídicas: 
a. Generalidade – obriga a todos, sem exceção.
b. Abstratividade – as normas abarcam situações abstratas, cabendo 
ao operador do direito aplicá-las aos casos concretos.
c. Bilateralidade – as normas jurídicas estabelecem deveres e 
resguardam direitos.
d. Imperatividade – trata-se de comandos imperativos, ou seja, que 
devem ser obrigatórios.
e. Coercibilidade – sua não observância gera consequências 
aplicadas pelo Estado.
f. Heteronomia – o comando é vindo de um único ente, o Estado. 
Quanto à esfera do Poder Público, as normas jurídicas podem 
ser municipais, estaduais ou federais. A própria Constituição estabelece 
as competências legislativas de cada ente da Federação e tal 
competência deve ser observada com rigor, sob pena de ser declarada a 
inconstitucionalidade.
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EXEMPLO: 
Ao município não cabe legislar sobre questões estaduais. 
Assim como há uma hierarquia entre os entes da federação, 
também existe uma hierarquia entre as normas jurídicas, tendo em vista a 
ordem de subordinação entre elas. Kelsen, a partir da sua teoria pura do 
Direito, é o autor de uma valiosa ilustração que traduz essa hierarquia das 
normas, conhecida popularmente como a pirâmide de Kelsen.
Figura 6 – Pirâmide de Kelsen
Fonte: Elaborada pela autora (2021).
No primeiro plano dessa hierarquia figura a Constituição Federal e 
as Emendas Constitucionais, pois elas possuem o condão de condicionar 
a existência das demais normas bem como de revogá-las. 
VOCÊ SABIA?
Qualquer norma jurídica que seja de categoria diversa e 
que tenha disposições contrárias ao que está estabelecido 
na constituição é considerada inconstitucional. 
Em segundo plano encontram-se as normas complementares, 
que são normas previstas com o fim de complementar as normas 
constitucionais, por meio de lei complementar. A aprovação desse tipo 
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de norma requer um procedimento legislativo especial, previsto no artigo 
69 da Constituição Federal. 
Em terceiro plano encontram-se as normas ordinárias. Consistem 
em normas ordinárias as leis ordinárias, as leis delegadas, as medidas 
provisórias, as leis delegadas e os decretos. 
A lei ordinária é residual, de modo que será lei ordinária tudo o que 
não for lei complementar,decreto ou resolução. A lei delegada, por sua 
vez, é fruto de uma delegação de competência do poder legislativo para 
o poder executivo. O art. 68 §1º da Constituição estabelece as hipóteses 
em que é vedada tal delegação. 
As medidas provisórias consistem em normas que precisam que 
ser criadas com urgência, diante de situações excepcionais. Elas possuem 
um trâmite mais célere do que as leis, mas possuem um período de 
vigência limitado a 120 (cento e vinte) dias. 
O decreto legislativo consiste em uma espécie de norma que 
traduz atos individuais ou gerais emanados dos chefes do Poder Executivo 
(Presidente da República, Governador e Prefeito) enquanto a resolução 
é uma espécie de norma privativa para regular atos internos do poder 
legislativo. Ambos possuem competência residual, para tratar de assuntos 
que não sejam objeto de lei. 
Por fim, na base da pirâmide de Kelsen encontram-se os negócios 
jurídicos e os atos celebrados por particulares. Derivados das relações 
privadas, o objeto dessa classificação são as relações entre particulares, 
como contratos e acordos. 
Agora que você já aprendeu sobre as classificações das normas, 
vamos aprender o processo legislativo que as coloca em vigor? 
O processo legislativo consiste no caminho que um projeto de 
lei deve seguir obrigatoriamente, até que ele se torne uma lei em vigor, 
sob pena da lei ser inconstitucional. Todas as determinações que você 
encontrar aqui estão expressamente inscritas na Constituição. 
O primeiro ponto que é importante você saber que hoje, no Brasil, 
vigora o regime bicameral, ou seja, que para uma lei ser aprovada, via 
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de regra, ela deve passar obrigatoriamente pela Câmara e pelo Senado 
Federal. Nesse sentido, o projeto legislativo, via de regra, deve criado e 
apresentado para a casa revisora. 
Um projeto de lei pode ser proposto por qualquer deputado, 
qualquer senador, qualquer comissão da Câmara, do Senado ou do 
Congresso, pelo Presidente da República, pelo Procurador Geral da 
República, pelo Supremo Tribunal Federal, pelos tribunais superiores e 
pelo povo obedecidas as regras da iniciativa popular.
VOCÊ SABIA?
O povo pode propor projetos de lei, desde que respeitados 
os requisitos estabelecidos na Constituição. A Lei da Ficha 
Limpa (LC135/2010) foi fruto de um projeto de lei que surgiu 
a partir da iniciativa popular. 
A etapa de revisão do projeto de lei, obrigatória dentro do processo 
legislativo, é feita pela casa oposta que criou o projeto. Isso significa dizer 
que se quem propôs o projeto foi a Câmara, cabe ao Senado fazer a 
revisão e o mesmo se aplica ao contrário. 
Após a revisão, o projeto de lei será encaminhado ao Chefe do 
Executivo. Uma das funções do Chefe do Executivo (prefeito, governador 
ou presidente) é a de sancionar as leis. Nesse sentido, o chefe do executivo 
terá duas opções: ou sancionar a lei ou vetá-la. 
Caso o Chefe do Executivo vete a lei, caberá ao Congresso (câmara + 
senado), dentro do prazo de 30 dias, para reapreciar o projeto e regularizar 
suas inconsistências. 
Caso o Chefe do Executivo sancione (aprove) a Lei, ela deverá entrar 
em vigor por meio de publicação no Diário Oficial. Passados 45 (quarenta e 
cinco) dias da publicação da lei, ela é considerada em vigor. 
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VOCÊ SABIA?
O prazo de 45 dias entre a publicação e a entrada em vigor 
da lei é chamado de vacatio legis. O legislador pode optar 
por um período diferente ou até suprimi-lo, a depender do 
caso concreto.
Uma vez em vigor, a lei só será revogada pelo decurso do tempo, 
pela revogação por lei de hierarquia equivalente ou superior ou pelo 
desuso.
IMPORTANTE:
Pelo princípio da irretroatividade da lei, uma lei jamais 
poderá regular situações passadas, seus efeitos serão 
aplicados somente para situações que ocorrerem a partir 
da sua entrada em vigor. 
Bom, agora que você já está ambientado no mundo jurídico e 
está afiado no que diz respeito às leis, doutrinas, jurisprudências, vamos 
aprender a aplicação dessas leis nos casos concretos? Tenho certeza que 
você não vai se arrepender.
Processo e procedimento
A definição de processo e procedimento não se confunde, mas 
se correlaciona. O processo consiste no instrumento de provocação 
da jurisdição, o meio em que leva a pretensão de um indivíduo ao 
conhecimento do poder judiciário. Já o procedimento consiste na 
materialização do processo, no caminho a ser percorrido em busca da 
prestação jurisdicional do Estado. 
A relação jurídica processual consiste na relação entre autor, réu e 
o juiz. O autor figura como quem invoca ao Estado postulando um direito, 
o réu consiste na pessoa contra quem esse direito está sendo requerido e 
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o juiz é o representante do Estado e aplicador do direito. Nesse sentido, a 
relação jurídica processual é triangular e via de regra pública. 
Figura 7 – Sujeitos processuais
ESTADO
Juiz
Partes
RÉU
Requerido
Reclamado
Acusado 
AUTOR
Requerente
Reclamante
Autor 
Fonte: Elaborada pela autora (2021)
O juiz, dentro da estrutura processual, exerce a jurisdição, ou seja, 
o poder conferido pelo Estado de interpretar as leis e aplicá-las ao caso 
concreto. Nas lições de Maria Helena Diniz: 
Na determinação do direito que deve prevalecer no caso 
concreto, o juiz deve verificar se o direito existe, qual o 
sentido da norma aplicável e se esta norma aplica-se ao 
fato sub judice. Portanto, para a subsunção é necessária 
uma correta interpretação para determinar a qualificação 
jurídica da matéria fática sobre a qual deve incidir uma 
norma geral. (DINIZ, 2016, p.423)
É possível que o juiz se depare com casos que não se enquadram 
perfeitamente nas normas jurídicas existentes, ou que quanto à 
determinada ocasião a lei seja omissa, obscura ou ambígua. Diante 
desses casos, caberá ao juiz utilizar técnicas de interpretação do direito 
para aplicá-lo ao caso concreto. 
Considerando que a estrutura judiciária brasileira se encontra cada 
vez mais abarrotada de processos, há uma tendência moderna de que as 
pessoas procurem meios alternativos de resolução de conflitos. Nesses 
casos não será o juiz quem irá exercer a jurisdição, mas sim esses órgãos 
e sujeitos que promovem a resolução dos litígios. 
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É muito comum que nessa etapa da disciplina os alunos se 
questionem sobre a estrutura do judiciário, sobre como é escolhido o juiz 
que julgará o caso e será sobre isso que vamos aprender agora. 
O Poder Judiciário brasileiro encontra-se organizado por meio 
das competências que integram os âmbitos estaduais e federais. Toda 
a matéria relativa à organização encontra-se tipificada no artigo 92 da 
Constituição. 
O primeiro órgão integrante do Poder Judiciário é o Supremo 
Tribunal Federal (STF). O STF é órgão máximo do judiciário e guardião 
da Constituição. Ele é composto por onze ministros que devem ser 
reconhecidos pelo seu amplo saber jurídico e por sua reputação ilibada. 
O STF é denominado de guardião da Constituição, pois cabe a ele julgar 
as ações relativas a assuntos constitucionais. O presidente do STF é eleito 
pelos próprios ministros e tem um mandato de dois anos. 
O segundo órgão integrante do Poder Judiciário é o Conselho 
Nacional de Justiça (CNJ). O CNJ é o responsável pelo controle dos atos 
administrativos e financeiros de todos os órgãos integrantes do Poder 
Judiciário, além de ser o responsável por supervisionar e fiscalizar as 
atividades de seus integrantes. 
Seguindo, temos o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Esse órgão é 
o composto por 33 ministros e consiste na última instância de julgamento 
do Brasil de crimes infraconstitucionais, ou seja, que não sejam de 
competência do STF. Cabe ao STJ, entre outras coisas, a homologação de 
sentenças estrangeiras. 
Temos, no âmbito superior, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que 
figura como última instância no julgamento de causas de Direito Eleitoral,principalmente relacionadas aos direitos políticos da população. O TSE é 
composto por sete membros, sendo que três deles são escolhidos por 
meio de votação entre os ministros do STF; dois, entre os do STJ; e os 
outros dois são nomeados pelo presidente da República.
Assim como o TSE está para o Direito Eleitoral, integra o Poder 
Judiciário o Tribunal Superior do Trabalho, cuja função é apreciar 
em última instância os casos relacionados com o Direito do Trabalho. 
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Compõem esse tribunal vinte e sete ministros, que são nomeados pelo 
Presidente da República. 
Também integra o Poder Judiciário em sede superior o Tribunal 
Superior Militar (TSM), que é a mais antiga corte do país, especializado 
no julgamento de casos envolvendo a Marinha, a Aeronáutica e o Exército. 
O TSM é composto por quinze ministros, sendo eles três ministros são 
da Marinha, quatro do Exército e três da Aeronáutica, os outros cinco são 
civis. 
VOCÊ SABIA?
Os tribunais superiores ficam todos localizados em Brasília, 
no Distrito Federal. 
Os tribunais regionais integram a segunda instância e podem ser 
divididos de acordo com a competência. 
Os Tribunais Regionais do Trabalho (TRT) integram a justiça do 
trabalho no Brasil, juntamente com as varas do trabalho e o Superior 
Tribunal do Trabalho (TST). Existem atualmente no Brasil 24 tribunais 
regionais, distribuídos nos estados da federação por região, sendo que o 
estado de São Paulo é o único que conta com dois tribunais. 
Os Tribunais Regionais Eleitorais (TRE) estão presentes em 
cada um dos estados brasileiros e, juntamente com o Tribunal Superior 
Eleitoral (TSE), integram a justiça eleitoral. Os TREs são compostos por 
sete julgadores: dois desembargadores do Tribunal de Justiça; um juiz 
do Tribunal Regional Federal, dois juízes de direito e dois advogados 
indicados pelo Tribunal de Justiça. 
Os Tribunais de Justiça integram a segunda instância e são os 
responsáveis por decidirem os processos em grau de recurso, após 
o julgamento do juiz singular. Eles podem ser estaduais ou federais, a 
depender da matéria de julgamento. 
Por fim, integra o Poder Judiciário os Juízes Singulares, magistrados 
que devem ser aprovados em concurso público que integram o juízo de 
Noções de Direito
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primeira instância. Esses magistrados são os responsáveis, via de regra, a 
decidirem primeiro os casos. Integram a categoria de juízes singulares os 
juízes estaduais, federais, do trabalho, eleitoral e militar. 
Esses órgãos foram estabelecidos justamente com o objetivo de 
garantir a imparcialidade dos processos, de modo que qualquer pessoa 
que ingresse com um processo no Poder Judiciário hoje pode recorrer às 
três instâncias. 
SAIBA MAIS:
Quer se aprofundar neste tema? Que tal uma leitura 
rápida à Constituição, principalmente no Capítulo 3? 
Acesse e confira aqui. 
RESUMINDO:
E então? Gostou de tudo até aqui? Agora, só para termos 
certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo 
deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Iniciou 
esse capítulo aprendendo retomando os ensinamentos 
sobre as normas jurídicas como fontes formais objetivas 
do direito e descobrindo suas classificações: generalidade, 
abstratividade, bilateralidade, imperatividade, coercitividade 
e heteronomia. Além disso, aprendemos que as normas 
jurídicas podem ser municipais, estaduais ou federais, 
a depender do assunto sobre o que elas tratam. 
Aprendemos nessa unidade sobre a hierarquia das normas 
e a importância da Constituição perante as demais normas, 
além de conhecermos a diferença entre leis ordinárias, 
complementares e delegadas. Por fim, aprendemos a 
importância dos decretos legislativos e resoluções, além 
dos negócios jurídicos. Nesse capítulo você foi apresentado 
ao processo legislativo, de todo o caminho percorrido por 
um projeto de lei até que ele se torne uma lei em vigor. Por 
fim, aprendeu a diferença entre processo e procedimento e 
pode conhecer a estrutura do poder judiciário brasileiro.
Noções de Direito
https://bit.ly/33aNZxV
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Teoria Geral do Estado 
OBJETIVO:
Agora que você já aprendeu o que é o direito, seus 
conceitos, suas áreas, suas fontes, seus ramos, iremos 
trabalhar neste capítulo noções básicas sobre a Teoria 
Geral do Estado, abordando suas formas de organização 
e seus regimes políticos. Preparados para nosso quarto e 
último capítulo desta unidade? 
Conceito e evolução história do Estado 
O Estado consiste na organização política e jurídica de uma 
sociedade. De maneira sintetizada, constitui Estado uma ordem jurídica 
soberana que objetiva o bem de um povo situado em determinado 
território. A partir desse conceito, podemos concluir que são elementos 
constitutivos do Estado o povo, o território e um governo soberano. 
NOTA:
Cuidado para não confundir o conceito de Estado com o 
de estados-membros. Pense em Estado como o Brasil e 
estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, por 
exemplo. 
O primeiro registro de Estado existente na sociedade é o denominado 
Estado Antigo surgiram nas antigas civilizações. Na época não havia muita 
distinção sobre a família, o Estado e, portanto, o pensamento político da 
época era um misto de moral, filosofia e religião. 
Esse período foi marcado pela unidade do Estado (não havia divisões 
entre estados e municípios) e o domínio da religiosidade, esta última 
utilizada como instrumento de coação e modo de agir, sob alegação de 
ser “a vontade de Deus.
Noções de Direito
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Seguindo a linha do tempo, tem-se como evolução do Estado Antigo 
o Estado Grego, cujas características eram o fortalecimento do Estado e o 
aumento da participação das pessoas na organização deste. Surge nessa 
época o conceito de cidades bem como se valoriza o pensamento de 
filósofos e cientistas. 
É no Estado Grego que surgem as primeiras noções do que é a 
democracia e a sociedade política, denominada de polis.
A seguir surge o Estado Romano, cuja base organizacional do 
Estado eram as civitas, formadas por grupos familiares que possuíam 
privilégios e eram considerados os herdeiros e descendentes do próprio 
Estado. 
O Estado Romano foi marcado pela forte presença do cristianismo 
e onde surgiram os primeiros registros da figura do Magistrado para a 
resolução de conflitos do povo. 
Já na era medieval passou a vigorar o Estado Medieval, considerado 
por muitos um Estado cruel e desigual e, por outros, um importante 
período de transformação. 
Essa era sofreu uma forte influência do cristianismo e do feudalismo 
e foi marcada por conflitos entre os imperadores e papas da época, que 
viriam a acabar com o surgimento do Estado Moderno. 
Dos conflitos e batalhas travadas na Idade Média surge o Estado 
Absolutista, cujas principais características era o poder soberano e 
generalizado concentrado nas mãos do monarca. 
Essa forma de Estado foi construída a partir das ameaças que 
a Igreja Católica vinha sofrendo na época por conta do surgimento do 
liberalismo religioso e da filosofia racionalista que passou a questionar 
atos da Igreja na época. 
Fadado ao fracasso por conta da exagerada forma de controle 
social adotada pelo Absolutismo, surge a figura do Estado Moderno, 
época em que os senhores feudais passaram a questionar as exigências 
dos monarcas da época que cada vez impunham o aumento de tributos 
Noções de Direito
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para custearem seus luxos e patrocinarem guerras enquanto a população 
vivia em situação miserável. 
O despertar do povo fez com que buscassem a unidade de um 
poder soberano, supremo, em prol da coletividade. É no Estado Moderno 
que surgem os primeiros elementos essenciais do Estado. 
Ainda sobre a evolução das formas de Estado cumpre destacar 
o Estado Liberal. Guiado pelas regras do direito natural, essa forma de 
Estado valoriza o pensamento racional e político do homem. Podendo 
variar a forma de governo como monarquia ou república, o Estado Liberal 
passou a traduzir osideais presentes nas revoluções francesas, americanas 
e inglesas, trazendo a soberania nacional, o regime constitucional 
assegurado pela supremacia da lei, a tripartição dos poderes, a separação 
do direito em público e privado, a laicidade do Estado e a liberdade do 
homem, a não intervenção do poder público na esfera privada, entre 
outros. 
Apesar de tentador, após o histórico de autoritarismo e desigualdade 
vivido ao longo da história, o Estado Liberal passou a ser um ideal a ser 
alcançado e não uma realidade, tendo em vista os problemas vividos 
na sociedade da época que não eram compatíveis com essa forma de 
Estado. 
Surge, portanto, o Estado Constitucional, cujas raízes são fruto 
da queda do sistema político medieval, marcado por sua crueldade e 
desigualdade. 
Influenciado pelo jusnaturalismo, o Estado Constitucional privilegia 
a soberania do indivíduo, condena o absolutismo monárquico, lutando 
pela limitação do poder dos governantes e valoriza o racionalismo político. 
Fruto da luta da sociedade pela queda dos regimes autoritários, 
o Estado Constitucional consagra a Constituição como a legislação 
soberana e absoluta que consagre o interesse de todo o povo, devendo 
conjugar os valores individuais e sociais do próprio povo. Pode-se dizer 
que o Estado Constitucional foi um marco na conquista de direitos e 
deveres da sociedade. 
Noções de Direito
44
Elementos do Estado
Ao nos referirmos aos elementos do Estado estamos tratando 
do conjunto de requisitos essenciais para a existência do Estado. Esses 
elementos consistem no povo, território e soberania, os quais trataremos 
mais detalhadamente a seguir. 
Povo
O povo consiste no conjunto humano de uma ordem estatal sujeito 
às mesmas leis. Para fazer parte do povo é preciso que esse conjunto 
humano exerça a cidadania, ou seja, que tenha participação política ativa 
no Estado. O povo é a entidade jurídica do Estado. 
O conceito de povo não se confunde com o conceito de população. 
Enquanto o povo consiste no conjunto de cidadãos de um Estado, a 
população é a soma aritmética dos habitantes que vivem dentro de uma 
fronteira, respeitando as mesmas leis de um determinado país (Estado). 
Figura 8 – População
Fonte: Pixabay 
Já a cidadania, mencionada como elemento essencial a ser exercido 
pelo povo, consiste na participação ativa civil e política de todos os atos 
praticados pelo Estado. 
Noções de Direito
45
Relacionado com esse elemento estatal, é importante definirmos 
o que se entende por nação. A nação consiste no conjunto de pessoas 
reunidas por um interesse e ideais em comum. 
A nação é uma entidade histórica e é formada por um conjunto 
de pessoas que se encontram ligadas por vínculos que podem ser de 
sangue, idioma, religião. A nação é o elemento moral do Estado e não é 
sinônimo de Estado. 
EXEMPLO: 
A nação coreana está separada entre a República da Coreia (Coreia 
do Sul) e a República Democrática Popular da Coreia (Coreia do 
Norte). 
Ainda sobre a população, o critério raça constitui caráter 
exclusivamente biológico e antropológico, irrelevante para o Estado.
Território
O território, segundo elemento essencial do Estado, está ligado à 
geografia de um Estado, onde sua ordem jurídica é validada e exercida. 
Dessa forma, consiste na base física do Estado e não se confunde com o 
povo e a nação. 
O conceito de território não se confunde com o de fronteira, pois 
enquanto o território consiste na área pertencente a um Estado. A fronteira 
está relacionada com os limites do território, suas bordas, ou seja, uma 
linha que delimita a área entre dois ou mais territórios. 
Um exemplo de fronteira interessante é o existente na cidade de Foz 
do Iguaçu, que reúne as fronteiras dos países Brasil, Argentina e Paraguai. 
Noções de Direito
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Figura 9 – Território e fronteiras
Fonte: Wikimedia
Soberania 
A soberania consiste no poder do Estado e pode se manifestar tanto 
interna quanto externamente. Internamente, a soberania se manifesta por 
meio da criação de leis, por exemplo, e de forma externa por meio de 
acordos entre os Estados. Segundo a escola clássica, possui as seguintes 
características: 
a. Una – exercida por somente uma autoridade, não podendo existir 
mais de uma autoridade soberana dentro do mesmo território.
b. Indivisível – o poder conferido ao Estado permite a delegação de 
funções ou a repartição de algumas competências, mas jamais a 
divisão do poder conferido a alguém.
c. Inalienável – a soberania não permite que a autoridade que a 
detém comercialize seus bens, pois a propriedade dos bens do 
Estado pertence ao povo.
d. Imprescritível – a soberania não pode ter “prazo de validade” 
devendo nascer definitivamente junto com o estado.
Noções de Direito
47
A soberania não é absoluta e é limitada pelos princípios oriundos do 
direito natural bem como dos costumes de modo a permitir um convívio 
pacífico dos povos. 
Formas de Governo 
O Governo, na estrutura estatal, consiste no conjunto de funções 
necessárias para manter a ordem jurídica de um Estado e administrar 
os bens públicos. Conforme vimos a partir da trajetória histórica dos 
Estados, existem diferentes as formas de governo, as quais detalharemos 
pormenorizadamente a seguir. 
Para fins didáticos, adotaremos a classificação de Aristóteles, que 
separou as formas de governo como em puras ou impuras (baseando-se 
no critério moral) e quanto ao número de governantes. Para tanto, seriam 
formas puras de governo a monarquia (governo de um só), aristocracia 
(governo de vários) e democracia (governo do povo). As formas impuras 
de governo são a tirania (corrupção da monarquia), oligarquia (corrupção 
da aristocracia) e demagogia (corrupção da democracia). 
A monarquia consiste em uma forma de governo cujo poder é 
concentrado nas mãos do monarca. O cargo de monarca é vitalício, ou 
seja, só será extinto com a morte e diante da morte, o próximo monarca 
a assumir o cargo deverá seguir a linha de sucessão. As críticas que se 
fazem a esse regime de governo estão relacionadas com o fato de que 
o futuro de um Estado não pode estar atrelado aos interesses de uma 
família, além do fato de ser um regime antidemocrático, ou seja, não há 
nenhuma participação do povo nas decisões do governo. 
EXEMPLO: 
Um exemplo de país que adota o regime da monarquia que 
prevalece até os dias atuais é a Inglaterra, comandada pela família 
real britânica composta pela rainha Elisabeth e seus familiares. 
Noções de Direito
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Figura 10 – Família Real Britânica
Fonte: Wikimedia 
Diante de tais críticas surge a república, forma de governo que se 
opõe à monarquia e aproxima-se da democracia. Sua origem foi marcada 
pelas lutas em prol da soberania popular. Suas características principais 
são a duração do mandato, que é por tempo limitado, a eletividade do 
chefe de Estado que é feita pelo povo e a responsabilidade do chefe 
de Estado por suas ações nas esferas civil e penal. A república pode 
ser dividida em aristocracia, que é quando uma classe privilegiada por 
direitos de nascimento ou conquista é a responsável pela administração 
pública, ou pela democracia, forma de governo em que todo o poder 
emana do povo. 
A democracia é o regime de governo que vigora no Brasil desde a 
Proclamação da República em 1889. A palavra democracia tem origem 
grega e significa que o poder emana do povo. A democracia surge no 
Estado Moderno e consiste em um regime político que o poder é do 
povo e exercido em prol dos interesses da coletividade, os mandatos 
são temporários e eletivos e a ordem pública é baseada na Constituição 
suprema e na tripartição dos poderes (executivo, legislativo e judiciário). 
Além disso, há pluralidade de partidos políticos, respeito aos direitos 
fundamentais, é assegurada a supremacia da lei e há responsabilidade 
dos governantes por seus atos. 
Noções de Direito
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Os mecanismos de participação do povo na democraciasão o 
sufrágio universal (voto direito, secreto e de igual valor para todos), o 
plesbicito (os eleitores decidirem os destinos da sociedade – possui efeito 
vinculante), referendo (possui a função de confirmar – ou não – um ato de 
governo) e a iniciativa popular (poder de propor determinado projeto de lei). 
A democracia é o regime político adotado pelo Brasil. 
As eleições brasileiras acontecem em todo ano par, e é o meio 
utilizado para eleger prefeitos, vereadores, deputados, governadores, 
senadores e o presidente da república.
 A urna eletrônica é o meio utilizado pelos brasileiros, sendo 
destaque ao redor do mundo por conta de se tratar de um mecanismo 
desenvolvido aqui no Brasil. 
Figura 11 – Urna eletrônica brasileira
Fonte: Wikimedia
Noções de Direito
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SAIBA MAIS:
Gostou desse assunto? Recomendamos a leitura do 
seguinte material para se aprofundar um pouco mais sobre 
esse tema: CABRAL, João Francisco Pereira. “Os Regimes 
políticos e as Formas de governo segundo Aristóteles “; 
Brasil Escola. Disponível aqui. 
Ainda sobre o tema democracia, sugerimos a leitura do 
artigo a seguir caso você queira aprender um pouco 
mais sobre a evolução da democracia no Brasil. “Uma 
história política da transição brasileira: da ditadura militar à 
democracia” (Adriano Nervo Codato). Disponível aqui. 
RESUMINDO:
Nesse capítulo você foi apresentado à Teoria Geral do 
Estado. Iniciamos o capítulo aprendendo sobre o conceito 
e a evolução histórica do Estado, desde o Estado Antigo 
até o Estado Moderno, passando pelos Estados Gregos, 
Romano e Medieval. Além disso, trabalhamos os elementos 
do Estado, povo, território e soberania, e as formas de 
governo existentes ao longo da história como a monarquia, 
aristocracia e, em especial, a democracia, forma de governo 
à qual prevalece no Brasil. Por fim, aprendemos sobre 
os mecanismos de participação do povo na democracia, 
como o sufrágio universal, o plebiscito, referendo e a 
iniciativa popular.
Noções de Direito
https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/os-regimes-politicos-as-formas-governo-segundo-aristoteles.htm
https://bit.ly/2TNon7j
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REFERÊNCIAS
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República 
Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 
[1988]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicao.htm Acesso em: 20 jan. 2020.
DINIZ, M.H. Curso de Direito Civil Brasileiro. Saraiva: São Paulo, 
2016.
DIREITO. In: DICIONÁRIO da língua portuguesa. Lisboa: Priberam 
Informática, 1998. Disponível em: https://dicionario.priberam.org/direito. 
Acesso em: 20 jan. 2020.
KELSEN, H. Teoria Pura do Direito: Introdução à problemática 
científica do direito. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.
NADER, P. Introdução ao estudo do direito. Rio de Janeiro: 
Forense, 2003.
REALE, M. Lições preliminares de direito. São Paulo: Saraiva, 2003.
Noções de Direito
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
	O direito e sua relação com a justiça e a moral
	Classificações, ramos e fontes do direito 
	Classificações do direito
	Ramos do direito 
	Direito Público e Direito Privado 
	Direito Público Interno 
	Direito Constitucional 
	Direito Administrativo 
	Direito Penal 
	Direito Previdenciário 
	Direito Eleitoral 
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