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O PEDAGOGO EM ESPAÇOS NÃO-FORMAIS E INFORMAIS DE EDUCAÇÃO: 
ESTUDO INTRODUTÓRIO SOBRE SUAS CONTRIBUIÇÕES1 
 
Camila Dos Santos Jacinto2 
Maria Sirlene Pereira Schlickmann 3 
 
Resumo: O presente artigo tem como objetivo conhecer e compreender o papel e as 
contribuições do pedagogo em espaços não-formais de educação, assim como as possibilidades 
de intervenção em sua prática pedagógica, além de diferenciar alguns conceitos inerentes ao 
processo educativo. As indagações iniciais para a realização desta pesquisa foram resultado de 
uma experiência de trabalho em um espaço que desenvolve ações socioeducativas, o que 
despertou curiosidade em relação à atuação de professores em espaços fora da sala de aula. Para 
atender ao objetivo proposto, desenvolveremos uma pesquisa bibliográfica, de abordagem 
qualitativa e descritiva. A análise foi realizada com base em artigos e textos relacionados ao 
tema, de autores como: Paulo Freire (1996, 1987), Carlos Rodrigues Brandão (1985), Maria da 
Glória Gohn (2006), José Carlos Libâneo (2005), dentre outros. A partir da análise empreendida 
neste artigo, verificamos que a formação do pedagogo não está limitada ao ambiente da sala de 
aula, por mais que muitos ainda acreditem nesta ideia, mas podem estar presentes em empresas, 
hospitais, meios de comunicação, ONG’s e demais espaços da sociedade. Nesse campo de 
atuação, o olhar especial ao educando é de extrema importância, visto que, muitas vezes, são 
crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, que precisam de maior atenção. Porém, 
um impasse ainda é presente no âmbito da pedagogia, visto que a falta de algumas áreas de 
atuação do pedagogo no currículo do curso de licenciatura afeta a atuação desses profissionais 
em determinados ambientes. 
 
Palavras-chave: Educação. Educação formal, não-formal e informal. Intervenção. 
 
1 INTRODUÇÃO 
Este artigo é resultado das reflexões desenvolvidas ao longo do Curso de 
Licenciatura em Pedagogia – UNISUL. O pedagogo, em geral, tem seu papel direcionado para 
a Educação Formal, atuando em funções que vão desde a docência até a gestão em escolas, 
creches e secretarias de educação. Porém, outros espaços sociais também necessitam de 
pedagogos. São os chamados espaços não-formais de educação, desconhecidos, muitas vezes, 
até pelo próprio pedagogo. 
 
 
1 Esse trabalho de conclusão de curso foi desenvolvido como requisito para a conclusão do Curso de Pedagogia. 
2 Acadêmica do curso de Pedagogia. 
3 Profa. Orientadora: Maria Sirlene Pereira Schlickmann, Dra. 
 2 
Nosso interesse pelo trabalho do pedagogo em espaços não-formais se deu por conta 
de nossa atuação, durante 1 (um) ano, num Serviço de Convivência e Fortalecimento de 
Vínculos (SCFV), no município de Morro da Fumaça/SC. O local atende crianças — estudantes 
dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental — no contraturno da escola, e lá praticam 
atividades de educação física, artes e capoeira, além de artesanato e atividades, com o objetivo 
de promover o fortalecimento de vínculos entre família, escola e sociedade. 
Em uma das nossas reuniões, foi apresentado que o pedagogo faz parte do quadro 
de funcionários. Ao ouvir essa informação, sentimos a necessidade de saber mais sobre qual é 
o papel do pedagogo em espaços não-formais, além de conhecer e compreender outras 
possibilidades de intervenção. Assim, surgiram os seguintes questionamentos, que nortearão 
nossa pesquisa: Qual o papel e contribuição do pedagogo em um ambiente não-formal de 
educação? Quais funções são realizadas pelo educador? Qual a relação entre as atividades de 
pedagogos em espaços não-formais e espaços formais? 
Para respondermos a esses questionamentos, é preciso conhecermos os ambientes 
em que se faz necessária a atuação de um profissional pedagogo, o que pode ocorrer por meio 
de textos e artigos de autores que dominam o âmbito da educação não-formal, para que assim 
se torne possível discorrer sobre o tema. Para a realização deste estudo, foi realizada uma 
pesquisa bibliográfica, do tipo qualitativa e descritiva. 
Este trabalho é composto pela introdução e mais cinco partes. Tem início com o 
com o tópico “Conceito de Educação”, trazendo discussões de alguns autores e documentos, 
como Freire (1996), Brandão (1985) e LDB (1996). Em seguida, apresentamos o tópico 
“Educação Formal, Informal e Não-Formal”, no qual distinguimos cada um destes três 
conceitos, para compreensão de toda a extensão do trabalho. No terceiro tópico, discorremos 
sobre as “Possibilidades de intervenção do pedagogo em espaços não formais”, trazendo alguns 
campos de atuação que vão além dos muros da escola, como, por exemplo, o âmbito da 
assistência social. Posteriormente, sobre a “Assistência Social no Brasil e seus programas de 
atuação”, levantando um breve histórico desta em nosso país, destacando alguns serviços que 
são realizados a partir dela. Em seguida, em “Pedagogia como espaço humanizador”, traremos 
aspectos da pedagogia hospitalar, na qual o pedagogo realiza atividades de forma 
humanizadora, considerando que seus alunos estão em situações frágeis, em que necessitam de 
uma atenção especial. Finalizamos o trabalho apontando as considerações finais acerca da 
pesquisa, trazendo à tona os resultados alcançados. 
 
 
 3 
2 CONCEITO DE EDUCAÇÃO 
 
Durante todos os anos de estudo no curso de Pedagogia, ouvimos falar muito sobre 
educação, seus conceitos e atribuições, porém esta é uma área muito ampla, há diversos 
significados, atribuídos por vários autores/estudiosos. Em sites de pesquisa, o termo educação 
vem seguido de tal significado: “1. ato ou processo de educar (-se). 2. aplicação dos métodos 
próprios para assegurar a formação e o desenvolvimento físico, intelectual e moral de um ser 
humano; pedagogia, didática, ensino”4. Este significado é bem sucinto e direto. Os profissionais 
da área nos trazem significados mais completos e abrangentes. De acordo com a Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB 9394/96 (Art1º). 
 
1°: A educação abrange processos formativos que se desenvolvem na vida 
familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e 
pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da 
sociedade civil e nas manifestações culturais. 
1° Esta lei disciplina a educação escolar que se desenvolve 
predominantemente, por meio do ensino, instituições próprias. 
2° A educação escolar deverá vincular-se ao mercado de trabalho e à prática 
social. (BRASIL, 1996). 
 
Assim como a Lei de Diretrizes e Base, Carlos Rodrigues Brandão também aponta 
que a educação é adquirida com a vivência em sociedade, por meio das experiências em 
diversos momentos do dia. 
 
Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um 
modo ou de muitos todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para 
aprender, para ensinar, para aprender-e-- ensinar. Para saber, para fazer, para 
ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. Com 
uma ou com várias: educação? Educações. (BRANDÃO, 1985, p. 7). 
 
Para Brandão, a educação acontece não somente na escola, mas também nos meios 
sociais, em que não há um profissional formado para ofertar este ensino. Ela ocorre a partir do 
momento em que um ser observa, analisa e reproduz ações, por isso o autor destaca que algumas 
vezes essa educação que defende não é utilizada de forma positiva: 
 
A educação existe no imaginário das pessoas e na ideologia dos grupos sociais 
e, ali, sempre se espera, de dentro, ou sempre se diz. para fora, que a sua missão 
é transformar sujeitos e mundos em alguma coisa melhor, de acordo com as 
 
 
4 Disponível em: https://languages.oup.com/google-dictionary-pt/. Acesso em: 29 maio 2021. 
 
https://languages.oup.com/google-dictionary-pt/
 4 
imagens que se tem de uns e outros: "...e deles faremos homens". Mas, na 
prática, a mesma educação que ensina pode deseducar, e podecorrer o risco de 
fazer o contrário do que pensa que faz, ou do que inventa que pode fazer: 
"...eles eram, portanto, totalmente inúteis". (BRANDÃO, 1985, p. 9). 
 
Seguindo uma mesma linha de raciocínio, destacam-se as palavras de Libâneo 
(2002, p. 26), para quem a educação é um [...] fenômeno plurifacetado, ocorrendo em muitos 
lugares, institucionalizado ou não, sob várias modalidades”. Frente a essa discussão, 
conseguimos perceber como essas relações acontecem: no dia a dia, as crianças observam e 
reproduzem ações, falas e atitudes que foram produzidas por um amigo, tio ou avô, por 
exemplo, que não ocorrem, portanto, em uma sala de aula, por intermédio de um professor. 
Cabe trazer, neste momento, a concepção de Paulo Freire para a educação, uma 
educação, segundo o autor, libertadora, que conscientiza, conhece a realidade e busca 
transformá-la, na qual educador e educando aprendem e aprimoram seus conhecimentos. 
 
É preciso que a educação esteja - em seu conteúdo, em seus programas e em 
seus métodos - adaptada ao fim que se persegue: permitir ao homem chegar a 
ser sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo, estabelecer com 
os outros homens relações de reciprocidade, fazer a cultura e a história [...] 
uma educação que liberte, que não adapte, domestique ou subjugue. (FREIRE, 
2006, p. 45). 
 
Paulo Freire lutou pela construção da educação popular, preocupado, 
principalmente, com a causa dos oprimidos. Neste sentido, pontua Freire (1996), o professor 
favorece a construção do conhecimento e da formação do aluno, e o aluno também possibilita 
ao professor uma aprendizagem. Vale salientar como o professor defende uma concepção de 
educação afetiva, na qual existem relações humanas entre as atividades e aprendizados: 
 
Como prática estritamente humana jamais pude entender a educação como 
experiência fria, sem alma, em que os sentimentos e as emoções, os desejos, 
os sonhos devessem ser reprimidos por uma espécie de ditadura racionalista. 
Nem tampouco jamais compreendi a prática educativa como uma experiência 
a que faltasse rigor em que se gera a necessária disciplina intelectual. (FREIRE, 
1996, p. 146). 
 
Podemos pensar, frente a essas considerações, que a educação acontece diariamente 
em diversos meios, pois, de modo geral, a educação se refere a tudo aquilo que aprendemos, 
não sendo somente saberes escolares. Além disso, esse termo possui ainda alguns aspectos que 
é importante destacarmos. Sobre esses conceitos, vejamos o próximo tópico. 
 
 
 5 
3 EDUCAÇÃO FORMAL, INFORMAL E NÃO-FORMAL 
 
A educação pode ser caracterizada em Educação Formal, Não-Formal e Informal, 
cada uma delas possuindo suas especificidades: estes termos estão presentes desde o ano de 
1960 e, segundo Fávero (2007), são de origem anglo-saxônica e se desenvolveram a partir de 
atividades chamadas “extraescolares”, que aconteciam à margem das escolas, como atividades 
de cinema, esportes, recreação, mas que reforçavam a aprendizagem que acontecia no ambiente 
escolar. 
De acordo com Gohn (2006), a educação pode ser considerada “formal” quando 
desenvolvida em ambientes escolares, como escolas e universidades; ela possui uma 
metodologia, é organizada por anos escolares e mantém uma sistematização. 
 
Na educação formal estes espaços são os do território das escolas, são 
instituições regulamentadas por lei, certificadoras, organizadas segundo 
diretrizes nacionais. [...] A educação formal requer tempo, local específico, 
pessoal especializado, organização de vários tipos (inclusive a curricular), 
sistematização sequencial das atividades, disciplinamento, regulamentos e leis, 
órgãos superiores etc. Ela tem caráter metódico e, usualmente, divide-se por 
idade/classe de conhecimento. (GOHN, 2006, p. 29, 30). 
 
Desenvolvida no ambiente familiar, no bairro, ou na sociedade, onde não há uma 
organização, nem metodologias de ensino, caracteriza-se como educação “informal”. Neste 
sentido, os “educadores” são a família, os amigos ou vizinhos, todos aqueles que participam 
das interações e contribuem com a produção e socialização de algum conhecimento. 
 
[...] a informal como aquela que os indivíduos aprendem durante seu processo 
de socialização- na família, bairro, clube, amigos etc., carregada de valores e 
culturas próprias, de pertencimento e sentimentos herdados. [...] Já a educação 
informal tem seus espaços educativos demarcados por referências de 
nacionalidade, localidade, idade, sexo, religião, etnia etc. A casa onde se mora, 
a rua, o bairro, o condomínio, o clube que se frequenta, a igreja ou o local de 
culto a que se vincula sua crença religiosa, o local onde se nasceu etc. (GOHN, 
2006, p. 28-29). 
 
Seguindo um conceito parecido com o da educação informal, destaca-se a educação 
“não-formal”, prioritária para a compreensão de toda a extensão desta pesquisa. Este modelo 
ainda é uma área do conhecimento que está em construção, podendo, muitas vezes, ser 
confundido com a educação informal, porém cada uma tem suas características e definições. 
A educação não-formal é aquela desenvolvida na vida, com ações coletivas, 
oportunizadas em espaços que acompanham o caminho dos indivíduos fora da escola. Assim 
 6 
como aponta Gohn (2006), a educação não-formal se aprende “no mundo da vida”, por meio 
dos processos de compartilhamento de experiências, principalmente em espaços e ações 
coletivas cotidianas. Todo aprendizado na educação não-formal não é espontâneo, pois as 
atividades e ações desenvolvidas têm objetivos e intencionalidades. 
 
Primeiramente, é preciso que essa proposta de educação não formal funcione 
como espaço e prática de vivência social, que reforce o contato com o coletivo 
e estabeleça laços de afetividade com esses sujeitos. Para tanto, necessita-se de 
um local onde todos tenham espaço suficiente para experimentar atividades 
lúdicas, estas entendidas como tudo aquilo que provoque e seja envolvente e 
vá ao encontro de interesses, vontades e necessidades de adultos e crianças. 
(SIMSON; PARK; FERNANDES, 2001, p. 10). 
 
Ainda há impressão de que o termo “não-formal” se refere ao contrário da educação 
“formal”, ou seja, muitos olhares ainda são negativos em relação a esse conceito, por se 
acreditar que esse tipo de educação seja o oposto, pelo fato de não ser realizada em ambientes 
formais de aprendizagem, como a sala de aula; e, por conta disso, é comum que alguns autores 
utilizem outros termos, como “educação não-escolar” e “ensino aberto”. 
Estes espaços de educação buscam abrir as janelas do conhecimento sobre o mundo 
em que essas pessoas vivem, além de fortalecer vínculos com a família, amigos, sociedade, 
ajudando na construção da identidade do grupo e contribuindo para se conviver com as 
diferenças, trabalhando o respeito um pelo outro. As pessoas que fazem parte destes grupos 
podem ser crianças em situação de vulnerabilidade, idosos, mães, dependendo do espaço em 
que vão participar. A educação não-formal vai além do conceito de assistencialismo, ela procura 
desenvolver valores por meio das práticas sociais realizadas. 
 
Um modo de educar surge como resultado do processo voltado para os 
interesses e as necessidades que dele participa. A construção de relações 
sociais baseadas em princípios de igualdade e justiça social, quando presentes 
num dado grupo social, fortalece o exercício da cidadania. A transmissão de 
informação e formação política e sociocultural é uma meta na educação não 
formal. (GOHN, 2006, p. 29). 
 
Diferente da educação formal, a educação não-formal não possui uma metodologia 
específica e regrada, ditada em variados documentos. A metodologia deste conceito se faz a 
partir da problematização da vida cotidiana dos indivíduos que fazem parte dele. Na educação 
não-formal, os responsáveis pelas atividades proporcionadas são chamados facilitadores, 
assessores, mediadores ou monitores, dependendoda função que exercem, e todos eles realizam 
diálogos e debates em grupo. 
 7 
Quanto aos objetivos, conforme Gohn (2006), alguns são similares aos da educação 
formal, tais como a formação de um cidadão pleno, mas também conta com objetivos 
específicos, buscando educar para a cidadania, para a defesa dos direitos humanos, sociais, 
políticos e culturais, bem como para a liberdade, igualdade e democracia. 
É importante trazer à tona, novamente, que a educação não-formal não compete 
com a educação formal. Assim como asseveram Fuhrmann e Paulo (2014), aquela não tem por 
objetivo precípuo o ensino curricular/disciplinar, mas o despertar das potencialidades do 
indivíduo de acordo com seu ciclo de vida, fortalecendo-o para a vida em sociedade a partir da 
consciência de cidadania. Ou seja, não substitui os conhecimentos específicos aprendidos na 
escola, apenas os complementa, ao trazer ações sociais para os estudantes que já estão inclusos 
no ambiente escolar. 
A prática da educação não-formal está intitulada em alguns artigos de documentos 
norteadores da educação no Brasil. Muitos ainda associam a formação em pedagogia à atuação 
em sala de aula, desde a Educação Infantil ao Ensino Fundamental, porém esta formação 
prepara o pedagogo para atuar além dos muros da escola, como especificam as Diretrizes 
Curriculares Nacionais: 
 
Art. 2º As Diretrizes Curriculares para o curso de Pedagogia aplicam-se à 
formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil e nos anos 
iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio, na modalidade 
Normal, e em cursos de Educação Profissional na área de serviços e apoio 
escolar, bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos 
pedagógicos. (BRASIL, 2006). 
 
Neste artigo, é possível perceber que o ensino não-formal está presente no que os 
documentos oficiais referem como “outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos 
pedagógicos”, ou seja, áreas que não possuem o ambiente da sala de aula, mas que não deixam 
de ser espaços de formação da educação. É importante que o pedagogo, neste sentido, tenha 
uma visão ampliada deste ensino, visto que este modelo visa dar ênfase à valorização da 
cidadania dos indivíduos que fazem parte deste meio. Tanto na educação formal quanto na não-
formal, o objetivo é o mesmo: a formação humana. 
 
 
 
 
 8 
4 POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO DO PEDAGOGO EM ESPAÇOS NÃO-
FORMAIS 
 
A formação do pedagogo, atualmente, é muito ampliada. Nos últimos anos, este 
profissional vem conquistando mais espaços de atuação, não limitando-se ao espaço da sala de 
aula, apesar de muitos que ainda estão se formando na área desconhecerem essas possibilidades. 
O trabalho desenvolvido pelos pedagogos pode acontecer em associações de bairros, ONGs, 
centros comunitários, serviços de convivência, dentre outros. 
 
O curso de pedagogia deve formar o pedagogo stricto sensu, isto é, um 
profissional qualificado para atuar em vários campos educativos para atender 
demandas socioeducativas de tipo formal e não-formal e informal, decorrentes 
de novas realidades, novas tecnologias, novos atores sociais, ampliação das 
formas de lazer, mudanças nos ritmos de vida, presença dos meios de 
comunicação e informação, mudanças profissionais. (LIBANEO, 2005, p. 38). 
 
Ao atuar em projetos sociais, bem como em outros espaços não escolares, para além 
dos muros da escola formal, o pedagogo tem a capacidade de se reinventar e se capacitar: com 
o passar do tempo, ele constrói um perfil e se adapta a ele. O exercício do pedagogo, nesses 
espaços, é dinâmico, pois ele deve se adequar a cada instituição — já que cada uma tem suas 
especificidades e seu modo de realizar o trabalho —, indo além da transmissão de 
conhecimentos, pois é necessário que esteja atento à realidade das pessoas com quem está 
atuando. Nesse sentido, Freire (1987, p. 44) destaca que “o educador já não é o que apenas 
educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando, que, ao ser educado, 
também educa.” 
Dentre os campos de atuação do pedagogo, enquanto educador, destacam-se os 
ambientes de Assistência Social, que desenvolvem diferentes atividades, em busca de uma 
melhor qualidade de vida para aqueles que mais necessitam, com o propósito de livrar crianças, 
jovens e adolescentes de situações de vulnerabilidade social. Para que possamos compreender 
como esse trabalho acontece, é necessário, nesse primeiro momento, conhecer mais sobre a 
Assistência Social no Brasil. 
 
 
 
 
 
 9 
5 ASSISTÊNCIA SOCIAL NO BRASIL E SEUS PROGRAMAS DE ATUAÇÃO 
 
A Assistência Social é um direito de qualquer pessoa, descrito por meio da Lei 
8.742, 07 de dezembro de 1993: Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS, na qual consta, 
em seu art. 1º: 
 
Art. 1º A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de 
Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada 
através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, 
para garantir o atendimento às necessidades básicas. (BRASIL, 1993, p. 01). 
 
A partir do ano de 1997, foi realizada a primeira publicação da Política Nacional da 
Assistência Social. O documento obteve duas (2) atualizações: a primeira, no ano de 1998, e a 
segunda, em 2004. No documento mais atual são descritos o processo histórico, os objetivos e 
as metas da assistência social. No entanto, ainda assim a área enfrenta alguns desafios para que 
se estabilize como política pública e direito social. 
Este campo busca conhecer os riscos e condições em que determinadas pessoas 
vivem, podendo trazê-las para mais perto do assistencialismo. Todo o processo acontece por 
meio do Centro de Referência e Assistência Social (CRAS), que facilita o acesso dessas pessoas 
aos serviços ofertados, priorizando o direito de cada um e realizando a assistência necessária 
que cada família/pessoa necessita. Mas o que é o CRAS? 
 
O CRAS atua com famílias e indivíduos em seu contexto comunitário, visando 
a orientação e o convívio sociofamiliar e comunitário. Neste sentido é 
responsável pela oferta do Programa de Atenção Integral às Famílias. Na 
proteção básica, o trabalho com famílias deve considerar novas referências 
para a compreensão dos diferentes arranjos familiares, superando o 
reconhecimento de um modelo único baseado na família nuclear, e partindo do 
suposto de que são funções básicas das famílias: prover a proteção e a 
socialização dos seus membros; constituir-se como referências morais, de 
vínculos afetivos e sociais; [...]. (BRASIL, 2004, p. 35). 
 
O CRAS, nesse entendimento, é responsável por disponibilizar alguns serviços de 
proteção básica, que consistem em levar a família como unidade de referência, de modo a 
fortalecer vínculos, promover a convivência, além de proporcionar seu acolhimento e 
socialização com os demais. Alguns destes programas, ou serviços de proteção básica, 
realizados pela instituição são citados na Política Nacional de Assistência Social: 
 
• Programa de Atenção Integral às Famílias. 
• Programa de inclusão produtiva e projetos de enfrentamento da pobreza. 
 • Centros de Convivência para Idosos. 
 10 
 • Serviços para crianças de 0 a 6 anos, que visem o fortalecimento dos vínculos 
familiares, o direito de brincar, ações de socialização e de sensibilização para 
a defesa dos direitos das crianças. 
• Serviços socioeducativos para crianças, adolescentes e jovens na faixa etária 
de 6 a 24 anos, visando sua proteção, socialização e o fortalecimento dos 
vínculos familiares e comunitários. 
• Programas de incentivo ao protagonismo juvenil, e de fortalecimento dos 
vínculos familiares e comunitários. 
• Centros de informação e de educação para o trabalho, voltados para jovens e 
adultos. (BRASIL, 2004, p. 36). 
 
No CRAS, ainda são realizados os cadastros para garantir o benefício do BolsaFamília e realizar encaminhamentos para outras unidades pertencentes à instituição. São 
ofertados também o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV e Serviço 
de Proteção e Atendimento Integral à Família – PAIF. Esta instituição é responsável, também, 
por fiscalizar algumas irregularidades em famílias que não estão cumprindo as regras para a 
seleção do Bolsa Família, como filhos fora da escola ou que não convivem mais no mesmo 
ambiente familiar. Assim, por meio de visitas, o CRAS verifica se as famílias ainda se encaixam 
nos requisitos para receberem o auxílio. 
O PAIF teve como antecedente o Programa Núcleo de Apoio a Família (NAF – 
2001) e o Plano Nacional de Atendimento Integrado à Família (PNAIF – 2003). Em 2004, foi 
criado o Programa de Atenção Integral à Família, que em 2009 passou a ser chamado de Serviço 
de Proteção e Atendimento Integral à Família, preservando a sigla PAIF. Hoje, é um dos 
principais serviços que fazem parte da assistência social, auxiliando pessoas em situação de 
vulnerabilidade e riscos sociais. É importante lembrar que o CRAS e o PAIF não são sinônimos: 
o PAIF é o serviço prestado; e o CRAS, a estrutura física onde acontecem as atividades do 
PAIF. 
A equipe profissional responsável pelo CRAS é regulamentada pela Norma 
Operacional Básica de Recursos Humanos do SUAS – NOB/RH, como recomenda o Ministério 
de Desenvolvimento Social e Combate à Fome. A quantidade de servidores dependerá do 
número de famílias referenciadas ao CRAS. A equipe de trabalho deve ser composta por 
servidores públicos efetivos, que realizaram concurso público ou processo seletivo, e 
profissionais de nível médio e superior, ambos com suas específicas atuações. 
Os profissionais de nível médio devem realizar atividades de apoio ao trabalho dos 
técnicos de nível superior, como participar das reuniões de planejamento e avaliação, 
recepcionar e prestar informações às famílias pertencentes ao CRAS, além de atuar também 
como orientadores ou facilitadores de oficinas no Serviço de Convivência e Fortalecimento de 
Vínculos (SCFV). Os profissionais de nível superior são psicólogos, assistentes sociais, além 
 11 
de outros profissionais que podem estar fazendo parte da equipe, como pedagogos, sociólogos, 
antropólogos e demais profissionais que possuem formação superior adequada para as 
atividades propostas pelo PAIF. 
 
A interdisciplinaridade é um processo de trabalho recíproco, que proporciona 
um enriquecimento mútuo de diferentes saberes, que elege uma plataforma de 
trabalho conjunta, por meio da escolha de princípios e conceitos comuns. Esse 
processo integra, organiza e dinamiza a ação cotidiana da equipe de trabalho e 
demanda uma coordenação, a fim de organizar as linhas de ação dos 
profissionais em torno de um projeto comum. (BRASIL, 2009, p. 67). 
 
Os profissionais devem estar atentos, procurando trabalhar em equipe e de forma 
interdisciplinar, para que o sucesso do trabalho seja garantido, como descreve o Ministério do 
Desenvolvimento Social. 
O dialogar e o humanizar são dois fatores de extrema importância e que, juntos, 
abrem um leque de possibilidades, além de serem o caminho para a transformação da realidade, 
portanto devem ser incluídos no trabalho do pedagogo nessas instituições. Como esboça Freire 
(2011), a essência da área social é trabalhar a libertação, o protagonismo do indivíduo, com o 
intuito de superar as condições de desigualdade social, permitindo que este indivíduo excluído 
socialmente possa ser incluído e ter uma vida digna. 
 
A educação deve ser usada como um instrumento de mudança no mundo, 
conscientizando e humanizando para que possa se transformar sucessivamente, 
pois este processo não finaliza e leva ao desenvolvimento de um espírito crítico 
o qual não deve ser deixado de lado ou até mesmo esquecido após essas 
transformações para que sejam evitadas novas opressões. (FREIRE, 1996, p. 
53). 
 
Assim, as atividades realizadas no âmbito do CRAS devem despertar reflexão nas 
ações do dia a dia. Não se trata apenas de trabalhá-las na teoria, mas, sim, desenvolvê-las na 
prática, para que a realidade vivenciada possa ser transformada. 
 
Saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades 
para a sua própria produção ou a sua construção. Quando entro em uma sala 
de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações, à curiosidade, às 
perguntas dos alunos, a suas inibições; um ser crítico e inquiridor, inquieto em 
face da tarefa que tenho – a de ensinar e não a de transferir conhecimento. 
(FREIRE, 1996, p. 21). 
 
Levando em consideração a fala de Paulo Freire citada acima, não somente na sala 
de aula, mas também em outros espaços de educação, o professor deve estar aberto para as 
diversas questões e esclarecimentos que podem vir a surgir durante a realização do seu trabalho: 
 12 
é preciso que ele ouça a voz do educando, pois, ao escutá-lo, aprende com ele. Assim como 
defende Freire (1996, p. 25), “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades 
para sua própria produção ou a sua construção, ficando claro que quem ensina aprende ao 
ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. Portanto, para Freire (1996), a educação deve ser 
usada como um instrumento de mudança no mundo, conscientizando e humanizando para que 
possa se transformar sucessivamente. 
Neste ambiente, segundo informações presentes no documento MDS5: Perguntas 
Frequentes (2015), as ações realizadas devem desenvolver interações sociais entre o usuário e 
a família por meio de atividades lúdicas, passeios e oficinas: 
 
As atividades propostas devem promover o desenvolvimento físico e mental 
dos usuários, assim como estimular as interações sociais entre eles, sua família 
e a comunidade. Entre as atividades possíveis, sugere-se: oficinas de produção 
de texto; oficinas musicais e de confecção artesanal de instrumentos; passeios 
.e visitas a equipamentos de cultura, lazer e cívicos; oficinas de danças 
populares, sessões de cinema como mote para a reflexão e debate dos temas 
abordados nos encontros do serviço; oficinas de teatro; oficinas de cinema; 
oficina de projetos sociais; oficinas de arte com materiais recicláveis; oficinas 
de pintura e escultura; oficinas de artes plásticas; oficinas de educação 
ambiental; oficinas vocacionais; entre outras. (BRASIL, 2015, p. 44). 
 
Diante disso, podemos perceber que as ações do pedagogo no âmbito 
assistencialista são voltadas para atividades que proporcionem uma prática lúdica que tenha 
como objetivo fortalecer e aprimorar os vínculos, os quais, muitas vezes, são escassos entre 
alunos e famílias, com base num planejamento voltado à realidade dos estudantes. 
É notável a presença de pedagogos ainda em outros espaços. O campo da educação 
não-formal é vasto, e os profissionais podem estar atuando também em hospitais (pedagogia 
hospitalar), museus ou empresas (pedagogo empresarial). 
 
6 PEDAGOGIA COMO ESPAÇO HUMANIZADOR 
 
Um outro lugar de intervenção do pedagogo, não muito comum, mas cada dia mais 
presente, é a área da saúde, ou, mais precisamente, o ambiente hospitalar. A Pedagogia 
Hospitalar é reconhecida por algumas leis, como a Lei Federal nº 8.242, 12/10/91 – 
CONANDA, Lei nº 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Lei nº 8069/90 – Estatuto 
da Criança e do Adolescente (ECA), onde asseguram que as crianças hospitalizadas tenham 
 
 
5 Ministério Do Desenvolvimento Social (órgão do governo federal responsável por manter um sistema de proteção 
social e promover políticas da Assistência Social no país). 
 13 
acesso à educação, garantindo que mesmo nesse processo de hospitalização, não desviem o 
foco dos estudos. Quando em tratamento, muitos costumam ver a criança como paciente, mas 
esquecem que ela é ainda criança e necessita vivenciar seus direitos básicos, incluindo a 
educação, respeitando suas possibilidades no momentoEste modelo de pedagogia surgiu no 
ano de 1950, no Rio de Janeiro, tempo época em que os atendimentos eram realizados na própria 
enfermaria dos hospitais. 
Para atuar neste ambiente, o profissional precisa estar disposto e preparado para as 
situações que pode encontrar no caminho da sua prática. É necessário que conheça a realidade 
que o permeia, mantendo uma relação direta com a criança, com os pais/responsáveis e outros 
profissionais que fazem o acompanhamento do indivíduo, para que o resultado alcançado seja 
além do educacional, também humanizador. Uma alternativa para o desenvolvimento da 
humanização é realizar uma escuta pedagógica, na qual a criança possa se sentir acolhida e 
ouvida — um momento em que possa tirar suas dúvidas, expressar seus sentimentos, estando 
confortável, assim como aponta Paulo Freire (1996, p. 45): 
 
É neste sentido que se impõe a mim escutar o educando em suas dúvidas, em 
seus receios, em sua incompetência provisória. E ao escutá-lo, aprendo a falar 
com ele. Escutar é obviamente algo que vai mais além da possibilidade auditiva 
de cada um. Escutar, no sentido aqui discutido, significa a disponibilidade 
permanente por parte do sujeito que escuta para a abertura à fala do outro, ao 
gesto do outro, às diferenças do outro. 
 
A partir deste olhar para a criança, o educador pode desenvolver seu trabalho 
identificando as necessidades de ensino e de aprendizagem, verificando a metodologia a ser 
utilizada e, por fim, realizando o planejamento e colocando-o em prática. É importante lembrar, 
conforme estudamos durante o curso de Pedagogia, que o ponto de partida para a construção 
do planejamento é sempre a criança e a realidade em que ela vive. Nesse sentido, o 
planejamento deve ser flexível e estruturado. 
Melo e Lima (2017), no artigo “Professor na pedagogia hospitalar: atuação e 
desafios”, apresentaram alguns desafios enfrentados por pedagogos no ambiente hospitalar, 
entre eles: direito negado, pois mesmo sendo um direito das crianças, muitos hospitais ainda 
não realizam estas atividades; desvalorização, considerando que em muitos lugares ainda é 
evidente a falta de profissionais para atuarem na pedagogia hospitalar, deixando-se de lado a 
questão do conhecimento e aprendizado; sofrimento e morte, pois, muitas vezes, o profissional 
deverá estar preparado para lidar com as situações de perda, e muitos podem ainda não saber 
reagir a essa condição; pedagogo e família, uma vez que a Pedagogia Hospitalar coloca o 
 14 
professor e pedagogo como uma ponte entre os desejos, frustrações, ansiedades e medos do 
hospitalizado com o mundo externo e suas famílias; falta de estrutura, visto que ainda há alguns 
hospitais sem estrutura adequada para receber uma sala de aula projetada com brinquedos, 
livros, materiais, embora a Lei Federal n. 11.104, de 21/03/2005, determine que todos os 
hospitais brasileiros façam a instalação de “brinquedotecas”; e falta de profissionais, pois os 
cursos de pedagogia ainda focam na atuação do pedagogo no espaço escolar e, portanto, ainda 
não é enfatizada a formação ampla no âmbito de espaços não-escolares, o que acaba se tornando 
um desafio para a atuação na Pedagogia Hospitalar. 
Diante dos desafios apontados pelos autores, podemos perceber como é importante 
a presença de um profissional da educação atuando com crianças e adolescentes em condição 
hospitalar, evitando que, durante o processo de internação, a criança se perca no seu 
aprendizado, garantindo que realize seu ano letivo por completo. 
Constatamos como campo de atuação do profissional pedagogo é imenso e, muitas 
vezes, limitado, por falta de informações, conhecimento ou estudos. A presença de um professor 
é importante não somente na sala de aula, mas também em outros espaços onde seja necessária 
a prática educacional e humanizadora. 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Levando em consideração o objetivo inicial deste artigo: conhecer a atuação do 
pedagogo em espaços que vão além da sala de aula, foi possível perceber, durante a realização 
desta pesquisa, que no âmbito da educação não-formal a atuação do pedagogo pode se 
desenvolver num espaço extenso e repleto de possibilidades. Porém, o que ainda preocupa é a 
formação dos pedagogos nestes espaços, visto que o enfoque se dá, na maioria das vezes, ao 
ensino formal, levantando brevemente conhecimentos sobre sua atuação em outros espaços. 
Um outro ponto a ser destacado é sobre o trabalho realizado no ensino não-formal. 
Nestes espaços, são construídas atividades com um olhar humanizador, como na Pedagogia 
Hospitalar, onde ocorrem relações diretas com a criança, a família e a equipe médica. Assim 
também acontece na área da Assistência Social, em que o profissional deve estar atento à 
realidade de cada participante dos programas ofertados pelo CRAS. 
Podemos destacar, sobre a presença do pedagogo nesses espaços, utilizando-nos do 
que afirma Fonseca (2006), que o reconhecimento de sua contribuição na construção de um 
conhecimento emancipatório favorece o estabelecimento de relações solidárias e 
 15 
humanizadoras, portanto devemos trabalhar na direção da consolidação desta presença e no 
aprofundamento da contribuição que ela pode oferecer. 
Como podemos verificar, é extremamente significativo o papel do profissional da 
educação não-formal, pois este oportuniza a busca por outros caminhos, novas possibilidades 
de atuação, de modo a intensificar as relações sociais, fortalecer vínculos por meio da realização 
de atividades lúdicas, utilizando o espaço de brinquedoteca, quando possibilitado, para peças 
teatrais, rodas de conversa etc. 
Como vimos, muitos hospitais ainda carecem de uma infraestrutura adequada, 
comprometendo o trabalho realizado pelo profissional, que precisa, muitas vezes, realizar seus 
atendimentos nos quartos ou enfermarias, cabendo a ele explorar novos ambientes que 
possibilitem a interação social e a realização das atividades. 
Finalizamos com a ideia de aprofundar as pesquisas em relação à formação do 
professor para a atuação do pedagogo em espaços pedagógicos formais e não-formais. Há 
muitos profissionais capacitados para a extensa lista de possibilidades de atuação além dos 
muros da escola; o que precisa ser efetivada é a inserção de novas disciplinas na formação do 
profissional, de modo a ampliar seu exercício na educação não-formal, garantindo que os 
professores possam se sentir mais seguros para atuar nesses campos de atuação. 
 
 
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