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Aula 4 sucedanios



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SUCEDÂNEOS RECURSAIS
Sucedâneo recursal é todo meio de impugnação de decisão judicial que não é um recurso.
 Dividem-se em internos e externos.
 
1. SUCEDÂNEO RECURSAL INTERNO 
É aquele que se desenvolve no próprio processo em que a decisão foi proferida
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a) Remessa necessária - art. 496, CPC
A remessa necessária é considerada um sucedâneo recursal porque: 
a) Há ausência de voluntariedade;
 b) Não é dialética, já que não existem razões e nem contrarrazões; 
c) Não há contraditório; 
d) Não há prazo; 
e) Apesar de prevista em lei, não está no rol de recursos (princípio da taxatividade); 
f) A legitimação recursal regulada pelo art. 996 do CPC não se aplica ao reexame necessário, instituto cuja legitimidade é do juízo, que determina a remessa para o Tribunal.
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b) Correição parcial 
A correição parcial é cabível quando há a inversão na prática dos atos procedimentais, gerando como consequência uma confusão procedimental. O objetivo da correição parcial é restabelecer a ordem normal do procedimento. Logo, não possui natureza recursal. 
O STJ entende que a correição parcial é admitida no caso de omissão e de despacho, confirmando sua natureza residual. 
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C) Pedido de reconsideração O pedido de reconsideração, apesar de amplamente utilizado na prática forense, não possui previsão legal. 
Trata-se de um pedido de reforma ou anulação dirigido ao próprio juízo prolator da decisão. 
Conforme entende o STJ, o pedido de reconsideração não interrompe e nem suspende o prazo recursal.
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2. SUCEDÂNEO RECURSAL EXTERNO 
Desenvolvem-se em um processo distinto daquele em que a decisão impugnada foi proferida, o que é suficiente para distingui-los dos recursos.
 São chamados de ação autônoma de impugnação, é o caso da ação rescisória, da reclamação, ação anulatória, ação de querela nullitatis, mandado de segurança contra decisão judicial e embargos de terceiro.
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2.1) Ação rescisória 
É um meio de impugnação judicial de decisão de mérito (acolhe ou rejeita o pedido e a prescrição e decadência) e de decisão terminativa (art. 966, § 2º, do CPC) transitada em julgado. 
O rol de vícios de rescindibilidade está previsto no art. 966 do CPC.
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2. 2) Ação anulatória
 É um meio de impugnação que poderá ocorrer após o trânsito em julgado, nos casos de decisão meramente homologatória (art. 966, § 4º, CPC).
2. 3) Ação de querela nullitatis
 Ação meramente declaratória, para impugnar um vício transrescisório que atinge o plano da validade. É o caso, por exemplo, da citação viciada. 
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2.4) Mandado de segurança contra decisão judicial 
Deve ser interposto antes do trânsito em julgado, nos termos do art. 5º, II e III, da Lei 12.016/09.
 Os tribunais exigem que a decisão impugnada por MS seja teratológica ou de flagrante ilegalidade, além de ser uma decisão irrecorrível ou de recurso inútil.
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2.5) Embargos de terceiro 
Voltam-se contra uma constrição judicial.
2. 6) Reclamação 
Após a reestruturação procedimental da reclamação com o CPC/15, o STF passou a considerar a reclamação como uma ação.
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CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS 
QUANTO AO OBJETO IMEDIATO TUTELADO PELO RECURSO 
a) Recursos ordinários 
Os recursos ordinários servem para tutelar o direito das partes. Em outras palavras, por meio dos recursos ordinários, as partes buscam a tutela do seu interesse no caso concreto. 
b) Recursos extraordinários 
O recurso extraordinário serve para a proteção e preservação da boa aplicação do direito. Seu intuito é a conservação do próprio ordenamento jurídico.
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Os recursos extraordinários são a exceção, só passam a ser cabíveis quando esgotadas as vias ordinárias de impugnação. São eles: 
1) Recurso extraordinário; 
2) Recurso especial; 
3) Embargos de divergência.
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2. QUANTO À FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL (CAUSA DE PEDIR) 
Todo recurso deverá ser devidamente fundamentado, expondo o recorrente os motivos pelos quais está atacando a decisão impugnada.
 a) Fundamentação livre 
É aquele em que o recorrente está livre para, nas razões do seu recurso, deduzir qualquer tipo de crítica em relação à decisão, sem que isso tenha qualquer influência na sua admissibilidade. A causa de pedir recursal não está delimitada pela lei, podendo o recorrente impugnar a decisão alegando qualquer vício.
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b) Fundamentação vinculada 
As matérias passíveis de alegação já estão previamente previstas em lei. 
O rol de matérias alegadas é taxativo e o desrespeito a essa exigência legal acarretará a inadmissibilidade do recurso por irregularidade formal. 
A fundamentação vinculada é excepcional, ocorrendo apenas nos casos de recurso extraordinário (art. 102, III, da CF), recurso especial (art. 105, III, da CF) e embargos de declaração (art. 1.022 do CPC). 
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3.QUANTO À ABRANGÊNCIA DA MATÉRIA IMPUGNADA 
a) Recurso total 
É aquele que tem por objeto a integralidade da parcela da decisão que gera sucumbência à parte. 
b) Recurso parcial 
É aquele que impugna apenas uma parcela ou um capítulo da decisão. 
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4. QUANTO À INDEPENDÊNCIA OU SUBORDINAÇÃO 
a) Recurso principal 
É aquele interposto dentro do prazo recursal, sendo irrelevante a postura adotada pela parte contrária. 
b) Recurso adesivo
É aquele interposto no momento das contrarrazões, em razão do recurso da parte contrária. 
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Conforme entendimento firmado no STJ (AgInt no AREsp 1.609.677/SP), na hipótese de interposição de recurso nominado pela parte como apelação, com fundamento no art. 1.009 do CPC, não há falar em afastamento de intempestividade para fins de recebimento de recurso principal como adesivo. Da mesma forma, não se revela possível a aplicação do princípio da fungibilidade recursal, por se tratar de erro grosseiro.
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O art. 997 do CPC disciplina o recurso adesivo, prevendo que será cabível apenas nos casos de apelação, recurso extraordinário e recurso especial, quando houver sucumbência recíproca e apenas uma das partes recorrer. 
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Para o STJ não cabe interpretação extensiva, trata-se de um rol taxativo. 
Logo, não cabe recurso adesivo de ROC, de agravo de instrumento. 
A desistência do recurso principal com base em má-fé admite o julgamento do recurso adesivo. 
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2. EFEITO DEVOLUTIVO 
O efeito devolutivo transfere ao órgão ad quem as matérias que foram julgadas pelo juízo a quo. 
Todo recurso possui efeito devolutivo. Diversamente Barbosa Moreira (entendimento minoritário) entende que o efeito devolutivo só irá ocorrer quando o órgão que decide for distinto daquele que irá analisar o recurso. Consequentemente, os embargos de declaração não possuem efeito devolutivo. 
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O efeito devolutivo do recurso deve ser analisado sob duas dimensões: 
a) Dimensão horizontal (extensão da devolução) 
Trata da matéria em relação à qual uma nova decisão é pedida (tantum devolutum quantum appellatum). 
É o recorrente, através da extensão devolutiva, que determina o que pretende devolver ao tribunal. 
Art. 1.013
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b) Dimensão vertical (profundidade da devolução) 
Trata-se do material com o qual o órgão julgador trabalhará para decidir o recurso. 
Todas as questões suscitadas e discutidas, ainda que não tenham sido decididas, serão devolvidas ao tribunal. É uma imposição legal, não depende da vontade do recorrente. 
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Além disso, todos os fundamentos do pedido e da defesa sobem ao tribunal. Imagine, por exemplo, um pedido de rescisão contratual com dois fundamentos: erro e coação. O juiz acolhe o fundamento do erro, o que é suficiente para a procedência do pedido, a alegação de coação não chega a ser analisada. 
Ao apelar, o réu alega que não houve erro. Ao julgar a apelação, o tribunal afasta o erro, mas obrigatoriamente deve analisar o fundamento da coação, que é automaticamente devolvido pela profundidade do efeito devolutivo. 
Art. 1.013, parágrafo 1, 2, 3 
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3. EFEITO SUSPENSIVO 
Consiste na suspensão dos efeitos da decisãorecorrida, decorrente de previsão expressa de lei. 
Em regra, os recursos não possuem efeito suspensivo. Excepcionalmente, haverá concessão de efeito suspensivo aos recursos, que segue dois critérios: 
1) Efeito suspensivo próprio 
Está previsto expressamente na lei, a exemplo da apelação (art. 1.012 do CPC). 
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2) Efeito suspensivo impróprio
É concedido pelo juiz, na análise do caso concreto, desde que haja risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação, causado pela geração imediata de efeitos da decisão, bem como nos casos em que ficar demonstrada a probabilidade de provimento do recurso. 
Art. 995
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Vale salientar que o efeito suspensivo não impede a geração dos efeitos secundários da sentença, é o caso da hipoteca judiciária (art. 495, § 1o, III, do CPC) e da impugnação de sentença (art. 512 do CPC). 
Art. 495, 512
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4. EFEITO TRANSLATIVO 
O efeito translativo permite que o tribunal reconheça determinadas matérias de ofício no julgamento do recurso. 
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4.8. EFEITO DIFERIDO 
O efeito diferido ocorre quando o conhecimento do recurso depende de recurso a ser interposto contra outra ou a mesma decisão. É o caso, por exemplo, do recurso adesivo. 
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