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RESUMO DIREITO DO TRABALHO-8

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liberar as guias ou liberar tardiamente de modo a impedir que receba o benefício, ajuiza uma ação de danos contra ele 
e a competência é da JT. 
 
Sum. 389 TST: I - Inscreve-se na competência material da Justiça do Trabalho a lide entre empregado e empregador 
tendo por objeto indenização pelo não-fornecimento das guias do seguro-desemprego. 
II - O não-fornecimento pelo empregador da guia necessária para o recebimento do seguro-desemprego dá origem ao 
direito à indenização. 
 
3.1 MODOS DE FIXAÇÃO DE COMPETÊNCIA 
3.1.2 Em razão da matéria 
 Alteração decorrente da EC 45/2004. A partir dessa emenda não julgamos apenas relação de emprego, julgamos toda e 
qualquer relação oriunda da relação de trabalho. 
 O termo relação de trabalho é um termo amplo, porém não é irrestrito. É um termo amplo, mas que tem restrições. 
Trazemos para cá os trabalhadores, pessoas físicas, que tem um aspecto social e econômico similar ao empregado. 
Logo, não julgamos todo e qualquer tipo de relação de trabalho. 
 Hipóteses 
a. SEGURO DESEMPREGO 
 Direito de todo e qualquer trabalhador que é despedido de forma involuntária 
 Art. 7º, CF - São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição 
social: 
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário; 
 Esse direito não pertence somente ao trabalhador urbano rural. Pertencente também ao empregado doméstico. 
 Quando o empregado é demitido sem justa causa, e o empregador não libera as vias, ele pode perder o direito ao seguro. 
Para ele dá entrada no Ministério de Trabalho e emprego ele tem que possuir as vias. 
 Pode ser que o empregador entregue as vias, mais entregue muito depois e isso pode prejudicar, pois há um prazo. Isso 
gera uma lesão 
 O empregado poderá ajuizar uma ação de indenização por danos contra o empregador, e a competência será da Justiça 
do Trabalho, porque a lesão é oriunda de uma relação de trabalho 
 É uma competência que já tínhamos, mas só foi abarcada pela EC 45/04 
 Na prática, o juiz calcula quantas parcelas o empregado teria, qual seria o valor de cada uma delas pelo tempo de serviço 
e pelo salário que ele recebia, e converte esse valor em indenização. 
b. AÇÕES POSSESSÓRIAS 
 Direitos das coisas: posse e propriedade de um bem 
 Em geral, nós temos duas situações diferentes: 
1- Quando há invasão: turbação ou esbulho da posse e eu quero acabar com essa lesão. Quando minha posse está 
prejudicada eu devo promover ação de reintegração de posse 
2- Quando há ameaça: devo ajuizar ação de interdito proibitório 
 Isso poderá repercutir nas relações de trabalho. Muitas vezes, poderá o empregado ter um instrumento de trabalho e 
não querer devolver ao empregador. São situações comuns que ocorrem em relações de emprego doméstico, em 
especial com aqueles caseiros de sítios que moram anos e anos no sítio e quando são demitidos não querem deixar o 
local porque acham que são donos da casa e que adquiriram aquilo por usucapião 
 Outro exemplo comum é quando os empregados invadem a empresa em caso de greve. Ou quando ameaçam invadir a 
empresa para forçar os colegas a pararem de trabalhar. 
 Existe a possibilidade de usar desses mecanismos para resguardar a posse do empregador que está sendo turbado, 
esbulhado ou ameaçado. 
 Trata-se de uma ação civil. No entanto o que mudou aqui não foi o direito material e sim a competência. Nada impede 
que eu ajuíze uma ação na Justiça do Trabalho e eu tenha que utilizar como fundamento dessa ação o direito civil e o 
processo civil. O que importa para configurar a competência é que a lesão nasça de uma relação de trabalho. 
 Competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar ações possessórias que envolvam lesão nas relações de 
trabalho. 
 Embora seja um instituto do direito civil, a lesão é decorrente de uma relação de trabalho. 
 Hipóteses: 
i. Turbação ou esbulho da posse em decorrência da relação de trabalho 
ii. Ameaça de turbação ou esbulho da posse de um bem do empregador 
 Nessas hipóteses, poderá o empregador entrar com uma ação de reintegração de posse ou interdito proibitório na Justiça 
do Trabalho. O ponto definidor da competência da Justiça do Trabalho, é se a causa de pedir e o pedido estão 
relacionados à uma lesão oriunda de uma relação de trabalho. 
 Súmula Vinculante 23, STF: A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória ajuizada em 
decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada. 
 OBS: ações de interdito proibitório ou de reintegração de posse no caso de GREVE, somente pode ser de greve de 
empregadores do setor PRIVADO. 
 Há uma incongruência: na questão da mãe que o filho morre na justiça do trabalho a Justiça do Trabalho é competente, 
entretanto, ao se tratar da previdência complementar onde eu só tenho aquele plano porque nasceu do meu contrato de 
trabalho, a Justiça do Trabalho não possui competência. Em relação às ações possessórias que, em tese, não faz parte 
do nosso roteiro, a Justiça do Trabalho é competente. 
 A jurisprudência que vai definir qual a competência da justiça do trabalho quando a lei for vaga. Não há uma regra 
fechada, objetiva, é de acordo com a interpretação da jurisprudência. 
c. CRIMINAL 
 Antes da EC 45 não se discutia sobre isso. Ninguém falava da competência da Justiça do Trabalho para julgar crimes, 
ainda que ocorresse nas relações de trabalho e emprego, porque isso sempre foi estabelecido que é competência da 
Justiça Comum (Estadual e Federal). 
 A EC 45 trouxe essa discussão para nossa seara. A EC 45, colocou no artigo 114 o inciso IV 
 Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: 
IV os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua 
jurisdição 
 Quando foi inserido o inciso IV, passou-se a achar, pelo fato de ter colocado o habeas corpus, que nós éramos 
competentes para julgar ações criminais, logo, se houvesse um homicídio, se houvesse um furto, se houvesse questões 
voltados à crimes coletivos (trabalho escravo) tudo estaria embutido na nossa competência pelo simples fato de a EC 45 
ter colocado expressamente que a Justiça do Trabalho é competente para julgar habeas corpus 
 Quando o legislador colocou o habeas corpus foi uma medida que pode ser utilizada na prisão civil. Quando ele colocou 
o habeas corpus no artigo 114 não foi para dizer que a Justiça do Trabalho passou a ter competência para julgar crimes 
relacionados ao trabalho. Foi para dizer que se necessária a utilização do habeas corpus, por uma questão de prisão 
civil (que na época possuíamos a prisão por dívidas que hoje não é mais possível) da parte poder manejar o habeas 
corpus, já que antes já se utilizava o habeas corpus para isso, mas não tinha previsão expressa na CF. 
 A Justiça do Trabalho não possui estrutura para julgar crimes, não tem tribunal do júri, não tem o conhecimento suficiente 
dos magistrados para julgar crimes. A Justiça do Trabalho é uma justiça especial que julga questões trabalhistas, que 
tem um cunho cível especial, uma vez que se trata de um contrato de trabalho. Caso isso acontecesse, iria inverter o 
papel da Justiça do Trabalho. Mas houve vozes nesse sentido, inclusive o MP do Trabalho passou a defender que as 
ações civis públicas elas poderiam ser cominadas com ação penal se houvesse uma situação de trabalho com condições 
análogas de escravo, já pedindo o processamento da ação contra o empregador que praticasse esse crime. E então, foi 
necessário ser ajuizada uma ADI perante o STF para que ele se manifestasse se realmente o simples fato de inserir o 
habeas corpus no artigo 114 teria trazido todo esse contexto de competência criminal para a justiça do Trabalho. A ADI 
decidiu, em sede de liminar, que a Justiça do Trabalho não possui competência criminal, que o fato de se ter colocado o 
habeas corpus como mecanismo que pode ser utilizado pela Justiça do Trabalho trata-sede uma medida de 
esclarecimento, que essa via também pode ser utilizada na esfera cível. 
 Justiça do Trabalho não tem competência criminal 
 OBS: há um projeto de EC para alterar a constituição e trazer para a Justiça do Trabalho a competência para processar 
e julgar os crimes contra a organização do trabalho e os de condições análogas à de escravo. 
d. SERVIDORES PÚBLICOS 
 Os servidores públicos possuem uma relação de trabalho com algum ente público, que pode ser a União, estado ou 
Município 
 A relação entre o servidor público e o estado (latu sensu) é uma relação especial. É uma relação jurídico-administrativa 
como regra. 
 Tanto é que estudamos os servidores públicos no âmbito do direito administrativo 
 Os servidores públicos exercem cargos. Que pode ser cargo efetivo ou em comissão. 
 O servidor público também pode exercer emprego público (CELETISTAS). 
 Até a EC 45 era claro e evidente que a Justiça do Trabalho não possuía competência para julgar os servidores públicos 
estatutários, que são aqueles que exercem cargo efetivo. Era competência da Justiça Comum (Federal ou Estadual, a 
depender do tipo do servidor público). 
 A EC 45, quando ela alterou a redação do artigo 144 ela gerou uma certa dúvida. Porque o artigo 114, mais precisamente 
no inciso I, afirma que a Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações que englobem as relações 
oriundas da relação de trabalho, inclusive contra entes de direito público externo e entes da administração direta e direta. 
 Portanto, de acordo com o inciso I, parece que a Justiça do Trabalho julga todos os tipos de servidores públicos. 
 Art. 114, CF - Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: 
I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta 
e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; 
 Qual foi a interpretação que foi dada quando a EC 45 entrou em vigor? Que com essa emenda, a Justiça do Trabalho 
passou a ser competente para processar e julgar relações de trabalho latu sensu. Passando a julgar, inclusive, servidores 
públicos. 
 Muitos não concordaram com essa interpretação, inclusive a AJUF ajuizou uma ADI para que o STF se manifestasse 
quanto a isso, para saber se a interpretação deveria ser mesmo extensiva e entender que foram trazidos para a Justiça 
do Trabalho os Servidores Públicos, ou se a interpretação deveria ser restritiva. A polemica foi maior ainda porque no 
projeto eram claramente excluídos os servidores estatutários, e a redação que foi aprovada com a emenda foi uma 
redação genérica. Nessa ADI, o presidente Nelson Jobim deu liminar afastando a competência afirmando que não é 
competência da Justiça do Trabalho a relação do servidor público estatutário e a administração pública. Se trata de uma 
relação político-administrativa. Essa liminar foi confirmada no mérito. 
 A Justiça do Trabalho não julga servidor público estatutário. Não julgamos direito e muito menos greve 
 Servidores públicos estatutários: exercem cargo efetivo e são regidos por lei específica 
 Servidores públicos federais: Lei n.º 8.112/90 
 Logo, a disposição do artigo 114, I, CF foi corrigida pelo STF 
 E os servidores que exercem cargo em comissão? Cargos de livre nomeação e exoneração, os cargos de livre confiança. 
A relação que essas pessoas possuem com o estado (latu sensu) é uma relação político-administrativa ou é uma relação 
tipicamente trabalhista? Quem julga é a Justiça comum ou a Justiça do Trabalho? 
R: depende se esse cargo de comissão tiver previsão na lei do servidor público. Se este cargo tiver previsão na lei do 
servidor público, ele transforma-se em cargo estatutário onde a Justiça do Trabalho não será competente para julgar a 
relação. Se o cargo de comissão não possuir previsão na lei do servidor público, seja ele municipal, estadual ou federal, 
quem passará a julgar a questão é a Justiça do Trabalho. Portanto, deve-se saber qual é o município e saber se essa lei 
regulamenta o contrato de cargo de comissão. Se a lei regulamenta a competência é automática da Justiça Comum. 
Caso não preveja sobre o cargo de comissão, a competência será da Justiça do Trabalho. 
 E os servidores celetistas? Somos competentes? 
R: sim! Porque eles são tratados como base na CLT. Quando sei que o cargo é celetista ou estatutário? O próprio edital 
prever isso. 
 OBS: o artigo 39 da CF, na sua redação original, logo quando a CF entrou em vigor, previa o chamado regime jurídico 
único, a administração pública só podia contratar mediante concurso público para o exercício de cargo efetivo. Em 98 
tivemos a EC 19/98 alterou a redação do artigo 39 e passou a permitir que a administração pública contratasse no regime 
tanto celetista quanto estatutário, e o que definiria a natureza do cargo é o edital. No entanto, isso acabou porque em 
2007 foi ajuizada uma ADI para questionar a constitucionalidade deste artigo, pelo motivo de que a EC 19/98, quando foi 
adotada, não se respeitou o quórum de 3/5 na Câmara dos Deputados, ou seja, alegava-se uma inconstitucionalidade 
formal, e foi deferido o pedido. Com essa ADI, a redação que permitia a contratação com duplo regime foi retirada do 
cenário jurídico, e voltou a viger a redação original que permite a contratação somente pelo regime jurídico único. Então, 
se 2007 pra cá, a administração pública só passou a permitir a feitura de concurso público para permitir o exercício de 
cargo público efetivo. No entanto, o efeito da decisão da ADI foi ex nunc, uma vez que vários concursos já haviam sido 
promovidos, e aqueles servidores concursados que já exerciam seu emprego não podiam perder. Por isso, o STF 
modulou o efeito da ADI. 
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico 
único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações pública 
 Pergunta para casa: nós temos servidores públicos estatutários, que são aqueles que exercem cargo público efetivo. 
Temos aquele que exerce cargo público em comissão. Temos também os empregados públicos. Quem são os 
TEMPORÁRIOS? São aqueles que são contratados pela administração pública, com previsão em lei, para atender 
necessidade excepcional de serviço, quando o Estado não pode esperar o concurso público, quando o Estado precisa 
com urgência contratar pessoas. Art. 37, IX, CF. A relação desse pessoal com o Estado, é uma relação típica de trabalho 
ou uma relação estatutária? A justiça comum é competente, se há uma lei autorizando a contratação dos temporários. 
Ainda que se alegue fraude, vício, desvirtuamento. Logo, se existe uma lei tem que ir para Justiça Comum. 
ESTATUTÁRIO DE CURTA DURAÇÃO. 
 Se o Estado fizer uma CONTRATAÇÃO DIRETA para um cargo efetivo? Sem concurso público, sem lei prévia 
autorizando. A Justiça do Trabalho é competente, uma vez que não há lei autorizando. No entanto, esse contrato é 
NULO, porque não houve prestação de concurso público. É deferido a esse trabalhador os salários atrasados e FGTS. 
Art. 37, CF - A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal 
e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, 
também, ao seguinte 
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas 
e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as 
nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração 
§ 2º A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade responsável, 
nos termos da lei. 
 Inclusive, o gestor público que contratar não observando o artigo 37, II da CF pode ser condenado por improbidade 
administrativa,pois violou os princípios da administração pública. 
 
Súmula nº 363 do TST 
CONTRATO NULO. EFEITOS (nova redação) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 
A contratação de servidor público, após a CF/1988, sem prévia aprovação em concurso público, encontra óbice no respectivo 
art. 37, II e § 2º, somente lhe conferindo direito ao pagamento da contraprestação pactuada, em relação ao número de 
horas trabalhadas, respeitado o valor da hora do salário mínimo, e dos valores referentes aos depósitos do FGTS. 
 Não tem como retornar ao status quo ante. 
 Tal disposição está em sede de repercussão geral, porque o que se alega é que o trabalhador, muitas vezes, está de 
má-fé, pois sabem que não é permitido e aceita. E acaba causando dano ao erário. A repercussão geral é para banir 
qualquer direito da pessoa, desde que comprovada a má-fé. 
UNIDADE II – Competência da Justiça do Trabalho 
3 Modos de Fixação 
 
*A competência da justiça do trabalho é definida pelo que consta na causa de pedir e no pedido da petição inicial, o que 
decorre de uma lesão oriunda de uma relação de trabalho, nos moldes do artigo 114 da CF e artigo 652 da CLT 
* a Justiça do Trabalho julga apenas servidores públicos celetistas, não julga os estatutários, sejam eles no exercício de 
cargo efetivo com prazo indeterminado ou os servidores temporários, uma vez que existe uma lei que regula tanto os 
que ocupam cargo temporário como os que ocupam cargo definitivo. 
* Se a administração faz contratação direta a competência passa a ser da justiça do trabalho, uma vez que trata-se de 
uma fraude. O contrato será nulo, pois não há prestação do serviço público. O TST afirma que nesses casos deve-se 
pagar o FGTS e os salários não pagos (Súmula 363) 
 
3.1 Em razão da matéria 
 Competência material decorrente (Art. 114, IX, CF) 
Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: 
IX outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei. 
 Competência um pouco criticada. Para muitos, esse dispositivo colocado na CF é redundante, porque ele fala que outras 
competências poderão ser processadas e julgadas pela justiça do trabalho, desde que haja autorização em lei. 
 Tudo o que nós temos hoje, que veio com a EC 45, pode ser ampliado se houver uma lei autorizando essa ampliação

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