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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 5 VARA CRIMINAL DA COMARCA DE BELO HORIZONTE


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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 5ª VARA 
CRIMINAL DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG 
 
 
 
Autos nº.... 
 
 
 
 
 
 MARCOS ..., já qualificado nos autos, por intermédio de seu 
advogado que abaixo subscrevem, vêm respeitosamente à presença de Vossa 
Excelência, apresentar tempestivamente, apresentar RESPOSTA À 
ACUSAÇÃO, com fundamento nos artigos 396 e 396-A, do Código de 
Processo Penal, pelas razões de fato e de direito a seguir expostos: 
 
I – DA SÍNTESE DOS FATOS 
 
 O denunciado está sendo acusado pelo Ministério Público pela 
suposta prática dos crimes lesão corporal grave tentada e porte ilegal de arma 
de fogo. 
 
 A denúncia foi recebida e o acusado citado dia 13 de março de 
2024 de forma irregular. 
 
 
 
II – TEMPESTIVIDADE 
 
 Nos termos do art. 396 do CPP, a partir da citação, o acusado 
possui o prazo de 10 dias para apresentar sua resposta à acusação. 
 No caso, a citação irregular ocorreu no dia 13 de março de 
2024, tendo o acusado até o dia 25 de março de 2024 para o oferecimento de 
sua defesa, razão pela qual trata-se de peça apresentada tempestivamente. 
 
III – DO DIREITO 
 
A) DA PRELIMINAR DE NULIDADE DA CITAÇÃO 
 
 O acusado foi citado por carta com aviso de recebimento no 
dia 13/03/2024. Ocorre que tal modalidade de citação não encontra 
previsão no Código de Processo Penal. 
 A citação, neste caso, deveria ocorrer, conforme regra 
prevista no art. 351 do CPP, de forma pessoal, por Oficial de Justiça, em 
cumprimento de mandado judicial de citação. 
 Trata-se, pois, de ato processual realizado ao arrepio da lei e, 
portanto, de ato nulo, nos termos do art. 564, III, “e”, do CPP. Logo, os 
atos subsequentes devem ser igualmente reputados nulos (art. 573, s 
1º, CPP). 
 
B) DO MÉRITO 
Do crime impossível 
 
 Em relação à lesão corporal, trata-se de hipótese crime 
impossível, por absoluta ineficácia do meio utilizado pelo agente, nos 
termos do art. 17 do CP. 
 No caso, o agente atentou atirar nas pernas do agressor com 
uma arma de fogo, que, segundo a prova pericial acostada dos autos, é 
absolutamente incapaz de produzir disparos. 
 No que tange ao porte ilegal de arma de fogo, pode-se 
aplicar o mesmo raciocínio. O crime de porte de arma é um crime de 
perigo e não há risco à incolumidade pública no porte de um artefato que 
não realiza disparos. 
 Novamente, trata-se de um meio absolutamente incapaz de 
atingir o bem jurídico protegido pela (incolumidade pública) e portanto, 
de crime impossível, nos termos do art. 17 do CP. 
 Logo, em relação a ambos os crimes, estamos diante da 
hipótese de absolvição sumária, prevista no art. 397, III, CPP 
(atipicidade). 
 
Legítima defesa de terceiro 
 
 Subsidiariamente, caso Vossa Excelência entenda pela 
atipicidade do fato, é de se reconhecer a ausência da ilicitude ou 
antijuridicidade (art. 23, II, CP). 
 Trata-se de caso clássico de legítima defesa de terceiro (art. 
25 do CP), tanto em relação à imputação de lesão corporal, quanto à acusação 
de porte ilegal de arma de fogo, considerando que o porte foi o meio disponível 
e necessário no contexto para tentar fazer cessar as agressões (princípio 
consunção). 
 No presente caso, conforme uníssona prova testemunhal, 
Marcos apenas se valeu do uso de arma, regulamentada, ainda que inepta, 
para fazer cessar as injustas agressões contra um terceiro, menor de idade e 
indefeso. 
 Desta forma, cabe absolvição sumária do acusado, com 
fundamento no art. 397, inc. I, do CPP. 
 
III- DOS PEDIDOS E DOS REQUERIMENTOS 
 
 Ante o exposto, requer o acusado: 
a) Preliminarmente, a nulidade do processo, desde a 
citação, por ter está realizado de forma ilegal (art. 564, III, 
e, CPP); 
b) No mérito, a absolvição sumária do acusado em relação a 
ambas as imputações por se tratar de crime impossível 
(art. 397, III, CPP); 
c) Caso Vossa Excelência entenda tratar-se de fatos típicos, 
a absolvição sumária em ambos os crimes com base na 
legítima defesa de terceiro (art. 397, I, CPP); 
d) Por fim, não havendo absolvição neste momento, protesta 
desde já pela produção de provas, com designação de 
audiência de instrução e julgamento e oitiva das 
testemunhas arroladas abaixo. 
 
Nesses termos, 
 
 Local..., 25 de março de 2024 
 Pede e Espera Deferimento. 
 Advogado... 
 OAB/UF XXXXXXX 
 
ROL DE TESTEMUNHAS 
1 - Joanna..., CPF..., endereço... 
2 - Pedro..., CPF..., endereço... 
3 - Lourenço..., CPF..., endereço...

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