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A_responsabilidade_civil_dos_provedores

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A responsabilidade civil dos provedores de aplicações no Marco Civil da 
Internet 
Wévertton Gabriel Gomes Flumignan1 
 
A internet permite aos seus usuários o exercício de direitos básicos 
e suas ferramentas tornam publicações em meio virtual acessíveis a qualquer 
público de forma rápida e prática. Ela é uma grande fonte de informações, o 
que a transforma em um importante centro de encontro, confronto e troca de 
opiniões, com todas as vantagens e riscos das relações sociais2. 
Entretanto, embora seus avanços sejam comumente exaltados, por 
vezes se revela como um mecanismo que possibilita a prática de ilícitos, 
decorrendo, principalmente, do seu mau uso associado à capacidade difusora 
de informações e ilícitos, o que levou o Poder Judiciário a buscar coibir as 
práticas abusivas, identificando os responsáveis e determinando reparação às 
vítimas. 
Com o advento da Lei n. 12.965/14, também denominada Marco 
Civil da Internet, diversas mudanças ocorreram no cerne da responsabilização 
civil dos provedores de internet. O CDC, antes da promulgação do Marco Civil, 
consolidou diversos direitos aos usuários, o que ensejou discussão sobre 
possível conflito de normas, fazendo com que alguns doutrinadores tenham 
defendido, inclusive, a inconstitucionalidade do Marco Civil nos pontos em que 
haveria supressão de direitos já consolidados. 
Neste sentido, a responsabilização dos provedores de aplicações de 
internet3 sofreu as mudanças mais significativas. O Marco Civil, em seu art. 5º, 
VII, entende por aplicações de internet o conjunto de diversas funcionalidades 
acessíveis por meio de terminal conectado à internet expondo no art. 15 que 
este tipo de provedor é aquele “constituído na forma de pessoa jurídica e que 
 
1* http://www.justificando.com/2015/08/21/a-responsabilidade-civil-dos-provedores-de-
aplicacoes-no-marco-civil-da-internet/ Mestre em Direito pela USP. Graduado pela PUC-SP. 
Advogado. E-mail: wflumignan@gmail.com 
2 PAESANI. Liliana Minardi. Direito e Internet: liberdade de informação, privacidade e 
responsabilidade civil. 3 ed. São Paulo, Atlas, 2006. p. 26. 
3 Segundo a doutrina, abrangeria os provedores de correio eletrônico, de hospedagem e os de 
conteúdo. 
exerça essa atividade de forma organizada, profissionalmente e com fins 
econômicos”. 
Antes da promulgação do Marco Civil, o STJ havia se posicionado 
pela necessidade de notificação extrajudicial para retirada de qualquer 
conteúdo que entendesse ilícito, a qual deveria ser atendida no prazo de 24 
horas4. No mesmo sentido, a Ministra Nancy Andrigui sustentou na época que, 
depois de notificado extrajudicialmente de conteúdo ilícito, o provedor de 
conteúdo caso não retirasse o material do ar em 24 horas responderia 
solidariamente pelo dano. Para ela o provedor de conteúdo não estaria 
obrigado a analisar o teor da denúncia recebida no referido prazo, devendo 
apenas promover a suspensão preventiva das páginas, podendo checar a 
veracidade das alegações em momento futuro5. 
Com o advento do Marco Civil, a responsabilização dos provedores 
tende a ser norteada por novas regras. No caput do art. 19 está elencado que o 
provedor de aplicações de internet somente seria responsabilizado civilmente 
por danos advindos de conteúdo gerado por terceiros após deixar de cumprir 
em tempo hábil ordem judicial específica determinando sua retirada6. Esse 
comando contraria anterior posicionamento de que esta notificação poderia ser 
extrajudicial. A criação desse mecanismo de litigiosidade é duramente criticado 
por parte doutrina, que chega a taxá-lo de inconstitucional. 
A exceção prevista no Marco Civil está no art. 21, que prevê o dever 
de o provedor de conteúdo remover conteúdo de nudez ou atos sexuais 
privados, publicados sem consentimento, mediante simples notificação 
extrajudicial, sob pena de ser subsidiariamente responsável7. 
 
4 Brasil, STJ, REsp 1.337.990/SP, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Órgão julgador: 
Terceira Turma, julgado em 21/08/2014. 
5 Brasil, STJ, REsp 1.323.754/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Órgão Julgador: Terceira 
Turma, julgado em 19/06/2012. 
6Art. 19. Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura, o provedor 
de aplicações de internet somente poderá ser responsabilizado civilmente por danos 
decorrentes de conteúdo gerado por terceiros se, após ordem judicial específica, não tomar as 
providências para, no âmbito e nos limites técnicos do seu serviço e dentro do prazo 
assinalado, tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente, ressalvadas as 
disposições legais em contrário. (...) 
7Art. 21. O provedor de aplicações de internet que disponibilize conteúdo gerado por terceiros 
será responsabilizado subsidiariamente pela violação da intimidade decorrente da divulgação, 
sem autorização de seus participantes, de imagens, de vídeos ou de outros materiais contendo 
Atenta-se que para a responsabilização e identificação de eventuais 
danos causados por terceiros na internet é essencial que os provedores 
preservem e forneçam os registros eletrônicos utilizados na prática ilícita. Antes 
do Marco Civil, não havia regulamentação específica sobre o assunto, o que 
não impediu o STJ de firmar entendimento de que os provedores de conteúdo 
deveriam armazenar tais registros por três anos, em consonância com o 
CC/02, que em seu art. 206, §3º, V estipula o referido período como prazo 
prescricional para as ações de reparação civil8. 
O Marco Civil, por sua vez, pode representar retrocesso na matéria 
por haver estabelecido em seu art. 15 que os provedores de aplicações de 
internet devem preservar os registros de acesso às aplicações de internet pelo 
prazo de apenas seis meses. 
Importante ressaltar, ainda, a incidência do CDC nas relações com 
os provedores de internet, devendo ser o usuário considerado consumidor, uma 
vez que o art. 2º, caput do CDC define o mesmo como “(...) toda pessoa física 
ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final”. 
Além disso, no art. 3º, §2º está estipulado que “serviço é qualquer atividade 
fornecida ao mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de 
natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes de 
caráter trabalhista”. Tal posicionamento é defendido inclusive pela Terceira 
Turma do STJ9. 
Assim, se o provedor prestar serviço defeituoso, informações 
insuficientes ou inadequadas incidirá no art. 14 da referida Lei, respondendo 
objetivamente pelos danos causados. Isentar-se-ia, no entanto, se provasse 
que o defeito inexiste ou que a culpa foi exclusiva do consumidor ou de terceiro 
(art. 14, §3º, do CDC). 
 
cenas de nudez ou de atos sexuais de caráter privado quando, após o recebimento de 
notificação pelo participante ou seu representante legal, deixar de promover, de forma diligente, 
no âmbito e nos limites técnicos do seu serviço, a indisponibilização desse conteúdo. 
Parágrafo único. A notificação prevista no caput deverá conter, sob pena de nulidade, 
elementos que permitam a identificação específica do material apontado como violador da 
intimidade do participante e a verificação da legitimidade para apresentação do pedido. 
8 Brasil, STJ, REsp 1398985, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Órgão Julgador: Terceira Turma, 
julgado em 19/11/2013. 
9 Brasil, STJ, REsp 1316921, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Órgão Julgador: Terceira Turma, 
julgado em 26/06/2012. 
Não restam dúvidas de que o Marco Civil representa um avanço no 
trato jurídico das relações derivadas do uso da internet. No entanto, a Lei se 
mostra conflitante em alguns pontos com entendimentos e leis quebeneficiavam os usuários (consumidores), devendo ser feita uma análise 
profunda pelo judiciário quanto à constitucionalidade ou não de alguns 
dispositivos desta Lei.

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